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quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

HERESIAS MODERNAS: O DIABO É CRIAÇÃO DE DEUS?

A medida que o fim de todas as coisas se aproxima, o departamento de P&D do inferno tem fabricado mais e mais heresias destruidoras. Afinal, o diabo sabe que pouco tempo lhe resta, que seus dias estão contados e o fim de suas diabolices já está determinado por Deus. Cristo o venceu na cruz - a ele e todas as hostes do inferno; o seu julgamento já foi realizado e o veredito já foi proferido; resta agora apenas a execução de sua justa pena por todos os seus crimes.

Antigamente, o diabo espalhava suas heresias a partir de grupos que rompiam com o meio cristão. Assim foi com Charles T. Russell (1852-1916), fundador das Testemunhas de Jeová; com Joseph Smith, fundador do Mormonismo (1805-1844); com Ellen G. White (1827-1915), fundadora do Adventismo do 7o. Dia e com muitos e muitos outros. Todos esses grupos tinham algo em comum: todos julgaram ser a religião verdadeira e assim, ao criarem suas doutrinas contrárias a Bíblia, separavam-se dos cristãos e então criavam sua própria seita, sua própria religião particular. Hoje, porém, a estratégia está melhor elaborada: os hereges modernos não têm a pretensão de romper com o
grupo de cristãos, de terem outros livros sagrados ou coisas do tipo. Não, a tática do inferno para os nossos dias é levantar falsos apóstolos, falsos pastores, falsos bispos - falsos profetas, de modo geral -, mantendo-os dentro do grupo chamado "evangélico", onde os incautos e desprovidos de sabedoria e conhecimento julgam tudo e todos como iguais, como "irmãos". Por exemplo, ninguém julga o ensino do apóstolo do séc. XXI; não importa o ensino que ele professa, se é bíblico ou não, mas sim o
fato dele se autodenominar apóstolo e cristão. Se Russell vivesse hoje, talvez metade dos ditos crentes evangélicos adotassem os princípios dos Testemunhas de Jeová como corretos, como bíblicos - seria a "nova visão", a "nova revelação do espírito"; ele, por sua vez, seria elevado a posição de "apóstolo de Jesus"!  

Há muitas heresias sendo amplamente proclamadas pelos "após-tolos" modernos. Vão desde heresias novas, como Teologia da prosperidade, até heresias antigas, como sabelianismo, arianismo, docetismo, gnosticismo, marcionismo, etc., todas ensinadas como "visão e/ou revelação sobrenatural, dada por Deus". O diabo é criativo e conhecedor da história. Exatamente como no Éden, ele ainda está a fascinar o homem com suas promessas mirabolantes de conhecimento sobrenatural e com seus ardis e prodígios da mentira. Tudo que estiver a seu alcance para iludir e enganar o homem ele lançará mão; desde o princípio até os últimos dias, invariavelmente, ele vem tentando tenzamente mudar aquilo que Deus estabeleceu, mudar a verdade de Deus em mentira. Ele mente sobre Deus, sobre Cristo, sobre o Espírito Santo, sobre a Bíblia, sobre a salvação... até sobre ele mesmo! Para uns, ele ensina que não existe; para outros, ele ensina que não passa de um "leãozinho desdentado", para outros uma espécie de "negativo de Deus". Mas hoje, mais do que nunca, ele ensina ao homem quem ele é, porém com um detalhe: ele ensina que ele, enquanto diabo, foi criado por  Deus! Há apóstolos heréticos, com títulos de doutorado, ensinando isso às claras!

Esse tema já foi abordado aqui no blog, de forma indireta, na argumentação
"DE QUEM É A CULPA PELA EXISTÊNCIA DO MAL?" (http://apenas-para-argumentar.blogspot.com/2011/12/de-quem-e-culpa-pela-existencia-do-mal.html). Na ocasião, demonstramos que a criação de Deus é culpada pelo mal que há no mundo, não o Deus da criação.

O fato de Deus ter criado todas as coisas não significa, em hipótese alguma, que Deus criou o diabo. Ele não o criou; nem precisa do diabo para coisa alguma, sequer para ser adorado. O diabo não passa de um servo rebelde, um anjo caído, que não guardou o seu principado, isto é, que não guardou a sua posição de príncipe diante de Deus, mas preferiu ser quem ele é. É preciso entendermos que Deus criou todos os seres inteligentes do Universo com capacidade de decidir, com livre-arbítrio. Capacidade de escolha é algo inalienável na criação de Deus que é capaz de tomar decisões, que pensa, que planeja, que cria, que tem emoções, que aprende. Se nós, seres humanos, fôssemos desprovidos da capacidade de escolha não seríamos mais seres humanos; do mesmo modo, se os anjos fossem desprovidos do livre-arbítrio não seriam anjos. A inteligência de ambos está invariavelmente ligada ao livre-arbítrio, assim como as emoções. Aliás, as emoções seriam inúteis sem a capacidade de
escolher amar, gostar, etc.

O diabo não foi criado diabo, ele tornou-se diabo sozinho, por sua livre e deliberada escolha. Ele foi criado por Deus como um querubium, uma classe de anjo. Um ser magnífico, belo, com grandes poderes de liderança. Ele tornou-se diabo por causa do seu desejo de ser igual a Deus, de assumir a posição que pertence somente a Deus.

Vejamos o que diz a Bíblia, em Isaías 14: "12 Como caíste do céu, ó estrela da manhã, filha da alva! como foste lançado por terra tu que prostravas as nações!  13 E tu dizias no teu coração: Eu subirei ao céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono; e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do norte;  14 subirei acima das alturas das nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo.  15 Contudo levado serás ao Seol, ao mais profundo do abismo. "

Originalmente, esta porção das Escrituras refere-se a queda do rei de babilônia. Note, porém, que há um significado maior nesse texto, que transcende sua aplicação no contexto político da humanidade. De ínício, a expressão "estrela da manhã" foi concedido ao rei de babilônia não se referindo a ele como indivíduo humano específico (como Belsazar, por exemplo), mas como representante de Satanás. O orgulho titânico e a ambição expressas nos versículos 13 e 14 estariam mal aplicados em qualquer lábio que não fosse o de Satanás.

Vejamos outra passagem muito conhecida, Ezequiel 28: "12 Filho do homem, levanta uma lamentação sobre o rei de Tiro, e dize-te: Assim diz o Senhor Deus: Tu eras o selo da perfeição, cheio de sabedoria e perfeito em formosura.  13 Estiveste no Éden, jardim de Deus; cobrias-te de toda pedra preciosa: a cornalina, o topázio, o ônix, a crisólita, o berilo, o jaspe, a safira, a granada, a esmeralda e o ouro. Em ti se faziam os teus tambores e os teus pífaros; no dia em que foste criado foram preparados.  14 Eu te coloquei com o querubim da guarda; estiveste sobre o monte santo de Deus; andaste no meio das pedras afogueadas.  15 Perfeito eras nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado, até que em ti se achou iniqüidade.  16 Pela abundância do teu comércio o teu coração se encheu de violência, e pecaste; pelo que te lancei, profanado, fora do monte de Deus, e o querubim da guarda te expulsou do meio das pedras afogueadas.  17 Elevou-se o teu coração por causa da tua formosura, corrompeste a tua sabedoria por causa do teu resplendor; por terra te lancei; diante dos reis te pus, para que te contemplem.  18 Pela multidão das tuas iniqüidades, na injustiça do teu comércio, profanaste os teus santuários; eu, pois, fiz sair do meio de ti um fogo, que te consumiu a ti, e te tornei em cinza sobre a terra, à vista de todos os que te contemplavam."

