Pesquisar Argumentações No "Ad Argumentandum Tantum"

segunda-feira, 17 de julho de 2017

O DEUS QUE SE OCULTA PARA SE REVELAR E SE REVELA PARA SE OCULTAR


"De noite, em minha cama, busquei aquele a quem ama a minha alma; busquei-o, e não o achei. Levantar-me-ei, pois, e rodearei a cidade; pelas ruas e pelas praças buscarei aquele a quem ama a minha alma; busquei-o, e não o achei. Acharam-me os guardas, que rondavam pela cidade; eu lhes perguntei: Vistes aquele a quem ama a minha alma? Apartando-me eu um pouco deles, logo achei aquele a quem ama a minha alma; agarrei-me a ele, e não o larguei, até que o introduzi em casa de minha mãe, na câmara daquela que me gerou." (Ct 3.1-4)

"Verdadeiramente tu és o Deus que te ocultas, o Deus de Israel, o Salvador." (Is 45.15)

Deus que se esconde ("'El mistatter"), o Deus absconditus. Uma das coisas mais desconcertantes que algumas vezes acontece com alguém é quando Deus esconde Seu rosto e se torna ausente. O teólogo Karl Barth descreveu como até mesmo um pastor ou estudante das Escrituras, mesmo possuindo todo tipo de conhecimento, pode "perde o cheiro" da presença de Deus fazendo com que toda a atividade de estudar Deus fique vazia e infrutífera. O mais precioso que temos ou podemos perder é a presença do próprio Deus.

Reconheço que esse conceito de um Deus que se esconde não é nem um pouco comum para a Igreja atual. Fala-se muito acerca do Deus que se revela, do Deus que se deu a conhecer ao mundo e que vem falando com os homens desde priscas eras. Temos, com isso, o entendimento de que Deus que está sempre disponível, que Ele é facilmente alcançável, como se Ele estivesse sempre à nossa disposição. Nós falamos e Ele prontamente se manifesta! Porém, esse conceito está muito longe do que a Bíblia ensina sobre o nosso Deus. O fato é que Deus não é superficial, facinho!

A verdade é que Deus pode esconder Sua face. Isso pode à primeira vista parecer meio contraditório, afinal há muitas passagens bíblicas que mostram Deus falando e interagindo com o homem. Davi disse que o Senhor está perto de todos os que o invocam (Sl 145.18). Então como podemos entender um Deus que se esconde? De um Deus que é acessível e inacessível ao mesmo tempo? Se Deus nos ama, porque então Ele se esconde de nós? Porque Ele muitas vezes se silencia diante dos nossos dramas existenciais? Porque às vezes Ele é tão difícil de ser encontrado por nós?

Os homens podem procurar Deus e não encontrá-Lo; podem clamar e Ele não responder. No entanto, Ele não está ausente, apenas em silêncio. Assim, a primeira coisa que precisamos entender sobre um Deus que se esconde é que o fato Dele esconder-se de nós não significa que Ele não nos ame ou esteja indiferente para nossa situação. Muitas vezes, diante dos problemas da vida, ficamos perplexos e sem respostas; daí buscamos essas respostas (e o livramento) em Deus mas parece que Ele não está nem aí para a nossa situação! Veja o caso do patriarca Jó: de uma vida de paz e prosperidade para uma vida de ruína. Ele ficou cheio de úlceras malignas desde a planta do pé até ao alto da cabeça e passou a se raspar com um caco (Jó 2:7,8). Sua dor era muito grande! (Jó 2:13) Jó então queixa-se do se estado, abrindo espaço para seus amigos o refutarem. Isso prossegue durante a grande maioria do livro - os amigos acusando Jó, Jó se defendendo e questionando Deus sem obter resposta -, até que na parte final Deus revela-se a Jó e não responde suas perguntas. Deus que estava até então escondido, ao falar com Jó não disse a ele os porquês daquilo tudo em sua vida! Somente ao final Deus vem e restaura a sorte de Jó, mostrando amor e bondade com o seu servo. O resultado para a vida de Jó é que ele passou a conhecer a Deus de uma forma mais profunda do que antes.

A experiência de Jó é emblemática: Deus, com seu silêncio, tencionava levar a Jó numa experiência mais profunda, mais real com Ele. Até então, na bonança, qual era o conhecimento de Deus que Jó possuía? Que tipo de relacionamento havia entre Jó e Deus? Era um relacionamento de causa-efeito! Jó ouvira falar que Deus recompensa o justo e castiga o injusto. Daí baseou a sua vida nisso. Jó fazia o bem, aquilo que segundo ele Deus esperava que fosse feito, então Deus recompensava Jó com bênçãos e prosperidade! Porém, quando Deus permitiu que Satanás tocasse na vida de Jó, Jó ficou confuso! Ele ficou a um passo de perder a sua fé: "Eu fiz tudo certo, tudo o que Deus gosta! Porque estou recebendo o mal em minha vida?!?"  Para Jó, o sofrimento era algo inadmissível em sua vida, porque o conhecimento que ele tinha de Deus excluía essa possibilidade! Jó achava que sabia tudo de Deus, e terminou reconhecendo que não sabia nada!

