"Marombista: deriva de maromba, a vara que os funâmbulos usam para equilibrar-se na corda, às vezes bamba. Marombista designa, particularmente, aquele que fica em cima do muro, ou da corda, equilibrando-se e não se comprometendo." (cf. ARANHA, Altair J. Dicionário brasileiro de insultos. Ateliê Editorial, 2002.)
Marombista, aquele que fica em cima do muro. Não tem posição ou pelo menos faz de tudo para escondê-la. Em geral, é uma pessoa que quer ficar bem com os dois lados discordantes em uma questão. Estão sempre se omitindo.Afinal, é mais cômodo e confortável não ter opiniões ou, pelo menos, não expressá-las. "Ficar em cima do muro" é o tal do não ter partido. Em muitos casos é até mais interessante, para muita gente, se sentir no muro, afinal, desta forma, pode-se aproveitar o que ambos os lados oferecem de melhor.
Poderia ser um cristão uma pessoa marombista? A Bíblia ensina que não.
"Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna." (Mt 5.37) De forma bem clara, o "sim" ou o "não" precisam ser absolutos e verazes, como tendo o peso de um juramento. A palavra pessoal deve ter o mesmo peso que uma palavra juramentada, noutros termos. Se a opinião pessoal de alguém é como "a onda do mar", ou seja, "nada do que foi será igual aquilo que já foi um dia", então a palavra dessa pessoa não vale nada. A conclusão inescapável é que quem age assim está em falta com a Verdade e, portanto, com a fé desviada de Cristo. Vive, assim, na mentira.
Cristão sem posição? Como, se Cristo tinha posição sobre tudo (e todos)? Cristo jamais ficou "em cima do muro" em momento algum de Sua vida e ministério terrenos. Ele disse: "Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha." (Lc 11.23) Ou seja, para o Senhor não tinha essa de "posição neutra". Ou está com Ele, ou contra Ele; ou com Ele ajunta, ou então espalha. Os neutros com relação à Cristo, assim, na verdade, são contra Cristo. Noutra ocasião, referindo-se a Herodes, Jesus disse: "Respondeu-lhes Jesus: Ide e dizei a essa raposa: Eis que vou expulsando
demônios e fazendo curas, hoje e amanhã, e no terceiro dia serei
consumado." (Lc 13.32) Jesus não Se intimidava. De imediato, diante da afirmação dos fariseus que Herodes queria matá-lo, retornou o recado a Herodes, num estilo formidável: "Dizei àquela raposa". Herodes era uma raposa, metáfora para pessoa traiçoeira, cheia de artimanhas, que não se revela. Note que Jesus não ficou "em cima do muro" - "ah, não vou falar nada sobre isso não, porque se não meus discípulos vão ficar escandalizados, vão se desviar, e blábláblá...", como muitos ditos cristãos agem. Não, definitivamente! Jesus foi muito direto e verdadeiro: R-A-P-O-S-A!
Não confunda marombista com mansidão. O manso tem convicção, não fica em cima do muro, não é uma pessoa neutra sem opinião própria e indecisa. Ser manso é saber falar com mansidão, é controlar seu ego, procura manter a calma mesmo em meio a um grande conflito. O manso tem o espírito apaziguador, se chega onde há conflito, ele trás uma palavra de moderação e de conciliação, essa é a característica de uma pessoa mansa. Ele ouve os dois lados, chega à verdade e posiciona-se.
No Antigo Testamento temos o mesmo princípio - da verdade e da veracidade: "pôs-se em pé à entrada do arraial e disse: Quem é do Senhor venha até mim. Então, se ajuntaram a ele todos os filhos de Levi" (Êxodo 32:26) Moisés falou e todos os filhos de Levi se juntaram a ele. Eles não ficaram "em cima do muro" - "peraí, Judá, Zebulom, Naftali... ninguém foi quando ele falou... ah, se seu for, meus irmãos vão ficar bravos comigo, vou perder amizades, vou causar constrangimento...ah, vou ter que romper com Israel..." Não! Pergunto: se seu irmão ou parente "ficar em cima do muro" quando você está passando por uma injustiça, como você se sentiria com relação a seu irmão/parente? Doeria em você, não é? Mas quando é com os outros, você fica em cima do muro. Sabe por que? Porque pimenta nos olhos dos outros é refresco!
OBVIAMENTE, tudo o que foi dito até aqui não significa - e não deve ser assim entendido - como ser grosseiro, mal educado ou criador de confusões. Jesus não era criador de casos, nem mesmo Seus discípulos. Ele não era um grosseirão, como infelizmente muitos são hoje. Na fé em Cristo, a Verdade e o Amor caminham sempre juntos: "Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo." (Ef 4.15) Um cristão segue a Verdade em Amor. Verdade sem amor é arrogância, porém Amor sem verdade é hipocrisia. Foi chamado a posicionar-se em algum assunto? Faça isso, mantendo a educação e a cordialidade, mas sem esmorecer daquilo que é certo e verdadeiro. Mas NUNCA fique em cima do muro, especialmente diante da mentira e de suas manifestações, como a injustiça, o desamor, a opressão e a violência. Quem fica em cima do muro, decidindo calar-se diante do mal e do erro, está sendo conivente com esse mal e/ou erro.
Ficar em cima do muro pode parecer a melhor solução para os indecisos, inseguros, calculistas, aproveitadores ou covardes. Não tomar partido, não emitir opiniões e ficar só esperando para ver quem vence para declarar-se aliado é, de fato, uma posição muito confortável, pois não cria animosidades e desafetos. Tudo muito conveniente! Tudo muito alegre e festivo, mas sem conteúdo! É como um vaso oco. E, definitivamente, não guarda nenhuma relação de proximidade com Cristo e com a Bíblia.
Diante de qualquer situação, ou de qualquer assunto, precisamos nos posicionar como cristãos. Para isso, talvez nos faltem as informações necessárias. O que fazer? Buscar essas informações. Buscar a fundamentação bíblica (ou ausência dela) e, então, tomar uma posição. Como pode um cristão não buscar chegar a verdade dos fatos e suas fundamentações? Como pode um cristão ficar em cima do muro, recusando-se a emitir sua opinião enquanto outros ao seu lado estão vivendo algo mentiroso, falso, baseado em "mentiras acomodadoras"? Como pode um cristão calar-se quando o mal jaz à sua porta? Quando atinge, por exemplo, um membro do Corpo de Cristo, ao qual chama de "irmão", ao qual faz "juras de amor" por anos a fio, com quem celebra a "ceia do Senhor"? Será que é a Ceia do Senhor que estão realmente tomando? Será que aquele antigo hino "e na força do Espírito Santo nós proclamamos aqui, que pagaremos um preço de sermos um só coração no Senhor" já não virou mera ideologia vazia, cantoria inútil e sem vida, melosa, sem significado prático algum? E isso que estão assim vivendo, uma fé marombista desprovida de verdade, é o que Cristo ensinou?
O apóstolo Paulo adverte que a nossa fé não deve ser irracional: "Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional" (Rm 12.1). Racional vem de raciocínio. Pense! Reflita! Tome posição! Esse "amor" que muitos cristãos vivem hoje é, na verdade, puro fingimento, porque não possui verdade alguma nele! É só emocionalismo barato! É só "usar as pessoas" em prol da "ideologia do grupo" - você vale se for "vaca de presépio", enquanto "disser amém para tudo"! Para se "dar bem" nesse sistema diabólico basta ser um puxa-saco capachão - estes, que o digam - um hipócrita de carteirinha! Capachão marombista!
Clique e escute: Puxa-Saco com Jeito!
O marombismo é uma das práticas dos chamados neo-evangélicos. Em seu livro discernido sobre o assunto, John Ashbrook observa que o Neo-Evangelicalismo “deveria ser mais apropriadamente rotulado de Novo Neutralismo. Ele procura o campo neutro, não sendo peixe nem galinha, nem direita nem esquerda, nem a favor nem contra… fica em cima do muro”. Esse Neo-Evangelho pode ser identificado pelos seguintes termos: macio, cauteloso, hesitante, tolerante, pragmático, acomodado, flexível, não controverso, não ofensivo, não passional e não dogmático. Contrastando o modo de neutralidade do Neo-Evangelho, o Cristianismo bíblico se caracteriza por termos como: forte, audacioso, destemido, dogmático, claro, intolerante, não acomodado (ao pecado e ao erro), inflexível (em relação à verdade), controverso, ofensivo (aos que desobedecem a Deus) e passional. (extraído de: https://discernimentocristao.wordpress.com/2010/02/06/neo-evangelico/. Acesso: 17/05/2018).
Se você é marombista, ou pior, um marombista que se desenvolveu em marombista capachão, cuidado! Você já perdeu sua fé há muito tempo e não sabe!
Pense nisso.
Graça e paz!
quinta-feira, 17 de maio de 2018
domingo, 6 de maio de 2018
ERROS E CONCEITOS ERRADOS ACERCA DA LIDERANÇA NA IGREJA
Quando pensamos erroneamente sobre o que significa liderança na igreja, a igreja sofre. Às vezes nós fazemos líderes das pessoas erradas. Eu não conheço nenhum pastor que jamais tenha se equivocado ao apontar pessoas sem qualificação para funções de liderança na igreja. Todos que conheço já erraram nisso um dia e se arrependem do que fizeram, quando a necessidade da igreja ou a amizade pesoal (coração de pastor é um problema!) falou mais alto que a razão, atropelando-se a fundamentação bíblica necessária que um candidato a liderança precisa possuir antes de ser colocado em tal posição.
Eu, como pastor, já cometi esse erro em algumas ocasiões; graças a Deus nem sempre, mas aconteceram sim. Coloquei como líder na igreja quem nunca teve nenhuma chamada, nenhuma condição para ocupar a posição. Os resultados foram péssimos, passando desde mal-exercício da função (exercício desleixado, não-exercício, arrogância/prepotência pelo sujeito, ensino bíblico distorcido, aconselhamentos errados, etc.), até a mais bruta e simples traição. Acabei criando um punhado de "Franksteins", como diz meu irmão que também é pastor. Gente que passou a amar mais o cargo alcançado do que a mim e a igreja, que na minha "noite escura da alma" levantaram-se como verdadeiras "assombrações", semeando discórdia e dividindo a igreja. Gente ingrata, infiel; diziam-se amigos e assim eu os considerava, com verdadeiro amor cristão, me doando a estes; mas na verdade nunca o foram, de fato, meus amigos. Quando muito, eram simpatizantes, amigos apenas na teoria.
Outras vezes, como igreja, distorcemos a relação entre a igreja e seus líderes. Sobre isso, há três pontos que gostaria de destacar:
1º ERRO: LEITURA INCORRETA DE I TIMÓTEO CAP. 3
Em 1 Timóteo 3, Paulo dá a Timóteo - e através de Timóteo à igreja - a lista de qualificações morais para os anciãos. Ele inclui aspectos positivos como "acima de reprovação ... auto-controlado, respeitável, hospitaleiro ..." Ele também inclui negativos como "não é um bêbado, não violento ..." E então ele dá três qualificações finais com motivos ligados a eles : um presbítero deve mostrar uma boa administração doméstica, não ser um novo convertido e precisa ter uma boa reputação. A lista em si é clara e fácil de entender.
Mas nota-se que há pessoas interpretando essa lista de duas maneiras erradas. A primeira é ler essas qualificações como a lei de Deus contra a qual nenhuma infração pode ser tolerada. Neste modo de leitura, ninguém será qualificado, exceto aqueles que fingiram ser perfeitos. A segunda é ler essas qualificações como algumas boas sugestões, mas não regras rígidas. Neste modo de leitura, quase todo homem na congregação parece elegível para o ofício de ancião.
Se a nossa leitura de 1 Timóteo 3 nos leva a crer que ninguém está qualificado ou que quase todo mundo é qualificado, não entendemos a passagem. Paulo escreveu a Timóteo com a expectativa de que ele seria capaz de encontrar homens assim nas igrejas que ele estava servindo. E ele também escreveu com a expectativa de que alguns seriam desqualificados do cargo. Lendo 1 Timóteo 3 requer sabedoria, compreendendo o equilíbrio: Deus não requer perfeição nos líderes, mas requer a piedade.
Piedade é algo muito importante. A palavra aponta para duas coisas: (1) devoção, amor pelas coisas religiosas; religiosidade; virtude que permite render a Deus o culto que lhe é devido e (2) compaixão pelo sofrimento alheio; comiseração, dó, misericórdia. Em suma, piedade significa amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, como ensinou o Mestre de Nazaré. Significa cumprir a Lei. Infelizmente, sempre haverá quem ama a Deus acima de todas as coisas ao ponto de ignorar o seu próximo. Gente que se faz "caras e bocas" no louvor, que frequenta assiduamente o templo e seus eventos de segunda à segunda, mas que é incapaz de mover uma palha de piedade para quem sofre ao seu lado, para compreender e ter compaixão pela dor humana. Gente que quer mais é o outro se lasque, que se ferre para lá; que o sofredor, o pecador, o endividado, o adúltero, o bêbado, a prostituta, ou mesmo que o "irmãozinho" não atrapalhe sua fé. "Xiiii... lá vem esse chato de novo! Vai ficar me alugando, impedindo meu culto! Ah, essa não! Vou dar um "pode ir" para esse cara!" "Ficar depois da hora? Nem pensar!" "Baixo astral? Vou pra Porto Alegre! Tchau!"
É muito interessante - e relevante - que quando o Senhor explica acerca da necessidade de amar o próximo e então lhe perguntam quem é o próximo, ele diz: "Jesus prosseguiu, dizendo: Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e veio a cair em mãos de salteadores, os quais, depois de tudo lhe roubarem e lhe causarem muitos ferimentos, retiraram-se, deixando-o semimorto. Casualmente, descia um sacerdote por aquele mesmo caminho e, vendo-o, passou de largo. Semelhantemente, um levita descia por aquele lugar e, vendo-o, também passou de largo. Certo samaritano, que seguia o seu caminho, passou-lhe perto e, vendo-o, compadeceu-se dele. E, chegando-se, pensou-lhe os ferimentos, aplicando-lhes óleo e vinho; e, colocando-o sobre o seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e tratou dele. No dia seguinte, tirou dois denários e os entregou ao hospedeiro, dizendo: Cuida deste homem, e, se alguma coisa gastares a mais, eu to indenizarei quando voltar." (Lc 10.30-35)
Quem se desviou de socorrer aquele homem? Os religiosos - o sacerdote e o levita - aqueles que iam buscar a Deus e que diziam-se "servos de Deus, homens de Deus". Que diziam "conhecer a Lei de Deus e o próprio Deus", "ungidos", "pregadores", "servos do Altíssimo". Mas quem socorreu? O não-religioso! O dito "endemoniado", "perdido", "filho do diabo que vai para o inferno", "pária" - o samaritano. A verdade subjacente é que não raro encontra-se mais misericórdia e piedade naqueles que são considerados pelos religiosos de plantão (ditos "da luz"), como sendo "das trevas". Há mais amor, mais fidelidade, mas verdade na vida daqueles sobre quem diz-se serem "não-cristãos" do que na vida de muitos cristãos beatos de igreja, infelizmente. Como podem dizer amar a Deus e não amar o próximo?!?!?!? Como podem ir ao altar de Deus, apresentarem louvores, escutarem a Palavra, e desprezarem o próximo - muitas vezes o próprio irmão?!?!? Serem falsos, traidores, mentirosos?!?!?
"Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta." (Mt 5.23,24) Ou seja, podem ofertar, podem sacrificar, podem dar dízimo gordo, participar de campanha, evangelizar, pintar o sete em nome de Deus, mas sem reconciliação não há aceitação da parte de Deus! Sem vir pedir perdão, sem arrependimento pelas ofensas, pelas traições, pelas mentiras e deturpações, podem esquecer: culto será vazio, sem Deus!
2º ERRO: VISUALIZAR O PRESBITERATO COMO O PINÁCULO MINISTERIAL
Meu irmão, pr. Marcelo, já abordou isso várias vezes. A turma que vê ministério e as funções ministeriais como escada para atingir a posição de pastor/presbítero. Os que não são pastores são vistos, muitas vezes, como alguém que ficou estacionado no ministério. Especialmente em igrejas pentecostais (ou cujo pastor viveu anos a fio no pentecostalismo), há o entendimento que se alguém foi consagrado a cooperador, obrigatoriamente tem que ser diácono, se diácono tem que ser presbítero e assim por diante, um tipo de escadinha ministerial. O sujeito começa como diácono, fazendo tudo certinho PIV (para inglês ver) e então ser, depois de um tempo, elevado a presbítero; mais um tempo de serviço PIV e então vira pastor. Aí surta e degringola, fica com ego inchado e vira traíra e ursurpador.
Deus chama o Seu povo para "respeitar aqueles que trabalham entre vocês e estão sobre você no Senhor e admoestar você". (1 Tim. 5:12) É bom e correto respeitar os anciãos da igreja. Mas um perigo sutil surge quando assumimos que os anciãos são necessariamente os maiores cristãos entre nós. E com isso vem a idéia nunca declarada, mas muitas vezes presumida, de que ser um ancião na igreja é, de alguma forma, o auge do cristianismo, o ápice ao qual todo homem deve aspirar - e o pico que as mulheres nunca conseguem escalar. O resultado é elevar o cargo a uma posição tão alta que uma distinção doentia é estabelecida entre os anciãos e o resto da igreja.
Em contraste, a Bíblia ensina que a maioria dos cristãos é desqualificada ao presbiterado, não com base em qualificações morais, mas com base em qualificações espirituais. Ser um presbítero requer que um homem não somente possua as qualificações em 1 Timóteo 3, mas que ele mostre os dons espirituais de liderança (Rm 1.28) e ensino (Tt 1: 9). E enquanto Deus dá esses dons a alguns, Ele dá muitos outros dons para o resto da igreja. Alguns são chamados para liderar enquanto todos são chamados (e talentosos) para servir de alguma forma.
Em toda igreja saudável, haverá anciãos celestiais servindo com liderança sacrificial e ensino bíblico. E também haverá muitos outros cristãos piedosos servindo ao Senhor de acordo com seus próprios dons. A liderança ordenada na igreja não é o pináculo da espiritualidade cristã. Ser pastor não é ser o CEO da igreja, nem ser diácono/obreiro é ser menos!
