Creio que nós, evangélicos, temos um papel importante a desempenhar no processo de transformação do Brasil no país mais igualitário. Não estou me referindo - de antemão afirmo - a nenhum tipo de utopia político-messiânica que grassa os púlpitos das Igrejas, mas sim numa participação ativa, cônscia, no processo, quer como eleitor, quer como candidato.
Quando o assunto é política, um dos temas recorrentes é sobre a candidatura de pastores a cargos eletivos: um pastor deveria ser candidato? As mais variadas propostas de resposta foram sugeridas, algumas mais polêmicas do que outras, algumas mais conservadoras, mais teológicas e outras nem tanto. Há aqueles que defendem a candidatura destes com base na vida de Daniel e José, forçando assim uma interpretação do texto bíblico contra os princípios da Hermenêutica e da Exegese.
Independentemente de toda esta polêmica bíblico-teológico-filosófica, que remete ao famoso paradoxo do "ovo e da galinha" (quem tem preeminência, o ente pastor ou o ente político?), os fatos são que primeiramente a Igreja Evangélica Brasileira encontra-se dividida (isso sim é um fato!) quanto a esta importante questão, não havendo via de regra um posicionamento dominante. Em segundo lugar, é que a cada ano mais e mais pastores se candidatam.
Como eleitor preocupado com o destino da Nação, resolvi fazer uma pesquisa na base de dados do Tribunal Superior Eleitoral acerca do perfil dos candidatos a Deputado Federal e Deputado Estadual do Rio de Janeiro. Os dados para consulta estão disponíveis no site http://divulgacand2010.tse.jus.br/divulgacand2010/. No RJ, há um total de 16 candidatos cujo nome para urna eletrônica começam com a palavra "pastor": 2 para Deputado Federal e 14 para Deputado Estadual.
Ampliando a consulta para o Sudeste, encontrei os seguintes resultados:
Estado Deputado Federal Deputado Estadual
RJ 02 14
SP 06 17
MG 02 10
ES 01 02
________________________________________________
TOTAL: 11 43
Outra informação interessante é o nível educacional dos pastores-candidatos. Na região, apenas 20,37% declararam possuir nível superior completo; já 35,09% declararam possuir nível médio completo e 16,67% nível fundamental completo. 27,87% dos candidatos não completaram os níveis educacionais iniciados (fundamental, médio e superior).
Com base nestes resultados, algumas ponderações podem ser feitas:
1) Quanto a formação educacional dos crentes que nós, Igreja, estamos indicando ao pastorado. Um pastor deveria ser uma pessoa que, no mínimo, possuísse ensino médio completo. Parece-me pouco provável que um crente, por mais fiel, seja capaz de estudar teologia (com direito a aulas de grego, hebraico, filosofia, psicologia, arqueologia, etc) sem os devidos conhecimentos de português e matemática do ensino médio. Daí, uma das causas (não é a única, por certo) da falência da ortodoxia teológica deve-se à precariedade na formação do Ministro. A multiplicação das heresias também se dá devido ao pouco ou nenhum conhecimento literário da Bíblia, das figuras de linguagem, etc. Como explicar as complexas relações psicológicas-afetivas? Obviamente se a formação é ruim, o exercício da função será do mesmo porte. Imagine um engenheiro diplomado que não sabe as 4 operações? Você confiaria a construção de sua casa à ele?
Por outro lado, se a Igreja identifica um irmão que tenha realmente vocação para o ministério, deve investir em sua formação secular (aliás, a Igreja deveria ser responsável por melhorar os indíces culturais de seus membros, não só por meio do incentivo, quanto por meio da educação direta). Não lançá-lo imediatamente num seminário ou mesmo ordená-lo sem a devida capacitação, o que acaba fazendo com que aquele irmão seja apenas um objeto de uso - visão utilitarista.
2) Quanto a formação espiritual dos crentes que nós, Igreja, estamos indicando ao pastorado. Aqui, refiro-me ao pecado conhecido como procrastinação. Num país como o Brasil, cheio de assimetrias dos mais variados tipos, é frequente o abandono do estudo em prol do atendimento de necessidades mais imediatas. Porém, novamente, nós - Igreja - precisamos fazer a nossa parte quanto a esta importante questão. É preciso ensinar aos crentes em geral e aos candidatos ao pastorado mais especificamente que eles devem terminar tudo aquilo que um dia começaram; não é correto abandonar as coisas sem concluí-las. É preciso também incentivá-los neste quesito. Começou, vá em frente! Parou/foi obrigado a parar? Retorne já de onde deixou e conclua!
Aquilo que foi adiado para depois, num tempo remoto onde um eventual conjunto de combinação de oportunidades, acaba invariavelmente abandonando o que iniciou. Quando não concluímos algo que começamos, isso mina a nossa força de vontade, fazendo com que sejamos mais facilmente desestimulados diante do menor sinal de problemas em qualquer nova tentativa. Isso resulta em stress, sensação de culpa, perda de produtividade e vergonha em relação aos outros, por não cumprir com suas responsabilidades e compromissos. As causas psicológicas da procrastinação variam muito, mas geralmente tendem a fatores como ansiedade, baixa auto-estima e uma mentalidade auto-destrutiva.
Esse é um dos motivos pelos quais muitos pastores vivem alternando estratégias ministeriais e nomes de Igreja. Começam algo mas diante do primeiro sinal de problema desistem e mudam de estratégia. Começam e terminam células/grupos familiares, começam/terminam seminários, começam/terminam campanhas de oração... começam e terminam com a mesma rapidez que começaram. No fundo, são pessoas feridas e frustradas. Desejam muito acertar, mas o seu desejo não consegue vencer o desânimo que surge; acabam então abrindo mão do sucesso por uma posição mais cômoda. Então lamuriam-se de não haver alcançado. Esquecem-se de que a "vida é luta renhida: Viver é lutar. A vida é combate, que os fracos abate, que os fortes, os bravos só pode exaltar!"
O reformador Calvino tinha um alvo muito claro quanto à educação. Ele desejava que os alunos das escolas de Genebra fossem futuros cidadãos da cidade, bem preparados "na linguagem e nas humanidades", além de terem formação cristã e bíblica. O currículo que ele ajudou a elaborar tinha ênfase nas artes e nas ciências, além da ênfase nas Escrituras. Outro ponto das convicções religiosas de Calvino era o entendimento de que todo conhecimento vem de Deus, quer seja o conhecimento "sagrado", quer seja o "profano". Calvino tinha uma visão ampla da cultura, entendendo que Deus é Senhor de todas as coisas e que, por isso, toda verdade é verdade de Deus (http://apenas-para-argumentar.blogspot.com/2010/07/o-resultado-do-enem-2009-e-evasao-da.html).
Uma imensa maioria doas pastores americanos ostentam o título de "doutor". Na Idade Média isso era muito comum. Tomás de Aquino era conhecido como "Doctor Angelicus". Lutero era "doutor em Teologia". Aqui, no Brasil, ficamos presos em falácias tupiniquins do tipo "fulano que aparecer", "comprou o título", "isso é soberba, coisa de homem", "coisa de gente religiosa", amplamente proferidas por alguns que se julgam a si mesmos "o parâmetro de seguidores do evangelho", que se acostumaram com a qualificação de "voz da Igreja Evangélica Brasileira", e coisas do tipo. Ora, é muito mais preferível que a Igreja esforce as mãos dos seus pastores, levando-os a alcançarem conhecimento acadêmico teológico e, se possível, secular também!
Por fim, considere o seguinte: Sempre que houve omissão por parte da Igreja, em qualquer área da sociedade, quando era necessário pronunciamento teórico-prático, isso redundou em prejuízo para a Igreja e para a própria sociedade. Até quando vamos contribuir para a perpetuação das injustiças e desigualdades sociais que o Brasil experimenta há muito tempo, mantendo um modelo de falido de Igreja? Até quando vamos ficar discutindo "O Ser e o Nada", num verdadeiro moto contínuo de justificativas ideológicas para a inatividade profética e sacerdotal da Igreja frente a uma sociedade cada vez mais distante de Deus? Até quando vamos passar ao largo daqueles que sofreram nas mãos dos salteadores deste mundo tenebroso, prostrados a beira do caminho?
A você, candidato, que é pastor, evangélico, ou que professa qualquer outra religião ou credo, e que lê este texto, pergunto: para quê você se candidatou? O que você pretende fazer para abençoar, como político, a vida dos desvalidos, dos pobres, dos andrajosos, das víuvas, dos órfãos? O que pretende fazer para garantir o acesso igualitário à educação, à saúde, ao lazer? Para construir uma sociedade mais livre, justa e solidária, promovendo o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação (CF, Art 2º)? Para manutenção da inviolabilidade da liberdade de consciência e de crença, assegurando o livre exercício dos cultos religiosos e garantindo, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias (CF Art. 5º)? O que você fará para efetivamente garantir os direitos e deveres individuais e coletivos?
Por favor, como brasileiro e eleitor eu te peço: não seja mais um a usar a máquina pública em benefício próprio. Não seja mais um a virar tema de piada em programas humorísticos, mais um a ser objeto do descrédito e ódio popular. Porém, como pastor, eu o exorto: pondere bem, com muito cuidado, as tuas reais intenções que te levaram a candidatar-se. Deus escuta o clamor do pobre, a voz deles sobe diante do Senhor pelas opressões e injustiças cometidas nesta Nação contra eles, desde a sua fundação. Um dia, você comparecerá diante do Juiz de Toda Terra e naquele dia dará contas a Ele; o que terás para apresentar? E aí você se não tiver nada que presta a mostrar, principalmente se você foi pastor e político ao mesmo tempo; afinal, a quem muito é dado, muito será cobrado!
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
PASTOR, EM QUEM DEUS DISSE QUE DEVEMOS VOTAR?
Amados irmãos,
Reproduzo aqui o texto constante no blog "Púlpito Cristão", por considerá-lo útil à sua fé a ao correto entendimento do processo eleitoral pelos crentes em Cristo.
O link da postagem é: http://www.pulpitocristao.com/2010/09/pastor-quem-foi-que-deus-disse-que.html. Acesso em 06/09/2010, às 11h30min.
Veja mais sobre o assunto nas argumentações postadas aqui no "Ad Argumentandum Tantum".
Graça e Paz!
_________________________________
Em tempo de eleição essa é uma das dúvidas ais comuns em nossas igrejas. Isto porque, irmãos em Cristo que temem ao Senhor e que desejam fazer o melhor para o seu país, acreditam que os seus pastores receberam de Deus orientações claras quanto àqueles que deverão governar a nação. Nesta perspectiva, buscam em seus líderes orientações em quem votar. No entanto, o que talvez muitos não saibam, é que do ponto de vista ético e cristão, o pastor não possui o direito de manipular o voto de ninguém. Todavia, em virtude de desejos escusos, alguns pastores inescrupulosos, imbuídos de messianismo politico fajuto, enganam o povo, determinando ao rebanho o nome daqueles que deverão ser votados.
Caro leitor, como disse anteriormente Não creio na manipulação religiosa em nome de Deus, não acredito num messianismo onde a utopia de um mundo perfeito se constrói a partir do momento em que crentes são eleitos, nem tampouco comercializo o rebanho de Cristo, vendendo-o por interesses escusos a políticos inescrupulosos.
Diante do exposto gostaria de reproduzir aqui o décalogo do voto ético que foi defendido na década de 90 pela Associação Evangélica Brasileira:
I. O voto é intransferível e inegociável. Com ele o cristão expressa sua consciência como cidadão. Por isso, o voto precisa refletir a compreensão que o cristão tem de seu País, Estado e Município;
II. O cristão não deve violar a sua consciência política. Ele não deve negar sua maneira de ver a realidade social, mesmo que um líder da igreja tente conduzir o voto da comunidade noutra direção;
III. Os pastores e líderes têm obrigação de orientar os fiéis sobre como votar com ética e com discernimento. No entanto, a bem de sua credibilidade, o pastor evitará transformar o processo de elucidação política num projeto de manipulação e indução político-partidário;
IV. Os líderes evangélicos devem ser lúcidos e democráticos. Portanto, melhor do que indicar em quem a comunidade deve votar é organizar debates multipartidários, nos quais, simultânea ou alternadamente, representantes das correntes partidárias possam ser ouvidos sem preconceitos;
V. A diversidade social, econômica e ideológica que caracteriza a igreja evangélica no Brasil impõe que não sejam conduzidos processos de apoio a candidatos ou partidos dentro da igreja, sob pena de constranger os eleitores (o que é criminoso) e de dividir a comunidade;
VI. Nenhum cristão deve se sentir obrigado a votar em um candidato pelo simples fato de ele se confessar cristão evangélico. Antes disso, os evangélicos devem discernir se os candidatos ditos cristãos são pessoas lúcidas e comprometidos com as causas de justiça e da verdade. E mais: é fundamental que o candidato evangélico queira se eleger para propósitos maiores do que apenas defender os interesses imediatos de um grupo religioso ou de uma denominação evangélica. É óbvio que a igreja tem interesses que passam também pela dimensão político-institucional. Todavia, é mesquinho e pequeno demais pretender eleger alguém apenas para defender interesses restritos às causas temporais da igreja. Um político de fé evangélica tem que ser, sobretudo, um evangélico na política e não apenas um "despachante" de igrejas. Ao defender os direitos universais do homem, a democracia, o estado leigo, entre outras conquistas, o cristão estará defendendo a Igreja.
VII. Os fins não justificam os meios. Portanto, o eleitor cristão não deve jamais aceitar a desculpa de que um evangélico político votou de determinada maneira porque obteve a promessa de que, em assim fazendo, conseguiria alguns benefícios para a igreja, sejam rádios, concessões de TV, terrenos para templos, linhas de crédito bancário, propriedades, tratamento especial perante a lei ou outros "trocos", ainda que menores. Conquanto todos assumamos que nos bastidores da política haja acordos e composições de interesse, não se pode, entretanto, admitir que tais "acertos" impliquem na prostituição da consciência cristã, mesmo que a "recompensa" seja, aparentemente, muito boa para a expansão da causa evangélica. Jesus Cristo não aceitou ganhar os "reinos deste mundo" por quaisquer meios, Ele preferiu o caminho da cruz.
VIII. Os votos para Presidente da República e para cargos majoritários devem, sobretudo, basear-se em programas de governo, e no conjunto das forças partidárias por detrás de tais candidaturas que, no Brasil, são, em extremo, determinantes; não em função de "boatos" do tipo: "O candidato tal é ateu"; ou: "O fulano vai fechar as igrejas"; ou: "O sicrano não vai dar nada para os evangélicos"; ou ainda: "O beltrano é bom porque dará muito para os evangélicos". É bom saber que a Constituição do país não dá a quem quer que seja o poder de limitar a liberdade religiosa de qualquer grupo. Além disso, é válido observar que aqueles que espalham tais boatos, quase sempre, têm a intenção de induzir os votos dos eleitores assustados e impressionados, na direção de um candidato com o qual estejam comprometidos.
