quarta-feira, 5 de outubro de 2011

SINAIS DA PROXIMIDADE DO RETORNO DO SENHOR JESUS - AGINDO EU, QUEM IMPEDIRÁ?


Uma revista da Califórnia publicou recentemente os resultados de uma pesquisa com mais de 600 ex-muçulmanos, que agora seguem Jesus. “Embora os sonhos pareçam desempenhar um papel menor na conversão dos ocidentais, mais de um quarto dos entrevistados ex-muçulmanos enfaticamente confirmam que os sonhos e visões desempenharam um papel vital em sua conversão, e os ajudou em momentos difíceis”, o levantamento afirmou.

Outros têm encontrado o percentual mais elevado. Karel Sanders, um missionário na África do Sul, informou que entre Africanos muçulmanos, “42% dos novos crentes vem a Cristo através de visões, sonhos, aparições angelicais e ouvir a voz de Deus.” De acordo com o site “Sexta-Feira Dawn Fax”, que se concentra em relatórios missionários de língua árabe, moderadores explicam experiências sobrenaturais, tais como sonhos, visões e curas através da oração de Jesus. “Este é um tema quente em nossa região. Pessoas de todo o Oriente Médio nos chamam, dizendo como eles foram curados através da oração em nome de Jesus”, citam os missionários. “Ouvintes muçulmanos costumam nos falar sobre sonhos e visões de Jesus, querendo saber o que isso significa para eles.”

O mesmo é contado em “I Dared to call him Father (Me atrevi a chamá-lo de pai)”, um livro fascinante, escrito por uma rica mulher ex-muçulmana paquistanesa chamada Bilquis Sheikh, que veio a Cristo através de uma série de acontecimentos místicos – começando com a presença do mal, que ela sentia, e era ligado ao assassinato recente de um cristão perseguido.

“A estranha sensação espinhosa cresceu dentro de mim enquanto eu caminhava lentamente ao longo dos caminhos de cascalho do meu jardim”, ela escreveu em um livro que acaba de ser relançado. “Eu parei de andar e olhei em volta. Como eu me inclinei para agarrar as hastes verdes, algo passou por minha cabeça, eu me endireitei, atenta. Senti uma névoa… Um frio, úmido. Uma presença profana – tinha flutuado por mim. Claro que não havia nada lá fora. Estaria lá? Como que em resposta, eu senti uma presença, muito real e misteriosa e um toque em minha mão direita.”

Esta experiência levou a uma série de sonhos que – como tantos outros – culminou na conversão da mulher muçulmana. São tais sonhos mais recorrentes agora – com a situação do mundo como ele é? Ou será que eles sempre ocorreram?

Sabemos que os sonhos podem ser importantes. Nós lembramos de Abraão. Nós lembramos de José, o pai de Jesus.

Mas eles também são cruciais no nosso próprio tempo e, no caso da mulher rica, cujo marido tinha sido um general e ministro do Paquistão, eles formaram uma parte importante de sua conversão – se não o mais importante papel. Conforme ela explica neste livro bem escrito (que foi publicado pela primeira vez em 1978), ela havia sido criada na fé muçulmana, que acreditava que, embora Jesus tenha nascido de uma virgem, ele não era o Filho de Deus. Ainda assim, a mulher sentiu-se impulsionada para explorar a Bíblia – e é aí que tudo começou.

Em um sonho, relatou Sheikh, “eu me encontrei jantando com um homem que eu sabia ser Jesus. Ele veio me visitar na minha casa e ficou por dois dias. Ele sentou-se sobre a minha mesa e em paz e alegria jantamos juntos”.
“De repente, o sonho mudou. Agora eu estava no topo de uma montanha com outro homem, João Batista. Ele estava vestido com uma túnica e calçado com sandálias. Como foi que eu misteriosamente sabia seu nome, também? Eu encontrei-me contando a João Batista sobre as minhas visitas recentes com Jesus”. O sonho – peculiar – a levou à pergunta que todos que poderiam saber responder (porque até aquele momento, Sheikh ainda não havia chegado ao trecho em que João Batista aparece na história) em sua leitura da Bíblia.

Ela se tornou uma cristã. Então, temos milhares de outros. Os relatórios incluíram moradores em lugares como Marrocos. Ouvimos pela primeira vez sobre isso no início de 1990.
“Um seguidor de Jesus da Guiné fala sobre uma pessoa de branco que lhe apareceu em sonho, chamando-o de braços abertos”, afirma a publicação da Califórnia.”Esse tipo de sonho, no qual Cristo aparece como uma figura de branco, é um padrão freqüente na obra missionária entre os muçulmanos.”

Os exemplos são numerosos. Um muçulmano da Malásia viu seus pais falecidos como convertidos aos cristianismo em um sonho, comemorando no céu. Jesus, com uma túnica branca, lhe disse: “Se você quiser vir a mim, vem!” Ele o fez.
Outro convertido, este novamente a partir do Oriente Médio, disse que ele estava deitado na cama com uma dor de cabeça muito forte. A figura branca com uma aparência maravilhosa, pacífica, apareceu e colocou as mãos sobre sua cabeça três vezes, e na manhã seguinte a dor de cabeça que era incurável até então, ​​havia cessado.

Um homem do oeste da África viu um religioso muçulmano no inferno, e um pobre cristão, que não podia mesmo dar esmolas, no céu. A voz explicou que o ponto decisivo não foi a esmola, mas a fé em Jesus.

Enquanto isso, um trabalho missionário entre os Tausugs, das Filipinas, maior grupo muçulmano daquele país, relata que um número de muçulmanos fiéis “viu Jesus” em seus sonhos após o Ramadã (mês em que os muçulmanos praticam um ritual de jejum). Um homem sonhou com Jesus matando um dragão enorme em um duelo e no dia seguinte teve o mesmo sonho, o que o levou a conhecer o Evangelho.

Um membro do povoado Yakan, na Província Basilan sonhou que o Profeta Maomé não podia olhar para Jesus no olho. Quando ele disse seu primo, um cristão, do sonho, seu primo lhe disse que o sonho significava que Jesus é maior do que Maomé.

Há histórias de guerra espiritual. Há relatos da Turquia. Há histórias de curas milagrosas. Há histórias do Iraque. Uma equipe que pertencem aos “Atletas em Ação”, um movimento de atletas missionários, relatou a partir de sua visita às repúblicas da Ásia Central do Turcomenistão e Quirguistão, que “uma das experiências mais interessantes da viagem foi para ouvir um grande número de pessoas dizendo como eles tornaram-se cristãos”. Anteriormente, eles haviam sido ateus ou muçulmanos. Alguns nos contaram como Deus havia falado com eles em sonhos. Outros nos contaram como eles tinham tido dores de cabeça por dias depois de ouvir sobre Cristo. Logo que decidiram tornar-se cristãos, a dor de cabeça havia passado. Uma mulher nos disse que na noite em que ouviu falar de Jesus, nada aconteceu até que ela foi dormir. Enquanto ela dormia, ela teve um sonho terrível, no qual uma figura satânica disse a ela “Você nunca vai escapar de mim”, porém agora ela também se tornou uma cristã.

Existem inúmeros relatos de que muitos dos Berberes que vivem nas montanhas da Argélia estão vindo a Cristo através de sonhos e visões semelhantes, formando células e igrejas, em sua maioria subterrâneas. Ahmed Ait Ben Youcef, um berbere nativo que atualmente vive no exterior, disse que encontrou Cristo no caminho que parece típico para berberes islâmicos anteriormente: “nós berberes sempre acreditamos em Deus, mas muitos o procuram à sua própria maneira, sob a pressão dos árabes islâmicos. Jovens ansiavam pelo caminho certo para nossas vidas e oravam a Deus para orientação. Um dos meus amigos morreu em um acidente de trânsito. Na noite seguinte, sonhei que ele, um outro amigo, e eu nos dirigíamos a uma cidade brilhante, rodeada por uma parede branca. Nesse sonho, meu amigo nos disse que agora ele vivia lá”.

Um muçulmano egípcio estava lendo os Evangelhos, e de acordo com mais um relatório ele tinha acabado de chegar a Lucas, Capítulo 3, quando um vento forte varreu a sala e uma voz disse: “Eu sou Jesus Cristo, a quem você odeia. Eu sou o Senhor que você está procurando.” Ele decidiu seguir a Jesus naquele dia.

Os relatórios são difundidos de tal forma que sites inteiros são dedicados a tais histórias – embora muitas vezes tomem o cuidado de manter o anonimato. Uma fonte bem informada, que por razões óbvias permanece não identificada, relata que um ex-islâmico “Imam” ou líder espiritual levou 3.000 muçulmanos para Jesus, tendo ele chegado a Cristo através de sonhos, em que um homem branco dizia-lhe para estudar a Bíblia. O método desse homem é simples: em uma conversa, ele diz aos outros: “você já viu um homem branco em seus sonhos recentemente? Se eles não tiverem visto, ele lhes diz: eu só estava me perguntando. Obrigado. Se responderem positivamente, ele continua perguntando se eles estão interessados ​​em aprender quem este homem branco é. E quem não está interessado na identidade de uma pessoa misteriosa que aparece em seus sonhos? O ex-Imam, em seguida, mostra-lhes várias passagens da Bíblia em que um homem branco vestido é mencionado, explicando: “Isso é Jesus. Ele quer falar com você, porque Ele quer que você o siga”.
Muitos muçulmanos foram preparados para em caso de encontros sobrenaturais, e aceitarem o convite. Algum tempo atrás, Bill Bright, diretor do “Campus Crusade”, escreveu que “estavam vivenciando um fenômeno surpreendente. Muçulmanos em particular, estão tendo sonhos e visões confirmando a realidade de Cristo. Depois de um programa de rádio informaram que Jesus havia aparecido para muitos muçulmanos em um sonho e havia dito a eles: ‘Eu sou o caminho’. A estação de rádio recebu milhares de cartas de muçulmanos no norte da África e do Oriente Médio, em que os ouvintes disseram que de repente tinham entendido sonhos anteriores. Eles, então, queriam mais informações sobre Jesus”.

Fonte: Gospel+
http://noticias.gospelmais.com.br/mulcumanos-visoes-sonhos-jesus-convertendo-25486.html
 
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MEUS COMENTÁRIOS
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"E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões." (Jl 2.28)
 
De quem é Deus? Ou melhor, Deus pertence a qual religião? As religião dita cristã e seus adeptos querem fazer crer que Deus é propriedade exclusiva deles, que somente a partir dos rígidos critérios ortodoxos mega-plus-tabajara, os quais defendem com "unhas e dentes", é que Deus pode se manifestar, agir e falar. Porém, Deus não é propriedade de religião, nem deu a ninguém exclusividade de Sua manifestação. Ele é um ser pessoal e como tal age livremente, segundo o Seu entendimento e parecer; quem dirá ao Todo-Poderoso qual caminho Ele deve tomar? Ou quem ditar-lhe-á a forma de agir? Ele faz o que bem entender; estende a Sua mão e age e não há ninguém que possa escapar!
 