Novamente, há uma aplicação temporal para esta porção das Escrituras. Ela refere-se originalmente ao rei de Tiro, Etebaal II. Mas note que lendo-a com mais atenção é fácil perceber que há outro ser envolvido aqui. O rei de Tiro nunca esteve no Éden! Além disso, o Éden descrito por Ezequiel destaca-se por sua beleza mineral, enquanto o Éden descrito em Gênesis destaca-se por sua beleza vegetal e animal. Do mesmo modo, a citação "perfeito era nos teus caminhos, desde o dia em que foste criado" jamais foi usado em relação a nenhum ser humano sob a terra e nem poderia sê-lo, pois desde a queda todos os homens tem sido concebidos em pecado e formados em iniquidade. Ainda há mais: qual homem esteve sobre o monte santo de Deus e dele já foi lançado profanado dali? Ezequiel 28:2 relata como esse ímpio rei se autoproclamava: "Eu sou um deus" e "cadeira dos deuses me assento", fazendo paralelo com 2 Ts 2:4. Perceba ainda o que diz o versículo 3: "com efeito és mais sábio que  Daniel; não há segredo algum que se possa esconder de ti." Ora, a sabedoria de Daniel era sobrenatural; portanto, a sabedoria aqui referida só pode ser de mesma origem, ou seja, sobrenatural. Assim era o querubim antes de tornar-se Satanás, o mais inteligente de todos os seres criados. A conclusão óbvia é que o ímpio rei de Tiro é um representante, um tipo de Satanás!

O que fez esse maligno ser? Caiu sozinho? Não, um rebelde jamais cai sozinho, mas sempre arrasta outros com ele para a mesma esparrela. E assim ele fez: espalhou a sua rebelião no céu e acabou convencendo 1/3 dos anjos que ele é que realmente deveria ser Deus no lugar de Deus (Ap 12.4 = "a sua cauda levava após si a terça parte das estrelas do céu"). Eles tencionaram depor a Deus do Seu trono e entronizar Satanás no lugar dele, como rei de toda criação! Porém, Deus o expulsou do céu, juntamente com todos os demais anjos que aceitaram a mentira do diabo: "7 Então houve guerra no céu: Miguel e os seus anjos batalhavam contra o dragão. E o dragão e os seus anjos batalhavam,  8 mas não prevaleceram, nem mais o seu lugar se achou no céu.  9 E foi precipitado o grande dragão, a antiga serpente, que se chama o Diabo e Satanás, que engana todo o mundo; foi precipitado na terra, e os seus anjos foram precipitados com ele." (Ap 12) Note que a queda desses anjos foi rebeldes, que se desviaram da sua vocação exaltando-se como o diabo incitou-os a fazer, foi postulada pelo apóstolo Judas: "aos anjos que não guardaram o seu principado, mas deixaram a sua própria
habitação, ele os tem reservado em prisões eternas na escuridão para o juízo do grande dia" (Jd 1.6). Antes eles possuíam um estado de honra, de bem-estar e de domínio, contavam com o favor divino pois eram espiritualmente puros e tinham um poder imenso. Eram instrumentos da glória de Deus, mas caíram. Fizeram uma louca e má decisão, preferindo Satanás a Deus.  

Porque Deus não aniquila simplesmente o diabo? É preciso entender que Deus não aniquila ninguém, por mais pecador que este ser seja. A Bíblia nos ensina que o salário do pecado é a morte e não a aniquilação, a não-existência. Além disso, como diz o Pr. Caio Fábio, "Dou Graças a Deus que Ele não tenha destruído e aniquilado Satanás ainda; pois, se assim o fizesse, quem mais, pelos critérios do mesmo juízo de aniquilamento, escaparia? [...] Além disso, dou também Graças a Deus que o Diabo não tenha sido ainda aniquilado em razão de que em quase toda família humana, empresa humana, sistemas políticos, ou poderes conhecidos neste mundo, etc... — eu enxergue todos os dias milhões e milhões de diabos; sim, de criaturas que existem contra Deus, o amor e a vida; e que, em tais existências só se pode ver a imagem e semelhança de Satanás; posto que existam para realizar os desejos homicidas, egoístas, caprichosos, mentirosos, enganadores, aproveitadores, gananciosos, manipuladores, dissimuladores, narcisistas e perversos do Diabo; seja oprimindo como humanos as suas próprias famílias, seja como governantes despotizando povos, seja poderosos controlando os tesouros e recursos naturais ou destruindo-os; ou ambicionando serem os senhores dos destinos humanos. [...] No fim, o Lago de Fogo — no qual o Diabo e seus anjos, assim como a Morte e o Inferno serão lançados... — será um ato de Soberania Divina de Suicídio de criaturas e estados de existência, pela via do livre arbítrio de tais criaturas e estados de existência. "Serão lançados nos Lago de Fogo ardente” todos os que todos os dias treinam tal salto para ele!"

Por outro lado, como já argumentado, Deus não destrói o mal. Deus jamais forçaria as pessoas a escolherem livremente o bem, porque a liberdade forçada seria uma contradição à sua Palavra e ao Seu próprio ser. Logo, Deus não pode destruir literalmente todo o mal sem aniquilar o livre-arbítrio. A única maneira de destruir o mal seria destruindo o bem do livre-arbítrio. Logo, se Deus destruísse todo o mal, teria de destruir também todo o bem do livre-arbítrio e, ao aniquilar o livre-arbítrio, aniquilaria a Si mesmo (essa seria a consequência na aniquilação do diabo ou de Adão). Mas, apesar de Deus não aniquilar o mal, Ele pode (e irá!) derrotá-lo e, ao mesmo tempo, preservar o livre-arbítrio. Assim, ainda que o mal não possa ser destruído sem destruir o livre-arbítrio, ele pode ser derrotado.

Deste modo, um dia serão lançados no inferno do inferno o próprio local, o diabo e seus anjos, a morte, a besta, o falso profeta, e todo ser humano que não foi achado inscrito no livro da vida, sendo de dia e de noite atormentados pelos séculos dos séculos, pela eternidade a fora.

Concluindo: Como argumenta o Pr. Ed Rene Kivitz, da Igreja Batista de Água Branca, em seu artigo "Deus é inocente", "o primeiro dos dilemas é criar ou não criar. O segundo é criar com liberdade ou sem liberdade. O terceiro é assumir o ônus da liberdade ou deixar este ônus nas mãos da criatura. Deus faz as escolhas que o machucam, que lhe causam dor, que o fazem sofrer, que o diminuem. Simone Weil diz que "Deus e todas as suas criaturas é menos do que Deus sozinho". Deus escolhe criar. Escolhe criar um ser livre, pois não fosse livre não seria à imagem do Criador. E escolhe arcar com ônus da liberdade que concede à sua criatura. Na cruz de Cristo está Deus, dando ao rebelde o direito de existir. Na cruz de Cristo está Deus entregando a sua vida, voluntariamente, em favor dos pecadores. O mal deflagrado pela raça levanta sua sombra sobre o trono de Deus. E Deus se levanta como um Cordeiro que se doa, pois escolhera morrer, em detrimento de matar. Na cruz de Cristo está o Deus que morre para que todos tenham vida, vida completa, abundante vida." (http://www.ibab.com.br/artigos.php?id=7)

O que fazer, em meio a uma proliferação de falsos ensinos e doutrinas de demônios? Como não ser seduzido? Primeiro, você deve estudar a Bíblia. Deixe a preguiça de lado e vá lê-la com afinco. Nós temos tempo para tudo o que nos interessa, assim a desculpa "não tenho tempo para ler a Bíblia" não cola; o problema não é tempo, mas interesse. Aprenda a ler e estudar a Bíblia, e você será cada vez menos suscetível as heresias destruidoras modernas. Em segundo lugar, busque firmar-se na fé. O diabo plantou dúvidas nos anjos e vem plantando a mesma coisa nos corações dos homens desde então. Ele continua a dizer: "Não foi assim que Deus disse?" Pare de dar ouvidos à serpente! Ela não tem nada a lhe ensinar sobre Deus! A sabedoria que ela promete, a iluminação espiritual, é carnal e diabólica. Não dê ouvidos aos falsos profetas, quer sejam eles apóstolos, pastores ou bispos, mas confira cada ensino com a Palavra de Deus, como faziam os crentes de Beréa. Deixe o "evangelho show" e volte-se ao Caminho de Deus, enquanto pode.

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

DOM DE LÍNGUAS - ESPÍRITO SANTO E SEUS DONS NA IGREJA, HOJE!

"E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro doutores, depois milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas. Porventura são todos apóstolos? são todos profetas? são todos doutores? são todos operadores de milagres? Têm todos o dom de curar? falam todos diversas línguas? interpretam todos? Portanto, procurai com zelo os melhores dons; e eu vos mostrarei um caminho mais excelente." (I Co 12.28-31)

Dons espirituais são dons concedidos por Deus para Sua Igreja, dons da graça de Deus, não méritos, e assim, eles não indicam de modo algum o grau de santificação de uma pessoa. Diversas passagens do Novo Testamento listam os dons espirituais; eliminando-se as repetições chega-se a um total de 21 dons. Dentre estes, figura o dom de línguas.

