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segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

PERDOE E ESQUEÇA: A PALAVRA DE ORDEM PARA TEMPOS DO FIM

"Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade; suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também." (Cl 3.12,13)

Essa é a instrução do apóstolo Paulo aos crentes da igreja de Colossos. Eles deveriam suportar uns aos outros e perdoar uns aos outros. Suportar e perdoar são o resultado direto primeiramente do revestimento dos crentes de benignidade, humildade, mansidão e longanimidade e em segundo lugar do ato supremo do Senhor, que nos perdoou.

É verdade cristalina que um cristão não deve fazer mal a ninguém conscientemente; não deve agir para prejudicar o próximo, independente de ser também cristão ou não. Não deve ser vingativo, nem executar nenhum tipo de vingança pessoal contra quem quer que seja. Deve procurar, dentro de suas possibilidades pessoais, viver em paz com todos os homens; para isso, é fundamental que o seu caráter seja  um caráter transformado por Cristo, ou seja, um caráter misericordioso, benigno, humilde manso e longânimo. Porém, especialmente - e principalmente - no caso de ser também cristão, ou seja de irmãos em Cristo, mais ainda deve haver tal atitude! Se devemos tratar assim os de fora, muito mais os que são de dentro, os domésticos da fé!

Porém, o fato é que com a proximidade da consumação dos tempos e consequentemente da manifestação do "homem do pecado", do iníquo, mais e mais as relações humanas estão se deteriorando, se degenerando. A vida humana, em nossos dias, nunca teve um valor tão baixo - um homem mata outro homem por qualquer razão e mesmo sem razão alguma e aqueles que vêem o corpo inerte, sem vida, caído na sarjeta nada sentem por aquele que foi morto! Matam-se crianças - até bebês - vítimas de toda sorte de violência (sexual e física) e os assassinos são muitas vezes os próprios familiares. Matam-se mulheres e homens, independente de cor e credo, de posição social ou nível educacional, quer por vingança, quer por queima de arquivo, quer em assaltos, quer por pura paixão (os crimes passionais). "No beco escuro explode a violência" e não apenas "no meio da madrugada" (como cantam os Paralamas do Sucesso, na composição de Hebert Vianna, "o Beco"), mas a qualquer hora do dia ou da noite, mas "nada perturba o meu sono pesado, nada levanta aquele corpo jogado, nada atrapalha aquele bar ali na esquina, aquela fila de cinema, nada mais me deixa chocado".

Enquanto nos "becos da vida", dos subúrbios, esquinas e vielas, explode a violência, outro tipo de violência também explode: a corrupção. Esta explode nos altos círculos de poder, em Brasília e nos Estados. Explode nos gabinetes de governadores, de prefeitos, de vereadores; explode na Câmara de Deputados, no Senado Federal e até na Presidência da República! Explode na evasão de divisas, no crime de lesa-pátria tão comum no País e no mundo; explode na malversação do dinheiro público, no crime de usura, no peculato; na indicação de políticos para cargos dirigentes de órgãos da administração, no tráfico de influências, no favoritismo em defesa do interesse próprio, na inescrupulosa ineficiência do Estado - "criando dificuldades para vender facilidades", como diz o ditado popular. Na gestão incompetente, realizada por no mínimo incompetentes - sem formação, habilidade ou atitude necessárias ao desempenho correto da função- , da coisa pública - educação, saúde, segurança, tecnologia, etc.

Toda essa violência que há no mundo é resultado do estado espiritual do mundo: "Sabemos que [...] todo o mundo está no maligno" (I João 5:19). Como argumentei noutra postagem (MORTE OU VIDA: QUAL VOCÊ ESCOLHE?) o mundo está como um morto sepultado, enterrado até a cabeça no maligno. Tal é essa malignidade, tal é o estado do mundo defunto - em alto estado de putrefação, exalando todo fedor oriundo de sua decomposição, que cada vez mais sentimos o odor da morte. E a intensidade desse cheiro só vai aumentar, lamento dizer. Não há nada que possa ser feito para reverter esse estado: o Criador já assinou o atestado de óbito! Não adianta colocar políticos "cristãos" no poder, não adianta operações disso-e-daquilo, não adianta polícia, não adianta nada! Nada, em absoluto, mudará o estado do mundo, pois este escolheu irrevogavelmente para si mesmo servir e seguir o "deus deste século", Satanás. Não há como vencer o sistema em âmbito territorial geofísico ou geopolítico. A violência avançará em todas as áreas, de forma a instalar o caos em todos os países. A crise - seja ela financeira, social, na saúde, na educação, na segurança, na família, na religião, etc - só aumentará mais e mais - em todos os países - até chegar a níveis quase insuportáveis!  

Como o sistema do mundo "tá dominado, tá tudo dominado" pelo diabo, ele avança suas estratégias e artimanhas, com todo poderio do inferno, contra a a Igreja de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, a noiva do Cordeiro. Ele sabe que esta é a única referência, ainda sobrevivente, da Verdade de Deus. A única que pode, pelo poder do Espírito Santo, resistir-lhe firme na fé; a única que tem o poder de Cristo para anunciar o Evangelho a todo homem, libertando-o desse sistema maligno opressor.

Essa estratégia de Satanás contra a Igreja é principalmente "de dentro para fora". Lamentavelmente, Satanás tem alcançado posição no seio de muitas igrejas, semeando heresias destruidoras - como a falsa e demoníaca "teologia da prosperidade", além do sincretismo religioso e do falso misticismo - verdadeiras abominações introduzidas na igreja (veja mais em: QUANDO A IGREJA GERA NÁUSEAS EM DEUS: PARTE 1), com suas falsas curas e falsos milagres. Além de causar escândalos de todo o tipo e assim minar a imagem da Igreja, bem como fomentar a multiplicação de blasfêmias contra o Nome de Cristo, essa ação de Satanás causa confusão no meio dos cristãos, especialmente da atual geração que tem uma preguiça gigantesca de ler e estudar a Bíblia - crentes que estão firmes na fé igual graxa no rolamento. É triste dizer, mas há uma grande grupo de pessoas que dizem ser cristãos mas que, na verdade, nem de perto tocam nas orlas do manto de Cristo. Gente mimada que não aceita repreensão. Não aceita correção. Gente que quer oba-oba, quer milagre, quer pentecoste, quer rolar no chão, quer profetada! Crentes "Leite com Pêra"! Graças a Deus, esse tipo de estratégia não encontra espaço nas ainda Igrejas sérias, que prezam pelo ensino da Palavra de Deus.

Há, no entanto, outra forma tão destruidora quanto a primeira, que por sua virulência, é capaz de penetrar EM QUALQUER IGREJA. Me refiro ao ato de Satanás semear desavença e desconfiança dentro da congregação. Esse estratégia é a mais complicada de se combater, porque ela envolve o sentimento, as emoções que uma pessoa nutre por outra ou por outras. Aqui, Satanás faz com que pequenos erros cometidos ganhem proporções "tsunâmicas", maximizando os erros e separando pessoas. Pessoas que fazem uma confusão imensa em cima do que você prega, ensina e até posta na internet (com ênfase nas redes sociais), distorcendo os fatos para justificar suas teses separatistas. Satanás quer fazer com que os irmãos se estranhem uns aos outros, causando divisão; para isso, geralmente ele semeia insatisfação (contra a liderança na maioria da vezes) e desconfiança (nos reais propósitos da liderança ou de um irmão). As pessoas facilmente levam as coisas para o lado pessoal e com muita frequência são partidaristas: se você "mexe" com alguém que elas estimam mais do que você, pronto. Geralmente esse tipo reclama de grupinhos panelinhas, mas são os primeiros a promoverem tal coisa. Gente que dá lugar a Satanás dentro da igreja e não sabe, fazendo qualquer coisa virar polêmica e motivando assim contendas contra irmãos. Esquecem que o Senhor ABOMINA quem semeia contenda entre irmãos (Pv 6.16-19). Tudo na igreja, desse modo, dá margem para polêmicas e confusões. Se você prega, gera polêmica; se disciplina, gera polêmica; se muda a expressão facial, gera polêmica; se pede ofertas, gera polêmica. Esse assunto de ofertas então é FONTE QUASE INESGOTÁVEL de polêmicas na Igreja, muito por causa dos escândalos.

Abre Parênteses (1): Obviamente, TODAS AS CONTRIBUIÇÕES no Novo Testamento são voluntárias (veja em: DÍZIMOS E OFERTAS: DO ANTIGO PARA O NOVO TESTAMENTO). PORÉM, isso de maneira nenhuma pode servir como desculpa ou justificativa para a avareza. Jesus diz que é do interior do coração que surgem todos os pecados e entre eles inclui a avareza (Mc 7.20-23). O próprio Senhor nos manda acautelar-nos contra a avareza, "porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui" (Lc 12.15). Nenhum avarento herdará o Reino de Deus - "Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus? Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os AVARENTOS, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus." (I Co 6.9,10) Infelizmente, há pessoas que usam as Verdades Bíblicas como suporte ideológico para suas ações antibíblicas e pecaminosas. Avareza é idolatria (Ef 5.5), querido(a) leitor(a) e quando você usa a liberdade em Cristo ligada à contribuição como uma justificativa para sua avareza você está acrescentando pecado sobre pecado. A liberdade, poderíamos dizer, é um trampolim de lançamento para mergulhar no mar infinito da bondade divina, mas pode tornar-se inclusive um plano inclinado sobre o qual escorregar rumo ao abismo do pecado e do mal e, assim, perder também a liberdade e a nossa dignidade. Usar a graça como trampolim para o pecado é equivalente a cair da graça. A nossa liberdade cristã deve ser usada na prática do bem, nunca do mal. Fecha Parênteses.

Um dos objetivos mais importantes de Satanás é levar-nos ao desentendimento, em especial no lar, mas também na igreja. E quando houver desentendimento, a prioridade estava invertida, mais voltada ao que nós desejamos do que ao que DEUS requer. Contendas enfraquecem a igreja como também tornam a mensagem sem crédito. Como membros da igreja visível e obreiros na vinha do Senhor, todos os cristãos professos devem fazer tanto quanto possível para preservar a paz, e a harmonia e o amor na igreja. Notai a oração de Cristo: “Para que todos sejam um, como Tu, ó Pai, O és em Mim, e Eu em Ti; que também eles sejam um em Nós, para que o mundo creia que Tu Me enviaste.” (João 17:21) Deus é desonrado pelos que, professando a verdade, alimentam entre si divergências e discórdias. Satanás é o grande acusador dos irmãos, e todos os que assim procedem se acham alistados ao seu serviço.

Esses melindres e ressentimentos, esse criticismo exacerbado bem como essa desconfiança infundada (em lugares onde há transparência na aplicação dos recursos) precisa acabar. Inimizades, porfias, discórdias, dissensões e facções estão classificadas como obras da carne e, portanto, como impeditivas para alguém herdar o Reino de Deus (Gl 5.19-23). Estas são sempre muito bem dissimuladas com tratamentos “fraternos” e “piedosos”, na melhor das hipóteses! Há aqueles que nunca se submetem, que desacreditam todas as iniciativas antes de começar, que criticam tudo e todos, sempre duvidando do caráter e da bondade de seus líderes a despeito da transparência da vida dos mesmos e da transparência da administração da obra. A causa da Igreja de Cristo - o Evangelho e a Glória de Deus - deve ser tida como superior até mesmo às nossas idéias e opiniões pessoais e deve motivar a paz no seio da Congregação. Devemos ter em mente que contendas, dissensões, facções, porfias e inimizades IMOBILIZAM A IGREJA, impedindo-a de avançar o Reino de Deus e a si mesma, podendo até causar o fechamento de suas portas!

