segunda-feira, 15 de agosto de 2011

RUDIMENTOS DA DOUTRINA DE CRISTO - I: ARREPENDIMENTO DE OBRAS MORTAS

POR isso, deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até à perfeição, não lançando de novo o fundamento do arrependimento de obras mortas e de fé em Deus, e da doutrina dos batismos, e da imposição das mãos, e da ressurreição dos mortos, e do juízo eterno. E isto faremos, se Deus o permitir. (Hb 6.1-3)

Segundo o Dicionário Aurélio, a palavra "rudimentos" possui os seguintes sinônimos:"elemento inicial; princípio, começo; esboço; primeiras noções; conhecimento geral, e superficial ou elementar". Neste texto, o autor da epístola aos Hebreus conclama aos crentes a prosseguirem no crescimento do conhecimento e espiritualidade cristãs. Nas palavras do autor, o avanço em direção à perfeição de Cristo se faz necessário e, para tal, os primeiros conceitos, rudimentares - que já deveriam estar bem firmados e compreendidos - não deveriam ser o único tema a ser objeto de estudo por aqueles irmãos. Para o crescimento emocional e espiritual do crente, os rudimentos, chamados na Bíblia de "leite", deveriam ser substituídos por alimento mais sólido na vida daqueles que já eram crentes há algum tempo e que, portanto, já haviam tido a formação básica necessária para sua fé. 

Obviamente, esse conselho pressupõe que os neo-convertidos eram ensinados (doutrinados) com relação à sua fé. Um neo-convertido deveria, deste modo, aprender os fundamentos da fé cristã, para só então prosseguir com ensinos mais elaborados. Que fique bem claro que os objetivos deste ensino não eram a formação acadêmica ou intelectual dos crentes, mas sim a formação teórico-prática, voltada para a sua vida cotidiana. Os crentes devem ser praticantes da Palavra de Deus e não apenas ouvintes (Tg 1.22) e essa prática envolve, dentre outras coisas, "responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós" (I Pe 3.15).

Hoje, infelizmente, há pouco ensino na Igreja. Com relação ao "pouco ensino", entenda-se "pouco/nenhum ensino efetivo, voltado para a formação do caráter e vida cristã de acordo com as Escrituras Sagradas". A Escola Bíblica Dominical (EBD), a qual foi usada durante décadas a fio pelas Igrejas com este propósito, já há muito se encontra esvaziada, tanto em termos de conteúdo, quanto de alunos e mestres interessados em aprender e ensinar. De fato, pouco material útil é encontrado à disposição das Igrejas para o ensino da EBD, uma das consequências da teologia do "aqui e agora", da "prosperidade egoísta e irresponsável", talvez a maior heresia e vento de doutrina já experimentados pela Igreja. Pela duração, intensidade e estrago feito até o momento, esse vento é, na prática, o "El Niño" da Igreja, provocando um rastro de morte e destruição por onde passa.

Por outro lado, há um verdadeiro "boom" de ordenação de pessoas ao ministério pastoral. Penso que nunca se ordenou tanta gente ao pastorado como em nossos dias. Ao contrário do que possa aparentar, esse "boom" trouxe mais prejuízo do que ganho para a causa do Evangelho, porque muitos ministros ordenados não possuíam as mínimas condições de sê-lo, nem ainda possuem, após ordenados. Esse fenômeno está, de certo modo, ligado ao surgimento explosivo de novas denominações (necessidade de mão-de-obra), criadas sem pouco ou nenhum critério (geralmente, fruto de divisão de outra denominação/igreja). Se a Igreja/denominação foi criada com pouco ou nenhum critério, ou se permitiu concessões às Verdades Eternas, relativizando e suavizando o texto bíblico em prol de um maior sucesso e aceitação, então seus ministros ordenados seguirão, inevitavelmente, o mesmo padrão.

Abre 1º parênteses: Os Concílios Ordenatórios, criados pelas Convenções das Igrejas Históricas (como CBN, CIBI, CBC, CBB, etc, só para citar as de confissão batista) foram, durante muito tempo, o fiel da balança, impedindo que pessoas despreparadas assumissem tão importante função que é o pastorado. Mesmo podendo ter se equivocado em alguns casos, os Concílios Ordenatórios merecem destaque pelo seu papel no zelo pela Igreja e pela denominação, mantendo a decência e a ordem na Casa de Deus. Fecha 1º parênteses.

Como há despreparo generalizado e desprezo pela formação cristã, hoje em dia é fácil encontrar pessoas que se dizem crentes sem nunca terem tido contado com os fundamentos da fé que dizem professar. Dizem ter "aceitado Jesus" sendo "batizadas nas águas", mas quando questionadas sobre o que essas coisas significam, as respostas são as mais estapafúrdias possíveis. Há, porém, um núcleo comum em todas as respostas: a solução imediata de problemas (físicos e temporais). Tratam-se de pessoas que um dia procuraram uma Igreja (ou por iniciativa própria ou por convite) e lá lhes foi dito que "se aceitassem Jesus, teriam a solução dos seus problemas". Ora, quem não quer ter os seus problemas resolvidos? E ainda mais: resolvidos de forma fácil, por outra pessoa, com pouco ou nenhum esforço ou compromisso pessoal! Logicamente, esse "apelo" para "aceitar Jesus" tem uma adesão quase total! 

No entanto, os fundamentos da fé cristã revelam outra realidade em termos da conversão do homem a Deus, distinta da realidade em voga. Os fundamentos apontam para um B-A-BA, um "processo concertado", relativo a fé. Ser cristão é algo que acontece por meio de uma sucessão de etapas sequenciais, onde há uma formação contínua da consciência e realidade crista no interior do homem, partindo-se do básico para o intermediário e daí para o avançado. Estes fundamentos começam, justamente, pelo arrependimento das obras mortas e fé em Deus, pré-requisitos para que alguém se torne um cristão de verdade.

O que são obras mortas? E no que consiste o arrependimento de obras mortas? A definição mais básica possível é a substituição sinonímia: obras mortas são, deste modo, obras sem vida. Quando uma obra pode ser considerada "sem vida"? Quando ela é realizada por alguém "sem vida", ou seja, alguém que está morto. Obviamente, estamos nos referindo a uma pessoa no estado de morte espiritual, ou seja, uma pessoa que se encontra separada de Deus. Assim, uma pessoa num estado de morte espiritual produzirá, inevitavelmente, obras mortas do ponto de vista espiritual, por melhores que sejam suas intenções e por maior que seja o impacto dessas obras para o bem-estar de alguém ou de uma causa.

Segundo a Bíblia, morte espiritual é o estado em que toda a humanidade não-convertida ao Evangelho se encontra diante de Deus. É o justo e merecido pagamento por uma vida de pecado (Rm 6.23a). Quem pecou? Novamente, "todos pecaram", ou seja, toda humanidade (Rm 3.23 - Universalidade do Pecado):

"Não há um justo, nem um sequer. Não há ninguém que entenda; Não há ninguém que busque a Deus. Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só. A sua garganta é um sepulcro aberto; com as suas línguas tratam enganosamente; peçonha de áspides está debaixo de seus lábios; cuja boca está cheia de maldição e amargura. Os seus pés são ligeiros para derramar sangue. Em seus caminhos há destruição e miséria; e não conheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos." (Rm 3.10-18)

É exatamente assim que Deus vê toda a humanidade: como pecadores, mortos espiritualmente, separados de Deus por seus atos e por sua natureza pecaminosa (os atos são fruto da natureza). Por melhor que as pessoas sejam, por maiores que sejam seus esforços, por mais relevantes que sejam suas obras, diante de Deus o estado espiritual é o mesmo: morto. Por melhor chefe de família, por melhor pai/mãe, por nunca ter matado, roubado ou violentado ninguém (nem uma mosca), por mais caridades que sejam feitas, o estado espiritual diante de Deus é o mesmo: morto. Nenhuma obra humana serve para mudar o estado espiritual do homem diante de Deus. O homem, em seu estado de morte espiritual, nada pode fazer por si mesmo para alterar essa realidade. Independente dos atos, a natureza pecaminosa permanece em cada um, não sendo alterada por nenhuma boa obra ou caridade.

Quando compramos um quilo de feijão, o padrão utilizado para verificar a quantidade de feijão é o quilograma (não o litro, ou o ampère). Ninguém pede no mercado "um ampère de feijão", porque não é esse o padrão de medida aplicável a este produto. Assim, por analogia, não são as obras de alguém o padrão que Deus usa para averiguar o estado espiritual dessa pessoa. Daí, não adianta apresentar-Lhe as boas obras como critério válido para verificação da justiça; elas não servem como padrão para isso. Não passam de "obras mortas". Pelas obras, ninguém jamais, em tempo algum, será justificado ou salvo por Deus. Mais uma vez, a Bíblia declara: "não por obras, para que ninguem se glorie" (Ef 2.9); nossa justiça, para Deus, não passa de trapos de imundícia (Is 64.6). Para maior compreensão: trapos de imundícia são os panos utilizados antigamente para conter o fluxo menstrual.

Abre 2º parênteses: Para mudar a realidade espiritual do homem, nada adianta a prática do rito. O rito em si nada é, a menos que seja realmente compreendido e aceito em toda sua realidade. Daí o porquê muitas pessoas, ditas crentes, encontram-se possessas por espíritos demoníacos. Onde está o problema? Está na exigência de uma conversão genuína, o que passa inevitavelmente pelo real entendimento e aceitação de todos os pressupostos e condicionantes para que uma pessoa seja realmente convertida. O genuíno crente, que se converteu de verdade, jamais será possesso por demônios; porém, aquele que meramente segue o rito no afã de auferir benefícios pessoais, poderá sê-lo, mesmo tendo seguido todo rito: levantar a mão, vir à frente da Igreja, oração com o pastor, batismo, frequentar igreja, ler a Bíblia, etc. Enquanto não houver arrependimento verdadeiro das obras mortas, tudo isso é em vão do ponto de vista espiritual. E a realidade espiritual de alguém é conhecida tanto por Deus, quanto pelo diabo. Fecha 2º parênteses.

Abre 3º parênteses: Ainda que muitos pastores insistam em apresentar números para quantificar seu sucesso ministerial ("numa única noite foram mais de X pessoas convertidas!"), há que se questionar, diante de tudo o que foi e está sendo exposto nesta argumentação, a veracidade espiritual destas "conversões". Fecha 3º parênteses.