IX. Sempre que um eleitor evangélico estiver diante de um impasse do tipo: "o candidato evangélico é ótimo, mas seu partido não é o que eu gosto", é compreensível que dê um "voto de confiança" a esse irmão na fé, desde que ele tenha as qualificações para o cargo. Entretanto, é de bom alvitre considerar que ninguém atua sozinho, por melhor que seja o irmão, em questão, ele dificilmente transcenderá a agremiação política de que é membro, ou as forças políticas que o apoiem.
X. Nenhum eleitor evangélico deve se sentir culpado por ter opinião política diferente da de seu pastor ou líder espiritual. O pastor deve ser obedecido em tudo aquilo que ensina sobre a Palavra de Deus, de acordo com ela. No entanto, no âmbito político-partidário, a opinião do pastor deve ser ouvida apenas como a palavra de um cidadão, e não como uma profecia divina.
Soli Deo Gloria!
***
Renato Vargens é pastor, escritor e colunista do Púlpito Cristão
Reproduzo aqui o texto constante no blog "Púlpito Cristão", por considerá-lo útil à sua fé a ao correto entendimento do processo eleitoral pelos crentes em Cristo.
O link da postagem é: http://www.pulpitocristao.com/2010/09/pastor-quem-foi-que-deus-disse-que.html. Acesso em 06/09/2010, às 11h30min.
Veja mais sobre o assunto nas argumentações postadas aqui no "Ad Argumentandum Tantum".
Graça e Paz!
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Em tempo de eleição essa é uma das dúvidas ais comuns em nossas igrejas. Isto porque, irmãos em Cristo que temem ao Senhor e que desejam fazer o melhor para o seu país, acreditam que os seus pastores receberam de Deus orientações claras quanto àqueles que deverão governar a nação. Nesta perspectiva, buscam em seus líderes orientações em quem votar. No entanto, o que talvez muitos não saibam, é que do ponto de vista ético e cristão, o pastor não possui o direito de manipular o voto de ninguém. Todavia, em virtude de desejos escusos, alguns pastores inescrupulosos, imbuídos de messianismo politico fajuto, enganam o povo, determinando ao rebanho o nome daqueles que deverão ser votados.
Caro leitor, como disse anteriormente Não creio na manipulação religiosa em nome de Deus, não acredito num messianismo onde a utopia de um mundo perfeito se constrói a partir do momento em que crentes são eleitos, nem tampouco comercializo o rebanho de Cristo, vendendo-o por interesses escusos a políticos inescrupulosos.
Diante do exposto gostaria de reproduzir aqui o décalogo do voto ético que foi defendido na década de 90 pela Associação Evangélica Brasileira:
I. O voto é intransferível e inegociável. Com ele o cristão expressa sua consciência como cidadão. Por isso, o voto precisa refletir a compreensão que o cristão tem de seu País, Estado e Município;
II. O cristão não deve violar a sua consciência política. Ele não deve negar sua maneira de ver a realidade social, mesmo que um líder da igreja tente conduzir o voto da comunidade noutra direção;
III. Os pastores e líderes têm obrigação de orientar os fiéis sobre como votar com ética e com discernimento. No entanto, a bem de sua credibilidade, o pastor evitará transformar o processo de elucidação política num projeto de manipulação e indução político-partidário;
IV. Os líderes evangélicos devem ser lúcidos e democráticos. Portanto, melhor do que indicar em quem a comunidade deve votar é organizar debates multipartidários, nos quais, simultânea ou alternadamente, representantes das correntes partidárias possam ser ouvidos sem preconceitos;
V. A diversidade social, econômica e ideológica que caracteriza a igreja evangélica no Brasil impõe que não sejam conduzidos processos de apoio a candidatos ou partidos dentro da igreja, sob pena de constranger os eleitores (o que é criminoso) e de dividir a comunidade;
VI. Nenhum cristão deve se sentir obrigado a votar em um candidato pelo simples fato de ele se confessar cristão evangélico. Antes disso, os evangélicos devem discernir se os candidatos ditos cristãos são pessoas lúcidas e comprometidos com as causas de justiça e da verdade. E mais: é fundamental que o candidato evangélico queira se eleger para propósitos maiores do que apenas defender os interesses imediatos de um grupo religioso ou de uma denominação evangélica. É óbvio que a igreja tem interesses que passam também pela dimensão político-institucional. Todavia, é mesquinho e pequeno demais pretender eleger alguém apenas para defender interesses restritos às causas temporais da igreja. Um político de fé evangélica tem que ser, sobretudo, um evangélico na política e não apenas um "despachante" de igrejas. Ao defender os direitos universais do homem, a democracia, o estado leigo, entre outras conquistas, o cristão estará defendendo a Igreja.
VII. Os fins não justificam os meios. Portanto, o eleitor cristão não deve jamais aceitar a desculpa de que um evangélico político votou de determinada maneira porque obteve a promessa de que, em assim fazendo, conseguiria alguns benefícios para a igreja, sejam rádios, concessões de TV, terrenos para templos, linhas de crédito bancário, propriedades, tratamento especial perante a lei ou outros "trocos", ainda que menores. Conquanto todos assumamos que nos bastidores da política haja acordos e composições de interesse, não se pode, entretanto, admitir que tais "acertos" impliquem na prostituição da consciência cristã, mesmo que a "recompensa" seja, aparentemente, muito boa para a expansão da causa evangélica. Jesus Cristo não aceitou ganhar os "reinos deste mundo" por quaisquer meios, Ele preferiu o caminho da cruz.
VIII. Os votos para Presidente da República e para cargos majoritários devem, sobretudo, basear-se em programas de governo, e no conjunto das forças partidárias por detrás de tais candidaturas que, no Brasil, são, em extremo, determinantes; não em função de "boatos" do tipo: "O candidato tal é ateu"; ou: "O fulano vai fechar as igrejas"; ou: "O sicrano não vai dar nada para os evangélicos"; ou ainda: "O beltrano é bom porque dará muito para os evangélicos". É bom saber que a Constituição do país não dá a quem quer que seja o poder de limitar a liberdade religiosa de qualquer grupo. Além disso, é válido observar que aqueles que espalham tais boatos, quase sempre, têm a intenção de induzir os votos dos eleitores assustados e impressionados, na direção de um candidato com o qual estejam comprometidos.
IX. Sempre que um eleitor evangélico estiver diante de um impasse do tipo: "o candidato evangélico é ótimo, mas seu partido não é o que eu gosto", é compreensível que dê um "voto de confiança" a esse irmão na fé, desde que ele tenha as qualificações para o cargo. Entretanto, é de bom alvitre considerar que ninguém atua sozinho, por melhor que seja o irmão, em questão, ele dificilmente transcenderá a agremiação política de que é membro, ou as forças políticas que o apoiem.
X. Nenhum eleitor evangélico deve se sentir culpado por ter opinião política diferente da de seu pastor ou líder espiritual. O pastor deve ser obedecido em tudo aquilo que ensina sobre a Palavra de Deus, de acordo com ela. No entanto, no âmbito político-partidário, a opinião do pastor deve ser ouvida apenas como a palavra de um cidadão, e não como uma profecia divina.
Soli Deo Gloria!
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Renato Vargens é pastor, escritor e colunista do Púlpito Cristão
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
CONSELHEIROS E ACONSELHADOS: "EU TE DISSE, MAS EU TE DISSE, EU TE DISSE..."
Um dos pressupostos mais básicos no aconselhamento cristão é o desejo de uma pessoa em receber o conselho dado por outra. Aconselhar é uma das instruções de Paulo (Cl 3.16); o próprio Cristo aconselha a toda uma Igreja em Apocalipse (Ap 3.18). Mas o que é aconselhar? Aconselhar é dar "parecer, juízo, opinião; é advertir, exortar, avisar, admoestar". Na Bíblia, a palavra em grego que é traduzida como aconselhar é nouthesia, que literalmente significa “o ato de pôr em mente”, "inculcar". Aconselhamento é uma das tarefas ligadas ao Ministério Pastoral, por sua característica e função, podendo e devendo também ser realizado por outros crentes que não tenham este dom.
No entanto o aconselhamento, assim como muitas atividades genuinamente cristãs, foi deturpado na Igreja. Há muita confusão no entendimento e consequentemente na prática do aconselhamento, tanto por conselheiros como por aconselhados. Tais confusões estão invariavelmente ligadas ao papel, ao comportamento, exercido por ambos.
A primeira confusão que surge é o entendimento, por parte ou do aconselhado, ou do conselheiro, ou ambos, de que o conselho emitido é equivalente a uma ordem sagrada, como se o próprio Deus estivesse falando. Ainda que Deus possa falar através do conselheiro, nada impede que o aconselhado pese o que está sendo-lhe dito à luz da Palavra de Deus e da razão e assim decida como deve agir ou não. No entanto, com a atual prática, pelos crentes, da "beatificação em vida" de pastores e de bispos e de apóstolos, elevados a uma classe de "santos homens inerrantes", o costume de se ponderar o conselho foi abandonado. Isso, por um lado, está também ligado ao comodismo do aconselhado, afinal é mais fácil alguém dizer o que eu devo fazer (e com isso assumir toda a responsabilidade) do que eu mesmo fazer minhas escolhas. Por outro lado, está ligado a dominação do rebanho de Deus: mentes passivas são muito mais fáceis de serem controladas, e assim acabarão agindo da forma que lhes é sugerida, sem questionar.
Quantos abusos são cometidos, deste modo, na atividade de aconselhamento! Quantas vidas são manipuladas, como marionetes, nas mãos de pessoas inescrupulosas transvestidas de guias do rebanho. Não é à-toa que surgem "patriarcas evangélicos", ovacionados por milhares de crentes, que surgem homens que exigem serem chamados de "pai" pelos crentes, os "paipóstolos"; que surgem cobradores de "trízimo", "comedores de angu do suor com fartum ungido", e muitos e muitos concordam! Surtados - tal o povo, tal o sacerdócio! Padecem da Síndrome de Lúcifer, tomados pela Oni(pre)potência dos alucinados!
A segunda confusão, tão comum quanto a primeira, é o aconselhado procurar conselho apenas para confirmar aquilo que já premeditou. Assim, os aconselhados procuram apenas corroborar suas intenções e práticas - a maioria das vezes pecaminosa. Além de ocupar tempo desnecessariamente na agenda do conselheiro, tal prática cria um clima tenso e estressante, onde o servo de Deus vê-se impossibilitado de mudar o coração duro que está diante dele. Isso mesmo, coração duro, impenitente, arrogante! Daí, mesmo o Espírito Santo falando através do conselheiro, isso só redunda em canseira e enfado, porque o aconselhado está indisposto a ouvir qualquer coisa que choque-se com a sua concupiscência carnal, que mostre o quão errado é o que tenciona fazer ou que já está fazendo. Esquecem-se de que "há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte" (Pv 14.12) e que "não havendo sábios conselhos, o povo cai, mas na multidão de conselhos há segurança" (Pv 11.14).
O que acontece, então? Por não ouvirem de Deus àquilo que poderia salvá-los, mudando-os de rumo, seguem o caminho que propuseram a si mesmos. Porém, quando o mal os encontra, voltando para eles como uma flecha veloz, como consequência por sua loucura, queixam-se por seu infortúnio diante de Deus. Perdem as bênçãos de Deus que possuíam, subsituindo-as por inúmeras aflições e transtornos. Alguns ainda conseguem se arrepender e retornar ao caminho correto; outros infelizmente se perdem e não conseguem achar o caminho de volta, ainda que com lágrimas o procurem. Outros ainda acabam pagando mais caro, com a própria vida.
Isso me faz lembrar de um desenho da minha infância chamado "Carangos e Motocas". Tinha uma motinha pequenininha que vivia repetindo... "Eu te disse, eu te disse! Mas eu te disse, eu te disse!" Ela falava assim ao final do desenho, sempre que o plano malvado das Motocas (Chapa, Avesso, Risada e Confuso) para pegar um carrinho, chamado Willie, não dava certo, apesar de seus conselhos e avisos prévios.
Existe um hino antigo, chamado "Cem Ovelhas", que retrata o pastor que possuía 100 ovelhas no redil e numa tarde, ao contá-las, verifica que lhe faltava uma. Assim, ele deixa as 99 no redil, com outros pastores auxiliares, e sai pelas montanhas a buscá-la. Acaba então encontrando-a, ferida e com frio; então ele cura suas feridas, toma-a em seu ombros, e ao redil retorna. Um hino muito bonito. Porém, ele retrata apenas uma faceta da realidade, na qual a ovelha desgarrada consegue ser achada e aceita retornar com o pastor amado. Infelizmente, há também outra faceta: muitas ovelhas desgarradas não conseguem mais serem encontradas. Quantas pessoas que hoje estão desviadas dos caminhos do Senhor? Destas, quantas estão neste estado por sua própria intransigência, por sua dureza de coração; nunca permitiram serem exortadas? E quantas terminarão os seus dias nesta terrível condição?
Sinceramente, quando o assunto é seríssimo, como a vida eterna, é preferível não arriscar. É preferível ser exortado, ainda que isso contradiga os interesses imediatos e mediatos - ainda que isso cause tristeza, e atentar para o conselho, do que terminar os dias longe dos caminhos do Senhor. Jesus nos exorta, todos nós, independente de denominação ou confissão teológica: "Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida" (Ap 2.10). Quer teologizar, faça-o; quer contemporizar, esteja á vontade. É preferível seguir firme na fé, do que ouvir do diabo: "ele te disse, mas ele te disse, ele te disse... e você não quis ouvir"!
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!
No entanto o aconselhamento, assim como muitas atividades genuinamente cristãs, foi deturpado na Igreja. Há muita confusão no entendimento e consequentemente na prática do aconselhamento, tanto por conselheiros como por aconselhados. Tais confusões estão invariavelmente ligadas ao papel, ao comportamento, exercido por ambos.
A primeira confusão que surge é o entendimento, por parte ou do aconselhado, ou do conselheiro, ou ambos, de que o conselho emitido é equivalente a uma ordem sagrada, como se o próprio Deus estivesse falando. Ainda que Deus possa falar através do conselheiro, nada impede que o aconselhado pese o que está sendo-lhe dito à luz da Palavra de Deus e da razão e assim decida como deve agir ou não. No entanto, com a atual prática, pelos crentes, da "beatificação em vida" de pastores e de bispos e de apóstolos, elevados a uma classe de "santos homens inerrantes", o costume de se ponderar o conselho foi abandonado. Isso, por um lado, está também ligado ao comodismo do aconselhado, afinal é mais fácil alguém dizer o que eu devo fazer (e com isso assumir toda a responsabilidade) do que eu mesmo fazer minhas escolhas. Por outro lado, está ligado a dominação do rebanho de Deus: mentes passivas são muito mais fáceis de serem controladas, e assim acabarão agindo da forma que lhes é sugerida, sem questionar.
