domingo, 16 de setembro de 2018

ENTENDENDO A PROFUNDIDADE DO VERDADEIRO ARREPENDIMENTO

Então falou Samuel a toda a casa de Israel, dizendo: Se com todo o vosso coração vos converterdes ao Senhor, tirai dentre vós os deuses estranhos e os astarotes, e preparai o vosso coração ao Senhor, e servi a ele só, e vos livrará da mão dos filisteus. Então os filhos de Israel tiraram dentre si aos baalins e aos astarotes, e serviram só ao Senhor. Disse mais Samuel: Congregai a todo o Israel em Mizpá; e orarei por vós ao Senhor. E congregaram-se em Mizpá, e tiraram água, e a derramaram perante o Senhor, e jejuaram aquele dia, e disseram ali: Pecamos contra o Senhor. E julgava Samuel os filhos de Israel em Mizpá. (I Samuel 7:3-6)

Israel havia pecado contra o Senhor, servindo aos falsos deuses, enquanto a Arca do Senhor estava em Quiriate-Jearim. Eles haviam se afastado de Deus e por isso Deus se afastou deles; 20 anos de afastamento! Para haver o retorno da presença de Deus, era preciso remover a causa do afastamento: os baalins e astarotes, no coração de Israel, os falsos deuses que estavam concorrendo com o Deus de Israel pela adoração do Seu povo.  Falsos deuses na vida é algo profundo, algo ligado à profundeza do coração. Não é algo meramente superficial e passageiro, mas algo que marca a vida e dita regras de comportamento. 

I. O VERDADEIRO ARREPENDIMENTO ENVOLVE O REAL ABANDONO DAQUILO QUE DEUS REPROVA EM NOSSA VIDA.   


Para remover os falsos deuses (atitude exterior), era preciso primeiro preparar o coração (uma atitude interior). Não adiantava fazer uma coisa sem fazer outra (e vice-versa). Não adianta participar de uma reunião que fale sobre Deus, se isso entra por um ouvido e sai pelo outro. Muitas vezes durante um culto ou reunião Deus age, movendo o interior dos ouvintes; aí a pessoa vem na frente após o apelo e recebe uma oração. Deus fez tudo para preparar o coração pela mensagem e pelo louvor. Porém, nota-se que a vida não muda em nada, pois faltou tirar os falsos deuses. Faltou arrependimento.

Por outro lado, há situações onde somos convencidos apenas intelectualmente da verdade, numa mera ação mental que reconhece a lógica, mas sem o testemunho do Espírito Santo. Não há contrição, não há esse mover interior para que o coração esteja preparado. Dessa forma, nada mudará em nossa vida.  A letra nos convenceu intelectualmente a nível de alma, mas o espírito resistiu ao Espírito Santo e à vida de Deus! Não adianta só sentir-se tocado por Deus, tem que saber o que Deus quer mudar em sua vida, o que está ocupando o lugar que Deus quer ocupar. Quando ele toca no seu coração, Ele mostra o que precisa ser removido – algo que está concorrendo com Deus por todo seu afeto e paixão, algo que deve ser entregue voluntariamente ao Senhor. O falso deus pode não ser necessariamente pecado, às vezes é uma coisa lícita: um prazer, um hobby, um costume, trabalho, etc. Falso deus é tudo aquilo que ocupa o lugar de Deus em nossas vidas; tudo aquilo que damos mais atenção e consideração do que o Senhor.

A atitude correta quando Deus move a nossa vida é: “Senhor, tudo que Deus pedir hoje, eu entrego” e assim entregar mesmo, sem rodeios, de forma direta (se não, todo aquele mover de Deus é perdido, não gera fruto permanente).  Todos podemos acabar colocando algo no lugar de Deus em nossa vida, mas para remover é preciso primeiro localizar essa coisa e depois se arrepender. Abrir a vida de verdade para Deus, permitindo que o Senhor mostre aquilo que você precisa abrir mão por Ele e abandonar realmente isso. Servir a Deus de todo coração, mandamento do Senhor, não é trocar a fidelidade por bênçãos, mas servir a Deus por Ele mesmo. Ele precisa ser a fonte de nosso prazer, de nossa satisfação; todas as demais coisas - se lícitas - vem em segundo lugar; se ilícitas, devem ser removidas.  

II. O VERDADEIRO ARREPENDIMENTO ENVOLVE PROFUNDO QUEBRANTAMENTO DE ALMA. 

Após tirar os deuses estranhos e prepararem o coração, Israel tirou água e derramou-a perante o Senhor (Lm 2.19). As águas eram tiradas do fundo do poço (15m ou mais de profundidade, dependendo do local). Nós não sabemos o que há no profundo do nosso interior. Para tirar águas, é necessário furar o poço (entrar no fundo do coração). O que há no fundo do seu coração?

Vivemos a maior parte da nossa vida superficialmente; pensamentos e meditações são superficiais; falamos superficialmente com Deus e com os outros. É preciso cavar o poço, ir mais fundo, o que realmente queremos de Deus, qual é o verdadeiro anseio do nosso coração. Todos temos sede, mas alguns de nós nunca cavam o poço até encontrar água e, assim, não matam a sede e vão levando a vida. Porém, todos que furarem o poço encontrarão águas!

Note, porém, que eles tiraram água do fundo do poço e a derramaram em terra! Isso era um desperdício do ponto de vista pessoal! A atitude que toca no coração de Deus são aquelas que são feitas não para benefício próprio. Quantas vezes oramos a Deus para outras pessoas ouvirem e verem como somos espirituais. Quantas vezes pegamos água e não derramamos! Água precisa ser tirada do fundo do coração e então desperdiçada (não voltar mais, porque não é para benefício próprio). Água que é tirada só para Deus, derramada diante de Deus, não tem utilidade particular, não vai ser usada para outra coisa. Mas se é dada somente para Deus, nunca será jogada fora! A atitude da mulher do vaso de alabastro é um exemplo (Mc 14.3-9): “É um desperdício!”, disseram alguns que assistiam a cena. “Em verdade vos digo que, em todo o mundo, onde quer que for pregado o evangelho, também o que ela fez será contado para memória sua” (Jesus). E ela não sabia disso, antes de agir! Deus retribui aquilo que damos para Ele em adoração. 

Quando os comunistas tomaram conta da China, o Pr. Watchman Nee teve oportunidade de deixar o país. Mas ele preferiu ficar com o seu povo, compartilhando o sofrimento deles. Foi preso por 20 anos pelos comunistas; do ponto de vista humano, ele jogou a vida dele fora. Porém, sem ele saber, o Espírito Santo fez com que seus muitos e maravilhosos ensinamentos fossem reunidos, editados, traduzidos, publicados e distribuídos em todo o mundo, enriquecendo e edificado milhares de cristãos em muitas igrejas e muitas nações. Morreu pouco tempo depois de sair da prisão, aos 68 anos. Os guardas acharam sua confissão debaixo do travesseiro: “eu creio em Jesus Cristo que morreu e ressuscitou por nós”. Manteve até o fim a sua fé; seu tesouro ficou guardado no céu. A água que foi jogada diante de Deus, foi por Deus recolhida! Nunca pense que sua vida não tem valor para Deus. Derrame seu coração, tire para fora aquilo que há no mais profundo do seu ser para o seu Senhor. Deus precisa ouvir você dizer, o amor é falado! 

III. O VERDADEIRO ARREPENDIMENTO ENVOLVE CONFISSÃO NUMA BASE VERDADEIRA. 

Israel confessou o seu pecado. O texto diz: “[...] jejuaram naquele dia e ali disseram: pecamos contra o Senhor”. Precisamos aprender a confessar os nossos pecados! Não é confessar quando falamos em geral: “Oh Senhor, perdoa-nos porque somos fracos”, “perdoa-nos porque todos nós somos pecadores”. Isso não passa de apresentar desculpas. Confissão é sem rodeios, sem meias-palavras, sem desculpas! 

Confissões não são acusações: “Senhor, eu pequei por causa de fulano”, “Senhor, eu pequei, mas dá um jeito naquele filho teu porque não tem quem aguente”. As confissões na Bíblia falam de um profundo sentimento de vergonha, de sequer olhar para a outra pessoa. Eles confessavam olhando para baixo, encurvados (Ed 9.5,6). 

Deus é misericordioso, mas Ele exige que reconheçamos a nossa a iniquidade (Jeremias 3:12,13). Quando Deus toca em certas coisas na nossa vida, às vezes precisamos voltar 20 anos ou mais e falar “há uma coisa que eu nunca reconheci”. Tem coisas que precisam ser reconhecidas. Conforme Isaías 59:12,13, aprendemos que a confissão envolve “dar nomes”. “Desculpa qualquer coisa” não é válido. Seja específico!

“Não destes ouvidos à minha voz” - essa é uma queixa recorrente de Deus com relação ao Seu povo. Quando Deus tratava com a rebelião do povo, Ele falava do que é fundamental (apesar dos 10 mandamentos), que é não ouvir a voz de Deus, não amar a Deus e não dar atenção para Deus. Com certeza, se colocarmos nosso coração diante de Deus aquilo que Ele mais irá tocar será nossa frieza, a pouca importância que damos para ficarmos na presença de Deus em detrimento de outras coisas. Isso é fundamental (Jeremias 3:22-25).

Um arrependimento profundo é a primeira marca de um verdadeiro avivamento espiritual! Não existe avivamento sem arrependimento, confissão de pecados e retorno da vida para o Senhor!

Pense nisso! Graça e paz!