Assim, do que todo homem precisa ser salvo? Dos seus próprios pecados, tanto enquanto "estilo de vida" quanto natureza! Dos pecados que o condicionam ao estado de morte espiritual e que podem condicioná-lo ao estado de morte eterna. O que é morte eterna? É a eterna separação do homem de Deus, de forma definitiva e irreversível, quando tal homem, morto espiritual, passa do estado de condenação para a realidade da condenação. O que deve então fazer para ser salvo? Primeiramente, parar de justificar-se, reconhecendo a real natureza de suas obras. Enquanto houver justificativa, nada feito; enquanto houver qualquer sombra de dúvida sobre a real condição espiritual, não há conversão. O homem, diante de Deus, está morto em seus pecados e nada pode fazer por si mesmo para deixar de sê-lo, como já foi estabelecido anteriormente. Após reconhecer a real da natureza de suas obras e de si mesmo, o homem precisa se arrepender de suas obras mortas.

A palavra "arrependimento" vem do grego metanóia, e significa "mudança de mente, mudança de pensamento, meia volta volver". O arrependimento no Novo Testamento envolve a decisão mais do que a emoção. Muitos crêem que o arrependimento é algo meramente emocional. As emoções têm o seu lugar no arrependimento, mas o arrependimento é muito mais do que uma reação emocional.  Por sua vez, outros pensam que arrependimento é um ritual, como uma espécie de penitência. Contudo, o arrependimento é uma firme decisão interior – é uma verdadeira mudança da mente. No genuíno arrependimento, a pessoa está em plena concordância com Deus sobre sua real natureza; toda justiça pessoal silencia-se, dando lugar a um sentimento de reprovação e inadequação diante de Deus, do estado miserável em que se encontra e da necessidade urgente de mudar de vida.

Como mudar de vida? Como resolver o problema do pecado? Como pode o homem ser salvo?

Na próxima argumentação, daremos prosseguimento ao tema, abordando a fé em Deus. Até lá! Lembre-se: Deus está te dando visão de águia!

terça-feira, 9 de agosto de 2011

MUITA CANSEIRA EM DIAS TRABALHOSOS...

SABE, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. (II Tm 3.1)

Dias trabalhosos... assim o apóstolo Paulo qualifica os "últimos dias". Dias de muito trabalho, que geram muita canseira e muito mal-estar, aborrecimento. Não pelo trabalho per se, que é de grande importância, mas pelo tipo do trabalho e a intensidade de energias espirituais e emocionais que ele demanda. Esse trabalho ao qual me refiro é o lidar com as "pessoas dos últimos dias". Sim, o trabalho nos últimos dias, mais intenso do que o trabalho nos primeiros dias, consiste em ter que lidar com os homens e mulheres que vivem neste tempo. Todos os que vivem neste tempo são "pessoas dos últimos dias"? Não, graças a Deus! Mas seu número é crescente; encontram-se em todos os lugares, especialmente na religião.

Ah, a religião... o entorpecente do homem dos últimos dias! O grande gueto, cada vez mais popular, cada vez mais frequentado e cada vez mais violento, onde a violência é intensa, explosiva:

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No beco escuro onde explode a violência
Eu tava acordado
Ruinas de igrejas, seitas sem nome
Paixão, insônia, crença, liberdade vigiada   
 
(Música "O Beco", Paralamas do Sucesso)
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Infelizmente, de forma cada vez mais ampla, a igreja está se tornando como diz a música, "em ruínas"; não passam de seitas sem nome, ou seja, sem identidade definida - meio gospel, meio espírita, meio barro, meio tijolo. A igreja que me refiro é aquela que há muito tempo deixou de ser ekklesia, deixou de ser "coluna e baluarte da verdade" de Deus. Não são todas, novamente afirmo e novamente glorifico a Deus por isso. Porém, infelizmente não são poucas.
 
Esta abordagem não refere-se à instituição, associação ou organização, que é ampla e variada. Se a origem do problema fosse a organização, resolvê-lo seria o mais simples dos trabalhos. Um bom gestor de O&M, um especialista em gestão organizacional seria mais do que suficiente. Há uma ampla quantidade de modelos organizacionais de igrejas à disposição, desde a forma de governo (episcopal, presbiteriano, congregacional, 12, etc) até a forma de funcionamento (células de crescimento, de edificação, cultos, ministérios, departamentos, grupos, com propósitos, etc). Particularmente, creio que cada um desses modelos é valido; não existe um modelo melhor ou pior, mas sim aquele que cada um utiliza. Cada modelo tem seus pontos fortes e pontos fracos, bem como suas oportunidades e ameaças, facilmente detectáveis a partir de uma simples análise SWOT. 
 
Mas o problema é mais profundo. Ele deriva-se da dupla natureza da igreja, que é tanto uma instituição, quanto um organismo vivo. Todo organismo vivo é, de uma maneira bem simples, um conjunto de sistemas interligados e mutuamente dependentes, que funcionam sinergisticamente visando a manutenção da vida e do bem-estar do organismo. Quando os sistemas que compõem o organismo não funcionam como deveriam, os demais sistemas ou compensam esta disfunção - trabalhando muito mais do que deveriam - ou também passam ao estado de mau funcionamento. Isso é facilmente exemplificado observando-se o corpo humano. Se, por exemplo, há algum problema no funcionamento dos rins na regulação do nível de líquido no corpo, o volume de líquido aumenta e deste modo aumenta a pressão arterial, que nada mais é do que o coração fazendo mais força para bombear uma quantidade maior de líquido. A persistência no quadro pode gerar muitos danos, tanto para o coração quanto para os demais órgãos e tecidos.
 
Mas o que é um sistema? Da biologia, aprendemos que um sistema é um "conjunto de órgãos compostos dos mesmos tecidos e que desempenham funções similares". Cada membro da igreja se constitui, na verdade, no órgão que a mantém funcionando. Assim, o cerne do problema está na constituição fundamental da igreja, ou seja, em seus membros e lideranças. Novamente, são todos os membros? São todas e quaisquer lideranças? São todas as denominações? Não, não e não! Ainda há, por certo, pessoas sérias e comprometidas com o organismo e com o Senhor deste organismo. 
 
Contudo, o apóstolo Paulo diz que há um grupo de pessoas cuja característica é ser radicalmente o oposto do que deveriam ser; um grupo que é encontrado no lugar onde jamais deveriam sê-lo. Nas palavras de Paulo, são pessoas que têm aparência de piedade, ou seja, aparentam santidade, temor de Deus, conversão, mas na verdade são pessoas desprovidas de todos os valores e características que identificam e qualificam os verdadeiramente piedosos.  Paulo enumera as características dessas impiedosas pessoas, homens dos últimos dias, num total de 18 "adjetivos", que fariam o cruel e tirano Imperador Ming, de Flash Gordon, parecer o mais santo dos homens.
 
É justamente esse grupo de ímpios transvestidos de crentes, nos bancos e nas lideranças, que fazem com que estes últimos dias sejam dias trabalhosos. Gente que vive de acordo com os padrões e princípios deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito [maligno, do inferno] que neles opera, enquanto na condição de filhos da desobediência (Ef 2.2), e que torna-se religioso, igrejeiro, sem no entanto experimentar a transformação do caráter, sem experimentar o novo nascimento. Como não houve mudança de vida, estas pessoas passam a reproduzir na igreja aquilo que elas são e aquilo que elas vivem no mundo, do qual ainda não saíram. Eles não foram "ek-kaleo", chamados para fora do mundo e, portanto, não são igreja no conceito bíblico; não são parte do organismo vivo. Porém, são igreja no conceito secular: membros da organização, com direito a voz e voto, com direito a serem batizados e tomarem Santa Ceia. 
 
Lidar com este tipo de gente produz uma canseira sem precedentes! Dá muito trabalho lidar com homens "amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus". São essas pessoas que contribuem com seu mal comportamento, fruto de um caráter deformado pelo pecado, para que o nome de Deus seja blasfemado no mundo (Rm 2.24) - isso quando eles mesmos não são os primeiros a blasfemarem desse Nome. São esses que fazem com que a Bíblia e a igreja tornem-se piada, que o Santo Nome do Senhor Jesus vire jargão cômico na boca de infiéis (como, por exemplo, "só... na causa!"). São esses que não entram no Reino de Deus e ainda por cima impedem aqueles que entravam de continuar a fazê-lo, produzindo uma enormidade de escândalos para a igreja (o mundo percebe cada igreja como uma coisa só). São esses que resistem sempre a todo ensino e correção; que aprendem, aprendem e aprendem mas nunca chegam ao conhecimento da verdade (II Tm 3.7).
 
Por isso, como canta o Paralamas, "igrejas [estão] em ruínas". Perderam seu propósito original, de ser igreja. Estão na igreja, mas não são igreja. Estão mas não são. Estão de corpo presente, como também pdoeriam não estar. Estão porque têm interesse naquilo que a instituição e seus mentores podem oferecer: bênçãos fáceis a preços módicos, status social, carreira e profissão, palco e atenção. Como é fácil fazer sucesso "naquela que é e não é", como é fácil lucrar milhares e milhões com CDs de música, que enfatizam o estar e não o ser (ou como vir a ser); como é fácil ter programas e canais de TV e rádio, para ajudar a manter o "status quo". Igrejas em ruínas, arruinadas e arruinadoras. Instituições vazias, ocas, sem nenhum valor espiritual. Igreja que é estudo de caso, em dissertações e teses acadêmicas, do que não é igreja. Aquela que é e não é, que diz "o culto desta noite foi maravilhoso, ô glóooriiiaaaa", porque a música que cantaram tem um ritmo eletrizante, ou tem uma melodia de fossa. porque a mensagem que ouviram, dita de Deus, foi cuidadosamente preparada para gerar sentimentos positivos de alegria, ou porque o dito "pastor/apóstolo" aplicou técnicas de manipulação de massas.
 
Como é extenuante lidar com essa situação. Que canseira! Mostrar a verdade sobre a "inverdade" que é essa "igreja". Nestes dias de muito e intenso trabalho, corre-se o risco da estafa e do desânimo. Para que isso não ocorra, só tem um jeito: esperar no Senhor. Assim diz a Palavra de Deus: "Mas os que esperam no SENHOR renovarão as forças, subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão" (Is 40.31). Como canta o Pr. Feliciano Amaral, "Óh Senhor, dá que eu possa esperar! De joelhos imploro, até que Tu mesmo direto respondas; dá que eu possa realizar, o que outros fazem, esperam orando em Ti óh Senhor!". Não desistir, apesar de toda conspiração satânica para que isso aconteça; não abandonar a congregação, ainda que esta seja a vontade pululante.
 
