segunda-feira, 29 de abril de 2013

DETURPANDO A PALAVRA DE DEUS: A VERSÃO FREE STYLE


"Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro; e, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas neste livro." (Ap 22.18,19)

Uma das estratégias modernas por parte do diabo no afã de destruir a credibilidade da fé cristã é a adulteração do texto bíblico. Para ser mais preciso, esta estratégia não é tão nova: já nos tempos bíblicos do Novo Testamento, circularam diversos textos espúrios, elaborados pelos adeptos do gnosticismo, contendo supostas "versões" e/ou "paráfrases" dos textos inspirados e genuínos. Assim, surgiu por exemplo o "Evangelho da Infância", o "Evangelho dos Ebionitas", o "Apocalipse Gnóstico de Pedro" e muitos outros. São conhecidos como apócrifos, espúrios, falsos.

Essas adulterações da Palavra de Deus, gravíssimas pois modificam radicalmente o sentido do texto bíblico inspirado, vem se multiplicando cada vez mais. Sou da opinião que ainda veremos muitas e muitas adulterações tão malignas o piores até do que as disponíveis atualmente, a medida que o fim se aproxima. Talvez chegue o dia em que a posse e uso de uma Bíblia séria e honesta (ACF, ARA, ARC, e umas poucas outras) seja até considerado crime contra o Estado. É possível que a Bíblia verdadeira venha a constar de uma espécie de Index Librorum Prohibitorum da modernidade, elaborado pelas "autoridades religiosas e políticas", a fim de conter o avanço do Reino de Deus. Quem quiser, que se contente com uma falsificação grosseira, repleta de termos chulos e expurgada de toda a verdade, a fim de corroborar com os pecados da humanidade.  Quem sabe até o falso profeta crie uma "versão especial" da "bíblia", sendo a mesma tornada "única e oficial" pelo anticristo... tudo que há hoje leva a crer há grande chance disso acontecer!

Tendo tomado conhecimento da existência de uma suposta versão livre da Bíblia, denominada pelo seu autor[1] de Bíblia Free Style, divulgada na internet[2],  por meio de uma lista de e-mails que faço parte (yahoo), solicitei a permissão do autor do conteúdo da exposição que ora passo a apresentar acerca do tema em tela, para reproduzi-lo aqui no Ad Argumentandum Tantum, por concordar com o mesmo e por considerar tal conteúdo importantíssimo para a fé cristã, como pastor evangélico. 

Antes de tudo necessário se faz um esclarecimento. Doravante iremos nos referir a “Bíblia Free Style” como “Versão Free Style”, pois não a consideramos uma Bíblia; na verdade ela não é nem tradução, nem versão, nem paráfrase. Portanto se todas essas designações são impróprias a ela, obviamente ela é muito mais indigna de ser chamada de Bíblia.


I. A PALAVRA DE DEUS É VIVA

"Porque a palavra de Deus é viva e eficaz...” (Hb 4.12). Sendo viva ela é eficaz, portanto não necessita de artefatos da sabedoria humana, nem depende de técnicas linguísticas, para se tornar compreensível.

Se o objetivo pretendido pelo autor da “Versão Free Style” é tornar a Bíblia compreensível pelo uso de vocábulos populares, deve ser dito, em claro e bom som, ser impossível o entendimento das Escrituras desassociado da iluminação do Espírito Santo, ainda que se usem vocábulos passivos[3]e vocábulos ativos[4], ou linguagem popular, porque a eficácia da Palavra está nela mesma, e não nas suas traduções.

Quando o Espírito Santo ilumina os olhos do entendimento[5] a Palavra é revelada tanto para o leitor de alto nível intelectual quanto para o mais humilde. Se dessa forma não fosse, seria impossível a conversão de um analfabeto. Cremos que a Palavra de Deus é eficaz para revelar-se ao indouto, ao iletrado e ao analfabeto, e isto comprova a inutilidade dessas versões. Portanto o argumento que se usa para justificar a existência da “Versão Free Style”, como de outras traduções de linguagem popular, é inaceitável.

É possível até que uma linguagem menos erudita e menos clássica, possibilite uma compreensão literária ou da gramática do texto, mas em nada há de cooperar no entendimento espiritual da Bíblia, pois a interpretação correta da Bíblia, necessariamente exige que se faça uma interpretação espiritual.

Por interpretação espiritual não estamos nos referindo a uma espiritualização da Bíblia, ou a uma interpretação alegórica do texto bíblico, mas ao “espírito e vida” [6] que há na Palavra Viva de Deus. Esse “espírito e vida” encontra-se oculto além da mera letra[7], e a mente humana só pode atingir o Espírito da letra mediante revelação do Espírito Santo quando este ilumina a mente do leitor. Isto independe da versão ou da gramática do texto, pois o Espírito Santo poderá usar qualquer versão disponível[8] no idioma do leitor, contanto que ela não seja nem falsa nem espúria.

II. A PALAVRA DE DEUS É ELEVADA

 "... engrandeceste a tua palavra acima de todo o teu nome" (Sl 138.2). A tradução de um documento ou obra literária de natureza bíblica requer de seus tradutores capacidade teológica, técnica, histórica, geográfica e linguística, pois uma tradução mal feita não terá credibilidade, nem reconhecimento nem aceitação, a não ser pelos incautos e ignorantes.

Conta-se que para traduzir a Versão dos Setenta, a Septuaginta (LXX), foram necessários setenta e dois tradutores, seis rabinos de cada uma das doze tribos de Israel, sendo todos eles homens sábios e eruditos, conhecedores do hebraico e do grego. Tais atributos foram necessários e exigidos para que a obra de tradução fosse concluída com fidelidade. Alguns eruditos e estudiosos não confirmam esse fato, mas, de qualquer maneira, ainda que seja uma lenda, ela serve para demonstrar o grande respeito que tinham os hebreus pelo texto sagrado, pois era muito comum ao povo hebreu expressar importantes verdades por meio de contos, fábulas e estórias.

Caso isso fosse verdadeiro, que a Septuaginta tivesse sido traduzida em apenas 72 dias, por 72 rabinos, isso teria sido o resultado de uma ação extraordinária do Espírito Santo sobre eles, pois nunca se ouviu falar de alguma tradução que tenha sido elaborada em tão curto período de tempo.

Para nós é mais provável crer, de acordo com o historiador Flávio Josefo, que judeus sábios traduziram a Torah para o grego Koiné no século III A.C. e os demais livros ao longo dos dois séculos seguintes, totalizando um período de quase três séculos. Certamente essa tarefa tão grandiosa exigia um tempo assim tão prolongado.

As versões que temos atualmente, em língua portuguesa (como as demais), não foram concluídas em dias ou meses. Não foram elas irresponsavelmente traduzidas um capítulo por dia, como faz o autor da “Versão Free Style”. Todas as versões e revisões que temos atualmente requereram dos seus exegetas e tradutores um esforço enorme, que demandou horas de pesquisas e leituras, além do indispensável conhecimento das línguas originais, e do conhecimento da gramática tanto das línguas originais quanto do próprio idioma para o qual foram traduzidas.

Vários fatores devem ser considerados na tradução de uma obra. Na tradução da Bíblia esses fatores se complicam por causa de sua natureza tão específica e diversa: diversidade de livros, de autores, de épocas[9], diversidade de expressões idiomáticas, diversidade de cultura, etc.
Algumas regras são básicas numa tradução. A seguir mencionaremos três que entendemos fundamentais na tradução da Bíblia. Certamente há outras, mas as três que citaremos são suficientes para nossa argumentação.

1) O tradutor deve evitar ambiguidades. Isto é, o tradutor tem o dever de traduzir com clareza, não dando margem a entendimento duplo e duvidoso. Essa regra foi quebrada pelo tradutor da “Versão Free Style”, pois ela tem muitas ambiguidades; suas palavras e frases dão margem a sentidos diversos.

2) O tradutor deve observar o contexto. O tradutor deve ater-se ao contexto do texto, para evitar o pretexto. Inegavelmente na “Versão Free Style” há mais pretexto do que contexto.

3) O tradutor deve ter conhecimento das expressões. As expressões idiomáticas e figuras de linguagem devem ser traduzidas com exatidão, e transmitir o exato sentido do texto. A “Versão Free Style” destrói a riqueza cultural, e peca pela substituição de expressões idiomáticas, pela escolha de palavras que, no vernáculo, não transmitem o seu verdadeiro significado. Murchou a Flor do Lácio!

As três regras acima citadas são fundamentais e essenciais, e deveriam existir mesmo numa tradução que se caracteriza como “tradução livre”. Basta uma rápida leitura da “Versão Free Style” para perceber a inexistência dessas regras. Facilmente se percebe que as frases usadas, as palavras e os termos escolhidos por seu tradutor, induzem o leitor a interpretações ambíguas e a conclusões duvidosas.

Na “Versão Free Style” a riqueza cultural que encontramos nas expressões idiomáticas das traduções regulares, foram corrompidas e substituídas por termos impróprios, de extrema pobreza literária, carregados de vileza e de insana profanação. Esta é uma constatação que lamentamos profundamente, pois a Palavra de Deus merece tratamento respeitoso no mais alto nível. Tratar o texto sagrado – tão precioso e sagrado – de forma assim tão acintosa, profana e desprezível, evidencia uma mente perversa e um coração submerso "...em fel de amargura, e em laços de iniquidade" (At 8.23).

A Palavra de Deus, sendo a mais elevada obra literária existente no mundo, por causa de seus elevados ensinamentos morais, por seu estilo literário ímpar, e sua riqueza poética e histórica[10], não poderia, nem pode ser manuseada de forma irresponsável, e resultar numa pretensiosa obra de tradução, ainda que se denomine “tradução livre”.

Nada existe tão elevado quanto Deus, ou acima dele. Somente sua Palavra é tão alta quanto Ele "Engrandeceste a tua palavra acima de todo o teu nome" (Sl 138.2), porque a Palavra de Deus é o próprio Cristo, pois Ele é a Verdade[11]. Portanto os homens deveriam ser cautelosos na forma como se utilizam da Palavra de Deus e como se referem a ela e como a manuseiam[12]. A fidelidade e reverência à Palavra de Deus é algo que se requer de todos nós, pregadores, exegetas e tradutores, e nós não encontramos essa preocupação na “Versão Free Style”.


 III. A PALAVRA DE DEUS É PURA

 "As palavras do SENHOR são palavras puras, como prata refinada em fornalha de barro, purificada sete vezes" (Sl 12.6). A Bíblia não faz rodeios, nada ela oculta. Ela conta os fatos como eles são, e os narra exatamente como aconteceram. Entretanto, quando relata a conduta escandalosa das pessoas ou expõe o mal caráter delas, procura dizer toda a verdade, mas não usa palavras chulas ou gírias impróprias. Há muitas passagens que poderíamos citar como exemplo, mas queremos mencionar apenas duas:

1.  Em Ezequiel 16.26 Deus acusa Israel de ter se prostituído com os egípcios porque eles eram homens "grandes de carne" (Ez 16.26). Qualquer um entenderá que tal expressão refere-se ao órgão genital masculino, mas a linguagem, ainda que seja a mais exata possível, está longe de transmitir vulgaridade.

