quarta-feira, 17 de junho de 2015
A SOBERNIA DE DEUS E AS OPINIÕES HUMANAS
Quem guiou o Espírito do Senhor, ou, como seu conselheiro, o ensinou? Com quem tomou ele conselho, para que lhe desse compreensão? Quem o instruiu na vereda do juízo e lhe ensinou sabedoria e lhe mostrou o caminho de entendimento? (Is 40.13,14)
Soberania é um atributo de Deus, ou seja, algo que é parte indissociável de Sua natureza e que condiciona o caráter de Deus. Segundo o dicionário Houaiss, soberania é a superioridade derivada de autoridade, domínio, poder. Daí o termo "soberano", que significa "que tem saber e presença absolutos, e, em conseqüência, conduz, protege, rege, domina (o destino, a vida, etc)". Portanto, a soberania de Deus é algo ligado a Sua onipotência: Deus é soberano, Ele governa sobre todas as coisas existentes, que no mundo visível quer no mundo invisível, com todo poder e autoridade. O próprio termo "onipotência" significa "faculdade de decidir com soberania".
Toda a Bíblia ressalta a soberania de Deus. Porém, se há um livro da Bíblia que mais dá destaque a Soberania de Deus é o livro de Isaías. Nesse livro, Deus é visto como Rei dos reis, assentado no Seu Santo, Alto e Sublime Trono governando todas as coisas (Is 6.1-3). Israel, cujo trono que aparentemente havia ficado vazio com a morte de Uzias e portanto sem esperança, estava debaixo de um Trono superior, de um Soberano superior, que estava assentado eternamente no Seu Trono. O rei humano havia morrido, o que possibilitava que o Rei Celestial fosse contemplado! O Rei de Israel sempre esteve no Trono e sempre estará, regendo Seu povo; Seu governo jamais terá fim, pois Seu Trono é sempiterno! O Senhor Adonai estava no Seu Trono! Nada escapa do Seu controle ou foge do Seu domínio!
Parênteses: Aliás, assim é com todas as nossas perdas, com todas as nossas tristezas, com todas as nossas decepções, com todas as nossas dores; elas têm a missão de revelar-nos o trono de Deus! A posse das coisas que são tomadas de nós, as alegrias que nossas dores reduziram a pó, têm a mesma missão, e o propósito mais elevado de todo o bem, de todas as bênçãos, de todos os bens, de toda alegria, de todo o amor - a maior missão é levar-nos a Ele. O que os nossos sofrimentos, nossas dores, perdas, decepções fazer por nós? Bem, para aqueles a quem perda é ganho, significa ser posto na posse das riquezas duradouras! É um meio de revelar Aquele que "é o mesmo ontem, e hoje, e eternamente"! A mensagem para nós de todas estas nossas dores e aflições é "Subi para cá." Em todos essas coisas, nosso Pai está nos dizendo: "Buscai o meu rosto." Devemos responder, 'O teu rosto, Senhor, buscarei . Não esconda Tua face de mim.' Tomemos cuidado para que não nos percamos em nossas dores e tristezas. Elas nos absorvem, por vezes, com arrependimentos vãos. Elas nos amarguram às vezes com pensamentos rebeldes. Elas muitas vezes quebram as molas da atividade e do interesse pelos outros, da simpatia para com os outros. Mas sua verdadeira intenção é abrir a fina cortina, para nos mostrar "as coisas que são," as realidades do Deus entronizado, as abas que enchem o templo, os serafins pairando, e da tenaz do altar que purifica nossos lábios. Fecha parênteses.
Deus soberano é o Deus cuja palavra jamais cairá por terra, jamais voltará para Ele vazia (Is 55.11); afinal, Se Ele mandou, quem não o temerá, quem não o obedecerá? (Am 3.8) Isaías declara: "Porque o SENHOR dos Exércitos o determinou; quem o invalidará? E a sua mão está estendida; quem pois a fará voltar atrás? [...] Ainda antes que houvesse dia, eu sou; e ninguém há que possa fazer escapar das minhas mãos; agindo eu, quem o impedirá?" (Is 14.27; 43.13). Ninguém é capaz de resistir ao Senhor, nem impedir Seu agir - nenhum homem, anjo, demônio ou diabo tem a mínima, a ínfima chance de impedir o agir de Deus, do Deus Soberano e Eterno! Ninguém está em pé de igualdade com Ele, nem para resistir-Lhe e muito menos para aconselhar-Lhe. A própria sabedoria foi possuída pelo SENHOR no princípio de seus caminhos, desde então, e antes de suas obras, foi ungida desde a eternidade, desde o princípio, antes do começo da terra (Pv 8.22,23). Sim, sobre a própria sabedoria é dito: "Quando ainda não havia abismos, fui gerada, quando ainda não havia fontes carregadas de águas. Antes que os montes se houvessem assentado, antes dos outeiros, eu fui gerada. Ainda ele não tinha feito a terra, nem os campos, nem o princípio do pó do mundo. Quando ele preparava os céus, aí estava eu, quando traçava o horizonte sobre a face do abismo; Quando firmava as nuvens acima, quando fortificava as fontes do abismo, Quando fixava ao mar o seu termo, para que as águas não traspassassem o seu mando, quando compunha os fundamentos da terra. Então eu estava com ele, e era seu arquiteto; era cada dia as suas delícias, alegrando-me perante ele em todo o tempo; Regozijando-me no seu mundo habitável e enchendo-me de prazer com os filhos dos homens" (Pv 8.24-31).
Ora, não há maior tolice em supor que Aquele que detém toda a Sabedoria e Conhecimento precisa de algum tipo de conselho ou de opinião humana! Como aconselhar o Onisciente Soberano Senhor? Como dar palpites em Sua Obra ou em Seus caminhos? É impossível tal coisa; quem intenta isso ouvirá ecoando desde o passado "Quem é este que escurece o conselho com palavras sem conhecimento? Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? Faze-mo saber, se tens inteligência." (Jó 38) No entanto, é exatamente assim que alguns crentes tem entendido sua relação com Deus. Com suas palavras sem conhecimento vão escurecendo o conselho; dizendo-se doutos, mostram-se na prática o contrário, pois tencionam emitir opiniões acerca dos caminhos e decisões do Eterno! Acham que Deus "muda de posição" por causa de suas opiniões pessoais! De suas teses acerca do que Deus deve ou não fazer, de como deve ou não agir. Opinião, segundo o dic. Houaiss significa: "1. maneira de pensar, de ver, de julgar; asserção, afirmação que o espírito aceita ou rejeita. 2. julgamento pessoal (justo ou injusto, verdadeiro ou falso) que se tem sobre determinada questão; parecer, pensamento. 3. posição precisa, ponto de vista que se adota em um domínio particular (social, religioso, político, intelectual etc.); idéia, teoria, tese. 4. parecer, julgamento emitido após reflexão ou deliberação; voto, partido. 5. hipótese, idéia não verificada ou sem fundamento; presunção. 6. julgamento de valor sobre alguém ou algo; conceito". Pergunto: qual desses sinônimos combina com a relação entre Deus, na expressão de Sua Onisciência e Soberania, e o homem no que tange ao processo de tomada de decisão e no agir de Deus? Meu julgamento pessoal sobre qualquer coisa sobrepor-se-á de algum modo ao julgamento de Deus, ou o complementará? Meus pensamentos são de algum modo superiores aos do Senhor? Minha posição precisa, meu ponto de vista afetará alguma coisa Àquele que desde o eterno passado já determinou todas as coisas?
Isaías pergunta "Quem guiou o Espírito do Senhor, ou, como seu conselheiro, o ensinou?" Como explica o comentário Barnes' Notes on the Bible, "quem tem equipado, ou disposto a mente ou espírito de Javé? O que o ser superior ordenou, instruído, ou dispôs em seu entendimento? Quem qualificou-o para o exercício da sua sabedoria, ou para a formação e execução de seus planos? O sentido é que Deus é supremo. Ninguém o tem instruído ou guiado, mas seus planos são seus, e foram todos formados pelo próprio Senhor sozinho. E como esses planos são infinitamente sábios, e como Ele não é dependente de ninguém para a sua formação ou execução, o seu povo pode ter confiança Nele, crendo que Ele será capaz de executar seus propósitos. [...] Ele não é dependente de conselhos de homens ou anjos. Ele é supremo, independente e infinito. Ninguém está qualificado para instruí-lo; e todos, portanto, deve confiar em Sua sabedoria e conhecimento." Esse desejo de "aconselhar Deus" é comum, especialmente quando não gostamos, por qualquer razão, do caminho que Deus traçou para nossa vida. A bem da verdade, o homem que não conhece a Deus é conduzido pelas suas paixões e opiniões pessoais; porém o homem regenerado busca andar segundo a Vontade de Deus para sua vida. Essa idéia de "aconselhar Deus" está ligada a auto-suficiência humana, onde o o indivíduo se basta, tem tudo o que precisa e pode estar em pé de igualdade "palpitando" em como Deus deve fazer Sua Obra.
Será que a Bíblia afirma que Deus considera o que o homem diz ou pensa acerca de Seus propósitos, que Deus leva em conta a opinião humana? Precisamos ter cuidado com a interpretação de versículos isolados, buscando justificar nossos "achismos" e "opiniões pessoais". Uma boa recomendação é nunca interpretar versículos ou passagens fora de seus respectivos contextos onde estão inseridos. A interpretação de um texto bíblico, além disso, precisa considerar, dentre outros, a língua original no qual foi escrito (grego, hebraico ou aramaico); o ensino geral das Escrituras; a teologia; a história, geografia, política, economia, metrologia, etc. que esteja envolvida; contexto histórico, padrões de retórica, análise gramatical, semântica e exegética, gêneros literários, citações do Antigo Testamento no Novo Testamento, relações entre a hermenêutica e as teologias bíblica, histórica, sistemática e homilética; etc. Se uma possível interpretação entra em choque com algum versículo ou passagem, esta interpretação precisa ser revista pois com certeza está errada.Vejamos alguns exemplos de versículos onde aparentemente Deus pediria a opinião humana ou a consideraria em Suas deliberações:
a) Isaías 1:18 - "Vinde então, e argüi-me, diz o SENHOR: ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a branca lã". Trata-se de um ultimato autoritativo da parte de Deus, do juiz para o acusado. O termo hebraico "venivākechâh" (argüir, arrazoar) é derivado de "yakach" e é traduzido por "mostrar, provar", de modo que o texto tenha o significado de duas partes em conflito que discutem um caso. Conforme o comentário Barnes' Notes on the Bible explica, "aqui ela (a palavra) denota o tipo de contenção, ou argumentação, que ocorre em um tribunal de justiça, em que as partes reciprocamente indicam os motivos das suas causas". Mr. Cheyne traduz "vamos levar nossa disputa ao final" (Pulpit Commentary). Portanto, esse versículo não aborda de forma alguma o pedido de Deus da opinião humana (nesse caso, sobre a transgressão do próprio homem), nem dá margem para uma consideração desta (para absolvição), conforme se vê na condenação proferida nos versículos anteriores do cap. 1.