É preciso tirar os olhos dessa que não é igreja verdadeira, mas é filha da prostituta embriagada de Apocalipse 17. João se maravilhou com grande admiração da mãe dela e foi repreendido pelo anjo do Senhor. Nas palavras do anjo, a mãe prostituta é aquela que "foi e já não é, e há de subir do abismo, e irá à perdição; e os que habitam na terra (cujos nomes não estão escritos no livro da vida, desde a fundação do mundo) se admirarão, vendo a besta que era e já não é, mas que virá" e assim como é a mãe, são as filhas. Do mesmo modo, aceite a carinhosa repreensão e não fique olhando com admiração para ela, para que você não venha a ser seduzido por essa meretriz espiritual, que ostenta poder e riqueza ("vestida de púrpura e de escarlata, e adornada com ouro, e pedras preciosas e pérolas", v.4), ou desanimado pela contemplação do sangue dos santos e das testemunhas de Jesus em sua boca. Não permita que sua vida se desvie, nem para direita, nem para a esquerda, mas siga sempre em frente, olhando firmemente para Jesus, o Autor e Consumador da nossa fé!



Pense nisso. Deus está lhe dando visão (e asas) de águia!

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

JUSTIFICATIVAS OU JUSTIFICAÇÃO?


O termo justificativa deriva do Latim, justificare, “fazer justo; fazer justiça; tratar com justiça; justificar; absolver”, composto de justus, “que tem a devida medida; que tem o que lhe pertence; conveniente; suficiente; bastante; legítimo; benigno”, e facere, “fazer; executar; efetuar; levar a efeito; desempenhar; cumprir; cometer”.

Conforme Louis Berkhof, o termo hebraico hitsdik, traduzido por justificar, é estritamente de cunho judicial, forense, significando “declarar judicialmente que o estado de uma pessoa está na harmonia com as exigências da lei”.  Não significa, portanto, "fazer justo"; antes “alterar a condição de modo que o homem possa ser considerado justo”. No grego, o verbo equivalente, diakaioo, significa, em geral, “declarar que uma pessoa é justa”. Ocasionalmente se refere a uma declaração pessoal de que o caráter moral da pessoa está em conformidade com a lei. Do mesmo modo, o termo grego dikaios nunca expressa o que uma coisa é em si mesma, mas sempre o que é em relação a alguma outra coisa, a algum padrão que está fora dela, ao qual ela deveria corresponder.

Com base nestes termos e conceitos, o apóstolo Paulo em sua epístola aos Romanos enuncia a doutrina da justificação pela fé, definida como sendo o "ato judicial de Deus, no qual Ele declara, com base na justiça de Jesus Cristo, que todas as reivindicações da lei são satisfeitas com vistas ao pecador". A justificação pela fé é um dos principais pilares da Reforma Protestante, se constituindo na "causa mortis" da prática de auto-justificação por obras. Toda auto-justificação está morta, diante da justificação pela fé; toda e qualquer tentativa de buscar justiça por todo e qualquer meio que não pela fé em Cristo é anátema.

A auto-justificação, na qual a justificativa tem papel preponderante, tem essência completamente distinta da justificativa pela fé, senão vejamos:

a) A justificativa baseia-se em argumentos elaborados para inocentar o culpado, partindo assim do conceito de justiça pessoal. A justificação pela fé baseia-se no conceito de "declaração de justiça", partindo do Supremo Legislador do Universo - Deus;

b) A justificativa busca inocentar o culpado com base na tentativa de demonstrar sua não-transgressão de um código consuetudinário ou legal. A justificação pela fé baseia-se na reconhecida e inapelável declaração de culpa pelo transgressor perante a Lei de Deus (Rm 3.23);

c) Na justificativa, o homem apóia-se em seus próprios critérios e padrões de justiça, tanto conceituais quanto práticos, tendenciosos em essência; na justificação pela fé, Deus (e não o homem) baseia-se em Seus Santos e Justos critérios, que são Eternos, indiscriminatórios e inalteráveis, para conferir justiça;

d) Na justificativa, o homem busca a todo o custo, por todas as formas e maneiras, não ser responsabilizado por seus próprios atos, sempre justificáveis aos seus próprios olhos; na justificação pela fé, Deus não justifica os atos humanos, ao contrário, Ele envia Seu Único Filho - Jesus Cristo - para ser julgado e condenado à morte no lugar do transgressor, a fim de que o homem possa obter justiça pela fé, não por obras ou argumentos.

A justificação pela fé é, deste modo, um critério justo e universal, aplicável a todos os homens, de todas as etnias e classes sociais, uma vez cumpridas suas prerrogativas básicas: reconhecimento de culpa, reconhecimento da incapacidade de obtenção de justiça por métodos humanos e fé na morte vicária e expiatória de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A justificativa pela fé é uma das múltiplas formas e expressões da Graça de Deus; é, também, manifestação de Sua Bondade e Misericórdia.

Assim, na Justiça segundo Deus, há espaço para o perdão do transgressor e quitação dos débitos com a Lei. O transgressor só é condenado se escolhe deliberadamente viver como "fora-da-lei", ou considerando seu afastamento de Deus (manifesto pela insistente dureza de coração, pela impenitência, pela desconsideração da bondade de Deus por meio de Cristo) como algo correto ou considerando-o como algo justificável.

No mundo dos homens, há um princípio do Direito que estabelece que ninguém pode alegar desconhecimento da lei como razão para descumpri-la. A vida em sociedade não seria possível se as pessoas pudessem alegar o desconhecimento da lei para se escusar de cumpri-la. Como ninguém pode alegar desconhecimento da lei para justificar seus erros, todos os cidadãos tem como dever conhecer seus direitos e obrigações. Porém, como o transgressor da Lei de Deus pode ser alertado do seu estado de "outlaw"? Para isso mesmo Deus, em Sua infinita Sabedoria, deixou duas fontes de conhecimento: a Palavra Escrita (a Bíblia Sagrada) e a Igreja, anunciadora da Palavra Escrita.

Deste modo, exerce a Igreja importantíssimo papel nas questões que envolvem Deus e Sua relação com o homem, desde que esta se baseie na letra e no Espírito das Escrituras Sagradas. É ela, enquanto "coluna e baluarte da verdade", quem mostra ao homem transgressor o seu real estado diante da Justiça e dos Juízos de Deus; que mostra que a despeito dos avanços sociais e científicos que o homem possa galgar ele, o homem, é pecador inveterado e está destituído da glória de Deus, sendo incapaz de remissão ou redenção por atos baseados em seus próprios critérios (o que é lógico, dado que são estes mesmos critérios e justiças, desprovidos de toda e qualquer justiça, a expressão natural do transgressor).

No Evangelho de Mateus, o Senhor Jesus classificou esta faculdade de "salgadura" e de "iluminação". Salgar a vida dos homens é a função do "sal da terra", enquanto iluminá-los é consequência do estado de "luz do mundo". Assim, na condição de luz do mundo, a Igreja mostra ao transgressor a sua transgressão, a causa máter de todas as transgressões e a solução de Deus para sua vida. Por sua vez, na condição de lsal da terra, a Igreja conserva o estado espiritual do transgressor arrependido, do convertido, lembrando-o das ricas promessas de Deus e exortando-o insistentemente à constante vigilância, chamando-o ao arrependimento e à restauração no caso de sua queda.

Do mesmo modo, no mesmo Evangelho, o Senhor Jesus disse que se o sal não salgar, tornando-se insípido, para nada mais ele serve, a não ser para ser pisado pelos homens (Mateus cap. 5). É digno de nota que o sal da Palestina encontrado nos pântanos não era puro. Devido à substâncias estranhas nele, ele perdia o seu sabor e tornava-se insípido e inútil, quando expostos ao sol e ar, ou quando permitia-se que ele entrasse em contato durante um tempo considerável com o solo. Ser pisado pelos homens... passagem profética! Nunca a Igreja foi tão pisada pelos homens, nunca foi tão esculhambada pela sociedade! E, tudo isso, por um simples fato: o sal deixou de salgar.

Hoje, o pregador que insiste em pregar contra pecado é considerado "persona non grata", quer pelos crentes, quer por outros pastores e líderes. Se aborrecem e usam o recurso da fofoca, do leva-e-traz, e da murmuração quando suas mazelas são expostas e combatidas à luz da Palavra de Deus, quando os corações de pedra sofrem a ação da perfuratriz de diamante que é a Bíblia, quando a Espada do Espírito vai no cerne, na divisão da alma e do espírito, mostrando às claras aquilo que tanto querem "varrer para debaixo do tapete". 

Hoje, na lógica do presente século, mais vale ter a Igreja cheia de gente vazia. Para isso, basta aplicar um pouquinho da teologia da prosperidade, de campanhas pseudo-espirituais malucas, sem pé nem cabeça (que envolvem uma mistura de misticismo com bufunfa) e usar alguns jargões e palavras de efeito motivacionais. Neste cenário, não há lugar para Deus; o Espírito Santo se afastou e Jesus está do lado de fora, insistentemente batendo à porta.  Será que você está escutando Ele bater? Ou já está tão surdo espiritualmente ao ponto de ouvir apenas o seu corrupto coração? Isso me faz lembrar do antigo hino "Somebody's Knocking at Your Door", baseado em Apocalipse 3:20:

Somebody’s knocking at your door; 
Somebody’s knocking at your door;
O sinner, why don’t you answer?
Somebody’s knocking at your door.

Knocks like Jesus,
Somebody’s knocking at your door;
Knocks like Jesus,
Somebody’s knocking at your door;
O sinner, why don’t you answer?
Somebody’s knocking at your door.

Can’t you hear Him?
Somebody’s knocking at your door;
Can’t you hear Him?
Somebody’s knocking at your door;
O sinner, why don’t you answer?
Somebody’s knocking at your door.


Answer Jesus,
Somebody’s knocking at your door;
Answer Jesus,
Somebody’s knocking at your door;
O sinner, why don’t you answer?
Somebody’s knocking at your door.

Sim, isso mesmo: o Senhor Jesus está batendo à porta! Você não pode ouvi-lo? Se sim, então responda-O! Sabe como Ele bate à porta? Não? Ele parte à porta por meio de um louvor inspirado. Ele bate à porta por meio de um testemunho genuíno; mas acima de tudo Ele bate à porta por meio da Sua Palavra, por meio da pregação bíblica, cristocêntrica, livre de amarras e vãs sutilezas humanas, livre de interesses escusos em não combater o pecado e amaciar o ego dos pecadores, livre de justificativas furadas para o injustificável. Ah, mas você não consegue ouvi-Lo, não é mesmo? Seu desejo carnal está gritando tão alto que você não consegue ouvir mais nada... sim, sua natureza carnal está gritando: gritando emulações, gritando justificativas para seu desleixo e apostasia da verdade.

