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domingo, 10 de junho de 2018

ENTENDENDO O MINISTÉRIO PASTORAL A LUZ DA BÍBLIA

"Aquele que desceu é também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para encher todas as coisas. E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo, até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, à perfeita varonilidade, à medida da estatura da plenitude de Cristo, para que não mais sejamos como meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro. Mas, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo, de quem todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor." (Efésios 4:10-16)

O texto de Efésios fala sobre os homens-dons, dados por Cristo, em sua ascenção ao céu. Paulo lista 5 tipos de homens-dons, todos resultado da vitória de Cristo na cruz: apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres (ou doutores, noutras versões). É possível afirmar, portanto, que esses homens-dons são uma expressão limitada e específica do ministério plural de Cristo sobre a Terra.  Limitada, porque em Cristo "habitava corporalmente toda a plenitude da Divindade" (Cl 2.9) enquanto o mesmo não se repete em nossas vidas; nesse caso, temos um dom perfeito dado a um homem imperfeito o qual, por sua vez, vai aperfeiçoando a si mesmo no uso desse dom a medida que vai exercendo. Específica, porque enquanto Cristo possuía a plenitude, os homens tem apenas uma expressão singular dessa plenitude. Assim, quem equipara Cristo e os homens, colocando-os no mesmo patamar de igualdade, comete grave erro; o mesmo erro que o ex-querubim cometeu em tempos imemoriais.

Analisando um pouco mais esse texto de Efésios, vemos que todos os dons listados tem em princípio a mesma função: "com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo".  Aperfeiçoamento para desempenho do serviço, ato contínuo que Paulo denomina "edificação do corpo de Cristo". Aperfeiçoamento vem do grego "katartismos", significando um "ajuste correto, ajuste exato que descreve como (permite) que as partes individuais trabalhem juntas na ordem correta". O que se tem em mente aqui é que o serviço dos santos é sinergístico, "o efeito ativo e retroativo do trabalho ou esforço coordenado de vários subsistemas na realização de uma tarefa complexa ou função". Há, portanto, uma complementariedade inevitável no serviço cristão: o serviço que um indivíduo pode - e deve - prestar é importante para outro e para o serviço que esse outro presta e assim sucessivamente. Ninguém, portanto, trabalha sozinho ou para si mesmo. No entanto, para que esses serviços possam "se encaixarem" perfeitamente, Cristo deu dons aos homens.

Como Cristo deu dons aos homens, muitos tendem a medir o desempenho do exercício desses dons usando como padrão o ministério terreno de Cristo. Ou seja, buscam infalibilidade ministerial, estando sempre muito preparados para ferozmente criticarem todo erro que julgaram encontrar na pessoa-dom. É interessante que esses críticos plantonistas eles mesmos possuem dons (I Co 12 e 14) e abusam do direito de errarem - erros em diaconia, erros em profecia (profecias da carne), erros no ensino, erros no aconselhamento, etc. - e mesmo assim consideram-se em condições de criticar os erros dos outros. Isso me faz lembrar sobre a trave no olho: "Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio? Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu? Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão." (Mt 7.3-5) Obviamente, não estou me referindo aqui ao mau-caratismo de alguns que se intitulam e se promovem a si mesmos, sem sequer serem cristãos verdadeiros (como falsos profetas e falsos apóstolos, etc.). Estou me referindo às relações dentro do corpo de Cristo.

Outro tipo de erro muito comum, no que se refere especificamente ao ministério pastoral, é compará-lo com a atividade pastoril.  Comparar um pastor de gente com um pastor humano nos força, obrigatoriamente, a comparar uma pessoa com uma ovelha (animal) em todos os aspectos, tal e qual no primeiro caso. Daí, vamos acabar concluíndo que gente só serve para o abate (virar churrasco) e para produção (de lã e de leite); passou disso, não serviriam para mais nada.  Obviamente, isso é um absurdo!


O termo “pastor” é uma metáfora do Antigo Testamento, e, juntamente, com as demais expressões de liderança espiritual na Igreja, aplica-se ao cuidado amoroso, respeitoso e dedicado de um pastor em favor de sua comunidade local. Sobre essa atividade, as epístolas pastorais estão repletas de direção e recomendações acerca do serviço a ser desempenhado. Expressões como "admoestar" (exortar) sirgem com muita frequência; outras expressões como "suplicar" (em favor de todo os homens), "alimentar" (com as palavras da fé e da boa doutrina que tens seguido; I Tm 4.6), "rejeitar", "ordenar e ensinar", "tornar-se padrão", "repreender" (na presença de todos), "não impor precipitadamente as mãos", e muitas outras. Não há nenhuma expressão, no entanto, que ligue o exercício do ministério pastoral com a atividade pastoril, diretamente transposta. Não há algo como "defenda o crente do inimigo", como querem alguns a partir de um erro crasso de interepretação bíblica (com base numa má exegese de João 10). Com relação ao inimigo, o ministério pastoral (pastor de gente) atua, no máximo, no ensino bíblico e na correção dos desvios, no tratamento disciplinar e na oração.

Quem nos guarda do maligno é o Senhor Jesus, guardando tanto os crentes como os pastores (que também são crentes)! Ele é o bom pastor (Ele mesmo disse isso), que dá a vida pelas suas ovelhas, como de fato Ele o fez, na cruz do calvário! Quem toma essa passagem de João 10 e aplica ao ministério pastoral pós-ascenção de Cristo precisa mostrar atualmente como um pastor humano, de seres humanos, vai dar a sua vida por outros seres humanos (dar a vida aqui, em João 10, é literal; é morrer por e no lugar de outro, de forma que o outro não precise morrer e nem venha a morrer). Fico aqui, "pensando com meus botões", se os mega-líderes e seus liderados condicionados a não pensarem, que tanto criticam outros com base nesse falsa exegese, podem avocar para si mesmos esta função, de morte vicária e redentora!  (veja mais em: https://apenas-para-argumentar.blogspot.com/2018/02/a-podridao-do-sistema-religioso-que.html).

Pedro faz um acréscimo importante para o exercício do ministério pastoral: "Rogo, pois, aos presbíteros que há entre vós, eu, presbítero como eles, e testemunha dos sofrimentos de Cristo, e ainda co-participante da glória que há de ser revelada: pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho." (I Pe 5.1-3) Segundo o apóstolo, então, o pastorado de gente deve ser feito de forma espontânea, de boa vontade e como modelo dos irmãos.

A espontaneidade refere-se ao trabalho feito sem pressão, sem forçar a barra. O pastoreio é feito por prazer e devoção, não por pressão por lucros e dividendos, por crescimento e expansão do império pessoal de pastores-presidentes, bispos, apóstolos, etc. que pensam antes nas suas carteiras e ambições de poder do que pessoas. Quem pastoreia debaixo de pressão na verdade não pastoreia, pois tem seu foco mudado por conta das pressões religiosas monetarizadas; as pessoas, aqui, deixam de ser importates (e o pastorado refere-se a ter pessoas como foco do trabalho). Esses interesses escussos levam aos mega-ultra-plus-tabajara-líderes a colocarem gente doente na posição de liderança (de culto ou de atividades) pela "capacidade" que essa pessoa teoricamente possui em atrair gente (por exemplo, colocar sob imposição uma pessoa com síndrome do pânico na liderança de culto de libertação pela suposta capacidade de "fazer movimento" - coisa do neopentecostalismo antiblíblico - a despeito da negativa justificada do pastor local. Quem assim age, não pastoreia ninguém; só a si mesmo).

Como o leitor facilmente perceberá, isso nada tem a ver com a vontade de Deus! Isso está fortemente ligado com o outro requisito - "não por sórdida ganância". A motivação pastoral recomendada não é o lucro material! É a alegria de fazer a obra de Deus! Igreja que tem um pastor (mesmo que seja o mega-ultra-plus) ganancioso por dinheiro, biblicamente está sem pastor! Faço uma pergunta nesse ponto: observe a altíssima rotatividade da igreja "pastoreada" por quem vê cifrão em cada pessoa que chega; observe o sem número de divisões que essa igreja já sofreu, o número de líderes/liderados que perdeu e a quantidade de projetos que não deram certo. Você acha isso normal? Você acha que isso é culpa exclusiva do diabo? Você acredita na chapeuzinho vermelho, na branca de neve e nos três porquinhos? Isso acontece porque esses mega-ultra-plus, com foco na bufunfa e não nas pessoas, vão atropelando princípios bíblicos e consequentemente impedindo o progresso da igreja. Igreja bloqueada!  Quem está resistindo a essa igreja não é o diabo, é o próprio Deus! Sabe por quê? Veja: Quanta gente machucada, ferida e abandonada pelo caminho; gente boa, gente com qualidades e defeitos (GENTE), com dons e talentos, gente que confiou a vida ao mega-ultra-plus e foi descartada por não obedecer cegamente aos devaneios imperialistas do sujeito (que não diz "Amém, mein Führer!" para tudo o que o mega-ultra-plus fala)! Quanta gente foi - e é - criticada pelo mega-ultra-plus (e por alguns de seus seguidores apassivados, com cérebro na posição "off") como "bode", "falso isso, falso aquilo", "balaio de gato", etc. só porque não concordou se sujeitar ao espírito de dominação vigente! Há alguma justiça, biblicamente falando, nisso?

