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terça-feira, 21 de março de 2017

PECADORES NAS MÃOS DE UM DEUS IRADO

"Pecadores nas Mãos de um Deus Irado" foi um sermão pregado por Jonathan Edwards em 8 de julho de 1741, em Enfield, Connecticut. Edwards não era bom orador, mas, enquanto ele pregava, houve pessoas que choravam e clamavam por arrependimento, enquanto que outros se agarravam às colunas da igrejas, como se estivessem sentindo sendo engolidos pelo inferno.

Edwards nunca terminou o sermão em Enfield. O tumulto se tornou muito grande quando a audiência foi tomada por gritos, lamentos e clamores: “O que farei para ser salvo? Oh! estou indo para o inferno! Oh! o que farei por Cristo?” Um dos ministros registrou que “os gritos agudos e clamores eram comoventes e admiráveis”. Várias “pessoas foram esperançosamente mudadas naquela noite. Oh! que prazer e alegria havia em seus semblantes!” Edwards e outros oraram com muitos dos consternados e levaram alguns a “diferentes graus de paz e alegria, alguns a enlevo, tudo exaltando o Senhor Jesus Cristo”, e exortaram outros a se achegarem ao Redentor.

No sermão "Pecadores nas Mãos de um Deus Irado", Edwards nos traz uma importante exortação bíblica: que a punição eterna para quem não possui a Cristo é algo muito real. Neste sermão, ele admitiu o fogo do inferno como algo real e colocou a ênfase na solene tensão entre o julgamento de Deus e a misericórdia de Deus. Edwards apresentou Deus como o juiz perfeitamente justo que estava corretamente indignado em face da rebelião dos seres humanos contra seu amor. Ao mesmo tempo, Deus havia se restringido misericordiosamente, por um tempo, na execução de seus juízos, para dar aos pecadores uma oportunidade de receberem o amor redentor de Cristo e serem salvos da condenação horrível, justa e certa.  

Em tempos modernos, onde cada vez mais as pessoas buscam restringir a pregação bíblica, substituindo-a por auto-ajuda, psicologia e positivismo, este sermão é um "brado veemente e impetuoso" do Espírito Santo, lembrando-nos que Deus não se deixa escarnecer.  Aqueles que fazem "cara feia" e "lançam muxoxos" e "queixumes" diante da pregação genuína da Palavra de Deus, que enganosamente vêem Deus como bonachão, deveriam atentar com muito cuidado para as verdades expostas nesse sermão. 



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PECADORES NAS MÃOS DE UM DEUS IRADO
Por: Rev. Jonathan Edwards
8 de julho de 1741 - Enfield, Connecticut


“Ao tempo que resvalar o seu pé.” (Deuteronômio 32:35)

Nesse versículo, a vingança de Deus é ameaçada sobre os israelitas ímpios e incrédulos que, embora fossem o povo visível de Deus e vivessem debaixo dos meios de graça, e apesar de todas as obras maravilhosas de Deus em benefício deles, permaneciam (conforme o versículo 28) sem juízo e entendimento. Com todo o cultivo do céu, nada produziram senão fruto venenoso e amargo, conforme afirmam os dois versículos que precedem o texto. A expressão que escolhi para minha exposição, “a seu tempo, quando resvalar o seu pé”, parece implicar o seguinte, relacionado à punição e destruição a que aqueles ímpios israelitas estavam expostos:


1. Que estavam sempre expostos à destruição, da mesma maneira que alguém que permanece ou anda em lugares escorregadios está sempre exposto à queda. Isso está implícito na maneira em que a destruição vem sobre eles, sendo representada pelos seus pés escorregando. O mesmo é expresso no Salmo 73.18: “Certamente tu os puseste em lugares escorregadios; tu os lanças em destruição.”


2. Implica que estavam sempre expostos à súbita e inesperada destruição. À semelhança do que anda em lugares escorregadios e está, a todo instante, sujeito a cair, não podendo prever em momento algum se, a seguir, estará de pé ou no chão; e, quando cai, cai imediatamente e sem aviso. Isso também está expresso no Salmo 7318-19: “Certamente tu os puseste em lugares escorregadios; tu os lanças em destruição. Como caem na desolação, quase num momento! Ficam totalmente consumidos de terrores”.


3. Outra coisa implícita é que estão sujeitos a cair por si mesmos, sem serem derrubados pela mão de outrem. Da mesma maneira que o que permanece ou anda em terreno escorregadio de nada precisa além do próprio peso para derrubá-lo.


4. Que a razão de ainda não haverem caído, e de não caírem agora, é apenas que o tempo apontado por Deus não é chegado. Pois está dito que quando esse tempo devido ou designado chegar, seu pé resvalará. Então, serão abandonados à queda, para o que já estão inclinados por seu próprio peso. Deus não mais os sustentará nestes lugares escorregadios, mas os abandonará. E então, neste exato instante, cairão na destruição, à semelhança do que permanece em ladeiras escorregadias, sobre a beira de um precipício, não pode permanecer sozinho e, quando é abandonado, imediatamente cai e está perdido.


A observação a partir destas palavras que agora insistirei é:

Doutrina: “Não há nada que mantenha os ímpios um só momento fora do inferno, senão a mera boa vontade de Deus.”


Por “mera boa vontade” de Deus, refiro-me à Sua boa vontade soberana, Sua vontade livre, imune a obrigações, não sujeita a impedimento algum, nem qualquer outra coisa, como se nada, a não ser a boa vontade de Deus, tivesse qualquer papel na preservação dos ímpios a todo instante. A verdade desta observação será evidenciada pelas seguintes considerações.


1. Não falta poder a Deus para lançar os ímpios, a qualquer momento, no inferno. Quando Ele se levanta, as mãos humanas não podem ser fortes. Os mais fortes não têm poder algum para Lhe resistir, nem podem se libertar de Suas mãos. Ele não apenas é capaz de lançar os ímpios no inferno, mas pode fazê-lo com a maior facilidade. Às vezes, um príncipe terreno encontra grande dificuldade em subjugar um rebelde que encontrou meios de se fortificar, e se fortaleceu pelo número de seus seguidores. Mas isso não ocorre com Deus. Não há fortaleza que seja defendida contra o Seu poder. Ainda que as mãos se juntem, e vastas multidões de inimigos de Deus se combinem e se associem, são facilmente esmiuçados em pedaços. São como grandes montes de palha seca e leve diante do furacão; ou grandes quantidades de restolho seco diante de chamas devoradoras. Achamos fácil pisar e esmagar um verme que vemos rastejar no chão, da mesma forma é fácil cortar ou queimar um fio fino que sustenta algo. Assim também é fácil para Deus, quando lhe agrada, lançar Seus inimigos nas profundezas do inferno. Quem somos nós, para que pensemos permanecer perante dEle, diante de cuja repreensão a terra treme e diante de quem as rochas são subjugadas?

2. Eles merecem ser lançados no inferno, de modo que a justiça Divina jamais se interpõe, e não é um impedimento para que Deus use Seu poder a qualquer momento para destruí-los. Sim, ao contrário, a justiça clama alto por punição infinita pelos seus pecados. A justiça Divina fala acerca da árvore que produz uvas como as de Sodoma, Lucas 13:7: “Corta-a; por que ocupa ainda a terra inutilmente”. A espada da justiça Divina está a todo momento se revolvendo sobre suas cabeças, e não é nada, senão a mão da misericórdia livre de Deus e a Sua mera vontade, que a segura.

3. Eles já estão sob uma sentença de condenação ao inferno. Não apenas merecem, com justiça, ser lançados lá, mas a sentença da Lei de Deus, essa eterna e imutável regra da justiça que Deus fixou entre Si e a humanidade, é posta contra eles, e permanece em oposição a eles de modo que já estão destinados ao inferno. João 3:18: “quem não crê já está condenado”. Desse modo, todo homem não-convertido pertence propriamente ao inferno. Lá é o seu lugar, de lá ele procede (João 8:23: “Vós sois de baixo”) e para lá está destinado, é o lugar ao qual a justiça, e a palavra de Deus, e a sentença de Sua Lei imutável o destinam.

4. Eles são agora os objetos do mesmo furor e ira de Deus, que são expressos nos tormentos do inferno. E a razão pela qual não descem para lá a qualquer instante não é porque Deus, em cujo poder se encontram, não esteja muito irado com eles, como está com as muitas miseráveis criaturas agora atormentadas no inferno, que lá sentem e suportam a fúria de Sua ira. Sim, Deus está muito mais irado com muitos que estão agora na terra; sim, sem dúvidas, com muitos que estão agora nesta congregação, que podem estar tranquilos, do que com muitos que estão nas chamas do inferno. Portanto, não é porque Deus ignora suas impiedades, e não se ressinta delas, que não afrouxa suas mãos e os elimina. Deus não é de forma alguma como eles, embora possam o imaginar assim. A Sua ira arde contra eles, sua condenação não dorme; o abismo está preparado, o fogo está pronto, o forno já está quente, pronto para recebê-los; as chamas ora rugem e brilham. A espada reluzente está afiada e suspensa sobre eles, o abismo abriu sua boca debaixo deles.

5. O diabo está pronto para cair sobre eles e abatê-los como sua possessão no momento em que Deus o permitir. Eles lhe pertencem, tem suas almas em sua posse e sob seu domínio. A Escritura os representa como seus bens (Lucas 11:12). Os demônios os espreitam, estão sempre a sua mão direita, permanecem aguardando por eles como leões famintos que veem a presa e esperam tê-la, mas, no momento, são contidos. Se Deus retirasse Sua mão, pela qual são restringidos, num momento voariam sobre suas pobres almas. A velha serpente os espreita, o inferno escancara sua boca para recebê-los. Se Deus o permitisse, seriam rapidamente engolidos e estariam perdidos.


6. Reinam nas almas dos ímpios aqueles princípios infernais, que agora mesmo os inflamariam e incendiariam no fogo do inferno, se Deus não os restringisse. Há posto na própria natureza do homem carnal um fundamento para os tormentos do inferno. Há aqueles princípios corruptos, com poder reinante e em plena posse deles, que são as sementes do fogo do inferno. Estes são princípios ativos e poderosos, extremamente violentos em sua natureza, e não fosse pela mão restringente de Deus sobre tais princípios, logo explodiriam, se inflamariam à semelhança do que as mesmas corrupções e a mesma inimizade fazem nos corações das almas condenadas, e gerariam os mesmos tormentos que geram naquelas. As almas dos ímpios são comparadas na Escritura ao mar bravo (Isaías 57:20). No momento, Deus restringe a impiedade deles pelo Seu imenso poder, assim como faz às ondas raivosas do mar enfurecido, dizendo: “Até aqui virás, e não mais adiante” (Jó 38:11). Mas se Deus retirasse esse poder restringente, logo a impiedade carregaria tudo diante de si. O pecado é a ruína e a miséria da alma. É destrutivo em sua natureza, e se Deus o deixasse sem restrição, nada mais seria necessário para tornar a alma perfeitamente miserável. A corrupção do coração humano é ilimitada e desmedida em sua fúria. Enquanto os ímpios vivem aqui, é como o fogo preso pelas restrições de Deus, de outro modo, se fosse deixada livre, poria em chamas o curso da natureza. E assim como o coração agora é um poço de pecado, se este não fosse restringido, imediatamente tornaria a alma em um forno ardente, em uma fornalha de fogo e enxofre.