É possível até ouvir o grito: "Ah, isso está uma bagunça mesmo... ninguém leva mais nada a sério... é melhor seguir o curso do presente século, assim terei sucesso em minha vida, em meu ministério...". Se trata-se de um ministro da Palavra, o grito ainda pode ser mais profundo: "Vou dar exatamente aquilo que desejam, pão e circo... assim vou ser amado, querido por todos; vou ser próspero, nunca mais passarei necessidade alguma... chega de tentar viver, de tentar ser, de tentar ensinar; de agora em diante vou ser exatamente como todo mundo é... afinal, a Bíblia diz...". Esse é o grito que está no seu interior, no seu coração; o grito da dor e do desespero, da consciência do fracasso e da necessidade (de dinheiro, de aceitação, de fama, etc). É um grito cheio de justiça pessoal, cheio de justificativas, cheio de razões... que refletem apenas as suas próprias fraquezas e mazelas. O grito da Justificativa, onde a Bíblia é mais uma fonte de falácias pessoais!

A justificativa e a auto-justificação jamais levam o homem à Deus; antes, levam-no à religião. Quantos não se destacam em suas religiões, até mesmo como fundadores, por que usam a religião para justificar seus atos? Quantos pastores e músicos não se tornam expoentes no mundo gospel porque se tornaram "profissionais da religião institucionalizada", atendendo assim aos gritos de suas almas?

Mas pode haver também uma outra voz, dentro de você, a qual também tem um grito poderoso. É a voz da consciência, que lança sobre você uma série de acusações por tudo o que você tem feito. Uma voz que é realçada por uma pregação, por um louvor, ou por um simples texto como este. Uma voz que clama, dizendo: "Você sabe que está errado! Você sabe que esta justificativa não cola! Você sabe que está em pecado aos olhos de Deus! Você sabe, você sabe, você sabe...!". Se esta voz está a clamar na sua vida, glorifique a Deus por isso; é sinal de que ainda há esperança para você. Porém, essa voz só o levará até Cristo e à Sua Justiça se você não cair na armadilha da justificativa, nem da auto-justificação.

Você, querido(a) leitor(a), tem duas opções mutuamente excludentes. Primeira opção, você escolhe dar  ouvidos à voz da sua concupiscência, tornando-se mestre em justificativas; a Bíblia aqui é apenas para servir como fundamentação para seu pecado; a Igreja é boa se for neutra com relação às suas transgressões e ótima se as justificar; o ministério é fonte de lucro, afinal sua inaptidão na esfera profissional precisa ser compensada de alguma maneira; os crentes devem ser incentivados a dar mais e mais dos seus recursos e isso só é conseguido caso eles "sintam-se bem e felizes" com suas mensagens e hipocrisia. Ao final ao terminar sua vida, não reclame do seu destino eterno, ok?

Segunda opção: você opta por dar ouvidos à voz da consciência e sente a dor pelo seu pecado. Daí, você lembra onde caiu, se arrepende e volta ao primeiro amor. Abre mão das justificativas e entrega-se na mãos do Senhor; entrega sua vida e ministério, seus sonhos, projetos e frustrações Àquele que lhe chamou, capacitou e enviou, recebendo DEle o perdão e a cura, a restauração de sua vida e ministério; passa então a ser justificado unicamente pela fé em Cristo, vivendo a cada dia na suficiência da Graça de Deus. Ele, o Senhor, que insistentemente bate à porta da sua vida, sim; abra a porta; Ele prometeu entra na sua casa e cear contigo e você com Ele. Então você experimentará, na prática, que o Senhor é Deus; você verá que o Senhor tem poder!

Pense nisso. Deus está lhe dando visão de águia!

segunda-feira, 25 de julho de 2011

MÁSCARAS E FANTASIAS

PORTANTO, és inescusável quando julgas, ó homem, quem quer que sejas, porque te condenas a ti mesmo naquilo em que julgas a outro; pois tu, que julgas, fazes o mesmo. E bem sabemos que o juízo de Deus é segundo a verdade sobre os que tais coisas fazem. E tu, ó homem, que julgas os que fazem tais coisas, cuidas que, fazendo-as tu, escaparás ao juízo de Deus? Ou desprezas tu as riquezas da sua benignidade, e paciência e longanimidade, ignorando que a benignidade de Deus te leva ao arrependimento? Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus; o qual recompensará cada um segundo as suas obras; a saber: A vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, honra e incorrupção; mas a indignação e a ira aos que são contenciosos, desobedientes à verdade e obedientes à iniqüidade. (Rm 2.1-8)

Na Europa dos séculos XIV ao XIX eram muito comuns as festas conhecidas como "bailes de máscaras", promovidos pela realeza e aristocracia daquela época. As mais famosas máscaras eram as confeccionadas em Veneza e Florença, muito utilizadas pelas damas da nobreza no século XVIII, que representavam o símbolo máximo da sedução. Em geral, além das mácaras, as pessoas vestiam-se com roupas coloridas e caras, as chamadas fantasias. Posteriormente, o costume foi trazido para o Brasil e acabou dando origem ao Carnaval.

Por detrás das máscaras, as pessoas se libertavam, assumindo diferentes comportamentos, e como anônimos, caindo na folia. Uma das vantagens do mascarado é o anonimato. Em muitos casos, ficava difícil dizer se era homem ou mulher. As fantasias eram cuidadosamente elaboradas, não faltando o brilho de lantejoulas e paetês. Os motivos das fantasias quase sempre obedeciam os padrões e costumes europeus: pierrôs, colombinas, arlequins, palhaços, etc.

Destacam-se os personagens ("commedia dell’arte"):

1) Pierrô: Personagem originário da comédia italiana, ingênuo e sentimental. O seu caráter é aquele de um palhaço triste, apaixonado pela Colombina, que inevitavelmente lhe parte o coração e o deixa pelo Arlequim. Pierrot também é representado como sendo lunático, distante e inconsciente da realidade.

2) Colombina: Principal personagem feminina, companheira do Arlequim e do Pierrô. Namoradeira e fútil. Sempre envolvida em intrigas e fofocas.

3) Arlequim: Personagem apresentado em traje multicolor, feito geralmente de losangos, e cuja função era divertir o público, nos intervalos, com piadas e palhaçadas.

Esta antiga festa foi, de fato, introduzida no Brasil. Mas não estou me referindo ao carnaval. Estou me referindo ao cotidiano de cada um nós, em todo e qualquer ambiente que exista na sociedade moderna. Por exemplo, a política há muito tornou-se um baile de máscaras e fantasias, no qual o político - independente de partido - concede entrevistas falando dos caminhos do país e de sua contribuição como ele fosse realmente a pessoa séria cuja imagem ele fabrica e quer passar como verdadeira para os leitores e espectadores.

Do mesmo modo, a vida em muitas "famílias" (inclusive ditas evangélicas) - se é que podem ser chamadas de famílias - não passam de um teatro improvisado, uma "commedia dell’arte". Passam o ano todo devorando-se mutuamente, repletos de intrigas e confusões: é mulher que vive brigando com o marido, xingando-o (e/ou sendo xingada) com todo o tipo de ofensas; são filhos que não se entendem com seus pais; são tios e primos "quebrando o pau" entre si quase todos os 365 dias do ano. Porém, o que mais assusta é que de uma hora para outra resolvem "hastear a bandeira branca" por uma razão em comum (como o jogo do time preferido da maioria, o casamento de um filho, o nascimento de uma criança, uma festa de aniversário, etc) e passam a trocar "juras de amor", "votos de sucesso, paz e alegria" entre si.

Tem de tudo nestes eventos. Tem alguns que fazem o papel de pierrôs, sentimentais. Choram de alegria porque estão vendo "a família reunida". Lembram até a música de Altemar Dutra, "sentimental eu sou". Choram suas mágoas e as emoções do momento uns nos ombros dos outros; a mão que segura a faca é a mesma que afaga. São capazes até mesmo de posar para fotografias juntos. Outros, fantasiam-se de Colombinas: basta você se sentar à mesa com ele/ela (sim, tem homem que se presta a esse papel!) que a fofoca acontece. Falam de todos e de tudo, criticam todo mundo. Isso quando não aproveitam a festa para flertar, não importando se e com casado(a) ou solteiro(a). Por sua vez, há também os arlequins, aqueles que gostam de ser o "centro das atenções". São especialistas em piadas, não importando o objeto delas - Bíblia, Deus, pastor, Igreja, etc - ou o vocabulário utilizado.

Passado o acontecimento, tudo volta a ser como dantes. As confusões retornam, os dardos inflamados voam velozmente até o seu alvo. "Pastor, não suporto fulano!" "Beltrano é complicado!" "Eu não quero saber da Siclaninha" e por aí vai. "Xiii, ele/ela é balaio de gato, pastor!" Querido(a), você é quem é o(a) verdadeiro(a) balaio de gato! Hipócrita! Seu sim e seu não não valem nada, não são dignos de confiança pois são de procedência maligna! Você, que passa o ano todo criticando fulano, beltrano e siclano, rapidamente "muda de opinião" ao sabor da circunstância! Se já é muito errado de sua parte criticar, mais ainda em tornar-se hipócrita, colocando máscara e fantasia para apresentar-se como alguém que você não é, só por causa de interesses.

Assim também na Igreja: representam um papel. Papel de arrependido, de crente fiel, de servo de Deus, de obreiro aprovado, de amigo, de fiel. Há uma centenas de papéis que são representados - e muito bem, diga-se de passagem - pelos freqüentadores de templo. Quando você os vê em seus papéis, eles são convincentes! Se o "papel" exige choro e confissão, eles são mestres em fazê-los. Se pedem um conselho, até parece que desejam realmente segui-lo. Se dizem que "agora vai ser tudo diferente, o senhor vai ver", você até acredita. Se mostram indignação, como parecem reais em suas falas e expressões faciais! Condenam a hipocrisia na vida dos outros, mas são os primeiros a praticá-la. Mas, lá no fundo de suas almas, aquilo não passa de um papel. Não há sinceridade alguma, nenhum compromisso com a verdade. São, na prática, "enganadores enganados": enganam a todos e a si mesmos. Tudo fantasia!