O dom de línguas – conhecido popularmente como glossolalia – é um dos dons mais controvertidos e mais mal compreendidos no meio evangélico. Há uma disputa ferrenha acerca da realidade e do propósito desse dom, com os mais variados entendimentos sobre o tema. As línguas estranhas seriam um produto da psiquê humana, invencionice de “crentes pentecostais que não conhecem a Bíblia em seu fanatismo religioso” (como é proposto por irmãos que seguem o tradicionalismo religioso-filosófico)? Ou seriam as línguas estranhas na verdade línguas estrangeiras, ou seja, estranhas para quem fala mas conhecidas para quem ouve? Ou a língua estranha é a língua dos anjos?

No meio da imensa polêmica acerca do dom de línguas, há ainda aqueles irmãos que propõem que o dom de línguas (juntamente com o dom de profecia, o dom de apóstolo e outros) cessou com o fim da era apostólica. Esse grupo crê numa tese teológica chamada cessacionismo. O que a Bíblia tem a dizer sobre a glossolalia? Para começar a responder essa pergunta, vamos analisar alguns episódios bíblicos e seus respectivos textos que abordam o tema.

1) A Promessa de Jesus: “E disse-lhes: Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado. E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas; pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão.” (Mc 16.15-18)

O termo “sinal” vem do grego “semeion” e indica algo sobrenatural, miraculoso. Assim, Jesus neste texto passa a listar as manifestações sobrenaturais que acompanhariam os seus discípulos. A expressão “falar novas línguas”, em grego é γλωσσαις λαλησουσιν καιναις (transliterado como glossais lalesousin kainais). Glossa é língua, por implicação uma linguagem, laleo significa falar. Daí vem o termo glossolalia, falar línguas. Porém resta ainda um termo: kainós. Kainós, no grego, é algo totalmente novo, inédito, sendo diferente de néos, novo no contexto. Thayer diz que kainos indica "um tipo novo, sem precedentes, inédito". O Theological Dictionary of the New Testament, diz que kainos denota “o que é novo na natureza, diferente do habitual, impressionante, melhor do que o velho, superior em valor ou atração". Assim, é possível concluir que a manifestação das “novas línguas” prometidas por Jesus não seriam novas no contexto de quem fala, mas sim num contexto mais amplo, inéditas até mesmo para os ouvintes. Nada há aqui que fale da interpretação dessas línguas, pois elas são apenas um sinal.

2) A Descida do Espírito Santo no dia de Pentecostes: “E, CUMPRINDO-SE o dia de Pentecostes, estavam todos concordemente no mesmo lugar; e de repente veio do céu um som, como de um vento veemente e impetuoso, e encheu toda a casa em que estavam assentados. E foram vistas por eles línguas repartidas, como que de fogo, as quais pousaram sobre cada um deles. E todos foram cheios do Espírito Santo, e começaram a falar noutras línguas, conforme o Espírito Santo lhes concedia que falassem. E em Jerusalém estavam habitando judeus, homens religiosos, de todas as nações que estão debaixo do céu. E, quando aquele som ocorreu, ajuntou-se uma multidão, e estava confusa, porque cada um os ouvia falar na sua própria língua. E todos pasmavam e se maravilhavam, dizendo uns aos outros: Pois quê! não são galileus todos esses homens que estão falando? Como, pois, os ouvimos, cada um, na nossa própria língua em que somos nascidos?” (At 2.1-7)

No dia de Pentecostes, isto é, 50 dias após a Páscoa houve um grande e importante fenômeno sobrenatural na vida dos crentes que estavam reunidos. No que consistiu esse fenômeno? No enchimento de cada um daqueles irmãos com o Espírito Santo. Esse enchimento com o Espírito Santo foi manifesto pessoalmente com a concessão do próprio Espírito para que cada um falasse noutras línguas. Porque o Espírito Santo fez isso? Porque a cidade estava cheia de viajantes, que tinham vindo para Jerusalém por ocasião da Páscoa e ali estavam, agora, para celebrar a festa de Pentecostes – a entrega da Lei de Deus a Moisés no Sinai. A festa de Pentecostes era uma festa essencialmente agrícola, onde havia a ceifa das espigas de milho.

No dia de Pentecostes, Deus cumpriu os antítipos dessa festa. Com a descida do Espírito Santo e Suas línguas, houve a colheita de 3.000 pessoas para Cristo, onde Deus entregou-lhes a Lei, porém não em tábuas de pedra, mas em corações de carne. Para que isso acontecesse, Deus escolheu cumprir, nesse dia, a profecia de Joel. Nas palavras do Apóstolo Pedro, “Mas isto é o que foi dito pelo profeta Joel: E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, Que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; E os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, Os vossos jovens terão visões, E os vossos velhos terão sonhos; E também do meu Espírito derramarei sobre os meus servos e as minhas servas naqueles dias, e profetizarão.” (At 2.16-18 comp. com Jl 2.28,29)

Neste caso específico, o que eram as línguas repartidas? Eram línguas completamente novas, inéditas? Não! Eram tão-somente as línguas de cada um viajante que estava na cidade naquela ocasião. Eram novas para os irmãos que as receberam, mas não eram novas para os viajantes que ali estavam, mas eram as línguas deles! Não eram línguas aprendidas com o estudo, mas recebidas do Espírito Santo. O propósito delas naquele momento específico era evangelístico. Eles mesmos reconheceram isso: “todos nós temos ouvido em nossas próprias línguas falar das grandezas de Deus.” (At 2.11) Pedro, em seu discurso, explicou a todos aqueles homens, perplexos pelo que viam e ouviam, que aquilo que eles presenciavam nada mais era do que o resultado do derramamento do Espírito Santo por Nosso Senhor Jesus Cristo: “De sorte que, exaltado pela destra de Deus, e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, derramou isto que vós agora vedes e ouvis.” (v.33) Essa manifestação nada tema ver com o dom de I Coríntios 14, portanto, já que Paulo explica que "quem fala em língua desconhecida não fala aos homens, senão a Deus; porque ninguém o entende, e em espírito fala mistérios" (v.2).

3) A Descida do Espírito Santo sobre os Gentios: “E, dizendo Pedro ainda estas palavras, caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra. E os fiéis que eram da circuncisão, todos quantos tinham vindo com Pedro, maravilharam-se de que o dom do Espírito Santo se derramasse também sobre os gentios. Porque os ouviam falar línguas, e magnificar a Deus. Respondeu, então, Pedro: Pode alguém porventura recusar a água, para que não sejam batizados estes, que também receberam como nós o Espírito Santo?” (At 10.44-47)

Aqui, novamente vemos a ligação entre o falar em línguas e o derramamento do dom do Espírito Santo. Por isso, os crentes pentecostais afirmam o derramamento do Espírito Santo sobre uma pessoa precisa necessariamente produzir uma evidência exterior, visível: falar noutras línguas. É importante compreender a forma pela qual os crentes reconheceram que o Espírito fora derramado sobre os gentios. Os fiéis da circuncisão – os crentes israelitas, que estavam com Pedro naquele episódio, se maravilharam porque ouviram os gentios falar línguas e magnificar a Deus.

A partícula “e”, do grego “kai”, é uma partícula aditiva. Kai significa “e, também, ainda, assim então, também, etc”, sendo freqüentemente usado em ligação (ou composição) com outras partículas ou palavras pequenas. É interessante notar, contudo, que na tradução para a língua portuguesa (Almeida Revista e Corrigida, Almeida Corrigida Fiel, etc) foi colocada uma vírgula antes dessa partícula. O mesmo recurso é visto na versão americana da Bíblia, a King James Version (For they heard them speak with tongues, and magnify God), na American King James Version, na American Standard Version, Douay-Rheims Bible, English Revised Version, Reina Valera (1909), Sagradas Escrituras (1569) em espanhol e na francesa Martin (1744). A presença da vírgula dá a entender que há uma separação entre as duas partes, como se fossem coisas diferentes entre si ainda que conectadas. Deste modo, quando os gentios receberam o derramamento do Espírito, eles “falaram em línguas e (falaram) magnificaram a Deus” ao invés de “falaram em línguas e (por meio delas) magnificaram a Deus”.