A verdade é que assim como Jó tem muitos hoje. Acham que sabem tudo que se há de saber sobre Deus! Eles dizem que se a pessoa for boazinha e fizer tudo o que se espera dela, então Deus obrigatoriamente tem que abençoar a vida dessa pessoa! Essas pessoas vivem constantemente numa profunda crise de fé, porque constatam, perplexas, que as coisas não funcionam assim! Deus pode permitir o mal mesmo sobre os bonzinhos e fiéis! Pode permitir o sofrimento mesmo na vida dos justos! E, para complicar ainda mais as coisas, a vida dos injustos e infiéis muitas vezes vai "de vento em popa", num "céu de brigadeiro". Deus não apenas permite o mal na vida dos justos, mas permite o bem na vida dos injustos! Esse é o paradoxo de Asafe, encontrado no Salmo73, onde os ímpios prosperam no mundo e aumentam em riquezas, enquanto o justo é afligido diariamente e castigado cada manhã (Sl 73.12,13). Somente em Deus Asafe alcançou a solução para seu paradoxo. Deus nos prova e a Sua prova é muito difícil!

Na prova que Deus deu a Jó, Jó saiu-se bem. Ele mostrou a Satanás que não era interesseiro, materialista, egoísta. Que não buscava a Deus só para ter bênçãos. Ele ficou na pior, ficou na pindaíba, ficou doente, mas não amaldiçoou Deus (o conselho de sua mulher). Jó até amaldiçoou o seu nascimento, mas a Deus? Jamais! Ele amava a Deus e vivia o relacionamento com Deus na base que até então que ele compreendia. Mas Deus é um Deus que se oculta e se revela! Se oculta para então revelar-se e se revela para então ocultar-se!

Deus está se ocultando da Igreja evangélica atual. Deus está em silêncio. Hoje há muitas denominações no Brasil e no mundo, mas pouca gente buscando a Deus de verdade. Pouca gente interessada verdadeiramente em Deus, interessada no relacionamento com Ele. O interesse quase total do homem em Deus está naquilo que Deus pode dar, não na Pessoa de Deus. Quando muito, estão interessadas em escapar do inferno, mas não na vida eterna bíblica: "E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste." (Jo 17.3) Vida eterna é conhecer o Pai e o Filho! É ter um relacionamento sólido com Deus; relacionamento de fé e fidelidade! E esse relacionamento não é edificado numa base superficial, carnal e interesseira! Para que Deus possa se relacionar conosco, Ele precisa tocar em nós no fundo da nossa alma, lá na divisão da alma com espírito, naquilo que é "crítico" para nós, que muitas vezes não conhecemos, mas que impede o aprofundar desse relacionamento! Daí, vem a segunda verdade: esse relacionamento com Deus, ainda que envolva as nossas emoções, não se baseia nelas. Emoções são boas no relacionamento com Deus - até no culto a Deus - mas o emocionalismo não.

Infelizmente, há uma ação maligna em curso que visa reduzir a nossa fé sobrenatural em sinais exteriores, em “experiência”, em “arrepio”. Muitos crentes vão para o culto não para buscarem Deus, mas para sentirem alguma emoção, para experimentarem alguma coisa de Deus, para terem “sensações”. O problema disso é que emoções não são um caminho confiável no relacionamento com Deus. Emoções podem ser produzidas pelo contato do homem com Deus? Sim! Mas também podem ser produzidas por outros meios: um filme, um toque, uma técnica... Isso acaba trazendo confusão e engano! Por isso, Deus não quer que nossa relação com Ele dependa de sensações. Buscar a Deus para ter uma sensação não é buscar a Deus, e sim buscar conforto emocional. Ao se esconder, Deus fortalece a nossa fé. Aprendemos que sentir coisas não quer dizer necessariamente “presença de Deus”. Somos livres do engano do inimigo e da manipulação humana, e ao mesmo tempo passamos a valorizar mais a presença de Deus quando Ele se manifesta verdadeiramente!

Valorizar Deus e o relacionamento. Dar valor. Dar importância. Honrar. Considerar importante. Considerar caro e precioso. Jesus contou uma vez a parábola do tesouro escondido num campo. Ele disse que o reino de Deus "é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem achou e escondeu; e, pelo gozo dele, vai, vende tudo quanto tem, e compra aquele campo" (Mt 13.44). Considerando que o reino de Deus só é bom e desejável porque Deus é o soberano desse reino, então Deus podemos derivar que Deus deve ser semelhante a esse tesouro escondido, só que não por um homem, mas pelo próprio Deus! Deus se escondeu para que os homens pudessem achá-Lo e valorizar esse achado! Achar Deus é o verdadeiro achado!       