Nota: a palavra "opinião", do hebraico dea´ (דֵּעִי) derivada do termo "yada'" aparece apenas 5 vezes na Bíblia, no Antigo Testamento, todas no livro de Jó, ora traduzida como "opinião" (32:6,10,17), ora como "conhecimento" (36:3; 37:16). Nenhum desses casos aborda Deus considerando a opinião humana.
b) Atos 15:28 - "Na verdade pareceu bem ao Espírito Santo e a nós, não vos impor mais encargo algum, senão estas coisas necessárias". Precisamos analisar esta passagem à luz do contexto. Atos 15 trata da Assembléia na Igreja de Jerusalém movida pela conversão dos gentios a Cristo. Havia um grupo que pertencia a Igreja, dos fariseus que haviam crido em Cristo, que ensinava que a fé no Senhor não era suficiente para a salvação; era necessário praticar os ritos judaicos, como a circuncisão e guardar a Lei de Moisés (vv.1,5), o que gerou grande contenda (v. 7). Pedro então toma a palavra e explica que Deus confirmou a fé dos gentios em Cristo Jesus, "dando-lhes o Espírito Santo, assim como também a nós. E não fez diferença alguma entre eles e nós, purificando os seus corações pela fé" (vv. 8,9) e que, portanto, os que queriam que estes gentios convertidos observassem a Lei estavam tentando a Deus, pondo sobre a cerviz dos discípulos um jugo muitíssimo pesado (o qual Deus não pôs nem fez tal exigência) (v. 10). Note que a primazia na decisão foi do Espírito, que desceu sobre os gentios; a Igreja apenas corroborou com aquilo que Deus já havia feito (como na casa de Cornélio, At 10.44-46), não o contrário. Não foi a Igreja que tomou a decisão e o Espírito concordou, mas o Espírito decidiu e a Igreja piedosamente discerniu a Vontade do Senhor e corroborou com ela. Não é à toa que o versículo começa "pareceu bem ao Espírito" e então acrescenta "e a nós" (não o inverso, isto é, "pareceu bem a nós" e depois "ao Espírito").
Poderíamos abordar outros versículos mal-compreendidos e mal-interpretados, mas creio que estes dois aqui já demonstram o erro embutido no ensino de que Deus considera as opiniões humanas no seu processo de tomada de decisão baseado em erros de hermenêutica e exegese bíblicas.
A igreja ao longo de sua história volta e meia deparou-se com o problema dos modismos e ventos de doutrina. Dente de ouro; fanerose; canela de fogo; sapato de fogo; vassoura de fogo; unção dos 4 seres; unção de bicho; regressão; adoração a anjos; unção do emagrecimento; cadeira reservada para anjos e outras crendices como suco do céu com sabor de morango; do disco ao contrário; do 666 para tudo que é lado; etc. Tudo isso passou. Já tivemos o clímax do G12; M12; J12; MDA; etc. Hoje, está quase extinto. Atualmente temos a teologia da prosperidade e venda de unção por R$ 900. Em breve passará também. A igreja é inabalável e permanece apesar dos ventos que sopram contra ela. O problema é o estrago que isso tudo causa: gente desviada da fé, irmãos que romperam com seus pastores e igrejas em prol da novidade e que quando tudo passou ficaram perdidos; gente ferida, magoada, rejeitada; igrejas que racharam, divisões, sectarismos, porfias, invejas, ciúmes, etc. Assim, muito cuidado com o modismo, com o que está sendo ensinado!
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!
sábado, 13 de junho de 2015
O FARISEU, A PECADORA E O MESTRE
Mensagem pregada pelo Pr. Rodrigo Aguilar, no templo da Igreja Batista Ministério Reviver em Vila da Penha/RJ.
E rogou-lhe um dos fariseus que comesse com ele; e, entrando em casa do fariseu, assentou-se à mesa. E eis que uma mulher da cidade, uma pecadora, sabendo que ele estava à mesa em casa do fariseu, levou um vaso de alabastro com ungüento; E, estando por detrás, aos seus pés, chorando, começou a regar-lhe os pés com lágrimas, e enxugava-lhos com os cabelos da sua cabeça; e beijava-lhe os pés, e ungia-lhos com o ungüento. Quando isto viu o fariseu que o tinha convidado, falava consigo, dizendo: Se este fora profeta, bem saberia quem e qual é a mulher que lhe tocou, pois é uma pecadora. E respondendo, Jesus disse-lhe: Simão, uma coisa tenho a dizer-te. E ele disse: Dize-a, Mestre. Um certo credor tinha dois devedores: um devia-lhe quinhentos dinheiros, e outro cinqüenta. E, não tendo eles com que pagar, perdoou-lhes a ambos. Dize, pois, qual deles o amará mais? E Simão, respondendo, disse: Tenho para mim que é aquele a quem mais perdoou. E ele lhe disse: Julgaste bem. E, voltando-se para a mulher, disse a Simão: Vês tu esta mulher? Entrei em tua casa, e não me deste água para os pés; mas esta regou-me os pés com lágrimas, e os enxugou com os cabelos de sua cabeça. Não me deste ósculo, mas esta, desde que entrou, não tem cessado de me beijar os pés. Não me ungiste a cabeça com óleo, mas esta ungiu-me os pés com ungüento. Por isso te digo que os seus muitos pecados lhe são perdoados, porque muito amou; mas aquele a quem pouco é perdoado pouco ama. E disse-lhe a ela: Os teus pecados te são perdoados. E os que estavam à mesa começaram a dizer entre si: Quem é este, que até perdoa pecados? E disse à mulher: A tua fé te salvou; vai-te em paz. (Lucas 7:36-50)
Parte 1: https://www.youtube.com/watch?v=9tD31PT9D9w
Parte 2: https://www.youtube.com/watch?v=1GMQnud64lE
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!
DAVI NA CAVERNA DE ADULÃO: CONSOLO PARA OS ABATIDOS DE ESPÍRITO!
Mensagem pregada pelo Pastor Marcos Aurélio, no templo da Igreja Batista Ministério Reviver em Vila da Penha/RJ
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!
JONAS: LIÇÕES PARA A IGREJA HOJE!
Mensagem pregada pelo Evangelista Seminarista Wander Menezes, no Templo da Igreja Batista Ministério Reviver - Vila da Penha/RJ.
Para ouvir a mensagem, clique nos links abaixo:
Parte 1: https://www.youtube.com/watch?v=H8sPRzTFmZg
Parte 2: https://www.youtube.com/watch?v=JkMPBrC6-q4
Parte 3: https://www.youtube.com/watch?v=gM6jog0GP7A
Parte 4: https://www.youtube.com/watch?v=H6IYFkiAyek
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!
sexta-feira, 12 de junho de 2015
TÁ SENDO PISADO? O PROBLEMA ESTÁ NA QUALIDADE DO SAL...
"Vós sois o sal da terra; mas se o sal se tornar insípido, com que se há de restaurar-lhe o sabor? para nada mais presta, senão para ser lançado fora, e ser pisado pelos homens." (Mateus 5:13)
Quimicamente, o sal é o produto da reação entre um ácido e uma base. Assim, dependendo do ácido e da base, vários tipos de substâncias chamadas genericamente de "sal" podem ser produzidas. Conhecemos muito bem um sal muito abundante na Terra: o sal de cozinha, ou cloreto de sódio (Na Cl), resultante da reação entre o ácido clorídrico (HCl) e o hidróxido de sódio (NaOH), cuja principal fonte é a água do mar, existindo ainda em jazidas subterrâneas, fontes e lagos salgados. O mar, aliás, contém aproximadamente 50 trilhões de toneladas de sal, segundo os cientistas, representando uma concentração média de 35 gramas/litro de sal. O sal de cozinha nada mais é do que o sal marinho extraído da água e refinado por processos físico-químicos específicos, sendo adicionado iodo para combater o bócio (aumento do volume da glândula tireóide).
Abre parênteses: Há mais de um processo de refino do sal marinho, produzido em salinas por meio da evaporação da água por ação solar. Os mais comuns são o mecânico e o processo a vácuo. De forma geral, o processo mecânico envolve a remoção de substâncias metálicas e lixo, a lavagem do sal, moagem, nova lavagem (onde as impurezas são removidas em suspensão), uma etapa de clarificação e adição de iodo. Depois passa por uma etapa de secagem, adição de anti-umectantes, armazenamento e embalagem. O processo a vácuo envolve a dissolução do sal em água, de forma a obter uma solução saturada de sal. Segue-se uma etapa de clarificação, com a remoção de substâncias insolúveis, adição de substâncias (tipicamente hidróxido de cálcio e carbonato de sódio) para precipitação dos sais de magnésio e de cálcio, concentração e cristalização, secagem num secador de leito fluidizado (processo de transferência de massa) e adição de iodo (segundo a lei brasileira, deve ter um teor igual ou superior a 40 miligramas até o limite máximo de 100 miligramas de iodo por quilograma de cloreto de sódio.). O sal refinado é de alta pureza (cerca de 99,5% de NaCl). Leia mais em: http://waset.org/publications/9996829/development-of-a-process-to-manufacture-high-quality-refined-salt-from-crude-solar-salt). Fecha parênteses.
Assim, a composição química do sal pode variar. Por exemplo, no sal de rocha (sal-gema ou sal fóssil, extraído a partir da mineração), o teor de NaCl pode ser de apenas 90%, o que implicará no poder conservante e no uso do sal como condimento. O sal marinho, não refinado, contém também menos NaCl que o sal refinado, o que faz com que o sal marinho possua um sabor menos salgado do que o sal refinado. Existe, por exemplo, o sal light, contendo apenas 50% de NaCl (o restante é KCl, cloreto de potássio). No sal-gema, a presença de diversos tipos de impurezas conferem cores distintas: vermelho ou rosa, com óxidos de ferro; amarela, com hidróxido de ferro; gris ou negra, com matéria orgânica ou óxidos de magnésio, etc.
Se o sal perder o sabor, como poderá ser feito salgado de novo? Sal sem sabor, sal que não salga; não pode haver uma maior contradição, pois o que se espera do sal, por sua natureza química, é que ele salgue, transfira seu sabor para a substância onde ele é aplicado ou adicionado, onde ele está presente. E nosso Senhor nos diz que é possível isto ocorrer, ou seja, o sal tornar-se insípido, perder o sabor. Perder o sabor é a tradução da palavra grega "moraino", usada apenas 4 vezes na Bíblia, em Mateus 5:13, Lucas 14:34, Romanos 1:22 e I Coríntios 1:20, sendo traduzido por "tornar-se louco", "fazer loucura" e "tornar-se insípido".
Muitas propostas de explicação já foram dadas para a perda de poder "salgador" do sal. Uma delas propõe que o sal usado pelos judeus vinha de Jebel-Usdum, nas margens do Mar Morto, conhecido como o sal de Sodoma. Não era um sal manufaturado, isto é, um sal refinado; era obtido a partir de lagoas de sal no interior que secam no verão ou obtido a partir pântanos ao longo da costa. Na verdade, é um fato bem conhecido que o sal daquela região, quando em contato com o solo, ou exposto à chuva e sol, se torna insípido e inútil. A partir da forma em que é recolhido, muita terra e outras impurezas são recolhidas necessariamente com ele (Barnes' Notes on the Bible). Pela ação climática, todo cloreto de sódio era dissolvido, ficando apenas as impurezas e, desse modo, o "sal" sem sabor (e sem utilidade). O mais importante é que todas as explicações passam pelo teor de impurezas contidas no sal, tornando-o insípido quando o sal perdia todo NaCl.