2.  A outra passagem encontra-se em Ezequiel 23.20 onde lemos igualmente acerca de Israel que se prostituiu com os egípcios. Perceba como o tradutor foi cuidadoso na tradução desse verso: "E enamorou-se dos seus amantes, cuja carne é como a de jumentos, e cujo fluxo é como o de cavalos" (Ez 23.20). No uso de uma linguagem digna, procurou o tradutor por palavras que transmitisse o exato sentido do texto, mas sem provocar a imaginação libidinosa do leitor, portanto em lugar de “membros grandes”, como faz outra tradução, eles usaram “carnes grandes”, um eufemismo.

Vejamos três exemplos da “Versão Free Style”:

"Se algum dos seus amigos fizer alguma merda, puxe ele no canto e quebre o pau. Se ele cair na real e pedir desculpas, você salvou seu amigo. Mas se o mané teimar, leva mais uns dois ou três pra por pressão. Se nem assim o safado reconhecer a cagada, leva a gangue inteira pra lhe dar uma surra moral! E se ainda sim o desgraçado não assumir o que fez, então nem considerem ele como amigo." (Mateus 18.15-17 – “Versão Free Style”).

“Jesus, que da escola de malandragem havia sido expulso, respondeu: Ô cambada de hipócritas. Acham que eu sou otário? Aqui é curintia! Me empresta uma moeda aí pra eu mostrar uma coisa". Então emprestaram uma moeda qualquer. Jesus então perguntou: "Quem que imprimiu essa cara feia aqui na moeda?". Todos responderam: "Foi a Dilma!". E ele explicou: "Então deixa pra Dilma o que é dela. E deem pra Deus o que é de Deus!" (Mateus 22.18-21 – “Versão Free Style”).

“Mas Pedro, o bonzão, disse que Jesus nem precisava se preocupar, porque ele tava junto pro que der e vier. Jesus já jogou a real, dizendo: "Ô Pedro, baixa a bola! Você vai ser o primeiro a bundar feio nessa noite, antes do despertador tocar três vezes na função soneca (na verdade era o galo, mas quem usa galo pra acordar hoje em dia, heim?)". E Pedro dizia que não, que não ia abandonar Jesus nem a pau” (Mateus 26.33-35 – “Versão Free Style”).


A leitura desses trechos produz asco. Neles foram usadas as expressões “merda”, “quebre o pau”, “mané”[13], “cagada”, “escola da malandragem”[14], “otário”, “curintia”, “Dilma” [15], “baixa a bola”, “bundar”.

Tais termos são ultrajantes e profanos, e não correspondem à dignidade da Palavra de Deus. Eles não conferem graça, não edificam, e levam o leitor ao caminho inverso daquele recomendado por Paulo, que em sua epístola aos filipenses, ordena aos crentes que pensem em tudo “...o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama...” (Fp 4.8), em tudo o que tem “...virtude” e produza “louvor” (Fp 4.8). Ora, a “tradução” da Versão Free Style não produz nenhuma virtude de pensamento. Suas palavras baixas e chulas tornam impossível o louvor que Paulo recomenda. Elas produzem indignação e desonra.

Se a “Versão Free Style” usasse apenas gírias, já seria inadequado para a tradução de um clássico literário (a Bíblia certamente é um deles), porque gírias são geograficamente restritas, de duração efêmera, e tem alto índice de rejeição pela linguagem gráfica. Entretanto o tradutor da “Versão Free Style” foi além do simples uso de gírias. Ele conseguiu, superando os mais vis e desprezíveis contos do populacho, vulgarizar a Palavra de Deus, e isto sem mencionar a extrema pobreza literária encontrada no texto.

Se nesses três textos bíblicos que citamos, onde não há nenhum indecoro no texto original, foram utilizadas palavras chulas, ficamos imaginando que palavras o tradutor utilizaria na tradução de Ezequiel 16.26 e 23.20. Dá para imaginar?[16]

 IV. O TERMO “BÍBLIA” É IMPRÓPRIO PARA A VERSÃO FREE STYLE

 Há muitos anos uma tradução pervertida da Bíblia foi levada aos tribunais americanos. Os tradutores foram questionados em seu conhecimento teológico, e examinados em seu saber linguístico. Uma vez comprovada a deformação daquela versão, o Tribunal deu o seu veredito proibindo o uso do título “Bíblia Sagrada” na capa daquelas traduções. As traduções poderiam continuar sendo vendidas, mas sem o uso do título “Bíblia Sagrada” em suas capas.[17]

Este foi um caso verdadeiro, e serve para demonstrar a seriedade que se requer na tradução da Bíblia. Foi necessária a intervenção da Justiça para garantir a veracidade do texto bíblico[18]. Não podemos impedir a continuidade da “Versão Free Style”. Seu autor é livre para continuar com essa obra, mas queremos tornar pública nossa rejeição a ela, e manifestar nossa reprovação pelo uso do título “Bíblia” associado a essa versão, porque esse termo – “Bíblia” – que é um vocábulo consagrado para nós, e para todo o povo evangélico em geral, não pode nem deveria estar vinculado a esta obra tão funesta, espúria e infiel ao texto sagrado. Chamar essa tradução de Bíblia, além de ser um grande equívoco, é um ato de profanação.


 CONCLUSÃO

A “Versão Free Style” utiliza palavras chulas, termos indecorosos e expressões ofensivas. Com tais palavras, ela fere os símbolos sagrados da religião cristã, e ofende, não apenas os evangélicos, mas a toda a comunidade religiosa cristã. Fere o bom siso da inteligência e da consciência.

A “Versão Free Style” é, de fato, uma grande profanação, não somente do ponto de vista da fidelidade teológica, mas também da sensibilidade literária, pois empobrece o acervo cultural da literatura em geral, mas especialmente o da literatura cristã. Trata-se de uma literatura de extremo mau gosto, talvez atraente ao gosto do populacho, mas completamente reprovável a quem tem bom siso.

Voltando a citar a tradução dos setenta (LXX), conta-se que o rei pessoalmente empenhou-se a financiar tal empreendimento, porque queria orgulhar-se de sua biblioteca, que, para completar-se, necessitava dum exemplar do Antigo Testamento dos hebreus. Desse fato podemos verificar que até mesmo um rei impenitente e rude pôde manifestar o gosto pela arte superior e pela boa literatura. Por meio desse conto entendemos que pessoas ignorantes e sem nenhuma escolaridade podem revelar graça e poesia. Portanto é desnecessário e reprovável baixarmos ao nível da ignorância e da mediocridade, sob o argumento de se fazer entendido, porque o que deveríamos fazer é tomar o caminho inverso, ou seja, incentivar àqueles que possuem baixa escolaridade ou pouco entendimento, a subirem o seu nível na escala cultural.

Para tanto a leitura e o estudo das Escrituras vem cumprindo muito bem esse papel, pois é isso que temos visto nas igrejas onde a Bíblia é respeitada, porque ela, não somente TRANSFORMA a pessoa dando-lhe uma nova identidade espiritual em Cristo, como também INFORMA. A Bíblia edifica a pessoa e produz nela uma nova mente e uma nova mentalidade (intelectual e espiritual). Além disso, abre-lhe novos horizontes na área do saber, na medida em que se transforma num vasto campo de pesquisa e de desenvolvimento cultural[19]. A Bíblia mostra o caminho para o céu, mas também abre as portas da erudição[20]. É bem verdade que a própria Bíblia recomenda a simplicidade[21], mas devemos entender que simplicidade não deve confundir-se com mediocridade, e a “Versão Free Style” ainda que tenha aparência de simplicidade, está mais para a mediocridade.

A “Versão Free Style” é distorcida, medíocre, blasfema, ultrajante e profana, porque nela se misturam em meio às santas palavras de Deus palavras torpes e indecorosas; nela se mistura a água doce com a amargosa: "Porventura deita alguma fonte de um mesmo manancial água doce e água amargosa? Meus irmãos, pode também a figueira produzir azeitonas, ou a videira figos? Assim tampouco pode uma fonte dar água salgada e doce" (Tg 3.11-12).

Ainda que o tradutor da “Versão Free Style” esteja imbuído de prestar um serviço a Deus, e esteja bem intencionado, e tenha sido movido por um desejo sincero de tornar o texto bíblico inteligível a todas as classes de pessoas, cremos que ele cometeu um grande equívoco, e que está sendo movido por um espírito de confusão e de torpeza, e está na verdade, trazendo vilipêndio para o verdadeiro Evangelho de Jesus Cristo, e juízo contra si.

Pelos motivos aqui expostos, não podemos aceitar essa nova “versão”, e por isso nós a repudiamos e rejeitamos veementemente, juntamente com nossos irmãos em Cristo da OPBCB.


Notas:

[1]    O autor é o Pastor Ariovaldo Carlos Jr., da Igreja Manifesto.
[2]    A “Versão Free Style” pode ser lida em http://bibliafreestyle.com.br/
[3]    Vocábulos passivos: aqueles que se entendem.
[4]    Vocábulos ativos: aqueles que se usam.
[5]   Ef 1.18 - "Tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos".
[6]    Jo 6.63 - "O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos digo são espírito e vida".
[7]    2Co 3.6 - "O qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica".
[8]    O Espírito Santo pode usar inclusive versões antigas e eruditas (aquelas que muitos hoje consideram arcaicas), pois antes de surgirem as versões modernas da Bíblia só havia essas, e foram elas, que o Espírito Santo usou para converter os pecadores.
[9]    Cada livro da Bíblia foi escrito numa época diferente, alguns livros mais próximos uns dos outros, outros em épocas mais distantes. Toda a Bíblia foi escrita em um período de 1600 anos.
[10] Há muitos outros atributos que caracterizam a natureza sobrenatural da Bíblia, mas esses que citamos são suficientes para nossa argumentação.
[11] Jesus é a Palavra de Deus: "...o nome pelo qual se chama é A Palavra de Deus." (Ap 19.13). Em outra passagem João diz que Jesus é a Verdade: "Eu sou o caminho, e a verdade e a vida...". (Jo 14.6), e em outra que a Palavra de Deus é a Verdade: "Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade." (Jo 17.17).
[12] 2Tm 2.15 - "Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade".
[13] Mané, gíria oriunda do nome Manoel (de Emanuel), o nome santo do Senhor (Mt 1.23; Ex 20.7). Essa expressão carrega um sentido pejorativo, pois surgiu do preconceito contra os portugueses, que no Brasil são alvos de piadas nas quais sempre figuram como sendo ignorantes.
[14] O autor afirma descaradamente que Jesus pertencia a essa escola.
[15] O autor cita a Presidente do Brasil, em flagrante desobediência a Judas 8, por se referir de forma desrespeitosa à mais alta dignidade da nação, veja Ec 10.20.
[16] Para exemplificar confira a tradução de Mateus 1.25 - "E não a conheceu até que deu à luz seu filho..." (ACF). “José, cabra macho e obediente, não transou com a dona Maria até que nascesse o menino...” (Versão Free Style).
[17] Essa tradução ficou conhecida como “Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas”. Até a cor da capa era diferente, mas hoje esse grupo distribuem suas traduções com capa preta e com o título “Bíblia Sagrada”.
[18] Um bom exemplo disso é a King James Version ou Versão do Rei Thiago que foi autorizada pelo Rei e recebida pelo povo após aprovação pela mais alta autoridade da nação.
[19] Sl 119.99 - "Tenho mais entendimento do que todos os meus mestres, porque os teus testemunhos são a minha meditação".
[20] Is 50.4 - "O Senhor DEUS me deu uma língua erudita, para que eu saiba dizer a seu tempo uma boa palavra ao que está cansado...".
[21] 2Co 11.3 - "Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo" .