7. Não representa segurança para os ímpios, nem sequer por um instante, que não haja meios visíveis de morte às vistas. Não representa segurança para um homem natural que esteja agora com saúde, e que não veja por que modo poderia partir de imediato do mundo por um acidente, e que não haja nenhum perigo visível em suas circunstâncias. A manifesta e contínua experiência do mundo, em todas as eras, mostra que isso tudo não é evidência de que um homem não esteja agora mesmo às margens da eternidade, e que seu próximo passo não será no outro mundo. Os meios invisíveis e impensáveis das pessoas repentinamente saírem do mundo são inumeráveis e inconcebíveis. Os não convertidos andam sobre o abismo do inferno em uma superfície podre, e há inúmeros lugares nela que são frágeis e não suportarão seus pesos, e estes lugares não são percebidos. As flechas da morte vo-am invisíveis ao meio dia, a vista mais acurada não as vê. Deus tem tão diferentes e insondáveis meios de tirar os ímpios do mundo e mandá-los ao inferno, que não há nada que faça crer que necessite de um milagre, ou que precise sair do curso ordinário de Sua providência para destruir um ímpio no momento em que desejar. Todos os meios de arrancar os ímpios do mundo estão de tal modo nas Suas mãos e tão completa e absolutamente sujeitos ao Seu poder e determinação, que se Ele nunca fizesse uso de meios, e estes estivessem excluídos desta consideração, isto de modo algum faria com que a ida repentina dos ímpios ao inferno dependesse menos da mera vontade de Deus.

8. A prudência dos homens naturais e seu cuidado para preservar a própria vida, ou o cuidado de outros para preservá-las, não os assegura nem por um instante. A isto também a providência Divina e a experiência universal prestam abundante testemunho. Há clara evidência de que a própria sabedoria dos homens não os livra da morte, pois se assim o fosse veríamos alguma diferença entre os sábios e prudentes do mundo e os demais, com relação à susceptibilidade para uma morte repentina e inesperada. Mas, como é de fato? Eclesiastes 2:16: “E como morre o sábio, assim morre o tolo!”.


9. Todos os esforços e esquemas que os ímpios usam para escapar do inferno, ao mesmo tempo em que insistem em rejeitar a Cristo e permanecem, portanto, na impiedade, não os livra um só instante do inferno. Quase todo homem natural que ouve acerca do inferno, se gaba de que escapará dele. Ele depende de si próprio para a sua segurança e se exalta naquilo que faz, no que está fazendo, ou no que pretende fazer. Cada um esquematiza as coisas em sua mente sobre como evitará a condenação, e se exalta de que planejou muito bem para si mesmo, e que seu esquema não falhará. Ouvem, na verdade, que poucos são salvos e que a maior parte dos que já morreram foram para o inferno. Contudo, cada um imagina que ajustou melhor as coisas para o seu escape do que os outros. Ele não pretende vir a esse lugar de tormento e diz consigo mesmo que pretende ter um cuidado efetivo e ordenar as coisas de modo que não haja falha.

Mas os tolos filhos dos homens iludem-se miseravelmente em seus próprios esquemas e na confiança em sua própria força e sabedoria. Eles não confiam senão numa sombra. A maior parte dos que viveram até aqui, sob os mesmos meios de graça, e agora estão mortos, sem dúvidas foram para o inferno. E isto não aconteceu porque não fossem tão sábios quanto os que estão vivos: não foi porque não tenham ordenado bem as coisas para assegurar seu escape. Se pudéssemos falar com eles e questioná-los um por um quanto a se esperavam, quando vivos, e quando ouviam sobre o inferno, serem eles próprios objetos dessa miséria, sem dúvidas ouviríamos todos replicarem: “Não, jamais pretendi chegar aqui. Eu tinha ajeitado as coisas de outra forma em minha mente. Pensei que tinha planejado bem, que meu esquema era bom. Desejava tomar cuidado de verdade; mas tudo aconteceu inesperadamente. Não esperava por aquilo então, nem daquele modo. Veio como ladrão. A morte me surpreendeu: a ira de Deus foi rápida demais para mim. Ó, minha maldita tolice! Estava me gabando e me agradando com vãos sonhos sobre o que faria no futuro, e quando dizia: Paz e segurança, veio sobre mim repentina destruição”. 

10. Deus não se impôs nenhuma obrigação, por nenhuma promessa, de manter os não convertidos fora do inferno sequer por um momento. Ele certamente não fez promessas, seja de vida eterna, ou libertação e preservação da morte eterna, a não ser aos que estão dentro do Pacto da Graça, nas promessas que são dadas em Cristo, em quem todas as promessas são o sim e o amém. Mas certamente aqueles que não são filhos do pacto, não têm interesse nas promessas do pacto da graça, estes que não creem nelas e nem têm interesse no Mediador do pacto.

De modo que, ainda que alguns tenham imaginado e pretendido muitas coisas sobre as promessas feitas aos homens naturais que sinceramente buscam e batem [à porta], está claro e manifesto que, por maiores que sejam os esforços que o homem natural tome na religião, sejam quais forem suas preces, até que creiam em Cristo, Deus não tem obrigação alguma de salvá-los da destruição eterna.
Portanto, o fato é que os não-convertidos estão seguros pela mão de Deus sobre o abismo do inferno. Eles merecem o lago de fogo, e já estão sentenciados a ele. Deus está terrivelmente provocado, Sua ira contra eles é tão grande quanto para com os que já estão sofrendo agora a execução da fúria de Sua ira no inferno, e eles nada fazem nem ao menos para dirimir ou aplacar essa ira. Nem Deus está minimamente preso por qualquer promessa de sustentá-los sequer por um instante. O diabo espera por eles, o inferno escancara sua boca por eles, as chamas se ajuntam e queimam ardentemente à sua espera, para engoli-los. O fogo latente em seus corações está lutando para explodir, e eles continuam sem interesse em qualquer Mediador. Não há, portanto, meio algum às vistas para livrá-los. Em suma, eles não têm refúgio, nada em que possam se segurar. Tudo o que os preserva a cada momento é a mera vontade livre e a clemência desobrigada e desimpedida de um Deus irado.


Aplicação

Este assunto terrível pode ser útil para despertar as pessoas não-convertidas desta congregação. Isso que vocês ouviram é a situação de todos que estiverem fora de Cristo. Esse mundo de miséria, esse lago de enxofre incandescente está estendido amplamente debaixo de vocês. Há o terrível abismo das brilhantes chamas da ira de Deus. A boca do inferno encontra-se escancaradamente aberta, e vocês não tem nada para se apoiar, nem coisa alguma em que possam se segurar. Não há nada entre vocês e o inferno senão o ar, e é apenas o poder e a mera boa vontade de Deus que os sustenta.


É provável que não estejam cientes destas coisas, pois descobrem que estão fora do inferno, mas não veem a mão de Deus nisso. Vocês olham para as outras coisas, como o bom estado dos seus corpos físicos, o cuidado com suas vidas e os meios que usam para a própria preservação. Mas essas coisas, na verdade, nada são, pois se Deus retirasse Sua mão, elas teriam tanto valor para impedir as suas quedas quanto tem o ar rarefeito para sustentar uma pessoa que está suspensa nele.


Suas iniquidades os tornam tão pesados quanto o chumbo e os empurram para baixo com grande peso e pressão em direção ao inferno. Se Deus permitisse, imediatamente afundariam e rapidamente desceriam e mergulhariam no mar sem fundo. A boa saúde e o cuidado e prudência que mantêm, e os melhores esquemas, e toda a justiça, teriam tanta influência para preservá-los e mantê-los fora do inferno quanto uma teia de aranha é capaz de deter uma avalanche de pedras. Não fosse pela boa vontade soberana de Deus, a terra não os suportaria por um só momento, pois vocês são um fardo para ela. A criação geme por causa de vocês. Ela está sujeita ao cativeiro da corrupção involuntariamente. Não é de boa vontade que o sol brilha sobre suas cabeças, para que tenham luz para servir ao pecado e a Satanás. A terra não dá voluntariamente seus frutos para satisfazer suas luxúrias, nem é de boa vontade que serve de palco para que cometam iniquidades. Não é de bom grado que o ar serve para manter a chama da vida em suas narinas, enquanto vocês gastam suas vidas no serviço dos inimigos de Deus. A criação de Deus é boa e foi feita para que o homem servisse a Ele por meio dela, e não é de bom grado que serve a outros propósitos, e geme quando é abusada com propósitos tão diretamente contrários à sua natureza e fim. O mundo os vomitaria, não fosse a mão soberana dAquele que o sujeitou na esperança [da redenção].

Eis as nuvens negras da ira de Deus pairando agora sobre suas cabeças, carregadas de terrível tempestade, e cheias de trovões, e não fosse a mão restringente de Deus, elas imediatamente arrebentariam sobre vocês. A graça soberana de Deus, no momento, refreia es-se vento impetuoso, pois, de outro modo, ele viria com fúria, e sua destruição viria como um redemoinho, e vocês seriam como a palha que o vento dispersa.

A ira de Deus é como grandes águas que estão represadas agora. Ela aumenta mais e mais, e fica mais e mais elevada, até que chega ao limite; e quanto mais é impedida, mais rápido e poderoso é seu curso quando é liberada. É verdade que o julgamento contra suas más obras não foi executado ainda, o ímpeto da vingança de Deus tem sido segurado. Mas, enquanto isso, as suas culpas constantemente aumentam, e a cada dia vocês entesouram mais ira. As águas estão constantemente crescendo e aumentam diariamente com mais força, e não há nada, senão a mera boa vontade de Deus, capaz de deter o que não quer ser detido e se esforça para continuar. Se Deus apenas retirasse Sua mão das comportas do dilúvio, elas imediatamente se abririam, e as ígneas ondas da fúria e ira de Deus se derramariam com fúria inconcebível e viriam sobre vocês com poder onipotente. E se suas forças fossem dez mil vezes maiores, sim, ainda que fossem dez mil vezes mais fortes que o mais resistente e tenaz demônio no inferno, isto nada representaria e nem poderiam suportá-las.