A conclusão lógica era de que para os crentes israelitas o derramamento do Espírito Santo envolvia a manifestação do falar em línguas, quer fossem estas línguas conhecidas pelos ouvintes, quer não. Isso vem ao encontro do texto de Marcos 16, harmonizando o ensino bíblico sobre as línguas. Conclui-se que o ensino sobre enchimento do Espírito Santo e as línguas como evidência visível desse enchimento fazia parte do ensino apostólico, com base nos ensinos de Jesus, na descida do Espírito Santo em Pentecostes e noutros muitos episódios semelhantes ao ocorrido na casa de Cornélio.

4) O Ensino Apostólico sobre os Dons Espirituais: “E a outro a operação de maravilhas; e a outro a profecia; e a outro o dom de discernir os espíritos; e a outro a variedade de línguas; e a outro a interpretação das línguas. E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo lugar profetas, em terceiro doutores, depois milagres, depois dons de curar, socorros, governos, variedades de línguas. Têm todos o dom de curar? falam todos diversas línguas? interpretam todos?” (I Co 12.10,28,30)

“AINDA que eu falasse as línguas dos homens e dos anjos, e não tivesse amor, seria como o metal que soa ou como o sino que tine.” (I Co 13.1)

“Porque o que fala em língua desconhecida não fala aos homens, senão a Deus; porque ninguém o entende, e em espírito fala mistérios. Mas o que profetiza fala aos homens, para edificação, exortação e consolação. O que fala em língua desconhecida edifica-se a si mesmo, mas o que profetiza edifica a igreja. E eu quero que todos vós faleis em línguas, mas muito mais que profetizeis; porque o que profetiza é maior do que o que fala em línguas, a não ser que também interprete para que a igreja receba edificação. E agora, irmãos, se eu for ter convosco falando em línguas, que vos aproveitaria, se não vos falasse ou por meio da revelação, ou da ciência, ou da profecia, ou da doutrina? Dou graças ao meu Deus, porque falo mais línguas do que vós todos.” (I Co 14.2 e subseqüentes)

No conceito Paulino, foi o próprio Deus quem colocou na Igreja os seus diversos dons. Aqui, há uma clara distinção entre a língua enquanto sinal (Mc 16) e a língua enquanto dom. A língua enquanto sinal é "para os que crerem" (Mc 16.17), sendo sinal para os crentes. Já a língua enquanto dom não é sinal para os crentes, mas para os descrentes (I Co 14.22). Em ambos os casos, fala-se uma língua desconhecida; no entanto, apenas a língua como dom é passível de interpretação. O objetivo do dom de línguas não é necessariamente falar aos homens (como foi claramente esta razão no caso de Pentecostes), mas falar a Deus para a própria edificação! Ninguém, em hipótese alguma, jamais entenderá a língua, porque não é uma língua estrangeira, a menos que lhe seja dada a interpretação. São mistérios falados em espírito com Deus; só Deus entende o que a pessoa está dizendo. Note: (1) o propósito não é eclesiológico enquanto coletividade de crentes, nem evangelístico/missionário; o propósito é pessoal, individual, voltado para o crente na sua relação individual com Deus. Obviamente, se cada crente é edificado por meio desse dom, o coletivo acaba sendo edificado, tendo-se em vista que a soma de todas as partes equivale ao todo. (2) Quem fala em línguas, ainda que não compreenda o que diz, edifica a si mesmo. A edificação pessoal de quem fala em línguas não está ligada a compreensão mental do que diz. (3) A interpretação precisa ser concedida pelo Espírito Santo, logo não é uma interpretação realizada com as faculdades humanas, bem como o caráter ininteligível das línguas – portanto, línguas estranhas (à compreensão humana)! Fica assim evidente o caráter extático desse dom!

Paulo disse que queria que todos os crentes de Corinto falassem em línguas. Para Paulo, a língua enquanto dom não era prejudicial à fé ou a comunhão ou a espiritualidade cristã (o que seria um absurdo, já que elas servem para edificação e algo que serve para edificação não prejudica a fé de ninguém). Por sua vez, obviamente é um contrassenso que num culto público, onde o propósito não é apenas a edificação pessoal, mas sim a edificação coletiva – crentes e descrentes, haja apenas a manifestação ininterrupta do dom de línguas. Imagine se todos falarem em línguas ao mesmo tempo durante todo o culto cristão: perdeu-se o propósito da reunião coletiva. Quem entrar num ambiente assim dirá que tratam-se de malucos (v.23)! Novamente vejamos o que diz Paulo: “Porque, se eu orar em língua desconhecida, o meu espírito ora bem, mas o meu entendimento fica sem fruto. Que farei, pois? Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento; cantarei com o espírito, mas também cantarei com o entendimento. De outra maneira, se tu bendisseres com o espírito, como dirá o que ocupa o lugar de indouto, o Amém, sobre a tua ação de graças, visto que não sabe o que dizes? Porque realmente tu dás bem as graças, mas o outro não é edificado.” (I Co 14.14-17) A língua-dom é uma forma de edificação e tem o seu lugar no culto cristão (não ocupando todo o culto), mas não é a única forma de edificação e nem a principal.

É interessante notar o que disse Paulo: “Dou graças ao meu Deus, porque falo mais línguas do que vós todos.” (v.18) Paulo falava em línguas! Ele não está se referindo a si mesmo como poliglota, proficiente nas mais diversas línguas que há no mundo; isso contrariaria o contexto de I Co 14. De acordo com a interessante informação de São Paulo, o milagre das línguas consistia nisto, que os órgãos vocais produziam sons não por um trabalho da mente, mas pela operação do Espírito Santo sobre esses órgãos. Ainda acerca do dom de línguas Paulo diz: “E, se alguém falar em língua desconhecida, faça-se isso por dois, ou quando muito três, e por sua vez, e haja intérprete. Mas, se não houver intérprete, esteja calado na igreja, e fale consigo mesmo, e com Deus.” (vv. 27,28) Ele está proibindo o falar em línguas? De forma alguma: “Portanto, irmãos, procurai, com zelo, profetizar, e não proibais falar línguas. Mas faça-se tudo decentemente e com ordem.” (I Co 14.39,40) A questão toda está centrada na decência e na ordem. Devemos falar em variedades línguas (dom de variedades e não o sinal) quando houver intérprete. Porém, é preciso considerar que o dom de línguas mais o dom de interpretação das línguas equivale ao dom de profecia. Ora, se é profecia é uma mensagem de alto valor, com sentido, com começo, meio e fim. Não é baboseira, coisas de nenhum valor para edificação, com mensagens antibíblicas e antiéticas, como infelizmente muito se vê no meio pentecostal.

Por fim, as línguas são línguas dos anjos? A resposta é não. Paulo diz em I Co 14 que ele falava em línguas, já em I Co 13 ele diz que não falava a língua dos anjos, isto fica indicado pelo condicional da frase: "Ainda que eu falasse". Alguns rabinos, por orgulho nacionalista, insistiam que a língua dos anjos era o hebraico. Orígenes afirmava que a língua dos anjos era superior a língua dos homens; apesar de ser uma boa teoria, não passa de especulação. Não há nenhuma evidência bíblica acerca da forma e natureza da língua dos anjos.

Os crentes pentecostais crêem que a evidência do batismo com Espírito Santo é o sinal das línguas (não o dom). O dom de línguas é presente divino, dado como e para quem o Espírito Santo decide, para edificação pessoal. Seu uso na Igreja está restrito a existência do dom da interpretação das línguas. Porém, o dom de línguas não é o maior nem o mais excelente dom, como entendiam os crentes de Corinto (o que não desmerece sua existência e importância). O objetivo final dos dons espirituais sempre foi e sempre será a edificação do Corpo de Cristo, não confusões e partidarismos muito comuns, infelizmente, nas Igrejas que entendem os dons do Espírito também para os nossos dias.

As meninices acerca do uso dos dons espirituais não devem servir como desculpa para que a Igreja desconsidere-os nos dias atuais. Se há meninice no uso, que se levantem os irmãos maduros e corrijam as crianças, mostrando, como Paulo (que possuía muitos dons em sua vida), o caminho da maturidade sem desprezar os dons. A polêmica em torno dos dons espirituais movida por alguns grupos religiosos-filosóficos dentro da Igreja é inútil, não edifica ninguém e, desse modo, para nada serve. Filosofia nunca salvou e nem nunca salvará ninguém; o Evangelho não é filosofia, é poder de Deus, apresentado aos homens com demonstração do Espírito e do poder.