Sobre quem está resistindo a igreja, o pr. Francis Frangipane explica: "é o próprio Deus quem “resiste aos soberbos” (Tiago 4.6). Desta forma, se estivermos divididos nos nossos corações de outras igrejas, ou se estivermos de alguma forma nos autopromovendo na nossa atitude, estamos andando em orgulho. Conseqüentemente, o Espírito que se levanta para se opor aos nossos esforços não é demoníaco; é Deus. Deus não tolera orgulho, especialmente o orgulho religioso. E é essa característica religiosa do orgulho – através da qual nos ufanamos dos nossos feitos, ficamos inchados com o nosso conhecimento ou julgamos as outras pessoas – que faz com que o Deus vivo se posicione contra muitos dos nossos esforços para ganhar as nossas cidades para Cristo. O Senhor não desculpará nosso orgulho simplesmente porque cantamos três hinos aos domingos, e nos consideramos “salvos”. Deus resistiu ao orgulho de Lúcifer no céu, e se oporá ao nosso orgulho na terra. O mais triste de tudo é que o orgulho religioso foi tão misturado à nossa experiência cristã que nem mesmo conseguimos perceber que há algo de errado. Entretanto, sem dúvida é o pecado mais ofensivo manifesto na igreja. O Senhor não quer que os perdidos sejam enxertados em igrejas onde vão assimilar o veneno do orgulho na mesma mesa onde recebem a salvação." (recomendo fortemente que você veja essa mensagem em: https://www.revistaimpacto.com.br/quem-esta-resistindo-a-igreja/) Esses mega-líderes são prepotentes! São cheios de si! Gostam de apresentar seu currículo, suas realizações, para coagir e humilhar quem se atrever a debater suas idéias esdrúxulas! Humildade passa longe, muito longe da vida deles, apesar de enfatizarem "o quanto são são humildes" em suas prédicas. Agem como se tudo o que tivessem feito na vida não fosse uma simples concessão do Senhor. O mega-líder se esquece que JAMAIS qualquer cristão deve se vangloriar de coisa alguma, a não ser de suas fraquezas, porque até a mula de Balaão e o peixe de Jonas Ele já usou! Deus Todo-Poderoso usa quem Ele quer e, portanto, não há vantagem alguma em ser usado por Deus! Você dificilmente verá um mega-líder pedir perdão por qualquer coisa: eles se acham sempre certos!  

Note que, por fim e de forma muito coesa, vem a última característica: não dominador do rebanho, mas exemplo do mesmo. O conceito de pastor no Novo Testamento não é o de uma pessoa que conserva a totalidade do ministério em suas mãos, tendo ciúmes dele, esmagando toda a iniciativa dos membros da igreja. O ditador não vê nada disso. Ele é um mandão! É um orgulhoso! É um arrogante e prepotente! Um pastor não deve abusar do seu cargo, tornando-se ditador. Mas muitos não conseguem resistir a essa tentação, porque alimentam um grande orgulho carnal. São carnais e não espirituais, e só trazem descrédito à igreja e à comunidade cristã em geral. O pastor precisa ter uma vida tão significativa, que o rebanho o tenha como modelo, como exemplo, em toda a sua maneira de viver. Pergunto: o(a) irmão(ã) considera o mega-ultra-plus um exemplo a ser seguido? Você gostaria de ser e de viver como ele, biblicamente falando? Pois é...

Um pastor deve ser modelo em tudo. Em sua família (como pai, como filho e, como marido), em seu trabalho, em sua fé (zelo e conhecimento, amor fraternal e desinteressado, etc.), em seu modo de ser e de agir, em seus relacionamentos, etc. Na forma com que lida com o dinheiro e com o poder. E principalmente em sua fidelidade a Deus. Ser fiel a Deus e ao chamado de Deus para exercer o ministério pastoral "como Deus quer" pode, em casos extremos, envolver até a saída do pastor da Igreja. Isso acontece por várias razões, especialmente quando a igreja tem um mega-ultra-plus líder acima do pastor local fazendo oposição ao ministério pastoral bíblico (o qual não traz o crescimento e lucro esperados) impossibilitando a continuidade do exercício do ministério. Se insistir em ficar, trará danos para a congregação e para si mesmo, pois acabará se tornando "pastor PIV" (para inglês ver): não apita nada, não manda nada, tendo apenas aparência de líder. Ninguém vai respeitá-lo, ninguém irá honrá-lo, ninguém irá se submeter biblicamente falando a ele. Não poderá repreender ou corrigir ninguém segundo a Bíblia, não poderá exercer o ministério que Deus lhe confiou. (veja mais em: https://apenas-para-argumentar.blogspot.com/2018/02/a-podridao-do-sistema-religioso-que.html). 

Quem está num ambiente assim, faz muito bem em pular fora. Essa ambiente deteriorado, sem pastor verdadeiro, se constituirá em cemitério espiritual. Quem insistir teimosamente, sofrerá por certo o dano de sua decisão irrefletida: pessoas doentes da alma, com aparência de fé, mas cujas atitudes e vida cotidiana negam isso. Gente amargurada, orgulhosa e pior: sem um pastor para cuidar delas! Meros cifrões. Meros geradores de grana para outros gozarem desses recursos. Sistema babilônico, já condenado por Deus: "Ouvi outra voz do céu, dizendo: Retirai-vos dela, povo meu, para não serdes cúmplices em seus pecados e para não participardes dos seus flagelos" (Ap 18.4). Acorda! Sai dela, povo meu!

Pense nisso! Graça e paz!

segunda-feira, 4 de junho de 2018

CRENTES IMUNES ÀS DOENÇAS: DEVANEIOS E DISPARATES!


Há uma tese teológica, que tem conseguido muitos adeptos atualmente, de que temos tanto direito à cura quanto ao perdão dos pecados a partir do momento em que somos salvos. Isaías descreve a obra da cruz; tomado isoladamente parece indicar que a cura e o perdão dos pecados são realmente assim. Os mestres desta doutrina ensinam que você está doente apenas porque não tem fé, ou que não entende as Escrituras, ou que o Diabo de alguma forma se aproveitou de você. Praticamente todos os evangelistas de cura dos últimos cem anos ensinaram uma variação disso e estão em pleno vigor agora. Esses mesmos evangelistas estão sempre tentando explicar por que nem todos são curados. Sempre se resume a ser a culpa da ovelha. Certamente não há problemas com os líderes ou a doutrina. 

Essa postagem visa apresentar o problema e rebatê-lo.

I. INTRODUÇÃO. 

A primeira coisa que devemos fazer é definir o termo “doença”. Segundo o dicionário Houaiss, esse termo é definido como sendo “alteração biológica do estado de saúde de um ser (homem, animal etc.), manifestada por um conjunto de sintomas perceptíveis ou não; enfermidade, mal, moléstia”. Essa definição é superficial. Lavín, em sua obra “FIBROMIALGIA SEM MISTERIO: Um guia para pacientes, familiares e médicos”, reconhece que não há uma definição universalmente aceita, enquanto define doença como “qualquer alteração no funcionamento do organismo que provoque sofrimentos e diminua a longevidade”

Há uma imensa multiplicidade de doenças que podem acometer o homem. Nenhuma parte do corpo humano está imune de ficar doente. Órgãos, células, tecidos, sistemas, aparelhos... tudo, literalmente, pode ter sua função alterada, quer por agentes externos (como radiação solar, microorganismos, substâncias ingeridas ou não ingeridas, absorvidas pela pele ou não, fraturas, luxações, etc.), quer por agentes internos (alterações genéticas, problemas congênitos, etc.). Até mesmo a psique não está imune, sujeita a uma imensa variedade de doenças e transtornos de ordem psicológica e/ou psicossocial. A CID – Classificação Internacional de Doenças e de Problemas Relacionados à Saúde – encontra-se em sua décima revisão (CID-10), elaborada por vários grupos de especialistas e peritos individuais, além da Organização Mundial de Saúde (OMS).

Apenas para ilustrar a multiplicidade de doenças, segue a lista dos 22 capítulos que compõem a CID-10: I - Certas doenças infecciosas e parasitárias; II – Neoplasias; III - Doenças do sangue e órgãos hematopoiéticos e certas desordens que envolvem o mecanismo imunológico; IV - Doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas; V - Transtornos Mentais e Comportamentais; VI - Doenças do sistema nervoso; VII - Doenças do olho e anexos; VIII - Doenças do ouvido e processo mastóide; IX - Doenças do aparelho circulatório; X - Doenças do aparelho respiratório; XI - Doenças do aparelho digestivo; XII - Doenças da pele e tecido subcutâneo; XIII - Doenças do sistema músculo-esquelético e do tecido conjuntivo; XIV - Doenças do aparelho geniturinário; XV - Gravidez, parto e puerpério; XVI - Certas condições originadas no período perinatal; XVII - Malformações congênitas, deformações e anomalias cromossômicas; XVIII - Sintomas, sinais e achados clínicos e laboratoriais anormais, não classificados em outra parte; XIX - Lesão, envenenamento e outras conseqüências de causas externas; XX - Causas externas de morbidade e mortalidade; XXI - Fatores que influenciam o estado de saúde e o contato com os serviços de saúde e XXII – Códigos para propósitos especiais. Cada capítulo possui uma grande variedade de códigos para cada doença. Apenas para reforçar o conceito, a CID-10 traz um total de 1.575 doenças.

Pessoas de todos os países do mundo são acometidas pelas mais variadas doenças, independentemente de gênero, classe social, religião ou etnia. O website da OMS (http://www.who.int/gho/map_gallery/en/) possui dados sobre vários casos. Lembre-se: doenças diminuem a longevidade. 


II. DOENÇAS SOB PERSPECTIVA BÍBLICA.

As doenças nem sempre existiram. A partir do momento em que o pecado entrou no mundo, como resultado da desobediência a Deus, o homem ficou suscetível a todos os tipos de doenças e, consequentemente, à morte: “Porque és pó, e em pó irás te tornar.” (Gênesis 3:19)

Há diversos exemplos na Bíblia de homens de fé que ficaram doentes e até morreram dessas enfermidades. Um deles foi o profeta Eliseu, que padeceu de uma enfermidade que o levou a morte: “Estando Eliseu padecendo da enfermidade de que havia de morrer” (2Re 13.14). Outro foi Timóteo. Paulo recomendou-lhe um remédio caseiro por causa de problemas estomacais e enfermidades freqüentes: “Não continues a beber somente água; usa um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas freqüentes enfermidades” (1Tm 5.23).

“Ao final do seu ministério, Paulo registra a doença de um amigo que ele mesmo não conseguiu curar: “Erasto ficou em Corinto. Quanto a Trófimo, deixei-o doente em Mileto” (2Tm 4.20). O próprio Paulo padecia do que chamou de “espinho na carne”. Apesar de suas orações e súplicas, Deus não o atendeu, e o apóstolo continuou a padecer desse mal (2Co 12.7-9). Alguns acham que se tratava da mesma enfermidade da qual Paulo padeceu quanto esteve entre os Gálatas: “a minha enfermidade na carne vos foi uma tentação, contudo, não me revelastes desprezo nem desgosto” (Gl 4.14). Outros acham que era uma doença nos olhos, pois logo em seguida Paulo diz: “dou testemunho de que, se possível fora, teríeis arrancado os próprios olhos para mos dar” (Gl 4.15). Também podemos mencionar Epafrodito, que ficou gravemente doente quando visitou o apóstolo Paulo: “[Epafrodito] estava angustiado porque ouvistes que adoeceu. Com efeito, adoeceu mortalmente; Deus, porém, se compadeceu dele e não somente dele, mas também de mim, para que eu não tivesse tristeza sobre tristeza” (Fp 2.26-27).” (Augusto Nicodemos, in: http://pulpitocristao.com/2016/03/crente-nao-fica-doente.html). 