3º ERRO: VISUALIZAR OS DIÁCONOS COMO "ANCIÃOS JÚNIORES"
Relacionado a uma visão excessivamente alta do presbitério é a idéia comum, se não falada, de que ser diácono é o campo de treinamento para se tornar um presbítero. Diaconato não é trainee para presbiterato. Um estudo da igreja no Novo Testamento deve deixar claro o quão ruim é tratar o diaconado como oficiais juniores do time do colégio. Não só serve para desvalorizar grandemente o trabalho dos diáconos, como também ajuda a diminuir as diferenças importantes entre os dois ofícios - para não mencionar o fato de ignorar os padrões da igreja que vêem o ofício de diácono aberto tanto para as mulheres como para os homens.
É certamente verdade que as qualificações morais dos dois cargos são muito semelhantes. Mas as qualificações espirituais para os dois cargos são muito diferentes porque sua área de trabalho é muito diferente. E embora seja concebível que um homem possa ter dons espirituais que o qualifiquem para qualquer cargo, é provavelmente bastante raro. Se todos os presbíteros da igreja são antigos diáconos, estamos escolhendo mal nossos diáconos ou nossos anciãos.
Um diácono que serve fielmente por muitos anos de acordo com seus dons espirituais deve ser honrado e valorizado pela igreja. Enquanto homens que são diáconos devem estar dispostos a serem chamados por Deus para se tornarem presbíteros, eles nunca devem experimentar a pressão para "avançar" para o presbiterado.
Por fim, vale a pena refletir no que nos ensinou Jesus: "Mas Jesus lhes disse: Os reis dos povos dominam sobre eles, e os que exercem autoridade são chamados benfeitores. Mas vós não sois assim; pelo contrário, o maior entre vós seja como o menor; e aquele que dirige seja como o que serve." (Lc 22.25,26)
Pense nisso. Graça e paz!
Eu, como pastor, já cometi esse erro em algumas ocasiões; graças a Deus nem sempre, mas aconteceram sim. Coloquei como líder na igreja quem nunca teve nenhuma chamada, nenhuma condição para ocupar a posição. Os resultados foram péssimos, passando desde mal-exercício da função (exercício desleixado, não-exercício, arrogância/prepotência pelo sujeito, ensino bíblico distorcido, aconselhamentos errados, etc.), até a mais bruta e simples traição. Acabei criando um punhado de "Franksteins", como diz meu irmão que também é pastor. Gente que passou a amar mais o cargo alcançado do que a mim e a igreja, que na minha "noite escura da alma" levantaram-se como verdadeiras "assombrações", semeando discórdia e dividindo a igreja. Gente ingrata, infiel; diziam-se amigos e assim eu os considerava, com verdadeiro amor cristão, me doando a estes; mas na verdade nunca o foram, de fato, meus amigos. Quando muito, eram simpatizantes, amigos apenas na teoria.
Outras vezes, como igreja, distorcemos a relação entre a igreja e seus líderes. Sobre isso, há três pontos que gostaria de destacar:
1º ERRO: LEITURA INCORRETA DE I TIMÓTEO CAP. 3
Em 1 Timóteo 3, Paulo dá a Timóteo - e através de Timóteo à igreja - a lista de qualificações morais para os anciãos. Ele inclui aspectos positivos como "acima de reprovação ... auto-controlado, respeitável, hospitaleiro ..." Ele também inclui negativos como "não é um bêbado, não violento ..." E então ele dá três qualificações finais com motivos ligados a eles : um presbítero deve mostrar uma boa administração doméstica, não ser um novo convertido e precisa ter uma boa reputação. A lista em si é clara e fácil de entender.
Mas nota-se que há pessoas interpretando essa lista de duas maneiras erradas. A primeira é ler essas qualificações como a lei de Deus contra a qual nenhuma infração pode ser tolerada. Neste modo de leitura, ninguém será qualificado, exceto aqueles que fingiram ser perfeitos. A segunda é ler essas qualificações como algumas boas sugestões, mas não regras rígidas. Neste modo de leitura, quase todo homem na congregação parece elegível para o ofício de ancião.
Se a nossa leitura de 1 Timóteo 3 nos leva a crer que ninguém está qualificado ou que quase todo mundo é qualificado, não entendemos a passagem. Paulo escreveu a Timóteo com a expectativa de que ele seria capaz de encontrar homens assim nas igrejas que ele estava servindo. E ele também escreveu com a expectativa de que alguns seriam desqualificados do cargo. Lendo 1 Timóteo 3 requer sabedoria, compreendendo o equilíbrio: Deus não requer perfeição nos líderes, mas requer a piedade.
Piedade é algo muito importante. A palavra aponta para duas coisas: (1) devoção, amor pelas coisas religiosas; religiosidade; virtude que permite render a Deus o culto que lhe é devido e (2) compaixão pelo sofrimento alheio; comiseração, dó, misericórdia. Em suma, piedade significa amar a Deus acima de todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, como ensinou o Mestre de Nazaré. Significa cumprir a Lei. Infelizmente, sempre haverá quem ama a Deus acima de todas as coisas ao ponto de ignorar o seu próximo. Gente que se faz "caras e bocas" no louvor, que frequenta assiduamente o templo e seus eventos de segunda à segunda, mas que é incapaz de mover uma palha de piedade para quem sofre ao seu lado, para compreender e ter compaixão pela dor humana. Gente que quer mais é o outro se lasque, que se ferre para lá; que o sofredor, o pecador, o endividado, o adúltero, o bêbado, a prostituta, ou mesmo que o "irmãozinho" não atrapalhe sua fé. "Xiiii... lá vem esse chato de novo! Vai ficar me alugando, impedindo meu culto! Ah, essa não! Vou dar um "pode ir" para esse cara!" "Ficar depois da hora? Nem pensar!" "Baixo astral? Vou pra Porto Alegre! Tchau!"
É muito interessante - e relevante - que quando o Senhor explica acerca da necessidade de amar o próximo e então lhe perguntam quem é o próximo, ele diz: "Jesus prosseguiu, dizendo: Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e veio a cair em mãos de salteadores, os quais, depois de tudo lhe roubarem e lhe causarem muitos ferimentos, retiraram-se, deixando-o semimorto. Casualmente, descia um sacerdote por aquele mesmo caminho e, vendo-o, passou de largo. Semelhantemente, um levita descia por aquele lugar e, vendo-o, também passou de largo. Certo samaritano, que seguia o seu caminho, passou-lhe perto e, vendo-o, compadeceu-se dele. E, chegando-se, pensou-lhe os ferimentos, aplicando-lhes óleo e vinho; e, colocando-o sobre o seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e tratou dele. No dia seguinte, tirou dois denários e os entregou ao hospedeiro, dizendo: Cuida deste homem, e, se alguma coisa gastares a mais, eu to indenizarei quando voltar." (Lc 10.30-35)
Quem se desviou de socorrer aquele homem? Os religiosos - o sacerdote e o levita - aqueles que iam buscar a Deus e que diziam-se "servos de Deus, homens de Deus". Que diziam "conhecer a Lei de Deus e o próprio Deus", "ungidos", "pregadores", "servos do Altíssimo". Mas quem socorreu? O não-religioso! O dito "endemoniado", "perdido", "filho do diabo que vai para o inferno", "pária" - o samaritano. A verdade subjacente é que não raro encontra-se mais misericórdia e piedade naqueles que são considerados pelos religiosos de plantão (ditos "da luz"), como sendo "das trevas". Há mais amor, mais fidelidade, mas verdade na vida daqueles sobre quem diz-se serem "não-cristãos" do que na vida de muitos cristãos beatos de igreja, infelizmente. Como podem dizer amar a Deus e não amar o próximo?!?!?!? Como podem ir ao altar de Deus, apresentarem louvores, escutarem a Palavra, e desprezarem o próximo - muitas vezes o próprio irmão?!?!? Serem falsos, traidores, mentirosos?!?!?
"Se, pois, ao trazeres ao altar a tua oferta, ali te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa perante o altar a tua oferta, vai primeiro reconciliar-te com teu irmão; e, então, voltando, faze a tua oferta." (Mt 5.23,24) Ou seja, podem ofertar, podem sacrificar, podem dar dízimo gordo, participar de campanha, evangelizar, pintar o sete em nome de Deus, mas sem reconciliação não há aceitação da parte de Deus! Sem vir pedir perdão, sem arrependimento pelas ofensas, pelas traições, pelas mentiras e deturpações, podem esquecer: culto será vazio, sem Deus!
2º ERRO: VISUALIZAR O PRESBITERATO COMO O PINÁCULO MINISTERIAL
Meu irmão, pr. Marcelo, já abordou isso várias vezes. A turma que vê ministério e as funções ministeriais como escada para atingir a posição de pastor/presbítero. Os que não são pastores são vistos, muitas vezes, como alguém que ficou estacionado no ministério. Especialmente em igrejas pentecostais (ou cujo pastor viveu anos a fio no pentecostalismo), há o entendimento que se alguém foi consagrado a cooperador, obrigatoriamente tem que ser diácono, se diácono tem que ser presbítero e assim por diante, um tipo de escadinha ministerial. O sujeito começa como diácono, fazendo tudo certinho PIV (para inglês ver) e então ser, depois de um tempo, elevado a presbítero; mais um tempo de serviço PIV e então vira pastor. Aí surta e degringola, fica com ego inchado e vira traíra e ursurpador.
Deus chama o Seu povo para "respeitar aqueles que trabalham entre vocês e estão sobre você no Senhor e admoestar você". (1 Tim. 5:12) É bom e correto respeitar os anciãos da igreja. Mas um perigo sutil surge quando assumimos que os anciãos são necessariamente os maiores cristãos entre nós. E com isso vem a idéia nunca declarada, mas muitas vezes presumida, de que ser um ancião na igreja é, de alguma forma, o auge do cristianismo, o ápice ao qual todo homem deve aspirar - e o pico que as mulheres nunca conseguem escalar. O resultado é elevar o cargo a uma posição tão alta que uma distinção doentia é estabelecida entre os anciãos e o resto da igreja.
Em contraste, a Bíblia ensina que a maioria dos cristãos é desqualificada ao presbiterado, não com base em qualificações morais, mas com base em qualificações espirituais. Ser um presbítero requer que um homem não somente possua as qualificações em 1 Timóteo 3, mas que ele mostre os dons espirituais de liderança (Rm 1.28) e ensino (Tt 1: 9). E enquanto Deus dá esses dons a alguns, Ele dá muitos outros dons para o resto da igreja. Alguns são chamados para liderar enquanto todos são chamados (e talentosos) para servir de alguma forma.
Em toda igreja saudável, haverá anciãos celestiais servindo com liderança sacrificial e ensino bíblico. E também haverá muitos outros cristãos piedosos servindo ao Senhor de acordo com seus próprios dons. A liderança ordenada na igreja não é o pináculo da espiritualidade cristã. Ser pastor não é ser o CEO da igreja, nem ser diácono/obreiro é ser menos!
3º ERRO: VISUALIZAR OS DIÁCONOS COMO "ANCIÃOS JÚNIORES"
Relacionado a uma visão excessivamente alta do presbitério é a idéia comum, se não falada, de que ser diácono é o campo de treinamento para se tornar um presbítero. Diaconato não é trainee para presbiterato. Um estudo da igreja no Novo Testamento deve deixar claro o quão ruim é tratar o diaconado como oficiais juniores do time do colégio. Não só serve para desvalorizar grandemente o trabalho dos diáconos, como também ajuda a diminuir as diferenças importantes entre os dois ofícios - para não mencionar o fato de ignorar os padrões da igreja que vêem o ofício de diácono aberto tanto para as mulheres como para os homens.
É certamente verdade que as qualificações morais dos dois cargos são muito semelhantes. Mas as qualificações espirituais para os dois cargos são muito diferentes porque sua área de trabalho é muito diferente. E embora seja concebível que um homem possa ter dons espirituais que o qualifiquem para qualquer cargo, é provavelmente bastante raro. Se todos os presbíteros da igreja são antigos diáconos, estamos escolhendo mal nossos diáconos ou nossos anciãos.
Um diácono que serve fielmente por muitos anos de acordo com seus dons espirituais deve ser honrado e valorizado pela igreja. Enquanto homens que são diáconos devem estar dispostos a serem chamados por Deus para se tornarem presbíteros, eles nunca devem experimentar a pressão para "avançar" para o presbiterado.
Por fim, vale a pena refletir no que nos ensinou Jesus: "Mas Jesus lhes disse: Os reis dos povos dominam sobre eles, e os que exercem autoridade são chamados benfeitores. Mas vós não sois assim; pelo contrário, o maior entre vós seja como o menor; e aquele que dirige seja como o que serve." (Lc 22.25,26)
Pense nisso. Graça e paz!
terça-feira, 13 de março de 2018
A DURA REALIDADE QUE JESUS PREVIU: QUANDO O FIM SE APROXIMA
Nesse tempo muitos serão escandalizados, e trair-se-ão uns aos outros, e uns aos outros se odiarão. E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará. (Mt 24.10,12)
Escândalos. Traições. Ódio. Aumento multiplicativo da iniquidade. Esfriamento do amor. Essas palavras e frases não são, de modo nenhum, algo que alguém anseie viver. Não fazem parte do rol de desejos e sonhos de uma pessoa. Tal realidade, com esta descrição, não deveria ser jamais vivida por ninguém; é muito sofrida e triste. Mas é a realidade que Jesus previu que viria a existir quando da proximidade do fim do mundo. Portanto, é a realidade que teremos que lidar, mesmo sem gostar dela.
Vamos começar pelos escândalos.
Os escândalos que existem e que ainda virão a existir são altamente destruidores para a fé em Deus e para os relacionamentos entre Seus filhos no contexto do Corpo de Cristo. Eles fazem com que uma pessoa perca a capacidade de acreditar, de confiar, de enxergar-se num ambiente onde a verdade, a honestidade e a sinceridade prevalecem. Quando o escândalo surge, ele joga por terra tudo o que foi construído de bom, de verdadeiro, de positivo ao longo de anos, às vezes de muitos anos. Por que? Porque todos nós, seres humanos, confiamos naqueles que escolhemos nos relacionar de forma mais íntima; abrimos a vida para que pessoas de nossa confiança entrem e façam parte dela, num relacionamento de amor e de admiração. Compartilhamos a vida, os sonhos, as realizações, as frustrações, as derrotas, os dramas, os pecados, etc. com a pessoa que nos é cara, que é íntima. Confiamos no pastor na Igreja, nos irmãos em Cristo. Confiamos no pai, na mãe, no cônjuge, no amigo "mais chegado que um irmão".
Quando o escândalo surge, vem com ele a decepção. E não adianta dizer para a pessoa decepcionada com o escândalo que ela "não deve levar as coisas para o lado pessoal". Não! O escândalo é uma ofensa pessoal, uma ofensa contra a confiança, o amor e a fidelidade que a pessoa deposita em nós! Não adianta dizer para os cristãos para não levarem as coisas para o campo pessoal diante da atitude do pastor em fazer tramóias (um plano maligno preparado por um ser ou indivíduo, para prejudicar algo ou alguém), por exemplo. A atitude dele foi pessoal, o que demanda uma resposta também pessoal. E a ofensa trará inevitavelmente a separação: "O irmão ofendido é mais difícil de conquistar do que uma cidade forte; e as contendas são como os ferrolhos de um palácio." (Pv 18.19) Muitas tristezas e mágoas são geradas na vida de quem se decepcionou diante de um escândalo, feridas que podem levar toda uma vida para se fecharem ou mesmo nunca se fecharem. Diante dessa ruptura pessoal, obviamente, é inevitável a ruptura corporal com a Igreja. E, em não raras ocasiões, com a fé.
Parênteses (1): O maquinar tramóias é uma ofensa grave: "Não planejes o mal contra o teu próximo, que confiantemente mora contigo" (Pv 3.29). Ainda que esse pecado possa ser cometido por qualquer classe de pessoas, ele é muito comum em pessoas que ocupam posição de destaque, de liderança, de autoridade sobre alguém: "Ai daqueles que tramam maldades; que mesmo repousando em suas camas planejam crueldades. E, logo que o dia amanhece eles executam seus planos malignos, pois têm poder para isso." (Mq 2.1) São justamente essas pessoas que mais tem poder em nos causar dano, justamente porque elas tem poder para fazer o mal que planejam! Fecha parênteses.
Parênteses (2): Àqueles que se fazem de desentendidos, entendam de uma vez por todas: A IGREJA É UM LUGAR DE RELACIONAMENTOS PESSOAIS! AS RELAÇÕES NUMA IGREJA SÃO SEMPRE PESSOAIS! Relacionamento profissional, que alguns pastores e líderes demandam dos crentes, é impossível numa Igreja - Igreja é Corpo, é Organismo Vivo, tem Espírito (ou deveria ter!!!) e nunca uma empresa ou algo do gênero! Igreja não é empresa, pastor não é gerente (e muito menos DONO) e crentes não são operários! Fecha parênteses.
Veja mais sobre escândalo em: https://apenas-para-argumentar.blogspot.com.br/2013/05/escandalosos-e-seus-escandalos.html.
Agora, vejamos as traições e o ódio.
