segunda-feira, 12 de abril de 2010

TEOLOGIA DA PRO$PERIDADE: ENRIQUECIMENTO DOS PREGADORE$, EMPOBRECIMENTO DOS FIÉIS

A Teologia da Prosperidade (também conhecida como doutrina da prosperidade, a saúde e riqueza do evangelho, ou o evangelho da prosperidade) é uma crença religiosa de, talvez, milhares de cristãos ao redor do mundo. Esta crença se baseia na noção de que Deus confere prosperidade material para aqueles que Ele favorece. Alguns mestres na Palavra de Deus a definem como a crença de que "Jesus abençoa os fiéis com riquezas" ou, mais especificamente, como o ensinamento de que "os fiéis têm o direito das bênçãos de saúde e riqueza e que eles podem obter essas bênçãos por meio de confissões de fé positivas e da "semeadura fiel" de pagamentos de dízimos e ofertas à Igreja".

A Teologia da Prosperidade ou Confissão Positiva teve sua origem na década de 40 nos Estados Unidos, sendo reconhecida como doutrina na década de 70, quando se difundiu pelo meio evangélico. Possuía um forte cunho de auto-ajuda e valorização do indivíduo, agregando crenças sobre cura, prosperidade e poder da fé através da confissão da "Palavra" em voz alta e "No Nome de Jesus" para recebimento das bênçãos almejadas; por meio da Confissão Positiva, o cristão compreende que tem direito a tudo de bom e de melhor que a vida pode oferecer: saúde perfeita, riqueza material, poder para subjugar Satanás, uma vida plena de felicidade e sem problemas. Em contrapartida, dele é esperado que não duvide minimamente do recebimento da bênção, pois isto acarretaria em sua perda, bem como o triunfo do Diabo. A relação entre o fiel e Deus ocorre pela reciprocidade, o cristão semeando através de dízimos e ofertas e Deus cumprindo suas promessas. (Souza e Magalhães, 2002)

Seus primeiros propagadores foram: Kenneth Hagin, Kenneth Coppeland, Robert Tilton, Charles Capps, Morris Cerullo, dentre outros. Homens influenciados por Essek Willian Kenyon, que por sua vez teve seus ensinos inspirados nos conceitos elaborados pelo curandeiro e hipnotizador Finéias Parkhurst Quimby (século XIX), precursor das heresias conhecidas hoje como Ciência Cristã. Podemos afirmar, sem dúvida, que a Ciência Cristã (que nada tem de ciência, tampouco de cristã) foi o embrião da Confissão Positiva e, por conseguinte, da Teologia da Prosperidade.


Esta “teologia” oferece fórmulas para fazer o dinheiro render mais, evitar-se acidentes, livrar-se de doenças e problemas, aumentar as propriedades, além de viver uma vida sem dificuldades. A teologia da prosperidade sustenta que nenhum filho de Deus pode adoecer ou sofrer, pois isso seria uma clara demonstração de ausência de fé e, por outro lado, da presença do diabo.

Mahatma Gandhi apontou o materialismo para explicar sua reação ambivalente ao cristianismo: "Eu gosto do seu Cristo. Eu não gosto de seus cristãos. Seus cristãos são tão diferente de seu Cristo. O materialismo dos países ricos dos cristãos parece contradizer as afirmações de Jesus Cristo que diz: não é possível adorar a Deus e a Mamom ambos ao mesmo tempo." [Citado por William Rees-Mogg,
4 de abril de 2005, edição do The Times]

De fato, “a Teologia da Prosperidade é uma etapa avançada da secularização da ética protestante” (Freston, 1994: 146).

A teologia da prosperidade não passa de uma forma de exploração e enriquecimento dos seus pregadores, em detrimento do empobrecimento de seus seguidores - geralmente pessoas de baixa classe social e econômica - que anseiam alcançar por meio do sobrenatural aquilo que lhes foi privado pelas injustiças e desigualdades sociais.

Deve-se considerar que o crescimento explosivo do número de pregadores da prosperidade (com direito a importação dos Estados Unidos de formadores de opinião na área), tanto no mundo quanto Brasil, está inexoravelmente ligado a um grande "nicho de mercado" para suas palestras, livros e CDs. Este nicho, composto por pessoas insatisfeitas com seu padrão de vida, ouvintes e seguidores dos "profetas da prosperidade", detentores de uma cobiça quase insaciável, buscam meios fáceis para alcançarem riqueza e fama.

Os únicos "abençoados" por seguirem tais ensinos são os seus próprios mestres e pregadores! No livro "Supercrentes: O Evangelho Segundo Kenneth Hagin, Valnice Milhomens e os Profetas da Prosperidade", Paulo Romeiro faz uma constatação óbvia: a aplicação da "teologia da prosperidade" não gerou uma igreja rica e poderosa; produziu, sim, líderes ricos, poderosos e gananciosos, e cada vez mais distanciados da simplicidade de Cristo, enxergando a vida piedosa como meio de ganho. Esses senhores da prosperidade são filhos da avareza, que é idolatria; posto que só se ocupam das coisas desta vida. Paulo diria que o “Deus deles é o seu próprio ventre”.

Afinal, desde os mais remotos tempos, a religião é o negócio é mais lucrativo na Terra: Não dá nada para ninguém e recebe de todos; não vende nada material, mas recolhe grana como quem vendeu diamantes invisíveis; não investe em produção, mas ganha muito como indústria de promessas de milagres; não tem que manufaturar nada, pois apenas tem que manipular tudo; não tem que convencer ninguém de nada, posto que, pela pobreza, pelo medo, e pela infelicidade da existência, tais indivíduos, os “fiéis”, já compraram o “pacote” como quem compra o poder de um “despacho”, etc… Isto porque a visão de Deus anunciada nesses grupos, é a de um “Deus” perverso, avaro, ganancioso, inescrupuloso, louco por prata e ouro, e que não agüenta receber uns trocados sem dar uma demonstração pagã de poder (coisa de pequenas e medíocres divindades). (Fabio, 2006)

A teologia da prosperidade une o fútil ao desagradável, ou seja, é uma mistura de ganância e comodismo. Trata-se, assim, da teologia do egocentrismo, onde o foco não é Deus; este é apenas um meio para se alcançar a prosperidade. O foco é o homem e suas necessidades e desejos, o seu prazer. Neste particular, trata-se de uma sutil derivação do hedonismo, onde o prazer individual e imediato é o único bem possível, princípio e fim da vida moral.

Na verdade, o exercício da fé para alcançar tal prosperidade é, do ponto de vista bíblico, a ausência de fé. O autor da epístola aos Hebreus nos ensina: "Sejam vossos costumes sem avareza, contentando-vos com o que tendes; porque ele disse: Não te deixarei, nem te desampararei" (Hb 13.5). Segundo o texto, o contentamento (sentimento de prazer; contento, satisfação, alegria) está ligado à promessa de Deus em não desamparar aqueles que são seus.

