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sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Anatomia da Apostasia


Em 2 Pe 2:20-22, lemos sobre a grave e real possibilidade e conseqüências da apostasia. É interessante notar que esta passagem foi inspirada pelo Espírito Santo a Pedro. Se alguém sabia "em primeira mão" a realidade e os perigos da apostasia, esse alguém era Pedro!


O processo de retrocesso é gradual. Com exceção de uns poucos casos, a apostasia da maioria das pessoas é algo que se dá paulatinamente, que acontece dia-a-dia, passo-a-passo. Vamos examinar cuidadosamente o processo que conduziu à negação de Pedro à Cristo, de forma que possamos perceber a partir das próprias palavras de Pedro, como evitar que o mesmo aconteça conosco!


I. O ORGULHO (Mc 14.27-31)


De uma forma prepotente, Pedro afirma que ele não vai abandonar ou negar a Cristo! Porém, ao fazê-lo, Pedro dá o primeiro passo num retrocesso: o "orgulho" (Pv 16.18). Talvez o leitor pergunte: Por que é este o "primeiro passo" para apostasia? A resposta é simples: Porque o primeiro passo para entrar no reino de Deus é a humildade (Mt 18:3-4). Logo, se nós perdemos a "humildade", tomamos o primeiro passo para trás. Observe o oportuno conselho de Paulo aos Coríntios (1 Co 10.11).


II. A PREGUIÇA (Mc 14:32-42)


Ao invés de se manter vigilante, Pedro adormeceu. A falta de preparação diligente acabou ocasionando-lhe o ser pego de surpresa por aquilo que viria a seguir. A mesma coisa pode acontecer a nós! Sem vigilância, nós também podemos ser encontrados despreparados (Lc 21:34-36). Quando estamos orgulhosos de nós mesmos, tornamo-nos preguiçosos, o que conduz facilmente para a próxima etapa.


III. A COVARDIA (Mc 14:54)


Observe que está escrito: "... Pedro o seguiu de longe". Agora que Jesus tinha se tornado impopular, "persona non grata", Pedro colocou-se longe o suficiente para não ser identificado com o Senhor. Pedro não estava preparado para o desafio de enfrentar o ridículo e a perseguição. Sem uma preparação diligente, nós também podemos nos tornar covardes! Quantos não têm vergonha de serem vistos carregando uma Bíblia? Vergonha de ser visto dando graças? Vergonha de ser visto com outros cristãos? Talvez até com vergonha de deixar que os outros saibam que somos Cristãos! No entanto, Jesus deixou bem claro o que Ele pensa da "covardia" (Mc 8:38; Ap 21:8). Quando temos vergonha de Cristo, é natural que a caiamos no próximo passo do retrocesso.


IV. O MUNDANISMO (Mc 14:54)


Nós agora encontramos Pedro sentado com os servos do Sumo Sacerdote, aquecendo-se pelo fogo. Devido a vergonha de ser visto com Cristo, torna-se fácil conviver com aqueles que são do mundo e desfrutar de seus confortos. Porém, não se pode ser "confortado pelo fogo" do mundo, e não ser "queimado"; o contato próximo com o que pode prejudicar tem seus efeitos! (Pv 6.27-29) Assim, não é possível flertar "com o mundo" e ir embora intacto! (1Co 15:33) No momento em que nos tornamos "amigos" do mundo ", resta apenas um curto período de tempo antes de darmos o passo seguinte e final do retrocesso.


V. A RECUSA (Mc 14:66-71)


Longe de Cristo, desfrutando do conforto do mundo, Pedro acaba negando seu Senhor e Salvador! Ao fazê-lo, ele se colocou em perigo (Mt 10:32-33).


Embora talvez nunca neguemos realmente a Jesus em "palavras", podemos facilmente regredir ao ponto de negar-Lo em "ações". Por exemplo, somos chamados a irmos à Casa do Senhor, porém ao invés de nos alegrarmos (Sl 122.1) criamos as mais inúmeras desculpas para não fazê-lo. Somos chamados a servi-Lo, porém prestamos pouco ou nenhum serviço ao Reino de Deus; estamos mais interessados em cargos e títulos de Igreja. Somos chamados para estar ao seu lado e sofrer por Seu nome, porém ficamos de longe, na segurança do conforto do mundo.


