terça-feira, 22 de março de 2011

O TERRÍVEL COSTUME DE COMPLICAR A PRÓPRIA VIDA

A expressão "complicando o jogo fácil" é muito comum no meio esportivo. Um time complica o jogo quando cria, para si mesmo, dificuldades para vencer a partida que antes não existiam. Em determinado momento do jogo, uma equipe que antes dominava a partida inexplicavelmente "surta", dando espaço ao adversário para criar jogadas e ameaçar o resultado final. Geralmente, quando um time complica o jogo, ele acaba sendo derrotado ao final. Outras expressões similares são "arrumar chifre na cabeça de cavalo", "arrumar sarna para se coçar", "dar tiro no próprio pé", etc.

Da mesma forma, algumas pessoas insistem em "complicar" o que até então era simples: a própria vida. De forma quase inacreditável, tem gente que consegue tornar a própria vida num verdadeiro inferno. A vida, antes equilibrada e feliz, converte-se em caos para todos os lados; a entropia (medida da desordem) do sistema "vida" cresce assustadoramente e então o que se vê é um infindável rol de problemas! Pior: problemas desnecessários. Quando você vai sondar as razões que geraram o caos, descobre que não havia a menor razão para que o caos se instalasse. Vivem o complexo de Anaquim Skywalker: com a vida encaminhada para se tornar um grande jedi, acaba se tornando Dart Vader por dar lugar ao lado sombrio da força!

Assim, por exemplo, é o adultério, atitude que transtorna grandemente a vida de qualquer pessoa, que é capaz de destruir casamentos e arruinar as vidas de todos os envolvidos, direta e indiretamente. Quando você escrutina a vida do adúltero, descobre que ele possuía anteriormente tudo o que qualquer pessoa gostaria de ter: uma boa casa, um bom cônjuge - fiel, amoroso, paciente com e nas imperfeições,  planos maravilhosos para o futuro - com plenas condições de realização, etc. Uma vida a ser pedida a Deus. Mas, repentinamente, um dos cônjuges tem um surto; já não mais considera sua vida como agradável, como bênção de Deus. Ao contrário, tem início o flerte com o/a estranho/a - um passo para a consumação do caso extra-conjugal. Quando consumado, mais cedo ou mais tarde virá à tona. Quando isso acontece, tudo o que antes havia é perdido! Só com um milagre tudo será novamente restaurado!

Do mesmo modo, são aqueles que dão lugar às drogas, ao sexo antes do casamento e aos vícios. Muitos jovens que entram por este caminho não tinham a menor justificativa para o fazer. Tinham casa e comida, amor, aceitação, bens materiais, boas escolas - tudo a seu tempo e hora. Veja, por exemplo, o caso do jovem que pratica sexo antes do casamento: se for com um único parceiro e este for saudável, a gravidez indesejada é o destino certo. Se for com mais de um parceiro, a chance de contrair as Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) são imensas. "Quem procura, acha", inclusive AIDS. Pergunta-se: era imprescindível que isso ocorresse? Era imprescindível a gravidez indesejada fora do casamento, tonando o/a jovem em pai/mãe solteiro/a? Era imprescindível contrair AIDS? Não! Não era!

Assim também acontece com os crentes. Muitos crentes parecem que têm prazer em viver uma vida de lutas e aflições! Enquanto não conseguem arrumar um problemão para si mesmos, não sossegam! Recebem toneladas de aconselhamentos, terabytes de estudos bíblicos e zilhões de orações; investimento espiritual para torná-los mestres! Num momento, tudo está bem; porém, noutro momento, tudo está mal. E porquê? Por que mesmo após tanto investimento espiritual, o crente não conseguiu resistir à tentação e deu uma dentada profunda no fruto proibido, arrancando mais da metade dele numa só mordidela! "Irmão, o que aconteceu?!?" "Foi o diabo que me enganou pastor, [e eu comi]!" Mesmíssima história!

O que acontece? A confissão, pelo crente, de um paladar nada cristão: "Comi o fruto do adultério!" "Comi o fruto da picaretagem, e dei um 'S' no banco (ou no trabalho)!" "Comi o fruto da agiotagem!" "Comi o fruto da falsificação!" "Comi o fruto da mentira!" "Comi o fruto do cheque sem fundo!" "Comi o fruto da fornicação!" "Comi o fruto da violência, peguei uma arma e...". Variações diversas, mas o fruto é o mesmo. E como fica a vida, após esta "comilança", esta "predileção pelo pecado fatiado, flambado e servido com molho de enxofre" ? Fica uma bagunça completa, tudo destruído, arruinado! O fruto comido dá uma dor de barriga imensa! Esta "dor de barriga" - da qual queixa-se o crente que comeu o que não devia e para qual busca ansiosamente alívio - é o resultado do prato comido. Já lamentava Jeremias: "De que se queixa, pois, o homem vivente? Queixe-se cada um dos seus pecados" (leia-se: "queixe-se cada um dos seus próprios hábitos alimentares!") (Lm 3.39)

Novamente, quando você tenta desatar o nó na vida do crente, buscando a ponta do fio, descobre que não havia nenhuma razão ou motivo para que o problema se instalasse em sua vida. O crente era honrado na Igreja, querido por todos, vida sossegada diante de Deus, abençoado pelo Altíssimo com grandes bênçãos! Gente que vive a vida de forma simples, fácil, sem nenhuma complicação fundamental. Gente que ora e Deus responde, que pede e Ele atende! Fez Seminário! Dava até aulas na Escola Dominical! Irmão abençoado! Porém, repentinamente e sem o menor aviso, ele "surta". Começa, então, a fazer pontaria de dar tiro no próprio pé! Arruma para si mesmo uma série de problemas imensos, que acabam virando "dramas existenciais, espirituais e até mesmo físicos"!

Amado leitor, não sabote a sua própria vida! Não haja como um néscio, destruindo com suas próprias mãos tudo aquilo que Deus tem lhe dado como bênção sobre a Terra! Não facilite o trabalho ministerial do diabo e nem complique o trabalho ministerial do seu pastor! Perdão, o Pai está sempre disposto a dar. Porém, há problemas que podem ser tão profundos e cuja consequência pode ser tão ampla que a solução pode não ser viável. Adão e Eva após pecarem foram expulsos do Paraíso; não havia como eles continuarem morando naquele lugar. A vida de ambos fora do lugar da bênção de Deus nunca mais foi a mesma! Não faça por onde para que você também seja expulso do paraíso que Deus lhe concedeu nesta Terra.

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

quarta-feira, 16 de março de 2011

A ANTIGA SERPENTE CONTINUA ENGANANDO COM A MESMA ASTÚCIA DE SEMPRE

Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo. (II Co 11.3)

Neste texto, o apóstolo Paulo continua fazendo a defesa de suas credenciais apostólicas diante da Igreja de Corinto, iniciada em capítulos anteriores. Ao fazê-lo, o apóstolo apresenta um paralelo entre o episódio da queda, registrada no livro de Gênesis, e a tendência de partidarismo e culto a personalidade que havia em Corinto. Aquela Igreja, que se dividia internamente em "preferências por pregadores" (uns de Apolo, outros de Cefas) tinha todos os elementos emocionais e espirituais para "preferir" outros pregadores que porventura nela surgissem. Por isso mesmo, Paulo temia que pudessem se introduzir ali falsos mestres e pregadores, falsos apóstolos, os quais transfigurados em apóstolos de Cristo, enganassem os crentes de Corinto anunciando outro Jesus e outro Evangelho, por meio de outro espírito (v.4).

De forma bem clara e inequívoca, Paulo associa a ação astuciosamente enganadora dos falsos apóstolos, falsos mestres e falsos pregadores à mesma ação que o diabo, a antiga serpente, teve no Éden sobre Eva. Esta ação enganadora seria tal que geraria a corrupção dos sentidos dos Corintos, levando-os a se apartarem da simplicidade de Cristo. Obviamente, a mensagem destes "enviados das trevas" não era, nem de perto, simples como Cristo; mas consistia das mais diversas complicações religiosas possíveis e imaginárias, cheia de filosofias estranhas de sabedoria duvidosa. De fato, coisas altamente sedutoras, que tornariam os praticantes "mestres de si mesmos", "eruditos religiosos"; conhecedores de "todos os segredos, técnicas e rituais" para "canalização energética do sobrenatural" com vistas à obtenção de favores divinos.

De fato, diante da enorme "fome de emulação", gerada pela auto-suficiência do homem decaído, é preciso considerar que o apelo de um intrincado e complexo sistema religioso-ritualístico tem um alto poder sedutor. Imagine ser conhecedor das "complicações divinas", um especialista no sobrenatural, grande manipulador dos poderes espirituais? Quantas pessoas, talvez multidões, não afluiriam àquele que detivesse tais poderes? Quanta honra (leia-se "endeusamento") não seria tributado a este "senhor do mundo invisível"? Quanto dinheiro não haveria em seu "ministério"? Sim, ele - o único, senão o maior dentre todos os "controladores do oculto"- reverenciado, enriquecido e entronizado por multidões! Exclusividade total!

