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quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

O EVANGELISMO ESTRATÉGICO NA ERA PÓS-MODERNA


Mais da metade das pessoas que fizeram uma decisão por Jesus através da Internet posteriormente compartilharam sua fé com outros. Além disso, 34% deles leem a Bíblia diariamente e quase metade ora um mínimo de 10 minutos por dia, revela o estudo da missão Global Media Outreach [Alcance Global pela Mídia].

“Estes resultados são impressionantes, pois revelam que o evangelismo pela internet não é apenas decisão de impulso que depois é esquecida. As pessoas continuam a crescer na fé depois de fazerem sua decisão”, explica o fundador e presidente da Global Media Outreach, Walt Wilson.

O estudo, chamado de “Índice de Crescimento Cristão”, entrou em contato com mais de 100.000 pessoas de todo o mundo. Para Wilson, os resultados indicam que “a evangelização e o discipulado online são verdadeiramente eficazes e mensuráveis ​”.

Entre os entrevistados, 51% disseram que já compartilharam de sua fé três vezes ou mais. Enquanto 37% disseram ter compartilhado, pelo menos uma ou duas vezes.

Global Media Outreach é um ministério que apresenta evangelho on-line, através de sites que compartilham o Evangelho através de vídeo, texto, e telefone celular. O GMO utiliza tecnologia de comunicação global para evangelizar e discipular mundialmente em várias línguas.

Sua base fica na Califórnia e ele está ligado ao trabalho da Cruzada Estudantil para Cristo Internacional, que fez história produzindo e distribuindo o Filme Jesus como ferramenta de evangelização.

Hoje, existem mais de 5.500 missionários treinados pela Global Media que ficam online boa parte do tempo, apenas para responder a perguntas feitas por pessoas que enviam e-mails.

Eles não fazem apenas evangelismo, mas enfatizam o discipulado também. Mais de 15 milhões de pessoas afirmam ter feito uma decisão por Cristo desde sua fundação, em 2004. O ministério quebrou um recorde no ano passado, quando 687.000 pessoas aceitaram a Jesus em apenas um dia.

Na versão brasileira do seu site, o Global Outreach destaca os três passos do seu ministério:

1) Levá-los ao Salvador – Todos os dias, mais de 2 milhões de pessoas realizam buscas de termos espiritual através da Internet. As nossas páginas na web os ajudam a encontrar Jesus.

2) Alimentá-los na Fé – Ao fornecer websites de discipulado, guias para os novos crentes e conexão cristã, o GMO ajuda os crentes a crescer em sua jornada com Jesus

3) Conectá-los à Igreja – conectando online e fisicamente a uma igreja local. Mais de 4.000 missionários respondem e-mails todos os dias.

Existem muitos outros ministérios ativos na internet, mas nem todos divulgam os resultados de seu trabalho. O GMO mantem em português sites como www.olheparajesus.com.

As igrejas em geral ainda não tem usado essa importante ferramenta de comunicação para alcançar pessoas. Ter uma página, transmitir cultos e ter web rádios não significa que conseguirá atrair os não crentes. Com o grande crescimento da influencia das redes sociais, é possível que em breve o cenário de evangelização mundial seja radicalmente mudado.

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MEUS COMENTÁRIOS:
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"E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura." (Mc 16.15) Na época em que Jesus deu esta ordem, pregar o evangelho a cada criatura envolvia, obrigatoriamente, disposição para realizar viagens longas e, por vezes, perigosas. Estradas repletas de salteadores, repressão governamental, idiomas e culturas diferentes... tudo isso era um desafio para o cristão dos primeiros séculos. Desafio sim, não impedimento; o único que poderia impedir um servo fiel ir a uma região ou país cumprir o "Ide" de Jesus era o Espírito Santo (At 16.7), o Supremo e Absoluto Senhor da Igreja. Naqueles dias, as palavras de Paulo "porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho" (Fp 1.21) faziam um sentido especial, que foge à nós, no Séc. XXI: o martírio era considerado "o prêmio maior" do cristão, uma espécie de "selo de qualidade" acerca da veracidade de sua fé. O martírio era considerado "passar do mal para a justiça".

Hoje, ainda há em alguns países uma forte perseguição aos cristãos. Principalmente em países onde o Islã é a religião oficial, a pena capital encontra-se destinada àqueles que confessam serem cristãos e que proclamam a salvação em Jesus. Nesses países, o solo é recebe o sangue de inúmeros cristãos; porém, o sangue derramado tem efeito contrário do que esperam as autoridades religiosas e governamentais desses países, servindo para crescimento e edificação da fé dos cristãos ali, e surgimento de novos cristãos, exatamente como nos primeiros séculos da Era Cristã.

Há todo um preparo para o envio desses irmãos que são pregadores do evangelho nos mais diversos países do mundo, um preparo especializado que não havia na época das viagens missionárias de Paulo. Agências missionárias, como a JOCUM, a AMEM, a JMN, e muitas outras, têm se esmerado no preparo dos irmãos que posuem chamada missionária e no envio dos mesmos. Índia, Iraque, Afeganistão, Rússia, China e muitos outros países são o destino de dezenas de missionários todos os anos. Alguns, voltam para o Brasil de tempos em tempos, para prestarem relatórios e, infelizmente, implorarem recursos a riquíssima Igreja Brasileira (e, na maioria das vezes, recebem parcos recursos das Igrejas mais pobres financeiramente falando, porque as ricas não estão nem aí para Missões, apenas para as bênçãos financeiras). Outros, voltam para o Brasil num caixão - e isso quando voltam. Mártires modernos!

A Obra de Deus não pode parar, apesar das mortes físicas dos cristãos. Exatamente como no passado, onde prisões e condenações à morte por feras, queimados, estupros, dilacerações não impediram a fé cristã de seguir avante, muito pelo contrário, assim também é nos tempos atuais e assim será no futuro. O diabo pode levantar governantes, deputados e legisladores anticristãos, pode criar leis para perseguirem cristãos, pode até mesmo prender e até matar alguns dentre os verdadeiros cristãos. A única coisa que conseguirá é mais e mais pessoas se convertendo a Cristo, é servir de elemento purificador dos crentes em Cristo.

Deus, por Sua infinita bondade e soberania, tem providenciado um meio pelo qual o Evangelho seja pregado em "tempo e fora de tempo". Sim, por Sua Providência Divina, o Excelso Senhor permitiu ao homem criar a internet, uma rede mundial de computadores, pela qual qualquer pessoa pode se comunicar com outra do outro lado do planeta. Com pouquíssimo ou nenhum custo financeiro, é possível pregar o Evangelho a praticamente qualquer pessoa no mundo por meio do computador. Para os problemas lingüísticos, sempre se pode contar com o Google Translator e outros tradutores online, além de Bíblias Online nas mais diversas línguas do mundo. Com isso, o "Ide Indo" está muito menos arriscado. No máximo, você será banido de alguma sala de bate-papo.

O que é necessário para se evangelizar na web? Em linhas gerais, os cuidados são os mesmos daqueles ligados ao evangelismo físico: afastar-se do mal. Precisa também abrir mão dos papos futéis, que pouco ou nada edificam, em prol do anúncio da mensagem de boas novas. Precisa, ainda, interesse em salvar aqueles que se perdem. Tanto crentes quanto não-crentes, ambos precisam ser levados à Cristo e Cristo precisa ser trazido à eles.

Há centenas de pessoas que frequentam diariamente as salas de bate-papo, MSN, Facebook, Twitter, Orkut, etc. conversando sobre os mais diversos assuntos. Pessoas com suas histórias de vida! Muitos estão sofrendo, sem Jesus; quem sabe drogados, quem sabe viciados em sexo, quem sabe feiticeiros; pessoas infelizes! Alguns, quem sabe, buscando algo, na internet, para consolar suas tristes vidas. Gente pensando em tudo, até em desistir da própria vida! Gente com a vida destruída, sem esperança! Você, querido leitor, pode ser usado por Deus para salvar estas pessoas! Você pode levar o Evangelho a estas pessoas, salvando-as do inferno e levando-as para o Céu! Basta um pouquinho de atenção ao que Deus está fazendo no mundo online! Não existe nada complicado em compartilhar a sua fé!

Há na web muitos irmãos e irmãs em Cristo passando por situações dificílimas e que precisam de uma palavra de carinho, de consolo, de edificação ou mesmo até de exortação. Você pode trazer a elas a palavra que elas precisam naquele momento! Pode mostrar-lhes a Verdade da Palavra e a Palavra da Verdade! O que precisa fazer? Lança a rede em alto mar, onde estão os grandes cardumes de homens!

O evangelismo pode variar: presencial, pessoal, teatro, web... o importante é que a mensagem seja pregada a todas as pessoas. Via web, nem eloquência é necessária; basta boa vontade! É preciso, meu dileto leitor, pregar a Palavra de Deus, pois ela é a única que pode transformar a vida humana! Naquele grande dia, estarão ao nosso lado, indo para o Céu, centenas ou quem sabe milhares de irmãos que foram salvos por uma simples palavra no chat; outros, que receberão do Senhor o galardão por salvarem vidas na www. Afinal, se o diabo pode usar a web com pornografia e violência, nós, filhos de Deus, também podemos usá-la, enchendo-a com a Palavra de Deus!

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

sábado, 24 de dezembro de 2011

O GOLLUM, O MUNDO VIRTUAL E O MUNDO REAL

Quem já assistiu o filme "O Senhor dos Anéis" deve se lembrar de alguns personagens marcantes, como hobbit Frodo Bolseiro, portador do anel, artefato mágico forjado por Sauron, o Senhor do Escuro; de Gandalf, "o cinzento", que torna-se Branco, depois de sua luta feroz contra o Balrog ("As Duas Torres") e do Gollum, Sméagol, uma criatura velha e "pegajosa" que já foi um hobbit, mas que foi possuído pelo poder maligno do "Um Anel", e jamais conseguiu libertar-se dessa atração. 

Num determinado momento, Gandalf faz um comentário com o Frodo acerca do Gollum, o qual é muito interessante: "Meu coração me diz que o mesmo tem algum papel a representar ainda, para o bem ou para o mal, antes do fim". Bem ou mal estavam diante daquele ser, e a escolha deveria ser feita. Com o transcorrer do filme, ora parece que havia esperança para o Gollum, querendo levar os hobbits até Mordor em segurança; ora parece que ele escolhe o mal, tencionando matá-los e apossar-se do Anel que lhe foi roubado. Uma personalidade dividida, por certo.

Recomendo o filme. Há muitos princípios cristãos ilustrados nesta obra de ficção a serem absorvidos, como a fé, a misericórdia, a perseverança, a lealdade, o sacrifício pessoal em prol de uma causa maior, a luta do bem contra o mal, etc. Os próprios personagens têm muito a ensinar. O Gollum é um deles: ele representa o homem dividido em seu mundo interior, fortemente influenciado pela cobiça, que oscila entre dois pensamentos e que, com isso, age de duas diferentes formas.

A cobiça é, de fato, um poder imenso sobre a razão e emoção humanas. Essa ambição desmedida, esse desejo sôfrego é capaz de influenciar o mais forte dos homens e, exatamente como o Gollum, há muitas pessoas que jamais conseguem se libertar desse poder. Praticamente tudo pode ser objeto de cobiça: bens materiais (casas, carros, dinheiro, etc) como pessoas (homens e mulheres). Há uma espécie de "glamour", um magnetismo fortíssimo envolvido naquilo que se almeja desmedidamente, que confere um status de irresistibilidade à coisa toda. A cobiça envolve a criação de um mundo virtual de sentimentos reais, onde a felicidade será alcançada se, e somente se, aquilo que se deseja for obtido: "não possuir aquele(a) ou aquilo" é considerado, ainda que indiretamente, a causa infelicidade e frustração da vida real.

