quinta-feira, 16 de maio de 2013

OS LIVRAMENTOS DE DEUS

“Se formos atirados na fornalha em chamas, o Deus a quem prestamos culto pode livrar-nos, e ele nos livrará das tuas mãos, ó rei. Mas, se ele não nos livrar, saiba, ó rei, que não prestaremos culto aos teus deuses nem adoraremos a imagem de ouro que mandaste erguer".  (Dn 3.17,18)

Por: Sem. Juliana Marques Barbosa.(*)


A maioria das pessoas quando ora geralmente pede a Deus que as livre de todo mal. Mas, o engraçado é que quando algo ou alguém que nós considerávamos importante sai de nossas vidas nós ficamos tristes, decepcionados e na maioria das vezes questionamos a Deus e levamos um tempo para aceitar ou muitas vezes não aceitamos. Contraditório, não?

Nós oramos pedindo livramentos e quando assim Deus os faz nós o questionamos todo tempo. A impressão que Deus deve ter de nós é que no mínimo ou não sabemos pedir ou não sabemos o que queremos. E ao invés de nos preocuparmos em aprofundar nosso relacionamento com Deus e com o que Ele pensa a nosso respeito, nos preocupamos com os relacionamentos diversos e com o que Deus tirou de nossas vidas, não é verdade?

Querido Irmão, você entende o que significa ser dependente de Deus? Entende o que é colocar a vida nas mãos do Pai e Nele esperar?
Ser dependente de Deus é crer que tudo que Ele fizer por você é para o seu bem, é para sua felicidade e salvação. Nada do que Deus planejou para nossas vidas dará errado, porque Ele sabia o nosso nome mesmo antes dos nossos pais se conhecerem. Então, como duvidar das escolhas de alguém que envia o próprio e único filho para nos salvar?

Livrar-nos de todo mal é muitas vezes a resposta das nossas orações e das orações que outras pessoas fazem por nós, afinal, a oração é o meio em que falamos com Deus, é o meio pelo qual Ele escuta o nosso clamor! 

Em Mateus 21:22 temos: “E tudo o que pedirdes na oração, crendo, o recebereis.” Oras, isso se aplica também aos livramentos que Deus proporciona a nossa vida. Nós nem sempre perdemos por falta de vigilância ou por falta de orações, não é sempre assim. Nestes momentos de perda, seja ela qual for, devemos entender que Deus pode estar nos dando um livramento. Eu não estou me referindo aos casos de mortes dos nossos entes queridos, irmãos ou amigos próximos. É claro que nós sofremos com esse tipo de perda, mas devemos lembrar que há um tempo determinado para tudo, tempo de nascer e tempo de morrer. Em diversos momentos nós esquecemos de que o que consideramos bom para nós, pode não ser bom para Deus ou escolha Dele para nossas vidas. Acreditar nos propósitos Dele é saber viver pela fé, e pela fé ser salvo.

Se você tem uma vida íntegra com Ele, pode ter certeza que nenhum mal te alcançará e se alcançar Ele te livrará. No momento em que nós entregamos totalmente a nossa vida a Jesus e nos tornamos condicionados a Ele, saberemos discernir se foi perda ou livramento. Deus só tem o melhor para nós, não precisamos nos preocupar com o que perdemos, porque se orarmos com fé e for da vontade de Deus vai se cumprir.

Em Jó encontramos: “Ele ora a Deus e recebe o seu favor; vê o rosto de Deus e dá gritos de alegria, e Deus lhe restitui a condição de justo.” Assim como na vida de Jó, tudo que for pra ser nosso voltará em nossas mãos, e se não voltar, é porque não iria nos trazer felicidade.

Um exemplo muito simples sobre tudo isso, são as pessoas que perdem, por exemplo, um namorado, um amigo ou um emprego. Num primeiro momento achamos ser o fim do mundo, que não vamos suportar a dor, a falta de dinheiro, que vamos morrer e outros tantos exageros. Chegamos muitas vezes ao ponto de nos humilharmos! Isso além de ser um ato de desvalorização de si mesmo, é a prova que nós não entendemos o trabalhar de Deus em nossas vidas. E isso vale para qualquer situação em que Deus esteja trabalhando em nosso favor. Seja na área financeira, emocional e principalmente espiritual. Se um relacionamento, emprego ou compra de um imóvel não deu certo, ore, peça a direção de Deus e espere no Senhor! Correr para outro caminho que não seja Jesus não prova sua fidelidade a Deus, e sim que te falta paciência e fé para esperar e crer que o melhor ainda estar por vir e que Deus trabalha diariamente pela tua prosperidade em todas as áreas de tua vida.

Você tem suas qualidades, seu valor, e junto com Deus você será sempre a maioria, não tenha medo de enfrentar o que vier se colocar em seu caminho, com a direção do Senhor, você não perderá tempo, receberá seus livramentos, para ir ao encontro do melhor, sempre.

Lembre-se a nossa luta não é contra carne ou sangue, mas sim contra principados e potestades. Quantas foram às vezes em que o inimigo quis acabar com os teus sonhos ou destruir a tua vida, mas Deus mostrou o poder Dele através dos livramentos te provando que o que é Dele o inimigo não toca! Podem tentar acabar com você, mas o Deus que nós servimos tem todo poder para nos livrar de todo mal.

Creia nisso!

Deus está te dando visão de águia!