Houve erros? Onde não há erros? Há pontos a melhorarem? Quando não houve? Todos que pensam que fariam melhor, reproduzirão os mesmos erros - e outros tantos - se e quando tiverem oportunidade de agir. Para não imobilizamos a nós mesmos e a igreja em melindres e desconfianças, Paulo nos dá em Colossenses 2 ações que devemos ter: suportar e perdoar. Suportar vem do grego anechomai que significa "tolerar, sofrer, levantar, sustentar, carregar". Essa palavra é muito forte: Paulo diz que eu devo sofrer o meu irmão! Devo ser tolerante com ele apesar dos erros que ele venha a cometer! Devo buscar levantá-lo toda a vez que ele estiver caído e mesmo carregá-lo até ele conseguir andar sozinho de novo! Isso quer dizer que meu irmão tem suas fraquezas e seus erros, assim como eu tenho os meus; portanto, devo estender-lhe a minha mão, colocando-me em posição para ajudá-lo da melhor maneira que eu puder. Mais ainda, não devo romper a comunhão com ele a despeito dos seus erros. Isso não quer dizer "fazer vista grossa" ou não disciplinar quando for necessário; não quer dizer "para meu/minha amiguinho(a)/queridinho(a) tudo; para quem não é, os rigores da lei" como muita gente faz. Quer dizer que devo servir de amparo, de suporte para o outro, nos revestindo (ou seja, tornando a nos vestir) de misericórdia, de humildade (não são apenas os outros que são difíceis… nós também), de mansidão (firmeza com brandura), de paciência (esperar pelo outro como o Senhor espera por nós). Com a palavra "anechomai", Paulo mostra para nós que devemos nos esforçar pelo próximo a ponto de sofrer, aguentar uma situação difícil ou desagradável, aguentar tribulação, perseguição e até mesmo tolerar uma pessoa causadora de situação constrangedora por amor a Cristo.

Paulo vai além: ele diz que também devemos "perdoar uns aos outros". Perdoar vem do grego charizomai, de onde vem a raiz charis, graça. Perdoar é portanto um ato de graça, só possível a quem vive a graça de Cristo em sua vida. Enquanto neste mundo, onde há tanta corrupção em nossos corações, às vezes surgem discussões e dúvidas. Mas é nosso dever perdoar uns aos outros, imitando o perdão através do qual somos salvos. Perdoar o outro se tivermos queixas (gr. momphe) contra ele. Meu Deus, como é fácil termos queixas uns contra os outros! E como é difícil perdoarmos e esquecermos delas! Tem gente que diz perdoar, mas nunca esquece dos erros cometidos, lançando-os em rosto sempre que podem! Não é à-toa que o perdão deve ser feito "assim como Cristo vos perdoou", ou seja, perdão verdadeiro, que diz "apago as tuas transgressões e dos seus pecados não me lembro" (Is 43.25). Perdão verdadeiro envolve esquecimento da transgressão, "apagar da memória o erro", caso contrário não é perdão. Já imaginou se Cristo ficasse nos lançando em rosto nossos pecados? Quem perdoa não fica fazendo "inventário de erros" (porque ano passado você errou assim e assado, e blá blá blá...); perdoou, acabou! Não existe mais o erro! Foi apagado para sempre, não existe mais dívida!

Suportar e perdoar são palavras de ordem de Deus para os crentes de todas as épocas, incluindo principalmente a nossa. Quanto mais cresce a violência, mas as relações interpessoais se estremecerão. Jesus chega ao ponto de dizer que "nesse tempo muitos serão escandalizados, e trair-se-ão uns aos outros, e uns aos outros se odiarão" (Mt 24.10).

"Há pessoas que entra na comunhão do Corpo de Cristo com exigências... julgamentos... rigidez... Tudo o que não acontece de acordo com a sua vontade é considerado um fracasso... Não devemos entrar na comunhão da igreja com exigências, mas com gratidão, porque Deus já pôs o fundamento da nossa comunhão. Ele nos uniu num só corpo, o Corpo de Cristo... Agradecemos a Deus o que Ele fez por nós. Agradecemos porque Ele nos deu irmãos que (como nós próprios) vivem sob seu chamado, seu perdão e suas promessas. Não nos queixamos daquilo que Deus não nos dá, mas agradecemos o que ele nos dá diariamente. Por acaso não basta o que nos é dado: irmãos que, em pecado ou em tribulação, ficam ao nosso lado sob Sua bênção e graça? A comunhão cristã, a que é dada por Deus, não pode ser menor quando um irmão peca, quando a igreja enfrenta circunstâncias difíceis, ou quando ocorrem divergências. Continuamos sendo irmãos, todos sob a graça... Lá, onde o nevoeiro matutino dos ideais se dissipa, nasce fulgurante o dia da comunhão cristã". (Dietrich Bonhoeffer, “Vida em Comunhão”)

Vamos nos assentar e ficar reclamando uns dos outros? Vamos ficar "lambendo nossas feridas"? Dizendo que algo foi feito de forma errada, porque não concordamos da maneira como foi feito, e com isso não seguir mais avante? Vamos imobilizar a Igreja? Vamos "parar tudo" e fechar as portas? Enquanto discutimos filosoficamente se devemos ou não avançar, o Islã é a religião mundial que mais avança no mundo ocidental, em especial na América Latina e na Europa. Garanto a quem quer que seja que nenhum adepto do Islã fica teorizando se deve ou não expandir o Islã, se deve ou não abrir mesquitas noutros países, se deve ou não contribuir financeiramente para isso segundo os projetos do Imam ou do Aiatolá! A Igreja cristã só terá êxito em sua missão quando os crentes aprenderem a suportar e perdoar uns aos outros como algo tão comum quanto beber água, quando entenderem que a Causa de Cristo é superior até a eles mesmos - o que pensam, o que acham, o que sentem ou mesmo suas vidas individuais. O testemunho dos mártires, no passado e hoje, está aí mesmo para quem tiver dúvidas!

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

sábado, 24 de dezembro de 2016

ANALISANDO A PARTICIPAÇÃO DAS CRIANÇAS NA CEIA DO SENHOR

Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice. (I Co 11.28)

De início, é importante que reconheçamos a questão da participação de crianças na Ceia do Senhor é um assunto polêmico dentre as mais variadas denominações cristãs-evangélicas. Nossos irmãos da Igreja Luterana Evangélica do Brasil, por exemplo, advogam que as crianças podem e devem participar da Eucaristia (da Ceia) mediante ensino preliminar sequencial sobre a importância e seriedade dessa participação (cf. website: http://www.luteranos.com.br/conteudo/ceia-do-senhor-com-criancas. Acesso: 22/12/2016). A Igreja Metodista aceita que as crianças, filhas dos membros da igreja, irmãos/ãs da comunidade de fé ou pelas pessoas responsáveis pela sua educação da fé, participem da Ceia. Por seu turno, o Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil, respondendo consulta sobre os membro comungantes e não-comungantes e participação das crianças batizadas na infância, na celebração da Santa Ceia do Senhor (CE-SC/IPB-2004 - DOC XXXVII - Quanto ao Documento 004 - disponível em: http://www.executivaipb.com.br/site/atas/CE/CE2004/doc_XXXVII_004.pdf ) conclui que filhos de pais crentes ("filhos do pacto") podem e devem manifestar a fé salvadora e assim que ela manifeste esta fé pode ser recebida por meio da Profissão Pública de Fé e participar assim da Ceia do Senhor. Estes devem receber educação cristã e espiritual formal, a qual deve ser ministrada pelos pais, com ajuda e orientação da Igreja, antes da participação na Ceia do Senhor. Na Igreja Anglicana Reformada do Brasil, os pais são responsáveis de discernir e instruir os seus filhos na fé Cristã. Eles devem decidir se os filhos estão prontos para participar da celebração da Santa Comunhão. Há outras muitas variações sobre esse tema.

Olhando para os diversos entendimentos acerca da participação de crianças na Ceia, a despeito das muitas variações interpretativas, nota-se que há o consenso quase absoluto (com exceção das denominações neopentecostais, onde não há um claro critério de membresia e a ceia é servida para todos os presentes) de que apenas um convertido devidamente batizado nas águas seja admitido na Ceia, excluindo-se desse modo a "Ceia Aberta" (também chamada "Ceia Universal ou Ultra-Livre", onde os elementos são servidos a todos os presentes na ocasião, independente do seu credo, da fé salvadora no Senhor Jesus Cristo e da religião). Assim, uma criança que tenha sido previamente batizada nas águas pode, como crente em Cristo, participar da Ceia, uma vez que a fé salvadora precede tanto o batismo quanto a Ceia. Pelas Escrituras Sagradas, fica evidente que a consciência de pecado, regeneração, fé e salvação precedem o batismo, sendo pré-requisitos para o mesmo, de modo que é necessário que o candidato ao batismo possua discernimento quanto àquilo que representa o batismo. Por derivação, a necessidade do discernimento do ato aplica-se também à Ceia (concordando desse modo com o ensino de I Co 11.28).

No que consiste o auto-exame a que Paulo se refere em "examine-se, pois, o homem a si mesmo"? "Examinar" vem do termo grego "dokimazo", assim a expressão "examine-se a si mesmo" é a tradução de "dokimazetō eauton". O termo dokimazo significa "testar; discernir; examinar; provar; experimentar; julgar"; "colocar à prova"; "distinguir pelo teste"; "aprovado após testado". O termo grego era usado, por exemplo, quando se verificava se algo era genuíno ou não (como metais), como em Rm 14.22; I Co 16.3; II Co 8.22 e I Jo 4.1. O mesmo termo é usado com o sentido de "examinar, escrutinizar, provar" em II Co 8.8 ("...mas para provar, pela diligência dos outros, a sinceridade de vosso amor") e em I Ts 2.4 ("Mas, como fomos aprovados de Deus para que o evangelho nos fosse confiado, assim falamos, não como para agradar aos homens, mas a Deus, que prova os nossos corações").   Vejamos outras traduções da Bíblia Sagrada:

1. Aramaic Bible in Plain English: Because of this, let a man search his soul, and then eat of this bread and drink from this cup (tradução: "Por causa disto, que o homem busque sua alma, e então coma deste pão e beba deste cálice"). 

2. GOD'S WORD® Translation: With this in mind, individuals must determine whether what they are doing is proper when they eat the bread and drink from the cup. (tradução: "Com isto em mente, os indivíduos devem determinar se o que eles estão fazendo é apropriado quando eles comem o pão e bebem o cálice.")

3. Jubilee Bible 2000: But let each man prove himself, and so let him eat of the bread and drink of the cup. (tradução: "Mas cada homem prove a si mesmo, e assim coma do pão e beba do cálice.") O mesmo texto encontra-se nas versões Darby Bible Translation e English Revised Version, com pequenas variações.

4. Bíblia King James Atualizada Português: Examine, pois, cada um a si próprio, e dessa maneira coma do pão e beba do cálice.

Portanto, fica claro que o "auto-exame" recomendado por Paulo como prévio ao participar da Ceia refere-se a uma atividade que deve ser realizada a partir da capacidade de juízo, de julgamento, de raciocínio pessoal. Há a obrigatoriedade, portanto, para aquele que pretende participar da Ceia, de verificar se encontra-se apto para isso ou não. Seguindo-se a leitura de I Co 11 a partir do versículo 27, Paulo vai explicar que a obrigatoriedade do auto-exame deve-se a seriedade e severidade da participação na Ceia: "Portanto, qualquer que comer este pão, ou beber o cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice. Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor. Por causa disto há entre vós muitos fracos e doentes, e muitos que dormem. Porque, se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas, quando somos julgados, somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo". Noutras palavras, caso o auto-exame não seja realizado, aquele que participa da Ceia corre o sério risco de "participar indignamente, sendo réu do corpo e do sangue do Senhor", "comendo e bebendo a Ceia para sua própria condenação, não discernindo o corpo do Senhor". Como consequência disso, ou seja, da participação indigna, havia entre os crentes Corintos "muitos fracos e doentes", e muitos que haviam morrido.