Se Deus se escondeu, então devemos procurá-Lo com todas as nossas forças! Essa é a nossa busca, a busca da nossa vida! Antes de qualquer coisa, antes de casamento, de bens materiais, de prosperidade! Deus disse a Israel por meio do profeta Jeremias: “E buscar-me-eis, e me achareis, quando me buscardes com todo o vosso coração.” (Jr 29.13) Note a condição para achar Deus: buscá-lo "de todo o coração"! Deus promete ser achado pelo Seu povo, quando o Seu povo buscá-Lo com integridade de propósito e sinceridade de vida; quando se aproximarem Dele com um coração verdadeiro, invocando-O  em verdade e procuram por Ele com ansiedade e desejo real de encontrá-Lo! Buscar ao Deus que se esconde é algo que vai além da salvação dos pecados. A bem da verdade, somos salvos do pecado para aplicarmos a nossa vida na busca ao Senhor e para servirmos só a Ele segundo Sua vontade para nossas vidas.

Quanto mais próximo do fim estamos, mais e mais Deus está chamando Seu povo para buscá-Lo de todo coração. Porque? Porque no tempo do fim o amor inevitavelmente irá esfriar e a fé inevitavelmente vai apagar (Lc 18.8; Mt 24.12). Muita gente vai perder a sua fé, vai esfriar no seu amor por Deus (e pelo próximo), pois a medida que o fim se aproxima, as pessoas tornar-se-ão mais e mais "amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela" (I Tm 3.1-5). Haverá cada vez mais uma pressão descomunal do inimigo, de Satanás, para fazer com que as pessoas se afastem de Deus, deixando de buscá-Lo em prol de cuidarem de suas próprias vidas: "comendo, bebendo, casando e dando-se em casamento" (Mt 24.37-39). Nosso Senhor acrescenta que somente serão salvos "aqueles que perseverarem até o fim" (Mt 24.13). Perseverar em quê mais, a não ser na busca ao Senhor? Nossa parte é responder a esse chamado do Senhor, como fez Davi: “Quando tu disseste: Buscai o meu rosto; o meu coração disse a ti: O teu rosto, SENHOR, buscarei.” (Sl 27.8) A face do Senhor deve ser buscada continuamente (Sl 105.4).

O que significa buscar ao Senhor de todo o coração?

1. Significa buscar ao Senhor com todas as faculdades do nosso ser. Um homem deve procurar Deus em Cristo Jesus com toda a sua natureza. Se o coração estiver dividido, a busca será em vão (Tg 1.8). Porque o nosso coração é, muitas vezes, dividido para com Deus, nós não o encontramos! Ele permanece no oculto!

2. Significa buscar ao Senhor com toda perseverança. Os crentes atuais não sabem e nem tocam em perseverança, pois começam as coisas e não terminam. Não tem força de vontade, não tem foco no alvo a ser alcançado. Perseverar é insistir, mesmo que a princípio ou que num dia ou época pareça não dar fruto. É buscar a Deus, continuar buscando e seguir nessa busca. Buscar sem cessar! Buscar por meio da oração, da meditação na Palavra!

3. Significa buscar ao Senhor com energia. Rompa com essa indiferença, com a passividade. Estamos ocupados com mil coisas, mas lentos sobre nossas almas! Deus não será encontrado por busca desprezível, descuidada e despreocupada. Sobre isso, ouçamos o que diz Moisés: "Ouve, Israel, o SENHOR nosso Deus é o único SENHOR. Amarás, pois, o SENHOR teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças." (Dt 6.4,5) Isso é mandamento de Deus! Isso é ordem, é cumpra-se! É "estou mandando que vocês façam assim!" (Mt 22.38-40). Ouve, Igreja, o Senhor Jesus nosso Deus é o único Senhor!

O que fazer quando encontrar o Senhor? Cantares nos dá uma pista: "agarrei-me a ele, e não o larguei, até que o introduzi em casa de minha mãe, na câmara daquela que me gerou" (Ct 3.4). A primeira verdade aqui é que quem emprega todo seu coração na busca pelo Senhor não vai larga-lo em hipótese alguma. Encontrar Jesus é a maior bênção da vida de alguém que o busca incessantemente e que O ama de todo o coração. Essa pessoa se agarra em Jesus e suplica-O insistentemente que jamais o deixe sozinho! Pode vir a cair? Sim, é claro! Porém essa pessoa rapidamente reconhecerá essa queda e voltar-se-á ao Senhor, o Amado de sua alma, arrependido da sua queda! Vai fazer isso porque para essa pessoa estar com o Senhor Jesus é o bem mais precioso de sua vida! Foi caro encontrá-Lo e ela não irá perdê-Lo custe o que custar! Tem que confessar publicamente para restaurar o relacionamento? É para agora! Tem que se humilhar? É já! Se é verdade que valorizamos muito pouco aquilo que é obtido muito barato, então o inverso também é verdadeiro!

A segunda verdade aqui é que quem encontra o Senhor leva-O até a sua casa. Jesus introduzido no lar é Jesus governando os mínimos detalhes da nossa vida. É submissão e obediência a Ele para tudo e em tudo, rompendo com o maligno costume da autossuficiência e independência. Se Ele é verdadeiramente Senhor, Ele tem todo o direito de determinar o meu curso de vida; por seu turno, eu tenho obrigação de obedecê-Lo. Ou isso é verdade, ou estou mentindo sobre minha fé e relacionamento com Cristo; nunca o aceitei de verdade em meu coração. Minha fé não passa de ilusão em minha vida. Agora, se Ele é meu Senhor eu vou obedecê-Lo custe o que custar e nas mínimas coisas que Ele me demandar. Para isso, Ele tem estar em tudo como Senhor - até e principalmente no lar! Participando da minha vida. Tendo comunhão comigo e eu com Ele. Sendo por mim honrado e respeitado.