(*) Juliana Marques Barbosa é Seminarista no Curso Livre de Bacharel em Teologia pela Escola Teológica Reviver. 

quinta-feira, 9 de maio de 2013

ESCANDALOSOS E SEUS ESCÂNDALOS

Mas, qualquer que escandalizar um destes pequeninos, que crêem em mim, melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de azenha, e se submergisse na profundeza do mar. Ai do mundo, por causa dos escândalos; porque é mister que venham escândalos, mas ai daquele homem por quem o escândalo vem! (Mt 18.6,7)

O termo escândalo vem do lat. sacandàlum,i "pedra de escândalo, obstáculo, ocasião de queda, laço, armadilha", do gr.ecl. skándalon, ou "pedra, obstáculo que faz tropeçar, tombar; escândalo." O que é escândalo? Segundo o dicionário Houaiss, o termo pode ter os seguintes significados:

1. fato ou acontecimento que contraria e ofende sentimentos, crenças ou convenções morais, sociais ou religiosas estabelecidas
2. indignação, perplexidade ou sentimento de revolta provocados por ato que viola convenções morais e regras de decoro
3. aquilo que pode levar a erro, a mau procedimento ou a pecado
4. ato que envolve desordem, tumulto, quebra de uma ordem estabelecida
5. fato revoltante, inaceitável pela consciência civilizada

É interessante notar que a palavra skándalon, derivada skandaléthron, significa “a vareta com isca na armadilha”. O skandaléthron era o braço ou a vareta em que a isca era fixada. O animal para o qual a armadilha era armada era levado pela isca a tocar ou pisar na vareta; a vareta acionava uma mola, e assim o animal era conduzido à sua captura ou destruição.

Escândalo pode ser entendido, desse modo, como a ação cometida por alguém que conduz ao erro, mau procedimento ou pecado por parte de outras pessoas. O escândalo seria uma espécie de indução ao erro noutrem por uma má atitude pessoal, atitude essa que contraria uma determinado código de conduta ou convenção. Quando se refere a fé cristã, o escândalo pode ser definido como a ação, por parte de um crente ou líder cristão, que é radicalmente contrária aos princípios basilares dessa fé, nomeadamente, contra o que ensina a Bíblia Sagrada. O problema reside no fato do antagonismo total entre profissão de fé e prática de fé, ou seja, o sujeito age de forma totalmente oposta àquilo que ele defende como sendo verdadeiro, tanto para sua vida pessoal quanto para outras pessoas. Essa pessoa, que comete escândalo, recebe o adjetivo "escandalosa", ou seja, "aquele que comente escândalo, ou em quem há escândalo; que conduz ao erro, ao pecado; que serve de mau exemplo".

A pessoa que contempla ou toma conhecimento de um escândalo vê-se, se não tiver a devida cautela, apanhada numa armadilha espiritual, armada por quem comete o escândalo. Por isso, em Mateus 18, Nosso Senhor condenou com muita severidade os escândalos e, consequentemente, aqueles que cometem escândalo. Ele disse que seria melhor, para quem comete o escândalo, "que se lhe pendurasse ao pescoço uma mó de azenha, e se submergisse na profundeza do mar". Mó de azenha é a pedra utilizada num moinho movido a água. Era uma pedra grande e dura, circular, de altura pequena, com que se trituram os grãos nos moinhos, girando-a sobre outra pedra, ou se espreme a azeitona no lagar para extrair o azeite. Os moinhos faziam uso dessas pedras para triturar o trigo, produzindo farinha, bem como outros vegetais. Perceba que segundo o Mestre de Nazaré, entre duas péssimas opções - o escândalo e a morte por afogamento nas profundezas do mar - a segunda opção seria melhor. A conclusão lógica é que quem produz escândalos há de sofrer terrivelmente no Dia do Juízo por conta disso. Por quê? É simples: porque essa pessoa, por quem o escândalo vem, pode fazer perder a fé de até mesmo uma simples criança em Cristo Jesus ("um destes
pequeninos").    
   
Escândalos causam deboches e blasfêmias. Diz Paulo, o apóstolo: "Porque, como está escrito, o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por causa de vós" (Rm 2.24). Uma simples análise do contexto revela o porquê do nome de Deus ser blasfemado: "Eis que tu que tens por sobrenome judeu, e repousas na lei, e te glorias em Deus; E sabes a sua vontade e aprovas as coisas excelentes, sendo instruído por lei; E confias que és guia dos cegos, luz dos que estão em trevas, Instrutor dos néscios, mestre de crianças, que tens a forma da ciência e da verdade na lei; Tu, pois, que ensinas a outro, não te ensinas a ti mesmo? Tu, que pregas que não se deve furtar, furtas? Tu, que dizes que não se deve adulterar, adulteras? Tu, que abominas os ídolos, cometes sacrilégio? Tu, que te glorias na lei, desonras a Deus pela transgressão da lei?" (Rm 2.17-23) Que atitudes causam essas blasfêmias? É simples: os escândalos, aqui embasados e exemplificados de forma claríssima por Paulo. Dá até para ouvir o santo apóstolo falando nos dias de hoje:

"Você, que tem por sobrenome o nome de Cristo, que repousas na Bíblia e que te glorias em Deus; e sabes e aprovas a vontade de Deus, sendo instruído pela Palavra de Deus; e confias que és guia dos cegos, luz do mundo, Instrutor dos néscios, mestre de novos-convertidos, que tem a forma do conhecimento e da Palavra: Tu, pois, que ensinas a outro, NÃO TE ENSINAS A TI MESMO?  Tu, que pregas que não se deve fornicar, fornicas? Tu, que dizes que não se deve adulterar, adulteras? Tu, que dizes que não se deve roubar, roubas? Tu, que dizes que o diabo é inimigo, associa-te com ele? Tu, que dizes que os estupradores, assassinos, adúlteros, sodomitas, traficantes de drogas, violentos, idólatras, picaretas e meliantes vão para o inferno se não se converterem, torna-te como eles, errando nas mesmas coisas? Tu, que te glorias na Bíblia, desonras a Deus pela transgressão da Bíblia?"