De antemão, é fácil perceber que esse auto-exame prévio refere-se dentre outras coisas a "discernir o corpo do Senhor". Conforme o Comentário de Benson, discernir o corpo do Senhor envolve considerar a morte de Cristo e os benefícios que o Senhor obteve por meio dela para nós, por seu amor surpreendente por nós, representados naquela solene ordenança; distinguindo assim o pão e o cálice do alimento comum. Ou seja, no erro dos crentes de Corinto estava envolvido o ato de não considerar o simbolismo do pão e o cálice como corpo e sangue do Senhor, mas sim como um alimento comum cotidiano. Aquele pão e cálice eram, nas palavras do próprio Senhor Jesus por ocasião da última Ceia, "o meu corpo" e "meu sangue" (Mt 26.26-28). O pão representa seu corpo dado por nós no Calvário e o vinho simboliza o seu sangue derramado. Note: o pão não se transformava em carne, nem o vinho se transformava em sangue; estes elementos não se transubstanciavam (transformação de uma substância em outra) nem se consubstanciavam (união de dois ou mais corpos na mesma substância) naqueles. Isso, contudo, não significa que devamos considerar a Ceia como somente um rito vazio ou mero memorial, uma vez que há no ato de comer da Ceia severas consequências para quem o fizer indignamente.

Parênteses: Particularmente, o autor desse texto crê que uma vez consagrados no momento da Ceia, o pão e o cálice passam a representar no mundo espiritual o corpo e o sangue do Senhor. Na terra, o pão continua a ser pão e cálice (suco de uva ou vinho) continua a ser o mesmo, jamais alterando sua substância molecular nem tendo a adsorção de moléculas do corpo e do sangue (não há fenômeno de superfície no pão e no cálice); daí segue que ingeri-los é ingerir pão e cálice. Porém, no mundo espiritual, é como se o crente estivesse comendo do corpo e do sangue do Senhor.  

O fato é que a Ceia do Senhor é uma ordenança repleta de significação espiritual, daí segue-se a imperiosa necessidade de entendimento acerca da participação na mesma. Esse discernimento é algo que muitas pessoas com capacidade de julgamento não conseguem alcançar - vide os crentes Corintos, imagine então as crianças!!!

O auto-exame é então aqui determinado como um modo de levar o crente a participar "dignamente" da Ceia do Senhor, evitando-se assim profaná-la, tal como mencionado nos versículos 27 e 29. No auto-exame, o crente faz uma análise honesta e criteriosa sobre o significado da Ceia bem como das razões de sua participação na Ceia. Muitas coisas estão, portanto, envolvidas nesse auto-exame: do ponto de vista pessoal, vão desde o reconhecimento das faltas pessoais com o sincero desejo de abandoná-las bem como da necessidade de perdoar e receber perdão dos irmãos com quem participa da comunhão cotidiana. Passa, portanto, pelo reconhecimento das faltas e pelo consequente arrependimento sincero das mesmas (obviamente, todo aquele que vive obstinadamente em pecado e aqueles que foram excluídos da Igreja não podem participar da Ceia). Olhando agora para o aspecto coletivo, a Ceia é a expressão máxima da comunhão que temos uns com os outros (comunhão envolve decisivamente a participação naquilo que é comum, terreno, de modo que o amor fraternal encontre a sua expressão além do poético, mas de modo prático), pois é a comunhão naquilo que é espiritual e que nos une como Igreja - não instituição humana falida, hipócrita e religiosa, mas sim como Organismo Vivo e Sobrenatural, que é o Corpo de Cristo. Na ceia mostramos a nossa dependência contínua da verdadeira vida que vem de Jesus através da comunhão viva com ele no Espírito neste Corpo de muitos membros. Tudo, portanto, que impede ou dificulta a comunhão no que é terreno, impede a comunhão naquilo que é espiritual; daí, constituem-se faltas contra o Corpo e devem ser também objeto de arrependimento sincero. A Ceia do Senhor nos conclama à união, na qualidade de um só Corpo, e não às divisões, partidos e facções, como se fôssemos membros de diferentes corpos!

Parênteses: Para o pr. Harold Walker, o crente deve chegar-se a Deus sem mentira e sem fingimento, mas com verdade e luz. Aquilo que os outros veem deve ser o que você é. Chegue-se a Deus e à ceia reconhecendo que você é uma “porcaria”, mas uma “porcaria” aceita por Deus. Deus aceita todo tipo de “porcaria”; Ele só não aceita “porcaria com cara de crente”. Deus ama a sinceridade e a verdade. Ele não tem problema com pecado, porque o pecado Ele resolve. Ele tem problema com a religiosidade, pois esta encobre o pecado e nos faz fingir que somos santos. Então, “aproximemo-nos, com sincero coração, em plena certeza de fé, tendo o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura.” (Hebreus 10.22). Ter um “coração purificado da má consciência” é ter seus pecados confessados, é andar na luz. Assim que fizer algo errado, procure alguém e confesse seu pecado, fique com a consciência limpa diante de Deus. “Corpo lavado com água limpa” se refere ao batismo. Não se deve tomar a ceia sem ser batizado. No batismo, minha mente é purificada porque recebo perdão pelo sangue. O que lava é o sangue, e não a água. Mas se eu não obedecer à Palavra e descer às aguas, o sangue não vai me lavar. Só posso ter a consciência purificada se eu for batizado.  Portanto, tendo o corpo purificado com água limpa, a mente purificada pelo sangue e um verdadeiro coração na luz, “retenhamos inabalável a confissão da nossa esperança, porque fiel é Aquele que fez a promessa; e consideremo-nos uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras, não abandonando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia.” (Hebreus 10.23-25). (fonte: http://www.servindocomapalavra.com.br/dinamic2/index.php/textos-publicados/79-como-tomar-a-ceia-do-senhor)

Assim uma criança não batizada, mesmo sendo inocente, pode participar da ceia? A resposta é não. Nesse caso, sua participação seria indigna (I Co 11.27), não por causa de sua condição, mas porque não se enquadra na maneira correta da participação da Ceia. Se as crianças sentirem vontade de tomar a ceia, devem os pais explicar-lhes a razão de sua proibição. No tempo da lei, se alguém comesse da carne do sacrifício de forma indigna, cometia pecado (Lv 7.18; Lv 22.10). Um não batizado ou uma criança, não pode apropriar-se das coisas consagradas ao Senhor: “Laço é para o homem apropriar-se do que é santo…” (Pv 20.25).

Perceba que a solução seria batizar as crianças. Porém, é preciso considerar também no batismo de crianças o elemento do discernimento e da compreensão. Hoje, é comum vermos crianças pedindo para serem batizadas apenas para poderem participar da Ceia, estando ausentes os elementos espirituais necessários para que uma pessoa seja batizada nas águas: arrependimento, confissão e fé, justamente porque lhes falta a capacidade de compreender tais coisas. Aqui, nesse ponto, é bom fazermos a seguinte distinção: há crianças que não atingiram a maturidade para serem batizadas e, portanto, não possuem ainda condições de participação na Ceia. Porém, há também crianças que compreendem bem sua condição para com Deus e podem, portanto, expressarem as condições para serem batizadas e por conseguinte participarem da Ceia. Note que a chamada à salvação, que envolve o reconhecimento da condição perante Deus e a aceitação da solução por Deus proposta, bem como a perseverança no Caminho, envolve a necessidade de reflexão - inicial e sequencial. Os pais e os pastores devem analisar todos os candidatos antes de procederem ao batismo, o que inclui as crianças, e não satisfazerem vontades dissociadas de elementos probatórios verificáveis.   

Com que idade uma criança se torna responsável pelos seus atos, podendo ser então considerado o batismo das mesmas? Os teólogos da idade média pressupunham que com 12 anos as crianças atingiam a fase da responsabilidade. Secularmente, alguns países fixam a responsabilidade (criminal, ou seja, a pessoa passa a ter responsabilidade sobre seus atos perante a lei humana) aos 10 anos. A idade da responsabilidade criminal nos Estados Unidos varia de 6 a 12 anos; na Inglaterra e no País de Gales, é 10 anos; na Suíça, 10; na Escócia, 12; na França, 13; na Rússia, na Alemanha e no Japão, 14; na Suécia e na Dinamarca, 15; em Portugal, 16. No Brasil, apesar da maioridade ser conferida somente aos 18 anos, há crianças de até 8 anos que cometem violência e fazem sexo (até sexo entre crianças). Com a influência cada vez mais poderosa da mídia, bem das pressões - até políticas - para o despertamento sexual das crianças - verdadeira atuação de Satanás sobre as mesmas, é impossível deixar de afirmar que cada vez mais precocemente as crianças atingem a compreensão dos seus atos (perdendo a prerrogativa de inocência). De qualquer modo, os pais - a quem Deus conferiu a primeira e grande responsabilidade de ensinar as crianças - juntamente com os pastores das Igrejas devem analisar caso a caso a fim de decidir batizar ou não uma criança.   

Concluindo: as crianças não devem participar da Ceia, a menos que sejam previamente batizadas nas águas. E isso pressupõe a compreensão de tudo o que está envolvido nesse ato. As exigências são, portanto, as mesmas para adultos, adolescentes e crianças. Não batizar crianças que ainda não tem a condição de sê-lo (bem como negar-lhes consequentemente a participação na Ceia) tem função pedagógico-espiritual tanto para as próprias crianças, como para os adultos, relacionado à valorização da importância e seriedade de ambas as ordenanças. Eventuais justificativas quanto a participação de crianças na Ceia baseadas no Antigo Pacto não se sustentam, tendo-se em vista que a Ceia não é a versão ipsis litteris da Páscoa judaica. Vale lembrar, por fim, que ambas as ordenanças não são sacramentos. Os sacramentos conferem graça e santificação pela simples participação neles; já nas ordenanças é preciso entender a fim de usufruir dos benefícios espirituais dos mesmos (Paulo, em Romanos 6, explica com profundidade o significado espiritual do batismo) e, como vimos no caso da Ceia, é preciso discernir para não participar indignamente.   

Pense nisso!
Graça e paz!