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 A presente postagem tem como base no documento intitulado "Manifesto de Repúdio da Ordem dos Pastores Batistas Clássicos do Brasil (OPBCB) contra a Bíblia Free Style". Originalmente assinada pelos seus pastores Luiz Antonio Ferraz, Relator - Igreja Batista Vida Nova – SP e  Wagner Antonio de Araújo, Presidente - Igreja Batista Boas Novas do Rodoanel – SP, disponível na íntegra no site: http://opbcb.org/manifesto-contra-a-biblia-free-style/.  Reproduzido aqui sob permissão do Presidente da OPBCB, Rev. Wagner Antonio de Araújo.
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Reportagens sobre o assunto:

http://g1.globo.com/minas-gerais/triangulo-mineiro/noticia/2013/03/versao-freestyle-da-biblia-causa-polemica-e-divide-opinioes-em-mg.html

http://noticias.gospelmais.com.br/biblia-freestyle-alvo-severas-criticas-evangelicos-51623.html

quarta-feira, 10 de abril de 2013

CRISTIANISMO BÍBLICO FOR DUMMIES II

Continuando o assunto da argumentação anterior ("CRISTIANISMO BÍBLICO FOR DUMMIES I"), aqui veremos como Deus providenciou ao longo da Bíblia a salvação para o homem pecador.

Como foi visto, após a queda de Adão no Éden, o pecado por ele cometido, na condição de cabeça da raça humana, a qual estava em Adão representada, estendeu-se a toda humanidade em ação e efeitos. Esse pecado é conhecido na Teologia como "Pecado Original". Assim, toda humanidade após Adão pecou (e ainda peca) juntamente com Adão e, assim como Adão, toda humanidade sofre as consequências terríveis do pecado - a morte, em todos os seus significados. Acerca desse fato, nos ensina o apóstolo Paulo: "Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram. [...] por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação [...] pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores." (Rm 5.14-19)

Por causa do pecado de Adão é que os homens pecadores passaram a se auto-condenarem ao inferno; não tivesse Adão cometido tal pecado, homem nenhum jamais teria ido parar naquele lugar de dores e sofrimentos e, a exemplo de Adão, ainda hoje o homem escolhe, por sua livre vontade, ir para este lugar ou não. Noutras palavras, com o seu pecado, Adão optou livremente em afastar-se bem como a toda humanidade de Deus, abrindo a possibilidade de cada homem e mulher serem condenados eternamente. Ele optou por seguir o conselho de Satanás, passando ao seu lado, ao invés de permanecer firme ao lado de Deus. Foi a partir daí que Satanás passou a ser o "deus deste século": roubando o domínio, dado ao homem por Deus, pela tentação e pelo pecado. O homem passou a ser dominado pelo diabo.

Com o pecado, Adão ficou desolado, condenado a estar separado de Deus, o Deus que o criara e a todas as demais coisas, com o qual mantinha comunhão diária, no horário da viração do dia (Gn 3.7). O rompimento da comunhão com Deus gerou medo em Adão. Essa foi a primeira vez que o medo surgiu na história da humanidade e de toda a criação. O pecado gerou o medo: medo da presença de Deus. Como fazer para restaurar a comunhão? Era preciso eliminar o pecado na vida do homem. Mas como fazer isso? Só havia um único jeito: o homem, morto por causa do seu pecado, precisaria nascer novamente, de forma que o pecado que foi enxertado em sua vida, pudesse ser arrancado dali definitivamente.

Para isso, Deus já havia providenciado a solução. Segundo a Bíblia, a solução de Deus foi providenciada antes que o mundo fosse criado (Ap 13.8), ou seja, antes que houvesse a criação, a redenção já exisita! Voltaremos depois a esse ponto. Agora, vejamos como Deus aplica a solução. Após a queda, Deus chama cada parte envolvida e anuncia a consequência, para cada parte, do pecado cometido. Assim, o pecado teve consequências sobre Adão e a criação ("Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. Espinhos, e cardos também, te produzirá; e comerás a erva do campo.", Gn 3.17,18) e sobre Eva ("Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará", Gn 3.16), bem como sobre ambos ("No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás", Gn 3.19). Note que a extensão das consequências, como já foi dito, nos alcança em pleno séc. XXI. Deus também disse à serpente (que segundo a Bíblia é o diabo, satanás, o pai da mentira), na verdade a primeira a ouvir a sentença: "Porquanto fizeste isto, maldita serás mais que toda a fera, e mais que todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás, e pó comerás todos os dias da tua vida. E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te esmagará a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar." (Gn 3.14,15) O versículo 15 é especialmente importante no contexto da redenção: ele é chamado proto-evangelho, ou seja, o primeiro evangelho.

No proto-evangelho, Deus anuncia à Serpente - que é satanás - que haveá inimizade eterna entre a serpente e a mulher e entre a descendência de ambas. Anuncia também que o descendente da mulher lhe esmagaria a cabeça, ou seja, esmagaria a autoridade adquirida pela serpente com o pecado de Adão. Foi assim que a redenção deu o seu primeiro sinal de vida dentro da história humana, afirmando ao homem que Deus, apesar do pecado do homem, haveria de providenciar o resgate do mesmo. Esse é o centro de toda a vida cristã e o foco do relacionamento de Aliança entre Deus e o homem. É interessante notar que por ocasião do nascimento de Caim, primeiro filho de Adão e Eva após a expulsão do Éden, Eva exclama: "qanah 'iysh 'eth Yhovah", que é traduzido por "alcancei do SENHOR um homem" (Gn 4.1), que também pode ser traduzido como "Gerei um homem por Jeová", ou ainda "gerei um homem, o Senhor".  Essa última forma de traduzir o texto é bem interessante, pois expressa o sentimento que Eva possuía com relação a Caim, ou seja, que ele fosse Aquele que esmagaria a cabeça da serpente.Acerca desse sentimento, comenta o Rev. José Maurício Passos Nepomuceno, em seu artigo "Cristo no Período Adâmico - Proto Evangelho" (disponível em http://www.monergismo.com/textos/teologia_pacto/cristo_adamico_nepomuceno.htm. Acesso 04 abr. 2013):

"Eva estava declarando a esperança de que sua redenção se completasse naquele que havia nascido, uma vez que ela e o marido ouviram atentamente o que havia sido dito à serpente: “...e o seu Descendente. Este te ferirá a cabeça...”. A Bíblia se silencia a respeito do desenrolar mais particular da vida do primeiro casal, mas aquela promessa, feita ainda no ambiente glorioso do Éden, que estava ressoando nas mentes de Adão e Eva no nascimento de Caim, manteve sua sonoridade no momento do nascimento de cada um dos seus filhos. Por isso, para o povo de Deus no Velho Testamento um nascimento era sempre importante, afinal trazia de volta a expectativa aguda do surgimento do libertador prometido." 

É interessante notar que apesar da esperança de Eva acerca de seu filho Caim, não foi ele o descendente prometido por Deus. O diabo, contudo, não sabia disso (ele não é onipotente nem onisciente, e não sabia quem era a semente); tendo ouvido a promessa de Deus acerca do nascimento de um descendente que o venceria e acabaria com seu domínio do homem, ele tratou rapidamente de fazer com que Caim pecasse. Para vencer Satanás, o descendente da mulher não poderia pecar em hipótese alguma. Uma vez conseguido o intento, Caim também estaria debaixo do domínio de Satanás. Esse intento foi plenamente realizado na inveja que ele teve de Abel e no seu assassinato, posteriormente, eliminando assim dois prováveis candidatos à vencê-lo. A estratégia de satanás para dominar é, sempre foi e sempre será uma só: levar o homem a pecar contra Deus. Estando o homem afastado de Deus pelo pecado, está invariavelmente nas mãos do inimigo (está morto, para com Deus, em delitos e pecados).

Note que a estratégia do diabo era, a princípio, muito boa: como ele não sabia quem seria o descendente da mulher, ele (1) tentaria todos os homens que nascessem, levando-os a pecar e/ou (2) mataria os homens. Essa estratégia foi usada pelo diabo inúmeras vezes, tanto no período patriarcal, quanto no cativeiro egípcio, quanto nos períodos que se sucederam. Por exemplo, no cativeiro egípcio, lemos: "E o rei do Egito falou às parteiras das hebréias (das quais o nome de uma era Sifrá, e o da outra Puá), e disse: Quando ajudardes a dar à luz às hebréias, e as virdes sobre os assentos, se for filho, matai-o; mas se for filha, então viva. Então ordenou Faraó a todo o seu povo, dizendo: A todos os filhos que nascerem lançareis no rio, mas a todas as filhas guardareis com vida" (Êx 1.15,16,22), fato ocorrido por ocasião do nascimento de Moisés, o libertador do povo de Deus. O mesmo episódio se repetirá anos depois: "Então Herodes, vendo que tinha sido iludido pelos magos, irritou-se muito, e mandou matar todos os meninos que havia em Belém, e em todos os seus contornos, de dois anos para baixo, segundo o tempo que diligentemente inquirira dos magos" (Mt 2.16), ocorrido por ocasião do nascimento de Nosso Senhor, o libertador do cativeiro de satanás.

Conforme explica Asher Intrater, em "Céus e Terra no Plano de Deus" (disponível em: http://www.revistaimpacto.com.br/ceus-e-terra-no-plano-de-deus. Acesso: 04 abr. 2013), depois da morte de Abel, Deus levantou outra descendência em Sete, procurando em uma geração após outra achar um grupo de pessoas leais a ele a fim de introduzir sua semente na Terra, destruir o diabo, redimir o homem e unir novamente o Céu e a Terra. Porém, a situação foi ficando cada vez pior, até que todos estavam corrompidos, dominados pelo inimigo.

Seguindo o texto bíblico, posteriormente ao episódio com Caim e Abel, vemos novamente a ação maligna do diabo, registrado em Gênesis 6, corrompendo o gênero humano. Somente Noé achou graça aos olhos do Senhor, e Deus usou a Noé para recomeçar novamente a história humana, após o dilúvio. É interessante notar que apesar da imensa corrupção humana, a Bíblia nos mostra que Deus usou Noé como "pregoeiro da justiça" (II Pe 2.5), concedendo oportunidade de arrependimento (e salvação do dilúvio) a todos que ouvissem e atendessem à pregação de Noé (I Pe 3.20; II Pe 3.4-10).  Assim, Deus julgou o mundo com o dilúvio, mas preservou Noé e toda a sua família e, com eles, seu plano redentor.


