Pesquisar Argumentações No "Ad Argumentandum Tantum"

sábado, 29 de dezembro de 2012

ANO NOVO, VIDA NOVA!


Rompe a aurora, vai-se embora
Mais um ano de labor;
Não temamos, prossigamos
A lutar com mais ardor.

Cada dia Cristo, o Guia,
Nos renove o coração;
Temos gozo, bom repouso,
Confiando em sua mão.

Do pecado resgatados,
Pertencemos a Jesus;
Nova vida, santa lida,
Temos nós por sua cruz.

Hinos santos entoemos
E louvemos ao Senhor!
Vem do arcano mais um ano
Que anuncia seu favor!

O ano findo nunca mais veremos;
O ano novo hoje recebemos!
Vê, vê, o belo dom que Deus nos dá!


(Hino "Ano Novo", Cantor Cristão)

Mais um ano se finda. Mais um ano de labor, de trabalhos, de jejuns, de orações, de estudos nas Escrituras; ano cheio de intensidade, de ações e reações, de emoções intensas, de muitas lutas, de vitórias e derrotas, de planos realizados e de planos não realizados, de lágrimas e de alegria. Sim, a retrospectiva desse ano não é muito diferente, para o cristão, da retrospectiva dos demais anos, desde o ano que recebeu o Senhor Jesus em sua vida como Senhor e Salvador. Se olharmos para o passado, veremos as muitas lutas e provações, mas também as muitas e ricas bênçãos, geradas pela multiforme graça de Deus. Nós, crentes em Cristo, podemos olhar para trás e contarmos as muitas bênçãos! Você está terminando o ano triste por causa das intensas batalhas? Muitas procelas? Muitos tumultos, agitações, intranqüilidades e guerras por todos os lados? Você está terminando o ano julgando que todo o seu trabalho, todo o seu esforço foi vão? Então, como diz o antigo hino, "conta as muitas bênçãos, dize-as duma vez, Hás de ver surpreso quanto Deus já fez."     

Diz a Palavra de Deus que o caminho do cristão "é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito." (Pv 4.18). A luz da aurora é a claridade que aponta o início da manhã, antes do nascer do Sol. São os primeiros raios de luz, que quebram a escuridão da noite e marcam o início de uma nova manhã. Jesus disse que nós, cristãos, somos a luz do mundo; devemos portanto resplandecer a nossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a nosso Pai, que está nos céus (Mt 5.14-16). Somos como a Lua, que não tem luz própria, mas que reflete a luz do Sol; assim refletimos não a nossa própria luz, mas a luz de nosso Senhor refletida em nós, assim como a glória de Deus fazia o rosto de Moisés reluzir diante dos filhos de Israel (Jo 9.5; Ex 34.35).  No ano de 2012 tivemos o nosso brilho, o nosso resplendor, apesar das trevas que tanto militaram contra nós. Cumpriu-se o que está escrito: "a luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela." (Jo 1.5)

A luz da aurora é a primeira luz, não a plenitude de luz. Não é o brilho em plenitude, mas os primeiros fachos. É preciso que a nossa vida prossiga na luz, para isso devemos cada vez mais andarmos na luz, até que a luz invada cada canto escuro de nossa vida. Da física, sabemos que a luz se propaga em linha reta. O caminho da luz é reto, não há desvios nele; é um caminho perfeito, pois é o caminho de Deus. Deus é o Pai das luzes e Jesus é o Sol da Justiça. Toda luz vem de Deus, vem de Jesus e essa sempre nos leva a andarmos em retidão, de acordo com a Palavra de Deus. Não há tortuosidades em Deus, não há subterfúgios, atalhos ou quebra-galhos! As tortuosidades que ainda apresentamos são por causa da nossa natureza humana, não por causa da luz. Há uma diferença de meios onde a luz se propaga: ela vem perfeita de Deus para nós, mas uma vez em nós ela pode ser alterada antes de sair de nossa vida em direção ao mundo. Quando recebemos a luz, essa luz precisa ser absorvida espiritualmente, gerando transformação de vida, para que então possa ser refletida. Quando isso acontece, refletimos exatamente aquilo que Deus tencionou que refletíssemos Dele. Porém, para que isso aconteça, dependemos da submissão ao Espírito Santo, de forma que Ele gere Jesus em nós. Somente Nele, em Cristo, recuperamos a imagem do Deus invisível. Quanto mais do caráter de Cristo temos em nós, mais próximos da imagem de Deus nos tornamos e melhor reletimos isso ao mundo; quanto menos Dele possuímos, menos nos parecemos com o Pai. Assim, dependendo do grau de transformação de vida que possuímos, refletimos com mais ou menos fidelidade a imagem de Deus. Esse fenômeno, de diferenças entre a luz recebida e a luz emitida, chama-se refração.

A luz pode sofrer refração dentro de nós, saindo com um ângulo diferente do ângulo de entrada. Na física, é por isso que vemos "quebrado" um lápis mergulhado em água: por causa da refração, resultado da diferença entre os meios onde a luz se propaga - o ar e a água. Por causa dessas diferenças é que vemos tantas controvérsias acerca da Palavra: vemos "torto" aquilo que é reto! A Palavra nos foi dada por Deus de forma definitiva, mas a iluminação - a capacidade de entender a Palavra de Deus como ele verdadeiramente é - é gradual; além disso depende do quanto temos de Jesus em nós. Quanto mais temos de Jesus, mais somos parecidos com Ele e menos diferenças há entre o Senhor e nós; assim, passamos a ter um mesmo entendimento da Palavra. Essas diferenças perdurarão, contudo, até a nossa transformação final: "quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado.  Porque agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como também sou plenamente conhecido." (I Co 13.10,12)

Ainda não somos capazes de ter essa plenitude de luz em nós. Ainda não é dia perfeito, a nossa vida ainda não está como o Sol de meio-dia, no máximo de sua luz. Mas já temos muita luz e devemos andar, cada um de nós, de acordo com a luz que já recebemos. E quanto mais da luz de Deus tivermos, mais responsáveis devemos ser com relação as coisas de Deus. Essa luz nos foi dada para melhor servirmos aos propósitos de Deus, para melhor exercermos o nosso papel de membros uns dos outros e do Corpo mísitico de Cristo na face da Terra. Devemos ter o cuidado de não acusar, constranger e condenar os que não possuem a luz que possuímos; devemos igualmente termos o cuidado de ouvirmos aos nossos irmãos, pois nem todos temos a mesma luz em todas as diferentes áreas da vida cristã. É sempre possível termos mais luz em uma área do que em outra, nenhum ministro e nenhum ministério ou igreja tem toda a iluminação de Deus em todas as esferas e, deste modo, nossos irmãos podem ser canais de Deus para transmitir luz para nossas vidas.

Precisamos muito do renovo de Deus todos os dias. Renovação do coração, ou renovação de mente, é a chave. Essa renovação vem pela transformação do entendimento. Nós, cristãos, precisamos ter uma mente capaz de transformação. As experiências com Deus passadas, o que já experimentamos do Senhor deve ser considerado um marco em nossa vida, para a partir desse marco prosseguirmos em direção a Cristo, olhando firmemente para Ele. A Bíblia nos fala de um caminho a ser percorrido, não uma posição estática. Há uma carreira proposta, a qual precisamos correr; há um caminho a prosseguir, uma jornada a completar. Por isso Paulo nos diz: "Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão adiante,  prossigo para o alvo pelo prêmio da vocação celestial de Deus em Cristo Jesus." (Fp 3.13,14) É preciso avançar e para isso devemos nos desvencilhar de tudo o que nos impede de irmos em frente. Deus tem muitas coisas grandes e firmes ainda pendentes para nos revelar, há muito ainda o que prosseguir e o que realizar na Obra de Deus e Deus realizar em nossas vidas. A conversão foi o início de tudo; daí prosseguimos até o batismo com Espírito Santo, mas paramos nas experiências que recebemos. Há dons do Espírito importantíssimos, mas que não buscamos porque estamos parados apenas na evidência do batismo, achando que ele só se resume a falarmos noutras línguas. Recebemos o batismo, mas ficamos no Cenáculo, nos alegrando mutuamente com a nova experiência com Deus e nos edificando pelo falar em línguas, quando Deus espera que a experiência do batismo com o Espírito Santo produza em nós a intrepidez necessária para sermos testemunhas de Cristo aos perdidos. Jesus prometeu que nós realizaríamos as mesmas obras que Ele realizou e ainda maiores do que Ele, porém sequer chegamos no nível das obras do Mestre! (Jo 14.12) Estamos muito longe do plano de Deus para nós! Não podemos nos conformar com o que já temos recebido; é preciso buscar mais de Deus e assim seguir em frente, de forma que cada palavra do Senhor a nosso respeito venha se cumprir integralmente!

O ano que se finda, como diz o hino, nunca mais veremos novamente. O que passou, passou. Não há como voltar ao início de 2012 e recomeçar tudo de novo. Tudo fica para trás e, pela misericórdia de Deus, um novo ano vai surgindo, cercado de projetos e esperanças. Grandes coisas haverão de ser reveladas por Deus aos Seus filhos. O plano de Deus para nós está firme, o caminho que Ele traçou permanece reto. A carreira continua proposta por Deus para que a percorramos. Qual é o nosso papel no plano de Deus em 2013?  Sigamos em frente! Busquemos intensamente ao Senhor em 2013, para que saibamos a Sua vontade para nós individualmente e enquanto igreja. A nossa redenção está cada dia mais próxima; a volta de Jesus cada vez mais iminente! A seara é imensa e sequer tocamos nela, estamos acomodados e sossegados! Porém há de vir o Espírito do Senhor incendiando a nossa vida, trazendo arrependimento e mudança de vida, gerando santidade e reavivando a nossa fé, nos motivando a ir adiante!

No relógio do mundo material, o ano de 2013 começa após exatamente a meia-noite de 31 de dezembro de 2012. No relógio de Deus, o ano novo começa quando o novo de Deus é gerado em nossa vida. O mesmismo de 2012 pode se repetir em 2013 ou não. O ano novo pode trazer vida nova ou repetir a pasmaceira do ano que ficou para trás, pode ser realmente novo ou apenas repetição do velho. Depende de você!

Que a luz de Deus possa brilhar em nós, ainda mais e mais; que possamos apresentar, em espírito e em verdade, a nossa vida como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o nosso culto racional - culto reflexivo e prático, não assisitido mas ministrado por cada um de nós a Deus. Que a nossa mente seja mais e mais transformada, de forma a estar cada vez mais semelhante à mente de Cristo, que pensava em fazer a vontade de Deus acima da Sua própria e assim o fazia, com entendimento renovado sobre nossa chamada e vocação cristãs e sobre a vontade de Deus para nós, para que em 2013 possamos experimentar essa vontade - boa, agradável, e perfeita - de forma prática, em nossas  vidas, em nome de Jesus!

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

VAI E NÃO PEQUES MAIS, MAS TENHA UM NOVO VIVER NO ESPÍRITO DO SENHOR!

"Então os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério; e pondo-a no meio,  disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante adultério.  Ora, Moisés nos ordena na lei que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes?  Isto diziam eles, tentando-o, para terem de que o acusar. Jesus, porém, inclinando-se, começou a escrever no chão com o dedo.  Mas, como insistissem em perguntar-lhe, ergueu-se e disse- lhes: Aquele dentre vós que está sem pecado seja o primeiro que lhe atire uma pedra.  E, tornando a inclinar-se, escrevia na terra.  Quando ouviram isto foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos, até os últimos; ficou só Jesus, e a mulher ali em pé.  Então, erguendo-se Jesus e não vendo a ninguém senão a mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou?  Respondeu ela: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu te condeno; vai-te, e não peques mais." (Jo 8.3-11)

Este texto bíblico, extraído do Evangelho de João, fala muito aos nossos corações. Trata-se de um dentre muitos episódios do ministério terreno de Nosso Senhor Jesus, no qual ficamos pasmados e maravilhados diante de Sua grandeza de caráter, de Sua grandeza pessoal e espiritual. Esta maravilhosa passagem é reconfortadora, a partir dela podemos ter esperança e fé que a nossa vida tem imenso valor para Deus, mesmo que religiosamente e espiritualmente ela não esteja sendo vivida da forma correta; mesmo que não sejamos um padrão de moral e de bons costumes.

