segunda-feira, 11 de abril de 2016

NINGUÉM VOS JULGUE PELAS EXTERIORIDADES, NEM VOS DOMINE PELAS INVENCIONICES

"Portanto, ninguém vos julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, que são sombras das coisas futuras, mas o corpo é de Cristo. Ninguém vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos anjos, envolvendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na sua carnal compreensão, e não ligado à cabeça, da qual todo o corpo, provido e organizado pelas juntas e ligaduras, vai crescendo em aumento de Deus. Se, pois, estais mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas dos homens; as quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo, mas não são de valor algum senão para a satisfação da carne". (Cl 2.16-23)

Ninguém vos julgue... ninguém vos domine... são as instruções do apóstolo Paulo aos crentes de Colossos. A palavra julgar aqui é usada no sentido de pronunciar uma sentença. Ninguém deveria pronunciar sentença contra aqueles irmãos por eles não observarem ritos externos judaicos como regra de fé. Aquelas ordenanças judaicas eram obsoletas; serviram profeticamente como sombra (do grego skia) de Cristo e com Ele perderam o sentido. Agora que Cristo havia se manifesto no mundo físico pela encarnação, morte, ressurreição e exaltação, não havia mais necessidade do uso daquelas práticas. Todos os ritos judaicos eram sombras das bênçãos do evangelho.

Assim, o "comer e beber", que Paulo menciona nesse texto, refere-se tanto às leis dietéticas estabelecidas no Livro de Levítico (caps. 11, 17, etc), da distinção entre animais puros e animais imundos, do uso de vinho, às leis dietéticas relativas ao nazireado, de bebida em vasos impuros, etc., além daquelas estabelecidas pelos fariseus (cf. explica Cambridge Bible for Schools and Colleges), as quais, em Cristo, "não possuem valor algum senão para a satisfação da carne" (ou seja, para auto-emulação, exaltação pessoal típica do "sou mais santo que você porque faço isso ou aquilo e você não").  Os apóstolos já haviam determinado essa questão após evidência incontestáveis que os crentes gentios deveriam tão somente absterem-se das contaminações dos ídolos, da prostituição, do que é sufocado e do sangue (At 15.19,20) e o próprio Paulo, escrevendo aos Romanos, nos ensina que o Reino de Deus "não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espírito Santo" (Rm 14.7). Vale dizer que a ordenança da abstinência dos alimentos que Deus criou para os fiéis (os cristãos) é maligna, sendo claramente definida por Paulo como sendo "doutrina de demônios" e "conversa de espíritos enganadores" (I Tm 4.1-5).

Por sua vez, a menção aos "dias de festa, ou da lua nova, ou dos sábados" nos remete diretamente ao texto de Ezequiel  45:17 ("E estarão a cargo do príncipe os holocaustos, e as ofertas de alimentos, e as libações, nas festas, e nas luas novas, e nos sábados, em todas as solenidades da casa de Israel. Ele preparará a oferta pelo pecado, e a oferta de alimentos, e o holocausto, e os sacrifícios pacíficos, para fazer expiação pela casa de Israel") mostrando inequivocamente a relação entre as ordenanças constantes no Livro de Levítico nos dois textos; estes eram obrigatórios na velha dispensação, na Lei, não na atual dispensação, da graça. Acerca desse texto, o Ellicott's Commentary for English Readers comenta: "A "festa" parece ser um dos grandes festivais; a "lua nova", o mensal, e no sábado a solenidade semanal [...] Aqui são as festas judaicas, e somente elas, que são anotados". Por sua vez, Gill's Exposition of the Entire Bible explica "nas festas, e nas luas novas e nos sábados, e em todas as solenidades da casa de Israel; nas festas da Páscoa, tabernáculo e Pentecostes, que foram todas as figuras de Cristo". Portanto, definitivamente, os cristãos não estão e nem devem ser obrigados a observar tais coisas, pois temos o Senhor conosco em substância. O corpo - destas sombra; é de Cristo - A substância delas é exibida no evangelho de Cristo, em quem Ele de tudo é o Centro e a razão final, o antítipo de todas as sombras (tipos) prefiguradas do Antigo Testamento.

É interessante notar que os falsos mestres alegavam uma pretensa "espiritualidade superior", uma espécie de "revelação especial" para quererem obrigar os cristãos nessas práticas. Eles alegavam terem recebido tal ensino a partir de visões sobrenaturais, visões de anjos, conferindo uma aura de autoridade divina ao mesmo, como explica Tertuliano ("Contra Marcião", 5:19). Isso era usado como justificativa para aceitarem como verdade aquele engano, do grego katabrabeuo. Assim, com uma pretensa justificativa sobrenatural, aliado à uma aparência de humildade, buscavam enganar os crentes de Colossos.    

Parênteses:  O termo katabrabeuo, de kata (contra) + brabeuo (ser um juiz ou árbitro e, assim, atribuir o prêmio em um jogo público), literalmente, refere-se a um árbitro que decide contra alguém, declarando-o indigno do prêmio e assim defraudando-o do prêmio da vitória. O juiz em jogos de atletismo era o brabeus e o prêmio o brabeion. A palavra grega descreve um árbitro que exclui da competição qualquer atleta que não segue as regras. O competidor não deixa de ser um cidadão da terra, mas ele perde a honra de ganhar o prêmio. Figurativamente, como usado neste versículo, katabrabeuo refere-se ao ato de privar alguém de sua recompensa espiritual. Aqueles irmãos, assim enganados, não perdiam necessariamente a sua condição de salvos, mas perdiam a recompensa - as bênçãos espirituais (I Co 9.24; Fp 3.14); poderiam, não obstante, chegar a um grau de distanciamento de Cristo que os tornariam apóstatas, agora com implicações eternas. Porém, com relação aos falsos mestres, a conversa é outra: seus ensinos malignos denotavam mentes inconversas à Cristo, pessoas não regeneradas, não nascidas de novo, gente inchada na compreensão carnal. Sobre esses, as Escrituras são claras: são fontes sem água, nuvens levadas pela força do vento, para os quais a escuridão das trevas eternamente se reserva (II Pe 2.17). Fecha parênteses.

Os crentes, portanto, não devem estar carregados de ordenanças, pois estão mortos com Cristo quanto aos rudimentos (gr. stoicheion, "princípios elementares") do mundo. Pela Lei, morremos para a Lei, de forma que hoje vivemos por Cristo e para Cristo (Gl 2.19).  Estas ordenanças são exatamente àquelas do Velho Pacto, as ordenanças exteriores. Lógico que como em Cristo estou livre das ordenanças da Lei, estou mais ainda livre das invencionices humanas, tenham elas quaisquer fundamentações filosóficas! Ora, estou livre; fui liberto por Cristo Jesus! Na Sua obediência, eu obedeci pela fé e na Sua morte, morri pela fé; posto que, portanto, na Sua ressurreição eu ressuscitei pela fé, para andar em novidade de vida! Não precisamos, portanto, como crentes em Cristo Jesus, de coisas exteriores, pois temos conosco Aquele para quem todas as coisas exteriores apontavam.

Aplicando hoje: Não precisamos ter, por exemplo, a Arca da Aliança na Igreja, pois a Arca apontava para a presença contínua de Deus no meio do Seu povo que é materializada, hoje, na prática, pela Bendita Pessoa de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A arca, hoje, não possui valor algum para a prática da fé dos crentes, isto é, ter ou não ter, tocar ou não tocar, trazer ou não trazer uma réplica da arca dentro do culto cristão nenhum valor possui para a fé ou espiritualidade pessoal. Aliás, é bom dizer que se houvesse algum tipo de poder sobrenatural na réplica da arca, ou se Deus a considerasse como considerou a original, nenhum gentio jamais a tocaria, nem chegaria perto dela (Lv 16.2; I Sm 5.3-11; 6.19; II Sm 6.6-9)!  Somente os levitas podiam carregá-la, e ainda assim por meio de varais, sem tocar diretamente nela! A verdadeira arca da aliança perdeu-se, provavelmente por ocasião do cativeiro babilônico de Israel. Jeremias 3:16 se refere a ela, dizendo que, quando o Messias vier, ninguém mais mencionará a Arca da Aliança. Uma vez que o Verdadeiro chegou, o tipo passou a ser desnecessário. A passagem final que se refere à arca é Apocalipse 11:19, que menciona o Templo original dos céus, como tendo sua própria e original Arca do Testemunho. Não há, assim, nenhum poder espiritual nessa réplica que é chamada de arca! O mesmo se aplica aos demais utensílios, como o castiçal de ouro.

Por outro lado, a atual invencionice do meio neopentecostal na busca do "tudo por uma bênção" é sem fundamentação bíblica. Nada do que esses pretensos apóstolos, bispos, pastores, missionários, etc. faz, por criação própria, tem algum poder ou eficácia sobrenatural em si mesma, a despeito de insistentemente dizerem que é fruto da "visão espiritual" que receberam. Coisas como "objetos ungidos", como "atos proféticos" (mergulhar na lama, descer em poços, unção de sal, unção do esquecimento, dança ungida, dores de parto profética, etc), numa tola tentativa de usar antigos símbolos da fé judaica no Cristianismo, jamais terá qualquer eficácia real. Isso é, na verdade, uma mistura de judaização e teatralização gospel! Tudo no afã de tentar impressionar os incautos, por meio da representação de "bravatas espirituais"!

Tampouco não se impressione com a caracterização do "ungidão bazófio", do "farfante consagrado", com uma aparência de auto-humildade baseada em vestimentas ou origens humildes ou ausência de estudo formal! Humildade não é isso, é algo do coração, algo que esses sujeitos não possuem por tudo o que demonstram na prática - sim, porque o que alguém é, não pode ser escondido por muito tempo; o que uma pessoa realmente é, em seu interior, irá aparecer mais dia menos dia - esses "pseudo-apóstolos/pastores/bispos-humildões" são, via de regra, conhecidos por amaldiçoar quem discorda deles e os critica, algo nada santo, nem cristão, nem humilde. Homens que adquiriram verdadeiras fortunas com os "shows gospel" que promovem - carrões (porsche, aprox. R$ 800.000,00; afora cordões, anéis e relógios dourados, bonés e tênis de marcas como Nike e Hugo Boss), milhares de cabeças de gado, propriedades no Brasil e no Exterior, jatinhos, etc. Teatro gospel, nada bíblico, nada profético; poder/autoridade espiritual zero! Isso nunca foi, nem jamais será o Evangelho de Cristo (ainda que alguns insistam em chamar isso de evangélico). Isso é inútil em matéria de fé bíblica, além de ser algo perigoso para a verdadeira espiritualidade derivada das Escrituras Sagradas, pois pode levar pessoas a se afastarem da Graça de Cristo e a apostatarem da fé genuína "a qual uma vez por todas foi entregue aos santos" (Jd 1.3)!