O que devemos fazer? Seguir o que a Bíblia diz, sempre! Procure com zelo os melhores dons! Abra sua vida para o fluir do Espírito Santo! A Igreja mais do que nunca precisa dos dons espirituais HOJE. Dom de línguas, dom de interpretação, dons de curar, profecia, discernimento de espíritos, fé, etc. são imprescindíveis! O diabo e o homem estão cada vez mais endiabrados, o inferno tragando centenas de milhares de vidas enquanto a Igreja que aí está só se preocupa em "aparecer bonitinha na foto"!  Politicagens, dinheiro, poder secular... isso é mundanismo e é totalmente dispensável; mas os dons espirituais nunca foram e jamais serão dispensáveis, eles são prioritários para a Igreja. Contudo eles só serão concedidos SE a Igreja voltar ao propósito planejado por Deus.

Acima de tudo, precisamos buscar o Espírito Santo, Ele é Ele o nosso Consolador Amado e, ainda assim, um "ilustre desconhecido" em muitas Igrejas! Dizemos que Ele é Deus e Senhor - e de fato Ele é - mas, na prática, o tratamos com se fosse um Ser impessoal, uma "força ativa de Deus Jeová" (como diriam os hereges TJs). A parte que lhe damos em nossos cultos é mínima! O resultado disso é óbvio. Voltemos ao Senhor, como no princípio; voltemos a dar-lhe a Voz e a Direção, a Honra e a Glória devidas, como no Livro de Atos. Que novamente se ouça na Igreja: "E disse o Espírito Santo!"  É o Espírito Santo quem faz com que a Igreja não seja somente um "clube de filósofos-religiosos", mas a Casa de Deus e a Porta dos Céus!

Espírito Santo,
Vem Ministrar Tua Graça em Nossas Vidas
Seu Poder, Em Nosso Meio Manifestar!
Feridas e Marcas vem Curar!
Libertar, dar Nova Vida e a Vitória de Deus Proclamar!
Vem Senhor, Te amamos!
Vem, e faz-nos Um em Ti!
Vem e Mostra Tua Glória!
Tua Voz Nos faça Ouvir!

Pense Nisso! Deus está te dando visão de águia!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

HERESIAS, POLÍTICA, DINHEIRO E OS TEMPOS DO FIM

Nos séculos XIX-XX muitas propostas "restauracionistas" brotaram no seio da igreja, buscando levar a igreja daqquela época novamente ao estado de pureza espiritual dos primeiros séculos da era cristã. Surgiram então seitas como o Mormonismo, Testemunhas de Jeová, Adventismo do 7º Dia, etc., pensados por seus fundadores como sendo a forma pela qual a Igreja seria restaurada. Todos esses fundadores, com mais ou menos elementos, alegavam "iluminação/visão sobrenatural", "visão de anjos", "vozes do além" e coisas do tipo, dizendo que todas as denominações eram apóstatas e que seria por meio deles que Deus restauraria a Sua Casa. Reinterpretaram versículos e passagens bíblicas a seu bel prazer, criaram "escritos sagrados" adicionais à Bíblia, etc.

Hoje, diversos movimentos internos, como"igreja nas casas", "movimento celular", G12 e muitos outros foram criados e adotados pelas mais diversas denominações evangélicas existentes, desde as mais tradicionais e históricas, como os batistas, presbiterianos e metodistas, até as pentecostais, como Assembléia de Deus e Comunidades Evangélicas com o mesmo afã: restaurar a Igreja. Porém, o movimento celular trouxe mais problemas do que benefícios às igrejas que os adotaram. A ênfase na ruptura eclesiológica e administrativa da igreja, ensinada pela maioria dos movimentos celulares, como uma "nova revelação" para a "restauração da igreja" gerou rachas nas mais diversas denominações onde o movimento tentou ser implantado. A "ruptura" era e é algo previsto nos próprios guias e manuais dos movimentos, assim a desagregação e desestruturação ocorridas não passam de uma "crônica da morte aunciada". Além disso, muitas doutrinas estranhas a Bíblia foram criadas. Coisas como regressão, necessidade de rebatismos de crentes já batizados nas águas, etc., além da criação de novas doutrinas com base em versículos isolados por "apóstolos" do movimento. Como são "apóstolos", estas pessoas entendem que podem "alterar e criar doutrinas", ou mesmo "reinterpretar a Bíblia" segundo uma suposta "revelação espiritual superior dada ao líder máximo e fundador do movimento", coisa que os apóstolos bíblicos jamais pretenderam ou fizeram.  Muitos pastores e líderes desses movimentos tratam seus liderados com rigor ascético, dominando "com mão de ferro" os liderados e intrometendo-se na liberdade cristã (exatamente como fazem muitas seitas e até algumas denominações evangélicas).

Há muita pretensão nos apóstolos e líderes desses movimentos. A prepotência em ser "a última bolacha do pacote" é muito forte, desde o principal líder até ao mais simples membro. A propaganda ao redor do movimento, como sendo "a nova reforma protestante", além de técnicas de motivação pessoal aplicadas insistentemente em reuniões, nas preleções e em cursos e treinamentos específicos confere um "caráter distintivo", "de superioridade" do movimento frente às demais Igrejas que não seguem a mesma "visão" ou adotam as mesmas "técnicas e táticas", consideradas "retrógradas", religiosas", "farisaicas" pelos integrantes do movimento celular. Eles são os que detêm as unções sobrenaturais, são espirituais, enquanto todos os demais não passam de "carnais". Agindo assim, os apóstolos modernos perseguem a igreja de Deus, onde ouviram o Evangelho, encontraram a Cristo e foram discipulados, de onde saíram sacudindo os pés, se comportando deste modo como maiores até mesmo que o apóstolo Paulo, posto que Paulo disse "porque eu sou o menor dos apóstolos, que não sou digno de ser chamado apóstolo, pois que persegui a igreja de Deus." (I Co 15.9)

Esses apóstolos modernos insistem em se auto-proclamarem, esquecendo do ensino do Senhor sobre quem é maior no Reino de Deus. Quando os discípulos começaram a disputarem quem era maior, Jesus respondeu mostrando que ao invés de se preocuparem em serem isso ou aquilo, deveriam estar preocupados em terem a condição necessária para entrar no Reino: conversão, denotada pela humildade, simplicidade e pureza de um simples menino. Quem assim fosse, seria o maior: "Naquela mesma hora chegaram os discípulos ao pé de Jesus, dizendo: Quem é o maior no reino dos céus? E Jesus, chamando um menino, o pôs no meio deles, e disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como meninos, de modo algum entrareis no reino dos céus. Portanto, aquele que se tornar humilde como este menino, esse é o maior no reino dos céus." (Mt 18.1-5) A verdadeira humildade é no trato cotidiano, nas mínimas coisas, não meramente um ensino propagandista ou por meio de atos exteriores aparentemente piedosos "para inglês ver"! A Bíblia é muito clara quanto a isso: "Ainda assim, agora mesmo diz o SENHOR: Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, e com choro, e com pranto. E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao SENHOR vosso Deus; porque ele é misericordioso, e compassivo, e tardio em irar-se, e grande em benignidade, e se arrepende do mal." (Jl 2.12,13)

Os atuais movimentos restauradores são fruto, na verdade, do pouco ou nenhum conhecimento secular, bíblico e teológico que grassa muitos púlpitos e igrejas no Brasil e no mundo, aproveitando-se do desconhecimento e ignorância acerca das Escrituras para se estabelecer. Hoje, pouquíssimas pessoas estão realmente interessadas em estudar a Bíblia; estão mais interessadas em demonstrações exteriores, em exibição de performance pseudo-espiritual. Urros e brados proféticos, unções - de animais, genitais e outras - cultos descontrolados, bravatas espirituais, revelações estapafúrdias, teologia da prosperidade, dominionismo/imperialismo cristão, sacriíficos espirituais, objetos ungidos, angeolatria, manipulação do sobrenatural... isso interessa, isso dá ibope. Ser bíblico, conhecer e ensinar as Escrituras como elas verdadeiramente são não trazem renome ou fama a ninguém, não enchem igreja e não geram ofertas volumosas. Frases como "a letra mata mas o Espírito vivifica", retiradas da Bíblia e interpretadas fora de contexto, são utilizadas como justificativa do descaso com o estudo sistemático da Palavra de Deus e para hipervalorização do culto "sem pé nem cabeça". A Bíblia, para esse grupo de pessoas, é apenas mais um livro... o que vale mesmo é a palavra do grande líder, do grande irmão, do big brother!