Ali estava uma mulher apanhada em flagrante adultério. Não era um suspeita. Não era um caso hipotético, ou fruto da imaginação perversa dos homens. Não, ela foi pega no ato. Em grego, αὐτοφώρῳ μοιχευομένη, no ato do adultério. Foi pega no flagra, sem chance de apelação, sem chance de argumentação. Não há explicações a serem dadas quando somos flagrados no ato, porque contra fatos não há argumentos. Talvez ela, ao ser flagrada, tenha tentado fugir junto com o seu amante secreto. Esse deve ter corrido um bocado, ou quem sabe fosse alguém muito influente e poderoso, já que em momento nenhum o texto do Evangelho de João fala nele. Quem sabe não seria um escriba, ou um fariseu, pessoas religiosas e influentes daquela época. Ou talvez fosse somente um qualquer. Não importa; o fato é que ali, capturada e subjugada estava a adúltera.

Vamos agora, por um momento, nos colocar no lugar daquela mulher. O prazer que ela sentia no adultério havia dado lugar a uma grande quantidade de emoções poderosas. Vergonha, humilhação, medo... Imagine ser pego no ato, na hora H! Pior: pega no ato pelos homens mais "santos", mais religiosos daquela época; pega por aqueles que em hipótese alguma entenderiam ou suavizariam aquilo que ela fizera. Homens zelosos, cheios de zelo de Deus e das coisas de Deus. Homens que conheciam a Lei de Deus, ou Lei de Moisés, porque a Lei de Deus foi entregue a Moisés no deserto. Não havia chance alguma para aquela mulher e ela sabia disso; seu coração batia forte, seu sangue
estava cheio de adrenalina: primeiro por ser flagrada em adultério, depois pelas consequências disso, que lhe enchiam a mente. Sim, a consequência... ela sabia qual era a consequência... ela conhecia o que a Lei de Moisés previa nesses casos, ou pelo menos ouviu isso muito claramente quando foi apanhada: "Tragam esta mulher pecadora, adúltera, indigna para fora da cidade... cada um pegue uma pedra... e assim vamos cumprir a Lei, vamos extirpar o pecado do nosso meio...".

Dura lex, sed lex, a lei é dura, mas é a lei. De certo ponto de vista, aqueles homens não estavam errados. De fato, a Lei ordenava a morte em caso de adultério: "O homem que adulterar com a mulher de outro, sim, aquele que adulterar com a mulher do seu próximo, certamente será morto, tanto o adúltero, como a adúltera." (Lv 20.10) É muito provável que o próprio marido daquela mulher estivesse no meio da turba zelosa e irada; talvez, quem sabe, tenha sido ele quem flagrou sua mulher no ato do adultério. Os fariseus e escribas conheciam muito da Lei, tinham decorado cada preceito, cada situação. Porém, apesar de exímios conhecedores dos preceitos, eles desconheciam os princípios misericordiosos envolvidos na Lei e interpretaram a passagem segundo suas próprias intenções malignas.  A verdade é que eles não tinham nenhum interesse na vida daquela mulher ou mesmo no que ela fizera. Eles não estavam se importando com que o que viesse a acontecer com ela. Ela era apenas um instrumento, na concepção deles, para apanhar o Mestre em contradição, "para terem de que o acusar". Seus corações estavam cheios de ódio pelo Senhor. E, assim, estava a mulher, desgraçada e humilhada, cheia de pavor diante de uma multidão irada, trazida agora aos pés do Rabi, do Mestre, que não teria outra alternativa a não ser ratificar o veredito - senão não só a ela, mas Ele também seria apedrejado!

Que situação! Se Ele não permitisse a morte dela, seria acusado de quebrar a Lei de Moisés, ficando desacreditado e réu de juízo. O que você faria nessa situação? Muitos condenariam a mulher para se salvarem. Há, na verdade, muitas pessoas como essa mulher, que vivem debaixo de um peso enorme de condenação. Pessoas que foram condenadas por religiosos, condenadas por transgredirem, por pecarem e serem apanhadas no flagra. Gente que sabe o que fez, que tem consciência de que pecou. Gente que foi excluída, que foi tornada pária por um grupo do qual outrora fazia parte. Gente que foi marginalizada, colocada a margem, na sarjeta da vida. Inúmeras pessoas se acham por todos os caminhos das nossas cidades, do nosso país exatamente como esta mulher – amargurados, desiludidos, fracassados, feridos ou endurecidos. Nesse contingente, há casos para todo tipo de pessoas. Do endurecido ao desprezado, do chafurdado na lama pelo engano do pecado ao desesperado para sair dele, mas sem ninguém para estender a mão. Pessoas que nunca foram crentes, nunca experimentaram o amor de Deus por elas. Há também pessoas que caíram em erros considerados “sem volta” por sua igreja, como o adultério. Foram disciplinados, escrachados, alijados da comunhão e, não raro, se excluíram ou foram excluídos. O problema é que, em seus casos específicos, não foi Deus o autor do juízo sumário, mas o zelo religioso.

O Senhor Jesus, contudo, não condenou aquela mulher. Ele abaixou-se começou a escrever no chão com o dedo. O que Ele escrevia é desconhecido para nós; pareceu bem ao Espírito Santo não nos revelar o teor dessa escrita. Teria Ele escrito no pó a acusação contra aquela mulher, indicando assim que diante da Graça e da Misericórdia de Deus as acusações são como pó? Não sabemos. O fato é que sua atitude deve ter causado espécie na turba enfurecida. Eles insistiram! "E então, Mestre, como vai ser? O que o Senhor diz? Estamos esperando sua resposta! Não temos o dia todo!" Havia uma grande pressa: pressa para condenar, para exercer o juízo! Quando estamos fixados numa idéia não aceitamos esperar "nem mais um minuto", não aceitamos repensar nossa cadeia de raciocínios nem rever nossas teses. Quando o gatilho da emoção dispara, ficamos aprisionados num turbilhão de sentimentos e reações, incapazes de pensar livremente. A atitude do Senhor, internamente e externamente, perturbou muito os agitados algozes. Como poderia aquele homem estar tão sereno, tão tranquilo, tão em paz diante de uma multidão tão cheia de ódio, tão pronta a agir com violência?

A multidão, impaciente e ensandecida, insistiu na pergunta: "e então Mestre? O que o Senhor tem a dizer sobre isso?" Jesus então se põe de pé e lhes responde de uma maneira tremenda: "Aquele dentre vós que está sem pecado seja o primeiro que lhe atire uma pedra." A resposta do Mestre foi libertadora, paralizando a emoção negativa e libertando o raciocínio, fazendo com que aqueles homens olhassem para si mesmos, para o próprio interior, repensando sua fé e espiritualidade à luz daquela afirmativa. "Examine-se pois o homem", é o que diz as Escrituras. Nenhum daqueles homens tinha condições de fé e de santidade para agirem no espírito do que a Lei preconizava. Como apedrejariam aquela mulher, sendo eles mesmos passíveis de morte - pois eram tão ou mais pecadores do que ela? A Lei é santa, mas os executores da Lei não eram santos. Nem mesmo os velhos tinham a vida necessária para aquela atitude e assim cada um foi embora, cabisbaixo, pensativo. Se fossem aplicar a Lei como queriam anteriormente, teriam que lançar pedras cada um sobre si mesmo, nenhum deles escaparia da condenação da Lei. Quantas vezes estamos nós mesmos presos ao mesmo cárcere emocional que aquela multidão... quantas vezes estamos sedentos de justiça, queremos que a justiça se cumpra a qualquer preço, mas nos esquecemos de que se Deus for cumprir a justiça, ninguém escapa. Por isso, Deus age com misericórdia, esperando que o pecador - réu e/ou juiz - arrependa-se do seu pecado e volte-se para Deus, de forma a receber o perdão pelos pecados.

Misericórdia não é bonachice. Não é acobertar o erro, ou negar a sua existência. Não é dizer "ah, isso não é nada!" Não! Deus considera cada atitude nossa que é fora da Vontade de Deus para nós, expressa na Bíblia, como pecado. Adultério é pecado. Fornicação é pecado. Homossexualismo é pecado. Inveja é pecado. Fofoca é pecado. Bebedice é pecado. Idolatria é pecado. A Bíblia assim declara: "Ora, as obras da carne são manifestas, as quais são: a prostituição, a impureza, a lascívia,  a idolatria, a feitiçaria, as inimizades, as contendas, os ciúmes, as iras, as facções, as dissensões, os partidos,  as invejas, as bebedices, as orgias, e coisas semelhantes a estas, contra as quais vos previno, como já antes vos preveni, que os que tais coisas praticam não herdarão o reino de Deus." (Gl 5.19-21; ver também Rm 1.18-32) Misericórdia é a ação bondosa de Deus, que nos perdoa as nossas transgressões, se as reconhecermos e confessarmos. Misericórdia é mostrar o pecado e a única solução para ele - Jesus! Misericódia é estender a mão para ajudar quem não merece. Jesus reconheceu que aquela mulher havia relmente pecado, tanto que disse que ela não deveria continuar pecando. "Vai e não peques mais", foi o que Ele disse. Nisso vemos a grande misericórdia de Deus: O Senhor liberou a adúltera, deixou que ela fosse embora, de volta para a sua casa, não debaixo de uma condenação, mas de uma grande exortação: "não peques mais"! Viva a sua vida sem pecado. Não seja mais uma adúltera. O adultério que você havia cometido é pecado, não volte a fazer isso novamente, para seu próprio bem.    

A Igreja deve combater o pecado não para condenar o pecador, pois ele já está condenado por sua própria atitude. A Igreja deve combater o pecado para resgatar o pecador, para mostrar-lhe que é terrível o estado em que ele se encontra, mas que em Jesus há solução para qualquer tipo de pecado que o pecador possa ter cometido! Ou seja, o combater o pecado serve para libertar o pecador da sua prisão! Por isso, em todas os sermões, sempre enfatizo que em Cristo há a solução, que Ele mesmo é a solução para o pior e mais vil pecador! A Igreja é lugar de despertamento e de arrependimento, com isso é lugar também de restauração e salvação! O homem precisa conhecer como Deus o vê, para poder conhecer o amor de Deus por ele! Deus vê a humanidade perdida, debaixo de pecado; mas Deus dá a cada homem a chance de recomeçar, de nascer de novo, de ter nova vida em Cristo! Chance de ter um novo viver no Espírito do Senhor, de Reviver!   

Talvez você esteja vivendo extamente como aquela mulher. Marginalizado, cercado de acusadores e de suas condenações. No fundo do seu coração você sabe que a vida que você tem levado é pecaminosa diante de Deus. Você sabe que isso que você faz é pecado. Você ouviu a Verdade, mas não sabe como fazer para ser livre. Já tentou de um tudo, buscou em todos os lugares, fez todos os sacrifícios e oferendas as mais diversas divindades, de acordo com o "receitado" pelos "médicos de alma", para tentar consertar o problema, mas foi tudo em vão. Buscou todas as experiências para saciar a sua alma, mas ao final de tudo ela está mais faminta do que nunca! Você foi pego no ato - por seu conjuge, por sua família, por seu chefe... e está se perguntando: e agora? O que vou fazer? Mergulha de cabeça nos prazeres da vida, nas orgias, nas drogas, na prostituição, no sexo irracional e animalesco... só para fugir de si mesmo, daquilo que você se tornou, daquilo que você fez. Talvez você esteja até mesmo pensando em se matar, em dar cabo da sua vida, pois está pensando que essa é a última solução honrosa que você tem. Afinal, talvez você diga, tudo acabou mesmo. Já não
tem mais jeito, já não tem mais remédio. Ninguém mais vai acreditar em você agora, é o pensamento que não sai de sua mente.  