Quantos abusos são cometidos, deste modo, na atividade de aconselhamento! Quantas vidas são manipuladas, como marionetes, nas mãos de pessoas inescrupulosas transvestidas de guias do rebanho. Não é à-toa que surgem "patriarcas evangélicos", ovacionados por milhares de crentes, que surgem homens que exigem serem chamados de "pai" pelos crentes, os "paipóstolos"; que surgem cobradores de "trízimo", "comedores de angu do suor com fartum ungido", e muitos e muitos concordam! Surtados - tal o povo, tal o sacerdócio! Padecem da Síndrome de Lúcifer, tomados pela Oni(pre)potência dos alucinados!
A segunda confusão, tão comum quanto a primeira, é o aconselhado procurar conselho apenas para confirmar aquilo que já premeditou. Assim, os aconselhados procuram apenas corroborar suas intenções e práticas - a maioria das vezes pecaminosa. Além de ocupar tempo desnecessariamente na agenda do conselheiro, tal prática cria um clima tenso e estressante, onde o servo de Deus vê-se impossibilitado de mudar o coração duro que está diante dele. Isso mesmo, coração duro, impenitente, arrogante! Daí, mesmo o Espírito Santo falando através do conselheiro, isso só redunda em canseira e enfado, porque o aconselhado está indisposto a ouvir qualquer coisa que choque-se com a sua concupiscência carnal, que mostre o quão errado é o que tenciona fazer ou que já está fazendo. Esquecem-se de que "há um caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte" (Pv 14.12) e que "não havendo sábios conselhos, o povo cai, mas na multidão de conselhos há segurança" (Pv 11.14).
O que acontece, então? Por não ouvirem de Deus àquilo que poderia salvá-los, mudando-os de rumo, seguem o caminho que propuseram a si mesmos. Porém, quando o mal os encontra, voltando para eles como uma flecha veloz, como consequência por sua loucura, queixam-se por seu infortúnio diante de Deus. Perdem as bênçãos de Deus que possuíam, subsituindo-as por inúmeras aflições e transtornos. Alguns ainda conseguem se arrepender e retornar ao caminho correto; outros infelizmente se perdem e não conseguem achar o caminho de volta, ainda que com lágrimas o procurem. Outros ainda acabam pagando mais caro, com a própria vida.
Isso me faz lembrar de um desenho da minha infância chamado "Carangos e Motocas". Tinha uma motinha pequenininha que vivia repetindo... "Eu te disse, eu te disse! Mas eu te disse, eu te disse!" Ela falava assim ao final do desenho, sempre que o plano malvado das Motocas (Chapa, Avesso, Risada e Confuso) para pegar um carrinho, chamado Willie, não dava certo, apesar de seus conselhos e avisos prévios.
Existe um hino antigo, chamado "Cem Ovelhas", que retrata o pastor que possuía 100 ovelhas no redil e numa tarde, ao contá-las, verifica que lhe faltava uma. Assim, ele deixa as 99 no redil, com outros pastores auxiliares, e sai pelas montanhas a buscá-la. Acaba então encontrando-a, ferida e com frio; então ele cura suas feridas, toma-a em seu ombros, e ao redil retorna. Um hino muito bonito. Porém, ele retrata apenas uma faceta da realidade, na qual a ovelha desgarrada consegue ser achada e aceita retornar com o pastor amado. Infelizmente, há também outra faceta: muitas ovelhas desgarradas não conseguem mais serem encontradas. Quantas pessoas que hoje estão desviadas dos caminhos do Senhor? Destas, quantas estão neste estado por sua própria intransigência, por sua dureza de coração; nunca permitiram serem exortadas? E quantas terminarão os seus dias nesta terrível condição?
Sinceramente, quando o assunto é seríssimo, como a vida eterna, é preferível não arriscar. É preferível ser exortado, ainda que isso contradiga os interesses imediatos e mediatos - ainda que isso cause tristeza, e atentar para o conselho, do que terminar os dias longe dos caminhos do Senhor. Jesus nos exorta, todos nós, independente de denominação ou confissão teológica: "Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida" (Ap 2.10). Quer teologizar, faça-o; quer contemporizar, esteja á vontade. É preferível seguir firme na fé, do que ouvir do diabo: "ele te disse, mas ele te disse, ele te disse... e você não quis ouvir"!
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!
STEPHEN HAWKING E O BIG BANG: O DEUS ABSCONDITUS
Deus não tem mais lugar nas teorias sobre a criação do universo, devido a uma série de avanços no campo da física, afirma o cientista britânico Stephen Hawking em seu novo livro, que teve trechos divulgados nesta quinta-feira.
"Por haver uma lei como a gravidade, o universo pode e irá criar a ele mesmo do nada. A criação espontânea é a razão pela qual algo existe ao invés de não existir nada, é a razão pela qual o universo existe, pela qual nós existimos", escreve o célebre cientista em "The grand design", que será publicado em série no jornal The Times. "Não é necessário que evoquemos Deus para iluminar as coisas e criar o universo", acrescenta.
fonte: http://br.noticias.yahoo.com/s/afp/100902/saude/ci__ncia_espa__o_religi__o_livro_hawking. Acesso 03/09/2010, às 9h40min)
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Meus Comentários:
A despeito da grande capacidade intelectual do brilhante cientista, Hawking comete o erro mais básico que qualquer principiante é capaz de fazer: por não compreender a Bíblia, ele tira conclusões sobre a veracidade do texto sagrado a partir de evidências científicas, e não com base na própria Bíblia. A Bíblia não é um livro científico, ela não contém teorias físicas, químicas ou mesmo biológicas. Ela é a Palavra de Deus, o relato escrito feito por aproximadamente 40 escritores em 16 séculos, dos eventos relacionados ao homem e a Deus, imprescindíveis para a relação entre ambos. Ela é a Palavra de Deus porque os seus escritores foram inspirados por Deus para escrever os Seus pensamentos (2 Tm 3.16; 1 Ts 2.13).
A Bíblia mostra a criação não sob a perspectiva científica (imagine Moisés explicando a Lei da Gravitação Universal a Josué e Calebe ou Eliseu explicando a flutuação do machado com base na Mecânica dos Fluidos ou Paulo discorrendo sobre a Lei da Conservação da Massa e Energia com Timóteo), mas sob a perspectiva da ação criativa de Deus: "No princípio criou Deus os céus e a Terra", é o relato do primeiro versículo da Bíblia Sagrada, no livro de Gênesis. É preciso entender que a revelação é progressiva; não apenas a revelação nas Escrituras, mas também a revelação nas ciências. Na primeira, Deus comunica aos homens os Seus desígnios eternos; na segunda, Deus revela aos homens todas as leis que governam o mundo físico, criadas por Ele no momento da criação da matéria.
Sim, as leis da física estão orgânica e funcionalmente ligadas à matéria. Não há sentido em se falar em leis físicas - ou mesmo o tempo - antes de existir matéria, isso é uma conclusão que qualquer livro de física mostra com clareza. O próprio Hawking mostra isso em seu livro "O Universo numa Casca de Noz" (vale a pena a leitura). A teoria da relatividade de Einstein implica que o tempo teve um começo, e isso deu-se com o começo da matéria. "Todavia, tanto o começo como o final do tempo seriam situações em que as equações da relatividade geral não estariam definidas assim, a teoria não poderia predizer a que conduziria a grande explosão [...] ainda não compreendemos por completo a origem do universo", cita o físico em sua obra.
Como (e para quem) Deus criou o Universo - os céus e a Terra? Novamente, a Bíblia traz a revelação sob a ótica da fé: "pela fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente" (Hb 11.3). "Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele" (Cl 1.16,17). Na revelação da criação, Deus criou pela Palavra (logos, o Verbo - Jesus, Jo 1.1) todas as coisas: todos os planetas, constelações, galáxias, buracos negros, buracos de minhoca ("wormholes", em inglês), etc. Para quem as criou? Para o homem? Não, o texto de Colossenses é claro: para Ele, o Cristo, o próprio criador e sustentador de toda a criação! Para Ele, que existe antes de toda a criação existir! Até mesmo as coisas invisíveis (espirituais) foram por Ele e para Ele criadas! Por isso mesmo é dito: "Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, o primeiro e o derradeiro" (Ap 22.13).
Observe que nada do que é dito, na Bíblia, acerca da criação invalida a verdadeira ciência e suas leis. Do ponto de vista científico, Deus pode ter utilizado vários meios de criar todas as coisas materiais, como Big Bang (BB). Aliás, ao analisar esta teoria é fácil perceber que ela se encaixa em muitos aspectos com o relato bíblico da criação. Deus criou (do heb. "bara") toda criação a partir do nada ("bara" significar criar a partir do nada, sem auxílio de material preexistente); a teoria do BB diz que antes de sua ocorrência, não havia nada. “O big-bang deu origem a tudo, inclusive ao espaço e ao tempo. Quer dizer, antes disso existia algo que só podemos chamar de nada.” (João Steiner, físico e professor da USP). Esqueça, então, aquelas imagens que de vez em quando você vê em filmes, em que um vasto espaço escuro é preenchido por uma explosão. Não havia matéria, não havia espaço, não havia tempo, não havia nada.
A segunda lei da termodinâmica também é conhecida como lei da entropia, que nada mais é senão uma maneira simpática de dizer que a natureza tem a tendência de fazer as coisas se desordenarem. Em outras palavras, com o tempo, as coisas naturalmente se desfazem. Seu carro se acaba; sua casa se acaba; seu corpo se acaba. Mas se o Universo está ficando cada vez menos ordenado, então de onde veio a ordem original? Por outro lado, isto não aponta para o fim do Universo? A Bíblia mostra-nos a mesma coisa, só que com outra linguagem.
A verdadeira ciência jamais se chocará com a Bíblia, pois o mesmo Deus é o autor de ambas. A ciência provará a existência de Deus, como querem alguns? Não, a ciência restringe-se a matéria. Deus é espírito. A criação aponta para um Criador - "os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos" (Sl 19.1), mas seu estudo e contemplação não são, em geral, suficientes para que o homem alcance o conhecimento de Deus. São úteis, todavia. Nosso Deus, segundo Blaise Pascal, é um Deus oculto: Vere tu es Deus absconditus. Porém, é também um Deus que se revela, que deixou marcas visíveis de forma que possa ser encontrado por todos aqueles que O procurarem com sinceridade. Mais ainda: deixou-nos O Caminho bem marcado até Ele: Seu Filho, Jesus! Que o ilustríssimo e inteligentíssimo Prof. Stephen Hawking, e outros tantos cientistas, possam encontrá-Lo!
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!
"Por haver uma lei como a gravidade, o universo pode e irá criar a ele mesmo do nada. A criação espontânea é a razão pela qual algo existe ao invés de não existir nada, é a razão pela qual o universo existe, pela qual nós existimos", escreve o célebre cientista em "The grand design", que será publicado em série no jornal The Times. "Não é necessário que evoquemos Deus para iluminar as coisas e criar o universo", acrescenta.
fonte: http://br.noticias.yahoo.com/s/afp/100902/saude/ci__ncia_espa__o_religi__o_livro_hawking. Acesso 03/09/2010, às 9h40min)
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Meus Comentários:
A despeito da grande capacidade intelectual do brilhante cientista, Hawking comete o erro mais básico que qualquer principiante é capaz de fazer: por não compreender a Bíblia, ele tira conclusões sobre a veracidade do texto sagrado a partir de evidências científicas, e não com base na própria Bíblia. A Bíblia não é um livro científico, ela não contém teorias físicas, químicas ou mesmo biológicas. Ela é a Palavra de Deus, o relato escrito feito por aproximadamente 40 escritores em 16 séculos, dos eventos relacionados ao homem e a Deus, imprescindíveis para a relação entre ambos. Ela é a Palavra de Deus porque os seus escritores foram inspirados por Deus para escrever os Seus pensamentos (2 Tm 3.16; 1 Ts 2.13).
A Bíblia mostra a criação não sob a perspectiva científica (imagine Moisés explicando a Lei da Gravitação Universal a Josué e Calebe ou Eliseu explicando a flutuação do machado com base na Mecânica dos Fluidos ou Paulo discorrendo sobre a Lei da Conservação da Massa e Energia com Timóteo), mas sob a perspectiva da ação criativa de Deus: "No princípio criou Deus os céus e a Terra", é o relato do primeiro versículo da Bíblia Sagrada, no livro de Gênesis. É preciso entender que a revelação é progressiva; não apenas a revelação nas Escrituras, mas também a revelação nas ciências. Na primeira, Deus comunica aos homens os Seus desígnios eternos; na segunda, Deus revela aos homens todas as leis que governam o mundo físico, criadas por Ele no momento da criação da matéria.
Sim, as leis da física estão orgânica e funcionalmente ligadas à matéria. Não há sentido em se falar em leis físicas - ou mesmo o tempo - antes de existir matéria, isso é uma conclusão que qualquer livro de física mostra com clareza. O próprio Hawking mostra isso em seu livro "O Universo numa Casca de Noz" (vale a pena a leitura). A teoria da relatividade de Einstein implica que o tempo teve um começo, e isso deu-se com o começo da matéria. "Todavia, tanto o começo como o final do tempo seriam situações em que as equações da relatividade geral não estariam definidas assim, a teoria não poderia predizer a que conduziria a grande explosão [...] ainda não compreendemos por completo a origem do universo", cita o físico em sua obra.
Como (e para quem) Deus criou o Universo - os céus e a Terra? Novamente, a Bíblia traz a revelação sob a ótica da fé: "pela fé entendemos que os mundos pela palavra de Deus foram criados; de maneira que aquilo que se vê não foi feito do que é aparente" (Hb 11.3). "Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele" (Cl 1.16,17). Na revelação da criação, Deus criou pela Palavra (logos, o Verbo - Jesus, Jo 1.1) todas as coisas: todos os planetas, constelações, galáxias, buracos negros, buracos de minhoca ("wormholes", em inglês), etc. Para quem as criou? Para o homem? Não, o texto de Colossenses é claro: para Ele, o Cristo, o próprio criador e sustentador de toda a criação! Para Ele, que existe antes de toda a criação existir! Até mesmo as coisas invisíveis (espirituais) foram por Ele e para Ele criadas! Por isso mesmo é dito: "Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, o primeiro e o derradeiro" (Ap 22.13).