Enquanto o escândalo é uma quebra de sinceridade, a traição é uma quebra de fidelidade. Ambas as coisas via de regra vem juntas, raramente separadas. Ambas envolvem a confiança depositada. Uma pessoa fiel é, via de regra, sincera. Isso só faz aumentar a responsabilidade que temos com as pessoas no Corpo de Cristo, porque aumenta o poder destruidor dos escândalos. O mesmo se aplica aos relacionamentos familiares, ou mesmo entre amigos. Davi expressou muito bem toda a sua dor interior sobre isso: "Até o meu próprio amigo íntimo, em quem eu tanto confiava, que comia do meu pão, levantou contra mim o seu calcanhar" (Sl 41.9). Quando o Senhor foi perguntado sobre quem o haveria de trair, Ele respondeu: "O que mete comigo a mão no prato, esse me trairá" (Mt 26.23). Quem trai? É quem é ÍNTIMO, quem é AMIGO ÍNTIMO. Quem convive com você, quem come e bebe com você, quem você compartilha sua vida, sua casa e seu coração! Quem você considera em alta conta, quem você ama ao ponto de abrir mão da própria vida por essa pessoa, até de dar a vida por ela! Dá para perceber o estrago que a traição causa, não é? Perceba a dor nas palavras de Davi: "Pois não era um inimigo que me afrontava; então eu o teria suportado; nem era o que me odiava que se engrandecia contra mim, porque dele me teria escondido. Mas eras tu, homem meu igual, meu guia e meu íntimo amigo. Consultávamos juntos suavemente, e andávamos em companhia na casa de Deus." (Sl 55.12-14) De onde veio a traição, de onde veio o golpe, a "facada nas costas"? Do inimigo? Do estranho? Ah se fosse: seria muito mais fácil de suportar! Mas não; a traição veio de alguém muito, muito próximo. De um GUIA. De um AMIGO ÍNTIMO. De alguém que compartilhava com Davi a comunhão na Casa de Deus.
Hoje a traição está na moda. Está tão difundida e tão banalizada que virou até filme de comédia. Traição. Um abandono ou violação de confiança por alguém próximo a você. Um marido traído por sua esposa. Um segredo entre os amigos veio à luz para todos saberem. Uma promessa feita a uma criança tão facilmente quebrada por um pai. A traição é uma grande violação da confiança e pode ser uma das formas mais devastadoras de dor infligidas a um ser humano. O sofrimento da traição é muitas vezes ampliado por uma sensação de vulnerabilidade e exposição. Para muitos, a dor da traição é pior do que a violência física, o engano ou o preconceito. A traição destrói o fundamento da confiança. Quem é traído, passa a considerar que todo o relacionamento que possuía com o(a) traidor(a) era falsidade, sente-se um(a) verdadeiro(a) idiota. Lógico que as implicações disso para o caso da fé em Cristo são muito evidentes, concorda?
Por que a traição acontece? O que a motiva? O que motiva a traição é a COBIÇA. Judas Iscariotes queria lucrar alguma coisa com Jesus - não bastava a amizade do Mestre, ele tinha que tirar alguma vantagem financeira. A traição dentro do casamento também pode ser motivada pela cobiça - por desejar desesperadamente aquilo que não tem ou que a mente julga não ter (um bom sexo, amor, carinho, atenção, beleza física, status, etc....). Satanás pode estar envolvido numa traição - ele encheu o coração de Judas para trair Jesus; assim, ele pode ir enchendo paulatinamente o coração de alguém para trair o seu amigo/irmão/cônjuge. Isso não tira a responsabilidade pessoal pelo ato, apenas constitui-se numa explicação adicional para o mesmo. Sempre, numa traição, independente do motivo, estarão em foco os INTERESSES INDIVIDUAIS em detrimento dos INTERESSES COMUNS.
O ódio mútuo, nesse caso, seria a consequência dos escândalos e das traições. Em que pese o fato de que é sempre possível haver perdão e restauração dos escandalosos e dos traidores, tudo indica que quanto mais próximo do fim do mundo estejamos, mais difícil será isso acontecer. Isso já acontece hoje e ficará ainda mais intenso, porque quanto mais perto do fim, mais as pessoas vão regredindo em sua fé e em seu amor. Isso mesmo: não há uma previsão de progresso espiritual, muito pelo contrário. Os homens dos últimos dias possuem cada vez mais as características que o apóstolo Paulo enumera: “Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus...” (veja mais em: https://apenas-para-argumentar.blogspot.com.br/2010/08/o-carater-dos-homens-em-dias.html). Ainda que um cristão verdadeiro não possa incorrer em todos esses pecados, com certeza poderá incorrer (se já não incorre) em alguns e há pecados aqui listados que impedem a ação reconciliadora do Espírito Santo, como arrogância, a ingratidão, a crueldade, a obstinação. Note que uma das características é a irreconciliabilidade.
Diante da escalada dos escândalos - nunca se viu tantos escândalos na mídia com relação a cristãos, a pastores, a políticos, etc. - e das traições, obviamente a iniquidade se multiplica. Não há como ser diferente. É só olhar o mundo em que vivemos: desamor para todos os lados, multiplicação de assassinatos e estupros, da pedofilia, dos golpes na internet, da pornografia; da violência como um todo, da fome, etc. Inversão de valores na sociedade, na família, na Igreja. Igreja servindo apenas para lucro financeiro, o nome de Deus sendo abusado nesse processo; cultos egocêntricos; reuniões puramente emocionais. Letras de músicas blasfemas e malignas. Tráfico de influência e jogos de interesse. Redução drásticas nas decisões (verdadeiras) por Cristo. E ainda tem gente que fala em avivamento espiritual!
Parênteses (3): Há crentes que conseguem afirmar que o Espírito Santo está com eles, no culto deles, só porque um grita de um lado e o outro chora do outro. Porque sentem uma emoção, é o Espírito Santo. Eu fico a perguntar: QUE ESPÍRITO É ESSE? Não convence ninguém do pecado, da justiça e do juízo! Não glorifica Jesus! Não enfatiza a Palavra de Deus! Quando termina o "frenesi", o "fricote santo", todo mundo vai para sua casa da mesma maneira que veio ao culto - com os mesmíssimos pecados de antes! Com a mesma irreverência! A moça fornicária vem a reunião, sente um sei-lá o-quê e se debulha em lágrimas. Sai do culto e vai para casa fornicar com o namorado. E tem gente que diz que ela "teve um encontro com o Espírito Santo" só por causa do chororô (ou da gritaria, se preferir)! O outro se diz "usado pelo Espírito Santo" e é abusado, folgado, não respeita ninguém! A outra fica com falsas revelações e profecias, todas desmascaradas! Um irmão não fala com outro "nem que a vaca tussa", é irreconciliável! O outro é soberbo, prepotente, arrogante! A outra é fofoqueira!Já outro fica na tramóia, tentando derrubar A ou B "por detrás dos panos". Deus se agrada de cultos assim - cheios de cantorias de boca para fora, cheios de gritinhos e chorinhos, mas sem arrependimento e mudança de vida? Isso é ter o Espírito Santo no culto e na vida? Ele está realmente presente nesse tipo de culto? Tem certeza que é o Espírito Santo mesmo?!? Fecha parênteses.
"O amor de muitos se esfriará". Amor fraternal, de um irmão por outro. Amor genuíno, desinteressado, altruísta. Amor que tudo crê, tudo espera, tudo sofre. Esse é o amor que irá esfriar. Já percebeu como o amor bíblico, descrito em I Coríntios 13, está dificílimo de ser visto? Já reparou que até o amor por Deus, que milhões de crentes professam, "é como a nuvem da manhã e como o orvalho da madrugada, que cedo passa" (Os 6.4)? Isso nada mais é do que o esfriamento do amor. Gente desviada de Deus dentro do coração que frequenta assiduamente uma Igreja. Que canta, que prega, que chora, que sente arrepio na espinha e palpitação no peito, mas cujo amor - por Deus, pelo irmão, pela família, pelo amigo íntimo - não passa de "joguinho de interesses". Pois é.
Diante desse quadro, dá vontade de sumir, não é? Dá vontade de desaparecer do mundo! Eu sei. A boa notícia é que Jesus ressuscitou ao terceiro dia. Ele está vivo e é Senhor de tudo e de todos! Ele é Deus e portanto é Todo-Poderoso! Ele ainda não mudou o que estamos vendo aí porque é necessário que Seu plano para a humanidade se cumpra, porque ainda há o que cumprir na agenda profética de Deus! Mas Ele virá, Ele mesmo O prometeu. Ele buscará aqueles que são Seus, que perseveram na fé como cristãos, como verdadeiros crentes em Cristo, não como crente denominacional desviado que não passa de mero "torcedor de denominação"! (Nada contra denominações, desde que se mantenham seguindo a Bíblia com fidelidade e que Deus tenha liberdade de ir moldando o que e quem precisar, sem a interferência de donos de denominação e suas tramóias.) Perseverança até o fim, mantida a todo custo; uma santa obstinação em permanecer fiel ao Senhor custe o que custar! Essa é a proclamação do Evangelho do Reino! O Edito Real para todos é que Jesus está voltando, para reinar com poder e grande glória! São as boas novas que anunciam que diante de todo caos e frustração, dos falsos cristos e profetas com suas falsas predições, da grande malignidade e violência, dos estupros e assassinatos, da fome e das pestes, das guerras, das traições... enfim, mesmo diante de todo esse cenário de total de desespero e catástrofe, onde parece que o diabo venceu, isso não pedurará para sempre. O Senhor virá! Ele virá para governar como Soberano e Único Senhor, como Rei dos reis e Senhor dos senhores toda a Terra, estabelecendo Seu Reino Eterno de forma visível e definitiva!
Creia em Cristo e seja fiel a Ele, até a morte! Ele mesmo te prometeu a coroa da vida, caso tu permaneça fiel! O prêmio pode ser seu - o prêmio é a vida eterna em Cristo Jesus, num lugar onde não haverá nunca mais nada disso! Onde não haverá mais tristeza, nem dor, nem fome, nem doenças, nem violência de qualquer forma, nem morte, nem pecado, nem diabo, nem injustiça social! Não haverá mais pobre ou rico, não haverá mais aleijado ou Down! Tudo será como Deus tem planejado para nós! Tudo será glorioso e grandioso, tudo será pleno em todas as coisas! Não haverá mais exploração de pessoas, nem explorador; não haverá mais picaretagem, tramóia ou safadeza de qualquer tipo! Nunca mais haverá engano ou enganadores, mas todos seguiremos na Luz do Cordeiro de Deus, de Jesus o Senhor e Salvador!
"NÃO te indignes por causa dos malfeitores, nem tenhas inveja dos que praticam a iniqüidade.
Porque cedo serão ceifados como a erva, e murcharão como a verdura. Confia no Senhor e faze o bem; habitarás na terra, e verdadeiramente serás alimentado. Deleita-te também no Senhor, e te concederá os desejos do teu coração. Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele o fará. E ele fará sobressair a tua justiça como a luz, e o teu juízo como o meio-dia. Descansa no Senhor, e espera nele; não te indignes por causa daquele que prospera em seu caminho, por causa do homem que executa astutos intentos. Deixa a ira, e abandona o furor; não te indignes de forma alguma para fazer o mal. Porque os malfeitores serão desarraigados; mas aqueles que esperam no Senhor herdarão a terra. Pois ainda um pouco, e o ímpio não existirá; olharás para o seu lugar, e não aparecerá. Mas os mansos herdarão a terra, e se deleitarão na abundância de paz." (Salmos 37:1-11)
Graça e paz!
Escândalos. Traições. Ódio. Aumento multiplicativo da iniquidade. Esfriamento do amor. Essas palavras e frases não são, de modo nenhum, algo que alguém anseie viver. Não fazem parte do rol de desejos e sonhos de uma pessoa. Tal realidade, com esta descrição, não deveria ser jamais vivida por ninguém; é muito sofrida e triste. Mas é a realidade que Jesus previu que viria a existir quando da proximidade do fim do mundo. Portanto, é a realidade que teremos que lidar, mesmo sem gostar dela.
Vamos começar pelos escândalos.
Os escândalos que existem e que ainda virão a existir são altamente destruidores para a fé em Deus e para os relacionamentos entre Seus filhos no contexto do Corpo de Cristo. Eles fazem com que uma pessoa perca a capacidade de acreditar, de confiar, de enxergar-se num ambiente onde a verdade, a honestidade e a sinceridade prevalecem. Quando o escândalo surge, ele joga por terra tudo o que foi construído de bom, de verdadeiro, de positivo ao longo de anos, às vezes de muitos anos. Por que? Porque todos nós, seres humanos, confiamos naqueles que escolhemos nos relacionar de forma mais íntima; abrimos a vida para que pessoas de nossa confiança entrem e façam parte dela, num relacionamento de amor e de admiração. Compartilhamos a vida, os sonhos, as realizações, as frustrações, as derrotas, os dramas, os pecados, etc. com a pessoa que nos é cara, que é íntima. Confiamos no pastor na Igreja, nos irmãos em Cristo. Confiamos no pai, na mãe, no cônjuge, no amigo "mais chegado que um irmão".
Quando o escândalo surge, vem com ele a decepção. E não adianta dizer para a pessoa decepcionada com o escândalo que ela "não deve levar as coisas para o lado pessoal". Não! O escândalo é uma ofensa pessoal, uma ofensa contra a confiança, o amor e a fidelidade que a pessoa deposita em nós! Não adianta dizer para os cristãos para não levarem as coisas para o campo pessoal diante da atitude do pastor em fazer tramóias (um plano maligno preparado por um ser ou indivíduo, para prejudicar algo ou alguém), por exemplo. A atitude dele foi pessoal, o que demanda uma resposta também pessoal. E a ofensa trará inevitavelmente a separação: "O irmão ofendido é mais difícil de conquistar do que uma cidade forte; e as contendas são como os ferrolhos de um palácio." (Pv 18.19) Muitas tristezas e mágoas são geradas na vida de quem se decepcionou diante de um escândalo, feridas que podem levar toda uma vida para se fecharem ou mesmo nunca se fecharem. Diante dessa ruptura pessoal, obviamente, é inevitável a ruptura corporal com a Igreja. E, em não raras ocasiões, com a fé.
Parênteses (1): O maquinar tramóias é uma ofensa grave: "Não planejes o mal contra o teu próximo, que confiantemente mora contigo" (Pv 3.29). Ainda que esse pecado possa ser cometido por qualquer classe de pessoas, ele é muito comum em pessoas que ocupam posição de destaque, de liderança, de autoridade sobre alguém: "Ai daqueles que tramam maldades; que mesmo repousando em suas camas planejam crueldades. E, logo que o dia amanhece eles executam seus planos malignos, pois têm poder para isso." (Mq 2.1) São justamente essas pessoas que mais tem poder em nos causar dano, justamente porque elas tem poder para fazer o mal que planejam! Fecha parênteses.
Parênteses (2): Àqueles que se fazem de desentendidos, entendam de uma vez por todas: A IGREJA É UM LUGAR DE RELACIONAMENTOS PESSOAIS! AS RELAÇÕES NUMA IGREJA SÃO SEMPRE PESSOAIS! Relacionamento profissional, que alguns pastores e líderes demandam dos crentes, é impossível numa Igreja - Igreja é Corpo, é Organismo Vivo, tem Espírito (ou deveria ter!!!) e nunca uma empresa ou algo do gênero! Igreja não é empresa, pastor não é gerente (e muito menos DONO) e crentes não são operários! Fecha parênteses.
Veja mais sobre escândalo em: https://apenas-para-argumentar.blogspot.com.br/2013/05/escandalosos-e-seus-escandalos.html.
Agora, vejamos as traições e o ódio.
Enquanto o escândalo é uma quebra de sinceridade, a traição é uma quebra de fidelidade. Ambas as coisas via de regra vem juntas, raramente separadas. Ambas envolvem a confiança depositada. Uma pessoa fiel é, via de regra, sincera. Isso só faz aumentar a responsabilidade que temos com as pessoas no Corpo de Cristo, porque aumenta o poder destruidor dos escândalos. O mesmo se aplica aos relacionamentos familiares, ou mesmo entre amigos. Davi expressou muito bem toda a sua dor interior sobre isso: "Até o meu próprio amigo íntimo, em quem eu tanto confiava, que comia do meu pão, levantou contra mim o seu calcanhar" (Sl 41.9). Quando o Senhor foi perguntado sobre quem o haveria de trair, Ele respondeu: "O que mete comigo a mão no prato, esse me trairá" (Mt 26.23). Quem trai? É quem é ÍNTIMO, quem é AMIGO ÍNTIMO. Quem convive com você, quem come e bebe com você, quem você compartilha sua vida, sua casa e seu coração! Quem você considera em alta conta, quem você ama ao ponto de abrir mão da própria vida por essa pessoa, até de dar a vida por ela! Dá para perceber o estrago que a traição causa, não é? Perceba a dor nas palavras de Davi: "Pois não era um inimigo que me afrontava; então eu o teria suportado; nem era o que me odiava que se engrandecia contra mim, porque dele me teria escondido. Mas eras tu, homem meu igual, meu guia e meu íntimo amigo. Consultávamos juntos suavemente, e andávamos em companhia na casa de Deus." (Sl 55.12-14) De onde veio a traição, de onde veio o golpe, a "facada nas costas"? Do inimigo? Do estranho? Ah se fosse: seria muito mais fácil de suportar! Mas não; a traição veio de alguém muito, muito próximo. De um GUIA. De um AMIGO ÍNTIMO. De alguém que compartilhava com Davi a comunhão na Casa de Deus.
Hoje a traição está na moda. Está tão difundida e tão banalizada que virou até filme de comédia. Traição. Um abandono ou violação de confiança por alguém próximo a você. Um marido traído por sua esposa. Um segredo entre os amigos veio à luz para todos saberem. Uma promessa feita a uma criança tão facilmente quebrada por um pai. A traição é uma grande violação da confiança e pode ser uma das formas mais devastadoras de dor infligidas a um ser humano. O sofrimento da traição é muitas vezes ampliado por uma sensação de vulnerabilidade e exposição. Para muitos, a dor da traição é pior do que a violência física, o engano ou o preconceito. A traição destrói o fundamento da confiança. Quem é traído, passa a considerar que todo o relacionamento que possuía com o(a) traidor(a) era falsidade, sente-se um(a) verdadeiro(a) idiota. Lógico que as implicações disso para o caso da fé em Cristo são muito evidentes, concorda?
Por que a traição acontece? O que a motiva? O que motiva a traição é a COBIÇA. Judas Iscariotes queria lucrar alguma coisa com Jesus - não bastava a amizade do Mestre, ele tinha que tirar alguma vantagem financeira. A traição dentro do casamento também pode ser motivada pela cobiça - por desejar desesperadamente aquilo que não tem ou que a mente julga não ter (um bom sexo, amor, carinho, atenção, beleza física, status, etc....). Satanás pode estar envolvido numa traição - ele encheu o coração de Judas para trair Jesus; assim, ele pode ir enchendo paulatinamente o coração de alguém para trair o seu amigo/irmão/cônjuge. Isso não tira a responsabilidade pessoal pelo ato, apenas constitui-se numa explicação adicional para o mesmo. Sempre, numa traição, independente do motivo, estarão em foco os INTERESSES INDIVIDUAIS em detrimento dos INTERESSES COMUNS.