Estas pessoas fazem lembrar o filme "O Máscara", lançado 1994, onde o ator Jim Carrey faz o papel do personagem Stanley Ipkiss. Quando ele coloca a máscara, de origem Viking, na qual o deus nórdico Loki reside, ele consegue superar as suas inibições psicológicas e passa a realizar os seus objetivos mais desejados sem ter medo das consequências. Interessante é que na mitologia nórdica, Loki é o deus da mentira, frequentemente considerado um símbolo da maldade, traiçoeiro, de pouca confiança. Este deus possui um grande senso de estratégia e usa suas habilidades para seus interesses, envolvendo intriga e mentiras complexas. Discípulos de Loki!

A quem você acha que está enganando? A Deus? Ele jamais se engana com coisa alguma ou com  ninguém. Ao homem? Sim, esse é passível de ser enganado. Porém, a quem você dará contas por suas obras de engano: ao homem ou a Deus? Paulo assim nos exorta: "No dia em que Deus há de julgar os segredos dos homens, por Jesus Cristo, segundo o meu evangelho." (Rm 2.16) Haverá um dia em que Deus - e não o homem - julgará os seus segredinhos escusos, sua falsidade de vida. Deus é imparcial; justos e verdadeiros são os Juízos e os Caminhos do Senhor. Sabe o que você tem conseguido com todo o seu engano? Você está entesourando ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus! Sabe o que você conseguirá naquele tão terrível dia? Indignação e ira!

Hipócrita, tire a máscara e a fantasia e mostre-se como você verdadeiramente é. Pare de fingir, para de representar um papel diante de Deus e dos homens; a sua peça perdeu a graça faz tempo e ninguém está rindo com ela. Sua fantasia é um farrapo, um trapo de imundícia assim como o é a sua justiça. Sua máscara só esconde o seu verdadeiro eu para os homens e mulheres sem Deus como você. Quem é seu Pai, afinal de contas: Deus ou o diabo? Se você se diz ser filho de Deus e vive na mentira, lamento informar-lhe mas você possui outra filiação. Com todas as letras, sem meios-termos: Seu pai é o Diabo, a quem você quer satisfazer os desejos! "Ele [o Diabo]  foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da mentira." (Jo 8.44)

Por favor, pare de dizer que a Bíblia é sua regra de fé e de conduta. Isso não passa de mero jargão para você, porque as suas obras não estão de acordo com o que a Palavra de Deus ensina. Por favor, pare de brincar com a Igreja e com Deus, dizendo falar a verdade sem sequer viver a verdade. Por que mentir? Não quer Deus, acha que a sua vida é boa segundo suas próprias regras? Vá viver a vida à sua moda! Vá gozar da hipocrisia com os seus amigos hipócritas! Vá desfrutar do pecado o qual você tão intensamente deseja! 

A decisão é inteiramente sua, assim como as consequências da decisão. Você escolhe: ou se arrepende de verdade dos seus pecados, da sua hipocrisia e muda de vida (arrependimento na prática = mudança de vida), de forma a permitir que o Espírito da Verdade lhe conduza a toda a Verdade e assim você possa realmente ser Filho(a) de Deus e um dia morar com Ele no céu. Lá, Ele prometeu que não haverá mais tristeza, nem fome, nem dor; lá Ele limpará dos olhos todas as lágrimas, vertidas com sinceridade nesta vida!

Outra alternativa é permancer na mentira, representando o seu papel, com direito a máscara e a fantasia escolhida. Vivendo a fantasia de ser crente, de ser obreiro(a), de ser irmão(ã), de ser justo(a), de ter nascido de novo, de ser filho(a) de Deus e, naquele grande dia quando Deus te chamar para comparecer diante Dele, sofra a pena do inferno sem dó nem piedade. Ah sim: uma vez nele, aproveite e abrace seu "pai". A sua alma arderá por toda eternidade junto da dele. Ele já está lá, ansiosamente esperando que você vá se encontrar com ele! Naquele lugar, segundo Jesus, haverá choro e ranger de dentes (Lc 13.28). Pelo menos ali você chorará lágrimas verdadeiras e demonstrará suas emoções sem hipocrisia!

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

segunda-feira, 27 de junho de 2011

COMPROMISSO, UMA VIRTUDE A SER RESTAURADA!




As palavras não dizem tudo
Mesmo que o tudo
Seja fácil de dizer
Com certeza fala bem melhor o mudo
Se sua atitude manifesta o que crê

Compromisso sumiço, omisso
Ou faz o que fala
Ou se cala de uma vez
Que não venha sobre si justo juizo
Pois terrível cousa é cair nas mãos do Rei


Mesma língua que abençoa, amaldiçoa
Mesma língua canta um hino
E traz divisão
Não pode da mesma fonte
O doce e o amargo
Se Cristo habito de fato no coração

("Fonte", Vencedores por Cristo", Composição: Sérgio Pimenta)

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Compromisso é hoje em dia um tema fora de moda. Antigamente, muito se falava da necessidade de compromisso nas mais diversas áreas da vida humana. Era o compromisso com os estudos, o compromisso no seio da família, o compromisso com o namoro - que aumentava muito mais quando o namoro evoluía para o noivado e chegava ao clímax quando por ocasião do casamento, o compromisso com Deus e com a fé cristã, o compromisso com a Igreja e com suas atividades, o compromisso... Quebrar o compromisso era algo muito sério, era visto como grande traição da parte daquele que não honrava o que havia se comprometido a fazer. Por exemplo, quando o rapaz rompia o noivado com a donzela sem a devida e suficiente razão, ele era reputado como "moleque, pilantra, safado, mau caráter". Gravidez fora do casamento? Isso era uma barbárie, uma afronta à família da moça; o responsável por tal ato era obrigado a assumir o relacionamento e casar-se de qualquer jeito! Do mesmo modo, na noite de núpcias dos nubentes se não houvesse a comprovação da virgindade da moça, o casamento poderia ser desfeito sob vergonha da família! Por outro lado, honrar os compromissos era entendido como grandeza de caráter. Falava-se até em dar "o fio do bigode" (possivelmente derivado da expressão germânica pronunciada nos juramentos “bi Gott”, ou “por Deus”) como garantia do cumprimento do compromisso assumido. Hoje, ninguém quer mais ter compromisso com coisa nenhuma, enquanto exige compromisso máximo consigo mesmo.

No período das perseguições imperiais aos cristãos, II-III Séc. d.C., fazia toda a diferença para a comunidade dos fiéis o compromisso entre eles e deles com o Senhor. Servir ao Senhor até a morte - fidelidade, coisa de quem é compromissado -, era o que se esperava daqueles que professavam a mesma fé. Não importava se a vida seria ceifada. Mesmo no interior da igreja, o testemunho público era percebido pelos cristãos como indicador do nível de compromisso com a fé cristã. Somente eram escolhidos como pastores aqueles irmãos que "governassem bem as suas próprias casas, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia", pois "se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?" (II Tm 3.4,5). Ninguém era recebido como "irmão" na igreja de forma irresponsável; era preciso antes demonstrar por "A+B" que tratava-se de fato de um irmão em Cristo e isso geralmente se dava pelo testemunho público da pessoa. E naqueles dias o testemunho era rapidamente conhecido e divulgado entre irmãos, que o diga a família de Cloé em Corinto ainda no I Séc. d.C. O conselho apostólico era que fossem notados e afastados da comunhão aqueles irmãos que não desfrutavam de bom testemunho, porque demonstrava a falta de compromisso com a fé cristã.

Hoje, num mundo cada vez mais descompromissado a não ser com os próprios interesses egoístas, as coisas infelizmente mudaram:

1) Nos relacionamentos: Hoje, os namorados passaram a ser "namoridos". Sexo liberado. O rapaz dorme na casa da moça, na cama da moça. Parece até que é casado. Para os pais, isso é normal. Depois de usar e abusar da filha dos outros, o sujeito com a cara mais deslavada rompe o relacionamento e vai embora, "a caça de nova vítima", sob a argumentação de que "ela não era a pessoa certa". Por seu turno, as moças não se dão mais ao respeito, facilitando ou mesmo provocando a coisa. Elas não se valorizam como antigamente. Repreenda-as e elas lhe dirão: "papai querido, você sabe que ainda é o número um, mas nós garotas só queremos nos divertir", afinal "Girls Just Wanna Have Fun". Isso chama-se falta de compromisso: falta de compromisso do rapaz com a moça (e vice-versa) e dos pais com os filhos (e vice-versa), falta de compromisso cantado a verso e prosa nas músicas e melodias modernas.
Há casos onde o "relacionamento" (se é que pode se chamar assim) é como um iô-iô, um termina-volta-termina-volta-termina sem fim, também conhecido como defraudação. Defraudação é sinônimo de fraude. Não defraudar a ninguém é mandamento bíblico (Mc 10.19), cuja quebra é pecado e este, se não confessado e abandonado, produz a morte eterna.  Assim nos ensina Tiago: "Mas, sobretudo, meus irmãos, não jureis, nem pelo céu, nem pela terra, nem façais qualquer outro juramento; mas que a vossa palavra seja sim, sim, e não, não; para que não caiais em condenação." (Tg 5.12)