Apesar de haver pouca gente buscando ao Senhor, do quadro de apostasia que estamos vivendo e de Deus estar oculto, isso não quer dizer que Deus nada está fazendo. Deus está oculto, não inerte. Deus está agindo de forma a cumprir Seu plano que foi estabelecido antes da fundação do mundo. Ele está permitindo um aumento das tensões sociais, políticas e econômicas no mundo inteiro. Deus está abalando todas as coisas. Deus vai destronar Mamom do coração dos crentes e levar muitas denominações a falência financeira a fim de reconquistar para Si o coração de Seu povo! Deus vai expor a mentira satânica da teologia da prosperidade! Vão é confiar nas riquezas! De nada aproveitam as riquezas no dia da ira (Pv 11.4), quem nelas confia cairá (Pv 11.28)! Do mesmo modo, hoje já não há mais nenhum lugar seguro na Terra, porque a segurança pública está sendo abalada por Deus, de forma que Seu povo volte a crer que Ele é a nossa segurança, o nosso Guarda que não Dorme nem Cochila (Sl 121.4-8)! Na política, Deus está abalando também, mostrando a podridão, a corrupção que há nos mais altos escalões de governo! Para a Igreja, o Senhor está dizendo "podre e inútil é a vara do poder político; Eu, o Senhor, Sou o poder do Meu povo"!

Escondido, mas agindo, Deus vai levando cada dia mais a Sua Igreja a buscá-Lo com toda intensidade, ansiedade e coração novamente! Se o povo de Deus precisa de angústia e aperto para voltar-se ao Seu Senhor, muito bem, assim será! Foi assim no passado com Israel e será assim com a Igreja. O povo de Deus é obstinado de coração; para quebrar isso, só com algo muito quente e muito forte! Foi preciso o cativeiro babilônico para Israel no passado reconhecer que o Senhor e será preciso que os exércitos do Anticristo se reunirão para destruir Israel, no vale do Armagedom para que Israel reconheça que Jesus é o Messias! A Igreja também precisa experimentar o seu quinhão de calor e força! E quando isso acontecer, Deus voltará a ser desejado e buscado por Seu povo, culminando na revelação do Deus até então escondido como o Anjo da Aliança (Ml 3.1), o qual se assentará (porque vai da trabalho, vai levar tempo) para purificar Sua Igreja, preparando-a para o fim! Vai doer no profundo da alma, vai ser terrível esse dia; mas será necessário a fim de espremer o carnegão de cada um dos Seus filhos!

O Deus de Israel às vezes é um Deus que se esconde, mas nunca um Deus que se ausenta. Às vezes no oculto, mas nunca à distância.

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

quinta-feira, 6 de julho de 2017

GEAZI E A LÁPIDE DO MINISTÉRIO CRISTÃO

"E ele disse a Geazi: Cinge os teus lombos, toma o meu bordão na tua mão, e vai; se encontrares alguém não o saúdes, e se alguém te saudar, não lhe respondas; e põe o meu bordão sobre o rosto do menino. E Geazi passou adiante deles, e pôs o bordão sobre o rosto do menino; porém não havia nele voz nem sentido; e voltou a encontrar-se com ele, e lhe trouxe aviso, dizendo: O menino não despertou." (II Rs 4.29,31)

Na Bíblia, Geazi é discípulo ("o moço") do profeta Eliseu, o qual sucedera Elias como profeta de Israel no Antigo Testamento. O nome Geazi significa "vale da visão" ou "vale de um visionário", possivelmente denotando a ambição interior desse jovem obreiro com relação a ter um futuro promissor no ministério profético. No entanto, apesar de ser discípulo de um dos maiores profetas de Israel, a história bíblica registra o fracasso ministerial de Geazi. Os fatos registrados falam por si.

Em duas ocasiões distintas vemos a atuação ministerial de Geazi. A primeira vez que seu nome é citado é no episódio da Sunamita (II Rs 4.12,13), a qual proveu especial acomodação em sua casa para Eliseu. Por ordem de seu mestre, Geazi chamou a Sunamita para que ela pudesse ser recompensada pelo profeta por sua liberal hospitalidade; porém, ela não desejava recompensas por seu bondoso gesto. Eliseu então consulta o seu servo, cuja rápida percepção lhe permitiu indicar a seu mestre o presente que satisfaria o grande coração dessa mulher: um filho. Porém, por permissão de Deus, esse filho vem a falecer. Com isso, Sunamita buscou o homem de Deus no Carmelo e, na intensidade de sua dor, agarrou os pés do profeta. Geazi então tenta retirá-la (II Rs 4.27) e é repreendido por Eliseu. Assim que soube do falecimento da criança, Eliseu manda Geazi levar seu bordão e por no rosto do menino a fim de o ressuscitar. Geazi faz como Eliseu mandou, mas nada acontece; o menino continua jazendo morto em sua cama.  Somente por meio de Eliseu é que o menino de Sunamita retorna a vida.