Segundo ainda o apóstolo São Paulo, quem age desse modo, INDEPENDENTE DE QUEM QUER QUE SEJA, é indesculpável, porque ele condena a si mesmo naquilo em que ele julga a outro; pois ele, que julga, faz o mesmo (Rm 2.1). Para os que assim se comportam, o juízo de Deus é segundo a verdade. Paulo pergunta: "E tu, ó homem, que julgas os que fazem tais coisas, cuidas que, fazendo-as tu, escaparás ao juízo de Deus?" (v.3). Ou seja, quem assim age - fala uma coisa e faz outra - não deve pensar que escapará do juízo de Deus por apenas conhecer o certo ou por julgar ser isso-ou-aquilo, visto que o conhecimento da Vontade de Deus acerca de tais coisas não veio acompanhado da prática dessa Verdade. Quem assim age, deve aguardar as consequências, pois "segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus, o qual recompensará cada um segundo as suas obras; a saber: A vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, honra e incorrupção; mas a indignação e a ira aos que são contenciosos, desobedientes à verdade e obedientes à iniqüidade" (vv.4-9). Para com Deus, não há acepção de pessoas: independente de estar em igrejas ou em púlpitos, ou em qualquer outro lugar; independente de classe social, nível educacional, título social ou eclesiástico, ou não ter nada disso, o juízo de Deus há de alcançar o homem ou mulher que assim age.

O Senhor Jesus disse que é mister, ou seja, é necessário, é inevitável que venham os escândalos. Ou seja, independente do que se faça para impedi-los, eles surgirão. Contra isso, não adiantam usos e costumes, não adiantam medidas coercitivas e moralizadoras. Com a proximidade do fim, mais e mais escândalos hão de surgir, tendo-se em vista que mais e mais o homem abandona Deus e mergulha de cabeça na fossa poluída do pecado. Cada vez mais a humanidade chafurda-se no lamaçal do pecado, entregando-se nas mãos do porqueiro de almas. O inferno é cada vez mais visível em suas manifestações violentas e imorais no meio da raça humana. E, portanto, o pecado domina cada vez mais e mais o homem, tornando-o um filho do diabo por identificação com o caráter de seu pai. Os governos cada vez mais aprovarão leis imorais, legalizando o ilegal e imoral e criminalizando o que é moral. E do seio daqueles que deveriam ser o sal da terra e a luz do mundo - a Igreja - surgirão cada vez mais escandalosos com seus escândalos. Por quê? Por várias razões, como promiscuidade nas relações entre a Igreja e o mundo, gerada pelo falso ensino do dominionismo cristão; pela sedução do mundo, com seus prazeres pecaminosos imediatos, ensinados como corretos e desejáveis pelos teólogos e mestres da bufunfa (teologia da falsa prosperidade), enfatizando o material em detrimento do espiritual e do secular em detrimento do eterno; do falso ensino sobre o que é sucesso pastoral - grandes igrejas, grandes negócios -, vulgarizando e inferiorizando a mensagem do Evangelho para não ferir suscetibilidades dos contribuintes; da consequente minimização de critérios para aceitação de pessoas como membros de Igrejas e como ministros evangélicos; dentre muitas outras. A lista é interminável.  

Assim, o problema dos escândalos não está na Bíblia ou na fé na Bíblia. Não é ela a causa dos tropeços. Tampouco o problema é a existência da Igreja. Há em tudo o que existe o verdadeiro, que é uno e o falso, que é múltiplo: há o verdadeiro pastor e os falsos pastores, há o verdadeiro Cristo e os falsos cristos, há a verdadeira Igreja e as falsas igrejas. No mundo também é assim: há, por exemplo, o verdadeiro médico e os falsos médicos, que se intitulam médicos sem terem sido diplomados para tal.   Porém, é sempre possível analisarmos as atitudes de uma pessoa e a partir dessas atitudes escolhermos a nossa forma de agir.  Nosso Senhor nos ensina: "Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. Por seus frutos os conhecereis. Porventura colhem-se uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos? assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons. Toda a árvore que não dá bom fruto corta-se e lança-se no fogo. Portanto, pelos seus frutos os conhecereis. Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade." (Mt 7.15-23) Falsos profetas - geradores de inúmeros escândalos - são reconhecidos por suas atitudes, INDEPENDENTEMENTE DE SUA PERFORMANCE ESPIRITUAL (profecia, expulsão de demônios, curas divinas, maravilhas, etc). O que precisa ser analisado é sempre o CARÁTER do sujeito, não seus supostos dons, poder, realizações e títulos!

Cada vez mais e mais pessoas são pegas na armadilha dos escândalos. Cresce o número de perdidos ao passo que aumentam as barreiras para conversão de pecadores. Hoje, cada crente verdadeiro corre grande perigo de que, caso venha a se desviar, nunca mais encontre o caminho de retorno a fé cristã. O mundo está cada vez mais acelerado, o diabo cada vez mais diabólico e homem cada vez mais endiabrado. Temo a dizer que talvez nunca, em toda a história, o laço do passarinheiro revelou-se tão eficaz quanto nos nossos dias! O escândalo faz cada vez mais seus prisioneiros, trazendo censura ao genuíno ministério cristão na face da Terra (II Co 6.3) por aqueles que acabam julgando tudo e todos pela atitude de alguns.    

A despeito de tudo isso, independente do homem fazer pouco caso, desprezar ou tripudiar com a Igreja, com a Bíblia e com Deus, o que é do homem está devidamente reservado. No dia do Juízo haverá vários grupos de pessoas perante o Juiz de Toda Terra. No que tange a esta postagem, haverá pelos menos 3 grandes grupos: (i) aqueles que sabiam a Vontade de Deus e um dia a aceitaram em suas vidas mas que não viveram por esta verdade até o fim; (ii) aqueles que não quiseram receber esta verdade, por amarem mais as trevas do que a luz; (iii) aqueles que, diante dos escândalos, abandonaram da fé e jamais retornaram. Cada um será julgado segundo as suas obras em vida, sem a menor chance de serem absolvidos.