III. A TESE DO EVANGELHO DA SAÚDE TOTAL E SUA ANTÍTESE. 

O advento da teologia da saúde divina, que diz que os crentes não podem ficar doentes porque isso representaria a ação do inimigo em suas vidas, forneceu a base doutrinária tão esperada para muitas Igrejas justificarem seu radicalismo quanto às doenças. Para muitos, os crentes adoecem e não são curados porque lhes falta fé em Deus, ou porque estão em pecado, ou porque estão possuídos por espíritos de doença. Por exemplo, o livro "Ele Veio para Libertar os Cativos" menciona episódios onde a Dra. Rebecca Brown trata doentes físicos a partir de diagnósticos espirituais. Aparentemente, a prática não-ortodoxa da medicina rendeu-lhe a cassação do direito de exercer a profissão (http://teophilo.info/analises/rebeccabrown.php#n62). Aqui, recomendo a leitura do excelente livro de Paulo Romeiro, “Super Crentes: O Evangelho Segundo Kenneth Hagin, Valnice Milhomens e os Profetas da Prosperidade”.
 
Isso é triunfalismo. O triunfalismo, segundo o dicionário Houaiss, é a "atitude excessivamente triunfante; sentimento exagerado de triunfo". Esse ensino gera o comportamento do "super-crente", da teologia da performance, onde o fiel é ""cabeça e não cauda", “amarra e desamarra o Diabo”, “pisa na cabeça da serpente”; "determina a cura, a aquisição da casa própria"; “profetiza restituição, bênçãos e vitórias" e "toma posse de todas as bênçãos" e ninguém o detém! É o evangelho que tem sua ênfase na luta contra o diabo, "o evangelho do "sim" que desqualifica o "não" da existência humana" ("What Has Wittenberg to Do with Azusa?: Luther's Theology of the Cross and Pentecostal Triumphalism", David J. Courey).  A base do “triunfalismo” é dizer que, a partir do momento em que o homem aceita a Jesus como seu único e suficiente Senhor e Salvador, não é mais possível que o homem passe a ter problemas na vida sobre a face da Terra, pois a sua comunhão com Deus, a sua salvação lhe traz uma posição de “triunfo”, de vitória sobre o diabo. Portanto, é impossível que o salvo venha a sofrer enfermidades ou quaisquer outras necessidades, em especial, as relativas à vida econômico-financeira (https://pentecostalismo.wordpress.com/2008/02/19/o-triunfalismo/ in: https://apenas-para-argumentar.blogspot.com/2015/06/cuidado-com-o-triunfalismo-cristao.html).

O problema é que o triunfalismo propõe soluções simplistas a problemas multifacetados, além de enfatizar a meritocracia ao invés da Graça. Nem tudo que acontece na vida do crente em Cristo possui uma única explicação ou forma de interpretação. Nem todas as suas adversidades são "por falta de fé" ou por causa do pecado. Há adversidades que acontecem para o amadurecimento da fé, para o aperfeiçoamento dos santos conforme a imagem do Senhor (I Pedro 2 e ss). Há adversidades que acontecem para a Glória de Deus. Há adversidades que acontecem sem nenhuma explicação aparente; explicação que só teremos SE for da Vontade de Deus e QUANDO for de Sua Vontade revelar-nos tal coisa. O piedoso Jó, a fiel Sunamita (II Reis 4:8-37; 8:1-6), Lázaro (João 11:4), o homem cego de nascença (João 9:1-3), os heróis da fé (Hebreus 11:35-38), etc. nos mostram que as adversidades podem ter vários propósitos e, portanto, explicações. Do mesmo modo, nos revelam que mesmo os filhos de Deus genuínos, fiéis, podem experimentar tais coisas em suas vidas, sem que isso seja por algum demérito espiritual ou moral. Algumas são até mesmo provas de Deus nas nossas vidas. Se Deus fez com que Israel caminhasse por 40 anos no deserto do Sinai, aumentando e muito o caminho para a Canaã, para provar Seu povo (Dt 8.2,3), porque nós suporíamos ser tratados de modo diferente, isto é, uma vida somente de benesses sem reveses?!

Uma frase atribuída ao pastor Augusto Nicodemos é muito apropriada: “apesar do ensino popular de que a fé nos cura de todas as enfermidades, uma breve consulta feita à capelania hospitalar de grandes hospitais do nosso país revela que há um número elevado de evangélicos hospitalizados — tradicionais, pentecostais e neopentecostais — sofrendo dos mais diversos tipos de males. A proporção de evangélicos nos hospitais acompanha a proporção de evangélicos no país. As doenças não fazem distinção religiosa.” (http://pulpitocristao.com/2016/03/crente-nao-fica-doente.html)

O ensino de que os cristãos devem ser pessoas imunes a todo e qualquer tipo de doença é parte integrante da teologia do reino agora. Esse "Reino Agora" ou "Teologia do Domínio" ensina que a salvação de Cristo também inclui a cura total e completa de todas as enfermidades, e o retorno do governo do homem a reinar na terra agora como foi nos dias de Adão e Eva antes da queda. Muitos realmente acreditam que a morte e ressurreição de Cristo realmente restauraram a terra ao seu estado de pré-queda e os cristãos agora simplesmente precisam governar e reinar para ver esse efeito. Eles chegam até a explicar que, se você está vivendo com diabetes, câncer, esclerose múltipla, etc., que você pode ser totalmente curado hoje, tudo que você precisa é fé. Quando você não recebe sua cura, eles simplesmente lhe dizem que você não tem fé suficiente. Isso é um ensinamento cruel e abominável. Devemos lembrar que a razão pela qual temos doenças e enfermidades hoje é um resultado direto da queda do homem – até mesmo uma simples fratura está aqui contemplado!

A cura divina é possível? Sim, lógico; mas a cura divina só acontecerá se o divino, isto é, Deus, assim o quiser. Pode ser que Ele não queira operar a cura divina, pode ser que Ele queira que a cura aconteça por meio das mãos dos médicos; pode até ser que Ele não queira curar por nenhum meio. Porém nada disso deve ser interpretado além do que é: se Ele curou fulano, foi por Sua soberana Vontade e Supremo poder e Misericórdia, não pelo mérito humano; se não curou, não foi necessariamente por demérito humano, nem porque não podia ser feito ou porque não amasse a pessoa para fazer tal coisa. O salmista afirma que a morte física do crente fiel é vista pelo Senhor com prazer (Sl 116.15), ou segundo Lutero "a morte dos seus santos é considerada de valor perante o Senhor". Deus considera a morte de seus santos como algo importante, conectada com Seus grandes e eternos planos; conectada com a Glória de Deus e com o cumprimento de Seus propósitos. O pensamento particular na mente do salmista parece ter sido de que como ele tinha sido preservado quando esteve aparentemente tão perto da morte, então isso era porque Deus viu que a morte de um de seus amigos era uma questão de tanta importância que deveria ocorrer somente quando o bem maior pudesse ocorrer por meio dela; Deus não iria decidir sobre isto apressadamente, ou sem as melhores razões; e que, portanto, Deus iria prolongar a sua vida ainda mais. Há além disso uma verdade geral implícita aqui, a saber, que o ato de remoção de um fiel do mundo é, por assim dizer, um ato de profunda deliberação por parte de Deus (Barnes' Notes on the Bible). EM TUDO O SENHOR NOS AMA E SEU AMOR JAMAIS POR NÓS JAMAIS SE ACABA!

IV. CONSIDERAÇÕES FINAIS

As doenças têm sua origem no pecado original, isso é um fato. Mas nem todas as doenças que acometem o homem são devido à prática do pecado; algumas são, outras não. Algumas doenças se devem a agentes microbiológicos patogênicos (bactérias, protozoários, fungos e vírus, por exemplo), que passaram a existir no mundo após a queda do homem (por exemplo, uma das hipóteses para a origem dos vírus é que eles seriam a evolução de "restos" de células: a degradação de pedaços de ácidos nucléicos celulares que posteriormente adquiriram os elementos constituintes de um vírus, capsid e envelope. Do ponto de vista bíblico, é possível teorizar que uma das consequências da queda foi a degradação destes pedaços de ácidos nucléicos de algumas células existentes, gerando os vírus).
(veja mais em: http://www.qmc.ufsc.br/qmcweb/artigos/virus_container/virus.html)

Outras doenças são causadas por desgaste natural do corpo humano (envelhecimento). Outras, por abusos e excessos praticados (alcoolismo, tabagismo, glutonaria, ingestão de sal, atividade física excessiva, ingestão de "bombas", etc). Outras, devido a uma série de problemas que ocorrem durante a formação do corpo humano no ventre materno (doenças congênitas) ou ligadas a hereditariedade (doenças hereditárias). Isso sem mencionar as doenças psíquicas... todas elas são oriundas, em última análise, do pecado original, mas podem ou não ter como causa na prática do pecado. Do mesmo modo, podem ter ou não como causa problemas espirituais.

Cristãos verdadeiros, pessoas de fé, eventualmente adoeceram e morreram de enfermidades, conforme a Bíblia e a história claramente demonstram. O canadense John Graham Lake (1870-1935), usado por Deus para realizar curas tremendas, morreu de derrame com 65 anos de idade. Isso significa que as doenças nem sempre representam falta de fé e que Deus se reserva o direito soberano de curar quem ele quiser.

A queda trouxe consequências terríveis para o homem e para a criação. Com a queda, a criação foi sujeita ao pecado, que manifesta-se das mais variegadas formas na própria criação: tsunamis, meteoros que caem na Terra, destruição da camada de ozônio, mudanças climáticas, destruição das lavouras por pragas, desertos, secas, terremotos, etc. Para o homem, diversas consequências passaram a existir também, como vírus mortais, bactérias, protozoários; doenças terríveis, como artrose, problemas cardiológicos, hepáticos, renais, etc. Não há nenhuma parte do homem, nenhum órgão, nenhuma célula, por mais simples que seja, que esteja imune a doenças e deterioração e isso tudo é resultado da queda. 

