quinta-feira, 9 de março de 2023

O JEJUM BÍBLICO: FUNDAMENTOS E PRÁTICA


Respondeu-lhes Jesus: É possível que os amigos do noivo fiquem de luto enquanto o noivo ainda está com eles? Dias virão, quando o noivo lhes será tirado; então jejuarão.
(Mateus 9:15)

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O jejum é comumente definido como a "abstenção de todos ou alguns tipos de comida ou bebida". Essa abstenção pode ser motivada por fins de saúde, por questões éticas ou como prática religiosa. Alguns consideram o jejum, enquanto prática de vida cristã, como sendo algo desnecessário, enquanto outros tornaram a prática em uma doutrina místico-ascética legalista; em ambos os casos, perde-se o real propósito e os benefícios espirituais em jejuar. É importante considerar também que em um mundo onde muitas pessoas são muito dependentes de alimentos por questões emocionais, como "válvula de escape" da ansiedade, depressão, tédio, etc., o jejum tende a ser cada vez menos ensinado e praticado. Para resgatar o propósito de Deus na prática do jejum, é preciso recorremos às Escrituras. Antes de mais nada, é muito importante deixar claro que salvo em pouquíssimas exceções envolvia a abstenção de alimentos e de água. Geralmente envolvia apenas a abstenção de alimentos.  

Na Bíblia Sagrada, a palavra "jejum" (צוֹם, tsom, em hebraico e νηστεύω, nésteuó em grego) aparece 26 vezes no Antigo Testamento e 20 vezes no Novo. Muitos personagens bíblicos praticaram o jejum como parte de sua devoção a Deus. Dentre eles, podemos citar Moisés, Davi, Ana, Daniel, Elias, Ester, Cornélio, Paulo e o próprio Senhor Jesus. Portanto, o jejum tratava-se de prática comum no período bíblico. 

 

I. O JEJUM NAS ESCRITURAS SAGRADAS.

Havia ocasiões em que o jejum era recomendado no Antigo Testamento. Vejamos algumas:

1. No Dia da Expiação (yom kippur) (Lv 16:29-31; 23:26-32; Nm 29:7): Este foi o único jejum ordenado pela Lei, a ser observado no décimo dia do sétimo mês. Embora não seja chamado de "jejum", a frase "afligir a própria alma" foi entendida como referindo-se ao jejum (cf. Sl 69:10). O uso dessa frase sugere um propósito do jejum.

2. Em época de doença ou luto: As pessoas frequentemente jejuavam sem mandamento específico em tempo de sofrimento; alguns eram assuntos comunitários, enquanto outros eram atos de particulares. O jejum era realizado quando um ente querido estava doente (David jejuou e chorou por seu filho enquanto o menino estava doente - II Sm 12:16-23) e até por seus inimigos (Sl 35:11-13). Em caso de morte as pessoas jejuavam, como mostram os episódios envolvendo (a) os homens de Jabes-Gileade, que jejuaram sete dias por Saul (I Samuel 31:13; I Crônicas 10:12) e (b) quando Davi e o povo jejuaram por Saul e Jônatas (II Samuel 1:12). 

3. Para buscar o perdão de Deus: Moisés jejuou quarenta dias por causa do pecado de Israel (Dt 9:15-18). Acabe jejuou para ser perdoado (I Rs 21:17-29). Nínive jejuou com a pregação de Jonas (Jonas 3:4-10). Daniel jejuou ao confessar os pecados de Israel (Dn 9:3-5). O jejum geral na leitura comunitária da Lei por Esdras foi um ato de penitência (Ne 9:1-3). 

4. Diante de um perigo iminente: Josafá jejuou quando ameaçado por Edom (2 Crônicas 20:3). Esdras liderou um jejum ao buscar o favor de Deus para com seu retorno do exílio (uma jornada repleta de perigos) (Ez 8:21). Neemias jejuou quando ouviu falar do estado de Jerusalém (Ne 1:4). Os judeus jejuaram quando souberam que Hamã havia obtido o decreto do rei contra eles (Ester 4:3) e Ester e Mardoqueu jejuaram antes de ela ir perante o rei (Ester 4:16). 

Como vimos, no Antigo Testamento o jejum era ordenado na Lei com o propósito de "afligir a alma" (Lv 23:26-32, Sl 69:10). O propósito de tal aflição ou castigo era "humilhar" a alma (Sl 35:13). Era também praticado comumente em casos de forte tristeza e angústia ou para buscar a Vontade de Deus ou para obter o favor de Deus, envolvendo assim sentimento de urgência e, com isso, incluía quase sempre a oração a Deus. Havia, portanto, o entendimento de que a auto-humilhação era agradável aos olhos de Deus (e muitas vezes era mesmo); no entanto, o jejum foi infrutífero quando era feito apenas cerimonialmente ou quando era feito sem verdadeiro arrependimento:

"Eis que para contendas e debates jejuais, e para ferirdes com punho iníquo; não jejueis como hoje, para fazer ouvir a vossa voz no alto. Seria este o jejum que eu escolheria, que o homem um dia aflija a sua alma, que incline a sua cabeça como o junco, e estenda debaixo de si saco e cinza? Chamarias tu a isto jejum e dia aprazível ao Senhor? Porventura não é este o jejum que escolhi, que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo e que deixes livres os oprimidos, e despedaces todo o jugo? Porventura não é também que repartas o teu pão com o faminto, e recolhas em casa os pobres abandonados; e, quando vires o nu, o cubras, e não te escondas da tua carne? Então romperá a tua luz como a alva, e a tua cura apressadamente brotará, e a tua justiça irá adiante de ti, e a glória do Senhor será a tua retaguarda. Então clamarás, e o Senhor te responderá; gritarás, e ele dirá: Eis-me aqui. Se tirares do meio de ti o jugo, o estender do dedo, e o falar iniquamente; E se abrires a tua alma ao faminto, e fartares a alma aflita; então a tua luz nascerá nas trevas, e a tua escuridão será como o meio-dia" (Isaías 58:4-10).

Perceba aqui algo de vital importância sobre o jejum: o jejum não tem poder nenhum em si mesmo! Noutras palavras, jejuar sem o correto sentimento e sem ter uma vida prática coerente com a Vontade de Deus declarada na Bíblia é totalmente inútil! Jejum não é para criar polêmicas e confusões, nem para soberba ou prepotência; ninguém é melhor do que ninguém ou mais espiritual que outros por fazer jejum. Deus olha com atenção para todo aquele que em sua vida ame ao seu próximo como a si mesmo, agindo com bondade e misericórdia para com os oprimidos.   

Vejamos agora no Novo Testamento, começando pelo jejum que Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo fez antes do início do Seu ministério terreno. Ele jejuou por 40 dias no deserto: "Então foi conduzido Jesus pelo Espírito ao deserto, para ser tentado pelo diabo. E, tendo jejuado quarenta dias e quarenta noites, depois teve fome" (Mateus 4:1,2). Aqui temos um paralelismo óbvio com os jejuns de Moisés (Êxodo 34:28) e Elias (1 Reis 19:8). O efeito de tal jejum em qualquer organismo humano e, portanto, na humanidade real de nosso Senhor, seria interromper a continuidade normal da vida e aumentar todas as percepções do mundo espiritual, algo extremamente necessário para a grandiosa Obra que Deus Pai lhe havia confiado.

Mais adiante, vemos Jesus ensinar sobre o jejum por ocasião do Sermão do Monte. Ele disse: "E, quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque desfiguram os seus rostos, para que aos homens pareça que jejuam. Em verdade vos digo que já receberam o seu galardão. Tu, porém, quando jejuares, unge a tua cabeça, e lava o teu rosto, para não pareceres aos homens que jejuas, mas a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente" (Mt 6:16-18). Aqui, Jesus reconhece o jejum, mas condena a secreta auto-satisfação sob a máscara da contrição, o “orgulho que imita a humildade”, manifesta na expressão "eles desfiguram seus rostos" (o verbo é o mesmo que é traduzido como “corrompido” em Mateus 6:19) a qual aponta para o rosto sujo e o cabelo despenteado, possivelmente por causa às cinzas aspergidas em ambos, para que os homens pudesse conhecer e admirar àqueles que jejuavam. Observe que a clara intenção dos hipócritas era mostrar que jejuavam; ou, de outro modo, para que as pessoas vissem que eles estavam jejuando - o famoso PIV ("para inglês ver"), assumindo um semblante triste; um olhar abatido, austero e mortificado, fazendo com que a piedade consistisse em uma exibição externa, e não em verdadeira bondade. 

Perceba o que em detrimento do jejum hipócrita, Jesus nos ensina que quando nós jejuamos não devemos dar aos outros nenhuma impressão de que estamos jejuando: "unge a tua cabeça, e lava o teu rosto, para não pareceres aos homens que jejuas". Como ensina Jesus, nosso jejum não deve ser motivado por soberba ou pela necessidade de demonstrações de pretensa espiritualidade. O que conta sempre é a aprovação de Deus, nunca o aplauso dos homens. E assim, "teu Pai, que vê em secreto, te abençoará publicamente".  

O jejum é também abordado por Jesus noutras 2 ocasiões:

1. Respondendo aos questionamentos dos discípulos de João (Mt 9:14-15; ver também Mc 2:18-20; Lc 5:33-39): "Então, chegaram ao pé dele os discípulos de João, dizendo: Por que jejuamos nós e os fariseus muitas vezes, e os teus discípulos não jejuam? E disse-lhes Jesus: Podem porventura andar tristes os filhos das bodas, enquanto o esposo está com eles? Dias, porém, virão, em que lhes será tirado o esposo, e então jejuarão".

2. Respondendo aos seus próprios discípulos: "E, repreendeu Jesus o demônio, que saiu dele, e desde aquela hora o menino sarou. Então os discípulos, aproximando-se de Jesus em particular, disseram: Por que não pudemos nós expulsá-lo? E Jesus lhes disse: Por causa de vossa incredulidade; porque em verdade vos digo que, se tiverdes fé como um grão de mostarda, direis a este monte: Passa daqui para acolá, e há de passar; e nada vos será impossível. Mas esta casta de demônios não se expulsa senão pela oração e pelo jejum" (Mateus 17:18-21). É interessante notar que conforme Jesus disse, há alguns demônios que para serem expulsos requerem uma maior intensidade da vida espiritual, a ser obtida pela “oração e jejum” de que fala nosso Senhor. 

A prática do jejum era comum na Igreja no período apostólico. Em Antioquia (At 13:1-3), vemos que a comissão dos irmãos Barnabé e Saulo para a obra do Senhor fora confirmada pelo Espírito Santo à igreja por meio do serviço cristão e do jejum. Após a confirmação do Espírito Santo, a igreja "jejuando e orando, e pondo sobre eles as mãos, os despediram".  Por sua vez, na Galácia (At 14:21-23) a igreja jejuou por causa da séria tarefa de nomear presbíteros, implicando na necessidade de receberem a confirmação do Senhor dos nomes indicados antes de serem empossados na função. Paulo jejuava (II Co 6:5; 11:27) como uma marca de seu ministério e de sua boa posição como ministro de Cristo.