Graça a Deus, existem ainda pessoas sérias em sua fé. Tratam-se de pessoas comprometidas com Deus e não com o sistema que aí está, que gemem e choram diante de Deus por suas vidas e pelas vidas de outras pessoas, todo o dia. Gente que não tem rabo preso com o diabo e por isso mesmo não tem o que esconder ou temer; antes são temidas no inferno pelo diabo e por suas hostes.  Aqueles que se achegam a Deus com sinceridade de propósito e humildade acabam por encontrá-Lo; sim, aquele que habita no esconderijo do Altíssimo, à sombra do Onipotente tem descansado sua alma no Seu Senhor e Deus, no seu refúgio, a sua fortaleza (Sl 91.1-3). Aquele que Nele - e somente Nele - confia tem a sua alma livrada do laço do passarinheiro. O Senhor quebra o laço do inimigo, e nós escapamos (Sl 124.7).

Você, que tem se deparado com a proliferação de escândalos por parte de alguns ditos crentes, pastores e igrejas: tenha muito cuidado com a sua alma, pois ela corre perigo! Hoje, com a idolatria de pastores e lideranças, onde os fiéis professam fé e adoração a Deus mas na prática crêem e adoram o líder denominacional, encastelado na máxima "não toque no ungido", as chances de aversão a tudo o que se chama Deus e é objeto de culto, diante da queda/escândalo desses líderes, por parte dos fiéis, é imensa. Imagine o caso de uma fiel estuprada por um líder, mesmo sob a astúcia por parte daquele, com palavras apropriadas para a sedução. Será que ela se manterá firme na fé depois do ato, da decepção? Se ela tiver filhos, como ficará a fé deles depois que souberem o que aconteceu com sua mãe? É até possível que outras pessoas da mesma "igreja" tentem encobrir o fato com acusações contra a vítima (e, em alguns casos, a vítima é na verdade o lobo da situação), mas como fica a vida dessa pessoa e de outros que não estão cegados pelos poderes sedutores da Serpente na vida do líder da denominação, ao tomarem conhecimento do ocorrido? Como Nosso Senhor falou, os pequeninos serão escandalizados, serão apanhados no laço do passarinheiro! Gente humilde e carente, fiéis ao líder por achar que ele é um verdadeiro Servo do Deus Altíssimo, acaba sendo vítima de quem deveria protegê-los! Como ficará o coração dessas pessoas? Talvez nunca mais queiram sequer ouvir sobre a fé! Que Deus tenha misericórdia de quem passa por esta situação!

Nossos olhos precisam urgentemente estar firmes em Cristo, o Autor e Consumador da nossa fé, e não em homens ou no pecado que tenazmente nos assedia (Hb 12.1,2). Nosso Senhor está voltando e quando Ele chegar, não haverá tempo para mais nada. O que tiver sido feito, feito estará, sem chance de conserto ou reparação de última hora! Atenção com a pedra no Caminho! Atenção com falsos profetas, com falsos pastores e líderes e com falsas ovelhas!

Diz assim o antigo hino "Olhai Para O Cordeiro de Deus" (HC 20):

Livres de pecado vós quereis ficar?
Olhai p'ra o Cordeiro de Deus!
Ele morto foi na cruz, p'ra vos salvar;
Olhai p'ra o Cordeiro de Deus!

Olhai p'ra o Cordeiro de Deus,
Olhai p'ra o cordeiro de Deus,
Porque só Ele vos pode salvar.
Olhal p'ra o Cordeiro de Deus!

Se estais tentados, em hesitação,
Olhai p'ra o Cordeiro de Deus!
Ele encherá o vosso coração.
Olhai p'ra o Cordeiro de Deus!

Se estais cansados e sem mais vigor,
Olhai pra o Cordeiro de Deus!
Ele vos quer dar Seu divina! amor, Olhai p'ra o Cordeiro de Deus!

Se na vossa senda sombras vêm cair,
Olhai pra o Cordeiro de Deus!
Ele, com Sua graça, tudo quer suprir.
Olhai p'ra o Cordeiro de Deus!


 Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!     

segunda-feira, 29 de abril de 2013

DETURPANDO A PALAVRA DE DEUS: A VERSÃO FREE STYLE


"Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro; e, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas neste livro." (Ap 22.18,19)

Uma das estratégias modernas por parte do diabo no afã de destruir a credibilidade da fé cristã é a adulteração do texto bíblico. Para ser mais preciso, esta estratégia não é tão nova: já nos tempos bíblicos do Novo Testamento, circularam diversos textos espúrios, elaborados pelos adeptos do gnosticismo, contendo supostas "versões" e/ou "paráfrases" dos textos inspirados e genuínos. Assim, surgiu por exemplo o "Evangelho da Infância", o "Evangelho dos Ebionitas", o "Apocalipse Gnóstico de Pedro" e muitos outros. São conhecidos como apócrifos, espúrios, falsos.

Essas adulterações da Palavra de Deus, gravíssimas pois modificam radicalmente o sentido do texto bíblico inspirado, vem se multiplicando cada vez mais. Sou da opinião que ainda veremos muitas e muitas adulterações tão malignas o piores até do que as disponíveis atualmente, a medida que o fim se aproxima. Talvez chegue o dia em que a posse e uso de uma Bíblia séria e honesta (ACF, ARA, ARC, e umas poucas outras) seja até considerado crime contra o Estado. É possível que a Bíblia verdadeira venha a constar de uma espécie de Index Librorum Prohibitorum da modernidade, elaborado pelas "autoridades religiosas e políticas", a fim de conter o avanço do Reino de Deus. Quem quiser, que se contente com uma falsificação grosseira, repleta de termos chulos e expurgada de toda a verdade, a fim de corroborar com os pecados da humanidade.  Quem sabe até o falso profeta crie uma "versão especial" da "bíblia", sendo a mesma tornada "única e oficial" pelo anticristo... tudo que há hoje leva a crer há grande chance disso acontecer!