O ódio mútuo, nesse caso, seria a consequência dos escândalos e das traições. Em que pese o fato de que é sempre possível haver perdão e restauração dos escandalosos e dos traidores, tudo indica que quanto mais próximo do fim do mundo estejamos, mais difícil será isso acontecer. Isso já acontece hoje e ficará ainda mais intenso, porque quanto mais perto do fim, mais as pessoas vão regredindo em sua fé e em seu amor. Isso mesmo: não há uma previsão de progresso espiritual, muito pelo contrário. Os homens dos últimos dias possuem cada vez mais as características que o apóstolo Paulo enumera: “Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus...” (veja mais em: https://apenas-para-argumentar.blogspot.com.br/2010/08/o-carater-dos-homens-em-dias.html). Ainda que um cristão verdadeiro não possa incorrer em todos esses pecados, com certeza poderá incorrer (se já não incorre) em alguns e há pecados aqui listados que impedem a ação reconciliadora do Espírito Santo, como arrogância, a ingratidão, a crueldade, a obstinação. Note que uma das características é a irreconciliabilidade.
Diante da escalada dos escândalos - nunca se viu tantos escândalos na mídia com relação a cristãos, a pastores, a políticos, etc. - e das traições, obviamente a iniquidade se multiplica. Não há como ser diferente. É só olhar o mundo em que vivemos: desamor para todos os lados, multiplicação de assassinatos e estupros, da pedofilia, dos golpes na internet, da pornografia; da violência como um todo, da fome, etc. Inversão de valores na sociedade, na família, na Igreja. Igreja servindo apenas para lucro financeiro, o nome de Deus sendo abusado nesse processo; cultos egocêntricos; reuniões puramente emocionais. Letras de músicas blasfemas e malignas. Tráfico de influência e jogos de interesse. Redução drásticas nas decisões (verdadeiras) por Cristo. E ainda tem gente que fala em avivamento espiritual!
Parênteses (3): Há crentes que conseguem afirmar que o Espírito Santo está com eles, no culto deles, só porque um grita de um lado e o outro chora do outro. Porque sentem uma emoção, é o Espírito Santo. Eu fico a perguntar: QUE ESPÍRITO É ESSE? Não convence ninguém do pecado, da justiça e do juízo! Não glorifica Jesus! Não enfatiza a Palavra de Deus! Quando termina o "frenesi", o "fricote santo", todo mundo vai para sua casa da mesma maneira que veio ao culto - com os mesmíssimos pecados de antes! Com a mesma irreverência! A moça fornicária vem a reunião, sente um sei-lá o-quê e se debulha em lágrimas. Sai do culto e vai para casa fornicar com o namorado. E tem gente que diz que ela "teve um encontro com o Espírito Santo" só por causa do chororô (ou da gritaria, se preferir)! O outro se diz "usado pelo Espírito Santo" e é abusado, folgado, não respeita ninguém! A outra fica com falsas revelações e profecias, todas desmascaradas! Um irmão não fala com outro "nem que a vaca tussa", é irreconciliável! O outro é soberbo, prepotente, arrogante! A outra é fofoqueira!Já outro fica na tramóia, tentando derrubar A ou B "por detrás dos panos". Deus se agrada de cultos assim - cheios de cantorias de boca para fora, cheios de gritinhos e chorinhos, mas sem arrependimento e mudança de vida? Isso é ter o Espírito Santo no culto e na vida? Ele está realmente presente nesse tipo de culto? Tem certeza que é o Espírito Santo mesmo?!? Fecha parênteses.
"O amor de muitos se esfriará". Amor fraternal, de um irmão por outro. Amor genuíno, desinteressado, altruísta. Amor que tudo crê, tudo espera, tudo sofre. Esse é o amor que irá esfriar. Já percebeu como o amor bíblico, descrito em I Coríntios 13, está dificílimo de ser visto? Já reparou que até o amor por Deus, que milhões de crentes professam, "é como a nuvem da manhã e como o orvalho da madrugada, que cedo passa" (Os 6.4)? Isso nada mais é do que o esfriamento do amor. Gente desviada de Deus dentro do coração que frequenta assiduamente uma Igreja. Que canta, que prega, que chora, que sente arrepio na espinha e palpitação no peito, mas cujo amor - por Deus, pelo irmão, pela família, pelo amigo íntimo - não passa de "joguinho de interesses". Pois é.
Diante desse quadro, dá vontade de sumir, não é? Dá vontade de desaparecer do mundo! Eu sei. A boa notícia é que Jesus ressuscitou ao terceiro dia. Ele está vivo e é Senhor de tudo e de todos! Ele é Deus e portanto é Todo-Poderoso! Ele ainda não mudou o que estamos vendo aí porque é necessário que Seu plano para a humanidade se cumpra, porque ainda há o que cumprir na agenda profética de Deus! Mas Ele virá, Ele mesmo O prometeu. Ele buscará aqueles que são Seus, que perseveram na fé como cristãos, como verdadeiros crentes em Cristo, não como crente denominacional desviado que não passa de mero "torcedor de denominação"! (Nada contra denominações, desde que se mantenham seguindo a Bíblia com fidelidade e que Deus tenha liberdade de ir moldando o que e quem precisar, sem a interferência de donos de denominação e suas tramóias.) Perseverança até o fim, mantida a todo custo; uma santa obstinação em permanecer fiel ao Senhor custe o que custar! Essa é a proclamação do Evangelho do Reino! O Edito Real para todos é que Jesus está voltando, para reinar com poder e grande glória! São as boas novas que anunciam que diante de todo caos e frustração, dos falsos cristos e profetas com suas falsas predições, da grande malignidade e violência, dos estupros e assassinatos, da fome e das pestes, das guerras, das traições... enfim, mesmo diante de todo esse cenário de total de desespero e catástrofe, onde parece que o diabo venceu, isso não pedurará para sempre. O Senhor virá! Ele virá para governar como Soberano e Único Senhor, como Rei dos reis e Senhor dos senhores toda a Terra, estabelecendo Seu Reino Eterno de forma visível e definitiva!
Creia em Cristo e seja fiel a Ele, até a morte! Ele mesmo te prometeu a coroa da vida, caso tu permaneça fiel! O prêmio pode ser seu - o prêmio é a vida eterna em Cristo Jesus, num lugar onde não haverá nunca mais nada disso! Onde não haverá mais tristeza, nem dor, nem fome, nem doenças, nem violência de qualquer forma, nem morte, nem pecado, nem diabo, nem injustiça social! Não haverá mais pobre ou rico, não haverá mais aleijado ou Down! Tudo será como Deus tem planejado para nós! Tudo será glorioso e grandioso, tudo será pleno em todas as coisas! Não haverá mais exploração de pessoas, nem explorador; não haverá mais picaretagem, tramóia ou safadeza de qualquer tipo! Nunca mais haverá engano ou enganadores, mas todos seguiremos na Luz do Cordeiro de Deus, de Jesus o Senhor e Salvador!
"NÃO te indignes por causa dos malfeitores, nem tenhas inveja dos que praticam a iniqüidade.
Porque cedo serão ceifados como a erva, e murcharão como a verdura. Confia no Senhor e faze o bem; habitarás na terra, e verdadeiramente serás alimentado. Deleita-te também no Senhor, e te concederá os desejos do teu coração. Entrega o teu caminho ao Senhor; confia nele, e ele o fará. E ele fará sobressair a tua justiça como a luz, e o teu juízo como o meio-dia. Descansa no Senhor, e espera nele; não te indignes por causa daquele que prospera em seu caminho, por causa do homem que executa astutos intentos. Deixa a ira, e abandona o furor; não te indignes de forma alguma para fazer o mal. Porque os malfeitores serão desarraigados; mas aqueles que esperam no Senhor herdarão a terra. Pois ainda um pouco, e o ímpio não existirá; olharás para o seu lugar, e não aparecerá. Mas os mansos herdarão a terra, e se deleitarão na abundância de paz." (Salmos 37:1-11)
Graça e paz!
quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018
A PODRIDÃO DO SISTEMA RELIGIOSO QUE TOMOU CONTA DA IGREJA DE CRISTO
"Mas, se o nosso evangelho ainda está encoberto, é para os que se perdem que está encoberto, os quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus. Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos, por amor de Jesus." (II Co 4.3-5)
"Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no Maligno." (I Jo 5.19)
O mundo jaz no maligno, é o que afirma o apóstolo João, o discípulo amado de Jesus. Noutras palavras, o mundo está como um morto sepultado, enterrado até a cabeça no maligno. Assim, estão mortas, exalando mau cheiro, as instituições humanas e humanizadas que pertencem ao mundo. Por mais aparência de piedade que possam possuir, por mais aparência de vida que procure exibir estão mortas em si mesmas. Já não tem vida; a vida delas se esvaiu como num sopro. Não adiantam liturgias, paramentos, regras doutrinais, títulos eclesiásticos, evocações ou coisas semelhantes a estas porque não trazem vida ao cadáver. Do mesmo modo, não adianta invocar os nomes daqueles que estão vivos, ou dizer-se enviado pela Vida e em prol da vida, se o óbito a muito já foi declarado.
Die Religion ... Sie ist das Opium des Volkes. De fato, a religião possui efeito entorpecente sobre as pessoas que dela fazem uso. Porém, isso não quer dizer que a religião tenha alguma vida em si mesma, ou seja capaz de gerar vida em seus sacerdotes e adeptos. Não, a religião - qualquer que seja ela - não gera vida porque não é viva e nem provém da vida. É tão somente a fútil tentativa dos mortos em entrar em contato com a Vida.
Essa morte entrou onde seria mais improvável: na Igreja de Cristo sobre a terra. Se espalhou sistematicamente e em todos os sistemas que outrora eram vivos. A morte entrou no mundo pelo pecado, diz o apóstolo Paulo (Rm 5.12). Onde há pecado a morte entra, e onde a morte entra acaba a vida. Mas a ação da morte sobre a instituições não se dá instantaneamente. Não. A morte vai estendendo suas garras de trevas lentamente sobre o que é vivo. Vai matando aos poucos, lentamente. Vai sufocando, asfixiando. Por isso mesmo, é difícil de detectar a ação da morte. Não raramente, percebe-se quando já é tarde, quando o processo é irreversível.
Quais são os sintomas da morte? Os sintomas são muito variados, tanto em quantidade quanto em complexidade. É possível no entanto listar alguns:
1) Ruptura dos laços de amor fraternal: "Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros." (Rm 12.10) Esse é o primeiro sintoma da morte. A comunhão cristã é trocada por relacionamentos de conveniências, ou seja, o que motiva o relacionamento é o egoísmo, o que a outra pessoa pode me dar, o que eu posso obter dela, como eu posso usá-la para alcançar meus objetivos. As pessoas passam a valer o quanto pesam, não mais pelo que são. "Irmão" vira mero jargão religioso, porque não há irmandade de verdade. Tudo vira um jogo. Jogo de bajulação, jogo de interesses, jogo até de cartas marcadas. Ninguém se importa mais com a vida de ninguém, com o estado espiritual, emocional ou até mesmo físico. Usam-se as pessoas independente de como estão espiritualmente, porque ao final o que interessa é "encher Igreja" - Igrejas cheias de pessoas vazias.
2) Fim da Democracia: Nisso dá-se a contribuição dos famosos "donos de Igreja", dos "Moisés do Novo Testamento", "fundadores de ministérios com base numa visão". "Temos que seguir a visão; a visão é inegociável", diz o mega-líder. A visão é inegociável, mas a Bíblia passa a ser totalmente negociável. Os valores bíblicos são deturpados segundo uma exegese defeituosa, que sempre dá preferência à liderança portadora da visão. O líder, dono da visão, é tratado como uma espécie de papa: é inerrante em tudo que faz; tudo o que fala, todas as suas ordens e decisões, são "inspiradas pelo Espírito Santo". Com isso, o processo de tomada de decisão na Igreja fica 100% na mão do "ungido visionário". Não há debate de idéias, não há busca de consenso. Afinal, a decisão do mega-líder "vem de Deus"; Deus, por sua vez, só fala com esse líder e não fala com mais ninguém. Os outros todos - obreiros da Igreja - são incapazes de ouvir a Deus por si mesmos, precisando sempre da mediação do líder autorizado divinamente, como Moisés no Antigo Testamento, o qual é frequentemente citado pelo mega-líder para justificar seu comportamento ditatorial (veja uma análise completa sobre isso em: https://apenas-para-argumentar.blogspot.com.br/2017/04/dominando-ou-sendo-exemplo-apascentando.html). O problema é que no Novo Testamento isso mudou: no Novo Testamento, para quem não sabe ainda, Deus não escolheu apenas um, mas um corpo. No Novo Testamento, todos podem e devem ouvir diretamente de Deus, sem intermediários humanos. Todos são sacerdotes - o sacerdócio universal dos crentes, verdade bíblica redescoberta por Lutero na Reforma Protestante.
No Concílio de Jerusalém, vemos que as decisões da Igreja eram coletivas, por um colegiado (que tomava decisões e não existia somente para inglês ver, pois ninguém "apita nada"). O texto é muito claro e não deixa dúvida: "Então, se reuniram os apóstolos e os presbíteros para examinar a questão. Havendo grande debate, Pedro tomou a palavra [...] E toda a multidão silenciou, passando a ouvir a Barnabé e a Paulo [...] Depois que eles terminaram, falou Tiago [...] Então, pareceu bem aos apóstolos e aos presbíteros, com toda a igreja [...] Pois pareceu bem ao Espírito Santo e a nós [...]" (Atos 15:-28) É só ler o que está escrito: todos reunidos - presbiteros, apóstolos e igreja - para discutirem acerca do problema surgido; todos podendo falar, todos ouvindo a todos. QUANDO - E SOMENTE QUANDO - obtiveram consenso entre eles é que os apóstolos e presbíteros, DE COMUM ACORDO, OBTIDO APÓS O DEBATE, decidiram enviar dois representantes à Antioquia para comunicar a posição obtida. SÓ ENTÃO É DITO que "pareceu bem ao Espírito Santo e a nós". Mas para o mega-líder é de outro jeito: "pareceu bem ao Espírito Santo E A MIM, e ai de quem discordar!". Quem discorda é bode, é rebelde, problemático, carnal, é das trevas, não entrou na visão, radical e por aí vai. Um crente em Cristo que genuinamente discorde das decisões estapafúrdias pode ser tido como "empecilho para o crescimento da Obra". Um crente vira impeditivo para Deus crescer a Igreja! Onde isso existe na Bíblia? Na Bíblia não, mas na cabeça do "Führer" sim! Prato cheio para opressão religiosa, para culto a personalidade e todo tipo de erro! E os puxa-sacos de plantão dirão: Amém, mein Führer!
3) "Fritada" com os contrários: Ou "cozinhar o galo em banho-maria". Cortar recursos. Cortar apoio. Cortar contato. Cortar o suporte. Quando alguém tenta apontar algo diferente, o "Godfather" se sente contrariado. Nessa hora, muitos optam por fritar quem pensa diferente. Nesses casos, o que acontece no dia-a-dia é que ninguém discorda do "chefão". Muitos até mentem, ou omitem a própria opinião, para evitar o confronto. Viram "vaquinhas de presépio" com medo de serem repreendidas, de serem perseguidas, de perderem seus cargos e posições que tanto lhes causam vislumbre. Ou então as pessoas tornam-se agradáveis na superfície, mas cheias de desconfiança e hostilidade no fundo. O resultado é um ambiente de Igreja que mais parece uma masmorra: frio e inóspito. Nojento. Hipócrita. Quem insiste, ou será removido sumariamente ou será frito. Terá suas funções esvaziadas pelo mega-líder, por meio de decisões e articulações "com endereço certo", paulatinamente.
Quem mina o outro, tem como objetivo cansá-lo e reduzir sua influência e liderança ao mínimo. O líder minado, se não "pular fora", se tornará uma espécie de "rainha Elizabeth": não apita nada, não manda nada, tendo apenas aparência de líder. Ninguém vai respeitá-lo, ninguém irá honrá-lo, ninguém irá se submeter biblicamente falando a ele. Não poderá repreender ou corrigir ninguém segundo a Bíblia, não poderá exercer o ministério que Deus lhe confiou.
Acrescente-se a isso a insinceridade, manifesta na articulação "por detrás dos panos" para substituir o "líder problemático". Se alguém aceitar, pronto: vamos substituir o sujeito! Vamos mandar "uma carta demissória" dele para a igreja, substituindo-o por outro que esteja em conformidade com as diretrizes do mega-líder. Isso é o "fim da picada"! Não há nenhum traço de cristianismo nisso! Onde ficam os valores cristãos como sinceridade, verdade, honestidade, fidelidade, fraternidade, espiritualidade, fé, etc.?
Quem concorda com isso, que diz amém para essa deturpação, deveria deixar sua Bíblia em casa, porque a bem da verdade ela não está servindo para nada. É apenas peso na bolsa, algo a ser carregado. Na prática, essas pessoas já trocaram a Bíblia há muito tempo pela palavra inerrante do mega-líder!
4) Quem sai, vira bode: É o famoso "saiu do nosso meio porque não eram dos nossos". O interessante é que o sujeito "era dos nossos" até o dia que decidiu sair, rompendo com essa morte espiritual! É muita malandragem junta! O mega-líder frita, pressiona, pressiona, leva o sujeito ao limite! Porque não tem coragem de agir na luz - vai aparecer sua malandragem - age nas trevas, longe dos olhos e ouvidos da igreja! Aí o sujeito em questão, alvo do iracundo mega-líder, decide acabar com o circo e rompe com tudo, saindo do sistema. O resultado é: saiu porque não era dos nossos! Mau líder! Caso seja pastor, vira a antítese do bom pastor! Inapto para o Reino ("pôs a mão no arado e olhou para trás")! Afinal, é preciso "desconstruir" a espiritualidade do "bodão" para justificar a própria! Quem sai, aqui, está sempre errado! Vai ser arder no mármore do inferno; até lá, vai sendo devidamente tostado na igreja e nos grupos e redes sociais para os membros da igreja! Diante disso, digam os puxa-sacos do mega-líder: Amém, mein Führer!