Assim, querido(a) leitor(a): cuidado com o que você tem ouvido e recebido em matéria de fé. A Bíblia não é livro de práticas espirituais isoladas e desconectadas, como se fosse um livro mágico. Não! A Bíblia é um conjunto de 66 livros (39 no Antigo Testamento e 27 no Novo Testamento) que abordam, dentre outros, a relação de Deus com o homem (sua criação, queda, resultados da queda e a redenção do homem caído por Cristo Jesus) a qual, se estudada com zelo e de forma sistemática, nos conduz à comunhão do Espírito Santo e à Graça de Deus, a qual "se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens, ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, e justa, e piamente, aguardando a bem-aventurada esperança e o aparecimento da glória do grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo; o qual se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniqüidade, e purificar para si um povo seu especial, zeloso de boas obras" (Tt 2.11-14).

Quer um conselho: saia já desse tipo de coisa! Se você quer realmente seguir ao Senhor Jesus, procure uma Igreja evangélica verdadeira, que prega o Evangelho de verdade, que respeita a Bíblia Sagrada e que se esforça para viver segundo seus ensinos. Deus ama você e não quer, de modo algum, que você seja participante de algo de não honra o Seu Santo Nome! Lembre-se do que foi predito na Bíblia: "E também houve entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresias de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina perdição. E muitos seguirão as suas dissoluções, pelos quais será blasfemado o caminho da verdade. E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas; sobre os quais já de largo tempo não será tardia a sentença, e a sua perdição não dormita." (II Pe 2.1-3)

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

TENHA CUIDADO CONTIGO MESMO E COM TEU ENSINO!

"Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina. Persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem." (I Tm 4.16)

ἔπεχε σεαυτῷ καὶ τῇ διδασκαλίᾳ. ἐπίμενε αὐτοῖς· τοῦτο γὰρ ποιῶν καὶ σεαυτὸν σώσεις καὶ τοὺς ἀκούοντάς σου. (I Tm 4.16 - TR-1894)

epeche seautō kai tē didaskalia; epimene autois; touto gar poiōn kai seauton sōseis kai tous akouontas sou. (I Tm 4.16 - WH-1881 - Transliterado) 

A palavra "doutrina" é a tradução do termo grego "didaskalia"; este é melhor traduzido por "ensino". Conforme a construção do texto no grego, καὶ τῇ διδασκαλίᾳ, significa "e teu ensino". Com isso, se fôssemos traduzir ao pé da letra o versículo, ficaria da seguinte maneira: "Preste atenção para reter/permanecer você mesmo e no ensino. Continue/persevere nestas coisas, fazendo isso você salvará a ti mesmo e teus ouvintes". Trata-se, portanto, de uma dupla recomendação, de Paulo para Timóteo e de Deus para nós, hoje.

Tome cuidado consigo mesmo. Isso pode ser entendido como referente a qualquer coisa, de natureza pessoal, que qualifique positivamente (ou negativamente) para a obra. Obviamente, aquilo que for positivo deve ser cultivado; aquilo que for negativo deve ser eliminado. Isto pode ser aplicado tanto com relação à piedade pessoal; à saúde; aos costumes; aos hábitos de vida; ao temperamento; aos propósitos; ao contato com os outros.O ministro de Cristo deve manter sua atenção fixa em seu próprio comportamento e conduta, porque pode, com seus atos, palavras e comportamento, contribuir para o destino eterno de seus ouvintes/leitores, quer positivamente ("salvará os que te ouvem") ou negativamente ("porá a perder/desviará aqueles que te ouvem", por contraposição lógica).

O comportamento pessoal é muito importante na vida de um servo de Cristo, especialmente se for um ministro (diáconos, presbíteros, evangelistas, pastores, bispos, apóstolos, professores, missionários, ministros de louvor, líderes de departamentos, etc). Este comportamento deve ser condizente com a realidade da fé em Deus, pois a fé em Deus é transformadora da natureza humana. Ou seja, a fé em Cristo produz inevitavelmente na vida humana o novo nascimento, com a geração da nova natureza, divina, no interior do homem. Esse novo nascimento precisa, obrigatoriamente, ser evidenciado pelos frutos - o que a Bíblia chama de "frutos dignos de arrependimento"; afinal de contas, segundo Tiago, a fé sem obras é morta, inativa, inoperante, incapaz de gerar vida. Se alguém crê em Cristo, tal fé obrigatoriamente gera a vida de Deus na vida humana e esta vida é manifesta de forma notória! Esta mudança de vida é fruto observável na vida de qualquer pessoa que verdadeiramente tenha crido em Cristo como Senhor e Salvador e é a evidência de genuína conversão (e salvação dos pecados); qualquer cristão verdadeiro experimenta tal mudança e, portanto, um líder cristão deve principalmente trazer esta evidência em sua vida.

Note: não estamos aqui, de modo algum, falando em perfeição absoluta, ou vida sem pecado. Não. Mas o que estamos dizendo é que se uma pessoa crê em Cristo verdadeiramente, ela recebe suporte divino para não viver mais continuamente no pecado e, por sua nova natureza, passa a odiar o pecado. Porém, de um ministro de Cristo, é exigido um pouco mais - é exigido que ele tenha cuidado consigo mesmo, isto é, que ele exerça vigilância contínua sobre sua própria vida (como apascentar alguém sem apascentar primeiro a si mesmo?) de forma a não causar escândalo, trazer blasfêmia ao nome de Deus (Rm 2.24) ou que o Caminho da Verdade venha, de alguma maneira, a ser blasfemado (II Pe 2.2). Há uma ética cristã, bíblica, a ser observada por qualquer cristão genuíno, especialmente por um ministro cristão genuíno. Este ethos cristão é a forma com que alguém que traz sobre si o nome de Cristo deve se comportar, de forma a claramente distingui-lo como povo de Deus; trata-se, portanto, da identidade, do modo de ser, do caráter cristão.   

Assim, em relação à moral, o ministro de Cristo deve estar de pé. Em seu contato com os outros e em seus hábitos pessoais, ele deve ser correto, consistente e cavalheiro, de modo a não dar oportunidade a nenhuma ofensa desnecessária. A pessoa de um ministro deve ser pura e limpa; suas maneiras, como irá mostrar a influência justa da fé cristã sobre o seu temperamento e comportamento; seu estilo de conversa, como um exemplo para os velhos e os jovens, e, como não ofender as leis de cortesia e urbanidade. Não há verdadeira fé, nem vida espiritual, em uma pessoa imunda em seus pecados; em modos grosseiros; que se conduz de forma inconveniente; com hábitos desleixados - ser um verdadeiro cavalheiro deve ser tanto uma questão de consciência do ministro do evangelho como de um verdadeiro cristão. A fé salvadora refina as maneiras - ela não os corrompe; torna a pessoa cortês, educada, e gentil - nunca produz modos grosseiros, ou hábitos ofensivos (Barnes' Notes on the Bible). 

Deve cuidar do estado de seu coração, de sua consciência, de seus afetos, seu espírito, seu caráter, sua linguagem, tudo deve manter-se embaixo do santo controle do Espírito e da Palavra de Deus. É necessário que esteja instruído com a verdade e vestido com a couraça da justiça. Sua condição moral e sua marcha prática devem concordar com a verdade que ministra; do contrário, o inimigo, com segurança, ganhará vantagem sobre ele. O mestre deveria ser a expressão vivente do que ensina; ao menos, tal deveria ser o objeto perseguido por ele com sinceridade, com veemência e com perseverança. É de desejar que esta santa medida esteja constantemente ante “os olhos de seu entendimento” (C. H. Mackintosh, in: http://camposdeboaz.com.br/tem-cuidado-de-ti-mesmo-e-da-doutrina-c-h-mackintosh).

Um ministro de Cristo não usa de palavras de baixo calão em seus diálogos e nem aprova tal coisa; não aprova nada que fira a moral que ele professa nem faz uso dessas coisas. Nos tempos modernos, atuais, não "compartilha" nem "curte" textos com palavrões, com xingamentos e ofensas ou que incentivem tal coisa; nem fotos de nudez ou que incentivem a nudez, a pornografia, o sexo livre e irresponsável. Ele(a) tem todo cuidado com "brincadeirinhas"/"piadinhas" que possam dar base a chocarrices e parvoíces com quem quer que seja, sempre evitando-as ao máximo.Nem troca de farpas, indiretas, etc. Em tudo o que faz, o ministro de Cristo busca a glória de Deus. No trato com quem quer que seja, o ministro respeita os sadios limites impostos pela Palavra de Deus. Ele(a) não fica com conversas inapropriadas, nem compartilha "selfies sedutoras" ou "nudes" via whatssap, facebook, e-mail ou por qualquer outro meio - nem mesmo fotos com roupas sensuais. Ele(a) não aparece seminu(a) em talk shows ou programas de auditório, nem em revistas masculinas/femininas.

Abre parênteses: não adianta ficar no "churicantaslabarai" no culto na Igreja, tendo "visagem e revelamento" no mistério Kodak,  rodopiando e rolando no chão, se fora desse ambiente a vida é desregrada; se no dia-a-dia vive na fornicação, falando mal de pastor e de Igreja e espalhando contendas aonde vai. O mesmo Espírito Santo que dá dons é Aquele que dá Seu Fruto, o caráter de Cristo em nossa vida. Deus é um só, o Espírito é um só e a fé é uma só, onde quer que estejamos. Fecha parênteses. 

O comportamento de um ministro de Cristo não pode ser usado por Satanás como instrumento da perdição, como ferramenta para fazer desviar da fé a vida do povo de Deus! Isso não pode acontecer em hipótese alguma! Se um ministro não tem cuidado de si mesmo, ele não salvará nem a si mesmo, nem aqueles que o ouvem - e isso é muito sério! "Cada vez mais e mais pessoas são pegas na armadilha dos escândalos. Cresce o número de perdidos ao passo que aumentam as barreiras para conversão de pecadores. Hoje, cada crente verdadeiro corre grande perigo de que, caso venha a se desviar, nunca mais encontre o caminho de retorno a fé cristã. O mundo está cada vez mais acelerado, o diabo cada vez mais diabólico e homem cada vez mais endiabrado. Temo a dizer que talvez nunca, em toda a história, o laço do passarinheiro revelou-se tão eficaz quanto nos nossos dias! O escândalo faz cada vez mais seus prisioneiros, trazendo censura ao genuíno ministério cristão na face da Terra (II Co 6.3) por aqueles que acabam julgando tudo e todos pela atitude de alguns." (ESCANDALOSOS E SEUS ESCÂNDALOS, http://apenas-para-argumentar.blogspot.com.br/2013/05/escandalosos-e-seus-escandalos.html)

Por outro lado, um verdadeiro ministro de Cristo também tem cuidado com o ensino. Ele ensina somente a Verdade Bíblica, tendo todo cuidado em se esmerar nesse afã. Ele busca "destilar o ensino" "como o orvalho sobre a relva" (Dt 32.2), num processo de purificação daquilo que ele tenciona ensinar, quer direta, quer indiretamente. Ensino direto é aquele que é ministrado ao povo de Deus; já ensino indireto é aquele que o ministro demonstra aprovar. Nesse ponto, é preciso compreender que quando um ministro cristão permite que um falso ensino (ou mesmo um ensino correto, só que de aplicação particular, com grande potencial de ser generalizado e, com isso, gerar erro) tenha o status de "concordância" por parte dele. Novamente, em tempos modernos, hoje há uma proliferação de "sabedoria" nas redes sociais, onde são circuladas, curtidas (e compartilhadas) frases de efeito, teoricamente atribuídas a líderes cristãos famosos - do passado ou do presente - que trazem lições ou que se referem a verdades particulares. Muitas, inclusive, só fazem sentido se estiverem dentro do contexto onde foram originalmente proferidas (se é que foram proferidas um dia).  Como exemplo, veja a frase abaixo. 