Tiago nos fala do convívio de ricos e pobres, coexistindo numa mesma Igreja:

1 MEUS irmãos, não tenhais a fé de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, em acepção de pessoas.
2 Porque, se no vosso ajuntamento entrar algum homem com anel de ouro no dedo, com trajes preciosos, e entrar também algum pobre com sórdido traje,
3 E atentardes para o que traz o traje precioso, e lhe disserdes: Assenta-te tu aqui num lugar de honra, e disserdes ao pobre: Tu, fica aí em pé, ou assenta-te abaixo do meu estrado,
4 Porventura não fizestes distinção entre vós mesmos, e não vos fizestes juízes de maus pensamentos?
5 Ouvi, meus amados irmãos: Porventura não escolheu Deus aos pobres deste mundo para serem ricos na fé, e herdeiros do reino que prometeu aos que o amam?
6 Mas vós desonrastes o pobre. Porventura não vos oprimem os ricos, e não vos arrastam aos tribunais?
7 Porventura não blasfemam eles o bom nome que sobre vós foi invocado?
(Tiago 2:1-7)

Considerando a inspiração plenária das Escrituras, podemos concluir facilmente que o livro de Tiago, figurando dentre o rol de livros canônicos, aponta profeticamente para uma relação que transcederia a Igreja daquela época. Ou seja, ricos e pobres coexistiram como membros em Igrejas daquela época e coexistirão dentro de Igrejas de séculos posteriores, incluindo o nosso.

"Os pobres sempre terão convosco" (Mt 26.11), eles sempre coexistirão com os ricos na sociedade. Mesmo dentro da Igreja, sempre haverá os mais pobres e necessitados. Assim, há que se considerar que muitos pobres, fiéis seguidores da teologia da prosperidade, durante longo tempo de suas vidas buscarão compreender porque as bênçãos exigidas de Deus não ocorreram, padecerão de angústia por terem falhado ou permitido que o Diabo roubasse sua graça. Com isso, a Teologia da Prosperidade produz efeito diverso do prometido, ou seja, crentes doentes, confusos e em eterno conflito, por não alcançarem os tão almejados resultados práticos da aplicação dos princípios que fazem de seus líderes o que eles mesmos querem ser.

Será que Deus deseja enriquecer financeiramente todos os homens? O que mais importa para Deus: que o homem seja salvo ou que seja rico? A riqueza tem o poder de trazer efeitos adversos ao homem no que tange a sua salvação: "Então Jesus, olhando em redor, disse aos seus discípulos: Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas! E os discípulos se admiraram destas suas palavras; mas Jesus, tornando a falar, disse-lhes: Filhos, quão difícil é, para os que confiam nas riquezas, entrar no reino de Deus!" (Mc 10.23,24)

Algumas questões para reflexão:

• até onde é lícito, ou eticamente aceitável, algumas igrejas utilizarem métodos heterodoxos, por vezes refinados, num forte contexto emocional, para motivar os seus fiéis, majoritariamente pobres, a serem generosos em seus “votos” condicionando a eles as bênçãos e os milagres?

• até que ponto é moralmente válido algumas denominações religiosas explorarem as carências e necessidades dos seus fiéis, pressionando-os e forçando-os a efetuarem ofertas financeiras, arrecadando somas fantásticas que lhes permitem construir verdadeiros impérios econômicos?

• não é chocante, como afirma C. Mariz, “ver gente tão pobre, débil, desdentada, mal vestida, dar tanto dinheiro para pastores jovens bem vestidos, com saúde, com carro do ano e com aparência de uma classe mais elevada?” (Mariz, 1995:28).

Por último, uma pergunta que não quer se calar: após as últimas chuvas, no RJ, muitas pessoas ficaram desabrigadas, perdendo entes queridos e todos os bens que possuíam. Alguns pregadores cariocas da teologia da prosperidade lançaram recentemente o "Clube de 1 milhão de almas", cujo objetivo divulgado seria a conquista de vidas para o Reino de Deus. Para tanto, cada pessoa deve dar uma "oferta voluntária" no valor de R$ 1.000,00 (MIL REAIS). Será que os recursos levantados serão utilizados para ajudar as vítimas das chuvas - ajuda segundo ensina o livro de Tiago, ou seja, DANDO as coisas necessárias para o corpo (Tg 2.15,16)? Afinal, há muitas almas ali para serem salvas, não concordam Mrs. Murdock, Cerullo e discípulos brasileiros?!?

REFERÊNCIAS

http://bible.org/article/bankruptcy-prosperity-gospel-exercise-biblical-and-theological-ethics. Acesso em 2010.

Souza, Etiane Caloy Bovkalovski de e Magalhães, Marionilde Dias Brepohl de. Os pentecostais: entre
a fé e a política. Rev. bras. Hist. vol.22 no.43 São Paulo, 2002. Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-01882002000100006. Acesso em 2010.

http://www.vitoriaemcristo.org/_gutenweb/_site/hotsite/clube1M/. Acesso em 2010.

Fabio, Caio. A desgraça da teologia da prosperidade. 08/12/2006. Disponível em http://www.sitecristao.com/a-desgraca-da-teologia-da-prosperidade/. Acesso em 2010.

FRESTON, Paul (1994) “Breve história do pentecostalismo brasileiro” in Nem anjos nem demônios: interpretações sociológicas do pentecostalismo, Vozes, 1994:67-162, Petrópolis.

MARlZ, Cecília (1995) “El debate en torno del Pentecostalismo Autónomo en Brasil” in Sociedad y Religión, Buenos Aires, N. 13, março 1995:21-32.

terça-feira, 6 de abril de 2010

PREPARATIVOS PARA OS ÚLTIMOS DIAS - II

Hoje, 06/04/2010, todos os principais noticiários cariocas e brasileiros mostram o fortíssimo temporal que atingiu o Rio de Janeiro e suas conseqüências. Eu fui testemunha in loco do temporal: primeiro, tentando voltar para casa na segunda-feira à noite. Fiquei mais de 6 horas num ônibus, porque nenhum veículo passava devido a bolsões de água, que atingiam os joelhos dos transeuntes que por ele tentavam passar à pé.

Depois, na terça-feira, tentando junto com meu irmão de sangue resgatar minha vó e meus pais idosos, porque a água das chuvas invadiu a casa deles. Desta vez, senti na pele, literalmente, aquilo que os transeuntes experimentaram, na segunda-feira: água na altura dos joelhos, sem saber exatamente onde eu estava pisando. Ao final, um vizinho deles, proprietário de um caminhão, levou minha vó até um local mais seco. Minha mãe foi à pé com meu irmão. Voltamos mais uma vez para buscar meu pai.