O Espírito de Deus - isso mesmo, O E-S-P-Í-R-I-T-O  S-A-N-T-O - está dando sonhos e visões de Jesus àqueles que, no máximo, ouviram falar do Senhor como sendo um simples "profeta", "inferior a Maomé" e eles estão se convertendo ao Senhor! Todo o terror espalhado nos corações daquelas pessoas, todas as ameaças, todos os bloqueios de comunicação... tudo isso é NADA, diante Daquele que criou os Céus e a Terra com Sua Palavra! Todo assassinato "legalmente justo" dos missionários, toda destruição de Bíblias, todo fechamento de Igrejas... nada disso é capaz de deter a ação do Rei dos Reis e Senhor dos Senhores! Agindo Ele, quem impedirá?!?
 
O Senhor deseja a salvação de todos os homens. Nos países onde a fé cristã é permitida, onde se converter à Cristo não é crime, as Igrejas sérias tem cumprido o seu papel na pregação do Evangelho. Porém, onde a conversão à Cristo é crime capital punível com pena de morte, o próprio Cristo - Aquele que esteve morto e ao terceiro dia ressuscitou - é o Evangelho Vivo! Como matá-Lo? É impossível! Como impedir sua manifestação? Nem todo inferno reunido é capaz de fazê-lo!  Que se curve o espírito do medo e da violência diante do Senhor Jesus!
 
Jesus está voltando! Ao ler esse texto, isso fica cada vez mais claro; e essa realidade cada vez mais próxima. Uma pergunta surge em meu coração: e quanto a nós, igreja brasileira? e quanto a nós, povo brasileiro? Estamos preparados para esse encontro? Você que lê este texto, se Jesus voltasse HOJE, como Ele encontraria você - preparado ou não? 
 
A dinâmica da vida cotidiana, extremamente acelerada, acaba muitas vezes nos tornando, na prática, autômatos. Fazemos as coisas porque "temos que fazer". Temos coisas porque "precisamos ter".  Vivemos porque "precisamos viver". E assim, nesse fluxo e refluxo das ondas da vida, vamos vivendo a cada dia. Vamos a igreja porque "precisamos ir",  "precisamos ter coisas" porque "precisamos viver". A nossa vida nessa terra é, em sua melhor hipótese, a luta para continuar vivo: trabalhar, comprar, gozar do que comprou, trabalhar, comprar mais, gozar mais e assim sucessivamente. Mas há muito mais do que isso... Há um só Deus... um só Senhor... e Ele prometeu que voltaria um dia para buscar àqueles que estivessem devidamente preparados na ocasião... para levá-los consigo desta Terra, deste mundo de "ter-fazer-para-viver"... 
 
"Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor." ( I Ts 4.16,17)
 
Neste dia, segundo a Bíblia, os sepulcros se abrirão e os que morreram em Cristo haverão de ressuscitar! Irmãos, pais, mães, avôs e avós... todos aqueles pelos quais um dia choramos e pranteamos, neste glorioso dia, quando os crentes ressurgirem, ali estarão eles, novamente! Não um esqueleto em decomposição; não! Não carnes apodrecidas, jamais! Mas ali estarão eles, aqueles que conservaram até a morte a fidelidade ao Senhor, novamente vivos, para nunca mais morrerem de novo!
 
 
Neste dia, muitos ficarão para trás; serão deixados neste mundo, porque não estavam prontos. Maridos que somem de repente, esposas que ficam sozinhas... mães que desaparecem, filhos órfãos... crentes que somem repentinamente, do nada... crentes fiés... pastores que ficam para trás, enquanto "meros crentes" desaparecem... aviões caindo para destruição porque "o piloto sumiu" (e isso não é filme)... pessoas desesperadas, chorando sem consolo, diante do mais terrível e grandioso fato da história da humanidade; gente que sabe o que aconteceu com seus amados e o que lhe aguarda, sim, a ela que ficou para trás. Gente que não quer aceitar, e está inventando estórias e justificativas... Mas o fato já ocorreu. Podem chorar, podem teorizar; o fato já ocorreu e não há mais nada o que fazer. O pior: Estava Escrito! Estava predito, tudo isso, timtim por timtim, vírgula por vírgula. Não creram por que não quiseram; mas informação sobre tudo isso, TINHAM DE SOBRA!
 
 
Por isso, querido leitor, o tempo é HOJE, o dia é AGORA e a hora é JÁ! Acerte suas diferenças com o Senhor! Busque-o enquanto você pode achá-Lo. Não deixe para lá, não deixe para depois a principal decisão da sua vida! Não diga: "Ah, estou muito ocupado, quem sabe um dia?", porque o dia vem de repente e você não estará preprado quando Jesus voltar! Fale com Ele hoje mesmo; confesse seus pecados e peça-lhe para perdoar de todos os pecados. Daí, receba-O hoje, em seu coração, em sua vida! E viva para Ele hoje, como se Ele voltasse neste mesmo dia!

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

RUDIMENTOS DA DOUTRINA DE CRISTO - III: OS BATISMOS


POR isso, deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até à perfeição, não lançando de novo o fundamento do arrependimento de obras mortas e de fé em Deus, e da doutrina dos batismos, e da imposição das mãos, e da ressurreição dos mortos, e do juízo eterno. E isto faremos, se Deus o permitir. (Hb 6.1-3)


Dando prosseguimento ao estudo dos fundamentos da fé cristã, nesta argumentação vamos abordar a doutrina dos batismos. Note que o ensino acerca dos batismos refere-se aos rudimentos da fé cristã e que o autor aos Hebreus escreveu sua epístola para um grupo específico de crentes que existiram naquela época – os crentes que eram hebreus, convertidos do judaísmo à fé cristã.


Este ensino se reveste de grande importância em nossos dias, onde as trevas têm tomado as mentes e corações daqueles que deveriam conhecer e ensinar a Palavra de Deus sem enxertos humanos. Nos últimos dias têm se levantado alguns pastores, bispos e apóstolos ensinando heresias acerca dos batismos: para uns, só serão salvos aqueles que forem batizados nas águas; para outros, ninguém pode ser batizado com Espírito Santo nos dias de hoje; outros confundem as manifestações da alma com as do Espírito; outros, de forma muitíssimo pior, classificam temerariamente todas as manifestações ocorridas como “obras do diabo”, sem procurar discernir as manifestações, pecando de forma imperdoável contra o Espírito Santo e ensinando outros a fazer o mesmo. E assim há um sem-número de erros e confusões acerca dos batismos, gerando desorientação e enfraquecimento da fé. O escasso discernimento espiritual por si só já é um sintoma do baixíssimo nível espiritual desses líderes religiosos, se é que há alguma espiritualidade em suas vidas. Paulo ensina que quem não discerne as coisas do Espírito de Deus é o homem natural, não convertido, sem o Espírito de Deus.

OBSERVAÇÃO: Segundo o ensino dos Mórmons, também conhecidos como "Santos dos ùltimos Dias", há o batismo por procuração ou batismo pelos mortos. Segundo este ensino, um vivo poderia ser batizado no lugar de uma pessoa morta e esta então usufruiria dos benefícios do ato praticado pelos vivos. Este ensino surge a partir da interpretação distorcida de I Co 15.29: "Doutra maneira, que farão os que se batizam pelos mortos, se absolutamente os mortos não ressuscitam? Por que se batizam eles então pelos mortos?" Com uma simples leitura do contexto, é fácil perceber que "os mortos", na argumentação paulina, refere-se ao pensamento de alguns de que Cristo não havia ressuscitado (I Co 15.12-14). Aqui vale a máxima da exegese bíblica: texto sem contexto só serve para fazer um pretexto; e este só serve para jogar no cesto. Os Mórmons não são considerados como Igreja cristã pelas denominações genuinamente cristãs, pois seguem um outro evangelho (Gl 1.9), com outro testamento.

O termo batismo vem do substantivo grego “baptismo”, sendo traduzido por submergir, imergir. Observe que o termo “batismo” está no plural, o que indica que o ensino envolvia mais de um tipo de batismo. Mas que batismos eram esses? Dado que a epístola foi escrita para os Hebreus, estes batismos envolvem as práticas daquele povo. Além disso, é muito provável que envolva também os “batismos” praticados pelas religiões de mistério existentes naquela época.

Os Hebreus, em sua religião, praticavam rituais de purificação que envolviam abluções (o termo grego baptismo se refere tanto ao ato de imersão quanto ao rito de purificação como lavagem). O primeiro milagre de Jesus, realizado nas Bodas de Caná, foi justamente a transformação de água (utilizada para as purificações – do Gr. katharismos – dos judeus) em vinho (João cap. 2). O cap. 19 do livro de Números mostra algumas purificações com água realizadas pelos Hebreus.

“Houve então uma questão entre os discípulos de João e os judeus acerca da purificação. E foram ter com João, e disseram-lhe: Rabi, aquele que estava contigo além do Jordão, do qual tu deste testemunho, ei-lo batizando, e todos vão ter com ele.” (João 3:25,26). Aqui novamente aparece o termo “katharismos”. Há somente 7 versos no Novo Testamento que usam este termo (Mc 1:44; Lc 2:22; 5:14; Jo 2:6; 3:25; Hb. 1:3; 2 Pe. 1:9); nos Evangelhos, é usado sempre se referindo às purificações dos judeus. Nos versículos 22 e 23 o termo grego utilizado é baptismo. Este texto não indica, como propõem alguns intérpretes, que o batismo de Jesus era diferente do batismo de João, mas sim sobre o porquê que Aquele (não que Ele mesmo batizasse, mas seus discípulos o faziam) que fora batizado por João passara a batizar também (observe que João responde, nos versículos 29 e 30, que Cristo é quem tinha a preeminência, não João. Veja também Jo 4.1,2). Observe também que o batismo aqui é entendido pelos discípulos de João como sendo algo voltado para a purificação.

Lucas afirma que o batismo de João era o batismo de “arrependimento, para perdão dos pecados” (Lc 3.3). Note que Lucas relata que João exortava duramente à multidão que saía para ser batizada por ele (Lc 3.7-9). Ora, se ele pregava a necessidade urgente de batismo, porque ele repreendia àqueles que a ele vinham para sem batizados? Porque a multidão entendia que o batismo de João era mais um rito de purificação, algo meramente exterior, sem a necessidade de transformação interior (arrependimento). De nada adiantaria àquelas pessoas, espiritualmente falando, serem batizadas sem que houvesse real arrependimento primeiramente. O rito em si mesmo não tem efeito nenhum; é preciso de haja mudança de vida (Lc 3.10-14) para que haja eficácia no batismo. Por isso, o arrependimento e a fé devem ser primeiramente gerados pelo Espírito Santo no coração dos homens, para que só então esses homens sejam batizados nas águas.

Abre parênteses: Segundo São Tomás de Aquino, em sua Summa Theologica, o texto de Hebreus 6:2 se refere ao batismo de água, de arrependimento, e de sangue. Trata-se de uma “teologização” do batismo, onde o batismo de sangue seria o martírio, em razão da fé cristã, de alguém que não necessariamente tivesse sido batizado em água. Thomas de Aquino, citando Agostinho, compara os batismos de água e de sangue: "O recém-batizado confessa a sua fé na presença do sacerdote: o mártir na presença do perseguidor. O primeiro é aspergido com água, depois que ele confessou, este último com o seu sangue. O primeiro recebe o Espírito Santo pela imposição das mãos do bispo, este último é feito templo do Espírito Santo". Para o catolicismo romano, o batismo de sangue (aparentemente baseado em Mt 20.22,23), aliado ao desejo de ser batizado (o que a teologia católica denomina “batismo de desejo” ou “penitência” – outra teologização, onde é há uma confusão com o batismo do Espírito. O argumento Tomaquiano para “batismo de desejo” baseia-se no episódio do ladrão na cruz, salvo sem batismo) acarretaria os frutos do batismo em água: o perdão dos pecados e a entrada no Reino de Deus. O leitor deve atentar para o fato de que este conceito foi elaborado posteriormente à escrita da epístola aos Hebreus, não refletindo necessariamente o pensamento do autor da mesma, nem do autor desta argumentação. Fecha parênteses.