Vale dizer que o Bom Pastor, de João cap. 10, é o próprio Jesus e nunca nenhum pastor ou líder humano. João 10:11 é muito claro: "Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas." Não há nenhuma aplicação apostólica desse texto para homens na Bíblia. Jesus declara ser o bom pastor. Com isso ele alude a uma tradição difundida no Antigo Testamento, segundo a qual Javé é concebido como o bom pastor do rebanho, que é seu povo, Israel (cf. Jr 23.1-4; Ez 34; 37.15 e ss; Zc 11; 13.7 e os Sl 23 e 80). Trata-se na verdade de mais uma exegese defeituosa e tendenciosa, que visa apenas a interesses escusos. Quem sai é mau, é mercenário, é lobo; já o mega-líder é o "bão pastô". Digam os puxa-sacos: Amém, mein Führer!
Porém, vamos supor, APENAS SUPOR, que a exegese errada está certa: que quem sai está errado, é mau. Na parábola do Bom Pastor, Jesus diz que quem sai é o mercenário: "O mercenário, que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, vê vir o lobo, abandona as ovelhas e foge; então, o lobo as arrebata e dispersa." (Jo 10.12) Vejamos: (1) Mercenário: que age ou trabalha apenas por interesse financeiro, por dinheiro ou algo que represente vantagens materiais; interesseiro, venal. Não se enquadra no perfil de quem sai por ser fritado e minado por ter opiniões embasadas na Bíblia que contrariam os interesses escusos, mas se enquadra perfeitamente no perfil do mega-líder; (2) "Não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas", ou seja, não é o bom pastor (que é Jesus) de quem são as ovelhas. Será que as ovelhas (os crentes) pertencem a algum homem??? Quando muito, estão sob cuidados humanos, nunca sob domínio de posse; (3) "Vê vir o lobo", ou seja, vê vir os falsos profetas (Mt 7.15); ele foge com medo das falsas profecias e do falso poder dos falsos profetas. Portanto, o texto NÃO SE APLICA, aos pobres líderes que estão mais fritos do batata-frita no fast food pelo mega-líder, que saem da igreja para preservar o pouco que ainda resta de sua dignidade e de sua integridade espiritual e emocional. Quem assim interpreta esse texto, forma um pretexto que só serve para ir para o cesto.
Esse é o sistema que tomou conta da Igreja de Cristo. Tomou conta dos corações e almas, cegadas pelo brilho do carisma do mega-líder. Como diz Marilia de Camargo Cesar, "quando a fé se deixa manipular, pessoas viram presas fáceis de toda sorte de abuso. A confiança autêntica e sincera em Deus é gradualmente substituída pela submissão acrítica aos desmandos de lideranças despreparadas", em sua obra "Feridos em Nome de Deus". Muitos irão ainda se ferir nesse sistema maligno, especialmente os mais sinceros em sua fé por Deus. Abuso espiritual, onde o nome de Deus é usado por alguns para subjugar, para diminuir outros física, material e emocionalmente outros mais fracos. Ser tachado de rebelde, insubordinado, fora da visão de Deus, etc., apenas por ter resistido a uma ordem por discordar dela, é uma das formas de abuso. Abuso e manipulação, com imposição da maneira dos outros pensarem.
A descrição do mega-líder no blog "Verdades que Libertam" é perfeita: "O tipo de liderança exercida por manipulação leva um bom tempo para ser percebido. O agente manipulador costuma ter uma personalidade onipotente e egoísta, de alguma forma narcísica. [...] Um líder manipulador recusa a tolerar qualquer discordância porque a vê como uma ameaça à sua autoridade imposta. Exige submissão à sua autoridade a todo o custo. Não admite ser contrariado. [...] Pratica política maquiavélica dentro de suas organizações. Gosta de destruir ou subjugar quem apresenta divergência. Estabelece regras (ou princípios ético-morais) e procedimentos que tendem a dar-lhe maior controle. Reprime a certos indivíduos, esperando que os outros aprendam com esses exemplos. Ele chama isto de "tratamento". [...] (fonte: http://evangelhoaverdadequeliberta.blogspot.com.br/2015/05/reconheca-as-caracteristicas-de-lideres.html. Acesso: 02/03/2018)
Esses mega-líderes são prepotentes! São cheios de si! Gostam de apresentar seu currículo, suas realizações, para coagir e humilhar quem se atrever a debater suas idéias esdrúxulas! Humildade passa longe, muito longe da vida deles, apesar de enfatizarem "o quanto são são humildes" em suas prédicas. Agem como se tudo o que tivessem feito na vida não fosse uma simples concessão do Senhor. O mega-líder se esquece que JAMAIS qualquer cristão deve se vangloriar de coisa alguma, a não ser de suas fraquezas, porque até a mula de Balaão e o peixe de Jonas Ele já usou! Deus Todo-Poderoso usa quem Ele quer e, portanto, não há vantagem alguma em ser usado por Deus! Você dificilmente verá um mega-líder pedir perdão por qualquer coisa: eles se acham sempre certos!
Se você, querido(a) leitor(a), está nessa situação, meu conselho é que você procure se libertar o quanto antes! Esse sistema maligno pode acabar com sua fé em Cristo, porque faz com que você inconscientemente ponha sua fé no homem. Nenhum homem é inerrante, nenhum homem, por mais ungido que seja, pode ser tido como Moisés. Isso não existe na Nova Aliança! Na Nova Aliança, a Igreja é guiada por um coletivo de líderes. Sempre haverá um que se destaca, alguém em quem o Espírito Santo põe o seu carisma. Mas todos são importantes e devem ser ouvidos. Eles não foram escolhidos para serem “senhores” de seus irmãos, mas seus “modelos” (1 Pe 5.3). O que é um modelo? É um padrão para outros seguirem. O que notamos também é que em cada cidade havia uma pluralidade de presbíteros. O Espírito Santo foi preciso em cada ocasião onde o termo está em conexão com a igreja de cada localidade. Essa pluralidade foi estabelecida para que a igreja não fosse propriedade de nenhum homem. Eles deveriam caminhar juntos e depender juntos da direção do Espírito Santo, conferindo uns com os outros passo a passo. É importante notar ainda, que a igreja não vivia ao redor desses homens, como se eles fossem o centro; o centro era a igreja; eles eram auxiliares dos obreiros – toda a igreja. A evidência disso, é que as cartas apostólicas escritas às igrejas, nunca foram endereçadas a algum presbitério local, mas sempre à igreja como um todo.
Igreja é mais que denominação. Fé, liberdade, verdade, sinceridade, honestidade, personalidade, individualidade, caráter bíblico, etc. são valores cristãos que devem ser preservados! Não deixe que o sistema roube-os de você! Não permita que sua fé sucumba e sua alma saia ferida em instituições de nicolaítas, de subjugadores e dominadores do povo!
Pense nisso. Deus te abençoe!
"Sabemos que somos de Deus e que o mundo inteiro jaz no Maligno." (I Jo 5.19)
O mundo jaz no maligno, é o que afirma o apóstolo João, o discípulo amado de Jesus. Noutras palavras, o mundo está como um morto sepultado, enterrado até a cabeça no maligno. Assim, estão mortas, exalando mau cheiro, as instituições humanas e humanizadas que pertencem ao mundo. Por mais aparência de piedade que possam possuir, por mais aparência de vida que procure exibir estão mortas em si mesmas. Já não tem vida; a vida delas se esvaiu como num sopro. Não adiantam liturgias, paramentos, regras doutrinais, títulos eclesiásticos, evocações ou coisas semelhantes a estas porque não trazem vida ao cadáver. Do mesmo modo, não adianta invocar os nomes daqueles que estão vivos, ou dizer-se enviado pela Vida e em prol da vida, se o óbito a muito já foi declarado.
Die Religion ... Sie ist das Opium des Volkes. De fato, a religião possui efeito entorpecente sobre as pessoas que dela fazem uso. Porém, isso não quer dizer que a religião tenha alguma vida em si mesma, ou seja capaz de gerar vida em seus sacerdotes e adeptos. Não, a religião - qualquer que seja ela - não gera vida porque não é viva e nem provém da vida. É tão somente a fútil tentativa dos mortos em entrar em contato com a Vida.
Essa morte entrou onde seria mais improvável: na Igreja de Cristo sobre a terra. Se espalhou sistematicamente e em todos os sistemas que outrora eram vivos. A morte entrou no mundo pelo pecado, diz o apóstolo Paulo (Rm 5.12). Onde há pecado a morte entra, e onde a morte entra acaba a vida. Mas a ação da morte sobre a instituições não se dá instantaneamente. Não. A morte vai estendendo suas garras de trevas lentamente sobre o que é vivo. Vai matando aos poucos, lentamente. Vai sufocando, asfixiando. Por isso mesmo, é difícil de detectar a ação da morte. Não raramente, percebe-se quando já é tarde, quando o processo é irreversível.
Quais são os sintomas da morte? Os sintomas são muito variados, tanto em quantidade quanto em complexidade. É possível no entanto listar alguns:
1) Ruptura dos laços de amor fraternal: "Amai-vos cordialmente uns aos outros com amor fraternal, preferindo-vos em honra uns aos outros." (Rm 12.10) Esse é o primeiro sintoma da morte. A comunhão cristã é trocada por relacionamentos de conveniências, ou seja, o que motiva o relacionamento é o egoísmo, o que a outra pessoa pode me dar, o que eu posso obter dela, como eu posso usá-la para alcançar meus objetivos. As pessoas passam a valer o quanto pesam, não mais pelo que são. "Irmão" vira mero jargão religioso, porque não há irmandade de verdade. Tudo vira um jogo. Jogo de bajulação, jogo de interesses, jogo até de cartas marcadas. Ninguém se importa mais com a vida de ninguém, com o estado espiritual, emocional ou até mesmo físico. Usam-se as pessoas independente de como estão espiritualmente, porque ao final o que interessa é "encher Igreja" - Igrejas cheias de pessoas vazias.
2) Fim da Democracia: Nisso dá-se a contribuição dos famosos "donos de Igreja", dos "Moisés do Novo Testamento", "fundadores de ministérios com base numa visão". "Temos que seguir a visão; a visão é inegociável", diz o mega-líder. A visão é inegociável, mas a Bíblia passa a ser totalmente negociável. Os valores bíblicos são deturpados segundo uma exegese defeituosa, que sempre dá preferência à liderança portadora da visão. O líder, dono da visão, é tratado como uma espécie de papa: é inerrante em tudo que faz; tudo o que fala, todas as suas ordens e decisões, são "inspiradas pelo Espírito Santo". Com isso, o processo de tomada de decisão na Igreja fica 100% na mão do "ungido visionário". Não há debate de idéias, não há busca de consenso. Afinal, a decisão do mega-líder "vem de Deus"; Deus, por sua vez, só fala com esse líder e não fala com mais ninguém. Os outros todos - obreiros da Igreja - são incapazes de ouvir a Deus por si mesmos, precisando sempre da mediação do líder autorizado divinamente, como Moisés no Antigo Testamento, o qual é frequentemente citado pelo mega-líder para justificar seu comportamento ditatorial (veja uma análise completa sobre isso em: https://apenas-para-argumentar.blogspot.com.br/2017/04/dominando-ou-sendo-exemplo-apascentando.html). O problema é que no Novo Testamento isso mudou: no Novo Testamento, para quem não sabe ainda, Deus não escolheu apenas um, mas um corpo. No Novo Testamento, todos podem e devem ouvir diretamente de Deus, sem intermediários humanos. Todos são sacerdotes - o sacerdócio universal dos crentes, verdade bíblica redescoberta por Lutero na Reforma Protestante.
No Concílio de Jerusalém, vemos que as decisões da Igreja eram coletivas, por um colegiado (que tomava decisões e não existia somente para inglês ver, pois ninguém "apita nada"). O texto é muito claro e não deixa dúvida: "Então, se reuniram os apóstolos e os presbíteros para examinar a questão. Havendo grande debate, Pedro tomou a palavra [...] E toda a multidão silenciou, passando a ouvir a Barnabé e a Paulo [...] Depois que eles terminaram, falou Tiago [...] Então, pareceu bem aos apóstolos e aos presbíteros, com toda a igreja [...] Pois pareceu bem ao Espírito Santo e a nós [...]" (Atos 15:-28) É só ler o que está escrito: todos reunidos - presbiteros, apóstolos e igreja - para discutirem acerca do problema surgido; todos podendo falar, todos ouvindo a todos. QUANDO - E SOMENTE QUANDO - obtiveram consenso entre eles é que os apóstolos e presbíteros, DE COMUM ACORDO, OBTIDO APÓS O DEBATE, decidiram enviar dois representantes à Antioquia para comunicar a posição obtida. SÓ ENTÃO É DITO que "pareceu bem ao Espírito Santo e a nós". Mas para o mega-líder é de outro jeito: "pareceu bem ao Espírito Santo E A MIM, e ai de quem discordar!". Quem discorda é bode, é rebelde, problemático, carnal, é das trevas, não entrou na visão, radical e por aí vai. Um crente em Cristo que genuinamente discorde das decisões estapafúrdias pode ser tido como "empecilho para o crescimento da Obra". Um crente vira impeditivo para Deus crescer a Igreja! Onde isso existe na Bíblia? Na Bíblia não, mas na cabeça do "Führer" sim! Prato cheio para opressão religiosa, para culto a personalidade e todo tipo de erro! E os puxa-sacos de plantão dirão: Amém, mein Führer!
3) "Fritada" com os contrários: Ou "cozinhar o galo em banho-maria". Cortar recursos. Cortar apoio. Cortar contato. Cortar o suporte. Quando alguém tenta apontar algo diferente, o "Godfather" se sente contrariado. Nessa hora, muitos optam por fritar quem pensa diferente. Nesses casos, o que acontece no dia-a-dia é que ninguém discorda do "chefão". Muitos até mentem, ou omitem a própria opinião, para evitar o confronto. Viram "vaquinhas de presépio" com medo de serem repreendidas, de serem perseguidas, de perderem seus cargos e posições que tanto lhes causam vislumbre. Ou então as pessoas tornam-se agradáveis na superfície, mas cheias de desconfiança e hostilidade no fundo. O resultado é um ambiente de Igreja que mais parece uma masmorra: frio e inóspito. Nojento. Hipócrita. Quem insiste, ou será removido sumariamente ou será frito. Terá suas funções esvaziadas pelo mega-líder, por meio de decisões e articulações "com endereço certo", paulatinamente.
Quem mina o outro, tem como objetivo cansá-lo e reduzir sua influência e liderança ao mínimo. O líder minado, se não "pular fora", se tornará uma espécie de "rainha Elizabeth": não apita nada, não manda nada, tendo apenas aparência de líder. Ninguém vai respeitá-lo, ninguém irá honrá-lo, ninguém irá se submeter biblicamente falando a ele. Não poderá repreender ou corrigir ninguém segundo a Bíblia, não poderá exercer o ministério que Deus lhe confiou.
Acrescente-se a isso a insinceridade, manifesta na articulação "por detrás dos panos" para substituir o "líder problemático". Se alguém aceitar, pronto: vamos substituir o sujeito! Vamos mandar "uma carta demissória" dele para a igreja, substituindo-o por outro que esteja em conformidade com as diretrizes do mega-líder. Isso é o "fim da picada"! Não há nenhum traço de cristianismo nisso! Onde ficam os valores cristãos como sinceridade, verdade, honestidade, fidelidade, fraternidade, espiritualidade, fé, etc.?
Quem concorda com isso, que diz amém para essa deturpação, deveria deixar sua Bíblia em casa, porque a bem da verdade ela não está servindo para nada. É apenas peso na bolsa, algo a ser carregado. Na prática, essas pessoas já trocaram a Bíblia há muito tempo pela palavra inerrante do mega-líder!
4) Quem sai, vira bode: É o famoso "saiu do nosso meio porque não eram dos nossos". O interessante é que o sujeito "era dos nossos" até o dia que decidiu sair, rompendo com essa morte espiritual! É muita malandragem junta! O mega-líder frita, pressiona, pressiona, leva o sujeito ao limite! Porque não tem coragem de agir na luz - vai aparecer sua malandragem - age nas trevas, longe dos olhos e ouvidos da igreja! Aí o sujeito em questão, alvo do iracundo mega-líder, decide acabar com o circo e rompe com tudo, saindo do sistema. O resultado é: saiu porque não era dos nossos! Mau líder! Caso seja pastor, vira a antítese do bom pastor! Inapto para o Reino ("pôs a mão no arado e olhou para trás")! Afinal, é preciso "desconstruir" a espiritualidade do "bodão" para justificar a própria! Quem sai, aqui, está sempre errado! Vai ser arder no mármore do inferno; até lá, vai sendo devidamente tostado na igreja e nos grupos e redes sociais para os membros da igreja! Diante disso, digam os puxa-sacos do mega-líder: Amém, mein Führer!
Vale dizer que o Bom Pastor, de João cap. 10, é o próprio Jesus e nunca nenhum pastor ou líder humano. João 10:11 é muito claro: "Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a vida pelas ovelhas." Não há nenhuma aplicação apostólica desse texto para homens na Bíblia. Jesus declara ser o bom pastor. Com isso ele alude a uma tradição difundida no Antigo Testamento, segundo a qual Javé é concebido como o bom pastor do rebanho, que é seu povo, Israel (cf. Jr 23.1-4; Ez 34; 37.15 e ss; Zc 11; 13.7 e os Sl 23 e 80). Trata-se na verdade de mais uma exegese defeituosa e tendenciosa, que visa apenas a interesses escusos. Quem sai é mau, é mercenário, é lobo; já o mega-líder é o "bão pastô". Digam os puxa-sacos: Amém, mein Führer!