Mais adiante, vemos Abrão sendo chamado por Deus, para sair de uma cidade caldéia conhecida como Ur, onde ele residia, para "a Terra que o Senhor havia de mostrá-lo" (Gn 12.1). Abrão, assim, sai da sua terra, a qual lhe era conhecida, em direção a uma terra totalmente desconhecida, uma verdadeira jornada de fé no Deus que lhe aparecera em Ur e lhe fizera uma grande promessa: "E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei e engrandecerei o teu nome; e tu serás uma bênção.E abençoarei os que te abençoarem, e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; e em ti serão benditas todas as famílias da terra." (Gn 12.2,3) Nessa promessa de Deus a Abrão vemos de forma explícita o desejo de Deus em abençoar TODAS as famílias da Terra, o que envolve, obviamente, a redenção dessas famílias. Adiantando um pouco mais, Deus:

1) Fez uma promessa a Abrão de que ele teria um filho seu, gerado de suas entranhas. "3 Disse mais Abrão: Eis que não me tens dado filhos, e eis que um nascido na minha casa será o meu herdeiro. 4 E eis que veio a palavra do SENHOR a ele dizendo: Este não será o teu herdeiro; mas aquele que de tuas entranhas sair, este será o teu herdeiro. 5 Então o levou fora, e disse: Olha agora para os céus, e conta as estrelas, se as podes contar. E disse-lhe: Assim será a tua descendência." (Gn 15)

Aqui, há um das mais belas relações tipológicas da Bíblia, apontando para Aquele que cumpriria a promessa de Deus a Eva acerca da redenção do homem. Quando Deus faz essa grandiosa promessa a Abrão, ele pergunta a Deus: "Senhor DEUS, como saberei que hei de herdá-la?" (Gn 15.8). Deus, então, corta uma aliança com Abrão (vv. 9-11): Abrão toma uma bezerra de três anos, e uma cabra de três anos, e um carneiro de três anos, uma rola e um pombinho. Em seguida, ele mata esses animais, parte cada um deles pelo meio (com exceção das aves), e põe cada parte deles em frente da outra, formando assim um corredor. Para que esse corredor? Para que as duas partes - Deus e Abrão - atravessassem-no, em juramento, acerca da aliança entre eles (Jr 34.18-20).  Aquilo que aconteceu com aqueles animais deveria acontecer com aquele que quebrasse a aliança - esse era o juramento. Ora, esse juramento teria destruído a descendência de Abrão caso ele tivesse entrado com Deus nesse corredor, porque Abrão sendo humano não tinha condições de celebrar uma aliança condicional com Deus. Para evitar isso, Deus faz com que um sono profundo caia sobre Abrão, junatmente com grande espanto e grande escuridão (vv.12). Deus então substitui Abrão no juramento: "E sucedeu que, posto o sol, houve escuridão, e eis um forno de fumaça, e uma tocha de fogo, que passou por aquelas metades." (vv.17)  Assim, aliança celebrada não era condicional, mas incondicional. Deus estave dizendo: "Eu farei isso, Eu cumprirei a promessa independente do que você faça ou venha a fazer Abrão. Aconteça o que acontecer, Eu o Senhor cumprirei a minha promessa". Ao passar sozinho entre as carcassas, Deus jurou fidelidade às Suas promessas e tomou somente sobre si a responsabilidade pelo seu cumprimento, novamente confirmando que tinham sido dadas unilateral e incondicionalmente. Nada e nem ninguém, no céu, na Terra ou em qualquer lugar do Universo poderia impedir que Deus cumprisse o que prometeu!

Aqui, há também uma profunda revelação da Palavra de Deus acerca da forma do cumprimento da promessa de redenção.  "Ao iniciare ste sacrifício de sangue com Abrão, Iahweh ilustrou como Ele planejava cumprir Sua promessa de um herdeiro. Um herdeiro é um que herda algo. Para que haja uma herança, aquele que tem algo a deixar para o herdeiro precisa morrer. Isso significa que alguém teria que morrer para Abrão e sua semente posterior ganharem a herança prometida por Iahweh." (Charles Elliott Newbold, Jr.  A SEMENTE TRANSCENDENTE DE ABRAÃO, Um povo para Iahweh)

2) Mudou o nome de Abrão (significa "grande pai") para Abraão ("pai de multidão") e de sua esposa Sarai para Sara. "1 SENDO, pois, Abrão da idade de noventa e nove anos, apareceu o SENHOR a Abrão, e disse-lhe: Eu sou o Deus Todo-Poderoso, anda em minha presença e sê perfeito. 2 E porei a minha aliança entre mim e ti, e te multiplicarei grandissimamente. 3 Então caiu Abrão sobre o seu rosto, e falou Deus com ele, dizendo: 4 Quanto a mim, eis a minha aliança contigo: serás o pai de muitas nações; 5 E não se chamará mais o teu nome Abrão, mas Abraão será o teu nome; porque por pai de muitas nações te tenho posto; 6 E te farei frutificar grandissimamente, e de ti farei nações, e reis sairão de ti; 7 E estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência depois de ti em suas gerações, por aliança perpétua, para te ser a ti por Deus, e à tua descendência depois de ti. 15 Disse Deus mais a Abraão: A Sarai tua mulher não chamarás mais pelo nome de Sarai, mas Sara será o seu nome. 16 Porque eu a hei de abençoar, e te darei dela um filho; e a abençoarei, e será mãe das nações; reis de povos sairão dela." (Gn 17)

É interessante notar que a mudança de nome está associada a uma mudança de natureza. De acordo com a concordância de Strong, Sarai significa “princesa” e Sara significa “mulher nobre.” A concordância de Young sugere que Sarai significa “Iah é príncipe” e Sara significa “princesa.” O Dicionário da Bíblia, de Unger, diz que Sarai pode ter significado “contenda.”

3) Fez com que Sara, que era estéril, já sendo velha, e Abraão sendo já velho, concebesse e desse à luz a um filho, chamado Isaque. "1 E O SENHOR visitou a Sara, como tinha dito; e fez o SENHOR a Sara como tinha prometido. 2 E concebeu Sara, e deu a Abraão um filho na sua velhice, ao tempo determinado, que Deus lhe tinha falado. 3 E Abraão pôs no filho que lhe nascera, que Sara lhe dera, o nome de Isaque. 5 E era Abraão da idade de cem anos, quando lhe nasceu Isaque seu filho." (Gn 21)

Em Isaque, Deus reafirma novamente a promessa de redenção quando pede a Abraão que sacrifique a Ele seu único filho. No momento em que Abraão levanta o cutelo para matar Isaque, a Bíblia diz que "o anjo do SENHOR lhe bradou desde os céus, dizendo: Abraão, Abraão! Não estendas a tua mão sobre o moço, e não lhe faças nada; porquanto agora sei que temes a Deus, e não me negaste o teu filho, o teu único filho. Então o anjo do SENHOR bradou a Abraão pela segunda vez desde os céus, e disse: Por mim mesmo jurei, diz o SENHOR: Porquanto fizeste esta ação, e não me negaste o teu filho, o teu único filho, que deveras te abençoarei, e grandissimamente multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus, e como a areia que está na praia do mar; e a tua descendência possuirá a porta dos seus inimigos; e em tua descendência serão benditas todas as nações da terra; porquanto obedeceste à minha voz." (Gn 22.15-18) Isaque saiu ileso! Mais uma vez, o Senhor mostrou, a partir desse episódio, de forma claríssima, como se daria a redenção da raça humana!

Assim, ao longo da Bíblia, outros inúmeros acontecimentos vão surgindo na história da redenção, como por exemplo as ofertas registradas no livro de Levítico, todas apontando para um desfecho final, o surgimento de um Redentor definitivo: o nascimento de Nosso Senhor Senhor. Ele é o descendente da mulher, que esmagou a cabeça da serpente na cruz do Calvário. Ele, sem pecado, ofereceu-se a Si mesmo como oferta pelo nosso pecado, cumprindo cada promessa feita por Deus ao longo da história. Jesus foi sepultado. Seu corpo estava embaixo da terra, e seu espírito desceu para o inferno. Satanás pensou: “Finalmente ganhei! Jesus deve ter-se contaminado com orgulho, e Deus o está rejeitando. Eu ganhei, venci Jesus!”  Porém, o que o diabo não sabia era que a morte de Jesus não era gerada pela Sua transgressão pessoal, mas pelo simples e puro amor pela humanidade. Ali, no inferno ("as regiões inferiores da Terra"; Ef 4.9), Jesus não entra no inferno como um pobre pecador condenado por algum pecado como o diabo entendia, mas como VENCEDOR! Ele proclama a sua vitória aos espíritos em prisão (I Pe 3.19), toma do diabo as chaves da morte e do inferno (Ap 1.17,18) e leva cativo o cativeiro (Ef 4.8), esmagando a cabeça da serpente, expondo-a e a todos os principados, potestades e demônios à vergonha pública (Cl 2.14,15). Torna, então, a entrar em Seu corpo e ressuscita dentre os mortos e, em carne, comparece diante do Trono de Deus!

Com a morte, sepultamento e ressurreição de Nosso Senhor, todo o homem pecador pode, se assim desejar, ter a redenção dos seus pecados e consequentemente a vida eterna. Quando o pecador, ao ouvir a mensagem evangélica, as boas novas de salvação, de que Jesus morreu em seu lugar, passa então a crer na morte de Jesus como substitutiva para a sua própria, confessando os seus pecados e recebendo o Senhor como parte integrante e principal de sua vida ("aceitar a Jesus") então seus pecados são perdoados por Deus. Assim, a salvação é obtida somente e exclusivamente pela fé identificadora em Jesus e Sua obra, o que advém de ouvir a Palavra de Deus. Não é, portanto, obtida por quaisquer outros meios, tais como sacrifícios, despachos, caridade, boas obras, filosofias, ciências, espíritos, pedras, energias, rituais, religiões, caminhos de auto-aperfeiçoamento, etc. O PLANO DE DEUS PARA SALVAÇÃO DO HOMEM É A FÉ EM CRISTO EXATAMENTE COMO ENSINA A BÍBLIA. Qualquer alternativa fora do plano de Deus, ao qual acabamos de relatar aqui de forma resumida mas que pode ser visto de forma completa na Bíblia, nada mais é do que a manifestação do pecado original, da rebelião do homem contra Deus, da tentativa de auto-suficiência humana em detrimento da total dependência divina e, consequentemente, um fracasso em seus esforços e propósitos.  Daí, também, deriva-se a grande importância que os cristãos genuinamente evangélicos (que seguem o Evangelho, ou a Bíblia, sem invencionices e sandices) conferem à pregação, quer seja ela dentro da Igreja ou fora da Igreja (por meio do Evangelismo).

No que consiste (ou deveria consistir) a pregação evangélica, portanto? Resumidamente:

1. No estado espiritual que a humanidade se encontra - mortos espiritualmente. Separados espiritualmente de Deus, vivendo em densas trevas espirituais, sob a influência (direta e/ou indireta) de Satanás e seus demônios. Pecadores inveterados, costumazes. Se morrerem nesse estado, condenar-se-ão a si mesmos a viverem eternamente separados de Deus, num lugar chamado inferno.

2. A solução de Deus para esse estado humano. Deus ama o pecador (a pessoa), mas odeia o pecado (o que a pessoa faz). Daí, há intensa pregação contra o pecado. Um genuíno cristão JAMAIS, em HIPÓTESE ALGUMA, concordará com qualquer prática que Deus considere pecado (*) tal como está na Bíblia, seja esta prática realizada POR QUEM QUER QUE SEJA, pois sabe quais são as terríveis consequencias que essas práticas geram.  Para resgatar o homem dessa vida de pecado, Deus enviou Jesus para morrer pelos pecados. O homem, conscientizado de sua vida errática, pecaminosa e distanciada de Deus, precisa então somente reconhecer-se pecador, confessar os seus pecados e crer em Jesus como propiciação pelos pecados, recebendo-O como Único Senhor e Salvador pessoal. Tal pessoa passa a estar em Cristo. 

