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domingo, 7 de outubro de 2018

ONDE ESTÁ O MEU AMADO JESUS?

"Beije-me ele com os beijos da sua boca; porque melhor é o teu amor do que o vinho. Suave é o aroma dos teus ungüentos; como o ungüento derramado é o teu nome; por isso as virgens te amam. Leva-me tu; correremos após ti. O rei me introduziu nas suas câmaras; em ti nos regozijaremos e nos alegraremos; do teu amor nos lembraremos, mais do que do vinho; os retos te amam. Eu sou morena, porém formosa, ó filhas de Jerusalém, como as tendas de Quedar, como as cortinas de Salomão. Não olheis para o eu ser morena, porque o sol resplandeceu sobre mim; os filhos de minha mãe indignaram-se contra mim, puseram-me por guarda das vinhas; a minha vinha, porém, não guardei. Dize-me, ó tu, a quem ama a minha alma: Onde apascentas o teu rebanho, onde o fazes descansar ao meio-dia; pois por que razão seria eu como a que anda errante junto aos rebanhos de teus companheiros? Se tu não o sabes, ó mais formosa entre as mulheres, sai-te pelas pisadas do rebanho, e apascenta as tuas cabras junto às moradas dos pastores. Às éguas dos carros de Faraó te comparo, ó meu amor. Formosas são as tuas faces entre os teus enfeites, o teu pescoço com os colares. Enfeites de ouro te faremos, com incrustações de prata. Enquanto o rei está assentado à sua mesa, o meu nardo exala o seu perfume. O meu amado é para mim como um ramalhete de mirra, posto entre os meus seios. Como um ramalhete de hena nas vinhas de En-Gedi, é para mim o meu amado. Eis que és formosa, ó meu amor, eis que és formosa; os teus olhos são como os das pombas. Eis que és formoso, ó amado meu, e também amável; o nosso leito é verde. As traves da nossa casa são de cedro, as nossas varandas de cipreste." (Cânticos 1:2-17)

O amor bíblico não é frio, calculista. É intenso, é quente, é apaixonado. Amor apaixonado é o amor cuja chama da atração mútua arde intensamente, cujo desejo é de estar sempre junto e nunca ser separado de quem ama, de jamais ir embora. Palavras como “desprezo”, “vergonha”, “abandono”, “traição”, “egoísmo” não existem nesse relacionamento de amor. Assim é o amor planejado por Deus dentro do casamento. E assim é o amor que cada um de nós deve expressar por Cristo! 

A esposa demonstra com muita intensidade o amor que ela tinha pelo esposo por meio de várias expressões ao longo do capítulo. Para ela, o amor do seu esposo era infinitamente maior e mais desejável do que qualquer coisa. Esse é o padrão bíblico do amor que deveríamos ter pelo Senhor. Ela diz que o Amor do Esposo é Melhor do que o Vinho: Melhor, aqui, é do hebraico “towb” (tobe). Significa “bom, agradável, amável, alegre”, algo que dá prazer e satisfação. Agradável aos sentidos e agradável por ser superior a outra coisa. Para a esposa, o amor do seu esposo é mais agradável, dá muito mais prazer, completa ela de forma muito maior do que os prazeres que o vinho geram. Por isso, ela prefere o amor Dele do que o vinho! Esse é o amor por Jesus que o Espírito Santo quer gerar em nossos corações. Amor que anseia estar com o Senhor!

Outra expressão que ela usa é ao referir-se ao seu esposo está no versículo 3: "como o ungüento derramado é o teu nome". O amor da esposa pelo esposo é tal que só a menção do nome dele é, para ela, como um unguento derramado. Ela tem tanto amor por Ele que até o nome do esposo faz encher o peito dela! Usando uma linguagem muito intensa, é como se o amor de seu esposo por ela fosse como um delicioso perfume que é derramado, enchendo todo o lugar com a doce fragrância! 

Ela, ainda, deseja expressar intimidade com o seu esposo (vv.13,14). O leito conjugal deles é um lugar de delícias (v.16), lugar que é só deles e de mais ninguém. Usando a mesma linguagem de Cânticos, poderíamos comparar esse leito conjugal entre estes dois amantes com o nosso coração. É no nosso coração, o mais íntimo do nosso ser, onde a nossa alma pode gozar de comunhão exclusiva com o Senhor. É nesse lugar onde o Senhor faz morada, onde Ele reside em nós. É o nosso "jardim secreto", o lugar do encontro secreto com o Senhor. 

Olhando para esse lindo relacionamento entre esposa e esposo como tipo do nosso com o Senhor, precisamos analisar o nosso relacionamento com Cristo. Quando olhamos para a Bíblia, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento o Senhor queixa-se da intensidade do amor do Seu povo por Ele. Vejamos:

1. “porque o vosso amor é como a nuvem da manhã, e como o orvalho que cedo passa” (Oséias 6:4). Veja a queixa do Senhor: Seu povo o amava de forma inconstante, desapaixonada, sem profundidade e sem permanência. Durante o Antigo Testamento, vemos com uma fequência indesejável, mas verdadeira, o amor de Israel pelo Senhor sendo deixado de lado em prol do amor pelos baalins e outros falsos deuses, ao ponto de Oséias ser o registro da dor profunda de Deus, como marido traído, contra Seu povo, como esposa infiel. Deus acusa Seu povo de prostituição! O amor deles pelo Senhor era um amor passageiro, que secava depressa. 

2. “Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor.” (Apocalipse 2:4). A Igreja de Éfeso tinha tudo e ao mesmo tempo não tinha nada. Eles tinham obras, trabalho, perseverança - mesmo diante das provações; porém, tinham perdido o primeiro amor.  que é o “primeiro amor” a que o Senhor Jesus Se refere nesta mensagem? É um fogo de grande intensidade em nosso íntimo, que coloca Jesus acima de todas as demais coisas! O primeiro amor é o nosso primeiro momento de relacionamento com Cristo em que nos devotamos de todo o nosso ser a Ele. Abrimos mão de tudo por causa de Jesus!

E HOJE? Nosso coração é dividido; prova disso é a forma como vivemos a fé cristã. Não suspiramos pelo Senhor, não somos tomados de paixão por Ele. Não queremos muita proximidade, muito envolvimento com o Senhor. Precisamos admitir: Entre Ele e os prazeres que temos à nossa disposição, preferimos os segundos. Falamos de “fazer a obra” num contexto meritocrático. Criamos subterfúgios para aumentar a nossa própria frequência na Igreja, porque facilmente damos desculpas para não estarmos presentes. Nossa fé no Senhor não nos enche de alegria e satisfação, vivemos insatisfeitos para tudo e para todos. Prova disso: somos murmuradores, reclamões. Buscamos o Senhor - quando o fazemos - apenas para termos uma vida mais confortável, sem problemas, sem dificuldades. Nosso amor, se muito, é dominical. Acabou o domingo, passou o amor. Fazemos o que fazemos por hábito, por rotina, por medo, pela religião, pela aparência, para não sermos criticados, pelo galardão, por quaisquer outros motivos. Sejamos sinceros, pelos menos conosco mesmo e com o Senhor. Ele conhece a sua vida. Nosso amor pelo Senhor está muito doente.

A pergunta que surge, então é como termos o nosso amor pelo Senhor novamente incandescido. Para responder isso, vamos voltar ao texto: "Dize-me, ó tu, a quem ama a minha alma: Onde apascentas o teu rebanho, onde o fazes descansar ao meio-dia; pois por que razão seria eu como a que anda errante junto aos rebanhos de teus companheiros?" O que a esposa faz? A esposa quer encontrar-se com o seu esposo e por isso pergunta onde ele está. Ela sabe que ele é pastor de ovelhas; e que se quiser achá-lo precisará saber onde Ele apascenta o rebanho dele. Ela está buscando o seu amado!

ONDE JESUS ESTÁ? Essa é a pergunta central da nossa fé. Não é uma pergunta acadêmica, intelectual, fria. É uma pergunta com sentimento. Perdemos o Senhor de vista e devemos desesperadamente procurá-Lo até encontrá-Lo (Lucas 2:41-52).  Veja como é o nosso raciocínio: se eu estou junto com os meus irmãos, indo para os mesmos lugares com eles, frequentando as mesmas coisas, cantando as mesmas canções, celebrando as mesmas festas, fazendo a mesma viagem, Jesus está conosco, por inferência – ele tem que estar. Julga-se, com isso, que Jesus é uma presença implícita. A gente assume que assim seja. Mas não é assim. Jesus está onde Ele é o centro!

PRECISAMOS OUVIR DE JESUS ONDE ENCONTRÁ-LO. Onde, Senhor, tu estás? Onde eu te encontro, Senhor? Ele deseja ter lugar e hora certa para estar conosco. Ali, paramos tudo para dar atenção somente a Ele. Note: DAR ATENÇÃO AO SENHOR. Encontrar o Senhor e não dar a Ele a devida atenção não resolve. Você, querido(a) leitor(a), por certo não gostaria de estar num lugar onde ninguém lhe desse atenção. Assim também é com o Senhor. Jesus quer a nossa total atenção; atenção ao que Ele fala, ao que Ele diz, às Suas expressões faciais, aos Seus movimentos... quer que conversemos com Ele, quer que olhemos para Ele! Ele nos ama e, com toda certeza, deve ficar triste quando não correspondemos esse amor!  Sim, Deus fica triste! Infelizmente, querido(a), precisamos com sinceridade admitir que hoje em dia Jesus não está em muitos lugares onde dizemos que Ele está. Ele pode não estar até mesmo em lugares onde deveríamos poder encontrá-Lo. Ele pode não estar numa Igreja, mas pode estar do lado de fora dela querendo entrar (Ap 3.20). Pense nisso num momento: todos ali cantando, orando, falando em línguas, chorando, pregando,..., mas Jesus não está! Ao contrário, todos podem estar em silêncio, mas Ele pode estar ali, entre eles! O que isso significa? Significa que Jesus não condiciona a presença Dele às emoções religiosas! Ele pode estar numa simples brisa (I Rs 19.11-13). 

Gostaria de aprofundar isso contigo, nesse ponto. Será que o Senhor Jesus está presente nas reuniões da maioria das Igrejas evangélicas? Veja a confusão que grassa muitas congregações/denominações: ninguém se entende! Um briga com o outro, um trai o outro. Pessoas entram por uma porta e saem por outra. Sogra briga com genro, marido com esposa, esposa com marido, líder com liderado, liderados contra seus líderes, líderes contra outros líderes... tem fofoca, tem divisão, tem partidarismo, tem soberba que vai do púlpito ao último banco... tem acobertamento de pecado, tem briga por púlpito... tem cobiça, tem ênfase em grana, ninguém se preocupa com os perdidos... Conheci gente, dita de Deus, que dá rasteira em pastor para assumir o lugar dele na congregação! Conheci gente que fechou uma congregação e avançou sobre outra para tomar o lugar do pastor, semeando discórdia e agindo unilateralmente de forma a desqualificar o pastor! Será mesmo que Jesus está num local assim? De modo nenhum! Ora, se Jesus não está na Igreja, como a Igreja vai ganhar o mundo para Cristo??? Será que não temos vergonha pelo que fizemos à Igreja? Será que o Espírito Santo não consegue quebrar a dureza do nosso coração impenitente de forma a nos compungir ao arrependimento? Como podemos dizer que somos cristãos, se somos tão indiferentes para com Cristo e com Sua Vontade? 