Observe que nada do que é dito, na Bíblia, acerca da criação invalida a verdadeira ciência e suas leis. Do ponto de vista científico, Deus pode ter utilizado vários meios de criar todas as coisas materiais, como Big Bang (BB). Aliás, ao analisar esta teoria é fácil perceber que ela se encaixa em muitos aspectos com o relato bíblico da criação. Deus criou (do heb. "bara") toda criação a partir do nada ("bara" significar criar a partir do nada, sem auxílio de material preexistente); a teoria do BB diz que antes de sua ocorrência, não havia nada. “O big-bang deu origem a tudo, inclusive ao espaço e ao tempo. Quer dizer, antes disso existia algo que só podemos chamar de nada.” (João Steiner, físico e professor da USP). Esqueça, então, aquelas imagens que de vez em quando você vê em filmes, em que um vasto espaço escuro é preenchido por uma explosão. Não havia matéria, não havia espaço, não havia tempo, não havia nada.
A segunda lei da termodinâmica também é conhecida como lei da entropia, que nada mais é senão uma maneira simpática de dizer que a natureza tem a tendência de fazer as coisas se desordenarem. Em outras palavras, com o tempo, as coisas naturalmente se desfazem. Seu carro se acaba; sua casa se acaba; seu corpo se acaba. Mas se o Universo está ficando cada vez menos ordenado, então de onde veio a ordem original? Por outro lado, isto não aponta para o fim do Universo? A Bíblia mostra-nos a mesma coisa, só que com outra linguagem.
A verdadeira ciência jamais se chocará com a Bíblia, pois o mesmo Deus é o autor de ambas. A ciência provará a existência de Deus, como querem alguns? Não, a ciência restringe-se a matéria. Deus é espírito. A criação aponta para um Criador - "os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos" (Sl 19.1), mas seu estudo e contemplação não são, em geral, suficientes para que o homem alcance o conhecimento de Deus. São úteis, todavia. Nosso Deus, segundo Blaise Pascal, é um Deus oculto: Vere tu es Deus absconditus. Porém, é também um Deus que se revela, que deixou marcas visíveis de forma que possa ser encontrado por todos aqueles que O procurarem com sinceridade. Mais ainda: deixou-nos O Caminho bem marcado até Ele: Seu Filho, Jesus! Que o ilustríssimo e inteligentíssimo Prof. Stephen Hawking, e outros tantos cientistas, possam encontrá-Lo!
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
FIDES ET RATIO: EM PROL DE UMA FÉ EQUILIBRADA!
Fides et ratio: fé e razão, uma equilibrando a outra, uma temperando a outra. O que é um crente? Um ser intransigente, carrancudo, bitolado, incapaz de pensar fora das divisas poligonais fechadas de sua fé decoreba? Sim, porque a fé professada pela grande maioria dos crentes modernos não passa de decoreba, gravado por repetição exaustiva, sem o menor raciocínio. Na melhor das hipóteses, são repletos de teologismos, condenando rapidamente todo conceito (e o seu postulador) que não pareça-lhe minimamente conforme àquilo que decorou. Não é à-toa que sistemas e práticas como "teologia da prosperidade", "unções especiais", "coronelismo pastoral", dentre outros, nasçam, cresçam e reproduzam-se a taxas exponenciais no meio evangélico moderno.
Tenho uma proposta: voltemos à Idade Média. Sim, já que o livre pensar é proibido, já que o raciocínio é obra do demônio. Voltemos àqueles dias, tão perfeitamente registrados no filme "O Nome da Rosa": o riso é do diabo, o crente piedoso não sorri e não ri, apenas chora; quanto mais chorar, mais piedoso se tornará. Talvez o Venerável Georg estivesse certo, não é? Talvez devamos apenas "preservar o conhecimento, não perscrutá-lo, porque não existe progresso na história do conhecimento, meramente uma contínua e sublime recapitulação". Tudo o que passar disso, é ardil do diabo!
Citando William de Baskerville, “a única prova que vejo do demônio é o desejo de todos em vê-lo atuar”. A única prova para se considerar "obra do diabo" a perscrutação do conhecimento é o desejo insistente de algumas pessoas considerá-lo assim.
Será que o corpo humano deve ser encarado ainda como inviolável, já que "é templo do Espírito Santo" e, portanto, nenhum médico pode operá-lo? O sistema heliocêntrico é correto? É o átomo a menor divisão da matéria? Há um abismo no final dos confins dos mares, que tragarão todos os navegantes que ali chegarem? São os farmacêuticos agentes do inferno, bruxos manipuladores de saber demoníaco? São os químicos, engenheiros químicos e correlatos também discípulos deste mesmo ser maligno? E o avião: voa por causa de poderes mágicos? Como pode o navio, sendo mais pesado que a água, flutuar nela? Fusão é o nome de um time de futebol carioca escrito de forma errada?
Acaso não dotou Deus o homem de um cérebro? Não permitiu-lhe o conhecimento da filosofia e das ciências físicas, químicas e biológicas? Não permitiu que o homem saia da Terra para o espaço, pisando pela primeira vez na Lua no séc. XX? E o que dizer do Direito? Desconsideramos todos os avanços da sociedade quando emitimos posição religiosa obtusa naquilo que é meramente temporal. Imagine como seria a sociedade se a razão não tivesse equilibrado a fé: continuaríamos a viver uma fé cega do período anterior à Reforma Prostestante (a qual, diga-se de passagem, não teria acontecido). Odiosa bitolação!
Faço outra pergunta: como deve se posicionar um profissional liberal, servidor Estatal, quanto ao exercício de sua função pública? Por exemplo, como deve agir um policial (civil, militar, federal, não importa) que é crente: deve deixar sua arma em casa e combater o crime com a Bíblia na mão? Se os bandidos mandarem bala nele, não deve revidar, pois assim está escrito "não matarás", logo deve "dar a outra face" para o bandido? Como fica? A consequência é óbvia: se o policial assim agir, não estará exercendo a função que lhe foi atribuída. Será morto e o Estado se tornará um inferno na Terra, infinitamente pior do que aí está. O mesmo se aplica ao soldado do exército.
Isso significa que a Bíblia está errada e portanto deve ser descartada pelo ente público? Ou que não é pecado a criminalidade? Não, em hipótese alguma! Porém, significa que a fé deve ser exercida à luz da razão; o homem é ao mesmo tempo crente e ao mesmo tempo cidadão. Antes de ser crente, é cidadão, sujeito às Leis que regem sua Pátria. Há respaldo bíblico para isso? Sim, lógico, tanto no Antigo Testamento quanto no Novo Testamento: Veja:
Ora, a vocação da pessoa religiosa enquanto membro de uma religião não é necessariamente a mesma vocação da pessoa enquanto membro do Estado, enquanto cidadão. Isto se deve, dentre outras, às particularidades da religião e do Estado, distintas entre si, a não ser na hipótese do Estado religioso, como é o caso de alguns países árabes. Nestes, o poder religioso e o poder Estatal concentram-se na mão de uma mesma figura; naquele ambos os poderes são exercidos por pessoas distintas.
Os Estados Absolutistas, o grande Leviatã - "aquele Deus Mortal, ao qual devemos, abaixo do Deus Imortal, nossa paz e defesa", deu lugar ao Estado democrático de Direito. De fato, a origem do Estado Moderno surge com o Absolutismo e a idéia de Estado Democrático aparece no século XVIII, através dos valores fundamentais da pessoa humana, a exigência de organização e funcionamento do Estado enquanto órgão protetivo daqueles valores. Três grandes movimentos político-sociais foram responsáveis pela condução ao Estado Democrático, quais seriam: a Revolução Inglesa, com influência de Locke e expressão mais significativa no Bill of Rights de 1689; a Revolução Americana com seus princípios expressos na Declaração de Independência das treze colônias americanas em 1776 e a Revolução Francesa, com influência de Rousseau, dando universalidade aos seus princípios, devidamente expressos na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789.
As Instituições governamentais no Estado Moderno visam o bem comum da sociedade. É a Constituição Federal que incumbe ao Poder Público a prestação de serviço público. A atribuição primordial da administração pública é oferecer utilidades aos administrados, não se justificando sua presença, senão para prestar serviços à coletividade. Este serviço público leva em consideração três elementos caracterizadores, quais sejam, o material (atividade de interesse coletivo), o subjetivo (presença do estado) e o formal (procedimento de direito público).
Serviço público é todo aquele prestado pela administração ou por seus delegados, sob normas e controles estatais, para satisfazer necessidades essenciais ou secundárias da coletividade ou simples conveniências do Estado. Fora dessa generalidade não se pode, em doutrina, indicar as atividades que constituem serviço público, porque variam segundo as exigências da cada povo e de cada época. Este serviço prestado se conforma a um determinado e específico regime: o regime de direito público, o regime jurídico administrativo.
Do Direito Administrativo, sabe-se que a Administração Pública baseia-se nos princípios da Legalidade (ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei - art. 5.º, II, da CF), Publicidade (transparência a todos os atos), Impessoalidade (não discriminação, pessoa jurídica), Moralidade (contra a improbidade administrativa), Eficiência, Motivação e Supremacia do Interesse Público sobre o Particular, dentre outros. Obviamente, a aplicação de tais princípios, obrigatórios ao ente público, exclui a possibilidade religiosa num Estado Laico, como o Brasil.
Aplicando o conceito distorcido e forçado do princípio religioso na esfera pública, facilmente concluir-se-á que o crente deve ser um eremita ou monástico. Afinal, sempre ocorrerão situações onde o fiel ver-se-á diante de ações e políticas que não necessariamente coadunam-se com a fé que professa. Este é o caso de profissionais liberais, cuja função é imprescindível para o bem-estar do Estado: policiais, médicos, químicos, professores, economistas, engenheiros, advogados, etc. Da mesma forma, tais profissionais deveriam, segundo tal tacanho e obtuso pensamento, abandonarem suas profissões para se tornarem crentes, já que estas seriam incompatíveis e irreconciliáveis com a fé cristã.
Será que isso é realmente verdade? David Koresh então estava certo em criar o "Monte Carmelo"? Ou Antonio Conselheiro, para o qual a República era o Anticristo, reunindo um grupo de milhares de sertanejos, entre camponeses, índios e escravos recém-libertos e fundando Canudos (rebatizado como "Bello Monte")? Se você pensa assim, seja ao menos coerente e não estude ou permita que seus filhos estudem ou prestem concurso público, pois para você isso tudo "é coisa do diaaaaabbbbooo"! (sic) Nem tampouco cantar o hino nacional, porque "a pátria amada, idolatrada, salve salve!" é idolatria, e isso não é coisa de crente! Se você pensa assim, lamento te dizer: você está lendo a Bíblia de cabeça para baixo!
A imensa maioria (99,9999999999%) das profissões são perfeitamente compatíveis com a fé cristã. Apenas uma ínfima parcela pode ser considerada incompatível; estas não seriam sequer profissões na acepção da palavra, mas apenas uma prática de um pequeno grupo da sociedade, como é o caso da prostituição. Geralmente sua prática deve-se a elementos de ordem social: miséria, desemprego e deficiências do meio familiar: pobreza; por serem abandonadas pelo marido; por serem expulsas do lar por causa de gra-videz indesejada; por terem filhos ilegítimos. "Uma situação econômica precária, marcada pela difícil colocação no mercado de trabalho por baixos rendimentos, e muitas vezes, pela condição de arrimo e chefe de família, é uma forte justificativa para o fato de a mulher se dedicar à prostituição... diante da sua própria situação de penúria e também da de sua família, é necessário que ela se sacrifique por ela e pelos seus. A prostituição surge então como um recurso quase legítimo para a falta de dinheiro” (http://www.scielo.br/pdf/rlae/v7n3/13471.pdf. Acesso 01/09/2010, às 14h40min)
Ainda sobre a prostituição e adicionando-se o elemento do sexo fora do casamento, segue a pergunta: o Estado deve distribuir preservativos gratuitamente? Esse assunto foi abordado pelo Pr. Antonio Carlos Costa, da Igreja Presbiteriana da Barra, no blog Genizah (http://www.genizahvirtual.com/2010/08/pergunte-ao-pastor-distribuicao-de.html. Acesso 01/09/2010, às 14h40min). A prática da prostituição, bem como do sexo fora dos limites do casamento é pecado? Sim, é claro! Sou eu, enquanto crente em Cristo e pastor evangélico, de alguma maneira favorável a estas práticas? Em hipótese alguma, combato-as ferrenhamente com as armas que disponho! Afirmo e reafirmo que os que tais coisas praticam não herdarão o reino de Deus!
Mas não estamos aqui discutindo o caso do ponto de vista do ente religioso, mas sim do Estatal. Deve o Estado Laico tratar do caso sob o viés religioso-dogmático ou sob o viés da saúde pública? Diante de tudo o que foi exposto acima, o Estado, enquanto laico, deve abordar a questão do ponto de vista da saúde pública. Na história da humanidade, quando o Estado tratou os problemas sociais sob a ótica da religião, e tal coisa se deu quando o Estado assumiu uma religião, isto redundou em caça às bruxas, apedrejamento de prostitutas, genocídio de judeus, etc. O que deve fazer o Estado? Prender todas as prostitutas em presídios? Prender todos aqueles que se relacionam sexualmente sem estarem casados, praticantes de relações sexuais ilícitas? Criar uma espécie de Alcatraz, ou Absolom, e mandar essas pessoas todas para lá? Qual é a solução? Não distribuir preservativos e ter que lidar depois com uma imensa epidemia de DSTs, caos da saúde pública; afinal que "morram os infiéis"?
Por isso, reafirmo o que já foi dito em argumentações anteriores. Será que nós, evangélicos, não estamos transferindo para o poder público a nossa responsabilidade quanto ao "bom combate da fé", quanto ao ensino bíblico-doutrinário (e sobre programas de saúde) sobre o assunto e suas consequências aos membros da sociedade e deixar que o poder público legisle sobre os aspectos de saúde, segurança e meio ambiente? Será que essa transferência de responsabilidade não aponta para a iminente falência ou redução de significância da Igreja Evangélica perante à sociedade? Deus ordenou que nós, crentes em Cristo, praticássemos a contra-cultura do Reino de Deus, não ao Poder Estatal.
Assim, qual é o papel da Igreja? Enquanto agência do Reino de Deus na Terra, mostrar ao homem como Deus vê suas práticas na Terra, contrárias à Sua Palavra - como pecado. Ensinar que, porém, Deus amou cada homem de tal maneira que deu Seu Único Filho, para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna. Ensinar, deste modo, que é necessário arrependimento, confissão e identificação com a morte, sepultamento e ressurreição de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, que Ele veio para salvar o homem dos seus pecados. Batizar os novos crentes e ensiná-los a guardar todas as coisas que o Senhor nos ordenou, por meio do discipulado cristão. Enviar cada discípulo para que faça novos discípulos. Combater, por meio da oração, do jejum e da Palavra de Deus aliada à razão e conhecimento secular, toda e qualquer forma de opressão, de exploração e de injustiça na sociedade em que se encontra.