O mundo virtual é tão poderoso e real quanto se puder imaginá-lo. A trilogia "Matrix" mostra isso muito bem, onde real e virtual se confundem como uma coisa só. Com o advento da internet, a criatividade humana para construção do mundo virtual interior foi grandemente potencializada. Hoje, é possível ter uma vida no mundo real e outra vida no mundo virtual, que a cada dia torna-se mais real, mais presente do que o então mundo considerado real. Se a vida no mundo real está condicionada a uma determinada existência e segundo determinada regra, no mundo virtual a pessoa cria sua existência segundo suas próprias regras. No mundo real, sou eu mesmo; no mundo virtual, sou quem eu quiser ser e faço o que eu quiser fazer, pois estou transfigurado num "avatar", vivendo uma espécie de "segunda  vida".

O avanço da tecnologia e da internet proporcionam os meios necessários para que cada vez o homem possa se dissociar do mundo real quando bem entender. Um ambiente virtual muito conhecido e freqüentado por um sem número de pessoas é o "Second Life", que simula em alguns aspectos a vida real e social do ser humano. O termo em inglês significa "segunda vida", ou seja, uma "vida paralela", uma segunda vida além da vida "principal", "real". No "Second Life" é possível ser quem quiser. É possível ser homem ou mulher; ser um magnata de sucesso, rodeado por mulheres (algumas mulheres virtuais são mulheres - ou até mesmo homens - na vida real!), adquirir dinheiro virtual (muitas vezes às custas de dinheiro real), freqüentar uma igreja qualquer. Há, ainda, vários os ambientes ligados à prostituição, como as boates eróticas. Muitas fazem programas e cobram pelo minuto de “serviço”. Outras agem como cafetinas e chegam a agenciar até 20 mulheres. Em 2007, conforme noticiado pelo Estadão, agentes da polícia britânica disfarçados investigaram a ação de pedófilos no mundo virtual do Second Life, por suspeitarem de que  avatares em forma de crianças ofereciam sexo a outros residentes em uma ilha do Second Life chamada "Wonderland" (País das Maravilhas, em português). (ref.: http://www.estadao.com.br/noticias/tecnologia,criancas-oferecem-sexo-virtual-no-second-life-por-dinheiro,73516,0.htm)

De fato, o sexo está bem presente na internet, quer no Second Life, quer nas salas de bate-papo, chats, MSN, etc. Conhecido como "sexo virtual", pode ser considerado uma variação digital do "disque sexo", onde há a exibição de nudez pornográfica e sexo, e não raro, sodomia, pedofilia, lesbianismo, homossexualismo, necrofilia, incesto e bestialismo, com direito a imagem e som. Por meio de câmeras (webcans) e de "sites especializados" é possível qualquer coisa! Com o advento dos celulares com câmera, o perigo é ainda maior. Muitos homens (e até mulheres) sem nenhum caráter colocam à disposição de quem quiser ver jovens e mulheres/homens mantendo relação sexual com eles, os quais são expostos na internet sem ter a menor noção de que isso está acontecendo.

Abre 1º parênteses: Pais e mães, cuidado com seus filhos! Hoje, o mundo virtual com suas mais variadas ameaças está presente na vida de milhões de lares ao redor do mundo. Cuidado com o que seu filho ou filha vê e faz virtualmente. A sedução, aliada ao sentimento de poder pelo "auto-controle", é uma poderosa arma do diabo para prender as vidas de nossas preciosas crianças. A web pode ser uma verdadeira "teia"; quando mais se mexe, mais preso fica.  A pedofilia está muito presente nestes ambientes e as meninas (e meninos) podem facilmente serem seduzidos à exposição de seus corpos virtualmente, fazerem "sexo virtual", com a desculpa que "não é de verdade, é só brincadeirinha", ou mesmo marcarem encontros presenciais! Apesar do mundo ser virtual, os perigos são reais! Os sentimentos e emoções geradas são reais: é possível ser seduzido por alguém que se apresenta como "bom menino(a)", "boa pessoa", apaixonando-se por alguém que sequer conhece no mundo real! A paixão cega; uma vez cega, a pessoa está sujeita a fazer qualquer coisa em prol da paixão; é assim no mundo real, é assim também no mundo virtual! Lembre-se: Pedofilia é crime! Denuncie! Fecha 1º parênteses.

Abre 2º parênteses:  A mesmíssima recomendação vale para os adultos. Lembre-se: tudo, no mundo virtual, é feito de forma a ser irresistível: os homens e mulheres expostos são os mais belos e o sexo virtual é o mais intenso possível, tudo feito de modo a superar o mundo real. Não são poucos os adultos - solteiros e até mesmo casados - que acabam presos pela sedução real do mundo virtual. Há várias pessoas que arriscam e destroem seus namoros/noivados/casamentos porque foram presos por um sentimento, por uma emoção "mais forte, mais intensa" produzida pelas imagens e sons virtuais. A "traição virtual", como é conhecida, é, invariavelmente, infidelidade real. Há inúmeros relatos de homens e mulheres que, ainda casados, sentem-se atraídos pela pessoa que está do outro lado da tela do computador. Pessoas divididas emocionalmente, que não querem terminar o relacionamento real, mas que estão debaixo de intenso sentimento de culpa e condenação porque escondem o máximo que podem, no seu íntimo, o interesse real por um personagem virtual. Há, também, inúmeros casais, outrora felizes, que se separaram litigiosamente por causa do sexo virtual: famílias separadas, lares destruídos. Fecha 2º parênteses.   
    
Diante de tudo o que foi exposto acima, é fácil perceber que a vida no mundo virtual tem um preço a ser pago. Para se ter "aquilo" que se tanto deseja, há sempre um preço a ser pago, financeiro e até mesmo espiritual, o qual é pago prontamente, sem ponderações. Não é considerado em nenhum momento que esse preço é sempre muito caro, pois traz consequências muito severas; para piorar ainda mais, ao fim, percebe-se que aquilo que foi "conquistado" às expensas daquilo que se possuía, não valeu o preço pago. Mas infelizmente não há devolução!

Assim, os prazeres e emoções advindas do mundo virtual incentivam a cobiça e a mantém viva e forte, tornando-a num incêndio interior quase incontrolável. Como diria o Gollum diante do Anel, "precioso, precioso, precioso! Meu Precioso! Ó, meu Precioso!" Porém, há um preço a ser pago, sempre. Como diria Friedman, Nobel em Economia, "there is no such a thing as a free lunch" ("não existe almoço de graça"). Qual é o preço pelo prazer virtual? Pode ser o preço financeiro; da sua consciência, da sua paz interior; o preço do seu relacionamento, construído com dificuldade; da sua fé cristã; da sua salvação em Cristo; da sua espiritualidade cristã; da sua liberdade; da sua vida ou da vida daqueles que você ama e até mesmo da sua própria alma. Perceba que o preço a ser pago é caríssimo! 

Infelizmente, mesmo diante do alto custo envolvido, há inúmeras pessoas que não se importam com o valor; elas pagam o preço, sem sequer questioná-lo. Na hora do prazer virtual, da atenção do "amigo online", da ficção, maridos e/ou esposas não pensam em nada, apenas em satisfazerem suas carências emocionais. Assim também é com o(a) adolescente que tira sua roupa diante de uma webcan, estimulando e sendo estimulado(a) sexualmente: ele(a) quer apenas sentir uma compensação emocional, suprir uma carência. A pornografia traz consigo emoções fortíssimas, que prendem a pessoa na prática, levando-a a consumir mais e mais daquilo que ela tanto cobiça. 

O problema é, como foi dito, que tudo isso não passa de pecado, diante de Deus, onde o prejudicado é o próprio homem. Certa vez, Deus falou ao homem, dizendo: "Não cobiçarás a casa do teu próximo, não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo, nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento, nem coisa alguma do teu próximo." (Êx 20.17) Parodiando o Mestre Yoda, de Star Wars, "a cobiça leva ao lado sombrio, das trevas. A cobiça gera a inveja, a inveja gera o ódio e o ódio leva a morte!" O mundo virtual é uma abstração; nada do que existe nele é real, tal como se entende a realidade. Não existe prazer absoluto, apenas em Deus e isso só será plenamente manifesto quando formos transformados pelo Senhor. O sexo não traz e jamais trará prazer absoluto, isso é sempre uma ilusão. A performance absoluta não existe no mundo real; tudo aquilo que ali está é um mero produto idealizado de forma marqueteira, para seduzir a todos que se detiverem diante da "vitrine global". Esse produto é falso, produzido no inferno, que é a fábrica das falsificações! Por isso mesmo, afirma Tiago: "De onde vêm as guerras e pelejas entre vós? Porventura não vêm disto, a saber, dos vossos deleites, que nos vossos membros guerreiam? Cobiçais, e nada tendes; matais, e sois invejosos, e nada podeis alcançar; combateis e guerreais, e nada tendes, porque não pedis. Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites. Adúlteros e adúlteras, não sabeis vós que a amizade do mundo é inimizade contra Deus? Portanto, qualquer que quiser ser amigo do mundo constitui-se inimigo de Deus." (Tg 4.1-4)

Cobiçam, cobiçam e nunca têm nada; nem o que tanto cobiçam, nem o que tinham e não deram o devido valor. Ao invés de viver cobiçando "moscas", viva a sua vida. Você que é casado(a), deixe o sexo virtual e aprenda a desfrutar do seu casamento, com o seu cônjuge: "Bebe água da tua fonte, e das correntes do teu poço. Seja bendito o teu manancial, e alegra-te com a mulher da tua mocidade. Como cerva amorosa, e gazela graciosa, os seus seios te saciem todo o tempo; e pelo seu amor sejas atraído perpetuamente." (Pv 5.15,18,19) Dentro do que não é impuro, e por conseguinte pecado, dentro do que a Bíblia não condena, inove no seu casamento! Seja criativo! Viva feliz com quem Deus te deu para estar do seu lado! Por sua vez, você que não é casado(a), que é jovem ou mesmo adolescente, não se deixe prender com essa quimera, com essa fantasia. O mundo virtual não é uma "Ilha da Fantasia", ilha paradisíaca onde qualquer desejo pode ser realizado, onde os sonhos se concretizam no final. No lugar de um simpático senhor Roarke e do Tattoo, o anfritrião do sexo online é o próprio diabo. Uma vez preso, o diabo procurará levá-lo cada vez mais fundo na prática, até que ele possa destruir a sua vida! Não há amor no sexo virtual, nem na pornografia! Ninguém, absolutamente ninguém deve se considerar forte o bastante, assim, evite a primeira vez!

Finalizando, viva a sua própria vida, no mundo real. Aprenda a realizar seus sonhos e anseios no mundo real com aquilo que Deus nos deu de bom, aquilo que Ele criou e santificou para o nosso próprio bem-estar físico, emocional e espiritual. Deus te ama, querido(a) leitor! Ele sabe quais são as suas necessidades e só Ele possui a forma de satisfazê-las sem destruir sua vida! Entregue todas as suas ansiedades nas mãos de Deus. Se você está preso, tenho uma boa notícia: você pode ser livre! Jesus disse que a liberdade que Ele proporciona nos torna verdadeiramente livres! Não importa o quão fundo você tenha ido, não importa o que você já fez ou ainda está fazendo; se você vier a Jesus com sinceridade, achará Nele misericórdia e compaixão por você! Ele nunca deixou de perdoar nenhum pecador que se arrepende! 