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

ISRAEL NO DESERTO OU IGREJA NA TERRA: O PAPEL DA LIDERANÇA NA CONDUÇÃO DO POVO DE DEUS

"E disse: Ouvi agora as minhas palavras; se entre vós houver profeta, eu, o SENHOR, em visão a ele me farei conhecer, ou em sonhos falarei com ele. Não é assim com o meu servo Moisés que é fiel em toda a minha casa. Boca a boca falo com ele, claramente e não por enigmas; pois ele vê a semelhança do SENHOR; por que, pois, não tivestes temor de falar contra o meu servo, contra Moisés?" (Nm 12.6-8)

"Então pareceu bem aos apóstolos e aos anciãos, com toda a igreja, eleger homens dentre eles e enviá-los com Paulo e Barnabé a Antioquia, a saber: Judas, chamado Barsabás, e Silas, homens distintos entre os irmãos. E por intermédio deles escreveram o seguinte: Os apóstolos, e os anciãos e os irmãos, aos irmãos dentre os gentios que estão em Antioquia, e Síria e Cilícia, saúde. Porquanto ouvimos que alguns que saíram dentre nós vos perturbaram com palavras, e transtornaram as vossas almas, dizendo que deveis circuncidar-vos e guardar a lei, não lhes tendo nós dado mandamento, Pareceu-nos bem, reunidos concordemente, eleger alguns homens e enviá-los com os nossos amados Barnabé e Paulo, Homens que já expuseram as suas vidas pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Enviamos, portanto, Judas e Silas, os quais por palavra vos anunciarão também as mesmas coisas. Na verdade pareceu bem ao Espírito Santo e a nós, não vos impor mais encargo algum, senão estas coisas necessárias: Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e da carne sufocada, e da prostituição, das quais coisas bem fazeis se vos guardardes. Bem vos vá. Tendo eles então se despedido, partiram para Antioquia e, ajuntando a multidão, entregaram a carta." (At 15.22-30)

Dois textos diferentes, duas épocas diferentes. No primeiro, Moisés é o guia, o mediador da Velha Aliança, escolhido por Deus para levar o povo de Deus do Egito para a Terra Prometida. Já no segundo, na época do Novo Testamento, vemos os apóstolos e presbíteros da Igreja decidirem conjuntamente, como liderança eleita por Deus, acerca da validade e aplicabilidade das práticas e ritos do Velho Testamento para os crentes em Cristo Jesus. Nos dois casos, vemos que há uma liderança instituída por Deus, com responsabilidades com relação à Congregação (Israel no Antigo e Igreja no Novo Testamento), lideranças que devem ser respeitadas pelo ofício que desempenham. Porém, as semelhanças entre os dois tipos de liderança param por aí. Isso é muito importante ser compreendido, porque há muitos abusos hoje sendo cometidos por lideranças religiosas, que se apropriaram do dogma da infalibilidade papal e passaram a governar a Igreja seguindo os pressupostos do Absolutismo (teoria política que defende que alguém, em geral, um monarca, deve ter o poder absoluto, isto é, independente de outro órgão. É uma organização política na qual o soberano concentrava todos os poderes do estado em suas mãos). Essas lideranças, discípulas do monarca francês Luís XIV (conhecido como "Rei Sol") o qual declarou solenemente, a seu chanceler, que os  ministros e secretários de Estado iriam auxiliá-lo com seus conselhos, apenas e somente quando lhes fosse pedido. Ou seja, ele, Luís XIV, bastava-se a si mesmo.

Precisamos primeiramente, portanto, compreender com clareza como funcionava a liderança no Antigo Testamento e como ela deve funcionar no Novo Testamento. Novamente, tratam-se de momentos distintos na vida espiritual do povo de Deus. Para entendermos como a liderança funcionava nos dois Testamentos precisamos recorrer a Antropologia Bíblica, especificamente no que se refere à parte imaterial do homem e seu estado, com relação a Deus, em ambos os testamentos.

Daí, inicialmente vemos o homem sendo criado por Deus "do pó da terra", conforme registrado no Livro de Gênesis 2:7: "E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente." Aqui, Deus forma o homem completo - corpo, espírito (fôlego da vida) e alma (que surge do contato do espírito com o corpo). Portanto, vemos o homem tripartite, criado à imagem de Deus. Antes da queda (o pecado original), o homem, que é constituído por três partes - corpo, alma e espírito - gozava de plena comunhão com Deus. A parte do homem responsável pelo relacionamento do homem com o mundo espiritual é o espírito humano. Em seu estado de santidade e comunhão com o Criador, o homem vivia uma vida de saúde física, emocional e espiritual. Com o pecado, a comunhão com Deus foi rompida. O homem, então, passou imediatamente a um estado de morte espiritual (separação do homem de Deus). Essa condição - de morte espiritual - passou de Adão a toda raça humana, o que implica que toda a raça humana perdeu o contato natural, primevo, que tinha com Deus. Isso não significa que o espírito humano deixou de existir, mas que perdeu a sua função, tornando-se inútil.

Assim, na época do Antigo Testamento, todo homem, qualquer que seja, está sujeito a essa condição espiritual: de morte do espírito. Deus não pode se comunicar com o homem utilizando seu espírito; portanto, para haver comunicação entre Deus e o homem, Deus tem (1) que tomar a iniciativa e (2) precisa fazer com que esta comunicação aconteça sem a intervenção de qualquer parte ou modo humano. Ou seja, era Deus comunicando ao homem a Sua vontade de uma forma tal que não houvesse nenhuma chance para interpretação humana. Deus deveria garantir todo o processo de comunicação. Para comunicar-se com a humanidade que Ele tanto amou (e ama), Deus escolhia uma pessoa e usava essa pessoa para transmitir Sua vontade ao homem. Assim, vemos Deus se comunicando com e por Moisés e com e pelos profetas do Antigo Testamento. Por isso, no Antigo Testamento, lemos com frequência que "veio a palavra do Senhor" a uma determinada pessoa (I Sm 15.10; II Sm 24.11; I Rs 6.11; etc).

Como o homem fazia para identificar que a palavra que estava sendo transmitida era a "Palavra do Senhor"? Muito simples: pela critério da inerrância: "Eis lhes suscitarei um profeta do meio de seus irmãos, como tu, e porei as minhas palavras na sua boca, e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar. E será que qualquer que não ouvir as minhas palavras, que ele falar em meu nome, eu o requererei dele. Porém o profeta que tiver a presunção de falar alguma palavra em meu nome, que eu não lhe tenha mandado falar, ou o que falar em nome de outros deuses, esse profeta morrerá. E, se disseres no teu coração: Como conhecerei a palavra que o SENHOR não falou? Quando o profeta falar em nome do SENHOR, e essa palavra não se cumprir, nem suceder assim; esta é palavra que o SENHOR não falou; com soberba a falou aquele profeta; não tenhas temor dele." (Dt 18.18-22) Note aqui algo muito importante: No Antigo Testamento, não existe em nenhum lugar uma instrução semelhante a "julgai as profecias", porque a profecia naquela época era "tudo ou nada", ou 100% de Deus ou 100% do erro. As profecias dos profetas do Antigo Testamento se constituíram no canôn do Antigo Testamento e não são para serem julgadas, ao contrário; são elas que nos julgam! Nós não julgamos as profecias de Isaías e Ezequiel, por exemplo; mas sim o contrário.
        
Por esta razão, a liderança de Moisés não era objeto de questionamento da parte de Israel: quando Moisés trazia a direção ao povo, essa direção era 100% a direção divina. Logo, questionar a direção dada a partir de Moisés era questionar o próprio Deus! Além disso, nenhum israelita tinha em si condições espirituais para fazer tal julgamento, uma vez que seus espíritos estavam mortos para com Deus. O discernimento espiritual era impossível naquela época! Portanto, todos deviam obedecer inquestionavelmente a liderança que Deus havia levantado!

Porém, a situação "muda de figura" quando passamos ao Novo Testamento. No Novo Testamento, os homens podem ter seus espíritos ressuscitados, podem experimentar o novo nascimento em Cristo Jesus: "O que é nascido da carne, é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito" (Jo 3.6). Quando Adão pecou, ele morreu, e bem assim toda a sua descendência. A morte de Adão não foi de imediato uma morte física, mas espiritual. O seu espírito morreu para Deus. O novo nascimento é o renascer deste espírito para Deus. Agora, com o novo nascimento (ou regeneração espiritual), o crente em Cristo torna-se  "habitação do Espírito Santo" (Ef 2.22; I Co 6.19; II Co 6.16; etc), que passa a "dar testemunho" junto com o espírito do crente (mostrando que agora vive novamente) (Rm 8.16). Este novo nascimento possibilita que o crente discirna o espiritual do mundano, podendo julgar todo ensino, pregação, direção, palavra, orientação espiritual à luz (1) da Palavra de Deus, como os nobres crentes de Beréia, os quais examinavam as escrituras  todos os dias  para ver se as coias eram de fato como estava sendo pregada pelos apóstolos (At 17.11) e (2) do testemunho do Espírito no seu espírito, resultado do restabelecimento de sua comunhão com Deus. Percebe? No Novo Testamento, o crente não está mais morto espiritualmente; ele está vivo para com Deus! Portanto, Deus pode falar - e fala - com ele também, sem precisar de intermediários ou mediadores. O único e suficiente mediador entre o homem e Deus, no Novo Testamento, é Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (I Tm 2.5).

Obviamente, a responsabilidade no Novo Testamento ficou muito maior: a responsabilidade que só cabia aos profetas do Antigo Testamento recaiu no Novo sobre todos os crentes! Todos passaram a ter a responsabilidade de aprender a ouvir a Deus e de obedecê-Lo e de conhecer as Escrituras. Antes, era só seguir o profeta, o líder. Agora, é preciso discernir a direção dada, se vem do Senhor e até que medida ou é coisa humana ou até do espírito do erro. Sempre lembrando que cada crente, por mais comunhão que tenha com Deus, jamais será infalível em termos espirituais - ou seja, incapaz de discernir 100% as Escrituras e 100% a direção de Deus. Isso deve-se ao fato de ainda possuirmos em nós a velha natureza do pecado. Por isso, surge no Novo Testamento algo inédito e imprescindível no plano de Deus para redenção do homem: A IGREJA. A Igreja, a coletividade dos crentes em Cristo Jesus, lócus espiritual daqueles que nasceram de novo, torna-se um lugar de suma importância para a fé individual, pois é com ela, junto dos meus irmãos e irmãs em Cristo, que vou CONFERIR MUTUAMENTE a direção que interpreto ser de Deus e APROFUNDAR meu conhecimento e prática das Escrituras.  Veja a IMPORTÂNCIA CAPITAL da Igreja: Nela, em comunhão com meus irmãos, estou protegido contra o espírito do erro, uma vez que vou buscar sempre conferir antes de decidir, estudar antes de ensinar! Cada crente, cada irmão e irmã na Igreja é importantíssimo para minha fé, portanto; pois todos podemos ouvir de Deus e devemos discernir aquilo que ouvimos.

É exatamente isso que vemos em ação em Atos 15! Não houve ali, na Assembléia dos crentes em Jerusalém, um "Moisés do Novo Testamento" que dissesse "vamos fazer assim e assim, porque Deus falou comigo e deu essa e aquela direção para todo mundo", como se só ele ouvisse de Deus e os demais não. Não, em hipótese alguma! Nem Paulo e nem Barnabé, apóstolos de Cristo, arrogaram-se "porta-vozes exclusivos do Altíssimo"!  Não, absolutamente! Paulo e Barnabé "contavam quão grandes sinais e prodígios Deus havia feito por meio deles entre os gentios" (At 15.12). Quando estes se calaram, falou Tiago, o qual esclarecendo a questão julgou que não se deveria perturbar aqueles, dentre os gentios, que se convertiam a Deus (At 15.19). E o que aconteceu, em seguida? Os irmãos que ali estavam, que exerciam a liderança da Igreja, juntamente com toda a Igreja, analisaram os fatos narrados e o parecer de Tiago e então usaram o discernimento espiritual que possuíam, a fim de chegar na conclusão do assunto! O texto diz que eles tiveram consenso entre si (At 15.22-25) e entre eles e o Espírito Santo (At 15.28)! É tão óbvio: eles consultaram mutuamente uns aos outros sobre a questão em foco e chegaram a um consenso entre eles; os quais, obviamente, consultaram ao Senhor para saber se aquele consenso obtido entre eles era também consenso com o Espírito! Nem mesmo o consenso entre eles foi tido como ponto final na questão - e estavam ali homens como Tiago, Paulo, Barnabé, etc - mas o reconhecimento que cada um tinha de que estavam sujeitos ao erro os enchia de temor e os levaram a consultar também com o Senhor - este sim, a Palavra final!