Enquanto membro da sociedade, cabe à Igreja aprender a orar por seus governantes. Aprender a votar, não trocando votos por benesses, não abrindo o púlpito para propaganda política, nem tampouco votando em alguém meramente por filiação religiosa e/ou partidária. Ensinar àqueles irmãos realmente vocacionados por Deus para o exercício da função pública que pesará sobre eles grande responsabilidade, diante de Deus e dos homens. Que não devem julgar com parcialidade, fazendo verdadeiro juízo entre homem e homem; não devem aceitar suborno de forma alguma, nem oprimir o pobre, a viúva ou o órfão. Que a autoridade que exercerão emana de Deus, e a Ele darão contas pelo exercício dela. Que devem criar políticas públicas que abençoem a vida dos membros da sociedade como um todo, não sendo ávaro ou mesquinho, mas contentando-se com o seu justo salário. Que andem na luz, como na luz Ele está.
A Igreja deve ser o catalisador de mudanças na sociedade onde se insere, tanto por meio de suas armas espirituais, como pelo uso da razão. Fora disso, é farisaísmo e/ou exercício religioso vazio, pura perda de tempo; instrumento de dominação e de opressão, cárcere da alma humana. Corremos o risco acabarmos destruindo o pecador, e nada fazer para impedir a proliferação do pecado. Acabemos com pecado, não com o pecador!
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!
Tenho uma proposta: voltemos à Idade Média. Sim, já que o livre pensar é proibido, já que o raciocínio é obra do demônio. Voltemos àqueles dias, tão perfeitamente registrados no filme "O Nome da Rosa": o riso é do diabo, o crente piedoso não sorri e não ri, apenas chora; quanto mais chorar, mais piedoso se tornará. Talvez o Venerável Georg estivesse certo, não é? Talvez devamos apenas "preservar o conhecimento, não perscrutá-lo, porque não existe progresso na história do conhecimento, meramente uma contínua e sublime recapitulação". Tudo o que passar disso, é ardil do diabo!
Citando William de Baskerville, “a única prova que vejo do demônio é o desejo de todos em vê-lo atuar”. A única prova para se considerar "obra do diabo" a perscrutação do conhecimento é o desejo insistente de algumas pessoas considerá-lo assim.
Será que o corpo humano deve ser encarado ainda como inviolável, já que "é templo do Espírito Santo" e, portanto, nenhum médico pode operá-lo? O sistema heliocêntrico é correto? É o átomo a menor divisão da matéria? Há um abismo no final dos confins dos mares, que tragarão todos os navegantes que ali chegarem? São os farmacêuticos agentes do inferno, bruxos manipuladores de saber demoníaco? São os químicos, engenheiros químicos e correlatos também discípulos deste mesmo ser maligno? E o avião: voa por causa de poderes mágicos? Como pode o navio, sendo mais pesado que a água, flutuar nela? Fusão é o nome de um time de futebol carioca escrito de forma errada?
Acaso não dotou Deus o homem de um cérebro? Não permitiu-lhe o conhecimento da filosofia e das ciências físicas, químicas e biológicas? Não permitiu que o homem saia da Terra para o espaço, pisando pela primeira vez na Lua no séc. XX? E o que dizer do Direito? Desconsideramos todos os avanços da sociedade quando emitimos posição religiosa obtusa naquilo que é meramente temporal. Imagine como seria a sociedade se a razão não tivesse equilibrado a fé: continuaríamos a viver uma fé cega do período anterior à Reforma Prostestante (a qual, diga-se de passagem, não teria acontecido). Odiosa bitolação!
Faço outra pergunta: como deve se posicionar um profissional liberal, servidor Estatal, quanto ao exercício de sua função pública? Por exemplo, como deve agir um policial (civil, militar, federal, não importa) que é crente: deve deixar sua arma em casa e combater o crime com a Bíblia na mão? Se os bandidos mandarem bala nele, não deve revidar, pois assim está escrito "não matarás", logo deve "dar a outra face" para o bandido? Como fica? A consequência é óbvia: se o policial assim agir, não estará exercendo a função que lhe foi atribuída. Será morto e o Estado se tornará um inferno na Terra, infinitamente pior do que aí está. O mesmo se aplica ao soldado do exército.
Isso significa que a Bíblia está errada e portanto deve ser descartada pelo ente público? Ou que não é pecado a criminalidade? Não, em hipótese alguma! Porém, significa que a fé deve ser exercida à luz da razão; o homem é ao mesmo tempo crente e ao mesmo tempo cidadão. Antes de ser crente, é cidadão, sujeito às Leis que regem sua Pátria. Há respaldo bíblico para isso? Sim, lógico, tanto no Antigo Testamento quanto no Novo Testamento: Veja:
- "E uns soldados o interrogaram também, dizendo: E nós que faremos? E ele lhes disse: A ninguém trateis mal nem defraudeis, e contentai-vos com o vosso soldo" (Lc 3.14). Deveriam os soldados deixarem de ser soldados para serem aptos ao batismo, esta é a pergunta que fizeram. A resposta foi clara: ajam de acordo com a justiça e se contentem com o salário. João indica seu dever aos soldados. As respostas declaram o dever presente dos que perguntavam e, de imediato, se constituíam em uma prova de sua sinceridade. O evangelho requer misericórdia, não sacrifício; e seu objetivo é comprometer-nos a todos a fazer todo o bem que pudermos, e a sermos justos com todos os homens.
- "Nisto perdoe o SENHOR a teu servo; quando meu senhor entrar na casa de Rimom para ali adorar, e ele se encostar na minha mão, e eu também tenha de me encurvar na casa de Rimom; quando assim me encurvar na casa de Rimom, nisto perdoe o SENHOR a teu servo. E ele lhe disse: Vai em paz" (II Rs 5.18,19). Aqui, Naamã, o Sírio, após ser curado por Eliseu, explica a sua situação como capitão do exército do rei da Síria. Todas as vezes que o rei da Síria ia adorar o falso deus Rimom, se curvando diante dele, Naamã acabava obrigado a fazer o mesmo. Observe que o texto está no futuro: "quando meu senhor entrar", apontando assim para algo que viria a acontecer depois daquele encontro. Naamã tendo reconhecido o erro daquela prática, pede perdão ao Senhor por isso, antecipadamente, visto que ele não teria como evitá-la devido à sua posição. O que Eliseu lhe diz? Vai em paz!
- "Vós, servos, sujeitai-vos com todo o temor aos Senhores, não somente aos bons e humanos, mas também aos maus" (I Pe 2.18). Aqui, o termo "senhores" é a trdução do grego "despotes", que deu origem ao termo déspotas, "que é senhor absoluto e arbitrário". Sujeitar é a tradução de "hupotasso", o mesmo termo usado para qualificar a relação entre o marido e a esposa, entre Cristo e a Igreja (Ef 5.22).
Ora, a vocação da pessoa religiosa enquanto membro de uma religião não é necessariamente a mesma vocação da pessoa enquanto membro do Estado, enquanto cidadão. Isto se deve, dentre outras, às particularidades da religião e do Estado, distintas entre si, a não ser na hipótese do Estado religioso, como é o caso de alguns países árabes. Nestes, o poder religioso e o poder Estatal concentram-se na mão de uma mesma figura; naquele ambos os poderes são exercidos por pessoas distintas.
Os Estados Absolutistas, o grande Leviatã - "aquele Deus Mortal, ao qual devemos, abaixo do Deus Imortal, nossa paz e defesa", deu lugar ao Estado democrático de Direito. De fato, a origem do Estado Moderno surge com o Absolutismo e a idéia de Estado Democrático aparece no século XVIII, através dos valores fundamentais da pessoa humana, a exigência de organização e funcionamento do Estado enquanto órgão protetivo daqueles valores. Três grandes movimentos político-sociais foram responsáveis pela condução ao Estado Democrático, quais seriam: a Revolução Inglesa, com influência de Locke e expressão mais significativa no Bill of Rights de 1689; a Revolução Americana com seus princípios expressos na Declaração de Independência das treze colônias americanas em 1776 e a Revolução Francesa, com influência de Rousseau, dando universalidade aos seus princípios, devidamente expressos na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789.
As Instituições governamentais no Estado Moderno visam o bem comum da sociedade. É a Constituição Federal que incumbe ao Poder Público a prestação de serviço público. A atribuição primordial da administração pública é oferecer utilidades aos administrados, não se justificando sua presença, senão para prestar serviços à coletividade. Este serviço público leva em consideração três elementos caracterizadores, quais sejam, o material (atividade de interesse coletivo), o subjetivo (presença do estado) e o formal (procedimento de direito público).
Serviço público é todo aquele prestado pela administração ou por seus delegados, sob normas e controles estatais, para satisfazer necessidades essenciais ou secundárias da coletividade ou simples conveniências do Estado. Fora dessa generalidade não se pode, em doutrina, indicar as atividades que constituem serviço público, porque variam segundo as exigências da cada povo e de cada época. Este serviço prestado se conforma a um determinado e específico regime: o regime de direito público, o regime jurídico administrativo.
Do Direito Administrativo, sabe-se que a Administração Pública baseia-se nos princípios da Legalidade (ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei - art. 5.º, II, da CF), Publicidade (transparência a todos os atos), Impessoalidade (não discriminação, pessoa jurídica), Moralidade (contra a improbidade administrativa), Eficiência, Motivação e Supremacia do Interesse Público sobre o Particular, dentre outros. Obviamente, a aplicação de tais princípios, obrigatórios ao ente público, exclui a possibilidade religiosa num Estado Laico, como o Brasil.
Aplicando o conceito distorcido e forçado do princípio religioso na esfera pública, facilmente concluir-se-á que o crente deve ser um eremita ou monástico. Afinal, sempre ocorrerão situações onde o fiel ver-se-á diante de ações e políticas que não necessariamente coadunam-se com a fé que professa. Este é o caso de profissionais liberais, cuja função é imprescindível para o bem-estar do Estado: policiais, médicos, químicos, professores, economistas, engenheiros, advogados, etc. Da mesma forma, tais profissionais deveriam, segundo tal tacanho e obtuso pensamento, abandonarem suas profissões para se tornarem crentes, já que estas seriam incompatíveis e irreconciliáveis com a fé cristã.
Será que isso é realmente verdade? David Koresh então estava certo em criar o "Monte Carmelo"? Ou Antonio Conselheiro, para o qual a República era o Anticristo, reunindo um grupo de milhares de sertanejos, entre camponeses, índios e escravos recém-libertos e fundando Canudos (rebatizado como "Bello Monte")? Se você pensa assim, seja ao menos coerente e não estude ou permita que seus filhos estudem ou prestem concurso público, pois para você isso tudo "é coisa do diaaaaabbbbooo"! (sic) Nem tampouco cantar o hino nacional, porque "a pátria amada, idolatrada, salve salve!" é idolatria, e isso não é coisa de crente! Se você pensa assim, lamento te dizer: você está lendo a Bíblia de cabeça para baixo!
A imensa maioria (99,9999999999%) das profissões são perfeitamente compatíveis com a fé cristã. Apenas uma ínfima parcela pode ser considerada incompatível; estas não seriam sequer profissões na acepção da palavra, mas apenas uma prática de um pequeno grupo da sociedade, como é o caso da prostituição. Geralmente sua prática deve-se a elementos de ordem social: miséria, desemprego e deficiências do meio familiar: pobreza; por serem abandonadas pelo marido; por serem expulsas do lar por causa de gra-videz indesejada; por terem filhos ilegítimos. "Uma situação econômica precária, marcada pela difícil colocação no mercado de trabalho por baixos rendimentos, e muitas vezes, pela condição de arrimo e chefe de família, é uma forte justificativa para o fato de a mulher se dedicar à prostituição... diante da sua própria situação de penúria e também da de sua família, é necessário que ela se sacrifique por ela e pelos seus. A prostituição surge então como um recurso quase legítimo para a falta de dinheiro” (http://www.scielo.br/pdf/rlae/v7n3/13471.pdf. Acesso 01/09/2010, às 14h40min)
Ainda sobre a prostituição e adicionando-se o elemento do sexo fora do casamento, segue a pergunta: o Estado deve distribuir preservativos gratuitamente? Esse assunto foi abordado pelo Pr. Antonio Carlos Costa, da Igreja Presbiteriana da Barra, no blog Genizah (http://www.genizahvirtual.com/2010/08/pergunte-ao-pastor-distribuicao-de.html. Acesso 01/09/2010, às 14h40min). A prática da prostituição, bem como do sexo fora dos limites do casamento é pecado? Sim, é claro! Sou eu, enquanto crente em Cristo e pastor evangélico, de alguma maneira favorável a estas práticas? Em hipótese alguma, combato-as ferrenhamente com as armas que disponho! Afirmo e reafirmo que os que tais coisas praticam não herdarão o reino de Deus!
Mas não estamos aqui discutindo o caso do ponto de vista do ente religioso, mas sim do Estatal. Deve o Estado Laico tratar do caso sob o viés religioso-dogmático ou sob o viés da saúde pública? Diante de tudo o que foi exposto acima, o Estado, enquanto laico, deve abordar a questão do ponto de vista da saúde pública. Na história da humanidade, quando o Estado tratou os problemas sociais sob a ótica da religião, e tal coisa se deu quando o Estado assumiu uma religião, isto redundou em caça às bruxas, apedrejamento de prostitutas, genocídio de judeus, etc. O que deve fazer o Estado? Prender todas as prostitutas em presídios? Prender todos aqueles que se relacionam sexualmente sem estarem casados, praticantes de relações sexuais ilícitas? Criar uma espécie de Alcatraz, ou Absolom, e mandar essas pessoas todas para lá? Qual é a solução? Não distribuir preservativos e ter que lidar depois com uma imensa epidemia de DSTs, caos da saúde pública; afinal que "morram os infiéis"?
Por isso, reafirmo o que já foi dito em argumentações anteriores. Será que nós, evangélicos, não estamos transferindo para o poder público a nossa responsabilidade quanto ao "bom combate da fé", quanto ao ensino bíblico-doutrinário (e sobre programas de saúde) sobre o assunto e suas consequências aos membros da sociedade e deixar que o poder público legisle sobre os aspectos de saúde, segurança e meio ambiente? Será que essa transferência de responsabilidade não aponta para a iminente falência ou redução de significância da Igreja Evangélica perante à sociedade? Deus ordenou que nós, crentes em Cristo, praticássemos a contra-cultura do Reino de Deus, não ao Poder Estatal.
Assim, qual é o papel da Igreja? Enquanto agência do Reino de Deus na Terra, mostrar ao homem como Deus vê suas práticas na Terra, contrárias à Sua Palavra - como pecado. Ensinar que, porém, Deus amou cada homem de tal maneira que deu Seu Único Filho, para que todo aquele que nele crer não morra, mas tenha a vida eterna. Ensinar, deste modo, que é necessário arrependimento, confissão e identificação com a morte, sepultamento e ressurreição de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, que Ele veio para salvar o homem dos seus pecados. Batizar os novos crentes e ensiná-los a guardar todas as coisas que o Senhor nos ordenou, por meio do discipulado cristão. Enviar cada discípulo para que faça novos discípulos. Combater, por meio da oração, do jejum e da Palavra de Deus aliada à razão e conhecimento secular, toda e qualquer forma de opressão, de exploração e de injustiça na sociedade em que se encontra.