(mensagem pregada dia 22/05/2014)

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

OS ERROS DA DOUTRINA DA MALDIÇÃO HEREDITÁRIA

Maldições hereditárias (em inglês "Generational curse") seriam maldições que passam de geração a geração, de pai para filho e assim sucessivamente. Por exemplo: se o pai possui um determinado vício (uma maldição), esse vício passará automaticamente para seu filho e assim sucessivamente. Trata-se de um conceito muito propalado no meio evangélico, especialmente no meio neopentecostal onde o culto é, em síntese, dicotomizado e a luta contra o diabo tem foco principal. Supostamente existe uma “cadeia de maldição” transmitida hereditariamente, e que precisa ser quebrada num ritual de libertação.

Segundo o pr. Caio Fábio, "foi aí pelo meio da década de 80 que algumas pessoas começaram, aqui no Brasil, a falar sobre “quebra de maldições”. Em 1970 já havia em Niterói o movimento de “Oração de Renuncia”, que veio a ser o “joão batista” da febre da “messiânica quebra de maldições” que hoje atinge a igreja como infecção mortal, e que já deixou o “paciente” com diagnóstico de morte lenta, porém certa." (disponível em: https://caiofabio.net/undefined/02696)

Para os defensores da doutrina da maldição hereditária, doenças crônicas (hereditárias, como hemofilia), esterilidade,  tendência  para  abortar, problemas menstruais, crises mentais ou emocionais, divórcio, problemas financeiros, mortes não naturais (p.ex. assassinato), dificuldade de ler a Bíblia, etc. seriam causadas por uma maldição familiar naquela área determinada. De fato, doenças podem ser transmitidas de pai para filho - até mesmo entre cristãos - mas isso não significa que essa doença seja uma maldição hereditária. 

De forma a entendermos melhor o assunto, inicialmente é importante que saibamos duas coisas: 

(1) Maldição é o resultado da transgressão da Lei de Deus: "Todos aqueles, pois, que são das obras da lei estão debaixo da maldição; porque está escrito: Maldito todo aquele que não permanecer em todas as coisas que estão escritas no livro da lei, para fazê-las" (Gálatas 3:10). 

(2) Como cristãos estamos livres de toda a sorte de maldição, porque Cristo se fez maldito em nosso lugar. Em Cristo, somos abençoados: "Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro; para que a bênção de Abraão chegasse aos gentios por Jesus Cristo, e para que pela fé nós recebamos a promessa do Espírito" (Gálatas 3:13,14). 

Portanto, se alguém está em Cristo está imune contra toda sorte de maldições, urucubacas, mau olhado, trabalhos de feitiçaria, etc. pois "o maligno não lhe toca" (I Jo 5.18). Para colocarmos um ponto final nisso, vale relermos Romanos 8:1 - "Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito". NENHUMA CONDENAÇÃO! Ora, como cristãos verdadeiros estamos livres da maldição da Lei por intermédio do sacrifício vicário e expiatório de Cristo na cruz e, portanto, livres de toda a condenação! Somos plenamente e gratuitamente justificados por Deus por meio da fé em Jesus. 

Note adicionalmente que se a maldição é derivada da quebra da Lei de Deus, então a maldição é imposta por... Deus! Somente Deus, o Juiz de toda a terra, de vivos e de mortos, de homens e de anjos, de demônios e de satanás, tem autoridade moral e justiça santa para julgar e imputar a pena (condenar) pela desobediência de Sua Palavra, de Sua Santa Lei.  Ele é o Santo Legislador e Juiz, ninguém mais em todo o Universo tem essa autoridade. Daí, querido(a) leitor(a), diabo, demônio, mandinga, uruca, etc. não tem iniciativa nenhuma em qualquer coisa, em destaque na criação de maldições. Somente Deus pode amaldiçoar ou abençoar e Ele escolheu abençoar todo aquele que está em Cristo! E ninguém ou coisa alguma pode alterar isso, como do mesmo modo se Ele resolveu amaldiçoar aqueles que não estão em Cristo - os filhos da desobediência (Ef 5.6) - não há oração, reza forte, campanha, corrente ou utensílio ou ninguém que o faça mudar de idéia! 

Essa teoria de que há uma maldição hereditária que precisa ser quebrada deriva-se de uma exegese tendenciosa de alguns textos do Antigo Testamento, juntos com boa dose de dicotomia e confissão positiva, gerando um falso misticismo. É bom entendermos que todo e qualquer ensino ou doutrina precisa estar harmonizado em ambos os testamentos, antigo e novo, e que é preciso entender que alguns ensinos do Antigo Testamento simplesmente se restringem ao contexto histórico, político, social e espiritual em que foram produzidos, especialmente no que tange às profecias para a nação de Israel. Outros ensinos foram abolidos no contexto cristão do Novo Testamento (como a obrigatoriedade da abstenção de certos alimentos, guarda de dias específicos, circuncisão, a prática de sacrifícios, obrigatoriedade de dízimos, atos proféticos, etc.).A  história da salvação e o processo da revelação divina atingiram o seu ápice com Cristo (Hb  1.1). Portanto, não é  o Antigo Testamento que interpreta o Novo Testamento, mas é o Novo Testamento que  interpreta o Antigo Testamento.

Um bom exemplo disso é a má interpretação que é feita em cima do texto de Gênesis 9:20-27: "E começou Noé a ser lavrador da terra, e plantou uma vinha. E bebeu do vinho, e embebedou-se; e descobriu-se no meio de sua tenda. E viu Cão, o pai de Canaã, a nudez do seu pai, e fê-lo saber a ambos seus irmãos no lado de fora. Então tomaram Sem e Jafé uma capa, e puseram-na sobre ambos os seus ombros, e indo virados para trás, cobriram a nudez do seu pai, e os seus rostos estavam virados, de maneira que não viram a nudez do seu pai. E despertou Noé do seu vinho, e soube o que seu filho menor lhe fizera. E disse: Maldito seja Canaã; servo dos servos seja aos seus irmãos. E disse: Bendito seja o Senhor Deus de Sem; e seja-lhe Canaã por servo. Alargue Deus a Jafé, e habite nas tendas de Sem; e seja-lhe Canaã por servo." Muitos erram grosseiramente quando tomam esse texto para basear a tese das maldições hereditárias, especialmente quando atribuem aos negros africanos o seu status social e econômico a derivação da maldição de Noé sobre um dos filhos de Cão. Ora, Cão gerou Canaã, mas tambem gerou Cuxe, Mizraim e Pute (Gn 10.6). 

Segundo o Ellicott's Commentary for English Readers, os descendentes de Cuxe foram os etíopes, incluindo a Arábia "quae mater est" e a Abissínia "quae colonia" (Michaelis, Rosenmüller). A casa dos cuchitas ficava nos rios Tigre e Eufrates, onde Ninrode os criou com grande poder. De lá, eles se espalharam pela península do sul da Arábia e cruzaram o Mar Vermelho mais tarde, colonizando a Núbia e a Abissínia. Na Bíblia, Cush é regado pelo Giom (Gênesis 2:13); e Zípora, mulher de Moisés e filha de um sacerdote de Midiã é chamado cuchita (Nm 12.1). Os cuchitas são descritos como de cor preta (Jeremias 13:23) e de grande estatura (Isaías 45:14). Sua posição elevada no tempo antigo é marcada pelo lugar ocupado por eles na Ilíada de Homero. Já os descendentes de Mizraim são os egípcios (a palavra é dual e pode apontar para a divisão do país em Alto e Baixo Egito). Por sua vez, os descendentes de Pute foram os Líbios. Por fim, os descendentes de Canaã foram os povos cananitas (ou cananeus): "E Canaã gerou a Sidom, seu primogênito, e a Hete; e ao jebuseu, ao amorreu, ao girgaseu, e ao heveu, ao arqueu, ao sineu, e ao arvadeu, ao zemareu, e ao hamateu, e depois se espalharam as famílias dos cananeus. E foi o termo dos cananeus desde Sidom, indo para Gerar, até Gaza; indo para Sodoma e Gomorra, Admá e Zeboim, até Lasa" (Gênesis 10:15-19). Historicamente, esses povos foram totalmente destruídos por Israel na conquista de Canaã! Assim, a predição de Noé se tornou verdade (Deuteronômio 9:4–5).

Uma boa olhada na história mundial e ver-se-á que a trágica situação vivida pelos povos que habitam no continente africano deve-se, especialmente, a anos a fio de exploração de bens naturais (ouro, diamante e tapetes, dentre outros) e tráfico negreiro. Uma opressão causada muitas vezes com a Bíblia na mão, como a que foi feita pelos britânicos, que faziam da África uma colônia de exploração entre o final do século XVII e meados do século XIX. Em 1900, grande parte da África havia sido colonizada por sete potências européias - Inglaterra, França, Alemanha, Bélgica, Espanha, Portugal e Itália. Após a conquista dos estados africanos descentralizados e centralizados, as potências européias estabeleceram sistemas de estados coloniais. O estado colonial era o mecanismo de dominação administrativa estabelecido para facilitar o controle efetivo e a exploração das sociedades colonizadas (isso sem mencionar os estupros e assassinatos cometidos). Segundo o jornal "The Guardian", "British colonialism still plays a major role in the tragedies and disasters we see in Africa today" (o colonialismo britânico ainda desempenha um papel importante nas tragédias e desastres que vemos na África hoje) (disponível em: https://www.theguardian.com/world/2017/aug/01/colonialism-in-africa-is-still-alive-and-well). 