Pelo jornal, fui informado de que mais de 90 pessoas perderam a vida por causa das consequencias das chuvas no RJ, Niterói e adjacências. Diversos jornais estrangeiros noticiaram o caos que se estabeleceu sobre o RJ. Segundo o prefeito de Niterói, "Niterói nunca registrou uma chuva como essa". Ele decretou luto oficial por 7 dias e, pela primeira vez, situação de emergência. Já no RJ, o governador decretou luto oficial por 3 dias.

Por outro lado, foi registrado hoje um tremor de 7,8 graus na escala Richter na Ilha indonésia de Sumatra, que provocou alerta de Tisunami.

Há alguns meses, publiquei uma postagem intitulada "Preparativos para os Últimos Dias" (04/02/2010). Nela, constavam dois eventos trágicos que impactaram a vida das pessoas: uma tempestade no RJ e um terremoto no Haiti. Hoje, 06/04/2010, novamente registro neste blog dois eventos trágicos: tempestade no RJ e terremoto na Ilha de Sumatra. Uma tempestade e um terremoto!

Novamente, cabe a pergunta: seriam ambos os eventos mera coincidência? Seriam simplesmente conseqüências das mudanças climáticas e mero ajuste de placas tectônicas? Eu creio fortemente que não! Não é conseqüência! Não é obra do deus destino! Não!

O que estamos presenciando é justamente os preparativos para os últimos dias, conforme as palavras de Jesus: E haverá em vários lugares grandes terremotos, e fomes e pestilências; haverá também coisas espantosas, e grandes sinais do céu. (Lucas 21:11) Enquanto a humanidade mergulha de cabeça no pecado em suas mais diversas formas - contra o semelhante, contra Deus e contra si mesmo -, abandonando ao único Criador e Salvador, vivendo como se não existisse Deus ou se Ele nada fizesse contra a maldade humana, há um desfecho final sendo preparado bem debaixo dos nossos olhos! Deus nunca esteve e não está passivo ou inerte diante da maldade humana, como pensam alguns.

Sim, querido leitor: Há um fim. O "fim do mundo", como é popularmente conhecido; não é coisa de bitolados, é uma realidade! Não um fim holywoodiano, não um fim baseado em textos falsos do ponto de vista da aprovação divina, como o Calendário Maia. Mas um fim baseado na Bíblia Sagrada! Um fim que tem como base a Palavra de Deus! Deus não é homem para mentir (Nm 23.19); tendo falado, assim será feito, independente do homem crer ou gostar!

Jesus disse que por ocasião de sua Segunda Vinda, que inaugurará o período conhecido como Grande Tribulação, os homens estariam casando e dando-se em casamento - casamento homossexual e heterossexual estão aqui envolvidos. Exatamente como nos dias de Noé, os homens ignorariam por completo as Leis de Deus, vivendo cada um segundo seu bel prazer pecaminoso. Isso perdurou até ao dia em que Noé entrou na arca, e não o perceberam, até que veio o dilúvio, e os levou a todos, assim será também a vinda do Filho do homem. (Mt 24.38,39)

Hoje, a promiscuidade, a violência, a depravação e a imoralidade assumem proporções impensáveis. O aumento da maldade - Adultérios, prostituição, pedofilia, homossexualismo, homicídios, assassinatos, idolatria, feitiçaria, inimizades, iras, dissensões, heresias, invejas, bebedices, escândalos, dissimulações, falsidade, hipocrisia, abandono da Igreja - total descaso com Deus e Sua Palavra - são a tônica, tanto na Igreja quanto fora dela, tanto por descrentes quanto por falsos crentes.  Isso é um sinal do fim!

A multiplicação dos falsos profetas, que prometem prosperidade e liberdade às custas de vultosas doações financeiras - chamadas "sementes", enganando a muitos; e dos escândalos, onde os homens trair-se-ão uns aos outros, e uns aos outros se odiarão são também sinais do fim!

Você, querido leitor, está preparado para a Segunda Vinda de Cristo? Confessou e renunciou à sua vida pecaminosa e recebeu a Cristo como Senhor e Salvador de sua vida? Tem buscado a paz com todos e a santificação? Está preparado espiritual e moralmente para ser arrebatado, ao soar a trombeta de Deus? Ou abandonou o Teu Criador e Senhor? Está firme na Casa de Deus, ou está firme em sua busca em satisfazer seus próprios desejos pecaminosos? Há um antigo hino que diz assim:

Vai buscar, vai buscar
em segredo à Cristo
Vai buscar, Cristo Senhor
O tempo está passando

Está chamando, me chama para o trono
De Deus escuto, em mim há uma voz,
O tempo está passando

Vai buscar, vai buscar
em segredo à Cristo
Vai buscar, Cristo Senhor
O tempo está passando

Tormenta açoita, vem pecador temendo,
De Deus escuto, em mim há uma voz,
O tempo está passando

Vai buscar, vai buscar
em segredo à Cristo
Vai buscar, Cristo Senhor
O tempo está passando

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!


Referências:
  • http://odia.terra.com.br/portal/rio/html/2010/4/niteroi_registra_48_mortes_e_1_100_desabrigados_e_desalojados_73640.html. Acesso em 06/04/2010, 21h.
  • http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2010/04/06/terremoto-de-7-8-graus-atinge-ilha-de-sumatra-na-indonesia-916265945.asp. Acesso em 06/04/2010, 21h30min.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

PULSEIRA DO SEXO - II

Adolescente é estuprada após estourar o adorno no Paraná
Segundo a polícia, crime foi motivado pelo uso do adereço.
Dos quatro envolvidos, três são adolescentes e um tem 18 anos.

Aparentemente inofensivas, pulseiras coloridas, chamadas pelos adolescentes de "pulseiras do sexo", "pulseiras da malhação" ou "pulseira da amizade", levaram uma menina de 13 anos a ser estuprada e abusada sexualmente por quatro pessoas em Londrina, no norte do Paraná, um deles com 18 anos e os outros menores. Em razão da gravidade do caso, o juiz da Vara da Infância e Juventude de Londrina, Ademir Ribeiro Richter, proibiu nesta quarta-feira, 31, a venda das pulseiras no comércio da cidade. A Câmara Municipal também discute a proibição.

As pulseiras finas de silicone começaram a ter conotação sexual na Inglaterra, com cada cor representando uma atitude, que vai desde um abraço até a prática de sexo. O comando para que o parceiro realize a ação é feito quando um arrebenta a pulseira do outro. De acordo com o delegado da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, William Douglas Soares, o comando foi dado por volta do meio-dia do dia 15, no terminal central de transporte coletivo de Londrina.