Assim, o ensino a que se refere a epístola aos Hebreus no que concerne ao batismo de João consistia na distinção, tanto em propósito quanto em natureza, desse batismo das purificações dos judeus, algo facilmente confundível pelos crentes de origem hebréia. As purificações tinham o propósito cerimonial, sendo interpretadas como mero rito exterior – assim como o restante da Lei de Moisés; por sua vez, o batismo de João tinha como propósito o arrependimento, algo ligado ao interior do homem. Não eram, de modo algum, práticas equivalentes; assim, mesmo que os crentes hebreus tivessem experimentado inúmeras vezes as purificações em água, uma vez tendo sido convertidos deveriam agora participar do batismo nas águas. Perceba adicionalmente que no texto da epístola, os ensinos sobre arrependimento das obras mortas e a fé em Deus são citados antes do ensino sobre os batismos, de forma que os primeiros são pré-requisitos para os seguintes.

Segundo a ordem do próprio Senhor Jesus, o batismo nas águas é feito “em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28.19). A expressão “em nome de” indica que o batismo é feito na autoridade e determinação unicamente da Divina Trindade (não no nome da pessoa que está batizando outra). Se cada homem batizasse em seu próprio nome o caos se instalaria na Igreja, pois haveria uma disputa sobre “quem foi batizado no nome do mais proeminente batizador”. Por muito menos, na Igreja de Corinto, existiam disputas e contendas motivadas por “preferências” dos crentes pelos ministros de Deus: “Quero dizer com isto, que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo, e eu de Apolo, e eu de Cefas, e eu de Cristo.” (I Co 1.12) Note que Paulo pergunta: “Está Cristo dividido? foi Paulo crucificado por vós? ou fostes vós batizados em nome de Paulo?” O apóstolo mesmo responde a pergunta: “Dou graças a Deus, porque a nenhum de vós batizei, senão a Crispo e a Gaio, para que ninguém diga que fostes batizados em meu nome.” (I Co 1.13-15) Batizar em seu próprio nome – como fazer discípulos para si mesmo – é típico de fundadores de seitas, coisa inconcebível na fé cristã. Um crente pode ser discípulo de um outro crente, desde que este segundo seja discípulo de Cristo e tenha, deste modo, o propósito de edificar a pessoa na fé cristã, tornando-a mais semelhante ao próprio Senhor de ambas.

Abre parênteses: O batismo nas águas cura doenças físicas? O batismo nas águas liberta a pessoa de espíritos malignos? Não e não! Ele não tem esse propósito! Mas, o batismo nas águas purifica o homem dos seus pecados? O batismo salva? Novamente, a resposta é não. O batismo não lava pecados, como querem fazer crer alguns religiosos. Nem tampouco salva, ainda que o batismo tenha um papel no plano de Deus para a salvação do homem. Essa verdade está muito clara nas Escrituras: Felipe foi transladado pelo Espírito Santo de Samaria a Gaza por causa de uma única alma, o eunuco da rainha Candace, a ser salva e batizada nas águas. Fecha parênteses.

Há que se considerar, ainda, o batismo com o Espírito Santo, e com fogo (Mt 3.11), onde Jesus é o batizador. Eis um tema bastante debatido entre os irmãos pentecostais e os irmãos tradicionais. Mesmo entre os pentecostais, há controvérsias: o texto aborda dois batismos (batismo com Espírito Santo e batismo com fogo) ou apenas um? (batismo com Espírito Santo e com fogo) No texto grego, a expressão “batismo com Espírito Santo e com fogo” é “en pneumati hagio kai puri” (“βαπτίσει ἐν πνεύματι ἁγίῳ καὶ πυρί”, Textus Receptus – 1550, com acentos). Conforme alguns mestres da Palavra de Deus, a coordenação copulativa kai (“e”) exige que “o batismo com Espírito Santo e com fogo” seja tratado como sendo um único batismo.

Há outros Mestres da Bíblia que argumentam que ao mencionar o batismo com Espírito Santo e com fogo João estaria se referindo a dois tipos de batismo diferentes: o batismo com Espírito Santo, destinado ao trigo (aos arrependidos) e o batismo com fogo, destinado à palha (aos impenitentes, baseados em Ml 3). Ainda que esta interpretação pareça ser a mais óbvia, há alguns argumentos que a contradizem. O termo “batismo” na Bíblia nunca é associado a algo negativo, como a destruição dos ímpios e infiéis, mas aparece sempre ligado a uma atitude positiva (não há uma expressão “batismo de destruição” na Bíblia). Ao contrário do que argumentam alguns, o fogo, em Malaquias 3:1-3, é destinado aos “filhos de Levi”, para os purificar, de forma que tragam ofertas em justiça ao Senhor; não sendo assim destinado aos “filhos de Belial” para os destruir, como sugerem os intérpretes de Mateus 3. Porque a inclusão da expressão “com fogo”? Obviamente, para enfatizar um dos aspectos deste batismo: a rápida capacidade de se alastrar. Havendo comburente e combustível, o fogo arderá ininterruptamente. Note que a rápida e ininterrupta expansão da Igreja, a partir do Pentecostes, pode ser facilmente associada à ação do fogo sobre os materiais combustíveis; do mesmo modo, associa-se também a sua ininterrupção (não existe instituição que tenha sido tão combatida e mesmo assim continue insistentemente existindo na face da Terra do que a Igreja). É preciso também considerar que João está se referindo a um tempo futuro (“ele vos batizará”), a um momento profético específico, que não correspondia ao momento em que aquelas palavras foram pronunciadas; deste modo, ao inspirar estas palavras, o Espírito Santo poderia estar se referindo à Igreja que seria ainda formada no dia de Pentecostes.


O que seria este “batismo com Espírito Santo e com fogo”, ou de forma mais simplificada o “batismo com Espírito Santo”? É o cumprimento da profecia de Joel: “E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, Que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; E os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, Os vossos jovens terão visões, E os vossos velhos terão sonhos; E também do meu Espírito derramarei sobre os meus servos e as minhas servas naqueles dias, e profetizarão” (Jl 2.28-30 comp. com At 2.17,18). Jesus afirmou que ele é o revestimento de poder (At 1.5,8), para capacitar os crentes para serem testemunhas do Senhor (mártires). Assim, o batismo com Espírito Santo deveria tornar os crentes mais aptos para testemunharem sobre a realidade do ministério do Senhor Jesus; afinal o ministério do Espírito Santo é glorificar o Senhor Jesus, anunciando o que Dele receber (Jo 16.14).

Como se dava o batismo com Espírito Santo nos tempos apostólicos? Dava-se pela imposição de mãos dos apóstolos, como em Samaria (At 8.14-17), após o batismo nas águas; dava-se espontaneamente, após a pregação da Palavra de Deus, como na casa de Cornélio (At 10.44; 11.15-17); dava-se também a partir da busca pelo Senhor em comunhão e oração (At 2). Sobre isso, Pedro disse: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo” (At 2.38). Em Éfeso (At 19.2-7), Paulo perguntou aos irmãos que ali estavam: “Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes?” A resposta foi unânime: “E eles disseram-lhe: Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo.” Os irmãos em Éfeso sequer tinham conhecimento da existência do Espírito Santo! Eles só haviam sido batizados até o momento conforme o batismo de João, ou seja, o batismo nas águas para arrependimento. A Bíblia diz que Paulo então impôs as mãos sobre eles, e aqueles discípulos foram batizados com o Espírito Santo, com as evidências disso: línguas estranhas e profecias!

Assim, de forma geral, o batismo com o Espírito Santo aparece no livro de Atos após a conversão (da qual precedem o arrependimento e a fé) e o batismo nas águas. Qual é a ligação bíblica entre os batismos? O ministro batiza nas águas, Jesus batiza com o Espírito Santo. E o Espírito Santo? Batiza no Corpo de Cristo, que é a Igreja! (I Co 12.13) Se realmente somos batizados na base do arrependimento e fé em Jesus, certamente receberemos o Espírito, e é este Espírito que nos introduz no corpo de Cristo e forma sua natureza em nós. É somente através do Espírito nos batizar no corpo que a pessoa de Jesus, sua vida e humanidade, pode ser manifestada ao mundo através de nós. Essa realidade – do batismo no Corpo – ainda precisa ser restaurada na Igreja hodierna!

Observe que a seqüência – batismo nas águas, batismo com Espírito e batismo no Corpo – não é automática, conforme Atos 19. Trata-se de uma propriedade inerente, um potencial que pode ser desenvolvido pela fé. Ao sermos batizados na água podemos e devemos ser batizados no Espírito e ao sermos batizados no Espírito podemos e devemos ser batizados no corpo. Mas por termos entrado em apostasia e vivermos em tempos de restauração, precisamos lutar para voltar a este nível, que é nosso direito e herança.

A necessidade de arrependimento e fé, gerando conversão e desejo de ser batizado nas águas, ao qual tendo acontecido ensejará, ao seu tempo, o batismo com Espírito Santo e o batismo no corpo é a causa da negativa de batismo àqueles que não compreenderam ainda o propósito disso. É preciso ter compreensão sobre o que significa ser batizado nas águas, com clareza, antes do ato. Do ponto de vista bíblico, uma pessoa só deveria ser batizada nas águas após a evidência de conversão e da compreensão do que implica ser batizado.

Na próxima argumentação, estudaremos acerca do ensino sobre a imposição de mãos. Até lá, permitindo Deus! Lembre-se: Deus está lhe dando visão de águia!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

RENOVAÇÃO ESPIRITUAL E A MÚSICA NA LITURGIA CRISTÃ


Tradução: "Isto é Heresia!" Legenda: "O órgão da igreja trocado por guitarras e tambores! Despesas gerais substituem hinários, e o pastor não usa gravata!! Gracie Smith não está contente nem um pouquinho... Deve ser o fim dos tempos."

Quem é mais antigo na jornada cristã deve se lembrar dos conflitos que ocorriam nas igrejas no início da música gospel no Brasil. Havia uma multiplicação de sermões dominicais e de artigos nos boletins das igrejas falando sobre o rock evangélico que começava a entrar em algumas denominações, exortando os crentes a não aderirem àquilo que era considerado "do diabo". Naquela época, o único instrumento permitido no culto cristão era o órgão, geralmente tocado por uma irmã que dominava a música sacra, contida nos hinários da denominação. Em alguns pouquíssimos lugares aceitava-se adicionalmente um violão.