Ou quem sabe você até um dia foi crente, mas pecou e quando isso aconteceu você foi expulso da Igreja, ou quem sabe você mesmo saiu, porque as acusações do diabo foram terríveis. Talvez você tenha cogitado em ir à Igreja, mas o diabo lançou sobre uma terrível acusação; daí você passou a praticar os mais baixos pecados, porque pensa que já está condenado ao inferno por toda a eternidade, portanto a única alternativa que resta é aproveitar seus dias na terra. Quem sabe você tem pensado em voltar à comunhão da Igreja, mas há sempre a voz acusadora do diabo, dizendo que você é indigno, que ninguém vai te receber, enfim, que não tem mais volta. Talvez você se ainda se lembre dos irmãos, da alegria e do amor que desfrutava antes da queda, mas o pecado te impede de voltar a Deus e a Igreja.

Isso tudo não passa de pura mentira do diabo! Quer você nunca tenha sido crente, quer já tenha sido e se desviou, Deus ama você! Independente do que você possa ter feito, independente do quão profundo você desceu no abismo da podridão da vida, Deus lhe ama! A Bíblia assim declara: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." (Jo 3.16) Você, que está sedento, precisando de uma gota d'água de vida, de esperança, de fé, venha para Cristo! Ele prometeu não apenas matar a sua sede de vida, mas fazer dentro de você uma fonte de muitas águas, de rios de água viva! "Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que jorre para a vida eterna." (Jo 4.14) Não estou falando de um copo d'água ungido, não é isso. Estou falando de algo completamente novo, sobrenatural, incrível e maravilhoso que o Senhor deseja fazer em sua vida! Você pode ter um novo começo! Você pode nascer de novo, espiritualmente falando! Você pode obter gratuitamente o perdão dos seus pecados, basta crer no Salvador e entregar a Ele a sua vida! Jesus pode mudar a sua vida por completo! Venha sem medo, sem reservas; Ele jamais rejeitará você! Ele mesmo disse: "Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora.  Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.  E a vontade do que me enviou é esta: Que eu não perca nenhum de todos aqueles que me deu, mas que eu o ressuscite no último dia.  Porquanto esta é a vontade de meu Pai: Que todo aquele que vê o Filho e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia." (Jo 6.37-40)

O diabo, querido leitor, veio senão para roubar, matar e destruir a sua vida; Jesus veio para que você tenha vida e a tenha em abundância! Ora, Jesus não deixou de perdoar. Ele quer perdoar você, novamente. Isso mesmo, no-va-men-te. Os seus pecados, o Senhor levou sobre si na cruz do Calvário. Portanto, venha até Ele, venha pecador como tu estás. Se você ouve uma voz dizendo "vem! volta! Vá a Igreja!", essa voz é a voz de Jesus, repleta de graça sem par! Já ouves, querido leitor, Ele a clamar? A voz de Jesus a chamar-te? Entrega-lhe, pois, o teu infeliz coração e gozo terás! Se longe de Deus meu amigo tu estás, porque permaneces assim? Se a morte chegar, que surpresa fatal; muito triste será o teu fim! Entrega-lhe o teu infeliz coração, querido(a) leitor(a)! Se vives tristonho sem gozo e sem paz, é mau o caminho em que vais; escuta a voz que te dá salvação, Jesus te dará Seu perdão! Venha, e você ouvirá do Bom Mestre: onde estão os teus acusadores? Ninguém te condenou? Bem, eu também não te condeno; vai-te, e não peques mais! Venha refazer sua aliança com o Senhor! Ele te chama para te restaurar, para te renovar, para te encher com o Espírito Santo! Venha, eu quero receber você! Nosso templo fica situado à Rua Tomás Lopes, no. 257, em Vila da Penha/RJ, próximo ao Clube Olimpo, onde nos reunimos todos os domingos, a partir das 18h30min. Faça-nos uma visita! Nós e nosso Senhor Jesus estaremos presentes para recebê-lo de braços abertos!

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!


quarta-feira, 7 de novembro de 2012

APOSTASIAS DO MUNDO GOSPEL: OBESIDADE VERSUS UNÇÃO PASTORAL

Uma das áreas do saber que gosto é a matemática. Como engenheiro, não poderia ser diferente; afinal, foram inúmeras cadeiras que envolviam cálculos matemáticos, direta ou indiretamente. Aproveitando que além de engenheiro exerço também a função de pastor, vou correlacionar a teologia com a matemática a propondo aos leitores o seguinte problema:

Sabendo que um vaso contém 500 ml de óleo ungido consagrado no Monte Gerizim, em Israel; que para produzir esse óleo foram prensados 2 Kg de azeitonas extraídas do Monte das Oliveiras (levando-se em consideração que cada azeitona no Monte das Oliveiras, sem caroço, quando prensada gera uma unção tremenda de 1.000.000 BTU* - "Bênção Tremenda da Unção") e que a densidade relativa do óleo, por causa da unção e do peso profético é muito maior que a da água utilizada no rebatismo dos crentes no Rio Jordão, sendo o seu valor de 2.5, calcule: a) A quantidade de unção que pode haver num pastor de 1,80m, com barriga tipo tanquinho; b) A quantidade de unção que pode haver num pastor de 1,65m, com barriga tipo tanque de lavar roupa; c) A quantidade máxima de unção que pode haver considerando a relação barriga/altura típica de uma popstar gospel moderna.

*No mundo sério, BTU é uma sigla que significa "British Termal Unit" (ou Unidade Térmica Britânica). Trata-se de uma unidade de energia que equivale a 1.055 Joules. A quantidade de 1 Btu é definida como a quantidade de energia necessária para se elevar (ou reduzir) a temperatura de uma massa de uma libra de água de 1ºF.

Antes que você diga que as muitas matemáticas me fizeram delirar, leia a reportagem abaixo:

=================================
Durante o culto mensal voltado para o público feminino, realizado na Igreja Batista da Lagoinha, em Belo Horizonte, a pastora e cantora Ana Paula Valadão afirmou que ser gordo é algo que “não combina com a liderança” exercida por pastores e recomendou o jejum às “mulheres cheinhas”, como meio de emagrecer. O tema da pregação feita no “Culto Mulheres Diante do Trono”, no dia 31 de outubro, foi “Lembrem-se da mulher de Ló”. Na mensagem, que teve como referência o texto de Lucas 17:32, um dos assuntos abordados foi o jejum.

A mensagem central de seu sermão foi a necessidade de as mulheres saírem de sua “zona de conforto” e praticarem o que ela chamou de “exercícios espirituais”, como oração, estudo das Escrituras e jejum. Durante a pregação, Ana Paula fez paralelos entre a vida espiritual e a vida de um atleta, e chegou a utilizar termos com “No Pain No Gain”, termo usado em academias para dizer que sem dores não há ganhos.

Ao tratar especificamente de jejum a pastora, alegando que o jejum faria bem em vários aspectos da vida, recomendou a prática como estratégia para emagrecer, e defendeu que a gordura “não combina com a liderança”, pedindo o fim dos “pastores barrigudos”.

- Cadê o jejum? Te garanto que você vai ter muitos benefícios com o jejum. (…) Às vezes a pessoa tem uma enfermidade, mas às vezes a gente encontra umas irmãs cheinhas, e fala assim: ‘Gente, vamos fazer um jejum, vamos’? Não consigo entender quando não é uma enfermidade, aquele pastor gordo, barrigudo. Gente, não combina com uma liderança. Não preciso falar muita coisa – declarou a pastora.

- Está sobrando banquete de comunhão e faltando retiro de jejum e oração – completou a líder do Diante do Trono.

Fonte: http://noticias.gospelmais.com.br/ana-paula-valadao-afirma-pastor-gordo-nao-combina-lideranca-44389.html

=================================   


É melhor ler isso do que ser cego... Note que na concepção dessa dita pastora se o pastor é gordo ou barrigudo ele não serve para liderança. Ou seja, a barriga do irmão é um impedimento ao exercício ministerial dele. A conclusão lógica após a leitura dessa matéria é de que a unção ministerial é inversamente proporcional ao tamanho da barriga, ou seja, quanto maior o bucho, menos unção o sujeito possui. Nesse conceito, um pastor macérrimo seria o mais ungido, porque segundo essa senhora já que as gorduras desaprovam a pessoa, então a magreza aprova. Talvez seja porque quanto mais "redondo" for o irmão, menos espaço físico há para unção espiritual, conseguida com a "dieta" do jejum e da oração. Aliás, ficou subtendido pela conclusão dela que a oração emagrece. Melhor do que a dieta do Dr. Atkins, viu?   Que sina a dos pastores gordinhos! "Seu gordo, você está assim porque não jejua e não ora! Não serve para ser pastor!" Só faltou chamar os irmãos gordinhos de "carnais". Estamos lascados: um midiático gospel diz que os pastores que não pregam a teologia da prosperidade são idiotas e que deveriam abandonar o ministério; a outra midiática gospel diz que os pastores acima do peso não servem para o ministério...

Agora, sinceramente me responda: dá para aceitar um comentário desse nível? Ah, como faz falta a Bíblia nos púlpitos das igrejas! Livro esquecido, perdido, desprezado... substituído por "conselhos sábios" de "ungidos", tal como esse conselho. Meu Deus, criamos um Cristianismo sem Cristo e sem Bíblia! Um cristianismo gospel que cria padrões de unção e de estética e, ainda por cima, alia um ao outro! Eu pergunto: onde está essa correlação na Bíblia?!?! Onde está escrito - livro, capítulo e versículo - que somente os magros ou sarados são aptos para o ministério da Palavra?!?!? Basta uma rápida leitura nas chamadas epístolas pastorais que não se vê NENHUMA recomendação apostólica relacionada ao tamanho da barriga daquele que almeja o pastorado! 

Ser gordo não é necessariamente sinal de glutonaria, como essa senhora propõe nas entrelinhas. Gordura pode ser por inúmeros fatores, tanto genéticos quanto comportamentais - por exemplo, o stress. Seriam estes pastores obesos carnais - afinal, são obesos porque não jejuam e não oram? Pergunto: como ela faz uma generalização ridícula dessas? Tem essa senhora "bola de cristal profética" para conhecer as centenas de milhares (quiçá milhões) de pastores das mais diversas denominações que atuam no Brasíl e no Mundo? Conhece ela o coração de cada um deles, nos cantos mais remotos do país e do mundo, a fim de julgar os obesos como inaptos? Como falta cultura bíblica e secular no mundo gospel atual! Será que o conhecimento de que a obesidade é considerada uma doença, uma epidemia é um saber tão elevado assim que só uns poucos possuem?!?

"Nos últimos 35 anos, o Brasil passou por uma impressionante transformação. Completou a transição de país rural para sociedade urbana e industrial, deixou para trás índices vergonhosos de mortalidade infantil e analfabetismo e, depois que conseguiu domar a inflação, nos anos 1990, consolidou um aumento substancial da renda da população. Esse conjunto de fatores permitiu reduzir drasticamente o histórico problema da desnutrição no Brasil. E resultou numa impressionante mudança no padrão físico do brasileiro. Desde 1974, quando foi feita a primeira pesquisa familiar que registrou peso e altura dos entrevistados, a população tornou-se mais alta. O déficit de altura entre crianças declinou da faixa dos 30% para menos de 10%. Nesse mesmo período, o brasileiro ganhou peso. [...] A explicação está principalmente no padrão de consumo alimentar. A POF de 2002/2003 mostrou que as famílias estão gradualmente substituindo a alimentação tradicional na dieta do brasileiro – arroz, feijão, hortaliças – por bebidas e alimentos industrializados, como refrigerantes, biscoitos, carnes processadas e comida pronta. Tudo mais calórico e, em muitos casos, menos nutritivos. [...]  O sobrepeso é causado por uma alimentação pouco saudável. Para agravar o quadro, a prática regular de exercícios físicos está longe de fazer parte dos hábitos do brasileiro." (Veja, disponível em http://veja.abril.com.br/noticia/saude/pesquisa-do-ibge-mostra-que-obesidade-e-epidemia-no-brasil)


"Pesquisa da FSP liga alimentos ultra-processados à epidemia de obesidade - Segundo o professor Carlos Augusto Monteiro, que coordena o Núcleo e o estudo, a pesquisa ainda está em sua fase inicial, na formulação de hipóteses – mas os primeiros levantamentos disponíveis mostram que a “comida pronta” tem tudo para ser uma das maiores vilãs do excesso de peso e doenças associadas.[...] A alta densidade energética não é o único mecanismo que liga o consumo dos ultra-processados à obesidade. Também entram na conta a ingestão de ‘calorias líquidas’ (bebidas adoçadas e muito calóricas); a hiperpalatabilidade, estimulando o consumo mesmo quando a pessoa se sente ‘satisfeita’; a adição de químicos, a prática do mindless eating (algo como ‘comer sem se preocupar’) e do consumo de porções gigantes; além de ações de marketing agressivas – e mesmo antiéticas – por parte da indústria." (USP, disponível em http://www5.usp.br/16564/nucleo-da-fsp-analisa-questoes-de-nutricao-e-obesidade/)