A vítima e três dos autores tinham se conhecido no dia 14 no mesmo lugar, quando ela saíra da escola e esperava o ônibus para retornar para casa. No dia seguinte, um dos homens chegou até a adolescente e arrebentou a pulseira preta, que convencionalmente representaria o sexo. "Ficou muito claro que a motivação foi o uso da pulseira, porque eles não tinham laço de amizade", afirmou o delegado. "Ela disse que, depois que arrebentou, eles pressionaram que ela teria que fazer e ela se sentiu constrangida e os acompanhou até a casa de um deles."

Segundo o delegado, não houve nenhuma coação por meio de arma, mas ela acompanhou os três rapazes que a abordaram até a casa do que possui 18 anos. Ali chegou uma quarta pessoa. "Praticaram atos libidinosos com ela, inclusive com relação sexual", reforçou Soares. Segundo ele, o fato de ela ter acompanhado espontaneamente os rapazes não interfere no crime, pois o estupro de vulnerável (menor de 14 anos) independe da vontade.

A família da menina procurou a Delegacia do Adolescente somente no dia 23 relatando o fato. Em razão disso, não foi possível realizar o flagrante e os quatro rapazes respondem a inquérito em liberdade. Segundo o delegado, "aparentemente" a adolescente sabia do significado das cores da pulseira, embora no interrogatório, talvez por estar acompanhada dos pais, dissesse que não tinha a total dimensão do que representava e que teria de "pagar".

A adolescente foi entregue ao Centro de Referência Especializada de Assistência Social (Creas) para que tenha acompanhamento psicológico. Para o rapaz de 18 anos, a legislação prevê, em caso de condenação, pena de 8 a 15 anos, enquanto os menores poderão ser encaminhados para medidas socioeducativas ou para internação.

Data: 18/5/2010
Fonte: Estadão

segunda-feira, 29 de março de 2010

A Geração do Amor Fingido

Em sua carta à Igreja de Corinto, o apóstolo Paulo escreve: Na pureza, na ciência, na longanimidade, na benignidade, no Espírito Santo, no amor não fingido (II Co 6.6).

A Igreja de Corinto foi, sem sombra de dúvida, a Igreja que mais deu trabalho ao apóstolo Paulo durante seu ministério. 

Neste versículo, ele demonstra a sua vocação ministerial e a sua chamada apostólica, revelando a sua integridade e espiritualidade alicerçadas nos princípios fundamentais da sua fé cristã, bem como nos princípios estabelecidos por Deus nas Sagradas Escrituras. Diante daqueles crentes de Corinto, o apóstolo Paulo faz a apologia de seu ministério, com base numa profunda certeza de sua retidão de caráter diante de Deus, refletida na tranqüilidade de sua consciência perante os homens. 

1) Ele revela sua pureza (do gr. agnotes, "simplicidade", "sinceridade","integridade") vivida por ele em santo temor a Deus. Isto significa integridade de vida, alo que muitos cristãos hodiernos não querem viver. 


2) O segundo aspecto é o conhecimento (do gr. gnosis) de Deus e da revelação da Sua soberana e perfeita vontade para as nossas vidas.


3) Longanimidade (do gr. makrothumia), que significa constância, permanência e resistência do apóstolo perante as tribulações e perseguições sofridas por ele. 


4) Benignidade (gr. chrestotes): generosidade e bondade do apóstolo.


5) Espírito Santo, que agia livremente na vida de Paulo, guiando-o, orientando-o, santificando-o, revetindo-o de poder, ensinando e frutificando o caráter perfeito de Cristo em sua vida, por meio do fruto do Espírito.


Estes aspectos da vida de Paulo não eram encontrados na vida dos crentes de Corinto e, infelizmente, não são também encontrados na vida da maioria dos crentes modernos. Porém, interessa aqui abordar mais enfaticamente a questão do amor fingido.


O amor é o aspecto mais importante do fruto do Espírito, devendo ser exercido por todos aqueles que experimentam o amor de Deus em Cristo e que o amam de fato. Porém, muitos compreendem o amor de Deus de forma distorcida, devido ao egoísmo e hipocrisia constantes no homem carnal. A manifestação do amor fingido dá-se, pelo menos, de quatro maneiras:


1) Na prática da disciplina cristã pela Igreja: Muitos costumam dizer: "Esta Igreja prega tanto o amor, e agora quer disciplinar, excluir o irmão fulano de tal...". Esta é uma afirmativa extremamente carnal, de uma mente cuja consciência já foi obscurecida pelo pecado, pelo ego e por um coração rebelde.  


Na concepção destes irmãos meninos, Igreja boa é aquela que só diz SIM e não conhece o NÃO, o que contraria as palavras de Jesus: Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna. (Mt 5.37). O pior é que as críticas não são geradas por amor ao irmão em questão; este tem pouca ou nenhuma importância. O maior objetivo é criticar, algumas vezes por insatisfação com a liderança da Igreja, outras pelo sentimento de culpa gerado pela prática continuada do pecado que, ao vir à tona, será passível da mesma disciplina. Amor fingido!


2) Nos votos e declarações: "Pastor, eu te amo...", "eu amo essa Igreja, eu amo esse irmão..." e assim os votos de amor se multiplicam no seio da Igreja. Porém, basta que o pastor faça algo que contrarie o capricho carnal do crente McDonalds - "amo muito tudo isso", não dando ao menino "chupeta ungida com Mucilon sabor maná espiritual" que os votos desaparecem quase instantaneamente. No lugar do amor declarado surge o rancor encoberto que, mais tarde, dará à luz a um sentimento de ódio consumado. Aqui, quem era bênção vira maldição; a Igreja e o pastor que tanto ajudaram no passado tornam-se opróbrio, anátemas. Nenhuma gratidão! Amor fingido!


3) Nas honrarias: Os crentes, em geral, fazem de tudo para serem honrados com cargos e posições na Igreja.  Para estes, assumir alguma posição na Igreja é o máximo, é um objetivo a ser perseguido e uma meta a ser alcançada.  Para isso, prometem mundos e fundos, jurando fidelidade e amor (à Igreja, ao pastor, ao ministério, a Deus, à Convenção, etc). Contudo, após algum tempo, tendo conseguido o tão almejado cargo,  tornam-se rapidamente frios e inertes, egoístas e soberbos, só pensando em sua própria justiça. O amor prometido em dedicação e fidelidade torna-se raiva, inconformidade com as normas da Igreja e, não raro, em abandono da Congregação.