O arco da ira de Deus está curvado, e a flecha ajustada no cordel. A justiça mira a flecha nos seus corações, e estica o arco, e nada, a não ser a mera boa vontade de Deus, de um Deus irado, sem qualquer promessa ou obrigação alguma, é que impede a flecha de a qualquer instante beber o sangue de vocês. Assim, todos vocês que jamais passaram por uma grande mudança de coração, pelo poderoso poder do Espírito de Deus sobre suas almas; todos que nunca nasceram de novo, nem foram feitos novas criaturas, e nunca foram ressuscitados da morte no pecado para um novo estado, nem antes experimentaram uma nova luz e vida, estão nas mãos de um Deus irado. Ainda que tenham reformado suas vidas em muitos aspectos, e experimentado afeições religiosas, e possivelmente mantido uma forma de religião entre suas famílias e parentes e na casa de Deus, não é nada senão sua mera boa vontade que impede que sejam agora mesmo consumidos na destruição eterna. Ainda que estejam pouco convencidos agora da verdade que ouvem, a seu tempo serão plenamente convencidos dela. Vejam que ocorreu o mesmo com aqueles que partiram nas mesmas condições que vocês estão agora; pois a destruição veio repentinamente sobre a maior parte deles, quando não a esperavam e enquanto diziam: “Paz e segurança”. Agora veem que aquelas coisas de que dependiam para sua paz e segurança, nada mais eram do que ar rarefeito e sombras vazias.

O Deus que os sustenta sobre o abismo do inferno, à semelhança de alguém que segura uma aranha ou qualquer inseto asqueroso sobre o fogo, os aborrece e está terrivelmente provocado. Sua ira contra vocês arde como fogo, Ele os vê como dignos de nada mais, se-não de serem lançados no fogo. Ele é tão puro de olhos que não pode encará-los de frente, vocês são aos seus olhos mais abomináveis que a serpente mais odiosa é aos nossos. Vocês O ofenderam infinitamente mais que um rebelde obstinado ofende a seu príncipe; contudo, não é nada, senão a Sua mão, que os impede de cair no fogo a qualquer momento. Não pode ser atribuído a nada mais o fato de vocês não terem ido ao inferno na noite passada; que tenham sido permitidos acordar novamente neste mundo, depois que fecharam os olhos para dormir. E não há outra razão para explicar o porquê de não terem caído no inferno desde o momento que acordaram esta manhã, senão que a mão de Deus os tenha sustentado. Não há outra razão a ser dada para explicar o porquê de não terem ido ao inferno, desde o momento em que sentaram aqui, na casa de Deus, provocando Seus olhos puros com o modo ímpio e pecaminoso de atenderem ao culto solene. Sim, nada mais pode ser dado como razão do porque vocês não são agora mesmo lançados no inferno.

Ó pecador! Considere o temível perigo em que você se encontra: é sobre uma grande fornalha de ira, um abismo largo e sem fundo, cheio do fogo da ira, que você está seguro pela mão de Deus, cuja ira está tão provocada e acendida contra você quanto está contra os condenados do inferno. Você está suspenso por uma linha fina, com as chamas da ira Divina lampejando em volta, e prontas a todo momento para queimá-lo e consumi-lo por completo; e você ainda não tem qualquer interesse em um Mediador, e nada para se agarrar que possa salvá-lo, nada que retire de você as chamas de ira, nada de si mesmo, nada que tenha feito, nem que possa fazer para induzir Deus a poupá-lo um só instante. E considere aqui mais particularmente:

1. De quem é essa ira: é a ira do Deus infinito. Se fosse apenas ira de homem, ainda que do mais poderoso governante, seria comparativamente pequena para ser temida. A ira dos reis é muito mais temida, especialmente dos monarcas absolutistas, que têm as posses e vidas de seus súditos completamente em seus domínios, a serem dispostas conforme desejarem; Provérbios 20:2: “Como o rugido do leão é o terror do rei; o que o provoca à ira peca contra a sua própria alma.” O súdito que levar à ira um príncipe arbitrário, está sujeito a sofrer os mais extremos tormentos que a arte humana possa inventar, ou o poder humano seja capaz de infligir. Mas o maior dos poderes terrenos, em toda sua majestade e poder, e quando vestidos com os maiores terrores, não são senão frágeis e desprezíveis vermes de pó, em comparação com o grande e poderoso Criador e Rei do céu e da terra. O que eles fazem na sua ira e quando estão revestidos pelo seu furor é pouco. Todos os reis da terra, diante de Deus, são como gafanhotos, são nada e menos do que nada: tanto o seu ódio quanto o seu amor são desprezíveis. A ira do grande Rei dos reis é tão superior a deles quanto é a Sua majestade: Lucas 12:4-5: “E digo-vos, amigos meus: Não temais os que matam o corpo e, depois, não têm mais que fazer. Mas eu vos mostrarei a quem deveis temer; temei aquele que, depois de matar, tem poder para lançar no inferno; sim, vos digo, a esse temei.”

2. É à ferocidade de Sua ira que você está exposto. Lemos com frequência acerca da ira de Deus; Isaías 59:18: Conforme forem as obras deles, assim será a sua retribuição, furor aos seus adversários. Assim, Isaías 66:15: “Porque, eis que o Senhor virá com fogo; e os seus carros como um torvelinho; para tornar a sua ira em furor, e a sua repreensão em chamas de fogo”. Também em muitos outros lugares. Assim, lemos sobre o lagar do vinho do furor e da ira do Deus Todo-Poderoso (Apocalipse 19:15). As palavras são deveras terríveis. Se houvesse sido apenas dito: “a ira de Deus,” as palavras já implicariam algo que é infinitamente terrível. Mas é “a fúria e ira de Deus.” A fúria de Deus! A cólera de Jeová! Ó, como deve ser terrível! Quem pode proferir ou conceber o que tais expressões trazem em si? Mas também se diz com frequência: “a fúria e ira do Deus Todo-Poderoso!” Como se fosse haver uma enorme manifestação de Seu grande poder sobre os objetos de Sua ira, como se a onipotência pudesse, por assim dizer, encolerizar-se, e ser exercida do mesmo modo que os homens costumam mostrar suas forças quando estão no máximo de sua ira. Então, qual será a consequência? O que será do pobre verme que a sofrerá? Que mãos serão fortes? E que corações suportarão? A que terrível, inexprimível e inconcebível profundidade de miséria as pobres criaturas, objetos dela, serão afundadas!

Considerem isso, vocês, que aqui estão hoje e ainda permanecem em um estado não regenerado. Que Deus na execução do rigor de Sua ira implica que a executará sem piedade. Quando Ele contemplar o extremo inexprimível do seu caso, e ver os seus tormentos como sendo tão vastamente desproporcionais às suas forças, e ver como suas pobres almas estão esmagadas, e afundadas, por assim dizer, em um mar infinito; então, não terá compaixão de vocês, não impedirá a execução de Sua ira, nem ao menos afrouxará Suas mãos. Não haverá moderação nem misericórdia de Sua parte, nem Deus, então, impedirá seu vento impetuoso. Não se preocupará com o bem-estar de vocês, nem de forma alguma será cuidadoso de que não sofram muito de alguma outra maneira. Nada será aliviado, porque seja duro demais para vocês suportarem. Ezequiel 8:18: “Por isso também eu os tratarei com furor; o meu olho não poupará, nem terei piedade; ainda que me gritem aos ouvidos com grande voz, contudo não os ouvirei”. Agora, Deus está pronto a ter compaixão de vocês. Este é um dia de misericórdia, ainda podem clamar agora com algum encorajamento de que obterão misericórdia. Porém, uma vez que o dia da misericórdia tenha passado, seus mais lamentosos e dolorosos clamores e gritos serão em vão, pois estarão completamente perdidos e afastados de Deus, quanto a qualquer preocupação com o bem estar de vocês. Deus não lhes terá outro uso, a não ser fazer com que sofram a miséria. Continuarão a existir sem nenhum outro propósito; pois serão um vaso de ira preparado para a destruição; e não haverá outro uso para esse vaso, senão ser cheio de ira. Deus estará tão longe de apiedar-se de vocês quando clamarem a Ele, que apenas “rirá e zombará” (Provérbios 1:25-26).

Como são terríveis estas palavras, que são palavras do grande Deus, Isaías 63:3 “Eu sozinho pisei no lagar, e dos povos ninguém houve comigo; e os pisei na minha ira, e os esmaguei no meu furor; e o seu sangue salpicou as minhas vestes, e manchei toda a minha vestidura”. Talvez seja impossível conceber palavras que tragam em si maiores manifestações destas três coisas, isto é, desprezo, ódio e ira de indignação. Se vocês clamarem a Deus por compaixão, Ele estará tão longe de se compadecer da sua dolorosa situação, ou mostrar-lhes a mínima preocupação ou favor que, ao contrário, apenas lhes esmagará com os pés. E embora saiba que não podem suportar o peso de Sua onipotência esmagando vocês, contudo não se importará com isso, mas os esmagará sem piedade, até que sejam esmagados, e o sangue será salpicado sobre Suas vestes a ponto de manchá-las por completo. Ele não apenas os odiará, mas os terá no maior desprezo: não será pensado lugar algum apto para vocês, senão debaixo de Seus pés, para serem pisados como a lama das ruas.

3. A miséria a que vocês estão expostos é a que Deus infligirá com o propósito de mostrar qual é a ira de Jeová. Deus dispôs em Seu próprio coração mostrar a anjos e homens tanto a excelência de Seu amor quanto o horror de Sua ira. Às vezes, os reis terrenos se inclinam a mostrar como é terrível a ira deles, por meio de extremos castigos que executam naqueles que os provocam. Nabucodosor, aquele poderoso e soberbo monarca do império caldeu, se dispôs a mostrar sua ira quando se enfureceu contra Sadraque, Mesaque e Abednego; e deu ordens para que a fornalha de fogo ardente fosse aquecida sete vezes mais do que antes. Sem dúvidas, as chamas foram levadas ao máximo da fúria que a arte humana poderia induzi-las. Mas o grande Deus também está disposto a mostrar Sua ira, e magnificar Sua terrível majestade e grande poder nos sofrimentos extremos de Seus inimigos. Romanos 9:22: “E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição”.

E, visto que este é seu desígnio, o que já determinou, isto é, mostrar como é terrível Sua ira não restringida, a fúria e a cólera de Jeová, Ele o fará e levará a cabo. Haverá algo a ser realizado e feito que será terrível para quem o testemunhar. Quando o grande e irado Deus houver se levantado e executado Sua terrível vingança contra os pobres pecadores, e os miseráveis estiverem de fato sofrendo o peso e poder infinitos de Sua indignação, então Ele chamará o universo inteiro para contemplar essa terrível majestade e grande poder que deve ser visto então. Isaías 32:12-14: “Baterão nos peitos, pelos campos desejáveis, e pelas vinhas frutíferas. Sobre a terra do meu povo virão espinheiros e sarças, como também sobre todas as casas onde há alegria, na cidade jubilosa. Porque os palácios serão abandonados, a multidão da cidade cessará; e as fortificações e as torres servirão de cavernas para sempre, para alegria dos jumentos monteses, e para pasto dos rebanhos”.

Assim ocorrerá a vocês, que estão nesse estado de não convertidos, se nele persistirem; o poder infinito, a majestade e terror do Deus onipotente será magnificado sobre vocês, na força inefável de Seus tormentos. Serão atormentados na presença dos santos anjos, e na presença do Cordeiro; e quando estiverem nesse estado de sofrimento, os gloriosos habitantes do céu se adiantarão e contemplarão o terrível espetáculo, para que vejam em que consiste a ira e fúria do Todo-Poderoso; e quando tiverem visto, se prostrarão e adorarão essa grande majestade e poder, Isaías 66:23-24: “E será que desde uma lua nova até à outra, e desde um sábado até ao outro, virá toda a carne a adorar perante mim, diz o Senhor. E sairão, e verão os cadáveres dos homens que prevaricaram contra mim; porque o seu verme nunca morrerá, nem o seu fogo se apagará; e serão um horror a toda a carne”.