Tanto na criação quanto no homem, a consequência da queda (gerada pelo pecado, como vimos) pode ser resumida numa única palavra: MORTE. Deus havia prevenido ao homem que no dia em que ele pecasse, a morte passaria a existir na criação (Gn 2.17). O homem pecou, e a Palavra de Deus se cumpriu: a morte entrou na criação. Afirmar que Deus removeu definitivamente as doenças dos crentes em Cristo na cruz e que isto deve se manifestar na vida terrena é deste modo um erro de exegese, posto que não apenas as doenças têm origem no pecado original, mas também a morte. Com essa tese, o sacrifício vicário de Cristo passa a ter eficácia parcial – resolve as doenças, mas não a morte física, o que é um absurdo. 

É preciso entender a suficiência do sacrifício de Jesus na cruz (sim, o sacrifício do Senhor é suficiente - o que passar disso, é de procedência maligna!) sob o aspecto imediato e mediato. Isaías 53 diz que "por suas pisaduras fomos sarados" (Is 53.5), porém vemos Deus colocando na Igreja Neo-Testamentária "dons de curar" (I Co 12.28). Qual era a base espiritual dos "dons de curar"? O sacrifício de Cristo. Os dons de curar eram possíveis porque o Senhor Jesus Cristo havia sido sacrificado na cruz e eram (e ainda são) necessários porque mesmo o corpo dos genuínos crentes em Cristo era (e ainda é) passível de adoecer. Note que a ministração de cura é sempre feita "em Nome de Jesus", como Ele mesmo assim ordenou (Mc 16.18); a cura é o resultado da cruz. Note também que apesar do sacrifício de Cristo garantir a cura, havia na Igreja crentes doentes, que precisavam de cura. Assim, o suficiente sacrifício de Nosso Senhor garante inapelavelmente a realidade da cura (bem como um futuro corpo sem doenças), mas a realização dessa verdade na vida dos irmãos em Cristo não é necessariamente instantânea, automática.

Finalizando, é necessário afirmar que a cura divina é uma possibilidade real. Nada, em absoluto, deve ser dito em contrário. Porém, não há base para se afirmar algo como “cura total em vida”, “vida sem nenhuma enfermidade”, ou coisa do tipo. A própria morte física, comum a todos os homens, aponta para a continuidade da existência e atuação das doenças, tal como definida na introdução, na vida de crentes e não crentes. Quando o crente ressurgir, na ressurreição física do seu corpo, sua mortalidade passará à imortalidade e as doenças não mais afetarão seu corpo. E, por fim, na criação dos novos céus e nova terra, as doenças serão por fim aniquiladas. Isso é o resultado da vitória de Cristo na cruz e o pleno cumprimento, no mundo físico, da promessa de Isaías 53 e outros textos. 

Nossos espíritos foram regenerados (nascidos de novo) no momento da salvação, mas aguardamos a regeneração de nossos corpos, diz o Novo Testamento. De novo e de novo o Novo Testamento diz: "Crê no teu coração, confessa com a tua boca e serás salvo". Mas nem uma vez oferece tal promessa de cura. Deus cura pela Sua graça agora, a promessa de cura total é ainda futura para quando recebermos nossos corpos glorificados. Ninguém deve sentir-se excluído da Graça, ou desprovido de fé, por suas doenças e enfermidades (ou a dos entes queridos). Antes, deve buscar a Deus para ser curado (o que pode envolver o uso do sistema de saúde - médicos e tratamentos). Caso não o seja, não se preocupe: sua ressurreição corpórea acontecerá e você jamais sofrerá novamente, mas estará para sempre junto do Senhor num corpo glorificado, totalmente restaurado e imune às doenças! Doenças diminuem a longevidade, abreviando o tempo para que estejamos para sempre com o Senhor!

Graça e Paz!

domingo, 27 de maio de 2018

SOBRE CAVALOS E SEUS CAVALEIROS

"E, havendo o Cordeiro aberto um dos selos, olhei, e ouvi um dos quatro animais, que dizia como em voz de trovão: Vem, e vê.
E olhei, e eis um cavalo branco; e o que estava assentado sobre ele tinha um arco; e foi-lhe dada uma coroa, e saiu vitorioso, e para vencer.
E, havendo aberto o segundo selo, ouvi o segundo animal, dizendo: Vem, e vê.
E saiu outro cavalo, vermelho; e ao que estava assentado sobre ele foi dado que tirasse a paz da terra, e que se matassem uns aos outros; e foi-lhe dada uma grande espada.
E, havendo aberto o terceiro selo, ouvi dizer o terceiro animal: Vem, e vê. E olhei, e eis um cavalo preto e o que sobre ele estava assentado tinha uma balança em sua mão.
E ouvi uma voz no meio dos quatro animais, que dizia: Uma medida de trigo por um dinheiro, e três medidas de cevada por um dinheiro; e não danifiques o azeite e o vinho.
E, havendo aberto o quarto selo, ouvi a voz do quarto animal, que dizia: Vem, e vê.
E olhei, e eis um cavalo amarelo, e o que estava assentado sobre ele tinha por nome Morte; e o inferno o seguia; e foi-lhes dado poder para matar a quarta parte da terra, com espada, e com fome, e com peste, e com as feras da terra."
(Apocalipse 6:1-8)

Cavalos e seus cavaleiros: cada um deles tem um papel a cumprir no plano de Deus. Cada um deles é, assim, "liberado", numa ordem e sequência pré-determinada pelo próprio Deus, a partir da abertura de um selo, por Jesus o Cordeiro de Deus. Primeiro surge um cavalo branco com seu cavaleiro; em seguida, vê-se surgir um cavalo vermelho com seu cavaleiro. Depois deste, surge então um cavalo preto com seu cavaleiro e por fim um cavalo amarelo, com seu cavaleiro. Branco, Vermelho, Preto e Amarelo. Cada um deles anunciado por um dos 4 seres viventes.

Há pontos em comum nas características gerais aqui descritas. O texto fala de cavalos, fala de cores, fala de instrumentos portados por cada um desses cavaleiros e fala das ações específicas executadas por esses cavaleiros. Pode ainda ser observado que, quando o símbolo geral é o mesmo - como na abertura dos primeiros quatro selos - pode-se supor que refere-se ao mesmo objeto ou classe de objetos. 

Primeiramente, o que vemos sendo descritos são cavalos. Os usos do cavalo eram muito comuns na época que o livro de Apocalipse foi concebido, portanto para seus leitores primitivos a aparição do mesmo é algo significativo e de fácil compreensão. Nas aparições, os cavalos servem de montaria para seus cavaleiros, ou seja, aparecem sendo utilizados como meio de transporte. Vale dizer que o cavalo foi utilizado como instrumento militar durante séculos a fio. Por exemplo, Alexandre Magno levou 5.000 na campanha da Pérsia, em 334 a.C.. O Império Romano prestigiou o cavalo como decisivo nas campanhas conquistadoras, na fase das guerras da Ásia Menor. Os africanos punham na cavalaria a esperança de triunfo.

O cavalo que aparece em Apocalipse é da cor branca. Os conquistadores militares, na antiguidade, montavam cavalos brancos como um símbolo de sua conquista. O branco do cavalo poderia indicar desse modo a paz. O cavaleiro que monta esse cavalo é descrito como tendo um arco nas mãos e, tendo sido-lhe dada uma coroa, ele então sai vitorioso e para vencer. Há quem associe esse cavaleiro com a propagação do evangelho, ou até com o próprio Senhor Jesus. Nenhuma dessas associações, contudo, se encaixam com o texto em questão:  esse  cavaleiro não pode ser Cristo, pois a vitória obtida, se é sob o mal, não passa de vitória de Pirro, pois em seguida surgem outros 3 cavaleiros que nada lembram uma vitória do bem sob o mal, definitiva, do Senhor (como dá-se em Apocalipse 19). Assim, esse cavaleiro não pode representar algo bom. Nem toda a vitória é algo bom, como nem todos os vitoriosos em batalha foram (ou são) bons e justos.

Uma pista aqui é o registro bíblico de Daniel 7:21,25 - "Eu olhava, e eis que este chifre fazia guerra contra os santos, e prevaleceu contra eles. E proferirá palavras contra o Altíssimo, e destruirá os santos do Altíssimo, e cuidará em mudar os tempos e a lei; e eles serão entregues na sua mão, por um tempo, e tempos, e a metade de um tempo." Ou seja, na visão de Daniel, o chifre era vitorioso sob os santos (se sob os santos, sob toda a humanidade; isso é muito óbvio). Assim, a partir dessa análise, creio que esse cavaleiro branco representa esse chifre abusado - o Anticristo e as forças do mal -, um guerreiro que vence todos os homens. Note: a cor branca é do cavalo, mas nada é dito sob a cor da vestimenta do cavaleiro. O arco e a coroa são símbolos muito importantes, pois indicam que o guerreiro em questão poderia ser um tipo de príncipe ou soberano. Nesse sentido, Joel Richardson, em sua obra "The Islamic Antichrist: The Shocking Truth about the Real Nature of the Beast", indica que esse cavaleiro como o Mahdi, o "messias islâmico". Cita, corroborando sua tese, a interpretação de Ap 6.2 pelo estudioso muçulmano Ka'b al-Ahbar, visto entre os muçulmanos como um transmissor confiável de Hadith e da isra’iliyyat (tradições judaico-cristãs): "Eu acho o Mahdi registrado nos livros dos Profetas ... Por exemplo, o Livro do Apocalipse diz: “E eu vi e contemplei um cavalo branco. Aquele que sentou nele… saiu conquistando e conquistando ”." (veja mais em: http://www.answering-islam.org/Authors/JR/Future/ch04_the_mahdi.htm) Assim, o cavaleiro que cavalga o cavalo branco seria o Mahdi, o Anticristo, cuja origem seria, portanto, muçulmana. Ligando o fato do cavaleiro ser um conquistador com a cor do cavalo, poderíamos afirmar que a vitória conquistada pelo cavaleiro traria um período de ausência de conflito sob a Terra (ausência de conflito, não de tensões; não uma paz duradoura, mas sim efêmera). Uma boa interpretação sobre esse cavalo branco, com seu cavaleiro, é correlacioná-lo com a falsa religião.