QUANDO O BUSCARMOS E ENCONTRAMOS O SENHOR, ELE INEVITAVELMENTE NOS CHAMARÁ AO ARREPENDIMENTO: É preciso que sintamos dor por termos perdido o nosso primeiro amor! Precisamos lamentar, chorar, e clamar pelo perdão de Deus! É imperativo reconhecer que a perda do primeiro amor é mais do que um desânimo, ou qualquer outra crise emocional! É um pecado de falta de amor, de desinteresse para com Deus! 

Ao final, o noivo refere-se à sua noiva dizendo: "Eis que és formosa, ó meu amor, eis que és formosa..." O noivo olha para a formosura da noiva! Ele a vê sem mancha, sem mácula, sem ruga ou defeito algum. Esse é o padrão de Deus para nós, Sua Igreja. Devemos perseguir esse padrão! Para isso, precisamos de ajuda; e a boa notícia é que Jesus deixou aqui na Terra uma pessoa para nos ajudar nesse afã: O Espírito Santo! Ele, o amigo do Noivo, é quem cuida e aparelha a Noiva para o dia do casamento! Peçamos a Ele: Senhor, sonda-me e conhece-me; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno! (Sl 139.24). Ao mesmo tempo, nos examinemos a nós mesmos, se ainda estamos na fé em Cristo, sob a lente do Espírito! Somente assim, poderemos estar diante do Senhor em formosura, no grande casamento que há de acontecer entre Cristo e Sua Igreja!

Para seu enlevo espiritual, escute o seguinte louvor: 



Pense nisso!
Graça e paz!

(Mensagem pregada em 04/06/2017)

sexta-feira, 5 de outubro de 2018

JESUS, MACIEIRA ENTRE AS ÁRVORES DO BOSQUE

Qual a macieira entre as árvores do bosque, tal é o meu amado entre os filhos; desejo muito a sua sombra, e debaixo dela me assento; e o seu fruto é doce ao meu paladar. Levou-me à casa do banquete, e o seu estandarte sobre mim era o amor. Sustentai-me com passas, confortai-me com maçãs, porque desfaleço de amor. A sua mão esquerda esteja debaixo da minha cabeça, e a sua mão direita me abrace. (Cânticos 2:3-6)

NOTE COMO A NOIVA, EM CANTARES, ENXERGA SEU NOIVO:  A noiva vê seu amado Noivo como uma macieira entre as árvores do bosque. Para ela, Seu Amado é o único que se destaca na multidão; ela só tem olhos para ele! Ela olha e só vê ele! Sabe por que? Porque para ela, seu noivo era especial! Seu coração pulsava forte por ele, sua respiração ofegava quando na presença dele! Esse amor que a Noiva tem pelo Seu Noivo, que faz vê-lo como Único, como Especial, é um amor protetor, um amor que protege a noiva e o relacionamento dos dois. Se ela visse ele como igual aos demais, alguém comum, como um qualquer, isso seria sinal que o amor já haveria esfriado e ela correria risco de se apaixonar por outro. Por outro lado, se ela visse ele como inferior aos demais, o amor já não existiria mais entre eles. Não haveria mais razão para estarem juntos. Mas, ao contrário, ela o vê acima de tudo e de todos! 

O que mantém o relacionamento é o amor e é o relacionamento que mantém o amor. Há um círculo virtuoso: quem ama quer se relacionar com o objeto do amor (não é possível manter relacionamento verdadeiro e sadio com que não se ama) e quem se relaciona com quem ama preserva a chama do amor sempre acesa.  Amor e relacionamento são, desse modo, inseparáveis! O Noivo era tão importante para ela, tão singular, que ela ansiava muito estar junto dele, de forma muito próxima e íntima: “desejo muito a sua sombra”. Uma vez assentada debaixo dela, a Noiva seria sustentada pelo seu Amado com um delicioso fruto: “o seu fruto é doce ao meu paladar”. Ali, na sombra do Seu amado, a noiva pede para ser sustentada por ele. Ela então é afagada pelo Noivo (vv.5,6).

Quero perguntar a você, querido(a) leitor(a), nesse momento: como você vê Jesus? Como você O percebe? Para você, Ele é como esse Noivo, desejado ardentemente? Você anseia estar com Ele, você o procura até achá-Lo? Para você, Ele é o único destaque diante dos seus olhos? Ou há algo que chama mais sua atenção do que o Senhor? 

COMO VOCÊ VÊ JESUS, O NOIVO? A forma como você vê o Senhor Jesus vai ditar o Seu relacionamento com Ele. Ele é único para você, ou é só "mais um"? Nós só podemos ter um senhor, amando e servindo ao senhor que escolhemos. Ninguém pode servir a dois senhores: “Ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar a um e amar o outro, ou há de dedicar-se a um e desprezar o outro” (Mt 6.24). Se forem dois senhores, um será amado e o outro rejeitado. Se o Senhor Jesus não for o primeiro, então Ele já não é mais nada para você. Não passa de ilusão, de fantasia religiosa e de imaginação piedosa. Talvez você já tenha rejeitado o Senhor, de forma prática. Quando preferimos o mundo, quando escolhemos viver de forma independente, automaticamente não escolhemos Jesus. 

Querido(a), você sabia que Nosso Senhor é exclusivista no que diz respeito ao nosso relacionamento com Ele? Ou nos entregamos totalmente a Ele, ou Ele não nos quererá: "Porque não te inclinarás diante de outro deus; pois o nome do Senhor é Zeloso; é um Deus zeloso" (Êxodo 34:14). ZELOSO (CIUMENTO) É O SEU NOME! Deus Não Tem um Ciúme Egoísta e Controlador. Deus tem um ciúme puro, santo, que faz parte da essência do amor. Ele sente por nós amor intenso (paixão) genuíno, de forma que quando não correspondido passa a ter fortes reações de explosão e ira (Êx 32.10). ELE NÃO É FRIO, SEM EMOÇÕES, CALCULISTA.  O amor de Deus não é um amor brando, indiferente, que tolera qualquer atitude, sem reação, que se sempre se manifesta afável e gracioso. É um amor forte, duradouro, capaz de superar enormes obstáculos e contratempos, mas também um amor apaixonado, que se importa com a infidelidade, que arde em ciúmes por nós por nos amar de verdade. (Tg 4.4,5) O SEU ESTANDARTE SOBRE NÓS É O AMOR.

É exatamente como um casamento: cada cônjuge requer exclusividade do outro para si, dentro do relacionamento. Não pode haver outro homem, ou outra mulher, senão o casamento acaba. Não se admite infidelidade. Não é possível manter com Deus uma relação descompromissada e passageira, que vise apenas um benefício próprio imediato. Não pode haver flerte, não pode haver traição! Deus nunca nos trairá, mas nós infelizmente podemos traí-Lo com o mundo e com aquilo que no mundo há. Amado(a) de Deus, é o seu amor pelo Senhor mantém o seu relacionamento com Ele, da mesma forma que o Seu relacionamento com Ele mantém o vivo o Seu amor por Ele!

Esse relacionamento com o Senhor é um relacionamento presencial: “debaixo da sua sombra” (Sl 91.1). O melhor lugar para estarmos nessa vida é “debaixo da sombra das asas do Senhor” (Sl 63.7). É vontade do Senhor que aí estejamos (Mt 23.37). Esse é um lugar especial, um lugar de ternura, de carinho do Senhor conosco! É um lugar onde sentimos o Seu calor por nós, onde ouvimos o Seu coração bater, onde Ele nos afaga e nos consola! É nesse lugar que a magnitude dos nossos problemas e aflições se dissipam como a nuvem, onde a certeza de fé é inteira, onde a esperança é renovada! A noiva diz: desejo muito me assentar debaixo da tua sombra! Esse também deve ser o nosso anelo!

Esse relacionamento é, também, um relacionamento de dependência (v.5): Dependência para ser fortalecido física e espiritualmente, dependência para ser guiado no e pelo caminho, dependência para quando e como agir. Dependência para tudo. O Senhor disse: "Sem mim, vocês nada podem fazer" (Jo 15.5). Oh querido(a), como precisamos do Senhor em tudo e para tudo! Precisamos Dele para vivermos cada dia, precisamos do Seu sustento, da Sua força e direção! Precisamos do Seu cuidado e proteção! Precisamos do Seu amor e compaixão! Precisamos da Sua misericórdia e perdão! Precisamos da Sua graça e bondade! Precisamos Dele para servi-Lo e adorá-Lo, precisamos Dele para vivermos a fé e Nele permanecermos! Precisamos Dele para darmos frutos, para sermos limpos e darmos mais frutos ainda! Precisamos Dele para amarmos e perdoarmos, enfim para tudo! Até para as coisas cotidianas (como trabalhar, namorar, casar, ter e criar filhos, etc.). Sem Ele, sem Jesus, nada podemos fazer! Se fizermos sem Ele, inevitavelmente dará tudo errado mais dia menos dia! 

Por fim, esse relacionamento é um relacionamento de proteção e conforto (v.6): “Senhor, eu sei que jamais estou sozinho, mas o Senhor está comigo aonde quer que o Senhor me levar na jornada da vida. Independente do que venha a enfrentar, independente de circunstâncias ou tentações, sei que Jesus é meu!”. Sua mão esquerda debaixo de nossas cabeças, sustentando-a confortavelmente, enquanto com a direita Ele nos abraça! Qual é o inimigo, por mais abusado que seja, que vai tentar contra você nos braços do Senhor?? 

Cristo está cheio dos frutos e bênçãos da graça, que devem ser alcançados pelas mãos da fé e desfrutados; e como Ele é cheio de graça e verdade, Ele se revela muito bonito e glorioso aos olhos da fé! A macieira é um emblema apropriado de Cristo, na grandeza de sua pessoa, na plenitude, em sua graça, na virtude de seu sangue, e em justiça e graça, que são um antídoto soberano contra o veneno do pecado; e cuja presença e comunhão com Ele curam almas ofegantes, sem fôlego, quando vão buscá-lo e em Sua presença encontram morada; e cuja mediação perfuma sua respiração, suas orações, por meio das quais se tornam gratas a Deus, que de outro modo seriam estranhas e desagradáveis.