Tendo tomado conhecimento da existência de uma suposta versão livre da Bíblia, denominada pelo seu autor[1] de Bíblia Free Style, divulgada na internet[2],  por meio de uma lista de e-mails que faço parte (yahoo), solicitei a permissão do autor do conteúdo da exposição que ora passo a apresentar acerca do tema em tela, para reproduzi-lo aqui no Ad Argumentandum Tantum, por concordar com o mesmo e por considerar tal conteúdo importantíssimo para a fé cristã, como pastor evangélico. 

Antes de tudo necessário se faz um esclarecimento. Doravante iremos nos referir a “Bíblia Free Style” como “Versão Free Style”, pois não a consideramos uma Bíblia; na verdade ela não é nem tradução, nem versão, nem paráfrase. Portanto se todas essas designações são impróprias a ela, obviamente ela é muito mais indigna de ser chamada de Bíblia.


I. A PALAVRA DE DEUS É VIVA

"Porque a palavra de Deus é viva e eficaz...” (Hb 4.12). Sendo viva ela é eficaz, portanto não necessita de artefatos da sabedoria humana, nem depende de técnicas linguísticas, para se tornar compreensível.

Se o objetivo pretendido pelo autor da “Versão Free Style” é tornar a Bíblia compreensível pelo uso de vocábulos populares, deve ser dito, em claro e bom som, ser impossível o entendimento das Escrituras desassociado da iluminação do Espírito Santo, ainda que se usem vocábulos passivos[3]e vocábulos ativos[4], ou linguagem popular, porque a eficácia da Palavra está nela mesma, e não nas suas traduções.

Quando o Espírito Santo ilumina os olhos do entendimento[5] a Palavra é revelada tanto para o leitor de alto nível intelectual quanto para o mais humilde. Se dessa forma não fosse, seria impossível a conversão de um analfabeto. Cremos que a Palavra de Deus é eficaz para revelar-se ao indouto, ao iletrado e ao analfabeto, e isto comprova a inutilidade dessas versões. Portanto o argumento que se usa para justificar a existência da “Versão Free Style”, como de outras traduções de linguagem popular, é inaceitável.

É possível até que uma linguagem menos erudita e menos clássica, possibilite uma compreensão literária ou da gramática do texto, mas em nada há de cooperar no entendimento espiritual da Bíblia, pois a interpretação correta da Bíblia, necessariamente exige que se faça uma interpretação espiritual.

Por interpretação espiritual não estamos nos referindo a uma espiritualização da Bíblia, ou a uma interpretação alegórica do texto bíblico, mas ao “espírito e vida” [6] que há na Palavra Viva de Deus. Esse “espírito e vida” encontra-se oculto além da mera letra[7], e a mente humana só pode atingir o Espírito da letra mediante revelação do Espírito Santo quando este ilumina a mente do leitor. Isto independe da versão ou da gramática do texto, pois o Espírito Santo poderá usar qualquer versão disponível[8] no idioma do leitor, contanto que ela não seja nem falsa nem espúria.

II. A PALAVRA DE DEUS É ELEVADA

 "... engrandeceste a tua palavra acima de todo o teu nome" (Sl 138.2). A tradução de um documento ou obra literária de natureza bíblica requer de seus tradutores capacidade teológica, técnica, histórica, geográfica e linguística, pois uma tradução mal feita não terá credibilidade, nem reconhecimento nem aceitação, a não ser pelos incautos e ignorantes.

Conta-se que para traduzir a Versão dos Setenta, a Septuaginta (LXX), foram necessários setenta e dois tradutores, seis rabinos de cada uma das doze tribos de Israel, sendo todos eles homens sábios e eruditos, conhecedores do hebraico e do grego. Tais atributos foram necessários e exigidos para que a obra de tradução fosse concluída com fidelidade. Alguns eruditos e estudiosos não confirmam esse fato, mas, de qualquer maneira, ainda que seja uma lenda, ela serve para demonstrar o grande respeito que tinham os hebreus pelo texto sagrado, pois era muito comum ao povo hebreu expressar importantes verdades por meio de contos, fábulas e estórias.

Caso isso fosse verdadeiro, que a Septuaginta tivesse sido traduzida em apenas 72 dias, por 72 rabinos, isso teria sido o resultado de uma ação extraordinária do Espírito Santo sobre eles, pois nunca se ouviu falar de alguma tradução que tenha sido elaborada em tão curto período de tempo.

Para nós é mais provável crer, de acordo com o historiador Flávio Josefo, que judeus sábios traduziram a Torah para o grego Koiné no século III A.C. e os demais livros ao longo dos dois séculos seguintes, totalizando um período de quase três séculos. Certamente essa tarefa tão grandiosa exigia um tempo assim tão prolongado.

As versões que temos atualmente, em língua portuguesa (como as demais), não foram concluídas em dias ou meses. Não foram elas irresponsavelmente traduzidas um capítulo por dia, como faz o autor da “Versão Free Style”. Todas as versões e revisões que temos atualmente requereram dos seus exegetas e tradutores um esforço enorme, que demandou horas de pesquisas e leituras, além do indispensável conhecimento das línguas originais, e do conhecimento da gramática tanto das línguas originais quanto do próprio idioma para o qual foram traduzidas.