Ele te diz: VINDE A MIM, PECADOR!


Pense Nisso. Deus está te dando visão de águia!

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

PALAVRA E ESPÍRITO: ENTENDENDO A CURA INTERIOR E A SUA FONTE

A lei do SENHOR é perfeita, e refrigera a alma; o testemunho do SENHOR é fiel, e dá sabedoria aos símplices. Os preceitos do SENHOR são retos e alegram o coração; o mandamento do SENHOR é puro, e ilumina os olhos. (Sl 19.7,8)

Cura interior, cura das emoções ou cura das memórias... há várias formas pelas quais essa prática é denominada nas Igrejas que as aceitam e adotam. Juntamente com os nomes, há também - e infelizmente - muita confusão sobre o entendimento do assunto. A imensa confusão que foi gerada ao longo dos anos sobre o assunto acabou causando desentendimentos, más compreensões e práticas estranhas que nada, em absoluto, tem relação com o correto entendimento e prática da cura interior. Muito desse desentendimento deriva-se da introdução de práticas espúrias e antibíblicas como se fossem cura interior. Dentre elas, podemos citar a regressão (até o ventre materno ou até mesmo à vidas passadas, o que é espiritismo disfarçado com roupagem evangélica). A regressão nada tem a ver com cura interior; é uma técnica psicológica.

Cura interior nada tem a ver com psicologia ou psicoterapia. A cura interior não utiliza técnicas dessas áreas de conhecimento as quais, apesar de genuínas, não guardam relação com a Palavra de Deus. Aqui, aproveito para introduzir o primeiro conceito importante: cura interior precisa, obrigatoriamente, estar 100% baseada na Bíblia. A Palavra de Deus é e sempre será o Remédio de Deus para os problemas humanos, não importa onde estejam localizados - se no corpo, na alma ou no espírito (I Ts 5.23). Substituir a Palavra, até uma ínfima parte que seja, na cura interior (ou em qualquer coisa) é abdicar da suficiência das Escrituras, algo inconcebível a um verdadeiro crente em Cristo. Há muitos ditos "pastores" que se matriculam em cursos de psicoterapia para ministrarem cura interior nas igrejas; outros que ainda misturam práticas esotéricas na cura, como a tal "regressão a vidas passadas". Além de não alcançar o resultado esperado - porque cura interior NADA, repito, NADA TEM A VER com psicoterapia ou psicologia, a prática só contribui para mascarar o real problema interior da pessoa e agravar o quadro.

Abre 1º parênteses: Alguns irmãos questionam a legitimidade da cura interior porque, via de regra, não compreendem a base bíblica da mesma. Na maioria das vezes, isso se deve a aplicação das verdades bíblicas de forma transcendental, sem considerar sua eventual aplicação imanente. Por exemplo, afirmam que o sacrifício de Cristo resolve todos os problemas emocionais do homem quando este se converte e que, por isso, não haveria necessidade da cura interior. No entanto, é preciso considerar que a suficiência do sacrifício de Jesus na cruz (sim, o sacrifício do Senhor é suficiente - o que passar disso, é de procedência maligna!) sob o aspecto imediato e mediato. Isaías 53 diz que "por suas pisaduras fomos sarados" (Is 53.5), porém vemos Deus colocando na Igreja Neo-Testamentária "dons de curar" (I Co 12.28). Qual era a base espiritual dos "dons de curar"? O sacrifício de Cristo. Os dons de curar eram possíveis porque o Senhor Jesus Cristo havia sido sacrificado na cruz e eram (e ainda são) necessários porque mesmo o corpo dos genuínos crentes em Cristo era (e ainda é) passível de adoecer. Note que a ministração de cura é sempre feita "em Nome de Jesus", como Ele mesmo assim ordenou (Mc 16.18); a cura é o resultado da cruz. Note também que apesar do sacrifício de Cristo garantir a cura, havia na Igreja crentes doentes, que precisavam de cura. Assim, o suficiente sacrifício de Nosso Senhor garante inapelavelmente a realidade da cura (bem como um futuro corpo sem doenças), mas a realização dessa verdade na vida dos irmãos em Cristo não é necessariamente instantânea, automática. Fecha 1º parênteses.    

O segundo conceito importante é que a cura interior só pode ser ministrada por quem tem as suas próprias emoções curadas pelo Espírito de Deus. "Médico, cura-te a ti mesmo" é a máxima aqui. Não há nenhuma eficácia numa ministração de cura interior realizada por alguém doente em sua própria alma. Por isso mesmo, de nada adianta aplicar técnicas psicoterapêuticas e/ou psicológicas como se fossem cura interior, porque não haverá resultado prático. Na ministração de cura, de forma redundante, o objetivo é curar as emoções daquele que sofre; para isso, o ministrante precisa ser forte emocionalmente, pois a exacerbação de poderosas emoções - por vezes contraditórias - durante a ministração, é algo muito comum.

No que consiste a ministração de cura interior? Consiste na ministração das verdades bíblicas aplicadas às necessidades emocionais específicas que se constituem em feridas de alma, de forma a curar, com o auxílio e total dependência do Espírito Santo, aquela emoção específica. Por exemplo: uma irmã em Cristo que foi duramente ferida emocionalmente por seu pai na sua infância (por qualquer razão: violência familiar, estupro, abandono do lar, etc) não consegue, atualmente, se relacionar com Deus como seu Pai, pela associação do conceito de pai com a ferida. Todas as vezes que ela ouve falar em Deus como Pai ela sente repulsa. Aqui, a ministração de cura interior envolve a ministração das verdades bíblicas acerca de Deus como Pai (Pai de Amor, de Bondade, de Graça, etc), desassociando emocionalmente (não é ideológico ou mental) o conceito errado de pai, com liberação de perdão ao pai terreno após a cura.  Observe que não se trata meramente de uma associação conceitual pura e simples, mas sim principalmente emocional. A cura interior deve quebrar padrões de respostas habituais e comportamentos que foram gerados em reação a um trauma inicial. 

Assim, a cura interior é necessária se há uma ferida ainda não cicatrizada, ou seja, se uma lembrança, uma pessoa ou um ambiente causa desconforto, dor, medo ou tristeza. Deve ser compreendido que as feridas emocionais podem surgir por diversas razões, sendo talvez a principal delas a rejeição. Rejeição é o sentimento gerado a partir de atitudes de outros que nos levam a sentir-nos sem valor ou não amados. Por exemplo, a separação, o abandono, a crítica, a indiferença, a ausência ou violência por parte dos pais pode produzir um sentimento de rejeição na vida dos filhos. Podemos ainda citar:
  • As "preferências" de um dos pais ou de ambos por um filho em detrimento de outro.
  • "Bullying": atos de violência física ou psicológica, intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (do inglês bully, tiranete ou valentão) ou grupo de indivíduos causando dor e angústia, sendo executadas dentro de uma relação desigual de poder. Por exemplo, quando um/uma jovem é vítima de estupro ou violência sexual sem coito, quando for adulto(a) poderá apresentar traumas com relação a tudo que se refere ao sexo.   
  • Auto-rejeição: Quando nós mesmos não aceitamos nossa condição (cor da pele, classe social, profissão, aparência física, etc...).
  • Sentimentos de culpa, com causa real ou aparente: Por exemplo, ter sido apontado como “responsável” pela morte ou destruição de alguém (morte da mãe no parto, alcoolismo do pai por desgosto, suicídio de alguém...).
Abre 2º parênteses: Quem é o homem (ou mulher) que nunca, durante toda a sua vida, jamais sofreu qualquer ferida emocional? O problema é que infelizmente há pessoas que acham que os problemas emocionais dos outros é sempre insignificante, "uma grande bobagem". Isso é um grave erro, tanto porque demonstra um grande desamor para os que sofrem, como porque se aquele fato causa dor emocional naquela pessoa é porque, para ela, aquele fato é sério. Ninguém sofre porque "acha bonito". Se aquele fato não causa dor em você, glória a Deus; mas não é você com seus preconceitos o alvo aqui, mas sim aquele que está sofrendo e precisando de ajuda. Para esta pessoa, aquele fato é a causa de sua doença emocional, a qual precisa ser curada. Fecha 2º parênteses.

Sobre isso, comenta Nelson Galvão, no site da CACP: "A cura espiritual deve tocar o problema na sua fonte. O indivíduo deve ser liberto da prisão de uma memória em particular e do falso significado atribuído a ela. As feridas emocionais causadas pelo incidente que forçou a repressão de sua memória deve ser curada. Paulo fala de Deus como o Pai da compaixão (I Co. 1:3-4) e também enfatiza que a provisão do sangue de Cristo é um aspecto da Sua perfeita sabedoria (Ef. 1:7-8). De fato, é a “contínua aspersão do Seu sangue” que guarda o coração e a consciência das “palavras mortas” (Hb. 9:14; 10:22) e nos liberta do cativeiro emocional destas palavras a fim de que possamos servir ao Deus vivo." Nenhuma cura interior deve ser ministrada a partir da implantação de experiências falsas! Portanto, quem ministra a cura precisa conhecer o real problema na vida da pessoa que sofre. Nada de chutes ou achismos!

O terceiro conceito aqui que é, talvez, a base principal da cura interior é que a cura interior é produzida unicamente pelo Espírito Santo atuando através da vida daquele que ministra. Cura interior é um dom do Espírito Santo (I Co 12.9), no qual Ele, que é Senhor Absoluto da Igreja, age por meio de alguém para curar aqueles que sofrem. É Ele, em última análise, quem cura o homem! Como diz o antigo hino "O Espírito de Deus Está Aqui":

O Espírito de Deus está aqui, Operando em nossos corações
Trazendo sua vida e poder, Ministrando sua graça e amor
Os feridos de alma são curados, Os cativos e oprimidos livres são
Os enfermos e doentes são sarados, Pois o Espírito de Deus está aqui

Daí, quem ministra a cura, precisa estar em total dependência e em total sintonia com o Espírito Santo, discernindo a forma e o momento de ministrar essa cura. As feridas emocionais podem se encontrar profundamente enterradas na alma humana e, para curá-las, é necessário trazê-las à superfície. Em alguns casos, esse processo pode ser extremamente difícil por causa das barreiras que são erigidas sobre aquela ferida, pela própria alma, de forma que ela não fique exposta. Sem a atuação poderosa do Espírito Santo, é impossível destruir estas barreiras. Além disso, pode haver pecado envolvido, ou em alguns casos até mesmo podem existir demônios por detrás daquela situação. Assim, pode haver a manifestação demoníaca no momento da ministração da cura e, novamente, é imprescindível que seja dado ao Espírito Santo todo o controle de ambas as vidas, tanto do ministrante quanto do ministrado. 

É importante o entendimento de que nem sempre a cura interior, tal como é entendida, se faz necessária. Algumas ocasiões, a cura emocional pode brotar da revelação específica da Palavra de Deus a partir da pregação de um sermão, por exemplo, de forma que a pessoa recebe e se apropria daquela verdade da Palavra para seu problema específico. Noutros casos, a cura emocional pode brotar a partir de um louvor inspirado pelo Espírito Santo, onde a letra com o Espírito atuam para curar a ferida emocional. Por essas e por outras, não se deve reprimir as emoções no culto/serviço cristão: nem as emoções do adorador, nem as emoções do pregador. Obviamente, tudo com o devido equilíbrio, mantendo-se a decência e a ordem na Igreja.  