Outro relacionamento onde a falta compromisso é cada vez maior é a família. Ninguém mais quer fazer o seu papel dentro do contexto da família, tal como estabelecido por Deus. O pai, outrora cabeça e sacerdote da família, não é mais o modelo de homem, de marido e de pai a ser seguido - nem sequer ele se preocupa com isso. Assim, há uma geração de homens fracos sendo produzidos a cada dia, homens que não assumem sua posição, homens passivos que não exercerão seu papel agregador no lar. Como marido e companheiro, é um zero à esquerda. Como pai, não tem voz ativa para nada, não exercendo sua autoridade no lar. Como homem, há alguns que insistem que é necessário que os filhos tenham iniciação sexual na adolescência com prostitutas ou mesmo com as "namoridas". Outros são extremamente violentos - afinal, homem é ser machão.
E quanto as mulheres? Elas não fazem a menor idéia do que é ser esposa, ser adjuntora idônea. Não entendem patavina da criação de filhos, do zelo pelo marido e pelo lar. Há aquelas que são verdadeiras matronas - "chicas mandonas" e se lhes é permitido, mandam no marido, nos filhos... em todo mundo! Fazem o que querem e bem entendem, sem considerar com cuidado e amor suas ações e conseqüências. "Eu faço isso pela minha família!", é o que dizem; porém, na verdade, fazem isso por si mesmas, porque tem prazer em agir deste modo. Parte disso deve-se a "frouxidão" de alguns maridos. Porém, a conseqüência em tal relação é percebida de forma notória tanto nos filhos do casal quanto no próprio casal: as filhas aprendem a ser mandonas como a mãe, narizes em pé e dedos em riste, cheias de caprichos e vontades, não se submetendo a ninguém. Já os filhos continuarão bananas, passivos, sem iniciativa para nada, sem brio, sem força de vontade. Por sua vez, não há companheirismo para nada. Se ela precisar dele para alguma coisa, é melhor esquecer. Se são crentes, por exemplo, o marido dificilmente se firmará nos Caminhos do Senhor.
Se você acha que isso é coisa do mundo, de gente sem Deus, eu concordo. Mas hoje em dia é coisa de gente gospel também, de gente que freqüenta (?) igreja. Na prática, isso chama-se fornicação, algo que deixará muita gente fora do Céu e com vaga cativa no inferno, quer sejam os fornicadores, quer sejam os pais que entendem que a fornicação é correto e favorecem a prática - e isso independe de afiliação religiosa, partido político, título eclesiástico ou acadêmico, posição social, cor, raça, sexo, ou qualquer coisa. Ah sim, isso também é falta de compromisso: Com Deus, que infelizmente tem o Seu Santo Nome blasfemado entre os descrentes pela inconseqüência e irresponsabilidade de alguns. O mais interessante que blasfemam e depois aparecem diante de Deus, na Igreja, com cara de santo barroco cantando hinos e cumprindo a performance esperada; assim, de uma mesma fonte acabam procedendo bênção e maldição, revelando a incoerência entre a profissão e a prática.
2) Na Igreja: Antigamente, quando os homens "nasciam de novo" era quase automaticamente gerado nos corações o desejo de trabalharem na igreja, de se comprometerem com as atividades cristãs. Hoje, talvez a tarefa mais difícil que os pastores sérios enfrentam é fazer com que haja compromisso na vida de alguns membros. Para que se envolvam com a Obra de Deus é quase um parto a fórceps - e isso ainda com muitas graças a Deus quando há fruto permanente, porque na maioria das vezes tem-se o parto de um natimorto, o famoso "começa alguma coisa e não continua". Freqüência aos cultos dominicais? Espere sentado, porque em pé você vai se cansar. Escola Dominical? Se fosse possível, poderia até o próprio apóstolo Paulo em pessoa ensinar que a freqüência continuaria sendo mínima. Reunião de Oração? Depende: eu vou poder pedir também? Oração em secreto? Não dá, tem sempre muito o que fazer. Evangelismo? Nem pensar! Visitação aos enfermos? Xi, não dá, vou ter que viajar no próximo dia... Viagem urgente sabe; para o meu lazer pessoal. Leitura e meditação na Palavra? Nem um pequeno versículo.
Quando dão o ar da graça nos cultos e serviços cristãos, chegam atrasado e saem cedo. Marcas de uma vida sem compromisso com o Reino de Deus. Há prejuízo para a própria vida? Sem dúvida: a vida fica mais enrolada do que linha de pipa em carretel, as lutas se amontoam e as crises espirituais surgem. "Pastor, estou me sentindo sem fé!", "Pastor, já não tenho mais forças para ir à Igreja!" dentre outras confissões de fracasso derivadas da falta de compromisso com a vida espiritual. Não ora, não jejua, não medita nas Escrituras, não se envolve com as coisas de Deus e depois quer viver como o apóstolo João, discípulo íntimo do Senhor. Como isso é possível?!? Vida cristã é um compromisso assumido com o Senhor; sem honrar o compromisso, nada adiantará coisa nenhuma! Não adiantarão pregações, estudos, cultos, aconselhamentos... nada! Não adianta participar da "Campanha do Aperto dos Setenta Parafusos Frouxos" ou da "Campanha de São João Acende Fogueira no Meu Coração".
Dizer-se crente é muito fácil, difícil é viver como cristão verdadeiro. Ler um versículo para alguém, qualquer alfabetizado o faz. Mas o testemunho de vida se coadunar com a retórica é outra coisa! O testemunho público deixou de ser importante, algo a ser conquistado e mantido, passando a dar lugar a "tristemunhos".  Testemunho hoje em dia foi confundido com coisas conquistadas ou com transformação de "ex", mas o sentido de "prática contínua de vida que evidencia a transformação do homem interior pela ação da Palavra de Deus e do Espírito Santo" foi totalmente esquecido. Como diz o hino, as palavras não dizem tudo, mesmo que o tudo seja fácil de dizer. Assim, ou faz o que fala ou se cala de uma vez!
O que fazer? Primeiro, é preciso se arrepender por viver de forma descompromissada e irresponsável. Saiba que o Senhor Nosso Deus é Deus de Alianças e que Aliança é Compromisso! Não há como obter sucesso na vida sentimental, familiar ou cristã sem o devido cuidado e manutenção dos vínculos e alianças existentes. Portanto, em segundo lugar, aprenda e pratique o compromisso e seus princípios vinculantes em todas as áreas da sua vida. Não importa no que seja: se há compromisso, honre-o com as suas forças. Maridos e esposas, honrem o compromisso de um com o outro e de ambos com o lar que vocês construíram. Mantenham vivo o compromisso com seus filhos e os ensinem a amarem e honrarem a família e os compromissos em todas áreas de suas vidas.
Quanto a vós, crentes em Cristo, vivei de forma digna da fé que vocês professam, honrando o compromisso assumido com o Senhor, a partir da freqüência e assiduidade aos cultos e serviços cristãos e da manutenção de um bom testemunho diante de todos os homens. Não importa o preço a ser pago pelo seu testemunho, pague-o glorificando a Deus. Jejum, oração e meditação na Bíblia, em secreto, de forma sistemática e persistente (compromisso no secreto), redundará na força espiritual necessária para honrar o compromisso diante dos homens (compromisso no público), fazendo com que a fonte jorre apenas água limpa, apenas bênçãos.
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

sexta-feira, 17 de junho de 2011

FIDELIDADE E HONRA SIM, PREGUIÇA JAMAIS!

"Mandamo-vos, porém, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que vos aparteis de todo o irmão que anda desordenadamente, e não segundo a tradição que de nós recebeu. Porque vós mesmos sabeis como convém imitar-nos, pois que não nos houvemos desordenadamente entre vós, nem de graça comemos o pão de homem algum, mas com trabalho e fadiga, trabalhando noite e dia, para não sermos pesados a nenhum de vós. Não porque não tivéssemos autoridade, mas para vos dar em nós mesmos exemplo, para nos imitardes. Porque, quando ainda estávamos convosco, vos mandamos isto, que, se alguém não quiser trabalhar, não coma também. Porquanto ouvimos que alguns entre vós andam desordenadamente, não trabalhando, antes fazendo coisas vãs. A esses tais, porém, mandamos, e exortamos por nosso Senhor Jesus Cristo, que, trabalhando com sossego, comam o seu próprio pão." (II Tessalonicenses 3:6-12)

No texto acima, o apóstolo Paulo exorta à Igreja em Tessalônica que se apartem de todos aqueles "irmãos" que andam de forma desordenada (gr. ataktos, “fora de posição”, traz a idéia daqueles que não mantêm sua posição apropriada, também traduzida como “insubmissos”. Em grego clássico, era comumente usado para soldados que desrespeitavam os escalões hierárquicos) e não segundo a tradição apostólica (gr. paradosis, "ordenanças", inclui o exemplo pessoal de Paulo e suas instruções escritas). E que desordem era essa? O versículo 11 nos dá a resposta: "Porquanto ouvimos que alguns entre vós andam desordenadamente, não trabalhando, antes fazendo coisas vãs." Havia um grupo de crentes naquela igreja que insistiam que era obrigação da coletividade prover-lhes o sustento cotidiano, vivendo na "maré mansa", como verdadeiros sanguessugas. Como de praxe, havia uma justificativa espiritual para isso: ao que parece, eles criam que a volta do Senhor era eminente e que, por isso, não deveriam trabalhar. Se esses crentes preguiçosos fossem maioria na igreja, ela seria conhecida como a "Lazy Town do I séc. d.C.". Aquele grupo de crentes preguiçosos não trabalhavam, mas davam muito trabalho!

Paulo oferece aos crentes um padrão claro para identificação do erro, ao afirmar que a preguiça por aqueles praticada não fazia parte de suas ordenanças e nem do exemplo do apóstolo. Ao contrário daqueles preguiçosos, Paulo trabalhava secularmente para poder se sustentar, se afadigando na labuta diária. Ninguém poderia basear seu erro nem no ensino e nem na vida de Paulo, que com sua atitude eliminava quaisquer empecilhos e celeumas, desnecessários à causa do Evangelho. Isso era uma concessão do apóstolo (I Co 9.12), já que ele detinha a autoridade, ou seja, o direito garantido pelo Senhor de receber seu sustento vindo dos seus ouvintes: “Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho” (I Co 9.14). Afinal, ele é obreiro de Cristo e, portanto, digno do seu salário, conforme o ensino do próprio Senhor Jesus (Lc 10.7). Assim, aqueles que se beneficiavam do seu trabalho ministerial (pregações, ensino, aconselhamentos, etc) não deveriam negar-lhe os proventos materiais como benefícios desse trabalho (I Tm 5.18).

Para o apóstolo, o assunto é tão sério que em sua epístola a Timóteo consta a seguinte ordenança: “Os presbíteros que governam bem sejam estimados por dignos de duplicada honra, principalmente os que trabalham na palavra e na doutrina” (I Tm 5.17). Honra, neste texto, vem do grego time, que significa “salário, honorários, valor, dinheiro pago”. Aqueles anciãos que ensinam a Palavra de Deus deveriam, na concepção paulina, receber em dobro com relação aos demais anciãos. Afinal, o ensino da Palavra trata-se de um trabalho altamente especializado!