É bom termos clareza sobre os fatos, a fim de eliminarmos de uma vez por todas essas falsas interpretações produzidas por péssimos exegetas bíblicos! Nada na Bíblia deve servir para justificar a exploração e a opressão de um povo sobre outro, ou de uma pessoa sobre outra, pois isso vai radicalmente contra o Espírito desse livro. Usar a Bíblia para justificar o mal é a verdadeira maldição, passada por pessoas que falam sem nada entenderem para pessoas que não gostam de ler ou de estudar e absorvem qualquer sandice que lhes são ensinadas por quem quer que seja. O mesmo se aplica no caso do absurdo, que chega ao ridículo, de se usar a Bíblia para justificar o armamento da população, como tem sido feito no Brasil. Nenhuma violência contra ser humano algum, independente de sua crença ou condição social, econômica e/ou política é suportada pela Bíblia, posto que como cristãos nossa luta é contra satanás e seus anjos: "porque a nossa luta não é contra o sangue e a carne, e sim contra os principados e potestades, contra os dominadores deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal, nas regiões celestes" (Ef 6.12). NInguém combate seres espirituais com armas carnais, nem combatendo carnalmente contra seres humanos, mas sim combatendo espiritualmente contra fortalezas, sofismas e altivez espirituais: "Porque, embora andando na carne, não militamos segundo a carne. Porque as armas da nossa milícia não são carnais, e sim poderosas em Deus, para destruir fortalezas, anulando nós sofismas e toda altivez que se levante contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo pensamento à obediência de Cristo, e estando prontos para punir toda desobediência, uma vez completa a vossa submissão" (II Co 10.3-6)

Mesmo na antiga aliança, os canaanitas amaldiçoados por Noé poderiam ser livres da maldição. Lembremos que Raabe era canaanita! Através dela, Deus trouxe o Salvador ao mundo (Mt 1.5). Raabe não precisou passar por um ritual de libertação para ser salva. Ela simplesmente creu no Deus de Israel, e sua fé foi suficiente para que ela fosse completamente livre da maldição de Noé. 

Mas será realmente que o filho pode ser amaldiçoado pelo seu pai? "E veio a mim a palavra do SENHOR, dizendo: Que pensais, vós, os que usais esta parábola sobre a terra de Israel, dizendo: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos se embotaram? Vivo eu, diz o Senhor DEUS, que nunca mais direis esta parábola em Israel. Eis que todas as almas são minhas; como o é a alma do pai, assim também a alma do filho é minha: a alma que pecar, essa morrerá" (Ezequiel 18:1-4; ver também vv. 5-21). A questão é: os filhos pagam pelos pecados dos pais? Nos v.3 e 4, Deus responde com um veemente não. O Senhor ordena para que esse provérbio não fosse mais citado, pois cada um precisa assumir a responsabilidade pelo pecado: “Aquele que pecar é que morrerá”(v.4). Nos versos seguintes, o texto diz que a justiça do pai e a benção que viria sobre ele não seriam transmitidas aos filhos (v.10-13), nem a injustiça do pai e o juízo que viriam sobre ele seriam transmitidos aos filhos (v.14-18). No v.20, o Senhor declara: “Aquele que pecar é que morrerá. O filho não levará a culpa do pai, nem o pai levará a culpa do filho. A justiça do justo lhe será creditada, e a impiedade do ímpio lhe será cobrada."

Concluo, citando as palavras do pastor Luciano R. Peterlevitz, em sua obra "MALDIÇÃO HEREDITÁRIA: UMA ANÁLISE TEOLÓGICA" (disponível em: http://www.novocoracao.com.br/ebd/Maldi%C3%A7%C3%A3o%20heredit%C3%A1ria_an%C3%A1lise%20teol%C3%B3gica%20IBNC.pdf): "De acordo com o Novo Testamento, toda a humanidade está debaixo da maldição do pecado. Não é necessário receber uma maldição para estar maldiçoado. Todos estão amaldiçoados, indistintamente. Uma pessoa não se torna maldita porque recebeu palavras de maldição dos pais. Toda pessoa já é maldita, por natureza. Teologicamente a maldição é resultado do pecado (Gn 3), e considerado que todos são pecadores (Sl 51.5; Rm 3.23), segue-se logicamente que todo ser humano nasce amaldiçoado. Então, existe sim maldição hereditária, mas só aquela que herdamos de Adão (veja Rm 5.12). Por outro, a maldição foi totalmente vencida pela obra consumada de Cristo. A maldição atingiu a raça humana a partir da Queda (Gn 3). A maldição ainda é uma triste realidade na natureza. No entanto, chegará o dia em que ela será completamente vencida: “Já não haverá maldição nenhuma” (Ap 22.3). A maldição que existe é aquela de Gênesis 3, resultante do pecado de Adão e Eva, que afetou drasticamente toda a humanidade. Mas a obra de Cristo é suficientemente poderosa para nos livrar de toda maldição. Não é necessária nenhuma quebra de maldição. Basta crer em Cristo".

Esse negócio de maldição hereditária dá grana para quem ensina e grana para quem se propõe a libertar outros de suas supostas maldições. Isso traz gente para a denominação, faz cultos lotarem por pessoas ávidas em receberem uma "oração forte quebra-pedra", que preferem atribuir às trevas - ao diabo - suas mazelas do que assumirem sua (ir)responsabilidade com o curso de suas vidas. É mais fácil um alcóolatra culpar seus pais pelo alcoolismo do que assumir seu vício e procurar arrependido um tratamento e o perdão de Deus. Maldição é bom negócio para quem a explora econômica e religiosamente, para os "especialistas" em "quebra de maldições".

Pense nisso. Graça e paz!

quarta-feira, 5 de setembro de 2018

PRIORIDADES OU EVENTUALIDADES? UM TRÁGICO EXEMPLO DE COMO LIDAMOS COM AQUILO QUE REALMENTE É IMPORTANTE E AS CONSEQUÊNCIAS DISSO

O Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, São Cristóvão/RJ foi totalmente destruído pelo fogo no dia 02/09/18. Fundado por Dom João VI no dia 6 de agosto de 1818, duzentos anos de história perdidos em poucos minutos. 20 milhões de itens de acervo, a maioria carbonizada. O que causou o incêndio, ainda nãos e sabe. Pode ter sido um balão, pode ter sido curto-circuito, pode ser criminoso, etc. Estão investigando as causas e talvez encontrem uma. 

Agora, surgem várias explicações para o descaso de anos a fio, governo após governo, com o Museu. O orçamento era insuficiente, o repasse de recursos federais diminuiu, a Cedae não verificou os hidrantes... várias justificativas. Porém, o dano é irreparável: não há como reaver o que foi consumido pelo fogo; não dá para recuperar o patrimônio original que perdido. Talvez seja possível reparar a estrutura do prédio, muito provavelmente serão doados novas obras para compor seu patrimônio. O governo diz que vai liberar recursos (aliás, não faltaram políticos para tirar uma "casquinha" da situação). Mas o que foi, jamais será novamente. 

Muitas lições podem ser tiradas desse episódio, para todos, quer governo, quer população, quer brasileiro, quer seja outro povo e nação. Eu destaco a seguinte: as prioridades tratadas como eventualidades hão de cobrar seu preço altíssimo, frequentemente impagável, mais dia menos dia. Prioridades devem ser tratadas como tal, nunca como algo secundário que possa ser deixado para depois (popular "empurrar com a barriga"), pois é bem provável que isso não venha a ser possível. 

Quais são as nossas prioridades? Podemos pensar nisso de diversas maneiras, sob diferentes óticas. Minha proposta é analisarmos sob a ótica bíblica e, para isso, nada melhor que consultarmos alguém que viveu todo tipo de experiência possível - Salomão.

"Disse eu no meu coração: Ora vem, eu te provarei com alegria; portanto goza o prazer; mas eis que também isso era vaidade.
Ao riso disse: Está doido; e da alegria: De que serve esta?
Busquei no meu coração como estimular com vinho a minha carne (regendo porém o meu coração com sabedoria), e entregar-me à loucura, até ver o que seria melhor que os filhos dos homens fizessem debaixo do céu durante o número dos dias de sua vida.
Fiz para mim obras magníficas; edifiquei para mim casas; plantei para mim vinhas.
Fiz para mim hortas e jardins, e plantei neles árvores de toda a espécie de fruto.
Fiz para mim tanques de águas, para regar com eles o bosque em que reverdeciam as árvores.
Adquiri servos e servas, e tive servos nascidos em casa; também tive grandes possessões de gados e ovelhas, mais do que todos os que houve antes de mim em Jerusalém.
Amontoei também para mim prata e ouro, e tesouros dos reis e das províncias; provi-me de cantores e cantoras, e das delícias dos filhos dos homens; e de instrumentos de música de toda a espécie.
E fui engrandecido, e aumentei mais do que todos os que houve antes de mim em Jerusalém; perseverou também comigo a minha sabedoria.
E tudo quanto desejaram os meus olhos não lhes neguei, nem privei o meu coração de alegria alguma; mas o meu coração se alegrou por todo o meu trabalho, e esta foi a minha porção de todo o meu trabalho.
E olhei eu para todas as obras que fizeram as minhas mãos, como também para o trabalho que eu, trabalhando, tinha feito, e eis que tudo era vaidade e aflição de espírito, e que proveito nenhum havia debaixo do sol.
Então passei a contemplar a sabedoria, e a loucura e a estultícia. Pois que fará o homem que seguir ao rei? O mesmo que outros já fizeram.
Então vi eu que a sabedoria é mais excelente do que a estultícia, quanto a luz é mais excelente do que as trevas.
Os olhos do homem sábio estão na sua cabeça, mas o louco anda em trevas; então também entendi eu que o mesmo lhes sucede a ambos.
Assim eu disse no meu coração: Como acontece ao tolo, assim me sucederá a mim; por que então busquei eu mais a sabedoria? Então disse no meu coração que também isto era vaidade.
Porque nunca haverá mais lembrança do sábio do que do tolo; porquanto de tudo, nos dias futuros, total esquecimento haverá. E como morre o sábio, assim morre o tolo!
Por isso odiei esta vida, porque a obra que se faz debaixo do sol me era penosa; sim, tudo é vaidade e aflição de espírito.
Também eu odiei todo o meu trabalho, que realizei debaixo do sol, visto que eu havia de deixá-lo ao homem que viesse depois de mim.
E quem sabe se será sábio ou tolo? Todavia, se assenhoreará de todo o meu trabalho que realizei e em que me houve sabiamente debaixo do sol; também isto é vaidade.
Então eu me volvi e entreguei o meu coração ao desespero no tocante ao trabalho, o qual realizei debaixo do sol.
Porque há homem cujo trabalho é feito com sabedoria, conhecimento, e destreza; contudo deixará o seu trabalho como porção de quem nele não trabalhou; também isto é vaidade e grande mal.
Porque, que mais tem o homem de todo o seu trabalho, e da aflição do seu coração, em que ele anda trabalhando debaixo do sol?
Porque todos os seus dias são dores, e a sua ocupação é aflição; até de noite não descansa o seu coração; também isto é vaidade.
Não há nada melhor para o homem do que comer e beber, e fazer com que sua alma goze do bem do seu trabalho. Também vi que isto vem da mão de Deus.
Pois quem pode comer, ou quem pode gozar melhor do que eu?
Porque ao homem que é bom diante dele, dá Deus sabedoria e conhecimento e alegria; mas ao pecador dá trabalho, para que ele ajunte, e amontoe, para dá-lo ao que é bom perante Deus. Também isto é vaidade e aflição de espírito."
(Eclesiastes 2:1-26)


