segunda-feira, 29 de junho de 2020

UMA PALAVRA SOBRE AS OBRAS DA CARNE EM TEMPOS DO FIM

Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, fornicação, impureza, lascívia,
Idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias,
Invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus.

Gálatas 5:19-21
Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: adultério, fornicação, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus. (Gálatas 5:19-21)

Obras da carne. Assim Paulo chama um conjunto de atitudes que os cristãos devem se absterem de praticar. Por causa de sua origem -  a carne, isto é, a natureza carnal que é oposta à natureza espiritual (I Coríntios 2 e ss) - essas "obras", resultado do trabalho executado, são o oposto do resultado da ação do Espírito, que é gerado no indivíduo por Deus e, por isso, chamado "Fruto". Note que enquanto o termo "obras" é plural, "fruto" é singular, ou seja, as obras da carne são variadas em tipo e quantidade enquanto o "fruto" é único, possuindo múltiplas facetas ou manifestações. 

As obras da carne podem ser classificadas em três tipos de pecados: 

a) pecados ligados ao amor sexual: adultério, fornicação, impureza e lascívia;
b) pecados ligados ao amor espiritual (adoração): idolatria e feitiçaria; 
c) pecados ligados ao amor fraternal: inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas e homicídios;
d) pecados ligados ao amor pessoal (self): bebedices e glutonarias. 

Observe que os pecados (obras) ligados ao amor fraternal aparecem em maior quantidade que os demais. Isso aponta para algo importante: há uma maior preocupação bíblica com a forma que os cristãos tratam o semelhante do que com as demais coisas! Não quer dizer que os demais pecados - como aqueles ligados ao amor espiritual, por exemplo - sejam menos importantes, não é isso que estou afirmando; mas sim que os pecados ligados ao amor fraternal são mais variados e, portanto, foram mais destacados pelo autor apostólico do que os demais. Além da maior predominância, esses pecados que se manifestam no relacionamento interpessoal são mais difíceis de combater e tem maior potencial destrutivo à comunhão espiritual: é muito mais fácil você encontrar num ambiente dito cristão um maior número de pessoas que incorrem em inimizades e invejas do que em feitiçarias, por exemplo!  

Com o esfriamento do amor, previsto por Jesus em Mateus 24, esses pecados se manifestarão cada vez com mais frequência e intensidade. Do ponto de vista humano, cada vez mais difícil será a reconciliação da pessoa consigo mesma e com o próximo. A escalada do egoísmo, manifesto em soberba e orgulho, aliado à necessidade de se manter as aparências, constituir-se-á cada vez mais numa poderosa muralha que impede que o remédio para esses pecados seja ministrado: o arrependimento e o perdão. Como diz Paulo a Timóteo, nos últimos dias os homens seriam "amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos,
Sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus"
(2 Timóteo 3:2-4). 


Não pense, caro(a) leitor(a), que esses pecados são somente "coisas de mundanos", "não convertidos". Não! Paulo escreveu aos cristãos que estavam na Galácia, à Igreja Gálata! A exortação aplica-se, portanto, a todos os que se dizem cristãos, que se dizem Igreja de Cristo. Refere-se o apóstolo àquelas atitudes malignas, que existem em abundância no mundo e que são próprias do mundo, sendo praticadas (e algumas vezes até defendidas como "louváveis") por ditos cristãos! Dependendo da situação atual envolvida, podem inclusive referirem-se à mundanização de uma denominação dita cristã, quando a prática vira hábito e modo de viver, quando se torna justificável ocorrer nesses pecados! Vale dizer que isso - a mundanização de grupos ditos cristãos - já é uma realidade muito difundida no meio religioso autoproclamado "evangélico"! Essas abominações (e outras mais) serão cada vez mais frequentes nesse meio, culminando num futuro próximo na manifestação da "mãe de todas as abominações" no lugar santo, a abominação desoladora! 

Toda vez que o grupo autoproclamado "igreja" cede espaço para a prática desses pecados, duas coisas se tornam realidade: esse grupo perde relevância espiritual e torna-se cada mais suscetível à incorporação de outros pecados no seu seio. Ambas as consequências citadas estão aí, como epígrafe na lápide da sepultura de muitos grupos ditos cristãos: são cada vez mais irrelevantes espiritualmente, tendo perdido toda realidade espiritual que um dia tiveram; suas mensagens são sem poder algum, incapazes de transformação de vida e suas orações são sem resposta - veja, por exemplo, quantos aleijados e cancerosos foram curados fisicamente por Deus por meio da oração de alguém! Falam de vitória, que aliás é a temática do momento (só se ouve isso dentro de denominação) quando vivem uma vida de derrota do ponto de vista de Deus, numa realidade semelhante àquela da Igreja de Laodicéia: "Como dizes: Rico sou, e estou enriquecido, e de nada tenho falta; e não sabes que és um desgraçado, e miserável, e pobre, e cego, e nu" (Apocalipse 3:17). Assim, seus cultos de vitória são um deboche diante dos homens e uma afronta diante de Deus, puro marketing ("terra disso, igreja daquilo, povo disso outro, ministério céu de brigadeiro", e assim vai)! Sobre as suscetibilidade ao pecado, basta olhar rapidamente e verá a quantidade de escândalos que estão sendo postados nas redes sociais, na mídia e na boca do povo a todo momento! Como dito, tudo se constitui numa preparação para a aceitação da abominação desoladora, feita pelo "sumo sacerdote ungido dos filhos de deus" que há de se manifestar!  

É muito triste ver a nudez, a cegueira e a pobreza espiritual da Igreja do séc. XXI. Muito discurso sobre Deus, nenhuma evidência da presença real de Deus. Os cristãos se engalfinhando em redes sociais por causa de escórias mundanas, por causa de política, ao invés de se unirem e buscarem ao Senhor. As redes sociais, aliás, estão se tornando a maior evidência das obras da carne pela Igreja! Quando eu era jovem, lembro de um folheto evangelístico cujo título era "assim foi a sua vida", mostrando o julgamento de uma pessoa que morreu sem Cristo. Nesse julgamento, quando o sujeito tentava argumentar sua inocência, Deus lhe mostrava numa tela o que realmente ele estava fazendo na situação. Hoje, tal como estão as coisas, bastaria Deus mostrar a página do Facebook e/ou do Twitter... Vergonhoso! Chegamos ao ponto de vermos cristãos, até pastores, julgarem de forma acusatória a fé de outro cristão/pastor por simples diferença político-partidária! Pastor que só fala de política em seu perfil social na internet, que briga ferozmente na internet por causa de política, sob a desculpa esfarrapada de "orientar as pessoas"! Showroom das obras da carne! Depois vão querer pregar a Bíblia para os outros... Como? Com que autoridade espiritual? Daí, o que falam em suas mensagens, por mais correto bíblica e teologicamente, não passa de discurso de fariseu proferido a partir da cadeira de Moisés: "faça o que eles mandam, mas não faça o que eles fazem", conforme ensinou Jesus!   

É interessante notar que todos os avivamentos que surgiram na história da fé bíblica e cristã foram marcados por forte senso de pecado e da necessidade de arrependimento! Existe um livro intitulado "A Igreja do Séc. XX: A História que não foi Contada", de autoria de John Walker, que mostra justamente isso. Características muito acentuadas e visíveis na Igreja do séc. XXI são descritas nesse livro como sendo marca da Igreja no final do séc. XIX: "[...] seu estado espiritual era de decadência. Imperavam o liberalismo, a formalidade, o materialismo, o profissionalismo ministerial, a diferença de classes e a ausência de uma experiência com Deus". Quase 2 séculos se passaram e estamos nós na mesma condição de antes! Por quê? Porque cedemos espaço para as obras da carne, deixando cada vez mais a comunhão (e consequentemente o Fruto) do Espírito! Será que Deus irá "soprar" novamente Seu Espírito sobre o vale de ossos secos que a Igreja se tornou? Poderão, acaso, mais uma vez (sic) reviver esses ossos secos e esfarelentos? 

Segundo John Walker, a igreja não convertida irá perecer. Ele explica que aqueles que estiverem na igreja sem uma verdadeira experiência com Deus podem vir a cair pelo caminho. Na fase que vivemos, para esse autor, precisamos ouvir com alegria a sentença de morte que vem do Pai, aplicando-a num contexto de renúncia. Vale dizer que a sentença de morte é parte integrante da mensagem genuinamente evangélica!