"Nada há de novo debaixo do sol". Hoje, existem também aqueles que entendem que a igreja deve bancar a vida mole que vivem. Gente que faz da piedade fonte de lucro fácil. Gente que jamais se esmerou em crescer, em estudar, em se profissionalizar; ou se o fez, não se contenta com o que tem, vendo na igreja uma forma de "sacudir a poeira e dar a volta por cima". Gente que entende o ministério cristão como ganha-pão de para aqueles que são parcamente qualificados. Nem ao menos a Bíblia conhecem! Seminário? Estudar? Para que isso? Basta dar meia dúzia de gritos, usar e abusar de chavões durante a reunião e incentivar a cobiça alheia! Rachando a igreja, saem com um grupo para fundar sua própria seita (divisão de igreja não gera igreja, mas sim seitas e partidos; aquela que tem o nome de igreja mas é na verdade fruto de divisão jamais será igreja de fato e de direito) a fim de poderem dominar as pessoas e delas extraírem tudo o que puderem com promessas irrecusáveis de lucro certo. Eles mexem com a cobiça humana, despertando-a e potencializando-a com ensinos mirabolantes sobre o dízimo e as ofertas, transformados em "títulos de capitalização" que pagam milhões para cada centavo investido. Note que a presente celeuma sobre dízimos e ofertas surge em parte devido a malandragem de uns, da cobiça e ignorância de outros e da preguiça de todos (todos os preguiçosos querem ganhar muito sem fazer força, quer sejam do clero, quer sejam laicos). Ah, preguiçosos: vocês fazem lembrar a poesia de Francisco Octaviano:

Quem passou a vida em brancas nuvens
E em plácido repouso adormeceu,
Quem não sentiu o frio da desgraça,
Quem passou pela vida e não sofreu
Foi espectro de homem, não foi homem,
Só passou pela vida, não viveu.

Abre o 1º parênteses: Engana-se que pensa que o evangelho da bufunfa é invenção dos evangélicos modernos. A imensa maioria das religões tem o mesmo ensino! O Catolicismo Romano, com a venda de indulgências e relíquias, pagamento aos clérigos por missas, etc. fizeram o mesmo (e com uma pequena sutileza ainda o fazem) durante séculos a fio. A cobiça não tem uma religião em particular, mas é adepta de muitas delas. Fecha o 1º parênteses.

Do mesmo modo, há aqueles que em tudo o que podem espremem as finanças da Igreja. Se, por exemplo, era possível comprar uma caneta esferográfica comum (que atenderia muito bem às necessidades), esbanja-se o dinheiro do Reino com uma Mont Blanc! Estes não priorizam a gestão financeira ou por descaso ou por pura preguiça de pesquisar preços e condições mais favoráveis à Igreja, esquecendo-se da máxima da economia: "as necessidades são infinitas, porém os recursos são escassos". Será preciso estabelecer como regulamento da Igreja para compras uma adaptação da Lei 8666/93 (institui normas para licitações e contratos da Administração Pública e dá outras providências, conhecida como “Lei da Licitação”), visando à seleção da proposta mais vantajosa para a igreja e a promoção do desenvolvimento administrativo sustentável? Ora, se um determinado produto é necessário para a organização e há diferentes preços no mercado para este produto – mantendo-se inalterados os requisitos especificados de uso – deve sempre se efetuar a compra pelo preço. Isso é básico. Na maioria das vezes, basta andar meio quarteirão e já é possível perceber a diferença de preços que, dependendo do produto, pode chegar a algumas dezenas ou centenas de reais ou mais, principalmente se o volume da compra é alto (muitas unidades de um mesmo produto ou vários produtos na mesma loja). Quem faz a compra para a igreja enquanto organização não pode ser preguiçoso ou o prejuízo é certo!

Porém, há outro grupo: aqueles que acham um absurdo o fato do pastor receber sustento da igreja. Eles não consideram como genuíno trabalho o exercício do ministério pastoral, estando mais assemelhado a um esporte ou passatempo na concepção destes crentes. Para outros, o pastor que se considere um felizardo por receber prebenda da igreja, afinal a igreja já faz muito em pagá-lo em retribuição ao seu pastorado. Coitado do pastor quando o assunto da reunião da Diretoria, ou da Tesouraria, ou da Junta Diaconal é o seu salário! Sofrem toda a sorte de vergonha e humilhação, parecendo mais que tratam do valor da esmola da igreja para ele do que do dever dela para com seu pastor pelo trabalho por ele exercido! Estes irmãos priorizam tudo – um novo instrumento, uma nova pintura – menos o pastor! “Pastor é gasto, patrimônio é investimento”, um sofisma muito comum. Aumentar o valor de sua prebenda, corrigindo-a periodicamente de forma justa? Nem pensar! Se o pastor propõe uma coisa dessas, é logo tachado de mercenário e aproveitador. Porém, ao guardar silêncio na tentativa de resguardar pelo menos sua dignidade, o pastor e sua família acabam sofrendo inúmeras privações, as contas se multiplicam e o pastor adoece emocionalmente, espiritualmente e por vezes até fisicamente. Se o pastor vem a falecer, coitada da viúva! Com isso, alguns (1) solicitam sua transferência para outra igreja/ministério onde possam ter o mínimo de honra e segurança para exercer o ministério ou (2) passam a exercer uma profissão secular paralelamente ao ministério pastoral, com os ônus e bônus para ele e para a igreja.

Abre o 2º parênteses: Se a igreja deseja possuir um ministro em tempo integral, ela deve arcar com o pagamento do salário (prebenda) desse ministro, afora outros direitos. Não quer pagar ou pagar menos do que é devido, então arque com todas as conseqüências disso. Particularmente, creio que PARTE da responsabilidade pelas altas taxas de expansão da heresia denominada “teologia da prosperidade” deve-se a sovinice da igreja com relação aos seus ministros (não estou defendendo-a, apenas explicando). O fato é que cada igreja tem como ministro aquela pessoa com a qual guarda íntima identificação; afinal, como diz Oséias, “como é o povo, assim será o sacerdote” (Os 4.9). Fecha o 2º parênteses.

Em alguns casos, porém, quando a igreja é pequena ou passa por dificuldades financeiras, é comum o pastor abrir mão do exercício do ministério em tempo integral (e de ser mantido pela igreja), passando ao exercício em tempo parcial. Que fique claro, contudo, que o exercício do ministério em tempo parcial é uma concessão do pastor à igreja, não uma regra. Há também aqueles que assim como eu foram chamados pelo Senhor para pastorearem Seu rebanho em tempo parcial. Louvado seja o Senhor por sua multiforme graça, que permite a Igreja responder a altura as demandas e desafios que lhe são propostos em todos os tempos e eras! O Senhor, que me abençoou com estudo secular no mais alto nível acadêmico e com saúde, tem provido o meu sustento e de minha família com o meu próprio trabalho, sem precisar receber salário da igreja. Assim, eu faço das palavras do apóstolo as minhas: “Mas eu de nenhuma destas coisas usei, e não escrevi isto para que assim se faça comigo; porque melhor me fora morrer, do que alguém fazer vã esta minha glória.” (I Co 9.15)

Mas o pastor é digno não apenas do seu salário. Isso é reduzir o significado bíblico. Ele é digno de honra, ou seja, de respeito, de consideração, de reverência. Não é à toa que antigamente os pastores usavam o título de “reverendo”. Essa honra manifesta-se de forma prática: no falar com o pastor, em ouvi-lo, em relacionar-se com ele. Por exemplo, o pronome de tratamento utilizado ao falar com o pastor não é o “você”, mas “senhor”. Porém não é só chamar de senhor, mas tratá-lo de forma condizente. Respostas atravessadas e grosseiras estão fora de questão. Ah, sim: o famoso “graça e paz, pastor!” não mata ninguém, nem mesmo um sorriso. Precisa de ajuda, de oração ou de conselho, peça; mas não desconte no pastor, ou em sua família, as suas frustrações!

Abre o 3º parênteses: Um exemplo de consideração e honra refere-se ao convite para as festas. Nenhum crente é obrigado a convidar o pastor para suas festas particulares e nem ele é obrigado a comparecer. Mas convidá-lo – pessoalmente, sempre – é um sinal de consideração e estima pelo pastor. Fecha o 3º parênteses.

Há igrejas onde o pastor sequer é digno do lanche após o culto. Graças a Deus, eu sou muito abençoado pela cantina da igreja que pastoreio. Nela, eu e os demais pastores presentes – mesmo visitantes – lanchamos de graça, servidos pelos diáconos e irmãos em Cristo! Mas há lugares (e eu já estive em muitos) onde se o pastor quiser lanchar ele que entre na fila, pague o lanche e espere pacientemente a sua vez de ser atendido. Se, por alguma razão, ele sai da fila mesmo que por poucos minutos, “dançou”. Nos almoços e festas ágapes, ele que se cuide, ou sentir-se-á um missionário transcultural: seu prato só terá arroz e insetos!

Comemorar o dia do pastor e o aniversário do pastor também é honrá-lo. Novamente, dou graças a Deus por meus irmãos da Igreja Batista Ministério Reviver, que no dia 05/06 fizeram uma festança para comemorarem meu aniversário. Glórias a Deus! Mas nem todos são privilegiados como eu. Há crentes que sequer se lembram do aniversário do pastor; outros, quando lhes é pedido para contribuírem com tal festa, queixam-se e murmuram. “Festa para pastor? Para quê isso! Vocês estão idolatrando o homem!” “O quê, contribuir com R$ 20 para o presente do pastor? Você ta achando que eu nado no dinheiro?!?” Outros, com a maior cara de pau, dizem: “Xiii, irmã... tá muito em cima para fazermos qualquer coisa...” (o pastor, enquanto vivo, faz aniversário na mesma data todo ano, ok?)

Assim, se a restauração da igreja passa pela restauração dos cinco ministérios de Efésios 4, ou seja, a restauração dos homens-dons (apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres), é preciso que tal restauração dê-se não somente no ponto de vista do ministro, mas também no da igreja, honrando com palavras, gestos e cuidado salarial seus ministros. Basta uma rápida leitura nos registros históricos da Igreja cristã e logo se encontram textos enfatizando a necessidade de honrar aqueles homens pelos quais Nosso Senhor Jesus Cristo doa-se à Igreja. Por exemplo, a Didaqué: A Instrução dos Doze Apóstolos, um escrito do primeiro século que trata do catecismo cristão, constam inúmeras exortações aos fiéis para manterem e contribuírem materialmente com bispos (gr. episkopos, “supervisores”), mestres, apóstolos e profetas.

Do mesmo modo, se é um erro grave o ensino da teologia da prosperidade e a conseqüente exploração dos fiéis para o pagamento de dízimos e ofertas para locupletação de pastores e demais ministros – e de fato é um erro muito grave, por outro lado é de igual modo um erro grave, por parte da comunidade dos fiéis, a não-responsabilização quanto ao sustento digno de seus ministros que oferecem suas vidas em prol da causa do Evangelho. Se há ministros preguiçosos no trabalho ministerial, fazendo-o negligentemente e querendo “ganhar a vida de forma fácil”, há também comunidades que não dão a menor honra aos ministros vocacionados e altamente qualificados – espiritual e academicamente – que possuem, tratando-os como reles “empregadinhos de igreja”.