Querido(a) leitor, Jesus o(a) convida para estar junto Dele e para Dele você se alimentar! "Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele. Assim como o Pai que me enviou vive, e eu vivo pelo Pai, assim também aquele que comer a minha carne viverá por mim." (João 6:54-57) Religião nenhuma - nem mesmo a dita "religião cristã" - te alimentará; na religião você está desabrigado e passa fome! Nada que há em qualquer religião pode satisfazer a sua necessidade de Deus. Nenhuma religião tem a resposta para sua fome espiritual, que assola seu interior! Nenhum cargo religioso, nenhum rito, nenhuma doutrina... nada pode satisfazer! Por outro lado, prazeres, sonhos e fantasias que podemos viver nessa terra, por mais intensos que sejam, ao final sempre se revelarão inúteis para preencher o vazio da nossa alma! Amar o mundo e o que no mundo há se revelará uma experiência infrutífera e dolorosa: quem a ele recorre, sempre precisará de uma dose maior, pois sempre vazio se verá, além de nunca ser amado de volta. Mas quem vai até o Senhor em sinceridade de coração, não importando em que situação esteja, se religioso ou sem religião, encontrará Nele a plena satisfação para seu ser. 

Pense nisso!
Graça e paz!

(Sermão ministrado em 18/06/2017)   

domingo, 30 de setembro de 2018

VOCÊ POSSUI A MENTE DE CRISTO?

Porque, quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo? Mas nós temos a mente de Cristo. (1 Coríntios 2:16)

O argumento de Paulo em 1 Coríntios 2 é este: Ninguém pode entender a Deus. Ninguém pode compreender plenamente seus planos, seus sentimentos, seus pontos de vista, seus desígnios. Ninguém por natureza, sob a influência do sentido e da paixão, está disposto a investigar sua verdades, ou amá-los quando eles são revelados. Mas o cristão é influenciado por Deus. Ele tem o seu Espírito. Ele tem a mente de Cristo, que tinha a mente de Deus. Ele simpatiza com Cristo, ele tem seus sentimentos, desejos, propósitos. E como ninguém pode entender Deus completamente por natureza, então ninguém pode entender aquele que é influenciado por Deus e não é de se admirar que os homens considerem a fé cristã como loucura, e o cristão como um tolo.

O cristão, assim, deveria possuir a mente de Cristo. Isto é, deveria possuir a mesma lógica de pensamento e de raciocínio que o Senhor possui. Afinal de contas, como explica Paulo, o cristão possui o Espírito de Cristo nele, influenciando-o e direcionando-o no Caminho, na Verdade e na Vida. Diante disso, um cristão deveria acima de tudo concordar com o que Seu Senhor concorda e discordar daquilo que Ele discorda. Estranha-se, portanto, quando um dito cristão tem pensamentos e lógicas contrários ao Seu Senhor. Infelizmente, é exatamente isso que se vê atualmente: pessoas ditas cristãs com estruturas de pensamento e discursos díspares do pensamento de Cristo. Pessoas cheias de fortalezas de pensamento, muitas auto-impostas por preconceitos e idéias pré-concebidas e muitas outras impostas por suas lideranças denominacionais. 

Que a religião é algo altamente opressor e negativo isso é um fato. Quem mergulha de cabeça numa religião acabará fanático e dissociado do mundo real, porque a religião tem o poder de dominar e escravizar a mente humana.  Veja, por exemplo, o que acontece com os adeptos das seguintes religiões: islã, cristianismo, judaísmo e do hinduísmo, só para citar algumas. Pessoas cometem toda sorte de atrocidades contra si mesmas e contra seu semelhante "em nome de Deus", como se vê na Jihad e como se viu na Inquisição, por exemplo. 

É interessante notar que o nome de Deus, dentro da religião dita cristã, é usado com frequência para justificar tudo aquilo que Deus condena. E infelizmente essa prisão chamada "religião" vai crescer em poder e influência, e muito, nos últimos dias. Nosso Senhor Jesus, que nunca comungou com religião nenhuma nem fundou religião nenhuma, disse: "Expulsar-vos-ão das sinagogas; ainda mais, vem a hora em que qualquer que vos matar julgará prestar um serviço a Deus." (Jo 16.2) Assim, os cristãos seriam explusos das sinagogas e mortos em favor de "Deus" nos dias antigos; nos dias presentes, serão perseguidos e explusos das denominações e casas de culto e nos dias futuros...serão mortos em nome do deus da "religião cristã"! Isso não está longe de acontecer: já hoje, o ódio (essa é a palavra) entre ditos "cristãos" é uma realidade que só tende a crescer; ódio por tudo (pelo político preferido, pelo dominador-presidente fundador e dono de igreja/ministérios, pela denominação preferida, etc.). Basta dar uma rápida olhada nas redes sociais e você constatará essa triste realidade! Idiota, burro, imbecil, tapado, ladrão, etc. são as mais brandas palavras usadas por ditos cristãos uns contra outros, demonstrando intolerância e violência. Isso quando não estão "alfinetando" uns aos outros! Qual é o fundamento ou princípio ético que legitime alguém dirigir-se pessoal e diretamente a uma outra pessoa para insultá-la, menosprezar seu trabalho, rotulá-la, e ainda chamar outras pessoas para participar do achincalhe público por rede social - ainda mais sendo cristão??

Olhando para isso tudo, fico a pensar que estamos muito longe do ideal cristão de vida, de comportamento e de relacionamento que Cristo e seus apóstolos estabeleceram na e para a Igreja. Estamos muito aquém desse ideal de ter a mente de Cristo. Quando muito, temos a mente do líder denominacional, do político querido, etc. É incrível isso! Como pode um dito cristão defender causas e posições claramente anticristãs?!? Como pode defender ideologias claramente antibíblicas?!? Mente de Cristo ou de manada, seguindo outros cegamente, adotando o comportamento de uma pessoa ou grupo sem fazer uma avaliação crítica e independente? Vamos impor ditos valores cristãos a toda uma população de pessoas, a toda uma nação, independente da fé que professem? Vamos "cristianizar o país", desapropriando templos pagãos e forçando conversões em massa sob ameaças estatais, como na época de Constantino? 

Sobre isso, comenta o pr. Antonio Carlos Costa: "Nunca vi nada mais ineficiente, sem fundamento teológico e bizarro do que a pauta moralista da igreja, nesse ano de eleição. Qual legislação, presidente da República, passeata, é capaz de mudar a orientação sexual de uma pessoa, fazer com que não se embriague com a cachaça que é vendida na esquina, modificar seu desejo de montar uma família poliafetiva etc.? O cristianismo é cético quanto à possibilidade de não cristãos se comportarem como cristãos. Uma coisa é você ir às ruas para fazer o Estado cumprir o que lhe cabe fazer, outra, é legislar sobre moral privada." Ele prossegue, argumentando acerca do comportamento dos ditos evangélicos nas redes sociais: "O que me impressiona é ver evangélicos que não dão conta de uma leve ofensa ou discordância de pensamento nas redes sociais, que -recusam-se a não abortar o embrião do respeito ao próximo-, exigirem de não cristãos altíssimo compromisso com a ética cristã. Você quer influenciar a cultura? Defenda suas ideias com fervor, mas não trate a ninguém com estupidez nas redes sociais." (https://web.facebook.com/AntonioCarlosAlvesdeSaCosta/posts/2176008139280001?comment_id=2176438505903631&notif_id=1538218252916525&notif_t=feed_comment_reply).

Para o Pr. Antonio Carlos Costa, estão usando politicamente a igreja e o glorioso nome de Cristo. Eu concordo com essa análise. Estão usando o cristianismo para promoverem o que o cristianismo condena, tanto partidos políticos, quanto denominações religiosas. E com isso, milhões de brasileiros não cristãos estão escandalizados com a forma desinibida mediante a qual evangélicos defendem causas anticristãs cristianizadas. O problema não é político, mas sim teológico. O Brasil quer saber em qual espécie de Deus a igreja crê. Nossos interesses políticos não podem estar acima do compromisso com a causa do evangelho! Mas o efeito manada está em pleno vigor!

Querido(a) leitor(a): nada tenho em comum, portanto em comunhão, com qualquer ideologia cristianizada que contraria os princípios e valores que amo e creio. Não dou a mínima para bandeiras e siglas, para títulos e posições, mas sim para o que Cristo ensina. Meu estado de convertido me leva a aceitar o que Cristo aceita e a repudiar aquilo que Ele repudia. Faço isso com tudo, quer com minha vida pessoal, quer com denominações e seus ensinos, quer com políticos e suas idéias, quer com qualquer idéia, comportamento, conceito, valor ou tese apresentada. Como cristão, devo buscar discernir - entender - todas as coisas. A mente de Cristo não é uma mente passiva: ela está, constantemente, buscando obedecer a Deus, viver para Deus e cumprir as tarefas que Deus lhe dá. 

Compartilho contigo meu testemunho pessoal quanto a isso: já tive que sair de denominação religiosa porque o líder máximo da mesma passou a comportar-se como dono e a exigir obediência absoluta e irrestrita! Passou a exercer domínio sobre todos, caindo em pecado de traição visando remover-me secretamente da posição por (a) discordar de suas posições e (b) por, segundo ele, não fazer a igreja crescer. Sempre fui taxado de radical nessa denominação, por querer ensinar a Bíblia e segui-la e por não fazer vista grossa com pecado em nome de um crescimento numérico. Ora, se a Bíblia diz que um presbítero não deve dominar sobre a Igreja de Cristo, esta atitude não deve ser tolerada, ainda mais com o agravante mencionado! Igreja é lugar de sinceridade, creio eu.  Acabei saindo por não haver mais como ficar; saí, contudo, em paz e seguro de minhas convicções. Depois de um certo tempo, alguém me falou que eu deveria ter ficado e lutado por minha posição. Igreja é local de briga, eu pergunto? Local de confusão? Um cristão deve usar armas carnais para triunfar, para fazer valer sua posição? Isso estaria de acordo com a mente de Cristo? Paulo não nos recomenda sofrermos o dano? Ele não disse: "O só existir entre vós demandas já é completa derrota para vós outros. Por que não sofreis, antes, a injustiça? Por que não sofreis, antes, o dano?" (1 Co 6.7) Sofri e sofro o dano, como cristão e ministro do evangelho que sou! Se temos a mente de Cristo, devemos aprender a conviver com as perdas pessoais para a glória de Cristo, especialmente quando o nome de Cristo e da fé cristã estão em jogo.

Ter a mente de Cristo, portanto, é compartilhar a atitude de Cristo, que disse: “E aquele que me enviou está comigo, não me deixou só, porque eu faço sempre o que lhe agrada” (João 8:29). Como agora você vive no plano espiritual, dependa constantemente do Espírito, o seu Consolador sempre presente, para o alertar, lembrar, sugerir idéias, palavras e ações; para o encorajar e motivar; ou para o controlar e refrear. Busque a Sua direção em todas as suas decisões. Nos sufocantes detalhes da vida, procure olhar de relance momento após momento e quase inconscientemente afim de ver o Seu sorriso, Sua desaprovação ou o Seu questionamento sobre o que você está fazendo ou considerando. Assim como o timoneiro de um barco olha constantemente para o seu compasso e para as estrelas a fim de checar o seu curso e assim como o piloto consulta a todo instante os mostradores do painel do avião, olhe também constantemente, com os olhos da fé, para o Espírito e sinta a Sua aprovação, preocupação ou desaprovação.

