quarta-feira, 6 de outubro de 2010
EVANGÉLICOS X PT: ENTENDA O CASO E POSICIONE-SE
Diversos blogs e jornais têm publicado uma série de matérias sobre o posicionamento de católicos e evangélicos contra o Partido dos Trabalhadores (PT) nas últimas eleições. O motivo seria uma suposta posição favorável, do partido e de seus candidatos, em especial a Dilma Rousseff, à legalização do aborto. Apesar do esforço da candidata à Presidência da República em desconstruir tal posição durante sua campanha, a verdade é que houve uma verdadeira "cruzada" contra ela e o seu partido nas últimas semanas. Segundo a avaliação da cúpula da campanha de Dilma, este foi um dos fatores que influenciaram na tendência de queda nos votos da presidenciável.
Entenda o Caso
Quando ainda não era candidata, a sra. Dilma Rousseff defendia abertamente a descriminalização da prática. Em outubro de 2007 em sabatina no jornal "Folha de S. Paulo", perguntada sobre o assunto, foi afirmativa: "Olha, eu acho que tem que ter descriminalização do aborto. Hoje no Brasil acho um absurdo que não haja". Em 2009, numa entrevista concedida à revista feminina "Marie Claire", que antecipou ser uma das bandeiras do PNDH-3 (Programa Nacional de Direitos Humanos) a defesa da legalização do aborto, a então pré-candidata Dilma Rousseff foi mais afirmativa: "Abortar não é fácil para a mulher alguma. Duvido que alguém se sinta confortável em fazer um aborto. Agora, isso não pode ser justificativa para que não haja a legalização. O aborto é uma questão de saúde pública. Há uma quantidade enorme de mulheres brasileiras que morre porque tenta abortar em condições precárias. Se a gente tratar o assunto de forma séria e respeitosa, evitará toda sorte de preconceitos. Essa é uma questão grave que causa muitos mal-entendidos".
Um dos coordenadores da campanha de Dilma, José Eduardo Cardozo, reconhece que a resolução do PT, pró-descriminalização do aborto, não é unânime no partido e não é a posição de Dilma (http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2010/10/05/pt-pode-tirar-aborto-de-programa-para-deter-queda-de-dilma-330077.asp. Acesso 06/10/10, às 10h15min).
Veja também as seguintes referências (todos acessos em 06/10/10):
1. http://oglobo.globo.com/pais/noblat/posts/2010/10/06/aborto-foi-retirado-do-plano-nacional-de-direitos-humanos-330394.asp
2. http://revistamarieclaire.globo.com/Revista/Common/0,,EMI175873-17735-2,00-A+MULHER+DO+PRESIDENTE+CONFIRA+A+ENTREVISTA+QUE+DILMA+ROUSSEFF+CONCEDEU+A+M.html
Considerando apenas a declaração do coordenador da campanha, ela revela que há, pelo menos, uma parcela do partido favorável ao tema. Como via de regra não se sabe qual parcela é favorável e qual não é, tanto os católicos quanto os evangélicos adotaram o "princípio da precaucação" na eleição: "na ausência da certeza formal, a existência de um risco de um dano sério ou irreversível requer a implementação de medidas que possam prever este dano". Isso sem falar no fato de que esta é uma versão dos fatos pois, de fato, a Dilma defendia o aborto, ou seja, era esta a sua posição.
A questão é que a posição pró-aborto produziu um verdadeiro Tsunami contra o PT e sua campanha, por pastores e padres, por meio de missas e cultos, além de cartas, e-mails e vídeos na internet. Por exemplo, há um vídeo que circulou pela internet (visto por quase 3 milhões de pessoas), onde o Pr. Paschoal Piragine, da 1a. Igreja Batista de Curitiba, num culto em agosto exortou os irmãos a não votarem em candidatos do PT. No vídeo, há cenas fortes de de fetos mortos e despedaçados, uma criança indígena sendo enterrada viva e uma mulher sendo espancada. O pastor opina que o PT — por ter fechado questão favorável à legalização do aborto e à união civil entre homossexuais — tentaria transformar o país em uma terra onde o pecado é aceito e vulgarizado.
O vídeo foi recentemente censurado pelo youtube, onde está hospedado. Para visualizar este vídeo é necessário fazer login ou inscreva-se para confirmar que você tem 18 anos ou mais. Observe que sempre há a possibilidade de fazer o login e acessar o vídeo. De qualquer modo, este vídeo causou tanto impacto que outros usuários também o postaram, sendo (ainda) liberado o acesso. Veja abaixo o vídeo:
Cenas fortes, acusações fortes. O vídeo gerou revolta entre os integrantes do PT. Durante entrevista à Rádio CBN do Paraná, o dirigente do PT, Enio Verri disse que iria acionar o pastor juridicamente imediatamente. Vamos orar ao Senhor Deus pedindo proteção e direção ao Pr. Paschoal.