4. É uma ira eterna. Será terrível sofrer esta ira e fúria do Deus todo-poderoso por um momento, mas vocês devem sofrê-la eternamente. Não haverá fim para esta miséria horrível e extrema. Quando olharem adiante, verão uma longa eternidade, uma jornada infindável adiante de vocês, que engolirá seus pensamentos e confundirá suas almas; e se desesperarão de qualquer espécie de libertação, fim, ou de qualquer mitigação ou alívio. Saberão que deverão suportar longas eras, milhões de milhões de eras, em luta e conflito com esta poderosa vingança impiedosa; e então, quando isso acontecer, quando muitas eras realmente passarem desse modo, saberão que isso tudo não representa senão um ponto em relação ao que resta. De modo que o castigo de vocês será de fato infinito. Ó, quem pode expressar qual será o estado de uma alma em tais circunstâncias! Tudo o que podemos dizer a esse respeito não dá senão um vislumbre fraco e imperfeito daquilo que é inexprimível e inconcebível: pois “quem conhece o poder da ira de Deus?”

Como é terrível o estado dos que estão diariamente e a toda hora em perigo desta grande ira e infinita miséria! Mas este é o desastroso caso de cada alma nesta congregação que ainda não nasceu de novo, ainda que seja moral e rigorosa, sóbria e religiosa. Ó, considere isso, quer seja jovem ou velho! Há razão para pensar que há muitos agora, nesta congregação, ouvindo este discurso, que serão objetos desta mesma miséria por toda a eternidade. Não sabemos quem são, ou os bancos onde estão assentados, ou que pensamentos agora têm. Pode ser que estejam agora relaxados, e ouçam tudo isso sem muita preocupação, e se gabem que não sejam essas pessoas, prometendo a si mesmos que escaparão. Se soubéssemos que há uma pessoa, apenas uma, em toda a congregação, que deve ser objeto dessa miséria, como seria terrível pensar nisso! Se soubéssemos quem era, que visão terrível seria para tal pessoa! Como seria poderoso o clamor lamentável e amargo que o resto da congregação lançaria por ela! Mas, em vez de um, não é provável que muitos se lembrem deste discurso no inferno? E seria por demais maravilhoso se alguns dos que aqui se encontram agora devam estar no inferno em pouco tempo, talvez antes que o ano se acabe? E não seria incrível se algumas pessoas, que agora estão assentadas em alguns dos bancos desta igreja, saudáveis, tranquilas e seguras, estejam lá amanhã de manhã. Aqueles de vocês que persistirem até o fim em um estado natural, que se mantiveram por muito tempo fora do inferno, lá estarão em pouco tempo! A sua condenação não dorme; virá rapidamente, e provavelmente, muito repentinamente, sobre muitos de vocês. Há razão para se maravilharem que não estejam agora mesmo no inferno. Esse certamente é o caso de alguns a quem conheceram e viram, que nunca mereceram o inferno mais do que vocês, e que até aqui pareciam ter tanta chance de estar vivos como vocês. A esperança deles se foi; estão chorando em extrema miséria e perfeito desespero. Mas aqui estão vocês, na terra dos vivos e na casa de Deus, e com oportunidade de obter a salvação. O que não dariam essas pobres e desesperadas almas condenadas por uma oportunidade de um dia como agora vocês têm?

E agora têm uma oportunidade extraordinária, um dia em que Cristo abriu largamente a porta da misericórdia, e de pé chama e clama em alta voz aos pobres pecadores. Um dia em que muitos se reúnem a Ele, e se esforçam pelo reino de Deus. Muitos vêm diariamente do oriente, ocidente, norte e sul; muitos que outrora estiveram nas mesmas condições miseráveis em que vocês se encontram, agora estão em um feliz estado, com seus corações cheios de amor por Aquele que os amou, e os lavou dos seus pecados em Seu próprio san-gue, e regozijam-se na esperança da glória de Deus. Como é terrível ser deixado para trás em tal dia! Ver tantos festejando, enquanto vocês sofrem e perecem! Ver tantos se regozijando e cantando alegres cantos cordiais, enquanto vocês têm razão para prantear pela tristeza do coração, e ulular pela tristeza de espírito! Como podem descansar um só momento em tal condição? As suas almas não são tão preciosas quanto às dos cidadãos de Suffield, que estão dia após dia se reunindo a Cristo?


Não há muitos aqui que viveram por muito tempo no mundo, e até hoje não nasceram de novo? E estão por esse motivo alienados da comunidade de Israel, e nada fizeram enquan-to viveram senão entesourar ira para o dia da ira? Ó, senhores, a situação de vocês é, de modo especial, extremamente perigosa. A sua culpa e dureza de coração é grande em extremo. Não veem vocês como a maior parte dos de sua idade já faleceram e partiram, na atual dispensação notável e maravilhosa da misericórdia de Deus? Vocês precisam considerar o seu caso, e despertar completamente do sono. Vocês não podem suportar a fúria e ira do Deus infinito.


E vocês, rapazes e moças, negligenciarão este precioso tempo que agora desfrutam, quando tantos de sua idade estão renunciando às vaidades juvenis e ajuntando-se a Cristo? Vocês, em especial, agora têm uma oportunidade extraordinária; mas se a negligenciarem, logo acontecerá com vocês o mesmo que com aquelas pessoas que gastaram os preciosos dias de sua juventude no pecado, e agora vieram a dar um terrível passo na cegueira e endurecimento.
E vocês, crianças, que ainda não são convertidas, não sabem que estão indo para o inferno, suportar a terrível ira desse Deus, que agora está irado com vocês noite e dia? Vocês se contentarão em serem filhos do diabo, quando tantas outras crianças na nossa terra estão sendo convertidas, e tornando-se os santos e felizes filhos do Rei dos reis?


E que todos os que ainda se encontram fora de Cristo, pendurados sobre o abismo do inferno, quer sejam velhos e velhas, de meia idade, ou jovens, ou crianças, agora ouçam os altos chamados da palavra e da providência de Deus. Este ano aceitável do Senhor, um dia de tão grande favor para alguns, sem dúvidas será dia de vingança igualmente notável para outros. O coração dos homens endurece e suas culpas aumentam rapidamente em dias como estes, se negligenciarem suas almas; e jamais houve época de tão grande perigo de tais pessoas serem entregues à dureza de coração e cegueira de mente. Deus parece agora estar ajuntando rapidamente Seus eleitos em todas as partes da nação; e é provável que a maior parte dos adultos que alguma vez serão salvos, sejam atraídos em pouco tempo, e que será como foi no grande derramamento do Espírito sobre os judeus nos dias dos apóstolos. Os eleitos serão salvos e os demais serão cegados. Se isso ocorrer a vocês, amaldiçoarão eternamente este dia, e o dia em que nasceram, por terem visto o tempo de derramamento do Espírito de Deus, e desejarão ter morrido e ido ao inferno sem tê-lo visto. Agora, sem dúvidas, ocorre o mesmo que nos dias de João Batista; o machado se encontra de modo extraordinário posto na raiz das árvores, e toda árvore que não produz bons frutos, será cortada e lançada no fogo.

Portanto, que todos os que estão fora de Cristo, agora acordem e fujam da ira vindoura. A ira do Deus Todo-Poderoso agora, sem dúvidas, está suspensa sobre grande parte desta congregação. Que todos fujam de Sodoma: “apressem-se e fujam por suas vidas, não o-lhem para trás, escapem para a montanha, para que não sejam consumidos.”

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Pense nisso. Deus está trazendo despertamento sobre tua vida!

domingo, 28 de março de 2021

VENCER O MAL COM MAL OU COM O BEM? NÃO SE TRANSFORME NUM TIPO DE CORINGA!


"Se alguém causar defeito em seu próximo, como ele fez, assim lhe será feito: fratura por fratura, olho por olho, dente por dente; como ele tiver desfigurado a algum homem, assim se lhe fará"
(Lv 24.19,20).   

Olho por olho. Assim se resume o princípio da retribuição, materializado na Bíblia Sagrada no Antigo Testamento. Esse princípio, longe de justificar a violência, estabelece um limite para a mesma, de forma que haja uma medida para a vingança pessoal entre o povo de Israel naquela época, por volta de 1445 a.C. Assim, caso alguém sofresse algum dano causado por outrem, (a) a restituição poderia ser praticada e (b) a intensidade da restituição deveria ser proporcional ao dano sofrido, evitando assim a violência excessiva e, consequentemente, a crueldade. Deve ser ressaltado, assim, o caráter disciplinador e educador dessa Lei:

  • O dano não ficaria sem retribuição, ou seja não havia espaço para impunidade.
  • A retribuição ao dano seria proporcional a este. Não eram permitidos ou tolerados os excessos.

Essa Lei manifestava assim a Justiça de Deus diante da maldade e da crueldade do homem decaído. Deus é justo e não aceita de nenhuma forma a injustiça, seja ela na prática do mal ou em sua reparação. É claro que teoricamente a retaliação é a justiça mais exata e estrita; mas na prática surgem dificuldades. Como deve ser medida a força de um golpe? Como podem ser infligidas queimaduras e feridas exatamente semelhantes? Por isso, em Israel, os anciãos dentre o povo é quem deveriam julgar cada situação; eles estabeleciam a medida da retribuição na intensidade apropriada. Note também que originalmente Deus permitiu a aplicação da restituição em casos muito específicos, que posteriormente foram ampliados e generalizados pelos "doutores da Lei", passando a valer para qualquer situação. 

O princípio regulador foi tornado opressor e abusivo pelo homem, que corrompe e modifica a seu bel prazer aquilo que é justo e bom. Assim é até hoje: o homem insiste em corromper a Palavra de Deus, utilizando-a para justificar suas atitudes cruéis e pecaminosas derivadas da grande malignidade de seu coração. É essa malignidade que faz com que os homens odeiem, traiam e matem-se uns aos outros; que faz com que crianças e mulheres sejam vitimadas todos os dias por estupradores e assassinos - não raro, de dentro do próprio seio familiar. É essa violência que vemos todos os dias, com "balas perdidas/achadas", com aumento da carestia em razão da ganância humana, dos roubos e homicídios. Mas é também por causa dessa natureza cruel que há no homem que em épocas como a que estamos vivendo, de pandemia, com mais de 3.600 mortes por dia por Covid, com hospitais lotados, há aqueles que dão de ombros, que ligam o dane-se, que não estão nem aí se suas atitudes vão contaminar outras pessoas ou não (pense nisso: você, que está lendo esse texto, milhares de pessoas não poderão fazê-lo porque morreram hoje). Que ninguém liga se o outro tem fome, se tem sede ou se está doente ou mesmo em luto. 