Aprenda, por fim, a ser humilde. Quem tem a mente de Cristo não se considera "a última bolacha do pacote": “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, pois ele, subsistindo em forma de Deus não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz” (Fp 2.5-8).

Pense nisso. Graça e paz!

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

SENHOR, QUEM PODERÁ PERMANECER EM TUA PRESENÇA?

SENHOR, quem habitará no teu tabernáculo? Quem morará no teu santo monte? Aquele que anda sinceramente, e pratica a justiça, e fala a verdade no seu coração. Aquele que não difama com a sua língua, nem faz mal ao seu próximo, nem aceita nenhum opróbrio contra o seu próximo; a cujos olhos o réprobo é desprezado; mas honra os que temem ao Senhor; aquele que jura com dano seu, e contudo não muda. Aquele que não dá o seu dinheiro com usura, nem recebe peitas contra o inocente. Quem faz isto nunca será abalado. (Sl 15.1-5)

Quem subirá ao monte do Senhor, ou quem estará no seu lugar santo? Aquele que é limpo de mãos e puro de coração, que não entrega a sua alma à vaidade, nem jura enganosamente. (Salmos 24:3,4) 


Os pecadores de Sião se assombraram, o tremor surpreendeu os hipócritas. Quem dentre nós habitará com o fogo consumidor? Quem dentre nós habitará com as labaredas eternas? O que anda em justiça, e o que fala com retidão; o que rejeita o ganho da opressão, o que sacode das suas mãos todo o presente; o que tapa os seus ouvidos para não ouvir falar de derramamento de sangue e fecha os seus olhos para não ver o mal. Este habitará nas alturas; as fortalezas das rochas serão o seu alto refúgio, o seu pão lhe será dado, as suas águas serão certas. (Isaías 33:14-16) 


Quem habitará com o Senhor? Essa pergunta se repete 3 VEZES na Bíblia. Por três vezes, Deus inspirou a mesma pergunta; Ele deu ênfase a essa questão. Ou seja, trata-se de uma pergunta MUITO importante, logo não devemos desprezá-la nem trata-la de forma leviana, superficial, como tratamos a maioria das coisas!

O salmo 15 começa perguntando quem habitará no tabernáculo do Senhor. O termo “habitar” vem do hebraico “permanecer” (como hóspede), como convidado pelo Senhor. Então poderíamos traduzir em “quem será recebido por Ti como hóspede em teu tabernáculo, Senhor”? Veja que não é só chegar à presença de Deus, mas é habitar junto a essa presença! Habitar é permanecer, é fazer morada, é ficar de forma definitiva. Não é uma mera visitinha ocasional, não! É vir para ficar! Ser recebido como hóspede indica que o Senhor conhece a quem hospeda. Ele não poria ninguém estranho como hóspede na Sua casa. Ele é hospitaleiro, mas não permite hospedagem a qualquer um. Não permite que qualquer um more na Sua presença! A pergunta do salmista, portanto, é importantíssima. Ela mostra que não é qualquer pessoa, de qualquer forma, sem critério nenhum, que será admitida na casa de Deus, como hóspede, sob Seu teto e desfrutando da comunhão com Ele. 

ENTRAR NA (PARA) IGREJA NÃO É O MESMO QUE SER RECEBIDO POR DEUS PARA TER COMUNHÃO COM ELE. Você pode entrar numa igreja para assistir a um culto ou programação. Pode cantar e se emocionar. Pode ajudar. Pode até recitar a Bíblia como se declamasse uma poesia. Pode tomar um banho numa piscina, num rito religioso. Pode receber uma oração. Novamente, Deus é hospitaleiro. Porém, isso não significa que você está sendo recebido por Deus para morar junto a Ele. Tal coisa é bem mais profunda do que meros atos exteriores! Você pode ir à casa e ser tratado com dignidade. Terás pão, se fome você tiver; terás água, se tiver sede. Mas morar, ficar de forma permanente, isso é outra história. 

Por isso, logo após vem a pergunta que define a condição do hóspede: “quem morará em Teu Santo monte, Tua presença”? “Quem morará em Sião?” Quem deve ser cidadão de Sião, e um habitante da Jerusalém celeste? Quem dentre nós pode habitar com o fogo consumidor? Quem dentre nós pode habitar com as labaredas eternas? A Igreja pode ser a porta do céu para quem a ela chegar disposto a conhecer a Deus e se render a Ele. Por outro lado, pode ser algo completamente inútil em termos de salvação para quem não quer nada com Deus e só tem interesse numa religião exterior, de aparência. Infelizmente, há pessoas que lançam mão do título “povo de Deus” sem o ser de fato e de verdade. Apenas ocupam espaço no templo de Deus. DEUS NÃO RECONHECE A NINGUÉM COMO TAL, SENÃO AQUELES QUE PERSEGUEM UMA VIDA DE JUSTIÇA E RETIDÃO AO LONGO DE TODO CURSO DA VIDA. Muitos se denominam "povo de Deus", mas nunca foram de verdade conhecidos por Deus (Mt 7.23). Cantam, dançam, pulam, se emocionam, pregam, oram, tomam banho em piscinas, comem pão com suco de uva, se reúnem... mas não possuem relacionamento com Deus. Nunca viveram a dimensão pessoal da fé, a intimidade que vem do temor ao Senhor, do santo respeito por Deus. Nunca consideraram a Deus de verdade; a opinião de Deus sobre suas vidas e atitudes, sobre seus caminhos e modos de viver, sobre a forma com que se relacionam uns com os outros e com o próprio Deus. 

Há um conceito muito errado que formamos em nossas mentes de que é suficiente para salvação apenas um ato isolado em direção a Cristo. Porém, a salvação em Cristo é mais do que um mero ato, é uma sucessão de atos, de aproximação constante e contínua do Senhor! VISITAR NÃO É SUFICIENTE! Os membros da igreja visível precisam entender que há uma Igreja Invisível, a qual somente Deus conhece os seus membros. Precisam entender que a salvação final começa nessa Terra, na qual precisamos viver conforme a nossa condição de salvos. Sem retidão de caminhada, não estando apto para a igreja imperfeita na terra, certamente não devemos esperar entrar na igreja perfeita do céu. MILITANTES HOJE, TRIUNFANTES AMANHÃ. Assim, se alguém é povo de Deus, deve cultivar uma vida santa e íntegra, de retidão e sem fazer dano ao próximo. Devemos nos separar cada vez mais das obras de uma vida corrompida e poluída. SOMENTE AQUELES QUE TÊM ACESSO A DEUS E QUE VIVEM UMA VIDA SANTA É QUE SÃO GENUINAMENTE SEUS SERVOS E SEU POVO.

Daí Davi continua a perguntar: “Quem subirá ao monte do Senhor ou quem estará no seu lugar santo?” Trazendo para nós, a pergunta é: “Quem subirá e estará diante do Senhor quando for a hora?” (Sl 24.3) O SENHOR PROMETEU VOLTAR E LEVAR OS SEUS DISCÍPULOS PARA JUNTO DE SI MESMO (Jo 14.3). O Senhor mesmo prometeu que haverá uma grande separação na humanidade quando do Seu retorno. Até lá, o sagrado celeiro de Deus deverá conter joio e trigo, ímpios e santos, aparentes e reais (Mt 13.25-30; 24.40-42). 

A salvação em Cristo é o pré-requisito para moradia na presença do Senhor. Mas é preciso entender que a salvação opera obrigatoriamente em nós uma mudança contínua de vida, moldando-nos de forma a irmos nos conformando continuamente à imagem de Cristo! SALVAÇÃO SEM SANTIFICAÇÃO NÃO É NADA! Quem não busca santificar a própria vida, confiando na salvação feita no passado, corre sério risco de não gozar da salvação no futuro. Salvação é uma condição espiritual que deve trazer um reflexo na minha maneira de viver hoje. A única segurança verdadeira é ser um cristão prático – não teórico de Igreja, cultivando uma vida piedosa que segue os princípios divinos de modo prático. 

Precisamos assim responder a esta tão séria pergunta: QUEM, SENHOR, DENTRE OS HOMENS QUE VEM À TUA CASA, SERÃO POR TI RECEBIDOS NA SUA SANTA PRESENÇA, COMO MORADORES ETERNOS EM COMUNHÃO CONTIGO?

De quem o Senhor aceitará culto hoje na igreja na terra, e um dia morará com Ele no céu para sempre? Daqueles que buscam santificar a própria vida, que buscam viver de verdade a fé e o Evangelho, que buscam viver em amizade e comunhão com o Senhor e com Sua Igreja. QUEM É LIMPO DE MÃOS E PURO DE CORAÇÃO, QUE NÃO ENTREGA SUA ALMA A VAIDADE E NEM JURA ENGANOSAMENTE (SALVAÇÃO NO PRESENTE) – SL 24.4.

Quem é LIMPO DE MÃOS: Aquele que anda sinceramente, e pratica a justiça, e fala a verdade no seu coração (15.2). Sinceridade é ser honesto, transparente consigo mesmo e com o outro. Sinceridade é mostrar ao outro a verdade ou opinião, deixando claro sua posição. Ah, como essa qualidade está em falta! Hoje, quando alguém ousa ser sincero é logo recriminado, logo abandonado! Infelizmente, as pessoas amam a mentira, tanto a mentira falada quanto a mentira vivida - a mentira está no coração delas! Preferem a hipocrisia, mantendo suas aparências religiosas e piedosas com o coração cheio de podridão e de rapina. Experimente ser sincero com os religiosos! Você será apedrejado com a Bíblia que eles carregam debaixo do braço mas nunca no coração! Dirão toda sorte de mal contra você! Porém, querido(a) leitor(a), é somente sendo sincero com os homens - mesmo com essa raça de víboras -, consigo mesmo e com Deus é que você será apto a morar com Deus! A sinceridade levou Jesus a cruz; logo, não podemos presumir que conosco será diferente! O nosso andar nessa Terra precisa ser um ANDAR SANTO, um ANDAR EM JUSTIÇA, sem astúcia ou artifícios pecaminosos. Sem falsidade, nem malandragem, tanto nas palavras como nos atos. Fale sempre a verdade – especialmente com relação a si mesmo (I Co 5.8; Ef 4.25), custe o que custar! Os santos não apenas desejam amar e falar a verdade com seus lábios, mas buscam ser verdadeiros dentro de si; eles não mentirão nem mesmo no mais íntimo de seus corações, pois Deus está lá para ouvir; eles desprezam duplos significados, evasões, equívocos, mentiras brancas, lisonjas e decepções. Embora as verdades, como as rosas, tenham espinhos sobre elas, os homens bons as usam em seus seios. Nosso coração deve ser o santuário e refúgio da verdade, mesmo que venhamos a ser banidos por todo o mundo. Devemos ter cuidado para que o coração seja realmente fixo e estabelecido em princípio, por ternura de consciência em relação à veracidade. Jesus era o espelho da sinceridade e da santidade.