(*) Pecado é um conceito bíblico-teológico, não é um conceito científico ou social. Mesmo que a ciência, a sociedade ou o governo permita e/ou até incentive uma prática ou comportamento, se esse comportamento estiver enquandrado na Bíblia como pecado ele será encarado desse modo pelo cristão, exatamente como a Bíblia ensina. O cristão genuíno não só se absterá dessa prática mas a condenará como pecado em si mesma, exortando, por meio de pregações e estudos, cada pessoa a fugir da mesma (e do mundo) para Cristo, exatamente como ensina a fé cristã bíblica. Para o cristão que segue verdadeiramente a Cristo conforme a Bíblia ensina, o pecado (a prática de algo) é e sempre será algo a ser evitado e combatido; isso por amor a Cristo e aos pecadores (o praticante de algo).

3. Como esse homem, agora em Cristo, deve buscar viver a sua vida, segundo a vontade de Deus expressa na Bíblia, vivendo sua vida de forma piedosa e honesta, evitando toda a sorte de maldade, de pecado e de vícios (sejam eles quais sejam), servindo a Deus em sua Igreja e vida cotidiana, sendo fortalecida a sua fé por meio de pregações, orações, jejuns e estudos bíblicos e aguardando a sua redenção final, quando então morará para sempre ao lado do Senhor.


Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

segunda-feira, 18 de março de 2013

CRISTIANISMO BÍBLICO FOR DUMMIES - I


"Antes, santificai ao Senhor Deus em vossos corações; e estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós." (I Pe 3.15)

Com a ocupação de cargos públicos de destaque por brasileiros evangélicos, a exemplo do Pr. Marcos Feliciano como Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, além do destaque conferido a outros por grande domínio na arte de retórica, como o Pr. Silas Malafaia, tem surgido na mídia um alvoroço acerca da fé evangélica. Seriam os evangélicos intolerantes? Seriam eles homofóbicos? Seriam eles subversivos? É fato comum que os evangélicos professam sua fé de acordo com a Bíblia Sagrada. Mas o que ensina a Bíblia?

Infelizmente, pouquíssimos brasileiros conhecem a Bíblia e seus ensinos. Alguns a ignoram, por considerá-la um livro ultrapassado, com ensinos restritos apenas a uma época muito antiga e a uma cultura perdida nas areias do tempo; outros, a desprezam, por não entenderem seus ensinos, achando-a "muito complicada". Tristemente, os que assim pensam sequer se esforçarem minimamente para superarem esse desconhecimento.  Ainda há aqueles cuja vida vem de encontro (ou seja, choca-se) com aquilo que a Bíblia ensina e assim reagem negativamente à Palavra de Deus, buscando desqualificá-la (e aos seus seguidores) para assim qualificar a própria vida (afinal é muito mais fácil e cômodo desacreditar a Bíblia do que cair no auto-descrédito à luz dos ensinos bíblicos). Esse último grupo vive de acordo com seu próprio padrão de justiça, não aceitando sequer opiniões contrárias, reagindo com muito radicalismo às mesmas.

Antes de entrar no tema desta postagem, que fique claro aos leitores que enquanto crente em Cristo eu me reservo ao direito de não concordar com todas as posições adotadas por outros evangélicos. Este blog contêm, inclusive, várias argumentações que se posicionam de forma contrária ao que é feito hoje em dia por alguns pastores e em algumas igrejas, por entender que essas ações não têm base bíblica. Tratam-se de ações realizadas à luz do entendimento teológico desses pastores e dessas denominações, segundo a liberdade de crença que essas pessoas desfrutam segundo a Constituição, entendimento esse diferente do meu. Não obstante, há entendimentos e práticas nas quais convergimos, originárias de um berço religioso comum - o protestantismo. Essa postagem buscará focar esses entendimentos e práticas comuns.

Um desses "entendimentos comuns" é o entendimento, à luz da Bíblia, é o conceito da queda e redenção. Esse conceito é fundamental, é básico para se compreender a Bíblia Sagrada. A história da Bíblia é a história da redenção, onde Deus atua na história humana de forma a trazer o homem caído novamente à comunhão Consigo mesmo (ou seja, a redenção). Assim, os fatos históricos registrados na Bíblia são os fatos históricos de interesse para compreensão da redenção humana, fatos estes que o homem não teria conhecimento sem o processo sobrenatural de Deus em preservar seu registro fiel, utilizando para isso homens por Ele escolhidos, os quais Deus inspirou para que escrevessem somente o que Deus tencionou. A Bíblia é a revelação de Deus acerca da queda humana e de como Deus providenciou a redenção do homem caído. Revelação acerca do mundo espiritual e de seu funcionamento básico. Revelação de Deus e da Verdade absoluta que esse Deus comunicou e comunica aos homens acerca de Si mesmo, de Sua Vontade e de todas as coisas espirituais. Qual é o propósito maior do homem? Qual é a natureza espiritual do homem? Há vida após a morte? Quem é Deus? Como se relacionar com esse Deus? Essas e outras perguntas são ampla e fartamente respondidas na Bíblia.

Abre parênteses (1): A Bíblia não é um livro científico, a despeito de Deus ser o Criador Supremo de toda criação e de ter Ele estabelecido o funcionamento harmônico e preciso de tudo o que foi criado. A Bíblia não traz revelação sobre a química, a física, a matemática. Deus, ao criar o homem, deu a ele capacidade intelectual e volitiva para descobrir e aprender as leis que regem a criação, estabelecidas nas ciências físicas, químicas e biológicas, criadas por Deus junto com toda a criação. Aquilo que o homem não poderia jamais aprender por si mesmo, porque independe de sua capacidade mental, é o que Deus revelou e deixou registrado na Bíblia: as questões espirituais. Daí toda iniciativa humana em conhecer a Deus fora da revelação bíblica é infrutífera, inútil. Fecha parênteses (1).

A revelação da história da queda tem início há muito tempo atrás, quando o homem foi criado por Deus e colocado num jardim, chamado Éden, que ficava geograficamente na região da Mesopotâmia. É claro que essa região, hoje, já sofreu diversas transformações e, portanto, somos incapazes de precisar as coordenadas exatas do Jardim do Éden. Sabemos que ele existiu, mais uma vez, pela revelação bíblica. No Éden, o homem criado por Deus com as melhores condições intelectuais e espirituais foi colocado para habitar, num local onde Deus, a cada fim do dia, vinha pessoalmente conversar com o homem e passear com ele pelo jardim. "Deus tinha um costume de falar com Adão. E esse costume era limitado a um lugar e uma hora definidos. Não era em qualquer lugar. Deus falava com o homem no jardim onde ele o havia colocado. Não era, tampouco, em qualquer hora, de uma maneira contínua ou constante. Pelo contrário, Deus falava com Adão à tardinha, pela viração do dia. Adão sabia disto. Ele esperava a visita do Senhor." (Harold Walker, COMUNHÃO: UM ENCONTRO MARCADO COM DEUS. Disponível em http://www.ruach.com.br/livretos/comunhao.um.encontro.marcado.com.Deus.pdf)

Havia, deste modo, intensa e vívida comunhão entre Deus e o homem, num horário definido e num local definido. Essa comunhão foi quebrada quando o homem deu ouvidos ao diabo, que utilizando uma serpente, induziu o homem a desobedecer a ordem direta de Deus. Foi nesse ponto da história humana - a queda do homem - que o pecado foi introduzido e com ele a morte. O homem caiu do seu estado em que fora criado, porque transgrediu a vontade de Deus. Pecado é, desse modo, uma desobediência a Vontade de Deus para o homem. Note que o pecado não é um conceito temporal, restrito ao espaço-tempo de uma sociedade. Também não são nossas opiniões pessoais que determina o que é e o que não é pecado. Não é o que achamos nem sentimos que determina o que é pecado. Meus sentimentos ou pensamentos ao dizer que uma coisa é certa não a torna certa. A única regra pela qual crença ou conduta devem ser provados é a Palavra dAquele que não pode mentir, a Palavra de Deus. O conceito de pecado é também, deste modo, objeto de revelação!


Abre parênteses (2): para saber mais sobre a origem do diabo, leia a postagem DE QUEM É A CULPA PELA EXISTÊNCIA DO MAL?, disponível em http://www.apenas-para-argumentar.blogspot.com.br/2011/12/de-quem-e-culpa-pela-existencia-do-mal.html e a postagem HERESIAS MODERNAS: O DIABO É CRIAÇÃO DE DEUS?, disponível em http://www.apenas-para-argumentar.blogspot.com.br/2012/02/heresias-modernas-o-diabo-e-criacao-de.html). Fecha parênteses (2).

A queda trouxe consequências terríveis para o homem e para a criação. Com a queda, a criação foi sujeita ao pecado, que manifesta-se das mais variegadas formas na própria criação: tsunamis, meteoros que caem na Terra, destruição da camada de ozônio, mudanças climáticas, destruição das lavouras por pragas, desertos, secas, terremotos, etc. Para o homem, diversas consequências passaram a existir também, como vírus mortais, bactérias, protozoários; doenças terríveis, como artrose, problemas cardiológicos, hepáticos, renais, etc. Não há nenhuma parte do homem, nenhum órgão, nenhuma célula, por mais simples que seja, que esteja imune a doenças e deterioração e isso tudo é resultado da queda. Tanto na criação quanto no homem, a consequência da queda (gerada pelo pecado, como vimos) pode ser resumida numa única palavra: MORTE. Deus havia prevenido ao homem que no dia em que ele pecasse, a morte passaria a existir na criação (Gn 2.17). O homem pecou, e a Palavra de Deus se cumpriu: a morte entrou na criação.

Abre parênteses (3): quando você presenciar a morte na criação, quer seja a morte de um simples passarinho, quer seja a morte de um ser humano, quer seja a destruição e morte causada pelos desastres ditos naturais, quer seja a existência de doenças terríveis, lembre-se: tudo isso existe porque um dia o homem resolveu deliberadamente desobedecer a Deus. O homem é o responsável pela existência da morte, não Deus! Cada cemitério é responsabilidade do homem. Fecha parênteses (3).

Porém, a morte que o homem introduziu com seu pecado e queda na criação envolveu não apenas a questão física, biológica. Com o pecado e a queda, o homem foi separado de Deus; a comunhão que Deus tinha com o homem foi rompida. Essa separação denomina-se morte também (morte espiritual = separação do homem do Seu Criador). Esse estado de separação só pode ser resolvido por iniciativa do próprio Deus, tendo-se em vista que o homem caído é capaz de produzir apenas ações que o distanciam ainda mais de Deus. Essa morte estende-se até nós, como nos revela Deus a partir do apóstolo Paulo: "Como está escrito: Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. A sua garganta é um sepulcro aberto; com as suas línguas tratam enganosamente; peçonha de áspides está debaixo de seus lábios; cuja boca está cheia de maldição e amargura. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. Em seus caminhos há destruição e miséria; e não conheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos. Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus" (Rm 3.10-18,23). Essa situação é tão terrível que, se não for revertida, perdurará mesmo depois da morte física, quando então a morte espiritual é chamada MORTE ETERNA - o homem separado eternamente do Seu Criador, irreversivelmente.