Nos versos 1-3, Salomão decide-se entregar-se por completo na busca pela felicidade. Ele convida sua alma a entregar-se por completo à experiência da alegria! Há quem diga que a satisfação de uma pessoa, seu bem-estar, está ligado àquilo que possui e faz. Todos os homens se esforçam para terem coisas importantes e para serem reconhecidos pelos seus feitos. A vida de Salomão foi gasta na realização de grandes obras, não com coisas insignificantes. Ele “empreendeu”, “edificou”, “plantou”, “fez”, “comprou”, “possuiu”, “juntou” ao ponto de se engrandecer com tudo o que realizou! Todos os desejos pessoais desse homem foram satisfeitos, nenhum ficou sem ser realizado. Tudo o que ele quis, ele teve. Teve a vida cheia de prazeres e delícias, de bens e da satisfação de começar algo e terminar (v.10). 

Contudo, ao ponderar no seu estado interior diante de tudo o que alcançou, Salomão constatou que tudo o que ele havia realizado, tudo o que ele havia envidado seus esforços, não passavam de “vaidade e correr atrás de vento”. Ou seja, nada disso realmente deu a vida dele um significado, um propósito, algo duradouro. Ao final, todas as alegrias e prazeres se mostraram passageiros. Com isso, Deus nos ensina que nossas reais necessidades não serão satisfeitas com aquilo que é material. Podemos fazer como Salomão, chegar ao máximo de todas as posses e realizações, contudo ao final o vazio em nossa vida permanecerá.

Viver uma vida de incessante e obstinada busca para “ter destaque” e/ou “ter coisas” é, no fundo, correr atrás de vento. O trabalho, por exemplo, uma das necessidades humanas, existe para o homem e não o homem para o trabalho. Há quem de tanto trabalhar construa uma vida sem relacionamentos (Ec 4.8). Porém, infelizmente, há aqueles que tendo relacionamentos, troca-os por uma vida de trabalho sem fim. Pessoas abrem mão de casamento, de filhos, de família e até do desenvolvimento de uma fé sadia - verdadeiras prioridades - porque concentram todas as suas forças na busca do sucesso financeiro e/ou profissional. É claro que precisamos todos trabalhar, mas não podemos sacrificar nossa família, por exemplo, no altar do trabalho/sucesso profissional, ou no altar da diversão e dos prazeres. A vida passa com rapidez. Há um número de dias de vida determinado para cada um de nós, independente de religião, cor, status social, etc. Lamentavelmente, você há de passar, um dia. Seus pais, esposa/esposo e filhos (ou amigos, irmãos, pastor, etc.) também hão de passar, antes ou depois de você. Ninguém estará sempre disponível e alcançável, pode ser que quando você procurá-los eles já não sejam mais alcançáveis - mesmo estando todos vivos. Querido(a): SUA FAMÍLIA PRECISA DE VOCÊ! SEUS FILHOS PRECISAM DE VOCÊ! SEU CONJUGE PRECISA DE VOCÊ! 

Parênteses: Aqui, vale o mesmo para (1) pastores sérios que priorizam ministério em lugar da família e até de Deus; para (2) donos de igreja/ministérios que priorizam seus bolsos e seu sucesso religioso em detrimento das pessoas que os seguem; (3) dos "judas de plantão", que priorizam o ego, o "estar num púlpito pregando" - "amam os primeiros lugares", como disse Jesus -, ao invés do amor e amizade que um dia lhes foi devotado; (4) de crentes, que priorizam suas vidinhas pequenas, "pecadinhos" secretos e seus probleminhas pessoais auto-impostos do que o Reino de Deus; (5) os(as) "beatos(as) de igreja", que priorizam o templo e a religião mas que estão nem aí para as pessoas (pessoas são meios para um fim, não o fim em si mesmas), sejam elas "os irmãos" ou até mesmo família e conjuge. Fecha parênteses.

Essas buscas são infindáveis pela incapacidade da coisa em si saciar o vazio interior que existe na alma humana. São verdadeiras prisões existenciais para aqueles que se deixam consumir por elas. Quanto mais temos, mais desejamos; quanto mais alcançamos, mais longe queremos chegar. Nunca nos encontramos numa posição saudável de equilíbrio, de “Chega! O que tenho me basta!” ou “Sou feliz e satisfeito com o que alcancei!”. Somos criados para a eternidade, portanto aquilo que é gera apenas prazer e alegria momentâneos não pode nos satisfazer, nos preencher. 

“Porque todos os seus dias são dores, e o seu trabalho é desgostoso; até de noite não descansa o seu coração.” (v.23) Durante o dia, vive atribulado; seu trabalho não traz a realização que ele espera e necessita. Nem na hora de dormir sua mente não descansa, ele não consegue dormir. Vive tenso, preocupado. Já não é mais uma pessoa alegre, sua fé quase virou conformismo. Mais um pouco, e você culpará a Deus por sua situação. 

No final das contas, essa dedicação sem limites à segurança financeira e ao sucesso profissional se revelará em pura e simples vaidade. Algo fútil, temporário, perda de tempo. Algo vão, vazio, firmado sobre aparência ilusória. O que edificarmos, o que construirmos, o que ganharmos com todo nosso esforço ficará para outrem, que vier depois de nós, seja sábio ou tolo. Mesmo o ganho gerado por um trabalho feito com sabedoria, conhecimento e destreza será dado como porção para quem não se esforçou nada. Será ele quem vai usufruir, ou vai destruir tudo. O empenho humano não pode ser recordado, retido ou passado a outro. NINGUÉM LEVA NADA PARA O ALÉM-TÚMULO

“Que fará o homem que seguir o rei? O mesmo que outros já fizeram”. Salomão descobriu que a sabedoria humana era preferível à ignorância e loucura, embora a sabedoria humana não torne um homem feliz. Sabedoria aqui é puramente humana (Ec 7.16-18), que vive em preocupações para evitar qualquer coisa que atrapalhe o prazer (eliminando todas as chances de fracasso). No final, dá no mesmo lugar que o tolo.

DEUS, O SUPRIDOR DE TODAS AS NECESSIDADES E FONTE DO PRAZER INESGOTÁVEL (vv.24-26). Após examinar as fontes humanas de prazer e a vida de busca pelas mesmas, e o mesmo resultado ser alcançado por quem não prioriza os prazeres em sua vida, ele conclui que ao final o esforço humano é inútil. Tudo vem igualmente da mão Deus. PORTANTO, É A DEUS QUEM O HOMEM DEVE BUSCAR E CONFIAR – ESSA É A VERDADEIRA PRIORIDADE HUMANA. Comer, beber, gozar o bem do trabalho... Deus nos deu isso tudo, por Sua bondade e Graça. Se o agradarmos – Se Ele for a fonte do prazer, se Ele for a razão da nossa existência, Se Nele estiverem todas as nossas fontes (Sl 87.7) - Dele receberemos a sabedoria, conhecimento e prazer. (v.25)

Quem não prioriza o cônjuge e a família, poderá ficar sem elas. Quem usa pessoas e ama as coisas perderá as pessoas e as coisas. Quem não investe seu tempo e vida naquilo que realmente é prioridade constatará, estupefato, que desperdiçou sua vida com aquilo que é vento. Quem não prioriza Deus hoje, poderá chegar a situação de não mais ser possível fazê-Lo no dia crítico. Poderá ouvir do próprio Jesus a terrível constatação da realidade  - "nunca vos conheci".  Há fogo eterno destinado aos homens no pós-vida. O fogo físico nada poupa, independentemente do valor histórico ou social ou científico ou econômico; quanto mais devemos esperar do fogo eterno!

Lembre-se: Deus é fogo consumidor. Portanto, reveja hoje as prioridades de sua vida, para que você não seja surpreendido(a) hoje e principalmente naquele grande dia! 

Pense nisso! Graça e paz!