Amado(a) leitor(a), a verdade é que hoje carecemos muitíssimo dessa sensibilidade espiritual! Hoje, homens tomam para si a prerrogativa que só cabe ao Espírito Santo, dando eles a palavra final nas questões de fé! Homens que com isso abrem um precedente imenso para que um espírito do erro, para que um demônio infernal acabe guiando todo um conjunto de pessoas para a perdição! O sentimento é que parece haver uma névoa nas mentes dos crentes quando se levanta um "Moisés do Novo Testamento": eles abrem mão de discernir, de debater, de questionar e aceitam tudo que é dito, tudo que é falado, de forma passiva, como se desprovidos de espírito (e em alguns casos de cérebro mesmo)! Não existe "um decidir por todos" no Novo Testamento! Pastor, apóstolo, bispo, missionário, evangelista, presbítero, papa, profeta, padre... não importa o título; ele não é infalível, não é absoluto, não é rei sol! Eles exercem a liderança da Igreja e glória a Deus por isso! São os líderes do povo de Deus! Porém, esses líderes devem consultar entre si SEMPRE quando forem tomar decisões que envolvam a Igreja, sendo importante também ouvir a Igreja, e após haver consenso, ser IMPRESCINDÍVEL consultar o Senhor. Veja: É PARA CONSULTAR AO SENHOR DEPOIS DE HAVER CONSENSO ENTRE OS HOMENS, NÃO ANTES! Não é "irmão, eu consultei ao Senhor sobre isso e aquilo, e Ele me deu essa direção..." NÃO, NÃO E NÃO!

Parênteses 1: Lembrando que para haver consenso é preciso haver mais do que uma reunião (a famosa "reunião de repasse"): é preciso haver liberdade de expressão!

Parênteses 2: O pior de tudo é que os "Moisés do Novo Testamento" cobram de todos depois quando a direção falha, quando dá zebra. Na hora de decidir, o "Deus me falou e vocês é que escutem calados"; na hora que dá zebra "somos um corpo e todos precisam ajudar". Olhe para as seitas neopentecostais e você facilmente constatará isso!

Quero ser muito enfático aqui, querido(a) leitor(a): É PARA BUSCAR O CONSENSO ENTRE A LIDERANÇA, podendo envolver a Igreja e obrigatoriamente, após o consenso, BUSCAR AO SENHOR SOBRE O ASSUNTO! É óbvio que para aqueles assuntos que já estão claramente estabelecidos nas Escrituras, isso não se aplica. Por exemplo, eu não preciso consultar e nem obter consenso se devo, como líder, ensinar sobre pecado, céu e inferno, necessidade de arrependimento, obras mortas, etc. Não preciso de consenso para pregação e ensino das Escrituras, nem para correção e disciplina daqueles que pecarem. Não preciso de consenso para escrever esse texto nem esse blog. Mas preciso de consenso (incluindo com o Senhor) se devemos ou não "adotar inovações" como prática da Igreja, ou em casos de mudança de logradouro, ou levantamento de obreiros, envio de missionários, etc. Veja que em todas as seitas e heresias que surgiram no meio do povo de Deus, elas foram fruto de "pessoas que julgaram ter ouvido a direção de Deus" e que não consultaram, mas apropriaram-se da prerrogativa de "palavra final" e assim levaram (e levam) milhões à destruição espiritual. Foi assim, por exemplo, com o presbiteriano Joseph Smith Jr., que afirmou ter recebido "uma nova revelação", não consultou com ninguém e acabou criando o Mormonismo; foi assim com o presbiteriano Charles Taze Russell, fundador do Russelismo ou Testemunhas de Jeová, só para mencionar alguns. Modernamente, veja-se o ESTRAGO que o Movimento G-12 fez em inúmeras Igrejas, construído sobre uma experiência pessoal de visão de um líder, desviando milhares de crentes do verdadeiro Evangelho de Cristo, com seu "paipóstolo patriarca", untado e besuntado, que seguem estritamente o dogma da infalibilidade patriarcal!

A revelação chegou à plenitude em Jesus Cristo, querido(a) leitor(a); portanto, toda alegação de novas revelações e novas verdades, por sonhos, visões e outros meios, deve ser cotejada com as Escrituras, corretamente interpretadas. Vale lembrar que é um dos princípios da Reforma Protestante o sacerdócio universal dos crentes, de livre exame da Bíblia e, portanto, de livre acesso a Deus, por meio de Jesus Cristo. Por isso, devem ser rejeitados o sacerdotalismo, o sacramentalismo e o ritualismo, qualquer tipo de hierarquia na esfera espiritual e eclesiástica, e a pretensão humana de interpor-se entre o crente e Deus. Há sempre que se prestar atenção em duas coisas: na direção individual do Espírito Santo e na direção do Espírito Santo aos demais que estão contigo no mesmo propósito e intenção do coração. O papel da liderança no Novo Testamento é buscar o consenso entre si e com Deus, para só então agir!

 Pense nisso!
Graça e Paz!

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

DÍZIMOS E OFERTAS: DO ANTIGO PARA O NOVO TESTAMENTO

Dízimo: referente à décima parte de um todo (um décimo). Pode se referir, portanto, a décima parte de qualquer coisa, desde alimentos, tempo, dinheiro, etc. Em termos religiosos, refere-se a doação da décima parte do fruto do trabalho afim de ser dedicado a causa religiosa, tanto no que se refere à sua manutenção quanto a propagação (expansão). Por sua vez, as ofertas não possuem estipulação de percentual sobre o total, podendo ser maior, igual ou menor que a décima parte. Quando igual, a oferta recebe o nome especial de dízimo.

De saída, é importante afirmar que o tema sobre dízimos e ofertas é bíblico. Ambos os Testamentos - Antigo e Novo - abordam o assunto. Portanto, não se trata de invenção humana para "ganhar dinheiro fácil", como afirmam muitos atualmente. Infelizmente, essa conotação pejorativa acerca dos dízimos e ofertas deve-se a malversação (má administração, apropriação indébita) desses recursos por parte de alguns líderes religiosos, os quais buscam somente enriquecerem às custas da fé alheia. Com a banalização das regras e princípios bíblicos, a Igreja permitiu que surgissem muitos aproveitadores, lobos disfarçados de pastores, mercenários da fé em suas fileiras, os quais passaram a ocupar posições de liderança sem sequer nunca terem se convertido. Desnecessário dizer que isso tanto foi predito na Bíblia quanto é abominação diante de Deus; sobre estes, sem dúvida, não tarda a condenação eterna, tal como mostra a Epístola canônica de Judas, no Novo Testamento.

Portanto, é importante compreender o que a Bíblia ensina sobre o tema. Qual deve ser a postura do crente em Cristo com relação aos dízimos e ofertas? Deve ser ele um ofertante?

1) NO ANTIGO TESTAMENTO:

A primeira menção bíblica sobre dizimar - entregar o dízimo - encontra-se no livro de Gênesis: "E Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho; e era este sacerdote do Deus Altíssimo. E abençoou-o, e disse: Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra; E bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os teus inimigos nas tuas mãos. E Abrão deu-lhe o dízimo de tudo." (Gn 14.18-20)

Melquisedeque era um rei-sacerdote (Salmos 110), provavelmente de uma raça semítica que ocupava Salém naquela época. O valor típico do sacerdócio de Melquisedeque não reside apenas em ser "rei da justiça e rei da paz", mas ainda mais no fato de que seu sacerdócio era universal, não sendo limitado por nenhuma ordenança externa e não estando ligado a nenhuma raça ou povo em particular. Ele abençoa a Abrão e recebe dele dízimos, tornando-se o representante de um sacerdócio mais elevado do que qualquer outro que pudesse brotar dos lombos de Abrão. Ao dar os dízimos dos despojos da guerra contra os reis que haviam saqueado Sodoma e Gomorra, Abrão consagra sua vitória ao Senhor. Ao dar o dízimo, Abrão também reconhece o sacerdócio de Melquisedeque e que o Deus a quem Melquisedeque servia era o verdadeiro Deus. Trata-se, portanto, de um reconhecimento prático da absoluta e exclusiva supremacia do Deus que Melquisedeque adorou, e da autoridade e validade do sacerdócio que ele exerceu.

Veja: Melquisedeque como um sacerdote primeiro apela a Deus em favor de Abrão, e então se dirige a Abrão em nome de Deus. Assim, ele executa a função de mediador. Daí Abrão reconhece que por meio desta mediação ele teve a vitória e então entrega a Melquisedeque o dízimo do espólio da guerra (não de suas propriedades). Note que Abrão não deu o dízimo como uma obrigação, mas como uma oferta de gratidão e de honra. Nasceu, portanto, a prática de dizimar como o ato voluntário de um coração generoso e agradecido ao Senhor pela vitória concedida.

A segunda menção do dízimo no Antigo Testamento é no episódio de Jacó em Betel: "E Jacó fez um voto, dizendo: Se Deus for comigo, e me guardar nesta viagem que faço, e me der pão para comer, e vestes para vestir; E eu em paz tornar à casa de meu pai, o SENHOR me será por Deus; E esta pedra que tenho posto por coluna será casa de Deus; e de tudo quanto me deres, certamente te darei o dízimo." (Gn 28.20-22)

Nessa passagem, Jacó faz um voto a Deus. Esse voto consistia de duas partes, a Deus e a de Jacó: se Deus fosse com Jacó e o guardasse na viagem, se Deus lhe desse pão e vestes, e se Jacó voltasse em paz à casa de seu pai Isaque - se Deus lhe concedesse vitória em sua empreitada, portanto - Jacó (1) tomaria o Senhor como seu Deus pessoal; (2) a pedra posta como coluna seria a casa de Deus e (3) Jacó daria o dízimo de tudo quanto o Senhor lhe desse. Obviamente, esses dízimos dados a Deus por parte de Jacó seriam entregues a um sacerdote de Deus, o que denota que haviam sacerdotes de Deus em atuação naquela época mesmo sem a oficialização do sacerdócio (que veio somente com Moisés). Novamente, como no no primeiro caso, vemos o princípio mantido, isto é, o dízimo como sendo um  ato voluntário de um coração generoso e agradecido ao Senhor pela vitória concedida.

Observe que em ambos os casos o dízimo será dado ao sacerdote "do Deus Altíssimo". Esse dízimo, portanto, tem uma função adicional: servir como instrumento de adoração a Deus e um presente gracioso dado ao sacerdote de Deus que mediou a vitória (como no caso de Melquisedeque e Abrão) ou um presente gracioso para o sacerdote de Deus estabeleceu (como no caso Jacó). Nos dois casos, ninguém pode desempenhar a função sacerdotal sem o reconhecimento de Deus e se Deus reconheceu alguém para desempenhar esta função o adorador deve reconhecer isto de forma prática em seu gesto de gratidão a Deus. Assim, entregando voluntariamente o dízimo ao sacerdote de Deus, estou adorando a Deus e sendo-Lhe grato por sua vitória em minha vida.