Todas essas características conferem aos "movimentos restauracionistas sem Bíblia" um papel de destaque nos tempos do fim. Toda essa idolatria gospel, o afastamento da Bíblia em prol de heresias destruidoras, essa espiritualidade sem o Espírito, essa formação de grandes conglomerados religiosos, essa ligação da religião com o poder secular e financeiro... tudo isso têm o seu lugar e propósito dentro do cronograma de Deus. Já no primeiro século, o apóstolo João dizia que já era a "última hora". Agora esta hora está mais próxima do que nunca! O espírito maligno do anticristo espera apenas a hora de se manifestar numa pessoa (se já nasceu ou ainda vai nascer, não sabemos) para torná-la um grande líder mundial, dando-lhe poderes religiosos, políticos e financeiros, além de grande poder de eloqüência e de convencimento. Na verdade, olhando o cenário atual à luz das profecias bíblicas, é possível afirmar que esse espírito está bem ativo no afã de preparar toda a infraestrutura necessária para o governo desse ser maligno.

E como estará a Igreja nisso tudo? Se formos analisar as Escrituras, é impossível afirmar que a presente igreja seria aquela a ser arrebatada antes do surgimento do anticristo. Não dá, não há santidade e vida com Deus necessários para isso. É impossível afirmar, diante de tudo que tem sido feito e ensinado por esta Igreja atual, que aí está, que ela é uma "igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível" (Ef 5.27). Esta Igreja é digna de muita repreensão bíblica! Como não há pregação bíblica que combata o pecado, o crescimento numérico não passa de inchamento: igreja cheia de pessoas vazias de Deus. Assim, há duas hipóteses e uma delas necessariamente precisa acontecer:

1) Será Arrebatado apenas um Remanescente Fiel. Deus tem uma Igreja dentro da igreja, ou seja, entre os membros da igreja militante há um grupo que só Deus conhece que compreende a Igreja triunfante, a Igreja dos primogênitos arrolados nos céus. A Bíblia mostra que Deus sempre teve um povo escolhido, de pessoas tementes a Deus, dentro de um conjunto maior de pessoas nominais de crença exterior (Mq 4.7; Sf 3.13; Rm 9.24-29; 11.4,5; Ap 12.17). O problema aqui é que podem existir pessoas, que compõem este remanescente, fora da Igreja, perdidas, por conta do estado em que a Igreja se encontra, as quais necessitam de purificação espiritual.  

2) A Igreja será Transformada, de forma a estar apta para o Arrebatamento.  Uma restauração verdadeira, segundo a iniciativa de Deus, pela ação do Espírito Santo santificando a Igreja e formando em cada crente a imagem do Senhor Jesus por meio da Palavra de Deus. O Espírito Santo, Mestre por Excelência e Divino e Supremo Pastor da Igreja, há de fazer com que a Palavra de Deus seja novamente vista como imprescindível para a vida e prática cristã, o Grande Espelho segundo o qual cada homem e mulher vê a si mesmo como realmente é, gerando arrependimento genuíno e transformação espiritual. Os Cinco Ministérios de Efésios voltarão a funcionar na Casa de Deus, não meros títulos mas sim funções, desempenhadas no poder e autoridade genuínos do Espírito Santo. Mas o que precisa acontecer para que venha a restauração? Analisando a Bíblia e a história da Igreja só há uma coisa capaz de restaurar a pureza e o padrão bíblico da Igreja: A Perseguição!

Foi justamente no período das perseguições imperiais que a Igreja manteve seu mais alto padrão desde a descida do Espírito Santo no dia de Pentecostes. Quando a Igreja fez paz definitiva com o Estado por meio de Constantino é que o padrão espiritual da Igreja começou a decair. Nos tempos antigos, a privação de direitos (como de liberdade, de propriedade, de culto, etc) pelo Estado fazia com que só professassem o cristianismo aqueles que eram genuinamente cristãos, convertidos de verdade. Professar fé em Cristo era sinônimo de privação e até mesmo de morte. Não havia o "culto de celebridades", de "popstars da fé" como há hoje. Não! Não havia o culto-show, o pregador-show! O culto cristão era proibido, considerado crime pelo Império Romano. Com isso, os cristãos se reuníam em cavernas, sendo identificados somente por meio de símbolos como o peixe. As ofertas serviam para comprar alimento para os irmãos, não para comprar jatinhos particulares. Naqueles dias ninguem cogitava a heresia da teologia da prosperidade, nem das unções. Não havia tempo, nem mente vazia para pensarem coisas desse tipo!

Naqueles dias não se fabricavam milagres como hoje se vê, essa aberração manipuladora. Não! O poder do Espírito Santo era real; os crentes realizavam maravilhas, sinais e prodígios. Curas, ressurreições... isso era normal naqueles dias. Com o afastamento da Igreja do seu papel tal qual Deus o planejou, são raríssimas as curas em nossos dias, ao ponto dos irmãos tradicionais defenderem o cessacionismo, defendendo que alguns dons (e seus correspondentes ministérios) cessaram após a Era Apostólica. É uma tese compreensível à luz da lógica humana, pois baseia-se no que é visivelmente constatado, ou seja, que não se vê mais alguns dons e ministérios em operação. Mas isso não se deve ao fato de que eles não são mais importantes, de forma alguma! Deve-se ao fato de que é necessária uma vida de extrema dependência do Espírito Santo para que esses dons e ministérios possam ser manifestados! Muita coisa foi mudada pelo homem: hoje, mesmo o ministério pastoral (um dom e ministério bíblico) pode ser falsificado. O problema está no afastamento do homem de Deus, da Igreja do Espírito. E isso atinge não apenas uns, mas todos! Será que temos a mesma fé que os nossos irmãos dos primeiros séculos da era cristã? Temos a mesma intimidade com Deus? Tememos ao Senhor como eles?

Uma Igreja gloriosa precisa necessariamente ter a glória de Deus nela. Assim, Deus há de restaurar seus dons e ministérios em Sua Casa. O padrão bíblico de Igreja há de ser restaurado. Mas isso só se dará pela restauração do padrão bíblico de crente. Para que isso aconteça, é preciso reduzir às cinzas o que aí está. Note que diante dos acontecimentos atuais, com as ações desastrosas da Igreja no mundo secular em suas mais diversas frentes e suas consequências, não é difícil supor que o período das perseguições está por vir. O dominionismo vai redundar justamente no inverso, ou seja, ao invés da Igreja dominar a sociedade, a sociedade irá cercear o direito da Igreja em se intrometer em seus assuntos. Hoje, a luta contra o pecado pela Igreja tornou-se ideologia política, coisa tratada em círculos e instituições políticas. A fé cristã virou deboche em talk-shows, onde pastores são convidados a participarem de debates sobre temas mundanos somente para dar ibope ao programa e para vergonha de Deus e de todo um povo. Eu fico profundamente envergonhado toda vez que vejo um pastor "pagar mico" na TV diante de milhões de brasileiros. O mundo está definitivamente dentro da Igreja, com todos os seus valores infernais.

Será que nós, crentes em Cristo, venceremos o mundo lutando contra ele com as mesmas armas que ele usa contra nós? Serão a política e o dinheiro que nos conduzirão a vitória sobre o mundo e o pecado? "E esta é a vitória que vence o mundo, a nossa fé. Quem é que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?" (I Jo 5.4,5) Jamais venceremos o mundo lutando com ele com suas próprias regras, com seus próprios métodos. Isso apenas fará com que nos afastemos cada vez mais de Deus, tornando a Igreja cada vez mais vulnerável aos ataques do diabo. Deixamos a Bíblia, a oração e a santificação pessoal de lado! O espírito do anticristo, que está no mundo, está preparando todo um cenário para destruir a Igreja de uma vez por todas! Um último golpe! Há uma grande preparação, em curso, para o surgimento de um período que antecederá o Arrebatamento da Igreja, um período de extrema perseguição estatal contra todos aqueles que se dizem cristãos, que se dizem Igreja.  