Portanto, podemos extrair da Bíblia que a principal razão de jejuarmos é ampliarmos as nossas percepções do mundo espiritual, tornando-nos mais sensíveis e, portanto, mais capazes de discerni-lo. É importante que o jejum seja acompanhado de um momento separado com Deus, de comunhão com Ele de preferência por meio da oração e da leitura da Palavra; pode, contudo, prescindir da oração e da leitura desde que o foco seja mantido no Senhor Jesus, com exceção do episódio específico que Jesus explicou quando da libertação do possesso. O aumento da percepção, derivada do aumento da comunhão, irá permitir discernir melhor a Vontade de Deus, bem como irá tornar-nos mais sensíveis ao agir do Espírito Santo em nós e por nós (como, por exemplo, na delegação do Senhor para algo específico ou em receber Seu consolo em momentos de crise). Por outro lado, não deve nunca, em hipótese alguma, ser entendido como um fim em si mesmo (como uma espécie de "poder mágico"), nem ser praticado para fins de vanglória e auto-exaltação.

 

 II. A PRÁTICA DO JEJUM. 

Vamos considerar a prática do jejum. Primeiro, nunca deixe de beber água durante o jejum. Isso é fundamental. Quando passamos muito tempo sem água, nosso corpo sofre desidratação e começa a estar sujeito a uma série de doenças: "Dor de cabeça, sonolência, tonturas, fraqueza, cansaço e aumento da frequência cardíaca também podem estar associados aos episódios de desidratação. Além desses sintomas, que se intensificam com o agravamento do quadro, nos casos de desidratação grave, podem surgir outros, como queda de pressão arterial, perda de consciência, convulsões, coma, falência de órgãos e morte" (fonte: https://drauziovarella.uol.com.br/pediatria/desidratacao/). Deus jamais quererá que fiquemos doentes ou enfermos! Nosso corpo é morada de Deus e não devemos destruí-lo. A ingestão de água suficiente para satisfazer a hidratação normal não significa que o jejum tenha sido quebrado, porque água não é alimento! Água não é comida! 

John Piper, em seu livro "A Hunger for God: Desiring God through Fasting and Prayer" (Fome de Deus: Desejando a Deus através do Jejum e da Oração) pontua várias razões bíblicas para a prática do jejum:

a)  Jejuamos porque temos fome da Palavra de Deus e do Espírito de Deus em nossas vidas;

b)  Jejuamos porque desejamos que a glória de Deus ressoe na igreja e o louvor de Deus ressoe entre as nações;

c)  Jejuamos porque ansiamos pela volta do Filho de Deus e pela vinda do reino de Deus;

d) Em última análise, jejuamos simplesmente porque queremos Deus mais do que queremos qualquer coisa que este mundo tenha a nos oferecer.

Note, portanto, que a despeito dos benefícios do jejum para o corpo físico (como por exemplo na perda de peso e no controle da obesidade), estamos aqui somente nos referindo aos benefícios espirituais. 

Por fim, exorto o(a) amado(a) leitor(a) em ter muito cuidado com os livros sobre jejum. A Bíblia é muito precisa em nos alertar sobre as pessoas que “exigem a abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos com ação de graças por aqueles que crêem e conhecem a verdade” (1 Timóteo 4:1–3). O apóstolo Paulo pergunta consternado: “Por que . . . você se submete aos regulamentos - 'Não manuseie, não prove, não toque'? (Colossenses 2:20-21). Não estamos em pior situação se não comermos, nem em melhor situação se o fizermos (1 Coríntios 8:8). Jesus cita uma ocasião onde dois homens compareceram diante de Deus. Um disse: “Eu jejuo duas vezes por semana”; o outro disse: “Deus, tenha misericórdia de mim, um pecador!” Apenas um desceu justificado para sua casa (Lucas 18:12–14). A disciplina da abnegação (a qual inclui o jejum) está repleta de perigos para a nossa espiritualidade cristã sadia e até para as nossas vidas. Sobre isso também somos advertidos: “‘Todas as coisas me são lícitas’, mas eu não me deixarei dominar por nada” (1 Coríntios 6:12). 

II.1. DURAÇÃO DO JEJUM E DESJEJUM: DICAS.

Não há nenhuma regra especial para o jejum e o desjejum. Assim, o que se segue nesse item deve ser entendido somente como um conselho pastoral. 

Quanto tempo dura o jejum?  De forma geral, o jejum pode ser feito com duração parcial (metade de um dia) ou total (o dia inteiro). Caso a opção seja pelo jejum parcial, recomendo que o(a) leitor(a) comece-o ao acordar pela manhã e termine-o ao meio-dia. Se for com duração total, faça-o até às 18h.

Após o jejum, meu conselho é evitar beber líquidos gaseificados (refrigerantes) ou comer alimentos de difícil digestão (como por exemplo feijoada, buchada, rabada, etc.). Seu corpo está recebendo alimento depois de passar um período sem ele e esses tipos de alimentos podem prejudicar sua saúde (somente por conta da sua saúde ok? não há nenhuma restrição espiritual). Dê preferência a alimentos leves e de fácil digestão e beba água ou suco. 

Parênteses: Vou reforçar: não existe qualquer restrição do ponto de vista bíblico para a ingestão de qualquer alimento. Restringir alimentos com a justificativa de espiritualidade é, do ponto de vista bíblico, legalismo e, portanto, não abrangido pela Graça de Deus. Na Graça, todos os alimentos são permitidos aos cristãos!  Em várias ocasiões, Paulo aponta para o que ensinamos sobre comida como uma indicação do que acreditamos sobre a graça. Mais especificamente, em 1 Timóteo 4:1-5, Paulo adverte Timóteo para guardar a igreja contra mentirosos insinceros que proíbem alimentos criados por Deus: “Pois tudo o que Deus criou é bom, e nada deve ser rejeitado se for recebido com ação de graças, pois é santificado pela palavra de Deus e pela oração. Os conselhos aqui sobre desjejum referem-se apenas aos cuidados quanto a saúde física. Fecha parênteses.

Se for do seu interesse estender o jejum por períodos superiores a 1 dia, meu conselho é que você comece primeiro com um parcial, depois um total e então siga fazendo seu jejum por mais dias. Lembre-se de sempre beber água! Com o passar dos dias, o seu corpo irá enfraquecer por conta da não ingestão de alimentos e seu metabolismo irá se adequar a essa realidade; portanto, nunca faça jejuns prolongados se você tem restrições médicas e nunca faça-o sem orientação de um médico. Voltando a Bíblia, apenas Moisés, Elias e Jesus fizeram jejum total por 40 dias. Inclusive, alguns estudiosos da Bíblia dizem que nosso Senhor ficou sem comer por 40 dias, mas não sem beber água. De qualquer modo, cuidado com a sua saúde! Lembre-se: o que interessa para Deus é o seu coração voltado para buscá-Lo, não o comer ou deixar de comer. De maneira nenhuma e em caso nenhum interessa ao bondoso e gracioso Deus que você adoeça

E o jejum pode envolver somente a restrição de um determinado tipo de alimentos, como foi no caso de Daniel em Babilônia? É jejum comer apenas legumes e verduras, abrindo mão de comer carne? No meio evangélico é comum ser praticado aquilo que chamam "Jejum de Daniel". Não vejo nenhuma restrição bíblica a alguém, livre e espontaneamente, adotar esse tipo de jejum com foco apenas na ingestão de vegetais por um período definido. Fique entendido desde já, contudo, que estritamente falando não é um jejum do ponto de vista bíblico.

Lembre-se também que Daniel abriu mão de comer por uma razão especial: "Mas Daniel propôs em seu coração não se contaminar com a porção do manjar do rei, nem com o vinho que ele bebia; por isso pediu ao príncipe dos eunucos que não se contaminasse." (Dn 1:8). Logo, o propósito era não se contaminar com as iguarias que o rei de Babilônia oferecia. O motivo aqui, então, é distintamente religioso. A vida comum estava tão entrelaçada com a adoração idólatra que cada refeição era, em certo sentido, um sacrifício. Portanto, "não toque, não prove, não manuseie" era o ditame inevitável para um coração de um judeu temente ao Senhor sob a Lei de Deus. Assim, não é difícil supor então que os manjares do rei de Babilônia envolviam comidas sacrificadas aos ídolos de diversos tipos, incluindo animais que que a Lei tratava como impuros ritualisticamente para o consumo pelos fiéis a Deus daquela época: foi representado pelos profetas, como parte dos males de um cativeiro em uma terra estrangeira, que o povo teria a necessidade de comer o que era considerado impuro: "E o Senhor disse: Assim comerão os filhos de Israel o seu pão imundo entre os gentios, para onde os levarei" (Ezequiel 4:13:). Em Oséias vemos também que "não habitarão na terra do Senhor, mas Efraim voltará ao Egito; e comerão coisas impuras na Assíria" (Oséias 9:3). Nesse sentido, o comentário bíblico Barnes' Notes on the Bible sobre essa passagem de Daniel explica:

"Era costume entre os antigos trazer uma porção do que era comido e bebido como oferenda aos deuses, como um sinal de reconhecimento agradecido de que tudo o que os homens desfrutam é o seu presente. Entre os romanos, esses presentes eram chamados de "libamina", de modo que a cada refeição havia um ato de oferta. Portanto, Daniel e seus amigos consideravam o que era trazido da mesa real como comida que havia sido oferecida os deuses e, portanto, tão impuros".  

Nesse sentido, vale a pena verificar também o que explica o comentário bíblico Gill's Exposition of the Entire Bible: "[...] que ele não se contaminaria com a porção da carne do rei; comendo dele; em parte porque pode consistir no que foi proibido pela lei de Moisés, como a carne de criaturas impuras, particularmente suína, gordura e sangue, e assim se contaminar em um sentido cerimonial; e em parte porque, embora possa ser comida em si lícita para ser comida, mas parte dela sendo oferecida primeiro ao seu ídolo "Bel", como era de costume, e todo abençoado em seu nome, teria sido contra sua consciência, e uma contaminação disso, comer de coisas oferecidas ou abençoadas em nome de um ídolo. Nem com o vinho que bebeu; que era tão ilegal quanto sua comida; sendo uma libação para seus deuses, como observa Aben Ezra; caso contrário o vinho não era proibido; nem foi abandonado por Daniel, quando ele pôde participar à sua maneira (Daniel 10:3)".

Logo, o propósito de Daniel em não se contaminar com certos tipos de alimentos não é o mesmo que aquele dos cristãos hoje, uma vez que sob a Graça não há restrições dietéticas para os cristãos, salvo o que Paulo explica sobre o consumo de alimentos sacrificado aos ídolos, conforme sua Primeira Epístola aos Coríntios. Noutras palavras, Daniel evitou se contaminar (pecando contra a Lei de Deus) e por isso não comeu dos manjares do rei; isso é totalmente diferente de comer um bife que foi comprado no mercado no almoço de hoje. O único paralelo que existe entre Daniel e nossos dias é, novamente, a consagração da vida a Deus e a busca ao Senhor. Nada mais deve ser derivado do episódio de Daniel.  