4) No louvor: Nunca se cantou tanto, em verso e prosa, o amor "apaixonado" a Jesus. Declarações do tipo "quero me apaixonar", "apaixonado, apaixonado...", "Quero me apaixonar por Ti outra vez ", "Apaixonar-me por Ti Jesus", etc. proliferaram nas letras das músicas gospel. As lágrimas no rosto e os gritos de amor são a marca dos crentes "apaixonados" por Jesus durante as músicas. O problema é que a paixão termina tão rapidamente como surge; assim, o apaixonado deixa de sê-lo após o término do culto. O que aconteceu? Nunca foi desenvolvido o amor - sólido e compromissado - pelo Senhor. Desenvolver amor por alguém exige comunhão, contato contínuo, o que envolve tempo investido no relacionamento.


Na verdade, aquele que mais cobra amor, pouco ama. Se estes tivessem o amor de Deus em suas vidas, não seriam levianos, soberbos; não buscariam seus próprios interesses e não suspeitariam mal. Antes, tudo creriam, tudo esperariam e tudo suportariam (I Co 13.4-7). Na verdade, o que está geração almeja é um amor fingido, uma Igreja mundanizada de portas largas, de filhos rebeldes e auto-suficientes, de líderes frouxos e de vista grossa e de um amor mentiroso e falso, camuflado pela hipocrisia religiosa. Igrejas assim ficam cheias de pessoas interiormente vazias.


Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!



sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

HOROSCOPIZADORES PROFÉTICOS

Durante minha vida cristã, tenho me deparado com um tipo de "profecia" muito comum no meio evangélico pentecostal: a profecia "horóscopo". O termo "horóscopo" pode ser definido, segundo o Dicionário Aurélio, como "predição, por mera conjetura, acerca de uma pessoa ou coisa". Ou seja, é um juízo ou opinião, acerca da vida de alguém, referindo-se em geral ao tempo presente ou futuro, sem fundamento preciso; suposição, hipótese - coloquialmente, "um chute". Não um chute qualquer, por certo; mas um chute óbvio.

Para exemplificar minha constatação, vejamos o que diz o horóscopo de hoje (26/02/2010; http://extra.globo.com/horoscopo/): "Você perceberá que ficar estagnado nas relações afetivas não é o desejável. Procure conviver com pessoas diferentes". Observe que o "prognóstico" é de uma imensa obviedade, senão vejamos: quantas pessoas, num país com aprox. 193 milhões de habitantes, não percebem que ficar estagnado nas relações afetivas é algo ruim? Aliás, o que deve ser entendido como "estagnado" - pelo contexto, parece que trata-se de estabilidade. Estabilidade em relacionamentos é algo ruim???? Isso sem mencionar a outra parte da "revelação dos astros": Quantos, em 193 milhões de habitantes, não procuram conviver, ou já não convivem, com pessoas diferentes? Aliás, podem duas pessoas serem iguais? Nem se forem gêmeos univitelinos... No mínimo, o prognóstico não passa de um punhado de obviedades, de construção obscura, de modo a facilitar toda sorte de interpretação possível.

Agora, veja um tipo clássico de "profecia", muito comum em grupos pentecostais: "hummm, meu servo... eis que falo contigo, hummm... [rita-la-na-sala]... você tem clamado pela tua bênção... eis que te digo, [chuta-la-na-lata]: você tem sofrido lutas e perseguições lá no seu trabalho, mas eu te falo nessa hora, a vitória é tua! Receba a tua vitória, [decanta-na-bacia]...em nome de Gizuz!" Observe que estão presentes os mesmos elementos que balizam a construção do horóscopo: obviedades e obscurantismo.

Veja: qual é o crente que nunca pediu a Deus uma bênção - principalmente no mundo de hoje, onde os crentes correm atrás do seu "saquinho" de bênçãos como crianças em dia de "cosme e damião"? E qual é o crente que se preza que não sofre uma perseguição, por menor que seja - algumas vezes, dentro da própria Igreja? Obviedades! Fora isso, estão presentes os grunhidos e pretensas "línguas estranhas", para validar espiritualmente a horoscopização profética! E assim são muitas outras semelhantes, com pouquíssimas variantes.

Sou pentecostal, creio no batismo com Espírito Santo e nos dons espirituais; e como tal já devo ter escutado algumas dezenas de profecias-horóscopo. Das mais ilógicas e incoerentes, capazes de fazer as sombrancelhas do sr. Spock (Star Trek) levantarem, até as mais óbvias construções possíveis. Não porque fui atrás desse tipo de coisa, mas porque é quase inevitável que elas venham até você.

No fundo, não acho que estas pessoas estavam mal intencionadas. É possível que algumas tenham pensado em me agradar para auferirem vantagens especiais e assim "chutaram o óbvio" ; outras, por conhecerem meus combates pessoais, o fizeram no afã de servir de consolo, por simples gesto de amor e carinho. Não houve nenhuma "horoscopização", até hoje, com objetivo maligno, destrutivo. Graças a Deus!

Porém, raríssimas vezes pude constatar que era algo realmente da parte Deus. E isso sem o auxílio de irmãos que tentam, a todo custo, harmonizar a dita profecia com a vida dos ouvintes, por meio de mais obviedades. São intérpretes bem-intencionados, "decodificadores do sobrenatural"; não desistem até que o ouvinte "confirme a mensagem".

É preciso entender que Deus, ao falar com o homem por meio do dom espiritual, sempre o faz de modo claro, de forma que não fique a menor sombra de dúvida quanto ao seu conteúdo. A dúvida anularia o propósito da mensagem. O que adianta uma mensagem enigmática: "você está vivendo isso porque um grilo amarelo pousou na grama verde que estava seca e, com isso, a água ficou marrom"? Deus não é buda! Nele não há nada de coisas obscuras, ou ininteligíveis; mas total clareza. Ele é o Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação (Tg 1.17). A mensagem que dele ouvimos é que Deus é luz, e não há nele trevas nenhuma (I Jo 1.5). Deus é direto! Jesus é direto! O Espírito Santo é direto!

Além disso, Deus usar o dom espiritual para falar obviedades, como querem crer alguns, é no mínimo atribuir a Deus o fato Dele considerar Seus filhos - que tem a mente de Cristo - como os mais completos idiotas. Ao ler a Bíblia, é facílimo constatar que Deus jamais se dirigiu ao homem para falar o que era óbvio para Seus ouvintes. Ele mesmo diz: Clama a mim, e responder-te-ei, e anunciar-te-ei coisas grandes e firmes que não sabes (Jr 33.3). Meu Deus não é óbvio, previsível. Isso é próprio de ídolos. Para o óbvio, temos inteligência!  Não é necessário ensinar que "b" com "a" faz "ba" aos leitores deste post, pois já foram alfabetizados.