Querido leitor, nunca permita a si mesmo tratar seu pastor, cuja vida e ministério evidenciam um real chamado e compromisso com o Senhor, de forma desonrosa. “Lembre-se dia e noite daquele que prega a Palavra de Deus para você. Honre-o como se fosse o próprio Senhor, pois Ele está presente onde a soberania do Senhor é anunciada” (Didaqué, cap. IV, v. 1). Honre-o com suas atitudes, com seu carinho, com sua fidelidade, com sua assiduidade e pontualidade aos cultos, com seu apoio e envolvimento no exercício das atividades eclesiásticas que ele propõe. Ofereça-se para o trabalho na Seara do Mestre, não permitindo jamais que a indolência domine você tornando-o infrutífero para o Reino de Deus. No caso de ministros que dedicam todo o seu tempo à causa do Evangelho, honre-o também a partir da retribuição financeira justa pelo exercício do ministério pastoral.

Por outro lado, amado leitor, se seu pastor demonstra de forma inequívoca que é um falso pastor, ou um mercenário, que só pensa e prega sobre dinheiro, não perca tempo: procure outra igreja ou comunidade de fiéis onde existam irmãos em Cristo sérios e pastoreados por ministros de Deus, onde você possa crescer espiritualmente de forma sadia, conforme a vontade do Senhor.

Deus espera que nós, ramos enxertados em Cristo, frutifiquemos em tudo, de forma que aquele ramo que frutifica Ele limpa para que dê ainda mais fruto. O Pai não tem preguiça em limpar os ramos frutíferos, nem em cortar e lançar fora os infrutíferos (Jo 15.2-6). Para frutificarmos, uma das coisas que jamais podemos permitir é que a preguiça seja uma realidade em nossas vidas e ministérios!

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

sexta-feira, 20 de maio de 2011

PROFETAS, EVANGELISTAS, PASTORES, MESTRES... APÓSTOLOS! ONDE ESTÃO ESSES HOMENS?


Por: Ev. Rodrigo Aguilar, Th.B.

Texto base: Efésios 4:7-25

No dia 27 de abril morreu num acidente automobilístico, no estado do Texas, Estados Unidos, o pastor David Wilkerson. Ele dirigia um sedan Infinity e colidiu de frente com um caminhão. Ele é conhecido mundialmente pelo seu trabalho na evangelização de drogados e jovens marginais e também pelo livro A cruz e o punhal, que relata os primeiros anos de seu ministério. Ele é o fundador do Desafio Jovem, entidade internacional dedicada a recuperar jovens do mundo das drogas e do crime.

A morte de David Wilkerson, aos 79 anos, também cala uma das vozes mais poderosas contra os desvios doutrinários e as aberrações comportamentais que invadiram a Igreja nos últimos anos. Ele se mostrava profundamente angustiado com a situação e com a letargia do povo de Deus diante do avanço desses modismos, cobrando uma atitude dos cristãos. Ele dizia: “Nós nos agarramos a nossas retóricas religiosas e conversas sobre avivamento, mas nos tornamos tão passivos! A verdadeira paixão nasce da angústia. Toda verdadeira paixão por Cristo vem de um batismo de angústia”.

Esse homem teve uma vida impecável! Sua carreira cristã é digna de elogios e merece ser seguida. Escândalos jamais abalaram seu ministério em todos os 60 anos em que serviu a Deus como pastor. Pastor David Wilkerson... Profeta David Wilkerson... Evangelista David Wilkerson... Mestre David Wilkerson... Talvez seja apóstolo David Wilkerson. Não sei muito bem como definir esse homem de Deus que ao contrário de muitos, hoje, querem status de apóstolo. Ele fugia dos holofotes e da ganância sórdida que devasta os EUA e todo o mundo evangélico. Voz poderosa, coração amoroso e consagrado a Deus, mãos adestradas para defesa do Evangelho e crescimento do Reino, mente focada no Espírito e no avivamento prometido por Deus em Sua Palavra.

Fico imaginando a perda de todos esses poderosos homens de Deus em nossos dias. David já se foi, Billy Graham está bem idoso e Leonard Ravenhill foi um grande evangelista que morreu em 1994. Fica até meio difícil citar outros grandes homens e mulheres de Deus nos dias de hoje, ainda que eles existam. Fato é que faz-se necessário o surgimento de outros homens assim, com talentos dados por Deus, poderosos, marcantes em nossa geração, ousados, verdadeiros, não apegados ao dinheiro e ao mundo caído. Tenho 25 anos e me parece que muito provavelmente verei grandes calamidades descritas no livro de Apocalipse acontecer. Verei muitos desfalecerem na fé, chorando por misérias humanas, morrendo e matando por futilidades, a Palavra de Deus sendo extinta das igrejas, o que já está acontecendo.

Se eu disser que não tenho medo estou mentindo. Talvez haja quem diga que não está com medo; esse tal ou mente ou ainda não entendeu a gravidade da situação. Parece com a indagação da mulher de Ló. Deus disse: “Porquanto o clamor de Sodoma e Gomorra se tem multiplicado, e porquanto o seu pecado se tem agravado muito" ( Gn 18.20 ), porém a mulher de Ló não deu ouvidos e apesar ter saído da cidade fisicamente , a cidade espiritualmente não saiu de dentro dela. “Então o SENHOR fez chover enxofre e fogo, do SENHOR desde os céus, sobre Sodoma e Gomorra ; E destruiu aquelas cidades e toda aquela campina, e todos os moradores daquelas cidades, e o que nascia da terra. E a mulher de Ló olhou para trás e ficou convertida numa estátua de sal." ( Gn 19.24-26 ).

Como mudar a situação? A coisa está ficando cada vez mais feia. Está tudo muito intenso, Terremotos, maremotos, furacões, crise e mais crises, guerras e rumores de guerras, amor frio e igreja morna! Muitos escândalos, desvios de conduta moral, pecado superabundando no mundo que jaz no maligno e na igreja que deveria ser imaculada. Como Neemias, vejo homens e mulheres de Deus chorando pelos muros de Jerusalém derribados. Os muros da congregação que está militando neste mundo, os muros derribados da Jerusalém espiritual que está dentro de seus corações e de seus entes queridos e os muros da Jerusalém espiritual, que é a Igreja como um todo, está sendo bombardeada pelo inferno. A igreja esqueceu-se do que é eterno. Quando ela colocou seus olhos na luz das coisas oferecidas pelo diabo foi cegada com a mentira, a mesma que foi usada no Éden contra Eva. Orgulho, independência, desobediência e prazer próprio tomaram seus corações.

Hoje existe muita informação sobre Deus. Muitos livros, internet, televisão e rádio, além de outras formas de se obter qualquer notícia ou comentário sobre a Bíblia. Mas poucos conhecem a Deus. É como se eu lesse sobre uma artista famosa e conhecesse tudo dela, mas isso não quer dizer que eu a conheça realmente, já que nunca tive um relacionamento com tal pessoa. Assim são muitos estudiosos, pregadores e ditos homens de Deus. Falam de Deus, tem títulos de doutores em divindade, ditos grandes pregadores do Senhor, entretanto seus corações são vazios da unção, do amor, da obediência e humildade, marcas dos que verdadeiramente andam com Deus. A letra está morta nas igrejas, pois o Espírito Santo está sendo desprezado nos altares destes locais que não são "casas de oração".

O avivamento urgente para os crentes e para o mundo perdido parece muito distante, ainda mais com a morte desses homens que verdadeiramente buscavam a Deus com intensidade, com o Pr.Wilkerson. É preciso que sejam restaurados os 5 ministérios de Efésios 4 ( Apóstolos, profetas, evangelistas, pastores, mestres ), homens na unção do Espírito, mergulhados no poder da graça que traz restauração ao homem perdido. Onde estão esses homens? Onde estão os apóstolos que edificam e treinam os jovens e a igreja? Os profetas que mostram com clareza e firmeza a vontade de Deus? Os evangelistas que alcançam as multidões de famintos e sedentos com uma palavra poderosa de arrependimento e sacrifício bem explícita na cruz do calvário? Os mestres que combatem as falsas doutrinas e levam ao povo a Verdade, Jesus Cristo ressurreto dentre os mortos?

Isso será gerado no seu e no meu coração se realmente experimentarmos a cruz e entendermos sua mensagem. Essa necessidade de sermos levantados por Deus é gerado na mortificação da nossa vida mundana e a criação de uma nova vida. Não importa a nossa situação e condição na igreja, status ou posição eclesiástica, é preciso mortificar nossa vida, mudar tudo. Está tudo errado! Se esse é o evangelho que foi proposto por Jesus estamos perdidos! Alguns só querem obedecer e viver sua vidinha de vitórias em lutas humanas. Querem trabalhar, sustentar suas famílias, criar seus filhos, ter dinheiro e sossego, ou seja, viver bem. Não os condeno por isso; não estão errados em quererem o bem-estar. Mas creia, querido amigo e irmão, Deus precisa e quer um mais do que isso. Ele está chamando Seu povo para chorar, para sentir "dores de parto" pelo que está por vir. Ele deseja compartilhar jóias com seus amigos maduros, mas não se confiam jóias a crianças.

Se você está passando uma crise em seu ministério, em sua vida familiar, em sua vida espiritual ou em qualquer área, e se pergunta "o que está acontecendo?", eu te digo, querido: Deus está te abalando! As dores nos fortalecem e nos tornam grandes e fortes na fé. Na solidão, a dependência e confiança em Deus e na Sua graça crescem. Deus precisa que você e eu sejamos fortes. Creio que nestes dias precisamos de uma palavra específica de Deus, todos nós. Algo que não é passado por homens em pregações ou estudos, mas algo colocado em nossos corações pelo Espírito Santo em momentos de intima comunhão através de orações e reflexões profundas em Sua Palavra.

Não entre por caminhos de religiosidade como fazem muitos pentecostais, com suas manifestações vazias, sem Deus. Entretanto nunca deixe a chama e a unção do Espírito se apague em você! Sem o fogo do Espírito Santo em seu coração o amor vai se esfriar e você estará como o mundo: morto e condenado no maligno. Sejamos você e eu essas pessoas que continuarão o legado desses homens de Deus.

Deus nos abençoe e levante homens com Seu poder para que Sua palavra profética nunca deixe de existir. Amém

O Autor: Ev. Rodrigo Aguilar, Th.B., membro da Igreja Batista Ministério Reviver, em Vila da Penha/RJ.