Porém, o fato é que a música gospel chegou para ficar. Mesmo as denominações mais resistentes já estão permitindo a "música moderna" em seus cultos e reuniões. Infelizmente, há uma "polarização" na música: se a opção é aderir ao gospel, isso implica em esquecer-se do sacro, dando a impressão que ambas não podem conviver dentro do mesmo ambiente. Hinos antigos e inspirados são assim esquecidos para sempre, condenados ao ostracismo, e com eles as raízes históricas e litúrgicas da denominação. Os cultos tornam-se mais barulhentos e menos reflexivos, num ambiente onde o movimento exterior é mais importante do que o movimento interior. Saem assim de um extremo para outro: da burocrática liturgia de algumas denominações para a libertina liturgia moderna, onde vale tudo desde que tenha a alcunha de "unção", até mesmo imitar animais no culto. E isso é chamado "renovação espiritual". Renovar é tornar novo, é melhorar; mudar ou modificar para melhor. Mas o que se vê hoje na maioria das igrejas não pode ser considerado algo melhor do que era anteriormente, de forma alguma. Qual é a solução? A reversão da renovação não é uma opção, por certo.

Analisando ambos os cenários - o antes e o depois da "renovação" - ressalta a olhos vistos a relação entre a música e a expressão da espiritualidade. A música tem efeito "potencializador" sobre o homem. Porém, será que isso só acontece com as músicas modernas? Será que apenas elas tem essa influência? Ou qual a relação entre os hinos e músicas com a genuína renovação da alma humana? A relação é inequívoca: um hino ou música inspirado pelo Espírito Santo, mesmo que seja considerado "antigo e ultrapassado" por alguns irmãos, é ainda um dos instrumentos que Deus usa para ministrar Sua presença, Seu amor e Seu consolo ao homem. Deus ainda fala e age utilizando-se dos mais variados e diferentes elementos, mesmo que estes elementos tenham sido rejeitados pelos atuais edificadores da Igreja.

Há quem pense que as músicas devem servir apenas para agitar a alma humana, especialmente no período de louvor em nossas igrejas. Os ministros de louvor que assim pensam ainda não compreenderam que a música é muito mais do que um amontoado de sons sem sentido. Infelizmente, para muitos "a letra não é importante". Ora, se a letra não é importante, o que é, então? O ritmo? O volume do som, que alguns insistem em por "nas alturas"? Não importa se a letra é antibíblica, ou se não faz nenhum sentido, repleta de simbolismos pouco compreensíveis? Não precisa nem pensar muito para concluir que esse conceito de "louvor renovado dos últimos dias" está erradíssimo!

Abre parênteses: A intensidade do som, ou pressão sonora, é medida em bels (homenagem a Alexander Graham Bell, que inventou o telefone em 1877), ou mais comumente em seu submúltiplo, o decibel (dB). É definido como a divisão de uma escala logarítmica cujos valores são 10 vezes o logarítimo decimal da relação entre o valor de potência considerado e um valor de potência especificado, tomado como referência e expresso na mesma unidade. Segundo a Norma Regulamentadora Nº 15, a máxima exposição diária permissível para um nível de ruído de 100 dB é de 1 hora. Se o nível de ruído for de 115 dB a exposição máxima é de 7 minutos. Um conceito, muito comum entre os músicos e ministros de louvor das igrejas, é que "louvor ungido" é igual a "som alto", ou que “só conseguem tocar se o som estiver alto”, tornando assim o ambiente de culto insuportável em termos de potência sonora. Não há como haver unção, manifestação do poder de Deus, curas e conversões durante o período de louvor se o nível do som extrapola os limites do corpo humano. Os níveis insuportáveis de som produzem estresse e aumento da pressão arterial (sistólica e diastólica) pelo aumento da produção de adrenalina. O som muito alto prejudica ainda a concentração e performance, além de causar irritação e incômodo. Uma boa referência para consulta e estudo é a norma ABNT NBR 10151:2000 - Versão Corrigida: 2003 Acústica - Avaliação do ruído em áreas habitadas, visando o conforto da comunidade - Procedimento, a qual pode ser adquirida a baixíssimo preço no site da ABNT. Fecha parênteses.

O que os "ministros de louvor dos últimos dias" não conseguiram ainda compreender é que o louvor à Deus não é apenas "cantoria de músicas vazias e remelexo, tudo isso no mais alto volume possível". O louvor a Deus expressa gratidão e reverência, obrigatoriamente. Dependendo do contexto, desperta também o temor do Senhor aos homens. Basta sossegar um pouco a alma que facilmente pode se sentir o temor do Senhor em hinos tais como "O Banquete de Belssazar" (hino 249):

Tua vida, ó amigo,
Nesta hora escrita está;
O registro dos teus atos
Deus, no céu, escreve já;
Que Jesus, pois, te faça
Tal escrita compreender,
Que, em havendo tempo, possas
Sua graça receber.

Lá no céu, a mão de Deus!
Lá no céu, a mão de Deus!
Vê qual seja a tua sorte,
A tua vida ou morte;
Lá no céu, escreve a mão de Deus   
 
Como, pergunto, não sentir o amor de Deus a partir de hinos como "Dez Mil dos Anjos" (“Amarraram as mãos de Cristo/ Quando no Jardim orava/ e assim sofreu vergonha e dor./ Bateram em sua face tão pura e sem pecado/ e disseram: "Crucifica-o já")? Eis aí um bom hino para ser cantado nos cultos de Santa Ceia, pois é um hino que traz a memória tudo o que o Senhor Jesus fez por nós e Sua principal motivação em ser crucificado. Ou como não sentir toda ternura e consolo do Espírito Santo na letra “meu Jesus vê quando estou só/é sabedor do meu sofer/.../Ele me ampara no caminho/e diz baixinho: não está só”? Alguém já viu uma declaração mais enfática sobre o Servir a Cristo do a registrada na estrofe “Oh! Sim! Vale a pena servir a Jesus/neste mundo é melhor ter a Cristo/riquezas se vão, honra, glória e posições/mas feliz é sempre quem tem a Cristo”?

Abre parênteses: Muitos dos hinos aqui citados são de autoria de cantores – verdadeiros ministros de louvor a Deus – como o Pr. Feliciano Amaral. Desde tenra idade eu escuto-os, debaixo da tábua de passar roupa, graças a minha querida mãe que colocava os LPs de vinil na antiga vitrolinha. Creio que as mensagens desses hinos ficaram impressas em minha alma, o que me ajudou a encontrar o Senhor quando adolescente. Hoje, vejo muitas mães que anseiam pela conversão dos seus filhos, orando desesperadamente por eles (oxalá!), sem, no entanto, fazerem a “sua parte” para que a tão desejada conversão aconteça. Se as mães assistissem menos um pouco a TV, se o mundo com seus valores entrassem menos um pouco em suas casas a partir de programas televisivos de qualidade duvidosa, se elas passassem a dedicar mais tempo e sabedoria em incutir no coração dos filhos a Palavra de Deus por meio das histórias e da música, elas cedo ou tarde lograriam êxito no afã de ver seus filhos queridos no Caminho do Senhor. Fecha parênteses.

Pode parecer que aqui está se afirmando que em matéria de músicas e hinos tudo que é novo é ruim, ou só o que é antigo é bom. Essa não é a intenção. Há boas músicas evangélicas modernas, porém infelizmente cada vez mais escassas. A imensa maioria não passa de “mais do mesmo” e “manipulação emocional”. Emoção é parte do louvor a Deus? Sim; é um grande erro excluí-las do louvor e da adoração. As emoções se constituem em um dos atributos da alma humana, não apenas o raciocínio ou a lógica. É uma bênção poder adorar a Deus também com nossas emoções, onde Deus mesmo se encarrega de desbloquear a alma do adorador. É preciso reconhecer que num mundo cada vez mais impessoal, onde muitos relacionamentos são construídos em bases opressoras ou interesseiras, as emoções (quer sejam de tristeza, quer de alegria), quando liberadas na presença de Deus em reuniões menos burocráticas e institucionalizadas, são trabalhadas e curadas pelo Espírito Santo. Mas as emoções não podem ser o objetivo final dos hinos e músicas produzidos e utilizados pelas igrejas.

As emoções precisam surgir livremente, sem “forçar a barra”. Elas precisam ser espontâneas, como se deu no caso da mulher pecadora em Lucas 7:36-50, onde as lágrimas fluíram livremente a partir do encontro da alma humana com o Senhor Jesus. Como não se emocionar em Sua presença? Como não “beijar os pés” daquele que demonstra ternura e amor com o pecador arrependido? Como não “bater palmas”; como não “aclamar a Deus com voz de triunfo” (Sl 47.1)? A renovação espiritual passa inexoravelmente pela adoração ao Senhor, a qual deve ser gerada a partir de músicas e hinos cantados com inteligência, que é a capacidade de compreender e adaptar-se facilmente, o que tem íntima relação com a faculdade de interpretar o que está sendo dito e cantado – a letra da música ou hino.

Abre parênteses: Não existe nenhuma indecência ou desordem em alguém chorar ou sorrir, ou dar brados de glória e aleluia durante o culto a Deus. A desordem e a indecência passam a acontecer quando há descontrole emocional, o que geralmente acontece em ambientes onde há ênfase nesse tipo de adoração. Quando a desordem começou a acontecer no culto dos irmãos em Corinto – a igreja mais avivada do Novo Testamento – o apóstolo Paulo tratou de pôr as coisas em seu devido lugar. Assim, cabe ao pastor da igreja não coibir a espontaneidade por medo da desordem, burocratizando a adoração cristã, mas sim ensinar o ponto de equilíbrio. Cabe a ele coibir os excessos, ensinando os crentes a adorarem ao Senhor com emoções e inteligência, sendo ele mesmo o exemplo dos fiéis. Fecha parênteses.

Liberdade e espontaneidade são marcas de reuniões de igrejas renovadas e avivadas. Glória a Deus porque podemos adorá-Lo num ambiente mais alegre, onde é possível expressar todo amor que sentimos por Deus. Glórias a Deus também porque podemos fazer tudo isso sem sermos indecentes ou desordeiros. O próprio apóstolo Paulo disse que onde o Espírito do Senhor está aí há liberdade (II Co 3.17), assim é possível ser liberto sem ser libertino. Ser renovado por Deus, espiritual e emocionalmente, é uma das consequências de uma adoração dinâmica e alegre, num ambiente saudável e equilibrado. E a música tem papel importante na construção deste ambiente.

A música evangélica precisa ser entendida como uma ferramenta de apoio à renovação espiritual e isso só se dará a partir da compreensão da influência da música sobre a alma humana e da compreensão da Bíblia sobre o uso de hinos já conhecidos e sobre a criação de novas músicas. Somente a partir da comunhão com Deus e do estudo da Palavra haverá discernimento espiritual necessário para compor músicas realmente inspiradas pelo Espírito Santo e somente estas causarão impacto espiritual positivo na vida dos crentes e dos visitantes em nossas igrejas. Com esse objetivo internalizado em nossos corações, não haverá mais tensões, em termos musicais, entre o antigo de Deus e o novo de Deus, mas o antigo e o novo estarão em harmonia, cumprindo o seu papel com perfeição e maestria.

Novamente, comunhão com Deus e estudo incessante das Escrituras são os requisitos mínimos - o minimum minimorum - necessários à vida dos compositores evangélicos para que suas músicas possuam as mesmas qualidades das músicas e hinos antigos. Sem vida com Deus, não há como haver inspiração e sem inspiração, só serão compostas músicas de pouca ou nenhuma qualidade como a imensa maioria disponível no mercado. Enquanto essa triste realidade perdurar, não haverá a produção de nenhum valor espiritual permanente na vida dos crentes a partir destas músicas, apenas impressões emocionais passageiras.