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

FAZENDO AS PERGUNTAS CERTAS E ESPERANDO A RESPOSTA DE DEUS

E veio a palavra de Samuel a todo o Israel; e Israel saiu à peleja contra os filisteus e acampou-se junto a Ebenézer; e os filisteus se acamparam junto a Afeque. E os filisteus se dispuseram em ordem de batalha, para sair contra Israel; e, estendendo-se a peleja, Israel foi ferido diante dos filisteus, porque feriram na batalha, no campo, uns quatro mil homens. E voltando o povo ao arraial, disseram os anciãos de Israel: Por que nos feriu o Senhor hoje diante dos filisteus? Tragamos de Siló a arca da aliança do Senhor, e venha no meio de nós, para que nos livre da mão de nossos inimigos. Enviou, pois, o povo a Siló, e trouxeram de lá a arca da aliança do Senhor dos Exércitos, que habita entre os querubins; e os dois filhos de Eli, Hofni e Finéias, estavam ali com a arca da aliança de Deus. E sucedeu que, vindo a arca da aliança do Senhor ao arraial, todo o Israel gritou com grande júbilo, até que a terra estremeceu. E os filisteus, ouvindo a voz de júbilo, disseram: Que voz de grande júbilo é esta no arraial dos hebreus? Então souberam que a arca do Senhor era vinda ao arraial.Por isso os filisteus se atemorizaram, porque diziam: Deus veio ao arraial. E diziam mais: Ai de nós! Tal nunca jamais sucedeu antes.Ai de nós! Quem nos livrará da mão desses grandiosos deuses? Estes são os deuses que feriram aos egípcios com todas as pragas junto ao deserto. Esforçai-vos, e sede homens, ó filisteus, para que porventura não venhais a servir aos hebreus, como eles serviram a vós; sede, pois, homens, e pelejai. Então pelejaram os filisteus, e Israel foi ferido, fugindo cada um para a sua tenda; e foi tão grande o estrago, que caíram de Israel trinta mil homens de pé. E foi tomada a arca de Deus: e os dois filhos de Eli, Hofni e Finéias, morreram. (1 Samuel 4:1-11)

Israel foi derrotado diante dos filisteus; morreram nessa batalha 4.000 homens. Voltando o povo ao arraial após a derrota, perguntaram os anciãos de Israel: “Por que nos feriu o Senhor hoje diante dos filisteus?” E então mandaram trazer a arca da aliança do Senhor, que culminou numa das maiores fracassos e tragédias de Israel. Por quê?

Porque os anciãos de Israel fizeram a pergunta certa, mas não esperaram pela resposta certa“Por que nos feriu o Senhor hoje?”. Eles fizeram essa pergunta porque consideravam que a vitória era certa quando saíram para a batalha. Afinal, eles eram o povo de Deus, imbatíveis, lutando contra um povo idólatra. Eles possuíam um histórico de várias vitórias tremendas, como em Jericó. Se não venceram, alguma coisa estava errada. Questionar os porquês da derrota é muito importante. Quando somos derrotados diante de alguma batalha que a vida nos apresenta, não é simplesmente levantar, sacudir o pó, dizer que o diabo está lutando e precisamos ir mais firme, etc. É preciso parar e perguntar ao Senhor: “Por que, Senhor? O que está errado? O que faltou para que nós vencêssemos?” Todas as vezes que o povo de Deus foi derrotado diante de seus inimigos, na Bíblia, havia uma causa por detrás. 

Porém, eles não esperaram a resposta de Deus e então agiram por conta própria: “Tragamos para nós de Siló a Arca da Aliança Senhor, para que ela venha para o meio de nós, e nos livre da mão de nossos inimigos”.  Note que, para eles, a solução era lógica: eles perderam a batalha porque não levaram a Arca da Aliança do Senhor com eles. Eles se lembraram das vitórias passadas, quando a Arca ia à frente de Israel trazendo vitória ao povo de Deus: na travessia do Jordão (numa época de cheia do rio, Js 3.6,15-17), na tomada de Jericó (Js 6.7), etc. Ora, é fácil deduzir que se com a Arca a vitória sempre foi assegurada, agora eles haviam sido derrotados porque estavam sem ela! Essa era uma solução produzida pela análise das boas experiências passadas conforme o raciocínio humano. Eles fizeram a pergunta certa, mas não esperaram Deus falar. Eles mesmos providenciaram a resposta. A mente humana é cheia de respostas. Uma das coisas mais difíceis que Deus tem para fazer na nossa vida é esgotar os nossos recursos próprios, nossas soluções, até mesmo sobre coisas espirituais. Deus precisa acabar com as nossas próprias soluções!

A explicação e solução dadas pelos anciãos para a derrota evidenciavam o estado espiritual de Israel. Eles decidiram mandar trazer a Arca, confiando que Ela traria vitória por si mesma, de forma automática, sem mais nada a ser feito ou que precise acontecer na vida das pessoas envolvidas. Esse tipo de lógica é a síntese do pensamento idólatra. A arca era, assim, rebaixada a mero amuleto! Hoje, há uma proliferação de usos de amuletos pelos crentes - objeto, fórmula escrita ou figura (medalha, figa, fita, cornetas, espadas, sal grosso, arruda, rosa ungida, enxofre, alianças, chaves que abrem portas, sabonetes de cura, lenços consagrados, vassouras ungidas, etc.) - distribuídos por denominações religiosas às pessoas para que estas as guardem consigo, a fim de obterem virtudes sobrenaturais de defesa contra desgraças, doenças, feitiços, malefícios etc. Nós, crentes, somos cheios de idolatria em nossos corações, mesmo da Bíblia fazemos um amuleto! 

Até de Deus fazemos um ídolo! Todas as vezes que usamos nossas ofertas para angariar favores de Deus estamos ofendendo o Senhor, tratando-O como se fosse um mero ídolo! Deus não precisa de NADA seu ou de ninguém, nem cobra ofertas de ninguém para abençoar! Quem faz isso são esses mercenários da fé - pastores, donos de Igreja/ministérios, arrogantes e prepotentes - que inventaram que Deus precisa receber a grana dos crentes para então poder abençoá-los. Isso é blasfêmia! Deus abençoa porque ELE É GRACIOSO E BONDOSO, porque SEU PRAZER É ABENÇOAR! E abençoa quem oferta e também quem não oferta, porque Sua bênção não está ligada ao homem e as coisas humanas (o que o homem tem ou faz), mas A ELE MESMO! Abençoar é parte integrante do caráter de Deus!  SE ARREPENDA E PARE DE OFENDER AO SENHOR!

Israel estava vivendo um período sério de apostasia para com Deus. Eles adoravam os falsos deuses (baalins e aastarotes, 7.3,4). O sacerdócio estava corrompido, cheio de imoralidade e sacrilégio. Eram ímpios (2.12-17). Eles estavam longe de Deus. Porém, apesar desse terrível cenário, eles achavam que estava tudo bem! Afinal, eles eram “o povo de Deus, escolhidos, povo de propriedade particular”. Eles tinham a arca! Daí, eles mandaram trazer a Arca e os dois filhos de Eli, Hofni e Finéias a trouxeram. Eles jubilaram com grande jubilo, de forma que até a terra ressoou. Contudo saiu tudo errado: os filisteus pelejaram contra Israel e venceram, morreram 30.000 homens de pé; morreram Hofni e Fineías e a Arca de Deus foi tomada. Por que? Porque, querido(a) leitor(a), a solução estava errada! 

Hoje no mundo cristão há muitos símbolos falsos. Mas eles trouxeram um símbolo verdadeiro – a arca. No entanto, a solução estava errada e o resultado foi catastrófico, porque na vida daquelas pessoas não havia essência de fé, apenas aparência de fé, porque seus corações não estavam retos diante de Deus.  Não adiantava nada ter a Arca da Aliança se eles não estavam vivendo verdadeiramente em Aliança com Deus; não adiantava trazer a Arca do Testemunho se não eles não tinham o Testemunho de Deus que é mostrar pela vida como Deus é. Não adianta campanhas de oração, de batalha espiritual, etc. se a vida está vazia de Deus! Deus não se impressiona e nem se deixa enganar com a religião dos crentes! A derrota será líquida e certa e surra do inimigo será grande! 

Veja o coração deles: Quem foi escolhido para trazer a Arca? Os filhos de Eli, sacerdotes impuros, que não estavam nem aí para Deus. Quem tinha que trazer a arca eram os sacerdotes, mas eles estavam impuros, com a vida torta, vivendo dissolutamente. Quando a Arca chegou, o povo jubilou de alegria! "Agora esses filisteus vão ter o que merecem!", eles devem ter pensado! Mas saiu tudo errado! E a mesma história se repete hoje. Quando enfrentamos satanás ou a carne, sem a verdadeira presença de Deus conosco, somos muito, muito inferiores. Nós não podemos com o diabo sem a presença de Deus. Mas, apesar disso, achamos que vamos vencer e cantamos vitória! Cantamos hinos que falam sobre “pisar a satanás”. Eu pergunto: qual é a base disso? Jogar desafios? Rindo do diabo por nós mesmos? A vitória sobre o inimigo é só pela graça e pelo sangue de Cristo e é preciso estarmos na presença de Deus! Não devemos em hipótese alguma enfrentar lutas espirituais com leviandade, achando que a vitória é automática ("porque aceitei Jesus um dia, inevitavelmente vou vencer sempre"), pois o inimigo conhece nosso estado espiritual, se estamos em Cristo ou não. Precisamos estar continuamente cobertos pelo sangue de Jesus e vivendo a fé numa base certa, bíblica.   