Quando negamos o Senhor, nosso retrocesso é completo. A menos que nos arrependamos, a única coisa que resta é um dia estarmos frente-a-frente com o Senhor, debaixo de juízo eterno. Pedro compreendeu plenamente o seu pecado, quando o Senhor se virou e olhou-o lá no pátio (Lc 22:60-62). Imagine a sensação do coração de Pedro como os olhos de Sua Salvador perfurando sua alma! Como Judas, Pedro chorou amargamente o seu pecado. Porém, ao contrário de Judas, Pedro tinha "a tristeza segundo Deus", que resulta em verdadeiro arrependimento (2 Coríntios 7:10-11). E anos mais tarde, encontramos Pedro escrevendo-nos mais que palavras, a fim de que não cometamos o mesmo erro que ele. 



Não permita que o "orgulho" (quer seja ele acadêmico, religioso, por beleza ou formosura, etc)tome conta de sua alma, revista-se de humildade (1Pe 5:5-6). Lembre-se que "Deus resiste aos soberbos, mas dá graça aos humildes". Deixe a preguiça, antes que ela enfraqueça por definitivo sua capacidade de tomar decisões, de reagir: por muita preguiça se enfraquece o teto, e pela frouxidão das mãos a casa goteja (Ec 10.18).


Não seja covarde, achando que é melhor se esconder de tudo e de todos, mas glorifique ao Senhor nas suas provações, nas suas tribulações, nas suas angústias (1Pe 4:16) - tenha fé: o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã (Sl 30.5)! O Senhor está perto de você, perto quando você O busca! Você é de Cristo e o maligno não pode lhe tocar! Aleluia!


Deixe o mundanismo de lado. Você não pertence mais a este mundo; você foi comprado pelo precioso Sangue de Jesus. Você é nova criatura, as coisas velhas já passaram e tudo se fez novo na sua vida! Lembre-se que somos "peregrinos e forasteiros", destinados a um lugar melhor do que as coisas deste mundo têm para oferecer! Pedro nos manda "abster-nos"(1Pe 2:11-12).



Porque você saiu da Igreja?

Que mal que Deus te fez?

Largando tudo, indo embora

Pro mundo outra vez

Se foi alguma coisa que te entristeceu

Isso não é motivo pra largar o filho de Deus

Volta pra mim, sou eu o melhor amigo

Volta pra mim, eu quero você comigo

Pois eu te amo, te amo sim

Te dou alegria, volta pra mim

Porque você está triste agora

Se o mundo escolheu

Prazeres, sonhos, fantasias

Você se envolveu

Te digo que o mundo não é seu lugar

Volte correndo, volte

Eu quero te abraçar.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A Guerra Carioca e os Evangélicos - 1




"A queda de um helicóptero no Morro dos Macacos, em Vila Isabel, e a onda de terror promovida pelo tráfico na Zona Norte ganharam destaque em diversos sites de jornais internacionais. Com o título “Helicóptero da polícia derrubado na cidade olímpica do Rio de Janeiro”, o jornal The Times, de Londres, publicou uma matéria extensa sobre o tema, com 12 imagens do confronto e um parágrafo de abertura que destaca o fato de o episódio de violência ter acontecido apenas duas semanas depois da escolha do Rio como sede dos Jogos de 2016." ("Violência repercute no mundo", O Globo, 19/10/2009)

A edição de 23/05/2009 da Revista Época, apresenta-se uma série de matérias com previsões para o Brasil em 2020. O crescimento evangélico é abordado em uma das matérias. Baseado em dados estatísticos do SEPAL, estima-se que 50% da população brasileira poderá ser evangélica. Uma das hipóteses para o crescimento dos evangélicos, segundo a matéria, é a flexibilização e adaptação à sociedade. (http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/1,,EMI74084-15228,00.html)