O fato é que o sal, no contexto bíblico-judaico, era muito importante, como explica o pr. Mateus Ferraz. "O sal, no contexto judaico, tinha um significado muito profundo. Além das características naturais, como conservante e tempero, o sal na cultura judaica antiga fazia parte de um simbolismo todo especial. Em um nível social, comer sal com alguém representava compartilhar de sua hospitalidade, atribuindo a ele sua subsistência. Mais profundo ainda é o fato de que qualquer um que compartilhasse do sal de seu anfitrião tinha a obrigação moral de cuidar de seus interesses. Em uma esfera ainda mais importante o sal tinha uma relação direta com o ritual mais importante no relacionamento daquele povo com Deus, a oferta. Em Lv 2.13, Deus estabelece que toda oferta deveria ser temperada com sal antes de ser oferecida, o que caracterizava um pacto incorrupto, que não se podia violar. Assim sendo, além da preservação da carne e da adição do sabor, o sal lembrava o povo de Israel de sua aliança imutável e eterna com o grande “Eu sou”. A partir daí surge a chamada aliança de sal (Nm 18.19) que caracterizava uma aliança inquebrável e irrevogável. Isso nos revela uma verdade importantíssima a respeito desse simbolismo bíblico. Quando um judeu se referia ao sal, ele não se referia apenas a um tempero comum. Assim, Jesus não estava apenas fazendo uma metáfora vazia, mas queria passar uma mensagem." (https://www.revistaimpacto.com.br/biblioteca/alerta-a-igreja-o-destino-do-sal-insipido/)
Conforme o comentário Ellicott's Commentary for English Readers, segundo Talmude, quando o sal se tornava impróprio para uso sacrificial (quando ele ficava insípido), ele era lançado em dias de chuva sobre as encostas e degraus do templo para evitar que os pés dos sacerdotes escorregassem. W. M. Thomson, em sua obra "The Land and the Book", comenta que o sal quando se tornava sem sabor pela ação da chuva, do sol e dos ventos, para nada mais servia; não havia lugar para ele na casa, quintal ou jardim, sendo então varrido para a rua, sendo tratado com desprezo pelos homens. Por sua vez, Schoetgenius teoriza que o sal mencionado por Jesus era um tipo de usado na Judéia, um sal betuminoso, obtido do Lago Asfaltite (Mar Morto). Esse sal tinha um odor característico e era usado em grande quantidade sobre o sacrifício com o propósito de prevenir a inconveniência do sacerdote e dos adoradores sentirem o cheiro de carne queimando e acelerar a ação do fogo, queimando mais rapidamente o sacrifício. Grande quantidade deste sal era armazenado no templo e ele era facilmente deteriorado, sob efeito do sol, do ar e da umidade, sendo então lançado sobre o pavimento do templo para prevenir que os pés do sacerdote escorregassem durante o sacrifício (Schoetgen. Horae Hebraicae, vol. i., pág. 18-24).
Sal que perdeu o sabor é um sal inútil. Não serve para tempero, não serve para conserva, não serve para nada. É um sal que tornou-se hipócrita na essência, na sua natureza de sal; você olha para ele e diz que é útil, que é bom, que é desejável para dar gosto e para conservar. Porém ao usá-lo você verifica que não adiantou nada, é como se não houvesse usado. O churrasco continua doce, e você não consegue comer. A carne fica sem seu conservante e irá inevitavelmente apodrecer pela ação bacteriana. Esse sal não presta para nada, só para ser lançado no lixo. Sal da terra que é mais terra do que sal. Não há nenhum valor nesse sal, nada de especial nele. Você olha para ele no chão e pisa nele, porque ele não vale nada. Afinal, o que há de especial num sal que não salga? Nada. Ninguém se dá o trabalho para extrair esse sal, nem para vende-lo pois ninguém o comprará; nem para armazená-lo, pois só ocupa espaço inutilmente. É sem valor comercial, não agregando bem algum a ninguém.
"Vós sois o sal da terra", disse Jesus. Os crentes são o sal da terra. Aqueles que tem em sua nova natureza a capacidade de salgar, de dar sabor, de ser conservante, evitando a putrefação espiritual e a decadência moral da humanidade. A História da Igreja traz o registro de muitas felizes ocasiões onde os crentes salgaram a sociedade onde viviam. Na época de John Wesley "os xingamentos nas fábricas pararam, os homens e as mulheres começaram a se preocupar com vestimentas limpas e simples, extravagâncias como chá caro e vícios como o gim foram deixados por seus seguidores, vizinhos deram um ao outro ajuda mútua através das sociedades." "O que Wesley pregava? Santidade, honestidade, salvação, boas relações familiares, vários outros temas, mas acima de tudo a fé em Cristo". (http://www.juventudemetodista.org.br/home/2011/03/john-wesley-o-jovem-que-transformou-uma-nacao-em-poucas-palavras/) Sobre esse período, comenta o Sem. Jailson Jesus dos Santos em seu blog "Descrentes dos crentes: a igreja sem credibilidade no mundo": "no avivamento britânico, em 1739, a Inglaterra caminhava para o caos, os piores vícios prevaleciam. A bebida era algo tão comum que os embriagados viviam mais nos bares do que nos lares; tamanha era a criminalidade que não podiam andar nas ruas, à noite. Todavia, quando Deus derramou do Seu Espírito sobre os Wesleys e Whitfield, a Inglaterra mudou sua rotina; os bêbados deixaram os bares e voltaram para os lares;os escravos tornaram-se cidadãos, os marginais voltaram ao convívio social. A sociedade que estava em ruínas foi reformada por Deus. Sobre este período o historiador Samuel Green disse: “Toda a maneira de ser do povo inglês se modificou" (http://jailsonipb.blogspot.com.br/2010/02/descrentes-dos-crentes-igreja-sem.html). Durante o grande avivamento em Northampton, Estados Unidos, dois séculos atrás, bares, prostíbulos e casernas foram fechados, por falta de clientes e pela conversão dos proprietários. Sociedades salgadas pelo bom sal!
Mesmo no Brasil, experimentamos uma época de sal salgado. Lembro-me dos antigos, dos irmãos mais velhos na fé, falarem sobre os crentes brasileiros nas décadas de 50 a 80. Pastores sérios, conhecedores da Palavra, tementes ao Senhor, de vida ilibada; irrepreensíveis em todas as áreas da vida. O título de pastor era sinônimo de honestidade e de verdade. Seus casamentos eram exemplares. Homens de uma palavra só, de um sim, sim e de um não, não. Quando um pastor dava sua palavra, chovesse ou fizesse sol você podia estar certo que ele iria fazer exatamente o que disse. Mesmo no comércio local, se um pastor ou mesmo um crente empregasse sua palavra dizendo "eu pagarei no dia X" (sim, porque raramente eram ricos), o dono do comércio ficava tranquilo, porque no dia acertado ele iria fazer o pagamento. Quando aconteciam os escândalos - eram raros - eles eram tratados realmente como escândalos: aquele irmão ficava marcado pelo seu pecado; se saía da Igreja, dificilmente era recebido em outra. Só retornava a comunhão após um longo processo de averiguação e tratamento espiritual. Era uma época que ser crente era ser repudiado pelo mundo, ninguém queria ser identificado com "os Bíblias"! Ser crente implicava obrigatoriamente em renunciar o mundo e seus prazeres! Tudo mudava com a conversão, exteriormente - o linguajar, as roupas, o lazer, o namoro, o comportamento, os valores, as amizades, etc - e interiormente - o amor por Deus, o desejo de conhecer a Palavra, de fazer seminário, de fazer a Obra, de evangelizar, etc.
E hoje, em pleno séc. XXI? Hoje, vivemos a era do liberalismo bíblico-teológico, do relativismo moral, do performismo espiritual repleto de atos proféticos, de palavras de ordem ao sobrenatural, de comandos ativadores das forças do além. Dos crentes envolvidos com a política partidária, ocupando cargos no senado e no congresso nacional, cheios de bandeiras ideológicas ditas "cristãs". A Igreja hoje tem "grana", tem "status". Tem "música moderna, gospel". Hoje, temos apóstolos - Yes, we have! Tem "pastor" para os mais variados gostos: "cheirador" de Bíblia, topetudo hollywoodiano inventor de diálogos na Bíblia, "comedor de angú", "patriarca filho de matriarca do útero profético, descobridor do DNA de Deus", "pastor da unção 900" (R$ 900 para a prosperidade), restaurador da fé judaica (símbolos judaicos no culto cristão, como a arca, shofar, talit, etc - até o templo judaico andaram reconstruindo), xingador de palavrão sobre o pretexto da graça, derrubador de bandido com a unção do sopro, etc. Ao escrever esse postagem, vi uma "pastora" num programa de talk show, vestida de rosa como se fosse uma princesa medieval: ela relativizou o conceito de pecado como opinião pessoal, ensinou que relacionamento com fumante torna-se obrigatoriamente fumante (comparando com o sexo antes do casamento), além de outras "pérolas".
E qual o resultado disso tudo? Há um avivamento na nação? É ruim, ein! A sociedade está cada vez mais promíscua, cada vez mais corrompida pelo pecado. Ninguém respeita mais ninguém. Impera a violência - sexual e não-sexual a qual juntamente com o consumo e venda de drogas é algo sem controle pelo Estado. A cada dez minutos, uma pessoa é assassinada no Brasil. Hoje, uma pessoa que é vítima de assalto e/ou sequestro raramente escapa com vida; os ladrões não apenas roubam, mas barbarizam com suas vítimas. O cidadão de bem vê-se prisioneiro do medo de sair de sua própria casa; quer de carro, quer de ônibus, quer de bicicleta ou mesmo a pé ninguém está livre da ação dos bandidos, que agora esfaqueiam suas vítimas. Há taxistas que estupram e roubam passageiras. Meninas de 17, de 13 anos de idade e até menos são estupradas na rua, em casa, na escola... por desconhecidos, por pais, avós, tios, padrastos, professores... jovens são estupradas nas faculdades, nas universidades, nos clubes... mulheres, por seus cônjuges, por médicos... Há até padres e pastores que violentam, estupram mulheres e crianças, e ainda fazem pose de espirituais!
Abundam casos de corrupção, como o Petrolão (considerado na mídia o maior caso de corrupção do mundo, aprox. R$ 87 bilhões desviados - http://odia.ig.com.br/noticia/brasil/2015-04-03/petrolao-tira-r-87-bilhoes-da-economia-brasileira.html), em todas as esferas da sociedade. Temo que não exista nenhum órgão ou empresa que não possua um caso de corrupção. São milhões, bilhões de reais desviados. Quando você vai ver, nenhum dos acusados ou culpados tem a menor necessidade de roubar dinheiro das empresas. São pessoas riquíssimas, de altíssimos salários! Corrupção para todo lado! Mesmo nos mais baixos escalões, tudo envolve um "jeitinho", "uma cervejinha", "um cafezinho", eufemismos para pedidos de propina, onde criam-se dificuldades para que sejam vendidas facilidades. Enquanto isso, os jornais de grande circulação estão repletos de crimes, de barbáries. Prevalecem os mandos e desmandos politiqueiros. Os políticos passam seus mandatos discutindo amenidades, num jogo de poder que dá nojo, numa enganação só; enquanto isso muitos municípios não contam com água tratada e nem saneamento básico - nem mesmo asfalto nas ruas, como o meu. Mentem descaradamente, prometendo saúde enquanto os hospitais estão superlotados e falidos, sem médicos, sem profissionais, sem aparelhos, sem medicamentos - até sem limpeza e elevador funcionando (como o Hospital Estadual de Cardiologia Aloísio de Castro, no RJ); prometem segurança enquanto a criminalidade só faz crescer; prometem educação, enquanto as faculdades públicas não tem sequer limpeza, e as escolas da rede pública não educam nem formam ninguém. Discutem leis que não servem para a sociedade - ou envolvem coisas de foro íntimo, como a "lei da palmada" (sic) ou envolvem a "lei da faca" (que prevê multa - pergunto: um moleque meliante, como o que matou o médico na Lagoa, irá pagar multa?? Quem acha que essa lei vai diminuir crime está redondamente enganado... portar arma de fogo sem licença é crime tipificado no código penal, mesmo assim cada vez mais os bandidos estão mais e mais armados, andando com suas armas na sociedade como se não estivessem fazendo nada demais... ridículo!)