Enquanto membro da sociedade, cabe à Igreja aprender a orar por seus governantes. Aprender a votar, não trocando votos por benesses, não abrindo o púlpito para propaganda política, nem tampouco votando em alguém meramente por filiação religiosa e/ou partidária. Ensinar àqueles irmãos realmente vocacionados por Deus para o exercício da função pública que pesará sobre eles grande responsabilidade, diante de Deus e dos homens. Que não devem julgar com parcialidade, fazendo verdadeiro juízo entre homem e homem; não devem aceitar suborno de forma alguma, nem oprimir o pobre, a viúva ou o órfão. Que a autoridade que exercerão emana de Deus, e a Ele darão contas pelo exercício dela. Que devem criar políticas públicas que abençoem a vida dos membros da sociedade como um todo, não sendo ávaro ou mesquinho, mas contentando-se com o seu justo salário. Que andem na luz, como na luz Ele está.
A Igreja deve ser o catalisador de mudanças na sociedade onde se insere, tanto por meio de suas armas espirituais, como pelo uso da razão. Fora disso, é farisaísmo e/ou exercício religioso vazio, pura perda de tempo; instrumento de dominação e de opressão, cárcere da alma humana. Corremos o risco acabarmos destruindo o pecador, e nada fazer para impedir a proliferação do pecado. Acabemos com pecado, não com o pecador!
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!
terça-feira, 31 de agosto de 2010
O CRISTÃO E A POLÍTICA - 2: PL-7371/2010 - FGTS PARA CONSTRUÇÃO DE TEMPLOS RELIGIOSOS
Em épocas de eleições, é conveniente que cada brasileiro procure conhecer o trabalho realizado pelos parlamentares nos quais pretende votar, na hipótese de reeleição, ou as propostas políticas dos candidatos que concorrem ao primeiro mandato. Antigamente, isso demandava um certo trabalho, que raramente trazia êxito. Porém, em tempos modernos, onde a internet é uma realidade inegável enquanto fonte de informações, torna-se mais fácil o trabalho.
Especialmente nós, crentes em Cristo, devemos ter atenção quanto a esta importante época na democracia brasileira. Apesar da abundância de candidatos caricatos que alcançaram o registro de suas candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), algo que lhes é permitido por lei, porém que constitui-se em última análise na ridicularização do processo político que tão dificilmente foi conquistado por esta Nação, nós não podemos permitir que pessoas despreparadas assumam os cargos políticos mais importantes do Brasil. Tampouco, devemos permitir que candidatos que tiveram um desempenho questionável e que hoje pleiteam suas reeleições alcancem êxito. Não importa se evangélico, católico, espírita ou ateu!
Assim, como eleitor preocupado com a escolha que farei, estou navegando no website da Câmara dos Deputados. O endereço é http://www.camara.gov.br/. Neste site, é possível obter muitas informações, como por exemplo os projetos de lei elaborados, os projetos de lei relatados, a formação acadêmica do deputado, sua filiação partidária, seus discursos em plenário, dentre outras. Minha pesquisa rendeu-me muitas informações! Infelizmente, nem todas positivas.
De antemão, sou contra a máxima "irmão vota em irmão" e coisas do tipo. O Estado é laico, por definição. Independente da fé que eu escolhi professar, sou brasileiro nato e membro da sociedade; assim, se o político ocupante de cargo público "pisar na bola", ferindo a democracia ao conceder privilégios a um grupo específico em detrimento de outros, na minha lógica não serve mais como político. Aliás, aqui abro um parênteses: nós, brasileiros, estamos paulatinamente regredindo o processo eleitoral, livre e secreto, levando-o novamente ao sistema de cabresto, votando no que manda o "coronel": pastor, padre, pai-de-santo, etc. Fecha parênteses. Abre colchetes: Será que nós, evangélicos e católicos, não estamos transferindo para o poder público a nossa responsabilidade quanto ao aborto? Não deveríamos nós ensinar as bases bíblicas sobre o tema à sociedade e deixar que o poder público legisle sobre os aspectos de saúde, segurança e meio ambiente? Será que essa transferência de responsabilidade não aponta para a iminente falência ou redução de significância de ambas as instituições - Igreja Evangélica e Igreja Católica? Fecha colchetes.
Bem, como dizia anteriormente, fui pesquisar sobre alguns políticos. Achei então informações sobre o Deputado Robson Rodovalho, do Partido Progressista de Brasília (http://www.camara.gov.br/internet/deputado/dep_detalhe.asp?id=525151. Acesso 31/08/2010, às 11h45min). No site do TSE (http://www.tse.gov.br/sadAdmAgencia/noticiaSearch.do?acao=get&id=1249472. Acesso 31/08/2010, às 11h55min) consta a informação do pedido de decretação de perda do mandato do deputado federal Robson Rodovalho. Resolvi então verificar o trabalho do deputado, mais especificamente com relação aos Projetos de Lei. Há alguns PLs de sua autoria muito interessantes, como o projeto de lei destinado a alterar os dispositivos da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, a inclusão da vacina antimeningocócica no calendário de imunizações adotado no Sistema Único de Saúde e a alteração da Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, que dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências. Parabéns ao deputado por estas iniciativas.
Infelizmente, há também um PL que chama atenção por seu conteúdo. Trata-se do PL-7371/2010 que propõe a alteração a redação do § 2º do art. 9º da Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, para facultar a utilização dos recursos do FGTS para financiar a construção de templos religiosos (http://www.camara.gov.br/internet/sileg/Prop_Detalhe.asp?id=478081. Acesso 31/08/2010, às 12h05min). Isso mesmo: uso do FGTS para facilitar a construção de templos religiosos!
O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS foi criado em 1967 pelo Governo Federal para proteger o trabalhador demitido sem justa causa. O FGTS é constituído de contas vinculadas, abertas em nome de cada trabalhador, quando o empregador efetua o primeiro depósito. O saldo da conta vinculada é formado pelos depósitos mensais efetivados pelo empregador, equivalentes a 8,0% do salário pago ao empregado, acrescido de atualização monetária e juros.
Com o FGTS, o trabalhador tem a oportunidade de formar um patrimônio, que pode ser sacado em momentos especiais, como o da aquisição da casa própria ou da aposentadoria e em situações de dificuldades, que podem ocorrer com a demissão sem justa causa ou em caso de algumas doenças graves. O trabalhador pode utilizar os recursos do FGTS para a moradia nos casos de aquisição de imóvel novo ou usado, construção, liquidação ou amortização de dívida vinculada a contrato de financiamento habitacional. Assim, o FGTS tornou-se uma das mais importantes fontes de financiamento habitacional, beneficiando o cidadão brasileiro, principalmente o de menor renda. (saiba mais em http://www.fgts.gov.br/trabalhador/index.asp)
Assim, o que o sr. deputado propõe é utilizar um benefício do trabalhador, recolhido durante toda a sua vida profissional, para a construção de templos! Isso é lamentável! Dói só de ler. E a justificativa é tão ruim quanto o projeto, centrada nos eventuais benefícios oriundos a partir destes estabelecimentos (saúde física, emocional e, com exclusividade, da saúde espiritual da população). Ora, primeiramente os benefícios não são advindos dos templos, mas das pessoas que o freqüentam. O templo em si não é nada mais do que uma construção de engenharia (quando se tem juízo de utilizar os conhecimentos da engenharia, haja vista os recentes desabamentos de templos religiosos e o fechamento de outros tantos!) - o local onde se reúnem os fiéis de uma dada confissão de fé ou credo religioso.
Em segundo lugar, não é mais do que a obrigação de que qualquer templo religioso, independente da fé professada (falo como cidadão), preste-se a beneficiar a população (e não os "donos do templo"). No templo, os fiéis já contribuem para sua manutenção e até construção de outros templos, por meio de ofertas voluntárias. Não precisa de subvenção estatal para isso - aliás, esse é um dos males que o Brasil precisa urgentemente se livrar, veja a história do País e você entenderá. Se a religião não traz benefícios para o povo, ela não serve como religião.
Durante a História do Cristianismo, especialmente após a Reforma Protestante, vemos o propósito de reequilibrar e valorizar o homem enquanto coroa da criação de Deus. Daí, facilmente constatam-se os inúmeros cientistas e pensadores que foram cristãos e que muito contribuíram para o bem-estar da sociedade, não apenas em que viveram, mas as posteriores. Veja, por exemplo, as obras de Isaac Newton, Blaise Pascal, Lord Kelvin, dentre outros. E sem dinheiro público reservado para a construção de templos...
Navegarei também em outros sites como a Câmara dos Vereadores de Maricá (se existir o site, a coisa pelo Município tá feia...), blogs de candidatos (inclusive à Presidência da República) e outras informações que possam me auxiliar a escolher em quem votar e se realmente devo votar. Porém, ficam aqui as seguintes conclusões:
1) Não voto em ninguém que desvirtue o uso da máquina pública em benefício próprio ou de um grupo específico!
2) Não voto em ninguém porque dizem que eu devo votar. Leio, pesquiso e procuro conhecer o candidato antes de definir se ele é digno do meu voto ou não.
3) Não aceito em hipótese alguma manipulações politiqueiras. EU defino o que é bom ou não, segundo minha inteligência, bom-senso e consciência cristã e política.
4) Não abro, em hipótese alguma, espaço no templo para propaganda eleitoreira. Púlpito é lugar onde o pastor prega a Palavra de Deus, dentro do templo.
5) Não indico candidato nenhum. Porém, me reservo ao direito de orientar o meu rebanho para que vote com consciência - a mesma consciência que eu, como pastor deles, possuo -, não banalizando ainda mais o já combalido processo político.
Eu te aconselho a fazer o mesmo.
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!
Especialmente nós, crentes em Cristo, devemos ter atenção quanto a esta importante época na democracia brasileira. Apesar da abundância de candidatos caricatos que alcançaram o registro de suas candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), algo que lhes é permitido por lei, porém que constitui-se em última análise na ridicularização do processo político que tão dificilmente foi conquistado por esta Nação, nós não podemos permitir que pessoas despreparadas assumam os cargos políticos mais importantes do Brasil. Tampouco, devemos permitir que candidatos que tiveram um desempenho questionável e que hoje pleiteam suas reeleições alcancem êxito. Não importa se evangélico, católico, espírita ou ateu!
Assim, como eleitor preocupado com a escolha que farei, estou navegando no website da Câmara dos Deputados. O endereço é http://www.camara.gov.br/. Neste site, é possível obter muitas informações, como por exemplo os projetos de lei elaborados, os projetos de lei relatados, a formação acadêmica do deputado, sua filiação partidária, seus discursos em plenário, dentre outras. Minha pesquisa rendeu-me muitas informações! Infelizmente, nem todas positivas.
De antemão, sou contra a máxima "irmão vota em irmão" e coisas do tipo. O Estado é laico, por definição. Independente da fé que eu escolhi professar, sou brasileiro nato e membro da sociedade; assim, se o político ocupante de cargo público "pisar na bola", ferindo a democracia ao conceder privilégios a um grupo específico em detrimento de outros, na minha lógica não serve mais como político. Aliás, aqui abro um parênteses: nós, brasileiros, estamos paulatinamente regredindo o processo eleitoral, livre e secreto, levando-o novamente ao sistema de cabresto, votando no que manda o "coronel": pastor, padre, pai-de-santo, etc. Fecha parênteses. Abre colchetes: Será que nós, evangélicos e católicos, não estamos transferindo para o poder público a nossa responsabilidade quanto ao aborto? Não deveríamos nós ensinar as bases bíblicas sobre o tema à sociedade e deixar que o poder público legisle sobre os aspectos de saúde, segurança e meio ambiente? Será que essa transferência de responsabilidade não aponta para a iminente falência ou redução de significância de ambas as instituições - Igreja Evangélica e Igreja Católica? Fecha colchetes.
Bem, como dizia anteriormente, fui pesquisar sobre alguns políticos. Achei então informações sobre o Deputado Robson Rodovalho, do Partido Progressista de Brasília (http://www.camara.gov.br/internet/deputado/dep_detalhe.asp?id=525151. Acesso 31/08/2010, às 11h45min). No site do TSE (http://www.tse.gov.br/sadAdmAgencia/noticiaSearch.do?acao=get&id=1249472. Acesso 31/08/2010, às 11h55min) consta a informação do pedido de decretação de perda do mandato do deputado federal Robson Rodovalho. Resolvi então verificar o trabalho do deputado, mais especificamente com relação aos Projetos de Lei. Há alguns PLs de sua autoria muito interessantes, como o projeto de lei destinado a alterar os dispositivos da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, a inclusão da vacina antimeningocócica no calendário de imunizações adotado no Sistema Único de Saúde e a alteração da Lei nº 9.605, de 12 de fevereiro de 1998, que dispõe sobre as sanções penais e administrativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambiente, e dá outras providências. Parabéns ao deputado por estas iniciativas.
Infelizmente, há também um PL que chama atenção por seu conteúdo. Trata-se do PL-7371/2010 que propõe a alteração a redação do § 2º do art. 9º da Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, para facultar a utilização dos recursos do FGTS para financiar a construção de templos religiosos (http://www.camara.gov.br/internet/sileg/Prop_Detalhe.asp?id=478081. Acesso 31/08/2010, às 12h05min). Isso mesmo: uso do FGTS para facilitar a construção de templos religiosos!
O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço - FGTS foi criado em 1967 pelo Governo Federal para proteger o trabalhador demitido sem justa causa. O FGTS é constituído de contas vinculadas, abertas em nome de cada trabalhador, quando o empregador efetua o primeiro depósito. O saldo da conta vinculada é formado pelos depósitos mensais efetivados pelo empregador, equivalentes a 8,0% do salário pago ao empregado, acrescido de atualização monetária e juros.
Com o FGTS, o trabalhador tem a oportunidade de formar um patrimônio, que pode ser sacado em momentos especiais, como o da aquisição da casa própria ou da aposentadoria e em situações de dificuldades, que podem ocorrer com a demissão sem justa causa ou em caso de algumas doenças graves. O trabalhador pode utilizar os recursos do FGTS para a moradia nos casos de aquisição de imóvel novo ou usado, construção, liquidação ou amortização de dívida vinculada a contrato de financiamento habitacional. Assim, o FGTS tornou-se uma das mais importantes fontes de financiamento habitacional, beneficiando o cidadão brasileiro, principalmente o de menor renda. (saiba mais em http://www.fgts.gov.br/trabalhador/index.asp)
Assim, o que o sr. deputado propõe é utilizar um benefício do trabalhador, recolhido durante toda a sua vida profissional, para a construção de templos! Isso é lamentável! Dói só de ler. E a justificativa é tão ruim quanto o projeto, centrada nos eventuais benefícios oriundos a partir destes estabelecimentos (saúde física, emocional e, com exclusividade, da saúde espiritual da população). Ora, primeiramente os benefícios não são advindos dos templos, mas das pessoas que o freqüentam. O templo em si não é nada mais do que uma construção de engenharia (quando se tem juízo de utilizar os conhecimentos da engenharia, haja vista os recentes desabamentos de templos religiosos e o fechamento de outros tantos!) - o local onde se reúnem os fiéis de uma dada confissão de fé ou credo religioso.