Assim, a causa da obesidade não é necessariamente a glutonaria, como é insinuado pela senhora gospel. Muitos fatores contribuem para a obesidade o que torna a generalização feita um absurdo e mais: uma afronta a toda um grupo de pastores! É bom que se diga que muitas pessoas comem, comem e comem mas não engordam, por uma questão metabólica. Magreza ou obesidade não é necessariamente sinônimo de doença, ou saúde, ou pecado ou espiritualidade! É RIDÍCULA essa afirmação! Ridícula! Isso é replicar padrões mundanos na igreja, porque é o mundo que estabelece que o sujeito com corpo magro é melhor do que um com corpo gordo. Ou seja: pastor "Laurel" (magro) é melhor do que o pastor "Hardy" (gordo). Interessante e muito oportuno é o comentário do Dr. Drauzio Varella: "Atribuir ao doente a culpa dos males que o afligem é procedimento tradicional na história da humanidade. A obesidade não foge à regra.[...] O mesmo preconceito se repete agora com a obesidade, até aqui interpretada como condição patológica associada ao pecado da gula. No entanto, a elucidação dos mecanismos de ação dos mediadores químicos e da arquitetura dos circuitos que os neurônios estabelecem até chegar aos centros cerebrais encarregados do controle da fome e da saciedade tem demonstrado que engordar ou emagrecer está longe de ser mera questão de vontade." (http://drauziovarella.com.br/doencas-e-sintomas/obesidade/o-gordo-e-o-magro/, grifo adicionado)

Fica aqui o protesto contra esse argumento dessa senhora midiática gospel. Lamento profundamente que em nosso país aqueles ditos e denominados guias de cegos, pastores de almas, que detém recursos para atingir grandes quantidades de pessoas com o genuíno Evangelho de Cristo fiquem desperdiçando os recursos do Reino de Deus com essas bobagens, com esse tipo de conselho que só serve para produzir chacotas e escândalos.

Fica aqui também o meu lamento contra toda essa apostasia que cresce no meio dito evangélico, nas mais variadas denominações. Sou tomado de grande tristeza quando vejo a Bíblia Sagrada tão desprezada nos púlpitos das igrejas midiáticas. Ela infelizmente e tristemente foi relegada a um segundo ou mesmo terceiro plano em cultos e reuniões nesses lugares, removida do primeiro lugar em prol do show gospel, com suas manifestações almáticas e carnais, onde a ênfase não está em Cristo, mas no homem. Cultos repletos de modismos e sincretismos, mesclados de heresias como confissão positiva e teologia da prosperidade, com uma mensagem emotiva de auto-ajuda.

Adoração, hoje, é sinônimo de no mínimo bagunça, de esquisitice, resultado das unções modernas. Unção de leão, que faz a pessoa andar de quatro; unção de galinha, onde a pessoa cacareja, unção de águia, onde a pessoa agita os braços como se estivesse batendo asas.  O que aconteceu com a forma antiga de se adorar -  em espírito e em verdade? As músicas antigas, mensagens cantadas que apelavam evangelisticamente ao pecador inconverso, que falavam da jornada cristã, de Deus, de Cristo foram substituídas por "louvores" que sequer tem, na letra, o nome Deus ou o nome Cristo! Letras que confundem paixão com amor, enfocando um tipo de intimidade com Deus quase que sexual!

Hoje, o abandono da Bíblia é chamado de "novo mover, nova unção". Chama-se esta apostasia que aí vemos de "avivamento do Espírito". O que gerou esse "novo mover", essa "nova unção", importada dos Estados Unidos, criadas por falsos mestres com suas falsas doutrinas? Houve melhora? Trouxe o caráter de Cristo, transformação de vida? Não! Hoje, há uma nova moralidade que tomou conta de muitas igrejas, onde não há mais limite entre o santo e o profano. Hoje há bailes dentro das igrejas. Há festas de fantasias. Há “baladas”. O sexo entre jovens e adolescentes agora é tolerado e, em alguns casos, até incentivado com a distribuição de preservativos. Há pais crentes que não se importam se seus filhos fizeram ou fazem sexo antes do casamento; alguns até incentivam. Já há sex-shop gospel!

Antigamente, ao contrário de hoje, os pregadores buscavam a excelência, numa linguagem sadia e rica, num sermão bem lógico e bem formatado, pois criam estar formando opiniões e entendiam que seus auditórios eram compostos de pessoas inteligentes e sensatas, que cresceriam na cultura e no conhecimento bíblico. Hoje, o púlpito - que outrora ocupava posição de destaque no culto cristão - foi para o canto ou transformou-se em apetrecho desnecessário. A plataforma das igrejas transformou-se em palco para shows. Normalmente os instrumentos musicais, equipamentos eletrônicos e outros elementos de mídia ocupam todo o espaço. Não há diferença dos palcos de programas televisivos. Junte-se a isso o fato de que o conteúdo das mensagens pregadas é paupérrimo. Temas como “Matando sete leões por dia”, “como vencer as barreiras”, “a arte de transformar derrotas em vitórias” tornaram-se o tema do momento, fruto de publicações da internet, onde os ícones da mídia evangélica publicam em pequenas quantidades as suas adaptações do que aprendem em palestras de hotéis e cursos de vendas. Há pastores que se limitam a comentar as manchetes dos jornais do dia ou ler as orelhas dos últimos livros da editora preferida ou então tecem críticas sobre política, novelas,  esportes ou ainda sobre eventos denominacionais.  Falar sobre Céu, Inferno, salvação, perdição, moral, espiritualidade, ética... isso não dá ibope, não projeta ninguém no grande "hall of fame"!

Resultado: igrejas às vezes até cheias, porém fracas, sem bíblia, sem doutrina, sem espiritualidade. A hermenêutica tornou-se de múltipla escolha. Hoje a filosofia que impera na interpretação bíblica é a relativista: o que vale para uma igreja, ministério, pastor, época ou situação podem variar inesgotavelmente. Cada um interpreta a bíblia a seu bel-prazer. A linguagem no púlpito tornou-se também coloquial. No afã de transformar a mensagem em algo inteligível para todos, mudou-se a linguagem, levando-a ao mais baixo nível. Não é raro ouvir palavrões na pregação. Palavras feias, chulas, frases de mídia, chavões, português mal aplicado, tudo ao gosto da modernidade. Assim como a mídia faz questão de trazer a linguagem dos antros e dos redutos da imoralidade para a tela e para os lares, os púlpitos refletem também a mesma pobreza, mau gosto e qualidade: púlpitos feios, chulos e pecaminosos.

Ao contemplar toda essa apostasia, esse tsunami de impiedade que assolou a moralidade bíblica e a espiritualidade cristã, faço as seguintes perguntas: será que essa gente não teme a Deus? Será que ao lerem a Bíblia elas não enxergam que o Deus da Bíblia é Deus sério, que não é de brincadeira e que não se deixa escarnecer? Nunca leram que quando o juízo de Deus começar, ele começará impreterivelmente pela casa Dele, na vida daqueles que se chamam pelo Seu Santo nome? O que será de nós, quando esse juízo começar?

Pense nisso. Deus está te dando visão (e não unção) de águia!

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

FALSOS CRISTOS, FALSOS PROFETAS: ONTEM, HOJE E AMANHÃ

"E Jesus, respondendo, disse-lhes: Acautelai-vos, que ninguém vos engane; Porque muitos virão em meu nome, dizendo: Eu sou o Cristo; e enganarão a muitos. E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos. E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará. Então, se alguém vos disser: Eis que o Cristo está aqui, ou ali, não lhe deis crédito; Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos. Eis que eu vo-lo tenho predito. Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto, não saiais. Eis que ele está no interior da casa; não acrediteis. Porque, assim como o relâmpago sai do oriente e se mostra até ao ocidente, assim será também a vinda do Filho do homem." (Mt 24.4,5,11,12,23-27)

Ser crente está cada vez mais complicado. Antigamente, bastava a Bíblia; hoje, é preciso muito mais do que ela na prática da fé. É preciso uma série de apetrechos de fé! Agora, imagine a quantidade de utensílios que cada uma dessas pessoas tem que ter em casa para praticar a sua fé e assim ser abençoada! Sal grosso, óelo ungido, sabonete da libertação, rosa da cura; toalha, meia, fronha - toda uma linha de "cama, mesa e banho" e, agora, estão vendendo até colher de pedreiro! Tudo, segundo adquirido por um precinho de "irmão para irmão", com unção imbutida e garantia de que funciona. Será que as simonias (dic. Aurélio: "Tráfico de coisas sagradas ou espirituais, tais como sacramentos, dignidades, benefícios eclesiásticos, etc.") vêm "certificado de garantia"? Vem com manual de instruções? Se não funcionar, é possível devolver o produto e ter o dinheiro empregado na compra de volta? Se a unção acabar, tem como recarregá-la e assim poder continuar utilizando o produto? O produto é certificado? E a instituição que o vende, tem sistema de gestão da qualidade ABNT NBR ISO 9001 certificado? Tem SAC?

Como ser crente em nossos dias? Como ser crente num mundo onde cada vez mais o capitalismo selvagem domina as relações humanas e até as espirituais, onde para se ter a suposta bênção de Deus é preciso comprá-la por dinheiro (comprar: adquirir por dinheiro) das mãos de supostos "representantes de Deus"? Deus tem representantes comerciais? Deus vende produtos? E a Igreja, deve ser um local de comércio de mercadorias da fé - um "covil de salteadores" - ou um local que preze pela pregação do Evangelho do Reino dos Céus, de comunhão e ensino bíblico que possibilite o crente "não amar o mundo, nem o que no mundo há"? As Parábolas do Reino, conforme o Evangelho de Mateus, são P-A-R-Á-B-O-L-A-S! Parábola é "uma narração alegórica na qual o conjunto de elementos evoca, por comparação, outras realidades de ordem superior", ou seja, de forma simples, parábolas são comparações entre verdades espirituais com coisas simples, cotidianas, humanas, de forma que as verdades e realidades espirituais possam ser facilmente entendidas pelos ouvintes. Estou apenas antevendo mais um possível ensino antibíblico e herético com base nas parábolas, como por exemplo "A Parábola da Pérola de Grande Valor" ou "A Parábola do Tesouro Escondido". Quem lê, entenda.

Não adianta: quem não conhece sobre um tema e insiste falar sobre ele, só fala coisa errada! Insistem em falar sobre a Bíblia, insistem em pregá-la, sem nenhum conhecimento sobre ela! Nunca a estudaram - o que é notório - e tenho dúvidas se pelo menos leram-na completamente. São erros e mais erros, erros grosseiros, crassos; erros que um bom aluno de Escola Dominical, assíduo e aplicado, jamais cometeria. Erros inaceitáveis para um dito apóstolo! Basta ler a Bíblia e rapidamente vê-se que ela JAMAIS ENSINOU esse comércio de "coisas santas". Não é à toa que os irmãos presbiterianos classificaram uma "igreja" e sua "co-irmã" como sendo heréticas e desviadas da verdade (seitas ou sinagogas de satanás) (http://www.executivaipb.com.br/Atas_CE_SC/SC/SC%202010/doc31_244.pdf e http://www.executivaipb.com.br/Atas_CE_SC/SC/SC%202010/doc31_226.pdf).