Qualquer pessoa que se indigna diante de tanta malignidade e injustiça sente o intenso desejo de vingança. A vontade de dar a cada um do seu próprio veneno. Quem nunca sentiu-se assim? Diante do estupro, de pegar o estuprador e, no mínimo, fazer o mesmo com ele, até que ele implore pela morte? Quem, diante de tanta violência e maldade, nunca sentiu o desejo de colocar cada um bandido desse diante do pelotão de fuzilamento, ou de lançar no alto mar repleto de tubarões? Quem, diante desse descaso de muitos nessa pandemia, que insistem em não se isolarem, em não usarem máscaras, em se aglomerarem e assim serem agentes da morte para outros, não sentiu o desejo de que os tais tenham a doença e assim comprovem, com a vida, a necessidade daquilo que outros tem implorado para evitar? Quem nunca... atire a primeira pedra!

(Atenção: contém spoiler do filme) 

O personagem ficcional Arthur Fleck, interpretado pelo ator Joaquin Phoenix, no filme "Coringa" (Joker), diante do abuso, da opressão e do descaso não ficou apenas no desejo de vingança. Ele tomou a atitude. Extremamente pobre e portador de doença mental que o faz rir descontroladamente, ele perde a ajuda do governo para seus remédios - a própria terapeuta  afirma "eles não se importam com pessoas como você". É alvo da violência de Gotham, sendo agredido e humilhado várias vezes, foi despedido injustamente (?) do seu precário emprego por portar arma de fogo "para sua própria defesa" (?) dentro de um hospital para crianças. Foi espancado dentro do metrô por um trio de "pessoas de bem" (?).  Sendo o único responsável por cuidar da mãe, que padece de doenças físicas e psicológicas, acha um bilhete de sua mãe dizendo que o ricaço, pai de Bruce Wayne, é seu pai. Investigando a estória, descobre que a mãe já tinha estado internada por causa da sua psicose e ele, filho adotivo, tinha sido submetido a várias formas de abuso durante a infância, nas mãos de um antigo companheiro da mãe. É humilhado num talk show televisivo, por conta de sua atuação como "péssimo comediante".  

Assim, diante de tanto mal e infortúnio, Arthur decide "passar a ação". No filme, ele mata os opressores no trem e o ex-colega que o oprimia; mata a própria mãe e mata também o apresentador do talk show ao vivo, na TV. O seu pensamento é - e ele o exprime por palavras e atos - "toda a minha vida eu achei que não existia realmente. Mas eu existo. E as pessoas estão começando a perceber", "eu costumava achar que a minha vida era uma tragédia... Mas agora eu vejo que é uma comédia!" e "não tenho nada a perder, nada mais vai me machucar". Por conta dele, o pai e a mãe de Bruce Wayne são assassinados. Noutras palavras, ele se vinga. Se vinga dos opressores, se vinga da mãe e se vinga da sociedade. Quem assiste o filme é fortemente induzido a ficar do lado do personagem principal. Até para defendê-lo, justificando suas ações. Afinal, como alguns dirão, ele tentou ser correto, mas o "sistema" não deixou. Portanto, diante disso, tornar-se um assassino cruel e sádico é "mais do que justificado".  No entanto, a pergunta que surge é tamanha violência foi realmente justificada, na medida correta, ao ponto de transformá-lo no Coringa. 

O filme retrata exatamente como muitos infelizmente agem ou, no mínimo, como se sentem diante de tamanha malignidade que vemos nesse mundo. Nesse contexto, toda violência é justificada, quer seja a violência por parte dos opressores, quer dos oprimidos que acabam se tornando exatamente iguais aos seus opressores. Seguindo esse pensamento, os estupradores e os homicidas não passariam de vítimas da sociedade opressora. Do mesmo modo, quem os mata, estaria "fazendo um bem" a essa mesma sociedade. Estes, por sua vez, sentindo-se ainda mais oprimidos, mais violentos e cruéis se tornam contra a sociedade. Percebe que isso é um loop infinito de malignidade? Percebe que quando falamos em sociedade, termo genérico, estamos falando tanto dos maus e cruéis que nela existem, como também daqueles que não tem e nunca tiveram nada a ver com isso?

Qual é a perspectiva? Devido ao sistema desse mundo estar sob o domínio de Satanás, precisamos entender que enquanto perdurar esse domínio nada mudará, apenas se agravará. E antes que caiamos no erro de culpar o diabo por tudo, fomos nós que demos a ele esse domínio. Além disso, ninguém é obrigado a fazer nada; tudo que fazemos, fazemos porque queremos fazer. Logo, o diabo tem a parte dele nessa extrema malignidade, mas nós, raça humana, também temos a nossa.  Creia-me quando digo que as pessoas vão para o inferno com suas próprias pernas. 

Tem a solução? Depende. Para o mundo, o sistema maligno, não. O mundo jaz no maligno e isso não tem remédio. Para cada pessoa, sim. Mas o remédio é muito amargoso. O remédio é ser discípulo de Jesus, o que implica em negar a si mesmo e tomar a sua cruz. Implica, portanto, na renúncia, até o de vingar-se a si mesmo. Observe o que Cristo diz:

"Ouvistes que foi dito: Olho por olho, e dente por dente. Eu, porém, vos digo que não resistais ao homem mau; mas a qualquer que te bater na face direita, oferece-lhe também a outra; e ao que quiser pleitear contigo, e tirar-te a túnica, larga-lhe também a capa; e, se qualquer te obrigar a caminhar mil passos, vai com ele dois mil." (Mt 5.38-41)

Entendeu? Jesus disse que seus discípulos não devem retribuir o mal que sofrerem com mais mal; antes, devem retribuir o mal com o bem. Eu reconheço que isso pode ser muito complicado em inúmeras vezes - mesmo que se restrinja a um pensamento de nosso coração - mas foi o que Jesus ensinou. Ser cristão de verdade, genuíno, é muito difícil; o caminho do cristão é estreito e cheio de dificuldades. Ser cristão não essa pouca vergonha que hoje se vê; mesmo com o nome que se autodenominam é notório que não são cristãos de verdade. Um cristão tem a natureza amansada e pacificada pelo Senhor. Não quer dizer que esse cristão não se indigne, mas ele abre mão da vingança pessoal. Nenhuma vingança. Ele é injustiçado, mas não devolve a injustiça na mesma moeda. Sofre afronta e perseguição, mas não usa do mesmo expediente. Ele não paga mal com mal; não se deixa vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem. Recorde novamente o que o Senhor ensinou:

"Digo-vos, porém, a vós outros que me ouvis: amai os vossos inimigos, fazei o bem aos que vos odeiam; bendizei aos que vos maldizem, orai pelos que vos caluniam. Ao que te bate numa face, oferece-lhe também a outra; e, ao que tirar a tua capa, deixa-o levar também a túnica; dá a todo o que te pede; e, se alguém levar o que é teu, não entres em demanda. Como quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles. Se amais os que vos amam, qual é a vossa recompensa? Porque até os pecadores amam aos que os amam. Se fizerdes o bem aos que vos fazem o bem, qual é a vossa recompensa? Até os pecadores fazem isso." (Lucas 6:27-33)   

"Ah, pastor! Mas eu tenho o direito! Mas eu posso! Fulano, no país X, age assim e assado; aqui, meu líder do coração, o Optimus Prime, Última Bolacha do Pacote, disse que eu posso!" Querido(a), ser cristão é renunciar até mesmo aquilo que entendemos como "nosso direito", independente do que o líder religioso ou político ou mesmo político-religioso diga ou faça. Não existe "mas" diante do ensino absoluto de Jesus. Na verdade, o mal começou no mundo exatamente quando nós, seres humanos, colocamos um "mas" na frente da Palavra de Deus no Edén. É duro, eu sei. Mas essa é a vontade de Deus para aqueles que são filhos e filhas de Deus. 

"Ah pastor! Mas eu tenho todo direito de me defender! Vou comprar uma espingarda, como a  do Zé Buscapé, para mandar chumbo quando for preciso!" Não querido(a). Vai ser mais duro ainda, mas tenho que dizer: um cristão não pega em armas para se defender, isso não é correto - não importando que isso seja o que a história do país A ou B ensine. Aliás, se formos ser justos, nunca demos a mínima para a história, apenas dela recorremos quando nos interessa. Mas, olhando para os primeiros cristãos, é facílimo ver que para eles esse assunto, já claramente determinado pelo Senhor, já estava bem resolvido:

“O diabo é o autor de todas as guerras.” “Nós, que nos matávamos uns aos outros, não fazemos guerra aos nossos inimigos. Recusamo-nos a mentir ou enganar nossos inquisidores; preferimos morrer reconhecendo a Cristo.” - Justino Mártir aprox. 138 DC

“Não é lícito a um cristão portar armas por qualquer consideração terrena.” - Marcelo aprox. 298 DC  

“Sob nenhuma circunstância um verdadeiro cristão deve desembainhar a espada.” - Tertuliano 155-230 DC  

“Viemos de acordo com o conselho de Jesus de transformar nossas arrogantes espadas de argumentação em relhas de arado e convertemos em foices as lanças que antes usávamos na luta. Pois não pegamos mais espadas contra uma nação, nem aprendemos mais a fazer guerra, tornando-nos filhos da paz por amor de Jesus, que é nosso Senhor.” - Orígenes de Alexandria 185-254 DC

“[Cristãos] não têm permissão para matar, mas eles devem estar prontos para serem mortos ... não é permitido que os inocentes matem mesmo os culpados.” “Deus queria que o ferro fosse usado para o cultivo da terra e, portanto, não deveria ser usado para tirar vidas humanas.”  - Cipriano aprox. 250 DC 

  “Os servos de Deus não confiam para sua proteção nas defesas materiais, mas na Providência.” - Ambrósio 338-397 DC    

Os primeiros seguidores da fé costumam dizer: “Quando Jesus desarmou Pedro, Ele desarmou todos os cristãos”. De acordo com a tradição da igreja, quase todos os discípulos originais de Jesus foram torturados e assassinados por sua fé. Mesmo em meio à intensa perseguição pelo Império Romano, os primeiros cristãos voluntariamente deram suas vidas por suas crenças e por seus companheiros crentes. 

Vale ainda relembrar o que o apóstolo Paulo disse a todos os cristãos quando o fez aos crentes de Roma: "Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira, porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor. Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem" (Romanos 12:19-21) Esse texto, dentre muitos outros, mostra que Deus não deixará ninguém impune por qualquer ato maligno ou criminoso. "Minha é a vingança, eu retribuirei, diz o Senhor". Esteja certo disso! E, se você acha pouco isso, leia o que o autor aos Hebreus diz: "Horrenda coisa é cair nas mãos do Deus vivo" (Hb 10.31) Criminosos, homicidas, traficantes, estupradores, ladrões, etc. podem até escapar das mãos da justiça humana, mas da Justiça Divina, que vinga e retribui, jamais escaparão! 