Hoje, quem ousa pregar contra essa apostasia, está fadado ao ostracismo. Não raro, farão de um tudo para impedi-lo de continuar a combater o mal. Pastores que repreendem e disciplinam por pecados sexuais serão duramente repreendidos e desautorizados pelos donos denominacionais e em alguns casos também pela própria grei; mensagens que falam de arrependimento serão duramente criticadas e haverá a formação de grupinhos queixosos paralelos para fermentação do leite recebido do púlpito! Pastores que procuram cultivar a espiritualidade cristã bíblica, mantendo o respeito e a concórdia entre os ditos cristãos terá inevitavelmente em seu ministério um "Absalão roubando o coração do povo para si na porta da cidade".  Ao final, ver-se-ão na seguinte situação: terão forçosamente que renunciar à posição, por terem se tornado um estorvo para as pessoas e para o crescimento denominacional tão almejado pelos donos da denominação! E isso sob toda sorte de mentiras contra eles!

Quando isso acontece, a dita Igreja já está mundanizada; é a desviada que acha-se ufanisticamente no caminho da fé. A Igreja mundanizada, que se acha viva e que tem até nome de vida, mas que está morta; que prega vitória e prosperidade mas que não sabe a situação de derrotada que se encontra; que faz culto de libertação, mas que é presa pelos grilhões do pecado. Seus cultos são nulos espiritualmente; todo efeito sentido no culto é somente emocional e psicológico, de duração momentânea e ineficaz para manter um mínimo de vida cristã sadia. Seus louvores não passam de musiquinhas, cantadas como num show. Seu evangelismo é proselitismo barato, conquistando membros de outras denominações para encher a sua própria. Seus milagres são fruto da psiquê, do poder latente da alma. Cura? Nem de enxaqueca! Sua comunhão é fabricada, comunhão-refrigerante, baseada somente em xarope açucarado e pressão e extensível apenas para os que estão "dentro da garrafa" (e olhe lá, porque na maioria das vezes estão se engalfinhando). Seu Deus é puramente ideológico, bíblico na mensagem mas antibíblico na vida cotidiana, incapaz de transformar a vida de qualquer pessoa que seja. Comem pão e suco de uva uma vez ao mês, mas não tomam a Ceia do Senhor.   

Por isso, Paulo diz: "As obras da carne [...] acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus". Obras da carne devem, portanto, serem combatidas e exterminadas na vida de quem quer realmente servir ao Senhor. Na vida do cristão é o Fruto do Espírito que deve prevalecer! Esse Fruto surge apenas em bom solo, que recebeu a semente da Palavra; solo macio, quebrantado e arrependido, humilhado e contrito, que treme e teme diante da Palavra do Senhor. O fim vem e nenhum operoso nas obras da carne entrará no reino de Deus, por mais cheio de vento que se apresente!

Como Paulo indicou em Rm 8.13, é pelo Espírito que nós podemos mortificar as obras da carne: “Digo, porém: Andai em Espírito, e não cumprireis a concupiscência da carne” (5.16). O que é andar em Espírito? Andar em Espírito é viver conforme o Evangelho da Graça de Deus, mortificando a cada dia as obras da carne, que são conhecidas ( Gl 5.19 ), pela dependência do Espírito que nos capacita a santificarmos nossa vida. Consequência imediata na vida daqueles que andam no Espírito é a produção o Fruto do Espírito. Observe que Paulo usa a expressão andai no Espírito (gr. pneumati peripateite, tempo verbal: presente ativo imperativo) como uma prática contínua e uma ordem direta. Isto quer dizer que devemos andar em Espírito todos os dias da nossa vida, e não temos outra escolha se quisermos herdar o Reino de Deus. Além disso, haverá sérias consequências espirituais, físicas, emocionais e sociais para aqueles que vivem na prática das obras da carne (cf. Gl 6.7,8). 


A verdadeira comunhão da Igreja deve ser aquela que é gerada pelo Espírito e vivida no Espírito e isso com toda certeza envolve o Fruto do Espírito!

Pense nisso!
Graça e Paz!

quarta-feira, 24 de junho de 2020

A PALHA ESPALHADA PELO VENTO

Mensagem originalmente pregada em 23 de outubro de 1859 pelo Reverendo Charles Haddon Spurgeon, sob o título "The Chaff Driven Away", baseado em Salmos 1:4.

Com adaptações feitas por mim. Ministrado em 31/07/2016.

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A PALHA ESPALHADA PELO VENTO.

Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores.
Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite.
Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará.
Não são assim os ímpios; mas são como a moinha que o vento espalha.
Por isso os ímpios não subsistirão no juízo, nem os pecadores na congregação dos justos.
Porque o Senhor conhece o caminho dos justos; porém o caminho dos ímpios perecerá.

Salmos 1:1-6 


A Vulgata Latina escreve o texto de Sl 1:4 assim: “Não são assim os ímpios, não assim”. O justo é dito ser "como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará;" - "Não são assim os ímpios, não assim." Os ímpios não são como a árvore plantada. Se eles podem ser comparados a uma árvore, então eles são "como árvores murchas, infrutíferas, duas vezes mortas, desarraigadas" (Jd 1.12) ou como a árvore no deserto que é plantada ali por um acaso, e nada há ali para alimentá-la.

A principal característica de um cristão é que ele é uma árvore plantada. A árvore plantada é cuidada de forma especial pelo agricultor.  É diferente da árvore selvagem, que está na floresta. Ninguém é dono dela, ninguém presta atenção nela; nenhum coração vai suspirar se o relâmpago estremecê-la; nenhuma lágrima será chorada se ela for incendiada e todas as suas folhas murcharem. Ninguém liga para ela.

Os justos tem uma providência especial sobre eles. São árvores plantadas. Tudo que acontece trabalha em conjunto para o bem deles. O Senhor seu Deus é o seu tutor. Até os cabelos da cabeça de um cristão estão contados! (Mt 10.30) O Senhor conhece o caminho dos justos. Eles são como a árvore plantada. Por sua vez, "os ímpios não são assim, não assim”: para quem levarão seus problemas? Onde está o seu abrigo no dia da ira? Onde está o seu escudo na hora da batalha? Quem será o seu sol, quando as trevas se reunirem sobre ele? Quem os consolará no dia da angústia? São deixados sozinhos, como a árvore selvagem a qual ninguém dá importância, até que chegue o machado sobre o seu lenho e seja cortada para ser lançada no fogo.

Os justos são como árvore plantada junto a ribeiro de águas. Ele tem uma fonte inesgotável à sua disposição; portanto ele não conhece a seca, nem tempos de escassez. Quanto ao crente verdadeiro, aconteça o que acontecer, se as coisas falharem, ele olha para o céu. Se o homem abandoná-lo, então ele olha para o homem divino Cristo Jesus. Já com os ímpios é diferente - “Os ímpios não são assim, não assim”: Eles não têm esses rios para sugar sua alegria, o seu conforto e a sua vida. Seu dia de seca virá – seus dias de angústia, de doença, de aperto; dias em que a morte olha fixamente para a vida deles. E aí, como será? O ímpio pode ter um pouco de alegria agora, pode desfrutar de um pouco de emoção no momento, mas o que vai fazer quando o vento quente vier em cima dele, o vento da tribulação? E acima de tudo, o que vai fazer quando o abatimento da morte congelar seu sangue? 