É justamente esta estrutura de pensamento, com pouquíssimas variantes, que impulsiona cada vez mais pessoas para a prática do ocultismo em suas mais variadas formas: a sede de poder e de riqueza, uma "distorção tsunâmica" das necessidades básicas do homem. Note que invariavelmente todas as religiões tem o seu mentor máximo, o seu "guia sobrenatural", que se apresenta sob os mais diversos (e pomposos) títulos. Este mentor máximo é a fonte máxima, a ponte entre o mundo material e o espiritual, capaz de fazer com que as coisas espirituais aconteçam, sob sua vontade e comando, no mundo físico. Para tanto, ele faz uso de "técnicas de ativação", conhecidas como rituais; estes, podem ser tanto feitos pelo líder-máximo, quanto pelos outros líderes da religião, ou até mesmo pelos "fracos e incapacitados" adeptos, sempre dependentes dos seus gurus em tudo e para tudo. Os rituais envolvem, via de regra, "barganha" com o sobrenatural, do tipo "dar isso por aquilo" ou "fazer isso em troca daquilo".

Note que Paulo estava dirigindo-se aos crentes de Corinto, advertindo que eles poderiam dar lugar a este tipo de espiritualidade 100% pagã em seu culto e serviço cristão. Com astúcia, os falsos poderiam introduzirem-se sutilmente na Igreja, infectando-a como um vírus infecta um célula humana, usando-a para sintetizar novos vírus e assim contaminar todo o corpo. Nas palavras de Paulo, os crentes seriam astuciosamente enganados, tendo o sentido corrompido pelos elaborados e complexos falsos ensinos, apartando-se da simplicidade de Cristo.

Infelizmente, o que Paulo temia, aconteceu: cada vez mais a antiga serpente continua enganando a muitos com este ensino altamente sedutor. Todo este ensino e prática, correntes no meio evangélico, sobre correntes, unções de objetos, objetos com poder sobre o mundo espiritual (como sal grosso), técnicas especiais de "batalha espiritual" (mapeamento, libertação por pontes, identificação de nomes e patentes de demônios, etc), atos proféticos "sem pé nem cabeça" (como cavalo em púlpito de igreja), unções de animais, teologia da prosperidade antibíblica com suas oferendas em troca de benesses, dentre outros, à luz da Palavra de Deus, nada mais são que "complexidades ofídicas" adicionadas à fé cristã pela serpente astuciosa.

É interessante perceber que por mais que se procure, não há argumentos bíblicos que justifiquem estes atos. Todos, sem exceção, estão baseados em versículos isolados, interpretados à luz da própria razão e vontade humana, não segundo os princípios da hermenêutica bíblica (veja um exemplo na argumentação http://www.apenas-para-argumentar.blogspot.com/2010/07/entendendo-uncao-de-lencos-luz-da.html). Quando confrontados, é fácil notar que os adeptos e praticantes desta espiritualidade sem base bíblica usam de apelação em defesa própria e da religião que segue; ora apelando para performance (como se a performance fosse sinônimo de essência - veja http://www.apenas-para-argumentar.blogspot.com/2010/07/consideracoes-sobre-marca-da-besta.html) ora para o status secular da membresia - "temos muitos eruditos, profissionais liberais, mestres e doutores em nosso meio", como se exisitisse algum tipo de equivalência entre o saber humano e o saber espiritual, ou como se diploma fosse a garantia de discernimento espiritual.

É interessante notar também que esse pessoal, praticante do falso evangelho - quer com título de cristão, quer não - conferem-se a si mesmos a posição de exclusividade com relação aos demais. "A minha igreja é mais poderosa que a sua!", "o meu pastor solta raios pelos olhos e o seu não", "aqui a cura acontece, lá fora não!", e coisas do tipo. O diabo é mestre em marketing, e não é de admirar que aqueles que vivem os seus ensinos o sejam também! Ao contrário dessa turma de falsos profetas, Jesus era comedido. Até quando curava!

Em oposição a este falso evangelho, falacioso até o talo, a verdadeira fé é simples assim como o é o  verdadeiro Cristo. Para ser cristão (ser em plenitude, em status e na prática) não é necessário aprender ou mesmo praticar coisa alguma, a não ser a Bíblia. Na verdadeira fé cristã, não se sacrifica coisa alguma a Deus, não se barganha nada com o Todo-Poderoso, pois além de ser diante Dele inaceitável é, também, grande ofensa à Sua Graça. O sacrifício de Cristo é único e suficiente; que os homens aprendam isso de uma vez por todas! Não há, em todo Novo Testamento, um único ritual recomendado para os crentes!

Abre parênteses: Há quem entenda o batismo nas águas e a Santa Ceia - sim, por favor, o adjetivo se aplica, caso contrário não é Ceia do Senhor - como rituais ordenados por Cristo à sua igreja. Eu contraponho este argumento, dizendo que a Ceia e o batismo são mais do que meros rituais no contexto reducionista geralmente aplicado. Contudo, aqueles que quiserem considerá-los como rituais, precisam reconhecer que foi o próprio Cristo quem os ordenou e que os mesmos são extremamente simples. Não há nada mais simples que compartilhar um cálice de vinho e repartir um pedaço de pão com outras pessoas; nem algo mais comum do que mergulhar uma pessoa em água. Fecha parênteses.

Assim, aquele que apresenta ofertas - e que sejam apenas àquelas ofertas permitidas no Novo Testamento - diante do Rei do Universo, Senhor de tudo que existe quer no mundo físico quer no mundo espiritual, faça-o ímbuído de ações de graças! Não trate a oferta como título de capitalização, ou investimento em fundos financeiros; não ofenda a Deus com a sua mesquinhez! Aquele que intercede, diante do Senhor, pela vida de outras pessoas, faça-o sem usar de subterfúgios de "pontos de contato de fé", sem sal grosso, sem rosa, sem lenço e sem toalha. Isso não faz parte da fé cristã, mas sim do ocultismo! Aquele que adora ao Senhor, que dirige a adoração na Casa de Deus, faça-o em Espírito e em Verdade, de forma que haja a Verdadeira presença do Espírito na adoração, não emocionalismo barato e nem tampouco extremismos motivadores das "unções" de galinha, de touro, de leão e coisas do tipo.

Do mesmo modo, aquele que prega e ensina, ensine somente a Palavra de Deus. Não "doure a pílula" e nem adicione veneno na panela que prepara o caldo para alimentar e fortalecer os homens. Que o pecador se converta do seu mau caminho, não que o caminho se converta no que é o pecador. Que a cruz de Cristo e o Cristo da cruz sejam levantados diante dos homens nos púlpitos da Casa de Deus; com todo escândalo que possa isso parecer aos religiosos pagãos, ou com toda loucura que isso possa representar aos sábios segundo este mundo. Que toda a honra, todo louvor e toda glória sejam dados apenas ao Único que é digno de recebê-las, Àquele que com seu sangue comprou para Deus povo de toda tribo, de toda língua, de todo povo e de toda nação, e para o nosso Deus os fizeste reis e sacerdotes: Ao Senhor e Salvador Jesus Cristo!

Fuja, meu querido e amado irmão, desta babilônia espiritual, com seu comércio de almas, enquanto é tempo. Fuja de tudo aquilo que for mais complicado do que Cristo! Leia a Bíblia, não com os olhos da religião, mas com simplicidade; e você encontrará o Senhor Jesus - o alfa e o ômega da Bíblia!
 
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

sábado, 5 de março de 2011

CARNAVAL: ÉPOCA DE RETIRO OU DE EVANGELISMO?

Carnaval: alguns chamam de festa da carne, devido à libertinagem desenfreda que acontece nesta festa; outros, dizem que ela deriva-se dos antigos festivais romanos conhecidos como bacanais (do Lat. bacchanale s. m., festim dissoluto; devassidão), em homenagem a Baco (ou Dionísio). O fato é que o carnaval contém em si mesmo vários elementos que o transformam numa festa de imenso apelo à sensualidade, quer pelas mulheres semi(?)nuas que desfilam, agitando libidinosamente seus corpos diante dos expectadores, quer pelas bebedeiras e porres, quer pelo sexo livre e orgias em bailes ou mesmo em logradouros públicos.