Nos casos em que a ferida emocional está ligada, direta ou indiretamente a um pecado, este pecado precisa obrigatoriamente ser reconhecido como tal, confessado e abandonado a fim de que as emoções possam ser curadas pelo Espírito Santo. Por exemplo, medos/fobias ligados ao mundo espiritual podem possuir, por detrás, práticas espíritas/feitiçarias - o envolvimento da pessoa com ocultismo - as quais a pessoa nunca reconheceu como pecado e nem confessou como tal. Neste caso específico, há a necessidade de libertação e conversão da pessoa à Cristo para que a ferida emocional seja curada.   

Abre 3º parênteses:  Um verdadeiro crente em Cristo, convertido ao Senhor, firme na fé a qual "de uma vez por todas foi entregue aos santos" (Jd 3),  JAMAIS será objeto de possessão demoníaca, pois o seu corpo é Templo do Espírito Santo, o lugar onde o Espírito Santo habita e é adorado. Porém, é preciso considerar que com o retrocesso do cristianismo bíblico e o consequente avanço dos falsos ensinos, muitos não-convertidos passaram a freqüentar as igrejas e participarem dos cultos/trabalhos como se fossem realmente convertidos. Infelizmente, muitas dessas pessoas são escravas do diabo ao ponto de serem possuídas/oprimidas por espíritos demoníacos. Aqui vale o velho adágio: "nem tudo o que reluz é ouro": o que parece expulsão de demônios de crentes, não o é, no mundo espiritual; é apenas a expulsão de demônios de "pseudo-crentes", de inconversos. Aqueles que abandonaram a fé correm o risco de experimentar o mesmo triste e deprimente estado espiritual, bastando que para isso a "casa" torne-se vazia, algo muito fácil de acontecer numa vida sem o Senhor e sem o devido cuidado espiritual. Em ambos os casos aqui abordados - não-convertidos (ou convencidos) e desviados - vale lembrar as palavras de Jesus em Mateus 12:43-45 = "E, quando o espírito imundo tem saído do homem, anda por lugares áridos, buscando repouso, e não o encontra. Então diz: Voltarei para a minha casa, de onde saí. E, voltando, acha-a desocupada, varrida e adornada. Então vai, e leva consigo outros sete espíritos piores do que ele e, entrando, habitam ali; e são os últimos atos desse homem piores do que os primeiros. Assim acontecerá também a esta geração má".  Fecha 3º parênteses.  

Apesar de já ter sido mencionado anteriormente, é válido fazê-lo novamente para reforçar o entendimento: cura interior está ligada a alma humana, que padece de diversas doenças emocionais como resultado do pecado de Adão no Éden. Antes da queda (o pecado original), o homem, que é constituído por três partes - corpo, alma e espírito - gozava de plena comunhão com Deus. A parte do homem responsável pelo relacionamento do homem com o mundo espiritual é o espírito humano. Em seu estado de santidade e comunhão com o Criador, o homem vivia uma vida de saúde física, emocional e espiritual.

Com o pecado, a comunhão com Deus foi rompida. O homem, então, passou imediatamente a um estado de morte espiritual (separação do homem de Deus) e a um estado de sujeição à morte biológica (separação da alma e do espírito do corpo), estando sujeito ainda a um estado de morte eterna (separação eterna do homem de Deus).  Esse novo estado espiritual acarretou ao homem diversas doenças, tanto em sua alma (doenças emocionais) como em seu corpo (doenças mentais, cardíacas, genéticas, congênitas, viróticas, etc). Além disso, com a morte espiritual, a alma, antes sujeita à vontade de Deus, agora passa a um estado de rebelião ao Seu Criador. Ela torna-se escrava inveterada do pecado, e passa a se utilizar do espírito (ocultismo, esoterismo, espiritismo, advinhação, feitiçaria, etc, todo contato com o mundo espiritual da maldade) e do corpo (adultério, prostituições, fornicações, lascívias, porfias, invejas, ciúmes, partidos, etc) para pecar continuamente.

Por causa das variedades de doenças, bem como das diferentes partes do homem afetadas, é que o Espírito Santo distribui dons (plural) de curar, do grego charismata iamaton. O dom de curar varia de acordo com a doença/parte afetada; mas não necessariamente eles atuam sempre em conjunto. Isso deve ficar claro: o fato de se obter a cura das emoções não quer dizer, necessariamente, que se obterá também a cura física, como se a cura viesse em um pacote. Aliás, diferentemente da cura física produzida pelo Espírito de Deus, a qual ocorre sempre em um único momento (veja os casos de cura divina na Palavra e você perceberá que elas aconteceram em um único ato), a cura emocional pode acontecer ao longo do tempo, num processo. Isso se deve ao fato de que as feridas emocionais podem ser muito complexas, envolvendo a vontade humana. Tanto a vontade quanto as emoções são propriedades grandiosas e complexas da alma humana.

Por fim, um conselho: leia a Palavra de Deus e busque diariamente, em oração e na prática, colocar-se inteiramente sob o controle do Espírito Santo. O Espírito Santo sempre usará a Palavra de Deus para curar as emoções humanas. Esta é a fonte de toda genuína cura emocional! 

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

DE QUEM É A CULPA PELA EXISTÊNCIA DO MAL?

De onde vem o mal? Quem criou o mal?

Essas perguntas estão entre as mais comumente feitas pelo homem. Basta olhar para a nossa sociedade caótica, repleta de violência e maldade por todos os lados que essas perguntas surgem naturalmente. Não há como negar a existência do mal, como pensam algumas pessoas; o mal não é uma questão de relatividade, é uma questão de absolutos. Tratam-se de perguntas sinceras, não são perguntas levianas. A dúvida com relação a origem do mal é uma dúvida razoável. Há milhares de anos o homem vem fazendo esta pergunta e nestes mesmos milhares de anos vem tentando respondê-la. Muitas respostas têm surgido, propostas pela filosofia e pelas religiões - as mais diferentes possíveis; porém, pouco ou nenhum consenso sobre o tema foi alcançado até hoje.

A Bíblia Sagrada - revelação de Deus para o homem sobre a existência, atributos e caráter de Deus; sobre a criação e queda do homem e de como Deus lidou com o pecado do homem; do relacionamnto de Deus com o homem antes e depois da queda; da redenção do homem caído pelo próprio Deus e do destino eterno da humanidade, sendo esta uma descrição muito resumida da Palavra de Deus - aborda a questão do mal como condição moral presente na criação após a queda do homem. O mal, segundo a Bíblia, é tanto o pecado em si como a conseqüência do pecado.  Todo pecado é um ato moral gerado no interior do homem; esse ato é sempre fruto da sua natureza caída, que se inclina tendenciosamente para maldade.

Mesmo no homem redimido - e isso só ocorre quando ele reconhece a sua natureza e os seus atos dela derivados como malignos e, então, volta-se para Cristo arrependido e reconhecendo Nele a única solução para o seu estado espiritual e moral distanciado de Deus - habita a antiga natureza, caída. A diferença é que agora há nele não mais uma natureza apenas (a maligna, caída), mas há também uma nova natureza, gerada pelo Espírito Santo em seu homem interior. Eis a fonte de lutas internas e externas que os cristãos sinceros (sinceros, não meros "freqüentadores de igreja") continuamente travam - suas duas naturezas. Paulo, apóstolo de Cristo, travou essas batalhas. Note o que ele diz: "Porque o que faço não o aprovo; pois o que quero isso não faço, mas o que aborreço isso faço. E, se faço o que não quero, consinto com a lei, que é boa. De maneira que agora já não sou eu que faço isto, mas o pecado que habita em mim. Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum; e com efeito o querer está em mim, mas não consigo realizar o bem. Porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero esse faço. Ora, se eu faço o que não quero, já o não faço eu, mas o pecado que habita em mim. Acho então esta lei em mim, que, quando quero fazer o bem, o mal está comigo. Porque, segundo o homem interior, tenho prazer na lei de Deus; Mas vejo nos meus membros outra lei, que batalha contra a lei do meu entendimento, e me prende debaixo da lei do pecado que está nos meus membros. Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte? Dou graças a Deus por Jesus Cristo nosso Senhor. Assim que eu mesmo com o entendimento sirvo à lei de Deus, mas com a carne à lei do pecado." (Rm 7.15-25)

Observe que Paulo já havia sido convertido à Cristo aqui, porém estava enfrentando batalhas interiores intensas porque nele havia duas naturezas, cada uma direcionando-o a um tipo específico e mutuamente contraditório de vida e de atitude. Por isso mesmo outro apóstolo, João, afirma: "Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós." (I Jo 1.8) Porém, como há duas naturezas, o genuíno cristão não vive na prática do pecado, esse não é mais o seu estilo de vida. Na dependência do Espírito Santo, o cristão pode triunfar na batalha interior: "PORTANTO, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito. Porque a lei do Espírito de vida, em Cristo Jesus, me livrou da lei do pecado e da morte." (Rm 8.1,2) A lei do pecado e da morte, que levava Paulo ao conflito relatado em Romanos 7 é vencida pela (e somente por ela) Lei do Espírito de vida. Isso significa impecabilidade? Não, de forma alguma. Mas significa vitória sobre o pecado, liberdade do seu jugo escravizador ("porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça." - Rm 6.14) sempre que o cristão desejar fazê-lo.

Romanos 8 é, assim, a vitória sobre o pecado garantida pelo sacríficio de Cristo, assegurando que o cristão pode vencer o pecado sempre que escolher fazê-lo. Mas, e se porventura não escolher a lei do Espírito de vida na hora da tentação - afinal, "não há homem que não peque"? João responde: "Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado. MEUS filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo. E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo." (I Jo 1.7; 2.1,2)

Se o leitor observou com cuidado a leitura dos textos, percebeu que existe algo que não foi escrito diretamente até então, mas cuja realidade é notória. Trata-se da capacidade de escolha do homem, escolher entre o bem e o mal, entre o certo e o errado. Isso chama-se livre arbítrio. Deus, o Supremo Criador de todo o Universo, dotou os seres inteligentes que Ele criou com a mesma capacidade volitiva que Ele possui - o livre arbítrio. Assim, tanto o homem quanto os anjos possuem esta capacidade, de fazer escolhas. Inteligência é mais do que a capacidade de fazer cálculos avançados, ou planejar e construir grandes realizações como edifícios, carros, aviões, barcos ou mesmo pisar na Lua. Inteligência é a capacidade de escolher fazer ou não estas coisas, de escolher agir ou não agir acerca de um determinado tema. Não há inteligência num computador avançado - no sentido que estamos definindo aqui; ele apenas realiza as funções para as quais foi construído, mas não pode escolher não realizá-las. Programe um computador - uma máquina construída pelo homem - para resolver um sistema de equações diferenciais parciais e ele o fará; programe para calcular elementos finitos (um cálculo específico da engenharia) e ele o fará.

Deus não criou "computadores biológicos", de forma alguma. Ele não "programou o homem" - ou os anjos - para adorá-Lo ou servi-Lo ou mesmo crer Nele. Não, isso são escolhas que o homem pode ou não fazer; assim, são escolhas que o homem faz ou não faz porque possui a capacidade para tal. Ao criar o homem e os anjos, Deus dotou-os com a mesma capacidade volitiva. A ambos, Deus manifestou a Si mesmo - o Seu caráter, a Sua natureza e a Sua Verdade, mostrando o certo e o errado, cabendo então a cada um fazer sua própria escolha. Assim, Deus criou o homem (não a máquina) perfeito, com plena capacidade emocional e espiritual de fazer o bem. Deus alertou-o acerca do que Ele considerava mal e das conseqüências de uma escolha de fazer o mal, de forma que quando o homem caiu em pecado, no Éden, ele o fez possuindo todas as condições de não o fazê-lo se assim o quisesse e com total consciência das conseqüências desse ato. E dessa atitude - pecar, ou seja, desobedecer a Deus - derivou-se toda a maldade que hoje se vê na humanidade - e as suas conseqüências terríveis.