Facilmente é possível perceber que ela possui, no mínimo, dupla interpretação. A primeira delas, direta, traz o ensino de que é desejável, aprazível, correto que o pregador não seja cortês. Noutras palavras, um pregador "correto" deveria ser, portanto, descortês. Só que a palavra "descortês" (aquele que não é cortês) é sinônimo de grosseiro, rude, violento. Pergunto: o correto, por parte de um pregador, é ser rude? É ser grosseiro? É ser violento? Pois é isso que a fase "bem-dita" está dizendo, induzindo diretamente a um erro. Agora, por outro lado, assumindo que foi realmente o ev. Leonard Ravenhill que proferiu essa frase (porque não há citação da referência, de forma a podermos confirmar se é dele mesmo a autoria dessa frase), ela precisa ser interpretada dentro de um contexto. Como não o sabemos, vamos a segunda possibilidade de interpretação - a indireta: o problema do "pregador cortês" é com o quê ele é cortês! Nesse caso, com base na análise da linha teológica e de pensamento do ev. Leonard Ravenhill exarada em seus sermões, obras, etc., (e a Bíblia, sempre) eu diria que o problema é quando o pregador é cortês com o pecado de seus ouvintes, isto é, quando ele suaviza a mensagem que prega para não desagradar aqueles que a ouvem. Percebeu a diferença? Aqui tratei de um exemplo bem simplório, apenas para que o leitor possa entender; pouca repercussão ele gera (a não ser em mentes muito, mas muito confusas). 

Na frase abaixo, faça o mesmo exercício anterior. Qual é interpretação direta? Para que ensino antibíblico moderno essa interpretação direta aponta, com a "chancela" de John Henry Jowett (já que é atribuída a ele)? 


Observe que mesmo o ensino direto, bíblico, precisa vir dentro de um contexto. Já dizia a máxima da hermenêutica: "texto, sem contexto, é pretexto. Só serve para jogar no cesto". Contexto é tudo que vem antes e depois do texto; pode ser um versículo, dois, três; um capítulo, um livro ou toda a Bíblia. Vejamos um exemplo bem simplório: "Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará; porque a este o Pai, Deus, o selou." (Jo 6.27) Fora de qualquer contexto, o que o texto acima parece ensinar? Que o trabalho cotidiano - isto é, ter um emprego, de forma a ter um salário - para se alimentar é (1) perda de tempo e (2) errado; o homem deve trabalhar para o Senhor Jesus (como ou fazendo o quê não sei), de forma que com seu trabalho receba, como pagamento, uma comida que permanece para a vida eterna (ainda ensina salvação por obras!). Percebe quanta baboseira, quanta heresia mesmo, pode ser gerada a partir de um ensino sem contexto (e ainda com a chancela de um ministro de Cristo, o que confere peso de veracidade do ensino)?

Hoje há uma proliferação de falsos ensinos e falsos mestres contra os quais a Igreja de Cristo precisa ser alertada, à luz da Palavra de Deus, pelos genuínos ministros de Cristo. Mais do que nunca, faz eco ao nosso coração a solene e grave advertência do Espírito (I Tm 4.1) quanto à apostasia dos últimos tempos. Hoje, há muitas pessoas que seguem ensinos de homens; outros, que seguem ensino de demônios. O falso ensino tem se misturado com o verdadeiro, e somente a partir do exame sério e comprometido das Escrituras, do ensino bíblico responsável, será possível fazer a distinção entre ambos. Periodicamente, ventos de doutrina sopram contra a Igreja levando muita gente boa, muitos filhos e filhas de Deus, em roda. Portanto, o ministro de Cristo precisa ser sóbrio e ter cuidado com o seu ensino, direto ou indireto. É preciso estudar muito as Escrituras, comparando texto com contexto, além de ler bons comentários, dicionários, enciclopédias e livros de autores reconhecidamente cristãos, de forma a ter clareza bíblica sobre o que vai ensinar.  

Moralmente, é extremamente perigoso que um homem ensine em público o que sua vida prática desmente – perigoso para si mesmo, desonroso para o testemunho e prejudicial para aqueles a quem ensina. Que deplorável e humilhante é para um homem, quando contradiz com sua conduta pessoal e sua vida doméstica a verdade que apresenta publicamente na Igreja. Isto é algo que há de se temer sobremaneira e que terminará indefectivelmente nos resultados mais trágicos. (C. H. Mackintosh, in: http://camposdeboaz.com.br/tem-cuidado-de-ti-mesmo-e-da-doutrina-c-h-mackintosh). Por outro lado, às vezes um falso ensino pode ser gerado pelo simples descuido com aquilo que é teoricamente bíblico e correto, mas mal interpretado ou aplicado; isto se dá às vezes por preguiça e desleixo, às vezes por desconhecimento. O problema está no impacto que isso causa ou possa vir a causar na vida espiritual de uma pessoa. Há erros que não afetam a eternidade e que são passíveis de conserto; há erros que podem fazer com que uma pessoa se perca de Cristo para sempre, apostatando da fé. A pergunta é se vale a pena correr o risco de não ter a salvação, para si ou para os ouvintes, por ensinar o erro (diretamente ou indiretamente, com o tal curte/compartilha/publica/divulga) pelo desmazelo com a própria vida com o ensino propriamente dito.

Lembre-se: A quem muito foi dado, muito será cobrado. Está escrito: "E, a qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou, muito mais se lhe pedirá." (Lc 12.48b)

 Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

TOME A SUA CRUZ E SIGA A CRISTO!



E chamando a si a multidão, com os seus discípulos, disse-lhes: Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, e tome a sua cruz, e siga-me. (Mc 8.34)

Negar a si mesmo e tomar a cruz. Essa é uma instrução dura da parte do Mestre. Especialmente hoje, num mundo onde o soft e o fácil é colocado como meta de vida, essas palavras de Cristo trazem uma profunda crise a alma humana.  "Seguir ao Senhor", nas palavras Dele próprio, envolvem três coisas: (1) negar a si mesmo; (2) tomar a cruz pessoal e (3) segui-Lo. Negar a si mesmo não é negar uma coisa específica, mas sim uma pessoa específica - a si mesmo. É a contramão radical do eu humano, é a mudança diametralmente oposta. É negar - ou dizer um categórico e sonoro "não" - para o eu como determinador dos meus próprios alvos, aspirações e desejos.

Aplique isto mentalmente por um momento em sua própria vida, querido(a) leitor(a). Veja o profundo impacto que causa, ainda que no campo mental, negar a si mesmo! Imagine-se tendo que negar ao seu próprio eu. O eu, que me defende; o eu, que procura o meu bem pessoal; o eu, que me traz prazer e bem-estar; o eu, que dita meu curso de vida; o eu, que impulsiona-me a agir em favor de mim mesmo em qualquer situação, a procurar evitar ao máximo o sofrimento, a perda, a dor. Negar o eu é dizer não a isso tudo. É ser profundamente tentado - pelo eu que ama a si mesmo - a deixar uma situação que fere a esse eu, mas diante dos apelos desse "eu" dizer "não, eu fico nessa situação, por mais dor que ela me causa, porque isso é da vontade do Meu Senhor"! É ter tudo, todas as condições possíveis e imagináveis, para evitar o "aperto d'alma", mas ouvir do Senhor "trate de ficar aí mesmo onde você está! Não te mandei sair, nem ir para lugar nenhum!"

Igualmente doloroso, Nosso Senhor nos manda "tomarmos a nossa própria cruz". Tomar a cruz é assumir a Vontade de Deus para nossa vida, por mais dolorosa, vergonhosa ou humilhante que ela seja. Um fato sobre a Vontade de Deus é que ela pode ser tanto geral, para a Igreja como um todo, quanto específica, isto é, para cada cristão em particular. Por exemplo, o Senhor Jesus chamou 12 homens e fez deles Seus apóstolos. Contudo, Ele escolheu dar a Pedro as chaves do reino. E escolheu dar a Paulo, chamado para ser apóstolo posteriormente, a revelação da Graça de Deus. Segundo a tradição, Pedro morreu crucificado de cabeça para baixo numa cruz; já Paulo foi decapitado por Nero, em 67 d.C. (conforme a tradição da Igreja). É importante entendermos isso, porque a vontade de Deus específica para a vida de um(a) irmã(o) pode ser diferente da vontade de Deus específica para mim. Não devo, portanto, ficar chocado, chateado com Deus ou mesmo sentir-me "menos amado" se Deus deseja que um irmão siga para a sua cruz de uma forma diferente da forma que Ele manda que eu siga para a minha própria cruz. Se a estrada dele é mais longa que a minha, se o Pai requer que eu seja "martirizado" antes de meu irmão, que assim seja! Não devo reclamar com o Pai se isso acontecer, porque o Pai celeste sabe o que é melhor tanto para minha vida quanto para a vida de meu irmão (Rm 8.28 - [...] todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.); Ele, que conhece o interior do homem, sabe quando alguém está pronto para ir a cruz! Afinal, Deus não nos pede coisa alguma que Ele mesmo não proveja as condições - espirituais, emocionais, físicas, etc - de realizarmos.

Note: negar a si mesmo e tomar a cruz não é viver uma vida de ascetismo. Nem mesmo suportar com resignação os problemas que a vida apresenta. É muito mais profundo e complexo que isso! É dizer não ao "eu" e assumir a Vontade de Deus para sua vida! 

Aqui, há uma importante realidade sobre a cruz. A cruz é local de morte. Quando eu tomo a minha cruz, estou assumindo que a cruz é minha, ou seja, é para mim, meu destino final, o local onde entregarei inevitavelmente a minha vida nas mãos de Deus. Sim, a minha vida, a sua vida e a vida de cada verdadeiro cristão na face dessa terra - aquele que verdadeiramente nasceu de novo - tem como propósito glorificar ao Pai de forma derradeira por meio da morte na cruz. Claro que essa morte na cruz, a qual me refiro, é a morte do eu com suas vontades egoístas diante do absoluto da Vontade de Deus para a minha vida. Claro que, em última instância, pode envolver o martírio propriamente dito, se esta for a vontade de Deus para mim. Milhares de cristãos sofreram o martírio na época das perseguições imperiais; outros milhares estão também recebendo o martírio em países fechados ao Evangelho, onde ser cristão é crime punível com a morte. Martirizados pelas mãos de homens extremamente cruéis, que não poupam sequer crianças; homens perversamente malignos, influenciados por Satanás em sua guerra, apelidada de "santa", contra a Igreja. E, digo isto: milhares, quiçá milhões, hão de sofrer o martírio. A violência contra o povo de Deus, contra a Igreja e contra Israel, não terá fim - ainda não.    