Por fim, considere o seguinte: Não ingerir proteínas de origem animal por longos períodos, a não ser por orientação médica, pode também prejudicar sua saúde (pode por exemplo gerar perda de massa muscular o que, em alguns casos, pode acarretar em problemas na dentição, além de outras consequências). Portanto, não faça jejum de proteínas por longos períodos sem a orientação de um médico ou de um nutricionista. De novo, não se trata de comer ou deixar de comer, mas sim da busca de uma maior comunhão com Deus.

 

III. CONCLUSÃO.

O jejum, como vimos, é algo totalmente voluntário e não deve, em hipótese alguma, ser feito contra a vontade. O propósito principal do jejum é buscar ao Senhor e isso sempre foi e sempre será algo a ser feito por iniciativa pessoal ou com a concordância do fiel; o resultado de uma necessidade sentida, não a observância de um comando rígido. Enquanto o legalismo impõe regras e mais regras sem nenhum poder, eficácia ou autoridade bíblica, a Graça nos direciona a vivemos em liberdade. E é a partir dessa liberdade que Deus nos concede que escolhemos, livremente e de sã consciência, separamos um tempo para buscá-Lo mais intimamente. Observe que para Deus pouco importa se seu jejum será parcial ou total; o que importa para Ele é você buscá-Lo de todo o coração, com toda a sua alma e com todo o seu entendimento.   

No jejum, o cuidado com nossa saúde não deve ser desprezado. Cada pessoa tem as suas particularidades em termos de condição física e, portanto, precisa ter cuidado ao iniciar e concluir um jejum prolongado. Em qualquer caso, a ingestão de água é fundamental a qual por sua vez, biblicamente falando, não interfere no jejum. Nada de radicalismos ou rompantes de legalismos. Se necessário, o fiel em Cristo deve consultar um especialista antes de iniciar um jejum prolongado.

Lembre-se de que o jejum é entre você e Deus. Não interessa a mais ninguém saber que você está jejuando. Portanto, ao jejuar, nada de alardes ou de "caras e bocas". Faça seu jejum e ao final entregue-O ao Senhor e Ele, que te vê em secreto, te abençoará publicamente. E nada de comparações vangloriosas; nada do "eu sou mais espiritual do que você porque eu jejuo e você não". Deus abençoa o humilde e resiste ao soberbo. 

Para seu enlevo espiritual, segue a música "Jejum pelo Noivo".


 
Que o Senhor lhe abençoe rica e abundantemente! Graça, misericórdia e paz lhe sejam multiplicadas!

terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

LIVRE-SE DO ÓDIO, PORTA PARA A PERDIÇÃO ETERNA!



E era o conselho de Aitofel, que aconselhava naqueles dias, como se a palavra de Deus se consultara; tal era todo o conselho de Aitofel, assim para com Davi como para com Absalão.
(II Samuel 16:23)

Então fizeram saber a Davi, dizendo: Também Aitofel está entre os que se conjuraram com Absalão. Pelo que disse Davi: Ó Senhor, peço-te que torne em loucura o conselho de Aitofel. (II Samuel 15:31) 

Tendo cuidado de que ninguém se prive da graça de Deus, e de que nenhuma raiz de amargura, brotando, vos perturbe, e por ela muitos se contaminem. (Hebreus 12:15)

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O que é que significa ódio? O ódio é um sentimento extremamente forte de antipatia por alguém ou alguma coisa. Originalmente, é uma forma de aversão profunda, causada pelo medo ou pela raiva. Exemplo: "Meu ódio por ele é tão intenso que parece estar me destruindo". O ódio é um sentimento que pode ser divino e pecaminoso, dependendo do que está nos levando a odiar. A Bíblia fala de amar a Deus e odiar o mal (Salmo 97:10) e odiar a falsidade (Salmo 119:116). Quanto mais nos tornamos semelhantes a Cristo e entendemos o amor de Deus, mais odiaremos a hipocrisia, a impiedade e a maldade do mundo. No entanto, também somos advertidos repetidamente na Bíblia de como o ódio e a amargura podem nos destruir.

A Bíblia nos mostra, a partir da história de Absalão, como o ódio pode surgir e as trágicas consequências que pode gerar para todas as pessoas que nele se envolvem, direta ou indiretamente.

Absalão era filho de Davi. Ele tornou-se um terrível inimigo de Davi, movido pela amargura, rancor e ódio por conta do episódio envolvendo sua irmã Tamar. Ele moveu uma perseguição sem precedentes contra seu pai, buscando matar a Davi de qualquer jeito. Absalão transferiu todo ódio que ele tinha dentro de si, gerado pela situação que ele viveu. 

De fato, precisamos reconhecer que a indignação de Absalão não foi sem causa: movido por um desejo sexual que para ele foi incontrolável, Amnom planejou e executou um estupro contra sua irmã, Tamar (II Samuel 13). Isso levou Absalão a fazer aquilo que muitos que tragicamente vivem a mesma situação desejam - vingar-se, "fazendo justiça com as próprias mãos". Assim, movido por um poderoso sentimento de ódio (II Samuel 13:22) que foi gerado "desde o dia em que Amnom violentou Tamar, irmã dele" (II Samuel 13:32), arquitetou um plano para matar Amnom. E assim o assassinou, em vingança pelo que ele havia feito à sua irmã. 

Por que Absalão passou a odiar também a Davi? Porque Davi, como rei (autoridade estatal) e especialmente como pai (autoridade familiar), nada fez em relação ao crime de Amnom! Haviam se passado dois anos e Davi nada fez! Nenhuma exortação, nenhuma prisão, nenhum castigo, nada! Nenhuma justiça para Tamar e impunidade para Amnom! A autoridade falhou. Por si só, até aqui, já há bastante para refletirmos. Aqueles que detém posições de autoridade, devem usar essas posições para promover a justiça e a eqüidade, o que implica em agir na medida justa contra o mal. O mal não deve ficar impune, jamais, devendo ser combatido pelas autoridades constituídas para esse fim, à luz das leis que regem a nação. As leis são, em síntese, relações que são estabelecidas que derivam da natureza das coisas; neste sentido, como explica Montesquieu, "todos os seres têm suas leis; a Divindade possui suas leis, o mundo material possui suas leis, as inteligências superiores ao homem possuem suas leis, os animais possuem suas leis, o homem possui suas leis" e que tem como propósito básico "combater o estado de guerra", comum entre os homens. Isso é muito importante: ninguém deve procurar fazer justiça com as próprias mãos; isso só faz aumentar o mal e a injustiça!      

Retornando ao episódio bíblico, vê-se que a tristeza de Absalão que começou justa deu lugar a um ódio injusto, a uma amargura insuperável em sua alma contra seu pai. Odiar o que Amnom fez foi errado? Não, em hipótese alguma! Odiar o pecado (a atitude) é correto, mas isso não pode se tornar um ódio pessoal dirigido contra outra pessoa. Note: há uma diferença fundamental aqui: quando odiamos o mal, iremos buscar combater esse mal com os instrumentos da justiça à nossa disposição de forma a aniquilá-lo; quando odiamos uma pessoa, faremos tudo para aniquilar essa pessoa! E isso vai tornar-nos não defensores da justiça e instrumentos desta, mas sim justiceiros e promotores da injustiça e do próprio mal que pensamos estar combatendo. De forma direta, o que Amnom fez foi maligno; o que Davi fez foi permitir o mal ficar impune. No entanto, ao assassinar seu irmão, Absalão também agiu com malignidade e promoveu com sua ação o mal. E, com isso, trouxe o mal para dentro de si mesmo, ou seja, acabou se tornando agente do mal. Noutras palavras, o ódio passou a fazer parte da natureza de Absalão.

Mergulhado em ódio, Absalão passou a buscar assassinar seu pai.  Aquele que recebeu como nome "filho da paz" perdeu totalmente a paz e a alegria. Perdeu a si mesmo, quem ele realmente era por cultivar o ódio dentro do seu coração. Muitas pessoas dão lugar ao ódio, dentro de si, contra as outras. Tornam-se inimigas na prática, por causa de palavras e ações. Há um sentimento em nós de justiça – justiça própria, não a justiça de Deus – que acaba transformando o nosso coração em trevas. Nos tornamos assassinos, como Absalão, quando odiamos uns aos outros. E nenhum assassino tem a vida eterna em si (I João 3:14,15), ostente a religião que quiser. Todo aquele que cultiva a ira em seu coração, trazendo dentro de si ódio irreparável contra outrem por conta dos seus infortúnios, acabará se tornando como um Absalão. O mal dominará sua vida e dele não mais se apartará. 

Jesus nos ensinou que nos últimos dias surgiriam muitos Absalãos – pessoas que odiariam umas às outras (Mt 24.10). Nos últimos dias, as pessoas serão tão cheias de si mesmas, que não haverá lugar para “o outro”, para “o próximo”, para “o irmão”, para "o semelhante". Paulo, concordando com o Senhor, nos diz que nos últimos dias os homens seriam implacáveis (Gr. aspondos, “não pode ser persuadido a entrar em uma aliança, incapaz de cessar as hostilidades ou aceitar a reconciliação”), ou seja, pessoas que não mostram o menor interesse em viverem em paz entre si, pessoas que nutrem um grande amargor de espírito, sem respeito nenhum por seus semelhantes e que, portanto, não se sentem nunca aplacadas.

É justamente nesse contexto de ódio na vida de Absalão que surge um personagem chamado Aitofel. O nome “Aitofel”, em hebraico, significa “irmão de conversa tola” ou “irmão de loucura”. Inicialmente era conselheiro de Davi. Quando Davi passou a ser perseguido por Absalão, mudou de lado e passou a aconselhar a Absalão em como destruir a Davi. Aitofel gozava de honra e respeito, tanto por Davi como por Absalão. A Bíblia registra que o conselho que Aitofel dava naqueles dias era tido em altíssima conta, tanto por Davi como por Absalão. Era tal ao ponto de ser considerado como “resposta de Deus a uma consulta” (II Samuel 16:23). Usando-se de sua posição de honra, o primeiro conselho de Aitofel para Absalão foi no sentido de tornar o rompimento entre ele e seu pai Davi algo absoluto e irreconciliável: “te fizeste odioso para com teu pai” (II Samuel 16:20,21). Aitofel chegou ao ponto de aconselhar que Absalão transasse com as concubinas de Davi, perante dos olhos de todo o povo!

Na prática, esse conselho de Aitofel significava tornar a brecha entre o filho e seu pai irreparável, cortando toda esperança de reconciliação. Os seguidores de Absalão, vendo seu gesto maligno, entenderiam que não haveria mais volta, nenhuma chance de perdão ou reconciliação (o que gerava medo, porque em havendo reconciliação, eles seriam todos julgados por traição), e se animariam ainda mais em segui-lo. Observe agora algo importantíssimo: O conselho de Aitofel baseava-se na mágoa que havia no coração de Absalão. Um conselho maligno, baseado em sentimentos malignos. Aitofel estava sendo usado pelo Diabo! Quando uma pessoa torna-se num Absalão, esteja certo: o diabo irá levantar todo tipo de conselheiro e gerar todo tipo de situação para acabar, de uma vez por todas, com toda e qualquer chance de reparação, de retorno, de arrependimento e de reconciliação. Esse conselheiro infernal é, via de regra, uma pessoa próxima, que é tida por nós como um pessoa em posição de honra e consideração – um amigo, um irmão (de sangue ou de fé), um parente. Alguém que aparentemente “fala como se fosse Deus”, mas que é na verdade alguém de conversa tola e que, desse modo, tem a sua língua incendiada com as chamas do inferno!