Diz-se do homem justo, que ele "dá o seu fruto no seu tempo". Porém, “os ímpios não são assim, não assim”: Muitas pessoas imaginam que se não cometerem algum ato de pecado que elas estão bem. Só que não fazer o que é certo também é pecado. Meroz foi amaldiçoado porque não fez o que era correto (Jz 5.23). Não adianta gostar de assistir um culto no domingo, não adianta não sair de dentro de Igreja, não adianta fazer caridade, não adianta dar dízimo ou oferta, ou mesmo fazer boas obras, se você não faz o que Deus espera de você – dar fruto digno de arrependimento! (Lc 3.8) O PROBLEMA NÃO É O QUE VOCÊ FAZ, MAS O QUE VOCÊ NÃO FAZ. Para Deus, você é uma árvore infrutífera. Já era tempo de você dar fruto, mas onde ele está? Jesus procura fruto na sua vida e só encontra folhas. O que acha que Ele fará com você? (Mt 21.19). O que está fazendo por Cristo? Você adicionou uma pedra ao seu templo espiritual? Você já fez como aquela mulher que quebrou o vaso de alabastro sobre a sua cabeça? Você não fez nada para ele. Ele alimentou você e trouxe-o até hoje, e você não fez nada para ele. Eis que o Senhor tem uma contenda com você neste dia, não pelo que você fez, mas pelo que você não tem feito! Você está ouvindo a Palavra continuamente; você está desfrutando dos privilégios do Senhor. Deus está alimentando você na sua providência, vestindo-o com sua compaixão e você não está fazendo nada para ele. Oh meu(minha) querido(a) leitor(a), peço que você leve isso a sério, pois esta é uma maldição, bem como um sinal para você. Não é apenas uma característica ruim na sua personalidade, mas é uma maldição de Deus. Tu és ímpio(a), e, portanto, inútil aos olhos de Deus. Você não é como a árvore que "dá o seu fruto no seu tempo".

Diz-se do homem justo, que "suas folhas não cairão". Veja por exemplo nossos irmãos mais idosos, de um tempo onde ser evangélico era igual a ser cristão. Eles dão fruto na velhice, eles ainda são fortes e florescentes para mostrar que o Senhor é reto. “Os ímpios não são assim, não assim”: Sua folha murcha. Chega uma praga e a árvore que parecia uma vez verde torna-se marrom e morta, e, finalmente, enegrece e tem que ser removida. Homens que pareciam estar se dando muito bem neste mundo, ricos e felizes, e respeitados por quase todos, mas eles não tinham base sólida, eles não tinham a rocha para se levantarem, não confiavam em Deus. O homem que não tem Deus, não tem o viço de Deus em sua vida. Ele engorda para o abate! Para o ímpio não há nada de bom nesta vida. O doce que ele tem provado é a doçura do veneno.

"Os ímpios são como a palha". Estão mortos nos seus delitos e pecados, não tem vida em si mesmos. São como a palha que o vento espalhou. Palha é infrutífera; é leve e instável. É sem valor para Deus. O homem que é ímpio, por mais que ele possa valorizar a si mesmo, é como nada na estimativa de Deus; quando pesado, é sempre achado em falta, é leve demais (Dn 5.27). Daí, que eles são espalhados pelo vento, de tão leve que são. "Os ímpios são como a palha que o vento espalha". Isso é terrível. Veja: a palha e o milho crescem juntos, no entanto, chega um momento em que inevitavelmente eles serão separados. 

Veja o pai ou a mãe de um filho piedoso, temente ao Senhor. Eles o criaram, o alimentaram e o ama. Mas haverá um dia – no grande dia da divisão – em que serão separados dele! A palha não pode ser levada para o céu com o trigo. Você é o(a) filho(a) de uma mãe piedosa; você tem crescido em seu joelho. Ela ensinou-lhe, quando você era mais novo(a), a sua pequena oração e a cantar um pequeno hino. Será que isso não causa-lhe uma pontada de arrependimento, o fato de que, morrendo como você é, você deve ser eternamente separado(a) dela? Onde ela irá você nunca poderá ir. Você nunca vai cantar a canção de alegria com ela no céu.

Veja o seguinte quadro: domingo após domingo entram e saem pessoas de nossas Igrejas. Elas ouvem o sermão e sentam-se lado a lado conosco. Cantam hinos como os crentes verdadeiros cantam. Um dia esta pessoa será separada de nós; ela passará de cantar canções dos santos para entoar os gritos dos condenados! Ela passará de comparecer na grande convocação dos justos para à última assembleia geral dos destruídos e amaldiçoados no inferno! “Os ímpios são como a palha que o vento espalha” – espalhados para longe, deste mundo, com os uivos dos demônios do inferno, dos gritos aterrorizantes, sem possibilidade de escape. Queimará como palha com fogo que nunca se apaga (Lc 3.17). Morre uma vez nessa terra, para passar a eternidade num lugar de sofrimento.

CONCLUSÃO:

Preciso perguntar: Quem dentre nós habitará com o fogo consumidor? Quem dentre nós habitará com as labaredas eternas? Quem aqui está preparado para fazer sua cama no inferno? Quem deve deitar e descansar para sempre no lago de fogo? É necessário que seja assim se você é ímpio; a não ser que você se arrependa. “Convertei-vos!” é o clamor de Deus para você! (Ez 33.11) Quero lhe pedir: não resista ao Senhor nessa hora, não mate a influência celestial. Por que morrereis? Há algo agradável na destruição? É o pecado tão gostoso para você que você vai queimar no inferno para sempre por isso? Será que Cristo é um Mestre difícil, que você não vai amá-lo? É a sua cruz tão feia que não quereis olhar para ela?

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Nota: O conceito de justo, na Bíblia, não é aquele que não peca ou não comete erros. Ao contrário, o justo comete pecado. No entanto, o justo é aquele que foi justificado (declarado justo) por Deus por meio da fé em Cristo (justificação pela fé), quando da sua conversão à Cristo.

quinta-feira, 16 de abril de 2020

TEMPOS DE PANDEMIA: O CONSELHO DE SALOMÃO SOBRE PRUDÊNCIA



PROVÉRBIOS 22:3

King James Bible
A prudent man foreseeth the evil, and hideth himself: but the simple pass on, and are punished.

Young's Literal Translation

The prudent hath seen the evil, and is hidden, And the simple have passed on, and are punished.

French: Darby
L'homme avise voit le mal et se cache; mais les simples passent outre et en portent la peine.

German: Luther (1912)
Der Kluge sieht das Unglück und verbirgt sich; die Unverständigen gehen hindurch und werden beschädigt.

Spanish: Reina Valera 1909
El avisado ve el mal, y escóndese: Mas los simples pasan, y reciben el daño.


Portuguese: Bíblia King James Atualizada

O prudente percebe o perigo e busca refúgio; o incauto, contudo, passa adiante e sofre as consequências. 

 
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Me pergunto, ainda que retoricamente porque sei a resposta, o que anda acontecendo com a liderança evangélica mundial. O que anda acontecendo com esses homens e mulheres que em suas pregações, ao menos uma vez na vida, falaram sobre a necessidade de se ter a mente de Cristo, em I Coríntios 2:16. Sobre renovação de mente, baseados em Romanos 12:1,2. Homens e mulheres que deveriam ser exemplos de fé cristã, especialmente em épocas de crise como a que estamos vivendo em escala mundial. Que deveriam orientar, guiar, proteger e alimentar as vidas dos fiéis e, logicamente, cuidarem de si mesmos. Afinal, a Primeira Epístola de Paulo a Timóteo, capítulo 4 versículo 16 exorta a cada líder cristão a ter primeiramente cuidado de si mesmo e da doutrina que ensina, devendo perseverar nisso, "pois agindo assim, salvarás tanto a tua própria vida quanto a todos que te derem ouvidos". Infelizmente e tristemente tenho visto o contrário disso: proliferam na mídia notícias e mais notícias que mostram uma liderança desprovida, no mínimo, de prudência! 