No "jargão" pseudo-doutrinário evangélico brasileiro, talvez devêssemos dizer "Óh! Glória" pelo crescimento deste grupo. Afinal, com o aumento do número dos "servos do senhor" (note a minúscula), o diabo estaria mais impotente, mais "amarrado", já que haveria mais "ungidos" policiando o inferno, mais "soldados" lutando a "guerra espiritual". O mapeamento do território seria muito mais efetivo, porque há mais "vigias" tomando conta de cada passo do capeta. Num menor movimento do maligno, rapidamente deslocar-se-íam os "Gideões" com toda a sorte de "armamento", jogando "bolas de fogo espirituais" (nos moldes do desenho "Pirata do Espaço", 1983, TV Manchete) para vaporizar os guerreiros do mal. Constantine que se cuide: qualquer dia, os centes usarão sua "Holy Shotgun" (A Espingarda Santificada).

Enquanto isso, no mundo real, diferentemente do imaginário evangélico e político brasileiro, nos deparamos com uma enorme escalada da violência, ao ponto de ser abatido, em pleno ar, um helicóptero da polícia carioca. A insegurança é crescente; não há um carioca sequer que não fique ressabiado ao sair à rua para fazer uma simples compra no mercado. Não há uma única família que não tema todos os dias pelo seu pai, porque não sabe se ele voltará para casa do trabalho em pé ou deitado. A desconfiança e o medo grassam a vida daqueles que, sem alternativas, precisam se expor à uma sociedade violenta, sem governo, sem lei, sem garantias de coisa alguma.

A pergunta que surge quase espontaneamente é: o que estamos fazendo para alterar essa realidade? O que a Igreja tem realmente feito de forma a modificar o cenário de caos social em que se encontra mergulhado o povo carioca? Canais de TV são disputados quase "à tapa" por 3 mega-corporações evangélicas (Igrejas???), uma alfinetando a outra; cada uma delas diz que "tem a solução, que é a melhor, que Deus está nela", com líderes para todos os gostos, desde "comedores de angu pseudo-humildes", passando por "feiticeiros evangélicos pseudo-poderosos" até "psicólogos politiqueiros pseudo-cientistas". Porém o único deus que vejo em todas elas é Mamom, o deus das riquezas; a única "virtude", é a prepotência e o único poder, é o da língua inflamada pelo inferno. Deus? Jesus? Espírito Santo? Bíblia? Onde???? Aliás, não apenas nestas corporações; mas em muitas e muitas outras, menos midiatizadas. Se isoladas são assim, imagine as Convenções...

Como o poder transformador do evangelho de Cristo mudará a nossa sociedade exterior, se não permitirmos que ele mude primeiro a sociedade interior, a Igreja? Como falar de um Deus que amou o mundo de tal maneira, quando de tal maneira seus "porta-vozes" se esbofeteiam verbalmente em troca de fiéis? Como amarrar Satanás, se somos incapazes de conter a síndrome luciferiana a que somos acometidos? "O Filho do Homem veio para servir" aos nossos caprichos? À nossa sede de poder? Como "garoto propaganda" para exploração comercial e marqueteira da fé? Todos os dias, dezenas de pessoas morrem, vítimas da violência; mães choram por seus filhos, filhos por seus pais. Clamam Violência! Porém não são ouvidos. Gritam: Socorro! Porém não há justiça (Jó 19.7). Não há quem faça o bem, não, nem sequer um! (Sl 53.3)

O que fazer? O Profeta Jeremias nos dá a resposta: "Ponha a sua boca no pó; talvez ainda haja esperança" (Lm 3.29). Ou seja, ARREPENDA-SE! Esse é um clamor destinado a você, evangélico, quer se chame por pastor, bispo, apóstolo, profeta, diácono, irmão ou o que quer que seja. É você quem Deus espera que se arrependa dos seus pecados. É você, que vive indiferentemente à tudo o que acontece, que está seguro e quente em sua casa, confortável em sua Igreja. É você, que atropela a Bíblia para justificar seu mundanismo, sua vida de pecado, que "ama o mundo e o que há no mundo" (I Jo 2.15). É você, que em sua vaidade acaba alimentando esse sistema diabólico. É você, que tendo comichão nos ouvidos, amontoa para si mestres conforme as suas próprias concupiscências (II Tm 4.3). É você que, ao expor toda sensualidade pecaminosa na mídia, tem ainda coragem de dizer que "será arrebatado(a)". Sim, é você que busca o "evangelho fácil", "indolor", "moderno", evangelho sem cruz! A terra está doente por sua causa! Leia a Bíblia e, com toda sinceridade, diga-me se é correto o que tens feito!

"Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e orar, e buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então eu ouvirei dos céus, e perdoarei os seus pecados, e sararei a sua terra." (II Cr 7.14)


terça-feira, 13 de outubro de 2009

Poder e Palavra: A Necessidade de Equilíbrio.


E foram dadas à mulher duas asas de grande águia, para que voasse para o deserto, ao seu lugar, onde é sustentada por um tempo, e tempos, e metade de um tempo, fora da vista da serpente. (Apocalipse 12:14)

A Palavra de Deus e Seu poder andam juntos. Quando Deus manifesta Seu poder, usa a Palavra; quando enuncia a Palavra, junto a ela segue o Seu poder. Os dois não podem ser dissociados. Tal verdade é vista desde o princípio da criação: segundo o texto bíblico a terra era sem forma e vazia e o Espírito de Deus pairava sobre a face das águas. Então disse Deus (a Palavra) haja luz; e o poder entrou em ação. Resultado: houve luz (Gn 1.2,3). Deste modo, Palavra e Poder seguirão juntas em todos os eventos que sucederão, não somente em Gênesis, mas em todos os demais livros da Bíblia. Vemos o registro "e disse Deus" (e suas variantes) ligado sempre a um acontecimento sobrenatural. Poder e Palavra tomarão forma corpórea, quando o Verbo se faz carne a partir do nascimento virginal.

No texto de Apocalipse 12:14, vemos uma mulher a quem são dadas 2 asas. Estas servem para levá-la para longe da serpente, a qual procura devorá-la a todo custo. Teólogos, ao longo dos séculos, teorizaram sobre quem está sendo representado pela mulher. Seria a nação de Israel? A Igreja? A Igreja Gentílica? A Igreja Israelita? Maria? Eva? os Estados Unidos da América? o espírito de fidelidade da comunidade messiânica? As mais prováveis teorias afirmam que a mulher representa a Igreja ou que a mulher representa Israel. Segundo o "Matthew Henry Complete Commentary on the Whole Bible" a mulher representa a Igreja.

De qualquer modo, observe que a mulher só consegue fugir da serpente porque recebe duas asas. A sua fuga com certeza envolve rapidez (algumas águias alcançam mais de 100 km/h), estabilidade (leia-se equilíbrio) e altura em relação ao solo. Aliás, particulamente o equilíbrio em questão é um assunto específico da ciência chamada mecânica dos fluidos: é possível calcular com precisão a envergadura das asas, de forma que haja sustentação e equilíbrio durante o vôo.

Não fossem as asas, provavelmente a mulher teria sucumbido à fúria destruidora da serpente.

Dado as características proporcionadas pelas asas à mulher, espiritualmente elas representam a Palavra de Deus e o Seu Poder, os dois elementos espirituais dotados à Igreja pelo Senhor desde seu surgimento, registrado no livro de Atos. A Igreja é equilibrada espiritualmente pela Palavra de Deus e pelo Poder espiritual. A Palavra gera poder e o poder é mantido pela Palavra. "Pentecostalmente falando", o histórico Avivamento da Rua Azusa (1906, em Los Angeles) foi precedido pela formação de núcleos de estudo bíblico.