Pense nisso. Deus está lhe dando visão de águia! 

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

RUDIMENTOS DA DOUTRINA DE CRISTO - II: FÉ EM DEUS

POR isso, deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até à perfeição, não lançando de novo o fundamento do arrependimento de obras mortas e de fé em Deus, e da doutrina dos batismos, e da imposição das mãos, e da ressurreição dos mortos, e do juízo eterno. E isto faremos, se Deus o permitir. (Hb 6.1-3)

Continuando o tema da argumentação anterior, "RUDIMENTOS DA DOUTRINA DE CRISTO - I: ARREPENDIMENTO DE OBRAS MORTAS", nesta argumentação será abordado o fundamento da "fé em Deus", do grego "pistis epi Theos". Note que este fundamento está ligado ao anterior, o "arrependimento de obras mortas". Assim, no processo de tornar-se cristão, o homem deve primeiro arrepender-se de suas obras mortas (implicando aqui tudo o que foi abordado anteriormente) e então crer em Deus.

Porque é preciso crer em Deus? Ou crer em Deus com relação a quê?

Ao se deparar com a realidade de suas obras - mortas, e portanto inúteis, perante Deus - o homem vê-se diante de uma situação irremediável do seu ponto de vista. Ora, se todas as obras que o homem produz, por melhores que sejam, estão mortas, então como o homem poderá ser salvo, se tudo o que ele faz é inútil do ponto de vista de Deus? Se o homem nada pode apresentar por si mesmo - nem obras, nem justiça - o que o homem pode fazer para ser salvo de seus pecados?

É exatamente neste ponto que as religiões propõem a saída. Elas propõem como resposta a este dilema espiritual o sacrifício pessoal. Este sacrifício é assim apresentado ao homem como sendo a alternativa válida para suas mazelas. Os mais diversos termos para "sacrifício" são empregados pelas religiões: penitência, passo de fé, trabalho, oferta, etc. O sacrifício, segundo os mestres das religiões, agradam a divindade, atraindo favores e propiciando aceitação pessoal (aplacamento da ira divina, salvação espiritual, progresso espiritual, prosperidade, etc) e isso é um conceito muito antigo. As mais incipientes formas de religião apresentavam em sua teologia o papel do sacrifício por parte do fiel. Por quê? Porque há dois princípios espirituais envolvidos: "transgressão precede a punição" e "punição da transgressão é a morte".

Estes princípios não foram estabelecidos pelo homem, mas por Deus. No Éden, disse Deus: "Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás." (Gn 2.17) Aqui estão ambos os princípios acima: na hipótese de transgressão, de pecado, haverá uma punição e esta punição será a morte. Com isso, a morte entrou no mundo, tornou-se realidade prática na vida de todo o vivente e até mesmo do planeta e do universo. Segundo o autor do livro de Gênesis relata, o que fez o homem para resolver o imenso problema que ele mesmo causou por sua desobediência? Nada; não porque não quisesse resolver, mas porque ele havia se tornado parte (principal) do problema e assim estava incapacitado de fazê-lo. O máximo que o homem conseguiu fazer é se esconder entre as árvores do jardim, vestidos com aventais feitos a partir de folhas de figueira e, depois de achado, tentar transferir a sua culpa.

Abre 1º parênteses: É exatamente isso que o homem faz até hoje, quando sabe que cometeu pecado. Ele primeiro se esconde, evitando a todo custo aparecer em público; ele torna-se um foragido da justiça divina. Depois, ele procura (em)cobrir seu pecado e isso ele faz de várias maneiras. Por fim, quando pego e sem saída, busca transferir a sua culpa, acusando o sistema, a igreja, o diabo, o pastor, o presidente da república, o chefe, a carestia, a falta de emprego, etc. Fecha 1º parênteses.

Note que "a partir daquele momento, o homem passou a ser dominado por Satanás (que significa inimigo). Dominando o homem, Satanás passou a ter poder também sobre o planeta e a ser o deus deste mundo – não por direito como Deus era, mas por ter roubado o domínio pela tentação e pelo pecado". “É muito simples”, Satanás pensou. “Sempre que algum ser humano nascer, será uma moleza: eu o tentarei e o farei submeter-se a mim. Dessa forma, serei o deus deste mundo.” (Asher Intrater, Revista Impacto Nº 66, http://www.revistaimpacto.com.br/ceus-e-terra-no-plano-de-deus)

Usando uma linguagem antropopática, Asher prossegue: "Deus ficou numa “enrascada”. O diabo disse: “Eu o peguei! Você deu a Terra para os homens, não pode voltar atrás com sua palavra e não vai consegui-los de volta, porque posso enganá-los e levá-los a pecar. Agora tenho autoridade sobre este mundo; você pode ser o Deus do Céu, mas eu sou o deus deste mundo e não há nada que o Senhor possa fazer.” Ao ver essa situação, a primeira solução a ser pensada é "livrar-se do problema", o que implicaria em Deus livrar-se do diabo. Porém, ao fazê-lo, Deus teria também que livrar-se do homem.

Já que o homem estava sob domínio de Satanás e nada podia fazer para mudar isso, competia a Deus agir. O que fez Deus, então, ao ver toda sua criação sujeita ao pecado? Ele relatou ao homem caído e ao próprio diabo a Sua Solução: "E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar." (Gn 3.15) Noutras palavras, Deus disse que haveria alguém, descendente da mulher, que esmagaria a cabeça do diabo. Esta promessa ecoou através dos séculos tanto no coração dos homens, quanto no interior do próprio diabo, que tudo procurou fazer para "sujeitar o filho da mulher ao pecado". Quando não conseguiu, o matou, como fez com Abel.

Foi isso mesmo que Satanás tencionou fazer com Jesus. Ele é o descendente da mulher, nascido de mulher, nascido em carne. Ele viveu nesta Terra sem pecado nenhum; Ele venceu todas as tentações do diabo. Mesmo armando diversas ciladas para o Senhor, Satanás jamais conseguiu fazê-lo pecar ou ser morto. O Senhor morreu na cruz não porque o diabo o matou, mas porque era parte do plano de Deus que Ele morresse. Ele mesmo disse: "Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai" (Jo 10.17,18). Como também era parte do plano que Ele descesse ao inferno e tomasse das mãos do diabo as chaves da morte e do inferno e ao terceiro dia ressuscitasse dentre os mortos.

O que significa, então, esta expressão "fé em Deus"? Significa crer que a solução para as obras mortas não está no homem, mas em Deus. Jesus é a Solução de Deus para as Obras Mortas! Aleluia! Esta é a boa nova de Deus, o Evangelho do Senhor! Ele, o Senhor Jesus, "tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si"; Ele foi "ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades", conforme Isaías nos ensina profeticamente. Ele levou sobre Si, na Cruz, todos os nossos pecados, todas as nossas transgressões. Assim, Ele tomou o meu lugar e o seu, querido leitor, morrendo por nós; afinal, esse é o princípio estabelecido - a punição da transgressão é a morte. A morte que Ele morreu era nossa; aquela cruz era a consequência natural para mim e para você, pois fomos nós quem pecamos. O Senhor Jesus jamais pecou; nós, pelo contrário, já fomos gerados em pecado (Sl 51.5) e desde então não fazemos outra coisa a não ser pecar. Mas Ele tomou o nosso lugar, assumiu a nossa pena.

Deste modo, fé em Deus - passo seguinte ao arrependimento das obras mortas - consiste em crer na solução que vem de Deus para nosso estado espiritual decaído, para nossa apostasia, para nossa vida de pecado sobre pecado: na encarnação, na morte e na ressurreição do Senhor Jesus Cristo. Não se trata apenas de reconhecer isto como mero fato histórico, isso não tem nenhum valor espiritual dentro do que estamos abordando; mas reconhecer o propósito de tudo o que foi feito, ou seja, nos salvar dos nossos pecados. "O SENHOR fez cair sobre ele [Jesus] a iniqüidade de nós todos. [...] O castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados." (Is 53.5,6) O pecado é pessoal, assim o arrependimento e a fé em Deus também é algo pessoal. É impossível se arrepender ou crer por outra pessoa, como se pudessemos ser representantes de outrem. É algo que cada um precisa fazer, individualmente.

Portanto, Jesus foi dado por Deus por mim. Deus deu o Seu Único Filho porque Ele me amou, apesar da minha multidão de pecados. Esse gesto de Deus - dar o Seu Único Filho - compreende o nascimento de Jesus em carne e compreende a Sua morte na cruz. Nasceu, viveu, morreu e ressuscitou por mim. Quando creio com todo o meu coração nessa Verdade, eu então recebo Jesus como Meu Único e Suficiente Senhor e Salvador pessoal. "Aceitar Jesus", termo popular nas Igrejas Evangélicas, nada mais é do que aceitá-Lo como a Solução de Deus para minha vida; como pode ser facilmente visto, implica em mais do que repetir uma oração, atender um apelo, ou coisas do tipo. Quando recebo Jesus em minha vida, Ele me perdoa por meus pecados, me dá a Sua justiça e passa a fazer parte da minha vida, na Bendita Pessoa do Seu Espírito. Vivo com Ele nesta Terra e, quando morrer, me encontrarei com Ele no céu, onde viverei para sempre ao Seu lado.

E você, já foi salvo pelo Senhor, à luz de tudo o que foi ensinado até agora? És salvo, sabendo agora tudo o que isso implica? Se não é, não perca mais tempo! Hoje é o dia! 

Na próxima argumentação, permitindo Deus, abordaremos a doutrina dos batismos. Até lá! Lembre-se: Deus está te dando visão de águia!

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

RUDIMENTOS DA DOUTRINA DE CRISTO - I: ARREPENDIMENTO DE OBRAS MORTAS

POR isso, deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até à perfeição, não lançando de novo o fundamento do arrependimento de obras mortas e de fé em Deus, e da doutrina dos batismos, e da imposição das mãos, e da ressurreição dos mortos, e do juízo eterno. E isto faremos, se Deus o permitir. (Hb 6.1-3)

Segundo o Dicionário Aurélio, a palavra "rudimentos" possui os seguintes sinônimos:"elemento inicial; princípio, começo; esboço; primeiras noções; conhecimento geral, e superficial ou elementar". Neste texto, o autor da epístola aos Hebreus conclama aos crentes a prosseguirem no crescimento do conhecimento e espiritualidade cristãs. Nas palavras do autor, o avanço em direção à perfeição de Cristo se faz necessário e, para tal, os primeiros conceitos, rudimentares - que já deveriam estar bem firmados e compreendidos - não deveriam ser o único tema a ser objeto de estudo por aqueles irmãos. Para o crescimento emocional e espiritual do crente, os rudimentos, chamados na Bíblia de "leite", deveriam ser substituídos por alimento mais sólido na vida daqueles que já eram crentes há algum tempo e que, portanto, já haviam tido a formação básica necessária para sua fé. 