Vários fatores devem ser considerados na tradução de uma obra. Na tradução da Bíblia esses fatores se complicam por causa de sua natureza tão específica e diversa: diversidade de livros, de autores, de épocas[9], diversidade de expressões idiomáticas, diversidade de cultura, etc.
Algumas regras são básicas numa tradução. A seguir mencionaremos três que entendemos fundamentais na tradução da Bíblia. Certamente há outras, mas as três que citaremos são suficientes para nossa argumentação.

1) O tradutor deve evitar ambiguidades. Isto é, o tradutor tem o dever de traduzir com clareza, não dando margem a entendimento duplo e duvidoso. Essa regra foi quebrada pelo tradutor da “Versão Free Style”, pois ela tem muitas ambiguidades; suas palavras e frases dão margem a sentidos diversos.

2) O tradutor deve observar o contexto. O tradutor deve ater-se ao contexto do texto, para evitar o pretexto. Inegavelmente na “Versão Free Style” há mais pretexto do que contexto.

3) O tradutor deve ter conhecimento das expressões. As expressões idiomáticas e figuras de linguagem devem ser traduzidas com exatidão, e transmitir o exato sentido do texto. A “Versão Free Style” destrói a riqueza cultural, e peca pela substituição de expressões idiomáticas, pela escolha de palavras que, no vernáculo, não transmitem o seu verdadeiro significado. Murchou a Flor do Lácio!

As três regras acima citadas são fundamentais e essenciais, e deveriam existir mesmo numa tradução que se caracteriza como “tradução livre”. Basta uma rápida leitura da “Versão Free Style” para perceber a inexistência dessas regras. Facilmente se percebe que as frases usadas, as palavras e os termos escolhidos por seu tradutor, induzem o leitor a interpretações ambíguas e a conclusões duvidosas.

Na “Versão Free Style” a riqueza cultural que encontramos nas expressões idiomáticas das traduções regulares, foram corrompidas e substituídas por termos impróprios, de extrema pobreza literária, carregados de vileza e de insana profanação. Esta é uma constatação que lamentamos profundamente, pois a Palavra de Deus merece tratamento respeitoso no mais alto nível. Tratar o texto sagrado – tão precioso e sagrado – de forma assim tão acintosa, profana e desprezível, evidencia uma mente perversa e um coração submerso "...em fel de amargura, e em laços de iniquidade" (At 8.23).

A Palavra de Deus, sendo a mais elevada obra literária existente no mundo, por causa de seus elevados ensinamentos morais, por seu estilo literário ímpar, e sua riqueza poética e histórica[10], não poderia, nem pode ser manuseada de forma irresponsável, e resultar numa pretensiosa obra de tradução, ainda que se denomine “tradução livre”.

Nada existe tão elevado quanto Deus, ou acima dele. Somente sua Palavra é tão alta quanto Ele "Engrandeceste a tua palavra acima de todo o teu nome" (Sl 138.2), porque a Palavra de Deus é o próprio Cristo, pois Ele é a Verdade[11]. Portanto os homens deveriam ser cautelosos na forma como se utilizam da Palavra de Deus e como se referem a ela e como a manuseiam[12]. A fidelidade e reverência à Palavra de Deus é algo que se requer de todos nós, pregadores, exegetas e tradutores, e nós não encontramos essa preocupação na “Versão Free Style”.


 III. A PALAVRA DE DEUS É PURA

 "As palavras do SENHOR são palavras puras, como prata refinada em fornalha de barro, purificada sete vezes" (Sl 12.6). A Bíblia não faz rodeios, nada ela oculta. Ela conta os fatos como eles são, e os narra exatamente como aconteceram. Entretanto, quando relata a conduta escandalosa das pessoas ou expõe o mal caráter delas, procura dizer toda a verdade, mas não usa palavras chulas ou gírias impróprias. Há muitas passagens que poderíamos citar como exemplo, mas queremos mencionar apenas duas:

1.  Em Ezequiel 16.26 Deus acusa Israel de ter se prostituído com os egípcios porque eles eram homens "grandes de carne" (Ez 16.26). Qualquer um entenderá que tal expressão refere-se ao órgão genital masculino, mas a linguagem, ainda que seja a mais exata possível, está longe de transmitir vulgaridade.

2.  A outra passagem encontra-se em Ezequiel 23.20 onde lemos igualmente acerca de Israel que se prostituiu com os egípcios. Perceba como o tradutor foi cuidadoso na tradução desse verso: "E enamorou-se dos seus amantes, cuja carne é como a de jumentos, e cujo fluxo é como o de cavalos" (Ez 23.20). No uso de uma linguagem digna, procurou o tradutor por palavras que transmitisse o exato sentido do texto, mas sem provocar a imaginação libidinosa do leitor, portanto em lugar de “membros grandes”, como faz outra tradução, eles usaram “carnes grandes”, um eufemismo.

Vejamos três exemplos da “Versão Free Style”:

"Se algum dos seus amigos fizer alguma merda, puxe ele no canto e quebre o pau. Se ele cair na real e pedir desculpas, você salvou seu amigo. Mas se o mané teimar, leva mais uns dois ou três pra por pressão. Se nem assim o safado reconhecer a cagada, leva a gangue inteira pra lhe dar uma surra moral! E se ainda sim o desgraçado não assumir o que fez, então nem considerem ele como amigo." (Mateus 18.15-17 – “Versão Free Style”).

“Jesus, que da escola de malandragem havia sido expulso, respondeu: Ô cambada de hipócritas. Acham que eu sou otário? Aqui é curintia! Me empresta uma moeda aí pra eu mostrar uma coisa". Então emprestaram uma moeda qualquer. Jesus então perguntou: "Quem que imprimiu essa cara feia aqui na moeda?". Todos responderam: "Foi a Dilma!". E ele explicou: "Então deixa pra Dilma o que é dela. E deem pra Deus o que é de Deus!" (Mateus 22.18-21 – “Versão Free Style”).