É importante ressaltar que morte não é aniquilação; quem morre não é aniquilado, deixando de existir. Na morte, a existência do homem muda de plano: do plano físico, para o plano espiritual. Quando uma pessoa, em estado de morte espiritual, experimenta a morte física, seu estado de morte espiritual, que até então é passível de ser revertida, torna-se irreversível. A morte espiritual torna-se morte eterna. A conclusão derivada disso é óbvia: se o céu é lugar de Deus e se o homem está morto eternamente, então seu destino eterno não é o céu, pois isso implicaria em comunhão com Deus, o que não existe por seu estado espiritual. Logo, o destino do homem morto eternamente é longe de Deus; um lugar criado não para o homem, mas para o diabo. Esse lugar tem um nome na Bíblia: é chamado inferno. Esse lugar torna-se o lugar do homem por opção deste durante sua vida biológica. Assim, o homem escolhe em vida sua morada eterna no pós-vida, escolhendo reconciliar-se com Deus ou continuar vivendo alienado de Deus, exatamente como o diabo e seus anjos escolheram um dia.

Concluindo, na queda do homem no Éden toda raça humana experimentou a queda. "Todos pecaram", é o que as Escrituras Sagradas nos revelam. Todos os homens, sem exceção nenhuma e de nehum tipo, nascem em pecado, como diz a Bíblia: "Eis que em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe." (Sl 51.5) Assim também, toda raça humana experimentou e experimenta as consequências da queda, tendo-se em vista que todos morreram, todos morrem e todos morrerão um dia. Nascemos mortos espiritualmente e um dia vamos morrer biologicamente. A questão é que se morrermos biologicamente no estado de morte espiritual vamos passar a um estado de morte eterna. Esse, aliás, sempre foi o plano de Satanás: condenar a humanidade ao mesmo estado que ele se encontra.

Por isso, nós evangélicos sérios, consideramos tão pernicioso e maligno o pecado. Note: o pecado, a ação; não o pecador, o agente da ação. Por isso pregamos tão insistentemente contra o pecado! Por isso, não apoiamos ações sociais ou mesmo leis que favoreçam ou incentivem o pecado, independente da forma ou tipo de pecado! O pecado nos separa de Deus e precisa ser interrompido na vida de cada homem e cada mulher o quanto antes e nós, evangélicos, entendemos que essa é a Vontade de Deus para a humanidade e que nós temos a missão, dada pelo próprio Deus, de avisar a todos os homens que o caminho de pecado que trilham os conduzirá ao inferno um dia se nesse caminho permanecerem. Condenamos o pecado como tal, perverso e maligno, exatamente como Deus o faz; de forma que o homem pecador conheça a Vontade de Deus acerca dessa questão tão séria.

Há uma lista do que é pecado, na Bíblia? Vimos que o conceito de pecado, na Bíblia, é amplo, não sendo possível limitá-lo a um simples checklist. O conceito permeia a Bíblia, porque a Bíblia nos mostra a Vontade de Deus comunicada aos homens por diversas maneiras ao longo da história humana e de como os homens, que conheceram a Vontade de Deus, reagiram. Muitos são os episódios de fracasso humano, os quais Deus preservou a fim de servir como exortação, como ensino para nós e para as gerações futuras. Há, no entanto, pela misericórdia e bondade de Deus, algumas "listas" não-exaustivas, se pensarmos de maneira simplificada. Por exemplo:
1) "Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, prostituição, impureza, lascívia, Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus." (Gl 5.19-21)

2) "Ficarão de fora os cães e os feiticeiros, e os que se prostituem, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete a mentira." (Ap 22.15)

3) "Não sabeis que os injustos não hão de herdar o reino de Deus? Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus." (I Co 6.9,10)

[Dic. Aurélio: sodomia: Conjunção sexual anal, entre homem e mulher, ou entre homossexuais masculinos. Para termos bíblicos utilizados para descrever o que é pecado, acesse: http://www.igrejaredencao.org.br/ibr/index.php?option=com_content&view=article&id=784:estudo-18-o-conceito-biblico-do-pecado&catid=37:teologia-basica&Itemid=147]

Note que não há uma classificação hierárquica de pecados. Todos os pecados são pecados cometidos contra Deus e todos eles são o resultado do estado de morte espiritual do homem em relação a Deus e segundo a Bíblia a prática de quaisquer um deles somente incapacita o homem a viver eternamente ao lado de Deus, condenando o homem a um estado de morte espiritual eterna. Aqui, surge uma pergunta: se (1) o pecado é o fruto natural produzido pelo homem em estado de morte espiritual; se (2) todo homem nasce num estado de morte espiritual, gerada pela queda no Éden, segue-se que todo homem que nasce é pecador inveterado, incapaz de alterar esse estado. Logo, é possível concluir que todo homem que nasce está irremediavelmente condenado à morte eterna, ao inferno, sem chance de reverter esse estado? Em síntese, a reversão do estado de morte espiritual é possível? Sim, graças a Deus é possível reverter esse estado! Deus providenciou a solução para o terrível mal causado pelo homem - isso chama-se redenção ou salvação. Ao fazê-lo, Deus não propôs ao homem um conjunto de boas obras, ou uma religião específica. Deus providenciou a salvação para o homem não baseado em qualquer coisa humana, ou que o homem pudesse fazer em prol da auto-salvação (o que é impossível, pelo que vimos), mas providenciou-a baseado em Si mesmo.

Assim, do mesmo modo que nós, evangélicos, pregamos contra o pecado (a ação), exortando ao homem pecador (o agente da ação) acerca das terríveis consequências do pecado em sua própria vida e na sociedade, do mesmo modo pregamos a possibilidade de redenção ou salvação dos pecados. Pregamos que, segundo a revelação de Deus na Bíblia, o homem pecador pode ser salvo da morte eterna, ainda durante sua vida biológica. Pregamos, desse modo, que Deus odeia o pecado (a ação), porque esta separa o homem, o qual Ele ama, Dele mesmo; mas pregamos que Deus ama esse homem mergulhado em pecado, afastado Dele, e que deseja salvá-lo dos seus pecados. E que Deus já providenciou a forma pela qual o homem pecador pode ser salvo. Na próxima argumentação, veremos como Deus providenciou ao longo da Bíblia a salvação para o homem pecador.

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

sábado, 29 de dezembro de 2012

ANO NOVO, VIDA NOVA!


Rompe a aurora, vai-se embora
Mais um ano de labor;
Não temamos, prossigamos
A lutar com mais ardor.

Cada dia Cristo, o Guia,
Nos renove o coração;
Temos gozo, bom repouso,
Confiando em sua mão.

Do pecado resgatados,
Pertencemos a Jesus;
Nova vida, santa lida,
Temos nós por sua cruz.

Hinos santos entoemos
E louvemos ao Senhor!
Vem do arcano mais um ano
Que anuncia seu favor!

O ano findo nunca mais veremos;
O ano novo hoje recebemos!
Vê, vê, o belo dom que Deus nos dá!


(Hino "Ano Novo", Cantor Cristão)

Mais um ano se finda. Mais um ano de labor, de trabalhos, de jejuns, de orações, de estudos nas Escrituras; ano cheio de intensidade, de ações e reações, de emoções intensas, de muitas lutas, de vitórias e derrotas, de planos realizados e de planos não realizados, de lágrimas e de alegria. Sim, a retrospectiva desse ano não é muito diferente, para o cristão, da retrospectiva dos demais anos, desde o ano que recebeu o Senhor Jesus em sua vida como Senhor e Salvador. Se olharmos para o passado, veremos as muitas lutas e provações, mas também as muitas e ricas bênçãos, geradas pela multiforme graça de Deus. Nós, crentes em Cristo, podemos olhar para trás e contarmos as muitas bênçãos! Você está terminando o ano triste por causa das intensas batalhas? Muitas procelas? Muitos tumultos, agitações, intranqüilidades e guerras por todos os lados? Você está terminando o ano julgando que todo o seu trabalho, todo o seu esforço foi vão? Então, como diz o antigo hino, "conta as muitas bênçãos, dize-as duma vez, Hás de ver surpreso quanto Deus já fez."     

Diz a Palavra de Deus que o caminho do cristão "é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito." (Pv 4.18). A luz da aurora é a claridade que aponta o início da manhã, antes do nascer do Sol. São os primeiros raios de luz, que quebram a escuridão da noite e marcam o início de uma nova manhã. Jesus disse que nós, cristãos, somos a luz do mundo; devemos portanto resplandecer a nossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras, e glorifiquem a nosso Pai, que está nos céus (Mt 5.14-16). Somos como a Lua, que não tem luz própria, mas que reflete a luz do Sol; assim refletimos não a nossa própria luz, mas a luz de nosso Senhor refletida em nós, assim como a glória de Deus fazia o rosto de Moisés reluzir diante dos filhos de Israel (Jo 9.5; Ex 34.35).  No ano de 2012 tivemos o nosso brilho, o nosso resplendor, apesar das trevas que tanto militaram contra nós. Cumpriu-se o que está escrito: "a luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela." (Jo 1.5)

A luz da aurora é a primeira luz, não a plenitude de luz. Não é o brilho em plenitude, mas os primeiros fachos. É preciso que a nossa vida prossiga na luz, para isso devemos cada vez mais andarmos na luz, até que a luz invada cada canto escuro de nossa vida. Da física, sabemos que a luz se propaga em linha reta. O caminho da luz é reto, não há desvios nele; é um caminho perfeito, pois é o caminho de Deus. Deus é o Pai das luzes e Jesus é o Sol da Justiça. Toda luz vem de Deus, vem de Jesus e essa sempre nos leva a andarmos em retidão, de acordo com a Palavra de Deus. Não há tortuosidades em Deus, não há subterfúgios, atalhos ou quebra-galhos! As tortuosidades que ainda apresentamos são por causa da nossa natureza humana, não por causa da luz. Há uma diferença de meios onde a luz se propaga: ela vem perfeita de Deus para nós, mas uma vez em nós ela pode ser alterada antes de sair de nossa vida em direção ao mundo. Quando recebemos a luz, essa luz precisa ser absorvida espiritualmente, gerando transformação de vida, para que então possa ser refletida. Quando isso acontece, refletimos exatamente aquilo que Deus tencionou que refletíssemos Dele. Porém, para que isso aconteça, dependemos da submissão ao Espírito Santo, de forma que Ele gere Jesus em nós. Somente Nele, em Cristo, recuperamos a imagem do Deus invisível. Quanto mais do caráter de Cristo temos em nós, mais próximos da imagem de Deus nos tornamos e melhor reletimos isso ao mundo; quanto menos Dele possuímos, menos nos parecemos com o Pai. Assim, dependendo do grau de transformação de vida que possuímos, refletimos com mais ou menos fidelidade a imagem de Deus. Esse fenômeno, de diferenças entre a luz recebida e a luz emitida, chama-se refração.