Se é necessário falar algo da parte de Deus com alguém, faça-se de forma direta: "Fulano, eu sei que você está vivendo isso-e-aquilo. A Bíblia diz que o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã. Confie no Senhor. Ele é o teu socorro, Aquele que te ajuda. Não desista, mas sê forte e corajoso, em nome de Jesus!" Nada de teatralizações espirituais! Nada de Circ du Soleil! Seja claro como o cristal!

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

JUSTIÇA A QUALQUER PREÇO E O PREÇO DE QUALQUER JUSTIÇA


Justiça (dic. Aurélio):

1.Conformidade com o direito; a virtude de dar a cada um aquilo que é seu.
2.A faculdade de julgar segundo o direito e melhor consciência.

O sentimento de justiça é talvez um dos mais antigos do homem. Para a filosofia, o sentimento de Justiça é intrínseco à consciência humana, isto é, no homem normal dotado de discernimento do bem e do mal, do certo e do errado, do que é justo e injusto.
O poder de discernir entre o bem e mal - algo até então restrito à Deus - foi justamente o que a antiga serpente prometeu a Eva, conforme registrado no Livro de Gênesis: "Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal" (Gn 3.5). Desde então o homem, incapaz de conter o mal libertado no mundo por sua ação de desobediência, passou a ter que lidar com a maldade, criando códigos de conduta baseados em seu conceito de certo e errado. Parodiando Gênesis, "e o mal foi gerado na humanidade. E disse o Homem: faça-se um código de Leis que administrem a maldade humana. E fez-se o Direito".

Assim, o transgressor passou a exigir observância aos seus princípios "legais"; obediência aos princípios, normas, preceitos e padrões criados pelo próprio transgressor. Talvez seja a partir daí que surge o antigo dito popular "faça o que eu mando, mas não faça o que eu faço". Como homens, exigimos justiça, mas não somos justos; julgamos segundo o nosso padrão, o qual nem nós mesmos conseguimos atender.

Gritamos "justiça!", "quero a minha justiça!"; queremos justiça a qualquer preço, sem nos importarmos com o preço de qualquer justiça. Não importa se pessoas inocentes sofrerão; não importa se a causa, pela qual todos trabalharam, se perderá por completo. O que interessa é termos o nosso "sentimento de justiça" satisfeito! Nem que para isso seja preciso montarmos um verdadeiro tribunal da inquisição, o qual consideramos como "santo tribunal" ou "tribunal de Cristo" - principalmente em Igrejas. E assim irmãos se levantam contra irmãos, pelo "direito de justiça". Ninguém quer ser injustiçado, ninguém quer arcar com o dano; antes, todos, uma vez demandados, exigem reparação!

Sobre o "sentimento de justiça" e o consequente "direito de reparação", Paulo, escrevendo aos Coríntios, diz: "Na verdade é já realmente uma falta entre vós, terdes demandas uns contra os outros. Por que não sofreis antes a injustiça? Por que não sofreis antes o dano? Mas vós mesmos fazeis a injustiça e fazeis o dano, e isto aos irmãos" (I Co 6.7,8). Ou seja, já é um erro notório haver a demanda - a disputa, o litígio, a peleja - entre os irmãos. Os crentes da Igreja de Corinto deveriam fazer tudo o que estivesse ao alcance para evitar o litígio, até mesmo sofrer o dano. Sofrer o dano (o prejuízo) do ponto de vista do Cristianismo Bíblico é preferível ao litígio, até porque um erro não compensa outro: se a injustiça é errado, cobrá-la também o é. Observe que Paulo diz que ao cobrar a reparação, aqueles crentes estavam eles mesmos causando o dano, "e isto aos irmãos", acrescenta.

Ele segue a exposição: Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus? (I CO 6.9) Injustos - era o melhor qualificativo para aquelas pessoas, mesmo às que foram injustiçadas. O valor a ser pago na hipótese de "justiça a qualquer preço" é caríssimo - a perda da entrada no reino de Deus, o preço de qualquer justiça como esta. Fora do reino, sem a santa herança; esse é o resultado do exercício da justiça mundanizada, da justiça daqueles que se consideram a si mesmos eruditos e mestres da Lei. Jesus
disse: "Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no reino dos céus" (Mt 5.20).

Você tem pautado o exercício da justiça com base numa justiça a qualquer preço? Você julga segundo a aparência? Você julga segundo sua própria medida, sendo parcial? Cobra direitos sem cumprir deveres? Sua vida é um livro aberto? Você é um bom exemplo a ser seguido, especialmente naquilo que você tanto cobra nas outras pessoas? Exige transparência, mas há áreas da sua que ainda estão em trevas e que você faz questão de continuar assim? Considera-se a si mesmo um "paladino da justiça", mas não passa de um patético bufão na sua vida cotidiana?


Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

A ANTIGA PRÁTICA DA AUTO-JUSTIFICAÇÃO

1 ORA, a serpente era mais astuta que todas as alimárias do campo que o SENHOR Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda a árvore do jardim? 2 E disse a mulher à serpente: Do fruto das árvores do jardim comeremos, 3 Mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis para que não morrais. 4 Então a serpente disse à mulher: Certamente não morrereis. 5 Porque Deus sabe que no dia em que dele comerdes se abrirão os vossos olhos, e sereis como Deus, sabendo o bem e o mal. 6 E viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento; tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela. 7 Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais. 8 E ouviram a voz do SENHOR Deus, que passeava no jardim pela viração do dia; e esconderam-se Adão e sua mulher da presença do SENHOR Deus, entre as árvores do jardim. 9 E chamou o SENHOR Deus a Adão, e disse-lhe: Onde estás? 10 E ele disse: Ouvi a tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me. 11 E Deus disse: Quem te mostrou que estavas nu? Comeste tu da árvore de que te ordenei que não comesses? 12 Então disse Adão: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi. 13 E disse o SENHOR Deus à mulher: Por que fizeste isto? E disse a mulher: A serpente me enganou, e eu comi. 14 Então o SENHOR Deus disse à serpente: Porquanto fizeste isto, maldita serás mais que toda a fera, e mais que todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás, e pó comerás todos os dias da tua vida. 15 E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar. 16 E à mulher disse: Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará. 17 E a Adão disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. 18 Espinhos, e cardos também, te produzirá; e comerás a erva do campo. 19 No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás. (Gênesis, cap. 3)

Talvez um dos mais terríveis costumes modernos é a prática da auto-justificação. Para toda ação errada ou não-ação há uma desculpa preparada, há uma justificação a ser oferecida. Criar justificativas é uma arte; e assim as desculpas são cada vez mais antológicas. Aliás, a cultura da justificativa está imersa em nossa humanidade.