O segundo cavalo é vermelho. Vermelho é a cor do sangue e do fogo. No livro do Apocalipse fala de derramamento de sangue na guerra, o que é muito bem especificado na descrição do cavaleiro: "e ao que estava assentado sobre ele foi dado que tirasse a paz da terra, e que se matassem uns aos outros; e foi-lhe dada uma grande espada". Um cavaleiro responsável por "tirar a paz da terra", por fazer com que os homens "matem-se uns aos outros". Historicamente, períodos de falsa paz (paz efêmera) são sempre sucedidos por um período de guerra. Considere o período de "paz" que o Anticristo trará sobre a Terra, com soluções brilhantes para problemas importantes, que terá como máximo a aliança com Israel por 3,5 anos. Será uma época de "paz e prosperidade", que farão com que milhões, quiçá bilhões de pessoas, adorem esse grande líder! Porém, findo os 3,5 anos, essa aliança será rompida e a guerra irromperá na Terra!

Até aqui, um bom manual de escatologia retrata isso. No entanto, o que mais me impressiona é que se olharmos para as nações da Terra encontraremos esses poderes em vigor, operando. Não creio que de forma plena, definitiva, mas que estão em operação isso parece óbvio para mim. Até a ação do Anticristo é, para mim, bem clara: afinal, o apóstolo João disse, no séc. I-II d.C.: “Filhinhos, já é a última hora; e, como ouvistes que vem o anticristo, também, agora, muitos anticristos têm surgido; pelo que conhecemos que é a última hora.” (I João 2:18). Veja o falso sentimento de paz, paz utópica e efêmera, que muitos ditos pastores estão pregando atualmente. Eles estão dizendo que se você crer, tudo se resolverá na sua vida como num passe de mágica, baseados numa mistura de versículos mal-interpretados com auto-ajuda e confissão positiva da psicologia. "Prosperidade", eles bradam de seus púlpitos, "creiam e ofertem e vocês vão experimentar abundância sem medida!" Veja a dominação mental e psicológica que exercem sob as pessoas! Fazem com que as pessoas pareçam robôs, autômatos, incapazes de pensar livremente! Incapazes de raciocinar, de refletir, de romperem com o sistema maligno! Esses líderes, no espírito de dominação que exercem, fazem com que seus seguidores creiam que eles são "os melhores e mais ungidos e sinceros líderes da Terra", que "ninguém é tão bom quanto eles ou quanto a igreja deles", que "fora da igreja deles não há verdade, não há conhecimento, não há luz e não há vida" (ou pelo menos não há como há na deles)!

Quem se levanta contra esse sistema é fritado e descartado, é lançado no ostracismo e esquecimento. Já sofri isso na pele: me insurgi contra esse espírito maligno de dominação! Não aceito ser manipulado e nem dominado por homem nenhum; isso é coisa de nicolaíta! Descobri traição, armada contra mim, pelos principais do povo, por aqueles que "metiam comigo a mão no meu prato". Descobri falsidade. Descobri mentira. Resultado: mais frito que filé de sardinha! Carta fora do baralho! Sei que isso - sofrer pela verdade - será a minha sina enquanto viver. Muito bem! Vida que segue. No entanto, é preciso dizer: esse espírito, que assim age, não é o Espírito de Deus! Nunca! Jamais! É o espírito do anticristo, que quer usurpar o trono da Congregação de Deus do próprio Senhor Jesus! Que não aceita a Verdade e nem age na Verdade - apesar de conhecer a letra da verdade, não conhece e nem toca o Espírito da Verdade! Espírito de dominação JAMAIS será o Espírito de Deus; basta ver que Cristo é contra a obra e a doutrina dos nicolaítas! Falsa religião prática, um pulo para falsa religião doutrinária!

Veja como isso se alia muito bem com o cavaleiro do cavalo vermelho: enquanto a Igreja de Cristo (salvo raríssimas exceções) vive uma fé cheia de efemeridades circulares, dando voltas em torno de si mesma, propagando uma vitória e uma paz irreais, o mundo vive um caos. Assassinatos, sequestros, estupros, pedofilia, roubos, corrupção generalizada e banalizada, crescente eliminação de limites morais e éticos, desvalorização da vida, amor ao dinheiro, cobiça, falcatruas, mentiras. Está tudo aí, no mundo! Ameaça de guerra entre países a todo momento! Guerra urbana estourando na porta das pessoas! E a Igreja, diante disso tudo? Faz marcha (para Jesus?), faz culto (ou ajuntamento solene?), faz campanha da prosperidade ($$$), está nas rádios e nos canais de TV (para se vangloriar? para fazer marketing próprio?), grava CD (musiquinhas...e?), amarra o inimigo e faz batalha espiritual (será?), faz escola dominical (para anjos assistirem), gera pessoas com a mente de Gizus (porque de Cristo nem passou perto!)... fica planejando estratégias para atrair e ganhar mais crentes (isso mesmo, crentes ganhando crentes - de preferência da igreja vizinha, vista como concorrente -, a máxima do proselitismo moderno!). NENHUMA DESSAS COISAS, feitas pela Igreja, INFLUENCIA A REALIDADE! Há, ou não, a influência notória desses dois cavaleiros, o branco e o vermelho? Resta ainda alguma dúvida disso?  

Mas, espere: tem mais! O próximo cavalo tem a cor preta e seu cavaleiro tem uma balança na mão! Isso denota uma época de calamidade. A cor preta, nas Escrituras, é a imagem do medo, da fome, da morte.  Da cor do cavalo aqui introduzido devemos naturalmente procurar alguma calamidade extrema, embora a natureza da calamidade não seja designada pelo mero uso da cor. O que a calamidade deve ser é determinada pelo que segue no símbolo. Opressão, taxação pesada, juros altíssimos, carestia, escassez de alimentos (cf. Barnes' Notes on the Bible).

Observe o que é dito com relação a esse cavaleiro: "Uma medida de trigo por um dinheiro, e três medidas de cevada por um dinheiro; e não danifiques o azeite e o vinho".  Essa proclamação de "uma medida de trigo por um dinheiro" era ouvida como endereçada ao cavaleiro, como regra de ação para ele, ou como endereçada pelo cavaleiro à medida que ele avançava. Se o primeiro é o significado, seria apropriado para aquele que estava saindo para coletar tributo - com referência à maneira exata em que este tributo seria coletado, implicando algum tipo de severidade; ou a alguém que distribuísse trigo e cevada dos celeiros públicos a um preço adiantado, indicando escassez. Assim, isso significaria que um imposto severo e pesado - representado pelas escalas e pela escassez - ou um imposto tão severo a ponto de tornar o grão caro, foi mencionado. Se este último é o significado, então a idéia é que haveria uma escassez, e esse grão seria distribuído pelo governo a um preço alto e opressivo. Os preços, aqui retratados, são extremamente caros!

 O cavalo preto traz carestia e fome, causando grande dificuldade para encontrar e conseguir comprar alimentos. Escassez de produtos básicos! Hoje, vivemos num mundo extremamente caro! O custo daquilo que é necessário à vida é exorbitante; os homens vendem caro de um tudo - até água! Um galão de água chega a custar R$ 10; quem vende não teve trabalho nenhum a não ser encher o galão vazio e colocá-lo a venda. Verduras, legumes, frutas... carne, pão, leite... feijão, arroz, macarrão... remédios... roupas... sabonete... gás de cozinha... você vai fazer compra de mês e facilmente gasta R$ 600-800 no mercado! No meu país, quem ganha um salário (chamado salário-mínimo), ganha R$ 954. Como sobreviver? E quem ganha isso ainda considere-se feliz, porque as taxas de desemprego são altíssimas, mesmo para os mais academicamente qualificados! Vivemos num mundo cheio de desigualdades, cheio de miseráveis! A África até hoje é paupérrima, apesar de uma série de figurões internacionais, que querem aparecer bonitinho na mídia, ficarem de conversinha de ajuda ao continente! O nordeste brasileiro, igualmente. Para mim, fica muito claro que estamos vivendo sob a influência desse cavaleiro.

Por fim, o último cavalo tem a cor pálida (do grego "chlōros", em algumas versões bíblicas, "amarelo" ou em sua mais correta tradução, "esverdeado", "verde"). Essa cor denota alguém cuja força vital se esvai (por exemplo, em caso de uma doença muito séria), ou mesmo alguém que veio a óbito. Isso se harmoniza com o cavaleiro que cavalga o cavalo pálido: a Morte. É fácil compreender a ação desse cavaleiro: ceifar as vidas dos homens! Não é à toa que esse cavaleiro é o último a aparecer, depois dos cavaleiros vermelho e preto. Guerra e fome trazem consigo a Morte! Os homens guerreiam uns com os outros, a escassez e carestia surgem e então vem a fome, as doenças e o óbito. Teorizo que esses cavaleiros atuam em conjunto: não se trata necessariamente de uma sequência temporal de eventos, como se primeiro viesse um e depois o outro (ainda que essa é a ordem que aparece no livro de Apocalipse). Eventos sequenciais temporais, reconheço, seu lugar; porém, não é a única forma de atuação desses quatro cavaleiros.

Morte, por doenças, é algo muito comum. A humanidade já viveu, na história, o seu pior momento com a peste negra, uma das mais devastadoras pandemias na história humana, resultando na morte de 75 a 200 milhões de pessoas na Europa (séc. XIV). Porém, muitas dessas doenças históricas estão ressurgindo nesses últimos momentos que antecedem a 2a. Vinda de Jesus à Terra; aliado a isso, muitas outras doenças, até então desconhecidas do homem, estão aparecendo. Peste Negra (dois condados do estado do Arizona (EUA) detectaram a bactéria da peste negra nos organismos de várias pulgas comuns, segundo o jornal El País - https://brasil.elpais.com/brasil/2017/08/15/internacional/1502791248_473930.html). Havia dois tipos desta praga. O primeiro foi interno, causando inchaço e sangramento interno. Isso foi espalhado pelo contato. O segundo concentrou-se nos pulmões e espalhou-se tossindo germes no ar. Não houve prevenção ou cura conhecida.
No Brasil, após ter sido erradicada pelo sanitarista Oswaldo Cruz, vemos o retorno da dengue, junto com a febre amarela e a chigungunya. Hoje temos que lidar com a sífilis, com a varíola, com um vírus altamente mutante da gripe humana, com a gripe suína, diabetes, AIDS, hipertensão arterial, estresse, etc. Muitas doenças aparecerão no cenário mundial, ainda desconhecidas por nós. A doença mais recente, a SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave),  matou centenas no ano passado e gerou pânico em milhares mais. Antes disso, era a AIDS, que já matou dezenas de milhões e até hoje ainda está dizimando as populações de alguns países. Amanhã será outra praga ainda maior, deixando a morte e a destruição em seu rastro.