Concluindo, o cristão não deve recorrer a violência nem a vingança, nem usar do mesmo expediente de um mundo caído para sua autodefesa, pagando assim mal com mal, mas sim entregar sua vida nas mãos do Seu Senhor e Salvador. Na nossa vida somente acontece aquilo que o Senhor permite; pode ser que muitas vezes seja difícil ou mesmo impossível entender porque o Senhor permitiu que algo mal afligisse a nossa vida, no entanto devemos ter sempre, em nossos corações, a certeza de que Ele nos ama - essa é a minha certeza! É exatamente como diz a letra do hino "Nada Sei Sobre o Futuro", do pastor Feliciano Amaral (ouça em https://www.youtube.com/watch?v=veg7YvZS_nE):

Nada sei sobre o futuro
Desconheço o que haverá
É provável que as nuvens
Minha luz apagará
Nada temo do futuro
Pois Jesus comigo está
Eu o sigo decidido
Seu poder me guiará

Muitas coisas não compreendo
O amanhã, o que será?
Mas um doce amigo tenho
Que minha mão sustentará

Eu não sei sobre o futuro
Desconheço o que será
Mas quem cuida dos pardais
Cuidará também de mim
Quando estou em mau caminho
Se na prova ou dissabor
Sei que Cristo irá comigo
Sua graça e Seu amor  

O Senhor é nosso Senhor na vida e na morte, nos momentos de alegria e nos de tristeza ou luto, na saúde e na doença, na pobreza e na riqueza, na certeza ou na dúvida, na aflição, na angústia, na perseguição... em todos os momentos de nossa vida! Vou repetir: ELE NOS AMA! Nada ou ninguém nos pode separar do Seu amor! Portanto, permita que o Espírito Santo conforte seu coração e, quando necessário, limpe suas lágrimas e lhe ajude com suas fraquezas! ELE É O SENHOR! A Ele, a Jesus, se dobrará todo joelho e toda a língua o confessará como Senhor! E isso tudo porque Ele venceu o mundo não com a espada ou com a violência, mas com o Seu amor provado na Sua morte por nós, e morte de cruz! 

Quem abriga e nutre à revolta e a violência em seu coração acabará se transformando numa versão do Coringa: insensível, sádico e cruel, disposto a resolver o problema "com suas próprias mãos". Quem usa do mal contra o mal, faz dele um companheiro íntimo - mesmo dentro da própria casa! Todos os que lançam mão da espada à espada perecerão. 

Pense nisso! Graça, misericórdia e paz sejam contigo e com todos os seus!

segunda-feira, 24 de junho de 2019

“MEU POVO NÃO ENTENDE”: FAZENDO TUDO ERRADO AINDA QUE FAZENDO TUDO CERTO

Visão de Isaías, filho de Amós, que ele teve a respeito de Judá e Jerusalém, nos dias de Uzias, Jotão, Acaz, e Ezequias, reis de Judá.
Ouvi, ó céus, e dá ouvidos, tu, ó terra; porque o Senhor tem falado: Criei filhos, e engrandeci-os; mas eles se rebelaram contra mim.
O boi conhece o seu possuidor, e o jumento a manjedoura do seu dono; mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende.
Ai, nação pecadora, povo carregado de iniqüidade, descendência de malfeitores, filhos corruptores; deixaram ao Senhor, blasfemaram o Santo de Israel, voltaram para trás.
Por que seríeis ainda castigados, se mais vos rebelaríeis? Toda a cabeça está enferma e todo o coração fraco.
Desde a planta do pé até a cabeça não há nele coisa sã, senão feridas, e inchaços, e chagas podres não espremidas, nem ligadas, nem amolecidas com óleo.
A vossa terra está assolada, as vossas cidades estão abrasadas pelo fogo; a vossa terra os estranhos a devoram em vossa presença; e está como devastada, numa subversão de estranhos.
E a filha de Sião é deixada como a cabana na vinha, como a choupana no pepinal, como uma cidade sitiada.
Se o Senhor dos Exércitos não nos tivesse deixado algum remanescente, já como Sodoma seríamos, e semelhantes a Gomorra.
Ouvi a palavra do Senhor, vós poderosos de Sodoma; dai ouvidos à lei do nosso Deus, ó povo de Gomorra.
De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios, diz o Senhor? Já estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais cevados; nem me agrado de sangue de bezerros, nem de cordeiros, nem de bodes.
Quando vindes para comparecer perante mim, quem requereu isto de vossas mãos, que viésseis a pisar os meus átrios?
Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e as luas novas, e os sábados, e a convocação das assembléias; não posso suportar iniqüidade, nem mesmo a reunião solene.
As vossas luas novas, e as vossas solenidades, a minha alma as odeia; já me são pesadas; já estou cansado de as sofrer.
Por isso, quando estendeis as vossas mãos, escondo de vós os meus olhos; e ainda que multipliqueis as vossas orações, não as ouvirei, porque as vossas mãos estão cheias de sangue.
Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos; cessai de fazer mal.
Aprendei a fazer bem; procurai o que é justo; ajudai o oprimido; fazei justiça ao órfão; tratai da causa das viúvas.
Vinde então, e argüi-me, diz o Senhor: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã.
Se quiserdes, e obedecerdes, comereis o bem desta terra.
Mas se recusardes, e fordes rebeldes, sereis devorados à espada; porque a boca do Senhor o disse.
(Isaías 1:1-20)


INTRODUÇÃO:

 "Deixaram o Senhor". Há uma série de acusações de Deus contra Seu povo nos primeiros versos do capítulo 1 de Isaías; para Deus eles são "povo de Gomorra". Seus líderes igualmente são chamados de "príncipes de Sodoma". Sodoma e Gomorra foram cidades destruídas por Deus com fogo, no Antigo Testamento, pelos pecados que eram cometidos naqueles lugares, de gente que não queria saber do Senhor. Deus, portanto, está dizendo que todo o Seu Israel, líderes e povo, estavam desviados Dele ao ponto de já não darem a mínima para Sua Vontade e Direção. Os animais do campo, o boi e o jumento, sendo irracionais, se comportavam melhor, de forma mais coerente que o povo de Deus, como protesta Isaías. 

Deus, por meio de Isaías, diz "Meu povo não entende": Deus falava - e isso é o conceito básico de Palavra de Deus - mas não havia reflexão com relação àquilo que Deus dizia e nem a devida mudança de vida. Isso é assustador: a Palavra de Deus havia se tornado ineficaz diante das atitudes rebeldes de Seu povo. Quanto mais Deus falava, menos o povo dava ouvidos àquilo que Deus dizia. Hoje estamos vivendo dias assim: há muitos lugares que se intitulam "casa de Deus" onde as pessoas já não estão nem aí para a Palavra de Deus. A pregação da Palavra, que deveria impactar as vidas dos homens e levá-los a uma ação diante de Deus já não está mais surtindo efeito nos corações de muitos ditos crentes em Cristo. O momento da pregação, que devia ser o clímax do culto cristão e o direcionador desse culto tornou-se mais um "programa dentro do culto", inferior em importância e atenção à apresentação de números especiais ou mesmo ao "momento do louvor".

A pregação tem papel de preponderância, de destaque, no culto cristão, não os louvores, apresentações de grupos, etc. "Relativo a pregação, Lutero a entendia como um meio da graça. Ele via Deus falando através da Palavra. Ele disse: “Sim, eu ouço o sermão; mas quem está falando? O ministro? Absolutamente não. Você não ouve o ministro. Na verdade, a voz é dele, mas meu Deus está falando a palavra que ele prega”. Para Lutero isto significava que o poder da Palavra e a graça de Deus vêm através da pregação, apesar das limitações humanas do pregador. Lutero declarou em um dos seus sermões: “Mesmo que fosse uma jumenta falando, como no caso de Balaão (Nm 22:28), ainda assim seria a Palavra de Deus”. Para Lutero a pregação era a “palavra falada” de Deus. Pela pregação Jesus apresenta salvação à raça humana. Pois “a pregação do evangelho nada mais é do que Cristo chegando a nós, ou nós sendo levados a Ele”, disse o Reformador. Cristo vem pelo Espírito Santo. O Espírito Santo não opera independentemente da Palavra, antes a confirma." (disponível em: http://www.ruach.com.br/livretos/a.pregacao.e.cristo.chegando.a.nos.pdf. Acesso: 24/06/19)

Por que eles rejeitavam a Palavra? Porque eles estavam revoltados contra Deus. "Filhos rebeldes", assim Deus chama todo aquele povo: "Criei filhos e os engrandeci, mas eles estão revoltados contra mim". Revoltados contra Deus. Deus havia estabelecido o que era bom para a vida de Israel (e Judá), mas eles não queriam se sujeitar à Vontade de Deus. Por isso mesmo rejeitavam a Palavra, porque não davam a mínima para a Vontade de Deus para suas vidas e queriam, cada um deles, seguirem seus próprios caminhos: "eu não aceito o que Deus me diz, vou fazer o que eu quero!"   

Como a Palavra de Deus é desprezada - exatamente como no livro de Isaías, cap. 1 - toda a atividade de culto está contaminada pelo pecado, sendo elas mesmas ações pecaminosas, mesmo que sendo feitas rigorosamente conforme as regras. É interessante perceber que para Israel a vida seguia como se nada estivesse acontecendo. Eles continuavam sua vida religiosa normalmente, com suas ofertas e cultos, oficiados pelos levitas e sacerdotes. Estavam fazendo tudo certo, do ponto de vista religioso. Mas Deus justamente se recusava a ouvir suas orações e aceitar seus cultos, seus sacrifícios e holocaustos, a gordura e sangue deles (Is 1:11), suas oblações, seu incenso e sua assembléias solenes (Isa 1:13) e suas novas luas e suas festas designadas (Isa 1:14). Tudo rejeitado - o culto e o povo que oferecia o culto, apesar do culto estar sendo feito "conforme a regra". Eles rejeitaram a Deus e Deus estava rejeitando o culto que eles estavam fazendo! O culto dos revoltados contra Deus!    




I. FAZENDO TUDO CERTO E AINDA ASSIM FAZENDO TUDO ERRADO PARA DEUS.

Isaías descreve o culto a Deus que Judá e Jerusalém praticavam. No culto que ele descreve, havia vários elementos que Deus havia ordenado que Israel fizesse, por meio de Moisés. Porém, Deus estava rejeitando aquele culto e aquelas pessoas que ali estavam prestando o culto a Deus, porque elas haviam rejeitado Deus como Senhor delas. MEU POVO ESTÁ REVOLTADO CONTRA MIM, É COMO DEUS VIA TUDO AQUILO. 

Aqui, aprendemos que podemos fazer tudo certo, tudo conforme a Bíblia manda, mas apenas de maneira exterior. Podemos seguir o que está escrito na Bíblia e mesmo assim estarmos revoltados contra Deus. Podemos ter a Bíblia e não ter a Palavra de Deus. Podemos falar de Jesus, podemos fazer culto para Jesus e não termos a aprovação de Jesus, manifesta por Sua presença, em nosso culto.