1) "Bishop who preached 'God is larger than this dreaded virus' dies of COVID-19
Bishop Gerald O. Glenn of The New Deliverance Evangelistic Church near Richmond, Virginia died the day before Easter."
(tradução: Bispo que pregou 'Deus é maior que esse vírus temido' morre de COVID-19. O bispo Gerald O. Glenn, da Igreja Evangélica The New Deliverance, perto de Richmond, Virgínia, morreu um dia antes da Páscoa). (Fonte: https://www.nbcnews.com/news/us-news/bishop-who-preached-god-larger-dreaded-virus-dies-covid-19-n1183281. Acesso: 16/04/2020)


2) Pastor evangélico morre por coronavírus após culto com 300 pessoas no Chile. Pr. Mario Salfate, 67 anos, presidiu um culto em 16 de março, com a participação de cerca de 300 pessoas na cidade de Paine, perto de Santiago. Três outros pastores evangélicos foram infectados na ocasião.
(Fonte: https://odia.ig.com.br/mundo-e-ciencia/2020/04/5900288-pastor-evangelico-morre-por-coronavirus-apos-culto-com-300-pessoas-no-chile.html. Acesso: 16/04/2020)

3)  Coronavírus: pastor que chamou epidemia de 'histeria' morre após pregar em carnaval. O pastor Landon Spradlin não estava preocupado com o coronavírus quando viajou a Nova Orleans, nos Estados Unidos, para pregar durante o mardi gras — o festival de carnaval celebrado em março na cidade americana. Um mês depois, Landon, de 66 anos, estava morto. (Fonte: https://www.bbc.com/portuguese/geral-52193957. Acesso: 16/04/2020)

Aliados a esses, estou certo que há muitos outros casos que ou ainda não foram noticiados ou que ainda surgirão no cenário mundial. Por que? Para que, com que propósito? Querem provar o quê com suas mortes? As justificativas do rompimento do isolamento são as mais estapafúrdias possíveis: ou o vírus é tratado como um factóide contra o líder político do país, ou versículos bíblicos são usados de forma isolada para apoiar essas atitudes sem sentido, ou verdades centrais da fé são utilizadas de forma errada no afã de justificar o injustificável, tais como "Deus é maior que esse vírus". Sim, isso é uma verdade: de fato, Deus é maior do que o vírus, não apenas esse mas qualquer outro, como da dengue, da AIDS, da febre amarela, da gripe, etc. Isso não significa, no entanto, que agora os cristãos vão injetar em suas veias sangue contaminado, ou não vão cuidar de suas casas para evitarem a proliferação de mosquistos, ou não vão repousar em casa - "vitamina C e cama" - quando gripados.   

Deus nos deu a fé por meio da Revelação bíblica, isso é correto. Mas também nos deu a ciência por meio da pesquisa e investigação. Ambos os conhecimentos procedem de Deus, sendo obtidos de forma diferente e versando sobre coisas diferentes! A fonte de ambos é Deus, portanto são bons para nós: "Toda a boa dádiva e todo o dom perfeito vem do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação" (Tg 1.17). Deus é a fonte de todo conhecimento e, em particular, do conhecimento Dele. O fiel, que recebeu e recebe a luz da Revelação divina sobre o que é espiritual, também tem recebido luz sobre o mundo físico e aquilo que a este se relaciona. A Graça não se opõe à natureza e é preciso distinguir as duas.  

Aqui, no Brasil, há pastores e líderes que, a exemplo de seus irmãos de outros países, andaram se insurgindo contra o isolamento social imposto pelas autoridades de saúde. Homens que bradaram inúmeras vezes que "toda a autoridade provém de Deus" e que foram os primeiros a negarem isso com suas atitudes e argumentos, revelando uma "ideologia de ocasião" e uma "verdade de conveniência".  A Justiça teve que ser acionada para que templos religiosos fosse fechados e assim obedecessem as ordens sanitárias. 

Escândalos, dos quais Jesus preveniu, produzidos por pastores e líderes, vão assim se amontoando no Brasil e no mundo. No exterior, líderes morrendo por desobediência e imprudência, infectadas com o Covid-19, quando podiam estar vivas e ajudando a combater a pandemia no fortalecimento espiritual e material aos fiéis. No Brasil, líderes agindo por pura conveniência ou apenas sob ordem judicial, acumulando para si mesmos ira no dia da ira e juízo no dia do juízo. Muito triste!

Salomão, no livro de Provérbios, no texto que fiz questão de destacar no início desse texto em diferentes línguas, nos fala que aquele cuja longa experiência e observação das coisas o tornou cauteloso e prudente, prevê uma calamidade antes que ela aconteça e se retira do perigo para um local seguro; mas uma pessoa incauta e crédula nunca prevê nenhum perigo, mas continua com segurança em seu caminho de costume, até que o ultrapasse e sofra as consequências desse ato imprudente. Como diz o Pr. André Luís Pereira em seu blog "REFLETINDO PROVÉRBIOS: Reflexões diárias baseadas no livro bíblico de Provérbios", esse provérbio é "um "tiro no pé" daqueles que levantam a bandeira triunfalista, ou seja, daqueles que incentivam as pessoas a nunca desistirem, a enfrentarem toda e qualquer situação; é um "tiro no pé" daqueles que acham que buscar ajuda, depender dos outros, e pensar antes de agir, são atitudes de gente "fraca". Há muito tempo tem-se distorcido muitos valores que são imprescindíveis à vida, a prudência, por exemplo, é um deles. É questão de sabedoria saber a hora de parar; é questão de prudência saber quando voltar atrás; é questão de maturidade entender que tal atitude realmente não convém ser tomada" (fonte: http://refletindoproverbios.blogspot.com/2012/10/o-prudente-percebe-o-perigo-e-busca.html. Acesso: 16/04/2020).

Eu não compartilho dessa fé tresloucada de jeito nenhum! Uma fé que leva a gestos imprudentes e irracionais, que se baseia no subjetivismo pessoal que contraria os princípios e fundamentos bíblicos e científicos à base de interpretações mal feitas dos textos da Bíblia, levando a posturas extremadas contra a própria vida e à vida de quem os ouve e vê a troco de nada. Pergunto: o nome de Cristo foi exaltado com isto que foi feito? O que a causa do Evangelho ganhou efetivamente com estas posturas destes líderes? Houve edificação? Estas atitudes se enquadram na categoria de boas obras, as quais a Bíblia enfatiza que deve ser o modo de vida de quem foi convertido à Cristo? Perdidos foram salvos, houve alegria no céu, ou os perdidos ficaram ainda mais perdidos depois que viram tais coisas? Almas foram resgatadas ou foram perdidas?

Prezado(a) pastor(a), líder, faça um favor ao Evangelho, a si mesmo e àqueles que o seguem: obedeça a regra do isolamento social! Usa a internet, irmão(ã), faz cultos online! Aproveita a ferramenta! Dá estudo bíblico pelo computador! Usa o tempo que Deus está concedendo para orar e estudar também! Faz reunião com outros pastores e líderes online! Aproveita! Tem muitos precisando de uma palavra de conforto e fé nesse momento; gente doente e até com luto na família! E isso vale para você também, irmão(ã), que não é formalmente um líder: você pode fazer mesma coisa!

Se você está sem nenhuma denominação - porque, de fato, tá muito difícil frequentar uma hoje em dia - e precisar de um conselho, de uma oração, de uma palavra, fale comigo. Vamos marcar uma videoconferência! Pode me procurar aqui no blog, ou no facebook (https://www.facebook.com/ricardo.kropf.391).

E, por favor: FIQUEM EM CASA! Sejam prudentes e não imprudentes, como diz Provérbios. Ame-se e ao próximo como a ti mesmo!

Graça e paz!

domingo, 12 de abril de 2020

COMPREENDENDO A PÁSCOA BÍBLICA: DO ANTIGO PARA O NOVO TESTAMENTO

"...Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós". (1 Coríntios 5:7)

Cristo, nossa páscoa. É assim que Paulo, apóstolo de Cristo, correlaciona a pessoa de nosso Senhor e Salvador com a festa judaica por ele muito conhecida, a páscoa. Em hebraico "Pessach", significa "passar por cima". Ganhou esse nome quando foi celebrada pela primeira vez, sob instrução de Deus a Israel por meio de Moisés, quando Israel era escravo na terra do Egito:   

"Chamou pois Moisés a todos os anciãos de Israel, e disse-lhes: Escolhei e tomai vós cordeiros para vossas famílias, e sacrificai a páscoa. Então tomai um molho de hissopo, e molhai-o no sangue que estiver na bacia, e passai-o na verga da porta, e em ambas as ombreiras, do sangue que estiver na bacia; porém nenhum de vós saia da porta da sua casa até à manhã. Porque o Senhor passará para ferir aos egípcios, porém quando vir o sangue na verga da porta, e em ambas as ombreiras, o Senhor passará aquela porta, e não deixará o destruidor entrar em vossas casas, para vos ferir. Portanto guardai isto por estatuto para vós, e para vossos filhos para sempre." (Êxodo 12:21-24) 

Deus havia ordenado ao povo que comesse o cordeiro com pressa e que deviam fazê-lo vestidos e preparados para deixar o Egito a meia noite. Isto seria no dia quinze de Nisan (Êxodo 12:10-11). A páscoa judaica era então uma festa que comemorava a libertação de Israel da opressão dos seus opressores. Uma festa celebrada num contexto cruento, de sangue e morte, mas também de vida e liberdade. Na ocasião de sua primeira celebração, Deus passou por cima da terra do Egito, santificando para si todos os primogênitos, quer de animais quer de pessoas. Em todos os lugares, onde houvesse um animal ou uma pessoa, que não tivesse a marca do sangue do cordeiro, o primogênito seria morto. Mas onde houvesse a marca do sangue, o Senhor passaria por cima daquele lugar, deixando ilesas as pessoas e animais que ali estivessem. O texto bíblico mostra exatamente isso: "E aconteceu, à meia-noite, que o Senhor feriu a todos os primogênitos na terra do Egito, desde o primogênito de Faraó, que se sentava em seu trono, até ao primogênito do cativo que estava no cárcere, e todos os primogênitos dos animais. E Faraó levantou-se de noite, ele e todos os seus servos, e todos os egípcios; e havia grande clamor no Egito, porque não havia casa em que não houvesse um morto." (Êxodo 12:29,30) Somente os judeus, que creram na Palavra de Deus por meio de Moisés e obedeceram, escaparam da mortandade que assolou aquela ímpia nação.