Quem é PURO DE CORAÇÃO: Aquele que não difama com a sua língua, nem faz mal ao seu próximo, nem aceita nenhum opróbrio contra o seu próximo (15.3). Fazer mal ao próximo é prejudicar o próximo. Prejudicamos o nosso próximo quando não damos a ele o que lhe é devido. Isso fala de coisas materiais (Tg 2.15,16; Lc 10.30-37), mas também das imateriais (Ef 4.2-6; Ef 5; etc).  Difamar é fazer com que alguém deixe de possuir uma boa reputação, usando para este expediente de mentiras. O difamador age assim: para que ele se sobressaia e encubra seu erro, ele busca minar a reputação dos outros (veja um exemplo - "Quem sai, vira bode" - em: https://apenas-para-argumentar.blogspot.com/2018/02/a-podridao-do-sistema-religioso-que.html). Difamação e religião andam de mãos dadas, lembre-se disso! Por que? Porque são justamente os religiosos que se consideram acima dos outros, melhores que os outros, mais isso, mais aquilo; uma classe de intocáveis inerrantes, fazendo toda sorte de besteiras (às escondidas e, modernamente, às claras mesmo!) e se escondendo por detrás da capa de religiosidade e, ainda por cima, julgando e condenando os outros! As línguas de alguns homens mordem mais que os dentes. A língua não é de aço, mas corta e suas feridas são muito difíceis de curar. Note: PUREZA DE VIDA É DEMONSTRADA NO TRATO COM OS OUTROS! Muito interessante aqui é a expressão "não aceita nenhum opróbrio contra o seu próximo". Opróbrio significa (a) grande desonra pública; degradação social; ignomínia, vergonha, vexame; (b) caráter daquilo que humilha, degrada; estado ou condição que revela alto grau de baixeza, torpeza; abjeção, degradação. Ou seja, "não aceitar nenhum opróbrio contra o próximo" é o mesmo que não aceitar que ele seja desonrado publicamente (ou de qualquer outra forma). Quem gosta de desonrar os outros não é puro de coração. Nesse ponto, entra o FALAR SANTO – FALAR COM RETIDÃO: Sem difamação e calúnia, sem críticas destrutivas (Pv 16.28; Ef 4.29). O próximo e o irmão devem ser amados como a nós mesmos (I Jo 4.20), não apenas com palavras (o famoso "eu te amo irmão") mas principalmente com a atitude.

Quem NÃO ENTREGA A ALMA A VAIDADE: Aquele cujos olhos o réprobo é desprezado; mas honra os que temem ao SENHOR; aquele que jura com dano seu, e contudo não muda (15.4). Jura com o dano seu, mas não muda. Seu sim é sim e seu não é não. Quem não vive com "dois pesos e duas medidas". Quem não falsifica a verdade, mesmo que essa verdade lhe traga dano pessoal. Aqui, as redes sociais são o "tristemunho" de que muitos estão entregando sua vida a vaidade sim! São pessoas que temem os homens, que temem contrariar o status quo diretamente, mas fazem-no às escondidas. Vivem mudando de opinião, se de alguma forma sua opinião lhe trará algum prejuízo; por exemplo, elas curtem/comentam algo de noite e depois, pela manhã, descurtem/descomentam aquilo que comentaram, só para que outros não vejam e não a condenem como quem "confraterniza com o inimigo".  Sua atitude é igual a de Pedro após Jesus ser preso: observando de longe o que estava acontecendo com o Senhor, junto ao fogo (afinal era amigo de Jesus), mas quando perguntado sobre seu relacionamento com Cristo a resposta é "não sei quem é", "não o conheço", "nunca vi esse homem", "não sou um deles", "não sei o que estás falando", e por aí vai... Logicamente, isso fala também de uma CONSCIÊNCIA SANTA: o que tapa os ouvidos para não ouvir falar do derramamento de sangue e fecha os olhos para não ver o mal (II Co 1.12 – consciência de santidade e sinceridade). Consciência pura (I Tm 3.9).  Devemos ser tão honestos em pagar respeito quanto em pagar nossas contas. Honrar a quem a honra é devida. Para todos os homens bons temos uma dívida de honra, mas não temos o direito de honrar pessoas vis que estão em altos escalões. Quando homens maus estão no poder, é nosso dever respeitar o ofício, mas não podemos violar nossa consciência a ponto de "puxar o saco deles";  por outro lado, quando os verdadeiros santos estão em aflição, devemos simpatizar com suas aflições e honrá-los.

Por fim, quem NÃO JURA FALSAMENTE: Aquele que não dá o seu dinheiro com usura, nem recebe peitas contra o inocente (15.5). Obviamente, isso fala de RELACIONAMENTO SANTO – REJEITAR O GANHO DA OPRESSÃO: Rejeita o ganho da opressão bem como toda a forma de opressão – tráfico de interesses (Dt 16.19; Is 1.23; 33.15). Aqui é que "dançam" os "donos de igreja/ministérios", que distorcem a Palavra de Deus para aumentarem tanto "o público pagante" como "a arrecadação". Aqui dançam também todo aquele que omite a verdade para maximizar sua grana (seja o troco do ônibus, o imposto de renda, etc.). 

Que morará com as labaredas eternas? Eu? Você, querido(a) leitor(a)? Para isso, a vida precisa mudar HOJE. É preciso ser um servo sincero, limpo de mãos e puro de coração e só Cristo pode fazer isso. Um cidadão da Sião Celestial é realmente o que ele professa ser; se esforça para cumprir toda a vontade de Deus em sua vida. Todo verdadeiro membro vivo da igreja, como a própria igreja, é edificado sobre uma rocha. Aquele que faz estas coisas não será movido para sempre. A graça de Deus será sempre suficiente para ele. "Aquele que faz estas coisas nunca será movido." Nenhuma tempestade o rasgará de seus alicerces, o arrastará de seu ancoradouro ou o arrancará de seu lugar. Como o Senhor Jesus, cujo domínio é eterno, o verdadeiro cristão nunca perderá sua coroa. Ele não só estará em Sião, mas como Sião, fixo e firme. Ele habitará no tabernáculo do Altíssimo, e nem a morte nem o julgamento o tirarão de seu lugar de privilégio e bem-aventurança.

(MENSAGEM MINISTRADA EM 28/08/2016)

Pense nisso!
Graça e paz!

domingo, 16 de setembro de 2018

ENTENDENDO A PROFUNDIDADE DO VERDADEIRO ARREPENDIMENTO

Então falou Samuel a toda a casa de Israel, dizendo: Se com todo o vosso coração vos converterdes ao Senhor, tirai dentre vós os deuses estranhos e os astarotes, e preparai o vosso coração ao Senhor, e servi a ele só, e vos livrará da mão dos filisteus. Então os filhos de Israel tiraram dentre si aos baalins e aos astarotes, e serviram só ao Senhor. Disse mais Samuel: Congregai a todo o Israel em Mizpá; e orarei por vós ao Senhor. E congregaram-se em Mizpá, e tiraram água, e a derramaram perante o Senhor, e jejuaram aquele dia, e disseram ali: Pecamos contra o Senhor. E julgava Samuel os filhos de Israel em Mizpá. (I Samuel 7:3-6)

Israel havia pecado contra o Senhor, servindo aos falsos deuses, enquanto a Arca do Senhor estava em Quiriate-Jearim. Eles haviam se afastado de Deus e por isso Deus se afastou deles; 20 anos de afastamento! Para haver o retorno da presença de Deus, era preciso remover a causa do afastamento: os baalins e astarotes, no coração de Israel, os falsos deuses que estavam concorrendo com o Deus de Israel pela adoração do Seu povo.  Falsos deuses na vida é algo profundo, algo ligado à profundeza do coração. Não é algo meramente superficial e passageiro, mas algo que marca a vida e dita regras de comportamento. 

I. O VERDADEIRO ARREPENDIMENTO ENVOLVE O REAL ABANDONO DAQUILO QUE DEUS REPROVA EM NOSSA VIDA.   


Para remover os falsos deuses (atitude exterior), era preciso primeiro preparar o coração (uma atitude interior). Não adiantava fazer uma coisa sem fazer outra (e vice-versa). Não adianta participar de uma reunião que fale sobre Deus, se isso entra por um ouvido e sai pelo outro. Muitas vezes durante um culto ou reunião Deus age, movendo o interior dos ouvintes; aí a pessoa vem na frente após o apelo e recebe uma oração. Deus fez tudo para preparar o coração pela mensagem e pelo louvor. Porém, nota-se que a vida não muda em nada, pois faltou tirar os falsos deuses. Faltou arrependimento.

Por outro lado, há situações onde somos convencidos apenas intelectualmente da verdade, numa mera ação mental que reconhece a lógica, mas sem o testemunho do Espírito Santo. Não há contrição, não há esse mover interior para que o coração esteja preparado. Dessa forma, nada mudará em nossa vida.  A letra nos convenceu intelectualmente a nível de alma, mas o espírito resistiu ao Espírito Santo e à vida de Deus! Não adianta só sentir-se tocado por Deus, tem que saber o que Deus quer mudar em sua vida, o que está ocupando o lugar que Deus quer ocupar. Quando ele toca no seu coração, Ele mostra o que precisa ser removido – algo que está concorrendo com Deus por todo seu afeto e paixão, algo que deve ser entregue voluntariamente ao Senhor. O falso deus pode não ser necessariamente pecado, às vezes é uma coisa lícita: um prazer, um hobby, um costume, trabalho, etc. Falso deus é tudo aquilo que ocupa o lugar de Deus em nossas vidas; tudo aquilo que damos mais atenção e consideração do que o Senhor.

A atitude correta quando Deus move a nossa vida é: “Senhor, tudo que Deus pedir hoje, eu entrego” e assim entregar mesmo, sem rodeios, de forma direta (se não, todo aquele mover de Deus é perdido, não gera fruto permanente).  Todos podemos acabar colocando algo no lugar de Deus em nossa vida, mas para remover é preciso primeiro localizar essa coisa e depois se arrepender. Abrir a vida de verdade para Deus, permitindo que o Senhor mostre aquilo que você precisa abrir mão por Ele e abandonar realmente isso. Servir a Deus de todo coração, mandamento do Senhor, não é trocar a fidelidade por bênçãos, mas servir a Deus por Ele mesmo. Ele precisa ser a fonte de nosso prazer, de nossa satisfação; todas as demais coisas - se lícitas - vem em segundo lugar; se ilícitas, devem ser removidas.  

II. O VERDADEIRO ARREPENDIMENTO ENVOLVE PROFUNDO QUEBRANTAMENTO DE ALMA. 

Após tirar os deuses estranhos e prepararem o coração, Israel tirou água e derramou-a perante o Senhor (Lm 2.19). As águas eram tiradas do fundo do poço (15m ou mais de profundidade, dependendo do local). Nós não sabemos o que há no profundo do nosso interior. Para tirar águas, é necessário furar o poço (entrar no fundo do coração). O que há no fundo do seu coração?