A bem da verdade, nesse primeiro episódio, vemos a prontidão em obedecer por parte de Geazi. Tudo que Eliseu mandou Geazi fazer, isso ele fez. Infelizmente, ele não pôde realizar o milagre que Eliseu havia comissionado ele a fazer. Deus simplesmente não "assinou em baixo" dessa ordem de Eliseu para Geazi; afinal, Deus o conhecia de uma maneira que não era possível Eliseu conhecer. Ainda que nesse primeiro episódio a sua atitude de obedecer prontamente está correta e é algo a ser seguido, o problema com Geazi que não é mencionado aqui está em seu interior, no seu coração. É importante entendermos que Deus conhece o que vai no nosso interior, nossas reais motivações por detrás das nossas ações. Foi isso que O Senhor deixou claro para o profeta Samuel, quando o mesmo foi ungir um rei na casa de Jessé, o Beelemita, em substituição ao rei Saul: "Não atentes para a sua aparência, nem para a grandeza da sua estatura, porque o tenho rejeitado; porque o SENHOR não vê como vê o homem, pois o homem vê o que está diante dos olhos, porém o SENHOR olha para o coração." (I Sm 16.7) Deus estava olhando para o coração de Geazi - e não estava aprovando o que via!

O que Deus estava vendo, afinal, de ruim no coração de Geazi? Que pecado oculto havia ali, escondido nas profundezas da alma desse rapaz? Por certo, havia algo ali, fermentando, crescendo silenciosamente, de forma imperceptível aos olhos humanos. Eliseu não viu. Ele não podia ver, mesmo que quisesse. O coração humano é cheio de segredos, cheio de conflitos, cheio de mazelas. Há pecados e pecados. Há pecados que envolvem áreas de inviabilizam a aprovação, no exercício ministerial, por parte de Deus. Por favor, entenda o que eu quero dizer com isso: todos nós, seres humanos, somos pecadores; todos pecamos. O apóstolo João diz que "se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós" (I Jo 1.8), logo segue-se que todo e qualquer ser humano, por mais santificado e usado por Deus que seja, comete pecado. Vale dizer que apesar de cometermos pecado, nós não vivemos na prática do pecado - ou seja, o pecado não é nosso estilo de vida como crentes em Cristo. 

No entanto, há alguns pecados que inviabilizam o exercício do ministério cristão. Pecados que são capazes de destruir um ministério, de inutilizar um ministro de Cristo. Esses pecados aos quais me refiro envolvem as áreas do sexo, poder e dinheiro. A cada ano cresce o número de pastores que naufragam no ministério por causa da falta de vigilância e negligência com essas áreas. É fácil entender o porquê. Basta ver quantas das divisões e rachas que há na igreja evangélica foram (e são) motivadas pelo desejo de ter poder isolado e independente ("ministério independente")! Quantas mulheres, potencializadas pelo espírito de Jezabel, estão dominando, pelo uso do sexo, sobre igrejas inteiras sob a tolerância de pastores "Acabes"! Por amor ao dinheiro, quantos não estão mercadejando com a Palavra de Deus, com os padrões da retidão e os princípios do Reino de Deus, "flexibilizando-os" em prol de um crescimento quantitativo de membros e receitas, sujeitando vidas até mesmo a heresias destruidoras, a doutrinas de demônios! Sim, em muitos lugares o "ensino especial" é fornecido diretamente pelo inferno! Quantos obreiros caíram nesses pecados, se ensoberbecendo, com egos inflados e inflamados, sendo vítimas da própria vaidade ministerial, que tem levado muitos ao desprestígio e queda, diante de Deus, da  igreja e dos homens (Pv 16.18)! Caso se arrependam, Deus os perdoará; porém a consequência fica: nunca mais exercerão o ministério como fora antes da queda! Não é à toa que Paulo, exortando a Timóteo, disse-lhe: "conserva-te a ti mesmo puro" (I Tm 5.22b)!

Esse espírito de Jezabel é altamente manipulador, usando de malícia e sedução para fazer com que as pessoas (e igrejas) fiquem sob sua influência e controle. Em Apocalipse 2:20, Jesus reprova a Igreja de Tiatira por causa da tolerância com esse espírito: "Mas tenho contra ti que toleras Jezabel, mulher que se diz profetisa, ensinar e enganar os meus servos, para que se prostituam e comam dos sacrifícios da idolatria." Em  alguns  manuscritos gregos antigos aparece  a  palavra  grega  “SOU”  que significa “TUA”, antes da palavra “mulher” ficando assim o texto na sua íntegra: “Mas tenho contra ti (pastor) que toleras Jezabel, (tua mulher) que se diz profetisa”. O espírito de Jezabel atua por meio de manipulação, intimidação e domínio, fazendo uso de diversas estratégias para alcançar seus objetivos; dentre elas, o sexo. Por exemplo, no lar, o espírito de Jezabel controla o leito conjugal. A mulher influenciada por esse espírito manipula sexualmente o marido, concedendo sexo somente se ele fizer o que ela deseja sob ameaça de suspensão da intimidade sexual. Muitas vezes o espírito de Jezabel opera para destruir o sacerdócio, a auto-imagem, a alegria e o ministério do marido. Mulheres de temperamento forte ("mandonas") via de regra procuram se casar com homens de temperamento mais tranquilo ("bananas"). Na Igreja, é ela e não ele quem dá a direção. As “Jezabéis” sempre se casam com homens palermas como Acabe. Porém, esse espírito não opera apenas em mulheres casadas: é possível ser seduzido por ele independentemente do status conjugal!