Jesus, em Mateus 24, advertindo seus discípulos e a nós, disse: "E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos. Porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos." (Mt 24.11,24) Falsos profetas ou pseudo-profetas: profetizam mentiras, fruto de suas maquinações malignas, incentivadas e potencializadas pelo inferno. CUIDADO: Falsos profetas e falsos cristos fazem milagres! Não dá para reconhecê-los como falsos pelo que eles fazem, porque eles fazem "tão grandes sinais e prodígios"! É possível afirmar que o falso demonstra ter muito mais poder do que o verdadeiro! Ora, se não são os sinais e prodígios a base de reconhecimento dos falsos, dos ministros de satanás, qual é a base então? Como os escolhidos podem reconhecê-los? Simples: pelos ensinos deles! Pelo que eles dizem! Basta comparar os ensinos deles (e de qualquer um) com os ensinos da Bíblia - a BÍBLIA É O PADRÃO DE COMPARAÇÃO! Comparando o padrão com aquilo que é dito estar conforme o padrão é possível avaliar o quão próximo ou distante isto está daquilo que é a referência. Em que cremos, com referência a Bíblia? Cremos que a Biblia é a Palavra de Deus, divinamente inspirada e sem erro quando escrita em sua forma original, sendo a única regra de fé e de prática do cristão (2 Tm 3.16; 2 Pe 1.21). Inspirada, do grego theopneustos, significa que Deus soprou Seus pensamentos na mente dos escritores humanos, de forma que mesmo sendo livres para escrever, eles escrevessem apenas aquilo que Deus os inspirou para escrever, preservando-os de erros doutrinários. O homem escreveu o que Deus revelou pelo Espírito Santo.

PARÊNTESES: O argumento da performance, frequentemente levantado por pessoas estão dentro de Igrejas mas que não conhecem o mínimo da Bíblia cai por terra diante da predição profética de Nosso Senhor registrada em Mateus 24. Os argumentos performistas são os piores do gênero, sem base bíblica alguma:"Fulano curou, fulano libertou, fulano fez o céu ficar mais azul" "O que você fez? Faça o seu e deixe o ungido fazer o dele! Quem é você para julgar! Você será julgado/amaldiçoado/condenado ao inferno/arderá no mármore do Hades/ficará mudo/perderá a vida por estar falando mal do ungido do senhor, o apóstolo/bispo/pastor/missionário/padre/papa/vice-deus/secretário celestial" e outras papagaiadas do tipo. Interessante é que ninguém analisa o que o dito-cujo ensina, só argumentando com base na performance dele. Nem sequer analisam o que está sendo dito por você. A Bíblia não serve para nada para esse grupo de "defensores robotizados"; mais vale a palavra do "líder Optimus Prime" do que a Palavra de Deus. Quantas pessoas são e serão enganadas por esses manipuladores de massas! Parece que é proibido pensar, é proibido questionar, é proibido ler Bíblia de forma livre! Façam-me o favor! Sem me estender muito aqui, o juízo errado é o juízo com base num padrão próprio, numa justiça própria; o juízo com base na Palavra de Deus PODE E DEVE SER APLICADO, especialmente diante das HERESIAS E DOUTRINAS DE DEMÔNIOS que são professadas abertamente hoje em dia. Quer seguir falso profeta? Aproveite! Mas depois não venha com conversa fiada e antibíblica, igual a do seu mestre! FECHA PARÊNTESES.

"[...] se possível fora, enganariam até os escolhidos." Veja a sedução do ensino desses falsos profetas e falsos cristos. A sedução é tal, de tal magnitude, tão bem articulada, que o Senhor Jesus declara que se fosse possível, esse ensino seduziria até os escolhidos! Sim, diante de tantos sinais e prodígios da mentira tão portentosos, tão grandiosos, quem não acreditaria que tratam-se de "servos de Deus"? Quem não acreditaria em sua mensagem? Eles fazem coisas grandiosas - grande, do grego megas (se bem que esses que aí estão não passam de falsos profetas mirins diante do que Mateus registra)! Mega sinais, mega prodígios! Tudo isso para enganar, tudo isso para fazer com que as pessoas não pensem sequer em analisar os seus ensinos, mas sim para que estes sejam facilmente assimilados como corretos, como "de Deus". Glórias a Deus que os escolhidos não serão enganados! Não será possível enganá-los! Os escolhidos não se deixam enganar, porque eles comparam o que é dito e ensinado com aquilo que está escrito, com a Palavra de Deus. "Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade" (II Tm 2.15) - obedecido à risca pelos escolhidos!

A que ponto os falsos profetas podem chegar? Muitos falsos profetas já existiram e causaram muitas mortes e decepções: Jim Jones foi um deles. Jones era um adepto da cura pela fé, e via a si mesmo como um profeta, capaz de realizar milagres e com o dom da clarividência. No final dos anos 60, Jones já descrevia o cristianismo com uma religião fabulosa, e recusava a validade dos seus dogmas. Resultado: levou à morte de mais de 900 pessoas no meio de uma selva sul-americana. A fidelidade em relação a ele não se discutia e eram freqüentes as denúncias entre familiares como prova de lealdade. Era absolutamente proibido opinar acerca das regras estabelecidas e sequer sugerir o abandono. (http://history1900s.about.com/od/people/p/jimjones.htm e http://www.oarquivo.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=105:o-pastor-jim-jones-e-o-templo-do-povo&catid=85:religiao-ceitas-e-organizacoes&Itemid=68). David Koresh, líder de um grupo auto-intitulado os davidianos, era supostamente o profeta que iria abrir os 7 selos de Apocalipse 6 e 7, interpretando o significado deles e finalmente transportando seus fiéis discípulos para o Paraíso numa espaçonave. O grupo juntou um verdadeiro arsenal de guerra para a batalha do Armagedom. Resultado: 73 homens, mulheres e crianças, incluindo David Koresh, foram mortos num incêndio na casa onde resistiam a um cerco de 51 dias pela polícia. (Marcelo Gleiser, O fim da Terra e do Céu: O Apocalipse na ciência e na religião - São Paulo: Companhia das Letras, 2001)

O engano que aí está, em verso e prosa na boca dos falsos profetas modernos, é fichinha diante daquilo que ainda virá a existir. Os atuais só querem dinheiro, seus ensinos são pobres, paupérrimos, que visam apenas a grana das pessoas que frequentam suas reuniões. O poder que apresentam dá até vontade de rir (ou de chorar); suas curas e milagres não passam de manipulação, altamente subjetivos e facilmente questionáveis. Vendem utensílios por bom preço, a fim de engordarem suas contas bancárias mais e mais. Só enganam quem quer ser enganado.

Mas, de acordo com a profecia de Mateus 24, haverá dias em que sugirão falsos profetas com poderes assombrosos, que realmente farão milagres grandiosos e tremendos! E eles não irão querer somente dinheiro: vão principalmente querer a alma! É possível afirmar que os falsos profetas do passado e estes que aí estão, no presente, nada mais são do que um prenúncio daqueles que virão no futuro. Todos eles terão entre si algo em comum: ensinos antibíblicos, heréticos, gerados no inferno! O rol de falsos profetas será aumentado, com seus falsos ensinos corroborados por grandes milagres e sinais até que surja o último falso profeta, aquele que será o porta-voz do último falso cristo, o Anticristo! Os sinais desse último falso profeta (besta que sobe da Terra) enganarão àqueles que aceitaram a marca do Anticristo, a besta que sobe do mar, e adoraram a sua imagem. (Ap 19.20) Esse falso profeta "faz grandes sinais, de maneira que até fogo faz descer do céu à terra, à vista dos homens. E engana os que habitam na terra com sinais que lhe foi permitido que fizesse em presença da besta, dizendo aos que habitam na terra que fizessem uma imagem à besta que recebera a ferida da espada e vivia." (Ap 13.13,14) 

Quando o Senhor Jesus retornar à Terra, encontrará muitas pessoas vivendo no engano. Mas aí será tarde demais! É preciso estar vigilante, preparado para a vinda do Senhor, para os dias que vivemos hoje que antecedem a Sua vinda! E quanto a você, querido(a) leitor(a)? Está preparado(a) para esse grande dia? Está meditando na Palavra, comparando os ensinos dos homens com ela ou está aceitando qualquer coisa, sem questionar?

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

CRENTES HIPÓCRITAS? GATO RUIVO DO QUE USA DISSO CUIDA!



Igreja: algo que os profetas no Antigo Testamento não viram, mas que Deus planejou, no Seu Eterno Propósito, estabelecer sobre a face da Terra. Do grego ekklesia, ek-kaleo, "chamados para fora", é conhecida na Bíblia por vários adjetivos, que expressam o seu caráter e propósito: Noiva de Cristo, Coluna e Baluarte da Verdade, Assembléia dos Santos, Primícias, Casa de Deus, Casa de Oração, Porta dos Céus, Igreja de Deus, etc. Pelos adjetivos bíblicos, cujo registro foi inspirado pelo Espírito Santo de forma Plenária e Verbal, é fácil perceber como Deus vê a Sua Igreja.

Hoje, infelizmente, com o advento de movimentos religiosos descaracterizadores como o neopentecostalismo, com seus ensinos hedonistas, feiticistas e até mesmo animistas e panteístas, ficou muito difícil reconhecer o que é Igreja e o que não é Igreja. Infelizmente, numa sociedade cada vez mais tendenciosa e afastada de Deus por seu pecado, onde a desonestidade e a violência grassam casas, famílias e até mesmo instituições anteriormente tidas como referenciais, a lógica prevalecente é a do "balaio de gatos": se você é um gato, ou pelo menos intitula-se desse modo, estará inevitavelmente no mesmo balaio que os demais. Noutras palavras, se um grupo ostenta o nome de Igreja, fala de Jesus e lê a Bíblia (não importando como ou de que maneira) então esse grupo é "reconhecido" como Igreja.

Há muito tempo venho me deparando como argumentos desse tipo, minimalistas e geralmente feitos por pessoas que não querem nada com Deus. Sim, porque se quisessem, se tivessem o mínimo de seriedade e honestidade consigo mesmas, procurariam analisar as coisas antes de fazer julgamentos desprovidos de base factual. "Mas o apóstolo fulano é ladrão, então vocês não são diferentes"; "A igreja XPTO é picareta, a sua também é"; "fulano e beltrano, que são crentes, não valem nada"; e coisas do tipo. Ora, minha resposta - isso quando tenho vontade de responder, porque esses comentários não valem sequer um bilionésimo de bilionésimo de nanômetro de vibração das cordas vocais ou um nanovolt de eletricidade cerebral - oscila entre o "óbvio ululante" e o "inverso do Número de Avogadro de sabedoria". É o dilema de Provérbios: responder o tolo de acordo com sua estultícia ou não?

Há, por outro lado, aqueles que desejam aparecer como "eruditos", metidos a espertos, que insistem em criticar a fé e a Bíblia, sem nunca sequer ter lido-a ou estudado-a com seriedade. "A Bíblia é um livro escrito por homens"; "dãaa", sim, é lógico: foi escrita por 40 homens por cerca de 16 séculos. Ela não é a Palavra de Deus porque foi escrita por Deus, mas sim porque o Espírito Santo inspirou e guardou os escritores bíblicos no registro dos fatos, de forma que eles registraram apenas aquilo que pareceu bem a Deus que assim fosse feito. Ela é a revelação de Deus aos homens, não sobre ciência, literatura ou filosofia, mas revelação sobre Deus, sobre o pecado, sobre o diabo, sobre o juízo eterno, etc., enfim, sobre coisas espirituais.

Mas não escrevo para tratar desse tema - a evidência que merece um veredito - a despeito de sua importância. Não. Escrevo para tratar de outro tema, muito comum atualmente. Trata-se da prática de alguns, que estando fora da Igreja, insistem em acusar aqueles que estão dentro de hipócritas e fingidos, nivelando todo mundo por baixo. Lógico que quem gosta de nivelar outros por baixo é porque precisa urgentemente se ver por cima. Assim, por exemplo, há muitos que amam viver numa vida de pecado e que não querem nem saber de abandoná-lo - "meu precioso", diria o Golam de "Senhor dos Anéis" - e acusam os crentes de serem hipócritas porque estes não compactuam nem aprovam a vida que levam. Sobre isso, Jesus disse: "Se fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu; mas, porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia." (Jo 15.19)

Há outros, contudo, que buscam viver segundo a sua própria regra, nunca se submetendo a Vontade de Deus para suas vidas. Pessoas que um dia estiveram na Igreja, mas que a abandonaram num determinado momento de suas vidas. Quando você vai ver os "tipos", acaba descobrindo que são pessoas extremamente problemáticas.  Geralmente são pessoas que não conseguem se relacionar com ninguém, nem no mundo. No trabalho, brigam com os colegas; quando na Igreja, brigam com os crentes. Na família, arrumam confusão por nada, desrespeitando pais e mães, sogras e sogros, cunhados e cunhadas; separam filhos de seus pais, destruidores de famílias (e que tem a audácia de dizerem que possuem "ministério de família"). Gente fantasiosa, com mania de perseguição: tudo e todos estão sempre contra eles! Gente que quer impor-se sobre os outros, que quer sobressair a todo custo. Autoritários! Rebeldes e insubmissos! Pessoas doentes de alma. Nunca se vêem como errados mesmo diante dos seus erros crassos, mas rapidamente levantam o dedo para acusarem quem quer que seja que não "reze" segundo a mesma cartilha. Gente que se levanta contra a Igreja. Gente de língua inflamada pelo inferno, como diz Tiago em sua epístola.