Porém, vamos supor, APENAS SUPOR, que a exegese errada está certa: que quem sai está errado, é mau. Na parábola do Bom Pastor, Jesus diz que quem sai é o mercenário: "O mercenário, que não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas, vê vir o lobo, abandona as ovelhas e foge; então, o lobo as arrebata e dispersa." (Jo 10.12) Vejamos: (1) Mercenário: que age ou trabalha apenas por interesse financeiro, por dinheiro ou algo que represente vantagens materiais; interesseiro, venal. Não se enquadra no perfil de quem sai por ser fritado e minado por ter opiniões embasadas na Bíblia que contrariam os interesses escusos, mas se enquadra perfeitamente no perfil do mega-líder; (2) "Não é pastor, a quem não pertencem as ovelhas", ou seja, não é o bom pastor (que é Jesus) de quem são as ovelhas. Será que as ovelhas (os crentes) pertencem a algum homem??? Quando muito, estão sob cuidados humanos, nunca sob domínio de posse; (3) "Vê vir o lobo", ou seja, vê vir os falsos profetas (Mt 7.15); ele foge com medo das falsas profecias e do falso poder dos falsos profetas. Portanto, o texto NÃO SE APLICA, aos pobres líderes que estão mais fritos do batata-frita no fast food pelo mega-líder, que saem da igreja para preservar o pouco que ainda resta de sua dignidade e de sua integridade espiritual e emocional. Quem assim interpreta esse texto, forma um pretexto que só serve para ir para o cesto.
Esse é o sistema que tomou conta da Igreja de Cristo. Tomou conta dos corações e almas, cegadas pelo brilho do carisma do mega-líder. Como diz Marilia de Camargo Cesar, "quando a fé se deixa manipular, pessoas viram presas fáceis de toda sorte de abuso. A confiança autêntica e sincera em Deus é gradualmente substituída pela submissão acrítica aos desmandos de lideranças despreparadas", em sua obra "Feridos em Nome de Deus". Muitos irão ainda se ferir nesse sistema maligno, especialmente os mais sinceros em sua fé por Deus. Abuso espiritual, onde o nome de Deus é usado por alguns para subjugar, para diminuir outros física, material e emocionalmente outros mais fracos. Ser tachado de rebelde, insubordinado, fora da visão de Deus, etc., apenas por ter resistido a uma ordem por discordar dela, é uma das formas de abuso. Abuso e manipulação, com imposição da maneira dos outros pensarem.
A descrição do mega-líder no blog "Verdades que Libertam" é perfeita: "O tipo de liderança exercida por manipulação leva um bom tempo para ser percebido. O agente manipulador costuma ter uma personalidade onipotente e egoísta, de alguma forma narcísica. [...] Um líder manipulador recusa a tolerar qualquer discordância porque a vê como uma ameaça à sua autoridade imposta. Exige submissão à sua autoridade a todo o custo. Não admite ser contrariado. [...] Pratica política maquiavélica dentro de suas organizações. Gosta de destruir ou subjugar quem apresenta divergência. Estabelece regras (ou princípios ético-morais) e procedimentos que tendem a dar-lhe maior controle. Reprime a certos indivíduos, esperando que os outros aprendam com esses exemplos. Ele chama isto de "tratamento". [...] (fonte: http://evangelhoaverdadequeliberta.blogspot.com.br/2015/05/reconheca-as-caracteristicas-de-lideres.html. Acesso: 02/03/2018)
Esses mega-líderes são prepotentes! São cheios de si! Gostam de apresentar seu currículo, suas realizações, para coagir e humilhar quem se atrever a debater suas idéias esdrúxulas! Humildade passa longe, muito longe da vida deles, apesar de enfatizarem "o quanto são são humildes" em suas prédicas. Agem como se tudo o que tivessem feito na vida não fosse uma simples concessão do Senhor. O mega-líder se esquece que JAMAIS qualquer cristão deve se vangloriar de coisa alguma, a não ser de suas fraquezas, porque até a mula de Balaão e o peixe de Jonas Ele já usou! Deus Todo-Poderoso usa quem Ele quer e, portanto, não há vantagem alguma em ser usado por Deus! Você dificilmente verá um mega-líder pedir perdão por qualquer coisa: eles se acham sempre certos!
Se você, querido(a) leitor(a), está nessa situação, meu conselho é que você procure se libertar o quanto antes! Esse sistema maligno pode acabar com sua fé em Cristo, porque faz com que você inconscientemente ponha sua fé no homem. Nenhum homem é inerrante, nenhum homem, por mais ungido que seja, pode ser tido como Moisés. Isso não existe na Nova Aliança! Na Nova Aliança, a Igreja é guiada por um coletivo de líderes. Sempre haverá um que se destaca, alguém em quem o Espírito Santo põe o seu carisma. Mas todos são importantes e devem ser ouvidos. Eles não foram escolhidos para serem “senhores” de seus irmãos, mas seus “modelos” (1 Pe 5.3). O que é um modelo? É um padrão para outros seguirem. O que notamos também é que em cada cidade havia uma pluralidade de presbíteros. O Espírito Santo foi preciso em cada ocasião onde o termo está em conexão com a igreja de cada localidade. Essa pluralidade foi estabelecida para que a igreja não fosse propriedade de nenhum homem. Eles deveriam caminhar juntos e depender juntos da direção do Espírito Santo, conferindo uns com os outros passo a passo. É importante notar ainda, que a igreja não vivia ao redor desses homens, como se eles fossem o centro; o centro era a igreja; eles eram auxiliares dos obreiros – toda a igreja. A evidência disso, é que as cartas apostólicas escritas às igrejas, nunca foram endereçadas a algum presbitério local, mas sempre à igreja como um todo.
Igreja é mais que denominação. Fé, liberdade, verdade, sinceridade, honestidade, personalidade, individualidade, caráter bíblico, etc. são valores cristãos que devem ser preservados! Não deixe que o sistema roube-os de você! Não permita que sua fé sucumba e sua alma saia ferida em instituições de nicolaítas, de subjugadores e dominadores do povo!
Pense nisso. Deus te abençoe!
terça-feira, 13 de fevereiro de 2018
LUAS DE SANGUE E PROFECIAS DO FIM DOS TEMPOS: UM LINK QUEBRADO
Para entender um pouco melhor sobre o teor dessa postagem, acesse: A PROFECIA DE JOEL E AS LUAS DE SANGUE (https://apenas-para-argumentar.blogspot.com.br/2015/09/a-profecia-de-joel-e-as-luas-de-sangue.html).
A relação entre as luas de sangue com as profecias bíblicas relativas ao fim dos tempos tem sido propagadas como verdadeiras em muitos círculos evangélicos. Não faltam aqueles que comentam, assustados, sobre essa dita ligação profética entre o fenômeno astronômico com as profecias bíblicas. Outros parecem fascinados com o assunto, como se tivessem "descoberto a pólvora". Por detrás dessas reações, está o patente desconhecimento da Bíblia Sagrada, tida como um "livro estranho e enigmático" para aqueles que se dizem "povo do livro". Por não lerem, não estudarem e não se interessarem em aprender a Bíblia, acabam dando ouvidos "a todo vento de doutrina" que surge. São ainda "meninos, agitados de um lado para outro e levados ao redor por todo vento de doutrina, pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro" (Ef 4.14).
A profecia da lua do sangue surgiu a partir dos ensinos apocalípticos promovidos pelos pastores norte-americanos John Hagee e Mark Biltz, que afirmam que um tétrade (uma série de quatro eclipses lunares consecutivos - coincidindo em feriados judeus - com seis luas inteiras no meio e sem intervenção parcial eclipses lunares) que começou com o eclipse lunar de abril de 2014 é um sinal do início dos tempos do fim, conforme descrito na Bíblia no Livro de Joel, Atos 2:20 e Apocalipse 6:12. (ref.: https://www.christiantoday.com/article/four-blood-moons-pastor-john-hagee-getv-broadcast-april-15-time-lunar-tetrad-video/36747.htm) Seus insights logo se tornaram a "a revelação da hora" entre as últimas previsões sensacionalistas de profecias para aqueles que parecem gostar de procurar o "segredo escondido" da data da Segunda Vinda de Jesus. Então, com a ajuda da Internet e daqueles que amam compartilhar as "últimas modas e tendências cristãs", os ensinamentos da lua de sangue trouxeram uma nova excitante àqueles que procuram modismos!
Baseados em suas teorias, Mark Biltz previu a segunda vinda de Jesus no ano de 2008 (www.alankurschner.com/2013/08/12/answering-mark-biltzs-blood-moon-2014-2015-date-setting-schema/). De acordo com ele, os sete anos de grande tribulação começariam no outono de 2008. O período da tribulação estenderia até a queda do ano de 2015, quando Jesus viria. Biltz esboçou que ele havia recebido uma revelação de que a próxima tétrade marcaria o fim dos tempos. No entanto, a previsão não se tornou realidade. Isso, contudo, não impediu Biltz de falar sobre a profecia.
É importante destacar que o ministério do pastor Mark Biltz, o "El Shaddai ministries" (http://www.elshaddaiministries.us/), não possuía muita popularidade (ou credibilidade) até a "relevação sobre as luas de sangue". Uma das razões pelas quais Mark Biltz não era muito popular entre os círculos cristãos deve-se ao fato de ser uma parte do herético "Movimento das Raízes Hebraicas", que tenta fazer com que os cristãos se convertam de volta ao judaísmo e à estrita adesão à Lei do Antigo Testamento. Este movimento ensina que é errado converter os judeus ao cristianismo, rejeita abertamente os escritos do apóstolo Paulo e ensina que Paulo era um falso apóstolo devido ao seu ensino contra a lei do Antigo Testamento e os costumes judaicos. São os judaizantes modernos, que tanto perturbaram a Igreja Cristã no primeiro século. (vale a pena ler: http://christinprophecy.org/articles/the-blood-moon-mania/)
Mark Biltz também ensina uma forma muito estranha de interpretar e entender a Escritura através de um sistema de crença mística conhecido como "Cabala". Essa forma de misticismo judaico procura constantemente encontrar "verdades escondidas" não reveladas ao leitor da Escritura. O ensino da lua de sangue é um exemplo perfeito de "verdades ocultas". Tragicamente, essa forma de interpretação e ensino leva a todos os tipos de atitudes de orgulho e crenças heréticas, que rejeitam "a simplicidade de Cristo" (II Co 11.3) e a cruz enquanto mergulha em um mar de "revelações extra-bíblicas ". É muito importante lembrar que o ensino sobre os tétrades de luas de sangue NÃO É INDICADO NENHUMA PARTE na Bíblia. Este é um exemplo de "revelação extrabíblica" e precisa ser visto e tratado com todo cuidado, por seu potencial herético. Vale mencionar que segundo os cabalistas, um eclipse lunar sempre prenuncia acontecimentos importantes ligados a dificuldades para o povo de Israel.
Por sua vez, John Hagee, pastor da Cornerstone Church in San Antonio, expôs a previsão da lua de sangue de Biltz num livro de sua autoria, intitulado "Four Blood Moons: Something is About to Change". O livro recebeu imensa popularidade e tornou-se um dos mais vendidos em 2014. Em 30 de março de 2014, a Publishers Weekly classificou o livro como o nono melhor livro de bolso. Em meados de abril de 2014, o New York Times classificou o livro como o best-seller na categoria de aconselhamento. Em seu livro, Hagee introduz sua "revelação" com a seguinte frase: "Have you ever considered the sun, moon and stars in the study of prophecy?" Ele afirma pretender correlacionar as profecias com a astronomia, citando em seguida a profecia bíblica de Joel e a partir da expressão "lua em sangue" contida no versículo 31 ele cunha a expressão "lua de sangue". A partir de então, ele cita uma série de eventos buscando corroborar sua tese. Hagee em seu livro cita que as luas de sangue sempre são acompanhadas por eventos mundiais cataclísmicos. Quem conhece um pouco sobre interpretação bíblica, sabe que Hagee cometeu um erro crasso: Ele não interpreta as Escrituras à luz das Escrituras, mas sim à luz dos eventos atuais.
Defensores das profecias das luas de sangue afirmam que as tétrades apareceram durante importantes acontecimentos na história de Israel: a expulsão dos judeus da Espanha em 1492, a independência de Israel em 1948, e em 1967, durante a Guerra dos Seis Dias. Todavia, a primeira lua de sangue ocorreu em abril de 1949, depois que Israel já havia obtido sua independência, em maio de 1948. Semelhantemente, uma tétrade apareceu em 1493, um ano depois que o povo judeu foi expulso da Espanha. Se as luas de sangue fossem sinais, elas deveriam ter acontecido antes desses eventos. Novamente - e isso é muito importante - se as luas de sangue servissem como um "sinal profético", elas deveriam, no mínimo, PRECEDER o evento para dar uma advertência futura sobre o que estava para acontecer com Israel. Mas eles não aparecem até o evento acontecer. Note o que Jesus ensinou: "Logo em seguida à tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, a lua não dará a sua claridade, as estrelas cairão do firmamento, e os poderes dos céus serão abalados." (Mt 24.29) Ou seja, claramente Jesus está dizendo que vários eventos celeste acontecerão "após a tribulação daqueles dias", não "antes da tribulação".
Concluindo, devemos reafirmar aquilo que a Bíblia afirma: "Mas a respeito daquele dia e hora ninguém sabe, nem os anjos dos céus, nem o Filho, senão o Pai." (Mt 24.36) NINGUÉM, nenhum homem, profeta, pastor, apóstolo, rabino, anjo, etc. soube, sabe ou jamais saberá qual será o dia da vinda de Jesus. Quem se atreve a marcar datas de eventos bíblicos proféticos irá inevitavelmente errar. Somente o Pai, o Espírito Santo e Jesus (após sua ressurreição e ascenção aos céus) sabe o dia em que virão a se cumprir os eventos determinados por Deus e Ele não vai revelar isso a ninguém, nunca. Ele mesmo disse que Sua vinda seria repentina, quando ninguém está esperando, como o "ladrão na noite": "Por isso, ficai também vós apercebidos; porque, à hora em que não cuidais, o Filho do Homem virá." (Mt 24.44)
Podemos, querido(a) leitor(a), estar preparados: mais e mais "invencionices" como essa surgirão. Mais e mais "profetas", com suas "revelações bombásticas", vão aparecer e enganar a muitos. Junto com eles, virão muitos falsos cristos com falsos evangelhos. Todos eles operarão dúzias de sinais, prodígios e maravilhas, até que venham os últimos falso profeta e o próprio anticristo em pessoa! Isso chama-se "operação do erro", para que aqueles que rejeitam a verdade de Deus para salvação sejam enganados, dando crédito à mentira: "Ora, o aparecimento do iníquo é segundo a eficácia de Satanás, com todo poder, e sinais, e prodígios da mentira, e com todo engano de injustiça aos que perecem, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos. É por este motivo, pois, que Deus lhes manda a operação do erro, para darem crédito à mentira, a fim de serem julgados todos quantos não deram crédito à verdade; antes, pelo contrário, deleitaram-se com a injustiça." (II Ts 2.9-12)
Pense nisso! Deus está te dando visão de águia!
domingo, 11 de fevereiro de 2018
O QUE A BÍBLIA TEM A DIZER ACERCA DO SUICÍDIO DE CRENTES?
I. INTRODUÇÃO:
O suicídio é o ato de tirar voluntariamente a própria vida. Trata-se de um termo que deriva de dois vocábulos latinos: sui (“de si mesmo”) e caedĕre (“matar”), ou seja, matar-se a si mesmo. Outra definição possível é "auto-assassínio", a qual é aceita por muitas religiões.
O suicídio é um evento trágico com fortes repercussões emocionais para seus sobreviventes e para as famílias de suas vítimas. Mais de 44 mil pessoas nos EUA se mataram em 2015, a maioria entre pessoas dos 45 e 54 anos; homens estão especialmente em risco, com taxa de suicídio aproximadamente quatro vezes superior à das mulheres, segundo o veículo Psychology Today. No Brasil, entre 2011 e 2015, houve 55.649 casos; o problema igualmente afeta mais os homens (79% dos casos). Conforme a Revista Galileu, "o meio mais utilizado é o enforcamento: 66,1% entre os homens e 47% as entre mulheres, seguidos por intoxicação exógena e armas de fogo, consecutivamente. Já em relação às tentativas de suicídio, as mulheres são maioria (69%) e 31,1% tenta mais de uma vez. Entre 2011 e 2016 ocorreram 48.204 tentativas e o principal meio é envenenamento ou intoxicação (58%)" (fonte: http://revistagalileu.globo.com/Ciencia/Saude/noticia/2017/09/numero-de-suicidios-aumentou-12-no-brasil-mostra-ministerio-da-saude.html).
O suicídio é um fenômeno que ocorre em todas as regiões do mundo. Estima-se que, anualmente,
mais de 800 mil pessoas morrem por suicídio e, a cada adulto que se suicida, pelo menos outros 20
atentam contra a própria vida. Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), o suicídio
representa 1,4% de todas as mortes em todo o mundo, tornando-se, em 2012, a 15a. causa de
mortalidade na população geral; entre os jovens de 15 a 29 anos, é a segunda principal causa de morte (fonte: http://portalarquivos.saude.gov.br/images/pdf/2017/setembro/21/2017-025-Perfil-epidemiologico-das-tentativas-e-obitos-por-suicidio-no-Brasil-e-a-rede-de-atencao-a-saude.pdf)
Por que uma pessoa busca acabar com sua própria vida? As razões são variadas e complexas, envolvendo frustrações, crises emocionais intensas (como fim de relacionamentos), problemas financeiros, problemas sociais, desgraças pessoais, sentimentos de impotência e de temor diante de fatos aparentemente insolúveis e/ou de grande repercussão, alcoolismo, drogas, etc. Em muitos casos, o suicídio também está ligado a sentimentos de desesperança e inutilidade. Há patologias da alma que tornam o indivíduo portador suscetível ao suicídio, como depressão severa, transtorno bipolar, esquizofrenia, personalidade Boderline (caracterizada por emoções instáveis, padrões de pensamento perturbados, comportamento impulsivo e relações intensas mas instáveis com outras pessoas), anorexia nervosa, dentre outros.