Posteriormente, em épocas distintas, a Páscoa foi celebrada então pelo povo de Deus, Israel, no Antigo Testamento. Eis a ordem: "No mês primeiro, aos catorze do mês, pela tarde, é a páscoa do Senhor. E aos quinze dias deste mês é a festa dos pães ázimos do Senhor; sete dias comereis pães ázimos" (Levítico 23:5,6). Ela era celebrada do seguinte modo: separava-se um cordeiro sem defeito, que era morto, sem lhe quebrar os ossos (Nm 9.12; Êxodo 12:5). Esse cordeiro era assado inteiro e sua carne era consumida pelos presentes, acompanhada de pães asmos (ou ázimos, isto é, sem fermento) e ervas amargas. O sacrifício da festa da páscoa não podia ficar da noite para a manhã (Êxodo 34:25). Nenhum filho do estrangeiro poderia comer da páscoa caso não fosse primeiro circuncidado (Êx 12.43,48).

A Páscoa deixou de ser celebrada apenas em períodos de apostasia e de cativeiro, voltando a ser celebrada em períodos de retorno do povo ao Seu Deus. Por exemplo, quando o rei Josias celebra a Páscoa, ao final de um período de arrependimento e de expurgo da idolatria entre o povo de Deus (envolvendo retirada e destruição de todos os objetos usados em cultos idólatras de dentro do santuário de Deus, da destituição dos sacerdotes pagãos que outros reis anteriores haviam colocado, além de profanar todos os altares dos falsos deuses): "O rei deu ordem a todo o povo, dizendo: Celebrai a páscoa ao Senhor vosso Deus, como está escrito no livro da aliança. Porque nunca se celebrou tal páscoa como esta desde os dias dos juízes que julgaram a Israel, nem em todos os dias dos reis de Israel, nem tampouco dos reis de Judá. Porém no ano décimo oitavo do rei Josias esta páscoa se celebrou ao Senhor em Jerusalém" (II Rs 23.21-23; ler também todo o capítulo 23).  Quando o povo de Deus retornou do cativeiro persa, eles celebraram a páscoa (Esdras 6:20,21).  

Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo participou da festa da Páscoa durante Seu ministério terreno. Tanto quanto criança, adolescente e como adulto, foram inúmeras vezes que Ele se assentou e comeu a páscoa. Não poderia ser diferente, pois Jesus era judeu e israelita em Sua encarnação. Celebrar a Páscoa era estatuto perpétuo para Israel e Jesus cumpriu cabalmente esta ordenança. A Bíblia, contudo, registra apenas a última páscoa que o Senhor participou, com seus discípulos, antes de Sua prisão, julgamento, morte, sepultamento e ressurreição. 

O evangelista Lucas relata que o Senhor Jesus desejou intensamente comer a última páscoa com seus discípulos, dando ordens para que eles a preparassem. Para os discípulos era mais uma páscoa, mas para o Senhor representava a história dele, a sua grande missão. Na proximidade do clímax de seu ministério, o Senhor queria compartilhar com seus discípulos os seus últimos momentos com eles (Jo 13.33). Assim, durante a celebração, Jesus ressignifica a páscoa, colocando Ele mesmo como o cordeiro que havia sido imolado para a celebração: "E mandou a Pedro e a João, dizendo: Ide, preparai-nos a páscoa, para que a comamos. E eles lhe perguntaram: Onde queres que a preparemos? E ele lhes disse: Eis que, quando entrardes na cidade, encontrareis um homem, levando um cântaro de água; segui-o até à casa em que ele entrar. E direis ao pai de família da casa: O Mestre te diz: Onde está o aposento em que hei de comer a páscoa com os meus discípulos? Então ele vos mostrará um grande cenáculo mobilado; aí fazei preparativos. E, indo eles, acharam como lhes havia sido dito; e prepararam a páscoa. E, chegada a hora, pôs-se à mesa, e com ele os doze apóstolos. E disse-lhes: Desejei muito comer convosco esta páscoa, antes que padeça; porque vos digo que não a comerei mais até que ela se cumpra no reino de Deus. E, tomando o cálice, e havendo dado graças, disse: Tomai-o, e reparti-o entre vós; Porque vos digo que já não beberei do fruto da vide, até que venha o reino de Deus. E, tomando o pão, e havendo dado graças, partiu-o, e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente, tomou o cálice, depois da ceia, dizendo: Este cálice é o novo testamento no meu sangue, que é derramado por vós" (Lucas 22:8-20).  

Jesus, então, é o cordeiro de Deus (Jo 1.29) sem defeito nem mancha (I Pedro 1:18-20). Como cordeiro, macho, Ele foi imolado em favor do povo, na cruz do Calvário, levado até lá para morrer como "ovelha muda, perante seus tosquiadores": "Ele foi maltratado, humilhado, torturado; contudo, não abriu a sua boca; agiu como um cordeiro levado ao matadouro; como uma ovelha que permanece muda na presença dos seus tosquiadores ele não expressou nenhuma palavra" (isaías 53:7 comparar com Mateus 26:63; 27:12; Marcos 15:5). Não teve em nenhum momento sequer qualquer de seus ossos quebrados, apesar das surras intensas que levou, tanto com o uso do chicote quanto das mãos violentas dos soldados romanos, quer com os cravos que foram usados para fixá-lo na cruz, quer por meio da lança do soldado que perfurou seu lado, quando já estava morto (Sl 34.20; João 19:31-37).

Note a evolução da revelação do plano de Deus: A intenção de Deus era que todos (cada uma das famílias) experimentassem a salvação. No início era um cordeiro por família (Êxodo 12:3,4). O conceito se expande e aqui vemos um cordeiro para toda a nação (João 11:49-52) e, finalmente, um cordeiro para o mundo inteiro (João 1:29). Ao cremos em Cristo, somos incorporados à família da fé (Gálatas 6:10; Efésios 2:19). 

Jesus morreu na hora nona, mais ou menos às 15 horas. Porém, naquele tempo as horas não eram indicadas com precisão, como ocorre hoje. Assim sendo, é possível que Jesus tenha morrido entre 15 e 17 horas, tendo sido sepultado aproximadamente após as 17 horas (Mc 15.42), pois o sábado iria começar às 18 horas (Lc 23.54), e a Lei Judaica proibia o trabalho aos sábados e a permanência de um corpo morto na cruz (Dt 21.22,23; Jo 19.31). Assim sendo, a morte de Jesus foi mais rápida do que se esperava (Mc 15.44). Isto ocorreu por 4 motivos: (1) Jesus é o Cordeiro Pascal, e como tal deveria morrer no mesmo período do sacrifício da páscoa (Êx 12.6); (2) Suas pernas não poderiam ser quebradas para acelerar a sua morte (Jo 19.32,33; Êx 12.46; Nm 9.12; Sl 34.20); (3) Seu corpo não poderia permanecer no madeiro (Dt 21.22,23) e (4) O próprio Jesus rendeu o seu espírito (Jo 19.30; Jo 10.18; Jo 2.19). É tremenda a correspondência entre o sacrifício do cordeiro pascal no Antigo Testamento e de Jesus, o Cordeiro de Deus, no Novo: segundo a tradição, na hora do sacrifício da tarde no dia da Páscoa (Êxodo 12:6), o sumo sacerdote subia ao altar, cortava o pescoço do cordeiro com uma faca e pronunciava as seguintes palavras: "Está Consumado". Estas são as mesmas palavras que são pronunciadas após realizar uma oferta de paz com Deus. Ao mesmo tempo, Jesus expirou dizendo essas mesmas palavras (João 19:30).