Por que Aitofel permitiu ser usado pelo Diabo contra Davi? Por que, estando ele em posição de honra para com Davi e Absalão não usou a sua influência para promover a reconciliação, mas permitiu ser um instrumento do Diabo para seus malignos propósitos? Por uma razão simples: Aitofel era avô de Bate-seba (era filha de Eliã – II Sm 11:3, por sua vez, Eliã, era filho de Aitofel – II Sm 23:34).  Daí o conselho de Aitofel foi motivado também pelo ódio e rancor que ele sentia por Davi, por causa do adultério com Bate-seba. Aitofel tinha uma ferida que não tinha sido curada e se aproveitou da situação para vingar-se. Assim, Aitofel passou a conspirar com Absalão por causa do desejo de vingança que ele possuía contra Davi, o qual ele alimentava em seu coração. Dizia dentro de si mesmo que sua hora iria chegar, esperando a oportunidade e esta havia chegado. O Diabo uniu-os pelo mesmo sentimento de ódio, prendendo a ambos com as suas garras. Atenção ao que direi: todo ódio dirigido contra uma pessoa sempre terá o apoio total e irrestrito do inferno, que fará tudo que estiver ao seu alcance para impedir o perdão e a reconciliação e por fim promover a destruição de todos os envolvidos, usando para isso até aqueles que nos são queridos e próximos.

Aqui, aprendemos que todo aquele que tem uma ferida não curada em sua alma, abrigando ódio e desavença contra quem quer que seja, acabará sendo usado pelo diabo de um jeito ou de outro. Enquanto o surgimento de sentimentos de ódio contra alguém são comuns, não podemos em hipótese alguma permitir que esse sentimento nos domine e consuma! Se cultivado, esse sentimento irá promover a nossa transformação, de servos de Deus a instrumentos do diabo!

Absalão deu lugar ao diabo, com seu ódio inaplacável. Ganhou um aliado – Aitofel – que com o coração cheio de ódio também deu lugar ao diabo. Como terminou a história? Muito mal para todos:  Aitofel enforcou-se (II Samuel 17:23), Absalão morreu pendurado pelos cabelos em uma árvore. A tragédia se abateu sobre a vida dos dois amargurados e odiosos conspiradores. Perderam a vida de forma trágica – um suicidou-se, outro sofreu um acidente estranho e foi morto. Assim pode acabar acontecendo também com aquele que dá lugar ao diabo em seu coração repleto de ódio, desavenças, vinganças e maldições. Cheios de ódio, tornaram-se assassinos, acabando mortos e perdidos espiritualmente para todo o sempre! 

Davi foi traído por seu filho e por seu amigo e conselheiro. Os dois terminaram suas histórias pedidos para sempre. Do mesmo modo, Nosso Senhor foi traído por seu amigo, Judas, que acabou perdido também. Ser traído e odiado não é o problema. Davi enfrentou isso e venceu, Jesus também. O problema fica para quem odeia e trai. As consequências são sempre funestas. Judas enforcou-se num despenhadeiro, o galho onde ele estava quebrou: “Ora, ele adquiriu um campo com o salário da sua iniquidade; e precipitando-se, caiu prostrado e arrebentou pelo meio, e todas as suas entranhas se derramaram.” (Mt 27.5; At 1.18) 

Davi passou toda perseguição como consequência por seus pecados de omissão e com Bate-seba. Jesus não tinha pecado algum; Ele passou tudo o que passou por juízo de Deus por causa dos nossos pecados. Por causa do que Jesus fez na cruz, ninguém mais precisa terminar sua história perdido para sempre, como Absalão, Aitofel ou Judas. No amor de Jesus há força sem igual para impedir a continuidade de todo o ódio. Ele levou sobre si as nossas iniquidades, os nosso pecados Ele tomou sobre si. Ele é o Príncipe da paz! Aquele que nos mandou perdoar foi o primeiro a perdoar seus assassinos e traidores e rogar ao Pai que os perdoassem.

Nesse momento, eu convido você a abrir seu coração: será que você não está alimentando um sentimento de ódio contra alguém? Contra um irmão, contra um pai, uma mãe ou contra qualquer semelhante? Será que já não surgiu nesse cenário um Aitofel, um enviado do Diabo para fomentar ainda mais esse sentimento, minando toda a possibilidade de perdão e reconciliação? Será que em seu coração você já não que o mal viesse contra a vida de uma pessoa; não desejou até mesmo a morte de alguém? Ou talvez já tenha posto em prática esse mal, vingando-se de algo que você sofreu, que fizeram contra você? Será que as trevas já não obscureceram a sua visão, de modo que você tornou-se incapaz de ter misericórdia ou agir com bondade e graça? Se isso está acontecendo, esse ódio acabará por fim destruindo a sua vida, seja ela física, seja ela espiritual - até mesmo a eterna.

Eu sei, querido(a) leitor(a), que é muito difícil romper com o ódio. Acredite, estou falando como experiência própria. Mas isso não muda o fato de que esse sentimento precisa ser eliminado do nosso coração, tal como eliminamos as impurezas e toxinas do nosso corpo. Digo também que sozinhos não iremos nos livrar do ódio: nós precisamos de Jesus! Precisamos trazê-lo para dentro da situação, precisamos envolvê-lo no problema, porque Ele é o único que pode por fim a isso tudo! Trazer Jesus para dentro das crises e situações que enfrentamos, pedindo a Ele que limpe o nosso coração, tirando todo o ódio e amargura! Independente da religião que você professa esse conselho é para você! Peça a Ele, agora, que vá fundo no seu coração; exponha a Ele sua dor, seu sofrimento. Conte a Ele o que aconteceu e como você se sente em relação ao acontecido e peça-lhe que por Seu amor, bondade, misericórdia e graça que Ele limpe o seu coração e faça morada em Sua vida!

Se você não sabe como falar com Jesus, eu proponho-lhe a seguinte oração: 

"Senhor Jesus, eu venho aqui para falar como estou me sentindo em relação a (FALE O QUE ACONTECEU E DIGA COMO SE SENTE). Tenho muito ódio de (NOME(S) DA(S) PESSOA(S) QUE COMETEU(RAM) O MAL CONTRA VOCÊ), já desejei até que (O QUE VOCÊ DESEJOU DE MAL CONTRA ELAS OU QUE ATÉ TENHA FEITO). Eu não tenho como me libertar sozinho desse ódio e perdoar e esquecer o que foi feito contra mim. Por favor, nessa hora eu suplico que o Senhor entre no meu coração; entra na minha vida e me limpe de todo o ódio e de toda a dor que eu sinto contra (NOME(S) DA(S) PESSOA(S) QUE COMETEU(RAM) O MAL CONTRA VOCÊ). Eu perdo-o essa pessoa pelo que ela me fez. Eu entrego ao Senhor toda a minha história! Te dou o meu coração, a minha vida! Não quero continuar sentido ódio, mas quero sentir o Teu amor e Tua paz no meu coração! Vem Senhor, transforme a minha vida, a minha história, me dando um novo começo! Quebra as cadeias que impedem o meu ser, que impedem o fluir do Teu Espírito em mim! Em nome de Jesus eu oro. Amém!"     

 Para seu enlevo espiritual e meditação, deixo a seguinte música: FLUA SENHOR!

 

Que o Bom Jesus te abençoe e te guarde; que Ele derrame sobre Ti Sua graça, poder e misericórdia! Que Ele te dê a paz!

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

NÃO SE BARGANHA COM UM DEUS QUE NÃO PRECISA DE VOCÊ


O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos de homens;
Nem tampouco é servido por mãos de homens, como que necessitando de alguma coisa; pois ele mesmo é quem dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas.


Atos 17:24,25

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Barganha é o ato de trocar, de forma fraudulenta ou não um objeto por outro; i. é., tentar negociar ou trocar algo com Deus a fim de obter algum benefício. Em alguns casos, a barganha é simples componente psicológico onde, por meio de pressão emocional, consegue-se que uma determinada atitude seja tomada ou uma vantagem seja conseguida. Há várias áreas de atuação em que a barganha é cotidiana, onde aquele que é considerado "bom profissional" destaca-se exatamente pela capacidade de flexibilizar as decisões até que estas sejam consideradas aprazíveis. Isso, por exemplo, é muito comum na política, onde não há valores fixos, mas sim opções a serem escolhidas conforme o sabor da situação, conforme o interesse pessoal ou do partido a que pertence.

No Antigo Testamento, o livro de Jó relata a história do patriarca que, abençoado por Deus, teve sua família e bens perdidos em pouquíssimo tempo (1-2). Sua fidelidade, porém, era algo que transcendia todas as suas posses. Assim, mesmo tendo o Diabo dito que Jó negaria ao Senhor se viesse a perder tudo (1.6-12; 2.1-10), isto não aconteceu (1.22). Ele não precisou barganhar com o Senhor para ser abençoado; sua fidelidade a Deus foram suficientes (42.10-17). Já no Novo Testamento, até mesmo ao próprio Cristo o tentador teve coragem de propor uma barganha (Mt 4.8-10). Mais tarde, Simão, o mago, ofereceu dinheiro a Pedro e a João em troca da capacidade de se conceder o batismo com o Espírito Santo (At 8.14-24). E por causa disso, foi duramente repreendido pelos apóstolos.

As Escrituras condenam a barganha. As Escrituras evidenciam que barganhar com Deus é tentar negociar o inegociável: a simplicidade do Evangelho de Cristo Jesus (2 Co 11.3). O meigo nazareno é o autor e consumador da nossa fé (Hb 12.2), por isso, devemos servi-lo voluntária e espontaneamente, certos de que Ele tem cuidado de nós (1 Pe 5.7). As Sagradas Escrituras destacam o amor como o elemento supremo de devoção a Deus e de profunda compaixão pelo próximo. Em Cristo, somos impulsionados a amar uns aos outros sem esperar nada em troca, pois é exatamente isto que nos caracteriza como discípulos do Mestre (Jo 13.35).

CUIDADO, NÃO SE NEGOCIA COM COISAS SANTAS. Não se negocia com a fé, nem sua nem da igreja, não se negocia os dons ou funções no Corpo de Cristo, as quais são dadas pelo Senhor para edificação de todos. Hoje vivemos uma geração que negocia com tudo, até mesmo com o próprio Deus. Igrejas venderam-se por espaço político e ganho econômico, abrindo mão da Palavra de Deus para acomodar o desejo pecaminoso de políticos inconversos e suas ambições. Optaram por vieses políticos, optaram por perseguir pessoas, optaram em dar crédito a mentira. Desviaram-se do santo propósito para o qual foram chamados. Passaram a ser testemunhas de políticos ao invés de Cristo. O preço de suas ações será cobrado por gerações a fio e também deles próprios.

Aqui, aproveito para afirmar: a prática de vincular a aprovação de Deus ou Suas bênçãos a doação de dinheiro, como se Deus precisasse de dinheiro para qualquer coisa, é antibíblica e blasfema. Deus não precisa de nada meu ou seu; não precisa de dízimos e ofertas, de trízimos e campanhas de arrecadação de grana para templo humano. Se for doar qualquer coisa, doe porque seu coração é gracioso, não porque isso te fará ganhar pontos com Deus. Isso é mesquinhez, pobreza de espírito e afronta ao Todo-Poderoso Rei e Senhor do Universo!  