E a Igreja? Bem, a Igreja está na política, na famosa "bancada evangélica", com deputados e vereadores, discutindo leis "importantíssimas" para a sociedade, como a lei que obriga a Bíblia nas escolas (sic). Nada contra que a Bíblia seja lida, mas calma aí: quem tem que ensinar a Bíblia é a Igreja, tanto aos pais quanto às crianças. Se a criança é bem ensinada, se a família é bem doutrinada na Palavra de Deus pela Igreja, então não há o que temer, nem porque pressionar para que a escola ensine os "valores cristãos". Esse é o cerne do problema, aliás: o papel da Igreja como sal salgado! O sal está cada vez mais insípido! Cada vez mais, o sal não está salgando mais nada, porque perdeu o sabor. Perdeu o sabor porque permitiu que o mundo entrasse na Igreja, que o mundo influenciasse sua forma de crer e de ser. Perdeu o sabor porque relativizou o pecado - porém o pecado continua sendo um absoluto, com seus efeitos absolutos sobre o homem! Porque relativizou a ética cristã, deixando o mundo ditar para a Igreja suas podridões morais! Muitos jovens cristãos crentes já transaram antes do casamento; outros ainda transam e a Igreja diz que está tudo bem?! As jovens cristãs estão cada vez mais com as nádegas à mostra, em seus minivestidos arrochados no corpo - e até algumas ditas pastoras e obreiras fazem o mesmo! Estão mostrando tudo, sem nenhum pudor, sem nenhuma vergonha na cara de pau, na presença de seus maridos, noivos, "namoridos" ou na ausência! Casais crentes estão se divorciando como nunca, em índices quase tão altos quanto no mundo não crente! O linguajar os crentes é tão podre (ou mais) do que os não-crentes; sobre isso, o Pr. Augustus Nicodemus Lopes comentou em seu blog que "não poucas vezes se depara com murais compartilhando fotos meio-eróticas, palavrões, para não falar de comentários cheios de palavras chulas e palavrões do pior tipo" feitos por crentes (a exemplo do Pr. Augustus, tenho crentes em meu facebook que fazem exatamente a mesma coisa!). Já os pastores, por sua vez, não combatem mais o pecado. Eles preferem pregar uma mensagem psicológica de "bom viver", uma mensagem de "auto-ajuda gospel"! Mensagem doce para não perder pessoas e com elas dinheiro! Só pensam em dinheiro, em poder, e em mais dinheiro! Em fama, em mídia! Em aumentarem seus reinos pessoais!
Diante disso, só resta fazer a mesma pergunta que Jeremias: "De que se queixa, pois, o homem vivente?" (Lm 3.39a) Parodiando Jeremias, pergunto: De que se queixa, pois, a Igreja? Sim, de que se queixa? Diversos crentes se manifestaram diante do que foi realizado na Parada Gay, em São Paulo, em 2015, onde os manifestantes que ali estavam fizeram uso de símbolos cristãos, como a cruz, como estratégia de marketing e para provocação dos cristãos. Num dos momentos, uma transexual apareceu "crucificada" na parada gay. O movimento gerou reações: a CNBB emitiu nota na qual vem "expressar nosso repúdio diante dos lamentáveis atos de desrespeito ocorridos", diante das "claras manifestações de desrespeito à consciência religiosa de nosso povo e ao símbolo maior da fé cristã, Jesus crucificado" (http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2015/06/bispos-divulgam-nota-contra-uso-de-imagens-religiosas-na-parada-gay.html). Enquanto isso, deputados evangélicos protestaram contra parada gay e "rezam" no plenário (http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/06/1640504-bancada-evangelica-faz-manifestacao-contra-parada-gay-e-reza-pai-nosso-no-plenario-da-camara.shtml). Até repudiar fabricantes de perfumes os pastores estão fazendo, no afã de "defender os valores cristãos"! E o que isso tem mudado a sociedade? Há milhares de denominações evangélicas, cada vez mais igrejas dos mais variados nomes, com os mais variados costumes e liturgias, porém a sociedade está mais deteriorada do que nunca! A Igreja perdeu a influência na sociedade! Querido(a), a verdade é que a igreja está sendo pisada pelos homens! E se isso está acontecendo, a responsabilidade é unicamente nossa! O sal está sem sabor, está sem sua única qualidade de interesse! Vamos responder assim a pergunta de Jeremias: "Queixe-se cada um dos seus pecados" (Lm 3.39b). E se alguém acha que o ser pisado é só esta manifestação, está redondamente enganado: a mídia faz chacota com a igreja em todos os momentos! Nas novelas, nos talk shows, nos jornais, nas rádios, nos filmes, etc; quase todo dia tem uma piadinha sobre crentes e igrejas. Ser perseguido pela fé em Cristo é bênção! Porém, as perseguições que aí estão são por culpa nossa mesmo! "O que provoca a zombaria são práticas e costumes estranhos em nome do Espírito Santo, escândalos, ostentações de riquezas e busca descarada do dinheiro dos incautos em nome de Deus, e o engajamento infeliz de segmentos evangélicos numa guerra contra aqueles que deveriam ser objeto de nossa pregação sobre a cruz e não da nossa ira. Nem sempre os evangélicos sofrem no Brasil por serem cristãos sérios, firmes, verdadeiros e fiéis a Deus" (http://bereianos.blogspot.com.br/2014/06/perseguidos-por-causa-de-cristo.html#.VXtwyo3bJjo). Já que não influenciamos, somos influenciados. E aí, tome pisada! E é só o começo...
Precisamos urgentemente de uma restauração dos valores bíblicos, de forma a modificar nossa ética e moral à luz dos princípios da Palavra de Deus. Não será o dominionismo (Reconstrucionismo ou Reino Agora: ensina que, antes da volta de Cristo o crente terá domínio sobre cada área da vida e sociedade humana; Jesus não poderá voltar, até que a igreja tenha subjugado a Terra e conseguido o controle das instituições governamentais e sociais da mesma), contrário ao que ensina a Palavra de Deus, que trará a posição de honra da igreja, mas sim sua identificação com Cristo Jesus. Não será a amizade com o mundo que trará a presença de Deus em nosso meio; muito pelo contrário. O plano de Deus sempre foi ter um povo peculiar, de propriedade exclusivamente Sua, não um povo semelhante com o mundo: "Porque povo santo és ao Senhor teu Deus; o Senhor teu Deus te escolheu, para que lhe fosses o seu povo especial, de todos os povos que há sobre a terra" (Dt 7.6). É justamente a observância da Palavra de Deus, quanto na presença de Deus em nosso meio, que nos torna diferentes das demais nações: "Vedes aqui vos tenho ensinado estatutos e juízos, como me mandou o Senhor meu Deus; para que assim façais no meio da terra a qual ides a herdar. Guardai-os pois, e cumpri-os, porque isso será a vossa sabedoria e o vosso entendimento perante os olhos dos povos, que ouvirão todos estes estatutos, e dirão: Este grande povo é nação sábia e entendida. Pois, que nação há tão grande, que tenha deuses tão chegados como o Senhor nosso Deus, todas as vezes que o invocamos? E que nação há tão grande, que tenha estatutos e juízos tão justos como toda esta lei que hoje ponho perante vós? (Dt 4.5-8).
Estamos, amados, experimentando uma época de opróbrio, de vergonha, de vexame. Nossos rostos deveriam corar de vergonha! Não estamos exercendo influência salina na sociedade! Qual é o nosso opróbrio? Salmo 79 esclarece: "Somos feitos opróbrio para nossos vizinhos, escárnio e zombaria para os que estão à roda de nós. Porque diriam os gentios: Onde está o seu Deus? Seja ele conhecido entre os gentios, à nossa vista, pela vingança do sangue dos teus servos, que foi derramado" (vv.4,10) O opróbrio, amado(a) leitor(a), é o povo (mundo) não ver que Deus está no nosso meio. Isso é a vergonha. Isso é o nosso opróbrio. Muita gente pensa errado; pensa que para o Nome de Deus ser glorificado a Igreja precisa contar com respeito e reconhecimento. Isso é um princípio errado. Deus nunca pediu isso, que para o Nome Dele ser glorificado nós tínhamos que ser alguma coisa. Para o Nome Dele ser glorificado, nós não precisamos de números, de posição, de estar por cima. O nome Dele não é envergonhado simplesmente por existirem pessoas que estão contra, que atacam, que perseguem; não é isso que traz vergonha para Deus. Deus no nosso meio não significa que somos fortes e numerosos. A causa do opróbrio é a ira de Deus ("Até quando, Senhor? Acaso te indignarás para sempre? Arderá o teu zelo como fogo?" - Sl 79.5). Se estamos sendo envergonhados, é porque Deus está irado conosco! Quando Deus está conosco, Ele vai nos defender; caso contrário, alguma coisa está errada! Deus só defende quando o povo realmente representa a santidade e a fidelidade a Deus. Do contrário, Deus permite o opróbrio, a vergonha, porque Ele quer nos levar de volta para Ele! Precisamos nos arrepender! Precisamos mudar o nosso coração e com ele o nosso rumo como igreja, como noiva de Cristo, como povo peculiar de Deus! Somente com o arrependimento sincero e genuíno, com a confissão e abandono do nosso pecado de apostasia de Deus e do Seu plano para nós como Igreja, é que Deus removerá o opróbrio: "Não te lembres das nossas iniqüidades passadas; venham ao nosso encontro depressa as tuas misericórdias, pois já estamos muito abatidos. Ajuda-nos, ó Deus da nossa salvação, pela glória do teu nome; e livra-nos, e perdoa os nossos pecados por amor do teu nome." (Sl 79.8,9)
Deus quer tirar a vergonha Dele não estar no nosso meio. Precisamos, como sacerdotes do Nosso Rei Jesus, chorar o choro do Espírito, que nos leva a implorarmos por socorro e por perdão – individual e coletivamente (Jl 2.17,18). Somente assim, a Igreja voltará a ser a comunidade do Espírito, onde a presença do Senhor é notória para aqueles que dela fazem parte e, especialmente, para os que estão fora! Só assim, o sal poderá ser novamente útil para o Senhor!
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!
domingo, 7 de junho de 2015
CUIDADO COM O TRIUNFALISMO CRISTÃO
"No mundo tereis tribulações; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo." (João 16:33)
No mundo tereis tribulações. Viver nesse mundo é estar sujeito a experimentar tribulações, do grego thlipsis, "aflições, angústia, sobrecarga, perseguição, tribulação". Não há como estar imune a estas tribulações, porque elas são o produto comum, o constituinte inseparável do mundo. Por que o mundo inteiro jaz no Maligno (I Jo 5.19), completamente (em extensão, quantidade, tempo e grau) no Maligno, não pode produzir outro fruto a não ser as tribulações, a serem infligidas sobre os cristãos e sobre toda classe de homens e mulheres. Elas são, portanto, inevitáveis.