Um ponto muito importante aqui, que é pouco explorado na bibliografia especializada, é que uma das formas mais comuns de manipulação usadas pelo espírito de Jezabel NÃO É O SEXO, mas sim A PROFECIA. E é aí que "o bicho pega": é muito mais fácil discernir um ataque satânico na área sexual do que na área espiritual! É possível alguém operar nos dons do Espírito Santo e não ter o caráter de Cristo, sendo influenciado pelo maligno espírito de Jezabel? SIM, É POSSÍVEL. Pessoas, dentro da Igreja, envolvidas com as obras da carne - em especial com aquelas que se referem a "separatismos e rachas", isto é, disputas, porfias, invejas, dissensões, facções e rebeliões - para subjugarem o pastor da igreja e alcançarem o "controle" buscam aparentar uma "espiritualidade superior à do pastor". E isso independentemente do sexo da pessoa: se é mulher ou homem, pouco importa! E, para isso, nada melhor do que "cultos avivados que ocorrem somente quando pastor não está presente", geralmente repletos de "profecias individualizadas" e "grande mover sobrenatural"! Some-se a isso a estratégia de ser "bonzinho com todos" (nunca corrigir ninguém, enquanto o pastor da Igreja é o "senhor malvadeza", "duro", "insensível"), "bom mocismo" com palavras/conselhos/pregações agradáveis ao coração dos ouvintes e pronto: Aí está estabelecido uma PORTA DO INFERNO, por onde entrará o espírito de Jezabel a fim de lutar contra a Igreja!

Toda a disputa de carisma é uma disputa satânica. Isso é um princípio satânico: o ex-querubim da guarda, achando-se maior do que Deus por ser muito belo (perfeito em formosura), muito inteligente e muito carismático (perfeito em sabedoria), semeou uma rebelião no lugar mais inacreditável possível - no céu! Conseguiu com isso arrastar com sua cauda a terça parte dos anjos consigo, condenando a si mesmo e a seus seguidores a uma existência de exclusão total da vida de Deus! De anjos de luz tornaram-se trevas totais, sem nenhuma fagulha de luz neles! Virou DIABO, SATANÁS, BELZEBU. Vou repetir: POR ACHAR-SE acima do que realmente era, TORNOU-SE quem é hoje! É uma tristeza quando um servo de Deus ACHA-SE alguma coisa, cheio de vaidades, porque quando isso acontece ele se põe debaixo desse princípio satânico! 


Deus, portanto, como disse, conhecia o coração de Geazi. E o que havia nesse coração, que inutilizava esse moço para o ministério profético? Na segunda aparição bíblica acerca da atuação ministerial de Geazi isso nos é revelado. No texto de II Reis 5:1-27 temos o relato de que um dia, um grupo de soldados e carruagens sírios apareceu na porta da casa de Eliseu. O líder dos soldados, Naamã, capitão do exército da Síria, estava doente de lepra. Ele estava ali, carregado de presentes (dez talentos de prata, seis mil siclos de ouro e dez mudas de roupas), para que Eliseu orasse a Deus e ele fosse curado. Depois que o Senhor provou a fé do capitão, o qual banhou-se num dos rios mais barrentos de Israel que é o Jordão por ordem de Eliseu, ele foi curado. Grato por sua cura, Naamã retorna a Eliseu e oferece a ele seus presentes. Eliseu, no entanto, recusa qualquer presente de Naamã. Ele diz: "Vive o SENHOR, em cuja presença estou, que não a aceitarei. E instou com ele para que a aceitasse, mas ele recusou." (v.16) Naamã, junto com sua comitiva, é despedido por Eliseu em paz, sem dele nada receber.