"Eu deveria me matar?" é a pergunta que um sem número de pessoas já se deparou ou se depara. Para Albert Camus (1913–1960), o suicídio é o único problema filosófico realmente sério, conforme ele relata em sua obra "O Mito de Sísifo". Camus vê essa questão de suicídio como uma resposta natural a uma premissa subjacente, a saber, que a vida é absurda de várias maneiras. Sua filosofia do absurdo nos deixa com uma imagem impressionante do destino humano: Sísifo empurrando sem parar sua rocha até a montanha, apenas para vê-la voltar para baixo cada vez que ele ganha o topo (daí vem a expressão "trabalho de Sísifo", empregada para denotar qualquer tarefa que envolva esforços longos, repetitivos e inevitavelmente fadados ao fracasso).
Ainda refletindo sobre o tema, do ponto de vista da sociologia, é possível identificar pelo menos três abordagens explicativas para o suicídio: a altruísta, o egoísta e o anômico. Estas abordagens foram inicialmente desenvolvidas pelo sociólogo francês Emile Durkheim. O suicídio anômico é bem representado em situações de anomia social, ou ausência de regras que mantenham a coesão social, enquanto o egoísta acontece quando as pessoas se sentem totalmente separadas da sociedade, com o rompimento dos laços junto a grupos sociais, tais como famílias, grupos escolares, grupos esportivos e/ou grupos religiosos (por exemplo, o suicídio de jovens por conta do jogo Baleia Azul). Já o suicídio altruísta (ou filantrópico) dar-se-ia em razão de profundos laços com a sociedade, como no caso dos Kamikazes japoneses.
Infelizmente, o suicídio tem cada vez mais se tornado comum entre cristãos. O ano de 2017 foi o ano em que mais se viu pastores e obreiros se suicidando. Um total de 4 servos de Deus tiraram, numa atitude extremada, a própria vida (fonte: http://apenas-para-argumentar.blogspot.com.br/2018/01/socorro-sou-pastor-e-preciso-de-ajuda.html). A questão a ser abordada aqui, portanto, é se há algum ensino na Bíblia acerca do suicídio. A Bíblia aprova ou dessaprova o suicídio? O que acontece, espiritualmente falando, em termos da eternidade, com aquele que se suicida? Há salvação espiritual e eterna para um suicida?
II. O SUICÍDIO NA BÍBLIA:
Antes de mais nada, devemos ressaltar que o termo "suicídio" aparece na Bíblia Sagrada em duas únicas passagens, em sua forma verbal: A primeira, em João 8:22 ("Então, diziam os judeus: Terá ele, acaso, a intenção de suicidar-se? Porque diz: Para onde eu vou vós não podeis ir."). A segunda em Atos 16:27 ("O carcereiro despertou do sono e, vendo abertas as portas do cárcere, puxando da espada, ia suicidar-se, supondo que os presos tivessem fugido.") O termo vem do grego "anaireo heauton" e "apokteino heauton", "matar a si mesmo". No entanto, há exemplos de pessoas que cometeram suicídio, tanto no Antigo Testamento, quanto no Novo Testamento. Judas Iscariotes é um exemplo: tirou a própria vida, enforcando-se e precipitando-se de forma a ter suas entranhas derramadas após ver o grande erro que havia feito ao trair Jesus por 30 moedas de prata (Mt 27.5; At 1.18). No Antigo Testamento, o primeiro caso que surge é o de Sansão. Outros casos que se destacam são o de Saul e de Aitofel.
O caso de Sansão é talvez um dos mais complexos. Diz o texto bíblico que Sansão, com os ohos vazados e sem a unção de Deus que lhe fortalecia, por conta da artimanha da filistéia Dalila que o traíra e rapara sua cabeça (profanando assim o voto de nazireu que Sansão tinha com Deus desde recém-nascido), entregue aos seus inimigos que dele zombavam, pediu ao Senhor que lhe desse sua força uma última vez a fim de que pudesse se vingar dos filisteus (Jz 16.20-31). O Senhor ouviu seu pedido: Sansão se agarra às duas colunas do meio, em que se sustinha a casa, e fez força sobre elas, causando desabamento e matando-se a si mesmo e aos seus inimigos. O versículo 30 é marcante: "E disse: Morra eu com os filisteus. E inclinou-se com força, e a casa caiu sobre os príncipes e sobre todo o povo que nela estava; e foram mais os que matou na sua morte do que os que matara na sua vida". Ou seja, Sansão sabia que seu ato causaria não apenas a morte dos filisteus, mas também a sua própria morte ("Morra eu e com os filisteus"). A dificuldade aqui é que Deus sabia, por Sua onisciência, da intenção de Sansão e concede-lhe o pedido. Para piorar as coisas, Sansão aparece na galeria dos heróis da fé, no cap. 11 de Hebreus, como um exemplo de fé a ser seguido.
Os demais casos são bem simples. o rei Saul se suicidou porque não queria ser escarnecido pelos adversários, pois os considerava impuros: “Então, disse Saul ao seu escudeiro: Arranca a tua espada e atravessa-me com ela, para que, porventura, não venham estes incircuncisos, e me traspassem, e escarneçam de mim. Porém o seu escudeiro não o quis, porque temia muito; então, Saul tomou da espada e se lançou sobre ela.” (I Sm 31.4). Temos também o caso de Aitofel: “Vendo, pois, Aitofel que não fora seguido o seu conselho, albardou o jumento, dispôs-se e foi para casa e para a sua cidade; pôs em ordem os seus negócios e se enforcou; morreu e foi sepultado na sepultura do seu pai.” (II Sm 17.23).
É interessante observar que não houve, nos casos citados acima, qualquer juízo de valor por parte do autor sagrado. Isto é, não há um registro de "aprovação" ou de "reprovação" das atitudes desses homens, típicas em outros momentos, a não ser nos casos de Sansão e ainda assim de uma forma indireta, interpretativa, e de Judas (também indireta). Não há algo como "e fez o que era mau aos olhos do Senhor", ou "cometendo pecado", etc. ligado ao suicídio desses homens bíblicos. INTERPRETATIVAMENTE, podemos dizer que há uma reprovação implícita no suicídio de Judas, de Saul e de Aitofel.
No caso de Sansão, a despeito dos demais, parece haver aprovação. Isso faz com que a avaliação moral do ato do suicídio esteja ligada à motivação do mesmo. No caso de Sansão em seu suicídio altruísta, conforme as categorias de Durkheim, a motivação principal era a continuidade do julgamento de Israel por este juiz bíblico, trazendo livramento momentâneo à nação. Assim lemos: "Sansão julgou a Israel, nos dias dos filisteus, vinte anos" (Jz 15.20). Deus, portanto, havia concedido a Sansão, mais uma vez, aquilo que o capacitava para exercer seu ministério como juiz de Israel: a unção do Espírito Santo, objetivando assim o bem da nação. Vale dizer que Sansão só ficou no estado em que ficou por conta de sua concupiscência sexual, do seu pecado. E sabemos que o pecado, uma vez consumado gera a morte (Tg 1.15). Ou seja, Sansão ao pecar havia já selado seu destino; Deus apenas permitiu-lhe um fim nobre, honrado e útil, fazendo o bem assim tanto ao Seu servo quanto à Israel.
Já nos casos de Saul, Aitofel e Judas as motivações são totalmente erradas, consequência da vida pecaminosa que levaram. Pecaram, trazendo sobre si mesmos as consequências dos seus pecados, desceram ao fundo do poço. Suas razões, para o suicídio, foram egoístas, a exemplo de suas vidas e ministérios.Suicídios egoístas se enquandram bem em muitas causas listadas no 4o. parágrafo desse texto, excetuando-se, é claro, as causas patológicas.
III. O DESTINO ETERNO DO SUICIDA:
Aplicar-se-ia o quinto mandamento aos suicidas - "não matarás"? Considerando a etimologia e o ato em si, sou da opinião que sim. Ou seja, quem comete suicídio egoísta (e anômico) está descumprindo a Lei de Deus e, assim, incorrendo em pecado. Isso não se aplica, contudo, ao suicídio altruísta, que visa a proteção e bem-estar de outras pessoas (como soldados em tempos de guerra, policiais e bombeiros, salva-vidas, pais em defesa de sua família, etc.), ou em virtude da perseverança na fé (como fizeram - e farão - os mártires cristãos, entregando a vida para serem mortos por causa de Cristo). No caso do suicídio altruísta, o princípio subjacente é aquele que o próprio Senhor Jesus aplica a si mesmo: "Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos." (Jo 15.13)
Mas e quanto ao destino eterno de suicidas? O destino eterno de suicidas é um assunto em franco debate no meio cristão, especialmente o de confissão protestante. O que acontece espiritualmente com o crente quando este tira a sua própria vida?
Inicialmente, é bom que fique claro que a deliberação acerca do destino eterno de alguém que morre não é uma tarefa que Deus concedeu ao homem. Podemos, como cristãos, à luz da Bíblia, dizer qual é o caminho que conduz a salvação - Jesus, o caminho, a verdade e a vida -; contudo, não é possível dizer se alguém que morreu foi para o céu ou para o inferno (a despeito de ter ido para um desses dois lugares). Será que essa pessoa não teve um encontro com Jesus "à noite", como Nicodemos? Basta um único momento de fé posta em Jesus, como foi com o ladrão na cruz, para que a pessoa seja salva. Um momento de fé em Cristo fez com que o Senhor perdoasse uma vida inteira de pecados que esse ladrão cometera - "hoje mesmo estarás comigo no paraíso"!
Voltando à pergunta, novamente, no caso do suicídio altruísta, nos parece assunto resolvido. Um crente que tira a sua vida com objetivo de salvar a vida de outros não comete pecado e, portanto, não há o que se questionar NO QUE TANGE A ESSA QUESTÃO, única em análise.
Mas e quanto ao suicida egoísta? Esse comete pecado. A questão é: pode um derradeiro gesto de pecado selar para sempre o destino eterno de um crente? Essa é uma questão importante, debatida há séculos por dois grupos principais de teólogos cristãos: os Arminianos, baseados nos postulados do holandês Jacobus Arminius (1560 - 1609), e os Calvinistas, baseados nas teses do reformador João Calvino. Em suma, sintetiza-se na resposta à pergunta: o crente é capaz de perder a salvação? Para os Arminianos, sim; o crente que comete suicídio egoísta teria perdido sua salvação em Cristo e portanto estaria condenado à perdição eterna. "O homem não pode continuar na salvação, a menos que continue a querer ser salvo", diriam esses irmãos; "a vontade do homem é ‘livre’ para escolher, ou a Palavra de Deus, ou a palavra de Satanás. A salvação, portanto, depende da obra de sua fé."
Os arminianos concluem, muito logicamente, que o homem, sendo salvo por um ato de sua própria vontade livremente exercida, aceitando a Cristo por sua própria decisão, pode também perder-se depois de ter sido salvo, se resolver mudar de atitude para com Cristo, rejeitando-o! (Alguns arminianos acrescentariam que o homem pode perder, subseqüentemente, sua salvação, cometendo algum pecado, uma vez que a teologia arminiana é uma “teologia de obras” — pelo menos no sentido e na extensão em que o homem precisa exercer sua própria vontade para ser salvo.) Esta possibilidade de perder-se, depois de ter sido salvo, é chamada de “queda (ou perda) da graça”, pelos seguidores de Arminius. Ainda, se depois de ter sido salva, a pessoa pode perder-se, ela pode tornar-se livremente a Cristo outra vez e, arrependendo-se de seus pecados, “pode ser salva de novo”. Tudo depende de sua contínua volição positiva até à morte! (fonte: http://www.monergismo.com/textos/arminianismo/cincopontos_arminianismo.htm)
Já para os Calvinistas, não. Os calvinistas sustentam muito simplesmente que a salvação, desde que é obra realizada inteiramente pelo Senhor — e que o homem nada tem a fazer antes, absolutamente, “para ser salvo” —, é óbvio que o “permanecer salvo” é, também, obra de Deus, à parte de qualquer bem ou mal que o eleito possa praticar. Os eleitos ‘perseverarão’ pela simples razão de que Deus prometeu completar, em nós, a obra que ele começou.
IV. CONCLUSÃO:
Que o suicídio não deve ser praticado por um crente em Cristo é a conclusão que obtemos. Os exemplos bíblicos, de forma geral, revelam o suicídio como prática contrária à vontade de Deus. De efato, olhando-se para as causas que levam uma pessoa a cometer suicídio, todas são fruto direto ou indireto do pecado, original ou atual. A única causa aceitável foi demonstrada, devendo-se ressaltar que trata-se DE UM ÚLTIMO RECURSO.
O que acontece quando um homem natural, que jamais conheceu a Cristo, tira sua própria vida egoísticamente, do ponto de vista do destino eterno? Sem Cristo, trata-se apenas de mais um ato pecaminoso. Assim, tal pessoa sela para sempre o seu destino, condenada a viver eternamente separada de Deus. O suicídio aqui só é determinante para a imutabilidade de seu estado relativamente à Deus; sua condenação deve-se ao fato de passar a eternidade sem o Senhor Jesus. Mas e quanto ao crente suicida que tira a própria vida egoísticamente? Nesse caso, trata-se de um assunto para Deus. Não vemos base bíblica para afirmar qualquer coisa nesse sentido, apenas base teológica; nesse caso, depende da soteriologia (doutrina da salvação) adotada, se Arminiana ou Calvinista. Consideramos, no entanto, o assunto em questão MUITO SÉRIO, afinal, trata-se do destino eterno.
Portanto, querido(a) leitor(a): NÃO COMETA SUICÍDIO!! Não importa o que esteja acontecendo com sua vida, JESUS É SEMPRE A RESPOSTA! A vida está arruinada? Olhe para Israel: a nação foi destruída pelos Assírios e Babilônicos, mas Deus a reconstruiu novamente! Ele pode reconstruir sua vida, do zero, do caos e da ruína, se assim for preciso! NADA, EM ABSOLUTO, É DIFÍCIL OU IMPOSSÍVEL PARA JESUS! ELE É O SENHOR SOBRE TUDO O QUE EXISTE! Entregue sua vida a Ele! Já entregou e o caos veio? Entregue de novo, de novo e de novo! Entregue todos os dias se precisar! Senhor, entra na minha casa; entra na minha vida! Entra nessa área! Não sobrou nada, nada ficou de pé! Mas, Senhor, te entrego ela mesmo assim! Caótica, arruinada! Casamento arruinado; emprego arruinado, cheio de dívidas; ministério arruinado; cheio de pecados e escândalos... não importa! JESUS É O SENHOR! Ele gosta de gente ferrada, destruída, doente, acabada; Ele veio para essa gente! Veio para você e para mim!
DISSE JESUS: "O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor." (Lc 4.18,19)
Pense nisso.
Graça e paz!
quarta-feira, 24 de janeiro de 2018
JESUS DIANTE DE VOCÊ: O QUE VOCÊ FARÁ?
"Herodes, vendo a Jesus, sobremaneira se alegrou, pois havia muito queria vê-lo, por ter ouvido falar a seu respeito; esperava também vê-lo fazer algum sinal. E de muitos modos o interrogava; Jesus, porém, nada lhe respondia. Os principais sacerdotes e os escribas ali presentes o acusavam com grande veemência. Mas Herodes, juntamente com os da sua guarda, tratou-o com desprezo, e, escarnecendo dele, fê-lo vestir-se de um manto aparatoso, e o devolveu a Pilatos." (Lucas 23:8-11)
"Que farei então, de Jesus, chamado Cristo?" (Mateus 27:22)
Na era em que vivemos, há muita curiosidade sobre as questões espirituais e religiosas. Uma curiosidade ligada ao pensamento humano inquiridor, que tudo quer saber e entender a fim de poder exercer controle. O homem, no anseio incontrolável de estar sempre no controle, tanto da própria vida como de todas as coisas, aplica seus processos cognitivos em tudo o que vê e até no que não vê, nas coisas naturais e nas coisas espirituais (ou sobrenaturais). Isso não é algo novo: os filósofos gregos já sondavam o Universo buscando a compreensão de seus fenômenos; uma busca insaciável que culminará na metafísica aristotélica, focada nas "questões últimas" da filosofia, tais como: há um sentido último para a existência do mundo? A organização do mundo é necessariamente essa com que deparamos, ou seriam possíveis outros mundos? Existe um Deus? Se existe, como podemos conhecê-lo? Existe algo como um "espírito"? Há uma diferença fundamental entre mente e matéria? Os seres humanos são dotados de almas imortais? São dotados de livre-arbítrio? Tudo está em permanente mudança, ou há coisas e relações que, a despeito de todas as mudanças aparentes, permanecem sempre idênticas? Curiosidade, "curiositas", desejo de conhecer.
Conhecer a Deus é, portanto, um desejo humano. Foi colocado em seu coração pelo próprio Deus. No entanto, o conhecimento de Deus - o verdadeiro conhecimento - só pode ser obtido por meio da Revelação. Ou seja, é Deus quem se revela ao homem, quem diz ao homem quem Ele (Deus) é, como Ele é e a vontade de Deus para o próprio homem. A inquirição natural, cognitiva, é insuficiente para alcançar a Verdade sobre Deus, posto que o homem está afastado de Deus por conta do domínio do pecado em sua vida. No muito, a inquirição natural pode levar o homem a concluir, pela observação do Universo criado por Deus, que há um Deus. Conceber o Universo sem Deus, fruto do acaso (do caos), é o produto natural de alguém que não teve contato com a Revelação e que, portanto, está a "tatear em suas próprias trevas". Igualmente, são frutos das mesmas trevas interiores as conclusões que levam a inexistência de Deus ou a multiplicidade de deuses.