Abre parênteses: Lamento dizer isso, mas segundo as profecias bíblicas, nenhum acordo de paz de Israel será duradouro (Zc 12.2,3). Somente o Messias, Jesus (Yeshua) pode trazer a verdadeira paz para a nação de Israel. Tristemente, Israel verá muitos bombardeios e muitas guerras, ideologicamente justificadas como uma "disputa de territórios" pelas nações e pela mídia, mas com o propósito não-declarado de exterminar Israel do mapa. Cabe dizer que os palestinos merecem ter a sua própria terra - isso é justo; porém, é igualmente justo que Israel tenha também a sua própria terra, conquistada no reinado de Davi e reconhecida por direito em 1948. A terra de Israel pertence a Israel, não aos palestinos; foi dada por herança a Isaque, filho de Sara com Abraão, e seus descendentes; não a Ismael, filho de Agar e Abraão, e seus descendentes (Gn 21.10-12). Todo palestino genuinamente convertido a Cristo reconhece o direito de Israel à sua terra. Fecha parênteses.  

Se o martírio for a Vontade de Deus para a sua vida, querido(a) leitor(a), então que assim seja. Se você vive num país onde ser cristão é ser considerado "ovelha para o matadouro" por amor ao Senhor, então ame-O com a sua própria vida. Você é o exemplo de fé para todo o Corpo de Cristo na face dessa terra! Porém, querido(a), se é da vontade do Senhor que você viva uma vida de renúncia de seu próprio eu, e isso até o limite de crucificá-lo na cruz, então glorifique ao Senhor cumprindo a Sua vontade! Somos revestidos de esperança e de fé pelo Senhor, por contemplarmos Seu grandioso exemplo quanto a este mister: "E apartou-se deles cerca de um tiro de pedra; e, pondo-se de joelhos, orava, dizendo: Pai, se queres, passa de mim este cálice; todavia não se faça a minha vontade, mas a tua. E apareceu-lhe um anjo do céu, que o fortalecia. E, posto em agonia, orava mais intensamente. E o seu suor tornou-se em grandes gotas de sangue, que corriam até ao chão." (Lucas 22:41-44) Note como foi doloroso para o próprio Senhor cumprir a Vontade do Pai em Sua vida - Ele chegou a suar grandes gotas de sangue (num fenômeno clínico chamado hematidrose, onde se dá o rompimento das finíssimas veias capilares que estão sob as glândulas sudoríparas, por estresse emocional extremo, o sangue se mistura ao suor e se concentra sobre a pele), tamanha a angústia e ansiedade que o conhecimento dessa Verdade - ser crucificado - trazia à Sua vida! Ele até ora ao Pai para que se fosse possível, se houvesse outro modo, que o Pai o livrasse daquela situação; mas ao mesmo instante Ele diz "não faça a minha vontade, mas a tua". Não faça o que eu quero; o que o meu eu está gritando dentro de mim; mas faça-se, Meu Paizinho querido, a Tua vontade na minha vida!

Que ninguém pense, em momento algum, que Jesus doou-nos a vida dele contrariado, ou forçado. NÃO! Ele dá a sua vida de bom grado - "Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai." (Jo 10.17,18) Ele mesmo disse, diante de seus algozes, que se Ele quisesse poderia "orar a meu Pai, e que ele o daria mais de doze legiões de anjos" (Mt 26.53), isto é, poderia ser livre de todo sofrimento. Ele escolheu dar a Sua vida e nada mudaria isso, pois esta era a Vontade de Deus para Ele - mas com toda a Sua humanidade aqui está o Mestre, orando ao Pai, sabendo que o cálice da ira de Deus, destinado à humanidade, seria oferecido a Ele. Jesus ora e pergunta ao Pai se beber do cálice era o único meio de redimir, de salvar as almas de incontáveis trilhões de pessoas. E ainda assim, sob esta terrível agonia, sentindo as profundas dores que o pecado da humanidade trazia sobre Ele, cuja intensidade somos totalmente incapazes de compreender, lá estava o desejo mais intenso do Senhor que era fazer a Vontade de Seu Pai. Não era da Vontade do Pai que o cálice passasse do Filho - o Filho deveria beber do cálice da ira, e a Vontade do Filho era exatamente essa! Sua oração é respondida de forma sobrenatural, com um anjo sendo imediatamente enviado para O fortalecer, testificando ao mundo que não havia outra maneira de redimir a humanidade perdida.

Abre parênteses: Ele mesmo, o próprio Senhor Jesus, como Anjo do Senhor, havia poupado Isaque de ser oferecido por Abraão em holocausto (num dos montes localizados na terra de Moriá), bradando do céu a Abraão (Gn 22.12). Abraão não negara a Deus seu filho, seu único filho; não seria Deus Pai que negaria o Seu, numa das mais belas provas da fidelidade de Deus e da abrangência de Suas alianças. O sacrifício substitutivo de Cristo por nós é perfeitamente tipificado pelo carneiro oferecido em lugar de Isaque. Segundo muitos mestres da Palavra de Deus, exatamente naquele monte, na região de Moriá, é que ficava o calvário no qual Cristo seria crucificado muitos anos depois. Fecha parênteses.

A instrução do Senhor para quem quer segui-Lo ainda é a mesma atualmente: negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-O. Num mundo cada vez mais hedonista, onde o prazer e a satisfação pessoal são colocados como objetivos de vida, é ainda mais confrontadora e desafiadora. São poucas as pessoas que realmente vivem suas vidas conforme esta instrução e, quem escolhe viver assim, vive sob constante guerra consigo mesmo, travada no interior, nas profundezas da alma humana. Porém, estes, que escolheram viver para satisfazer a Vontade do Mestre, cujo prazer maior é obedecê-Lo acima de qualquer coisa - até de si mesmo -, estes tem o suporte de Deus nas horas mais soturnas desta vida. Exatamente como o Mestre, podemos estar certos de que haverá socorro divino na hora que mais precisarmos. Os anjos são espíritos ministradores enviados a nosso favor; devemos crer no ministério dos anjos e aceitá-lo em nossa vida. Deus enviará do céu a força necessária para vivermos para Ele; Ele estenderá Sua mão poderosa sobre nossa vida.

Viva a sua vida segundo a Vontade de Deus, querido(a) leitor(a). A Vontade de Deus é boa, perfeita e agradável (Rm 12.2) e viver segundo ela é a garantia de viver uma vida que agrada ao Pai. Precisamos nos identificar com Cristo neste nível, se quisermos sair do nominalismo religioso de fachada, isto é, sermos realmente seus seguidores. Só é seguidor de Jesus quem prioriza fazer a Vontade de Deus acima da sua própria.

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

domingo, 20 de dezembro de 2015

E SE O SENHOR JESUS RESOLVESSE VISITAR UMA IGREJA...

Amados, essa postagem foi publicada originalmente no blog UMAP-VCA (http://umap-vca.blogspot.com.br/2009/09/jesus-visita-uma-igreja.html). Reproduzo aqui, para reflexão dos leitores.
Graça e paz!

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Foi um encontro inusitado. Jesus estava passeando pelas ruas de Brasília, passou pela rodoviária do Plano, aquela multidão, ninguém o reconheceu. Viu um jovem a passos largos, bíblia embaixo do braço, se aproximou:
- Olá rapaz! Jesus aborda o jovem que apressa ainda mais o passo.
- Olá moço. Desculpe, estou com pressa. O jovem demonstrou desgosto pela interrupção do estranho.
- Tudo bem, eu que me desculpo pela interrupção. Jesus conhecia os seus pensamentos. Você está indo a algum lugar especial? - Estou indo para a igreja!
- Indo à igreja?
- É! Frequento a Igreja Pentecostal dos Milagres de Jesus... Pô, eu estou com pressa, o culto já começou, dá para dar licença. O jovem quase começa a correr, tentando se esquivar daquela situação desagradável com o estranho. Alguém que aborda o outro na rua, não deve ter boas intenções.
- Igreja Pente... (imagine a cara de Jesus nesse momento). Posso ir com você? - Ãããã... Vamos, não tem problema. Mas ai se alguém perguntar você fala que frequenta a minha célula.
- ...
Já na entrada do templo ambos são recebidos por um diácono que prontamente indica um local com cadeiras vazias.
- Quem é? Jesus pergunta apontando o diácono com a cabeça.
- É o Diácono Manoel.
- Ahhhh. Ele que cuida dos pobres e zela para que na igreja não tenha nenhum necessitado? - Hein???? O Manoel? Ele é diácono, não a Madre Tereza. Fica quieto senão ele vem aqui. Pô, nunca veio em uma igreja não? Senta ai...
- Na verdade ir a igreja é um conceito novo para mim, sempre preferi fazer parte do Corpo. Mas e você, como anda sua vida? O que... - Psssssiiiuuu. O jovem interrompe bruscamente a conversa. Fica quieto ai! O pastor tá pregando lá, tá vendo não?
- Mas, aqui não é a igreja? O local onde se reúnem os filhos de Deus? Onde a família do Pai celestial se junta em um só coração, compartilham suas vidas necessidades, se ajudam mutuamente? - Cara, de que planeta você veio hein??? Aqui é igreja, tá viajando? A gente vem, escuta a palavra, dá a oferta e vai embora. O jovem acha graça daquele estranho, com idéias totalmente novas e desconhecidas.
- Mas e quando vocês conversam? - No fim do culto ué! Caaara, vou acabar com problemas por causa dessa conversa. Sou aspirante e o Manoel tá me filmando lá da porta.
- Então quando acaba o culto é que a igreja se relaciona? O culto não é o momento no qual o meu ... o Corpo de Cristo manifesta a graça do Espírito? Um tem salmo, outro ensino, outro revelação... e todos falam para edificação mútua? - Vééééiiii. De onde você tira essas idéias malucas? Para você falar algo tem que ter 12 discípulos, ai se candidata a aspirante. Quando for promovido a oficial pode falar na célula. Meu, pelo menos fala que é da minha célula viu?? Você já me queimou mesmo com essa falação toda. Se ficar de boa eu te levo para conhecer meu líder ai você fala essas paradas com ele.
- Então, na célula vocês compartilham suas necessidades, dons e graça do Espírito? - Não rapá, a célula é para ganhar mais pessoas para Jesus!!!!
- Ganhar... para Jesus? E depois, o que fazem com quem vocês dizem que ganharam? - A gente põe eles para abrir novas células, lógico!
- Entendo, foi bom falar contigo. Jesus se levanta no meio da palavra e estende a mão ao jovem. - Ué não vai assistir o culto?
- Não, obrigado, não sou muito de assistir... vou lá fora cultuar.
O jovem fica triste, pois Jesus saiu antes do apelo e ele viu que perdeu a oportunidade de levar mais um para sua célula. Após o término do culto, a caminho da rodoviária do Plano ele vê Jesus, sentado, cercado de pessoas de má índole, conversando alegremente. Não consegue se segurar:
- Owwww, você não disse que ia sair da igreja para cultuar??? O que está fazendo então cercado desses mundanos pecadores????
Não leve essa história herética a sério. Todos nós sabemos que para Jesus o que fazemos não é novidade!