A Arca simbolizava a presença e o poder de Deus, porém não foi dada como um amuleto para Israel. Deus não defende por causa de um símbolo exterior. Exteriormente está tudo certo, mas interiormente não! Eles iam adorar ao Senhor no tabernáculo, mas na casa deles havia deuses estranhos. Eles pegaram a arca e puseram nos ombros de homens corrompidos, contaminados, pecadores irreverentes (Hofni e Finéias). Procuraram a arca, mas não o Deus de Israel. Procuraram só o símbolo exterior. Não se arrependeram, não retiraram os falsos deuses que havia no meio deles, não resolveram o problema da liderança corrupta... não resolveram NADA. Deus não ia defender Seu nome nessa forma. Ele não ia associar Seu nome a esse tipo de coisa. Deus não justifica algo que está errado. Deus não tem que estar conosco obrigatoriamente. Onde tem pecado Deus não está presente. Ele está conosco quando estamos na base Dele. Eles pensaram como conseguir por meios próprios fazer Deus estar com eles e se deram muito mal.

Esse episódio adicionalmente nos ensina que precisamos fazer as perguntas certas e aguardar a resposta do Senhor, para só então agir conforme a orientação de Deus. Deus deseja falar com você, te dar a direção. E Ele falará contigo por meio da Sua Arca. Precisamos entender então o que era a arca e como fazemos para ouvir Deus a partir de Sua arca.

Fisicamente falando, a arca era uma caixa de madeira de acácia, revestida por dentro e por fora com ouro, a qual Deus mostrou o modelo no monte para Moisés a fim de que ele fizesse uma réplica exata na Terra. Dentro dela estava o Testemunho, a Lei de Deus (Êx 25.10,11,21,40). Deus falava a Israel a partir da Arca (v.22). Tipológica e espiritualmente, a arca nos fala sobre Jesus. A madeira de acácia é um tipo da humanidade, assim como o outro é tipo da glória de Deus. Ambos, reunidos numa só peça. A arca é tipo de Jesus. Arca representa Jesus. A divindade de Deus cobriu a humanidade de Jesus. Deus nos fala a partir do Seu filho (Hb 1.1,2). 

Precisamos ouvir então Deus nos falar o que está errado conosco, o que precisa mudar em nossa vida, a partir do Seu filho. Quando a partir de Jesus olhamos para nossa vida, veremos claramente a Vontade de Deus para nós. Jesus é o nosso modelo, o nosso padrão de vida cristã, de renúncia, de santidade, de comunhão com Deus. O nosso alvo enquanto nessa Terra deve ser “chegar à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, ao estado de homem feito, à medida da estatura da plenitude de Cristo” (Ef 4.13). Ouvir Deus é ouvir Seu filho amado. É ouvir (inclui entendimento e prática, portanto é mais que escutar) a Ele nos falando a partir de Sua Vida, de Sua obra, de Sua morte e de Sua ressurreição. É ouvi-Lo dizer que precisamos viver como Ele (em íntima comunhão com o Pai), fazer a Obra como Ele fez (e ainda maiores), morrer como Ele morreu (para o mundo e para o pecado) e então ressuscitar, espiritualmente hoje, para andarmos em novidade de vida e literamente, no futuro, para estarmos para sempre com o Senhor. 

Como está a sua espiritual, querido(a) leitor(a)? Você, que está enfrentando alguma batalha pessoal, tem perguntado ao Senhor porque você não consegue vencer e esperado a resposta dele, ou está agindo por sua própria iniciativa? Como está seu estado espiritual? Você tem buscado ouvir o que Deus tem para te dizer a partir de Jesus, ou não? Jesus é seu exemplo de fé, o qual você incansavelmente procura imitar em sua vida cotidiana, ou não passa de um símbolo histórico-religioso? A presença Dele é real em sua vida, ou você tem apenas costumes e doutrinas religiosas? Você vive Nele, ou vive em si mesmo seguindo o curso desse mundo? Que "amuleto" ou ídolo que você tem colocado no lugar de Jesus?


Pense nisso. Graça e paz!


 

sábado, 1 de setembro de 2018

A IMPACTANTE E TRANSFORMADORA VISÃO DE ISAÍAS

No ano da morte do rei Uzias, eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo. Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobria o rosto, com duas cobria os seus pés e com duas voava. E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória. As bases do limiar se moveram à voz do que clamava, e a casa se encheu de fumaça. Então, disse eu: ai de mim! Estou perdido! Porque sou homem de lábios impuros, habito no meio de um povo de impuros lábios, e os meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos! (Isaías 6:1-5)

Com a morte de Uzias, foi ampliada a influência incrédula e maligna de seu neto Acaz sobre Israel. Diante desse quadro, Isaías desanimado se ajoelha no Templo de Jerusalém em oração e Deus lhe dá uma visão transformadora de Sua Soberania e Glória. Até os alicerces do templo tremeram sob o estrondo do coro angelical e o santuário se encheu do shekinah, da santa presença do Senhor!

Isaías foi profundamente impactado pela visão do trono de Deus e do coro angelical. A realidade do que Isaías viu no céu era radicalmente diferente da realidade terrena; isso produziu um choque de realidade em Isaías. 

Muitas vezes vivemos como se a realidade terrena fosse a única realidade que existe, como se não houvesse outra realidade, superior à nossa. A triste verdade é que diante do estado do mundo, acabamos nos conformando a realidade presente, achando que esta é a única que realmente existe. Por isso, muitos cristãos verdadeiros experimentam um estado constante de desânimo espiritual, onde a fé e as obras da fé perdem a intensidade na vida, pela perda de significância do espiritual diante da materialização da realidade “nua e crua” vivida no mundo físico. 

O cristão desanimado já não ora mais, porque em seu interior ele passa a achar que a oração não produz os efeitos esperados: "orar para quê, se nada muda!" Ele já não lê mais a Bíblia, porque à distância entre o que ela ensina e a realidade vivida dá a idéia de que as Escrituras são “utopia idealista”, até mesmo porque, sendo muito sincero, não raro a igreja reproduz a triste realidade da pessoa. Não raro, a igreja hoje pouco ou nada acrescenta à vida de seus congregados e, pior, ainda agrava o mal que muitos vivem. Manipulações, traições, mentiras, falsidades, hipocrisia, heresias... produtos da religião institucionalizada, do desvio da fé genuína. 

A conformidade crescente com o mundo é uma das conseqüências do desânimo. A lógica da vida sempre foi e sempre será a de viver de acordo com a realidade; assim, se a realidade for terrena, a vida será terrena também. Isso é inevitável. Um dos sinais que essa conformidade com o mundo está instalada é quando o cristão passa a não dar mais ouvidos à exortação divina, bíblica, por considerá-la ineficaz para mudar sua vida. A etapa seguinte é passar a repudiar, com ira, toda e qualquer exortação. 

Isaías ouviu o coro angelical cantando “Santo, Santo, Santo é o SENHOR dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória”, mas não foi capaz de cantar também. Isaías não cantou o mesmo cântico por causa do seu estado espiritual. Ele viu a base do trono de Deus (justiça e juízo, Sl 89.14) e disse: “Ai de mim! Pois estou perdido; porque sou um homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábios”. A realidade terrena pode envolver até o viés religioso, como citação de versículos bíblicos e cânticos (p.ex.: ímpios cantando músicas de crentes), mas a adoração a Deus somente pode ser feita a partir de outra realidade, de um interior transformado e de uma alma curada. Essa é, talvez, a maior prova de que a religião é criação do homem (e portanto um produto da realidade terrena): o fato de que qualquer pessoa pode ser religiosa sem ser convertida (conversão é realidade espiritual), sem mudança de vida. Note que dentro da chamada "religião cristã" temos inúmeros casos de pastores e padres, protestantes e católicos, praticantes de pecados como estupro e pedofilia, afora outros tão malignos quanto estes! Por quê? Porque religião nenhuma muda a vida de ninguém, é algo vazio espiritualmente, vazio de vida, vazio de Deus. Veja, por exemplo, o encontro de Jesus com Nicodemos (João cap. 3): Jesus disse ao Mestre da Lei que apesar de sua religião judaica, ele precisava nascer de novo! “O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.” Apesar da realidade terrena, ele precisava de uma realidade espiritual para poder entrar no Reino de Deus!

Religião é algo abominável! Eu tenho nojo de religião! Religião mata, religião mente, religião falsifica - religião é podre em sua essência. Quantas guerras foram travadas em nome de uma religião e do "deus" daquela religião? Quantas crueldades sádicas, de máquinas e aparatos inventados "em nome da fé" para torturar gente (os instrumentos da inquisição, p. ex., como o famoso "berço de Judas", peça metálica em forma de pirâmide sustentada por hastes, onde a vítima, sustentada por correntes, é colocada "sentada" sobre a ponta da pirâmide. O afrouxamento gradual ou brusco da corrente manejada pelo executor fazia com que o peso do corpo pressionasse e ferisse o ânus, a vagina, cóccix ou o saco escrotal)? Quantos estupros, quantos abortos de crianças que "precisavam sumir" para que sacerdotes não perdessem sua posição por conta da safadeza? Eu pergunto: isso presta? De forma alguma! Religião é coisa de gente que quer grana, que quer enriquecer explorando a pobreza alheia, de gente que não trabalha e acha que os outros tem que dar tudo para que possam viver "produzindo regras" nas vidas dos outros. Inventores e propagadores de "teologia da prosperidade" para viverem como nababos. Gente que amaldiçoa a vida de quem não concorda com eles. Donos de igreja, com suas pretensões megalomaníacas; fundadores de ministérios, com seus caprichos carnais. Gente que decora um livro e recita-o como a um poema, mas que é incapaz de aplicar seus princípios mais elementares à própria vida! Gente que você passa a vida treinando como obreiro, abençoando a vida, chamando de filho na fé, amando o sujeito para ao final levar uma rasteira dele na primeira oportunidade! Gente que você chama de amigo, que come contigo, dorme na sua casa, participa da sua vida, mas que está secretamente tramando contra você; semeando discórdia para tomar o seu lugar - gente que disputa púlpito e liderança de igreja!  Tudo isso é produto da religião, que enfatiza o "aqui e agora"; a sabedoria mundana, terrena, carnal e diabólica!