É possível orarmos e a nossa oração não ser agradável a Deus (Pv 28.9). É possível ofertarmos e a nossa oferta não ser aceita por Deus (Mt 6.2). É possível nos esfolarmos como obreiros, dando nossas vidas e bens para a Obra, e isso não ser de nenhum proveito para a fé e para nós mesmos (I Co 13.1,3). É possível fazer tudo mecanicamente, sem amor. E sem amor - para com Deus e para com o próximo, ambos - nada aproveita; tudo não passa de barulho de lata velha. O CULTO CRISTÃO É MAIS QUE UM MOMENTO NUMA REUNIÃO, É UM ESTADO DE VIDA. Cada dia da nossa vida, em cada ato que praticamos, rendermos ações de graças a Deus. Isso é no trabalho, na escola, no lar, na casa, no lazer, na alimentação, no sexo... em tudo! Culto não é ritual, melodia, formas, estética, beleza, palavras, cânticos, dogmas, símbolos, ofertas ou qualquer outro detalhe que lhe possamos atribuir. Essas coisas podem ter o seu lugar, porém o culto a Deus é mais do que elas. Culto, antes de tudo, é vida em ação. Assim, o culto coletivo deve ser o produto do culto individual que nada mais é que o louvor e ações de graças ao Senhor em cada momento da nossa vida, vivida em conformidade com Sua Vontade manifesta e revelada a nós por Sua Palavra. Deus é o Senhor não apenas dentro do Templo, mas fora dele!

A lição que Deus deseja nos ensinar, aqui, é que Ele se relaciona conosco não por meio de ritos, trabalhos ("fazer a Obra"), cargos/posições/títulos e disciplinas exteriores. No meio dito "cristão", há aqueles que acham que Deus se relaciona conosco por meio de ritos; o pastor, para esses, seria aquele que tem o segredo de como ativar esses ritos, uma espécie de "especialista dos ritos santos". No entanto, Isaías diz que ritos são vazios em si mesmos! Deus só se relaciona conosco na base de princípios que Ele mesmo estabeleceu, não na base de ritos. E o princípio que salta aos olhos em Isaías cap.1 é a justiça! QUEM QUER TER O FAVOR DE DEUS, TENHA VIDA JUSTA COMO JUSTO ELE É. Essa justiça é alcançada somente pela fé - isso é ponto pacífico na Bíblia; no entanto, essa fé PRECISA SE MANIFESTAR EM FRUTOS VISÍVEIS NA VIDA DO CRENTE. A fé sem obras é morta (Tg 2.26). E como se manifesta a justiça pela fé de forma prática? Na forma como tratamos com Deus e como tratamos com o próximo: nesse caso, com justiça! 

Veja como Deus condena a injustiça: “Aprendei a fazer o bem; atendei à justiça, repreendei ao opressor; defendei o direito do órfão, pleiteai a causa das viúvas” (v.17). Havia injustiça na vida dos adoradores! Reconhecer e condenar TODA A FORMA DE INJUSTIÇA é o primeiro passo da justiça de Deus na prática. Porém não é o único passo, nem um passo isolado. É preciso avançar em direção a APLICAÇÃO DA JUSTIÇA na vida dos nossos semelhantes:
  • Aprendei a fazer o bem: Aprendam a viver de forma virtuosa e honesta: (a) Fazer o bem ao nosso próximo. Você sabe quem é o seu próximo? Jesus diz que o nosso próximo não é apenas aquele grupo que chamamos de "os irmãos". O próximo é todo aquele que precisa de ajuda e que está em nosso alcance ajudar. E nos foi dito a fazer a eles tudo que gostaríamos que eles nos fizessem! (Mt 7.12) (b) "Fazer o bem" implica também em "não fazer o mal": um cristão não pode viver sua vida cotidiana na prática da injustiça, em todas as áreas. Imagine um cristão que contrata um serviço e não paga, ou que vive a pedir gratuidade tendo condições de pagar pelos produtos/serviços adquiridos/prestados? Ou que não dá o direito de seu cônjuge (I Co 7.1-5)? Ou que fortalece as mãos do culpado, justificando seus maus atos, para que não se arrependa? Ou que apóia causas e ideologias declaradamente anticristãs?  Note: Não é apenas lamentar pelo pecado cometido, mas romper com a prática e mortificar todas aquelas afeições e disposições viciosas que o inclinou a viver desse modo. O pecado tem o poder de contaminar a alma e tornar-nos brutos. Portanto, devemos fazer o bem, de maneira correta e com um objetivo correto; devemos aprender a fazer bem; devemos nos esforçar para obter o conhecimento de nosso dever, nos preocuparmos com isso e nos acostumarmos a isso, para nos tornarmos mestres dessa arte sagrada de fazer o bem.
  • Atendei à justiça: Tenham propósito firme e consistente de aplicar os princípios de Deus no dia-a-dia. A justiça demandou algo de você? Atenda a ela! A nossa justiça tem que ultrapassar as 4 paredes do templo onde dizemos que cultuamos a Deus! Nossa justiça tem que ser maior que a justiça do mundo, do que a justiça dos religiosos! Lembremos do que disse o Senhor sobre isso: "Porque vos digo que, se a vossa justiça não exceder a dos escribas e fariseus, de modo nenhum entrareis no Reino dos Céus." (Mt 5.20)
  • Repreendei ao opressor: Condenem a opressão e corrijam o opressor. O opressor pode estar no mundo e pode estar também na denominação religiosa! Quantos pastores, líderes, bispos, apóstolos, etc. não passam de "donos de denominação", opressores de gente, dos "Moisés do Novo Testamento", "fundadores de ministérios com base numa visão". Há muitas denominações onde a relação entre pastor e denominação é exatamente igual a relação de senhores de engenho com seus escravos. Ambientes onde o medo fala mais alto que o amor, que a subserviência dita as relações internas entre os escalões do clero e com o laicato. Assim, quem está na base da "pirâmide hierárquica" faz de tudo para subir ao ponto mais alto, a fim oprimir mais amplamente e ser menos oprimido: o diácono faz de tudo para ser presbítero e este faz de tudo para se tornar pastor. Só que o dono da denominação manterá todos, sempre, debaixo do seu chicote - até os pastores: "escreveu, não leu como lê o dono da denominação, o pau comeu", é o lema!  Esses Nabucodonosores modernos precisam ser repreendidos, em nome e Jesus, com coragem e fé, não importando suas maldições e perdas de cargo/expulsão da denominação!
  • Defendei o direito do órfão, pleiteai a causa das viúvas: De forma bem prática, não tire vantagem da condição fraca e impotente - da ignorância e falta de experiência daqueles que estão ao seu redor. Se você é mais forte, mais inteligente, mais experiente use isso para ajudar quem precisa, quem não possui estas mesmas virtudes e poderes. Aqui, especialmente aos líderes: muitos procuram a liderança de uma denominação buscando ajuda para suas mazelas da vida. Gente portadora de diversas misérias, protagonistas de tragédias dos mais variados tipos. São pessoas fragilizadas, quebradas em seu espírito, com apenas um fio de esperança. Você, líder - pastor, bispo, apóstolo, etc. (como preferir ser chamado) não use a condição das pessoas em prol dos seus próprios interesses; não abuse das pessoas, de sua condição frágil. Não as explore. Por exemplo, não venha pedir dízimo/trízimo/quadrízimo ou qualquer coisa do tipo em troca de ajuda - sua ou de Deus - porque isso é falta grave diante do Senhor. Não venha com papo de "semente para Deus", "maldição de malaquias" e outras sandices, para tirar dinheiro daqueles que nada tem. Nem mesmo venha explorar a força de trabalho dessas pessoas sob desculpa de "obra de Deus". Isso não é coisa de líder genuinamente cristão; é coisa de explorador que não quer trabalhar para ganhar o pão com seu próprio suor, de come-e-dorme que não quer enfrentar trem/ônibus lotado nem quer ter chefe; coisa de "dono de igreja", "feitor de escravos", "dominador de gente" que justifica sua grosseria, dominação e malemolência em textos do Antigo Testamento mal interpretados e mal aplicadosOlhe para o Novo Testamento: as viúvas - classe de pessoas sempre mais fraca e impotente nos tempos bíblicos - eram CUIDADAS PELA IGREJA. Havia coleta para elas e PARA OS MAIS POBRES (ouviram isso, donos de igreja? Não era para o jatinho, ou para sua glória pessoal e de seu "ministério"/"plaquinha de igreja" não...). Havia CUIDADO, ZELO, AMOR NA PRÁTICA! Vou registrar com todas as letras garrafais: PARA DEUS NÃO INTERESSA O NOME DA SUA PLAQUINHA, OU A PROJEÇÃO DO SEU "MEU-NISTÉRIO", ESPECIALMENTE QUANDO ÀS CUSTAS DA EXPLORAÇÃO DE PESSOAS E DO NOME SANTO DO SENHOR! Se não quer trabalhar, a ordem bíblica é muito clara: NÃO COMA!
Aqui vale a citação do livro "Feridos em Nome de Deus", de autoria da jornalista Marília de Camargo: "Quando a fé se deixa manipular, pessoas viram presas fáceis de toda sorte de abuso. A confiança autêntica e sincera em Deus é gradualmente substituída pela submissão acrítica aos desmandos de lideranças despreparadas. Carentes de acolhimento são habilmente capturados pela manipulação emocional de líderes medíocres de plantão e ambos seguem de braços dados experimentando religiosidade fútil e meritória, barganhando a todo momento com Deus. Por ser uma religiosidade descaracterizada da adoração sincera, mais cedo ou mais tarde o castelo de cartas desmorona deixando feridas abertas pelo caminho".

Note, estamos verdadeiramente honrando a Deus quando estamos fazendo o bem no mundo; e atos de justiça e bondade são mais agradáveis ​​a Ele do que todos os holocaustos e sacrifícios que possamos oferecer! A Justiça que vem da fé, na qual os crentes foram justificados, não é uma teoria teológica. Deus não faz nada teórico. É prática, e como tal, precisa ser manifesta na prática. Não dá para dizer que o sujeito é feito justo pela fé e vive ainda na prática da injustiça. FÉ SEM OBRAS É MORTA! Os verdadeiros adoradores adoram o Senhor não por meio do rito A ou B, mas em espírito e em verdade! Deus, por meio de Isaías, está nos conclamando a vivermos de maneira honesta, para que haja honestidade em nossos atos de culto a Ele!



II. APLICAÇÃO: ONDE ESTÁ A JUSTIÇA DO MEU POVO, HOJE?

Estamos hoje vivendo numa época onde o direito (a justiça) está sendo torcido, tanto no mundo quanto na Igreja. Vivemos numa época onde o errado está se tornando aceitável, onde os relacionamentos são construídos na base do egoísmo (naquilo que se pode obter para si mesmo), onde o dinheiro, com o poder exercido por quem tem dinheiro, conquista cada vez mais os corações dos homens. TEM COISAS QUE ESTÃO ACONTECENDO QUE AFRONTAM DEUS. 

