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segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

PAIS SÃO DE MARTE, MÃES SÃO DE VÊNUS E FILHOS DE PLUTÃO


"VÓS, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe, que é o primeiro mandamento com promessa; para que te vá bem, e vivas muito tempo sobre a terra.  E vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos, mas criai-os na doutrina e admoestação do Senhor." (Ef 6.1-4)

Ao ler o texto de Efésios 6:1-4 é fácil perceber o conceito apostólico sobre uma família cristã. É uma família estruturada, com fortes vínculos de relacionamento interpessoal, onde o amor é praticado tanto dos filhos para os pais quanto dos pais para os filhos. Amor, aqui, é compromisso, é respeito; onde não há compromisso ou não há amor ou o amor está seriamente enfermo, prestes a sucumbir. Porém, onde não há respeito, não há amor, pois quem ama, respeita. Quem ama, obedece. Quem ama, se submete em amor. O mesmo princípio se repete em Efésios 5:22-28:

"Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor; porque o marido é a cabeça da mulher, como também Cristo é a cabeça da igreja, sendo ele próprio o salvador do corpo. De sorte que, assim como a igreja está sujeita a Cristo, assim também as mulheres sejam em tudo sujeitas a seus maridos. Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra, para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível. Assim devem os maridos amar as suas próprias mulheres, como a seus próprios corpos. Quem ama a sua mulher, ama-se a si mesmo." (Ef 5.22-28)

"Pais são de Marte, mães de Vênus e filhos de Plutão".
Seria cômico, se não fosse trágico o estado de distanciamento e separação emotiva-sentimental em que as famílias se encontram. Cada um faz o que quer, ninguém dá satisfação a ninguém e ninguém liga! Não há mais unidade nas famílias, mas sim uma pluralidade maligna e destruidora. E tudo começa no casamento. Hoje, há uma proliferação de casamentos feitos sem nenhuma estrutura, a começar pelos maridos. Maridos sem nenhuma estrutura emocional, terrivelmente passivos, incapazes de assumir a liderança de suas casas e famílias. Que não inspiram a menor confiança às suas esposas e nem um exemplo a ser seguido por seus filhos. Afinal, quem é capaz de confiar na direção de alguém que não sabe tomar as decisões necessárias? Quem quer ser igual a uma pessoa sem direção, sem palavra e sem perseverança? Pela falta de exemplo paterno, os jovens de hoje serão péssimos esposos e pais amanhã. O que isso gerará? Famílias desestruturadas! Filhos e esposas entregues à própria sorte!

Nota: O termo Família aqui deve ser entendido segundo o conceito bíblico de família - comunidade constituída por um homem e uma mulher, unidos por laço matrimonial, e pelos filhos nascidos dessa união. Como crente em Cristo, evangélico ortodoxo, esta é a única definição de família aceitável de acordo com a fé que professo e segundo a qual baseio esta argumentação.

Por sua vez, as moças não estão sendo preparadas para serem mães e esposas. As moças de hoje acham que serem mães é só dar à luz e prover o necessário para o corpo; esposas, apenas um registro nos formulários de crédito bancário ou nas lojas. As moças estão sendo criadas para viverem independentemente; a onda da independência feminina está produzindo toda uma geração de mulheres despreparadas para a vida familiar. São criadas por seus pais para serem altamente competitivas, ocuparem altos postos de trabalho e outras coisas. Converse com uma dessas moças - solteira ou recém-casada - e você rapidamente perceberá que ela não tem nenhuma formação para ser mãe, nem tampouco esposa. Independência financeira! Independência sexual! Independência!!!! Esse é o clamor que pulsa nos corações das mulheres modernas.

Porém, há um grave problema nessa "formação para a vida" com que as moças têm sido formadas: ela exclui aquilo que Deus criou - a família - e que será, naturalmente, a procura amorosa-sentimental de toda moça quando estiver na idade certa. A grande maioria - quase a totalidade - das moças que tiveram pais e mães juntos no mesmo lar anseiam por construírem também seu próprio lar. Mesmo em casos onde a moça foi criada apenas por um dos cônjuges - na maioria das vezes a mãe - e esta passou a vida incutindo na cabeça da menina que "nenhum homem presta", "você tem que cuidar da sua própria vida, ser independente", a moça, quando atinge certa idade, desejará se casar e constituir uma família. Desejará ter um marido e filhos com esse marido. Isso é parte da nossa constituição espiritual.

Abre parênteses: O mundo, que jaz no maligno, tem proposto várias alternativas ao casamento e a constituição da família. Produção independente de filhos (o homem só serve para doar seus espermatozóides), casamentos abertos, "morar junto", poligamia, criação independente, etc. O fato é que nada disso substitui aquilo que Deus criou e santificou - a união monogâmica e indissolúvel entre 01 (um) homem e 01 (uma) mulher perante Deus. Quem deseja viver alternativamente àquilo que Deus criou, é livre para tal; citando Apocalipse, "quem é injusto, faça injustiça ainda; e quem está sujo, suje-se ainda" (Ap 22.11). Noutras palavras, "a decisão de pecar é sua e o problema é seu". Saiba, contudo, que um dia prestará contas a Deus por seus atos, por violar a santidade daquilo que Ele fez e receberá a justa recompensa por eles. Como o próprio Jesus disse: "E, eis que cedo venho, e o meu galardão está comigo, para dar a cada um segundo a sua obra." (Ap 22.12) Fecha parênteses.  