Para evitar que seus membros caiam em tentação, muitas igrejas promovem nesta época os chamados "retiros espirituais", geralmente em sítios ou chácaras, afastados dos grandes centros onde o carnaval tem sua maior expressão. Nestes retiros, os crentes em Cristo estariam "à salvo" de caírem em pecado, da "tentação de ligar a TV" e acabar participando ativa ou passivamente do carnaval, envolvidos em orações, estudos bíblicos e, dependendo da igreja, lazer (futebol, piscina, cachoeira, etc). Nesta argumentação, chama-los-ei de "grupo dos preservadores", que visam à todo custo preservar a pureza e a santidade dos crentes.

Para os membros deste grupo, é imprescindível que haja retiro no carnaval. Chegam a fazer cara feia se a igreja, por qualquer razão, deixa de promover o evento. O retiro é o fim dos problemas do crente, a solução para não pecar, o oásis espiritual em meio ao deserto de luxúria e pecado que assola a humanidade. É, na concepção destes, quase um "Bello Monte". Quer tacitamente, quer explicitamente, os preservadores crêem e defendem a realização do retiro de Carnaval como a única forma de garantir que os crentes não se desviem nesta época.  

Já outras igrejas entendem que "este é o momento", a "grande oportunidade" de evangelizar "os mundanos perdidos", que "jazem no maligno". Daí, formam equipes de evangelismo ou até mesmo "blocos de carnaval evangélicos" - uma ação de evangelismo estratégico, com direito a mestre-sala e porta-bandeira, samba enredo, alegorias e tudo mais que é comum ao carnaval, mantendo-se, é claro, as devidas proporções. Aqui, estes serão chamados de "grupo dos conquistadores", cujo objetivo é conquistar todos os carnavalescos e admiradores para Cristo.


Não raramente, ambos os grupos "se estranham" mutuamete. Para os perservadores, os conquistadores são, na verdade, carnais enrustidos. O evangelismo é entendido como uma desculpa esfarrapada para dar lugar ao diabo e à carne. Os conquistadores, aqui, são vistos como libertinos, sensuais e sem o Espírito de Deus. Tal raciocínio advém da própria lógica do grupo dos preservadores: que é impossível alguém se envolver com carnaval, por mais espirituais e corretas que sejam as motivações, sem ser contaminado com ele. 

Já do ponto de vista dos conquistadores, os preservadores não passam de legalistas, radicais religiosos, hipócritas. Segundo os conquistadores, os preservadores se isolam em retiros no carnaval porque, no seu íntimo, desejam mesmo é cair na folia. "É gente religiosa, que precisa deixar a Lei e passar a viver a graça de Deus", expressão que resume o sentimento e as opiniões dos conquistadores. A lógica predominante aqui é a do triunfalismo: invariavelmente, o crente ao tornar-se crente passou a viver em condição de "vitória imperdível e absoluta" - mesmo neste corpo mortal - sobre o diabo, o pecado e o mundo. As tentações não têm nenhum tipo de efeito sobre ele, pois ele é mais que vencedor, sempre! "Se foi tentado e caiu, é porque não era crente verdadeiro", é o consenso tácito do grupo.

Assim, para um grupo as tentações são irresistíveis; para outro, as tentações não existem, pelo menos em seus efeitos sobre o crente. Mas quem está com a razão, à luz da Bíblia: os preservadores ou os conquistadores? Será que as tentações têm ou não poder de influência sobre o crente em Cristo?

Primeiramente, é preciso conhecer o que a Bíblia tem a dizer sobre as tentações. Ora, o próprio Mestre de Nazaré nos ensinou a orar, e em sua oração nos ensinou a pedir que ao Pai para que Ele não nos deixe cair nas tentações (Lc 11.4). Também nos ensinou que devemos vigiar e orar para não cairmos em tentação (Mt 26.41), isto é, para que nós não cedamos às pressões da tentação. Segundo o apóstolo Paulo, o crente pode ser objeto de tentação, mas esta jamais será acima das nossas capacidades de suportá-la (I Co 10.13) - ou seja, é possível ser tentado e não cair em pecado. O próprio Senhor foi tentado em TODAS AS ÁREAS DA SUA VIDA (inclusive sexual), mas venceu TODAS as tentações COMO HOMEM, na dependência do Espírito Santo (Hb 2.18). Já Tiago nos diz que é possível ao homem suportar a tentação (Tg 1.12); ora, isso é revela-nos que diante da tentação é tanto possível ao crente resistir firme na fé quanto cair em pecado.

Cada um de nós é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. Ou seja, o desejo que nos impele ao pecado não provém de Deus, mas de nós mesmos. Tentação, na Bíblia, é um sentimento fortíssimo em direção ao pecado, ao mal, que só pode ser resistido com a vigilância e oração e na total dependência de Deus. A tentação em si mesma não é pecado, só se tornando pecado quando e conforme a sugestão ao mal é aceita e se acede à mesma.

Consoante a este ensino, ambos os grupos estão errados. Os preservadores estão errados, porque não há necessariamente ligação entre a presença do mal (com a tentação) e a queda. É possível ao crente ser tentado e permanecer sem cometer o pecado que está sendo sugerido. Ora, se fosse diferente, ao tornar-se cristão o crente deveria imediatamente enclausurar-se em monastérios e conventos. A história mostra que tal prática - antiga no cristianismo - foi ineficaz em seus efeitos: os próprios monges, padres, madres, freiras acabavam cometendo toda a sorte de pecado - inclusive feitiçaria, prostituição e aborto - no interior de suas "redomas" preservacionistas.

Abre parênteses: Em muitos "retiros espirituais" é comum acontecerem fornicações e variantes, mesmo sem o conhecimento dos líderes e organizadores. É o casal que se afasta um pouco do grupo duarente o dia ou que se encontra à noite após todos dormirem. Quem quer pecar, dá sempre um jeito de conseguir consumar o desejo, independente do local onde esteja. Fecha parênteses.

A questão é: todos obrigatoriamente cairão em pecado diante do Carnaval? A resposta é não. Aliás, permita-me expandir o racicínio: tudo o que acontece no carnaval, acontece o ano todo também. Homem/Mulher pelada existe o ano todo - quer em revistas, quer em sites, quer mesmo na rua. Homem/Mulher querendo sexo casual? Há centenas de milhares, inclusive casado(a)s. A possibilidade de se transar com qualquer um/uma é imensa; é quase igual a probabilidade de se lançar uma moeda e dizer que dará uma das faces (sem especificar qual). E a feitiçaria? Ande nas ruas e inevitavelmente você verá anúncios, propagandas; receberá panfletos ou conversará com alguém que é praticante.

Abre parênteses: Se formos considerar feitiçaria aquilo que ela realmente é - a prática ou celebração de rituais, orações ou cultos com ou sem uso de amuletos ou talismãs (objetos ao qual são atribuídos poderes mágicos), com vista à obtenção de resultados, favores ou objetivos - então basta ir a uma igreja neopentecostal mais perto da sua casa e participar ativamente do "culto". Lâmpada ungida para banho de luz, rosa ungida, óleo de Israel, "água orada", toalhinha ensebada de unção fedorenta, sal grosso, manto sagrado, etc e outros "apetrechos espirituais" do gênero, que podem ser adquiridos ou de graça ou a preços módicos, e que garantem a solução dos males da pessoa. O que é isso, senão feitiçaria da braba com roupagem evangélica esfarrapada? Fecha parênteses.  

Os conquistadores também estão errados. Sim, porque segundo o ensino bíblico o crente pode cair em pecado diante da tentação. Independente de seu estado espiritual, tentação será sempre tentação, enquanto neste corpo vivermos. Há pelo menos um testemunho bíblico poderosíssimo que corrobora esta verdade: o testemunho de Adão e Eva. Bastou que a serpente tentasse Eva para que ela, que até então não tinha nenhum pecado ou mal em sua vida, comesse do fruto proibido e ainda desse do mesmo à Adão. Ela ficou ali, diante do fruto, parada, dando trela à serpente; a tentação foi crescendo dentro dela até tornar-se em prática. Assim, cmo regra geral, fugir da aparência do mal, como manda a Palavra de Deus, é sempre uma ótima estratégia para se evitar a prática do pecado.

Logicamente, nem todos caem. Cair em pecado diante da tentação está ligado a inúmeros fatores, que podem ter diferentes "pesos de ponderação" (o quanto aquele fator contribui para a decisão final) para cada pessoa. Por exemplo, estar sozinho pode se constituir num fator que propicie a queda diante da tentação; porém duas pessoas diferentes podem reagir diferentemente diante da tentação quando sozinhas, sem mais ninguém por perto (ou seja, o fator tem peso de ponderação diferente para cada um). 

Outra coisa: nem tudo que é tentação para uma pessoa é também para outra. Uns serão tentados diante de um rabo de saia; outros, diante de um copo de cerveja (especialmente se for bispo neopentecostal, sic). Outros ainda se sentirão tentados pelo fumo, outros pelo jogo, outros pelo dinheiro, outros, o sexo (com suas variantes - voyerismo, etc). O diabo sabe extamente a área em que cada um de nós é mais sucestível à queda. Justamente nestas áreas, a nossa vigilância deve ser maior.  No que consiste esta vigilância? Consiste em estar atento ao menor sinal de complicação e, de maneira preventiva, literalmente "dar no pé".