Obviamente, esse conselho pressupõe que os neo-convertidos eram ensinados (doutrinados) com relação à sua fé. Um neo-convertido deveria, deste modo, aprender os fundamentos da fé cristã, para só então prosseguir com ensinos mais elaborados. Que fique bem claro que os objetivos deste ensino não eram a formação acadêmica ou intelectual dos crentes, mas sim a formação teórico-prática, voltada para a sua vida cotidiana. Os crentes devem ser praticantes da Palavra de Deus e não apenas ouvintes (Tg 1.22) e essa prática envolve, dentre outras coisas, "responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós" (I Pe 3.15).

Hoje, infelizmente, há pouco ensino na Igreja. Com relação ao "pouco ensino", entenda-se "pouco/nenhum ensino efetivo, voltado para a formação do caráter e vida cristã de acordo com as Escrituras Sagradas". A Escola Bíblica Dominical (EBD), a qual foi usada durante décadas a fio pelas Igrejas com este propósito, já há muito se encontra esvaziada, tanto em termos de conteúdo, quanto de alunos e mestres interessados em aprender e ensinar. De fato, pouco material útil é encontrado à disposição das Igrejas para o ensino da EBD, uma das consequências da teologia do "aqui e agora", da "prosperidade egoísta e irresponsável", talvez a maior heresia e vento de doutrina já experimentados pela Igreja. Pela duração, intensidade e estrago feito até o momento, esse vento é, na prática, o "El Niño" da Igreja, provocando um rastro de morte e destruição por onde passa.

Por outro lado, há um verdadeiro "boom" de ordenação de pessoas ao ministério pastoral. Penso que nunca se ordenou tanta gente ao pastorado como em nossos dias. Ao contrário do que possa aparentar, esse "boom" trouxe mais prejuízo do que ganho para a causa do Evangelho, porque muitos ministros ordenados não possuíam as mínimas condições de sê-lo, nem ainda possuem, após ordenados. Esse fenômeno está, de certo modo, ligado ao surgimento explosivo de novas denominações (necessidade de mão-de-obra), criadas sem pouco ou nenhum critério (geralmente, fruto de divisão de outra denominação/igreja). Se a Igreja/denominação foi criada com pouco ou nenhum critério, ou se permitiu concessões às Verdades Eternas, relativizando e suavizando o texto bíblico em prol de um maior sucesso e aceitação, então seus ministros ordenados seguirão, inevitavelmente, o mesmo padrão.

Abre 1º parênteses: Os Concílios Ordenatórios, criados pelas Convenções das Igrejas Históricas (como CBN, CIBI, CBC, CBB, etc, só para citar as de confissão batista) foram, durante muito tempo, o fiel da balança, impedindo que pessoas despreparadas assumissem tão importante função que é o pastorado. Mesmo podendo ter se equivocado em alguns casos, os Concílios Ordenatórios merecem destaque pelo seu papel no zelo pela Igreja e pela denominação, mantendo a decência e a ordem na Casa de Deus. Fecha 1º parênteses.

Como há despreparo generalizado e desprezo pela formação cristã, hoje em dia é fácil encontrar pessoas que se dizem crentes sem nunca terem tido contado com os fundamentos da fé que dizem professar. Dizem ter "aceitado Jesus" sendo "batizadas nas águas", mas quando questionadas sobre o que essas coisas significam, as respostas são as mais estapafúrdias possíveis. Há, porém, um núcleo comum em todas as respostas: a solução imediata de problemas (físicos e temporais). Tratam-se de pessoas que um dia procuraram uma Igreja (ou por iniciativa própria ou por convite) e lá lhes foi dito que "se aceitassem Jesus, teriam a solução dos seus problemas". Ora, quem não quer ter os seus problemas resolvidos? E ainda mais: resolvidos de forma fácil, por outra pessoa, com pouco ou nenhum esforço ou compromisso pessoal! Logicamente, esse "apelo" para "aceitar Jesus" tem uma adesão quase total! 

No entanto, os fundamentos da fé cristã revelam outra realidade em termos da conversão do homem a Deus, distinta da realidade em voga. Os fundamentos apontam para um B-A-BA, um "processo concertado", relativo a fé. Ser cristão é algo que acontece por meio de uma sucessão de etapas sequenciais, onde há uma formação contínua da consciência e realidade crista no interior do homem, partindo-se do básico para o intermediário e daí para o avançado. Estes fundamentos começam, justamente, pelo arrependimento das obras mortas e fé em Deus, pré-requisitos para que alguém se torne um cristão de verdade.

O que são obras mortas? E no que consiste o arrependimento de obras mortas? A definição mais básica possível é a substituição sinonímia: obras mortas são, deste modo, obras sem vida. Quando uma obra pode ser considerada "sem vida"? Quando ela é realizada por alguém "sem vida", ou seja, alguém que está morto. Obviamente, estamos nos referindo a uma pessoa no estado de morte espiritual, ou seja, uma pessoa que se encontra separada de Deus. Assim, uma pessoa num estado de morte espiritual produzirá, inevitavelmente, obras mortas do ponto de vista espiritual, por melhores que sejam suas intenções e por maior que seja o impacto dessas obras para o bem-estar de alguém ou de uma causa.

Segundo a Bíblia, morte espiritual é o estado em que toda a humanidade não-convertida ao Evangelho se encontra diante de Deus. É o justo e merecido pagamento por uma vida de pecado (Rm 6.23a). Quem pecou? Novamente, "todos pecaram", ou seja, toda humanidade (Rm 3.23 - Universalidade do Pecado):

"Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. A sua garganta é um sepulcro aberto; com as suas línguas tratam enganosamente; peçonha de áspides está debaixo de seus lábios; cuja boca está cheia de maldição e amargura. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. Em seus caminhos há destruição e miséria; e não conheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos." (Rm 3.10-18)

É exatamente assim que Deus vê toda a humanidade: como pecadores, mortos espiritualmente, separados de Deus por seus atos e por sua natureza pecaminosa (os atos são fruto da natureza). Por melhor que as pessoas sejam, por maiores que sejam seus esforços, por mais relevantes que sejam suas obras, diante de Deus o estado espiritual é o mesmo: morto. Por melhor chefe de família, por melhor pai/mãe, por nunca ter matado, roubado ou violentado ninguém (nem uma mosca), por mais caridades que sejam feitas, o estado espiritual diante de Deus é o mesmo: morto. Nenhuma obra humana serve para mudar o estado espiritual do homem diante de Deus. O homem, em seu estado de morte espiritual, nada pode fazer por si mesmo para alterar essa realidade. Independente dos atos, a natureza pecaminosa permanece em cada um, não sendo alterada por nenhuma boa obra ou caridade.

Quando compramos um quilo de feijão, o padrão utilizado para verificar a quantidade de feijão é o quilograma (não o litro, ou o ampère). Ninguém pede no mercado "um ampère de feijão", porque não é esse o padrão de medida aplicável a este produto. Assim, por analogia, não são as obras de alguém o padrão que Deus usa para averiguar o estado espiritual dessa pessoa. Daí, não adianta apresentar-Lhe as boas obras como critério válido para verificação da justiça; elas não servem como padrão para isso. Não passam de "obras mortas". Pelas obras, ninguém jamais, em tempo algum, será justificado ou salvo por Deus. Mais uma vez, a Bíblia declara: "não por obras, para que ninguem se glorie" (Ef 2.9); nossa justiça, para Deus, não passa de trapos de imundícia (Is 64.6). Para maior compreensão: trapos de imundícia são os panos utilizados antigamente para conter o fluxo menstrual.

Abre 2º parênteses: Para mudar a realidade espiritual do homem, nada adianta a prática do rito. O rito em si nada é, a menos que seja realmente compreendido e aceito em toda sua realidade. Daí o porquê muitas pessoas, ditas crentes, encontram-se possessas por espíritos demoníacos. Onde está o problema? Está na exigência de uma conversão genuína, o que passa inevitavelmente pelo real entendimento e aceitação de todos os pressupostos e condicionantes para que uma pessoa seja realmente convertida. O genuíno crente, que se converteu de verdade, jamais será possesso por demônios; porém, aquele que meramente segue o rito no afã de auferir benefícios pessoais, poderá sê-lo, mesmo tendo seguido todo rito: levantar a mão, vir à frente da Igreja, oração com o pastor, batismo, frequentar igreja, ler a Bíblia, etc. Enquanto não houver arrependimento verdadeiro das obras mortas, tudo isso é em vão do ponto de vista espiritual. E a realidade espiritual de alguém é conhecida tanto por Deus, quanto pelo diabo. Fecha 2º parênteses.

Abre 3º parênteses: Ainda que muitos pastores insistam em apresentar números para quantificar seu sucesso ministerial ("numa única noite foram mais de X pessoas convertidas!"), há que se questionar, diante de tudo o que foi e está sendo exposto nesta argumentação, a veracidade espiritual destas "conversões". Fecha 3º parênteses.

Assim, do que todo homem precisa ser salvo? Dos seus próprios pecados, tanto enquanto "estilo de vida" quanto natureza! Dos pecados que o condicionam ao estado de morte espiritual e que podem condicioná-lo ao estado de morte eterna. O que é morte eterna? É a eterna separação do homem de Deus, de forma definitiva e irreversível, quando tal homem, morto espiritual, passa do estado de condenação para a realidade da condenação. O que deve então fazer para ser salvo? Primeiramente, parar de justificar-se, reconhecendo a real natureza de suas obras. Enquanto houver justificativa, nada feito; enquanto houver qualquer sombra de dúvida sobre a real condição espiritual, não há conversão. O homem, diante de Deus, está morto em seus pecados e nada pode fazer por si mesmo para deixar de sê-lo, como já foi estabelecido anteriormente. Após reconhecer a real da natureza de suas obras e de si mesmo, o homem precisa se arrepender de suas obras mortas.

A palavra "arrependimento" vem do grego metanóia, e significa "mudança de mente, mudança de pensamento, meia volta volver". O arrependimento no Novo Testamento envolve a decisão mais do que a emoção. Muitos crêem que o arrependimento é algo meramente emocional. As emoções têm o seu lugar no arrependimento, mas o arrependimento é muito mais do que uma reação emocional.  Por sua vez, outros pensam que arrependimento é um ritual, como uma espécie de penitência. Contudo, o arrependimento é uma firme decisão interior – é uma verdadeira mudança da mente. No genuíno arrependimento, a pessoa está em plena concordância com Deus sobre sua real natureza; toda justiça pessoal silencia-se, dando lugar a um sentimento de reprovação e inadequação diante de Deus, do estado miserável em que se encontra e da necessidade urgente de mudar de vida.

Como mudar de vida? Como resolver o problema do pecado? Como pode o homem ser salvo?

Na próxima argumentação, daremos prosseguimento ao tema, abordando a fé em Deus. Até lá! Lembre-se: Deus está te dando visão de águia!

terça-feira, 9 de agosto de 2011

MUITA CANSEIRA EM DIAS TRABALHOSOS...

SABE, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. (II Tm 3.1)

Dias trabalhosos... assim o apóstolo Paulo qualifica os "últimos dias". Dias de muito trabalho, que geram muita canseira e muito mal-estar, aborrecimento. Não pelo trabalho per se, que é de grande importância, mas pelo tipo do trabalho e a intensidade de energias espirituais e emocionais que ele demanda. Esse trabalho ao qual me refiro é o lidar com as "pessoas dos últimos dias". Sim, o trabalho nos últimos dias, mais intenso do que o trabalho nos primeiros dias, consiste em ter que lidar com os homens e mulheres que vivem neste tempo. Todos os que vivem neste tempo são "pessoas dos últimos dias"? Não, graças a Deus! Mas seu número é crescente; encontram-se em todos os lugares, especialmente na religião.