As menções posteriores sobre o dízimo no Antigo Testamento referir-se-ão ao período após a entrega da Lei de Deus, por Moisés, ao povo no Sinai, até o livro de Malaquias, o último profeta do Antigo Testamento. O dízimo, nesse período, servia para manutenção do sacerdócio levítico em Israel, porque na repartição da herança da terra de Canaã os filhos de Levi não tiveram direito a mesma. O dízimo tinha caráter compulsório. Os dízimos eram trazidos pelos israelitas das demais tribos ao sacerdote como ofertas de adoração e este então recebia-os e deles usufruía conforme estabelecido na Lei, conforme estabelecido no livro de Números, cap. 18:

21 E eis que aos filhos de Levi tenho dado todos os dízimos em Israel por herança, pelo ministério que executam, o ministério da tenda da congregação.
22 E nunca mais os filhos de Israel se chegarão à tenda da congregação, para que não levem sobre si o pecado e morram.
23 Mas os levitas executarão o ministério da tenda da congregação, e eles levarão sobre si a sua iniqüidade; pelas vossas gerações estatuto perpétuo será; e no meio dos filhos de Israel nenhuma herança terão,
24 Porque os dízimos dos filhos de Israel, que oferecerem ao SENHOR em oferta alçada, tenho dado por herança aos levitas; porquanto eu lhes disse: No meio dos filhos de Israel nenhuma herança terão.
25 E falou o SENHOR a Moisés, dizendo:
26 Também falarás aos levitas, e dir-lhes-ás: Quando receberdes os dízimos dos filhos de Israel, que eu deles vos tenho dado por vossa herança, deles oferecereis uma oferta alçada ao SENHOR, os dízimos dos dízimos.
27 E contar-se-vos-á a vossa oferta alçada, como grão da eira, e como plenitude do lagar.
28 Assim também oferecereis ao SENHOR uma oferta alçada de todos os vossos dízimos, que receberdes dos filhos de Israel, e deles dareis a oferta alçada do SENHOR a Arão, o sacerdote.
29 De todas as vossas dádivas oferecereis toda a oferta alçada do SENHOR; de tudo o melhor deles, a sua santa parte.
30 Dir-lhes-ás pois: Quando oferecerdes o melhor deles, como novidade da eira, e como novidade do lagar, se contará aos levitas.
31 E o comereis em todo o lugar, vós e as vossas famílias, porque vosso galardão é pelo vosso ministério na tenda da congregação.
32 Assim, não levareis sobre vós o pecado, quando deles oferecerdes o melhor; e não profanareis as coisas santas dos filhos de Israel, para que não morrais.

Note que os dízimos eram dados pelo Senhor como herança para os filhos de Levi pelo ministério que executavam em favor dos filhos de Israel. Que ministério era esse? De abençoar o povo, oferecendo pelo povo sacrifícios pacíficos ao Senhor; oferecendo também sacrifícios pelo pecado, de forma que o Senhor perdoasse o pecado; cuidando da manutenção do tabernáculo e das coisas santas (como a mesa dos pães da proposição), desarmando-o e carregando-o nos tempos de peregrinação e armando-o quando era necessário. Além disso, deveriam ensinar a Lei de Deus ao povo. O dízimo era, deste modo, uma espécie de pagamento - recompensa que Deus supriu para os levitas, pelos seus serviços sacerdotais ("galardão é pelo vosso ministério", v.31). Isto é similar ao sustento que os funcionários do governo recebem hoje no nosso país, através dos impostos e taxas pagos pelo trabalhador comum. Por sua vez, os levitas deveriam oferecer ao Senhor o dízimo dos dízimos, os quais deveriam ser dados ao Sumo-Sacerdote Arão.

Observe que esse dízimo deveria ser "comido" (v.31). Portanto, refere-se ao dízimo derivado da atividade agro-pastoril. O dízimo é descrito como sendo parte do produto da terra, da semente do campo, do fruto das árvores, do gado, e do rebanho, conforme lemos no Livro de Levítico: "Também todas as dízimas do campo, da semente do campo, do fruto das árvores, são do SENHOR; santas são ao SENHOR. Porém, se alguém das suas dízimas resgatar alguma coisa, acrescentará a sua quinta parte sobre ela. No tocante a todas as dízimas do gado e do rebanho, tudo o que passar debaixo da vara, o dízimo será santo ao SENHOR. Não se investigará entre o bom e o mau, nem o trocará; mas, se de alguma maneira o trocar, tanto um como o outro será santo; não serão resgatados." (Lv 27.30-33) O dízimo era provavelmente dado, portanto, em uma base anual. Cada ano, depois que a terra tinha sido colhida, as pessoas traziam para os sacerdotes as décimas partes de suas colheitas e do aumento na manada e no rebanho. Sem os dízimos, os sacerdotes passariam fome ou teriam que deixar seu sacerdócio para desempenharem outra atividade que lhes trouxesse condições de sobrevivência. Portanto, com a ordenança do dízimo, Deus indicava para Seu povo a importância do sacerdócio para a teocracia de Israel: "Guarda-te, que não desampares ao levita todos os teus dias na terra" (Dt 12.19).

Há, ainda no Antigo Testamento, duas outras menções importantes sobre o dízimo. A primeira está em Deuteronômio 14:22-27. O Talmude e os intérpretes judeus em geral concordam que o dízimo mencionado nesta passagem e também o dízimo descrito em Deuteronômio 26:12-15, são "o segundo Dízimo" (ou dízimo festival), sendo inteiramente distintos do dízimo ordinário atribuído aos levitas para sua subsistência em Números 18:21 e por eles novamente para os sacerdotes (Números 18:26). O povo de Israel devia usar este dízimo para comer na presença do Senhor, em Jerusalém (o local que Ele escolheu para estabelecer seu nome). Se fosse demasiadamente incômodo para as pessoas de longe trazerem seus dízimos todo o caminho até Jerusalém, seria permitido que elas o vendessem  e trouxessem o dinheiro apurado até Jerusalém, onde poderiam comprar aquilo de necessidade para os festivais. Deus expressamente encoraja as pessoas a gastarem o dinheiro deles em "tudo o que deseja a tua alma," incluindo bebida forte! 

A segunda menção, por sua vez, encontra-se em Dt 14.28,29. Trata-se do "dízimo dos pobres" (Ma’aser ‘Âni). Os judeus o consideram idêntico ao segundo dízimo, que era comido pelos proprietários em Jerusalém; mas em cada terceiro e sexto ano o mesmo era concedido aos pobres (Ellicott's Commentary for English Readers). No terceiro ano e sexto ano do ciclo septenal as festas seriam substituídas pela hospitalidade privada. Note que, até aqui, o povo judeu tinha sido ordenado a dar pelo menos 20% das suas colheitas e rebanhos. É bom que se diga que o Senhor sempre teve um cuidado especial com os pobres, órfãos, viúvas e estrangeiros em Israel.

No retorno do cativeiro, uma das coisas que foi restaurada por Neemias é o dízimo conforme a Lei: "Também no mesmo dia se nomearam homens sobre as câmaras, dos tesouros, das ofertas alçadas, das primícias, dos dízimos, para ajuntarem nelas, dos campos das cidades, as partes da lei para os sacerdotes e para os levitas; porque Judá estava alegre por causa dos sacerdotes e dos levitas que assistiam ali." (Ne 12.44) Note que o texto diz que os dízimos eram exigências "da Lei". Estes dízimos não eram voluntários como o foi nos dias de Abrão e Jacó. Similarmente, lemos em Hebreus 7:5 "E os que dentre os filhos de Levi recebem o sacerdócio têm ordem, segundo a lei, de tomar o dízimo do povo, isto é, de seus irmãos, ainda que tenham saído dos lombos de Abraão." O dízimo nunca foi voluntário sob a Lei de Moisés. Note, aqui, que, nos dias de Neemias, homens eram indicados para ajuntarem as ofertas e os dízimos em câmaras designadas para aquele propósito particular. Estas câmaras eram para os bens armazenados, e depois se tornaram conhecidas como "casas do tesouro".  Acerca da "casa do tesouro", precisamos agora examinar uma passagem muito importante. Ela se encontra no Livro de Malaquias: "Roubará o homem a Deus? Todavia vós me roubais, e dizeis: Em que te roubamos? Nos dízimos e nas ofertas. Com maldição sois amaldiçoados, porque a mim me roubais, sim, toda esta nação. Trazei todos os dízimos à casa do tesouro, para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim nisto, diz o SENHOR dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós uma bênção tal até que não haja lugar suficiente para a recolherdes. E por causa de vós repreenderei o devorador, e ele não destruirá os frutos da vossa terra; e a vossa vide no campo não será estéril, diz o SENHOR dos Exércitos. E todas as nações vos chamarão bem-aventurados; porque vós sereis uma terra deleitosa, diz o SENHOR dos Exércitos." (Ml 3.8-12)

Esse texto é muito usado - e mal usado - nos tempos atuais para coagir pessoas a darem seus dízimos nas igrejas. Quem usa esse texto com essa finalidade, chama de ladrão e maldito aquele que por qualquer razão não dá mensalmente os 10% do seu salário para a igreja. De início, é muito bom que fique claro que esse tipo de uso do texto bíblico é, no mínimo, falta de conhecimento sobre exegese bíblica, para sermos condescendentes e misericordiosos com os que assim procedem. Vamos buscar compreender, então, o real contexto de Malaquias. Primeiro, é bom notar que o texto diz que maldição aqui devia-se a Israel (e não a toda a humanidade), portanto não é um mandamento moral que transcenda o Antigo Testamento (como é o "não matarás", que se aplica à humanidade independente do Testamento, Antigo ou Novo); esta maldição se devia à desobediência da Lei na questão da obrigatoriedade dos dízimos e ofertas (Dt 28.18,23-24,38-40,45).  Segundo, conforme a passagem, quando um homem retém seus dízimos ele está roubando, na realidade, a Deus. Isto porque ele está retendo algo que não lhe pertence, antes é propriedade de Deus. Sob o Velho Pacto, o dízimo era mandatório, portanto retê-lo era se tornar um ladrão. Terceiro, a razão pela qual Israel devia trazer todos os dízimos para dentro da casa do tesouro era que houvesse bastante alimento na casa de Deus. Deus estava interessado em que os levitas tivessem comida para comer e não estava sobrando nada para eles; estavam passando à míngua. Este era o propósito daqueles dízimos que eram trazidos para o Templo de Deus. Somos ditos, também, que se o povo de Deus fosse fiel em trazer seus dízimos para a casa do tesouro, Deus abriria as janelas do céu e derramaria para eles uma bênção até que transbordasse. Isto sem dúvidas refere-se à promessa de Deus de trazer abundantes chuvas para produzir a bênção de uma transbordante ceifa. Quarto e último, o contexto de Malaquias é o contexto do segundo templo, reconstruído por Neemias; é o mesmo contexto da profecia de Ageu, de Zacarias, etc. Assim sendo, o contexto de Malaquias 3 é dirigido mais aos sacerdotes infiéis e relapsos, mas também ao povo de Israel, falando dos dízimos, com os quais se alimentava a tribo de Levi, os órfãos e as viúvas, contexto no qual o dízimo estava sendo tratado com displicência. Cada um cuidava apenas da sua vida enquanto o Templo permanecia em ruínas.

2) NO NOVO TESTAMENTO:

No Novo Testamento há, com exceção de uma passagem no Evangelho de Mateus (que se repete no Evangelho de Lucas), um silêncio sobre o dízimo. Não há nenhuma recomendação, mínima que seja, nas Epístolas, sobre a continuidade da obrigatoriedade do dízimo para a Igreja cristã. E por mais que isso possa vir a chocar alguns, a despeito da seriedade da profecia de Malaquias, não há NENHUMA REPETIÇÃO da mesma no Novo Testamento. Assim, a "casa do tesouro" de Malaquias não tornou-se o Templo da Igreja no Novo Testamento (tampouco - e pior ainda - da denominação religiosa da Igreja); nem tampouco as maldições em Malaquias se aplicam aos crentes em Jesus. Vou repetir: NÃO HÁ NENHUMA CONDENAÇÃO E/OU MALDIÇÃO PARA QUEM ESTÁ EM CRISTO JESUS! Malaquias fala de um contexto de maldição por quebra da Lei; no entanto, "Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro; Para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo, e para que pela fé nós recebamos a promessa do Espírito" (Gl 3.13,14).