No entanto, a história bíblica prossegue. Na sua continuidade, lemos sobre o que fez Geazi: "Então Geazi, servo de Eliseu, homem de Deus, disse: Eis que meu senhor poupou a este sírio Naamã, não recebendo da sua mão alguma coisa do que trazia; porém, vive o SENHOR que hei de correr atrás dele, e receber dele alguma coisa. E foi Geazi a alcançar Naamã; e Naamã, vendo que corria atrás dele, desceu do carro a encontrá-lo, e disse-lhe: Vai tudo bem? E ele disse: Tudo vai bem; meu senhor me mandou dizer: Eis que agora mesmo vieram a mim dois jovens dos filhos dos profetas da montanha de Efraim; dá-lhes, pois, um talento de prata e duas mudas de roupas. E disse Naamã: Sê servido tomar dois talentos. E instou com ele, e amarrou dois talentos de prata em dois sacos, com duas mudas de roupas; e pô-los sobre dois dos seus servos, os quais os levaram diante dele. E, chegando ele a certa altura, tomou-os das suas mãos, e os depositou na casa; e despediu aqueles homens, e foram-se." (vv. 20-24)
 
Geazi seguiu os soldados e mentiu para eles dizendo que Eliseu tinha mudado de idéia na recusa dos presentes do capitão sírio. O capitão deu a Gehazi um pouco de prata e algumas roupas. Gehazi voltou para a casa e escondeu os presentes. Geazi MENTIU para o capitão, pois Eliseu não havia mudado de opinião com relação aos presentes nem mandado ele dizer coisa alguma e não havia vindo a ele nenhum filho de profeta da montanha de Efraim (nem de lugar algum). E porque Geazi mentiu? Porque ele COBIÇOU os presentes do sírio! Ele não concordou com a atitude de Eliseu em despedir o sírio em paz sem dele nada receber; ele queria algo para si. Geazi fez justamente aquilo que o apóstolo Paulo, escrevendo a Timóteo, diz que era costume de homens corruptos de entendimento: fazer da piedade fonte de lucro: "Contendas de homens corruptos de entendimento, e privados da verdade, cuidando que a piedade seja causa de ganho; aparta-te dos tais. Mas é grande ganho a piedade com contentamento. Porque nada trouxemos para este mundo, e manifesto é que nada podemos levar dele. Tendo, porém, sustento, e com que nos cobrirmos, estejamos com isso contentes." (I Tm 6.5-8) A piedade JAMAIS PODE SER USADA COMO FONTE DE LUCRO! A fé NÃO FOI "uma vez por todas entregue aos santos" para servir como fonte de lucro financeiro pessoal!

Isso é obra e doutrina de Balaão, que aceitou grana para usar seu dom a fim de amaldiçoar Israel. Balaão não tinha qualquer respeito por Israel, não estava nem aí para quem Israel era e o que representava para Deus. Ele só estava interessado na grana que iria ganhar de Balaque, filho de Zipor, rei dos moabitas, prometida em troca de seus "serviços espirituais". Nosso Senhor falou claramente à Igreja de Pérgamo, que habitava onde estava o trono de Satanás, que tinha contra ela que alguns ali eram seguidores da doutrina de Balaão (Ap 2.14). Era isso que Deus havia visto no coração de Geazi, que havia impossibilitado esse rapaz de curar o filho da Sunamita; que impediria ele de vir a ser, um dia, o substituto de Eliseu no ministério profético! DEUS NÃO ACEITA MINISTRO CORRUPTO! O MINISTÉRIO DE DEUS É COISA SERÍSSIMA, DE ALTÍSSIMA GRAVIDADE!

Hoje, há muita gente vivendo, ensinando e seguindo a doutrina de Balaão dentro da Igreja! Muita gente usando o dom e o ministério para fins corruptos, para alcançarem posses e posições nesse mundo! Gente que não respeita Deus, que não honra a Cristo e nem o chamado para o santo ministério! Gente que vende a fé, que vende a cura, que vende o dom, que vende a mensagem; GENTE VENDIDA! MERCENÁRIOS! Gente que tiraria até o último centavo de Naamã e ainda faria campanha para ele continuar vindo e trazendo mais grana! Gente que quer poder para ter grana e com isso ter mais poder e mais grana ainda! Enfiados até a cabeça na lama podre da política, mendigando uma indicação política para cargo público! Não vêem o mal que estão causando a si mesmos, aos outros e a Igreja? Não percebem o desserviço que estão prestando à causa de Cristo? William Perkins, puritano inglês do séc. XVI, afirmou que a pregação é “o principal dever de um ministro”, porque “a pregação é o chamariz da alma, pelo qual a mente dos homens é abrandada e transportada de uma vida ímpia para a fé e o arrependimento evangélicos. Portanto, se inquirirem qual é, de todos os dons, o mais excelente, sem dúvida a honra recai sobre a pregação”. Pregação, não sórdido lucro financeiro! Não poder político! Não vender a primogenitura por um prato de lentilhas! Perkins, comentando sobre a vocação ministerial com base no chamado de Isaías (6:9), disse:

“Todos os verdadeiros ministros, especialmente aqueles comissionados para pregar tão importantes palavras na sua igreja, devem, antes de qualquer coisa, ser marcados por um grande senso de temor, pela consciência da magnitude da sua função – um senso de assombro e espanto, cheio de admiração pela glória e grandeza de Deus. Eles O representam e trazem a mensagem dele. Quanto mais temerosos e relutantes estiverem diante da contemplação da majestade de Deus e da fraqueza deles, mais provável é que sejam verdadeiramente chamados por Deus e designados para propósitos elevados na sua igreja. Qualquer um que ingresse nessa função sem temor, a si mesmo se oferece, mas é duvidoso que seja chamado por Deus como o profeta Isaías claramente foi... Sempre que Deus chama quaisquer de seus servos para qualquer grande obra, ele primeiro os conduz a este senso de temor e assombro”. Por isso: “Ele mesmo [o ministro] deve primeiramente ser inclinado à santidade se quer estimular inclinações santas em outros homens”.
(Fonte: http://www.ministeriofiel.com.br/artigos/detalhes/151/William_Perkins_e_a_pregacao_no_movimento_puritano. Acesso: 06/07/2017).