Claro, nem todos os desviados (aqueles que abandonam a Igreja) se enquadram neste grupo. Existe gente séria, que saiu da Igreja porque alguém errou com eles. Ou cairam espiritualmente - pecaram - e não encontram misericórdia quando precisaram; ou foram alvo de fofocas destruidoras; ou de cobranças descabidas. Não é desse grupo de irmãos que estou me referindo nessa postagem, que isso fique claro. Essas pessoas são sérias em sua fé, são pessoas de caráter, que infelizmente sofreram um ataque satânico onde não podiam tê-lo sofrido. Talvez, por desconhecimento, se filiaram a uma igreja que nunca foi Igreja, ou quem sabe se depararam com gente não-séria (que está na Igreja por estar, só para a intensificar a própria condenação) numa Igreja séria.

Ora, ainda que numa Igreja verdadeira possa haver vários grupos de pessoas, quem quer viver a fé verdadeiramente, pessoa genuinamenta convertida, e quem quer viver no "oba-oba" e "vamos que vamos" (e eu já vi vários assim, que estão na Igreja atrás de namoro, quer jovens, quer velhos; ou atrás de uma bênção; ou porque tem amigos e/ou parentes lá; ou porque julgam tratar-se de um programa dominical melhor que a TV; ou para se dar financeiramente; ou ainda por muitas outras razões), é um erro grave classificar a Igreja como hipócrita. Tem gente séria que, ao contrário do que dizem as línguas inflamadas pelo inferno, buscam viver vidas santas. E quanto a esses convertidos, são Perfeitos? Sim, mas de forma relativa, isto é, perfeitos à medida que estão em busca da perfeição. Perfeitos à medida que são aperfeiçoados por Deus, da mesma forma que santos quando salvos (ato) e a medida que se santificam (processo). Isso não exclui erros. Ninguém, nenhum ser humano, enquanto estiver na face dessa Terra, estará imune ao erro. Por isso mesmo a Igreja existe. Igreja é o lugar de gente que erra, mas que reconhece seu erro e não se conforma com ele, buscando ao Único que é capaz de perdoar os erros (= pecados) e purificar de toda a injustiça.

Do mesmo modo, NENHUMA Igreja será plenamente perfeita, isto é sem erros, enquanto estiver nesta Terra. Igreja perfeita só se nenhum homem entrasse nela, apenas anjos; se entrar um homem sequer - quem quer que seja - a perfeição acabou. Mas Deus não planejou Igreja para anjos, mas para homens. Do mesmo modo, Cristo não deu Seus dons a anjos, mas sim a homens, dando uns para "apóstolos, e outros como profetas, e outros como evangelistas, e outros como pastores e mestres" (Ef 4.11). Assim, o dom é sempre maior do que aquele que o recebe; o dom é perfeito, quem recebe o dom não o é. Ainda assim Cristo escolheu dar Seus dons perfeitos a homens imperfeitos. Do mesmo modo, homens imperfeitos pregam a mensagem perfeita do Deus Perfeito. Imperfeições são sempre do homem, nunca de Deus. Mesmo assim, mesmo diante das falhas do Seu povo, daqueles que são genuinamente povo de Deus, Deus na Bíblia chama essa igreja de "Sua Igreja", de "Igreja do Deus Vivo"! Paulo, escrevendo aos crentes da Igreja de Corinto (uma das mais complicadas do Novo Testamento), diz: "à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para serem santos, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso" (I Co 1.2).

Hipócrita? Hipócrita, parodiando Tom Hanks no filme "Forrest Gump", é quem vive na hipocrisia. Quem tem telhado de vidro não deveria lançar pedras no telhado do vizinho,  já dizia a velha sabedoria popular. Hipócrita é quem se acha muito bom, melhor do que os outros, que vive uma vida de máscaras escondendo por detrás de suas acusações levianas e de sua vida "meia-boca" a sua real natureza. Aliás, é bom lembrar que não precisa estar numa Igreja para ser hipócrita, ainda que uma vez dentro dela a hipocrisia se manifeste. É possível - e muito fácil até - ser hipócrita sem estar numa Igreja. O que é a atitude de auto-justificativa perante o ardor da alma gerado pelo corte profundo da Espada do Espírito senão uma hipocrisia? O que é esse conceito utilitarista de família, que visa apenas se dar bem às custas de um(a) pobre miserável (o famoso "golpe do baú"), senão uma hipocrisia? O que é o "dissimular com os seus lábios; mas no seu interior entesourar o engano" (Pv 26.24), senão hipocrisia? Gato ruivo do que usa disso cuida, já dizia minha mãe!

Esse texto de Provérbios é bem oportuno! "Quando te suplicar com voz suave, não o creias; porque sete abominações há no teu coração. Ainda que o seu ódio se encubra com dissimulação, na congregação será revelada a sua malícia." (Pv 26.25,26) Onde é revelada a malícia, a hipocrisia, segundo Provérbios? Na C-O-N-G-R-E-G-A-Ç-Ã-O! Deste modo, ao contrário do que a língua falsa acusa, é na Igreja que a hipocrisia é revelada! Por isso essas pessoas odeiam tanto a Igreja: porque ela denuncia, com palavras e atitudes, as suas atitudes pecaminosas, os seus pecados mais interiores, escondidos! Dissimulam de cá, dissimulam de lá; mas basta estarem na congregação para que a malícia de propósito e de atitude seja revelada pelo Espírito de Deus! É na Casa de Deus onde as máscaras caem! É no Templo do Senhor onde o Castiçal brilha com suas Sete Lâmpadas que a hipocrisia - trevas, na prática - são manifestas pela luz da Palavra!

Eu categoricamente afirmo: é infinitamente melhor estar numa Igreja séria, que ama a Palavra de Deus e que busca seguir a paz com todos e a santificação, do que estar no mundo. Erros? Ti-ti-tis? Isso sempre haverá, infelizmente. Onde pessoas se reúnem e convivem, sempre haverá problemas. Na Igreja tem gente complicada? Isso é um pleonasmo vicioso. Mas ainda é o melhor lugar para o homem estar. É claro que esse "estar" deve ser seguido do "ser" ou não haverá benefício real e duradouro. Estar/Freqüentar na/a Igreja não é ser crente, mas aquele que é crente, convertido ao Senhor, busca estar na Igreja. Portanto, deixe a hipocrisia - aquela que você acusa tão firmemente nos outros - e procure primeiramente a Deus, acerte Sua vida com Ele. Permita que Ele exponha e esprema o carnegão do seu pecado; então arrependa-se e entregue Sua vida ao Senhor. Depois, procure uma Igreja séria e filie-se a ela. Então, seja mais um: mais um que não se conforma com a vida e com natureza interior, mas que baseado na Palavra de Deus busca a santificação, aguardando que o Senhor cumpra a Sua promessa: a transformação do corruptível no incorruptível, no mortal em imortal, no imperfeito em perfeito!

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

RADICAL OU BÍBLICO, MODERADO OU LIBERAL-RELATIVISTA?




Young man, up on the hillside (Um jovem na colina)
Teaching new ways (Ensinando novos caminhos)
Each word, winning them over (Cada palavra, conquistando-os)
Each heart a kindled flame (Em cada coração, uma chama acesa)

Old men, watch from the outside (Os anciãos, olhando de longe)
Guarding their prey (Vigiando sua presa)
Threated by the voice of a paragon (Ameaçados pela voz de um exemplo)
Leading their lambs away (Guiando suas ovelhas para longe)
Leading them far away (guiando-as para bem longe)

Nobody knew his secret ambition (Ninguém sabia sua ambição secreta)
Nobody knew his claim to fame (Ninguém sabia sua reputação)
He broke the old rules steeped in tradition (Ele quebrou as velhas regras mergulhadas em tradições)
He tore the holy veil away (Ele rasgou o véu sagrado)
Questioning those in powerful positions (Questionando aqueles em posições poderosas)
Running to those who called his name (correndo para aqueles que chamavam seu nome)
But nobody knew his secret ambition (Porém, ninguém sabia que sua ambição secreta)
Was to give his life away (Era a de entregar sua vida.)

His rage, shaking the temple (Sua ira, fazendo o templo tremer)
His word to the wise (Sua palavra para o sábio)
His hand, healing on the seventh day (Sua mão, curando no sétimo dia)
His love wearing no disguise (Seu amor sem disfarces)

Some say, death to the radical (Alguns dizem: Morte ao radical!)
He's way out of line (Ele está ultrapassando os limites!)
Some say, praised be the miracle (Alguns dizem, abençoado seja o milagre)
God sends a blessed sign (Deus nos enviou um sinal abençoado)
A blessed sign for troubled times (Um sinal abençoado para tempos difíceis)

Nobody knew his secret ambition (Ninguém sabia sua ambição secreta)
Nobody knew his claim to fame (Ninguém sabia sua reputação)
He broke the old rules steeped in tradition (Ele quebrou as velhas regras mergulhadas em tradições)
He tore the holy veil away (Ele rasgou o véu sagrado)
Questioning those in powerful positions (Questionando aqueles em posições poderosas)
Running to those who called his name (correndo para aqueles que chamavam seu nome)
But nobody knew his secret ambition (Porém, ninguém sabia que sua ambição secreta)
Was to give his life away (Era a de entregar sua vida.)

(Música: "SECRET AMBITION", Michael W. Smith)

Talvez essa música tenha sido a mais inspirada dentre aquelas que já foram compostas por Michael Smith. Ela retrata o ministério de Jesus e o impacto que esse ministério exercia sobre os vários grupos de pessoas existentes naquela época, em Israel. Enquanto um grupo via em Jesus um milagre dos céus, outro via Nele uma ameaça à sua posição de "líderes ungidos"; obviamente uma referência ao partido dos fariseus. Esse grupo - os fariseus - seguiam doutrinas de homens, as famosas tradições orais que lhes haviam sido transmitidas, usando-as para reinterpretarem, ao seu bel prazer, a Palavra de Deus. Com isso, eles quebravam a Palavra (Mateus 15:3-6). Como o Senhor não seguia as tradições orais, Ele foi duramente atacado por esse grupo religioso em inúmeras ocasiões (Mateus 15:1-14; Marcos 7:1-13).

É interessante como a Bíblia revela-se dia-a-dia como Palavra de Deus, 100% inspirada pelo Espírito Santo. Hoje, o mesmo quadro religioso é visto em muitas igrejas e ministérios, independente da denominação a que pertençam!

Exatamente como em Israel do 1º século E.C., hoje há uma tensão entre dois pólos diamentralmente contrários, entre aquilo que os homens ensinam e aquilo que a Bíblia ensina. O "sola scriptura" - princípio basilar da reforma protestante - vem sendo abandonado e condenado como errado, direta ou indiretamente, pelos pastores, bispos e apóstolos modernos, em prol da elevação de seus ensinos. Assim, combate-se a Bíblia e o seu ensino, colocando-os como "ultrapassados", "impossíveis de serem observados pela geração atual", "radicais", etc. fazendo com que a Palavra de Deus não seja mais a regra de fé e de conduta dos crentes, mas apenas mais um manual religioso. Esses líderes, que assim procedem, elevam o seu ensino pessoal, segundo seu ponto de vista, ao nível anteriormente ocupado pelas Escrituras. Por quê? Porque as doutrinas de homens são combatidas pelas Escrituras: uma coisa é a doutrina do homem, outra é a doutrina de Deus. Ensinos diferentes, de pessoas diferentes, com propósitos finais diferentes. Enquanto o propósito de Deus com Sua Palavra é a salvação do homem, condenando o pecado como tal e revelando ao homem a única solução possível para o mesmo, o propósito do homem com seu próprio ensino é, em geral, interesseiro, motivado pela soberba e pela ganância, pelo desejo de lucro financeiro e de posição social.