No entanto, Isaías teve uma visão do trono de Deus. Uma visão transformadora! Ao ver a grandiosidade da realidade espiritual, Isaías percebeu que sua realidade terrena era “irreal”, ou seja, era transitória, momentânea, passageira. A religião é passageira, glórias a Deus eternamente por isso!!!! A realidade espiritual é infinitamente maior e real do que a realidade terrena! A realidade deste mundo é transitória: “E o mundo passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre” (I Jo 2.17), no entanto a realidade espiritual é eterna: “O teu trono, ó Deus, é eterno e perpétuo; o cetro do teu reino é um cetro de eqüidade” (Sl 45.6; 93.2)!

A mudança de percepção da realidade gerou em Isaías um santo temor por causa do seu estado espiritual. Como viver na realidade espiritual se apenas sei viver na realidade terrena? É impossível viver na realidade (dimensão) espiritual sem estar preparado espiritualmente para isso. Veja, por exemplo, Nadabe e Abiu (Lv 10.1,2): eles tentaram entrar na presença de Deus oferecendo fogo estranho (terreno). Resultado: foram consumidos pelo fogo espiritual! Ananias e Safira (At 5.1-10), por sua vez, tentaram entrar na presença de Deus com mentira (terreno). Resultado: foram fulminados pelo Senhor! Simão Mágico (At 8.18-23) tentou adquirir o dom e favor divino pagando dinheiro (terreno) aos apóstolos. Resultado: em fel de amargura, e em laço de iniqüidade.

Isso mostra que para viver na realidade espiritual é preciso ter a vida purificada; é preciso ter a iniqüidade tirada e o pecado expiado. A brasa tocou Isaías; assim, o fogo do ourives precisa queimar toda impureza em nossas vidas (Ml 3.2)! Somente pelo Novo e Vivo Caminho é que o homem pode estar diante do trono de Deus, vivendo a realidade espiritual ainda nessa terra (Hb 10.20-22), com o coração purificado de má consciência e lavado o corpo com água pura. Somente Jesus pode transformar a nossa vida, de forma a vivermos o Reino de Deus na terra!

Pense nisso! Graça e paz!

domingo, 26 de agosto de 2018

“A SERPENTE ME ENGANOU!”: ENTENDENDO A VERDADEIRA NATUREZA HUMANA

"Então, vi descer do céu um anjo; tinha na mão a chave do abismo e uma grande corrente. Ele segurou o dragão, a antiga serpente, que é o diabo, Satanás, e o prendeu por mil anos; lançou-o no abismo, fechou-o e pôs selo sobre ele, para que não mais enganasse as nações até se completarem os mil anos. Depois disto, é necessário que ele seja solto pouco tempo. Quando, porém, se completarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão e sairá a seduzir as nações que há nos quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, a fim de reuni-las para a peleja. O número dessas é como a areia do mar." (Ap 20.1-3;7,8)

Até que ponto o comportamento humano é influenciado pelo ambiente? Desde os seus primórdios mais remotos, a raça humana é mestra em produzir desculpas para seus erros e pecados. Acusamos pais, mães, irmãos, vizinhos, governantes, países, sistemas de governo, igreja, etc. por nossos fracassos pessoais. Acusamos até mesmo o diabo. Mas Deus mostra-nos qual é a verdadeira origem do problema.

No texto base dessa argumentação, vemos que haverá uma epóca onde se dará a remoção temporária do agente tentador externo - Satanás - e de seus efeitos sobre o homem.  O milênio começará com o acorrentamento de Satanás por um anjo (que humilhação! Um simples anjo vai prender o fanfarrão, este que um dia se viu "semelhante ao Altíssimo") e sua prisão num abismo, com um selo sobre ele, onde ficará trancado por 1.000 anos. O selo é uma inviolável determinação divina. Satanás será impedido de qualquer atividade pela onipotência de Deus. Porque ele será preso? “Para que não engane mais as nações até que os mil anos se completem”. Cessará toda feitiçaria com suas ilusões, produzidas por Satanás, que tanto vem seduzindo os homens há milênios. Não haverá nenhum ardil, nenhuma artimanha, nenhum "rugir ao derredor como leão". Nada!

A humanidade ficará livre da presença espiritual do enganador por 1.000 anos (ou mais, dependendo de como se interpreta teologicamente o milênio). Cristo e sua Igreja Triunfante (“os que venceram e guardaram até ao fim as obras do Senhor”, Ap 2.26) governarão a Terra por ocasião do milênio, um governo teocrático. Como será a vida na Terra durante o milênio?
  • A paz será restaurada na Terra. Não haverá guerras. As armas serão convertidas em instrumentos de paz e produtividade (Mq 4.3). 
  • A natureza dos animais será mudada (Is 11.6-8; 65.25).
  • Não haverá pobreza e nem miséria, mas será um período de grande prosperidade material. 
  • Será uma época de um fantástico desenvolvimento em todos os setores da vida, científica, social e espiritualmente. 
  • A vida será prolongada; a morte e o pecado terão seus efeitos reduzidos sobre os sobreviventes da Grande Tribulação e seus descendentes (Is 65.20).
  • Todos os homens conhecerão a Deus. A revelação de Cristo será Universal (Is 11.9; Dn 7.13,14). 
  • Anualmente, as nações terão de subir a Jerusalém para a Festa dos Tabernáculos (Zc 14.16-19).
A vida e condições da Terra, durante o milênio, muitíssimo se aproximarão da vida e condições que existiam durante o Éden, o Paraíso na Terra, onde o homem foi criado e colocado originalmente. O milênio, podemos dizer, será uma reprise aproximada do Paraíso Edênico. Justiça absoluta. Fim de toda violência, de toda corrupção, de todos os estupros, pedofilia, etc. Fim dos assassinatos, do tráfico de drogas, dos adultérios, dos divórcios, dos abortos, etc.  

Após o término dos 1.000 anos, Satanás será solto da sua prisão por pouco tempo e seduzirá as nações da Terra, produzindo um exército de homens para batalhar contra Cristo e a Igreja. Seduzir, nesse texto, é a tradução do termo grego planao, “seduzir para rebelião”. É a capacidade ou processo de atrair alguém de modo capcioso ou através do estímulo à sua esperança ou desejo. Sedução é alimentar as esperanças ou desejos de alguém com relação a alguma coisa, de forma a fazer com que este alguém aja no sentido de obter aquilo que deseja. Na sedução, os pequenos e eventuais prazeres e lucros são ressaltados e os grandes problemas e consequências são minimizados ou desqualificados. É importante dizer que a sedução é tão mais eficaz quanto mais desejamos aquilo que vimos ou ouvimos ou sentimos, quando há um forte desejo envolvido. 

Satanás irá potencializar os benefícios, para os homens insatisfeitos com o governo de Cristo, de seguirem-no como se ele fosse um general vitorioso e capaz de vencer a batalha contra o Senhor. Dá Até Para Ouvir as Palavras de Sedução: “Vocês, que estão insatisfeitos com o governo de Cristo, que não tem a liberdade de viverem como quiserem, juntem-se a mim! Eu vou liderar vocês contra o Senhor e contra a Igreja; nós vamos vencê-los; comigo vocês são imbatíveis; e então vocês viverão como reis na Terra!” Essa é exatamente a mesma mentira de hoje: “Eu protejo você! Eu te dou tudo o que quiser, basta me adorar e servir!” Quem procura o diabo? Quem procura os trabalhos de feitiçaria? Quem quer (1) prejudicar outros; (2) conseguir o que quer na vida; (3) ter o “corpo fechado” (ser imbatível). E o diabo fornece justamente isso àqueles que o seguem!

Note que apesar da remoção do diabo por um longo período de tempo e das ótimas condições de vida durante o governo de Cristo, haverá pessoas insatisfeitas, fermentando o mal em seu interior! Mesmo tendo vivido num ambiente propício, os homens ímpios não aprenderão a serem fiéis a Deus por meio de Cristo. Quem o diabo seduzirá? Quem estará a fim de ser seduzido, só esperando um líder para seguir, para se rebelar e estabelecer o próprio sistema e governo!

O livro de Lamentações de Jeremias traz um texto muito aplicável aqui: "Por que, pois, se queixa o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus próprios pecados." (Lm 3.39) O problema do pecado do homem não é o diabo. Nunca foi e nem nunca será. O problema do pecado do homem é a própria natureza humana pecaminosa. Esse é o "segredo": O homem é pecador porque peca e peca porque é pecador! O papel do diabo no pecado do homem é apenas seduzi-lo. A bem da verdade, cada um faz exatamente aquilo que quer fazer! Muita gente boa, quando flagrado em pecado, gosta de se justificar: “Foi o demônio XYZ que me fez cair!” “Não consigo me firmar na Igreja porque o diabo impede!” Isso tudo é conversa flácida para acalentar bovinos (conversa mole para boi dormir)! A natureza do pecado foi gerada em nós por nós mesmos. Nós escolhemos pecar ou não, santificar a vida e avivar a fé ou viver no pecado e na apatia espiritual. Nós escolhemos servir a Cristo ou não, crescer na graça e no conhecimento ou viver segundo nossa própria condição rebelde e indomada. Somos "top sins: pecadores indomáveis!"

Com o milênio, Deus silencia cada língua de cada homem que justifica sua vida sem Deus no próprio Deus. Não há nenhum justo, nenhum sequer! Mesmo num mundo ideal, o homem ainda manifestará o que realmente há dentro dele. Vou repetir: Num mundo onde não há tentador, o homem está com o coração cheio de rapina e perversidade. A verdade é que a maldade, a rebelião contra Deus, a imoralidade, o adultério, a violência, a idolatria, etc. está em nós e nós a reproduzimos sempre, independente do ambiente em que estejamos. Independente de estarmos num lugar puro, espiritual, cheio de verdade e justiça e luz. Pegue qualquer pessoa e dê a ela as melhores condições do mundo e mesmo assim, numa primeira oportunidade, ela manifestará seu verdadeiro eu interior. 