A luz pode sofrer refração dentro de nós, saindo com um ângulo diferente do ângulo de entrada. Na física, é por isso que vemos "quebrado" um lápis mergulhado em água: por causa da refração, resultado da diferença entre os meios onde a luz se propaga - o ar e a água. Por causa dessas diferenças é que vemos tantas controvérsias acerca da Palavra: vemos "torto" aquilo que é reto! A Palavra nos foi dada por Deus de forma definitiva, mas a iluminação - a capacidade de entender a Palavra de Deus como ele verdadeiramente é - é gradual; além disso depende do quanto temos de Jesus em nós. Quanto mais temos de Jesus, mais somos parecidos com Ele e menos diferenças há entre o Senhor e nós; assim, passamos a ter um mesmo entendimento da Palavra. Essas diferenças perdurarão, contudo, até a nossa transformação final: "quando vier o que é perfeito, então o que é em parte será aniquilado.  Porque agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como também sou plenamente conhecido." (I Co 13.10,12)

Ainda não somos capazes de ter essa plenitude de luz em nós. Ainda não é dia perfeito, a nossa vida ainda não está como o Sol de meio-dia, no máximo de sua luz. Mas já temos muita luz e devemos andar, cada um de nós, de acordo com a luz que já recebemos. E quanto mais da luz de Deus tivermos, mais responsáveis devemos ser com relação as coisas de Deus. Essa luz nos foi dada para melhor servirmos aos propósitos de Deus, para melhor exercermos o nosso papel de membros uns dos outros e do Corpo mísitico de Cristo na face da Terra. Devemos ter o cuidado de não acusar, constranger e condenar os que não possuem a luz que possuímos; devemos igualmente termos o cuidado de ouvirmos aos nossos irmãos, pois nem todos temos a mesma luz em todas as diferentes áreas da vida cristã. É sempre possível termos mais luz em uma área do que em outra, nenhum ministro e nenhum ministério ou igreja tem toda a iluminação de Deus em todas as esferas e, deste modo, nossos irmãos podem ser canais de Deus para transmitir luz para nossas vidas.

Precisamos muito do renovo de Deus todos os dias. Renovação do coração, ou renovação de mente, é a chave. Essa renovação vem pela transformação do entendimento. Nós, cristãos, precisamos ter uma mente capaz de transformação. As experiências com Deus passadas, o que já experimentamos do Senhor deve ser considerado um marco em nossa vida, para a partir desse marco prosseguirmos em direção a Cristo, olhando firmemente para Ele. A Bíblia nos fala de um caminho a ser percorrido, não uma posição estática. Há uma carreira proposta, a qual precisamos correr; há um caminho a prosseguir, uma jornada a completar. Por isso Paulo nos diz: "Irmãos, quanto a mim, não julgo que o haja alcançado; mas uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas que atrás ficam, e avançando para as que estão adiante,  prossigo para o alvo pelo prêmio da vocação celestial de Deus em Cristo Jesus." (Fp 3.13,14) É preciso avançar e para isso devemos nos desvencilhar de tudo o que nos impede de irmos em frente. Deus tem muitas coisas grandes e firmes ainda pendentes para nos revelar, há muito ainda o que prosseguir e o que realizar na Obra de Deus e Deus realizar em nossas vidas. A conversão foi o início de tudo; daí prosseguimos até o batismo com Espírito Santo, mas paramos nas experiências que recebemos. Há dons do Espírito importantíssimos, mas que não buscamos porque estamos parados apenas na evidência do batismo, achando que ele só se resume a falarmos noutras línguas. Recebemos o batismo, mas ficamos no Cenáculo, nos alegrando mutuamente com a nova experiência com Deus e nos edificando pelo falar em línguas, quando Deus espera que a experiência do batismo com o Espírito Santo produza em nós a intrepidez necessária para sermos testemunhas de Cristo aos perdidos. Jesus prometeu que nós realizaríamos as mesmas obras que Ele realizou e ainda maiores do que Ele, porém sequer chegamos no nível das obras do Mestre! (Jo 14.12) Estamos muito longe do plano de Deus para nós! Não podemos nos conformar com o que já temos recebido; é preciso buscar mais de Deus e assim seguir em frente, de forma que cada palavra do Senhor a nosso respeito venha se cumprir integralmente!

O ano que se finda, como diz o hino, nunca mais veremos novamente. O que passou, passou. Não há como voltar ao início de 2012 e recomeçar tudo de novo. Tudo fica para trás e, pela misericórdia de Deus, um novo ano vai surgindo, cercado de projetos e esperanças. Grandes coisas haverão de ser reveladas por Deus aos Seus filhos. O plano de Deus para nós está firme, o caminho que Ele traçou permanece reto. A carreira continua proposta por Deus para que a percorramos. Qual é o nosso papel no plano de Deus em 2013?  Sigamos em frente! Busquemos intensamente ao Senhor em 2013, para que saibamos a Sua vontade para nós individualmente e enquanto igreja. A nossa redenção está cada dia mais próxima; a volta de Jesus cada vez mais iminente! A seara é imensa e sequer tocamos nela, estamos acomodados e sossegados! Porém há de vir o Espírito do Senhor incendiando a nossa vida, trazendo arrependimento e mudança de vida, gerando santidade e reavivando a nossa fé, nos motivando a ir adiante!

No relógio do mundo material, o ano de 2013 começa após exatamente a meia-noite de 31 de dezembro de 2012. No relógio de Deus, o ano novo começa quando o novo de Deus é gerado em nossa vida. O mesmismo de 2012 pode se repetir em 2013 ou não. O ano novo pode trazer vida nova ou repetir a pasmaceira do ano que ficou para trás, pode ser realmente novo ou apenas repetição do velho. Depende de você!

Que a luz de Deus possa brilhar em nós, ainda mais e mais; que possamos apresentar, em espírito e em verdade, a nossa vida como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o nosso culto racional - culto reflexivo e prático, não assisitido mas ministrado por cada um de nós a Deus. Que a nossa mente seja mais e mais transformada, de forma a estar cada vez mais semelhante à mente de Cristo, que pensava em fazer a vontade de Deus acima da Sua própria e assim o fazia, com entendimento renovado sobre nossa chamada e vocação cristãs e sobre a vontade de Deus para nós, para que em 2013 possamos experimentar essa vontade - boa, agradável, e perfeita - de forma prática, em nossas  vidas, em nome de Jesus!

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

VAI E NÃO PEQUES MAIS, MAS TENHA UM NOVO VIVER NO ESPÍRITO DO SENHOR!

"Então os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério; e pondo-a no meio,  disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada em flagrante adultério.  Ora, Moisés nos ordena na lei que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes?  Isto diziam eles, tentando-o, para terem de que o acusar. Jesus, porém, inclinando-se, começou a escrever no chão com o dedo.  Mas, como insistissem em perguntar-lhe, ergueu-se e disse- lhes: Aquele dentre vós que está sem pecado seja o primeiro que lhe atire uma pedra.  E, tornando a inclinar-se, escrevia na terra.  Quando ouviram isto foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos, até os últimos; ficou só Jesus, e a mulher ali em pé.  Então, erguendo-se Jesus e não vendo a ninguém senão a mulher, perguntou-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou?  Respondeu ela: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu te condeno; vai-te, e não peques mais." (Jo 8.3-11)

Este texto bíblico, extraído do Evangelho de João, fala muito aos nossos corações. Trata-se de um dentre muitos episódios do ministério terreno de Nosso Senhor Jesus, no qual ficamos pasmados e maravilhados diante de Sua grandeza de caráter, de Sua grandeza pessoal e espiritual. Esta maravilhosa passagem é reconfortadora, a partir dela podemos ter esperança e fé que a nossa vida tem imenso valor para Deus, mesmo que religiosamente e espiritualmente ela não esteja sendo vivida da forma correta; mesmo que não sejamos um padrão de moral e de bons costumes.

Ali estava uma mulher apanhada em flagrante adultério. Não era um suspeita. Não era um caso hipotético, ou fruto da imaginação perversa dos homens. Não, ela foi pega no ato. Em grego, αὐτοφώρῳ μοιχευομένη, no ato do adultério. Foi pega no flagra, sem chance de apelação, sem chance de argumentação. Não há explicações a serem dadas quando somos flagrados no ato, porque contra fatos não há argumentos. Talvez ela, ao ser flagrada, tenha tentado fugir junto com o seu amante secreto. Esse deve ter corrido um bocado, ou quem sabe fosse alguém muito influente e poderoso, já que em momento nenhum o texto do Evangelho de João fala nele. Quem sabe não seria um escriba, ou um fariseu, pessoas religiosas e influentes daquela época. Ou talvez fosse somente um qualquer. Não importa; o fato é que ali, capturada e subjugada estava a adúltera.

Vamos agora, por um momento, nos colocar no lugar daquela mulher. O prazer que ela sentia no adultério havia dado lugar a uma grande quantidade de emoções poderosas. Vergonha, humilhação, medo... Imagine ser pego no ato, na hora H! Pior: pega no ato pelos homens mais "santos", mais religiosos daquela época; pega por aqueles que em hipótese alguma entenderiam ou suavizariam aquilo que ela fizera. Homens zelosos, cheios de zelo de Deus e das coisas de Deus. Homens que conheciam a Lei de Deus, ou Lei de Moisés, porque a Lei de Deus foi entregue a Moisés no deserto. Não havia chance alguma para aquela mulher e ela sabia disso; seu coração batia forte, seu sangue
estava cheio de adrenalina: primeiro por ser flagrada em adultério, depois pelas consequências disso, que lhe enchiam a mente. Sim, a consequência... ela sabia qual era a consequência... ela conhecia o que a Lei de Moisés previa nesses casos, ou pelo menos ouviu isso muito claramente quando foi apanhada: "Tragam esta mulher pecadora, adúltera, indigna para fora da cidade... cada um pegue uma pedra... e assim vamos cumprir a Lei, vamos extirpar o pecado do nosso meio...".

Dura lex, sed lex, a lei é dura, mas é a lei. De certo ponto de vista, aqueles homens não estavam errados. De fato, a Lei ordenava a morte em caso de adultério: "O homem que adulterar com a mulher de outro, sim, aquele que adulterar com a mulher do seu próximo, certamente será morto, tanto o adúltero, como a adúltera." (Lv 20.10) É muito provável que o próprio marido daquela mulher estivesse no meio da turba zelosa e irada; talvez, quem sabe, tenha sido ele quem flagrou sua mulher no ato do adultério. Os fariseus e escribas conheciam muito da Lei, tinham decorado cada preceito, cada situação. Porém, apesar de exímios conhecedores dos preceitos, eles desconheciam os princípios misericordiosos envolvidos na Lei e interpretaram a passagem segundo suas próprias intenções malignas.  A verdade é que eles não tinham nenhum interesse na vida daquela mulher ou mesmo no que ela fizera. Eles não estavam se importando com que o que viesse a acontecer com ela. Ela era apenas um instrumento, na concepção deles, para apanhar o Mestre em contradição, "para terem de que o acusar". Seus corações estavam cheios de ódio pelo Senhor. E, assim, estava a mulher, desgraçada e humilhada, cheia de pavor diante de uma multidão irada, trazida agora aos pés do Rabi, do Mestre, que não teria outra alternativa a não ser ratificar o veredito - senão não só a ela, mas Ele também seria apedrejado!