Além disso, é bom que saibamos: visto que ele é o Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos humanas. Logo, Deus não precisa de templos para habitar, visto que ele fez o mundo e é o Senhor, ou possuidor, do universo. Aqueles que deveriam (já há muito tempo!) conhecer a Palavra de Deus erram muito ao pensar que, ao erguer magníficos templos e imagens e consagrá-los, atraem Deus para dentro deles de forma a Ele passar a residir entre essas pessoas de uma maneira especial. Essa noção vulgar é indigna de homens cujas mentes são aprimoradas pela Palavra de Deus revelada: por Deus ter feito o mundo, deveriam saber que Sua presença não se limita a templos feitos por homens. Nem é adorado com as mãos dos homens, como se precisasse de alguma coisa.

Não se barganha com Deus! Sabe por que?  Porque DEUS NÃO PRECISA DE VOCÊ! Em Atos 17:25, Paulo afirma que Deus nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse, pois Ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais. Deus não precisa de nada, não há como barganhar com Ele (Atos 17.25a): “nem tampouco é servido por mãos humanas, como se necessitasse de alguma coisa.” 

Ele certamente não precisa de mim, nem de você, nem de homem algum, nem de bem algum, nem de serviço algum. Deus não precisa de você, não precisa de mim e não precisa de ninguém nem de nada neste mundo. Na verdade, Ele não precisa do mundo. Deus não é um Deus carente. Não é como se Ele estivesse entediado, girando os polegares, desesperadamente solitário antes de criar o mundo. Deus não depende do mundo para Sua existência, nem depende do mundo para Sua felicidade e auto-realização. Em vez disso, Ele possui vida em Si mesmo. Mais precisamente, Ele é a plenitude da vida em Si mesmo.

Por que mais não é possível barganhar com Deus? PORQUE ELE NUNCA É MENOS QUE DEUS!

O PAI AMA O FILHO DESDE A ETERNIDADE A FORA! Havia uma dependência um do outro dentro do próprio Deus! Ele não nos criou porque estava solitário e pensou: “Sabe, meu trabalho como Deus seria um pouco mais palatável se eu fizesse um ou dois pra carregar minha imagem, que me bajulassem de vez em quando.” Ele não precisa de nós. Não me entenda mal.  ISSO NÃO SIGNIFICA QUE ELE NÃO REAGE A NÓS. Que ele não se deleite em nós, ou que não se desagrade de nós. NÃO SIGNIFICA NADA DISSO, POIS ELE REAGE SIM A NÓS. Mas ele reage não por causa de alguma necessidade intrínseca em Seu próprio ser ou caráter. Antes, Ele responde a partir Sua inteira volição, de Suas perfeições e Vontade. Não porque Ele deixou as coisas saírem do controle. Não porque Ele não é soberano. Não porque Ele precisa de alguma coisa, mas por causa das perfeições de tudo o que Ele é, características e atributos. Ele responde sempre de acordo com seus atributos, e o tempo todo. ELE NUNCA É MENOS QUE DEUS.

NÓS É QUE PRECISAMOS DELE - E DESESPERADAMENTE! O quão difícil foi para Paulo conseguir apontar a cruz para um punhado de acadêmicos sofisticados, cuja inteira noção de religião se baseava em “uma mão lava a outra”! E então, para ficar ainda mais complicado, Paulo adiciona outra linha: “O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas. Nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse; pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais.”  Isso também vem de Gênesis 1, 2 e 3: VIDA, FÔLEGO E TUDO MAIS. 

No início do primeiro século, o Senhor Jesus ensinou que nenhum pardal cai do céu sem a autorização de Deus. Até mesmo os cabelos de nossa cabeça são contados. Isso significa, em nosso caso, que Deus está fazendo uma contagem muito rápida. E ELE CONHECE TODOS OS NOSSOS DETALHES, QUER GRANDES OU PEQUENOS, CADA SITUAÇÃO, CADA ATO, CADA PALAVRA. Toda vez que respiramos, é com sua autorização. Paulo nos lembra de que precisamos dele para a vida, a respiração e tudo mais, o que abrange COMIDA E  SAÚDE, TRABALHO E LAZER, MINISTÉRIO E FAMÍLIA. Nós somos criaturas completamente dependentes. NÃO SOMOS O CRIADOR.  

Agora, como você terá um relacionamento com um Deus assim? ELE NÃO É UM VOVÔ MOLENGA, E NÃO É DISTANTE. Ele é tão soberano quanto os deístas querem, mas é muito mais pessoal. E ELE NÃO TEM NENHUMA NECESSIDADE. Você não tem nada para barganhar, pois de fato, a única razão pela qual você ainda está vivo é por causa de sua permissão. Se seu coração continua batendo, é porque Deus permite, pois se Ele alguma vez disser: “Tolo, esta noite te pedirão sua alma”,  VOCÊ MORRE.  Ou se ele disser: “Venha para casa, meu filho, pois agora é a hora e o seu trabalho terminou”, VOCÊ VAI. 

Como barganhar com um Deus assim?: “Deus, eu… eu te dou 10%; atenda agora os meus desejos!”  ELE É SEU DONO! Ele é dono da sua vida! ELE É DONO DO PLANETA INTEIRO (Salmo 24:1)! O que isso significa? Senhor vou me tornar missionário? Vou me tornar diácono na igreja? NÃO, NÃO. Há apenas uma maneira de ter um relacionamento com esse tipo de Deus. SE ELE DEMONSTRAR GRAÇA SOBERANA. Porque Ele não deve nada a nós, povo rebelde e de dura cerviz. NÃO TEMOS NADA PARA BARGANHAR.

CONCLUSÃO: Não podemos cair na tentação de barganhar com Deus. Isto por uma razão bastante simples: nada temos de real valor para propor em troca e muito menos o direito de assim procedermos. O profeta Isaías afirmou que até os nossos mais exaltados atos de justiça não passam de trapos de imundície diante dEle (Is 64.6). Para sermos abençoados necessitamos de Deus em todas as coisas e em todo o tempo. Ele em nenhum momento se nega a abençoar-nos, segundo a sua soberana e perfeita vontade (Mt 6.10; 26.42).

Para seu enlevo espiritual e meditação, deixo a música: INCOMPARÁVEL!


 Pense nisso. Graça, misericórdia e paz lhe sejam multiplicadas!

domingo, 25 de dezembro de 2022

"ENTRE, HÁ LUGAR" OU "VÁ PARA O ESTÁBULO": REFLEXÕES SOBRE O NASCIMENTO DE CRISTO


Ora, havia naquela mesma comarca pastores que estavam no campo, e guardavam, durante as vigílias da noite, o seu rebanho.
E eis que o anjo do Senhor veio sobre eles, e a glória do Senhor os cercou de resplendor, e tiveram grande temor.
E o anjo lhes disse: Não temais, porque eis aqui vos trago novas de grande alegria, que será para todo o povo:
Pois, na cidade de Davi, vos nasceu hoje o Salvador, que é Cristo, o Senhor.
E isto vos será por sinal: Achareis o menino envolto em panos, e deitado numa manjedoura.
E, no mesmo instante, apareceu com o anjo uma multidão dos exércitos celestiais, louvando a Deus, e dizendo:
Glória a Deus nas alturas, Paz na terra, boa vontade para com os homens.


Lucas 2:8-14

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Lucas, que é escritor do Evangelho que leva seu nome, é minucioso em seu relato sobre o nascimento, vida, morte e ressurreição do Senhor Jesus. O objetivo primário do registro desses fatos era organizá-los de forma sequencial, lógica e com precisão, desde sua origem, para posterior apresentação a Teófilo, um membro da alta sociedade daquela época, provavelmente era um gentio convertido que já havia sido parcialmente instruído nos fatos da história do Evangelho. Seu Evangelho, preservado material e literalmente de maneira sobrenatural ao longo dos séculos posteriores, tem trazido fé e esperança aos homens dos mais diversos povos, nações, línguas e classes sociais, em um mundo cada vez mais em inimizade para com Deus.  Em um mundo que perece em tudo e de todas as formas, o Evangelho de Lucas é a resposta aos mais profundos clamores da alma humana por salvação.

O capítulo 2 do Evangelho de Lucas descreve o nascimento de Jesus, na cidade de Belém, pertencente à Judéia, região montanhosa da divisão sul da terra da antiga Palestina.  Segundo o registro, naqueles dias foi promulgada uma ordem, por parte do imperador de Roma, para que fosse feito um recenseamento de cada pessoa em sua cidade natal anexada ao império. É claro que José e Maria, judeus natos, subiram à sua cidade para se recensearem também. Como Maria estava prestes a dar a luz e não havia um estabelecimento em Belém para se hospedarem, que estava muito cheia de pessoas por conta do recenseamento, a alternativa foi parir em um estábulo. E assim, numa manjedoura(1),  transbordando de forragem para que seus animais não passassem fome, Jesus veio ao mundo. 

Na ocasião do nascimento de Jesus, Lucas afirma que haviam pastores no campo, pastoreando os seus rebanhos. A esses pastores apareceu repentinamente o anjo do Senhor, vindo sobre eles, proclamando as boas notícias àqueles que eram pobres em sua vida exterior e também em espírito. "Novas de grande alegria" comunicadas com a manifestação sobrenatural e poderosa da glória do Senhor, do Shekinah(2), que encheu o coração deles de grande temor! Nasceu o Redentor! O eterno Pai do céu, Seu Filho ao mundo deu! (ouça essa linda melodia em: https://www.youtube.com/watch?v=X6BOEZwDhzY)

Que reflexões podem ser extraídas desse relato de Lucas sobre o nascimento de Jesus, conforme registrado no capítulo 2, versículos de 8 a 14, para nossa vida atualmente? 

O NASCIMENTO DE JESUS É UMA BOA NOTÍCIA DE GRANDE ALEGRIA! Essa foi a frase que o anjo do Senhor disse aos pastores que estavam no campo. A mensagem que o anjo trouxe, que foi gerada na eternidade passada pelo próprio Deus; algo que foi planejado por Deus e então estava sendo materializado no mundo naquele instante. Nasceu o Salvador! Nasceu Aquele que salvaria todo aquele que Nele cresse e que o confessasse como Senhor! A partir daí, todo homem e mulher e criança poderia ter a esperança de um futuro diferente, que romperia com a continuidade de desgraça e sofrimento! Um futuro de paz absoluta, de saúde perfeita, de justiça plena e de amor eterno, tudo possível por conta Daquele recém-nascido: o Cristo!