No entanto, é fato que o presente governo tem, no mínimo, uma posição não aderente à ortodoxia cristã sobre o aborto. O documento “Consenso de Brasília”, originado pela XI Conferência Regional Sobre a Mulher da América latina e do Caribe, realizada pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) do Conselho Econômico e Social da Organização das Nações Unidas, em conjunto com a Secretaria de Política para as Mulheres do Brasil, entre os dias 13 e 16 de julho de 2010, promoveu através da participação sem ressalvas do Ministro das Relações Exteriores Celso Amorim e da Secretária de Políticas para as Mulheres Nilcéia Freire, o apoio do Governo Brasileiro à irrestrita prática do aborto. O deputado Paes Lira, do PTC/SP, elaborou o Projeto de Lei nº 2840/2010 sustando os efeitos deste documento (veja a íntegra do PL em http://www.camara.gov.br/sileg/integras/793082.pdf. Acesso 06/10/10)
Porém, creio que a defesa do aborto não é particularidade de um único partido ou candidato ou político. Isso precisa ficar claro. Na luta em favor do aborto vale tudo. Incapazes de aprovar o aborto no Congresso Nacional, os abortistas pressionaram o então Ministro da Saúde José Serra para que editasse uma Norma Técnica dispondo sobre a prática de abortos no SUS em crianças de até 20 semanas (cinco meses) concebidas em um suposto estupro. Publicada em novembro de 1998, a Norma recebeu o nome "Prevenção e Tratamento dos Agravos Resultantes da Violência Sexual contra Mulheres e Adolescentes". Apesar de a palavra "aborto" estar ausente do título, a morte provocada do nascituro constitui o núcleo dos seis capítulos que compunham o documento.
O ex-Ministro Humberto Costa reeditou outra Norma Técnica do Aborto em 15 de dezembro de 2004. O fato motivou a criação do Projeto de Lei nº 42/2007, do deputado Henrique Afonso - PT/AC, sustando a aplicação desta Norma Técnica, que ficou conhecida como "Norma Técnica do Aborto", expedida pelo Ministério da Saúde.
Veja as seguintes referências (todos acessos em 06/10/10):
1. http://www.providaanapolis.org.br/nta2a.pdf
2. http://www.ipas.org.br/arquivos/NT_prevencao_violencia.pdf
3. http://www.camara.gov.br/sileg/Prop_Detalhe.asp?id=351366
4. http://www.buscalegis.ufsc.br/revistas/index.php/buscalegis/article/viewFile/13074/12638
Cada brasileiro precisa tirar suas próprias conclusões sobre os fatos apresentados. Apesar de não haver feito nenhuma recomendação direta à igreja que pastoreio, não sou em hipótese alguma favorável que se vote em candidatos que defendem aberta ou veladamente princípios anticristãos. Cada crente em Cristo deve ponderar os fatos e propostas de governo, que mesmo não ferindo a ética cristã (como as que estão no PNDH-3, http://portal.mj.gov.br/sedh/pndh3/pndh3.pdf) e ainda assim serem ruins para o Brasil, e então escolher conscientemente em quem votar. Posicione-se você também!
É bom que se diga que é possível encaminhar sugestões para discussão de assuntos na Câmara dos Deputados. Existem Mecanismos Democráticos de Participação da Sociedade no processo legislativo. A CLP – COMISSÃO PERMANENTE DE LEGISLAÇÃO PARTICIPATIVA existe desde 2001, aprovada a Resolução 21/2001. A matéria prima da Comissão de Legislação Participativa é a idéia trazida pela participação das associações, ongs, sindicatos, etc. Assim, as sugestões não precisam ser encaminhadas na forma em que ela vai tramitar, como por exemplo, em forma de projeto de lei. (veja: http://www.escoladegoverno.org.br/artigos/53-mecanismosparticipacao)
Abriu-se assim um canal para que a sociedade traga sua contribuição ao processo legislativo, incentivando a mobilização popular e constituindo forte instrumento de educação política e fortalecimento da democracia representativa. Diminuída a distância entre representantes e representados, é imprescindível que o cidadão comum ocupe este espaço de liberdade e cidadania, integrando-se ao sistema de produção das normas do ordenamento jurídico de nosso país, a medida em que levar diretamente ao Parlamento sua percepção dos problemas, demandas e necessidades da vida real e cotidiana.