“Mas Pedro, o bonzão, disse que Jesus nem precisava se preocupar, porque ele tava junto pro que der e vier. Jesus já jogou a real, dizendo: "Ô Pedro, baixa a bola! Você vai ser o primeiro a bundar feio nessa noite, antes do despertador tocar três vezes na função soneca (na verdade era o galo, mas quem usa galo pra acordar hoje em dia, heim?)". E Pedro dizia que não, que não ia abandonar Jesus nem a pau” (Mateus 26.33-35 – “Versão Free Style”).


A leitura desses trechos produz asco. Neles foram usadas as expressões “merda”, “quebre o pau”, “mané”[13], “cagada”, “escola da malandragem”[14], “otário”, “curintia”, “Dilma” [15], “baixa a bola”, “bundar”.

Tais termos são ultrajantes e profanos, e não correspondem à dignidade da Palavra de Deus. Eles não conferem graça, não edificam, e levam o leitor ao caminho inverso daquele recomendado por Paulo, que em sua epístola aos filipenses, ordena aos crentes que pensem em tudo “...o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama...” (Fp 4.8), em tudo o que tem “...virtude” e produza “louvor” (Fp 4.8). Ora, a “tradução” da Versão Free Style não produz nenhuma virtude de pensamento. Suas palavras baixas e chulas tornam impossível o louvor que Paulo recomenda. Elas produzem indignação e desonra.

Se a “Versão Free Style” usasse apenas gírias, já seria inadequado para a tradução de um clássico literário (a Bíblia certamente é um deles), porque gírias são geograficamente restritas, de duração efêmera, e tem alto índice de rejeição pela linguagem gráfica. Entretanto o tradutor da “Versão Free Style” foi além do simples uso de gírias. Ele conseguiu, superando os mais vis e desprezíveis contos do populacho, vulgarizar a Palavra de Deus, e isto sem mencionar a extrema pobreza literária encontrada no texto.

Se nesses três textos bíblicos que citamos, onde não há nenhum indecoro no texto original, foram utilizadas palavras chulas, ficamos imaginando que palavras o tradutor utilizaria na tradução de Ezequiel 16.26 e 23.20. Dá para imaginar?[16]

 IV. O TERMO “BÍBLIA” É IMPRÓPRIO PARA A VERSÃO FREE STYLE

 Há muitos anos uma tradução pervertida da Bíblia foi levada aos tribunais americanos. Os tradutores foram questionados em seu conhecimento teológico, e examinados em seu saber linguístico. Uma vez comprovada a deformação daquela versão, o Tribunal deu o seu veredito proibindo o uso do título “Bíblia Sagrada” na capa daquelas traduções. As traduções poderiam continuar sendo vendidas, mas sem o uso do título “Bíblia Sagrada” em suas capas.[17]

Este foi um caso verdadeiro, e serve para demonstrar a seriedade que se requer na tradução da Bíblia. Foi necessária a intervenção da Justiça para garantir a veracidade do texto bíblico[18]. Não podemos impedir a continuidade da “Versão Free Style”. Seu autor é livre para continuar com essa obra, mas queremos tornar pública nossa rejeição a ela, e manifestar nossa reprovação pelo uso do título “Bíblia” associado a essa versão, porque esse termo – “Bíblia” – que é um vocábulo consagrado para nós, e para todo o povo evangélico em geral, não pode nem deveria estar vinculado a esta obra tão funesta, espúria e infiel ao texto sagrado. Chamar essa tradução de Bíblia, além de ser um grande equívoco, é um ato de profanação.


 CONCLUSÃO

A “Versão Free Style” utiliza palavras chulas, termos indecorosos e expressões ofensivas. Com tais palavras, ela fere os símbolos sagrados da religião cristã, e ofende, não apenas os evangélicos, mas a toda a comunidade religiosa cristã. Fere o bom siso da inteligência e da consciência.

A “Versão Free Style” é, de fato, uma grande profanação, não somente do ponto de vista da fidelidade teológica, mas também da sensibilidade literária, pois empobrece o acervo cultural da literatura em geral, mas especialmente o da literatura cristã. Trata-se de uma literatura de extremo mau gosto, talvez atraente ao gosto do populacho, mas completamente reprovável a quem tem bom siso.

Voltando a citar a tradução dos setenta (LXX), conta-se que o rei pessoalmente empenhou-se a financiar tal empreendimento, porque queria orgulhar-se de sua biblioteca, que, para completar-se, necessitava dum exemplar do Antigo Testamento dos hebreus. Desse fato podemos verificar que até mesmo um rei impenitente e rude pôde manifestar o gosto pela arte superior e pela boa literatura. Por meio desse conto entendemos que pessoas ignorantes e sem nenhuma escolaridade podem revelar graça e poesia. Portanto é desnecessário e reprovável baixarmos ao nível da ignorância e da mediocridade, sob o argumento de se fazer entendido, porque o que deveríamos fazer é tomar o caminho inverso, ou seja, incentivar àqueles que possuem baixa escolaridade ou pouco entendimento, a subirem o seu nível na escala cultural.

Para tanto a leitura e o estudo das Escrituras vem cumprindo muito bem esse papel, pois é isso que temos visto nas igrejas onde a Bíblia é respeitada, porque ela, não somente TRANSFORMA a pessoa dando-lhe uma nova identidade espiritual em Cristo, como também INFORMA. A Bíblia edifica a pessoa e produz nela uma nova mente e uma nova mentalidade (intelectual e espiritual). Além disso, abre-lhe novos horizontes na área do saber, na medida em que se transforma num vasto campo de pesquisa e de desenvolvimento cultural[19]. A Bíblia mostra o caminho para o céu, mas também abre as portas da erudição[20]. É bem verdade que a própria Bíblia recomenda a simplicidade[21], mas devemos entender que simplicidade não deve confundir-se com mediocridade, e a “Versão Free Style” ainda que tenha aparência de simplicidade, está mais para a mediocridade.