O que aconteceu com Geazi? O texto bíblico mostra o fim da carreira ministerial dele: "Então ele entrou, e pôs-se diante de seu senhor. E disse-lhe Eliseu: Donde vens, Geazi? E disse: Teu servo não foi nem a uma nem a outra parte. Porém ele lhe disse: Porventura não foi contigo o meu coração, quando aquele homem voltou do seu carro a encontrar-te? Era a ocasião para receberes prata, e para tomares roupas, olivais e vinhas, ovelhas e bois, servos e servas? Portanto a lepra de Naamã se pegará a ti e à tua descendência para sempre. Então saiu de diante dele leproso, branco como a neve." (vv. 25-27) Geazi tornou-se LEPROSO e trouxe LEPRA para sua descendência para sempre! LEPROSO ATÉ O ÚLTIMO DIA DE SUA VIDA, SEM NENHUMA CHANCE DE CURA! Não havia nada que Eliseu pudesse fazer por ele agora, exceto deixá-lo experimentar o castigo pelo que ele havia feito. Os planos de Geazi para si mesmo - e talvez para a sua família -  foram arruinados por sua ganância. Agora, ele e sua família sempre conheceriam o castigo de Deus pela ganância. O ministério, para Geazi, se tornou inalcançável; não havia nenhuma chance desse rapaz poder ser usado na obra do ministério! Era o fim das expectativas de Geazi em um dia suceder Eliseu no ministério profético! Um profeta do Senhor jamais poderia ou pode ser leproso!

Gostaria de destacar isso: GEAZI TORNOU-SE INÚTIL PARA O SANTO MINISTÉRIO, ALGO SEM REMÉDIO, SEM ARREPENDIMENTO, SEM CONSERTO. Ministros, atenção! Atenção! Há pecados que podem tornar um ministro para sempre inútil para o ministério! Os inutilizados podem até continuar aparentemente exercendo o ministério; podem continuar pregando, batizando, orando por enfermos, etc. Os homens podem aprová-lo, porém a reprovação DA PARTE DE DEUS está dada! Uma vez que a primogenitura foi vendida, nem com lágrimas você a recupera de novo (Hb 12.16,17)! Esaú bem que tentou, mas não conseguiu; foi cortado da herança dos filhos de Israel, perdendo a bênção de ser da genealogia do Messias! O que Geazi fez chama-se PROFANAÇÃO! Chama-se SACRILÉGIO! Deus não aceita desvirtuamento do Ministério; não trate o Ministério como algo sem importância - isso é também profanação ! Uzias acabou incorrendo no mesmíssimo castigo de lepra até a morte porque profanou o ministério no templo (II Cr 26.16-21) oferecendo incenso diante de Deus o que não era lícito que ele fizesse. Diz o texto que Uzias foi "excluído da casa do SENHOR". Judas é outro exemplo emblemático das consequências de incorrer no pecado tratar o ministério sem o devido peso que lhe é próprio, a fazer da piedade fonte de lucro. Judas queria lucrar estando ao lado de Jesus; queria ganhar grana pesada quando, na concepção dele, Jesus assumisse a função de rei de Israel como descendente de Davi. Judas não enxergava nada além dos ganhos exponenciais que poderia ter com aquilo tudo. Por isso, Judas entrou para a história como o único apóstolo de Cristo que perdeu-se para sempre! Apóstolo suicida! Maldito para sempre! Traidor de Jesus! E infelizmente tem muita gente traindo Jesus e o ministério por aí...

Geazi, Esaú, Saul, Uzias, Acabe, Judas, Demas e muitos outros... todos, de um jeito ou outro, profanaram seus ministérios e acabaram cortados, para sempre, dos mesmos. Todos foram rejeitados por Deus. Inutilizados para sempre, ministerialmente falando; alguns, até mesmo perdidos eternamente como Judas. Sexo, poder, dinheiro, fama, política..., no fim, tudo inútil. Tudo vão. Somente destruição, somente perda, somente fracasso. Vidas perdidas, esperanças frustradas, ministérios destruídos, ministros inutilizados, igrejas apóstatas. Heresias destruidoras. Engano. Decepção. Tristeza. Morte.

Deus há de cobrar cada vida salva que se perdeu pelo mau exercício do ministério cristão. Jesus pagou um alto preço por elas e não vai ficar passivo, nem fazer vista grossa, diante da pouca vergonha e da ausência de temor do Seu Santo Nome e Pessoa pelos ditos ministros. O juízo vem, quer para a Igreja quer para o mundo. E ambos serão terríveis!   

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!