Abre parênteses: Com o advento das "mulheres-fruta" e o seu sucesso financeiro e com os homens, cada vez mais as mulheres são tentadas a se tornarem "versões turbinadas" delas mesmas. Silicone aqui, silicone ali, dias de muitas dores na recuperação, dietas e horas de ginástica localizada somente para, ao final tudo, se sentirem objeto do desejo masculino. Fecha parênteses.

Concluindo: independente de seu grupo - conquistador ou preservador - volte-se para a realidade da Palavra de Deus, especialmente no que se refere às tentações. Não é o retiro que vai livrá-lo do pecado, tampouco é o seu envolvimento com o evangelismo estratégico a garantia de que você não pecará. O problema não é o lugar exterior, mas lugar interior, o coração - o lugar mais íntimo do homem. Apenas tratando do coração, com a vigilância, a oração e a dependência total e irrestrita de Deus é possível ao crente não pecar, e isso em qualquer época do ano. Parodiando a Bíblia, "e o Carnaval passa, e a sua concupiscência; mas aquele que faz a vontade de Deus permanece para sempre".  

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

sábado, 26 de fevereiro de 2011

AFLIÇÕES NO MUNDO, PERDÃO NA CASA DO PAI

Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo. (Jo 16:33)

Engana-se quem acha que a vida do servo fiel a Cristo é um mar de rosas. A vida de ninguém, muito menos do crente fiel, é constituída apenas por felizes momentos. Há muitas aflições nesta vida, muitos percalços surgem diante de nós, com uma certa frequência. Ora são tentações, ora aflições, ora lutas, ora doenças, ora enterros... quando tudo parece estar bem, o chão debaixo dos pés desaparece, restando apenas uma queda livre em direção ao desânimo, ao sentimento de solidão e abandono.

Crentes fiéis e consagrados podem experimentar tal situação. Afinal, se "o mundo jaz no maligno" e se "a carne luta contra o Espírito e o Espírito contra a carne e e estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis", então encontro uma grande e poderosa verdade: enquanto estiver neste corpo mortal, sempre haverá momentos em que ou de fora para dentro ou de dentro para fora experimentaremos lutas e combates. Eventualmente, tais lutas e combates podem dar lugar ao pecado, ou seja, a fazermos aquilo que é contra a Vontade de Deus, mesmo reconhecendo que a ação se constitui em pecado.

É neste ponto que muitos irmãos se desesperam e até abandonam a igreja: porque pecaram, recai sobre eles a pesadíssima culpa; não conseguindo mais se perdoar, extrapolam a falta de perdão para Deus. Deus, na concepção destes pobres irmãos, não irá perdoá-los por esta (ou mais esta) queda. A paciência de Deus - assim entendem - se esgotou com eles. Só lhes resta a amargura de terem tão terrivelmente perdido o amor e o perdão de Deus. Não raro, alguns aqui "caem de cabeça" no mundo, entregando-se a toda sorte de maldade e pecado; porém, fazem isso não por gostarem, mas por puro sentimento de fracasso irremediável. A pessoa se sente só e amaldiçoada, como se já estivesse no "fogo do inferno". O desepero pode chegar ao ponto do suicídio!

Boa parte deste problema está ligado a uma compreensão errada da Bíblia - crentes e pastores. Alguns pastores insistem em pregar o legalismo com seu padrão de santidade absoluta e inascessível. Um padrão de santidade tão grande, tão exigente, que torna-se um alvo inatingível. Ora, quem é o crente fiel que não deseja agradar ao Senhor? Quem não quer se sentir por Ele querido, ou amado? Quem é o fiel que de sã consciência volta-se de costas para Aquele que o salvou um dia do lamaçal do pecado? Contudo, jamais conseguem agradar ao Senhor - na concepção e pressuposto legalista, pois o padrão proposto pela ética deturpada do "fazer para merecer" é impossível de ser atingido.

Amados, santidade absoluta só o Senhor possui. Nós, seus filhos, temos uma santidade relativa, estamos no processo de santificação. A santificação consiste em deixar o pecado, cada vez mais. Porém, isto não implica que o santificado seja incapaz de pecar. Não há homem que não peque, é o que diz a Bíblia. Tampouco, quer dizer que o pecado do santificado seja absoluto - ele é também relativo. Por favor, você que lê me entenda: quando digo que o pecado na vida do santificado é relativo, quero dizer tão somente que ele não destrói em definitivo o acesso a Deus. Com a sincera confissão ao Senhor, o pecado é perdoado e a vida segue. Isso mesmo: A VIDA CONTINUA!

Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado. Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós. Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça. (I Jo 1.7-9)

Assim diz o antigo hino:

Se nós a Ti confessarmos
E seguirmos na Tua luz,
Tu não somente perdoas
Purificas também, ó Jesus!
Sim e de todo pecado
Que maravilha de amor!
Pois que mais alvo que a neve
O Teu sangue nos torna Senhor!


Leia a Bíblia sem as interpretações estapafúrdias dos homens e você facilmente perceberá o que estou dizendo. Desde os primórdios da criação, em Gênesis, até aos últimos dias do homem na face desta Terra, tanto o pecado quanto a santificação são vistos no homem (logicamente, após a queda no Éden). Ora o homem acertava o alvo, ora errava; ora fazia o qu era correto aos olhos do Senhor; ora abandonava este comportamento. Veja que Deus sempre providenciou uma saída ao pecado do homem (claro, não sem consequências): No Éden, o querubim passou a guardar o acesso à árvore da vida; em Levítico, os sacrifícios pelos pecados, para que o homem, ao pecar, não fosse impedido de ter o perdão; no Novo Testamento, o sacrifício eterno de Nosso Senhor Jesus.

A Lei de Deus, com todas as suas exigências e implicações foi-nos dada, é verdade; mas com somente dois propósitos: mostrar-nos a excessiva pecaminosidade do pecado (ninguém consegue cumprir de forma plena a Lei) e mostrar-nos que somos pecadores inveterados. Ela não nos foi dada como um "termo de desfiliação", mas antes nos foi dada para que reconhecêssemos quem nós realmente somos, a nossa incapacidade, a falência definitiva de nossos próprios esforços por santificação e justiça pessoal. Não é em vão que o Senhor disse: "Está consumado!" Deus providenciou outra forma para que o homem com Ele se relacione: chama-se Graça! É pela Graça que somos salvos, por meio da fé (Ef 2.8,9). É pela graça que entraremos no céu!


Quando terminar esta vida e lá no céu eu chegar
Haverá uma multidão de irmãos
Esperando pra me abraçar, e perguntarão a uma voz,
Voltados para mim ,Oh conta-nos como você irmão,
Venceu e chegou aqui.

E falarei, e cantarei de Jesus que me salvou
Que por este pecador a si mesmo se entregou.
Foi graça, graça, super abundante graça
Graça, graça, preciosa e doce graça.

Foi graça irmão, Graça irmão,
Eu vos digo que foi assim
Foi só pela graça de Jesus
Que eu venci e cheguei aqui.

Assim, meu amado e querido irmão; minha preciosa e amada irmã: levante a cabeça! Deus não desistiu de você! Como poderia Ele, de qualquer maneira, te esquecer? Se foi Ele que te atraiu para Si mesmo com bondade, se te amou com amor eterno? Ele te ama, apesar de todas as suas quedas; apesar dos seus fracassos, de seus pecados. Ele não está surpreso com teus pecados; nada surpreende ao Senhor. Ele sabia desde o princípio quem você seria - antes mesmo da sua existência. Antes de você ser crente, Ele já sabia que você O aceitaria como Senhor e Salvador. Já sabia também que você teria problemas com o pecado, que você cairia. Mas isso não O impediu de te amar, nem de te salvar. Isso não O deteve, não encolheu a Sua mão, não fechou a porta da salvação para você. ELE CONTINUA TE AMANDO, COMO SEMPRE TE AMOU!

O que fazer? É simples: confesse o seu pecado (sim, porque arrependido você já está, tenho certeza) e receba o perdão do Senhor! Só isso? Isso mesmo, SÓ ISSO! As portas da Casa do Senhor, Teu Pai e Teu Deus, estão abertas para te receber de volta! O próprio Senhor, na figura do pai da família, está vigiando a sua volta, óh meu pródigo irmão! O amor do pai nunca esvaziou-se pelo filho pródigo; nem o amor de Deus por você! Volte, hoje mesmo! Retorne; o mundo não é o seu lugar! No mundo, tereis aflições; na Casa do Pai, tereis refrigério, alegria e perdão!



Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

O MUNDO JAZ NO MALIGNO... E A IGREJA ESTÁ PROCURANDO A MESMA REALIDADE!

"Sabemos que somos de Deus, e que todo o mundo está no maligno." (I Jo 5.19)

Será que sabemos mesmo, como deveríamos saber, ou somos apenas teóricos de Deus, sem a devida reflexão e a correspondente prática das Escrituras? Jesus disse: "O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos disse são espírito e vida." (Jo 6.63) Suas palavras, as quais Ele nos tem dito, são espírito e vida, não um conjunto de argumentos filosóficos, ligados às elucubrações humanas sobre o infinito e o além. Devem, portanto, serem encaradas pela Igreja de Cristo na face desta terra como Verdade Máxima, Absoluta, Regra de Fé e de Conduta para todos os crentes em Cristo, com valor ético-moral acima de leis humanas, de filosofias, de teologias, de catecismos, de tradições e de qualquer outra coisa que exista ou venha a existir.

Porém, nem todas os crentes e igrejas de confissão cristã seguem esta verdade. Para muitos, a história de seus fundadores e a teologia que professaram é, na prática, superior à Palavra de Deus, à Bíblia. Com base nessa posição, elaboram os catecismos, os digestos, as bulas, as encíclicas, canôns, os manuais eclesiásticos e toda sorte de "documentos prescritivos", com interpretações de trechos bíblicos de forma particularizada, por vezes heréticas.

Nada contra uma igreja ou denominação querer preservar sua história e tradição, quer por meio de documentos, quer por meio de ensinos. Também não vejo óbices em honrarem seus fundadores, muitos dos quais foram usados por Deus para realizar a reforma protestante. Porém, a bitolação e o fanatismo dela oriundo, na prática de elevar as tradições e teologias acima da Palavra de Deus é um erro crasso e um grave perigo à vida espiritual daquela comunidade.

Armínio, Calvino e Lutero e outros tantos foram usados por Deus no passado? Glórias a Deus por isso! Mas quem foram estes homens, senão ministros pelos quais tivemos a fé bíblica restaurada? Os ensinos destes homens de Deus foram deveras úteis para nós; porém, isso não quer dizer que em sua totalidade a teologia que enunciaram seja inerrante. A inerrância é prerrogativa da Palavra de Deus, do texto Bíblico Sagrado. Todo ensino, prédica ou teologia, proferida por qualquer homem que seja - até por um apóstolo - deve ser objeto de escrutínio à luz da Bíblia. Os que adotam esta salutar prática ficaram conhecidos, desde os primórdios, como "crentes de Beréia".

Abre parênteses: Não podemos esquecer que toda teologia foi produzida orginalmente numa dada sociedade, podendo sofrer influência das pressões existentes na época em que foi enunciada, buscando responder aos anseios e questões da sociedade. O Calvinismo, por exemplo, buscava responder aos anseios da burguesia diante do clero. Calvino considera o cristão livre de todas as proibições não explicitadas nas Escrituras, o que torna as práticas do capitalismo lícitas, em especial a usura, condenada pela Igreja Católica. De acordo com a teoria da predestinação, a idéia de que Deus concede a salvação a poucos eleitos, o homem deve buscar o lucro por meio do trabalho e da vida regrada. Surge a identificação da ética protestante com o capitalismo, que se torna atraente para a burguesia. O Livro "A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo", de Max Weber, aborda muito bem esta questão. Fecha parênteses.

Infelizmente, nem todos os crentes e nem todas as igrejas adotam o modelo de Beréia. Com muito pesar, cito como exemplo a Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos (PCUSA), que aprovou um relatório para a 219º Assembléia Geral intitulado "Issues of Civil Union and Christian Marriage" (http://oga.pcusa.org/newsstories/special-committee-civil-union-christian-marriage-2010.pdf) onde defende a participação de ministros Presbiterianos em cerimônias de casamentos e/ou da união de casais do mesmo sexo.  O estudo busca justificar sua posição com base nas leis civis, nos documentos da igreja, na tradição e teologia e nas posições de outras denominações americanas.

Abre parênteses: Que membros de uma sociedade queiram viver suas vidas à maneira dos homossexuais, isso é prerrogativa deles. Elas têm o direito de fazer esta opção e ninguém tem nada a ver com isso. Que o Estado queira regular a união civil de homossexuais, isso é prerrogativa do Estado. Ele têm o dever de regular as práticas da sociedade. Porém, que o casamento não é igual a união civil, segundo a Bíblia Sagrada, isso é um fato; e que nenhuma igreja deva ser coagida a adotar tal equivalência, ou a celebrar casamentos homossexuais, ou mesmo ter o homossexualismo como padrão de conduta para seus fiéis, isso também é um fato. União Civil é assunto do Estado; homossexualismo é assunto de quem o adota como modus vivendi e o Casamento é assunto da Igreja, matéria de fé, na qual, segundo o princípio de liberdade religiosa, ninguém deve interferir: nem os homossexuais, nem o Estado. Fecha parênteses.

Este relatório contém um também outro relatório, chamado relatório da minoria (minority report), elaborado por 2 Reverendos e uma Presbítera, que visa apontar os erros bíblicos contidos no relatório da maioria, reenfatizando o casamento como sendo a "aliança entre um homem e uma mulher" e a proibição da ordenação de ministros homossexais. É interessante que o minority report mostra a atniga posição da igreja, de 1978, conforme o relatório para a 190º Assembléia Geral (transcrito abaixo e traduzido):

(1) “homosexuality is a contradiction of God’s wise and beautiful pattern for human sexual relationships revealed in Scripture …”; (tradução: "homossexualidade é uma contradição à sabedoria de Deus e ao padrão de beleza para as relações sexuais humanas revelada na Escritura...")
(2) “unrepentant homosexual practice does not accord with the requirements for ordination”; (tradução: "práticas homossexuais não arrependidas não estão de acordo com os requisitos para a ordenação")
(3) “Persons who manifest homosexual behavior must be treated with the profound respect and pastoral tenderness due all people of God” as they “strive toward God’s revealed will in this area of their lives and make use of all the resources of grace”; (tradução: "Pessoas que manifestam comportamento homossexual devem ser tratadas com profundo respeito e ternuras pastorais direito de todo o povo de Deus" tanto quanto eles "empenham-se em direção à vontade de Deus nesta área de suas vidas e fazem uso de todos os recursos da graça")
(4) “There is no legal, social, or moral justification for denying homosexual persons access to the basic requirements of human existence” (tradução: "Não há justificativa legal, social ou moral para negar às pessoas homossexuais o acesso aos requisitos básicos para a existência humana")

Note que conforme o trecho acima, enquanto a Igreja Presbiteriana argumenta contra a pertinência entre o homossexualismo e as Escrituras Sagradas e a ordenação pastoral, argumenta também favoravelmente ao respeito e ternura cabíveis a todos os homens, incluindo aquelas que demonstram comportamento homossexual e à não discriminação destas com relação às necessidades básicas para manutenção da vida. Tratava-se de uma posição equilibrada, da qual infelizmente a PCUSA decaiu.

O "minority report" conclui: "We are called to offer the Gospel’s grace to a hurting world full of people who desperately need to know God loves them and they can be freed of the things of this world that so easily enslave us. Love is never about license and, for too many years, the PC(USA) has been silent as the carnage of sexual hedonism engulfs our culture. Let us boldly proclaim that God has a place for sex: It is within marriage between a man and woman and that commitment is for life. Let us work to support, encourage, and nurture those who are not married and help them know that God’s plan for them is just as important as God’s plan for married people. Let us honor celibacy and those who practice it as engaging in a profitable spiritual discipline that may be lifelong or for a season of life."

(Tradução: "Nós somos chamados por Deus para oferecer o Evangelho da Graça a um mundo ferido cheio de pessoas que desesperadamente precisam conhecer o amor de Deus para com elas e poderem ser libertas das coisas deste mundo que tão facilmente nos escravizam. Amor nunca é licenciosidade e, por demasiados anos, a PCUSA tem estado silenciada diante da mortandade do hedonismo sexual que subjugam nossa cultura. Vamos audaciosamente proclamar que Deus tem um lugar para o sexo: dentro do casamento entre um homem e mulher e que o compromisso é para a vida. Vamos trabalhar para manter, encorajar e nutrir aqueles que não estão casados e ajudá-los a conhecer o plano de Deus para eles e tão importante quanto o plano de Deus para os casados. Vamos honrar o celibato e aqueles que o praticam como engajados numa disciplina espiritual lucrativa que pode ser vitalícia ou para uma época da vida")

Por último, foi publicado recentemente no Site Gospel Mais (http://noticias.gospelmais.com.br/igreja-presbiteriana-dividir-reunioes-nomeacao-pastores-gays-16306.html) a informação de que um grande número de pastores e igrejas que durante 35 anos ficaram no lado contrário da tentativa de aprovarem pastores gays e pastoras lésbicas, casamento gay e outros pontos da agenda liberal, estão liderando uma saída em massa da denominação. Argumentam que não suportam mais esta discussão, ao presenciarem durante estas décadas a PCUSA minguar, perdendo membros aos milhares a cada ano. A convocação para uma reunião dos evangélicos que ainda restam dentro da PCUSA foi feita no dia 02 de fevereiro. A reunião está marcada para os dias 25-27 de agosto de 2011, em Mineápolis. Na pauta está incluida a viabilidade da criação de uma nova igreja presbiteriana que adote o que eles chamam de “um núcleo teológico claro e conciso ao qual iremos subscrever, dentro da clássica tradição Reformada, bíblica e evangélica, e um compromisso de viver de acordo com essas crenças, independentemente de pressões culturais”.