Em segundo lugar, não é mais do que a obrigação de que qualquer templo religioso, independente da fé professada (falo como cidadão), preste-se a beneficiar a população (e não os "donos do templo"). No templo, os fiéis já contribuem para sua manutenção e até construção de outros templos, por meio de ofertas voluntárias. Não precisa de subvenção estatal para isso - aliás, esse é um dos males que o Brasil precisa urgentemente se livrar, veja a história do País e você entenderá. Se a religião não traz benefícios para o povo, ela não serve como religião.
Durante a História do Cristianismo, especialmente após a Reforma Protestante, vemos o propósito de reequilibrar e valorizar o homem enquanto coroa da criação de Deus. Daí, facilmente constatam-se os inúmeros cientistas e pensadores que foram cristãos e que muito contribuíram para o bem-estar da sociedade, não apenas em que viveram, mas as posteriores. Veja, por exemplo, as obras de Isaac Newton, Blaise Pascal, Lord Kelvin, dentre outros. E sem dinheiro público reservado para a construção de templos...
Navegarei também em outros sites como a Câmara dos Vereadores de Maricá (se existir o site, a coisa pelo Município tá feia...), blogs de candidatos (inclusive à Presidência da República) e outras informações que possam me auxiliar a escolher em quem votar e se realmente devo votar. Porém, ficam aqui as seguintes conclusões:
1) Não voto em ninguém que desvirtue o uso da máquina pública em benefício próprio ou de um grupo específico!
2) Não voto em ninguém porque dizem que eu devo votar. Leio, pesquiso e procuro conhecer o candidato antes de definir se ele é digno do meu voto ou não.
3) Não aceito em hipótese alguma manipulações politiqueiras. EU defino o que é bom ou não, segundo minha inteligência, bom-senso e consciência cristã e política.
4) Não abro, em hipótese alguma, espaço no templo para propaganda eleitoreira. Púlpito é lugar onde o pastor prega a Palavra de Deus, dentro do templo.
5) Não indico candidato nenhum. Porém, me reservo ao direito de orientar o meu rebanho para que vote com consciência - a mesma consciência que eu, como pastor deles, possuo -, não banalizando ainda mais o já combalido processo político.
Eu te aconselho a fazer o mesmo.
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
A CAÇADORA DE ALMA PRECIOSA: IDENTIFICANDO E COMBATENDO AS CAUSAS DO ADULTÉRIO!
Para te guardarem da mulher vil, e das lisonjas da estranha. Não cobices no teu coração a sua formosura, nem te prendas aos seus olhos. Porque por causa duma prostituta se chega a pedir um bocado de pão; e a adúltera anda à caça da alma preciosa. (Provérbios 6:24-26)
Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; porém, aos que se dão à prostituição, e aos adúlteros, Deus os julgará. (Hebreus 13:4)
O adultério é, talvez, um dos pecados mais antigos da raça humana. A infidelidade conjugal, a traição, é cada vez mais popularizada e romantizada através da mídia televisiva, por meio de filmes e novelas, se constituíndo deste modo num verdadeiro desserviço às famílias. Até a internet favorece a infidelidade conjugal. Pessoas casadas frustradas em seu casamento buscam “amor” virtual. Isto mascara o problema e pode complicar as coisas. Cerca de 60% dos casos de traição virtual termina em sexo real.
Declarações tais como "siga o seu coração", "você merece ser feliz" são frequentemente utilizadas como justificativa para se cometer adultério, como se o mesmo não se constituísse em pecado. Porém, o fato é que apesar do velho costume em se distorcer a verdade em favor da auto-justificação, isso não torna a verdade menos verdade. E a verdade é uma só: o adultério não é prática aceitável aos olhos de Deus, o Criador da família.
Deus criou a família. Criou o casamento. Sim, Ele foi o Criador, o Ministro oficiante e a Testemunha quando no Éden abençoou Adão e Eva, unindo-os de forma indissolúvel. Após considerar a situação solitária de Adão, fez com que um pesado sono caísse sobre ele e então criou a mulher, tirando-a da própria carne de Adão, uma "ajudadora idônea". O texto de Gênesis então diz que "o SENHOR Deus formou uma mulher, e trouxe-a a Adão". Deus levou a mulher recém-criada à Adão! Ele conduziu-a àquele que se tornaria seu marido, seu esposo, exatamente como um pai leva sua filha ao altar, para entregá-la como esposa de seu futuro marido. Ela viria a ser uma só carne com ele!
A expressão "ajudadora idônea" em hebraico tem o sentido de auxílio; de alguém que está do lado; que está junto de. Tem o sentido de apoio. Nós necessitamos de alguém que esteja ao nosso lado, e este alguém deve ser conviniente, adequado, apropriado para certas funções. Alguém que lhe corresponda. Alguém capaz de ajudar-lhe ética e moralmente, uma companhia, ou seja, alguém com quem pudesse compartilhar sentimentos, emoções, preocupações, etc., a sua imagem como que num espelho, o equivalente, a parte correspondente, que está diante, que possibilita uma relação mútua, que possibilita diálogo, que é capaz de construir uma vida em conjunto. Alguém que mesmo sendo distinto, ajusta-se perfeitamente.
Ao receber tão grandioso presente, Adão diz: "Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada". “Osso” simboliza durabilidade, perenidade, durabilidade. No sepulcro jazem os ossos. “Carne” significa a caducidade, a perecibilidade. Isso ajudaria a melhor compreender a frase: “Esta, sim, é osso de meus ossos e carne de minha carne!” São iguais para o que der e vier: na força e na fraqueza. “Meu/nosso osso e carne” atualmente é uma fórmula de aliança que não fala de um nascimento comum, mas de uma comum ou recíproca lealdade (HAMILTON, Victor P. The Book of Genesis, p. 179).
"Comum e recíproca lealdade", é isso que deve ser a epígrafe de todo casamento. Fidelidade máxima, em todos os momentos, até que "a morte os separe". Fidelidade em atos, palavras e pensamentos; sim, até em pensamentos, é o que o Senhor exige e espera de nós! "Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo" (Êx 20.17), claramente repetido e ampliado por Jesus: "Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela." (Mt 5.28)
O adultério não apenas destrói o casamento, mas destrói os indivíduos nele envolvidos. Marido, esposa e filhos, são TODOS eles invariavelmente destruídos emocionalmente pelo sórdido ato. A parte traída do casamento é a que mais sofre. "Porquê" é a mais algoz pergunta que perdura anos a fio no coração de quem foi substituído como se fosse um mero objeto. Busca-se, em vão, tentar entender o que motivou tão estúpida e ignorante ruptura do relacionamento, outrora repleto de paz e felicidade. O amor próprio é ferido, sobrevindo sentimentos de incapacidade e desamor de si mesmo - "sou mesmo inútil! Fracassei miseravelmente!". Daí passa-se para a culpa da parte traidora. Mas o estrago já está feito. Muitas pessoas passarão a vida inteira sem conseguir amar novamente, encarando a vida (e eventuais novos relacionamentos) do ponto de vista utilitário. A nova pessoa com a qual estarei me relacionando será apenas um alguém que me saciará as necessidades - biológicas e financeiras. Já outras pessoas reagem de maneira diversa: drogas, vícios, sexo livre, ..., suicídio.
E o que dizer dos filhos? Massacrados emocionalmente, passam a possuir profundas marcas em sua alma. Frequentemente o medo excessivo e o sentimento de possessão tomam conta da pessoa, levando-a a comportar-se de maneira "grudenta" e "extremamente ciumenta". Entram em profundo desespero quando cogitam, em suas mentes, a hipótese de serem novamente abandonados. Outros, passam a desprezar, a ter ojeriza pelo sexo oposto e assim acabam posteriomente enveredados na prática do homossexualismo. Outros, mergulham nas drogas. Outros, fogem de casa. Outros, se suicidam.
"Assim, o que adultera com uma mulher é falto de entendimento; aquele que faz isso destrói a sua alma" (Pv 6.32). O fato é que, em qualquer conjunto de reações emocionais e afetivas advindas do adultério, todas são igualmente más e destrutivas. Não é à-toa que o texto bíblico diz que por causa duma prostituta se chega a pedir um bocado de pão; e a adúltera anda à caça da alma preciosa. A prostituição empobrece o homem, torna-o mais pobre em tudo, tanto em finanças como em dignidade. E os adúlteros andam caçando almas preciosas, almas que, um dia, foram unidas no altar do Senhor. Para caçá-las, os adúlteros usam de diversos expedientes: presentes, jantares, questionamentos sugestivos..."você será mais feliz comigo do quem com ele/ela", "ele/ela não te valoriza, mas eu sim", "ele/ela diz que te ama, mas isso é mentira. Vem, e te mostrarei o que é o amor". É como diz a música (?!?) "Adultério", de autoria de Mr. Catra:
Sua mina só reclama e tira sua paz,
Ela é chata demais..
Procura a profissional
meu mano, que ela sabe o que faz...
Sentada no meu colo a gente zoa...
Gata que delícia...boaa
Ui, o bagulho ta sério, vai rolar um adultério
"O caminho da mulher adúltera é assim: ela come, depois limpa a sua boca e diz: Não fiz nada de mal!" (Pv 30.20) Exatamente assim age todo adúltero: como se nada tivesse acontecido! Como se o adultério fosse a coisa mais normal do mundo! Não há o menor peso na consciência, não há nenhum arrependimento ou mesmo remorso pelo mal que fez. "Não fiz nada de mal!", sua mente cauterizada pelo pecado o defende, o justifica. Afinal, apesar de todo o engodo, de toda a lábia satânica utilizada como expediente para conseguir o seu intento, o adúltero só pensa em si mesmo; só pensa em seu próprio prazer. Não se importa com a destruição que causa, com as vidas que tão perversamente prejudica.
Só permanecem o perjurar, o mentir, o matar, o furtar e o adulterar; fazem violência, um ato sanguinário segue imediatamente a outro (Os 4.2). Adultério é uma violência, um ato sanguinário. Violência praticada contra o próximo, premeditada e executada com toda a maldade possível. A casa do adúltero é "caminho do inferno que desce para as câmaras da morte" (Pv 7.27). Nem mesmo quando estão deitados em suas camas sua mente perversa tem sossego: "Projeta a malícia na sua cama" (Sl 36.4). Não pensam em outra coisa, a não ser na idealização da consumação do adultério.
Deus julgará todos os adúlteros que não se arrependerem e abandonarem o adultério. Seus pensamentos e ações de maneira nenhuma passam desapercebidos diante Daquele que tem os olhos como chama de fogo, que tudo vêem, que tudo sabem e que tudo conhecem. Deus abominava o adultério no passado e continua a abominá-lo da mesma forma no presente. Adultério é obra da carne e aqueles que tal coisa praticam não herdarão o Reino de Deus (Gl 5.19-21).
Como evitar o adultério? Há uma enormidade de estudos disponíveis sobre o tema, porém entendo que a única forma de se evitar o caso extra-conjugal é amando seu cônjuge. Jesus disse que este mal vem do interior do homem, do seu coração. Logo, é preciso tratar das causas desse pecado. Não se trata de "chover no molhado": o amor precisa ser posto em prática e mantido continuamente. Como?
a) Aprenda a perdoar: Sem o perdão, qualquer pequena ofensa acabará se tornando uma porta aberta para o adultério. Não há razão suficientemente forte que possa impedir o ato do perdão, nenhuma sequer. Aprenda a ter paciência com o seu cônjuge, a ser tolerante com suas imperfeições e desacertos. Você pode ser tão ou mais "mala sem alça" quanto julga que ele/ela o é! Ninguém é perfeito: nem ele/ela, nem você; você não é melhor ou pior do que ele/ela. É apenas diferente. Casamento é isso mesmo: a união de duas pessoas diferentes e imperfeitas, mas que se amam. Amar é perdoar! E o perdão é para ser praticado, sempre!
Maridos, lembrem-se: sua esposa é ajudadora idônea! Ela é igualzinha a você em muitas coisas! E, você, esposa, lembre-se que do mesmo modo você é igualzinha a ele em muitas coisas!
b) Aprenda a apreciar as belezas e qualidades do seu cônjuge: Se os olhos são as portas da queda, mude o foco: Olhe as virtudes do seu cônjuge. Elas são o que importa, de fato. Ele/ela possui diversas boas qualidades, que se admiradas levarão você a amar mais e mais aquela pessoa com quem se casou um dia. Com certeza, você identificará muitas qualidades maravilhosas e acabará descobrindo que ele/ela é um tesouro valioso, uma jóia preciosa. Isso não significa ser cego: toda pedra preciosa precisa de lapidação. Porém a lapidação apenas acrescenta valor àquilo que já era valioso!
Um dos grandes erros de todo adúltero é subestimar seu companheiro frente às possibilidades que poderão vir do relacionamento extra-conjugal. Saiba que a pessoa que está bem ali, do seu lado, é infinitamente melhor do que qualquer oportunidade que o diabo coloca diante de sua vida! Não subestime-a! Seu cônjuge, com o jeitinho certo que todo casal sabe, se revelará um ótimo amante!
c) Aprenda a cultivar o relacionamento: Nem tudo o que você gosta, ele gosta e vice-versa. Então, aprenda a ceder. Ceder em suas posições é sinal de amor e paciência. Façam programas juntos, isso é bom; mas lembre-se que o melhor programa não é necessariamente o mais caro financeiramente. Tampouco o melhor presente é aquele que é mais chique. Isso é coisa da TV. Aliás, façam a si mesmo um favor: desligue a TV/computador um pouquinho e dê atenção a quem você ama! Nem que seja para ir com ele/ela até a padaria comprar um pão doce e voltar para casa!
Tudo tem seu tempo, já dizia o pregador em Eclesiastes. Há tempo para o programa na TV, para o filme, para o jogo; há tempo para o computador e há tempo para curtir aquela pessoa que vive com você. Mesmo que você não seja do tipo romântico, estilo Clark Gable, sempre "dá para o gasto", rs. Afinal, você conquistou-a/o, não foi? Você sabe exatamente como fazer para tocar-lhe a alma!
d) Aprenda a se proteger dos ataques do diabo: Satanás trabalha na sugestão, trazendo pessoas e lançando imagens em nossas mentes. É assim que ele tenciona nos fazer cair: fazendo com que alimentemos suas fantasias. Assim, para evitar a queda, você deve aprender a se proteger destes ataques. Geralmente eles têm um padrão: pode ser alguma coisa que você estima, alguma qualidade, um elogio específico - "as lisonjas da(o) estranha(o)". Descubra que padrão é esse e trate de submetê-lo à Cristo, buscando fortalecer-se no Senhor e na força do Seu poder. Confie Nele! O Senhor é o teu socorro bem presente na hora da angústia!