Com o avançar do plano de Deus para fim de todas as coisas, devemos esperar ainda mais tribulações. Não há como ser diferente. O cronograma de Deus vai se cumprindo tanto no céu quanto na Terra, Sua vontade é absoluta e de inevitável cumprimento. A Palavra de Deus não cai jamais por terra, ou seja, jamais deixou ou deixará de se cumprir. O que Deus planejou para o fim da atual dispensação ou economia irá se cumprir cabalmente; se olharmos com atenção, já veremos os sinais desse cumprimento. O ódio contra o próximo - a antítese do mandamento de Cristo - está cada vez maior e influenciando cada vez mais e mais pessoas, nas mais diversas nações. A sociedade moderna está falida ou em processo de acelerada falência; o caos social, a abrangente violência sem controle diante da impotência dos governos, os homicídios, sequestros, estupros, e toda a sorte de violência, vistas atualmente, só aumentarão. O que hoje vemos a nível individual se alastrará sem controle, influenciando líderes mundiais. O resultado disso é o que Cristo Jesus predisse em Mateus 24:7a - "Porquanto se levantará nação contra nação, e reino contra reino". As guerras e o ódio, aliadas ao desamor pelo próximo e ao egoísmo, aumentará grandemente a cobiça, a ganância e a corrupção, influenciando no acesso e na distribuição de alimentos e víveres, havendo escassez e, portanto, fome (Mt 24.7b), o que acirrará ainda mais os ânimos naqueles dias. Alie-se isso ao fato de que os terremotos aumentarão tanto em seus episódios quanto em sua intensidade (Mt 24.7c) e mais violência, mais mortes, mais fome e mais guerras surgirão.
Junto com isso tudo virão as doenças. Hoje, já vemos o ressurgimento de doenças que até então haviam sido erradicadas ou controladas, como a dengue, a febre amarela, a tuberculose, a malária, dentre outras. Junto com elas, virão outras novas doenças ou delas derivadas, pela mutação dos vírus. As bactérias ficarão ainda mais resistentes aos antibióticos. Essas doenças e muitas outras terão alcance mundial, não ficando restritas apenas ao "terceiro mundo"; mesmo Estados Unidos e Europa, até a Ásia e Japão provarão com intensidade a amargura desses dias. Haverá um caos completo nos sistemas de saúde e hospitais; hoje isso já é realidade no Brasil, com o SUS e até na rede privada (a despeito da obviedade das mentiras politiqueiras).
Haverá sinais no céu, como acrescenta Lucas ("[...] haverá também coisas espantosas, e grandes sinais do céu"; Lc 21.11). "Coisas espantosas" é a tradução do termo grego phobetron, "uma coisa assustadora, uma visão temerosa". Hoje, os homens já estão mais do que nunca olhando para o céu e temendo diante do que estão vendo (para exemplificar, assista o vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=_GkuGz4diJo). Até os cientistas estão cada vez mais temerosos diante dos possíveis cenários de queda de meteoros no planeta (ver: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2014/12/141205_asteroides_protege_rp). Veja também a reportagem "Asteroide com seis caudas assombra cientistas", onde um dos cientistas chega a afirmar "ficamos assombrados quando o vimos" (http://noticias.terra.com.br/ciencia/espaco/asteroide-com-seis-caudas-assombra-cientistas,554c0b74c2232410VgnCLD2000000ec6eb0aRCRD.html). O temor é tanto que alguns cientistas chegam a "prever" que a Terra experimentará uma nova era glacial em escala global, o fim da lua, a extinção da raça humana, o choque da Via Láctea com a Andrômeda, o esfriamento do Sol, etc. A humanidade pode aguardar muitos outros sinais, ainda mais poderosos e mais atemorizantes que estes.
Assim, a realidade presente a ser ainda mais intensificada e piorada é a realidade que aguarda a humanidade. Não há nenhuma chance de haver paz na Terra, de haver solução aos atuais problemas da humanidade na realidade profética que se aproxima de seu cumprimento. Nenhum político, presidente, rei, governador, deputado, senador, etc. poderá fazer coisa alguma para evitar isso. Nenhuma religião, por mais adeptos que possua, nem nenhum "sacerdote", por mais "poderoso" que se considere ou seja considerado, poderá fazer coisa alguma para deter a vinda desses dias. Nem mesmo a Igreja de Nosso Senhor Jesus Cristo pode deter a vinda desses dias. Porém, infelizmente, parece que a Igreja ainda não compreendeu isso. Infelizmente, a fé utópica da "onda triunfalista" a cada dia amplia sua influência na vida dos filhos de Deus.
O triunfalismo, segundo o dicionário Houaiss, é a "atitude excessivamente triunfante; sentimento exagerado de triunfo". Esse ensino gera o comportamento do "super-crente", da teologia da performance, onde o fiel é ""cabeça e não cauda", “amarra e desamarra o Diabo”, “pisa na cabeça da serpente”; "determina a cura, a aquisição da casa própria"; “profetiza restituição, bênçãos e vitórias" e "toma posse de todas as bênçãos" e ninguém o detém! É o evangelho que tem sua ênfase na luta contra o diabo, "o evangelho do "sim" que desqualifica o "não" da existência humana" ("What Has Wittenberg to Do with Azusa?: Luther's Theology of the Cross and Pentecostal Triumphalism", David J. Courey). A base do “triunfalismo” é dizer que, a partir do momento em que o homem aceita a Jesus como seu único e suficiente Senhor e Salvador, não é mais possível que o homem passe a ter problemas na vida sobre a face da Terra, pois a sua comunhão com Deus, a sua salvação lhe traz uma posição de “triunfo”, de vitória sobre o diabo. Portanto, é impossível que o salvo venha a sofrer enfermidades ou quaisquer outras necessidades, em especial, as relativas à vida econômico-financeira (https://pentecostalismo.wordpress.com/2008/02/19/o-triunfalismo/).
O triunfalismo é muito comum nos círculos pentecostais e neo-pentecostais. Isso é muito bem explicado no livro "What Has Wittenberg to Do with Azusa?: Luther's Theology of the Cross and Pentecostal Triumphalism", de David J. Courey. O problema é o silogismo construído em torno da real experiência Pentecostal: segundo essa lógica, se o verdadeiro crente é cheio do Espírito Santo então o único resultado possível é "uma vida cristã vitoriosa, sem nunca experimentar fracasso ou derrota". "O cristão cheio do Espírito é o modelo de afirmação confiante, de superação pela fé, de compromisso inabalável e profunda sensibilidade à voz do Espírito. Acima de tudo, o crente pentecostal é convencido que quando faz o seu melhor, Deus irá fazer o resto" (Courey, op. cit.). Há muitos erros reducionistas e simplificações nessa tese (como por exemplo considerar o enchimento com o Espírito no ato único da experiência Pentecostal), além de ser uma fé fundamentada em slogans, frases de efeito, fórmulas e versículos interpretados de forma isolada dos seus respectivos contextos. Nesse ponto, é preciso deixar claro a separação entre o que ensina o triunfalismo e o que ensina a fé cristã genuinamente bíblica. Apesar do caos que relatei, Cristo triunfará sobre o mal ao final de tudo. Porém, isso se dará após todas as etapas do plano de Deus terem sido cumpridas e a Igreja gloriosa apenas se beneficiará dessa vitória (ou terá sido arrebatada antes desse período ou depois - o pré e o pós-tribulacionismo, segundo a Escatologia Bíblica).
Parêntese: Enquanto o pré-tribulacionismo ensina que a Igreja (a verdadeira, parte da Igreja visível) será arrebatada pelo Senhor Jesus antes do início da Grande Tribulação, o pós-tribulacionismo ensina que os cristãos desta geração serão expostos às aflições finais sob o anticristo, sendo somente arrebatados ao final deste período. Há muitas incoerências entre a tese pós-tribulacionista e a Bíblia (ver: http://solascriptura-tt.org/EscatologiaEDispensacoes/TeoriaArrebatamentoPostribulacionista-JDPentecost.htm). O pré-tribulacionismo é, portanto, a posição teológica aderente com o ensino das Escrituras. Fecha parênteses.
O problema do triunfalismo é que essa posição não corresponde a realidade. Daí, quando o crente triunfalista se depara com os problemas, com as tribulações, ele invariavelmente interpreta isso como "fracasso de sua fé" ou condição espiritual, com perdas inevitáveis em sua fé e auto-estima. Muitos são os que chegam a se desviarem da fé e da Igreja, considerando a si mesmos como "reprovados por Deus"; outros chegam ao ponto de "culparem Deus" por "não ter honrado sua fé e devoção cristã para com o próprio Deus e com a Obra". Courey, na literatura supracitada, menciona o caso da menina Brittany, de 9 anos de idade, filha de pais cristãos pentecostais, que padecia de leucemia, que sucumbiu a morte depois de um longo período de declínio. Sua avó, uma veterana do movimento de cura da década de 50, se manteve "repreendendo o diabo", "suplicando pelo sangue" e "clamando a vitória". Seus pais, no sepultamento, estavam no fim da esperança emocional, dormentes demais para pensar sobre Deus ou qualquer outra coisa; seus irmãos tentavam processar toda confusão teológica e suas emoções conflituosas. Exatamente assim estão diversos cristãos atualmente: maridos que se desviaram da fé ao perderem para doença suas esposas amadas, vendo-as agonizar e definhar mesmo diante de "unções" e "orações de poder"; pais que não conseguem conciliar sua fé com os dramas de seus filhos; jovens que diante dos problemas tendem a cair numa profunda depressão emocional e espiritual, e por aí vai. O fato é que muitos dos que acreditaram na mensagem triunfalista estão hoje decepcionados pelos resultados a longo prazo de sua fé performática.
O problema é que o triunfalismo propõe soluções simplistas a problemas multifacetados, além de enfatizar a meritocracia ao invés da Graça. Nem tudo que acontece na vida do crente em Cristo possui uma única explicação ou forma de interpretação. Nem todas as suas adversidades são "por falta de fé" ou por causa do pecado. Há adversidades que acontecem para o amadurecimento da fé, para o aperfeiçoamento dos santos conforme a imagem do Senhor (I Pedro 2 e ss). Há adversidades que acontecem para a Glória de Deus. Há adversidades que acontecem sem nenhuma explicação aparente; explicação que só teremos SE for da Vontade de Deus e QUANDO for de Sua Vontade revelar-nos tal coisa. O piedoso Jó, a fiel Sunamita (II Reis 4:8-37; 8:1-6), Lázaro (João 11:4), o homem cego de nascença (João 9:1-3), os heróis da fé (Hebreus 11:35-38), etc. nos mostram que as adversidades podem ter vários propósitos e, portanto, explicações. Do mesmo modo, nos revelam que mesmo os filhos de Deus genuínos, fiéis, podem experimentar tais coisas em suas vidas, sem que isso seja por algum demérito espiritual ou moral. Algumas são até mesmo provas de Deus nas nossas vidas. Se Deus fez com que Israel caminhasse por 40 anos no deserto do Sinai, aumentando e muito o caminho para a Canaã, para provar Seu povo (Dt 8.2,3), porque nós suporíamos ser tratados de modo diferente, isto é, uma vida somente de benesses sem reveses?!