Após ser morto e assado, o cordeiro deveria ser comido.A diferença está no sangue: enquanto no Antigo Testamento o sangue não deveria ser comido (era algo proibido), Jesus ordena que bebamos do Seu Sangue! A primeira vez que Ele mencionou isso os judeus se escandalizaram!  

Na Ceia, nosso Senhor Jesus primeiro parte o pão aos seus discípulos, dizendo que aquele pão era o Seu corpo dado por nós. Comunhão do pão, que é o Corpo do Senhor. Quando eu me alimento do Corpo do Senhor, eu assimilo os nutrientes que preciso para manter as funções vitais espirituais: fé, paixão, santificação – vida do Espírito! Observe a ordem que os elementos aparecem na Ceia: O pão vem primeiro, antes do sangue. Na ordem da criação divina, primeiro é preciso formar o Corpo. Por isso, a Ceia é coletiva (onde estiverem dois ou três reunidos no nome do Senhor) e não particular. Somente com o Corpo formado é que vem o sangue! Jesus nos diz que apenas e somente se comememos Sua carne e bebermos o Seu sangue teremos vida em nós mesmos. É impossível ter vida sem comer da carne e beber do sangue do Senhor, e isso começa pela carne. Começa pelo Corpo. Não é possível viver a vida de Cristo fora do Seu Corpo, e isso é mais que frequência física. É possível frequentar a Igreja e não comer do Corpo e é possível não frequentá-la e mesmo assim comer do Corpo, pois Seu Corpo é de natureza espiritual e não física, presa a um local ou placa denominacional! Comendo o Corpo, o Senhor nos dará também a beber do Seu sangue, nos fazendo entrar no novo pacto: “novo pacto no meu sangue”. Note que somente o sangue do Senhor nos insere no Novo Pacto. Isso é porque a vida da carne (o Corpo) está no sangue - é preciso mais que ajuntamento para ter vida no novo pacto. Na verdade, somente o sangue nos possibilita vivermos a comunhão do Corpo (Lv 17.11; I Co 10.16).

Após sua morte, Jesus é sepultado. Por articulação de Caifás com Pilatos, foi dado ordem para que soldados tomassem conta do túmulo de Jesus (Mateus 27:62-66). Enquanto seu corpo jazia, Sua alma desceu às regiões inferiores da Terra, ao inferno, apregoando Sua vitória para então subir ao céu, levando consigo as almas daqueles que morreram crendo na promessa do Senhor. Ao terceiro dia, como Ele havia dito, Sua alma e espírito retornam ao Seu corpo e Ele ressuscita dentre os mortos! O poder de Deus abre o sepulcro e os guardas "tremeram espavoridos e ficaram como se estivessem mortos", frente a esse poder (Mt 28.4)! As mulheres que vão vê-lo ouvem do anjo que ali estava que Jesus havia ressuscitado e, mais um pouco, o próprio Senhor aparece a elas (Mt 28.2-10)! João registra que Maria Madalena não O havia reconhecido logo de primeira, mas depois Jesus se revela a ela (João 20:11-16).  Jesus então aparece aos Seus discípulos, trancados, com medo dos judeus: "Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco. E, dizendo isto, mostrou-lhes as suas mãos e o lado. De sorte que os discípulos se alegraram, vendo o Senhor" (João 20:19,20). Oito dias depois, Jesus aparece novamente aos discípulos e mostra-se ao incrédulo Tomé (João 20:26-29). Aparece então a mais de 500 irmãos e depois a Tiago e por fim a Paulo (I Co 15.6-8). 

Concluindo: Jesus se encarnou, viveu e ministrou com Sua própria vida. Foi traído, julgado, espancado, zombado com toda forma de deboche possível, negado, rejeitado, condenado, crucificado, morto e sepultado. Ressuscita ao terceiro dia e sobe aos ceús, de onde um dia voltará para assumir Seu reino sobre a Terra e julgar vivos e mortos. Por Sua morte, Ele perdoa e absolve os pecados de quem Nele crê; porém, por Sua morte, Ele um dia condenará aqueles que não quiseram crer. Ele é o divisor, o separador de bodes e ovelhas, de ímpios e pios, de fiéis e infiéis. Ele é o princípio e o fim, o alfa e o ômega: há um princípio e há um fim para tudo e ambos são Jesus. Mortos e vivos, de todas as eras, de todos os povos e línguas e nações, de todas as religiões e credos e até aqueles que não tiveram qualquer religião ou credo, estarão um dia diante de Dele para serem julgados e terem a recompensa de suas obras e fé: "E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante de Deus, e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. E deu o mar os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras. E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte. E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo" (Apocalipse 20:12-15).

Deus, no Antigo Testamento, passou por cima dos egípcios, matando todos os primogênitos daqueles que não tinham a marca do sangue do cordeiro. No Novo Testamento, o mesmo se repete e se repetirá, com uma exceção: não serão apenas os primogênitos, mas todos que não tiverem a marca do sangue de Cristo, oferecida de GRAÇA e pela GRAÇA a toda humanidade há mais de 2.000 anos! MAIS DE DOIS MIL ANOS DE OFERTA DE SALVAÇÃO! MAIS DE DOIS MIL ANOS DE CHAMADA AO ARREPENDIMENTO E A FÉ! Ninguém, jamais, poderá queixar-se de falta de oportunidade, recusando insistentemente os apelos de Deus. Deus avisa, Deus chama, Deus da chance, é paciente, é tolerante. Preservou as Escrituras, moveu homens para por ela morrerem; moveu novamente para que ela fosse traduzida do latim para a linguagem do povo, popularizando-a; moveu de novo, pela internet, onde há milhares de versões dela, blogs, estudos, comentários... tudo disponível, tudo acessível. Enviou Seu Espírito, para convencer o homem do pecado, da justiça e do juízo. Quem quiser conhecer a Verdade, portanto, poderá fazê-lo.  Mas tudo tem um fim. Tudo tem um limite. Foi assim desde o princípio e assim será também no fim. Essa é a mensagem da Páscoa: vida e morte, fé e incredulidade, salvação ou perdição. 

Pense nisso.
Graça, Misericórdia e Paz seja contigo!
lho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós.

1 Coríntios 5:7

domingo, 5 de abril de 2020

A Realidade e Importância do Ministério do Consolador nos Últimos Dias


Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim. (João 15:26)

Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, quando eu for, vo-lo enviarei. E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo. Do pecado, porque não crêem em mim; da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais; e do juízo, porque já o príncipe deste mundo está julgado. Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora. Mas, quando vier aquele Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir. Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar. Tudo quanto o Pai tem é meu; por isso vos disse que há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar. (João 16:7-15) 

I. OS ÚLTIMOS DIAS: ÉPOCA TERRÍVEL PARA OS CRENTES EM CRISTO. 

Nosso Senhor Jesus previu que após a sua partida os seus discípulos experimentariam dias terríveis de grandes lutas e perseguições, motivados pelo ódio do mundo contra os cristãos. Esse ódio do mundo contra os discípulos de Jesus nasce do não-compartilhamento de padrões e costumes por estes últimos. O mundo favorece aqueles que lhe são favoráveis, porém persegue aqueles que com sua vida e palavras denunciam a maldade de seus atos e pensamentos.  

“O mundo inteiro jaz no maligno” (I Jo 5.19): O mundo, com sua malícia e crueldade, não possui qualquer desejo sincero de fazer o bem, nem de conhecer a Deus e ao Seu Cristo.   Mundo, aqui, do gr. Kosmos, sigbnifica arranjo, ordem como um sistema; a totalidade da humanidade em sentido ético-espiritual, alienada e hostil a Deus. MUNDO: KOSMOS OU SISTEMA SATÂNICO.

Por que João diz que o mundo está morto no Maligno? 