Vivemos a maior parte da nossa vida superficialmente; pensamentos e meditações são superficiais; falamos superficialmente com Deus e com os outros. É preciso cavar o poço, ir mais fundo, o que realmente queremos de Deus, qual é o verdadeiro anseio do nosso coração. Todos temos sede, mas alguns de nós nunca cavam o poço até encontrar água e, assim, não matam a sede e vão levando a vida. Porém, todos que furarem o poço encontrarão águas!

Note, porém, que eles tiraram água do fundo do poço e a derramaram em terra! Isso era um desperdício do ponto de vista pessoal! A atitude que toca no coração de Deus são aquelas que são feitas não para benefício próprio. Quantas vezes oramos a Deus para outras pessoas ouvirem e verem como somos espirituais. Quantas vezes pegamos água e não derramamos! Água precisa ser tirada do fundo do coração e então desperdiçada (não voltar mais, porque não é para benefício próprio). Água que é tirada só para Deus, derramada diante de Deus, não tem utilidade particular, não vai ser usada para outra coisa. Mas se é dada somente para Deus, nunca será jogada fora! A atitude da mulher do vaso de alabastro é um exemplo (Mc 14.3-9): “É um desperdício!”, disseram alguns que assistiam a cena. “Em verdade vos digo que, em todo o mundo, onde quer que for pregado o evangelho, também o que ela fez será contado para memória sua” (Jesus). E ela não sabia disso, antes de agir! Deus retribui aquilo que damos para Ele em adoração. 

Quando os comunistas tomaram conta da China, o Pr. Watchman Nee teve oportunidade de deixar o país. Mas ele preferiu ficar com o seu povo, compartilhando o sofrimento deles. Foi preso por 20 anos pelos comunistas; do ponto de vista humano, ele jogou a vida dele fora. Porém, sem ele saber, o Espírito Santo fez com que seus muitos e maravilhosos ensinamentos fossem reunidos, editados, traduzidos, publicados e distribuídos em todo o mundo, enriquecendo e edificado milhares de cristãos em muitas igrejas e muitas nações. Morreu pouco tempo depois de sair da prisão, aos 68 anos. Os guardas acharam sua confissão debaixo do travesseiro: “eu creio em Jesus Cristo que morreu e ressuscitou por nós”. Manteve até o fim a sua fé; seu tesouro ficou guardado no céu. A água que foi jogada diante de Deus, foi por Deus recolhida! Nunca pense que sua vida não tem valor para Deus. Derrame seu coração, tire para fora aquilo que há no mais profundo do seu ser para o seu Senhor. Deus precisa ouvir você dizer, o amor é falado! 

III. O VERDADEIRO ARREPENDIMENTO ENVOLVE CONFISSÃO NUMA BASE VERDADEIRA. 

Israel confessou o seu pecado. O texto diz: “[...] jejuaram naquele dia e ali disseram: pecamos contra o Senhor”. Precisamos aprender a confessar os nossos pecados! Não é confessar quando falamos em geral: “Oh Senhor, perdoa-nos porque somos fracos”, “perdoa-nos porque todos nós somos pecadores”. Isso não passa de apresentar desculpas. Confissão é sem rodeios, sem meias-palavras, sem desculpas! 

Confissões não são acusações: “Senhor, eu pequei por causa de fulano”, “Senhor, eu pequei, mas dá um jeito naquele filho teu porque não tem quem aguente”. As confissões na Bíblia falam de um profundo sentimento de vergonha, de sequer olhar para a outra pessoa. Eles confessavam olhando para baixo, encurvados (Ed 9.5,6). 

Deus é misericordioso, mas Ele exige que reconheçamos a nossa a iniquidade (Jeremias 3:12,13). Quando Deus toca em certas coisas na nossa vida, às vezes precisamos voltar 20 anos ou mais e falar “há uma coisa que eu nunca reconheci”. Tem coisas que precisam ser reconhecidas. Conforme Isaías 59:12,13, aprendemos que a confissão envolve “dar nomes”. “Desculpa qualquer coisa” não é válido. Seja específico!

“Não destes ouvidos à minha voz” - essa é uma queixa recorrente de Deus com relação ao Seu povo. Quando Deus tratava com a rebelião do povo, Ele falava do que é fundamental (apesar dos 10 mandamentos), que é não ouvir a voz de Deus, não amar a Deus e não dar atenção para Deus. Com certeza, se colocarmos nosso coração diante de Deus aquilo que Ele mais irá tocar será nossa frieza, a pouca importância que damos para ficarmos na presença de Deus em detrimento de outras coisas. Isso é fundamental (Jeremias 3:22-25).

Um arrependimento profundo é a primeira marca de um verdadeiro avivamento espiritual! Não existe avivamento sem arrependimento, confissão de pecados e retorno da vida para o Senhor!

Pense nisso! Graça e paz!

(mensagem pregada dia 22/05/2014)

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

OS ERROS DA DOUTRINA DA MALDIÇÃO HEREDITÁRIA

Maldições hereditárias (em inglês "Generational curse") seriam maldições que passam de geração a geração, de pai para filho e assim sucessivamente. Por exemplo: se o pai possui um determinado vício (uma maldição), esse vício passará automaticamente para seu filho e assim sucessivamente. Trata-se de um conceito muito propalado no meio evangélico, especialmente no meio neopentecostal onde o culto é, em síntese, dicotomizado e a luta contra o diabo tem foco principal. Supostamente existe uma “cadeia de maldição” transmitida hereditariamente, e que precisa ser quebrada num ritual de libertação.

Segundo o pr. Caio Fábio, "foi aí pelo meio da década de 80 que algumas pessoas começaram, aqui no Brasil, a falar sobre “quebra de maldições”. Em 1970 já havia em Niterói o movimento de “Oração de Renuncia”, que veio a ser o “joão batista” da febre da “messiânica quebra de maldições” que hoje atinge a igreja como infecção mortal, e que já deixou o “paciente” com diagnóstico de morte lenta, porém certa." (disponível em: https://caiofabio.net/undefined/02696)

Para os defensores da doutrina da maldição hereditária, doenças crônicas (hereditárias, como hemofilia), esterilidade,  tendência  para  abortar, problemas menstruais, crises mentais ou emocionais, divórcio, problemas financeiros, mortes não naturais (p.ex. assassinato), dificuldade de ler a Bíblia, etc. seriam causadas por uma maldição familiar naquela área determinada. De fato, doenças podem ser transmitidas de pai para filho - até mesmo entre cristãos - mas isso não significa que essa doença seja uma maldição hereditária. 

De forma a entendermos melhor o assunto, inicialmente é importante que saibamos duas coisas: 

(1) Maldição é o resultado da transgressão da Lei de Deus: "Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las" (Gálatas 3:10). 

(2) Como cristãos estamos livres de toda a sorte de maldição, porque Cristo se fez maldito em nosso lugar. Em Cristo, somos abençoados: "Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro; para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo, e para que pela fé nós recebamos a promessa do Espírito" (Gálatas 3:13,14). 

Portanto, se alguém está em Cristo está imune contra toda sorte de maldições, urucubacas, mau olhado, trabalhos de feitiçaria, etc. pois "o maligno não lhe toca" (I Jo 5.18). Para colocarmos um ponto final nisso, vale relermos Romanos 8:1 - "Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito". NENHUMA CONDENAÇÃO! Ora, como cristãos verdadeiros estamos livres da maldição da Lei por intermédio do sacrifício vicário e expiatório de Cristo na cruz e, portanto, livres de toda a condenação! Somos plenamente e gratuitamente justificados por Deus por meio da fé em Jesus. 

Note adicionalmente que se a maldição é derivada da quebra da Lei de Deus, então a maldição é imposta por... Deus! Somente Deus, o Juiz de toda a terra, de vivos e de mortos, de homens e de anjos, de demônios e de satanás, tem autoridade moral e justiça santa para julgar e imputar a pena (condenar) pela desobediência de Sua Palavra, de Sua Santa Lei.  Ele é o Santo Legislador e Juiz, ninguém mais em todo o Universo tem essa autoridade. Daí, querido(a) leitor(a), diabo, demônio, mandinga, uruca, etc. não tem iniciativa nenhuma em qualquer coisa, em destaque na criação de maldições. Somente Deus pode amaldiçoar ou abençoar e Ele escolheu abençoar todo aquele que está em Cristo! E ninguém ou coisa alguma pode alterar isso, como do mesmo modo se Ele resolveu amaldiçoar aqueles que não estão em Cristo - os filhos da desobediência (Ef 5.6) - não há oração, reza forte, campanha, corrente ou utensílio ou ninguém que o faça mudar de idéia! 

Essa teoria de que há uma maldição hereditária que precisa ser quebrada deriva-se de uma exegese tendenciosa de alguns textos do Antigo Testamento, juntos com boa dose de dicotomia e confissão positiva, gerando um falso misticismo. É bom entendermos que todo e qualquer ensino ou doutrina precisa estar harmonizado em ambos os testamentos, antigo e novo, e que é preciso entender que alguns ensinos do Antigo Testamento simplesmente se restringem ao contexto histórico, político, social e espiritual em que foram produzidos, especialmente no que tange às profecias para a nação de Israel. Outros ensinos foram abolidos no contexto cristão do Novo Testamento (como a obrigatoriedade da abstenção de certos alimentos, guarda de dias específicos, circuncisão, a prática de sacrifícios, obrigatoriedade de dízimos, atos proféticos, etc.).A  história da salvação e o processo da revelação divina atingiram o seu ápice com Cristo (Hb  1.1). Portanto, não é  o Antigo Testamento que interpreta o Novo Testamento, mas é o Novo Testamento que  interpreta o Antigo Testamento.

Um bom exemplo disso é a má interpretação que é feita em cima do texto de Gênesis 9:20-27: "E começou Noé a ser lavrador da terra, e plantou uma vinha. E bebeu do vinho, e embebedou-se; e descobriu-se no meio de sua tenda. E viu Cão, o pai de Canaã, a nudez do seu pai, e fê-lo saber a ambos seus irmãos no lado de fora. Então tomaram Sem e Jafé uma capa, e puseram-na sobre ambos os seus ombros, e indo virados para trás, cobriram a nudez do seu pai, e os seus rostos estavam virados, de maneira que não viram a nudez do seu pai. E despertou Noé do seu vinho, e soube o que seu filho menor lhe fizera. E disse: Maldito seja Canaã; servo dos servos seja aos seus irmãos. E disse: Bendito seja o Senhor Deus de Sem; e seja-lhe Canaã por servo. Alargue Deus a Jafé, e habite nas tendas de Sem; e seja-lhe Canaã por servo." Muitos erram grosseiramente quando tomam esse texto para basear a tese das maldições hereditárias, especialmente quando atribuem aos negros africanos o seu status social e econômico a derivação da maldição de Noé sobre um dos filhos de Cão. Ora, Cão gerou Canaã, mas tambem gerou Cuxe, Mizraim e Pute (Gn 10.6). 