A expressão "bem presente" quer dizer "sempre existente, sempre à disposição, de acesso ilimitado". Em resumo, a presença permanente do Senhor está sempre em nós. E se Ele está bem presente em nós, então deseja contínua conversação conosco. Ele deseja que falemos com Ele não importa onde estejamos: no trabalho, com a famlia, com amigos, mesmo com não crentes. Pode-se perguntar: "Então, como Deus traz socorro em nossos problemas?". O Seu socorro vem no dom do Seu Santo Espírito, que habita em nós, e opera a vontade de Deus em nossas vidas. Paulo nos diz repetidamente que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo. Somos a habitação do Senhor sobre a terra.
Outra coisa: ninguém é imbatível. Para todo homem/mulher de aço há sempre uma kryptonita; para todo crente espiritual há sempre o velho homem, em seu interior, esperando a oportunidade de se manifestar. Assim, não pague para ver: fuja imediatamente da aparência do mal. Não fique de conversa. A história mostra que quando o homem deu papo para o inimigo acabou fora do Paraíso. Não perca o seu paraíso, onde você vive com seu Adão/sua Eva!
Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.
Pense nisso! Deus está te dando visão de águia!
Venerado seja entre todos o matrimônio e o leito sem mácula; porém, aos que se dão à prostituição, e aos adúlteros, Deus os julgará. (Hebreus 13:4)
O adultério é, talvez, um dos pecados mais antigos da raça humana. A infidelidade conjugal, a traição, é cada vez mais popularizada e romantizada através da mídia televisiva, por meio de filmes e novelas, se constituíndo deste modo num verdadeiro desserviço às famílias. Até a internet favorece a infidelidade conjugal. Pessoas casadas frustradas em seu casamento buscam “amor” virtual. Isto mascara o problema e pode complicar as coisas. Cerca de 60% dos casos de traição virtual termina em sexo real.
Declarações tais como "siga o seu coração", "você merece ser feliz" são frequentemente utilizadas como justificativa para se cometer adultério, como se o mesmo não se constituísse em pecado. Porém, o fato é que apesar do velho costume em se distorcer a verdade em favor da auto-justificação, isso não torna a verdade menos verdade. E a verdade é uma só: o adultério não é prática aceitável aos olhos de Deus, o Criador da família.
Deus criou a família. Criou o casamento. Sim, Ele foi o Criador, o Ministro oficiante e a Testemunha quando no Éden abençoou Adão e Eva, unindo-os de forma indissolúvel. Após considerar a situação solitária de Adão, fez com que um pesado sono caísse sobre ele e então criou a mulher, tirando-a da própria carne de Adão, uma "ajudadora idônea". O texto de Gênesis então diz que "o SENHOR Deus formou uma mulher, e trouxe-a a Adão". Deus levou a mulher recém-criada à Adão! Ele conduziu-a àquele que se tornaria seu marido, seu esposo, exatamente como um pai leva sua filha ao altar, para entregá-la como esposa de seu futuro marido. Ela viria a ser uma só carne com ele!
A expressão "ajudadora idônea" em hebraico tem o sentido de auxílio; de alguém que está do lado; que está junto de. Tem o sentido de apoio. Nós necessitamos de alguém que esteja ao nosso lado, e este alguém deve ser conviniente, adequado, apropriado para certas funções. Alguém que lhe corresponda. Alguém capaz de ajudar-lhe ética e moralmente, uma companhia, ou seja, alguém com quem pudesse compartilhar sentimentos, emoções, preocupações, etc., a sua imagem como que num espelho, o equivalente, a parte correspondente, que está diante, que possibilita uma relação mútua, que possibilita diálogo, que é capaz de construir uma vida em conjunto. Alguém que mesmo sendo distinto, ajusta-se perfeitamente.
Ao receber tão grandioso presente, Adão diz: "Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada". “Osso” simboliza durabilidade, perenidade, durabilidade. No sepulcro jazem os ossos. “Carne” significa a caducidade, a perecibilidade. Isso ajudaria a melhor compreender a frase: “Esta, sim, é osso de meus ossos e carne de minha carne!” São iguais para o que der e vier: na força e na fraqueza. “Meu/nosso osso e carne” atualmente é uma fórmula de aliança que não fala de um nascimento comum, mas de uma comum ou recíproca lealdade (HAMILTON, Victor P. The Book of Genesis, p. 179).
"Comum e recíproca lealdade", é isso que deve ser a epígrafe de todo casamento. Fidelidade máxima, em todos os momentos, até que "a morte os separe". Fidelidade em atos, palavras e pensamentos; sim, até em pensamentos, é o que o Senhor exige e espera de nós! "Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo" (Êx 20.17), claramente repetido e ampliado por Jesus: "Eu, porém, vos digo, que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela." (Mt 5.28)
O adultério não apenas destrói o casamento, mas destrói os indivíduos nele envolvidos. Marido, esposa e filhos, são TODOS eles invariavelmente destruídos emocionalmente pelo sórdido ato. A parte traída do casamento é a que mais sofre. "Porquê" é a mais algoz pergunta que perdura anos a fio no coração de quem foi substituído como se fosse um mero objeto. Busca-se, em vão, tentar entender o que motivou tão estúpida e ignorante ruptura do relacionamento, outrora repleto de paz e felicidade. O amor próprio é ferido, sobrevindo sentimentos de incapacidade e desamor de si mesmo - "sou mesmo inútil! Fracassei miseravelmente!". Daí passa-se para a culpa da parte traidora. Mas o estrago já está feito. Muitas pessoas passarão a vida inteira sem conseguir amar novamente, encarando a vida (e eventuais novos relacionamentos) do ponto de vista utilitário. A nova pessoa com a qual estarei me relacionando será apenas um alguém que me saciará as necessidades - biológicas e financeiras. Já outras pessoas reagem de maneira diversa: drogas, vícios, sexo livre, ..., suicídio.
E o que dizer dos filhos? Massacrados emocionalmente, passam a possuir profundas marcas em sua alma. Frequentemente o medo excessivo e o sentimento de possessão tomam conta da pessoa, levando-a a comportar-se de maneira "grudenta" e "extremamente ciumenta". Entram em profundo desespero quando cogitam, em suas mentes, a hipótese de serem novamente abandonados. Outros, passam a desprezar, a ter ojeriza pelo sexo oposto e assim acabam posteriomente enveredados na prática do homossexualismo. Outros, mergulham nas drogas. Outros, fogem de casa. Outros, se suicidam.
"Assim, o que adultera com uma mulher é falto de entendimento; aquele que faz isso destrói a sua alma" (Pv 6.32). O fato é que, em qualquer conjunto de reações emocionais e afetivas advindas do adultério, todas são igualmente más e destrutivas. Não é à-toa que o texto bíblico diz que por causa duma prostituta se chega a pedir um bocado de pão; e a adúltera anda à caça da alma preciosa. A prostituição empobrece o homem, torna-o mais pobre em tudo, tanto em finanças como em dignidade. E os adúlteros andam caçando almas preciosas, almas que, um dia, foram unidas no altar do Senhor. Para caçá-las, os adúlteros usam de diversos expedientes: presentes, jantares, questionamentos sugestivos..."você será mais feliz comigo do quem com ele/ela", "ele/ela não te valoriza, mas eu sim", "ele/ela diz que te ama, mas isso é mentira. Vem, e te mostrarei o que é o amor". É como diz a música (?!?) "Adultério", de autoria de Mr. Catra:
Sua mina só reclama e tira sua paz,
Ela é chata demais..
Procura a profissional
meu mano, que ela sabe o que faz...
Sentada no meu colo a gente zoa...
Gata que delícia...boaa
Ui, o bagulho ta sério, vai rolar um adultério
"O caminho da mulher adúltera é assim: ela come, depois limpa a sua boca e diz: Não fiz nada de mal!" (Pv 30.20) Exatamente assim age todo adúltero: como se nada tivesse acontecido! Como se o adultério fosse a coisa mais normal do mundo! Não há o menor peso na consciência, não há nenhum arrependimento ou mesmo remorso pelo mal que fez. "Não fiz nada de mal!", sua mente cauterizada pelo pecado o defende, o justifica. Afinal, apesar de todo o engodo, de toda a lábia satânica utilizada como expediente para conseguir o seu intento, o adúltero só pensa em si mesmo; só pensa em seu próprio prazer. Não se importa com a destruição que causa, com as vidas que tão perversamente prejudica.
Só permanecem o perjurar, o mentir, o matar, o furtar e o adulterar; fazem violência, um ato sanguinário segue imediatamente a outro (Os 4.2). Adultério é uma violência, um ato sanguinário. Violência praticada contra o próximo, premeditada e executada com toda a maldade possível. A casa do adúltero é "caminho do inferno que desce para as câmaras da morte" (Pv 7.27). Nem mesmo quando estão deitados em suas camas sua mente perversa tem sossego: "Projeta a malícia na sua cama" (Sl 36.4). Não pensam em outra coisa, a não ser na idealização da consumação do adultério.
Deus julgará todos os adúlteros que não se arrependerem e abandonarem o adultério. Seus pensamentos e ações de maneira nenhuma passam desapercebidos diante Daquele que tem os olhos como chama de fogo, que tudo vêem, que tudo sabem e que tudo conhecem. Deus abominava o adultério no passado e continua a abominá-lo da mesma forma no presente. Adultério é obra da carne e aqueles que tal coisa praticam não herdarão o Reino de Deus (Gl 5.19-21).
Como evitar o adultério? Há uma enormidade de estudos disponíveis sobre o tema, porém entendo que a única forma de se evitar o caso extra-conjugal é amando seu cônjuge. Jesus disse que este mal vem do interior do homem, do seu coração. Logo, é preciso tratar das causas desse pecado. Não se trata de "chover no molhado": o amor precisa ser posto em prática e mantido continuamente. Como?
a) Aprenda a perdoar: Sem o perdão, qualquer pequena ofensa acabará se tornando uma porta aberta para o adultério. Não há razão suficientemente forte que possa impedir o ato do perdão, nenhuma sequer. Aprenda a ter paciência com o seu cônjuge, a ser tolerante com suas imperfeições e desacertos. Você pode ser tão ou mais "mala sem alça" quanto julga que ele/ela o é! Ninguém é perfeito: nem ele/ela, nem você; você não é melhor ou pior do que ele/ela. É apenas diferente. Casamento é isso mesmo: a união de duas pessoas diferentes e imperfeitas, mas que se amam. Amar é perdoar! E o perdão é para ser praticado, sempre!
Maridos, lembrem-se: sua esposa é ajudadora idônea! Ela é igualzinha a você em muitas coisas! E, você, esposa, lembre-se que do mesmo modo você é igualzinha a ele em muitas coisas!
b) Aprenda a apreciar as belezas e qualidades do seu cônjuge: Se os olhos são as portas da queda, mude o foco: Olhe as virtudes do seu cônjuge. Elas são o que importa, de fato. Ele/ela possui diversas boas qualidades, que se admiradas levarão você a amar mais e mais aquela pessoa com quem se casou um dia. Com certeza, você identificará muitas qualidades maravilhosas e acabará descobrindo que ele/ela é um tesouro valioso, uma jóia preciosa. Isso não significa ser cego: toda pedra preciosa precisa de lapidação. Porém a lapidação apenas acrescenta valor àquilo que já era valioso!
Um dos grandes erros de todo adúltero é subestimar seu companheiro frente às possibilidades que poderão vir do relacionamento extra-conjugal. Saiba que a pessoa que está bem ali, do seu lado, é infinitamente melhor do que qualquer oportunidade que o diabo coloca diante de sua vida! Não subestime-a! Seu cônjuge, com o jeitinho certo que todo casal sabe, se revelará um ótimo amante!
c) Aprenda a cultivar o relacionamento: Nem tudo o que você gosta, ele gosta e vice-versa. Então, aprenda a ceder. Ceder em suas posições é sinal de amor e paciência. Façam programas juntos, isso é bom; mas lembre-se que o melhor programa não é necessariamente o mais caro financeiramente. Tampouco o melhor presente é aquele que é mais chique. Isso é coisa da TV. Aliás, façam a si mesmo um favor: desligue a TV/computador um pouquinho e dê atenção a quem você ama! Nem que seja para ir com ele/ela até a padaria comprar um pão doce e voltar para casa!
Tudo tem seu tempo, já dizia o pregador em Eclesiastes. Há tempo para o programa na TV, para o filme, para o jogo; há tempo para o computador e há tempo para curtir aquela pessoa que vive com você. Mesmo que você não seja do tipo romântico, estilo Clark Gable, sempre "dá para o gasto", rs. Afinal, você conquistou-a/o, não foi? Você sabe exatamente como fazer para tocar-lhe a alma!
d) Aprenda a se proteger dos ataques do diabo: Satanás trabalha na sugestão, trazendo pessoas e lançando imagens em nossas mentes. É assim que ele tenciona nos fazer cair: fazendo com que alimentemos suas fantasias. Assim, para evitar a queda, você deve aprender a se proteger destes ataques. Geralmente eles têm um padrão: pode ser alguma coisa que você estima, alguma qualidade, um elogio específico - "as lisonjas da(o) estranha(o)". Descubra que padrão é esse e trate de submetê-lo à Cristo, buscando fortalecer-se no Senhor e na força do Seu poder. Confie Nele! O Senhor é o teu socorro bem presente na hora da angústia!
A expressão "bem presente" quer dizer "sempre existente, sempre à disposição, de acesso ilimitado". Em resumo, a presença permanente do Senhor está sempre em nós. E se Ele está bem presente em nós, então deseja contínua conversação conosco. Ele deseja que falemos com Ele não importa onde estejamos: no trabalho, com a famlia, com amigos, mesmo com não crentes. Pode-se perguntar: "Então, como Deus traz socorro em nossos problemas?". O Seu socorro vem no dom do Seu Santo Espírito, que habita em nós, e opera a vontade de Deus em nossas vidas. Paulo nos diz repetidamente que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo. Somos a habitação do Senhor sobre a terra.
Outra coisa: ninguém é imbatível. Para todo homem/mulher de aço há sempre uma kryptonita; para todo crente espiritual há sempre o velho homem, em seu interior, esperando a oportunidade de se manifestar. Assim, não pague para ver: fuja imediatamente da aparência do mal. Não fique de conversa. A história mostra que quando o homem deu papo para o inimigo acabou fora do Paraíso. Não perca o seu paraíso, onde você vive com seu Adão/sua Eva!
Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.
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