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segunda-feira, 29 de março de 2010

A Geração do Amor Fingido

Em sua carta à Igreja de Corinto, o apóstolo Paulo escreve: Na pureza, na ciência, na longanimidade, na benignidade, no Espírito Santo, no amor não fingido (II Co 6.6).

A Igreja de Corinto foi, sem sombra de dúvida, a Igreja que mais deu trabalho ao apóstolo Paulo durante seu ministério. 

Neste versículo, ele demonstra a sua vocação ministerial e a sua chamada apostólica, revelando a sua integridade e espiritualidade alicerçadas nos princípios fundamentais da sua fé cristã, bem como nos princípios estabelecidos por Deus nas Sagradas Escrituras. Diante daqueles crentes de Corinto, o apóstolo Paulo faz a apologia de seu ministério, com base numa profunda certeza de sua retidão de caráter diante de Deus, refletida na tranqüilidade de sua consciência perante os homens. 

1) Ele revela sua pureza (do gr. agnotes, "simplicidade", "sinceridade","integridade") vivida por ele em santo temor a Deus. Isto significa integridade de vida, alo que muitos cristãos hodiernos não querem viver. 


2) O segundo aspecto é o conhecimento (do gr. gnosis) de Deus e da revelação da Sua soberana e perfeita vontade para as nossas vidas.


3) Longanimidade (do gr. makrothumia), que significa constância, permanência e resistência do apóstolo perante as tribulações e perseguições sofridas por ele. 


4) Benignidade (gr. chrestotes): generosidade e bondade do apóstolo.


5) Espírito Santo, que agia livremente na vida de Paulo, guiando-o, orientando-o, santificando-o, revetindo-o de poder, ensinando e frutificando o caráter perfeito de Cristo em sua vida, por meio do fruto do Espírito.


Estes aspectos da vida de Paulo não eram encontrados na vida dos crentes de Corinto e, infelizmente, não são também encontrados na vida da maioria dos crentes modernos. Porém, interessa aqui abordar mais enfaticamente a questão do amor fingido.


O amor é o aspecto mais importante do fruto do Espírito, devendo ser exercido por todos aqueles que experimentam o amor de Deus em Cristo e que o amam de fato. Porém, muitos compreendem o amor de Deus de forma distorcida, devido ao egoísmo e hipocrisia constantes no homem carnal. A manifestação do amor fingido dá-se, pelo menos, de quatro maneiras:


1) Na prática da disciplina cristã pela Igreja: Muitos costumam dizer: "Esta Igreja prega tanto o amor, e agora quer disciplinar, excluir o irmão fulano de tal...". Esta é uma afirmativa extremamente carnal, de uma mente cuja consciência já foi obscurecida pelo pecado, pelo ego e por um coração rebelde.  


Na concepção destes irmãos meninos, Igreja boa é aquela que só diz SIM e não conhece o NÃO, o que contraria as palavras de Jesus: Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna. (Mt 5.37). O pior é que as críticas não são geradas por amor ao irmão em questão; este tem pouca ou nenhuma importância. O maior objetivo é criticar, algumas vezes por insatisfação com a liderança da Igreja, outras pelo sentimento de culpa gerado pela prática continuada do pecado que, ao vir à tona, será passível da mesma disciplina. Amor fingido!


2) Nos votos e declarações: "Pastor, eu te amo...", "eu amo essa Igreja, eu amo esse irmão..." e assim os votos de amor se multiplicam no seio da Igreja. Porém, basta que o pastor faça algo que contrarie o capricho carnal do crente McDonalds - "amo muito tudo isso", não dando ao menino "chupeta ungida com Mucilon sabor maná espiritual" que os votos desaparecem quase instantaneamente. No lugar do amor declarado surge o rancor encoberto que, mais tarde, dará à luz a um sentimento de ódio consumado. Aqui, quem era bênção vira maldição; a Igreja e o pastor que tanto ajudaram no passado tornam-se opróbrio, anátemas. Nenhuma gratidão! Amor fingido!


3) Nas honrarias: Os crentes, em geral, fazem de tudo para serem honrados com cargos e posições na Igreja.  Para estes, assumir alguma posição na Igreja é o máximo, é um objetivo a ser perseguido e uma meta a ser alcançada.  Para isso, prometem mundos e fundos, jurando fidelidade e amor (à Igreja, ao pastor, ao ministério, a Deus, à Convenção, etc). Contudo, após algum tempo, tendo conseguido o tão almejado cargo,  tornam-se rapidamente frios e inertes, egoístas e soberbos, só pensando em sua própria justiça. O amor prometido em dedicação e fidelidade torna-se raiva, inconformidade com as normas da Igreja e, não raro, em abandono da Congregação.

4) No louvor: Nunca se cantou tanto, em verso e prosa, o amor "apaixonado" a Jesus. Declarações do tipo "quero me apaixonar", "apaixonado, apaixonado...", "Quero me apaixonar por Ti outra vez ", "Apaixonar-me por Ti Jesus", etc. proliferaram nas letras das músicas gospel. As lágrimas no rosto e os gritos de amor são a marca dos crentes "apaixonados" por Jesus durante as músicas. O problema é que a paixão termina tão rapidamente como surge; assim, o apaixonado deixa de sê-lo após o término do culto. O que aconteceu? Nunca foi desenvolvido o amor - sólido e compromissado - pelo Senhor. Desenvolver amor por alguém exige comunhão, contato contínuo, o que envolve tempo investido no relacionamento.


Na verdade, aquele que mais cobra amor, pouco ama. Se estes tivessem o amor de Deus em suas vidas, não seriam levianos, soberbos; não buscariam seus próprios interesses e não suspeitariam mal. Antes, tudo creriam, tudo esperariam e tudo suportariam (I Co 13.4-7). Na verdade, o que está geração almeja é um amor fingido, uma Igreja mundanizada de portas largas, de filhos rebeldes e auto-suficientes, de líderes frouxos e de vista grossa e de um amor mentiroso e falso, camuflado pela hipocrisia religiosa. Igrejas assim ficam cheias de pessoas interiormente vazias.


Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!