Infelizmente, a Igreja hodierna perdeu-se quanto a estes dois elementos espirituais. Há grupos que enfatizam o poder, mas sem a Palavra a Igreja acaba perdendo o equilíbrio: surgem manipulações, falso uso dos dons espirituais, "profetizas discípulas de Jezabel" (Ap 2.20), "cair no espírito", "dente de ouro", "paletó ungido", "suor apostólico", "sovaco ungido", "unções", ênfase demasiada em alegorias, ênfase em testemunhos pessoais, entrevista com demônios, etc. Perde-se completamente a identidade cristã! Perde-se o foco em Cristo! A salvação é mero detalhe, pouco ou nunca mencionado! O que interessa é "receber poder". O que importa é a demonstração de poder! Quebrantamento, zero; arrependimento, zero; transformação de caráter; menor que zero!

Manda-se e desmanda-se na vida das pessoas; afinal, como afirmam, "Deus revelou à irmã" (só não disse se usou filme da Kodak ou da Fuji). Conhecimento bíblico, aqui, é na melhor das hipóteses classificado como "coisa de homem". Seminário só serve para "tornar o crente frio e carnal"! "Meu Seminário", como muitos afirmam, "é a joelhologia"! Isso produz uma geração de pessoas de mente passiva, incapazes de viver plenamente, incapazes de pensar por si próprio. Gente doente d´alma, que vive sob a expectativa da próxima "revelação", gente que vive fora da Graça de Deus, debaixo do jugo pesado do diabo (sim, porque o de Jesus é leve - Mt 11.30).

Por outro lado, ainda há aqueles grupos de irmãos que enfatizam somente a Palavra. Aqui, poder é coisa do passado, coisa de fanático, coisa "daqueles dias". A Bíblia é interpretada à luz das modernas correntes filosóficas e teológicas, pouco importando se estas consideram a regra máxima da interpretação bíblica: "A Bíblia é o intérprete da própria Bíblia". O crente aqui é frio e calculista, somente concordando com as Escrituras se elas forem aprovadas por sua razão pessoal. O diabo, aqui, é quando muito personagem mitológico; possessão demoníaca é esquizofrenia; poder espiritual é posição em sínodos, concílios e convenções - é poder político e financeiro. Essa distorção acaba gerando um povo sem firmeza, que "harmoniza" o secularismo e o mundanismo com a fé cristã, que faz paz com o mundo.

Urge que a Igreja cristã do presente século equilibre-se com as duas asas, busque equilíbrio que vem da Palavra e do Poder. Asas do mesmo tamanho. Sem ênfases numa asa ou noutra. Vivamos o poder de Deus de acordo com a Sua Palavra e ministremos a Palavra com Poder (I Co 2.4). Só assim poderemos escapar da serpente e de sua destruição (Jo 10.10); só assim a Igreja será a Cia. de João Batista, será a voz que clama no deserto e que prepara profeticamente os ouvintes para a vinda do Senhor Jesus!

Pense nisso e fique na paz!

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Sola Scriptura? Tempos de Oséias...


Sola Scriptura é uma frase em latim, cujo significado é "somente a Escritura". É um dos cinco pontos fundamentais do pensamento da Reforma Protestante, conhecidos como "Cinco solas":



  • Sola fide (somente a fé);

  • Sola scriptura (somente a Escritura);

  • Solus Christus (somente Cristo);

  • Sola gratia (somente a graça);

  • Soli Deo gloria (glória somente a Deus).

Hoje, contudo, os evangélicos em geral desenvolveram uma fé que independe da Bíblia, uma fé que tem como base os princípios espúrios de crenças antibíblicas, tais como a manipulação em troca de favores pessoais. Tanto líderes quanto liderados manipulam uns aos outros; insatisfeitos, pretendem manipular o sobrenatural.


Líderes religiosos, hábeis na arte da retórica, manipulam a fé e as emoções dos crentes, de forma a obterem vantagens pessoais, que vão desde a arrecadação de vultosas quantias de dinheiro até o endeusamento do líder. Na fogueira das vaidades, atribuem-se a si mesmos títulos eclesiásticos - hoje o mais popular é o "apóstolo", amanhã talvez tenhamos também um "descendente de Pedro", quem sabe? Marqueteiros de primeira, aplicam os textos bíblicos fora de contexto, de forma tendenciosa, com o claro objetivo de defender seu quinhão. Ah sim, é preciso sacrificar: não se esqueça de deixar o seu sacrifício de fé no gazofilácio ao sair, por favor...