Ah, a religião... o entorpecente do homem dos últimos dias! O grande gueto, cada vez mais popular, cada vez mais frequentado e cada vez mais violento, onde a violência é intensa, explosiva:

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No beco escuro onde explode a violência
Eu tava acordado
Ruinas de igrejas, seitas sem nome
Paixão, insônia, crença, liberdade vigiada   
 
(Música "O Beco", Paralamas do Sucesso)
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Infelizmente, de forma cada vez mais ampla, a igreja está se tornando como diz a música, "em ruínas"; não passam de seitas sem nome, ou seja, sem identidade definida - meio gospel, meio espírita, meio barro, meio tijolo. A igreja que me refiro é aquela que há muito tempo deixou de ser ekklesia, deixou de ser "coluna e baluarte da verdade" de Deus. Não são todas, novamente afirmo e novamente glorifico a Deus por isso. Porém, infelizmente não são poucas.
 
Esta abordagem não refere-se à instituição, associação ou organização, que é ampla e variada. Se a origem do problema fosse a organização, resolvê-lo seria o mais simples dos trabalhos. Um bom gestor de O&M, um especialista em gestão organizacional seria mais do que suficiente. Há uma ampla quantidade de modelos organizacionais de igrejas à disposição, desde a forma de governo (episcopal, presbiteriano, congregacional, 12, etc) até a forma de funcionamento (células de crescimento, de edificação, cultos, ministérios, departamentos, grupos, com propósitos, etc). Particularmente, creio que cada um desses modelos é valido; não existe um modelo melhor ou pior, mas sim aquele que cada um utiliza. Cada modelo tem seus pontos fortes e pontos fracos, bem como suas oportunidades e ameaças, facilmente detectáveis a partir de uma simples análise SWOT. 
 
Mas o problema é mais profundo. Ele deriva-se da dupla natureza da igreja, que é tanto uma instituição, quanto um organismo vivo. Todo organismo vivo é, de uma maneira bem simples, um conjunto de sistemas interligados e mutuamente dependentes, que funcionam sinergisticamente visando a manutenção da vida e do bem-estar do organismo. Quando os sistemas que compõem o organismo não funcionam como deveriam, os demais sistemas ou compensam esta disfunção - trabalhando muito mais do que deveriam - ou também passam ao estado de mau funcionamento. Isso é facilmente exemplificado observando-se o corpo humano. Se, por exemplo, há algum problema no funcionamento dos rins na regulação do nível de líquido no corpo, o volume de líquido aumenta e deste modo aumenta a pressão arterial, que nada mais é do que o coração fazendo mais força para bombear uma quantidade maior de líquido. A persistência no quadro pode gerar muitos danos, tanto para o coração quanto para os demais órgãos e tecidos.
 
Mas o que é um sistema? Da biologia, aprendemos que um sistema é um "conjunto de órgãos compostos dos mesmos tecidos e que desempenham funções similares". Cada membro da igreja se constitui, na verdade, no órgão que a mantém funcionando. Assim, o cerne do problema está na constituição fundamental da igreja, ou seja, em seus membros e lideranças. Novamente, são todos os membros? São todas e quaisquer lideranças? São todas as denominações? Não, não e não! Ainda há, por certo, pessoas sérias e comprometidas com o organismo e com o Senhor deste organismo. 
 
Contudo, o apóstolo Paulo diz que há um grupo de pessoas cuja característica é ser radicalmente o oposto do que deveriam ser; um grupo que é encontrado no lugar onde jamais deveriam sê-lo. Nas palavras de Paulo, são pessoas que têm aparência de piedade, ou seja, aparentam santidade, temor de Deus, conversão, mas na verdade são pessoas desprovidas de todos os valores e características que identificam e qualificam os verdadeiramente piedosos.  Paulo enumera as características dessas impiedosas pessoas, homens dos últimos dias, num total de 18 "adjetivos", que fariam o cruel e tirano Imperador Ming, de Flash Gordon, parecer o mais santo dos homens.
 
É justamente esse grupo de ímpios transvestidos de crentes, nos bancos e nas lideranças, que fazem com que estes últimos dias sejam dias trabalhosos. Gente que vive de acordo com os padrões e princípios deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito [maligno, do inferno] que neles opera, enquanto na condição de filhos da desobediência (Ef 2.2), e que torna-se religioso, igrejeiro, sem no entanto experimentar a transformação do caráter, sem experimentar o novo nascimento. Como não houve mudança de vida, estas pessoas passam a reproduzir na igreja aquilo que elas são e aquilo que elas vivem no mundo, do qual ainda não saíram. Eles não foram "ek-kaleo", chamados para fora do mundo e, portanto, não são igreja no conceito bíblico; não são parte do organismo vivo. Porém, são igreja no conceito secular: membros da organização, com direito a voz e voto, com direito a serem batizados e tomarem Santa Ceia. 
 
Lidar com este tipo de gente produz uma canseira sem precedentes! Dá muito trabalho lidar com homens "amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus". São essas pessoas que contribuem com seu mal comportamento, fruto de um caráter deformado pelo pecado, para que o nome de Deus seja blasfemado no mundo (Rm 2.24) - isso quando eles mesmos não são os primeiros a blasfemarem desse Nome. São esses que fazem com que a Bíblia e a igreja tornem-se piada, que o Santo Nome do Senhor Jesus vire jargão cômico na boca de infiéis (como, por exemplo, "só... na causa!"). São esses que não entram no Reino de Deus e ainda por cima impedem aqueles que entravam de continuar a fazê-lo, produzindo uma enormidade de escândalos para a igreja (o mundo percebe cada igreja como uma coisa só). São esses que resistem sempre a todo ensino e correção; que aprendem, aprendem e aprendem mas nunca chegam ao conhecimento da verdade (II Tm 3.7).
 
Por isso, como canta o Paralamas, "igrejas [estão] em ruínas". Perderam seu propósito original, de ser igreja. Estão na igreja, mas não são igreja. Estão mas não são. Estão de corpo presente, como também pdoeriam não estar. Estão porque têm interesse naquilo que a instituição e seus mentores podem oferecer: bênçãos fáceis a preços módicos, status social, carreira e profissão, palco e atenção. Como é fácil fazer sucesso "naquela que é e não é", como é fácil lucrar milhares e milhões com CDs de música, que enfatizam o estar e não o ser (ou como vir a ser); como é fácil ter programas e canais de TV e rádio, para ajudar a manter o "status quo". Igrejas em ruínas, arruinadas e arruinadoras. Instituições vazias, ocas, sem nenhum valor espiritual. Igreja que é estudo de caso, em dissertações e teses acadêmicas, do que não é igreja. Aquela que é e não é, que diz "o culto desta noite foi maravilhoso, ô glóooriiiaaaa", porque a música que cantaram tem um ritmo eletrizante, ou tem uma melodia de fossa. porque a mensagem que ouviram, dita de Deus, foi cuidadosamente preparada para gerar sentimentos positivos de alegria, ou porque o dito "pastor/apóstolo" aplicou técnicas de manipulação de massas.
 
Como é extenuante lidar com essa situação. Que canseira! Mostrar a verdade sobre a "inverdade" que é essa "igreja". Nestes dias de muito e intenso trabalho, corre-se o risco da estafa e do desânimo. Para que isso não ocorra, só tem um jeito: esperar no Senhor. Assim diz a Palavra de Deus: "Mas os que esperam no SENHOR renovarão as forças, subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão" (Is 40.31). Como canta o Pr. Feliciano Amaral, "Óh Senhor, dá que eu possa esperar! De joelhos imploro, até que Tu mesmo direto respondas; dá que eu possa realizar, o que outros fazem, esperam orando em Ti óh Senhor!". Não desistir, apesar de toda conspiração satânica para que isso aconteça; não abandonar a congregação, ainda que esta seja a vontade pululante.
 
É preciso tirar os olhos dessa que não é igreja verdadeira, mas é filha da prostituta embriagada de Apocalipse 17. João se maravilhou com grande admiração da mãe dela e foi repreendido pelo anjo do Senhor. Nas palavras do anjo, a mãe prostituta é aquela que "foi e já não é, e há de subir do abismo, e irá à perdição; e os que habitam na terra (cujos nomes não estão escritos no livro da vida, desde a fundação do mundo) se admirarão, vendo a besta que era e já não é, mas que virá" e assim como é a mãe, são as filhas. Do mesmo modo, aceite a carinhosa repreensão e não fique olhando com admiração para ela, para que você não venha a ser seduzido por essa meretriz espiritual, que ostenta poder e riqueza ("vestida de púrpura e de escarlata, e adornada com ouro, e pedras preciosas e pérolas", v.4), ou desanimado pela contemplação do sangue dos santos e das testemunhas de Jesus em sua boca. Não permita que sua vida se desvie, nem para direita, nem para a esquerda, mas siga sempre em frente, olhando firmemente para Jesus, o Autor e Consumador da nossa fé!



Pense nisso. Deus está lhe dando visão (e asas) de águia!

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

JUSTIFICATIVAS OU JUSTIFICAÇÃO?


O termo justificativa deriva do Latim, justificare, “fazer justo; fazer justiça; tratar com justiça; justificar; absolver”, composto de justus, “que tem a devida medida; que tem o que lhe pertence; conveniente; suficiente; bastante; legítimo; benigno”, e facere, “fazer; executar; efetuar; levar a efeito; desempenhar; cumprir; cometer”.

Conforme Louis Berkhof, o termo hebraico hitsdik, traduzido por justificar, é estritamente de cunho judicial, forense, significando “declarar judicialmente que o estado de uma pessoa está na harmonia com as exigências da lei”.  Não significa, portanto, "fazer justo"; antes “alterar a condição de modo que o homem possa ser considerado justo”. No grego, o verbo equivalente, diakaioo, significa, em geral, “declarar que uma pessoa é justa”. Ocasionalmente se refere a uma declaração pessoal de que o caráter moral da pessoa está em conformidade com a lei. Do mesmo modo, o termo grego dikaios nunca expressa o que uma coisa é em si mesma, mas sempre o que é em relação a alguma outra coisa, a algum padrão que está fora dela, ao qual ela deveria corresponder.

Com base nestes termos e conceitos, o apóstolo Paulo em sua epístola aos Romanos enuncia a doutrina da justificação pela fé, definida como sendo o "ato judicial de Deus, no qual Ele declara, com base na justiça de Jesus Cristo, que todas as reivindicações da lei são satisfeitas com vistas ao pecador". A justificação pela fé é um dos principais pilares da Reforma Protestante, se constituindo na "causa mortis" da prática de auto-justificação por obras. Toda auto-justificação está morta, diante da justificação pela fé; toda e qualquer tentativa de buscar justiça por todo e qualquer meio que não pela fé em Cristo é anátema.