É preciso ter cuidado com o triunfalismo cristão. É possível vencer o mundo e o maligno por meio da fé, mesmo sendo perdendo a vida, tal como Nosso Senhor Jesus. Tal como Paulo e os outros apóstolos. Todos venceram o diabo, venceram o pecado, venceram o mundo, triunfaram sobre eles; porém, todos foram mortos por causa do seu testemunho e fé. O Senhor Jesus nos deixou a Sua paz e para nossos sofrimentos temos a Sua Graça, com o divino auxílio intercessor e consolo do Espírito Santo. Isso significa que não há poder em Deus? Que devemos reprimir ou mesmo condenar a experiência pentecostal? CLARO QUE NÃO. Mas precisamos ter equilíbrio em nossa fé. Por exemplo, a cura divina é possível? Sim, lógico; mas a cura divina só acontecerá se o divino, isto é, Deus, assim o quiser. Pode ser que Ele não queira operar a cura divina, pode ser que Ele queira que a cura aconteça por meio das mãos dos médicos; pode até ser que Ele não queira curar. Porém nada disso deve ser interpretado além do que é: se Ele curou fulano, foi por Sua soberana Vontade e Supremo poder e Misericórdia, não pelo mérito humano; se não curou, não foi necessariamente por demérito humano, nem porque não podia ser feito ou porque não amasse a pessoa para fazer tal coisa. O salmista afirma que a morte física do crente fiel é vista pelo Senhor com prazer (Sl 116.15), ou segundo Lutero "a morte dos seus santos é considerada de valor perante o Senhor". Deus considera a morte de seus santos como algo importante, conectada com Seus grandes e eternos planos; conectada com a Glória de Deus e com o cumprimento de Seus propósitos. O pensamento particular na mente do salmista parece ter sido de que como ele tinha sido preservado quando esteve aparentemente tão perto da morte, então isso era porque Deus viu que a morte de um de seus amigos era uma questão de tanta importância que deveria ocorrer somente quando o bem maior pudesse ocorrer por meio dela; Deus não iria decidir sobre isto apressadamente, ou sem as melhores razões; e que, portanto, Deus iria prolongar a sua vida ainda mais. Há além disso uma verdade geral implícita aqui, a saber, que o ato de remoção de um fiel do mundo é, por assim dizer, um ato de profunda deliberação por parte de Deus (Barnes' Notes on the Bible). EM TUDO O SENHOR NOS AMA E SEU AMOR JAMAIS POR NÓS JAMAIS SE ACABA!
Um conselho: descanse no Senhor. Nossa vida está em Suas mãos e Seus planos se cumprirão em nossas vidas. Não tente explicar, de forma reducionista e simplista, o mal na sua vida ou na vida dos outros. Não atribua como falta de fé aquilo que outros passam, nem como pecado. Você não é o Senhor, não tem o conhecimento do Altíssimo. Não julgue aqueles que ao seu lado estão sofrendo, mas estenda-lhes sua compaixão, suas orações e, se for o caso, suas mãos. Não seja mesquinho, nem miserável, nem egoísta, dizendo para si mesmo "isso não é problema meu; que fulano se vire, que ele se lasque!" Isso é maldade de sua parte, e o Senhor o verá. Aproveite esse momento e aprenda alguma coisa com Deus: aprenda a ser uma bênção para quem precisa de você; aprenda a ouvir mais e falar menos; aprenda a ser humilde e fiel. E não venha com papo "anti-emoções", condenando as emoções intensas de quem está a sofrer. Não tente separar as emoções da pessoa, lembre-se que Deus foi quem criou as emoções e que estas nada tem a ver necessariamente com a fé: a pessoa pode estar triste com o que está vivendo, mas ainda assim estar firme na fé em Cristo. Antes de condenar as emoções, seja você um instrumento do paracleto - aprenda a emprestar o ombro para abraçar, o ouvido para escutar e o lenço para enxugar as lágrimas; só depois use a boca e esta somente para abençoar, para transmitir Graça aqueles que dela precisam.
Cuidado com o triunfalismo, ou você poderá acabar longe dos caminhos do Senhor. Tenha fé em Deus, creia no Senhor, creia que Ele tudo pode; mas creia que acima de tudo Sua Vontade é o melhor para sua vida, independente de qual seja esta Vontade! Lembre-se: no mundo, havemos de ter aflições! Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!
quarta-feira, 6 de maio de 2015
A PARÁBOLA DOS SOLOS E SUA APLICAÇÃO ATUAL
E, ajuntando-se uma grande multidão, e vindo de todas as cidades ter com ele, disse por parábola: Um semeador saiu a semear a sua semente e, quando semeava, caiu alguma junto do caminho, e foi pisada, e as aves do céu a comeram; E outra caiu sobre pedra e, nascida, secou-se, pois que não tinha umidade; E outra caiu entre espinhos e crescendo com ela os espinhos, a sufocaram; E outra caiu em boa terra, e, nascida, produziu fruto, a cento por um. Dizendo ele estas coisas, clamava: Quem tem ouvidos para ouvir, ouça. E os seus discípulos o interrogaram, dizendo: Que parábola é esta? E ele disse: A vós vos é dado conhecer os mistérios do reino de Deus, mas aos outros por parábolas, para que vendo, não vejam, e ouvindo, não entendam. Esta é, pois, a parábola: A semente é a palavra de Deus; E os que estão junto do caminho, estes são os que ouvem; depois vem o diabo, e tira-lhes do coração a palavra, para que não se salvem, crendo; E os que estão sobre pedra, estes são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria, mas, como não têm raiz, apenas crêem por algum tempo, e no tempo da tentação se desviam; E a que caiu entre espinhos, esses são os que ouviram e, indo por diante, são sufocados com os cuidados e riquezas e deleites da vida, e não dão fruto com perfeição; E a que caiu em boa terra, esses são os que, ouvindo a palavra, a conservam num coração honesto e bom, e dão fruto com perseverança. (Lucas 8:4-15)
A palavra "coração" é usada de forma muito variada nas Sagradas Escrituras. Aqui (e em muitas outras passagens), a Bíblia se refere ao "coração" (gr. kardia e heb. leb) figurativamente, como sede da vontade humana, dos pensamentos, sentimentos e intelecto (anatomicamente, a mente humana; espiritualmente, a alma humana). Já disse um certo filósofo: "O coração emite razões e reações que a própria razão desconhece", corroborado pelo autor sagrado: "enganoso é o coração do homem, quem o poderá conhecer?" ( Jr 17.9 )
Esta parábola poderia ser chamada a "Parábola do Coração", visto refletir a atitude de muitos corações frente a Palavra de Deus, de crentes e descrentes. O apóstolo Paulo, escrevendo aos Romanos, nos ensina que o coração é a parte principal onde pode se dar a salvação: "Mas que diz? A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos, A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação." (Rm 10.8-10)
Que semente é essa que é semeada? Apenas Lucas registra: "um semeador saiu a semear a sua semente". A cópia Alexandrina registra, "a semente de si mesmo". Nosso Senhor Jesus semeou Sua própria semente em todos os tipos de corações humanos, conforme lemos nessa parábola. Não houve um único coração onde Ele não tenha lançado a semente de Si mesmo, do Bendito Grão de Trigo, como Ele referiu-se certa vez de a si mesmo (Jo 12.24). Nenhum homem foi jamais preterido por Ele, nem jamais o será. Todos os homens daquela época, bem como todos os homens de todas as épocas recebem a divina semente de Cristo em semeada em suas vidas, de forma que nenhum homem jamais poderá dizer "eu fui esquecido" ou "eu fui preterido". Muitos são os meios pelos quais Cristo é semeado nos corações dos homens. Quer pela pregação do Evangelho, quer por um louvor inspirado, quer por um estudo, um folheto... até por um blog, Cristo vai sendo semeado. Até mesmo o sangue dos mártires, como dizia Tertuliano, um dos pais da Igreja, "será sempre a semente de novos cristãos".
Contudo, o fato é que Nosso Senhor Jesus nem sempre encontrou receptividade em suas mensagens. Muitos não tinham ouvidos para ouvir. Hoje, do mesmo modo, muitos não tem ouvidos para ouvir. Não têm um coração responsivo à Palavra de Deus e ao Deus da Palavra, um coração que responda positivamente ao Evangelho da Graça. Pessoas que ouvem sempre e nunca aprendem, pessoas estéreis espiritualmente falando. Para ilustrar este problema, Nosso Senhor Jesus enuncia a Parábola do Semeador, para as diferentes reações do homem frente a Palavra de Deus. Podemos desta forma constatar nesta parábola 4 tipos de corações onde a Palavra é semeada. Quais são eles?
I. AO LADO DO CAMINHO:
Segundo a parábola, uma semente caiu ao lado do caminho, na estrada. São caminhos batidos, muito rígidos, em que nenhuma semente pode penetrar. A semente que caiu nesse solo acabou sendo pisada pelos transeuntes e sendo comida pelas aves do céu.
Aqui, vemos o "ouvinte ao lado do caminho", aquele que não reage de maneira nenhuma ao que ouviu, pois Satanás e seus demônios removem todas as impressões espirituais produzidas pela Palavra. Sim, Satanás busca ativamente remover toda a influência espiritual do coração onde a Palavra de Deus é semeada, e há corações tão duros e insensíveis que fazem sua tarefa muito fácil. São ouvintes endurecidos pelo pecado e ignorantes com relação a Deus, que desprezam e pisam na Palavra, com escárnio e oposição crítica.
Vejo pessoas assim todos os dias. Pessoas que estão tão duras, insensíveis a qualquer coisa que se relacione com Deus e com as coisas espirituais. Pessoas extremamente materialistas. Há também àquelas que mesmo tendo certo grau de espiritualidade são tão endurecidas em seus ídolos e falsos deuses que se tornam exatamente como esse solo da Palestina, de dureza inigualável. Pessoas que mesmo tendo fé em alguma coisa, estão na verdade cegas em seus entendimentos, por ação do deus deste século: "Mas, se ainda o nosso evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto. Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus." (II Co 4.3,4) Nas palavras de Paulo, pessoas que não conseguem enxergar, de tão cegadas que estão, a luz do Evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus. Pessoas que para Deus se encontram andando em trevas, mesmo achando que tem a luz de alguma religião ou filosofia espiritualista.
Dentro das Igrejas há muitas pessoas assim. Gente que engana-se a si mesma, pois não passa de ouvintes da Palavra, mero "escutador", que vai aos cultos, sem nada mudar em sua vida. Sobre este comportamento mau, Tiago nos exorta, dizendo: "E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos. Porque, se alguém é ouvinte da palavra, e não cumpridor, é semelhante ao homem que contempla ao espelho o seu rosto natural; Porque se contempla a si mesmo, e vai-se, e logo se esquece de como era." (Tg 1.22-24) Gente que vai a Igreja assistir ao culto pelas mais variadas razões - porque alguém mandou (geralmente, jovens trazidos por seus pais), porque alguém convidou, para reencontrar um parente ou amigo, para conseguir bênçãos, para arranjar namoro promíscuo, por que não tem coisa melhor para fazer, para assistir a alguma programação (de Natal, por exemplo), para encher a barriga, etc. Nunca por causa de Deus. Nunca por causa da salvação. Pessoas que escutam a mensagem do Evangelho e reagem como se nada tivessem ouvido.