Abre parênteses: o pecado - o mal absoluto - atingiu o homem não apenas em seu caráter, mas também em seu próprio corpo. Todas as mutações malignas, todos os defeitos congênitos, todos os aleijões, o retardamento mental, dentre outros, são conseqüência do pecado cometido no Éden e que se alastrou por toda raça humana, de geração a geração. Isso não quer dizer que o pai ou a mãe tenha cometido algum pecado que estaria assim sendo julgado em seu filho inocente, não é isso que estou afirmando. Porém, o que estou afirmando é que o pecado cometido passou a agir não apenas de forma moral, mas também de forma biológica e celular, levando todas as funções biológicas a se deteriorarem não apenas com o tempo - o envelhecimento, mas independente do mesmo. Todas as funções corpóreas antes perfeitas - dentre elas a reprodução humana - foram e ainda estão sendo severamente danificadas pelo pecado. Com o pecado, a morte entrou na raça humana; morte também é a deterioração do corpo. Gênesis relata que naquele tempo (após a queda do Éden) passaram a existir gigantes na Terra (Gn 6.4) e o gigantismo é uma alteração biológica humana. Isso não é Karma, como querem as religiões espíritas; isso é justiça, ou seja, justa consequência por nossos pecados. Impunidade é coisa humana, não divina. Fecha parênteses.

Deus criou o homem em pecado? Não, o homem escolheu pecar. Deus amou o homem que criou e ensinou-Lhe o que era certo, mas o homem escolheu agir deliberadamente de forma contrária aos ensinos de Deus. Uma mãe gera o seu filho e o ensina tencionando sempre seu bem; mas se esse filho deliberadamente escolher tornar-se um assassino ou malfeitor, a culpa é da mãe que sempre o amou e o ensinou o bem, ou do próprio filho, que escolheu não dar ouvidos aos ensinos e admoestações de sua mãe? A resposta é óbvia. Ninguém diz a mãe de um assassino, "porque pariste esse infeliz és tão responsável quanto ele por seus assassinatos"; contudo, tencionamos culpar o Criador pelas escolhas desastrosas de Sua criação. Não é à toa que está escrito: "De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados." (Lm 3.39) Enfatizo novamente: tudo isso é o justo pagamento, o justo salário por nossos pecados, desde o Edén até hoje em dia. Se nem o próprio Deus escapou ao sofrimento produzido pelo pecado em Sua criação, como queremos nós vivermos impunes aos nossos próprios crimes? Sim, Jesus - o Verbo (Deus) que se fez carne e habitou entre nós - sofreu injustamente (porque Nele nunca houve pecado algum) com os pecados da humanidade em seu próprio corpo.

Abre parênteses: O Senhor Jesus - Deus conosco - foi dado por Seu Pai, saindo do Ceú, Sua morada desde a Eternidade - para se fazer carne a fim de sofrer por nossos pecados para que pudéssemos ser salvos. Você sairia de sua casa para um lugar distante, sabendo que você estaria saindo para inevitavelmente morrer naquele lugar? E o que você pensaria se seu pai ou sua mãe, sabendo que você sofreria horrores e acabaria morto com requintes de crueldade, ainda assim mandasse você para este lugar? E pior: para morrer por pessoas que não dão à mínima para você ou para seu pai ou mãe? No mínimo, ou você diria que seus pais enloqueceram ou que eles não te amam mais (se é que amaram um dia). Pois é, a Bíblia diz que "Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." (Jo 3.16) Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo juntamente, em eterna harmonia, decidiram que Jesus morreria pela humanidade pecadora. E assim foi feito, sem toscanejar - e isso tudo por Amor, amor por alguém que não tinha nada para ser amado desse jeito, com essa intensidade e demonstração! "Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios. Porque apenas alguém morrerá por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém ouse morrer. Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores." (Rm 5.6-8) Fecha parênteses.

Assim, está demonstrado que o mal que grassa a humanidade é o resultado da nossa desobediência e rebelião à Vontade expressa de Deus. Mas ainda resta um ponto: o homem caiu primariamente no Éden porque foi tentado (na verdade, o homem caiu porque sua mulher, Eva, foi tentada, caiu e então levou o homem para a mesma condição sob total aquiescência do homem). Quem foi o agente tentador? Foi a maldita serpente, o diabo! Mas quem é esse diabo e de onde ele veio? Foi Deus quem o criou, esse ser repugnante, 100% maligno?

O diabo originalmente não era diabo. Ele tornou-se diabo. Antes dessa transformação espiritual, revela-nos a Bíblia que ele era um querubim ungido, um santo anjo de Deus. O profeta Ezequiel, profetizando contra o maligno príncipe de Tiro, um tipo do próprio Satanás, nos revela como tudo aconteceu: "Filho do homem, levanta uma lamentação sobre o rei de Tiro, e dize-lhe: Assim diz o Senhor DEUS: Tu eras o selo da medida, cheio de sabedoria e perfeito em formosura.  Estiveste no Éden, jardim de Deus; de toda a pedra preciosa era a tua cobertura: sardônia, topázio, diamante, turquesa, ônix, jaspe, safira, carbúnculo, esmeralda e ouro; em ti se faziam os teus tambores e os teus pífaros; no dia em que foste criado foram preparados. Tu eras o querubim, ungido para cobrir, e te estabeleci; no monte santo de Deus estavas, no meio das pedras afogueadas andavas. Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que se achou iniqüidade em ti. Na multiplicação do teu comércio encheram o teu interior de violência, e pecaste; por isso te lancei, profanado, do monte de Deus, e te fiz perecer, ó querubim cobridor, do meio das pedras afogueadas. Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; por terra te lancei, diante dos reis te pus, para que olhem para ti. Pela multidão das tuas iniqüidades, pela injustiça do teu comércio profanaste os teus santuários; eu, pois, fiz sair do meio de ti um fogo, que te consumiu e te tornei em cinza sobre a terra, aos olhos de todos os que te vêem. Todos os que te conhecem entre os povos estão espantados de ti; em grande espanto te tornaste, e nunca mais subsistirá." (Ez 28.1-19)

Esse anjo, criado perfeito, foi também criado com livre arbítrio, como os demais anjos de Deus e como o homem. Por causa da sua extrema beleza e resplendor ele achou-se no direito de ser igual a Deus. Observe o que diz Isaías: "Como caíste desde o céu, ó estrela da manhã, filha da alva! Como foste cortado por terra, tu que debilitavas as nações! E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu, acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, aos lados do norte. Subirei sobre as alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo. E contudo levado serás ao inferno, ao mais profundo do abismo. Os que te virem te contemplarão, considerar-te-ão, e dirão: É este o homem que fazia estremecer a terra e que fazia tremer os reinos?" (Is 14.12-16) Seu pecado - querer ser igual ao Altíssimo - produziu uma terrível transformação nesse ser espiritual. Toda a sua beleza, toda a sua formosura, toda a glória de Deus em sua vida foram, para sempre, perdidas. E ele não foi o único a cair. A Bíblia nos revela que um terço dos anjos resolveu deliberadamente seguir a Satanás, proclamando-o como senhor no lugar de Deus, pecando voluntariamente, seduzidos pelo diabo, que os envolveu com o orgulho e a inveja contra Deus: "Viu-se, também, outro sinal no céu, e eis um dragão, grande, vermelho,com sete cabeças, dez chifres e, nas cabeças, sete diademas. A sua cauda arrastava a terça parte das estrelas do céu, as quais lançou para a terra" (Ap 12.1-4a).

O que aconteceu, após essa rebelião de Satanás no céu, após ele ter arrastado um terço dos anjos com ele? João escreve: "Houve peleja no céu: Miguel e seus anjos pelejaram contra o dragão. Também pelejaram o dragão e seus anjos. Todavia, não prevaleceram. Nem mais se achou no céu o lugar deles. E foi expulso o grande dragão, a antiga serpente, que se chama diabo e Satanás, o sedutor de todo o mundo, sim, foi atirado para a terra, e com ele, os seus anjos" (Ap 12.7-9). Esta passagem recorda o momento no céu quando Satanás promoveu uma rebelião contra a suprema autoridade de Deus. Naquele tempo ele era conhecido como Lúcifer, um anjo que tinha grande autoridade. Mas Lúcifer queria ser como Deus. Então, recrutando a terça parte dos anjos, encabeçou uma rebelião contra o Todo-Poderoso. Mas Deus expulsou Lúcifer do céu, acompanhado pelos outros anjos rebeldes. Todo o céu exultou com a vitória. O diabo perdeu a guerra, bem como o seu lugar no céu. Não é à toa que Pedro escreve:  "Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar. Resisti-lhe firme na fé, certos de que sofrimentos iguais aos vossos estão se cumprindo na vossa irmandade espalhada pelo mundo” (I Pedro 5: 8-9).

Sem nos alongarmos em demasia, podemos concluir que:

1) O mal surgiu do bem, não direta, mas indiretamente, pelo mau uso do poder bom chamado liberdade, ou seja, da capacidade de escolher entre fazer o bem ou não - não fazer o bem é fazer o mal. Não fazer nada ou fazer o mal é pecado. Assim, omissão é pecado: "Aquele, pois, que sabe fazer o bem e não o faz, comete pecado." (Tg 4.17)

2) Por que Deus não destrói o mal? Deus jamais forçaria as pessoas a escolherem livremente o bem, porque a liberdade forçada seria uma contradição à sua Palavra e ao Seu próprio ser. Logo, Deus não pode destruir literalmente todo o mal sem aniquilar o livre-arbítrio. A única maneira de destruir o mal seria destruindo o bem do livre-arbítrio. Logo, se Deus destruísse todo o mal, teria de destruir também todo o bem do livre-arbítrio. Mas, apesar de Deus não aniquilar o mal, Ele pode (e irá!) derrotá-lo e, ao mesmo tempo, preservar o livre-arbítrio. Assim, ainda que o mal não possa ser destruído sem destruir o livre-arbítrio, ele pode ser derrotado.

Deus não é culpado pela existência do mal; mas Sua criação escolheu o mal como modo de vida. Cabe a nós, agora, voltarmos as nossas vidas para o Bem Supremo, para a solução de todo o mal - Jesus! Escolha o Senhor Jesus, ou passe a eternidade desfrutando da sua não-escolha, que é a maldade em essência e prática (aliás, recusar a Cristo é talvez a maior prova de que o homem é maligno pecador). Escolha luz, ou viva para sempre nas trevas! Atente para aquele que do céu lhe exorta à convversão, para a Palavra de Deus, ou farte-se com sua vida rebelde e distante de Deus. Só não diga que Deus é o culpado e que você não pode escolher porque não havia opção de escolha ou porque você não foi avisado!

"Vês aqui, hoje te tenho proposto a vida e o bem, e a morte e o mal. Os céus e a terra tomo hoje por testemunhas contra vós, de que te tenho proposto a vida e a morte, a bênção e a maldição; escolhe pois a vida, para que vivas, tu e a tua descendência" (Dt 30.15,19).  