Na profecia paralela de Jesus em Mateus 24, Ele explicou que na esteira do engano religioso (cavaleiro do cavalo branco), a guerra e a fome viriam “pestes” ou epidemias de doenças (Mateus 24:7). É bom dizer que “Praga” nas Escrituras denota não apenas pestilência, mas também outras calamidades na natureza que Deus usa para punir uma humanidade desobediente. Naturalmente, tais calamidades tornam as populações muito mais suscetíveis à propagação de epidemias. Tsunamis, aquecimento global, terremotos, etc. estão aqui incluídos, goste o homem ou não.

Sou da opinião que esses poderes já estão em atuação sobre a Terra, conforme demonstrei argumentativamente, mas ainda em seu estado incipiente. Quando os selos forem abertos por Cristo, esses poderes serão liberados de forma plena, no máximo de sua atuação. Eles estarem já em atuação, mesmo em forma reduzida em seu prenúncio, é confirmatório do conteúdo espiritual e divinamente inspirado do Livro de Apocalipse. Isso significa que podemos, enquanto humanidade, aguardar como líquido e certo o surgimento de coisas tremendas que nesse livro estão descritas. Deus falou, Deus cumprirá o que disse. Não há menor espaço para outro desfecho!

O que fazer? Passar a temer a Deus é um bom começo. Deus deve ser temido, ou seja, respeitado por ser Deus e por cumprir o que fala, por mais maravilhoso que isso possa parecer aos olhos humanos. "O temor do SENHOR consiste em aborrecer o mal; a soberba, a arrogância, o mau caminho e a boca perversa, eu os aborreço." (Pv 8.13) "Ao SENHOR dos Exércitos, a ele santificai; seja ele o vosso temor, seja ele o vosso espanto." (Is 8.13) Espante-se - encha-se de admiração, maravilhe-se - com Deus! Ele é Maravilhoso! Tema a Ele, e dê-Lhe a glória devida ao Seu nome! Deus é Deus em cima no céu e embaixo na Terra, todo o Universo por Ele e para Ele foi criado e por Ele é mantido. E todo Apocalipse se tornará real para todo homem vivente! Deus faz essas coisas tremendas descritas em Apocalipse com um propósito: que cada homem e mulher se arrependa dos seus pecados e volte-se para Deus, que é rico em perdoar. Tudo que Deus quer é salvar você; salvar você da Ira que Ele derramará sobre a Terra como juízo pela multidão de pecados!

Note mais uma vez esse último cavaleiro, do cavalo pálido: Seu nome é Morte. Ele é seguido pelo inferno! Dito com uma clareza imensa, o inferno! Hoje vivemos a influência do inferno, retida em todo o seu potencial pela Graça de Deus. E o inferno já foi e será o destino de cada ser humano que rejeita abertamente a gratuita salvação propiciada por Cristo na cruz e morre nesse estado, por mais horrível que isso seja. Jesus, o própio, falou sobre o inferno em inúmeras passagens: "Não temais os que matam o corpo e não podem matar a alma; temei, antes, aquele que pode fazer perecer no inferno tanto a alma como o corpo." (Mt 10.28) Portanto, você pode crer que ele existe e real, não um estado d'alma, mas um lugar. A realidade da vida após a morte exige a realidade do inferno. Jesus ensinou, em Mateus 22: 23-33, que havia vida após a morte física. No relato do homem rico e Lázaro (Lucas 16: 19-31), dois destinos distintos são apresentados: conforto para os justos, mas punição para os iníquos.

Sobre este lugar, Jesus disse que o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga. (Mc 9.44) É um lugar de sofrimento, de dor, de tristeza, de angústia; um lugar criado para o diabo e seus anjos, mas que acaba sendo o destino de muitos e muitos que insistem em não permitir que Deus os salve.  O sofrimento humano em vida é pequeno se comparado à esse sofrimento; o corpo vivo pode adormecer, ser anestesiado, ser curado; sempre é possível experimentar algum alívio estando vivo; mas naquele lugar, no inferno, não há alívio de forma alguma! Sofrimento dia-a-dia, 24h por dia, sem descanso, sem escape, sem sossego, sem socorro; não adiantará gritar, nem se enraivecer ali, nem clamar por perdão ou misericórdia, não adiantará coisa nenhuma! Você verá seus entes queridos vivos que se encontram perdidos, sem Cristo, sendo seduzidos e influenciados pelo diabo, e não poderá fazer nada, até que por fim eles sejam arrastados para o inferno para sofrer com você! Você os verá sofrer ao seu lado nesse lugar, e não poderá fazer nada para salvá-los ou aliviar sua dor! Você verá todas as oportunidades que teve para ser salvo, e não poderá voltar atrás no tempo! É isso que você quer para si?

Concluo essa argumentação. Mas Deus ainda não concluiu a execução do Livro de Apocalipse. Portanto, ainda há tempo! O tempo está passando, cada vez temos menos tempo, mas ainda temos tempo: tempo para arrependimento e fé. Isso é porque Deus é bom: "Não retarda o Senhor a sua promessa, como alguns a julgam demorada; pelo contrário, ele é longânimo para convosco, não querendo que nenhum pereça, senão que todos cheguem ao arrependimento." (II Pe 3.9) E esse convite de salvação é para todos os homens, quer sejam CRENTES EVANGÉLICOS, que sejam CATÓLICOS ROMANOS, quer sejam QUALQUER OUTRA COISA (ou nenhuma). Salvação não é "bilhete de ingresso no céu", que você adquire e deixa guardado até o dia chegar; nem tampouco é obtida pela "intercessão" de algum santo (vivo ou morto, físico ou espiritual). DEUS É O ÚNICO QUE PODE NOS SALVAR DE SUA PRÓPRIA IRA! (sobre isso, leia: https://apenas-para-argumentar.blogspot.com.br/2017/03/pecadores-nas-maos-de-um-deus-irado.html). Salvação é uma nova vida em Cristo, com NECESSÁRIA, IMPRESCINDÍVEL E REAL mudança de pensamento e comportamento em relação a Deus e ao mundo.

 Pense nisso e faça sua escolha. Graça e paz!  

quinta-feira, 17 de maio de 2018

O AMOR DE DEUS PELO HOMEM REVELADO NA AURORA DA CRIAÇÃO

Deus não criou Satanás. Ele criou o querubim ungido, responsável pelo louvor a Deus no céu. Segundo alguns, esse querubim chamava-se Hillel Ben Shachar, derivado do versículo 12 de Isaías 14, no hebraico (אֵ֛יךְ נָפַ֥לְתָּ מִשָּׁמַ֖יִם הֵילֵ֣ל בֶּן־שָׁ֑חַר נִגְדַּ֣עְתָּ לָאָ֔רֶץ חֹולֵ֖שׁ עַל־גֹּויִֽם׃). Transliterado (ou seja, usando as letras do nosso alfabeto), esse texto fica: Eich nafalta mishamayim heilel ben-shachar; nigda'ta la'aretz, chovlesh al-govyim.Conforme explica Francis Frangipane, "Hillel vem de Hallel, que significa louvar, adorar, servir. Ben Shahar significava filho do amanhecer. A implicação é que Lúcifer era o líder do louvor no amanhecer da criação. Dotado dos dons de liderança e criatividade musical, sua posição não lhe era suficiente. Motivado pela inveja e ambição, Lúcifer fez com que um terço dos anjos se rebelasse contra a autoridade de Deus." (https://www.revistaimpacto.com.br/biblioteca/a-divisao-que-causou-todas-as-divisoes/. Acesso: 17/05/2018)

Assim, o querubim gerou o mal a partir do seu livre-arbítrio. Escolheu ser mal, escolheu viver o mal e espalhar a maldade em toda a criação. Todos os seres racionais, criados por Deus, tem a liberdade de escolher entre o bem e o mal. Assim, a terça parte dos anjos do céu acabou seguindo ao querubim rebelado, no afã de vencerem o Criador numa batalha pelo céu. Aqueles anjos, que estavam contemplando a glória resplandecente de Deus, foram convencidos de que eles conseguiriam vencer uma guerra contra seu Criador! Em temor e admiração, eles haviam visto galáxias surgirem a partir da boca de Deus. Todavia, de alguma forma, passaram a acreditar que, sob a liderança de Lúcifer, poderiam derrotar o Todo-Poderoso.

"Ainda que os anjos rebelados soubessem que Deus era completamente onisciente de cada pensamento, acreditaram que poderiam pensar antes dele. Usando discrição, calúnia e sedução, Lúcifer engendrou descontentamento entre os anjos a fim de que todos os prazeres do céu não conseguissem satisfazê-los. Então, os afastou do esplendor inimaginável da presença de Deus, convencendo-os de que a impenetrável escuridão externa lhes seria mais satisfatória." (https://www.revistaimpacto.com.br/biblioteca/a-divisao-que-causou-todas-as-divisoes/. Acesso: 17/05/2018)

Satanás, ex-querubim da guarda, gerou o mal por si mesmo e por isso é impossível ser novamente reconciliado com Deus. De que forma isso aconteceu, não sabemos. O fato é que por conta disso nem Satanás, nem nenhum anjo caído ou demônio pode ser salvo dos pecados que cometeram e ainda cometem; o destino deles foi selado quando escolheram se rebelar. O único ser que pode ser salvo é o homem, que pecou por conta da tentação no Éden. No entanto, cabe a cada um responder por seus atos morais. Responsabilidade é a consequência imediata da capacidade de fazer escolhas. Os seres criados são livres para escolherem, mas responsabilizados pelas escolhas que fizerem.