Infelizmente, há também muitos ditos crentes que agem do mesmo modo. Do púlpito, pregando a Palavra, você os vê facilmente. Pessoas que dizem professar fé em Deus, mas cujo coração está tão duro que é incapaz de germinar qualquer fé advinda da Palavra pregada. Acerca deles, o Pr. David Wilkerson certa vez pregou o sermão intitulado "Corações Duros Na Casa De Deus!" (Disponível em: http://www.tscpulpitseries.org/portuguese/ts970901.htm. Acesso: 06/05/2015). Segundo ele, os corações mais duros são encontrados justamente na casa de Deus:
"Em minha experiência, os corações mais duros - o tipo incurável - sempre foram encontrados ao alcance da voz da pregação ungida pelo Espírito Santo. Essa dureza não existe em igrejas frias, mortas, formais, onde o evangelho tem sido corrompido por gerações. Não - ela sempre é encontrada onde uma palavra pura é pregada do púlpito - e rejeitada nos bancos! Você pode perguntar: "Que é exatamente um coração duro?" Um coração duro é aquele que está determinado a recusar obediência à palavra de Deus. Ele ficou impossível de tocar, imune às convicções e advertências do Espírito Santo". (Pr. David Wilkerson, Corações Duros Na Casa De Deus!)
II. SOBRE AS PEDRAS:
A semente não caiu sobre a rocha nua, mas sobre uma fina camada de terra sobre a pedra. O calor da rocha fez a semente brotar rapidamente, antes da hora habitual do desabrochar da semente, mas a terra secou depressa e sem umidade suficiente a planta morreu. Não havia profundidade suficiente nesse solo para manter a vida da nova planta que brotou da semente.
Este representa o ouvinte superficial, meramente emocional, que busca apenas um conforto momentâneo; depois se esquecem de tudo o que ouviram e "desaparecem da Igreja". Quando o Sol da angústia retorna, sua "impressão de fé" murcha e desaparece. Eles, ao ouvirem a Palavra, conforme disse o Mestre, "a recebem com alegria", denotando a recepção imediata da Palavra por esses ouvintes, e seu assentimento rápido para com ela; mas a sua profissão súbita e precipitada sequer considerou a natureza e a importância da mesma; a alegria aparente que eles tiveram ao professar concordância foi algo apenas exterior, hipócrita. Foi uma alegria gerada através de um princípio egoísta neles; e não surgiu qualquer experiência real do poder da Palavra em suas almas, ou verdadeiro prazer espiritual neles. Isto ocorre porque não tem raiz profunda - ou seja, não tiveram um encontro genuíno com Cristo e Sua Palavra, apenas com as externalidades do momento.
Hoje há muita gente assim, que vive a fé de modo apenas exterior, mas sem nenhuma convicção profunda no interior de suas almas. Aparentam realmente terem recebido com fé a Palavra pela performance que apresentam; como disse Jesus - "estes são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria". Ao ouvirem a Palavra, recebem a "impressão de fé" e dái começam a pular, gritar, chorar, aplaudir, se ajoelhar, dar brados de vitória, etc. e ficam nesse estado "por um tempo". A versão Persa desse texto diz que "na hora de ouvir eles têm fé"; assim, enquanto eles estão ouvindo, parecem favoráveis ao que ouvem. Porém, tudo não passa de mero emocionalismo momentâneo, efêmero, passageiro. A versão Árabe diz "eles acreditam num pequeno tempo": a fé deles não é duradoura, não permanece. Chegando as tentações, logo se desviam (gr. aphistemi, desistem, desertam, abandonam, retiram-se). Caindo em má companhia, são facilmente persuadidos a receberem em seus corações a menor das dúvidas, pondo em xeque tudo o que ouviram, e acabam assim abandonando a Palavra.
III. ENTRE OS ESPINHOS:
Nenhum semeador semearia entre os espinhos. Muito provavelmente os espinhos haviam sido previamente arrancados superficialmente, ficando no solo suas raízes. O fato é que os espinhos já estavam no solo, mas não eram visíveis por qualquer razão no momento da semeadura. Isto fala de uma vida ambígua, de duplicidade de vida, de duplicidade de senhores, uma vida mundana. Jesus diz que eles "não dão fruto com perfeição" (gr. telesphoreo, frutos maduros), isto é, fruto não chega a amadurecer. Isto mostra uma interrupção do desenvolvimento espiritual - uma vida continuamente infantil quanto a fé, um "infantilismo espiritual". Noutras palavras, pessoas que insistem em serem carnais, eternamente meninos na fé. Sua meninice contínua é o resultado da sua duplicidade de vida, ou seja, a fé e o mundo - os espinhos. São 3 tipos de espinhos listados por Jesus:
a) Cuidados: Ansiedades e preocupações relativas a presente era. É o tipo que ouve mas não toma posição devido às conseqüências que irão perturbar a sua vida de pecado, seu amor ao mundo - I Jo 2.15; Sl 1.1. Pessoas que recebem a Palavra com fé, mas quando percebem que terão de abrir mão de sua vida de prazeres e do bem-estar que estes proporcionam, que terão de abrir mão de suas amizades pecaminosas, de todo o seu modo de vida egocêntrico, acabam sufocando a fé dentro de si, numa tentativa vazia de conciliar o inconciliável. Egocentrismo puro, comportamento muito semelhante ao que é cantado pelo grupo Legião Urbana - "tem uma festa legal e a gente quer se divertir" e pela Cyndi Lauper - "girls they wanna have fun". "Nós só queremos nos divertir!" esse é o grito no coração do crente-mundano: no mundo alegria, na Igreja, bicudos! Vivem em shows - gospel ou não, pouco importa. Nele, são cheios de alegria. Na Igreja, diferentemente do show, é só bico, só cara feia; nem no momento do louvor levanta da cadeira, parecendo estar colado com o verniz da cara-de-pau da pessoa! Nas "rodinhas de amigos(as)", tratam todos como se fossem "irmãos de sangue". Na Igreja, tratam os irmãos em Cristo como se fossem "leprosos", isolando-se do contato com os outros. Pior: há aqueles que não participam de nada, não se envolvem com coisa nenhuma e ainda reclamam quando são chamados a participarem de algo; quando você deixa o(a) sujeito(a) de lado, ele reclama dizendo que foi excluído, que existe panelinha... A pessoa não se envolve com nada, vai forçada a Igreja, tranca a cara nos cultos, se isola, trata todo mundo na Igreja com ignorância e depois vem com conversa fiada!
b) Riquezas: Fala da natureza enganadora das riquezas. É o amor à prosperidade, à bênçãos sem compromisso, em detrimento das riquezas espirituais. Buscam o "pão que perece", se esquecendo que "nem só de pão viverá o homem" - Mt 4.4; Jo 6.26,27. Essa é a turma que vai atrás da prosperidade, que seguem a tal "teologia da farinha pouca meu pirão primeiro". Querem bênção, querem unção, querem isso, querem aquilo... só não querem compromisso com Deus! Nem com a Igreja!
c) Demais deleites: Tudo o mais que poderia sufocar a Palavra de Deus - são as obras da carne - Gl 5.19-21. "Quer dizer que terei de parar de pegar garotas por causa de Cristo?" "Quer dizer que vou ter que jogar no lixo minha coleção de revistas eróticas?" "Quer dizer que vou ter que passar a frequentar assiduamente a Igreja, mesmo quando meus colegas forem para a praia?" "Quer dizer que não vou mais poder ir à balada, à festinha, tomar uns gorós, fumar um baseado e transar com quem me der vontade?"
IV. BOA TERRA:
Apenas esta terra produz fruto permanente (Gl 5.22,23). Isto está ligado a um "bom e reto coração". Um coração honesto, que vê a necessidade da Palavra em sua vida. Um coração honesto, que não fica fingindo ser o que não é, dizendo-se muito bom sem o ser verdadeiramente. Um coração que enxerga a si mesmo como miserável e que, deste modo, é apto a receber as Misericórdias de Deus. Aqui, vemos o "ouvido que ouve", que compreende o que Deus quer lhe dizer através de Sua Palavra. Compreende a mensagem do Evangelho em seu conteúdo, sabendo que ela é para si mesmo, que ela tem importância vital em sua vida e que portanto precisa abraçá-la com todas as forças e de todo coração.
Como a Palavra é retida, ela produz vida neste coração, tornando-o capaz a produzir "cem por uma". A Palavra de Cristo é "espírito e vida" na vida de quem a recebe e pratica (Jo 6.63), ele é viva e eficaz, logo gera por si mesma o crescimento na vida de quem a retém.
Jesus conclui esta parábola dizendo: "Vede, pois, como ouvis" ( v.18 ). Que tipo de solo tem sido o seu coração para com a Palavra pregada e ensinada? O que você feito com tudo que já ouviu de Deus?
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!
A palavra "coração" é usada de forma muito variada nas Sagradas Escrituras. Aqui (e em muitas outras passagens), a Bíblia se refere ao "coração" (gr. kardia e heb. leb) figurativamente, como sede da vontade humana, dos pensamentos, sentimentos e intelecto (anatomicamente, a mente humana; espiritualmente, a alma humana). Já disse um certo filósofo: "O coração emite razões e reações que a própria razão desconhece", corroborado pelo autor sagrado: "enganoso é o coração do homem, quem o poderá conhecer?" ( Jr 17.9 )
Esta parábola poderia ser chamada a "Parábola do Coração", visto refletir a atitude de muitos corações frente a Palavra de Deus, de crentes e descrentes. O apóstolo Paulo, escrevendo aos Romanos, nos ensina que o coração é a parte principal onde pode se dar a salvação: "Mas que diz? A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos, A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação." (Rm 10.8-10)
Que semente é essa que é semeada? Apenas Lucas registra: "um semeador saiu a semear a sua semente". A cópia Alexandrina registra, "a semente de si mesmo". Nosso Senhor Jesus semeou Sua própria semente em todos os tipos de corações humanos, conforme lemos nessa parábola. Não houve um único coração onde Ele não tenha lançado a semente de Si mesmo, do Bendito Grão de Trigo, como Ele referiu-se certa vez de a si mesmo (Jo 12.24). Nenhum homem foi jamais preterido por Ele, nem jamais o será. Todos os homens daquela época, bem como todos os homens de todas as épocas recebem a divina semente de Cristo em semeada em suas vidas, de forma que nenhum homem jamais poderá dizer "eu fui esquecido" ou "eu fui preterido". Muitos são os meios pelos quais Cristo é semeado nos corações dos homens. Quer pela pregação do Evangelho, quer por um louvor inspirado, quer por um estudo, um folheto... até por um blog, Cristo vai sendo semeado. Até mesmo o sangue dos mártires, como dizia Tertuliano, um dos pais da Igreja, "será sempre a semente de novos cristãos".
Contudo, o fato é que Nosso Senhor Jesus nem sempre encontrou receptividade em suas mensagens. Muitos não tinham ouvidos para ouvir. Hoje, do mesmo modo, muitos não tem ouvidos para ouvir. Não têm um coração responsivo à Palavra de Deus e ao Deus da Palavra, um coração que responda positivamente ao Evangelho da Graça. Pessoas que ouvem sempre e nunca aprendem, pessoas estéreis espiritualmente falando. Para ilustrar este problema, Nosso Senhor Jesus enuncia a Parábola do Semeador, para as diferentes reações do homem frente a Palavra de Deus. Podemos desta forma constatar nesta parábola 4 tipos de corações onde a Palavra é semeada. Quais são eles?