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

PAIS SÃO DE MARTE, MÃES SÃO DE VÊNUS E FILHOS DE PLUTÃO


"VÓS, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa; para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra.  E vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor." (Ef 6.1-4)

Ao ler o texto de Efésios 6:1-4 é fácil perceber o conceito apostólico sobre uma família cristã. É uma família estruturada, com fortes vínculos de relacionamento interpessoal, onde o amor é praticado tanto dos filhos para os pais quanto dos pais para os filhos. Amor, aqui, é compromisso, é respeito; onde não há compromisso ou não há amor ou o amor está seriamente enfermo, prestes a sucumbir. Porém, onde não há respeito, não há amor, pois quem ama, respeita. Quem ama, obedece. Quem ama, se submete em amor. O mesmo princípio se repete em Efésios 5:22-28:

"Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor; porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo. De sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seus maridos. Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível. Assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo." (Ef 5.22-28)

"Pais são de Marte, mães de Vênus e filhos de Plutão".
Seria cômico, se não fosse trágico o estado de distanciamento e separação emotiva-sentimental em que as famílias se encontram. Cada um faz o que quer, ninguém dá satisfação a ninguém e ninguém liga! Não há mais unidade nas famílias, mas sim uma pluralidade maligna e destruidora. E tudo começa no casamento. Hoje, há uma proliferação de casamentos feitos sem nenhuma estrutura, a começar pelos maridos. Maridos sem nenhuma estrutura emocional, terrivelmente passivos, incapazes de assumir a liderança de suas casas e famílias. Que não inspiram a menor confiança às suas esposas e nem um exemplo a ser seguido por seus filhos. Afinal, quem é capaz de confiar na direção de alguém que não sabe tomar as decisões necessárias? Quem quer ser igual a uma pessoa sem direção, sem palavra e sem perseverança? Pela falta de exemplo paterno, os jovens de hoje serão péssimos esposos e pais amanhã. O que isso gerará? Famílias desestruturadas! Filhos e esposas entregues à própria sorte!

Nota: O termo Família aqui deve ser entendido segundo o conceito bíblico de família - comunidade constituída por um homem e uma mulher, unidos por laço matrimonial, e pelos filhos nascidos dessa união. Como crente em Cristo, evangélico ortodoxo, esta é a única definição de família aceitável de acordo com a fé que professo e segundo a qual baseio esta argumentação.

Por sua vez, as moças não estão sendo preparadas para serem mães e esposas. As moças de hoje acham que serem mães é só dar à luz e prover o necessário para o corpo; esposas, apenas um registro nos formulários de crédito bancário ou nas lojas. As moças estão sendo criadas para viverem independentemente; a onda da independência feminina está produzindo toda uma geração de mulheres despreparadas para a vida familiar. São criadas por seus pais para serem altamente competitivas, ocuparem altos postos de trabalho e outras coisas. Converse com uma dessas moças - solteira ou recém-casada - e você rapidamente perceberá que ela não tem nenhuma formação para ser mãe, nem tampouco esposa. Independência financeira! Independência sexual! Independência!!!! Esse é o clamor que pulsa nos corações das mulheres modernas.

Porém, há um grave problema nessa "formação para a vida" com que as moças têm sido formadas: ela exclui aquilo que Deus criou - a família - e que será, naturalmente, a procura amorosa-sentimental de toda moça quando estiver na idade certa. A grande maioria - quase a totalidade - das moças que tiveram pais e mães juntos no mesmo lar anseiam por construírem também seu próprio lar. Mesmo em casos onde a moça foi criada apenas por um dos cônjuges - na maioria das vezes a mãe - e esta passou a vida incutindo na cabeça da menina que "nenhum homem presta", "você tem que cuidar da sua própria vida, ser independente", a moça, quando atinge certa idade, desejará se casar e constituir uma família. Desejará ter um marido e filhos com esse marido. Isso é parte da nossa constituição espiritual.

Abre parênteses: O mundo, que jaz no maligno, tem proposto várias alternativas ao casamento e a constituição da família. Produção independente de filhos (o homem só serve para doar seus espermatozóides), casamentos abertos, "morar junto", poligamia, criação independente, etc. O fato é que nada disso substitui aquilo que Deus criou e santificou - a união monogâmica e indissolúvel entre 01 (um) homem e 01 (uma) mulher perante Deus. Quem deseja viver alternativamente àquilo que Deus criou, é livre para tal; citando Apocalipse, "quem é injusto, faça injustiça ainda; e quem está sujo, suje-se ainda" (Ap 22.11). Noutras palavras, "a decisão de pecar é sua e o problema é seu". Saiba, contudo, que um dia prestará contas a Deus por seus atos, por violar a santidade daquilo que Ele fez e receberá a justa recompensa por eles. Como o próprio Jesus disse: "E, eis que cedo venho, e o meu galardão está comigo, para dar a cada um segundo a sua obra." (Ap 22.12) Fecha parênteses.  

Já por sua vez, os filhos são totalmente desprovidos do conceito de família. Não obedecem e nem honram seus pais. O que é honrar? É dar valor, valorizar, reverenciar, do grego timao. Filhos que não valorizam seus pais, agindo como se eles não existissem ou se eles não tivessem a mínima importância! Zombam do pai, desprezam a obediência à mãe! Zombar, do hebraico la´ag significa "ter em objeto de escárnio" (deboche), "tratar com desdém". Já o termo desprezar vem do hebraico buwz, que significa "contender, desdenhar, menosprezar". Agur afirma em Provérbios 30:17 "os olhos que zombam do pai, ou desprezam a obediência à mãe, corvos do ribeiro os arrancarão e os filhotes da águia os comerão." O que isto significa? Isso fala de uma morte prematura, em total ignomínia. No Comentário "Gill's Exposition of the Entire Bible", o comentarista também explica: "Isto pode figurativamente representar os negros demônios do inferno, que são comparados às vezes com as aves de rapina, para os quais tais filhos desobedientes se tornarão uma presa". De fato, o que mais se vê, a todo instante, são filhos arrogantes e desobedientes recebendo do inferno sua recompensa, nas mãos de pessoas más e fraudulentas. Moças e rapazes que acham que já estão muito crescidos, que não precisam dar satisfação ou obedecer a ninguém, que acham que podem sair e chegar em casa na hora que bem quiserem e com quem quiserem - invariavelmente, isso acabará mal. Isso é crônica da tragédia anunciada!

Onde estão os pais em casa? Mesmo os pais que trabalham fora para sustentarem suas casas precisam colocar seus filhos debaixo de obediência e disciplina. Querendo ou não eles devem obrigatoriamente obedecer e respeitar seus pais. Que família é essa onde o filho faz o que quer? Onde a moça sai a hora que quer e volta com quem quer? Pais, acordem enquanto é tempo! O que está acontecendo? Será que está faltando chinelo e cinto em casa? Novamente, vem a nós a sabedoria de Deus em Provérbios: "Não retires a disciplina da criança; pois se a fustigares com a vara, nem por isso morrerá. Tu a fustigarás com a vara, e livrarás a sua alma do inferno." (Pv 23.13,14) Ao contrário do que diz os psicólogos do caos familiar, umas boas palmadas dadas com amor e zelo paternal não fazem mal algum a criança e nunca mataram ninguém.

Agora, os pais precisam conversar e decidir impor as regras mínimas de convivência familiar. Pai de Marte e mãe de Vênus - cada um no seu planeta, com as suas regras - não dá! O resultado disso sempre serão filhos de Plutão, com sua regra própria produzida por sua estultícia (tolice, insensatez). A criança é tola, é insensata. Cabe aos pais colocarem juízo na cabeça de seus filhos, e não "passarem a mão" sobre os erros que eles cometem, nem acharem lindo quando eles se respondem atravessado ou fazem malcriação - a eles ou a outros adultos. Os pais não podem ser réprobos quanto ao governo de seu próprio lar! Eles precisam aprender a "governar bem as suas próprias casas, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia" (I Tm 3.4,5).

Os pais precisam estar de comum acordo. E isso só é possível se o marido amar, de verdade, a sua esposa. Amar ao ponto de se entregar por ela, se assim for preciso. Se entregar é abrir mão de suas vontades e desejos em prol dela, para atender as genuínas necessidades dela (necessidades genuínas, reais, não chantagem emocional barata). A esposa precisa que o marido exerça a liderança da casa, afinal ele é quem foi capacitado por Deus para o fazer - o marido é o cabeça da mulher. A liderança da família nunca foi entregue por Deus à mulher, mas sim ao homem! E o homem precisa assumir seu papel de homem, de marido e de pai dentro de casa, sendo de fato o cabeça segundo o exemplo de Cristo, não segundo o bagre do rio. Agindo no lar segundo a Palavra de Deus, o marido apresenta a esposa a si mesmo como "esposa gloriosa, santa e irrepreensível"; agindo como bagre, o marido apresenta a esposa si mesmo como "esposa fracassada, pecadora e repreensível".  Veja o que diz o apóstolo Pedro: "Maridos, vós, igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil, tratai-a com dignidade, porque sois, juntamente, herdeiros da mesma graça de vida, para que não se interrompam as vossas orações" (1 Pedro 3:7).

Do mesmo modo as esposas precisam se submeter aos seus maridos. Submissão não significa que a esposa não possa ter vontade própria ou pensar por si mesma, ela não é descerebrada e nem deve ser tratada como tal. Do mesmo modo, não é escrava do seu marido, nem pode se livrar de suas responsabilidades, como fez Eva. A mulher tem o direito e o dever de discordar do seu marido, se for o caso. Paulo não admite que o marido possa desrespeitar sua esposa, humilhando-a (porque ela não trabalha fora, por exemplo), vigiando-a (por causa do ciúme doentio), proibindo-a disto ou daquilo (estudar, trabalhar fora, participar de uma igreja), tratando-a como empregada ou prostituta particular, sufocando-a em suas necessidades. Paulo não sinaliza que o marido pode cometer violência, física ou psicológica, contra sua esposa, porque Deus não é cúmplice da covardia e a mulher tem todo direito de ir a uma delegacia policial especializada se isso acontecer.

Submissão da esposa para com seu marido não é uma relação de "manda quem pode e obedece quem tem juízo"; é uma relação entre pessoas diferentes com funções diferentes, mas complementares, onde cada um reconhece e entende o seu papel na família. Deus criou o homem e dele a mulher; ao estabelecer a família, Ele simplesmente respeitou a ordem em Sua própria criação, colocando o marido em posição de autoridade espiritual no lar e a mulher debaixo dessa autoridade, ou seja, em posição de submissão à autoridade de seu marido. E o marido, gozando de condições morais e boa saúde mental, deve exercer o seu papel no lar, com a aprovação e exemplo da própria esposa. Assim, quando marido der uma ordem ao filho sabiamente para seu bem, o filho deve obedecê-la sem que a mãe questione a ordem do pai ou emita uma contra-ordem. Do mesmo modo, determinando o esposo o caminho a ser percorrido por sua família, deve a esposa se submeter e forçar os filhos a obedecerem.

Abre parênteses: Estamos abordando aqui o relacionamento na família temente a Deus, onde marido e esposa nasceram de novo, tendo ambos a Cristo como Senhor e Salvador, obedientes à Palavra e tementes a Deus. As paranóias sociais, com suas depravações e toda sorte de pecados na relação marido-esposa, não estão sendo aqui contemplados, salvo em casos específicos. Que fique bem claro aos espertalhões e carnais de plantão, que adoram procurar justificativas bíblicas para darem vazão a carne com suas concupiscências, que primeiro eles devem se converter, depois sim aplicar os conceitos aqui expostos. Primeiro conversão, depois aplicação da Bíblia; nunca o contrário. Fecha parênteses.