Talvez o dileto leitor pergunte: quando isso acontecerá? Será antes ou depois ou mesmo no meio da Grande Tribulação? Antes ou depois do surgimento do anticristo enquanto pessoa física? Há chances dessa perseguição ocorrer tanto antes quanto depois. Somente Deus pode dizer ao certo quando. Há várias hipóteses, cenários prováveis, por certo. Enumero a seguir algunss:

1º Cenário: Deus salva e purifica o remanescente fiel pela ação do Espírito Santo, que o faz secretamente. Os dons e ministérios são restaurados apenas nesse grupo de irmãos, que passam a pregarem o Evangelho de Cristo com poder e autoridade tal qual no primeiro século da era cristã. Eles são perseguidos pela Igreja morna e nominal, que passa a tratá-los como fanáticos e radicais, mas há conversões genuínas. O remanescente é então arrebatado por Deus antes da perseguição estatal. A perseguição estatal é então movida pelo anticristo na grande tribulação contra os crentes que não foram arrebatados. Apenas os que perseverarem até o fim serão salvos, subindo aos céus como mártires.

2º Cenário: A Igreja como um todo é restaurada pelo Espírito Santo. Dons e ministérios até então tidos como inexistentes são novamente vistos em ação. Muitas almas se convertem, uma "grande e derradeira colheita". Igreja como um todo é arrebatada por Deus. Os crentes nominais, que saíram da Igreja antes do arrebatamento porque não quiseram se converter agora estão a mercê do anticristo. Apenas os que perseverarem até o fim serão salvos, subindo aos céus como mártires.

 3º Cenário: Tem início a perseguição estatal, movida pelo anticristo. A perseguição purifica a Igreja, fazendo com que os falsos sejam manifestos. A Igreja purificada é então restaurada, com dons e ministérios novamente, pregando a Palavra de Deus e ganhando muitas almas. A Igreja é então arrebatada por Deus. 
 
Muitos outros cenários são possíveis. Qual está certo? Somente o tempo dirá. Uma coisa é certa. De qualquer modo, o tempo do fim se aproxima e quem estiver vivo, verá. Uma coisa é certa: Homem nenhum será o responsável pela restauração da Igreja! Deus jamais dividirá a Sua Glória com quem quer que seja! Quem tentar fazê-lo, apenas levará a Igreja a se afastar ainda mais do que Deus estabeleceu. O melhor a fazer, então, é desde já entregar-se nas mãos de Deus, confessando e deixando os pecados então cometidos, e voltar-se para a santificação pessoal através do estudo da Palavra de Deus. Sai dela, povo meu, é o comando do Espírito para aqueles fiéis que estão em Babilônia! 
 
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O DEUS DO IMAGINÁRIO E O DEUS DA BÍBLIA: UM BREVE TRATADO APOLOGÉTICO SOBRE A PESSOA E CARÁTER DE DEUS, REVELADO NAS ESCRITURAS SAGRADAS


“Porque Eu, o Senhor, não mudo” (Ml 3.6).

"E, estando Paulo no meio do Areópago, disse: Homens atenienses, em tudo vos vejo um tanto supersticiosos; Porque, passando eu e vendo os vossos santuários, achei também um altar em que estava escrito: AO DEUS DESCONHECIDO. Esse, pois, que vós honrais, não o conhecendo, é o que eu vos anuncio. O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens; Nem tampouco é servido por mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa; pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas; E de um só sangue fez toda a geração dos homens, para habitar sobre toda a face da terra, determinando os tempos já dantes ordenados, e os limites da sua habitação; Para que buscassem ao Senhor, se porventura, tateando, o pudessem achar; ainda que não está longe de cada um de nós; Porque nele vivemos, e nos movemos, e existimos; como também alguns dos vossos poetas disseram: Pois somos também sua geração. Sendo nós, pois, geração de Deus, não havemos de cuidar que a divindade seja semelhante ao ouro, ou à prata, ou à pedra esculpida por artifício e imaginação dos homens. Mas Deus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam; Porquanto tem determinado um dia em que com justiça há de julgar o mundo, por meio do homem que destinou; e disso deu certeza a todos, ressuscitando-o dentre os mortos." (At 17.22-31)

Um dos nomes atributivos de Deus é El Olam, o Deus Eterno. Deus não muda, não mudou e nem jamais mudará. O mesmo Deus que era antes de toda criação visível e invisível ser feita é o mesmo Deus depois que tudo foi criado. Isso chama-se imutabilidade. Deus é imutável, enquanto Sua natureza (é Deus e sempre o será) e Seu caráter. Sim, isso mesmo: Seus altíssimos padrões de justiça continuam a serem os mesmos. O caráter de Deus é o mesmo; tudo aquilo que Ele considerava pecado no Antigo Testamento é exatamente aquilo que Ele considera pecado no Novo Testamento. A única coisa que mudou foi a forma com que Deus passou a tratar o pecador (não como Ele vê o pecado). Hoje, por conta do sacrifício de Seu Filho, Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, Deus estende a Sua longanimidade, a Sua paciência, para com o homem, para que todos os homens tenham oportunidade de arrependimento. “O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se.” (II Pe 3.9) Justamente pela longanimidade de Deus é que Ele tolera com muita paciência o homem pecador a mudar aquilo que Deus estabeleceu, tanto no mundo, quanto na Igreja.

Hoje, há uma proliferação de heresias gospel, as quais ora são a repetição de heresias antigas (como o arianismo, o modalismo, etc), ora são invenções atuais. Muitos pastores, bispos e apóstolos atuais, ignorantes quanto a Bíblia, “cobiçosos de torpe ganância”, estão sendo utilizados pelo espírito do erro, para espalharem a peçonha mortal do inferno nas vidas dos homens. Paulo escrevendo a Timóteo exorta-o sobre a ação desse maligno espírito: “O Espírito expressamente diz que nos últimos dias apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios” (I Tm 4.1). Hoje, esse espírito maligno, mestre de heresias destruidoras, está a atuar abertamente nas igrejas, ensinando um caminho totalmente contrário ao Caminho. A igreja atual, que insiste em técnicas e táticas de batalha espiritual, que recebe “mestres” – inclusive de outros países - , para preleções e cursos especializados para lidar com o oculto e sobrenatural, revela-se incapaz de lidar com esse espírito, com esse demônio. Eles são como “aviões invisíveis”, “bombardeiros stealth”, não sendo captados pelos “radares gospel”.

Além disso, esses ditos profetas – se o são, só se forem segundo Balaão – são criadores ambulantes de escândalos, impedindo muitas pessoas de entrarem no Reino de Deus. Eles entronizaram Mamom, o deus das finanças, nas igrejas e no imaginário gospel, mascarado como se fosse Deus. Como fizeram isso? Usando a Bíblia. A partir de versículos isolados, interpretados segundo o próprio interesse pecaminoso, esses heresiarcas incutiram e ainda incutem nas mentes das pessoas um evangelho e um deus totalmente diferentes do Evangelho Bíblico e do Deus da Bíblia. Eles se aproveitam da comichão dos ouvidos das pessoas e as incentivam. A tática é simples, mas muitíssimo eficaz!

Deste modo, hoje há dois tipos de igreja: aquela que busca ardentemente viver o Evangelho segundo a Bíblia, cujo Deus é o Deus da Bíblia e aquela outra que “segue o curso desse mundo”, com seu próprio evangelho e com seu próprio deus, os quais pensam serem bíblicos. Há uma sutil mudança, planejada no inferno e colocada em prática na igreja, secularizando, mundanizando as Verdades Eternas espirituais. Há um, que é real; há outro, que é cópia mal-feita. Uma espécie de “fé paralela”, com uma “Bíblia paralela”, com um “deus paralelo” e um “evangelho paralelo”. A máxima do sincretismo em tempos modernos.

O Deus da Bíblia é Santo! Ele odeia o pecado, que é completamente antagônico ao Seu caráter. E, porque Ele é santo, o pecado fez uma enorme separação entre Ele e o homem, Sua criação: “Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça.” (Is 59.2) Sequer as orações, feitas por multidões de pessoas, não são ouvidas por Deus justamente por causa do pecado em suas vidas. Pecado, na Bíblia, não é um conceito teológico-filosófico, de forma alguma; tampouco é algo relativo, sujeito a questões culturais ou temporais. Ele é sempre um ato moral deliberado, por parte do homem, em desobedecer aquilo que Deus estabeleceu como bom e justo para o próprio homem, tanto em sua relação consigo mesmo, como com a criação, como com o próximo e com o próprio Deus. Abrange a vida do homem integralmente, sem deixar escapar nada, e é independente de todo e qualquer avanço científico e cultural da humanidade, porque não está baseada na humanidade, mas no Caráter de Deus, que é Eterno e Imutável e, portanto, Absoluto!