O apóstolo João afirmou categoricamente que o mundo jazia no maligno, e isso em sua época. O que ele diria hoje, diante de tantas aberrações doutrinárias e teológicas que tem sido cometidas em nome de Deus? A igreja tem se aculturado com o mundo, ao invés de praticar a contra-cultura do Reino de Deus. E isso em nome do quê? Da "modernização", do crescimento numérico e financeiro ou do apoio político? Uma igreja moderna para muitos é uma igreja libertina, licenciosa, que traz para dentro de si os valores mundanos e lhes dá uma roupagem religiosa-evangélica. Porém, ao trazer o mundo para a dentro de si, a igreja traz inevitavelmente um cadáver, sem vida; e para piorar a situação, traz toda malignidade que há no mundo para dentro do contexto da igreja.

Ora, o que é a igreja, senão a comunidade dos fiéis, daqueles que foram chamados para fora do mundo e introduzidos no contexto da fé cristã - segundo o termo grego ekklesia? Como agora um crente, que foi tirado do mundo, ou seja, dos seus valores e cultura, voltará a se inserir nele e isso dentro da igreja?!? Que contradição! Quando isso acontece, a igreja que anteriormente vivia passa do estado de vida para o estado de morte - mesmo mantendo o nome de quem está vivo (igreja). Conforme o texto de Apocalipse 3:1-6, a Igreja em Sardes experimentou esta dura realidade: suas tuas obras não foram achadas por Cristo perfeitas diante de Deus, ainda que os membros daquela Igreja pudessem achar que sim. Uma igreja que possuía dois grupos, exatamente como a PCUSA: um grupo de infiéis, crentes mundanizados e um grupo menor, que não haviam contaminado suas vestes, um grupo que manteve a pureza e santidade do Evangelho em seus corações e que por isso mesmo foram achadas dignas de andar de branco com o Senhor.
"Modernidade" pode se transformar facilmente em "morteternidade"; para morrer, basta estar vivo. E tudo começa sutilmente: modernizamos o ensino, modernizamos as músicas, modernizamos a mensagem... "Ah, esta música é muito velha. Vamos substituir por uma mais novinha, cheia de remelexos, de expressões antibíblicas e outras sandices. Afinal, isso é ser moderno!" "Tem que modernizar, pastor! Desse jeito a igreja não vai crescer nunca! O senhor precisa adotar a forma ultra-mega-plus tabajara de pregação e louvor que as igrejas estão adotando!" "Poxa, pastor! Vamos fazer um evangelismo mais estratégico, mais de acordo com a sociedade moderna. Esse negócio de dizer que as pessoas são pecadoras e precisam de salvação está fora de moda... Vamos nos adequar à realidade moderna e pregar a beleza da natureza na praia de Abricó...".
 
E quanto a Teologia? O logos precisa ser oriundo do théos, senão não é teologia de acordo com a Bíblia. É Deus quem dá a Verdadeira Palavra, é Ele quem revela-nos a Sua Verdade. Caso contrário, a teologia pode até estar de acordo com seu propositor, mas de acordo com a Bíblia, jamais! Neste caso, não é teologia, pois não vem de Deus; é "té-logo-logia" ou até mesmo "infernologia". É importante estudar o que Fulano e Beltrano propuseram? Sim, como é importante estudar Camões e Machado de Assis. Mas será que todo ensino de Fulano e Beltrano é bíblico, ou há alguma parte que não passa de uma suposição, de uma interpretação pessoal, ou de uma boa justificativa ideológica para um fato político-econômico? Como saber? Basta conferir com a Bíblia!
 
Abre parênteses: Afirmem o contrário quem quiser afirmar, discorde quem quiser discordar, mas na Bíblia há base tanto para a incapacidade de perder a salvação ("uma vez salvo, sempre salvo") quanto para a possibilidade de ser perder a salvação. Esse fato, por si só, mostra que nem a teologia de Armínio, nem a de Calvino estão 100% corretas. Há posições apaixonadas nos dois lados, e a paixão neste caso impede o saber; os defensores de cada lado buscam fazer com que a Bíblia confirme sua teoria teológico-filosófica, mas não analisam-na à luz da Bíblia, prevalecendo as opiniões pessoais e o orgulho histórico e denominacional. Essa é uma das maiores fontes de confronto entre alguns grupos de crentes, que perdura há muitas décadas. Qual é o correto? Neste caso, a posição de equilíbrio: a salvação não é algo a ser perdido por qualquer espirro, mas também não é algo imperdível. Fecha parênteses.   
 
Concluindo esta argumentação, fica o clamor e as orações para que você, distinto e amado leitor, analise sem medo todo ensino que você tem recebido à luz da Bíblia. Será que o que sua igreja diz é verdade? Porque é verdade, porque foi dito dentro da igreja por um pastor ou líder religioso ou porque está de acordo com a Bíblia? O que é melhor: agradar o homem ou agradar a Deus? Há tradições que são muito boas; há tradições inertes e há tradições antibíblicas e é preciso aprender a reconhecer cada uma delas. Há igrejas aparentemente mortas, as quais segundo os especialistas em Deus estão estagnadas, não crescem no ritmo explosivo e coisas do tipo, mas que aos olhos do Senhor estão cheias de vida por todos os lados. Há também igrejas aparentemente vivas, cheias de gente, mas que estão mortas há muito tempo e ainda não sabem. Onde você quer estar?

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

E PLANTOU O SENHOR DEUS UM JARDIM: UMA REFLEXÃO AMBIENTAL-TEOLÓGICA

E plantou o SENHOR Deus um jardim no Éden, do lado oriental; e pôs ali o homem que tinha formado. (Gn 2.8)

Conforme o texto bíblico, o Senhor Deus plantou um jardim. Um jardim que possuía toda espécie de plantas e de árvores frutíferas, com toda espécie de animais terrestres e aves. E neste jardim, segundo o texto, Deus colocou o homem que tinha formado. Este jardim era localizado no lado oriental do Éden, muito provavelmente uma região geográfica daquela época. Os eruditos disputam sua localização na geografia atual. Assim, surgem localizações como a atual Armênia, na região oeste do Mar Cáspio, na Média, próximo a Damasco, na Palestina, ao sul da Arábia, e na Babilônia. Havia um rio que saía do Éden para regar o jardim; este rio, ao sair do jardim, se dividia em quatro braços (Gn 2.10). Muito provavelmente, ficava próximo aos rios Tigre e Eufrates. É de se supor que o jardim fosse um lugar de delícias e prazer, devido ao nome, Éden. 

Não é errado supor que a temperatura do jardim do Edén fosse próxima aos 25ºC durante o dia, considerada uma temperatura agradável para o homem. A camada de ozônio, responsável pelo bloqueio dos raios UV, estava em perfeito estado; portanto, não havia fenômenos de aquecimento global ou mudanças climáticas à epoca. Com toda certeza, a temperatura à noite deveria aproximar-se da temperatura do dia, talvez no máximo um ou dois graus abaixo, tornando as noites suaves. Além disso, havia fonte de água inesgotável, oriunda do rio que banhava o jardim: água mineral, pura, refrescante e saborosa. Junte-se a isso as deliciosas frutas que ali haviam é facílimo entender o nome Éden.

O homem e o jardim... perfeito equilíbrio ambiental. O jardim era a casa do homem no planeta, e assim era por ele compreendido. 