Sim, querido(a) leitor(a): àqueles que creem no Senhor estão prometidos "novos céus e nova terra", onde habita a Justiça. Onde não há mais problemas de tipo algum, maldade alguma; onde o mal jamais será praticado novamente pelos homens! Lugar onde não haverá mais fome, nem doença, nem dor e nem mesmo a morte; sim, até a morte deixará de existir! Tudo feito por meio de Cristo Jesus! Segundo o profeta Isaías, lugar onde "todos os eventos passados não serão mais lembrados. Jamais virão à mente!" (Isaías 65:17); local de consolo eterno, onde "Deus limpará de seus olhos toda a lágrima" (Apocalipse 21:4). Todas as lágrimas sendo limpas, ou seja, toda a tristeza que vivemos e acumulamos durante a nossa vida na Terra, na atual dispensação, serão totalmente expurgados do nosso ser! Todas as dolorosas marcas do sofrimento serão definitivamente removidas da nossa vida! Devemos portanto buscar consolo nessa grande(!) alegria gerada pelo nascimento de Cristo - isso sim é uma suprema boa notícia, sabendo que "as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada" (Romanos 8:18). Essas aflições são passageiras, efêmeras! Há esperança e ela tem um nome: Jesus! Ele veio! Ele é o Cristo, o Salvador escolhido por Deus, sendo Ele mesmo o próprio Deus Eterno que se fez carne! Ele, ao nos salvar de nossos próprios pecados, assegurou para sempre que todo escrito de dívida que tínhamos com Deus está pago pelo Seu sangue na cruz! A partir do nascimento de Jesus, que envolve tudo o que Ele fez e é (mesmo a sua morte na cruz), todo aquele que Nele crê tem a vida eterna!

Aquele menino recém-nascido, fisicamente como os outros, é Cristo, o Senhor. O anjo não diz "será", mas sim "é", o verbo está no presente! Ele é! Independentemente da época em que vivemos, Ele (ainda) é o Cristo, o Senhor e Salvador e, ainda hoje, é preciso Nele crer! Não crer em nós mesmos, não crer em nossos "salvadores autoproclamados" que aí estão, quer na política, quer na religião seja ela qual for. Não crer que nós mesmos podemos, por nossos próprios esforços e méritos, alcançar a salvação prometida por Deus! Crer em nós mesmos é, na verdade, "velha notícia de grande tristeza": basta uma rápida olhada na nossa vida, enquanto indivíduos e como raça humana, que veremos o quão inúteis são nossos melhores esforços e intenções! Se formos honestos com os fatos, teremos que concordar com o que o apóstolo Paulo escreve: “Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus. Todos se desviaram e juntamente se tornaram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer. A garganta deles é sepulcro aberto; com a língua enganam, veneno de víbora está nos seus lábios. A boca, eles a têm cheia de maldição e amargura; os seus pés são velozes para derramar sangue. Nos seus caminhos, há destruição e miséria; eles não conhecem o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos.” (Romanos 3:10-18) Sem Jesus, portanto, a salvação é impossível!

Observe agora um fato importante: Quem comunicou que o recém-nascido era Cristo, o Salvador e Senhor, foi o próprio anjo do Senhor! Deus foi o primeiro a comunicar essa boa nova de grande alegria! "Ouçam todos os homens, Meu Filho Amado acabou de nascer como um de vocês; Ele é Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade e Príncipe da Paz! Ele é o Cristo, o Salvador de vocês!" A mensagem das boas-novas estava ali, encarnada em um menino que acabara de nascer, sendo isto proclamado a todos os homens a começar por aqueles pastores que estavam no campo pelo anjo do Senhor! O testemunho do próprio Deus sobre Cristo, o Salvador, que implica, necessariamente, no fato de que nós, raça humana, precisamos de um salvador! Noutras palavras, Deus estava ali, por meio do Seu ano, dizendo: "vocês precisam de salvação, por isso envio o Salvador a vocês, Cristo, o Senhor!" 

Qual era o sinal que o Salvador estava ali, entre eles? O anjo disse que esse sinal era um menino envolvido em panos deitado em uma manjedoura. Cristo, o Salvador; a resposta definitiva de Deus para o homem. Um simples menino recém-nascido em um local comum, sem ostentação, sem luxo, sem conforto; parido em local onde animais como vacas, cabras, ovelhas e cavalos são paridos. Deus que se faz carne, algo já por si mesmo mostra um auto-esvaziamento de si mesmo, e que ainda por cima nasce em um local sem a menor condição de crianças nascerem! Mas que tipo de sinal é esse!?! Esse é o sinal de Deus, que usa coisas simples, que consideramos sem importância, que desprezamos e reputamos como inferiores, como sinal para Suas grandes obras! Um Deus que escolhe fazer algo sem paralelo em toda a história do Universo: se fazer carne, nascendo não em palácios e templos religiosos, não em locais suntuosos cercados de pompa e conforto, mas em um estábulo, deitado em uma manjedoura, enrolado em panos! Nascido não de uma rainha ou alta sacerdotisa, mas sim de uma simples dona de casa, casada com um simples carpinteiro. 

O que esse sinal nos diz? Primeiro, que para Cristo não há a menor diferença se você é pobre ou rico, se tem fama e fortuna ou se é um desconhecido ou pária na sociedade, se você tem títulos, posses ou um bom nome ou se não. Ele se interessa profundamente por você independentemente de quem quer que você seja! Não importa sua realidade presente ou sua história pregressa, seu nível sócio-econômico ou educacional; para Ele, você importa por que você existe! Ele deseja nascer em sua vida, quer ela seja como for ou como estiver! "Mas eu não sou digno disso!", talvez você diga. É isso mesmo! Você não é digno, mas Ele escolheu amar você assim mesmo! Ele escolheu vir a essa Terra também por você, para dar-lhe aquilo que só Ele pode dar - a Si mesmo! 

Segundo, que não devemos desprezar essa tão grande salvação, esse tão grande amor, por causa das circunstâncias exteriores que estão ao nosso redor. Não é porque o mundo está cada vez mais maligno que Cristo não é o Salvador e Senhor; não é porque experimentamos toda sorte de tristeza e dor que Ele não veio! Não é porque há pessoas que cometem escândalos que a mensagem do anjo foi invalidada. Não! Ao contrário, é justamente por isso que devemos crer e receber o Salvador em nossos corações! O aumento da presença e influência do Mal em todas as esferas da Criação de Deus somente corrobora com o fato de que precisamos de um Salvador - e isso urgentemente! Jesus nãos e fez carne à-toa, mas sim porque era - e ainda é, absolutamente necessário que o homem seja salvo! Salvo da condenação futura, a qual o próprio Deus de Justiça imputará sobre todos os maus a pena capital: a morte eterna. Sim, cada transgressão, cada rebelião, cada obra maligna cometida será, ao final e de forma definitiva, punida com a justa separação eterna do transgressor de Deus! Creia-me: não há, nem jamais haverá, impunidade para com Deus: ou nossas transgressões são julgadas em Cristo ou em nós mesmos. Sobre isso há vários avisos escritos na Bíblia para os quais deveríamos atentar. Quero destacar o seguinte:

"E vi um grande trono branco, e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu; e não se achou lugar para eles.
E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante de Deus, e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras.
E deu o mar os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras.
E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte.
E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo."

(Apocalipse 20:11-15)

Vê? Sem crer em Jesus como Nosso único Senhor e Salvador, aceitando a salvação que Deus de graça(!!!) nos oferece, pela qual nada temos que pagar, não temos escapatória. Sem crer em Jesus, obedecendo então a Vontade de Deus, continuamos na desobediência e assim a ira de Deus permanece sobre nós (Colossenses 3:6). "Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado, por não crer no nome do Filho Unigênito de Deus. Este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram as trevas, e não a luz, porque as suas obras eram más." (João 3:18,19). Por isso mesmo é que Deus tem sido extremamente paciente com a humanidade, porque Ele sabe o quão horrível será esse dia: "O Senhor não demora em cumprir a sua promessa, como julgam alguns. Ao contrário, ele é paciente com vocês, não querendo que ninguém pereça, mas que todos cheguem ao arrependimento." (2a. Pedro 3:9) 

O que faremos de Jesus, chamado Cristo? Vamos escolher crer Nele ou escolher continuar vivendo à revelia de Deus? Vamos abrir a porta do nosso coração e permitir que Ele nasça nele ou mandá-Lo para uma manjedoura porque nosso coração já está cheio de outros hóspedes? Eu digo que muitos corações se assemelham àquela humilde manjedoura, enquanto muitos se assemelham àquela hospedaria, sem vaga para ninguém a não ser a si mesmo. José e Maria bateram à porta de muitas hospedarias, mas só encontraram lugar num estábulo. Assim, o Espírito de Deus bate às portas de todos os homens, pedindo que abram o coração a fim de que Cristo nasça dentro deles, mas poucos o abrem de fato. Cristo veio. Ele nasceu e então viveu, morreu e ressuscitou, hoje estando a Direta de Deus esperando a hora do Seu retorno. Mas como está a nossa vida em relação a Cristo? Em nós Ele nasceu ou não?

Pense nisso. Graça, Misericórdia e Paz sejam multiplicadas sobre a sua vida!

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NOTAS:

(1) Uma manjedoura ou berço é um comedouro de madeira ou pedra ou caixa de comida que contém feno para animais de fazenda maiores, como gado, cavalos e burros. As manjedouras estavam localizadas onde quer que o gado fosse mantido, lugares como estábulos, currais ou cavernas. Os fazendeiros tinham certeza de manter suas manjedouras bem abastecidas com forragem o tempo todo, para que os animais nunca passassem fome. O gado pode caminhar até uma manjedoura a qualquer momento e depois passar longas horas de lazer mastigando, mastigando e ruminando lentamente. 

(2) Para mais informações sobre o Shekinah, leia: https://apenas-para-argumentar.blogspot.com/2017/08/o-que-e-o-shekina-biblia-fala-sobre-isso.html

 



 

quarta-feira, 31 de agosto de 2022

A SITUAÇÃO DO MUNDO REVELA A AUSÊNCIA DE CRISTO


"As coisas como estão, não estão bem
Quando alguém está faltando, alguém está ausente 
As coisas não estão bem agora 
E elas não estarão até que Você volte".
(Mourning For the Bridgegroom, Jon Thurlow)
 
"Pare o mundo, que eu quero descer!" Muito provavelmente você já ouviu essa expressão. Ela já foi usada em composições musicais e é frequentemente usada como interjeição nesses últimos tempos, denotando uma insatisfação com a situação vigente, tida como sem solução. Não se trata de uma insatisfação por capricho, por não ter as vontades pessoais atendidas; antes, por não ver no horizonte o fim de uma crise ou mesmo de uma mudança de realidade. Se eu e você paramos um pouco a correria do nosso dia-a-dia e refletirmos sobre tudo que está acontecendo no mundo e ao nosso redor, vamos chegar a conclusão de que cada vez mais a situação é sem solução a curto prazo.
 
Comecemos pela conjuntura mundial. Esses últimos anos foram - e estão sendo - marcados por um mundo cada vez mais doente em todos os sentidos. Só para ilustrar, temos até agora 633 milhões de mortos por Covid-19. Só no Brasil já são mais de 600 mil. As vacinas trouxeram um certo alívio, mas o fato é que esses números continuam crescendo, sem nenhuma perspectiva de recrudescimento. Aqueles que salvaram-se dessa pandemia por coronavírus ficaram com sequelas seríssimas, quer físicas (como fibrose nos pulmões e rins, doenças cardiológicas, etc.) quer neurológicas (depressão, ansiedade, insônia, névoa mental, etc.). Até hoje não compreendemos exatamente como esse vírus age no organismo humano. E, como se não fosse já tudo muito ruim, nos vemos diante de uma nova doença, crescente, virológica, chamada de varíola dos macacos (monkeypox), com casos crescentes. Precisamos seriamente considerar que haverá muito mais mortes e muitas outras doenças que se ainda virão a se manifestar, que são ainda do nosso desconhecimento às quais nunca entramos em contato e, portanto, para as quais não temos imunidade biológica. Muitos outros milhões de pessoas hão de perder suas vidas por conta dessas outras enfermidades. 
 