O único texto que fala sobre o ato de dizimar (dar o dízimo) se encontra em Mateus 23:23: "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas". Observe que Jesus está se dirigindo aos fariseus sobre um tema pertencente a Lei enquanto a Lei estava em vigor. Dizer que, uma vez que Jesus falou a estes fariseus que deviam dizimar, isto força que também nós devemos dizimar, ignora o fato que aqueles fariseus viviam sob pacto e leis diferentes daqueles de um salvo do Novo Testamento. Obviamente, esse dízimo aqui ao qual o Senhor se refere é compulsório. Jesus lhes diz que "deveis" (tendes o dever de) dizimar. O dízimo era mandamento, ordem para todos os judeus e, assim, era obrigatório.

O Novo Testamento fala um pouco mais sobre ofertas, as quais sempre são mencionadas num contexto de generosidade e voluntariedade, exatamente como era na época de Abrão e Jacó. Esse é o contexto que os crentes no Novo Testamento precisam se apegar, ou seja, um contexto onde a oferta, independente do valor, nasça como ato de adoração e ação de graças, de um coração generoso e voluntário, com liberalidade e cheio da graça de Deus: "Cada um contribua segundo propôs no seu coração; não com tristeza, ou por necessidade; porque Deus ama ao que dá com alegria" (II Co 9.7). Não é uma contribuição por coação, por medo de ser taxado como ladrão e amaldiçoado, percebe? Mas é uma contribuição alegre, com o valor que o Senhor propôs em seu coração contribuir. Ele propôs 1%? 5%? 10%? 50%? 100%? É conforme o Espírito Santo colocou no seu interior, querido(a) leitor(a), não segundo uma taxa compulsória pré-fixada. Em Atos 2, lemos que os crentes voluntariamente "vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister. E era um o coração e a alma da multidão dos que criam, e ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era sua própria, mas todas as coisas lhes eram comuns. Não havia, pois, entre eles necessitado algum; porque todos os que possuíam herdades ou casas, vendendo-as, traziam o preço do que fora vendido, e o depositavam aos pés dos apóstolos. E repartia-se a cada um, segundo a necessidade que cada um tinha." (At 2.45; 4.32-35). Quem tinha, ajudava com o que havia proposto; quem não tinha, era ajudado generosamente com aquilo que lhe era necessário! Ninguém considerava "seu" coisa alguma, ou seja, não havia usura, não havia ganância, não havia materialismo e nem egoísmo por parte dos crentes; porém tudo o que um possuía era repartido. Resultado: não havia necessitado algum entre aqueles irmãos! As possessões que aqueles irmãos vendiam eram coisas que eles tinham acima e além de suas necessidades, coisas não essenciais à sua sobrevivência. Em alguns casos, elas provavelmente tinham se tornado como fortalezas dentro do coração dos proprietários. Então os bens foram vendidos, transformados em dinheiro, e doados para sustentar as viúvas, os órfãos e os desamparados da igreja.

É nesse contexto que vemos o trágico destino do casal Ananias e Safira, que resolveram mentir ao Espírito Santo: "Mas um certo homem chamado Ananias, com Safira, sua mulher, vendeu uma propriedade, E reteve parte do preço, sabendo-o também sua mulher; e, levando uma parte, a depositou aos pés dos apóstolos. Disse então Pedro: Ananias, por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo, e retivesses parte do preço da herdade? Guardando-a não ficava para ti? E, vendida, não estava em teu poder? Por que formaste este desígnio em teu coração? Não mentiste aos homens, mas a Deus. E Ananias, ouvindo estas palavras, caiu e expirou. E um grande temor veio sobre todos os que isto ouviram." (At 5.1-5) Observe: qual foi o problema aqui? Foi dar só uma parte como se estivesse dando o todo. Foi a mentira. Ananias, se assim quisesse, poderia ter vendido e ficado com o valor da venda para si, não haveria nenhum problema nisso. Do mesmo modo, poderia não vender tal propriedade, era dele para decidir assim. Ananias morreu (e Safira 3 horas depois) porque resolveu mentir a Deus. Mentiram sobre algo que era destinado aos pobres. Quanto a isso, comenta o pr. David Wilkerson: "No Dia do Juízo muitas pessoas serão cobradas por malversação daquilo que foi designado à caridade. Penso em organizações que coletaram centenas de milhões de dólares para as vítimas da tragédia de 11 de setembro, mas se apropriaram de muito disso para si. Eu também penso nos ministros que levantaram dinheiro para as mesmas viúvas e órfãos, mas que usaram mal isso. Quero dizer o seguinte - eles não precisam temer o Imposto de Renda - eles precisam temer o Deus Todo-poderoso, que registra nos livros até o último centavo." (fonte: http://www.tscpulpitseries.org/portuguese/ts020527.html)

O ensino do Novo Testamento sobre o contribuir ressalta o seu caráter voluntário "Porque, segundo o seu poder (o que eu mesmo testifico) e ainda acima do seu poder, deram voluntariamente." (II Co 8.3). Esta contribuição voluntária é exatamente o que Abraão e Jacó estavam praticando antes da instituição da Lei, e é o que todos os cristãos devem praticar hoje. Os crentes de hoje têm a liberdade de dadivar tanto quanto decidam. Se quiserem dar 10% como Abraão e Jacó o fizeram, eles estão perfeitamente livres para tal. No entanto, se decidirem dar 9% ou 11% ou 20% ou 50% ou até 100%, então podem muito bem fazê-lo. Cada pessoa deve buscar a Deus sobre o quanto e o como ela deve dadivar. Por sua vez, aqueles que são pobres ou que estejam passando alguma situação negativa financeiramente falando não devem se sentir culpados se não forem capazes de dar 10% de seus rendimentos, nem mesmo se não puder doar coisa alguma. Deus vê o coração do ofertante, para só então ponderar sua oferta - esse é o ensino da viúva pobre (Mc 12.41-44).

Não faça nada por obrigação, mas tudo o que fizer seja algo agradável. Se você tem para dar, dê; se não tem para dar, o Senhor recebe o teu desejo de dar. Se o desejo for sincero, a oferta está feita e é recebida pelo Senhor! Quero apresentar agora alguns conselhos práticos sobre as ofertas.

QUANDO OFERTAROferte com alegria aquilo que Deus lhe propôs no coração...

1. Para sustentar o seu pastor, que ministra-lhe a Palavra de Deus e lhe guia no caminho: "Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina; Porque diz a Escritura: Não ligarás a boca ao boi que debulha. E: Digno é o obreiro do seu salário." (I Tm 5.17,18) Note: não é sustento de mercenário, que só vê dinheiro na frente e que coage e instila medo, que vende promessas (de prosperidade, de cura, etc), para obter dinheiro. Seu pastor é um servo de Deus honesto e íntegro? Você considera importante o serviço que ele lhe presta, como seu pastor? Então você deve ofertar para que ele tenha como sustentar sua vida com dignidade. Aqui, estamos nos referindo aqueles que cuidam ativamente - que mantém interesse, que se preocupam, que ensinam diretamente, etc - isto é, o seu pastor pessoal (não uma imagem numa parede). Quem é que preside sobre ti - o presbítero que governa diretamente? A este você deve honrar.

2. Para sustentar os missionários cristãos: Há muitos irmãos e irmãs que estão nos campos missionários por amor a Cristo. Devemos sustentá-los no campo com nossas ofertas. Você pode até mesmo assumir integral ou parcialmente o sustento de missionários sérios, e responsáveis que estão dando as suas vidas para o avanço do Reino de Deus entre todos os povos, línguas e nações. Você pode adotá-los. Converse com os seus líderes, pois juntos é possível, juntos, nós podemos ampliar a visão missionária pessoal e coletiva, e através dela estabelecer metas de apoio e sustento para o missionário. Fiquem certo disso, os missionários existem e estão na linha de fogo intenso onde os inimigos são mais ferozes.  Note que estamos falando aqui de missionários sérios - que prestam contas regularmente de suas atividades.

3. Para sustento dos pobres: Você deve contribuir para ajudar no sustento dos pobres. Esteja certo: ajudar os pobres é sempre a vontade do Senhor. Se sua Igreja tiver um departamento especial ou alguma ação destinada a ajuda dos pobres, quer sejam eles da Igreja ou não, contribua; se não tiver, procure ajudar você mesmo asilos, orfanatos, etc (Ef 4.28; Lc 12.33,34; Tg 1.27, etc).

4. Para pagamento das obrigações do templo onde a Igreja se reúne (e para reformas): Nada mais que justo contribuirmos para o pagamento de luz, água, telefone, aluguel, compra de papel higiênico, desinfetante, etc. de forma a suprir estas necessidades do local onde a Igreja se reúne. Você pode tanto contribuir financeiramente quanto com o próprio material, por exemplo; verifique a necessidade com sua liderança e auxilie. Às vezes, o templo precisa de reforma (pintura, reparos elétricos, etc). Novamente, você pode ajudar, contribuindo com sua oferta (financeira ou material) e/ou voluntariando-se para ajudar.

QUANDO NÃO OFERTAR: Não oferte...

1. Para ter destaque especial, alcançar posições na Igreja, agradar pastor ou receber aplausos (Mt 6.1-4): Não seja hipócrita.

2. Para receber bênçãos em troca: Deus não é banco, nem aceita barganha da sua parte. Nunca oferte se sua intenção é investir no "banco de Deus". Oferte por graça, por gratidão, por alegria, pelo reconhecimento do amor e da providência, pelo desejo de contribuir para ajudar outros, e, sobretudo, como manifestação de culto a Deus, no qual a alegria grata oferece como culto aquilo que é um “deus” na terra: o dinheiro! O que passar disso é "negócio" feito em nome de Deus e que se alimenta da culpa que se põe sobre os ombros ignorantes de quem não sabe que em Cristo tudo já está Consumado!

3. Para sustentar mercenários: Quem são os mercenários? São bajuladores, são egocêntricos, são perdulários, que usam a fé para se locupletarem. Quem cobra trízimo dos desempregados, pede o dinheiro do aluguel, das compras do mês, da luz e da água usando o nome de Deus não é servo Dele, é servo do diabo! Quem promete bençãos espirituais em troca de dinheiro é discípulo de Simão Mago! É a pior classe de cobrador de impostos - que usa o nome de Deus e a fé alheia para enriquecimento pessoal, para comprar suas mansões e jatinhos, suas limousines e carrões do ano, seus ternos caros e anéis de ouro, suas fazendas e cabeças de gado; para manterem uma vida nababesca. O deus deles é o ventre! É um deus inseguro, invejoso e arrogante, que quer ser o grande banqueiro da Terra. "O meu programa vai sair do ar; a Igreja vai fechar, blábláblá" - se o programa sair do ar, melhor do que ficar no ar iludindo pessoas; se a Igreja fechar, é porque tornou-se apóstata. Tem Igreja para tudo que é lado; o Evangelho no Brasil não precisa de tele-evangelistas com seus projetos megalomaníacos, discípulos de Constantino.