I. AO LADO DO CAMINHO:
Segundo a parábola, uma semente caiu ao lado do caminho, na estrada. São caminhos batidos, muito rígidos, em que nenhuma semente pode penetrar. A semente que caiu nesse solo acabou sendo pisada pelos transeuntes e sendo comida pelas aves do céu.
Aqui, vemos o "ouvinte ao lado do caminho", aquele que não reage de maneira nenhuma ao que ouviu, pois Satanás e seus demônios removem todas as impressões espirituais produzidas pela Palavra. Sim, Satanás busca ativamente remover toda a influência espiritual do coração onde a Palavra de Deus é semeada, e há corações tão duros e insensíveis que fazem sua tarefa muito fácil. São ouvintes endurecidos pelo pecado e ignorantes com relação a Deus, que desprezam e pisam na Palavra, com escárnio e oposição crítica.
Vejo pessoas assim todos os dias. Pessoas que estão tão duras, insensíveis a qualquer coisa que se relacione com Deus e com as coisas espirituais. Pessoas extremamente materialistas. Há também àquelas que mesmo tendo certo grau de espiritualidade são tão endurecidas em seus ídolos e falsos deuses que se tornam exatamente como esse solo da Palestina, de dureza inigualável. Pessoas que mesmo tendo fé em alguma coisa, estão na verdade cegas em seus entendimentos, por ação do deus deste século: "Mas, se ainda o nosso evangelho está encoberto, para os que se perdem está encoberto. Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus." (II Co 4.3,4) Nas palavras de Paulo, pessoas que não conseguem enxergar, de tão cegadas que estão, a luz do Evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus. Pessoas que para Deus se encontram andando em trevas, mesmo achando que tem a luz de alguma religião ou filosofia espiritualista.
Dentro das Igrejas há muitas pessoas assim. Gente que engana-se a si mesma, pois não passa de ouvintes da Palavra, mero "escutador", que vai aos cultos, sem nada mudar em sua vida. Sobre este comportamento mau, Tiago nos exorta, dizendo: "E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos. Porque, se alguém é ouvinte da palavra, e não cumpridor, é semelhante ao homem que contempla ao espelho o seu rosto natural; Porque se contempla a si mesmo, e vai-se, e logo se esquece de como era." (Tg 1.22-24) Gente que vai a Igreja assistir ao culto pelas mais variadas razões - porque alguém mandou (geralmente, jovens trazidos por seus pais), porque alguém convidou, para reencontrar um parente ou amigo, para conseguir bênçãos, para arranjar namoro promíscuo, por que não tem coisa melhor para fazer, para assistir a alguma programação (de Natal, por exemplo), para encher a barriga, etc. Nunca por causa de Deus. Nunca por causa da salvação. Pessoas que escutam a mensagem do Evangelho e reagem como se nada tivessem ouvido.
Infelizmente, há também muitos ditos crentes que agem do mesmo modo. Do púlpito, pregando a Palavra, você os vê facilmente. Pessoas que dizem professar fé em Deus, mas cujo coração está tão duro que é incapaz de germinar qualquer fé advinda da Palavra pregada. Acerca deles, o Pr. David Wilkerson certa vez pregou o sermão intitulado "Corações Duros Na Casa De Deus!" (Disponível em: http://www.tscpulpitseries.org/portuguese/ts970901.htm. Acesso: 06/05/2015). Segundo ele, os corações mais duros são encontrados justamente na casa de Deus:
"Em minha experiência, os corações mais duros - o tipo incurável - sempre foram encontrados ao alcance da voz da pregação ungida pelo Espírito Santo. Essa dureza não existe em igrejas frias, mortas, formais, onde o evangelho tem sido corrompido por gerações. Não - ela sempre é encontrada onde uma palavra pura é pregada do púlpito - e rejeitada nos bancos! Você pode perguntar: "Que é exatamente um coração duro?" Um coração duro é aquele que está determinado a recusar obediência à palavra de Deus. Ele ficou impossível de tocar, imune às convicções e advertências do Espírito Santo". (Pr. David Wilkerson, Corações Duros Na Casa De Deus!)
II. SOBRE AS PEDRAS:
A semente não caiu sobre a rocha nua, mas sobre uma fina camada de terra sobre a pedra. O calor da rocha fez a semente brotar rapidamente, antes da hora habitual do desabrochar da semente, mas a terra secou depressa e sem umidade suficiente a planta morreu. Não havia profundidade suficiente nesse solo para manter a vida da nova planta que brotou da semente.
Este representa o ouvinte superficial, meramente emocional, que busca apenas um conforto momentâneo; depois se esquecem de tudo o que ouviram e "desaparecem da Igreja". Quando o Sol da angústia retorna, sua "impressão de fé" murcha e desaparece. Eles, ao ouvirem a Palavra, conforme disse o Mestre, "a recebem com alegria", denotando a recepção imediata da Palavra por esses ouvintes, e seu assentimento rápido para com ela; mas a sua profissão súbita e precipitada sequer considerou a natureza e a importância da mesma; a alegria aparente que eles tiveram ao professar concordância foi algo apenas exterior, hipócrita. Foi uma alegria gerada através de um princípio egoísta neles; e não surgiu qualquer experiência real do poder da Palavra em suas almas, ou verdadeiro prazer espiritual neles. Isto ocorre porque não tem raiz profunda - ou seja, não tiveram um encontro genuíno com Cristo e Sua Palavra, apenas com as externalidades do momento.
Hoje há muita gente assim, que vive a fé de modo apenas exterior, mas sem nenhuma convicção profunda no interior de suas almas. Aparentam realmente terem recebido com fé a Palavra pela performance que apresentam; como disse Jesus - "estes são os que, ouvindo a palavra, a recebem com alegria". Ao ouvirem a Palavra, recebem a "impressão de fé" e dái começam a pular, gritar, chorar, aplaudir, se ajoelhar, dar brados de vitória, etc. e ficam nesse estado "por um tempo". A versão Persa desse texto diz que "na hora de ouvir eles têm fé"; assim, enquanto eles estão ouvindo, parecem favoráveis ao que ouvem. Porém, tudo não passa de mero emocionalismo momentâneo, efêmero, passageiro. A versão Árabe diz "eles acreditam num pequeno tempo": a fé deles não é duradoura, não permanece. Chegando as tentações, logo se desviam (gr. aphistemi, desistem, desertam, abandonam, retiram-se). Caindo em má companhia, são facilmente persuadidos a receberem em seus corações a menor das dúvidas, pondo em xeque tudo o que ouviram, e acabam assim abandonando a Palavra.
III. ENTRE OS ESPINHOS:
Nenhum semeador semearia entre os espinhos. Muito provavelmente os espinhos haviam sido previamente arrancados superficialmente, ficando no solo suas raízes. O fato é que os espinhos já estavam no solo, mas não eram visíveis por qualquer razão no momento da semeadura. Isto fala de uma vida ambígua, de duplicidade de vida, de duplicidade de senhores, uma vida mundana. Jesus diz que eles "não dão fruto com perfeição" (gr. telesphoreo, frutos maduros), isto é, fruto não chega a amadurecer. Isto mostra uma interrupção do desenvolvimento espiritual - uma vida continuamente infantil quanto a fé, um "infantilismo espiritual". Noutras palavras, pessoas que insistem em serem carnais, eternamente meninos na fé. Sua meninice contínua é o resultado da sua duplicidade de vida, ou seja, a fé e o mundo - os espinhos. São 3 tipos de espinhos listados por Jesus:
a) Cuidados: Ansiedades e preocupações relativas a presente era. É o tipo que ouve mas não toma posição devido às conseqüências que irão perturbar a sua vida de pecado, seu amor ao mundo - I Jo 2.15; Sl 1.1. Pessoas que recebem a Palavra com fé, mas quando percebem que terão de abrir mão de sua vida de prazeres e do bem-estar que estes proporcionam, que terão de abrir mão de suas amizades pecaminosas, de todo o seu modo de vida egocêntrico, acabam sufocando a fé dentro de si, numa tentativa vazia de conciliar o inconciliável. Egocentrismo puro, comportamento muito semelhante ao que é cantado pelo grupo Legião Urbana - "tem uma festa legal e a gente quer se divertir" e pela Cyndi Lauper - "girls they wanna have fun". "Nós só queremos nos divertir!" esse é o grito no coração do crente-mundano: no mundo alegria, na Igreja, bicudos! Vivem em shows - gospel ou não, pouco importa. Nele, são cheios de alegria. Na Igreja, diferentemente do show, é só bico, só cara feia; nem no momento do louvor levanta da cadeira, parecendo estar colado com o verniz da cara-de-pau da pessoa! Nas "rodinhas de amigos(as)", tratam todos como se fossem "irmãos de sangue". Na Igreja, tratam os irmãos em Cristo como se fossem "leprosos", isolando-se do contato com os outros. Pior: há aqueles que não participam de nada, não se envolvem com coisa nenhuma e ainda reclamam quando são chamados a participarem de algo; quando você deixa o(a) sujeito(a) de lado, ele reclama dizendo que foi excluído, que existe panelinha... A pessoa não se envolve com nada, vai forçada a Igreja, tranca a cara nos cultos, se isola, trata todo mundo na Igreja com ignorância e depois vem com conversa fiada!
b) Riquezas: Fala da natureza enganadora das riquezas. É o amor à prosperidade, à bênçãos sem compromisso, em detrimento das riquezas espirituais. Buscam o "pão que perece", se esquecendo que "nem só de pão viverá o homem" - Mt 4.4; Jo 6.26,27. Essa é a turma que vai atrás da prosperidade, que seguem a tal "teologia da farinha pouca meu pirão primeiro". Querem bênção, querem unção, querem isso, querem aquilo... só não querem compromisso com Deus! Nem com a Igreja!
c) Demais deleites: Tudo o mais que poderia sufocar a Palavra de Deus - são as obras da carne - Gl 5.19-21. "Quer dizer que terei de parar de pegar garotas por causa de Cristo?" "Quer dizer que vou ter que jogar no lixo minha coleção de revistas eróticas?" "Quer dizer que vou ter que passar a frequentar assiduamente a Igreja, mesmo quando meus colegas forem para a praia?" "Quer dizer que não vou mais poder ir à balada, à festinha, tomar uns gorós, fumar um baseado e transar com quem me der vontade?"
IV. BOA TERRA:
Apenas esta terra produz fruto permanente (Gl 5.22,23). Isto está ligado a um "bom e reto coração". Um coração honesto, que vê a necessidade da Palavra em sua vida. Um coração honesto, que não fica fingindo ser o que não é, dizendo-se muito bom sem o ser verdadeiramente. Um coração que enxerga a si mesmo como miserável e que, deste modo, é apto a receber as Misericórdias de Deus. Aqui, vemos o "ouvido que ouve", que compreende o que Deus quer lhe dizer através de Sua Palavra. Compreende a mensagem do Evangelho em seu conteúdo, sabendo que ela é para si mesmo, que ela tem importância vital em sua vida e que portanto precisa abraçá-la com todas as forças e de todo coração.
Como a Palavra é retida, ela produz vida neste coração, tornando-o capaz a produzir "cem por uma". A Palavra de Cristo é "espírito e vida" na vida de quem a recebe e pratica (Jo 6.63), ele é viva e eficaz, logo gera por si mesma o crescimento na vida de quem a retém.
Jesus conclui esta parábola dizendo: "Vede, pois, como ouvis" ( v.18 ). Que tipo de solo tem sido o seu coração para com a Palavra pregada e ensinada? O que você feito com tudo que já ouviu de Deus?
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!
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