Não é à toda que após o milênio e a libertação de Satanás vem imediatamente o Julgamento do Grande Trono Branco. Vem juízo. Vem julgamento final. Vem condenação ao inferno do inferno, eternamente. 

A única forma de se livrar dessa terrível condição é entregar realmente a vida a Cristo e assim nascer de novo. O novo nascimento é a coisa mais importante que um homem deva buscar. Ela não aniquila em nós o pecado, mas produz em nós uma nova natureza que odeia o pecado e que confia no Senhor como Salvador. Essa é a dica para você, leitor(a): o sinal de que você pertence verdadeiramente a Cristo é o novo nascimento. E esse novo nascimento manifesta-se em duas coisas importantes: (1) Odiar o pecado, de forma a passar o restante de sua vida terrena lutando contra o pecado em sua vida, das mínimas às máximas manifestações (com isso, dar crédito a Palavra de Deus e ao Deus da Palavra) e (2) Confiar em Cristo como Seu Salvador pessoal, como o Único que pode salvar você dos seus pecados, perdoá-los e guiar você, todo o seu viver, a um novo viver Nele e para Ele - viver para agradar a Cristo (cuidado! Jesus e não a religião passa a ser prioridade em sua vida. É muito fácil confundir Jesus com a religião criada pelo homem sobre Jesus). 

SEM NOVO NASCIMENTO, O MAL PERMANECE INDEPENDENTE DO RÓTULO: Você pode se chamar como quiser - cristão, católico, evangélico, batista, assembleiano, metodista, renovado, carismático, espiritualista, espírita, muçulmano, budista, sem religião, ateu, filósofo, agnóstico, etc. Pode seguir a religião que quiser. Pode sacrificar o que quiser. Pode se abster do que quiser. Pode fazer caridade. Pode ser radical ou liberal. Sem novo nascimento, lamento lhe dizer: você vai perecer! O pecado continuará dentro de você, sem oposição, crescendo e crescendo mais e mais até que por fim dominará todo o seu ser. "A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus." (João 3:3) 

Para quem ama realmente a Deus e quer Obedecê-lo, para quem realmente nasceu de novo, Jesus não é uma opção dentre muitas. ELE É A RESPOSTA, A SOLUÇÃO DE DEUS, O CAMINHO, A VERDADE E A VIDA! Para quem não nasceu de novo, no entanto, Ele - e Seus mandamentos e ensinos - não se refletem em vida na vida; não valem mais do que seus textos religiosos e filosóficos, do que sua religião, suas doutrinas e modos de viver. 

Pense nisso. Graça e paz!

UM CORAÇÃO PARA CONHECER AO SENHOR

Dar-lhes-ei coração para que me conheçam que eu sou o SENHOR; eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus; porque se voltarão para mim de todo o seu coração. (Jr 24.7)

“Quem gostaria de ter um cônjuge completamente desconhecido em casa; alguém que não se pode conversar nem trocar carinho, que não pode abrir o coração, que não compartilha lágrimas e nem alegrias”? Uma realidade bíblica é que Deus deseja se fazer conhecido por nós. Ele não quer ser um estranho, alguém tão distante que passou a ser mais um conceito, uma idéia do que uma pessoa. Não, Deus quer intimidade, quer ter conosco uma relação de proximidade, de aconchego; uma relação que ultrapassa o cerimonialismo vazio e sem vida da religião e torna-se pessoal e familiar!

Conhecer ao Senhor com o coração é mais do que conhecê-lo apenas com a mente. Vivemos em um mundo repleto de conceitos e idéias sobre Deus. Há muitos teóricos sobre Deus, religiosos e filósofos, com suas teses e postulados reducionistas e apequenadores. Muitos pensam que Deus é uma pessoa complicada, que somente é buscado pelos ritos ativadores criados pela religião. Outros pensam que Deus está distante, impossível de ser tocado pelo coração, alguém com quem não se pode conversar, que não se pode amar. Pensam em um Deus de braços cruzados, um Deus passivo e ultrapassado, que não liga para ninguém, incapaz de se compadecer com as tristezas, tragédias e mazelas humanas. Outro pensam num Deus cruel e vingativo, pronto a mandar para o inferno qualquer um num primeiro vislumbre de pecado; já para outros, Deus é como um hippie, estilo “viva e deixa viver”.  

Há muitas idéias sobre Deus, mesmo entre os crentes das mais diversas denominações religiosas, uma verdadeira proliferação de teses religiosas sobre Deus. Por isso, há tanta gente presa e oprimida dentro da religião – até da suposta “religião cristã”. Gente triste e sem vida, que frequenta uma igreja/templo por medo da idéia de Deus que ela ou sua religião teorizaram; por interesse ou até por comodidade, para agradar a um parente/amigo/namorado/marido etc. Gente que professa conhecer a Deus, mas que nega tal profissão com suas atitudes. Gente que trai, que mente, que vive na hipocrisia... tudo em nome da religião de Deus, como se Deus tivesse uma religião e interesse em expandir a religião que lhe atribuíram. Gente que usando a razão acabou criando um "Deus" sob medida, idealizado, um Deus que é nossa imagem e semelhança. Um Deus cheio de altos e baixos, de contradições, de melindres, de caprichos e de manias. Um deus cínico, hipócrita. Um deus tarado, sádico, sem escrúpulos, sem ética e amoral. Um deus sem amor, iracundo. 

O problema está no fato de que Deus não pode ser conhecido apenas mentalmente. Não é ter uma idéia teórica sobre Deus que faz com que conheçamos a Deus. O Deus da Bíblia só pode ser conhecido verdadeiramente com o coração. Ele não diz “vos darei uma mente para me conhecerem”, mas antes “um coração para me conhecerem”. 

Todo verdadeiro conhecimento de Deus começa com uma afeição por Ele. Conhecer a Deus somente é possível amando-O. "Aquele que não ama não conhece a Deus, porque Deus é amor." Davi exclama com todo o seu coração “Eu te amo, ó Senhor, minha força!” para só então em seguida prosseguir, dizendo: “O SENHOR é o meu rochedo, e o meu lugar forte, e o meu libertador; o meu Deus, a minha fortaleza, em quem confio; o meu escudo, a força da minha salvação, e o meu alto refúgio” (Sl 18.1,2)! Onde o Senhor é verdadeiramente conhecido, Ele é intensamente amado! 

O conhecimento de Deus com o coração nos leva a termos admiração por Ele. Porque é tão difícil para alguns adorarem a Deus? Porque conhecem a Deus apenas mentalmente. Quando conhecemos com o coração, então admiramos a Deus, considerando-O extraordinário e Incomparável! A Bíblia nos revela que Deus é justo, poderoso, fiel, sábio, verdadeiro, piedoso, paciente, santo, etc.; então o coração purificado admira todos esses atributos gloriosos e adora ao Senhor por causa deles! Quando Deus é conhecido com o coração, ficamos assombrados e espantados diante de Sua grandeza, majestade e glória!

Aquilo que conhecemos com coração torna-se inesquecível. Conhecer algo de coração é conhecer completamente. Quando uma criança sabe a lição de cor, esperamos que ele não esqueça. O que é aprendido somente pela mente pode ser desaprendido, pois a nossa compreensão é muito instável e nossa memória frágil, mas o que está escrito sobre o coração não pode ser apagado. “Porventura esquece-se a virgem dos seus enfeites, ou a noiva dos seus adornos?” – não, porque ela os ama (Jr 2.32). Memórias do coração permanecem quando todas as outras se vão. Um amor de mãe, o carinho da esposa, o afeto de uma doce criança, estarão diante de nós mesmo nas últimas horas de vida. 

“Dar-lhes-ei coração para que me conheçam” – Não é qualquer coração que é capaz de conhecer ao Senhor. Não é um coração comum, que é incapaz de conhecer a Deus e que só conhece as coisas terrenas. É um coração especial, capaz de conhecer ao Senhor e as coisas espirituais. Um coração que é dado pelo próprio Senhor. Ninguém, exceto o Criador, pode dar a um homem um novo coração, a mudança é radical demais para qualquer pessoa comum. Toda a pregação, ensino e reforma no mundo não pode fazê-lo. O próprio Senhor deve fazê-lo. Tão certo como Deus fez você, Deus deve fazê-lo de novo, ou você nunca irá conhecê-lo. Isso não pode ser alcançado pela religião. Praticar uma religião não faz de ninguém uma nova pessoa, apenas uma pessoa religiosa. 

Deus deseja muito nos dar esse novo coração; Ele prometeu isso. É uma aliança, um pacto sagrado que Ele deseja fazer com cada pessoa na face da Terra (Hb 8.10-12), onde todos os que nela participarem conhecerão ao Senhor, do menor ao maior. Este novo coração nos permitirá distinguir o Deus verdadeiro e rejeitar todo falso deus, que produzimos com nossas mentes humanas. Além disso, permitirá que a fé seja criada na nossa alma (Sl 9.10): Não podemos confiar num Deus desconhecido. Sempre que um homem não crê em Deus é porque Ele não O conhece. Esse novo coração é o resultado da conversão a Deus, do retorno do homem ao Seu Criador, pela fé em Cristo Jesus. Não é uma conversão parcial, com religiosidades, mas sim de todo o coração (Jl 2.12,13).

Pense nisso. Graça e paz!

(mensagem ministrada dia 22/10/2016)