Quem pode apresentar sugestões Legislativas? As associações e órgãos de classe, sindicatos e entidades da sociedade civil, exceto partidos políticos. Desde que tenham participação paritária da sociedade civil, também podem apresentar Sugestões Legislativas os órgãos e entidades da administração pública direta e indireta, como o Conselho Nacional de Saúde, o Conselho Nacional de Assistência Social etc. Diversas associações, como a ABGLT, participam ativamente, enviando sugestões.
Permita-me, neste ponto, fazer uma singela pergunta: Porque as Convenções de igrejas (Batistas - CBN, CIBI, CBB, CBF, CBC, Mineira, Pernambucana, etc; Assembléia - CGADB, CONAMAD, etc; Metodistas; Congregacionais; Comunidades Evangélicas; etc), as Ordens de Ministros (ORMIBAN, OMEB, etc), as Associações de Seminário Teológicos (ASTE, etc), etc não se fazem representar, participando do processo legislativo pelo dispositivo acima, nos temas que lhes são sensíveis - como o aborto, união homoafetiva, etc? Porque ficar sempre aguardando que o projeto de lei seja elaborado, para então se manifestar, numa atitude claramente reativa, quando a proatividade é possível e necessária?
Porque não participamos? Será por desconhecimento ou por omissão? Há pelo menos uma dezena de parlamentares evangélicos, muitos pastores. Eles não poderiam ajudar, combatendo o desconhecimento? Nós vivemos na era da informação! Tudo que precisamos está disponível, DE GRAÇA, na internet! Se é omissão, ela é motivada pelo quê? Medo? Ignorância? Descaso? Isso não pode continuar acontecendo, ou viveremos sempre à sombra do medo de termos que lidar com um mundo onde o pecado é legalizado e onde combatê-lo passa a ser crime. Viveremos sempre com medo de que um candidato pouco ortodoxo seja eleito.
Esclarecer as políticas de um candidato ou de um partido à luz dos valores cristãos é importante, mas é apenas um começo. É preciso avançar mais no conhecimento e na prática da democracia e do processo político-legislativo. Mas para isso talvez seja necessário que os evangélicos abram mão do preconceito religioso mumificado - coisas como pentecostais x tradicionais não podem servir como justificativa para a não-aproximação daqueles que se dizem "igreja de Cristo, guardiã dos valores Bíblicos imutáveis de Deus". A diversidade no código doutrinário-teológico da igreja evangélica não pode servir como desculpas para a sua letargia político-legislativa.
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!
terça-feira, 5 de outubro de 2010
MENTALIDADE DE MERCADO: VOCÊ SERIA CAPAZ DE ACEITAR O SOFRIMENTO INJUSTIFICADO?
Vivemos numa geração onde todas as ideologias dominantes centram-se no homem, enfatizando a necessidade de bem-estar em todas as áreas de sua vida. Esta ênfase, que vem sendo construída ao longo dos anos, possui as mais variadas ramificações: desde políticas, com a prática do populismo "pão e circo" e promessas mirabolantes, até a religiosa, com as mesmas práticas e promessas.
Há todo um "setor produtivo", responsável pela "produção", "colocação no mercado" e "venda" de "sucesso", "felicidade", "prosperidade", "saúde eterna", etc. Tal "produto", muito cobiçado e, portanto pelas regras de mercado muito valorizado, é "vendido" sob a forma de "produto instantâneo", "em pacotinhos" - basta adicionar água, ferver na alma por 50min e está pronto para ser consumido! Os sabores são diversos, mas em essência é o mesmo produto.
É preciso ressaltar que este produto é tanto a ideologia em si quanto a materialização da ideologia, sob a forma de apetrechos e kits de bem-estar, tais como "objetos consagrados", "oração carta de direitos", etc. A Bíblia, aqui, é reinterpretada, tornando-se o "guia de boas práticas para se alcançar o sucesso"; o pastor é o "especialista no guia de boas práticas" e a igreja é o local onde convergem as energias cósmicas, vindas de um deus que age a partir dos comandos do especialista, que ativarão os portais para a nova realidade de sucesso e felicidade. Deste modo, tudo gira em torno do bem-estar, músicas e mensagens. E tudo por um preço módico: até 30% do seu salário. No futuro, haverá um programa de milhagem associado aos gastos nas igrejas: a cada R$ 1.000 ofertado ou na compra de produtos na igreja, você acumula até 500 pontos em milhas. Como diria a "irmã" Chiquinha, grande profetiza da encrenca, "pois é, pois é, pois é..."!