4. Para sustentar injustiças: Se há injustiça na administração dos recursos financeiros, você não deve contribuir. Essa injustiça pode se manifestar de diversas maneiras, como por exemplo no não retorno das ofertas (pelo menos em parte) como benefício para a própria pessoa. Se, por exemplo, você é chamado para ofertar para comprar um teclado novo e seu líder compra um usado e guarda o restante do dinheiro, mesmo que sob boa justificativa, ele está administrando injustamente os recursos que não são dele. Se os recursos foram solicitados para fazer alguma atividade, é esta atividade que deve ser feita - caso contrário, apresente-se as causas da não-realização e peça autorização para usar os recursos noutra coisa - se não for autorizado, devolvam-se as ofertas. Aquele que trata as pessoas como se fossem tolas, acabará mais dia menos dia perdendo a credibilidade diante delas. Há líderes que não entendem isso. Outra coisa: se há mais de uma Igreja ligada com outras (no caso de ministérios eclasiásticos), lembre-se que a gestão das ofertas deve ser justa - não se oprime financeiramente uma Igreja mais fraca financeiramente falando em prol de uma mais forte.  

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

WHEN THE CHURCH GENERATE NAUSEA IN GOD

And thou shalt say to the rebellious, even to the house of Israel, Thus saith the Lord GOD; O ye house of Israel, let it suffice you of all your abominations, In that ye have brought into my sanctuary strangers, uncircumcised in heart, and uncircumcised in flesh, to be in my sanctuary, to pollute it, even my house, when ye offer my bread, the fat and the blood, and they have broken my covenant because of all your abominations. (KJV - Ezekiel 44:6,7)

Chapter 44 of the Book of Ezekiel contains provisions relating to the true priests. These principles have been carefully established by God in order to keep the temple free of all the desecration . Desecration is "disrespect or violation of what is holy, sacrilege, profanity", something totally unacceptable to Him who is thrice Holy (Isaiah 6.3).

"And thou shalt say to the rebellious, even to the house of Israel", so the Lord commands Ezekiel. Prophetically, the Lord is speaking to His Church today, which is in spiritual decline because of its disregard for the ordinances, rules and laws of God's house, which has been systematically flouted by believers, called "rebels" fairly and accurately because of that. This violation of the Word of God, specifically with regard to His house by the rebels, was called by the Lord "abomination." The word "abomination" in this text comes from the Hebrew tow`ebah, meaning "repulsion, abhorrence, idolatry, something ritually impure and ethically evil, something disgusting, which causes vomiting." God was speaking, therefore, with His people, saying, "you are bringing something repulsive, disgusting, evil, inside of My house, causing me disgust, causing me nausea with it."

But what Israel was doing - and that we believers in Christ, many, many times we repeat today - that was "wrapping the stomach" of the Lord? The introduction of foreign (heb. "Ben Nekar" ing. "Aliens") wicked (uncircumcised in heart and uncircumcised in flesh) in service (worship) the Lord by offering sacrifices to the Lord! Heart Circumcision refers to a correct state of the soul, holiness; therefore the uncircumcised of heart was not sanctified nor is holy in the eyes of the Lord, but it is wicked (Romans 2:29), not-fearing the Lord and disobedient to His Law (hence the uncircumcision of the flesh) - both circumcisions are linked, for who does not care for the Word of God makes it heart. Uncircumcision of the heart (gr. Sklerokardia in LXX) expresses thereby indomitable determination to oppose God (Acts 7:51). So what was in focus in this text of Ezekiel, which caused an abomination to the Lord, was the fact that wicked men had been brought into the house of God to act as priests with all prerogatives! Infidels in the function which admitting only people circumcised in heart and flesh, genuine people of God! They were there, in the house of God, ministering; offering the Lord's bread on the table of showbread, burning fat derived from the sacrifices on the altar and sprinkling the blood sacrifice! Indeed, just thinking about it gives knot in my stomach!

Today, the very same abomination is committed in many places, strange and horrible as it may seem! There is now a huge number of wicked men and women, unregenerate, unconverted, who are in a state of alienation of divine and spiritual things - people who do not know Christ, strangers to the Holy Spirit, ministering at the altar of the house God, officiating as if they were priests and ministers of the Lord! Ministering the Word (the bread), the gifts and operations (fat) and even the Lord's Supper (the blood)! This constitutes a real desecration of God's house! There is no validity in what they do - they invalidate the alliance! The sacrifices of the wicked are an abomination to the Lord (Proverbs 21:27)! Obviously, a non-converted ministering in a place of a convert, although follows the rite, not worship the Lord, but an idol. In other words, introduce idolatry in God's house as worship God! It is worth mentioning that the idol, whatever that may be, of which generation is, of what essence is, it is an abomination to the Lord! (Dt 7:25,26)

The truth is that in many places believers are putting in pulpits of churches unconverted people, for minister to the Lord; many of these unconverted priests possessed by evil spirits! To illustrate this fact, look what happened in Nigeria, during a service at the Synagogue Church Of All Nations pastored by Pastor T. B. Joshua: a pastor who visited the church expressed a demonic possession during a service and, after free from oppression, confessed that he sought help in witchcraft to work miracles in his name, who was suffering from the loss of the faithful, as reported by the British newspaper "The Mirror" (http://www.mirror.co.uk/news/world-news/fallen-pastor-who-used-witch-8706923. Access: 02.09.16). As news this newspaper, "the pastor Victory Chiaka was so desperate to save his church in the state of Imo in Nigeria who was an expert on occultism to sacrifice a chicken and a goat in order to achieve a supernatural edge". The site "Gospel Mais" brings the outcome of the case:. "During a prayer to cast out demons, Pastor Victory Chiaka fell squirming [...] According to information Express UK, Chiaka also said that as his church experience growing and some people witnessed healings and miracles, he thought God had approved his choices. " (https://noticias.gospelmais.com.br/pastor-possesso-admite-ritual-feiticaria-operar-milagres-85319.html) According to another British newspaper, the "DailyMail", the pastor Victory Chiaka decided to visit the Synagogue Church of All Nations to receive their "liberation" after witnessing the negative effects.

Pay close attention, dear reader: There are many ministers, bondholders apostles, pastors, prophets, bishops, etc., throughout Brazil and the world which never were saved by Christ  and are being used by evil spirits! People who are not converted and they are doing an all grow "their ministries and churches," even consult sorcerers and practice witchcraft! People who say "used by God" operating "in the Spirit" miracle workers, when in fact the supernatural operation being performed does not originate in the work of the Holy Spirit, but in acting evil spirits!

In truth, this gospel paranoia "grow and be powerful and recognized", which took account of the Gospel people, is annihilating the little of true Christian spirituality that remains to church, either in Brazil or in the world. Because the growth and recognition are accepted the evil in the church; are accepted "gospel witchcraft" (anointed handkerchief, anointed water, anointed broom, coarse salt, anointed pen, unload session, undoing work, etc.), "gospel prosperity" (tie mammon, open door / window, gives trízimo / quadrízimo, etc.), "gospel anointings" (lion, chicken, owl, ocean, penile, etc.), "prophetic acts" (pastor going over the members of the Church, leaders released inflated balloons with helium gas containing prophetic words and a seed that will spread over the state in a powerful revival, etc.), etc; false miracles and healings, pastors locking demons bottles, etc. Today the church, which should be centered in biblical faith, are centered in market rules, using and abusing to marketing to conquer believers of other denominations, as this will result in economic and political power to the leader on his personal project of social mobility. Apostates of the faith!

There are a proliferation of heresies (see this, by Joyce Meyer, reported by Genizah website: "During the time that He remained in hell, the place where you and I should go, because of our sins ... He paid there the price ... No plane would be too extreme ... Jesus paid on the cross and in hell ... God raised up His throne and said to demon powers tormenting His flawless Son:. 'Let him go' then the power of the resurrection God Almighty entered hell and filled Jesus rose from the dead ... and the first man born again "-" the Most Important Decision You Will Ever Make:. a Complete and Thorough Understanding of What it Means to Be Born Again ", 1991, pages 35-36 Joyce Meyer's original) (source: http://www.genizahvirtual.com/2016/08/joyce-meyer-prestigio-luxo-fortuna-e.html. Access: 09.02.16). And every day there is a new one! Doctrines of demons, teaching deceiving spirits!

There is a phrase attributed to Luther that fits well here: "Any teaching that does not fit in Scripture must be rejected, even if it rains do miracles every day."

It is obvious that in this environment, with impious people ministering at the altar, the result can only be one: the loss of Christian essence by the church. Yes, because our Lord is being replaced as the foundation of the Church; He is, to this day, the stone which the builders rejected! The church today has not based the apostles (I speak of true apostles, not this bizarreness that is there). Today, the spiritual state of the church is "Jesus out, slamming the church door" (Revelation 3:20) - empty of God, producing empty believers of God, without essence, without conversion - then applies again Ezekiel: "invalidating my covenant." People who participate in worship and return to their lives without having a real spiritual transformation, without experience regeneration, the new birth of which the Lord spoke, a prerequisite for entrance into the Kingdom of God. People who even has a form of godliness, but denying the power thereof; lovers of their own selves, covetous, boasters, proud, blasphemers, disobedient to parents, unthankful, unholy, without natural affection, trucebreakers, false accusers, incontinent, fierce, despisers of those that are good, traitors, heady, highminded, lovers of pleasures more than lovers of God (II Timothy 3:1-5).

This is so serious, so serious, that the Holy Spirit inspired a whole book on the subject: the Epistle of Jude. And that's exactly how the Spirit inspired: "For there are certain men crept in unawares, who were before of old ordained to this condemnation, ungodly men, turning the grace of our God into lasciviousness, and denying the only Lord God, and our Lord Jesus Christ. These be they who separate themselves, sensual, having not the Spirit." (Jude 1:4,19) Note: DOES NOT HAVE THE SPIRIT! If anyone do not have the Spirit, then NOT THE SPIRIT THAT OPERATES BY MEANS OF THEM! This is not a question of "understanding of the Bible" or "a theological question": is much more serious: despite the performance, do not have the Holy Spirit! See, dear: How many people were "anointed" and "ministered" by Pastor Victory Chiaka? How many supernatural things this pastor did? And who was behind these acts? Who was behind the said growth and protection? The Holy Spirit? God? The Lord Jesus? NO, NO AND NO! Dear Brothers and Sisters, it's time to open your eyes! It's time to wake up, to be mature in spiritual things! You have to know what is truly spiritual, not be ignorant of this reality (I Corinthians 12:1), or Satan will continue to take advantage of you! That´s enough of abominations, Oh! Church of Christ! That´s enough of profanation! That´s enough tolerate wicked people in the government of the Church, in the altars and pulpits, ministering as if they were genuine Christians! THAT´S ENOUGH!

All this has provoked nausea in the Lord; so He calls you to repentance; yes; you have agreed to these things, you have them involved! He even says, "as many as I love, I rebuke and chasten: be zealous therefore, and repent." (Rev. 3:19) Repent of your transgression of the Divine Covenant (Hosea 6:7)! The Lord is your husband, the God of Israel is your Lord, become again to Him, for He will abundantly pardon! Go back to the Lord, though your sins be as scarlet, they shall be as white as snow; though they be red like crimson, they shall be as wool! (Isaiah 1:18)

Think about it. God is giving to you eagle vision! God bless you!

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Note 1: This is english version of: http://apenas-para-argumentar.blogspot.com.br/2016/09/quando-igreja-gera-nauseas-em-deus.html. I´m not has much proficiency in English writing, but the purpouse of this is build the Christ church around the world which don´t speak or understand Portuguese. In case of doubt, prevails Portuguese version.

Note 2: Please, fell free to comments. In case of copy, please request permission first by e-mail prricardoksf@yahoo.com.br, mention the link of this article/blog and the authorship.