Já por sua vez, os filhos são totalmente desprovidos do conceito de família. Não obedecem e nem honram seus pais. O que é honrar? É dar valor, valorizar, reverenciar, do grego timao. Filhos que não valorizam seus pais, agindo como se eles não existissem ou se eles não tivessem a mínima importância! Zombam do pai, desprezam a obediência à mãe! Zombar, do hebraico la´ag significa "ter em objeto de escárnio" (deboche), "tratar com desdém". Já o termo desprezar vem do hebraico buwz, que significa "contender, desdenhar, menosprezar". Agur afirma em Provérbios 30:17 "os olhos que zombam do pai, ou desprezam a obediência à mãe, corvos do ribeiro os arrancarão e os filhotes da águia os comerão." O que isto significa? Isso fala de uma morte prematura, em total ignomínia. No Comentário "Gill's Exposition of the Entire Bible", o comentarista também explica: "Isto pode figurativamente representar os negros demônios do inferno, que são comparados às vezes com as aves de rapina, para os quais tais filhos desobedientes se tornarão uma presa". De fato, o que mais se vê, a todo instante, são filhos arrogantes e desobedientes recebendo do inferno sua recompensa, nas mãos de pessoas más e fraudulentas. Moças e rapazes que acham que já estão muito crescidos, que não precisam dar satisfação ou obedecer a ninguém, que acham que podem sair e chegar em casa na hora que bem quiserem e com quem quiserem - invariavelmente, isso acabará mal. Isso é crônica da tragédia anunciada!

Onde estão os pais em casa? Mesmo os pais que trabalham fora para sustentarem suas casas precisam colocar seus filhos debaixo de obediência e disciplina. Querendo ou não eles devem obrigatoriamente obedecer e respeitar seus pais. Que família é essa onde o filho faz o que quer? Onde a moça sai a hora que quer e volta com quem quer? Pais, acordem enquanto é tempo! O que está acontecendo? Será que está faltando chinelo e cinto em casa? Novamente, vem a nós a sabedoria de Deus em Provérbios: "Não retires a disciplina da criança; pois se a fustigares com a vara, nem por isso morrerá. Tu a fustigarás com a vara, e livrarás a sua alma do inferno." (Pv 23.13,14) Ao contrário do que diz os psicólogos do caos familiar, umas boas palmadas dadas com amor e zelo paternal não fazem mal algum a criança e nunca mataram ninguém.

Agora, os pais precisam conversar e decidir impor as regras mínimas de convivência familiar. Pai de Marte e mãe de Vênus - cada um no seu planeta, com as suas regras - não dá! O resultado disso sempre serão filhos de Plutão, com sua regra própria produzida por sua estultícia (tolice, insensatez). A criança é tola, é insensata. Cabe aos pais colocarem juízo na cabeça de seus filhos, e não "passarem a mão" sobre os erros que eles cometem, nem acharem lindo quando eles se respondem atravessado ou fazem malcriação - a eles ou a outros adultos. Os pais não podem ser réprobos quanto ao governo de seu próprio lar! Eles precisam aprender a "governar bem as suas próprias casas, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia" (I Tm 3.4,5).

Os pais precisam estar de comum acordo. E isso só é possível se o marido amar, de verdade, a sua esposa. Amar ao ponto de se entregar por ela, se assim for preciso. Se entregar é abrir mão de suas vontades e desejos em prol dela, para atender as genuínas necessidades dela (necessidades genuínas, reais, não chantagem emocional barata). A esposa precisa que o marido exerça a liderança da casa, afinal ele é quem foi capacitado por Deus para o fazer - o marido é o cabeça da mulher. A liderança da família nunca foi entregue por Deus à mulher, mas sim ao homem! E o homem precisa assumir seu papel de homem, de marido e de pai dentro de casa, sendo de fato o cabeça segundo o exemplo de Cristo, não segundo o bagre do rio. Agindo no lar segundo a Palavra de Deus, o marido apresenta a esposa a si mesmo como "esposa gloriosa, santa e irrepreensível"; agindo como bagre, o marido apresenta a esposa si mesmo como "esposa fracassada, pecadora e repreensível".  Veja o que diz o apóstolo Pedro: "Maridos, vós, igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil, tratai-a com dignidade, porque sois, juntamente, herdeiros da mesma graça de vida, para que não se interrompam as vossas orações" (1 Pedro 3:7).