Vivemos em um mundo repleto de material para a construção de justificativas. Desde a má atitude de políticos e líderes religiosos, questões climatológicas, econômicas, sociais, nacionais e internacionais, até as atitudes de chefes, executivos e pessoas do nosso dia-a-dia, como mães e pais, não falta criatividade para construir uma boa estória.

A questão é que nenhuma justificativa é suficiente, diante de Deus, para nossa tendência a agir de forma independente. Tampouco para não agir de forma correta. Independência foi justamente o que Adão e Eva procuraram. "Seremos semelhantes a Deus". Só que no lugar da independência, conseguiram o feito de submeter toda a humanidade ao domínio do mal, à morte. Não há cifra numérica capaz de exprimir quantas almas já foram para o inferno, e quantas irão, por causa dessa prática. Perdidas eternamente; eternamente separadas de Deus, condenadas a um lugar de sofrimento, de choro e de ranger de dentes (Mt 13.42), lugar onde o fogo nunca se apaga, e o seu verme nunca morre (Mc 9.44).

Exatamente como Adão, preferimos fugir de nossas responsabilidades. Ao pecarmos, preferimos sair da Igreja, deixando a nossa congregação, do que ficarmos e encararmos as consequências. Preferimos nos esconder - física e emocionalmente, afinal é sempre melhor ficar escondido "entre as árvores do jardim", pois a sua altura e a sua sombra teoricamente impedirão de sermos descobertos. Melhor é a sombra da auto-comiseração, da auto-indulgência, da auto-justificativa, da religiosidade falida, do que encarar o Todo-Poderoso. O problema é que não podemos fugir Dele; em lugar nenhum estamos à salvo de Sua Presença. Para onde me irei do Espírito de Deus, ou para onde fugirei da tua face? (Sl 139.7) A pergunta de Deus a Adão "Onde estás?" ecoa desde a eternidade até nos encontrar em nosso fútil esconderijo.

Isso mesmo: do mesmo modo que Adão e Eva, somos nós. Temos a péssima atitude de nos justificar. Adão, ao ser questionado por Deus, disse: "foi a mulher que tu me deste". Com isso, buscou se isentar da culpa, responsabilizando a mulher e o próprio Deus pelo pecado que cometera. Assim como Adão, culpamos tudo e todos pelos nossos atos. Se alguém é pego na prática do pecado, acaba acusando o sistema, o próximo, a Igreja por sua prática. Por exemplo, se é fornicação o pecado em questão, o culpado é sempre o outro! Nunca a responsabilidade é compartilhada. Se recebemos um convite para irmos à Igreja, a justificativa é "conheço um monte de crentes que não valem nada", "prefiro seguir a minha religião, do que viver na Igreja e fazer isso". Outros apresentarão razões para abandonar a Igreja. No fundo, não importam as razões; sempre procuraremos transferir para outros a nossa responsabilidade.

Mas exatamente como Adão, vamos mais além: culpamos Deus. A Bíblia é um livro de princípios, princípios imutáveis! E se há um princípio imutável, ele é o princípio da autoridade espiritual. Toda autoridade emana de Deus e quem exerce autoridade o faz sob delegação do Senhor (Rm 13). Quantas vezes escutei crentes culparem pastores pelas ações (ou falta de ações) tomadas. "Isso é culpa do pastor fulano", "fiz isso porque o pastor beltrano disse", "não funciona porque o pastor siclano não quer", "Deus não faz nada para melhorar o mundo" e outras tantas afirmativas semelhantes a estas, que ocupariam várias e várias páginas deste blog.

Não satisfeitos, agimos também como Eva. Ao ser questionada por Deus, disse "foi a serpente". "Foi o diabo, pastor, aquele coisa ruim que impediu de dar certo", "isso é espiritual, o diabo está aprontando suas diabolices", etc. E aí, o que acontece? Novamente, não assumimos nossas responsabilidades. Preferimos culpar o diabo, os demônios, quiçá o inferno inteiro, ao invés de assumirmos diante de Deus que foi o "diabo da independência, do pecado, do desejo oculto, da concupiscência de cada um de nós". De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados (Lm 3.39).

Agora, quando realmente é o diabo, nada fazemos para combatê-lo ou tentamos fazê-lo com as armas humanas. Que adianta isso? Que adianta agirmos isoladamente, no afã de combater o diabo, se é exatamente isso que ele quer - nos levar a agir de forma independente? Que adianta amarrar o valente, se nós estamos debaixo de sua influência? Que adianta os cultos de batalha espiritual, com toda a sua performance, se fazemos parte do "exército de Cristo" apenas na camiseta? Que adianta toda a fé em sal grosso, rosas, copos d´água, fitinhas e coisas do gênero - meros objetos materiais - na luta contra os poderes espirituais das trevas?

Paulo diz que as armas da nossa luta não são carnais, mas espirituais. Ele diz: "Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas sim poderosas em Deus para destruição das fortalezas; destruindo os conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo." (II Co 10.4,5) Prestou atenção ao que diz Paulo? As armas espirituais servem, justamente, para combater aquilo que tantos dizem enfrentar: altivez de espírito (soberba - teórico e prática), de forma a levar cativo (preso) todo o entendimento (compreensão) à obediência de Cristo.

Onde estão as armas? Onde estão todos os estudos bíblicos, seminários, cursos de formação, etc. já ministrados em nossas Igrejas? Onde estão os dons espirituais? Isso não é VIDEOGAME! Isso não é BRINCADEIRA! Lidar com o mundo espiritual É COISA SÉRIA! Se você retrocede, esteja certo: o diabo avança! Ele não brinca com ninguém, não tem piedade de ninguém, não deixa ninguém escapar! Ele é mal em absoluto! O grande desejo dele é levar mais e mais almas a serem independentes de Deus; a rejeitarem e blasfemarem de Deus e do Cordeiro, e por fim levá-las para as profundezas do inferno, de onde JAMAIS, digo JAMAIS SAIRÃO!

Sem Cristo, amados, somos presas fáceis. Sem Cristo, estamos todos nós perdidos! Sem obedecer ao Senhor, sem se sujeitar DIARIAMENTE ao Rei dos reis e Senhor dos senhores, a batalha está perdida! A palavra de ordem que ecoa desde o eterno passado até o presente é DEPENDÊNCIA, TOTAL E IRRESTRITA; DEPENDÊNCIA EM TUDO, POR TUDO E PARA TUDO; DEPENDÊNCIA DO SENHOR - DIRETA E INDIRETAMENTE!

Seguindo mais além em Gênesis, os pecadores modernos se esquecem de que cada pecado traz em si uma ou mais consequências. Quando Adão e Eva pecaram, várias consequências surgiram - maldição da terra, parto com dores, morte no mundo, etc (Gn 3.14-19). E exatamente como a imensa maioria da humanidade não querem colher o que plantam. Não querem a consequência, apenas o prazer efêmero que o pecado proporciona. Têm amor ao álcool, mas não querem sofrer de cirrose hepática causada pelo alcoolismo; praticam a glutonaria, mas não querem sofrer de hipertensão arterial; querem sexo irresponsável, mas não querem sofrer as terríveis consequências das doenças venéreas, da AIDS ou da gravidez fora do casamento.