Esse cenário mundial de aumento de doenças e de mortes é ainda agravado pela crueldade humana, que faz com que haja distribuição desigual de renda, de alimento, de sistema de saúde e de educação em vários países, em especial os subdesenvolvidos. Aqui figuram os países africanos, mergulhados num mar de gravíssimos problemas que foram e ainda são causados, dentre outros, pela cobiça desenfreada e pela exploração predatória dos países desenvolvidos. Muitos desses países africanos foram colônias de exploração de riquezas e de fonte de escravos por países como os Estados Unidos, Inglaterra, França e os países ibéricos (Espanha e Portugal), que se tornaram prósperos e ricos às custas do empobrecimento daqueles, que foram deixados sem as mínimas condições de sobrevivência. Isso é um fato histórico que não pode ser apagado. Milhares de pessoas morrem todos os anos na África, quer terríveis por doenças terríveis (como malária, tuberculose e HIV/AIDS), quer pela miséria. E como estamos todos ligados, morando num só planeta, o que acontecer na África afetará todos os países mundiais, incapazes de fornecer ajuda eficaz por conta do seu grande egoísmo e maldade (ajuda "não cosmética" ou "para inglês ver"). E, desde já, registro aqui que o Brasil tem sua quota no problema gerado e também a terá na colheita dos frutos que virão de sua "semeadura".
 
Como se já não bastasse, infelizmente precisamos citar essa guerra ignóbil entre Rússia e Ucrânia. Não há eufemismos aqui: trata-se de uma guerra sem pé nem cabeça promovida por governantes sem cabeça e nem pé. A Rússia está simplesmente destruindo um país, causando milhões de mortes, com uma justificativa tão estapafúrdia que nem o menos escolarizado dentre nós pode aceitar. O que, eu pergunto, todas aqueles ucranianos tem a ver com a maluquice de Putin?!? Porque devem elas pagarem com suas vidas pela ignorância e estupidez desse líder mundial?!? Mas não é só a Rússia que tem sua culpa nesse processo, ainda que talvez seja ela a principal culpada. Os países da Otan e, muito provavelmente a própria Ucrânia tem sua responsabilidade nisso. Isso sem falar nos demais países que aprovam essa crueldade sem limites. O pior de tudo é que esse conflito pode assumir escala mundial. Talvez estejamos diante da preparação para uma 3a. Guerra Mundial, a qual será travada nas raias da extrema violência e malignidade, promovidas pela riqueza acumulada às custas da exploração econômico-financeira, da opressão econômica e social dos mais pobres e sofridos de cada nação envolvida. 
 
Não paramos por aí. Temos no mundo inteiro uma verdade epidemia de violência crescente. Só para ilustrar, a violência contra as mulheres é cada vez maior, a despeito de políticas e ações que vem sendo tomadas para coibir tal coisa. Segundo reportagem da Revista Exame, a Índia está no 1º lugar dos casos de estupro contra mulheres. No mundo todo, segundo a reportagem, "uma a cada três delas é uma vítima de violência física ou sexual e ao menos 750 milhões de meninas se casaram antes de completar 18 anos de idade" (fonte: https://exame.com/mundo/estes-sao-os-piores-paises-do-mundo-para-mulheres/). No Brasil foram 66 mil vítimas de estupro no Brasil em 2018 e o número não para de crescer. Segundo o G1, "o Brasil teve em média 1 mulher estuprada a cada 10 minutos e um feminicídio a cada 7 horas em 2021" (fonte: https://g1.globo.com/dia-das-mulheres/noticia/2022/03/07/brasil-teve-um-estupro-a-cada-10-minutos-e-um-feminicidio-a-cada-7-horas-em-2021.ghtml). Já segundo a UFRGS, "85% das vítimas no Brasil são mulheres e 70% dos casos envolvem crianças ou vulneráveis" (fonte: https://www.ufrgs.br/humanista/2020/12/17/cultura-do-estupro-85-das-vitimas-no-brasil-sao-mulheres-e-70-dos-casos-envolvem-criancas-ou-vulneraveis/). Uma imensa crueldade, que tem trazido consequências pscicológicas e emocionais que perdurarão por toda a vida das vítimas, como imensos complexos de culpa e de vergonha. Muitas experimentam isso ao longo de anos a fio de silêncio, por não encontrarem um ambiente ou contexto seguro para se manifestarem abertamente e por não acreditarem, com razão, em uma justiça para elas.
 
NOTA: Veja, por exemplo, a violência que foi feita à menina que engravidou após ter sido abusada, violência esta registrada em redes sociais para quem quiser ver, de apenas 11 anos de idade: uma imensa quantidade de pessoas simplesmente julgou-a e condenou-a por, inclusive, não querer prosseguir com a gravidez! E por que? Porque são contra o aborto! Mas estamos falando de uma criança de 11 anos de idade... 11 anos... qual é o nosso direito de julgar sua decisão de interromper essa gravidez??? 
 
Há muitos e muitos outras malignidades no mundo atual, mesmo no meio religioso. Já escutei um sem número de testemunhos de ex-membros de denominações evangélicas sobre a imensa dor e desapontamento por conta de abusos cometidos contra elas em suas antigas igrejas. Desde violência verbal, culpabilização, opressão, exploração..., isso sem falar em outras formas de violência (como a sexual). Aliás, tem ficado cada vez mais "as claras", ao menos no Brasil, nos últimos anos. Eu mesmo fui vítima de abuso psicológico e opressão em minha antiga denominação, só percebendo isso muito tempo depois de lá sair com as emoções totalmente destroçadas! Assim como eu há várias outras pessoas, um verdadeiro exército de "ex-membros", cruel e erroneamente taxados como "desviados". 
 
NOTA: Somos desviados? Desviados do fanatismo religioso, desviados da hipocrisia, da religiosidade, da opressão religiosa. Nosso alvo é Cristo. De Deus, nós não nos desviamos. Esse desvio não tem como acontecer.  Não é amor ao mundo, mas amor a Cristo, a família e a si mesmo que motivou essa ação. Não é desvio, mas sim saúde mental, emocional e espiritual, porque a paranoia religiosa anda sem limites há muito tempo. Isso sem falar da promiscuidade da religião com política, algo tão antigo como nos tempos de Israel. 

Isso sem falar em divórcios e mais divórcios, em assassinatos e desconsideração  com a vida do próximo, com a destruição ambiental (que começa em casa - padrões insustentáveis de consumo, por exemplo), com os malignos "ismos" de nosso tempo - filosofias malignas transvestidas de luz (como por exemplo o feminismo, o comunismo, o liberalismo, o moralismo hipócrita, dentre outros), a psicologia e o conhecimento sendo usados para a maldade, a ênfase no sexo e na promiscuidade ("Todo mundo transar com todo mundo") 
 
Será que haverá melhoria desse tão cruel cenário? As coisas vão melhorar? Eu digo que não. Na verdade, a própria Bíblia nos mostra que essas coisas vão se agravar muito mais. Mas, por que razão? Aqui, poderíamos explicar por diversos conceitos escatológicos (ligados às interpretações sobre o fim dos tempos, que a Bíblia menciona cem muitos livros). No entanto, tem um ponto que a meu ver está acima desses conceitos teológicos. A causa de tudo o que vemos hoje, bem como do inevitável agravamento dessa realidade, está no simples fato que todos nós estamos invariavelmente separados de Deus. Somente na presença de Deus é que temos a vida transformada e a santidade, manifesta na forma de viver,  assegurada. Somente Nele podemos amar o próximo como a nós mesmos. Somente junto a Ele o nosso corpo mortal pode ser protegido de qualquer doença e enfermidade. Como andar na luz sem ter comunhão com a luz, que é Cristo? Como ser cristão sem Jesus? Como ser salvo sem o Senhor? Hoje as pessoas estão querendo viver suas vidas em bonança sem Aquele que é o Único que pode acalmar a tempestade. Querem seguir sua religião autoproclamada cristã sem a menor comunhão com o próprio Cristo! Querem exigir coisas de Deus, mas nem sequer tocar com o dedo mínimo naquilo que Deus pede delas! 
 
Digo com toda autoridade bíblica: o deus dos religiosos não é Jesus! O deus dos religiosos é o seu próprio ventre ou, noutras palavras, eles mesmos! Servem não a Deus, mas aos seus próprios desejos e caprichos. Eles até fazem uso do nome do Senhor, mas para sua própria condenação, usando esse Nome em vão e assim trazendo blasfêmia ao Senhor. Amam os primeiros lugares, amam serem honrados e idolatrados, amam posições e títulos, amam a si mesmos. Usam a Bíblia, teorizam sobre ela e seus ensinos, teologizam a três por dois e com base nisso aplicam julgamentos e condenações às pessoas, mas não entendem bulufas dela na prática. Sabe por que tudo isso? Porque querem insistentemente em fazer tudo sem o Senhor! Não entenderam até hoje que sem Jesus nada podemos fazer, nem mesmo segui-Lo de forma fiel e idônea. Vi essa realidade com muita, mas muita frequência numa igreja que pastoreei e vejo-na também, todo dia, na vida de muitas e muitas pessoas.
 
É preciso que entendamos de uma vez por todas que fazer parte ou não de uma igreja, de um ministério, exercer esse ou aquele cargo, ter esse ou aquele título, fazer isso ou aquilo é NADA e serve para NADA sem termos o Senhor Jesus conosco (esse é o nome que Ele foi chamado, Emanuel). Nem mesmo pregação da Palavra, ensino bíblico, oração, ministrar louvor... NADA! Sem Ele, TUDO - e eu digo TUDO absolutamente PERDE O PROPÓSITO. Tudo torna-se mera performance PIV (Para Inglês Ver), ou como diz o ditado popular "conversa mole para boi dormir". Nas palavras de Salomão em Eclesiastes, não passam de mera vaidade, futilidade religiosa. Sem o Senhor Jesus, nem mesmo nossas atividades ditas "seculares", como o casamento, se sustentam ou seguem conforme deve ser: com amor sacrificial. O egoísmo sempre vencerá o amor em qualquer coisa que façamos ou sejamos, seja ela religiosa, se o Senhor Jesus não estiver presente! 
 
Pense nisso!
Graça, misericórdia e paz sejam-lhe multiplicadas!

 
    




sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

O QUE FAZER QUANDO VOCÊ CHEGA AO LIMITE DE SUAS FORÇAS?

 


Jó  1:1  Havia um homem na terra de Uz, cujo nome era Jó; homem íntegro e reto, temente a Deus e que se desviava do mal.
Jó  1:2  Nasceram-lhe sete filhos e três filhas.
Jó  1:3  Possuía sete mil ovelhas, três mil camelos, quinhentas juntas de bois e quinhentas jumentas; era também mui numeroso o pessoal ao seu serviço, de maneira que este homem era o maior de todos os do Oriente. 