Adam Smith, em sua obra "Riqueza das Nações", cunhou um termo conhecido como "Mão Invisível". Segundo ele, a interação dos indivíduos pareceria resultar numa determinada ordem, como se houvesse uma "mão invisível" que os orientasse, apesar da inexistência de uma entidade coordenadora do interesse comunal. De fato, parece haver uma espécie de mão invisível guiando os indivíduos de forma que interajam objetivando o acesso aos "welfare products". A auto-organização destes indivíduos em igrejas e instituições religiosas, como se deu no início do movimento neo-pentecostal, produzindo sacerdotes e doutrinas justificadoras, mostra esta realidade.
A triste realidade é que tal "mão invisível" estende sua influência até mesmo àquelas pessoas e igrejas que não concordam com a ideologia do "welfare products". As igrejas/denominações que outrora eram vistas como "sérias", "ortodoxas", etc. ou estão se redendo à ideologia do sucesso fácil ou estão padecendo de graves problemas para manterem-se incontaminadas. Afinal, segundo o ideário religioso-evangélico vigente, todas são igrejas e assim são todas equivalentes. Deste modo, é sempre possível escolher uma dentre as muitas, de acordo com os pré-conceitos de igreja, que melhor atenda às minhas necessidades por um menor preço.
No blog "A Verdade Bíblica", o Pr. Magdiel Anselmo traz uma reflexão muito interessante sobre o que ele chama de "mentalidade de clube" (http://pranselmoteologia.blogspot.com/2010/09/mentalidade-de-clube.html). Segundo o pastor, "muitos pensam que Igreja é como um clube. Existe para satisfazer seus desejos e anseios. Existe para agradar aos associados (membros). Existe para proporcionar aquilo que quero". Recomendo a leitura do texto, muito bem escrito, inteligente e atual.
Contudo, há outra mentalidade que é cada vez mais comum naqueles que se dizem crentes em Cristo. Trata-se da mentalidade de mercado, de compra e venda. O crente/frequentador é o comprador, detentor do capital e portanto encontra-se na condição de ditar o padrão do produto a ser comprado. O pastor é o vendedor, que se utilizará de todos os meios que estiverem ao seu alcance para conquistar e fidelizar o comprador. O produto comercializado é o "produto religioso", nem sempre material como dito anteriormente (ideologias não confrontadoras, mas que gerem bem-estar e atendimento VIP pelo pastor e obreiros, por exemplo). A igreja é o mercado, cheio de consumidores, que precisa ter necessariamente estrutura física e de serviços para melhor recepcioná-los.
Se os consumidores não encontrarem um produto pelo qual valha a pena pagar, aliado ao atendimento imediato de alto padrão pelo vendedor, eles não frequentarão mais aquele mercado. Se possível, orientarão outros consumidores a fazerem o mesmo. E assim um grupo de consumidores acabará saindo daquele mercado em direção a outro, como que guiados por uma mão invisível.
Antigamente, havia um sentimento de fidelidade à igreja. Não se mudava de igreja como hoje em dia. Mesmo que os crentes sofressem injustiças na igreja, quer por parte dos outros membros, quer por parte do pastor, raríssimas vezes isso redundava em mudança. Naquela época, os sofrimentos devidos eram entendidos como tal e os indevidos eram encarados como parte integrante e necessária na vida cristã. No primeiro, o sofrimento era merecido, consequência de atitudes erradas. No segundo, o sofrimento era motivo de glórias a Deus, no Espírito e letra de I Pedro. Entendia-se que o próprio Senhor faria justiça, a Seu tempo; entendia-se também que a igreja era mais do que aquela situação isolada.
Hoje, a mentalidade dos crentes é trocar de igreja ao menor sinal de problemas. Isso quando não saem para fundar a sua própria igreja, na acepção do termo neotestamentário "seita". E não importa a denominação: hoje batista, amanhã assembleiano, semana que vem metodista...; até o fim do ano, só Deus sabe. Hoje renovado, amanhã tradicional, passando pelo pentecostal e neo-pentecostal.
Ninguém aceita mais sofrer em prol da igreja ou da fé que professa. A igreja têm problemas? Há injustiças?Qual é a que não tem? Você sofreu uma injustiça? Quem nunca sofreu, rasgue o cartão de membresia! Será que nunca atentaremos para o que diz a epístola de Pedro? "Porque é coisa agradável, que alguém, por causa da consciência para com Deus, sofra agravos, padecendo injustamente. Porque, que glória será essa, se, pecando, sois esbofeteados e sofreis? Mas se, fazendo o bem, sois afligidos e o sofreis, isso é agradável a Deus. Porque para isto sois chamados; pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas" (I Pe 2.19-21).