Quando Deus permitiu o registro, na Bíblia, do que Ele considera pecado, Ele fez isso para o nosso próprio benefício. O pecado só causa, ao final, dores e tristezas ao próprio homem. Deus não é afetado pelo que fazemos, apenas nós o somos. É preciso entender que o pecado não é apenas uma maldade que é praticada, mas ele traz também malefícios para nós mesmos quando o praticamos, e em alguns casos também para aqueles que estão ao nosso redor. O salário (pagamento) do pecado é a morte: morte emocional, morte da sensibilidade, do amor verdadeiro, da pureza, das características internas (espirituais) do homem que o possibilitaria ser a imagem de Deus - perdida por Adão.

Independente da existência das práticas motivadoras para o surgimento de justificativas, o fato é que não há nenhuma forma de Deus aceitar qualquer tipo de justificativa pessoal para isentar alguém das responsabilidades por seus atos. Se alguns não andam corretamente, isso jamais poderá servir de justificativa para que outros façam o mesmo - o erro não é justificativa para outro erro! Cada um prestará contas a Deus por seus próprios atos. Cada um será julgado por suas próprias obras - algo que nem a morte física será capaz de impedir: "E deu o mar os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras" (Ap 20.13). O juízo de Deus através das obras é a última coisa que resta àqueles que não receberam a Cristo pela fé, ou que desta fé desviaram-se, sendo assim julgados na única base possível: suas próprias obras, pensamentos e motivos.

A ação do homem não deve ser governada pelo conhecimento que ele possui do bem ou do mal; deve ser motivada pelo senso de obediência. O princípio do bem e do mal é viver de acordo com o que é certo ou errado. Antes de Adão e Eva comerem do fruto proibido, o que era certo e errado para eles estava na mão de Deus. Se não vivessem diante de Deus, não saberiam nada, pois o que era certo e errado para eles se encontrava realmente no próprio Deus. Consequentemente, depois da queda os homens não precisaram mais descobrir em Deus o senso do certo e do errado, Já o tinham neles mesmos, porém de uma forma deturpada. Este foi o resultado da queda: a independência de Deus e a deturpação do conceito de certo e errado, que se manifestam, dentre outras muitas maneiras, na prática de agir isoladamente (independência) e de auto-justificação (deturpação do certo e errado).

A única solução para o pecado é reconhecê-lo como algo pessoal. Reconhecê-lo como alguém reconhece uma nota promissória a ser paga. Reconhecer que o que você fez é pecado e que o responsável pelo pecado é você mesmo - ninguém mais. Pare de culpar os outros, quer sejam estes outros entes institucionais, sociais, físicos ou espirituais. Para de tentar se esconder! Assuma seu pecado! Seja sincero com você mesmo e com Deus. Coloque-se diante de Deus e diga-lhe, com sinceridade, o que você fez! Confesse! Faça como Davi: "Porque eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim. Contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que é mal à tua vista" (Sl 51.3,4a).

Reconheceu? Então ainda diante de Deus peça-LHE perdão pelos seus pecados. Ele é o único, em todo Universo, visível e invisível, que tem poder para perdoar pecados: "Purifica-me com hissope, e ficarei puro; lava-me, e ficarei mais branco do que a neve" (Sl 51.7). Esconde a tua face dos meus pecados, e apaga todas as minhas iniqüidades (Sl 51.9). Senhor, purifica-me do meu pecado! Lava-me, meu Senhor, no Sangue de teu Filho Jesus, para que mais alvo que a neve eu possa ser.

Já ensina o antigo hino:

"Se nós a Ti confessarmos
E seguirmos na Tua luz
Tu não somente perdoas
Purificas também, óh Jesus
Sim,e de todo o pecado
Que maravilha de amor
Pois que mais alvos que a neve
O Teu sangue nos torna, Senhor"

Reconheceu e confessou? Agora, acerte sua situação com a Igreja. És desviado? Volte para a Santa grei. Volte e assuma sua responsabilidade. Volte e encare, nos olhos, àqueles que você deixou. Haverá consequências? Enfrente-as como um fiel a Deus, como alguém que teme ao Senhor, cuja vida pertence à Ele. O plano de Deus é nos exaltar na terra da nossa vergonha (Sf 3.19).

Nunca foste crente até hoje? Pare de se justificar e receba a Cristo como Senhor e Salvador de Sua Vida agora mesmo!

A Bíblia diz que mesmo que você cumpra todos os mandamentos de Deus, continua sendo pecador, e culpado diante dele. Você nunca alcançará o padrão de santidade de Deus, mesmo sendo muito religioso ou caridoso. Você está perdido e separado dele.

Mas Deus entende sua incapacidade, e ama tanto você que mandou seu Filho sofrer e morrer por seus pecados. A Bíblia diz que "o salário do pecado é a morte, mas o presente de Deus é a vida eterna por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor".

A salvação é um presente. Ninguém jamais vai se orgulhar de poder comprá-la com boas obras.

No capítulo 3 do evangelho de João, lemos que Jesus disse a Nicodemos que ele precisava nascer de novo para ter a vida eterna. Você também tem que nascer espiritualmente para fazer parte da família de Deus. Deus é espírito, e você não pode comunicar-se com ele enquanto não tiver a natureza espiritual.

Eu ofereço-Lhe a seguinte oração, para que você, aí onde está, a repita: "Querido Senhor, Reconheço que sou pecador e que me rebelei contra o Senhor. Obrigado por mandar Jesus morrer na cruz e receber o castigo pelos meus pecados. Quero que ele entre em minha vida e seja meu Salvador e Senhor. Obrigado, Jesus, por entrar em minha vida. Amém."

Se você fez essa oração com sinceridade em seu coração, reconhecendo ser um pecador que precisa da ajuda de Deus e não pode fazer nada para evitar o castigo que pesa sobre você, pela graça de Deus você foi salvo da punição eterna.

Se você fez esta oração, e quer saber mais sobre Deus, deve fazer três coisas:
  • Falar sempre com Deus em oração;
  • Ouvi-lo por meio da leitura de Sua Palavra, a Bíblia;
  •  Encontrar uma igreja onde as pessoas amem a Deus e Sua Palavra. Assim você O conhecerá cada vez mais.

Se você deseja receber mais informações sobre como começar em seu novo andar com Deus, entre em contato conosco e lhe ajudaremos em seu novo caminhar.

  
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!