A auto-justificação, na qual a justificativa tem papel preponderante, tem essência completamente distinta da justificativa pela fé, senão vejamos:

a) A justificativa baseia-se em argumentos elaborados para inocentar o culpado, partindo assim do conceito de justiça pessoal. A justificação pela fé baseia-se no conceito de "declaração de justiça", partindo do Supremo Legislador do Universo - Deus;

b) A justificativa busca inocentar o culpado com base na tentativa de demonstrar sua não-transgressão de um código consuetudinário ou legal. A justificação pela fé baseia-se na reconhecida e inapelável declaração de culpa pelo transgressor perante a Lei de Deus (Rm 3.23);

c) Na justificativa, o homem apóia-se em seus próprios critérios e padrões de justiça, tanto conceituais quanto práticos, tendenciosos em essência; na justificação pela fé, Deus (e não o homem) baseia-se em Seus Santos e Justos critérios, que são Eternos, indiscriminatórios e inalteráveis, para conferir justiça;

d) Na justificativa, o homem busca a todo o custo, por todas as formas e maneiras, não ser responsabilizado por seus próprios atos, sempre justificáveis aos seus próprios olhos; na justificação pela fé, Deus não justifica os atos humanos, ao contrário, Ele envia Seu Único Filho - Jesus Cristo - para ser julgado e condenado à morte no lugar do transgressor, a fim de que o homem possa obter justiça pela fé, não por obras ou argumentos.

A justificação pela fé é, deste modo, um critério justo e universal, aplicável a todos os homens, de todas as etnias e classes sociais, uma vez cumpridas suas prerrogativas básicas: reconhecimento de culpa, reconhecimento da incapacidade de obtenção de justiça por métodos humanos e fé na morte vicária e expiatória de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A justificativa pela fé é uma das múltiplas formas e expressões da Graça de Deus; é, também, manifestação de Sua Bondade e Misericórdia.

Assim, na Justiça segundo Deus, há espaço para o perdão do transgressor e quitação dos débitos com a Lei. O transgressor só é condenado se escolhe deliberadamente viver como "fora-da-lei", ou considerando seu afastamento de Deus (manifesto pela insistente dureza de coração, pela impenitência, pela desconsideração da bondade de Deus por meio de Cristo) como algo correto ou considerando-o como algo justificável.

No mundo dos homens, há um princípio do Direito que estabelece que ninguém pode alegar desconhecimento da lei como razão para descumpri-la. A vida em sociedade não seria possível se as pessoas pudessem alegar o desconhecimento da lei para se escusar de cumpri-la. Como ninguém pode alegar desconhecimento da lei para justificar seus erros, todos os cidadãos tem como dever conhecer seus direitos e obrigações. Porém, como o transgressor da Lei de Deus pode ser alertado do seu estado de "outlaw"? Para isso mesmo Deus, em Sua infinita Sabedoria, deixou duas fontes de conhecimento: a Palavra Escrita (a Bíblia Sagrada) e a Igreja, anunciadora da Palavra Escrita.

Deste modo, exerce a Igreja importantíssimo papel nas questões que envolvem Deus e Sua relação com o homem, desde que esta se baseie na letra e no Espírito das Escrituras Sagradas. É ela, enquanto "coluna e baluarte da verdade", quem mostra ao homem transgressor o seu real estado diante da Justiça e dos Juízos de Deus; que mostra que a despeito dos avanços sociais e científicos que o homem possa galgar ele, o homem, é pecador inveterado e está destituído da glória de Deus, sendo incapaz de remissão ou redenção por atos baseados em seus próprios critérios (o que é lógico, dado que são estes mesmos critérios e justiças, desprovidos de toda e qualquer justiça, a expressão natural do transgressor).

No Evangelho de Mateus, o Senhor Jesus classificou esta faculdade de "salgadura" e de "iluminação". Salgar a vida dos homens é a função do "sal da terra", enquanto iluminá-los é consequência do estado de "luz do mundo". Assim, na condição de luz do mundo, a Igreja mostra ao transgressor a sua transgressão, a causa máter de todas as transgressões e a solução de Deus para sua vida. Por sua vez, na condição de lsal da terra, a Igreja conserva o estado espiritual do transgressor arrependido, do convertido, lembrando-o das ricas promessas de Deus e exortando-o insistentemente à constante vigilância, chamando-o ao arrependimento e à restauração no caso de sua queda.

Do mesmo modo, no mesmo Evangelho, o Senhor Jesus disse que se o sal não salgar, tornando-se insípido, para nada mais ele serve, a não ser para ser pisado pelos homens (Mateus cap. 5). É digno de nota que o sal da Palestina encontrado nos pântanos não era puro. Devido à substâncias estranhas nele, ele perdia o seu sabor e tornava-se insípido e inútil, quando expostos ao sol e ar, ou quando permitia-se que ele entrasse em contato durante um tempo considerável com o solo. Ser pisado pelos homens... passagem profética! Nunca a Igreja foi tão pisada pelos homens, nunca foi tão esculhambada pela sociedade! E, tudo isso, por um simples fato: o sal deixou de salgar.

Hoje, o pregador que insiste em pregar contra pecado é considerado "persona non grata", quer pelos crentes, quer por outros pastores e líderes. Se aborrecem e usam o recurso da fofoca, do leva-e-traz, e da murmuração quando suas mazelas são expostas e combatidas à luz da Palavra de Deus, quando os corações de pedra sofrem a ação da perfuratriz de diamante que é a Bíblia, quando a Espada do Espírito vai no cerne, na divisão da alma e do espírito, mostrando às claras aquilo que tanto querem "varrer para debaixo do tapete". 

Hoje, na lógica do presente século, mais vale ter a Igreja cheia de gente vazia. Para isso, basta aplicar um pouquinho da teologia da prosperidade, de campanhas pseudo-espirituais malucas, sem pé nem cabeça (que envolvem uma mistura de misticismo com bufunfa) e usar alguns jargões e palavras de efeito motivacionais. Neste cenário, não há lugar para Deus; o Espírito Santo se afastou e Jesus está do lado de fora, insistentemente batendo à porta.  Será que você está escutando Ele bater? Ou já está tão surdo espiritualmente ao ponto de ouvir apenas o seu corrupto coração? Isso me faz lembrar do antigo hino "Somebody's Knocking at Your Door", baseado em Apocalipse 3:20:

Somebody’s knocking at your door; 
Somebody’s knocking at your door;
O sinner, why don’t you answer?
Somebody’s knocking at your door.

Knocks like Jesus,
Somebody’s knocking at your door;
Knocks like Jesus,
Somebody’s knocking at your door;
O sinner, why don’t you answer?
Somebody’s knocking at your door.

Can’t you hear Him?
Somebody’s knocking at your door;
Can’t you hear Him?
Somebody’s knocking at your door;
O sinner, why don’t you answer?
Somebody’s knocking at your door.


Answer Jesus,
Somebody’s knocking at your door;
Answer Jesus,
Somebody’s knocking at your door;
O sinner, why don’t you answer?
Somebody’s knocking at your door.

Sim, isso mesmo: o Senhor Jesus está batendo à porta! Você não pode ouvi-lo? Se sim, então responda-O! Sabe como Ele bate à porta? Não? Ele parte à porta por meio de um louvor inspirado. Ele bate à porta por meio de um testemunho genuíno; mas acima de tudo Ele bate à porta por meio da Sua Palavra, por meio da pregação bíblica, cristocêntrica, livre de amarras e vãs sutilezas humanas, livre de interesses escusos em não combater o pecado e amaciar o ego dos pecadores, livre de justificativas furadas para o injustificável. Ah, mas você não consegue ouvi-Lo, não é mesmo? Seu desejo carnal está gritando tão alto que você não consegue ouvir mais nada... sim, sua natureza carnal está gritando: gritando emulações, gritando justificativas para seu desleixo e apostasia da verdade.

É possível até ouvir o grito: "Ah, isso está uma bagunça mesmo... ninguém leva mais nada a sério... é melhor seguir o curso do presente século, assim terei sucesso em minha vida, em meu ministério...". Se trata-se de um ministro da Palavra, o grito ainda pode ser mais profundo: "Vou dar exatamente aquilo que desejam, pão e circo... assim vou ser amado, querido por todos; vou ser próspero, nunca mais passarei necessidade alguma... chega de tentar viver, de tentar ser, de tentar ensinar; de agora em diante vou ser exatamente como todo mundo é... afinal, a Bíblia diz...". Esse é o grito que está no seu interior, no seu coração; o grito da dor e do desespero, da consciência do fracasso e da necessidade (de dinheiro, de aceitação, de fama, etc). É um grito cheio de justiça pessoal, cheio de justificativas, cheio de razões... que refletem apenas as suas próprias fraquezas e mazelas. O grito da Justificativa, onde a Bíblia é mais uma fonte de falácias pessoais!

A justificativa e a auto-justificação jamais levam o homem à Deus; antes, levam-no à religião. Quantos não se destacam em suas religiões, até mesmo como fundadores, por que usam a religião para justificar seus atos? Quantos pastores e músicos não se tornam expoentes no mundo gospel porque se tornaram "profissionais da religião institucionalizada", atendendo assim aos gritos de suas almas?

Mas pode haver também uma outra voz, dentro de você, a qual também tem um grito poderoso. É a voz da consciência, que lança sobre você uma série de acusações por tudo o que você tem feito. Uma voz que é realçada por uma pregação, por um louvor, ou por um simples texto como este. Uma voz que clama, dizendo: "Você sabe que está errado! Você sabe que esta justificativa não cola! Você sabe que está em pecado aos olhos de Deus! Você sabe, você sabe, você sabe...!". Se esta voz está a clamar na sua vida, glorifique a Deus por isso; é sinal de que ainda há esperança para você. Porém, essa voz só o levará até Cristo e à Sua Justiça se você não cair na armadilha da justificativa, nem da auto-justificação.

Você, querido(a) leitor(a), tem duas opções mutuamente excludentes. Primeira opção, você escolhe dar  ouvidos à voz da sua concupiscência, tornando-se mestre em justificativas; a Bíblia aqui é apenas para servir como fundamentação para seu pecado; a Igreja é boa se for neutra com relação às suas transgressões e ótima se as justificar; o ministério é fonte de lucro, afinal sua inaptidão na esfera profissional precisa ser compensada de alguma maneira; os crentes devem ser incentivados a dar mais e mais dos seus recursos e isso só é conseguido caso eles "sintam-se bem e felizes" com suas mensagens e hipocrisia. Ao final ao terminar sua vida, não reclame do seu destino eterno, ok?

Segunda opção: você opta por dar ouvidos à voz da consciência e sente a dor pelo seu pecado. Daí, você lembra onde caiu, se arrepende e volta ao primeiro amor. Abre mão das justificativas e entrega-se na mãos do Senhor; entrega sua vida e ministério, seus sonhos, projetos e frustrações Àquele que lhe chamou, capacitou e enviou, recebendo DEle o perdão e a cura, a restauração de sua vida e ministério; passa então a ser justificado unicamente pela fé em Cristo, vivendo a cada dia na suficiência da Graça de Deus. Ele, o Senhor, que insistentemente bate à porta da sua vida, sim; abra a porta; Ele prometeu entra na sua casa e cear contigo e você com Ele. Então você experimentará, na prática, que o Senhor é Deus; você verá que o Senhor tem poder!

Pense nisso. Deus está lhe dando visão de águia!