1. Porque há um príncipe maligno que governa este mundo, sujeitando os homens a obedecerem as suas vontades. (Jo 16.11 + 14.30). Esse príncipe é o diabo, Satanás, que usa seus demônios para seduzir e induzir os homens a pecarem, escravizando-os deste modo no pecado, levando-os a morte (física, espiritual e eterna) (Ler Ef 2.1-3). A HUMANIDADE SEM CRISTO ESTÁ MORTA EM DELITOS E PECADOS! 

O príncipe deste mundo, também chamado “o deus deste século”, cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus (II Co 4.4). Com isso, o que há no mundo é 100% contrário à vontade de Deus. Basta uma rápida olhada que facilmente constata-se essa verdade!

2. Por causa do estado espiritual em que o mundo se encontra, ele é incapaz de amar a Cristo; portanto, é incapaz de amar aqueles que são de Cristo, nas palavras do próprio Senhor. (João 15:18-20) O igual é amado e aceito pelo igual, porquanto toda expressão moral, à face da Terra, gravita e é atraída pela sua própria expressão moral, pelo seu equivalente. O MUNDO CARREGADO DO MAL NÃO SE OPÕE AO MAL E NEM AOS PERVERSOS QUE NO MUNDO ESTÃO. 

A lógica de Cristo é simples: quem recebe a palavra pregada por seus discípulos, recebe ao próprio Senhor Jesus e ao Pai. Caso contrário, não recebe nem a Cristo nem ao Pai (João 13.20; 15.20-25). SOMENTE AMA A CRISTO E RECEBE-O EM SUA VIDA AQUELE QUE AMA E RECEBE A PALAVRA DE CRISTO, QUE É CONTRÁRIA AO MUNDO, EM SUA VIDA.  Esse ódio manifesto do mundo contra os verdadeiros crentes em Cristo envolverá não apenas combate ideológico.

a) “Expulsarão das sinagogas” (João 16:2a): Os crentes fiéis sofrerão toda sorte de expulsão possível dos templos religiosos, pelo simples fato de não se enquadrarem com o sistema satânico praticado nesses lugares. Há cristãos no mundo inteiro experimentando exatamente isso. Só para exemplificar, hoje são mais de 10 milhões de cristãos que não frequentam nenhuma denominação, da qual saíram expulsos ou por consciência cristã, pelo princípio mundano e satânico que viram sendo praticado nesses lugares, tais como a exploração financeira dos fiéis, a adoção e defesa de valores anticristãos, a opressão, o preconceito, a politicagem, dentre outros. Esses irmãos e irmãs foram simplesmente hostilizados e condenados ao abandono e esquecimento por parte daqueles que um dia chamaram de irmãos.

b) “Vos matar julgará prestar culto a Deus” (João 16:2b): Os crentes serão assassinados por sua fé e isso será reputado como culto a Deus. Há lugares onde isso já acontece. Porém, vale dizer que o ódio dirigido a uma pessoa é considerado homicídio aos olhos de  Deus e, nesse sentido, há muito tempo tem gente sendo morta em nome de Deus. A religião é lócus de ódio e de toda desavença, pois a origem da religião não é divina. Não existe "religião de Deus". O caminho da religião é o caminho da sabedoria humana, terrena, carnal e, dependendo do caso, diabólica; caminho da auto-indulgência, da auto-justiça meritocrática e da maximização da arrogância e soberba humana. Religião é domínio de corpos, de almas, de bolsos, de povos e de nações. Religião é onde uns ditos  iluminados (ou escolhidos, ou ungidos, os separados, se preferir) vão servir como intermediários para os "ignorantes de Deus"; estes, utilizando sua "iluminação divina", guardiões dos arcanos sobrenaturais, ritos energizadores de Deus, irão mediar bênçãos ou maldições sobre o povo: bênçãos para os que anularem-se completamente, jamais questionando o "ungido" e doarem dinheiro e trabalho à causa dos iluminados (dita por eles ser "de Deus") ou maldições para aqueles que ousarem "pensar fora da caixinha" e questionarem toda a sandice. Ora, quem tem a mente de Cristo é capaz de discernir o mal onde ele estiver e, no poder de Deus, levantar-se contra este mal por meio da Verdade, vivida e falada. Isso, dentro do kosmos satânico onde quer que este kosmos esteja, trará luz nas trevas, o que não interessa nem ao diabo nem aos "iluminados" que o servem posto que "conhecereis e Verdade e a Verdade vos libertará. Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres" e, conforme disse Jesus, Ele é "o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim". A Verdade traz libertação, o que o mal não quer em hipótese alguma. Consequência: morte ao cristão! Odeiem ele! Os cristãos serão taxados de causadores de males, divisionistas, rebeldes, insubordinados, inimigos de Deus, falsos irmãos/obreiros, etc.

Os homens malignos, ao desprezarem a revelação de Deus, formam seu próprio conceito de Deus. DEUS PARA A HUMANIDADE É IMAGEM E SEMELHANÇA DO HOMEM. Veja, por exemplo amorte de Estevão registrada no livro de Atos. Jesus disse: “Então sereis entregues à tortura, e vos matarão; e sereis odiados de todas as nações por causa do meu nome. Nesse tempo muitos hão de se escandalizar, e trair-se uns aos outros, e mutuamente se odiarão.” (Mt 24.9,10)

II. NESSES ÚLTIMOS DIAS A PESSOA E O MINISTÉRIO DO ESPÍRITO SANTO TERÃO SEU REAL PROPÓSITO ENTENDIDO E EVIDENCIADO PELOS VERDADEIROS CRISTÃOS.

Precisamos ser sinceros: hoje, damos pouca ou nenhuma importância para a pessoa e ação do Espírito como Consolador, a não ser em momentos de morte e desespero pessoais. Estamos acomodados em nossa fé, pois não há grande perturbação ou perigo iminente. Poucas são as orações, pouco é o clamor, pouco nos consagramos ao Senhor. 

Quando falamos do Espírito Santo, na atualidade, enfatizamos a pirotecnia. Muita profecia do homem, vendo o que Deus não mostrou e falando o que Ele não disse, tudo em nome de Deus. Muito ato profético sem pé nem cabeça. Muito giro, muita gritaria, muito ato exterior, mas nenhuma evidência de genuína atuação do Espírito Santo. 

Porém, num mundo onde cada vez mais os verdadeiros crentes em Cristo são odiados e perseguidos em todos os lugares e de todas as formas, a presença e ação do Consolador se farão imprescindíveis! O ministério do Espírito Santo em consolar os crentes em meio às perseguições envolverá o pastoreio dos crentes pelo Espírito, levando-os aos pastos verdejantes de toda a verdade de Deus, a partir:

Da Anunciação das coisas que hão de acontecer. A genuína profecia diretiva é gerada pela comunicação do Espírito Santo das palavras que Ele ouve do Senhor Jesus para nós. É o Espírito dando direção para a vida dos cristãos execrados e perseguidos por sua fé, tal qual nos primeiros dias, onde as perseguições imperiais eram implacáveis. O ensino do Espírito Santo é o mesmo ensino de Jesus, porque ambos os ensinos tem uma fonte em comum: o Pai. ATENÇÃO: Toda e qualquer palavra atribuída ao Espírito Santo que contraria a vida, obra e ensinos de Jesus não é Palavra de Deus. MUITO CUIDADO COM ISSO!

Aqueles que temem por suaas vidas e que estão neste momento questionando a sua fé, quiçá a sua conversão à Cristo, por causa do turbilhão de lutas e aflições que estão vivenciando, por denunciarem o mal escondido com as vestes sacerdotais da religião, saibam: Vocês são bem-aventurados! Jesus é quem diz: "Bem-aventurados sois vós quando vos insultarem, e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós, por minha causa. Exultai e alegrai-vos sobremaneira, pois é esplêndida a vossa recompensa nos céus; porque assim perseguiram os profetas que viveram antes de vós" (Mt 5.11,12). Noutras palavras, disse Jesus, fiquem radiantes, sobremaneira alegres, comemorem muito! O que estão fazendo com você, fizeram com os profetas bíblicos que viveram muito antes de você! Se não querem receber a Palavra de Deus que vocês estão falando, é porque se recusam a receber a própria Palavra de Deus encarnada, Jesus! Continue crendo em Cristo aconteça o que acontecer, firme na fé, mesmo que você esteja sofrendo toda a sorte de perseguição e mentira a teu respeito, alijado dos templos denominacionais, pelos religiosos dominadores deste mundo tenebroso. Sua fé tem grande galardão diante de Jesus! LEMBRE-SE: O Espírito Santo SEMPRE glorifica a Jesus e nos leva a fazer o mesmo, exaltando e esclarecendo Sua Pessoa, Obra e Sua Soberania. 