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E se fosse na sua igreja, como o Senhor seria recebido? Qual seria o seu diálogo com Ele?
Será que não inovamos demais no culto e na igreja?

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

 

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

RAZÕES DE UM RACHA: ROBOÃO E SEUS CONSELHEIROS

"E FOI Roboão para Siquém; porque todo o Israel se reuniu em Siquém, para o fazerem rei. Sucedeu que, Jeroboão, filho de Nebate, achando-se ainda no Egito, para onde fugira de diante do rei Salomão, voltou do Egito, Porque mandaram chamá-lo; veio, pois, Jeroboão e toda a congregação de Israel, e falaram a Roboão, dizendo: Teu pai agravou o nosso jugo; agora, pois, alivia tu a dura servidão de teu pai, e o pesado jugo que nos impôs, e nós te serviremos. E ele lhes disse: Ide-vos até ao terceiro dia, e então voltai a mim. E o povo se foi. E teve o rei Roboão conselho com os anciãos que estiveram na presença de Salomão, seu pai, quando este ainda vivia, dizendo: Como aconselhais vós que se responda a este povo? E eles lhe falaram, dizendo: Se hoje fores servo deste povo, e o servires, e respondendo-lhe, lhe falares boas palavras, todos os dias serão teus servos. Porém ele deixou o conselho que os anciãos lhe tinham dado, e teve conselho com os jovens que haviam crescido com ele, que estavam diante dele. E disse-lhes: Que aconselhais vós que respondamos a este povo, que me falou, dizendo: Alivia o jugo que teu pai nos impôs? E os jovens que haviam crescido com ele lhe falaram: Assim dirás a este povo que te falou: Teu pai fez pesadíssimo o nosso jugo, mas tu o alivia de sobre nós; assim lhe falarás: Meu dedo mínimo é mais grosso do que os lombos de meu pai. Assim que, se meu pai vos carregou de um jugo pesado, ainda eu aumentarei o vosso jugo; meu pai vos castigou com açoites, porém eu vos castigarei com escorpiões. Veio, pois, Jeroboão e todo o povo, ao terceiro dia, a Roboão, como o rei havia ordenado, dizendo: Voltai a mim ao terceiro dia. E o rei respondeu ao povo duramente; porque deixara o conselho que os anciãos lhe haviam dado. E lhe falou conforme ao conselho dos jovens, dizendo: Meu pai agravou o vosso jugo, porém eu ainda aumentarei o vosso jugo; meu pai vos castigou com açoites, porém eu vos castigarei com escorpiões. O rei, pois, não deu ouvidos ao povo; porque esta revolta vinha do SENHOR, para confirmar a palavra que o SENHOR tinha falado pelo ministério de Aías, o silonita, a Jeroboão, filho de Nebate." (I Reis 12:1-15)

O texto bíblico acima revela os acontecimentos que imediatamente antecederam a cisão de Israel em dois reinos, o reino do Norte (Israel), com as  tribos de Rubem, Simeão, Dã, Naftali, Gade, Aser, Issacar, Zebulom, Efraim e Manasses (capital: Samaria) e o reino do Sul (Judá), com as tribos de Judá e Benjamim (capital: Jerusalém). A grande nação, conquistada finalmente por Davi e de grande prosperidade material e espiritual na época de Salomão estava agora sendo dividida. Os livros de I e II Reis e II Crônicas vão mostrar o triste estado do povo de Deus, que culminará no cativeiro.  O Templo de Jerusalém, construído por Salomão em 7 anos, considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo, foi destruído por Nabucodonosor, rei de Babilônia, em 586 antes de Cristo, que levou todos seus tesouros para a Babilônia. Vale dizer que quando Salomão dedicou esse grandioso Templo ao Senhor, com a presença confirmatória do Shekiná, o próprio Senhor aparece a Salomão uma segunda vez e lhe advertiu sobre a possibilidade da destruição do Templo (I Reis 9:6-9). Isso sem mencionar que inúmeras vezes o Senhor adverte sobre Seu juízo e consequente cativeiro de Seu povo.

Porém, vamos nos ater por um momento ao texto de I Reis 12:1-15. Como facilmente se percebe, a história da divisão de Israel tem um componente espiritual e um componente humano. A bem da verdade, todas as coisas que acontecem no mundo físico tem um componente espiritual. Diga-se ainda que esse fato, de haver uma componente espiritual em todas as coisas que o homem faz, não elimina o livre-arbítrio humano: o homem faz o que quer fazer, o que entende como bem e o que entende como mal. O homem faz suas escolhas pessoais e coletivas. O homem não perdeu seu livre-arbítrio, sua capacidade de escolha, com a queda no Éden (como postulam os teólogos adeptos do calvinismo), ainda que todas as suas decisões ficaram passíveis de serem influenciadas pelo pecado, assim como todo o seu ser.

Voltando ao texto, esse componente humano de que falamos anteriormente é a decisão. A escolha que Roboão, rei de Israel, faz conscientemente acerca do pedido que lhe fora feito por Jeroboão e toda congregação de Israel de aliviar os altos impostos (tributos) que vinham sendo cobrados desde a época de Salomão. Diante desse pedido, o que Roboão faz? Ele vai consultar os anciãos que estiveram na presença de Salomão quando este ainda era vivo. Ele inicialmente faz, portanto, a coisa certa: ele consulta os anciãos, experientes conselheiros de Salomão.

É interessante notar o valor que a Bíblia dá aos anciãos. Por exemplo, no Antigo Testamento, o Senhor ordenou que Moisés ajuntasse 70 homens dos anciãos de Israel e seus oficiais, para auxiliarem Moisés na tarefa de "levar a carga do povo" (Nm 11.16,17). Eram os anciãos que faziam a parte prática da expiação por um morto desconhecido (Dt 21). Nos sacrifícios pelos pecados do povo, os anciãos tinham a tarefa de impor as suas mãos sobre a cabeça do novilho (Lv 4.15). Os anciãos decidiam e executavam o castigo quando um homem, após coabitar com uma mulher, a desprezava,  lhe imputando coisas escandalosas, e contra ela divulgava má fama ("não a achei virgem") (Dt 22.13-19). Julgavam também outras causas, como o dever de cunhado (Dt 25.7-9). O caos moral e espiritual apresentado no livro de Josué tem como uma das principais causas a morte de Josué e dos anciãos de Israel (Js 2.7-12). No Livro de Rute, aos anciãos foi apresentada a causa de Boaz como remidor (Rute cap. 4). No Livro de Esdras, é dito que "os olhos de Deus estavam sobre os anciãos dos judeus" (Ed 5.5). No Novo Testamento, no Livro de Atos, é dito que eram eleitos anciãos em cada igreja (At 14.23). Paulo e Barnabé levaram o caso do papel da circuncisão na salvação dos crentes aos "apóstolos e aos anciãos" em Jerusalém (At 15). Pedro ordena que na Igreja os jovens sejam sujeitos aos anciãos (I Pe 5.5). Até no Céu há anciãos (Ap 4)! Mesmo nos desvios do povo de Deus, quer no Velho quer no Novo Testamento, vemos em evidência a figura dos anciãos.

Roboão consultou corretamente o conselho dos anciãos. O problema é que ele "deixou o conselho que os anciãos lhe tinham dado, e teve conselho com os jovens que haviam crescido com ele". Ele não confiou no conselho dado pelos mais experientes, que já haviam vivido muitas coisas com seu pai Salomão; e resolveu consultar o conselho da moçada.Veja: ele podia ter até consultado o conselho dos jovens também; esse não foi o problema. O problema é que diante dos dois conselhos, ele resolveu seguir o conselhos dos jovens, que nesse caso específico era um conselho maligno. Roboão não sabia discernir qual era o conselho mais sábio dentre os dois e, assim, preferiu confiar na amizade em detrimento da experiência e maturidade. E isso culminou no "racha" de Israel.

Um mau conselho pode fazer muitos estragos, em todos os aspectos. Note: um conselho pode ser mau independentemente da intenção do conselheiro. É possível, hipoteticamente falando, que os jovens conselheiros de Roboão não deram o mau conselho por malícia, para ver Roboão se dar mal; apenas não tinham condições de aconselhar. Foram elevados à condição de conselheiros do rei por terem crescido com Roboão, por pura amizade, não por terem real condição de exercer essa função. E assim, como não tinham condições de aconselhar, mas eram conselheiros, o conselho daqueles jovens foi ruim. Note que Roboão teve, aqui, no mínimo dois erros: primeiro, levantou conselheiros que não tinham condição de sê-lo, por conveniência e amizade; segundo, sendo rei de Israel, não soube discernir qual conselho - dos jovens ou dos anciãos - era bom.

Infelizmente, hoje há muitos que, como Roboão, erram nas mesmas coisas! Quer na vida particular, quer na vida ministerial, estão a "levantar conselheiros" por amizade e conveniência, não por suas qualificações. Assim, por exemplo, a mulher que experimenta alguma crise em seu casamento vai buscar conselho com a amiga que vê o casamento como supérfluo (não como uma aliança). O homem, na mesma crise, elege como seu confidente e conselheiro o amigo leviano. O(a) jovem, em crise com sua sexualidade, vai buscar conselho com alguém que considera a questão à maneira do "tanto faz". O crente, diante de questões espirituais e emocionais, vai buscar conselho com o amigo descrente, confidenciando para ele suas mais profundas crises. O pastor levanta seu presbitério por conveniência (interesse financeiro, capacidade de controle, etc), desprezando os mais antigos que com ele estão desde o início da obra.

Outro ponto importante é o discernir o conselho. Às vezes, nem mesmo o conselho de um crente ou pastor é um bom conselho; já vi casos onde o conselho pastoral foi um desastre completo, que quase acabou em agressão física. Por outro lado, tem muita gente por aí, dentro e fora de Igreja, aconselhando com "segundas intenções". Como discernir se o conselho dado é bom ou mal? Primeiramente, é preciso ter maturidade. Se você é uma pessoa imatura, a coisa complica, porque o imaturo via de regra é levado por suas emoções, não pela razão. Ele não pondera, não reflete, não pensa, mas age na base do impulso. É preciso então averiguar se a decisão foi escolhida na base da auto-determinação, ou seja, o conselho será seguido se ele for exatamente de acordo com aquilo que a pessoa desejava ouvir do conselheiro, ou se o conselho será seguido porque é aquilo que a pessoa precisava ouvir do conselheiro. Há pessoas que nos aconselham segundo aquilo que sabem que queremos para nos agradar e nós tenderemos fortemente a fazer aquilo que nos agrada.