Do mesmo modo as esposas precisam se submeter aos seus maridos. Submissão não significa que a esposa não possa ter vontade própria ou pensar por si mesma, ela não é descerebrada e nem deve ser tratada como tal. Do mesmo modo, não é escrava do seu marido, nem pode se livrar de suas responsabilidades, como fez Eva. A mulher tem o direito e o dever de discordar do seu marido, se for o caso. Paulo não admite que o marido possa desrespeitar sua esposa, humilhando-a (porque ela não trabalha fora, por exemplo), vigiando-a (por causa do ciúme doentio), proibindo-a disto ou daquilo (estudar, trabalhar fora, participar de uma igreja), tratando-a como empregada ou prostituta particular, sufocando-a em suas necessidades. Paulo não sinaliza que o marido pode cometer violência, física ou psicológica, contra sua esposa, porque Deus não é cúmplice da covardia e a mulher tem todo direito de ir a uma delegacia policial especializada se isso acontecer.

Submissão da esposa para com seu marido não é uma relação de "manda quem pode e obedece quem tem juízo"; é uma relação entre pessoas diferentes com funções diferentes, mas complementares, onde cada um reconhece e entende o seu papel na família. Deus criou o homem e dele a mulher; ao estabelecer a família, Ele simplesmente respeitou a ordem em Sua própria criação, colocando o marido em posição de autoridade espiritual no lar e a mulher debaixo dessa autoridade, ou seja, em posição de submissão à autoridade de seu marido. E o marido, gozando de condições morais e boa saúde mental, deve exercer o seu papel no lar, com a aprovação e exemplo da própria esposa. Assim, quando marido der uma ordem ao filho sabiamente para seu bem, o filho deve obedecê-la sem que a mãe questione a ordem do pai ou emita uma contra-ordem. Do mesmo modo, determinando o esposo o caminho a ser percorrido por sua família, deve a esposa se submeter e forçar os filhos a obedecerem.

Abre parênteses: Estamos abordando aqui o relacionamento na família temente a Deus, onde marido e esposa nasceram de novo, tendo ambos a Cristo como Senhor e Salvador, obedientes à Palavra e tementes a Deus. As paranóias sociais, com suas depravações e toda sorte de pecados na relação marido-esposa, não estão sendo aqui contemplados, salvo em casos específicos. Que fique bem claro aos espertalhões e carnais de plantão, que adoram procurar justificativas bíblicas para darem vazão a carne com suas concupiscências, que primeiro eles devem se converter, depois sim aplicar os conceitos aqui expostos. Primeiro conversão, depois aplicação da Bíblia; nunca o contrário. Fecha parênteses.

Concluindo: Deus planejou a família para que esta fosse a imagem de Sua relação no céu com as Pessoas da Trindade. É em Deus que a família alcança a sua plenitude de propósito e de relacionamento. Para isso, pais e mães crentes devem ser "do mesmo planeta", isto é, devem entender e por em prática os princípios bíblicos aqui expostos, com fé e fidelidade, criando seus filhos no temor do Senhor, inculcando neles a Palavra de Deus, tanto por ensino direto como com exemplo prático diário, a partir da vida de ambos. "Ensina a criança no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer não se desviará dele". (Pv 22.6) Esse é o único jeito do filho não vir a ser de Plutão!

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

2 comentários:

  1. Enquanto os homens não assumirem seu papel na família,o caos nela haverá de continuar.Eles ao deixarem brecha para as mulheres governarem o lar,tem sido os grandes responsáveis pelo desarranjo em que ele se encontra.Deus não colocou a mulher para estar de frente,não é o marido,o auxiliar idôneo,e sim ela.Esses pais omissos,"bananas","frouxos",que não reconhecem sua posição de autoridade,deixam o lar como um grande navio à deriva.Assim,os filhos fazem o que querem,pois não tem a quem dar satisfação:chegam a hora que quiserem,saem com quem quiserem,vão aonde não devem.As mulheres,por sua vez,esquecem-se de dar ciência aos seus maridos,o que acontece na ausência deles.Esses,pensam que ao entregarem o comando do lar a elas,podem descansar.Supõem que a eles,fica a obrigação apenas do sustento financeiro.Quanto ao resto,a mulher resolva.Aí,os filhos ficam sujeitos a todo tipo de violência:o noticiário está a mostrar.São os vícios,os estupros,os pegas,as bebedeiras,a gravidez indesejada,muitas vezes a morte precoce.Serão mais jovens a engrossar a estatística.

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  2. Realmente pr. Ricardo, os princípios e os valores da família como Deus instituiu tem-se perdido nos devaneios dessa humanidade caída. As pretensas "uniões" que tanto são defendidas nada tem com a família que com perfeição descreveu. O título da postagem é curioso, engraçado e ao mesmo tempo real e pertinente. Os relacionamentos que se incluem nessa instituição (pais, conjuges, filhos...) devem seguir as orientações divinas para que sejam abençoados. Mas, muitas dessas "famílias" sequer entendem quais são essas orientações. Ensinemos então, mesmo que nos considerem antiquados e conservadores e mesmo que "torçam o nariz". Parabéns pela belíssima exposição.

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