Concluindo: Deus planejou a família para que esta fosse a imagem de Sua relação no céu com as Pessoas da Trindade. É em Deus que a família alcança a sua plenitude de propósito e de relacionamento. Para isso, pais e mães crentes devem ser "do mesmo planeta", isto é, devem entender e por em prática os princípios bíblicos aqui expostos, com fé e fidelidade, criando seus filhos no temor do Senhor, inculcando neles a Palavra de Deus, tanto por ensino direto como com exemplo prático diário, a partir da vida de ambos. "Ensina a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele". (Pv 22.6) Esse é o único jeito do filho não vir a ser de Plutão!

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

UNÇÕES LATENTES DA ALMA

Recentemente, foi veiculado pela Rede Record uma reportagem sobre a "unção do cair no espírito", também conhecida como fanerose. A reportagem do programa Domingo Espetacular baseou-se em entrevistas com pessoas que tiveram experiências negativas com as Igrejas onde esta unção era/é praticada. A reportagem também confundiu as "unções" do cair no espírito com as unções de animais, exibindo na tela o show gospel onde uma pastora muito conhecida aparece andando de quatro no palco, imitando um leão. É claro que há uma guerra (não santa) travada nos bastidores, que são mera continuidade da guerra entre bispos, apóstolos e pastores midiáticos de grandes impérios religiosos que já se tornou mais comum do que a guerra no oriente médio.

Esse assunto das unções já foi abordado aqui neste blog ("FIDE ET RATIO: A UNÇÃO ESPIRITUAL" - http://www.apenas-para-argumentar.blogspot.com/2010/10/fide-et-ratio-uncao-espiritual.html). Estas unções são na verdade a manifestação da psiquê humana (psiquismo), algo que o Pr. Watchman Nee chama de "Poder Latente da Alma". Desse poder também deriva-se muitos dos fenômenos que são atribuídos à parapsicologia. As muitas ocorrências miraculosas que a parapsicologia moderna descobre, de modo algum atestam seu caráter sobrenatural. Elas simplesmente provam que o poder latente da alma pode ser liberado pelos meios apropriados. Mary Baker Eddy, fundadora da seita pseudocristã "Ciência Cristã" utilizava e ensinava aos adeptos da seita a utilizarem esse poder para cura, por exemplo. Outras religiões e seitas fazem uso de práticas ascéticas com vistas a mortificarem o corpo e assim darem vazão a alma humana, para que esta libere todo o poder que há nela.


Assim diz o Pr. Watchman Nee: "Deus, entretanto, nunca opera com o poder da alma, pois é sem utilidade para Ele. Quando nascemos de novo, nós nascemos do Espírito Santo. Deus opera pelo Espírito Santo em nosso espírito renovado. Ele não tem nenhum desejo de usar o poder da alma. Desde a queda Deus proibiu o homem de usar novamente seu poder original da alma. Por essa razão é que o Senhor Jesus freqüentemente declara como precisamos perder nossa vida da alma, isto é, nosso poder da alma. Deus deseja que nós, hoje, não usemos este poder de modo algum. [...] O poder da alma lança-se sobre nós como uma torrente. Fazendo uso da ciência (psicologia e parapsicologia), religião e até mesmo de uma igreja ignorante (em sua busca exagerada de manifestações sobrenaturais e na ausência de controle quanto a dons sobrenaturais segundo a direção da Bíblia), Satanás está levando este mundo a se encher do poder das trevas." (grifo adicionado)

Esse é o cerne do problema: a igreja que aí está é cada vez mais ignorante acerca dos dons espirituais. Tendo uma sede de poder imensa, quase insaciável, estando edificada sobre um triunfalismo utópico ao invés da Bíblia, a igreja acaba recebendo em seu seio toda e qualquer manifestação sobrenatural, sem ponderar qual é a origem daquela manifestação. A manifestação traz, na mente dos crentes que não conhecem as Escrituras, uma espécie de "selo de qualidade", de "certificação de 3a. parte", como se Deus estivesse atestando a idoneidade daquela igreja ou pregador a partir daquela manifestação. Assim, a Igreja cai no mesmo erro das mais diversas seitas e religiões, como o kardecismo, onde toda a manifestação sobrenatural é atribuída em última análise a Deus.

Esta igreja que ignora a Palavra de Deus está fascinada pelo truque dos mágicos da corte de Faraó, que replicaram o poder de Deus na vida e ministério de Moisés. "Olhe, a vara dos mágicos virou serpente!" "Olha, Deus está derrubando seu povo na igreja tal", "Deus está derramando a unção do Leão ali!", "o poder está lá; vamos!" E assim a turba vai e vem, de igreja em igreja, atrás dos fênomenos sobrenaturais. Não é Ele quem está fazendo estes sinais; porque Ele, na pessoa do Espírito Santo, não torna a Igreja, a qual Ele amou, "e a si mesmo se entregou por ela, para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra" (Ef 5.26) num circo de horrores. Para Jesus, sua Igreja precisa obrigatoriamente ser "igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível." (Ef 5.27) Não será Ele, portanto, a implantar nem incentivar a inglória, a desonra e coisas semelhantes!


Do mesmo modo, os ministros que aí estão, fazendo todo tipo de sinal sobrenatural - e não só com as unções disso ou daquilo, mas com o uso de instrumentos mágicos como rosas, sal grosso, toalhinhas e paninhos, etc. não são ministros segundo Deus, mas segundo Simão Mágico. Eles querem poder para terem lucro, que manifestação sobrenatural para terem "a casa cheia" e com isso aumentarem as entradas financeiras. Mostre o caráter, mostre o fruto do Espírito Santo! Onde estão o amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão e o domínio próprio? O que se vê são as obras da carne a todo instante! Porfias, inimizades, invejas, emulações, iras, pelejas, dissensões... e não tem Unidade Pacificadora que dê solução! Referindo-se às obras da carne, Paulo diz que os que tais coisas praticam não herdarão o Reino de Deus. Assim, conclui-se que naquele grande e terrível dia, muitos "ministros da unção", "operadores do sobrenatural", ficarão de fora do Reino, sendo lançados em trevas exteriores, onde haverá choro e ranger de dentes. 

Além das unções "top ten" do meio gospel - leão, cair no espírito, objetos ungidos, etc - poderíamos incluir aqui tantas outras, menos populares nas cidades, mas de grande popularidade nas regiões mais afastadas: rodopio do espírito, sapato de fogo, unção do anjo, unção do marchador, unção do karatê kid, unção do espadachim, etc. Tudo isso não passa de poder - unção - latente da alma! Ou seja, não é produzida pelo Espírito Santo, mas pela própria pessoa! Do mesmo modo, a prática de alguns grupos de buscarem o Espírito Santo com práticas de isolamento, privação do sono, jejuns prolongados, cânticos de músicas/corinhos repetitivos, etc. podem produzir manifestações puramente almáticas: a prática leva a confusão mental e apassivação da vontade, tornando a pessoa susctível a qualquer comando direto ou indução.

Abre parênteses: Hoje assisti a mais um episódio da série "Law and Order", uma de minhas preferidas. O episódio versava sobre uma menina morta por espancamento num ritual de exorcismo praticado por uma católica fanática, segundo supostamente as ordens de "São Miguel" dadas à mulher para vencer o diabo no corpo da moça. A mãe havia levado a jovem a esta "operadora de milagres" porque a menina era incontrolável e demasiadamente rebelde. Durante o ritual, a fanática mandou a mãe à igreja para rezar, porque ela teria perdido a fé e assim fortalecia o diabo no corpo da menina, dificultando a expulsão. Quando julgada - e acabou sendo condenada ao final por homicídio doloso - até o Promotor de Justiça, Jack McCoy (personagem do ator Samuel Atkinson Waterston), teve dúvidas se realmente não se tratava de um "dom" que a fanática possuía. Infelizmente, ficção e realidade guardam profundas semelhanças. Na vida real, há uma série de pessoas, no mínimo fanáticas, interpretando a Bíblia como querem e bem entendem de forma a justificar suas práticas esdrúxulas; há, do mesmo modo, pessoas desesperadas a procura de qualquer ajuda para solucionar seus problemas e que acabam, muitas vezes, nas mãos ou de fanáticos ou de picaretas, dando tudo o que tem - emocional e financeiramente - sem nunca ver nenhuma melhora duradoura. O ateísmo prático, derivando-se para o filosófico, é o mínimo que se pode esperar da humanidade na persistência desse cenário caótico. Fecha parênteses. 

Note que há grande interesse do inferno que estas unções almáticas continuem surgindo, que estes "poderes sobrenaturais" continuem a se manifestar. Como diz o Pr. Watchman Nee, há muitas vantagens nisso:

(a) Ele será capaz de cumprir sua promessa original feita ao homem de que "vós sereis como Deus". Em sua habilidade de operar muitas maravilhas, os homens se considerarão como deuses e adorarão não a Deus, mas a si mesmos.

(b) Confundirá os milagres de Deus. Ele deseja levar a humanidade a crer que todos os milagres na Bíblia são apenas psicológicos em sua origem, rebaixando, desse modo, o seu valor. Ele quer que os homens pensem que são capazes de fazer tudo o que o Senhor Jesus fez.

(c) Ele confundirá a obra do Espírito Santo. O Espírito Santo trabalha no homem através do espírito humano, mas agora Satanás forja na alma do homem muitos fenômenos semelhantes às operações do Espírito Santo, levando-os a experimentarem falsos arrependimentos, falsa salvação, falsa regeneração, falso reavivamento, falsa alegria e outras imitações das experiências do Espírito Santo.

(d) Ele usará o homem como seu instrumento na oposição final contra o plano de Deus nesta última era. O Espírito Santo é o poder operador dos milagres de Deus, mas a alma do homem é o poder operador de milagres de Satanás. Os últimos três anos e meio (durante a grande tribulação), será um período de grandes maravilhas realizadas pela alma do homem sob a direção de Satanás.

Estas unções que aí estão não passam de unções latentes da alma! A Igreja não precisa disso! Não, isso não vem de Deus e não há benefício duradouro nestas unções, apenas tristeza e vergonha depois de fazer o papel de ridículo. Obviamente, há ainda os milagres verdadeiros, genuinamente produzidos por Deus! Graças a Deus por eles. Mas é preciso conhecimento da Palavra e discernimento, para não cairmos sob domínio do espirito do erro!

Como discernir se a manifestação vem de Deus ou é apenas da alma? Veja a diferença de resultados. Qual é a diferença nos resultados entre a operação do Espírito e a da alma? Apenas o que vem do Espírito produz e transmite vida; a alma, apesar de viva, é incapaz de transmitir vida. "O primeiro homem, Adão, tornou-se alma vivente; o último Adão, espírito vivificante" (I Co 15.45) O Espírito Santo nunca Se envolve em ajudar o poder da alma. O Espírito Santo precisa nos levar primeiro ao lugar onde não podemos fazer nada por nós mesmos, para só então atuar com sinais e poder.


Se os crentes desejam tanto a unção desprovida de base nas Escrituras, então eu aconselho que peçam a  melhor "unção": a "Unção do Leão da Montanha - Saída pela Direita"! Saia já desse lugar onde a igreja deixou de ser Igreja, coluna e baluarte da verdade! Não há opção: ou a Igreja ama e ensina as Escrituras - são elas que testificam de Jesus - ou ela ensina outro caminho, outra verdade e outro tipo de vida diferente da Vida que é o Senhor. Saia já da Babilônia espiritual, antes que a sua alma seja capturada e colocada à venda! Em Babilônia não há escrúpulos ou piedade, o Tirano soberno de Babilônia é totalmente maligno; ele vai fazer negócio com a sua alma!