Deus, ao criar o querubim da guarda, sabia que ele tornar-se-ia Satanás. Isso não impediu Deus de criar o querubum - e nenhum dos anjos que o seguiram na rebelião celeste. Deus os amou. Do mesmo modo, Deus sabia que o homem cairia no pecado e nem por deixou de criar o homem. Deus o amou. Deus criou Suas criaturas e as amou, mas elas escolheram livremente não corresponder a esse amor. Escolheram viverem suas vidas separadas do bondoso e amoroso Deus e Pai. John Milton expressa essa verdade ao compor seu poema, "O Paraíso Perdido":

"E como de obediência voluntária,
De verdadeiro amor, de fé constante, 

Fariam prova se não fossem livres?
(...)
Homens e anjos formei de todo livres, —
E livres serão sempre, inda que insanos
Queiram na escravidão envilecer-se:
De outra sorte, mudar-lhes eu devia
A natureza unida à liberdade,
A irrevogável ordem revogando
Que as criou para sempre inseparáveis.
Os anjos, que a si mesmos se impeliram
Para a depravação, votados se acham
A irremissível punição eterna:
O homem, que sendo deles iludido
Pecou, refúgio em minha graça encontra."


Assim como foi com Satanás, poderia ter sido com o homem. O homem poderia ter gerado o mal dentro de si mesmo sem agente externo para o tentar. Se assim fosse, toda a raça humana teria sido para sempre perdida, tornando-se para sempre irreconciliável com Deus. Ao permitir que Satanás tentasse ao homem no Éden e o induzisse à queda (leia novamente: PERMITIR, isto é, Deus permitiu a ação de seres livres e conscientes dos seus atos a agirem como desejassem), Deus ao mesmo tempo possibilitava o acesso ao perdão dos pecados de todo o homem no futuro. Satanás tentou tornar o homem como um ser semelhante a ele - rebelde, maligno, pecador, longe de Deus e sem redenção, porém ao induzir que o homem pecasse, ele não logou êxito completo! O homem, com a queda, tornou-se realmente rebelde, maligno, pecador e longe de Deus. Mas não sem redenção! A redenção, impossível à Satanás e aos seus seguidores espirituais rebeldes, tornou-se algo plenamente possível para o homem! Novamente, ouçamos Milton:

"O homem de todo não será perdido:
Há de salvar-se quem contrito o intente; —
Porém não bastam diligências próprias:
A graça minha, livremente dada,
Será da salvação primeiro móvel.
Posto que pela culpa escravizadas
A exorbitante, pérfido desejo,
Renovar uma vez inda eu me digno
As desfalcadas faculdades suas.
Ele mais esta vez por mim sustido
Pode firme na terra sustentar-se
De seu fero inimigo contra os golpes.
Por mim sustido, saberá quão frágil
É sua condição; que a mim só deve,
E a mais ninguém, a salvação que aguarda."


Satanás não tem perdão pelo que fez no céu e na terra, mas ao agir sobre a humanidade fazendo-a cair por suas artimanhas e tentações ele não anula a possibilidade de perdão e redenção para o homem. Por isso, tanto a salvação em Cristo como a condenação eterna daqueles que rejeitarem a esta salvação são um fato: quem rejeita, na verdade o faz livremente; livremente tal pessoa escolhe a maldade mesmo diante da oferta do Supremo Bem. Com isso, identifica-se com o pecado de Satanás, que diante do Supremo Bem escolheu ser maligno e viver malignamente.

Jesus foi morto pelo homem antes da fundação do mundo (Ap 13.8). A solução para o pecado do homem e seus efeitos foi providenciada antes que estes viessem a existir. Isso é muitíssimo sério: A salvação em Cristo foi providenciada desde a eternidade por Deus, planejada para ser algo gratuito e plenamente alcançável a todos os homens se assim o desejarem, bastando que façam aquilo que Deus espera deles - tenham convicção de pecado, arrependimento e entrega da vida a Cristo. Novamente, a salvação é gratuita! Ninguém precisa pagar nada; portanto, ninguém é excluído dela por "não ter condições próprias de alcançá-la", por "não ter como pagar o preço para tê-la". É DE GRAÇA E PELA GRAÇA! Portanto, NÃO EXISTE CRIME MAIOR DO QUE REJEITÁ-LA! Logicamente, é digno de condenação eterna, no lugar de eterno sofrimento, todo aquele que rejeita esta tão grande salvação; tal pessoa REJEITA a Cristo! Rejeita tudo o que Deus fez em Cristo e por Cristo para salvá-la! Rejeita, com desprezo, cada gota de sangue de Jesus derramado para sua salvação! Rejeita cada Palavra, cada ato, cada gesto de Jesus de Nazaré; rejeita Sua Pessoa e Obra, rejeita Suas chagas e Sua morte, rejeita Sua ressurreição e governo soberano! Rejeita o Autor da Vida em prol de viver uma vida de morte! De novo: DEUS ENVIOU SEU FILHO AO MUNDO, mas o mundo o rejeitou! Morte é sua realidade; morte eterna seu futuro caso persista nessa rebeldia com Deus! Porém, quem recebe Jesus esse tem a vida eterna!      

"Mas quem zombar da tolerância minha,
O meu dia de graça desprezando,
Nunca mais há de obtê-la; e sem remédio
Sua dureza se fará mais dura,
Sua cegueira se fará mais cega.
Seus tropeços serão quedas profundas;
Tem de abismá-lo a perdição eterna." 


Quem despreza o amor de Deus em Cristo Jesus selará sua condição, caso morra nesse estado. O único que pode prover salvação é o Senhor Jesus! Sem Ele, nada mais poderá ser feito por ninguém. Deus providenciou salvação para o homem, fazendo com que Seu Filho recebesse todo o castigo pela transgressão e queda do próprio homem. A cruz - a cadeira de elétrica da época - com seus horrores era para ser o final da nossa história, o final da história humana. Porém, em Cristo temos o ponto final tornando-se em vírgula! Em Cristo, a história humana pode continuar! O homem, em estado de maldição e debaixo da ira de Deus, uma vez em Cristo pode ser redimido, pode voltar a viver com Deus, pode ser restaurado, pode ser abençoado, pode ser santo, pode ser curado!

Veja o poder que o mal tem sobre nós! Nós somos tão ruins quanto desejemos ser! Qualquer um de nós pode ser, se desejar, tão maligno que faria Hitler ter medo. O mal está facilmente disponível para qualquer um. Basta olharmos para dentro de nós mesmos e facilmente constataremos isso. Temos um imenso potencial para o mal, uma criatividade quase infinita para planejar e fazer o mal! Foi isso que conseguimos, como humanidade sem Deus. Mas o bem só é possível com e pela Graça de Deus! A verdade é que não existe nenhum bem que pratiquemos ou possamos praticar sem que Deus não tenha nos dado. Ser bom pai, boa mãe, bom marido, boa esposa, bom cidadão... não viver em orgias, não ser assassino ou estuprador... isso só é possível a nós, enquanto raça humana, por uma única razão: Deus não nos abandonou a própria sorte! Aleluia! Ele nos deu a Sua GRAÇA, o Seu FAVOR IMERECIDO, de forma que nessa Graça encontramos o bem que praticamos. Porém isso não é suficiente para salvação: a salvação não é algo conquistado, nem sequer alcançado por esforços pessoais. Não! Deus quer nos salvar de Sua ira, que um dia irá condenar os homens à perdição eterna; para isso, nos deu Seu Filho Unigênito, para que todos que Nele crerem tenham a vida eterna. Isso também é GRAÇA, numa manifestação especial: a graça salvadora. A graça é o que possibilita ao pior dos homens, ou ao mais "bonzinho" deles (para Deus é indiferente), ser salvo em e por Jesus!

Rejeitar a Cristo é morte eterna, com certeza! Receber a Cristo, por outro lado, é vida eterna, com certeza! Eu já fiz a minha escolha; e você? O que você escolhe?

Pense nisso!

Graça e Paz!

OS MERCADORES EVANGÉLICOS DE HOJE. DISCÍPULOS OU MANTENEDORES DO MINISTÉRIO DE ANÁS E CAIFÁS?

Essa postagem, de autoria do Pr. Marcelo Kropf, foi extraída do blog "Movimento Cristão Restaura Atos - Restaurando a Igreja de Atos dos Apóstolos" (link: http://restauraatos.blogspot.com.br)

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Mt 21.12-14: E entrou Jesus no templo de Deus, e expulsou todos os que vendiam e compravam no templo, e derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas; E disse-lhes: Está escrito: A minha casa será chamada casa de oração; mas vós a tendes convertido em covil de ladrões. E foram ter com ele no templo cegos e coxos, e curou-os.

Anás e Caifás, os principais sacerdotes do templo de Deus naquele tempo, tinham tanto amor ao dinheiro, que nem a Casa de Deus escapava da ganância destes homens. É impressionante como este texto é atual!  Várias verdades podem ser extraídas deste texto, vejamos algumas:
 
1) Enquanto a Igreja for covil de ladrões religiosos, ela não poderá ser chamada casa de oração, logo não haverá cura, nem milagres, só ganância e avareza. Somente após Jesus ter expulso os que idolatravam Mamón, Ele operou curas na Casa de Deus! Agora você entende o porquê não há milagres, prodígios e maravilhas na Igreja Evangélica moderna! Esse é o motivo e os muitos porquês vivemos este tempo de apostasia! 
 
2) Estes líderes gananciosos têm vendido as bênçãos, profanando a Casa de Deus com suas mensagens de prosperidade; valorizando dízimos e ofertas para entulhar matéria nesta terra, ajuntando tesouros onde a traça e a ferrugem consomem, onde eles mesmos minam e roubam (Mt 6.19). Dízimos e ofertas são bíblicos, mas nunca foram tão demoníacos dentro das igrejas, pois tais vendilhões se preocupam com pedras, conforto, fama e suas pífias ações religiosas. Estes líderes são os primeiros a roubarem a Deus (Ml 3.8).
 
3) Quando o milagre material é mais importante que os milagres espirituais, devemos questionar que tipo de casa estamos frequentando: Casa de Oração ou Covil de Ladrões?
 