Segundo o Ellicott's Commentary for English Readers, os descendentes de Cuxe foram os etíopes, incluindo a Arábia "quae mater est" e a Abissínia "quae colonia" (Michaelis, Rosenmüller). A casa dos cuchitas ficava nos rios Tigre e Eufrates, onde Ninrode os criou com grande poder. De lá, eles se espalharam pela península do sul da Arábia e cruzaram o Mar Vermelho mais tarde, colonizando a Núbia e a Abissínia. Na Bíblia, Cush é regado pelo Giom (Gênesis 2:13); e Zípora, mulher de Moisés e filha de um sacerdote de Midiã é chamado cuchita (Nm 12.1). Os cuchitas são descritos como de cor preta (Jeremias 13:23) e de grande estatura (Isaías 45:14). Sua posição elevada no tempo antigo é marcada pelo lugar ocupado por eles na Ilíada de Homero. Já os descendentes de Mizraim são os egípcios (a palavra é dual e pode apontar para a divisão do país em Alto e Baixo Egito). Por sua vez, os descendentes de Pute foram os Líbios. Por fim, os descendentes de Canaã foram os povos cananitas (ou cananeus): "E Canaã gerou a Sidom, seu primogênito, e a Hete; e ao jebuseu, ao amorreu, ao girgaseu, e ao heveu, ao arqueu, ao sineu, e ao arvadeu, ao zemareu, e ao hamateu, e depois se espalharam as famílias dos cananeus. E foi o termo dos cananeus desde Sidom, indo para Gerar, até Gaza; indo para Sodoma e Gomorra, Admá e Zeboim, até Lasa" (Gênesis 10:15-19). Historicamente, esses povos foram totalmente destruídos por Israel na conquista de Canaã! Assim, a predição de Noé se tornou verdade (Deuteronômio 9:4–5).

Uma boa olhada na história mundial e ver-se-á que a trágica situação vivida pelos povos que habitam no continente africano deve-se, especialmente, a anos a fio de exploração de bens naturais (ouro, diamante e tapetes, dentre outros) e tráfico negreiro. Uma opressão causada muitas vezes com a Bíblia na mão, como a que foi feita pelos britânicos, que faziam da África uma colônia de exploração entre o final do século XVII e meados do século XIX. Em 1900, grande parte da África havia sido colonizada por sete potências européias - Inglaterra, França, Alemanha, Bélgica, Espanha, Portugal e Itália. Após a conquista dos estados africanos descentralizados e centralizados, as potências européias estabeleceram sistemas de estados coloniais. O estado colonial era o mecanismo de dominação administrativa estabelecido para facilitar o controle efetivo e a exploração das sociedades colonizadas (isso sem mencionar os estupros e assassinatos cometidos). Segundo o jornal "The Guardian", "British colonialism still plays a major role in the tragedies and disasters we see in Africa today" (o colonialismo britânico ainda desempenha um papel importante nas tragédias e desastres que vemos na África hoje) (disponível em: https://www.theguardian.com/world/2017/aug/01/colonialism-in-africa-is-still-alive-and-well). 

É bom termos clareza sobre os fatos, a fim de eliminarmos de uma vez por todas essas falsas interpretações produzidas por péssimos exegetas bíblicos! Nada na Bíblia deve servir para justificar a exploração e a opressão de um povo sobre outro, ou de uma pessoa sobre outra, pois isso vai radicalmente contra o Espírito desse livro. Usar a Bíblia para justificar o mal é a verdadeira maldição, passada por pessoas que falam sem nada entenderem para pessoas que não gostam de ler ou de estudar e absorvem qualquer sandice que lhes são ensinadas por quem quer que seja. O mesmo se aplica no caso do absurdo, que chega ao ridículo, de se usar a Bíblia para justificar o armamento da população, como tem sido feito no Brasil. Nenhuma violência contra ser humano algum, independente de sua crença ou condição social, econômica e/ou política é suportada pela Bíblia, posto que como cristãos nossa luta é contra satanás e seus anjos: "porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes" (Ef 6.12). NInguém combate seres espirituais com armas carnais, nem combatendo carnalmente contra seres humanos, mas sim combatendo espiritualmente contra fortalezas, sofismas e altivez espirituais: "Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo, e estando prontos para punir toda desobediência, uma vez completa a vossa submissão" (II Co 10.3-6)

Mesmo na antiga aliança, os canaanitas amaldiçoados por Noé poderiam ser livres da maldição. Lembremos que Raabe era canaanita! Através dela, Deus trouxe o Salvador ao mundo (Mt 1.5). Raabe não precisou passar por um ritual de libertação para ser salva. Ela simplesmente creu no Deus de Israel, e sua fé foi suficiente para que ela fosse completamente livre da maldição de Noé. 

Mas será realmente que o filho pode ser amaldiçoado pelo seu pai? "E veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Que pensais, vós, os que usais esta parábola sobre a terra de Israel, dizendo: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos se embotaram? Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que nunca mais direis esta parábola em Israel. Eis que todas as almas são minhas; como o é a alma do pai, assim também a alma do filho é minha: a alma que pecar, essa morrerá" (Ezequiel 18:1-4; ver também vv. 5-21). A questão é: os filhos pagam pelos pecados dos pais? Nos v.3 e 4, Deus responde com um veemente não. O Senhor ordena para que esse provérbio não fosse mais citado, pois cada um precisa assumir a responsabilidade pelo pecado: “Aquele que pecar é que morrerá”(v.4). Nos versos seguintes, o texto diz que a justiça do pai e a benção que viria sobre ele não seriam transmitidas aos filhos (v.10-13), nem a injustiça do pai e o juízo que viriam sobre ele seriam transmitidos aos filhos (v.14-18). No v.20, o Senhor declara: “Aquele que pecar é que morrerá. O filho não levará a culpa do pai, nem o pai levará a culpa do filho. A justiça do justo lhe será creditada, e a impiedade do ímpio lhe será cobrada."

Concluo, citando as palavras do pastor Luciano R. Peterlevitz, em sua obra "MALDIÇÃO HEREDITÁRIA: UMA ANÁLISE TEOLÓGICA" (disponível em: http://www.novocoracao.com.br/ebd/Maldi%C3%A7%C3%A3o%20heredit%C3%A1ria_an%C3%A1lise%20teol%C3%B3gica%20IBNC.pdf): "De acordo com o Novo Testamento, toda a humanidade está debaixo da maldição do pecado. Não é necessário receber uma maldição para estar maldiçoado. Todos estão amaldiçoados, indistintamente. Uma pessoa não se torna maldita porque recebeu palavras de maldição dos pais. Toda pessoa já é maldita, por natureza. Teologicamente a maldição é resultado do pecado (Gn 3), e considerado que todos são pecadores (Sl 51.5; Rm 3.23), segue-se logicamente que todo ser humano nasce amaldiçoado. Então, existe sim maldição hereditária, mas só aquela que herdamos de Adão (veja Rm 5.12). Por outro, a maldição foi totalmente vencida pela obra consumada de Cristo. A maldição atingiu a raça humana a partir da Queda (Gn 3). A maldição ainda é uma triste realidade na natureza. No entanto, chegará o dia em que ela será completamente vencida: “Já não haverá maldição nenhuma” (Ap 22.3). A maldição que existe é aquela de Gênesis 3, resultante do pecado de Adão e Eva, que afetou drasticamente toda a humanidade. Mas a obra de Cristo é suficientemente poderosa para nos livrar de toda maldição. Não é necessária nenhuma quebra de maldição. Basta crer em Cristo".

Esse negócio de maldição hereditária dá grana para quem ensina e grana para quem se afora a libertar outros de suas supostas maldições. Isso traz gente para a denominação, faz cultos lotarem por pessoas ávidas em receberem uma "oração forte quebra-pedra", que preferem atribuir às trevas - ao diabo - suas mazelas do que assumirem sua (ir)responsabilidade com o curso de suas vidas. É mais fácil um alcóolatra culpar seus pais pelo alcoolismo do que assumir seu vício e procurar arrependido um tratamento e o perdão de Deus. Maldição é bom negócio para quem a explora econômica e religiosamente, para os "especialistas" em "quebra de maldições".

Pense nisso. Graça e paz!

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

PRIORIDADES OU EVENTUALIDADES? UM TRÁGICO EXEMPLO DE COMO LIDAMOS COM AQUILO QUE REALMENTE É IMPORTANTE E AS CONSEQUÊNCIAS DISSO

O Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, São Cristóvão/RJ foi totalmente destruído pelo fogo no dia 02/09/18. Fundado por Dom João VI no dia 6 de agosto de 1818, duzentos anos de história perdidos em poucos minutos. 20 milhões de itens de acervo, a maioria carbonizada. O que causou o incêndio, ainda nãos e sabe. Pode ter sido um balão, pode ter sido curto-circuito, pode ser criminoso, etc. Estão investigando as causas e talvez encontrem uma. 

Agora, surgem várias explicações para o descaso de anos a fio, governo após governo, com o Museu. O orçamento era insuficiente, o repasse de recursos federais diminuiu, a Cedae não verificou os hidrantes... várias justificativas. Porém, o dano é irreparável: não há como reaver o que foi consumido pelo fogo; não dá para recuperar o patrimônio original que perdido. Talvez seja possível reparar a estrutura do prédio, muito provavelmente serão doados novas obras para compor seu patrimônio. O governo diz que vai liberar recursos (aliás, não faltaram políticos para tirar uma "casquinha" da situação). Mas o que foi, jamais será novamente. 

Muitas lições podem ser tiradas desse episódio, para todos, quer governo, quer população, quer brasileiro, quer seja outro povo e nação. Eu destaco a seguinte: as prioridades tratadas como eventualidades hão de cobrar seu preço altíssimo, frequentemente impagável, mais dia menos dia. Prioridades devem ser tratadas como tal, nunca como algo secundário que possa ser deixado para depois (popular "empurrar com a barriga"), pois é bem provável que isso não venha a ser possível. 

Quais são as nossas prioridades? Podemos pensar nisso de diversas maneiras, sob diferentes óticas. Minha proposta é analisarmos sob a ótica bíblica e, para isso, nada melhor que consultarmos alguém que viveu todo tipo de experiência possível - Salomão.