Jó  1:13  Sucedeu um dia, em que seus filhos e suas filhas comiam e bebiam vinho na casa do irmão primogênito,
Jó  1:14  que veio um mensageiro a Jó e lhe disse: Os bois lavravam, e as jumentas pasciam junto a eles;
Jó  1:15  de repente, deram sobre eles os sabeus, e os levaram, e mataram aos servos a fio de espada; só eu escapei, para trazer-te a nova.
Jó  1:16  Falava este ainda quando veio outro e disse: Fogo de Deus caiu do céu, e queimou as ovelhas e os servos, e os consumiu; só eu escapei, para trazer-te a nova.
Jó  1:17  Falava este ainda quando veio outro e disse: Dividiram-se os caldeus em três bandos, deram sobre os camelos, os levaram e mataram aos servos a fio de espada; só eu escapei, para trazer-te a nova.
Jó  1:18  Também este falava ainda quando veio outro e disse: Estando teus filhos e tuas filhas comendo e bebendo vinho, em casa do irmão primogênito,
Jó  1:19  eis que se levantou grande vento do lado do deserto e deu nos quatro cantos da casa, a qual caiu sobre eles, e morreram; só eu escapei, para trazer-te a nova. 

Jó  2:7  Então, saiu Satanás da presença do SENHOR e feriu a Jó de tumores malignos, desde a planta do pé até ao alto da cabeça.
Jó  2:8  Jó, sentado em cinza, tomou um caco para com ele raspar-se. 

 

TODOS NÓS TEMOS UM LIMITE. Um limite de resistência física e emocional. É possível chegar nesse limite máximo. Nesse ponto, muitos não resistem: depressões terríveis, condenações intermináveis, dores intensas pelo corpo... algumas vezes, até o suicídio é cogitado e, não raro, praticado, que torna-se uma última "rota de fuga". Afinal, pensa aquele que cogita acabar com a própria vida, "ninguém liga para mim, nem para o que estou vivendo", "minha situação não tem solução; agora é daqui para pior, logo é melhor morrer de uma vez". 

Na Bíblia, há o registro de um homem que viveu o "inferno na terra". Jó atingiu o limite máximo da resistência humana (física e emocional) – ele perdeu todos os seus bens, todos os seus filhos e a sua saúde, cumulativamente. Ele tinha tudo, de uma hora para outra ficou sem nada: perdeu suas posses, seus filhos e sua saúde. Por conta delas, Jó lamenta seu nascimento (Por que não morri eu na madre? Por que não expirei ao sair dela? - Jó 3:11), onde segundo ele teria sido melhor ser abortado ou nascido morto do que aquilo que vivia. Ele lamenta pela morte não chegar para ele (Por que se concede luz ao miserável e vida aos amargurados de ânimo, que esperam a morte, e ela não vem?  - Jó 3:20,21). Para ele, aquelas dores eram insuportáveis. Jó ficou em um estado deplorável: ele passou a ter halitose (“O meu hálito é intolerável à minha mulher[...]” - Jó 19:17a), febre (“[...]os meus ossos estão queimados do calor” - Jó 30:30b) e úlceras na pele infestadas por vermes, que ao serem coçadas arrebentavam novamente (“A minha carne se tem vestido de vermes e de torrões de pó; a minha pele endurece, e torna a rebentar-se” - Jó 7:5). Que situação!

Num mundo cada vez mais cruel e impiedoso, muitos vivem exatamente a mesma situação de Jó. Assim como vê-se na vida daquele patriarca, há milhares de pessoas vivendo exatamente agora terríveis realidades, como a perda da saúde, do ganha-pão, da família, da honra, do auto-respeito, etc. Veja, por exemplo, o caso recente dos venezuelanos no Brasil, no Estado do Roraima: a prostituição daquelas que outrora foram pacatas donas de casa, para poderem sobreviver. 

 

 

Problemas financeiros podem levar a pessoa ao limite. Se problemas financeiros podem levar ao desespero, imagine perder todo o fruto do trabalho de uma vida inteira, como essas mulheres! Por conta das experiências sexuais forçadas pela condição financeira, depressão, ansiedade e desejos suicidas são comuns a essas pessoas (Veja: Prostitutas são as pessoas que mais tentam suicidar-se). 

Mas não é só  problemas financeiros: os de saúde também podem levar a pessoa ao limite. Eles são capazes de abater a alma de qualquer pessoa. Quantas famílias estão vivendo angústias e tristezas insuportáveis por terem seus queridos internados em estado gravíssimo ou os perdido, pela morte, devido a pandemia por Covid-19? Quem perdeu seu querido sabe o quanto a dor pode ser extremamente intensa, ainda mais num mundo desprovido de misericórdia e compaixão, onde prevalece os piores tipos de  maldade e crueldade. 

Infelizmente, problemas no relacionamento interpessoal podem também gerar o desejo de terminar com tudo rapidamente. Quantas mulheres - até adolescentes e crianças, que estão sofrendo ou já sofreram abusos sexuais (e outros tipos de abuso) não estão nesse exato momento cogitando acabarem com suas próprias vidas? É muito triste constatar isso! Assim, por exemplo, acontece com aquele que sofre bullying. Com aquele que é alvo de preconceito, discriminação e opressão, como por exemplo é o caso dos LGBTQI+ (veja: Autoextermínio é até 7 vezes mais comum entre LGBTQI+). Muitas pessoas, consciente ou inconscientemente, por suas atitudes em relação ao próximo, estão contribuindo para o atingimento do limite e, tristemente, para a destruição da vida de outro ser humano.

O fato aqui é que cada um de nós possui um limite de resistência diferente nas diferentes áreas de nossas vidas, porém tão capaz de ser atingido como o de Jó. Uma vez atingido o limite de nossa resistência, perdemos as “salvaguardas” emocionais que mantém nosso equilíbrio interno. Tem lugar, então, uma enormidade de expressões e sentimentos incontroláveis:

  • Insônia Intensa: “Havendo-me deitado, digo: Quando me levantarei? Mas comprida é a noite, e farto-me de me revolver na cama até a alva.” (Jó 7:4) 
  • Expressões Verbais de Amargura: “Por isso não reprimirei a minha boca; falarei na angústia do meu espírito, queixar-me-ei na amargura da minha alma.” (Jó 7:11)
  • Sentimento de abandono da parte de Deus: “Ainda que eu chamasse, e ele me respondesse, não poderia crer que ele estivesse escutando a minha voz.” (Jó 9:16) Talvez você esteja se perguntando: “Será que o Meu Pai Está Vendo o que Estou enfrentando - e Será que Ele Se Importa com Isto?”
  • Sentimento de injustiça da parte de Deus: “Porque eu, porque comigo?” (Jó 21:7-15) 
  • Desejo de jamais ter nascido: “Por que não morri ao nascer? por que não expirei ao vir à luz?” (Jó 3:11) 
  • Desejo de morrer: “A minha vida abomino; não quero viver para sempre”. (Jó 7:16). Em algumas pessoas, este sentimento é tão intenso que acaba por converter-se em sentimento de desejo de suicídio – ou mesmo na tentativa deste: “Ninguém me ama. É fácil a gente se matar quando não tem nada a perder”. 

O que fazer quando esse limite pessoal de resistência é atingido? Dar vazão aos sentimentos destruidores, levando-os à cabo? Matar-se? Matar alguém? À luz da experiência de Jó, sugiro que nesses momentos, no limite de sua resistência, você vá ao limite da fé! No limite de sua resistência emocional e física, Jó levou sua fé ao limite. Não buscou em Deus explicações, justificativas, teologismos baratos ou qualquer paliativo. Ele colocou toda a sua fé no ponto mais alto que ela poderia chegar, neste estágio: Ele creu no seu REDENTOR pessoal, Vivo e não Passivo! (Jó 19:25 – “meu Redentor”)! 

A exemplo de Jó nós também temos um Redentor, que está Vivo. Ele se identificou conosco, se fez homem. Se identificou até o limite da nossa resistência e não satisfeito ultrapassou este limite, para que por Seu sofrimento, fôssemos livres do nosso! Para que, tendo experimentado todas as tentações e dores possíveis, pudesse nos socorrer em nossas dores e tentações! Ele, Jesus, apanhou de vários soldados, cuspiram Nele, o açoitaram com um chicote feito para gerar dores indizíveis (chamado flagrum ou flagellum, consiste em pequenas partes de osso e metal unidos a vários cordões de couro. Durante as chicotadas, a pele era arrancada das costas, expondo uma massa ensangüentada de músculo e osso), colocaram Nele uma coroa de espinhos, o pregaram numa cruz e furaram seu tórax com uma lança (Mt 26.67,68; 27.30). Ele foi traído por seu amigo íntimo, por quem Ele amava (Jo 15.15; Mt 26.50 – “amigo, a que vieste?”), foi negado três vezes por seu amigo Pedro, abandonado por aqueles a quem amou, inclusive João. Escarneceram dele o quanto puderam! Até Seu Pai virou a face, escondendo Dele o rosto e deixando-O desamparado a sofrer no corpo e na alma, para morrer da forma mais indigna possível naquela época - uma morte de ladrão, de traidor! Morreu entre dois ladrões, numa situação de maldição (Mt 27.46) Mas Ele fez isso por causa de nós! "Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados" (Is 53.4,5). Logo, ELE SE IMPORTA CONOSCO - e não pouco; deu a própria vida para que vivêssemos; logo, Ele está ao nosso lado nos piores e mais cruéis momentos de nossa vida, para nos ajudar e livrar! 

Deus diz que você está gravado bem na palma da Sua mão! Em hebraico a palavra “gravei” significa “tatuei” - quer dizer, indelével, impossível de ser apagado. Ele não pode esticar a Sua mão sem que Se lembre de você! Deus não se esquece JAMAIS de você! (Is 49.13-16). Deus não despreza o aflito ("Pois não desprezou, nem abominou a dor do aflito, nem ocultou dele o rosto, mas o ouviu, quando lhe gritou por socorro" - Sl 22.24) Vá até Ele e dele receba a força para continuar a jornada! Vá até Ele, com confiança e fé - Ele é socorro BEM PRESENTE na hora da angústia! É Ele mesmo quem diz: "invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás"! (Sl 50.15) O próprio salmista, homem como eu e você, demonstra profunda confiança na resposta de Deus no dia da angústia ("No dia da minha angústia, clamo a ti, porque me respondes" - Sl 86.7)!

Como invocar ao Senhor, talvez você pergunte. A resposta é apresentando a Ele os sacrifícios que Ele considera agradáveis: "Sacrifícios agradáveis a Deus são o espírito quebrantado; coração compungido e contrito, não o desprezarás, ó Deus." (Sl 51.17) Ele, o Senhor, é quem te diz nessa hora: "Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar o coração dos contritos." (Is 57.15)

Para concluir, deixo-lhe um precioso louvor. Escute-o enquanto busca o Senhor seu Deus:


Graça, misericórdia e paz lhes sejam multiplicadas!

 

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Sermão ministrado em culto dominical, dia 24/02/2008.