É preciso aprender a discernir os conselhos. Muitas pessoas se prejudicaram ouvindo "conselhos errados". Saber separar as coisas, por exemplo, conselhos bons dos maus, não é o bastante ainda. É preciso escolher entre um e outro. O Salmo 1 nos ensina como discernir o conselho - meditando na Palavra do Senhor. No conselho dos jovens a Roboão, ficou claro a contrariedade com a Palavra. A opressão jamais será algo da parte de Deus. Seguindo o conselho dos jovens, Roboão disse que iria oprimir ainda mais o povo, o que acabou causando o racha na nação. Relacionamentos desfeitos, famílias arruinadas, Igrejas rachadas, ministérios rachados... tudo porque "Roboão" resolveu seguir o caminho da opressão, da dureza, até da tirania; menosprezou o conselho dos anciãos e abraçou o dos jovens. "Puxe mais a corda", "leve ao extremo", "mine as forças"; vamos ver "até onde ele aguenta".  No texto em questão, o conselho dos anciãos a Roboão era para que ele tivesse sensibilidade de perceber que o povo estava cansado, vinha de um período difícil e precisava de um alívio. Roboão deveria tratar o povo com respeito, bondade, discernimento, ética, sensibilidade, sem discriminação, generosidade, verdade, paciência, humildade, justiça, sabedoria.

Note o conselho dos jovens a Roboão: oprima ainda mais este povo! Aumente os impostos! Lucro! Grana! Na cabeça daquela moçada, as pessoas valem o quanto pesam. Só tem valor se e por gerarem recursos para o reino. Não é à-toa que Tiago nos diz que "o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males; e nessa cobiça alguns se desviaram da fé, e se traspassaram a si mesmos com muitas dores." (Tg 6.10) Há gente desviada da fé pela cobiça ao dinheiro! Há gente hoje que está a Casa de Deus, falando em nome de Deus, que na realidade está perdida de Deus! Perderam-se de Deus, perderam-se seguindo o caminho da opressão que o amor ao dinheiro exerce. Venderam seus ministérios, venderam sua ética! E hoje estão "fazendo da piedade fonte de lucro", ou seja, vendendo serviços religiosos! Isso precisa ser considerado com muito cuidado: tem gente perdendo a fé por causa de grana! Mais do que nunca, há uma pressão infernal em nossos dias para se ter sucesso na vida, e esse sucesso é medido por quanto dinheiro você tem! Pelo poder - financeiro, político, até espiritual - que a pessoa possui! Hoje, por exemplo, "pastor de sucesso" é pastor que "faz crescer" numericamente a Igreja - esses são ovacionados publicamente; são parabenizados e postos como "exemplo" para os demais. Não importa quantos princípios bíblicos o sujeito tenha quebrado para chegar a isso; não importa se ele vendeu a si mesmo e a mensagem. E o conselho - falado ou demonstrado - é o mesmo de Roboão: "traga lucro", "faça prosperar financeiramente o tesouro real", que com isso "você demonstrará que governa bem Israel". O texto bíblico não diz isso, mas talvez, hipoteticamente falando, é possível que o aumento dos impostos trouxesse mais regalias para aqueles jovens conselheiros e por isso eles deram tal conselho. Hipoteticamente falando... 

Quer um conselho? Cuidado com tais pessoas, que aconselham por interesses pessoais e à luz daquilo que seu coração anseia. Isso sempre acaba em problema, em crise, em racha. Há ações que trarão consequências que se estenderão por toda uma vida. Busque ao Senhor, medite na Palavra, aprenda a discernir o bem e o mal. Não seja como Roboão, mas dê ouvidos àqueles que segundo Deus transmitem a Palavra do Senhor para direcionar sua vida no Caminho santo. Não despreze um bom conselho, só porque você não concorda com ele; e não despreze uma pessoa, só porque não concorda com ela. Analise todas as coisas, retenha o que for bom!

Pense nisso! Deus está te dando visão de águia!

terça-feira, 29 de setembro de 2015

A PROFECIA DE JOEL E AS LUAS DE SANGUE

"E mostrarei prodígios no céu, e na terra, sangue e fogo, e colunas de fumaça. O sol se converterá em trevas, e a lua em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do SENHOR." (Joel 2:30,31)

TODAS as profecias bíblicas têm seu cumprimento garantido por Deus. Se o Senhor prometeu algo, Ele é fiel e justo para cumprir cada promessa. Nenhuma das profecias bíblicas jamais caiu por terra, elas jamais deixaram de se cumprir. Algumas delas, ainda mais, são cumpridas em mais de uma ocasião na história humana; nesses casos, devemos sempre esperar ainda um cumprimento derradeiro e definitivo. Assim, por exemplo, é o caso do cumprimento das profecias de Daniel, como no caso da interpretação do sonho de Nabucodonosor da estátua feita de muitos materiais (Dn 2), da visão dos 4 animais (Dn 7), do carneiro e do bode (Dn 8) e das 70 semanas; de muitas das profecias de Ezequiel (como por exemplo Ez 37 comp. com Rm 11); de muitas das profecias de Isaías e de outros profetas, além de, é claro, das profecias registradas no Novo Testamento.

As profecias bíblicas, quando mal-interpretadas, isto é, interpretadas fora de seu contexto (porque a Bíblia é um livro de texto com contexto, sempre), geram no coração de muitas pessoas temor e assombro.  Por exemplo, com relação a Segunda Vinda de Cristo, inúmeras pessoas e grupos religiosos já tentaram (e alguns ainda tentam) predizer a data deste grandioso evento profético (em desobediência clara a Marcos 13:32): em 1533 o pregador anabatista Melchior Hoffmann anunciou o retorno do Senhor para o 15º aniversário da sua morte; em 1843 o pregador metodista William Miller anunciou o apocalipse para 3 de abril, depois 7 de julho, depois 21/03/1844 e por fim para o dia 22 de outubro de 1844, levando 50.000 pessoas a aguardarem a vinda do Senhor - a não-vinda ficou conhecida como "Grande Decepção" (Jean-Yves Leloup; O Apocalipse de João. Ed. Vozes, 2014). Ressalte-se que muitos venderam suas propriedades, deixaram seus empregos e casas e muitos abandonaram suas denominações; multidões ficaram na rua esperando o cumprimento da profecia para aquela data marcada e nada aconteceu.  

Desse desapontamento de 1844, surgiram as Testemunhas de Jeová, que vez por outra vem tentando inutilmente descobrir a data do fim. Mais modernamente, em janeiro de 1992, mais uma tentativa vazia de agenda o fim do mundo - "Jesus voltará no ano de 2007 num dia de sábado" - é o que foi dito pela pastora, hoje apóstola Valnice Milhomens. Harold Camping, líder da seita americana Family Radio, "agendou o fim" para 21/05/2011, quando então 200 milhões de pessoas seriam arrebatadas; minutos após o Arrebatamento, começaria um juízo final de cinco meses, de acordo com o versículo bíblico Apocalipse 9:5, e após esses cinco meses (21 de outubro de 2011), esse mundo seria destruído com fogo (Camping na verdade reagendou o fim do mundo em várias ocasiões, como por exemplo para 06/09/1994; nada acontecendo também neste dia, Camping marcou nova data para 3 de abril de 1996 mas, como das outras vezes, Jesus também não voltou). Como a profecia do Harold Camping para esse dia não se concretizou, ele remarcou o fim do mundo para 21 de outubro de 2011. Nada aconteceu, novamente.     

Esses "secretários de Deus",  que tentam em vão marcarem datas para o fim do mundo, estão baseados em interpretações errôneas das Escrituras; alguns, contudo, tem como base eventos catastróficos na natureza ou na sociedade. Assim, por exemplo, o evento natural conhecido como "Luas de Sangue" (como lhe chamam os leigos) fez com que alguns pastores, sacerdotes e fiéis cristãos "indubitavelmente" ensinem que o quarto e último eclipse da tétrade lunar cumprirá as profecias bíblicas do Apocalipse. O fenômeno, registrado pela primeira vez a 15 de abril de 2014, repetiu-se no dia 8 de outubro, voltou a ocorrer a 4 de abril de 2015 e  28 de setembro de 2015, completando o que se chama uma tétrade lunar, o que deveria marcar o início do fim do mundo para esses cristãos. Assim, para o pastor norte-americano John C. Hagee, o fenômeno tem relação com as profecias registradas no Livro de Joel 2:30,31 e de Apocalipse 6:12.O que aconteceu? Novamente, o mundo não acabou.

Qual é o problemas desses agendamentos? Será que as profecias envolvidas não são verdadeiras? A resposta é não; todas as profecias bíblicas são verdadeiras, como dito no início desse texto. O problema está, então, na interpretação dessas profecias. Vale a pena, então, reexaminarmos a profecia de Joel cap. 2, e buscar primeiro compreender como se deu e como se dará o seu cumprimento, à luz da história bíblica e da própria Bíblia. Assim, portanto, na História Bíblica, julgamentos particulares sobre reis e nações são freqüentemente descritos em termos tais como corretamente pertencem ao juízo geral e conflagração dos céus e da terra. As expressões utilizadas em Joel cap. 2, em seu sentido literal, falam do impedimento da luz vinda do sol e da lua conjuntamente, o que pode dar-se tanto por eclipses como por qualquer outra causa, como talvez, no momento aqui referido, pela prodigiosa quantidade de fumaça proveniente da queima das cidades, vilas e aldeias em redor, e também da própria Jerusalém, que, sem dúvida, foi suficiente para obscurecer os luminares celestes por algum tempo.

Por outro lado, é bom constatar que essa profecia está ligada indubitavelmente ao derramamento do Espírito Santo sobre toda carne - "E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões, e também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito." (Jl 2.28,29) Conforme o apóstolo Pedro, o cumprimento dessa profecia de Joel deu-se no dia de Pentecostes em Atos cap. 2. Porém, não houve o cumprimento de toda ela, pois ainda resta cumprir a outra porção da profecia - "E farei aparecer prodígios em cima, no céu; E sinais em baixo na terra, Sangue, fogo e vapor de fumo. O sol se converterá em trevas, E a lua em sangue, Antes de chegar o grande e glorioso dia do Senhor" (At 2.19,20). Segundo o Jamieson-Fausset-Brown Bible Commentary relata,  essa porção se cumpriu antes da destruição de Jerusalém segundo Flávio Josefo [Josephus, Wars of the Jews - http://www.gutenberg.org/files/2850/2850-h/2850-h.htm]. É interessante destacar que essa porção tampouco aconteceu nos dias do derramamento do Espírito na Rua Asuza, no séc. XX, onde mais uma vez esta seção específica da profecia de Joel teve seu cumprimento, do derramar do Espírito. Isso nos leva a crer que a seção da profecia de Joel 2:30,31 que fala sobre os prodígios no céu e sinais na terra - sol se convertendo em trevas e lua em sangue - ainda se cumprirá na história humana, "antes de chegar o grande e terrível dia do Senhor".