A propósito: o Leão da Montanha só andava sobre duas patas, não de quatro; ele falava, não rugia e era extremamente esperto para reconhecer a hora de dar o fora! Duvido que o querubim com rosto de leão no Livro de Apocalipse ruja no céu, na presença de Deus. Ele só tem o rosto de leão, mas é um Q-U-E-R-U-B-I-M!!!! É um ser angelical!!!! Voltem para Escola Bíblica e estudem de novo a lição sobre angelologia, de forma a parar de ensinar tanta bobagem em nome de Deus! Nem Jesus, como o Leão da Tribo de Judá, jamais rugiu ao falar com alguém, nem mesmo com João na Ilha de Patmos, nem mesmo com Deus! Por favor!

Agora, se você quer realmente uma unção bíblica, aconselho você a estudar a Palavra de Deus. Aprenda-a de modo que você possa usá-la como guia nesta hora tenebrosa. E, por favor, pare de dizer que a Bíblia "é muito difícil". Me desculpe amado(a) leitor(a), mas isso é conversa de preguiçoso! O apóstolo João nos ensina: "E vós tendes a unção do Santo, e sabeis tudo." (I Jo 2.20) Ou seja, basta que eu com perseverança estude a Palavra que eu acabarei aprendendo-a porque a Unção para isso, eu já tenho.

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

EU QUERO O VINHO NOVO... MAS AINDA SOU ODRE VELHO!

Ninguém deita remendo de pano novo em roupa velha, porque semelhante remendo rompe a roupa, e faz-se maior a rotura. Nem se deita vinho novo em odres velhos; aliás rompem-se os odres, e entorna-se o vinho, e os odres estragam-se; mas deita-se vinho novo em odres novos, e assim ambos se conservam. (Mt 9.16,17)

"Eu quero, ó Senhor, Teu vinho novo...". Esse é o desejo de muitos crentes em Cristo, cantado em verso e prosa nas igrejas. Querem viver o novo de Deus em suas vidas; querem poder usufruir daquilo que Deus prometeu e que, segundo elas, está muito além realidade vivida no dia-a-dia. Na concepção desses irmãos, o dia-a-dia, com o seu mesmismo, é enfadonho e impede-os de crescerem e atingirem maiores patamares espirituais na presença de Deus. "Chega do velho, queremos o novo!" é o brado do coração desses irmãos, ansiosos por algo que definiram como "novo" mas que não sabem explicar do que se trata. O que é esse novo que tão ardentemente desejam? O que esse novo que é muito melhor do que o velho? Aliás, o que é esse velho e o que há de tão ruim nele que torne-o tão indesejável?

Penso que o grande problema aqui é a adoção de jargões e expressões de efeito sem o devido entendimento. Pouquíssimos entendem o significado daquilo que falam; trata-se de mera repetição de palavras. Muitos pregadores fazem uso de expressões como essa, mas poucos são aqueles que definem o significado e a aplicação prática para a vida dos ouvintes. Tampouco as condições para entender aquilo que a expressão conota. Se explicando tudo "muito bem explicadinho, nos mínimos detalhes", como diria o personagem "Seu Explicadinho", do programa humorístico "A Praça é Nossa", já está difícil de compreender, imagine sem explicar...

A interpretação do texto de Mateus 9 é única. Mas a aplicação prática pode variar, dependendo do contexto onde ela é aplicada. Assim, o que é esse novo, tão almejado pelos crentes? Há a tendência de se entender esse "novo" a uma nova forma de viver, voltada apenas para o viés secular. Assim, o tão sonhado novo seria, por exemplo, um novo trabalho, um novo patamar financeiro, um novo relacionamento. Neste viés, empobrecedor a luz das imensas possibilidades envolvidas no conceito de "novo", o anseio é com relação ao "aqui e agora", restringindo-se "as coisas dessa vida".

Se formos considerar esse viés, é preciso fazê-lo em sua totalidade, ou seja, se o novo aqui refere-se às coisas seculares, então o secular precisa necessariamente servir para a glória de Deus e não apenas para a satisfação pessoal. Se não há nada de mais em se desejar a melhoria de vida de forma justa e coerente, essa mudança de vida deve, na vida do crente, refletir um propósito superior, espiritual: o Reino de Deus e a Sua Justiça. Assim, ao desejar um "novo emprego" (com salários e condições de trabalho melhores), este novo emprego precisa, por exemplo, redundar em melhor apoio à causa do Reino, como o suporte financeiro de forma a suprir as necessidades da Agência de Expansão do Reino (a Igreja), de acordo com o novo patamar, a podendo envolver a compra de projetores de slides ou financiamento de eventos evangelísticos. 

Porém, para que o novo venha a acontecer, é preciso atender a uma série de prerrogativas. A mais básica delas é o fato de que o novo não se acerta com o velho. É preciso que tudo seja novo, tanto o que vai ser recebido como novo quanto aquele que recebe o novo. Abordar as condições necessárias na vida daquele que deseja o novo de forma que possa recebê-lo, este é um tema pouco explorado nas mensagens pelos "pregadores do novo". Quais seriam as condições? Numa simples leitura de Mateus 9, é fácil ver que as condições são aquelas que envolvem mútua preservação - do novo e daquilo que recebe o novo. Quem recebe o novo não pode (1) ser prejudicado pelo novo por seu estado de velho e nem (2) desperdiçar o novo recebido por seu estado de velho.

Vejamos um exemplo prático. Há pessoas que anseiam viver um novo relacionamento sentimental, mas ainda não abriu mão dos sentimentos antigos de um relacionamento anterior. Ainda sonha com o outro relacionamento, ainda experimenta emoções fortes com relação ao relacionamento antigo. Assim, por exemplo, se viúvo(a) a procura de um novo relacionamento, ainda está a viver o relacionamento antigo com o(a) falecido(a). Se é um noivado que não deu certo, a pessoa ainda vive as bases emocionais do antigo relacionamento. Ela ainda não conseguiu se desvincular do relacionamento anterior e já está ansiando um novo relacionamento - deseja o novo, mas ainda vive o velho. Neste caso, se o novo vier a existência em sua vida, este novo ser-lhe-á prejudicial: haverá inúmeras brigas por comprações entre o novo e o antigo. O próprio novo será desperdiçado, acabando por ir embora e intensificando ainda mais as dores antigas, podendo levar a estados emocionais patológicos.

Suponhamos, por exemplo, o seguinte caso prático, muito comum em nossos dias: um casal que se separa fisicamente, mas um dos antigos cônjuges ainda nutre emoções intensas ou mesmo vínculos emocionais-afetivos com relação ao outro cônjuge. Para o cônjuge que está emocionalmente vinculado ao outro - mesmo que seja um sentimento de raiva ou ira, ou qualquer outro vínculo - o relacionamento, na prática, ainda existe, apesar dos corpos estarem já separados. Assim, é impossível que qualquer possibilidade de novo relacionamento que possa vir a surgir tenha qualquer chance de dar certo, pois os vínculos com o relacionamento antigo ainda existem.

Abre parênteses: O assunto do divórcio no contexto cristão já foi tratado neste blog em inúmeras postagens (veja por exemplo "E EU VOS DECLARO... UMA SÓ CARNE" em http://www.apenas-para-argumentar.blogspot.com/2011/01/e-eu-vos-declarouma-so-carne.html e "ONDE MORA O MONSTRO?" em http://www.apenas-para-argumentar.blogspot.com/2011/04/onde-mora-o-monstro.html). Como já declarei, creio na restauração tanto de pessoas como de relacionamentos. Creio no casamento enquanto instituição divina, ordenado por Deus como monogâmico, heterossexual e indissolúvel. Mas é preciso reconhecer que em alguns casos extremos, o divórcio pode ser livramento de Deus para muitas mulheres; a última solução, um mal necessário, numa sociedade cada vez mais doente e miserável, onde os casamentos são feitos sem a concordância ou bênção de Deus. Há cada vez mais casais que estão juntos apenas pela conveniência - "casamento fake"; do mesmo modo, há muitas separações que são também "fakes" na prática, onde muito do antigo ainda é preservado (por exemplo, fazem planos de longo prazo em comum mesmo estando separados). Ambas as coisas estão erradas do ponto de vista Bíblico, pois ambas não passam de mentira. Fecha parênteses.

Há outra forma de se ver o novo: trata-se do viés espiritual. Por exemplo, o batismo com Espírito Santo, os dons ministeriais e espirituais ou uma maior atuação - em termos de amplitude - na Obra de Deus (como ser um missionário transcultural, por exemplo). Aqui também existem as mesmas pré-condições necessárias para receber o novo: (1) não ser prejudicado pelo novo por seu estado de velho e nem (2) desperdiçar o novo recebido por seu estado de velho. O profeta Jeremias já ensinava: "Se te fatigas correndo com homens que vão a pé, como poderás competir com os cavalos? Se tão-somente numa terra de paz estás confiado, como farás na enchente do Jordão?" (Jr 12.5) Como ter um ministério mais amplo, se o pensamento e a prática ainda são típicos de um ministério incipiente? Se a gestão administrativa e espiritual são ainda amadoras em seus aspectos? Se nos enrolamos no básico, no B-A-BA, como falar noutras línguas com outros povos? Acaso "batendo cabeça contra cabeça" em coisas simples, como o exercício das funções básicas na Igreja, poderemos desempenhar coisas maiores? Ora, se há anseio pelo novo de Deus, é preciso haver preparação interna - emocional e administrativamente - para receber esse novo. Pensamentos novos precedem obrigatoriamente atitudes novas.

Por exemplo, imaginemos o seguinte caso: um pastor centralizador, incapaz de delegar funções e de exercer a coordenação dos delegados. O pensamento dele é: "só sai bem feito se eu mesmo fizer". Ora, como este equivocado ministro de Deus poderá receber mais pessoas em sua grei - e assim ampliar o seu ministério, se com as que ele possui a obra já é 100% dependente dele para acontecer? Deus, que o ama, não permitirá o crescimento (sim, porque é Deus quem dá o crescimento da Sua obra) do ministério deste pastor enquanto ele não renovar a sua mente, a fim de que ele não venha até mesmo sofrer um enfarte por causa da obra - e assim perder tanto o novo quanto quem recebe o novo. Se você, amado pastor que lê essa postagem, questiona Deus porque seu ministério não cresce numericamente, saiba que uma das razões disso acontecer pode ser sua forma antiquada, centralizadora, de gestão da Obra.

Abre parênteses: É possível inovar na gestão da Obra de Deus sem incorrer em pecado. Nem tudo o que é novo é ruim e nem tudo o que é velho é o melhor. Há muitos bons conceitos de liderança e de gestão que podem ser aplicados na Obra com algum exercício mínimo de adequação a um novo contexto, assim como há novos métodos de ensino e comunicação. É claro que isso envolve estudo, envolve empregar tempo (e às vezes recursos) num curso ou seminário, ou mesmo num retiro para liderança a fim de explorar as diversas facetas e conceitos envolvidos. Afinal, "todo o escriba instruído acerca do reino dos céus é semelhante a um pai de família, que tira do seu tesouro coisas novas e velhas". Os filhos deste mundo serão sempre mais prudentes que os filhos da luz? É hora de darmos um basta nisso, não acha? Fecha parênteses.

Concluindo: para receber o vinho novo, é preciso ser odre novo. Antes de receber o novo, é preciso ser novo, é preciso renovar emoções, idéias, conceitos, atitudes e visões. É sempre possível renovar sem cair em pecado, sem transgredir as Verdades Bíblicas com as quais estamos comprometidos. Somente a partir do renovar interior é que poderemos usufruir do novo - interior e exterior.

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!