Assim, a Revelação de Deus, feita pelo próprio Deus, nos ensina que o Universo e a Terra foram criados por Deus (Gênesis 1:1; Jó 38; Isaías 42:5) e por Ele são mantidos (Neemias 9:6; Colossenses 1:17; Hebresu 1:3). Deus criou o homem (Gênesis 1:27). Esse homem, criado por Deus, viveu em amizade com Deus até escolher, ele mesmo, seguir seu próprio caminho independente de Deus - e isso marcou a entrada do pecado na raça humana (Gênesis 3:6-24; Romanos 3:9-20) - todos pecaram a semelhança do primeiro homem (Romanos 3:23), se distanciando cada vez mais de Deus, vivendo como se Deus não existisse. Deus, que é Santo e Justo, poderia ter julgado o homem à pena de eterna separação de Deus - esse era e é o estado que todo homem se encontra - mas por Sua Misericórdia e Bondade nos envia Seu Filho, eterno Deus, que se fez homem a fim de salvar o homem da Justa retribuição que seus crimes mereciam e merecem. Jesus, o filho de Deus, sofre toda a humilhação, cuja morte na cruz, pena capital imposta por Deus ao homem pecador, é seu ato final. Jesus suporta dor extrema, horrível, excruciante pelos pecados dos homens. Sua morte inclui a perda do consciente regojizo de Deus, a experimentação da ira de Deus e tristeza, medo e profundo pavor. Experimentou o abandono, a negação e a traição por seus discípulos mais íntimos, acusações falsas e injustiça, zombaria, açoitamento e crucificação, o abandono pelo Seu Pai, e a plpena consciência do juízo de Deus sobre os pecados dos homens. A humilhação de Cristo se completou, então, quando sua alma expirou com tormento e dor física excruciantes, sendo sepultado e permanecendo morto por três dias. Leva assim, sobre Ele, os pecados e a Justiça divina pelos pecados dos homens. Jesus ressuscita ao terceiro dia dentre os mortos, é assunto aos Céus e hoje está a destra de Deus intercedendo por todos aqueles que entregam Suas vidas a Ele, que reconhecem-se pecadores e que recebem a Cristo como Senhor e Salvador pessoal.
Aqui, no texto bíblico, vemos um dos momentos da humilhação do Senhor Jesus. Herodes, por sua vez, queria ver Jesus porque ouviu falar sobre os sinais que o Mestre fazia. Herodes tinha somente curiosidade humana acerca do Mestre. Seu desejo não era sincero: nunca fora anteriormente, nem agora o era agora. Herodes esperava ver o sobrenatural, mas viu apenas o lado humano de Jesus. A verdade é que quem procura Jesus pela curiosidade humana acabará se decepcionando, pois verá apenas a humanidade do Mestre. Por que? Nosso Senhor não veio a este mundo para ser um artista, para satisfazer a curiosidade dos homens pecadores. Ele veio redimir a humanidade; Seus sinais estavam ligados ao Seu ministério, ao ato de anunciar o Evangelho e o Reino de Deus. O mendigo mais pobre – Bartimeu – que pediu um milagre para o alívio de sua necessidade, nunca foi negado; Mas este príncipe orgulhoso, que pediu um milagre apenas para satisfazer sua curiosidade, é recusado.
Infelizmente, muitos procuram Jesus mas acabam se escandalizando nEle e o desprezando, porque procuram-No apenas pela curiosidade. Muitos vão às Igrejas esperando ver sinais, ver algo de sobrenatural acontecer, mas encontram apenas pessoas comuns em atividades comuns aos olhos humanos (cantando, orando, chorando, rindo, conversando, etc). Quem procura Jesus somente como um artista, se decepcionará com Ele. Quem lê a Bíblia, vem a Igreja e participa de um culto com o coração insincero nada verá de divino ou especial.
Jesus espera que Sua Obra, registrada na Bíblia, gere fé ao nosso coração e por meio dessa fé nos cheguemos a Ele. Nenhum desejo insincero de contato com Jesus será atendido por Ele! Os olhos e ouvidos espirituais da humanidade estão cerrados: só estão abertos para entender coisas desse mundo, para entender os prazeres e o pecado. Eles olham para Jesus e não enxergam, ouvem as Palavras de Jesus mas não escutam (Mt 13.14,15).
Curiosidade pecaminosa gera apenas zombaria. Herodes não viu o que procurava: Jesus não respondeu suas perguntas, nem fez os sinais que Herodes tanto ansiava. Herodes então põe-se a zombar de Jesus, vestindo-o com um manto aparatoso (branco brilhante). O fato é que Herodes poderia ter ouvido Cristo centenas de vezes antes e visto os sinais que Ele fazia, se tivesse escolhido fazê-lo. Diante de Caifás, Jesus respondeu: “Eu tenho falado abertamente ao mundo; eu sempre ensinei nas sinagogas e no templo, onde todos os judeus se congregam, e nada falei em oculto” (Jo 18.20). Mesmo hoje, Jesus tem falado abertamente ao mundo. Falado abertamente a partir da Sua vida, da Sua Obra redentora, da Sua cruz e da Sua ressurreição. Falado abertamente a partir dos sinais de Sua vinda. Hoje, como naqueles dias, os homens zombam de Jesus. Riem e debocham quando Cristo lhes é apresentado. A atitude deles é a mesma de Herodes. Rejeitam a Cristo e, com isso, Dele zombam!
No entanto, Deus fez de Jesus, a quem os homens crucificaram e zombaram, Senhor e Cristo. A verdade definitiva é que o mesmo Jesus que foi crucificado zombeteiramente e que hoje é desprezado e zombado pelos homens voltará a Terra. “Verão aquele a quem transpassaram” (Jo 19.37) é a promessa bíblica. “Todo olho o verá” (Ap 1.7). A questão portanto não é se você o verá ou quando isso acontecerá, mas com está sua vida. Está você preparado para vê-Lo, ou não? Você está preparado para esse encontro? Jesus ao voltar pedirá contas a você pela vida que você viveu. Pedirá contas por cada uma das oportunidades e bênçãos que Ele lhe deu. Pedirá contas por cada vez que você ouviu a Palavra e não tomou a atitude correta, por todas as vezes que você O reijeitou. E o que você responderá a Ele, naquele dia?
Jesus jamais responderá àquele que tripudia dele, que só quer satisfazer seus desejos. Esse tal jamais provará as bem-aventuranças de Cristo. Mas Ele está pronto a olhar para aquele que é humilde e contrito de espírito, que treme da Sua Palavra. Madalena, Bartimeu, Zaqueu... prostitutas, trapaceiros, leprosos, endemoniados, paralíticos, lunáticos, cegos... a todos Cristo ouviu, porque viu neles humildade e quebrantamento. Viu sinceridade. Viu fé. E o que Ele vê em você? O que Ele vê em seu coração? Será que Cristo vê em você um Herodes, cheio de soberba e incredulidade? Está o Filho de Deus em silêncio diante de Ti, diante de tua arrogância e prepotência, diante da frieza de tua vida repleta de pecados? Você diz: “Deus, revela-te a mim!”, como se você, mero mortal, pudesse manipular Deus e fazer com que Ele obedeça teus caprichos?
Somente os limpos de coração podem ver a Deus (Mt 5.8): somente os absolutamente honestos e sinceros de coração para com Deus é que irão vê-Lo com alegria eternal (Jo 16.20-22). Essa honestidade e sinceridade passam por você reconhecer quem é: um miserável pecador, incorrigível, pecador inveterado. Alguém quem até as melhores obras não passam de trapos de imundícia, de panos sujos e apodrecidos! Alguém incapaz de salvar a si mesmo. Alguém que precisa URGENTEMENTE de um Salvador, que o salve dos seus pecados e da justa consequência deles (a perdição eterna, eternamente afastado de Deus num local de extremo sofrimento) e que, então, veja em Cristo a solução para sua vida. Jesus levou sobre Si os seus, os meus e os nossos pecados; espera Ele, hoje, que nós humildemente e quebrantados cheguemos à Ele com fé, pedindo que Ele perdoe os nossos pecados e nos conceda a Sua vida. Veja o que o próprio Jesus disse: "Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus." (João 3:36)
No lugar do desprezo e da zombaria pelo Mestre, honre-O com tua fé e glorifique Seu Nome com o teu louvor! Não vista-O em seu coração com o manto do deboche e da incredulidade, mas coroe a Ele como Rei de tua vida! Aceite essa revelação de Deus em seu coração e viva segundo ela!
Pense nisso! Deus está te dando visão de águia!
"Que farei então, de Jesus, chamado Cristo?" (Mateus 27:22)
Na era em que vivemos, há muita curiosidade sobre as questões espirituais e religiosas. Uma curiosidade ligada ao pensamento humano inquiridor, que tudo quer saber e entender a fim de poder exercer controle. O homem, no anseio incontrolável de estar sempre no controle, tanto da própria vida como de todas as coisas, aplica seus processos cognitivos em tudo o que vê e até no que não vê, nas coisas naturais e nas coisas espirituais (ou sobrenaturais). Isso não é algo novo: os filósofos gregos já sondavam o Universo buscando a compreensão de seus fenômenos; uma busca insaciável que culminará na metafísica aristotélica, focada nas "questões últimas" da filosofia, tais como: há um sentido último para a existência do mundo? A organização do mundo é necessariamente essa com que deparamos, ou seriam possíveis outros mundos? Existe um Deus? Se existe, como podemos conhecê-lo? Existe algo como um "espírito"? Há uma diferença fundamental entre mente e matéria? Os seres humanos são dotados de almas imortais? São dotados de livre-arbítrio? Tudo está em permanente mudança, ou há coisas e relações que, a despeito de todas as mudanças aparentes, permanecem sempre idênticas? Curiosidade, "curiositas", desejo de conhecer.
Conhecer a Deus é, portanto, um desejo humano. Foi colocado em seu coração pelo próprio Deus. No entanto, o conhecimento de Deus - o verdadeiro conhecimento - só pode ser obtido por meio da Revelação. Ou seja, é Deus quem se revela ao homem, quem diz ao homem quem Ele (Deus) é, como Ele é e a vontade de Deus para o próprio homem. A inquirição natural, cognitiva, é insuficiente para alcançar a Verdade sobre Deus, posto que o homem está afastado de Deus por conta do domínio do pecado em sua vida. No muito, a inquirição natural pode levar o homem a concluir, pela observação do Universo criado por Deus, que há um Deus. Conceber o Universo sem Deus, fruto do acaso (do caos), é o produto natural de alguém que não teve contato com a Revelação e que, portanto, está a "tatear em suas próprias trevas". Igualmente, são frutos das mesmas trevas interiores as conclusões que levam a inexistência de Deus ou a multiplicidade de deuses.
Assim, a Revelação de Deus, feita pelo próprio Deus, nos ensina que o Universo e a Terra foram criados por Deus (Gênesis 1:1; Jó 38; Isaías 42:5) e por Ele são mantidos (Neemias 9:6; Colossenses 1:17; Hebresu 1:3). Deus criou o homem (Gênesis 1:27). Esse homem, criado por Deus, viveu em amizade com Deus até escolher, ele mesmo, seguir seu próprio caminho independente de Deus - e isso marcou a entrada do pecado na raça humana (Gênesis 3:6-24; Romanos 3:9-20) - todos pecaram a semelhança do primeiro homem (Romanos 3:23), se distanciando cada vez mais de Deus, vivendo como se Deus não existisse. Deus, que é Santo e Justo, poderia ter julgado o homem à pena de eterna separação de Deus - esse era e é o estado que todo homem se encontra - mas por Sua Misericórdia e Bondade nos envia Seu Filho, eterno Deus, que se fez homem a fim de salvar o homem da Justa retribuição que seus crimes mereciam e merecem. Jesus, o filho de Deus, sofre toda a humilhação, cuja morte na cruz, pena capital imposta por Deus ao homem pecador, é seu ato final. Jesus suporta dor extrema, horrível, excruciante pelos pecados dos homens. Sua morte inclui a perda do consciente regojizo de Deus, a experimentação da ira de Deus e tristeza, medo e profundo pavor. Experimentou o abandono, a negação e a traição por seus discípulos mais íntimos, acusações falsas e injustiça, zombaria, açoitamento e crucificação, o abandono pelo Seu Pai, e a plpena consciência do juízo de Deus sobre os pecados dos homens. A humilhação de Cristo se completou, então, quando sua alma expirou com tormento e dor física excruciantes, sendo sepultado e permanecendo morto por três dias. Leva assim, sobre Ele, os pecados e a Justiça divina pelos pecados dos homens. Jesus ressuscita ao terceiro dia dentre os mortos, é assunto aos Céus e hoje está a destra de Deus intercedendo por todos aqueles que entregam Suas vidas a Ele, que reconhecem-se pecadores e que recebem a Cristo como Senhor e Salvador pessoal.
Aqui, no texto bíblico, vemos um dos momentos da humilhação do Senhor Jesus. Herodes, por sua vez, queria ver Jesus porque ouviu falar sobre os sinais que o Mestre fazia. Herodes tinha somente curiosidade humana acerca do Mestre. Seu desejo não era sincero: nunca fora anteriormente, nem agora o era agora. Herodes esperava ver o sobrenatural, mas viu apenas o lado humano de Jesus. A verdade é que quem procura Jesus pela curiosidade humana acabará se decepcionando, pois verá apenas a humanidade do Mestre. Por que? Nosso Senhor não veio a este mundo para ser um artista, para satisfazer a curiosidade dos homens pecadores. Ele veio redimir a humanidade; Seus sinais estavam ligados ao Seu ministério, ao ato de anunciar o Evangelho e o Reino de Deus. O mendigo mais pobre – Bartimeu – que pediu um milagre para o alívio de sua necessidade, nunca foi negado; Mas este príncipe orgulhoso, que pediu um milagre apenas para satisfazer sua curiosidade, é recusado.
Infelizmente, muitos procuram Jesus mas acabam se escandalizando nEle e o desprezando, porque procuram-No apenas pela curiosidade. Muitos vão às Igrejas esperando ver sinais, ver algo de sobrenatural acontecer, mas encontram apenas pessoas comuns em atividades comuns aos olhos humanos (cantando, orando, chorando, rindo, conversando, etc). Quem procura Jesus somente como um artista, se decepcionará com Ele. Quem lê a Bíblia, vem a Igreja e participa de um culto com o coração insincero nada verá de divino ou especial.
Jesus espera que Sua Obra, registrada na Bíblia, gere fé ao nosso coração e por meio dessa fé nos cheguemos a Ele. Nenhum desejo insincero de contato com Jesus será atendido por Ele! Os olhos e ouvidos espirituais da humanidade estão cerrados: só estão abertos para entender coisas desse mundo, para entender os prazeres e o pecado. Eles olham para Jesus e não enxergam, ouvem as Palavras de Jesus mas não escutam (Mt 13.14,15).
Curiosidade pecaminosa gera apenas zombaria. Herodes não viu o que procurava: Jesus não respondeu suas perguntas, nem fez os sinais que Herodes tanto ansiava. Herodes então põe-se a zombar de Jesus, vestindo-o com um manto aparatoso (branco brilhante). O fato é que Herodes poderia ter ouvido Cristo centenas de vezes antes e visto os sinais que Ele fazia, se tivesse escolhido fazê-lo. Diante de Caifás, Jesus respondeu: “Eu tenho falado abertamente ao mundo; eu sempre ensinei nas sinagogas e no templo, onde todos os judeus se congregam, e nada falei em oculto” (Jo 18.20). Mesmo hoje, Jesus tem falado abertamente ao mundo. Falado abertamente a partir da Sua vida, da Sua Obra redentora, da Sua cruz e da Sua ressurreição. Falado abertamente a partir dos sinais de Sua vinda. Hoje, como naqueles dias, os homens zombam de Jesus. Riem e debocham quando Cristo lhes é apresentado. A atitude deles é a mesma de Herodes. Rejeitam a Cristo e, com isso, Dele zombam!
No entanto, Deus fez de Jesus, a quem os homens crucificaram e zombaram, Senhor e Cristo. A verdade definitiva é que o mesmo Jesus que foi crucificado zombeteiramente e que hoje é desprezado e zombado pelos homens voltará a Terra. “Verão aquele a quem transpassaram” (Jo 19.37) é a promessa bíblica. “Todo olho o verá” (Ap 1.7). A questão portanto não é se você o verá ou quando isso acontecerá, mas com está sua vida. Está você preparado para vê-Lo, ou não? Você está preparado para esse encontro? Jesus ao voltar pedirá contas a você pela vida que você viveu. Pedirá contas por cada uma das oportunidades e bênçãos que Ele lhe deu. Pedirá contas por cada vez que você ouviu a Palavra e não tomou a atitude correta, por todas as vezes que você O reijeitou. E o que você responderá a Ele, naquele dia?
Jesus jamais responderá àquele que tripudia dele, que só quer satisfazer seus desejos. Esse tal jamais provará as bem-aventuranças de Cristo. Mas Ele está pronto a olhar para aquele que é humilde e contrito de espírito, que treme da Sua Palavra. Madalena, Bartimeu, Zaqueu... prostitutas, trapaceiros, leprosos, endemoniados, paralíticos, lunáticos, cegos... a todos Cristo ouviu, porque viu neles humildade e quebrantamento. Viu sinceridade. Viu fé. E o que Ele vê em você? O que Ele vê em seu coração? Será que Cristo vê em você um Herodes, cheio de soberba e incredulidade? Está o Filho de Deus em silêncio diante de Ti, diante de tua arrogância e prepotência, diante da frieza de tua vida repleta de pecados? Você diz: “Deus, revela-te a mim!”, como se você, mero mortal, pudesse manipular Deus e fazer com que Ele obedeça teus caprichos?
Somente os limpos de coração podem ver a Deus (Mt 5.8): somente os absolutamente honestos e sinceros de coração para com Deus é que irão vê-Lo com alegria eternal (Jo 16.20-22). Essa honestidade e sinceridade passam por você reconhecer quem é: um miserável pecador, incorrigível, pecador inveterado. Alguém quem até as melhores obras não passam de trapos de imundícia, de panos sujos e apodrecidos! Alguém incapaz de salvar a si mesmo. Alguém que precisa URGENTEMENTE de um Salvador, que o salve dos seus pecados e da justa consequência deles (a perdição eterna, eternamente afastado de Deus num local de extremo sofrimento) e que, então, veja em Cristo a solução para sua vida. Jesus levou sobre Si os seus, os meus e os nossos pecados; espera Ele, hoje, que nós humildemente e quebrantados cheguemos à Ele com fé, pedindo que Ele perdoe os nossos pecados e nos conceda a Sua vida. Veja o que o próprio Jesus disse: "Por isso, quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, todavia, se mantém rebelde contra o Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus." (João 3:36)
No lugar do desprezo e da zombaria pelo Mestre, honre-O com tua fé e glorifique Seu Nome com o teu louvor! Não vista-O em seu coração com o manto do deboche e da incredulidade, mas coroe a Ele como Rei de tua vida! Aceite essa revelação de Deus em seu coração e viva segundo ela!
Pense nisso! Deus está te dando visão de águia!
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