Conforme o Matthew Poole's Commentary registra sobre esse texto de Joel, "o sol se converterá em trevas", ele será grandemente obscurecido; enquanto isso, "a lua se converterá em sangue", quer por eclipse, ou pela intervenção de vapores gerados nos locais onde há grande matança e efusão de sangue. Esta profecia foi cumprida em parte na devastação de Jerusalém, mas deve ser cumprida integralmente e, finalmente, no dia do juízo, e na consumação do mundo. Já para o Gill's Exposition of the Entire Bible, a frase "o sol se converterá em trevas e a lua em sangue" seria uma figura de linguagem, representando a imensa quantidade de nuvens de fumaça decorrentes da queima de vilas e cidades quando da destruição de Jerusalém pelos Romanos. Para esses dois comentários bíblicos, a mudança de coloração nos dois grandes luminares é resultado de nuvens de poeira e outros detritos, resultantes de terríveis batalhas na Terra; a mudança na coloração seria, portanto, segundo a ótica de quem olha da terra para o céu, que vê os luminares à luz das condições da terra. É possível que a profecia aponte para eventos físicos reais, como eclipses não-usuais; essa é a posição defendida no comentário Cambridge Bible for Schools and Colleges. Nesse caso, a mudança dos luminares seria resultado de eventos cosmológicos, sendo a visão de quem olha sem nenhum tipo de obstáculo. Esse comentário, contudo, afirma ser possível também tratar-se, mesmo que parcialmente, de obscurecimentos não-usuais do sol ou lua por distúrbios atmosféricos.

Como explicar o fenômeno que ocorreu em 2014 e 2015? Do ponto de vista físico é bem simples: uma lua de sangue é um eclipse lunar total, quando a Terra fica entre a Lua e o Sol. Como a Terra bloqueia a luz do Sol, a única coloração que emerge através da atmosfera terrestre é vermelha, lançando uma cor vermelho-sangue sobre a Lua. O astronômo italiano Giovanni Schiaparelli calculou que a ocorrência das tétrades varia ao longo dos séculos. Num intervalo de 300 anos há diversas tétrades lunares, enquanto noutros 300 anos não há nenhum. Por exemplo, os anos entre 1852 e 1908 não houve nenhuma tétrade, enquanto nos próximos 3 séculos teremos 17 tétrades (contando entre os anos de 1909 a 2156). (http://www.centrometeoitaliano.it/astronomia-spazio/eclissi-totale-di-luna-della-tetrade-in-arrivo-8-ottobre-20191/) A cor vermelha deve-se à luz que atravessa as camadas da atmosfera da Terra e se desviam para dentro da sombra. A principal luz que se desvia nessa direção é a luz vermelha que, no momento do eclipse, atinge a superfície lunar. Esse efeito ondulatório é chamado de dispersão de Rayleigh.

E espiritualmente, há alguma explicação? Sim, sem sombra de dúvida. A primeira explicação encontramos no Livro de Salmos: "Os céus declaram a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos." (Sl 19.1) Ou seja, as tétrades anunciam a existência, beleza, magnificência, poder, grandiosidade, inteligência e amor do Supremo Criador do Universo, de Deus, o Soberano do Universo! Elas mostram que a criação não é fruto do acaso ou do caos, mas sim é obra de Um Ser Pessoal e Inteligente - e muito acima da criação que Ele fez. Elas mostram a criatividade e, porque não, o bom humor de Deus! E não só as tétrades apontam para Ele; mas toda a criação evidencia de forma gritante a existência do Supremo Criador, Aquele por quem são todas as coisas, Jesus: "Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele." (Cl 1.16,17)

Há mais alguma explicação espiritual, que possamos reconhecer para este fenômeno, segundo as Escrituras? Sim, há. Ela se encontra em Lucas 21:11: "E haverá em vários lugares grandes terremotos, e fomes e pestilências; haverá também coisas espantosas, e grandes sinais do céu". Ou seja, são "sinais no céu". Sinais que antecedem a Vinda do Senhor. Vale lembrar o que o Senhor nos exortou: "E, logo depois da aflição daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz, e as estrelas cairão do céu, e as potências dos céus serão abaladas." (Mt 24.29) Ainda não chegamos naqueles dias preditos por Nosso Senhor. Mas estamos caminhando para eles, sem dúvida alguma.

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

quarta-feira, 16 de setembro de 2015

SEXO E CASTIGO: O QUE É AMAR O PECADOR?

 
10 Não erreis: nem os devassos, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os efeminados, nem os sodomitas, nem os ladrões, nem os avarentos, nem os bêbados, nem os maldizentes, nem os roubadores herdarão o reino de Deus. 11 E é o que alguns têm sido; mas haveis sido lavados, mas haveis sido santificados, mas haveis sido justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus. (I Coríntios 6)

Devassos (gr. pornoi, envolvendo toda uma classe de práticas sexuais reprovadas por Deus), idólatras, adúlteros, efeminados (gr. malakoi), sodomitas (gr. arsenokoitai, homossexuais), ladrões, avarentos... práticas que desagradam a Deus, pecados do ponto de vista bíblico, ao ponto de impedir que a pessoa que os comete e neles insiste, como prática de vida, herde o reino de Deus. O texto é bem direto nesse ensino, sendo o mesmo do Antigo Testamento, o que revela o pensamento de Deus sobre estas práticas, reprovando as mesmas.
 
Até aqui, esse assunto está bem consolidado no âmbito da fé cristã bíblica. Milhares de comentaristas cristãos,  de hermeneutas, de teólogos, de pastores e lideranças das mais diversas denominações, com os mais diversos títulos e experiências acadêmicas e com Deus, vem ensinando há séculos exatamente o que o apóstolo Paulo ensinou no início da Igreja, com ampla concordância nos mais variados manuscritos existentes e reconhecidos. E o ensino é um só: não entrarão no reino de Deus os que tais coisas praticam. Ponto.

Porém, após mencionar toda uma classe de pecados que impedem a entrada no Reino de Deus, Paulo continua sua exortação aos Coríntios, dizendo que aqueles irmãos tinham sido exatamente isso - sodomitas, adúlteros, devassos, efeminados, etc. Esta era a descrição da maneira que viviam antes de nascerem de novo! E somente deixaram de sê-lo porque na vida daqueles irmãos agiu o poder de Deus, operou neles a salvação, qual seja a lavagem da água pela Palavra de Deus, santificados e justificados "em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus". Mas como esse poder agiu na vida dessas pessoas? Ora, pelo Evangelho, que é poder de Deus para salvação de todo o que nele crê (Rm 1.16)!
 
O que é Evangelho? Qual é a mensagem do Evangelho? Esse ponto é crucial. Se não entendemos o que é o evangelho e o que ele ensina, jamais alcançaremos a salvação. O que a Bíblia diz sobre isso? "E, depois que João foi entregue à prisão, veio Jesus para a Galiléia, pregando o evangelho do reino de Deus, E dizendo: O tempo está cumprido, e o reino de Deus está próximo. Arrependei-vos, e crede no evangelho." (Marcos 1:14,15) O texto diz que Jesus pregava o evangelho. E no que consistia a pregação do evangelho de Jesus? O que ele dizia? Ele dizia que o tempo estava cumprido, e o reino de Deus está próximo, chamando as pessoas ao arrependimento e à fé no próprio evangelho! O que Jesus queria dizer com "o tempo está cumprido"? Que tempo é esse que havia chegado ao final? Jesus responde: "Porque todos os profetas e a lei profetizaram até João." (Mt 11.13) Ou seja, o tempo que estava cumprido era o tempo da profecia dos profetas e da lei!

Precisamos entender que a Lei de Deus foi dada ao homem para acabar com a auto-justificativa humana, com o orgulho humano que a si mesmo vê-se como muito bom, correto e perfeito, não como um meio de salvação. A Lei é ruim? De modo algum! Paulo diz que ela é santa, e o mandamento santo, justo e bom. A lei é espiritual. Porém, ninguém jamais consegui cumprir a Lei (com exceção de Jesus, o Deus que se fez carne); somos carnais e não conseguimos cumprir a Lei de Deus. Para ser justificado com base na Lei, que é espiritual, era preciso cumpri-la na integralidade, algo impossível para quem desde o Éden está morto espiritualmente em delitos e pecados. É impossível um morto espiritual poder cumprir algo puramente espiritual! O próprio apóstolo assevera: "Ora, nós sabemos que tudo o que a lei diz, aos que estão debaixo da lei o diz, para que toda a boca esteja fechada e todo o mundo seja condenável diante de Deus. Por isso nenhuma carne será justificada diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado." (Rm 3.19,20 - grifo adicionado). A Lei mostrou que somos pecadores inveterados, escravos do pecado, mesmo que não gostemos dele! Portanto, o resultado da tentativa humana em cumprir a Lei será sempre o mesmo: pecado! Fracasso! É exatamente essa a mensagem dos profetas - vocês não cumpriram a Lei, as maldições da quebra da Lei estão sobre vocês! A Lei condena, encerra toda humanidade debaixo de pecado; os profetas, falando no lugar de Deus a Palavra de Deus confirmam a transgressão da humanidade!
 
Jesus, portanto, dizia que esse tempo - da lei e dos profetas - estava cumprido! Noutras palavras, acabou! Chega de tentar cumprir a lei, porque vocês não vão conseguir de jeito nenhum! Acabou a chance! Pára tudo! Vocês tentaram, tentaram, tentaram e não conseguiram! Eu deixei que vocês tentassem cumprir a Lei, mas ninguém conseguiu! Agora chega, acabaram as tentativas! O que fazer diante disso? Só tem uma coisa a fazer - confessar-se como fracassado! "Senhor, eu tentei cumprir a Lei, mas quebrei a cara! Eu achei que podia, que era bom, que dava conta, mas acumulei fracasso sobre fracasso, pecado sobre pecado! Senhor, eu sou todo errado! Eu sou um fracasso espiritualmente falando, porque fui incapaz de cumprir a Tua Lei!" Isso, querido(a) leitor(a), é o que a Bíblia chama de arrependimento! Arrependimento não é remorso, nem promessa de acerto ou melhoria de vida; arrependimento é primeiramente mudança de opinião com relação a sua própria pessoa; depois, com relação às práticas diante de Deus! Arrependimento é ver-se pecador inveterado, erro ambulante, cujos esforços pessoais em tentar viver segundo a vontade de Deus são pecado! No arrependimento você enxerga com clareza seu real estado espiritual; as justificativas e desculpas, o orgulho e a auto-suficiência são aniquiladas! 
 
Ora, se eu não consigo cumprir a Lei, sou pecador e portanto meu único destino é a morte, porque o salário do pecado é a morte (Rm 6.23). Deus, eu mereço a morte; mais ainda, eu estou morto para ti e de forma eterna (pois jamais cumprirei a Lei de Deus, por mais que me esforce para fazer isso)! "Perfeito!", diz Deus no céu, "é isso mesmo!" Nesse ponto é que entra a fé no evangelho. A fé naquilo que Deus faz por você, sem que você faça coisa nenhuma, a não ser crer em Deus. E o que Deus fez, por mim e por você? Deus enviou o Seu filho unigênito, para carregar sobre si os nossos pecados, para levar sobre si todas as nossas maldições! Jesus carregou sobre si, na cruz, os nossos pecados e maldições, recebendo o castigo que era nosso - a morte! Ele morreu de morte de cruz! Foi crucificado, considerado pecador, considerado transgressor da Lei, sem jamais tê-la transgredido! Porém, ao terceiro dia Ele ressuscitou e vivo está! Assim, eu ponho a minha fé nesse sacrifício eterno feito pela minha vida, em meu lugar; enxergo Nele, no Crucificado, o justo castigo pelo pecado que há em mim! E assim, recebo o perdão dos meus pecados - sem ter que tentar cumprir nada, apenas crer! Nele eu morri pela fé; assim Nele também ressuscitei, pela fé, para andar em novidade de vida! A isso, Deus chama na Bíblia de Graça, de favor imerecido, favor prestado a mim, por Deus, sem que eu faça nada por merecê-lo nem possa fazer nada para pagá-lo!
 