Hoje temos muitas coisas acontecendo no mundo e na Igreja. Vamos nos ater a Igreja: há muitos movimentos. Há muitas coisas, muitas “orações fortes”, muita propaganda, muita coisa material. A Igreja Evangélica nunca foi tão abarrotada de coisas materiais como nessa época. A mídia fez a Igreja prosperar, junto com a psicologia barata de auto-ajuda, confissão positiva, manipulação, etc. O FOCO ESTÁ CADA VEZ MAIS CENTRADO NO HOMEM E EM SUAS NECESSIDADES. Por conta disso, cada vez mais o homem pode viver o Cristianismo de modo exterior, como religião e não como Caminho, Verdade e Vida dos regenerados. É possível ir aos cultos, contribuir com ofertas, cantar, pregar, dançar, tocar instrumentos, chorar, rir, pular, ler a Bíblia, ser obreiro, ser líder, ser e fazer isso e aquilo... de maneira puramente exterior. É possível ao homem ser consagrado obreiro e nessa condição se esfolar na Obra de Deus, lidando com "serpentes e escorpiões"; é possível dar nossos bens aos pobres; é possível falar a língua dos homens e até a dos anjos (e isso não é o famoso decantanabacia, viu?) e nada disso ser proveitoso para nós mesmos. Lembre-se que Jesus disse que naquele dia muitos irão apresentar seu "currículo espritual", como "prova de fé", ouvindo do próprio Senhor, diante de toda a humanidade, um reverberante "nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade" (Mt 7.23). NOVAMENTE, É POSSÍVEL FAZER TUDO CERTO - orar, contribuir, socorrer os pobres, pregar, etc. - E AINDA ASSIM ESTAR FAZENDO TUDO ERRADO, SEM NENHUMA CORROBORAÇÃO DA PARTE DE DEUS! 


Nesse cenário atual, precisamos estar sempre nos perguntando: Senhor, será que estou realmente fazendo a tua vontade? Será que o Senhor está realmente se agradando do meu culto, da minha vida, da obra que estou fazendo? Porque podemos estar fazendo tudo certo e ainda assim estarmos errando o alvo! Note: Podemos agir biblicamente e ainda assim completamente contrário a Bíblia! Dizemos que cultuamos a Deus. Mas será que o nosso culto está agradando a Deus? É feito com e pela fé? Ele traz a bênção de Deus para nós? Nos traz paz para nosso interior? Traz convicção aos participantes de que é algo sobrenatural? Todos profetizamos – Se entrar algum incrédulo ou indouto, é ele por todos convencido e por todos julgado? (I Co 14.24) Se entrar um indouto ou incrédulo nos cultos cristãos hoje, ele é por todos convencido? Lembrando que profecia, querido(a) leitor(a), não é o famoso "decantanabaciaripalaprafora"; é essencialmente uma palavra que edifica, consola e exorta, independente da "pirotecnia gospel". Eu sinto meu coração compungido diante das necessidades de quem está do meu lado, ou meu culto é egocêntrico? Quero usar a palavra para edificar alguém, num gesto de amor genuíno por essa pessoa, ou para aparecer diante das pessoas, como sendo "espiritual"? Esse culto é um culto racional, de mentes transformadas e que se transformam continuamente, ou é um culto de bitolados de mente fechada e coração trancado, de fanáticos religiosos? As pessoas que dizem cultuar a Jesus estão avançando na graça ou escorregando na graxa? Estão mais livres e alegres, ou mais oprimidos, mais legalistas e cheios de costumes e regras, mais presos que antes de terem entrado para cultuar? Paulo nos ensina que o culto racional a Deus é agente ativo de transformação da vida daquele que cultua: "Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus." (Romanos 12:1,2)

Se estamos cultuando a Jesus, o Príncipe da Paz, então a conclusão óbvia ululante é que esse culto tem que gerar paz para o meu viver! Eu digo que cultuo a Jesus, que é Conselheiro; no entanto, minha vida está mais enrolada que rolo de barbante! Eu digo que cultuo a Jesus, que é Maravilhoso; no entanto, vivo oprimido, no buraco, no funil, na peneira, na moenda, no multimixer, sem esperança! Eu digo que cultuo a Jesus, que é Deus Forte; mas vivo vendo fantasmas onde não tem, com medo até da própria sombra! Eu digo que cultuo a Jesus, Pai da Eternidade, mas vivo a vida somente buscando as coisas dessa terra, preocupado com bens materiais, nos prazeres e vícios da carne! O CULTO A CRISTO TEM QUE TRANSFORMAR A NOSSA VIDA, CASO CONTRÁRIO, NÃO É AO SENHOR QUE ESTAMOS CULTUANDO!!

Note algo importante: se o culto ao Senhor é o culto de "transformados em transformação", com a aprovação do próprio Senhor pela sua presença sobrenatural, então forçosamente precisamos concluir que há algo muito errado conosco. Podemos até aumentar em número a quantidade de pessoas que frequentam um culto, mas não afetamos a moralidade de ninguém. E isso precisa ser seriamente considerado por nós, cristãos! Não estamos afetando ninguém, de forma positiva. Sabe por que? Porque nossos cultos tem barulho, tem língua, tem frenesi, tem gritaria, tem pregação, tem música, tem grana, tem apresentações e números especiais, tem dirigente, tem pastor, em obreiros, tem quem assiste... mas não tem a aprovação de Deus! Já parou para pensar nisso? 
  • Veja o avivamento no país de Gales, em 1904: Os efeitos do avivamento estenderam-se muito além dos cultos e reuniões de oração. Os bares e cinemas fecharam, as livrarias evangélicas venderam todos os seus estoques de Bíblias. O avivamento tornou-se manchete nos principais jornais do país. A presença de Deus "parecia ser universal e inevitável", invadindo não somente as igrejas e reuniões de oração, mas se manifestando também "nas ruas, nos trens, nos lares e nas tavernas". Em muitos casos, os fregueses entravam nas tavernas, pediam bebidas e depois davam meia-volta e saíam, deixando-as intocadas no balcão. O sentimento da presença de Deus era tal que praticamente paralisava o braço que ia levar o copo à boca. (disponível em: http://www.avivamentoja.com/avivamentos-do-passado/seculo-20/o-avivamento-no-pais-de-gales. Acesso: 24/06/19) 
  • No avivamento nas Hébridas, a presença majestosa de Deus era tão profunda que os não-salvos começaram a gemer aflitos e a orar arrependidos. Até os cristãos sentiram o peso do seu pecado. [...] Homens fortes clamavam por misericórdia e, à medida que cada um recebia a segurança da salvação, outros louvavam a Deus e até davam gritos de alegria. Uma mãe colocou os braços ao redor do filho, agradecendo a Deus, enquanto lágrimas de alegria corriam pelas suas faces. As orações de anos foram respondidas.
    (disponível em: http://www.avivamentoja.com/avivamentos-do-passado/seculo-20/duncan-campbell-e-as-ilhas-hebridas. Acesso: 24/06/19)
  • "Pecadores nas Mãos de um Deus Irado" foi um sermão pregado por Jonathan Edwards em 8 de julho de 1741, em Enfield, Connecticut. Edwards não era bom orador, mas, enquanto ele pregava, houve pessoas que choravam e clamavam por arrependimento, enquanto que outros se agarravam às colunas da igrejas, como se estivessem sentindo sendo engolidos pelo inferno. Edwards nunca terminou o sermão em Enfield. O tumulto se tornou muito grande quando a audiência foi tomada por gritos, lamentos e clamores: “O que farei para ser salvo? Oh! estou indo para o inferno! Oh! o que farei por Cristo?” Um dos ministros registrou que “os gritos agudos e clamores eram comoventes e admiráveis”. Várias “pessoas foram esperançosamente mudadas naquela noite. Oh! que prazer e alegria havia em seus semblantes!” Edwards e outros oraram com muitos dos consternados e levaram alguns a “diferentes graus de paz e alegria, alguns a enlevo, tudo exaltando o Senhor Jesus Cristo”, e exortaram outros a se achegarem ao Redentor. (veja mais em: http://apenas-para-argumentar.blogspot.com/2017/03/pecadores-nas-maos-de-um-deus-irado.html?m=0)

Mas para isso acontecer, precisa haver uma mudança radical em nosso modo de viver e de cultuar ao Senhor. Por exemplo, se é culto é o culto das “estrelas gospel” (famosas ou não), esse culto já não agrada a Deus. Se há desunião e falta de perdão, esse culto já não agrada a Deus. Se tem opressão, se tem licenciosidade, se a regrinha de denominação só serve para excluir gente da nossa conviviência (roupas e usos e costumes), se há perseguição, se há traição, se há falsidade, se há mentira, se há tolerância com o pecado, se há um ambiente de desonra/desprezo entre os participantes, se há interesses escusos, se Deus e Cristo não são o centro do culto, então esse culto não agrada a Deus. Se não há arrependimento e desejo sincero de mudança, esse culto já não agrada a Deus. Se não há reconciliação, perdão, graça e misericórdia; se não há justiça e verdade, então esse culto já não agrada a Deus. Se há politicagem, esse culto já não agrada a Deus! SE NÃO HÁ, EM SUMA, AMOR (A MAIOR MANIFESTAÇÃO DA JUSTIÇA PRÁTICA) - PARA COM DEUS E PARA COM O PRÓXIMO, ESSE CULTO JÁ NÃO AGRADA A DEUS!

Dizemos que fazemos a Obra de Deus. Mas será que estamos fazendo a Obra de Deus segundo a Vontade de Deus? Somos contratados por Deus para trabalharmos em Sua Seara, mas estamos fazendo esse trabalho conforme o critério de Deus, ou conforme o nosso? EDIFICAMOS A CASA DE DEUS DA FORMA QUE DEUS ESCOLHEU OU QUE NÓS PREFERIMOS? NÓS PERGUNTAMOS A ELE SE ESTÁ CERTO, SE É ASSIM MESMO QUE ELE QUER, OU PRESUMIMOS SABER TODAS AS RESPOSTAS? Nadabe e Abiú trouxeram fogo estranho (Lv 10.1,2). Moisés bateu na rocha ao invés de falar com ela (Nm 20.10-12). Jeroboão, filho de Nebate, criou uma religião alternativa, consagrando sacerdotes quem ele queria e instituiu culto onde ele escolheu (I Rs 12.31, 13.33). Ananias e Safira tiveram suas ofertas rejeitadas por Deus. Diótrefes não acolhia os irmãos e ainda impedia aquele que queriam recebê-los e os expulsava da igreja (3 Jo 1.10). Todos estavam fazendo a Obra. Mas não conforme a vontade de Deus. 

Vale dizer que adoração e serviço que não agradam a Deus, mesmo sendo bíblicos, são abomináveis diante de Deus e, portanto, iguais em essência a um culto idólatra, a falsos deuses. E Deus não aceita essa mistura! Precisamos estar muito atentos a isso: onde está a assinatura de Deus, hoje, endossando o que é dito e o culto que é feito?

Deus chama Seu povo ao arrependimento de todas as injustiças e iniqüidades, especialmente manifestas na nossa independência religiosa de Deus. Arrependimento de vivermos sem buscar o conhecimento e o entendimento da Vontade de Deus para tudo o que fazemos. É tempo de arrependimento, de lágrimas no altar, dias de Joel. 

Pense nisso!
Graça e paz!
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SERMÃO MINISTRADO EM 17/09/2017.