Enquanto é tarefa dos crentes pregarem a Palavra de Jesus (entregue e explicada pelo Espírito Santo) ao mundo, cabe ao Espírito Santo convencer aos ouvintes do pecado, da justiça e do juízo. Cabe a Ele, não a nós. 

Convencer do pecado, pois o mundo não crê em Cristo. Sendo Cristo o oposto do mundo, não receber a Cristo como Senhor e Salvador a fim de mudarem de vida é, apenas, manifestar na prática essa diferença. O oposto da fé não é meramente incredulidade; mas uma forma de rebeldia contra Deus que conduz o indivíduo a uma forma mais intensa de desobediência. ALICERCE DE TODO O PECADO. Rejeitar a Cristo é o mesmo que rejeitar a Deus e o destino que Deus tem oferecido aos homens, bem afirmar, por desejo próprio, a permanência de estado de pecado. 

Convencer da justiça, porque Cristo foi para o Pai. Envolve:


a)    Sua morte expiatória no Calvário. Ele morreu por meus pecados. Pelos pecados da humanidade. Mas é preciso crer para se apropriar desse sacrifício, crer na verdade divina, que envolve crer que é um pecador miserável, afastado inexoravelmente de Deus, sem nada que possa fazer para mudar isso e então, olhando para Cristo, crer que a na Cruz Ele morreu por ti, trazendo o perdão por Seu Sangue. 


b)    Sua ressurreição, vencendo a morte e oferecendo a vida eterna aos homens. Jesus venceu a morte, seu aguilhão, por que triunfou! A morte não foi capaz de deter Jesus! Assim também, a morte não deterá todo aquele que crer em Jesus. Ele mesmo disse: "Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá; e todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá. Crês tu isto?" (João 11:25,26) Está reservado um dia específico, dentro do plano de Deus, onde os mortos em Cristo hão de ressuscitar dos mortos! A morte, inimiga final do homem, será vencida na vida de cada cristão naquele dia! 


c)    Sua ascensão aos Céus, garantindo o mesmo aos crentes fiéis. "Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor". (1 Tessalonicenses 4:16,17)


d)    Seu retorno para o Pai. Garantindo a total transformação moral e metafísica dos crentes para serem como Cristo é. 


Convencer do juízo, porque o príncipe deste mundo foi julgado. Julgamento iniciado desde sua queda, seguindo sua expulsão dos lugares celestiais, passando pela vida, obra, morte e ressurreição do Senhor Jesus, a continuidade da obra pelo Espírito Santo até a prisão, liberação, julgamento final e prisão eterna do diabo. O mal não perdurará para sempre! Ele não mais existirá! O mal teve um começo com a rebelião no cé e terá um fim, com o lançamento de satanás no Tártaro! Viveremos assim pera sempre com o Senhor, numa nova realidade, realidade de novo céu e de nova Terra. Nunca mais doença, nem fome, nem dor, nem morte, nem violência, nem injustiça alguma! 

Concluindo: O mundo, hoje, mais do que nunca, está cambaleando, como bêbado. Vivemos essa doença atual, essa pandemia, do Covid-19. Socialmente, já vivíamos antes outras "pandemias" por meio de toda a sorte de violência, crueldade e maldade, com homens, animais e com a criação de Deus. Destruímos o meio ambiente: matamos as espécies de peixes, de aves, de animais para nossa própria diversão e prazer. Centenas de leões, de elefantes, de jacarés e de outros animais são anualmente mortos para nosso deleite. Queimamos florestas em nome do "desenvolvimento econômico". Lançamos esgoto in natura em cursos de água e em oceanos, lançamos particulados tóxicos na atmosfera, lançamos substâncias que destróem e camada de ozônio e que aceleram as mudanças climáticas. Matar, roubar e destruir, esses são os verbos que conjugamos como sociedade. Milhares de crianças são assassinadas todo ano, vítimas da violência, onde até bebês indefesos são estuprados e mortos por aqueles que deveriam ser seus protetores. Mulheres perderam sua humanidade, sendo tratadas como mero objeto de prazer sexual. Praticamos toda a sorte de perversão sexual possível e imaginária, sem nenhum respeito por nós mesmos e por aqueles que são nossos semelhantes, e isso ainda sendo televisado! Nos calamos diante dos bolsões de pobreza, das favelas, fazendo de conta que não existem. Oprimimos o nordestino, o negro e o pobre, como se não fossem nossos semelhantes. Tratamos a causa dos órfãos e das viúvas com desprezo, ursurpando seu direito à vida! Apoiamos políticas claramente anticristãs por simples partidarismo, por ideologia político-partidária - reduzimos de forma blasfema a Cristo como se fosse mero cabo eleitoral de nossos políticos favoritos!  Debochamos de Deus de todas as maneiras que encontramos: casamento, criado por Deus, é uma afronta tal qual o praticamos! Fazemos guerras e matamos por tudo e por nada. 

O resultado dessa nossa rebeldia e insubordinação com Deus está aí mesmo! O resultado da nossa incredulidade! O resultado dos esforços de retirar Deus da sociedade! De tirar Deus das Igrejas! Estamos mais felizes e prósperos como humanidade sem Deus? Somos mais civilizados, amamos o nosso próximo, sem Deus? Somos mais misericordiosos, mais fiéis nos tratamentos interpessoais? Praticamos a justiça social, econômica e política? Somos mais gente, mais humanos, mais gentis uns com os outros? Há quem chegue ao ponto de dizer que Deus é o "amigo imaginário" dos cristãos (sic). Bem, quem fala assim, pergunto se está se deleitando na sociedade sem Deus que está vivendo. Porque vai piorar: quanto menos Deus, mais caos. Menos humanos seremos, mais insensíveis e incontroláveis na prática do mal nos tornaremos, com tudo e com todos. Coisas como amor próximo, misericórdia, bondade, fidelidade, mansidão, compaixão, benignidade, fé, esperança e amor só são possíveis de serem vividos se Deus estiver entronizado no centro da vida pessoal, no coração de cada homem, mulher e criança que compõem a família e no centro de cada família que compõe a sociedade. Sem Ele, pode esquecer. 

Nesse contexto, querido(a) irmão(ã) em Cristo, sê forte e corajoso(a)! Guarda o que você tem, para que ninguém tome a tua coroa! Permaneça firme na fé! As coisas ainda vão piorar. Até a 2a. Vinda de Cristo, o mundo irá alternar momentos de caos e de falsa paz. Sairá de um momento de doença, guerra e carestia/falta de víveres para um momento de paz a qual se revelará passageira. Note que isso é cíclico. Estamos fadados a viver nesse ciclo até que o clamor mundial entronize no centro das decisões mundiais um líder carismático e de grande influência, que proporá soluções para os problemas. Esse líder tomará decisões na política mundial e na religião e será muito apreciado por bilhões de pessoas: contra a carestia, doenças e morte, ele proporá um controle rígido na distribuição de comida, remédios e bens, onde só poderão comprar aqueles que tiverem sido previamente cadastrados pelos governos locais. Para evitar falsificações, esse cadastro será evidenciado por meio de uma marca indelével colocada no corpo de cada pessoa, marca que não poderá ser removida. Nessa época, muitos cristãos serão ainda mais perseguidos e mortos, com todo apoio político e religioso das denominações apóstatas. Mas nessa época virá o arrebatamento!

Que o Espirito de Deus possa consolar você, querido(a) irmão(ã), com Suas doces e preciosas promessas! Precisamos hoje e precisaremos ainda mais do Consolo do Senhor nos dias que hão de vir sobre a Terra; portanto, receba hoje esse consolo, em nome de Jesus! Firme nas promessas! 

Para seu enelevo, deixo o seguinte hino: https://www.youtube.com/watch?v=04zHZIk-UoU

Graça e paz!

(SERMÃO MINISTRADO EM 2013, COM CONTEXTUALIZAÇÃO PARA O PRESENTE)