Porém, o que o homem fez? Introduziu o pecado no lugar perfeito, aceitando o papo furado do diabo. Que pecado é esse? Meramente comer um fruto? Entender deste modo o pecado de Adão - o homem formado por Deus e introduzido no jardim - e Eva - sua esposa - é não compreender a Bíblia, em sua inteireza e inerrância doutrinária. O pecado não foi infantil, como a maioria das pessoas supõem; não foi uma "travessura infantil". Não, o pecado foi muito sério: trata-se da auto-suficiência, da negação da necessidade do Criador, da presunção de ser o Juiz do Universo, a Luz do Mundo, por conta própria. Era como dizer a Deus: "Eu não preciso mais de você. Eu já sei tudo o que preciso saber para controlar, eu mesmo, a minha própria vida"

Abre parênteses: Hoje, vejo muitos homens e mulheres errarem o alvo miseravelmente como erraram Adão e Eva. Desde cientistas - que aboliram o Criador em prol das Leis físicas que o próprio Criador estabeleceu no princípio - até mesmo pastores e crentes comuns. Quantos crentes e pastores acham-se sábios aos próprios olhos, tomando decisões sem consultar nem a Deus, nem aos anciãos da Casa de Deus? Se, como diz Provérbios, na multidão de conselhos há a sabedoria, então na ausência de conselhos há a estultícia, ou seja, a insensatez, a estupidez, a tolice e a imbecilidade. Depois da "lambança" feita, vêm as consequências e com elas o desespero pela desprovimento de recursos espirituais ("nudez") e afastamento da visão dada por Deus. A tentativa de conserto com as próprias forças ("folhas de figueira") só piora as coisas; é melhor se submeter, enquanto filho, à disciplina do Pai. Fecha parênteses. 

Com o pecado do homem, não restou alternativas ao amoroso Criador senão expulsar o homem do jardim; caso contrário, o Senhor teria perdido, para sempre, toda a raça humana, e o diabo teria vencido. Fora do Éden, a vida espiritual e biológica do homem entrou em constante declínio. Seu corpo mortal, que dependia de comer do fruto da árvore da vida para manter-se eternamente e o qual o homem jamais tencionou comer enquanto vivia no jardim, passou a sofrer a ação da morte. Cada ano fora do jardim implicava no aparecimento de inúmeras mazelas no corpo humano, até chegar o dia da separação da alma e do espírito do corpo - da morte. Espiritualmente, o homem morreu - ou seja, separou-se - de Deus no momento em que engoliu o pedaço daquele fruto, no Éden.

Porém, desde então, a morte não entrou apenas na raça humana. Toda criação passou, sob certo ponto de vista, a experimentar a "morte", a exalar o fétido odor de sua realidade. O Éden deixou de existir, com o tempo. Possivelmente, foi destruído por efeito das alterações geológicas e climáticas resultantes do pecado de Adão. No lugar dele, surgiram os desertos; no lugar de árvores que eram "boas para comer", surgiram as ervas daninhas e as plantas venenosas. Surgiram vírus e bactérias, patogênicos, que com o passar dos milênios se transformariam, a partir de efeitos mutagênicos, em agentes causadores da tuberculose, da febre amarela, da dengue, da varíola, do tifo e da Aids. Surgiram insetos, como o mosquito Aedes aegypti (aēdēs do grego "odioso" e ægypti do latim "do Egito"), futuro vetor de inúmeros vírus mortais ao homem. Isso sem mencionar os de insetos, vírus, bactérias e ervas daninhas - pragas - destruidores das plantações humanas.

Com o pecado, o equilíbrio da criação foi em grande parte prejudicado. Surgiram buracos na camada de ozônio, por conta da ganância humana; com isso, houve o contínuo aumento da temperatura média da Terra (hoje, no verão, a temperatura chega a 45ºC-50ºC em algumas regiões, como RJ). Neste ano, os efeitos das mudanças do clima se fizeram sentir em várias partes do planeta, com alto volume de chuvas, extremos de temperaturas, tufões e furacões. Mesmo diante deste notório quadro, até hoje os EUA não ratificaram o Protocolo de Kyoto, por pura ganância...

Lagoas, rios e mares foram (e ainda são) sistematicamente alvo de poluições por emissões de fábricas e esgotos sanitários. Aqui no estado do RJ, basta ir à praia de Icaraí, em Niterói, e ver, com tristeza, o que o esgoto causou... o cheiro é insuportável. É possível encontrar em algumas praias as "línguas negras" de esgoto (como Copacabana, Ipanema e outras). No lugar das águas minerais no jardim, as águas passaram a estar repletas de coliformes fecais, poluentes químicos e outros. E engana-se quem pensa que a poluição deve-se apenas aos grandes conglomerados sociais e produtivos: o homem, individualmente, é tão poluidor inveterado quanto em conjunto. Basta você ir a uma praia (isto é, se não for legalista, rsrsrs) e encontrar de tudo nela, tanto na areia quanto na água. Pessoalmente. já encontrei caco de vidro, garrafa quebrada, camisinha usada, seringa com agulha, centenas de sacos plásticos e de garrafas PET...

Abre parênteses: Onde estão as autoridades municipais que não vêm o que está acontecendo nas praias?!? Dia desses estava com minha família em Piratininga, na região litorânea conhecida como "praínha", e até cachorro havia na praia (e não era um só). Isso sem falar numas pessoas endemoniadas - só lhes cabe esta alcunha - que estavam a detonar bombas caseiras sobre albatrozes e aves marinhas residentes na região, por puro prazer de destruir a criação de Deus. Isso é crime ambiental, tipificado na Lei 9.605, de 12/02/1998, a chamada "Lei de Crimes Ambientais", sujeitando os infratores às penas restritivas de direito. Em seu Art. 29, está escrito: "Matar, perseguir, caçar, apanhar, utilizar espécimes da fauna silvestre, nativos ou em rota migratória, sem a devida permissão, licença ou autorização da autoridade competente, ou em desacordo com a obtida. Pena - detenção de seis meses a um ano, e multa". Atenção, Prefeitura de Piratininga e adjacências! Fiscalização é o enforcement da Lei! Fecha parênteses.

Onde iremos parar? Que mundo deixaremos para as futuras gerações? Os homens cada vez menos atentam para um conceito simples, cunhado no Relatório Brundtland (Our Commom Future, ou Nosso Futuro Comum, publicado em 1987): o desenvolvimento sustentável, isto é, o desenvolvimento que possibilite a satisfação das necessidades pela geração atual, de modo a permitir que as futuras gerações também possam satisfazer as suas necessidades. Pobreza e miséria, frutos em última análise do egoísmo humano materializados nos padrões insustentáveis de produção e de consumo e na exploração dos países em desenvolvimento pelos países desenvolvidos, são contrários ao desenvolvimento sustentável, que se baseia no conceito do "triple botton line" (desenvolvimento econômico, desenvolvimento ambiental e desenvolvimento social).
Resolver o problema da degradação do meio ambiente passa, primeiramente, pela solução dos problemas espirituais do homem. É preciso combater veementemente a auto-suficiência, a arrogância e o egoísmo humano, que se constituem em pecados aos olhos do Senhor Deus, o Criador de todas as coisas.  É preciso que o homem "nasça de novo", ou seja, que ele sofra o processo de regeneração espiritual quando da conversão à Cristo, por meio de quem todas as coisas foram criadas. Somente tratando do problema em sua raiz mais profunda, será possível haver uma ética cristã ecológica, caso contrário, muito será discutido em termos acadêmicos, filosóficos e políticos, mas pouquíssimo será o real avanço, em termos práticos, da preservação ambiental. 

Mas nascer de novo é apenas o começo. É preciso algo mais: é preciso amadurecer, até se tornar um crente maduro na fé. Segundo Paulo, "toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora" (Rm 8.22), com "ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus" (Rm 8.19). Expectação (sinôn.: esperança) é a tradução do termo grego apokaradokein. Apo significa “fora de”; kara, “cabeça”; dokein, “mirar”.  Assim, o termo dá a idéia de alguém, com pescoço esticado, procurando ansiosamente, com grande desejo de encontrar, algo ou alguém. Ou seja, significa a mirada ardente, concentrada, e persistente que se aparta de qualquer outra coisa, para fixar-se somente no objeto do seu desejo. A criação está a vigiar, de forma ardente e persistente, com grande ansiedade, até que os filhos maduros de Deus (huios tou Théos) se manifestem.

Cabe, assim, à Igreja de Cristo na face da Terra, independente da denominação que professa, pouco importando se pentecostal ou tradicional, transformar os filhos meninos de Deus (teknon tou Théos) em filhos maduros de Deus, de forma a não perpetuar a infantilidade eterna e o escapismo. A Igreja de Cristo jamais deveria ser a Terra do Nunca, a Neverland da fé, onde seus membros nunca crescem; onde os Crentes-Garotos-Perdidos (!), liderados pelo Pastor-Peter-Pan (que também está perdido!) estão a lutar eternamente com Capitão Ganch...Tridente dos Infernos em troca de bênçãos materiais.  