Ora, o raciocínio (infernal) é bastante lógico: para que o ensino humano prevaleça é preciso reduzir ou acabar com o status do ensino de Deus, pois são contraditórios; colocando ambos lado-a-lado rapidamente vê-se quão enganoso é o ensino humano. Exatamente como nos dias de Oséias, os sacerdotes rejeitaram o conhecimento; eles "comem da oferta pelo pecado do meu povo, e pela transgressão dele têm desejo ardente." (Os 4.8) Esse texto é bastante revelador: tratam-se de sacerdotes que vivem às custas das ofertas pelo pecado do povo de Deus. Como dito pelo Pr. Caio Fábio, "é a exploração que o sacerdote faz do estilo de vida auto-destrutivo dos indivíduos, aquilo que alimenta o processo, e enriquece os bolsos dos controladores de consciência. Os sacerdotes abençoam a maldade que destrói predatoriamente os próprios humanos". Evidentemente, estes guias religiosos não levam o povo a fugir do pecado, a buscar uma conversão genuína e a desejar a presença de um Deus Santo. Não é necessário muito para entender o ensino bíblico: para o sacerdote, quanto mais o povo pecasse, mais ele enchia a pança! Eles não se importavam o quanto as pessoas eram culpadas de pecado, o ministério para eles tornara-se meio de enriquecimento!

Assim é hoje em dia: não importa se Deus considera pecado a "macumbaria gospel" transvestida de "ato profético"; se isso faz aumentar a frequência dos cultos (e, com isso, as ofertas), ótimo! Não importa se os dízimos e ofertas são motivados pela ganância, pela cobiça desenfreada; se os dízimos e ofertas aumentam às expensas de ensinos antibíblicos como a "teologia da prosperidade", que mal há nisso? Ora, isso é igreja? Isso é Bíblia? É melhor retirar a placa de igreja, substituindo-a por outra mais apropriada; talvez algo como "Centro Ecumênico de Serviços Sobrenaturais".

Abre Parênteses: "Macumbaria gospel" é o termo utilizado para as práticas religiosas por igrejas que NADA possuem em semlhança ou embasamento na Bíblia Sagrada, as quais se assemelham, em altíssimo grau e nível de concordância, às práticas das religiões espíritas e espiritualistas. Aqui estão, por exemplo, as práticas numerológicas, como a recém-proposta pelo autodenominado patriarca manauense, baseada no número 12: no dia 12/12/12 será comemorado o "Feriado da Visão" pelos participantes do M12, com a prática de um jejum de 12 horas, além de um toque de shofar nos 12 primeiros minutos da data, e ao 12h12min, para fechar um “ciclo de 12”. Segundo o líder do M12, os seguidores de sua denominação vão nesse evento “legislar a sua própria causa e buscar a conquista da liberação no trabalho, faculdade e escolas” para que possam “levar as multidões aos lugares selecionados” para o “maior avivamento da história”. Ainda segundo o dito líder, a justificativa para o evento se baseia no argumento de que tal ação é necessária para a “remissão da vergonha nas áreas mais diversificadas”, como “política, moeda, educação, saúde, mídia e a conversão de empresários para que a nação prospere”. É interessante notar que as religiões espiritualistas usam e abusam dessa numerologia barata, propondo eventos grandiosos em datas como essas; por exemplo na mesma data - será coincidência?!? - os adeptos do Movimento Nova Era estão propondo a abertura de portais sobrenaturais, "Portal 12:12:12 - Vórtice da Kundalini", "com uma série de Trabalhos voltados para o desenvolvimento e implantação da Consciência de Unidade em torno da Freqüência da Chave Mestra 111.11. Esta Chave de Luz abre as Frequências e Ativa os Códigos Primordiais deste Universo local, permitindo aos Seres que se encontram em experiência resgatar sua origem divina e propósito, seus dons ancestrais de trabalhar em favor do Grande Plano Diretor Divino, sem descumprir ou derrogar a Grande Lei do Sistema de Portas." (http://vivendonanovaera.blogspot.com.br/2012/04/conexao-profunda-distancia-portal.html). Assim, o que o "patriarca" propõe, sob roupagem gospel, nada mais do que o mesmo proposto por adeptos do MOVIMENTO NOVA ERA.
Reescrevo aqui o parágrafo de autoria de John Ankerberg, no site chamada.com.br: "Existe hoje grande confusão na área dos fenômenos psíquicos, experiências místicas, e ocultismo. Todos eles são vistos como bons, progressistas e de origem divina; devendo, no futuro, fazer parte do aspecto natural e normal da evolução ou potencial humano. Essas são atividades tidas não só como "boas", mas também "seguras". No geral, as realidades danosas só são percebidas tarde demais, porque a nossa sociedade rejeita a idéia de poderes demoníacos que enganam deliberadamente sob um disfarce de "bondade". As pessoas da Nova Era não têm idéia de que as suas novas práticas espirituais possam levá-las ao envolvimento com demônios". Deuteronômio 18:10-12 (comp. 2 Cr 33.6) diz calaramente: "Não se achará entre ti... adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador, nem necromante, nem mágico, nem quem consulte os mortos; pois todo aquele que faz tal cousa é abominação ao Senhor..." (http://www.chamada.com.br/mensagens/fatos_nova_era.html). No mesmo pé de igualdade estão as "fogueiras santas", a "unção dos oceanos", "a unção dos bichos", "o shu profético", "o hadouken da fé", "o shoryuken ungido" e outras "gospelices" do gênero. Fecha parênteses.

Os fariseus eram amantes do dinheiro (Lucas 16:14). Jesus os acusou de roubalheira (Mateus 23:25) e de devorar as casas das viúvas (Marcos 12:40; Lucas 20:47). Além disso eles amavam serem vistos e honrados pelos homens, eram cheios de pompa (Mateus 23:5-12; Marcos 12:38-40; Lucas 16:15; 20:46-47). Não é exatamente isso que vemos hoje? Ser pastor está em desuso, é um título inferior; muito mais pomposo é ser chamado de apóstolo; para outros, o título apóstolo é pequeno, por isso buscam ser chamados de patriarcas. Qualquer dia desses - quem viver, verá - surgirão outros dizendo que esse título também é pequeno; serão chamados "Governadores do Reino de Deus", e outros ainda pior. Por um momento, fico pensando o que seria dessas mega-corporações religiosas e de seus mega-super-ultra líderes pomposos se, por algum razão qualquer, o dinheiro deixasse de existir... Será que a fé se manteria a mesma? E a teologia da prosperidade, continuaria sendo "a última bolacha do pacote da revelação"?

Jesus muito provavelmente era tido como radical em seus dias. Afinal, sua mensagem era radical, combatendo o pecado e exigindo mudança. Ele entrou no Templo e saiu distribuindo chicotadas nos vendilhões que ali estavam, os espertalhões da fé de sua época: "E, entrando no templo, começou a expulsar todos os que nele vendiam e compravam, dizendo-lhes: Está escrito: A minha casa é casa de oração; mas vós fizestes dela covil de salteadores." (Lc 19.45,46) Seus ensinos até hoje são considerados radicais pela humanidade perdida e longe de Deus. Do mesmo modo, seus discípulos foram considerados radicais pelas autoridades daquela época; por exemplo, Policarpo foi exortado pelo procônsul a considerar a sua idade e amaldiçoar a Cristo, reunciando a sua fé, para ser salvo da morte por ser cristão, obtendo como resposta de Policarpo "sirvo a Cristo há oitenta e seis anos e não me fez algum mal: como posso blasfemar o meu rei, aquele que me salvou?" Agora, isso é radicalismo ou é fé? Do mesmo modo, os livros do Antigo e do Novo Testamento são inflexíveis ao condenar o pecado como tal, sem deixar espaço para argumentações; seria Deus também um radical? E quanto ao Espírito Santo, cuja Palavra de Deus diz que Ele tem ciúmes de nós, crentes em Cristo; seria isso também radicalismo?

Faço a seguinte pergunta, na linha do pragmatismo que tomou conta de muitas igrejas: se Jesus era radical, como querem os defensores da "fé paz e amor" e do anti-dogmatismo bíblico-teológico, mais conhecido como liberalismo, então ele estava errado? O que ele produziu com sua vida e ensino? Há frutos - mudança de vida, para melhor - na vida daqueles que procuraram seguir, à risca, os ensinos do Mestre? Outra pergunta: o que o liberalismo tem produzido de positivo na sociedade: Houve redução da criminalidade? Houve redução na corrupção? Cessou a destruição da família? Está o homem mais próximo de Deus com a sua vida liberal, com seu relativismo ético, espiritual e moral? Que os frutos falem por si mesmos! Talvez você diga: mas pastor, hoje está cheio de evangélicos no Brasil. Onde está a mudança? A mudança, querido, só se dá a partir da Obra do Espírito Santo na vida do homem por meio da Palavra de Deus, ensinada como ela é, sem suavizações ou relativizações. Mude a Palavra de Deus só um pouquinho e ela DEIXA DE SER A PALAVRA DE DEUS e passa a ser PALAVRA DE HOMENS. Altere um pouquinho só a mensagem de Deus para o homem, e ela perde a eficácia divina!

A música acima, numa de suas estrofes, diz assim: "Some say, death to the radical, He's way out of line" (Alguns dizem: Morte ao radical! Ele está ultrapassando os limites!). Você também faz coro com esse grupo? Você diz "fora com esse radical! Ele já passou dos limites com esse radicalismo!" "É por causa desse radicalismo que aquilo não dá certo!" Ora, se ser radical é ter raiz, isto é ser bíblico, então eu digo que sou um radical. Busco ser bíblico no que faço, porque acima de tudo sou crente em Cristo, que ainda crê na Palavra de Deus como REGRA ABSOLUTA E INSUBSTITUÍVEL DE FÉ E DE CONDUTA. Condeno o pecado sim, não tem essa de varrer pecado para debaixo do tapete não; condeno o mesmo em todas as esferas! Por quê? Porque Deus assim o faz! Você, que defende o liberalismo e o relativismo, por favor, explique para uma vítima de violência que tudo que ela sofreu não passa de algo relativo. Explique para a família que perdeu seu esposo e pai, vítima de assassinato, que tudo isso é normal, é assim mesmo. Explique para uma vítima de estupro que ela não deve considerar o que ela sofreu como absoluto não, que ela deve considerar as coisas da perspectiva do estuprador, do desenvolvimento e das necessidades dele. Diga para o filho abandonado na tenra infância com a mãe pelo seu pai, por pura sem-vergonhice do sujeito que não sabe se controlar diante de um rabo-de-saia e vai atrás de uma após outra - o famoso garanhão, quando este for adulto, que todas as marcas e sofrimentos que ele traz na alma são relativos, que ele precisa ver o lado do progenitor dele, o coitado com seus impulsos sexuais incontidos... Explique para essas pessoas que "tudo isso é normal hoje em dia, que é assim mesmo, que não precisa fazer essa confusão toda por tão pouca coisa"...

A Bíblia condena estas e outras ações como pecados, com condenação ao inferno aos praticantes se não se arrependerem e entregarem a vida à Cristo. Aqui, mais uma vez, estou me referindo a algo sério, não a isso que fazem hoje em dia: dizendo-se convertidos, tornam-se piores do que os não-convertidos. Condenar esses e outras atitudes como pecados é ser radical? Pregar contra isso é ser radical? Procurar viver de forma correta e assim ensinar outros é ser radical? Ensinar que Cristo Jesus é a Única Solução para o pecador é ser radical? Então eu sou sim, com muito prazer, o primeiro da fila! Na verdade, isso que hoje chamam erroneamente de radicalismo já foi chamado em épocas passadas de ortodoxia, de fundamentalismo, de "ser bíblico", de "ser evangélico".