A “Versão Free Style” é distorcida, medíocre, blasfema, ultrajante e profana, porque nela se misturam em meio às santas palavras de Deus palavras torpes e indecorosas; nela se mistura a água doce com a amargosa: "Porventura deita alguma fonte de um mesmo manancial água doce e água amargosa? Meus irmãos, pode também a figueira produzir azeitonas, ou a videira figos? Assim tampouco pode uma fonte dar água salgada e doce" (Tg 3.11-12).

Ainda que o tradutor da “Versão Free Style” esteja imbuído de prestar um serviço a Deus, e esteja bem intencionado, e tenha sido movido por um desejo sincero de tornar o texto bíblico inteligível a todas as classes de pessoas, cremos que ele cometeu um grande equívoco, e que está sendo movido por um espírito de confusão e de torpeza, e está na verdade, trazendo vilipêndio para o verdadeiro Evangelho de Jesus Cristo, e juízo contra si.

Pelos motivos aqui expostos, não podemos aceitar essa nova “versão”, e por isso nós a repudiamos e rejeitamos veementemente, juntamente com nossos irmãos em Cristo da OPBCB.


Notas:

[1]    O autor é o Pastor Ariovaldo Carlos Jr., da Igreja Manifesto.
[2]    A “Versão Free Style” pode ser lida em http://bibliafreestyle.com.br/
[3]    Vocábulos passivos: aqueles que se entendem.
[4]    Vocábulos ativos: aqueles que se usam.
[5]   Ef 1.18 - "Tendo iluminados os olhos do vosso entendimento, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos".
[6]    Jo 6.63 - "O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos digo são espírito e vida".
[7]    2Co 3.6 - "O qual nos fez também capazes de ser ministros de um novo testamento, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata e o espírito vivifica".
[8]    O Espírito Santo pode usar inclusive versões antigas e eruditas (aquelas que muitos hoje consideram arcaicas), pois antes de surgirem as versões modernas da Bíblia só havia essas, e foram elas, que o Espírito Santo usou para converter os pecadores.
[9]    Cada livro da Bíblia foi escrito numa época diferente, alguns livros mais próximos uns dos outros, outros em épocas mais distantes. Toda a Bíblia foi escrita em um período de 1600 anos.
[10] Há muitos outros atributos que caracterizam a natureza sobrenatural da Bíblia, mas esses que citamos são suficientes para nossa argumentação.
[11] Jesus é a Palavra de Deus: "...o nome pelo qual se chama é A Palavra de Deus." (Ap 19.13). Em outra passagem João diz que Jesus é a Verdade: "Eu sou o caminho, e a verdade e a vida...". (Jo 14.6), e em outra que a Palavra de Deus é a Verdade: "Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade." (Jo 17.17).
[12] 2Tm 2.15 - "Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade".
[13] Mané, gíria oriunda do nome Manoel (de Emanuel), o nome santo do Senhor (Mt 1.23; Ex 20.7). Essa expressão carrega um sentido pejorativo, pois surgiu do preconceito contra os portugueses, que no Brasil são alvos de piadas nas quais sempre figuram como sendo ignorantes.
[14] O autor afirma descaradamente que Jesus pertencia a essa escola.
[15] O autor cita a Presidente do Brasil, em flagrante desobediência a Judas 8, por se referir de forma desrespeitosa à mais alta dignidade da nação, veja Ec 10.20.
[16] Para exemplificar confira a tradução de Mateus 1.25 - "E não a conheceu até que deu à luz seu filho..." (ACF). “José, cabra macho e obediente, não transou com a dona Maria até que nascesse o menino...” (Versão Free Style).
[17] Essa tradução ficou conhecida como “Tradução do Novo Mundo das Escrituras Sagradas”. Até a cor da capa era diferente, mas hoje esse grupo distribuem suas traduções com capa preta e com o título “Bíblia Sagrada”.
[18] Um bom exemplo disso é a King James Version ou Versão do Rei Thiago que foi autorizada pelo Rei e recebida pelo povo após aprovação pela mais alta autoridade da nação.
[19] Sl 119.99 - "Tenho mais entendimento do que todos os meus mestres, porque os teus testemunhos são a minha meditação".
[20] Is 50.4 - "O Senhor DEUS me deu uma língua erudita, para que eu saiba dizer a seu tempo uma boa palavra ao que está cansado...".
[21] 2Co 11.3 - "Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo" .

==============================================
 A presente postagem tem como base no documento intitulado "Manifesto de Repúdio da Ordem dos Pastores Batistas Clássicos do Brasil (OPBCB) contra a Bíblia Free Style". Originalmente assinada pelos seus pastores Luiz Antonio Ferraz, Relator - Igreja Batista Vida Nova – SP e  Wagner Antonio de Araújo, Presidente - Igreja Batista Boas Novas do Rodoanel – SP, disponível na íntegra no site: http://opbcb.org/manifesto-contra-a-biblia-free-style/.  Reproduzido aqui sob permissão do Presidente da OPBCB, Rev. Wagner Antonio de Araújo.
==============================================

Reportagens sobre o assunto:

http://g1.globo.com/minas-gerais/triangulo-mineiro/noticia/2013/03/versao-freestyle-da-biblia-causa-polemica-e-divide-opinioes-em-mg.html

http://noticias.gospelmais.com.br/biblia-freestyle-alvo-severas-criticas-evangelicos-51623.html