4) Anás e Caifás eram os religiosos da época, mas representam os ditos "homens de Deus" de hoje. Eles permitiam o comércio no templo e também tramaram a morte de Jesus, sob o aspecto humano. Eram os líderes religiosos envolvidos na política daquela época, pois acobertavam as mazelas de Herodes e se ajuntavam com Pôncio Pilatos. Foram eles que barganharam com o povo preferindo o assassino Barrabás do que o carpinteiro de Nazaré! Também foram eles que perseguiram os apóstolos e a Igreja do primeiro século. Hoje, os picaretas pregadores de prosperidade são discipulos de Anás e Caifás. Você que pertence a Igreja destes discípulos de Anás e Caifás é mantenedor destas loucuras, dos gastos infames que poderiam ser revertidos para abençoar quem precisa (At 4.34,35).
 
5) Você que tem pregado bênçãos materiais, que mercantiliza a Palavra para bater as metas de seu Ministério, como se sua igreja fosse uma loja de roupas e sapatos, saiba que seus dias estão contados! Arrependa-se, ainda há tempo! Arrependa-se antes que Jesus acabe com essa tua farra e mande você para o INFERNO! 

DEUS ESTÁ SEPARANDO UM POVO DIFERENTE! Um povo que não se preocupa com tijolos, cadeiras e dinheiro, mas se preocupa com GENTE! Chega de templos! Não precisamos construir TEMPLOS para buscar a Deus! Precisamos estar juntos apenas, reunidos em um só propósito! Chega de religião! Chega de GASTAR DINHEIRO com materialismo barato. Você é o templo de Deus (I Co 6.19). É tempo de restaurar os ATOS de um povo que realmente testemunhava a ressurreição do Mestre!

Forte abraço,
Marcelo Kropf, pastor pela graça de Deus.

É POSSÍVEL SER CRISTÃO MAROMBISTA?

"Marombista: deriva de maromba, a vara que os funâmbulos usam para equilibrar-se na corda, às vezes bamba. Marombista designa, particularmente, aquele que fica em cima do muro, ou da corda, equilibrando-se e não se comprometendo." (cf. ARANHA, Altair J. Dicionário brasileiro de insultos. Ateliê Editorial, 2002.)

Marombista, aquele que fica em cima do muro. Não tem posição ou pelo menos faz de tudo para escondê-la. Em geral, é uma pessoa que quer ficar bem com os dois lados discordantes em uma questão. Estão sempre se omitindo.Afinal, é mais cômodo e confortável não ter opiniões ou, pelo menos, não expressá-las. "Ficar em cima do muro" é o tal do não ter partido. Em muitos casos é até mais interessante, para muita gente, se sentir no muro, afinal, desta forma, pode-se aproveitar o que ambos os lados oferecem de melhor.

Poderia ser um cristão uma pessoa marombista? A Bíblia ensina que não.

"Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna." (Mt 5.37) De forma bem clara, o "sim" ou o "não" precisam ser absolutos e verazes, como tendo o peso de um juramento. A palavra pessoal deve ter o mesmo peso que uma palavra juramentada, noutros termos. Se a opinião pessoal de alguém é como "a onda do mar", ou seja, "nada do que foi será igual aquilo que já foi um dia", então a palavra dessa pessoa não vale nada. A conclusão inescapável é que quem age assim está em falta com a Verdade e, portanto, com a fé desviada de Cristo. Vive, assim, na mentira.    

Cristão sem posição? Como, se Cristo tinha posição sobre tudo (e todos)? Cristo jamais ficou "em cima do muro" em momento algum de Sua vida e ministério terrenos. Ele disse: "Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha." (Lc 11.23) Ou seja, para o Senhor não tinha essa de "posição neutra". Ou está com Ele, ou contra Ele; ou com Ele ajunta, ou então espalha. Os neutros com relação à Cristo, assim, na verdade, são contra Cristo. Noutra ocasião, referindo-se a Herodes, Jesus disse: "Respondeu-lhes Jesus: Ide e dizei a essa raposa: Eis que vou expulsando demônios e fazendo curas, hoje e amanhã, e no terceiro dia serei consumado." (Lc 13.32) Jesus não Se intimidava. De imediato, diante da afirmação dos fariseus que Herodes queria matá-lo, retornou o recado a Herodes, num estilo formidável: "Dizei àquela raposa". Herodes era uma raposa, metáfora para pessoa traiçoeira, cheia de artimanhas, que não se revela. Note que Jesus não ficou "em cima do muro" - "ah, não vou falar nada sobre isso não, porque se não meus discípulos vão ficar escandalizados, vão se desviar, e blábláblá...", como muitos ditos cristãos agem. Não, definitivamente! Jesus foi muito direto e verdadeiro: R-A-P-O-S-A!

Não confunda marombista com mansidão. O manso tem convicção, não fica em cima do muro, não é uma pessoa neutra sem opinião própria e indecisa. Ser manso é saber falar com mansidão, é controlar seu ego, procura manter a calma mesmo em meio a um grande conflito. O manso tem o espírito apaziguador, se chega onde há conflito, ele trás uma palavra de moderação e de conciliação, essa é a característica de uma pessoa mansa. Ele ouve os dois lados, chega à verdade e posiciona-se.

No Antigo Testamento temos o mesmo princípio - da verdade e da veracidade: "pôs-se em pé à entrada do arraial e disse: Quem é do Senhor venha até mim. Então, se ajuntaram a ele todos os filhos de Levi" (Êxodo 32:26) Moisés falou e todos os filhos de Levi se juntaram a ele. Eles não ficaram "em cima do muro" - "peraí, Judá, Zebulom, Naftali... ninguém foi quando ele falou... ah, se seu for, meus irmãos vão ficar bravos comigo, vou perder amizades, vou causar constrangimento...ah, vou ter que romper com Israel..." Não! Pergunto: se seu irmão ou parente "ficar em cima do muro" quando você está passando por uma injustiça, como você se sentiria com relação a seu irmão/parente? Doeria em você, não é? Mas quando é com os outros, você fica em cima do muro. Sabe por que? Porque pimenta nos olhos dos outros é refresco!

OBVIAMENTE, tudo o que foi dito até aqui não significa - e não deve ser assim entendido - como ser grosseiro, mal educado ou criador de confusões. Jesus não era criador de casos, nem mesmo Seus discípulos. Ele não era um grosseirão, como infelizmente muitos são hoje. Na fé em Cristo, a Verdade e o Amor caminham sempre juntos: "Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo." (Ef 4.15) Um cristão segue a Verdade em Amor. Verdade sem amor é arrogância, porém Amor sem verdade é hipocrisia. Foi chamado a posicionar-se em algum assunto? Faça isso, mantendo a educação e a cordialidade, mas sem esmorecer daquilo que é certo e verdadeiro. Mas NUNCA fique em cima do muro, especialmente diante da mentira e de suas manifestações, como a injustiça, o desamor, a opressão e a violência.  Quem fica em cima do muro, decidindo calar-se diante do mal e do erro, está sendo conivente com esse mal e/ou erro. 

Ficar em cima do muro pode parecer a melhor solução para os indecisos, inseguros, calculistas, aproveitadores ou covardes. Não tomar partido, não emitir opiniões e ficar só esperando para ver quem vence para declarar-se aliado é, de fato, uma posição muito confortável, pois não cria animosidades e desafetos. Tudo muito conveniente! Tudo muito alegre e festivo, mas sem conteúdo! É como um vaso oco. E, definitivamente, não guarda nenhuma relação de proximidade com Cristo e com a Bíblia.

Diante de qualquer situação, ou de qualquer assunto, precisamos nos posicionar como cristãos. Para isso, talvez nos faltem as informações necessárias. O que fazer? Buscar essas informações. Buscar a fundamentação bíblica (ou ausência dela) e, então, tomar uma posição. Como pode um cristão não buscar chegar a verdade dos fatos e suas fundamentações? Como pode um cristão ficar em cima do muro, recusando-se a emitir sua opinião enquanto outros ao seu lado estão vivendo algo mentiroso, falso, baseado em "mentiras acomodadoras"? Como pode um cristão calar-se quando o mal jaz à sua porta? Quando atinge, por exemplo, um membro do Corpo de Cristo, ao qual chama de "irmão", ao qual faz "juras de amor" por anos a fio, com quem celebra a "ceia do Senhor"? Será que é a Ceia do Senhor que estão realmente tomando? Será que aquele antigo hino "e na força do Espírito Santo nós proclamamos aqui, que pagaremos um preço de sermos um só coração no Senhor" já não virou mera ideologia vazia, cantoria inútil e sem vida, melosa, sem significado prático algum? E isso que estão assim vivendo, uma fé marombista desprovida de verdade, é o que Cristo ensinou?

O apóstolo Paulo adverte que a nossa fé não deve ser irracional: "Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional" (Rm 12.1). Racional vem de raciocínio. Pense! Reflita! Tome posição! Esse "amor" que muitos cristãos vivem hoje é, na verdade, puro fingimento, porque não possui verdade alguma nele! É só emocionalismo barato! É só "usar as pessoas" em prol da "ideologia do grupo" - você vale se for "vaca de presépio", enquanto "disser amém para tudo"! Para se "dar bem" nesse sistema diabólico basta ser um puxa-saco capachão - estes, que o digam - um hipócrita de carteirinha! Capachão marombista!

Clique e escute: Puxa-Saco com Jeito!

O marombismo é uma das práticas dos chamados neo-evangélicos.  Em seu livro discernido sobre o assunto, John Ashbrook observa que o Neo-Evangelicalismo “deveria ser mais apropriadamente rotulado de Novo Neutralismo. Ele procura o campo neutro, não sendo peixe nem galinha, nem direita nem esquerda, nem a favor nem contra… fica em cima do muro”. Esse Neo-Evangelho pode ser identificado pelos seguintes termos: macio, cauteloso, hesitante, tolerante, pragmático, acomodado, flexível, não controverso, não ofensivo, não passional e não dogmático. Contrastando o modo de neutralidade do Neo-Evangelho, o Cristianismo bíblico se caracteriza por termos como: forte, audacioso, destemido, dogmático, claro, intolerante, não acomodado (ao pecado e ao erro), inflexível (em relação à verdade), controverso, ofensivo (aos que desobedecem a Deus) e passional. (extraído de: https://discernimentocristao.wordpress.com/2010/02/06/neo-evangelico/. Acesso: 17/05/2018).

Se você é marombista, ou pior, um marombista que se desenvolveu em marombista capachão, cuidado! Você já perdeu sua fé há muito tempo e não sabe!

Pense nisso.

Graça e paz!