O jardim no Edén foi perdido para sempre, porque o homem preferiu dar ouvidos ao diabo e não a Deus. Não vamos perder o paraíso vindouro também e pela mesma razão; caso contrário o inferno (Geena), tipificado no lixão do vale de Hinom, onde se lançavam os cadáveres de pessoas que eram consideradas indignas, restos de animais, e toda outra espécie de imundície (se acrescentava enxofre para ajudar na queima), onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga, será a nossa morada eterna.

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia! 

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

A DURA REALIDADE DA CRISE DE FIDELIDADE

O que é fidelidade? Segundo o Dicionário Aurélio, fidelidade é:

1.Qualidade de fiel; lealdade.
2.Constância, firmeza, nas afeições, nos sentimentos; perseverança.
3.Observância rigorosa da verdade; exatidão.

Conforme a Wikipedia, fidelidade é definida como sendo o atributo ou a qualidade de quem ou do que é fiel (do latim fidelis), para significar quem ou o que conserva, mantém ou preserva suas características originais, ou quem ou o que mantém-se fiel à referência.

A palavra grega traduzida por fidelidade é pistis. Fidelidade é tanto uma atitude quanto uma ação demonstrada em relação a Deus e aos outros. Esta palavra grega é também a mesma palavra para “fé” (Mt 23:23; 1Co 13:7, 1Co 13:13). Assim, a fidelidade é primariamente encontrada em Deus, como sendo um dos seus atributos morais, denotando firmeza ou constância em Deus. Deus é fiel. Ele é absolutamente digno de confiança; as suas palavras não falharão. Consequentemente, seu povo pode descansar em suas promessas. Por tratar-se de um atributo comunicável, espera-se encontrar a fidelidade nos crentes em Cristo, ou seja, que especialmente eles sejam fiéis. Paulo, escrevendo aos Gálatas, enumera a fidelidade como um dos aspectos do Fruto do Espírito (Gl 5.22,23). 

Num mundo onde cada vez mais as pessoas buscam, de forma egoísta, satisfazerem apenas suas próprias vontades e caprichos, a fidelidade é uma qualidade de caráter cada vez mais rara e difícil de se encontrar. Vivemos numa época onde cada vez mais os relacionamentos, em todas as suas formas e possibilidades, tornaram-se efêmeros, passageiros:

a) Relacionamento Sentimental: Em todas as suas facetas, a fidelidade quase não existe mais nos relacionamentos sentimentais. Os namoros, quando ainda acontecem, passaram a se constituir, na prática, o início da vida sexual dos jovens e adolescentes. Iniciação sexual que leva a ínumeras consequências, sempre danosas, que vão desde traumas e vícios, até as doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), passando pela gravidez indesejada. No caso da gravidez, a infidelidade é tão grande que ou o rapaz ou a moça (ou ambos) dão a mínima para a criança que foi gerada irresponsavelmente.
A infidelidade persiste até mesmo no casamento - quando esse ainda acontece. Sim, porque a sociedade moderna inventou muitas coisas, dentre elas a "união estável". Apesar de judicialmente a união estável corrigir um problema social grave, ela acaba servindo como alternativa humana à Vontade divina para o casal, chamada casamento. Se há amor entre duas pessoas, não há obstáculos ao santo matrimônio, nem mesmo o obstáculo financeiro (as "festas de arromba", frequentemente vistas como obrigatórias no casamento, são outra invencionice humana...).
Porém, o próprio casamento está em crise. Com a facilidade de acesso à pornografia e ao sexo virtual, os casamentos passaram a experimentar profundos ataques à sua saúde e durabilidade. Assim, por exemplo, o marido procura saciar suas carências em salas de chat e websites pornôs, masturbando-se diante de fotos e vídeos; esposas, por sua vez, masturbam-se diante de revistas/sites especializados; em alguns casos, passam até mesmo a se exibirem em webcans - tudo em prol do prazer.  No limite máximo, maridos e esposas abrem mão da realidade em prol da fantasia (parte disso também deve-se à estereotipização machista do corpo feminino - "bundão" e "peitão" - materializado nas "mulheres-frutas de silicone"). O problema é que a fantasia gera a mesma necessidade das drogas: invariavelmente, será preciso cada vez mais. Não é à toa que muitos casais acabam aderindo à "troca de parceiros" (swing, menage, gang bang, sexo grupal, etc), passando a participarem de Festas Liberais em Clubes de Swing. Como se chama isso? Infidelidade!

b) Relacionamento Interpessoal: No mundo, confiar em alguém pode significar ser alvo de falcatruas e pilantragens. Amizade verdadeira é, infelizmente, raríssima; quando duas pessoas se aproximam, há algum interesse em jogo. Ninguém considera o próximo ao buscar união ou ao tomar suas decisões. Não há mais fidelidade! Nem meu cão sharpei é assim: até quando ele me morde, está sendo fiel e sincero!

c) Relacionamento no Âmbito da Igreja: Basta olhar a prática do conceito de "irmão" que percebe-se com facilidade a perda/desvio de significado: em muitos e muitos lugares, o conceito é puramente religioso: trata-se da designação do membro de um confraria ou irmandade. Perdido está o conceito familiar, tão transparente no Novo Testamento; o conceito de "filhos do Mesmo Pai" e "membros da mesma família - a família de Deus" (Ef 2.19). Com a difusão e implantação do eu-vangelho muquira, práticas que evidenciam o amor fraternal, tais como, "orai uns pelos outros", "comunicai com os santos nas suas necessidades", "alegrai-vos com os que se alegram; e chorai com os que choram" - só para mencionar algumas - caíram em desuso. Hoje, cada um vai à Igreja com o interesse único e exclusivo em alcançar sua própria bênção, em obter soluções imeditas para seus próprios males. O outro que está do meu lado? Não sei quem é, não quero saber e tenho raiva de quem sabe... 
Talvez o(a) leitor(a) diga: Mas isso é egoísmo! Onde está a infidelidade? Veja o que diz o Salmista: “Salva-nos, Senhor, pois não existe mais o piedoso; os fiéis desapareceram dentre os filhos dos homens. Cada um fala com falsidade ao seu próximo; falam com lábios lisonjeiros e coração dobre” (Salmo 12:1-2). A piedade (compaixão, dó, comiseração) está invariavelmente ligada à fidelidade. Do ponto de vista bíblico, ninguém que seja fiel é sem piedade (ímpio), nem o piedoso é infiel. Note que tanto a fidelidade quanto a bondade são "gomos" do mesmo Fruto do Espírito. Fidelidade, misericórdia e graça sempre caminham juntas!
Hoje, a fidelidade nas igrejas anda em baixa. Pouquíssimos crentes são realmente fiéis às suas denominações, deixando a congregação pelos motivos mais banais. Antigamente, o crente só mudava de igreja em virtude de um problema gravíssimo com ela (adoção de heresias, pecados graves na liderança, etc). No início do movimento pentecostal, sério, muitos irmãos foram obrigados a sair de suas igrejas em virtude do batismo com Espírito Santo, porque não podiam negar a realidade do que haviam experimentado. Assim, por exemplo, foram fundadas denominações sérias, como a Batista Nacional, tendo sua Convenção fundada em 1967 pelo Pr. Enéas Tognini.
Hoje, porém, basta não ter as vontades satisfeitas que os crentes trocam de igreja como quem troca de roupa - hoje metodista, amanhã congregacional, daqui a uma semana batista e assim vai, apresentando como justificativa as desculpas mais esfarrapadas possíveis, tais como  "o meu tempo aqui acabou...". Quando você vai averiguar, estes "irmãos" já passaram, no mínimo, por 05 denominações diferentes (se falar em igrejas são dezenas) e ainda continuam a peregrinar, a "passear pelas igrejas e rodar por elas".  Será que chegaremos num tempo onde as igrejas terão que aderir à onda do eu-vangelho e criarem um "cartão de fidelidade" para os crentes, dando vantagens e benefícios para poder ter pessoas fiéis?

O que é isso? Crise de fidelidade! 

Diante do exposto, vivemos uma crise de fidelidade sem precedentes em nossos dias e a tendência é piorar. Assim, sem sombra, ela é uma virtude a ser buscada e, dependendo do caso, restaurada. Especialmente por aqueles que se dizem filhos do Altíssimo. Ser fiel não é uma opção, é um dever moral que o crente em Cristo deve cumprir em sua vida. De infidelidade, o mundo está cheio; a única alternativa para o mundo é Cristo, que é fiel. Porém, é necessário que também sejamos fiéis enquanto crentes individuais e enquanto Igreja - ao nosso chamado, à nossa vocação, à Palavra, à nossa denominação eclesiástica, à nossa fé.

Segundo a parábola dos talentos, se formos fiéis no pouco, o Senhor nos colocará sobre o muito; porém se formos infiéis no pouco, não teremos nada e acabaremos lançados, como servos inúteis, nas trevas exteriores; onde haverá pranto e ranger de dentes.

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!