Que situação! Se Ele não permitisse a morte dela, seria acusado de quebrar a Lei de Moisés, ficando desacreditado e réu de juízo. O que você faria nessa situação? Muitos condenariam a mulher para se salvarem. Há, na verdade, muitas pessoas como essa mulher, que vivem debaixo de um peso enorme de condenação. Pessoas que foram condenadas por religiosos, condenadas por transgredirem, por pecarem e serem apanhadas no flagra. Gente que sabe o que fez, que tem consciência de que pecou. Gente que foi excluída, que foi tornada pária por um grupo do qual outrora fazia parte. Gente que foi marginalizada, colocada a margem, na sarjeta da vida. Inúmeras pessoas se acham por todos os caminhos das nossas cidades, do nosso país exatamente como esta mulher – amargurados, desiludidos, fracassados, feridos ou endurecidos. Nesse contingente, há casos para todo tipo de pessoas. Do endurecido ao desprezado, do chafurdado na lama pelo engano do pecado ao desesperado para sair dele, mas sem ninguém para estender a mão. Pessoas que nunca foram crentes, nunca experimentaram o amor de Deus por elas. Há também pessoas que caíram em erros considerados “sem volta” por sua igreja, como o adultério. Foram disciplinados, escrachados, alijados da comunhão e, não raro, se excluíram ou foram excluídos. O problema é que, em seus casos específicos, não foi Deus o autor do juízo sumário, mas o zelo religioso.

O Senhor Jesus, contudo, não condenou aquela mulher. Ele abaixou-se começou a escrever no chão com o dedo. O que Ele escrevia é desconhecido para nós; pareceu bem ao Espírito Santo não nos revelar o teor dessa escrita. Teria Ele escrito no pó a acusação contra aquela mulher, indicando assim que diante da Graça e da Misericórdia de Deus as acusações são como pó? Não sabemos. O fato é que sua atitude deve ter causado espécie na turba enfurecida. Eles insistiram! "E então, Mestre, como vai ser? O que o Senhor diz? Estamos esperando sua resposta! Não temos o dia todo!" Havia uma grande pressa: pressa para condenar, para exercer o juízo! Quando estamos fixados numa idéia não aceitamos esperar "nem mais um minuto", não aceitamos repensar nossa cadeia de raciocínios nem rever nossas teses. Quando o gatilho da emoção dispara, ficamos aprisionados num turbilhão de sentimentos e reações, incapazes de pensar livremente. A atitude do Senhor, internamente e externamente, perturbou muito os agitados algozes. Como poderia aquele homem estar tão sereno, tão tranquilo, tão em paz diante de uma multidão tão cheia de ódio, tão pronta a agir com violência?

A multidão, impaciente e ensandecida, insistiu na pergunta: "e então Mestre? O que o Senhor tem a dizer sobre isso?" Jesus então se põe de pé e lhes responde de uma maneira tremenda: "Aquele dentre vós que está sem pecado seja o primeiro que lhe atire uma pedra." A resposta do Mestre foi libertadora, paralizando a emoção negativa e libertando o raciocínio, fazendo com que aqueles homens olhassem para si mesmos, para o próprio interior, repensando sua fé e espiritualidade à luz daquela afirmativa. "Examine-se pois o homem", é o que diz as Escrituras. Nenhum daqueles homens tinha condições de fé e de santidade para agirem no espírito do que a Lei preconizava. Como apedrejariam aquela mulher, sendo eles mesmos passíveis de morte - pois eram tão ou mais pecadores do que ela? A Lei é santa, mas os executores da Lei não eram santos. Nem mesmo os velhos tinham a vida necessária para aquela atitude e assim cada um foi embora, cabisbaixo, pensativo. Se fossem aplicar a Lei como queriam anteriormente, teriam que lançar pedras cada um sobre si mesmo, nenhum deles escaparia da condenação da Lei. Quantas vezes estamos nós mesmos presos ao mesmo cárcere emocional que aquela multidão... quantas vezes estamos sedentos de justiça, queremos que a justiça se cumpra a qualquer preço, mas nos esquecemos de que se Deus for cumprir a justiça, ninguém escapa. Por isso, Deus age com misericórdia, esperando que o pecador - réu e/ou juiz - arrependa-se do seu pecado e volte-se para Deus, de forma a receber o perdão pelos pecados.

Misericórdia não é bonachice. Não é acobertar o erro, ou negar a sua existência. Não é dizer "ah, isso não é nada!" Não! Deus considera cada atitude nossa que é fora da Vontade de Deus para nós, expressa na Bíblia, como pecado. Adultério é pecado. Fornicação é pecado. Homossexualismo é pecado. Inveja é pecado. Fofoca é pecado. Bebedice é pecado. Idolatria é pecado. A Bíblia assim declara: "Ora, as obras da carne são manifestas, as quais são: a prostituição, a impureza, a lascívia,  a idolatria, a feitiçaria, as inimizades, as contendas, os ciúmes, as iras, as facções, as dissensões, os partidos,  as invejas, as bebedices, as orgias, e coisas semelhantes a estas, contra as quais vos previno, como já antes vos preveni, que os que tais coisas praticam não herdarão o reino de Deus." (Gl 5.19-21; ver também Rm 1.18-32) Misericórdia é a ação bondosa de Deus, que nos perdoa as nossas transgressões, se as reconhecermos e confessarmos. Misericórdia é mostrar o pecado e a única solução para ele - Jesus! Misericódia é estender a mão para ajudar quem não merece. Jesus reconheceu que aquela mulher havia relmente pecado, tanto que disse que ela não deveria continuar pecando. "Vai e não peques mais", foi o que Ele disse. Nisso vemos a grande misericórdia de Deus: O Senhor liberou a adúltera, deixou que ela fosse embora, de volta para a sua casa, não debaixo de uma condenação, mas de uma grande exortação: "não peques mais"! Viva a sua vida sem pecado. Não seja mais uma adúltera. O adultério que você havia cometido é pecado, não volte a fazer isso novamente, para seu próprio bem.    

A Igreja deve combater o pecado não para condenar o pecador, pois ele já está condenado por sua própria atitude. A Igreja deve combater o pecado para resgatar o pecador, para mostrar-lhe que é terrível o estado em que ele se encontra, mas que em Jesus há solução para qualquer tipo de pecado que o pecador possa ter cometido! Ou seja, o combater o pecado serve para libertar o pecador da sua prisão! Por isso, em todas os sermões, sempre enfatizo que em Cristo há a solução, que Ele mesmo é a solução para o pior e mais vil pecador! A Igreja é lugar de despertamento e de arrependimento, com isso é lugar também de restauração e salvação! O homem precisa conhecer como Deus o vê, para poder conhecer o amor de Deus por ele! Deus vê a humanidade perdida, debaixo de pecado; mas Deus dá a cada homem a chance de recomeçar, de nascer de novo, de ter nova vida em Cristo! Chance de ter um novo viver no Espírito do Senhor, de Reviver!   

Talvez você esteja vivendo extamente como aquela mulher. Marginalizado, cercado de acusadores e de suas condenações. No fundo do seu coração você sabe que a vida que você tem levado é pecaminosa diante de Deus. Você sabe que isso que você faz é pecado. Você ouviu a Verdade, mas não sabe como fazer para ser livre. Já tentou de um tudo, buscou em todos os lugares, fez todos os sacrifícios e oferendas as mais diversas divindades, de acordo com o "receitado" pelos "médicos de alma", para tentar consertar o problema, mas foi tudo em vão. Buscou todas as experiências para saciar a sua alma, mas ao final de tudo ela está mais faminta do que nunca! Você foi pego no ato - por seu conjuge, por sua família, por seu chefe... e está se perguntando: e agora? O que vou fazer? Mergulha de cabeça nos prazeres da vida, nas orgias, nas drogas, na prostituição, no sexo irracional e animalesco... só para fugir de si mesmo, daquilo que você se tornou, daquilo que você fez. Talvez você esteja até mesmo pensando em se matar, em dar cabo da sua vida, pois está pensando que essa é a última solução honrosa que você tem. Afinal, talvez você diga, tudo acabou mesmo. Já não
tem mais jeito, já não tem mais remédio. Ninguém mais vai acreditar em você agora, é o pensamento que não sai de sua mente.  

Ou quem sabe você até um dia foi crente, mas pecou e quando isso aconteceu você foi expulso da Igreja, ou quem sabe você mesmo saiu, porque as acusações do diabo foram terríveis. Talvez você tenha cogitado em ir à Igreja, mas o diabo lançou sobre uma terrível acusação; daí você passou a praticar os mais baixos pecados, porque pensa que já está condenado ao inferno por toda a eternidade, portanto a única alternativa que resta é aproveitar seus dias na terra. Quem sabe você tem pensado em voltar à comunhão da Igreja, mas há sempre a voz acusadora do diabo, dizendo que você é indigno, que ninguém vai te receber, enfim, que não tem mais volta. Talvez você se ainda se lembre dos irmãos, da alegria e do amor que desfrutava antes da queda, mas o pecado te impede de voltar a Deus e a Igreja.

Isso tudo não passa de pura mentira do diabo! Quer você nunca tenha sido crente, quer já tenha sido e se desviou, Deus ama você! Independente do que você possa ter feito, independente do quão profundo você desceu no abismo da podridão da vida, Deus lhe ama! A Bíblia assim declara: "Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna." (Jo 3.16) Você, que está sedento, precisando de uma gota d'água de vida, de esperança, de fé, venha para Cristo! Ele prometeu não apenas matar a sua sede de vida, mas fazer dentro de você uma fonte de muitas águas, de rios de água viva! "Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede; pelo contrário, a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que jorre para a vida eterna." (Jo 4.14) Não estou falando de um copo d'água ungido, não é isso. Estou falando de algo completamente novo, sobrenatural, incrível e maravilhoso que o Senhor deseja fazer em sua vida! Você pode ter um novo começo! Você pode nascer de novo, espiritualmente falando! Você pode obter gratuitamente o perdão dos seus pecados, basta crer no Salvador e entregar a Ele a sua vida! Jesus pode mudar a sua vida por completo! Venha sem medo, sem reservas; Ele jamais rejeitará você! Ele mesmo disse: "Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora.  Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.  E a vontade do que me enviou é esta: Que eu não perca nenhum de todos aqueles que me deu, mas que eu o ressuscite no último dia.  Porquanto esta é a vontade de meu Pai: Que todo aquele que vê o Filho e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia." (Jo 6.37-40)

O diabo, querido leitor, veio senão para roubar, matar e destruir a sua vida; Jesus veio para que você tenha vida e a tenha em abundância! Ora, Jesus não deixou de perdoar. Ele quer perdoar você, novamente. Isso mesmo, no-va-men-te. Os seus pecados, o Senhor levou sobre si na cruz do Calvário. Portanto, venha até Ele, venha pecador como tu estás. Se você ouve uma voz dizendo "vem! volta! Vá a Igreja!", essa voz é a voz de Jesus, repleta de graça sem par! Já ouves, querido leitor, Ele a clamar? A voz de Jesus a chamar-te? Entrega-lhe, pois, o teu infeliz coração e gozo terás! Se longe de Deus meu amigo tu estás, porque permaneces assim? Se a morte chegar, que surpresa fatal; muito triste será o teu fim! Entrega-lhe o teu infeliz coração, querido(a) leitor(a)! Se vives tristonho sem gozo e sem paz, é mau o caminho em que vais; escuta a voz que te dá salvação, Jesus te dará Seu perdão! Venha, e você ouvirá do Bom Mestre: onde estão os teus acusadores? Ninguém te condenou? Bem, eu também não te condeno; vai-te, e não peques mais! Venha refazer sua aliança com o Senhor! Ele te chama para te restaurar, para te renovar, para te encher com o Espírito Santo!

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!