Deus amou o mundo, diz o Senhor Jesus em João 3:16. Deus amou o homem pecador! Deus odeia o pecado, mas ama o pecador! E o amor de Deus não ficou na teoria, não ficou no discurso; Deus amou de forma extravagante, intensa, ilimitada, ao ponto de dar Seu Único Filho pelo homem distante e Dele afastado por seu pecado. Deus estendeu a Sua mão para o homem; o Deus santo abaixou-se em Cristo Jesus para salvar justamente aquele que vivia sua vida de forma alienada desse Deus! Jesus, Deus que se fez carne, era chamado de amigo de pecadores, porque estava sempre junto deles, buscando salvar-lhes, sem se contaminar com suas práticas e com seu modo de vida. Penso que esse grande exemplo de Deus, de como odiar o pecado e amar o pecador, deve nortear a nós, como Igreja de Cristo, no trato com a humanidade perdida. Odiar o pecado, ou seja, não concordo e não pratico isso de forma alguma; mas amar o pecador, estendo-lhe a mão da Graça e do perdão que um dia foi estendida a cada um de nós.
 
Tristemente, entendemos muito pouco esse tão badalado princípio que frequentemente levantamos como uma bandeira de vida. Entendemos muito pouco o que seja amar o pecador, não damos a chance de se arrependerem, nem demonstramos graça com eles - especialmente com aqueles pecadores que se enquadram em nossa classe de "maiores pecadores" - os pecadores que praticam pecados ligados à área sexual. Colocamos muitas barreiras pessoais, muitos obstáculos, no trato com os adúlteros, com os sodomitas, com os homossexuais, mais do que no trato com outros pecadores, como maldizentes, como ladrões, avarentos e idólatras, dentre outros. O pior é que nós mesmos sabemos o que é isso, isto é, sermos pecadores - Paulo diz que é justamente isso que nós éramos no passado! Será que já nos esquecemos da nossa antiga natureza? Da nossa antiga realidade pecadora? Da vida que levávamos antes de Cristo nos salvar?
 
Recentemente, o pastor John Gibson, de 56 anos, de Nova Orleans/EUA, professor do New Orleans Baptist Theological Seminary, entrou em depressão ao aparecer na lista dos usuários do site de traição "Ashley Madison". Mesmo pedindo perdão para a família acabou se suicidando. O Presidente do Seminário, Chuck Kelley, disse em seu site sobre o pastor que "ele foi particularmente conhecido por seus atos de bondade à família do seminário. John foi o bom vizinho por excelência [...[ John era amado pelos alunos por causa de seu amor para o ministério e para com eles". (http://hollywoodlife.com/2015/09/09/ashley-madison-suicide-married-baptist-pastor-john-gibson/)  Gibson foi descrito por aqueles que o conheciam como uma pessoa calorosa, amorosa que levou os ideais cristãos de altruísmo e caridade a sério. E a lista de irmãos apanhados em flagrante adultério parecer ser bem extensa: "De acordo com a publicação, o diretor do Centro de Estudos Estatísticos LifeWay Research, Ed Stetzer, estima que cerca de 400 pastores, presbíteros, diáconos e líderes de diversos ministérios eclesiásticos, deveram renunciar o seu cargo nas próximas semanas, após seus nomes aparecerem na lista de usuários da Ashley Madison." (http://padom.com.br/lideres-evangelicos-aparecem-na-lista-de-site-de-adulterio-ashley-madison/) 
 
Diante dessa tão triste notícia do suicídio do pastor John, não posso deixar de pensar no sofrimento e desespero que ele deve ter experimentado. O peso da culpa que se formou sobre sua vida. A enxurrada de pensamentos que invadiram sua mente: "Agora acabou John! Você foi pego em seu pecado! Não há mais chance para você! Ninguém perdoará você, você jamais será aceito novamente! Você desgraçou sua família, sua igreja; você traiu ao Senhor e a todos aqueles que confiaram em você! É o seu fim!" Ele deve ter se lembrado de como a igreja lida com essa classe de pecado - com paus e pedras; assim, escolheu o caminho da morte para não ter que encarar àqueles que um dia chamaram ele de irmão, de amigo, de pastor. E assim tirou a própria vida!
 
O pastor John viveu durante um tempo uma vida dupla. Foi seduzido por sua própria concupiscência, pelo pecado que assedia, e acabou experimentando o prazer secreto do adultério. Ele pecou, sim é verdade, e acabou colhendo a terrível consequência do pecado. Porém, fico aqui pensando com meus botões o que poderia ter acontecido SE a igreja (de forma geral, ok? Não nenhuma especificamente) amasse verdadeiramente o pecador. Por certo, o pastor seria disciplinado - porque disciplina é bíblico e correto, talvez até fosse suspenso por um tempo do ministério - mas seria ACEITO como irmão, como sempre foi antes do fato. E estaria vivo. 
 
Ora, quando nós, Igreja, olhamos para nós mesmos, o que nos impede de cometer o mesmo pecado, de cair no mesmo erro - ou até em outros? Onde fica o ensino "aquele que cuida estar de pé, cuide para que não caia"? NENHUM DE NÓS, CRENTES EM CRISTO, está imune de cometer pecado! Todos nós podemos cair! Logo, duas coisas são necessárias: primeiro, buscar a cada dia mais e mais "arrancar o meu olho e meu braço" que me fazem pecar (Mt 18.9), isto é, evitar a todo custo contato com aquilo que me faz pecar (por exemplo, se o que te faz pecar é o site pornô e você não resiste acessá-lo enquanto navega, sugiro se livrar da internet!). Depois, exercermos misericórdia e bondade com aqueles que caem no pecado, levando-os ao arrependimento e a fé novamente.Estendo isso àqueles que estão numa luta interior sincera para se livrarem de algum pecado que assedia. Se a pessoa está lutando contra o pecado, se ela deseja seguir a Cristo, preciso ajudar - e não atrapalhar. Claro que terei cuidado com ela e comigo também, para não acabar envolvido no pecado. Claro que enquanto a luta perdurar, não poderei confiar certas responsabilidades àquela pessoa. Mas posso amá-la com o amor de Deus, posso ajudá-la com conselhos e orações. Até com ouvidos, escutando seus dramas de vida.  O que não podemos fazer é adotar a postura do "caiu, já era! Perdeu, mano!"
 
Concordando com essa postura, Thomas Rainer, presidente da LifeWay Research, ligado aos Batistas do Sul, escreveu: "os pastores devem 'acompanhar' aqueles que reconhecem o adultério e 'aborda-lo com graça'. Ser cheio da graça não significa que minimizamos os pecados do adultério, a mentira e a traição. Mas é muito triste e trágico quando os cristãos na lista estão com medo e sem esperança que os não crentes na lista. Temo que alguns cristãos tomaram uma atitude legalista e de juízo quando a graça deve prevalecer [...] O objetivo do ministério para com aqueles que têm cometido adultério é “a restauração do corpo da igreja”, acrescentou Rainer, reconhecendo que a disciplina da igreja como um caminho potencial para a restauração. “Pode levar meses, inclusive anos” para curar estas feridas. “Os pastores e outros lideres da igreja devem estar preparados para fazer diante a este longo prazo“, expressou". (http://padom.com.br/lideres-evangelicos-aparecem-na-lista-de-site-de-adulterio-ashley-madison/) Isso é amar o pecador! Amar aquele que é o meu próximo como a mim mesmo; afinal, quem não gostaria de receber amor, graça, perdão e misericórdia da Igreja? Eu poderia muito bem estar no lugar dessa pessoa! 
 
Todos os pecados são sérios, não apenas os de cunho sexual. Todos os pecados são terríveis e todos tem o potencial de nos impedir a entrada no reino de Deus. Quem já foi perdoado do seu pecado, sabe o que é ficar preso numa prática maligna e não poder contar para ninguém, com medo das reações; sabe também o que é experimentar o poder, a graça e o perdão de Cristo, manifestos diretamente por Ele e indiretamente, quando na vida de Sua Igreja. Nós fomos exatamente isso - sodomitas, efeminados, adúlteros, fornicários, necromantes, feiticeiros, devassos, incestuosos(as), zooerastas, ladrões, maldizentes, etc. Mas fomos lavados. Mas fomos santificados. Mas fomos justificados em nome do Senhor Jesus, e pelo Espírito do nosso Deus. Deus não deixou de nos perdoar; não devemos deixar de estender esse mesmo perdão a quem dele hoje precisa e busca por ele!
 
Se você, querido(a) leitor(a), está com sua vida presa em alguma dessas práticas e deseja ser livre, deseja ser salvo, deseja a Cristo, convido você a fazer uma visita a nossa Igreja. Nós temos aprendido que Deus é bondoso para com todos e que Ele deseja usar Seu povo como instrumento de cura e salvação. Temos aprendido que não somos nem melhores nem piores que ninguém, que somos todos ex-pecadores que viveram um dia presos nos mesmos pecados e que por isso mesmo somos tão carentes de Deus como qualquer pessoa. Se estamos hoje livres, salvos, perdoados, justificados não foi por nosso mérito pessoal, mas foi pelos méritos de Jesus! Foi somente pela fé, a mesma fé que pode ser gerada em seu coração pelo Senhor. Você escutará uma mensagem forte baseada na Palavra de Deus; você não ouvirá nenhuma palavra que acaricie seu ego ou minimize seu pecado, mas sim uma palavra de poder para libertar sua vida! Mas experimentará também um ambiente de amor e de tratamento espiritual. Chega de carregar em silêncio uma carga pesada de culpa e de acusação, pois Nosso Senhor assim prometeu: "Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração; e encontrareis descanso para as vossas almas. Porque o meu jugo é suave e o meu fardo é leve." (Mt 11.28,29) 
 
Se você estiver longe, morar em outro país, você pode me contatar por e-mail (prricardoksf@yahoo.com.br), querendo desabafar, pedir um conselho, oração... caso você precise de um amigo, enfim. Pode também procurar uma Igreja Cristã verdadeira que aceite cuidar da sua vida. Deus, o Pai, que é Amor, ama você e Seu Espírito direcionará sua vida para um lugar onde Ele possa tratar de ti. Saiba que a promessa de salvação é para você também, a promessa de vida abundante, a promessa de liberdade do pecado e a promessa de comunhão com o Pai, o Filho e o Espírito. A Igreja é o seu lugar, não deixe o diabo dizer o contrário! A IGREJA É O SEU LUGAR, O SEU LAR ESPIRITUAL. Tenha fé, creia em Deus, creia no Evangelho! Deus abençoe a sua vida, em Cristo Jesus!
 
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!