Já o deus do imaginário popular – sincretizado com o Deus da Bíblia – não está nem aí para aquilo que o homem ou mesmo seus ditos filhos fazem com suas vidas. O deus do imaginário tem uma “palavra inspirada para seus seguidores”: “carpe diem” – “aproveite o momento” e “laissez faire” – “deixai fazer, deixai ir, deixai passar”. Quer fazer? Então faça o que quiser! Viva como quiser! Aproveita, manda brasa! Pecado... ih, isso é coisa que não existe! Ah, que mal há em transar antes do casamento? Que mal há na poligamia? Que mal há na torpeza? Que mal há no ocultismo? Que mal há em usar drogas? Que mal há... é a grande resposta de deus a tudo o que o homem faça ou deixe de fazer! Afinal, todos os caminhos levam a ele, o deus cego, surdo e mudo. Sim, isso mesmo: o deus do imaginário é cego, surdo e mudo. Tenho dúvidas se ele é vivo ou se é inerte. Talvez seja uma espécie de deus-vírus: só demonstra vida quando está explorando outro ser vivo...

O deus do imaginário popular é “poderoso” e confere “grande poder” aos seus propag... ops, pregadores. Eles dizem que a Bíblia Sagrada é a “palavra de deus” e que esse deus lhes deu a autoridade de interpretar a Bíblia como bem entenderem. Eles podem até mesmo dizer que uma parte ou ensino da Bíblia não vale mais! Afinal, são enviados do “poderoso deus”. Eles têm muitos outros poderes concedidos: podem amaldiçoar todos aqueles que não concordam com eles; podem quebrar maldições do tataatatataatatatatataravô; podem ungir objetos de forma que o objeto proporcione grande bênção ao seu portador; podem até mesmo manipular o próprio deus, ameaçando “rasgar a Bíblia” se a palavra deles não for cumprida! Como diria He-Man, “pelos poderes de Grayskull!”

Enquanto isso, o Deus da Bíblia, mesmo não desejando a morte física, espiritual e eterna de ninguém, nem do mais torpe pecador, não hesitará em exercer Juízo sobre o homem, caso ele não se arrependa dos seus maus caminhos. “A alma que pecar, essa morrerá; o filho não levará a iniqüidade do pai, nem o pai levará a iniqüidade do filho. A justiça do justo ficará sobre ele e a impiedade do ímpio cairá sobre ele. Desejaria eu, de qualquer maneira, a morte do ímpio? diz o Senhor DEUS; Não desejo antes que se converta dos seus caminhos, e viva? Porque não tenho prazer na morte do que morre, diz o Senhor DEUS; convertei-vos, pois, e vivei. Dize-lhes: Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se converta do seu caminho, e viva. Convertei-vos, convertei-vos dos vossos maus caminhos; pois, por que razão morrereis, ó casa de Israel?” (Ez 18.20,23,32; 33.11). Porém, para o Deus da Bíblia, não há uma “segunda chance”, uma espécie de “repescagem espiritual” após a morte física: “[...] aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo” (Hb 9.27). Ele é o Juiz de Toda a Terra e um dia Ele se assentará para julgar cada homem e cada mulher que já viveu na face desta Terra: “E vi um grande trono branco, e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu; e não se achou lugar para eles. E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante de Deus, e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. E deu o mar os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras. E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte. E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo.” (Ap 20.11-15)

O Deus da Bíblia não muda a Sua Palavra, nem permite tal coisa aos Seus servos. Suas Palavras são Eternas como Ele é Eterno: “Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido. Passará o céu e a terra, mas as minhas palavras não hão de passar.” (Mt 5.18; Lc 21.33). Quem muda a Palavra de Deus está incorrendo em grande perigo e maldição: “Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro; E, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas neste livro.” (Ap 22.18,19) Ele não manipula ninguém e por ninguém é manipulado. Deus não é e nem pode ser forçado ou coagido a fazer qualquer coisa. Deus faz aquilo que Ele livremente escolhe fazer, segundo o Seu próprio parecer e vontade e ninguém jamais dirá a Ele o que deve ou não fazer, nem o aconselhará a coisa alguma. Ele é Todo-Poderoso, Onisciente, Onipresente e Onipotente! Ele não é propriedade de alguém, mas Dele são os céus e a Terra e tudo o que neles há. Ele é Excelso, Supremo e Mui Digno de Louvor e Adoração! Todo Louvor, toda honra e toda glória Lhe pertencem, tanto no céu, quanto na terra! Diante Dele a Terra treme e balança como um ébrio; sim, diante Daquele que têm nas Palmas de Suas Mãos todos os mares, rios e oceanos da Terra! Aleluia!

O Evangelho real, “boa notícia”, é “poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego” (Rm 1.16). Evangelho é a notícia de que Deus se fez carne para salvar o homem e que, portanto, agora há esperança de vida eterna! Há esperança de livramento da condenação! Evangelho é Poder para salvação! Salvação do quê? Dos nossos pecados! É Jesus, Verbo Eterno, Co-Igual e Co-Eterno com o Pai e o Espírito Santo, se fazendo carne para salvar o homem! O Evangelho real não suaviza o pecado, ele não diz que o pecado é uma besteirinha de nada. Não! Ele não diz ao homem, pecador: “basta você ser bonzinho, não matar, não roubar e não fazer mal a ninguém que Deus aceitará você de qualquer forma”. Não! Ele não diz “olha, faça o que você quiser; se quiser se prostituir, vá em frente; se quiser praticar qualquer perversão, ok, não há problema; viva sua vida como melhor lhe parece que está tudo bem”. Absolutamente não! O Evangelho da Bíblia, ao contrário, diz: “Não importa o que você faça nem o que você tenha, você é pecador inveterado e está afastado de Deus. Você está morto aos olhos de Deus, morto espiritualmente. Todos os seus atos, por melhores e bem intencionados que sejam, não passam de lixo diante de Deus. Você é filho do diabo e vive para satisfazer as vontades de seu pai. Você é injusto, desprezível, pecador. Você é escravo do pecado e está destinado ao inferno, a separação eterna de Deus. Nada do que você faça pode remediar isso. Mas há esperança para você, porque Deus amou você, de tal maneira, que deu o Seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Venha a Ele e receba o perdão dos seus pecados e a vida eterna!”

O evangelho mundano diz: “deus tem uma grande bênção para sua vida! Deus quer te fazer uma pessoa próspera! Deus quer que você seja rico, quer que você seja um nababo! Se você for próspero, é sinal que você tem fé e que está bem com deus! Jesus garante que você terá tudo o que sempre desejou, desde que você contribua aqui com uma simples semente! Você é gente boa, grande associado daqui da igreja!” Já o Evangelho de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo diz claramente “E disse-lhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza; porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui. E propôs-lhe uma parábola, dizendo: A herdade de um homem rico tinha produzido com abundância; E ele arrazoava consigo mesmo, dizendo: Que farei? Não tenho onde recolher os meus frutos. E disse: Farei isto: Derrubarei os meus celeiros, e edificarei outros maiores, e ali recolherei todas as minhas novidades e os meus bens; E direi a minha alma: Alma, tens em depósito muitos bens para muitos anos; descansa, come, bebe e folga. Mas Deus lhe disse: Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será? [...]Buscai antes o reino de Deus, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” (Lc 12.15-20,31) “Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?” (Mt 16.26)

Cada um é livre, diante das Leis do país, para ter a religião que quiser e a expressar fé naquilo que quiser. Porém, se a sua escolha, querido leitor, for a fé cristã bíblica, busque conhecer quem é o Deus da Bíblia e qual é a Palavra Eterna que esse Deus tem para sua vida. Cuidado com a confusão que foi criada por religiosos que não conhecem a Deus Bíblico nem a Sua Palavra, pois você pode estar depositando sua fé num deus pensando que é outro, crendo numa Bíblia pensando que é outra e terminando assim seus dias achando que vai para um lugar de descanso, quando o seu destino será outro.

Pense nisso! Deus está te dando visão de águia!