Abre parênteses: Há radicalismo verdadeiro no mundo religioso-cristão? Sim, infelizmente há. Por exemplo, há pastores que insistem em partir para a violência contra pessoas que não professam a mesma fé, desrespeitando primeiramente o próprio Deus a quem dizem servir e depois ao próximo, a quem Jesus ordenou que amássemos. Coisas como desrespeito a símbolos religiosos - o "chute na santa", ou ataques a centros espíritas ou a templos de religiões afro-brasileiras, DEVEM SER COMPLETAMENTE REPUDIADAS POR AQUELES QUE SÃO CRISTÃOS VERDADEIROS. Do mesmo modo, depredação de templos religiosos estão RADICALMENTE FORA DAQUILO QUE A BÍBLIA ENSINA.  Como protestantes, temos o direito de crer de forma diferente das outras religiões e credos; temos o direito de expor as nossas crenças e de fazermos proselitismo ("evangelismo") das mesmas, isso é garantido pela Constituição do Brasil. Mas outras religiões e credos têm o mesmo direito e nada, em absoluto, deve ser feito para alterar isso. O católico, o espírita, o budista, o protestante, enfim todos têm direito a expressarem suas IDÉIAS, suas CRENÇAS, a fazerem PROSELITISMO, de forma a fazem novos adeptos, inclusive de MUDAREM DE RELIGIÃO, se assim lhes for conveniente. NINGUÉM, EM HIPÓTESE ALGUMA, DEVE SER VÍTIMA DE VIOLÊNCIA POR SUA CRENÇA RELIGIOSA. Debates de idéias, ortodoxia, fundamentalismo bíblico não devem ser confundidos com violência, com depredação de patrimônio particular ou de objeto de culto religioso; estes - os debates - são sempre bem-vindos. A Bíblia nos exorta - a nós, crentes em Cristo, a "estarmos sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós" (I Pe 3.15). Condenar o pecado - e o conceito de pecado é bíblico, pertencente a fé cristã, é correto; amar o pecador, buscando com zelo e mansidão mostrá-lo o seu pecado e a solução para o pecado, que é Jesus, também pertence a mesma fé. Esse blog JAMAIS INCITA OU INCITARÁ A VIOLÊNCIA, mas sim o pensamento, a reflexão e a argumentação bíblico-teológica (ou até mesmo científica, social, etc se assim for conveniente e interessante) à luz daquilo que a Bíblia verdadeiramente ensina o que, infelizmente, nem sempre é praticado pelas igrejas e religiões. Esse blog é de orientação bíblica-ortodoxa, não-ecumênico, não-relativista, bordando a práxis da humanidade sob esse ponto de vista. Fecha parênteses.

Voltando ao tema: Você quer viver no oba-oba e no "vamos que vamos"? Quer viver de forma contrária ao que ensina a Bíblia? Ou quer mudar a verdade de Deus em mentira, alterando aquilo que Deus estabeleceu? Quer suavizar a mensagem sagrada? Quer banalizar a fé cristã, pela qual homens de Deus morreram no passado para que esta fé chegasse até nós, hoje? Com todo respeito, problema seu! É você - e só você - comparecerá diante de Deus naquele dia e só você que sofrerá as terríveis consequências disso. Céu e Inferno são lugares reais, assim como Deus e o diabo são pessoas reais. Viva como for do seu gosto, afinal o corpo é seu e a alma é sua; só não venha exigir que eu concorde com isso e faça o mesmo que você! Só não diga, depois, que você não foi avisado! "A Lei e o testemunho! Se eles não falarem segundo esta palavra, nunca verão a alva." (Is 8.20)

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

sexta-feira, 13 de julho de 2012

VEM E SEGUE-ME OU VEM E SEGUE-O?


"Disse-lhe Jesus: Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu; e vem, segue-me." (Mt 19.21)

"Vou seguir... os passos de Jesus". Assim começa o refrão de uma famosa música cristã. Seguir ao Senhor Jesus, essa é - ou deveria ser - a meta, o objetivo maior, de todo aquele que crê e aceita a Jesus Cristo como Único e Suficiente Senhor e Salvador pessoal. Seguir o Mestre de Nazaré... Como? Seguir tudo aquilo que a Sua Palavra - a Bíblia Sagrada - ensina. Essa era a meta antiga de todos os crentes evangélicos praticante em décadas passadas. Aliás, é bom que se diga que naqueles dias, o crente evangélico era praticante, ou seja, ele praticava a sua fé - não apenas indo em cultos na sua igreja, mas buscando SEMPRE, em TODOS OS MOMENTOS, checar se a sua vida estava sendo vivida realmente de acordo com aquilo que a Bíblia ensinava e ensina.

Por isso mesmo, era importantíssimo, era vital a compreensão da Bíblia Sagrada. Esta não era um livro "optativo", um "manual de direitos" como hoje infelizmente muitos assim a compreendem; tampouco era um livro a ser interpretado segundo o que cada um entendia, mas era O LIVRO, interpretado COM TODO CUIDADO E AUXÍLIO DO ESPÍRITO SANTO, de acordo com as regras de HERMENÊUTICA BÍBLICA, de forma a não se inventarem doutrinas novas, nem se imporem interpretações estapafúrdias ao texto sagrado. A Teologia - a qual muitos hoje criticam porque simplesmente ignoram (desconhecem) o que venha a ser, do que trata, etc. - era preciosa, era importante; nessa época, muitos e muitos seminários bíblicos e teológicos surgiram. A Bíblia e seu ensino (sistematizado na teologia, porque é isso que via de regra faz a teologia: sistematiza os ensinos bíblicos, organizando-os de forma compreensiva e lógica) era a base da fé. Ensino e crença em doutrinas anti-bíblicas, heresias no bom vernáculo, eram a forma pela qual se identificavam as SEITAS (não a igreja). DESVIOS DOS ENSINOS BÍBLICOS NÃO ERAM TOLERADOS DE FORMA ALGUMA, pois isso implicava em desvio da fé! As Escolas Bíblicas (EBDs), realizadas em geral aos domingos pela manhã antes do culto matutino, eram "seminários em miniatura": a Bíblia era ensinada com conhecimento e sabedoria do Alto; os mestres da EBD eram crentes evangélicos que se esmeravam em CONHECER e PRATICAR as Escrituras. Não raro, muitos e muitos mestres de renome se assentavam para ouvir e ensinar nas EBDs e as classes eram L-O-T-A-D-A-S, por multidões de irmãos ávidos pelo conhecimento!

Porque quase a totalidade de crentes evangélicos naquela época seguiam a Jesus de perto - porque seguiam a Palavra de Deus, a bússola do viajante na qual o norte era sempre o Mestre dos mestres - eles eram fortes e saudáveis, espiritualmente falando. Não raro havia sinais e maravilhas - genuínos - realizados pelos crentes evangélicos. O autor desse texto, que se converteu na última hora daquela época de ouro, foi testemunha de vários sinais e maravilhas sendo realizados por aqueles irmãos. Do mesmo modo, naqueles dias havia temor de Deus nos corações dos crentes evangélicos que viviam naquela época, que se manifestava de duas maneiras principais (não descartando outras, é claro): TEMOR EM ENSINAR O QUE A BÍBLIA ENSINAVA (E ENSINA), sem distorções e TEMOR EM CRITICAR ENSINOS SEM CONFRONTÁ-LOS PRIMEIRO COM A BÍBLIA. Noutras palavras, o salutar costume dos crentes de Beréia era comum!

"E logo, de noite, os irmãos enviaram Paulo e Silas para Beréia; tendo eles ali chegado, foram à sinagoga dos judeus. Ora, estes eram mais nobres do que os de Tessalônica, porque receberam a palavra com toda avidez, examinando diariamente as Escrituras para ver se estas coisas eram assim. De sorte que muitos deles creram, bem como bom número de mulheres gregas de alta posição e não poucos homens." (At 17.10-12)

Deste modo, naqueles dias, os crentes evangélicos seguiam suas lideranças SE, E SOMENTE SE, estas fossem fiéis a Palavra de Deus. A mudança de igreja, congregação ou mesmo denominação só acontecia OU por mudança de endereço residencial (e em último caso, quase se o crente mudasse de estado ou país, porque só de bairro não causa suficiente) OU em caso de desvio de conduta - adultério ou roubo - pelo líder (raríssimo naqueles dias) OU quando o líder daquela igreja (em geral, pastor ou bispo, não existiam apóstolos naqueles dias) abraçava e ensinava heresias, apostatando (ou seja, desviando-se) da fé. O autor desse texto mudou-se de igreja uma única vez, extamente porque de forma clara e aberta, sem nenhuma espécie de temor do Senhor, o líder da igreja que ele era membro havia esposado doutrinas do inferno, ensinando outro evangelho, o qual o apóstolo Paulo nos manda anatematizar (ou seja, amaldiçoar, reprovar energicamente). Sair da igreja, noutra hipótese, era por desvio da fé.

E hoje? Sinceramente, dá vontade de chorar...

Hoje, a fé evangélica mudou. Ser evangélico hoje, para muitos, é ser uma espécie de autômato. Há muito mais emoção do que razão. Há muito mais doutrinas anti-bíblicas sendo produzidas DENTRO DA "IGREJA" do que fora dela. Fora da igreja a coisa se manteve mais ou menos estável do ponto de vista de criação de falsos ensinos, do que dentro; houve uma explosão de heresias, ditas bíblicas sem o sê-lo, produzidas em profusão por lideranças. Hoje, perdeu-se o temor de Deus: alguém levanta-se a si mesmo como pastor, bispo ou apóstolo; produz uma série de ensinos sem pé nem cabeça, defendidos como "a última revelação", como um novo "apocalipse", onde o auto-proclamado líder, no auge do hedonismo e vaidade, proclama-se a si mesmo quase como o "assistente de Deus", "a última bolacha do pacote". Como condenar os livros apócrifos e pseudoepígrafos, se as pregações e ensinos desses líderes são mais heréticos do que o Pastor de Hermas, do mesmo pé que os ensinos contidos no evangelho da Infância! Ressucitam heresias antigas, já amplamente condenadas pela Igreja ao longo dos séculos (como arianismo, sabelianismo, montanismo, marcionismo e outras) e as recheiam com novas! Estes homens, a partir dos falsos ensinos que tão seguros de si ensinam, estão, na prática, anulando a inerrância das Escrituras. Qualquer dia farão para si mesmos uma bíblia, com os livros que eles acham correto, acescentado às interpretações sem pé nem cabeça deles, e dirão: "Deus me revelou, a mim ungido máximo do Senhor, grande apóstolo da era de Laodicéia, quais os livros que devem estar no cânon bíblico; daí, preparei com a ajuda da revelação sobrenatural dada esse novo cânon, porque o antigo está errado! E só a mim foi dada a chave para correta interpretação desse novo cânon!" Quem viver, verá!

O que se vê, hoje, é que ao invés dos crentes seguirem a Cristo, estão seguindo homens, sem ponderar sequer se estes homens estão seguindo ao Senhor ou não. Não há nada errado em seguir ao líder, ao pastor da igreja, DESDE QUE ELE SIGA AO SENHOR. Seguir ao Senhor Jesus - manifesto pelo seguir e esmerar-se em seguir a Bíblia - é a chave, é o cerne da questão, a pedra principal. O problema é que muitos substituiram a  pedra principal, de esquina, pelo culto a personalidade, pelo carisma pessoal, pela fama do líder e da igreja. A grande prova disso é que estão reduzindo as Escrituras a um papel de somenos importância para a fé e a prática cristã, por não a usarem para aquilo que ela foi designada - regra de fé e prática, ou sola scriptura! O ensino que vem dos púlpitos não é checado com aquilo que a Bíblia diz, ela não é mais o padrão de medida. O padrão de medida foi abandonado! O problema é que seguir o líder que não segue ao Senhor é o mesmo que um cego seguir outro cego. O resultado disso é inevitável: os dois cairão no abismo!

Leia a sua Bíblia! Estude-a! Compare as coisas espirituais com as espirituais, o que é ensinado com o que está escrito na Palavra! Lembre-se: "Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz para o meu caminho." (Sl 119.105)


A quem você, querido leitor, está seguindo de fato? Ao Senhor Jesus ou a outro senhor?

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!