No ensino destes mestres (do inferno), o Senhor Deus está amarrado (e não o diabo), porque apesar de toda onisciência, onipresença e onipotência foi pego em Sua própria Palavra; o nome de Jesus é que garante que o Pai está amarrado mesmo, porque basta pronunciá-lo que todos os caprichos serão automaticamente atendidos. E quanto ao Espírito Santo, bem, este foi esquecido; na melhor das hipóteses, serve de jargão. Da última vez que o viram, estava do lado de fora de uma Igreja, batendo insistentemente numa porta feita de pedra...


Resultado lógico e previsível: Uma fé tetraplégica, incapaz de qualquer coisa por menor que ela seja, mesmo salvar o pecador. O nome de Deus é blasfemado continuamente (Rm 2.24). Sinais? Só do grupo de libras. Prodígio? Só o menino companheiro do Batman. Maravilhas? Todas que o dinheiro pode pagar. Aparição de anjos? Nem no desenho das crianças! O Livro de Atos nunca foi tão histórico (na decepção da palavra) como nos nossos dias...(sic)


E os crentes? Bem, estes gostam da manipulação; caso contrário já teriam fugido dessa Babilônia há muito tempo (Ap 18.4). Gostam de ser manipulados como gostam de manipular; muitas vezes, com as mesmas armas: dinheiro e tráfico de influências. Afinal, o que interessa é o aqui e agora, é satisfazer (e imediatamente, é exigido!) as necessidades, desejos e manias. Afinal, determinar está na moda e exigir direitos está no ranking das "dez mais" do ensino moderno. Em troca de favores (ops, favor nada! dever mesmo!) Deus é "servido" (o que envolve ir aos cultos e deixar o seu cheque no envelope; participar das campanhas, deixando o seu no envelope; ser fiel nos dízimos e ofertas, deixando o seu no envelope; etc).


Para este seleto grupo, a Igreja é local de massagem - não do corpo, mas do ego. Afinal, "sou do high society" e, como diz o bordão, "tô pagannnndo...". Pregação sobre esse negócio de pecado, de céu e inferno, de caráter, de fruto do Espírito... isso não tá com nada! Aliás, nem pregação ou sermão se chama mais assim; agora é "mensagem franca e positiva", "ilustração", etc. Interessa ouvir sobre como Deus é meu servo, sobre como manipulá-lo, sobre textos que "comprovam" a possibilidade de manipulá-lo. "Deus quer que você seja empresário, tenha uma mansão e um carrão", dizem os líderes modernos. "Sai coisa velha, entra coisa nova" é a oração poderosa!


Quem tem ouvidos para ouvir, dá para escutar o que é dito por meio de Oséias, o profeta:


OUVI a palavra do SENHOR, vós filhos de Israel, porque o SENHOR tem uma contenda com os habitantes da terra; porque na terra não há verdade, nem benignidade, nem conhecimento de Deus. Só permanecem o perjurar, o mentir, o matar, o furtar e o adulterar; fazem violência, um ato sanguinário segue imediatamente a outro. Por isso a terra se lamentará, e qualquer que morar nela desfalecerá, com os animais do campo e com as aves do céu; e até os peixes do mar serão tirados. Todavia ninguém contenda, ninguém repreenda, porque o teu povo é como os que contendem com o sacerdote. Por isso tropeçarás de dia, e o profeta contigo tropeçará de noite; e destruirei a tua mãe. O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento; porque tu rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim; e, visto que te esqueceste da lei do teu Deus, também eu me esquecerei de teus filhos. Como eles se multiplicaram, assim pecaram contra mim; eu mudarei a sua honra em vergonha. Comem da oferta pelo pecado do meu povo, e pela transgressão dele têm desejo ardente. Por isso, como é o povo, assim será o sacerdote; e castigá-lo-ei segundo os seus caminhos, e dar-lhe-ei a recompensa das suas obras. Comerão, mas não se fartarão; entregar-se-ão à luxúria, mas não se multiplicarão; porque deixaram de atentar ao SENHOR.