"Disse eu no meu coração: Ora vem, eu te provarei com alegria; portanto goza o prazer; mas eis que também isso era vaidade.
Ao riso disse: Está doido; e da alegria: De que serve esta?
Busquei no meu coração como estimular com vinho a minha carne (regendo porém o meu coração com sabedoria), e entregar-me à loucura, até ver o que seria melhor que os filhos dos homens fizessem debaixo do céu durante o número dos dias de sua vida.
Fiz para mim obras magníficas; edifiquei para mim casas; plantei para mim vinhas.
Fiz para mim hortas e jardins, e plantei neles árvores de toda a espécie de fruto.
Fiz para mim tanques de águas, para regar com eles o bosque em que reverdeciam as árvores.
Adquiri servos e servas, e tive servos nascidos em casa; também tive grandes possessões de gados e ovelhas, mais do que todos os que houve antes de mim em Jerusalém.
Amontoei também para mim prata e ouro, e tesouros dos reis e das províncias; provi-me de cantores e cantoras, e das delícias dos filhos dos homens; e de instrumentos de música de toda a espécie.
E fui engrandecido, e aumentei mais do que todos os que houve antes de mim em Jerusalém; perseverou também comigo a minha sabedoria.
E tudo quanto desejaram os meus olhos não lhes neguei, nem privei o meu coração de alegria alguma; mas o meu coração se alegrou por todo o meu trabalho, e esta foi a minha porção de todo o meu trabalho.
E olhei eu para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também para o trabalho que eu, trabalhando, tinha feito, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito, e que proveito nenhum havia debaixo do sol.
Então passei a contemplar a sabedoria, e a loucura e a estultícia. Pois que fará o homem que seguir ao rei? O mesmo que outros já fizeram.
Então vi eu que a sabedoria é mais excelente do que a estultícia, quanto a luz é mais excelente do que as trevas.
Os olhos do homem sábio estão na sua cabeça, mas o louco anda em trevas; então também entendi eu que o mesmo lhes sucede a ambos.
Assim eu disse no meu coração: Como acontece ao tolo, assim me sucederá a mim; por que então busquei eu mais a sabedoria? Então disse no meu coração que também isto era vaidade.
Porque nunca haverá mais lembrança do sábio do que do tolo; porquanto de tudo, nos dias futuros, total esquecimento haverá. E como morre o sábio, assim morre o tolo!
Por isso odiei esta vida, porque a obra que se faz debaixo do sol me era penosa; sim, tudo é vaidade e aflição de espírito.
Também eu odiei todo o meu trabalho, que realizei debaixo do sol, visto que eu havia de deixá-lo ao homem que viesse depois de mim.
E quem sabe se será sábio ou tolo? Todavia, se assenhoreará de todo o meu trabalho que realizei e em que me houve sabiamente debaixo do sol; também isto é vaidade.
Então eu me volvi e entreguei o meu coração ao desespero no tocante ao trabalho, o qual realizei debaixo do sol.
Porque há homem cujo trabalho é feito com sabedoria, conhecimento, e destreza; contudo deixará o seu trabalho como porção de quem nele não trabalhou; também isto é vaidade e grande mal.
Porque, que mais tem o homem de todo o seu trabalho, e da aflição do seu coração, em que ele anda trabalhando debaixo do sol?
Porque todos os seus dias são dores, e a sua ocupação é aflição; até de noite não descansa o seu coração; também isto é vaidade.
Não há nada melhor para o homem do que comer e beber, e fazer com que sua alma goze do bem do seu trabalho. Também vi que isto vem da mão de Deus.
Pois quem pode comer, ou quem pode gozar melhor do que eu?
Porque ao homem que é bom diante dele, dá Deus sabedoria e conhecimento e alegria; mas ao pecador dá trabalho, para que ele ajunte, e amontoe, para dá-lo ao que é bom perante Deus. Também isto é vaidade e aflição de espírito."
(Eclesiastes 2:1-26)


Nos versos 1-3, Salomão decide-se entregar-se por completo na busca pela felicidade. Ele convida sua alma a entregar-se por completo à experiência da alegria! Há quem diga que a satisfação de uma pessoa, seu bem-estar, está ligado àquilo que possui e faz. Todos os homens se esforçam para terem coisas importantes e para serem reconhecidos pelos seus feitos. A vida de Salomão foi gasta na realização de grandes obras, não com coisas insignificantes. Ele “empreendeu”, “edificou”, “plantou”, “fez”, “comprou”, “possuiu”, “juntou” ao ponto de se engrandecer com tudo o que realizou! Todos os desejos pessoais desse homem foram satisfeitos, nenhum ficou sem ser realizado. Tudo o que ele quis, ele teve. Teve a vida cheia de prazeres e delícias, de bens e da satisfação de começar algo e terminar (v.10). 

Contudo, ao ponderar no seu estado interior diante de tudo o que alcançou, Salomão constatou que tudo o que ele havia realizado, tudo o que ele havia envidado seus esforços, não passavam de “vaidade e correr atrás de vento”. Ou seja, nada disso realmente deu a vida dele um significado, um propósito, algo duradouro. Ao final, todas as alegrias e prazeres se mostraram passageiros. Com isso, Deus nos ensina que nossas reais necessidades não serão satisfeitas com aquilo que é material. Podemos fazer como Salomão, chegar ao máximo de todas as posses e realizações, contudo ao final o vazio em nossa vida permanecerá.

Viver uma vida de incessante e obstinada busca para “ter destaque” e/ou “ter coisas” é, no fundo, correr atrás de vento. O trabalho, por exemplo, uma das necessidades humanas, existe para o homem e não o homem para o trabalho. Há quem de tanto trabalhar construa uma vida sem relacionamentos (Ec 4.8). Porém, infelizmente, há aqueles que tendo relacionamentos, troca-os por uma vida de trabalho sem fim. Pessoas abrem mão de casamento, de filhos, de família e até do desenvolvimento de uma fé sadia - verdadeiras prioridades - porque concentram todas as suas forças na busca do sucesso financeiro e/ou profissional. É claro que precisamos todos trabalhar, mas não podemos sacrificar nossa família, por exemplo, no altar do trabalho/sucesso profissional, ou no altar da diversão e dos prazeres. A vida passa com rapidez. Há um número de dias de vida determinado para cada um de nós, independente de religião, cor, status social, etc. Lamentavelmente, você há de passar, um dia. Seus pais, esposa/esposo e filhos (ou amigos, irmãos, pastor, etc.) também hão de passar, antes ou depois de você. Ninguém estará sempre disponível e alcançável, pode ser que quando você procurá-los eles já não sejam mais alcançáveis - mesmo estando todos vivos. Querido(a): SUA FAMÍLIA PRECISA DE VOCÊ! SEUS FILHOS PRECISAM DE VOCÊ! SEU CONJUGE PRECISA DE VOCÊ! 

Parênteses: Aqui, vale o mesmo para (1) pastores sérios que priorizam ministério em lugar da família e até de Deus; para (2) donos de igreja/ministérios que priorizam seus bolsos e seu sucesso religioso em detrimento das pessoas que os seguem; (3) dos "judas de plantão", que priorizam o ego, o "estar num púlpito pregando" - "amam os primeiros lugares", como disse Jesus -, ao invés do amor e amizade que um dia lhes foi devotado; (4) de crentes, que priorizam suas vidinhas pequenas, "pecadinhos" secretos e seus probleminhas pessoais auto-impostos do que o Reino de Deus; (5) os(as) "beatos(as) de igreja", que priorizam o templo e a religião mas que estão nem aí para as pessoas (pessoas são meios para um fim, não o fim em si mesmas), sejam elas "os irmãos" ou até mesmo família e conjuge. Fecha parênteses.

Essas buscas são infindáveis pela incapacidade da coisa em si saciar o vazio interior que existe na alma humana. São verdadeiras prisões existenciais para aqueles que se deixam consumir por elas. Quanto mais temos, mais desejamos; quanto mais alcançamos, mais longe queremos chegar. Nunca nos encontramos numa posição saudável de equilíbrio, de “Chega! O que tenho me basta!” ou “Sou feliz e satisfeito com o que alcancei!”. Somos criados para a eternidade, portanto aquilo que é gera apenas prazer e alegria momentâneos não pode nos satisfazer, nos preencher. 

“Porque todos os seus dias são dores, e o seu trabalho é desgostoso; até de noite não descansa o seu coração.” (v.23) Durante o dia, vive atribulado; seu trabalho não traz a realização que ele espera e necessita. Nem na hora de dormir sua mente não descansa, ele não consegue dormir. Vive tenso, preocupado. Já não é mais uma pessoa alegre, sua fé quase virou conformismo. Mais um pouco, e você culpará a Deus por sua situação. 

No final das contas, essa dedicação sem limites à segurança financeira e ao sucesso profissional se revelará em pura e simples vaidade. Algo fútil, temporário, perda de tempo. Algo vão, vazio, firmado sobre aparência ilusória. O que edificarmos, o que construirmos, o que ganharmos com todo nosso esforço ficará para outrem, que vier depois de nós, seja sábio ou tolo. Mesmo o ganho gerado por um trabalho feito com sabedoria, conhecimento e destreza será dado como porção para quem não se esforçou nada. Será ele quem vai usufruir, ou vai destruir tudo. O empenho humano não pode ser recordado, retido ou passado a outro. NINGUÉM LEVA NADA PARA O ALÉM-TÚMULO

“Que fará o homem que seguir o rei? O mesmo que outros já fizeram”. Salomão descobriu que a sabedoria humana era preferível à ignorância e loucura, embora a sabedoria humana não torne um homem feliz. Sabedoria aqui é puramente humana (Ec 7.16-18), que vive em preocupações para evitar qualquer coisa que atrapalhe o prazer (eliminando todas as chances de fracasso). No final, dá no mesmo lugar que o tolo.

DEUS, O SUPRIDOR DE TODAS AS NECESSIDADES E FONTE DO PRAZER INESGOTÁVEL (vv.24-26). Após examinar as fontes humanas de prazer e a vida de busca pelas mesmas, e o mesmo resultado ser alcançado por quem não prioriza os prazeres em sua vida, ele conclui que ao final o esforço humano é inútil. Tudo vem igualmente da mão Deus. PORTANTO, É A DEUS QUEM O HOMEM DEVE BUSCAR E CONFIAR – ESSA É A VERDADEIRA PRIORIDADE HUMANA. Comer, beber, gozar o bem do trabalho... Deus nos deu isso tudo, por Sua bondade e Graça. Se o agradarmos – Se Ele for a fonte do prazer, se Ele for a razão da nossa existência, Se Nele estiverem todas as nossas fontes (Sl 87.7) - Dele receberemos a sabedoria, conhecimento e prazer. (v.25)

Quem não prioriza o cônjuge e a família, poderá ficar sem elas. Quem usa pessoas e ama as coisas perderá as pessoas e as coisas. Quem não investe seu tempo e vida naquilo que realmente é prioridade constatará, estupefato, que desperdiçou sua vida com aquilo que é vento. Quem não prioriza Deus hoje, poderá chegar a situação de não mais ser possível fazê-Lo no dia crítico. Poderá ouvir do próprio Jesus a terrível constatação da realidade  - "nunca vos conheci".  Há fogo eterno destinado aos homens no pós-vida. O fogo físico nada poupa, independentemente do valor histórico ou social ou científico ou econômico; quanto mais devemos esperar do fogo eterno!

Lembre-se: Deus é fogo consumidor. Portanto, reveja hoje as prioridades de sua vida, para que você não seja surpreendido(a) hoje e principalmente naquele grande dia! 

Pense nisso! Graça e paz!