Acaso eu pergunto: isso tem base bíblica? Afinal, se somos crentes, devemos agir pela Bíblia, ainda que ela contrarie a nossa carne. Deus aprova essa prática? Se você não sabe responder, deixe-me mudar a pergunta: será que existe uma igreja perfeita, onde você jamais passará nenhum tipo de luta ou sofrimento ou injustiça? Nem na época dos apóstolos isto acontecia! Veja a igreja de Corinto: divisões e partidarismos, irmãos devorando o pão e o vinho da Ceia do Senhor (uns até bêbados com o vinho), uma babel no uso dos dons espirituais, irmão processando outro num tribunal secular. Havia até um homem, membro da igreja, que estava vivendo maritalmente com sua madrasta. Num ambiente como esse, é lógico supor que havia gente injustiçada, já que a própria injustiça reinava na igreja. Observe que a criação do ministério diaconal foi devido à murmuração na igreja em Jerusalém: um grupo de viúvas se achava injustiçado em detrimento do outro! Porém, nenhuma das viúvas mudou de igreja!
Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia (Hb 10.25). Ora, se "aquele dia" está cada vez mais perto, com mais ênfase e frequência devem os crentes serem admoestados a não deixarem suas congregações. Observe que há uma ligação causa-efeito entre "aquele dia" e a permanência na congregação, o que motiva a admoestação. De algum modo, quando chegar "aquele dia" (e ele se aproxima) haverá para aqueles que tiverem deixado a sua congregação consequências negativas. É claro que o distinto leitor compreende o significado do texto, que está a combater uma prática enraizada, um costume, um hábito.
É claro que há situações insustentáveis, que acabam compelindo à tomada de soluções drásticas. Uma delas é quando uma igreja ou seu líder abraça uma heresia, algo sabiamente antibíblico, como o sabelianismo, por exemplo. É claro que devemos lutar, ideologicamente falando, contra toda a forma de injustiça - lutar contra a ideologia, não contra o propositor dela, que fique claro. Outra coisa são as injustiças que todos os crentes que já viveram na face desta terra e que ainda viverão experimentaram e experimentarão um dia, invariavelmente. Maturidade espiritual é também saber se comportar diante das injustiças, reconhecendo-as como parte da vida cristã.
Você seria capaz de aceitar o sofrimento injustificado? Seria capaz de seguir até este ponto o exemplo do Senhor Jesus, abrindo mão do seu direito de justiça em prol do Reino de Deus?
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!
Há todo um "setor produtivo", responsável pela "produção", "colocação no mercado" e "venda" de "sucesso", "felicidade", "prosperidade", "saúde eterna", etc. Tal "produto", muito cobiçado e, portanto pelas regras de mercado muito valorizado, é "vendido" sob a forma de "produto instantâneo", "em pacotinhos" - basta adicionar água, ferver na alma por 50min e está pronto para ser consumido! Os sabores são diversos, mas em essência é o mesmo produto.
É preciso ressaltar que este produto é tanto a ideologia em si quanto a materialização da ideologia, sob a forma de apetrechos e kits de bem-estar, tais como "objetos consagrados", "oração carta de direitos", etc. A Bíblia, aqui, é reinterpretada, tornando-se o "guia de boas práticas para se alcançar o sucesso"; o pastor é o "especialista no guia de boas práticas" e a igreja é o local onde convergem as energias cósmicas, vindas de um deus que age a partir dos comandos do especialista, que ativarão os portais para a nova realidade de sucesso e felicidade. Deste modo, tudo gira em torno do bem-estar, músicas e mensagens. E tudo por um preço módico: até 30% do seu salário. No futuro, haverá um programa de milhagem associado aos gastos nas igrejas: a cada R$ 1.000 ofertado ou na compra de produtos na igreja, você acumula até 500 pontos em milhas. Como diria a "irmã" Chiquinha, grande profetiza da encrenca, "pois é, pois é, pois é..."!
Adam Smith, em sua obra "Riqueza das Nações", cunhou um termo conhecido como "Mão Invisível". Segundo ele, a interação dos indivíduos pareceria resultar numa determinada ordem, como se houvesse uma "mão invisível" que os orientasse, apesar da inexistência de uma entidade coordenadora do interesse comunal. De fato, parece haver uma espécie de mão invisível guiando os indivíduos de forma que interajam objetivando o acesso aos "welfare products". A auto-organização destes indivíduos em igrejas e instituições religiosas, como se deu no início do movimento neo-pentecostal, produzindo sacerdotes e doutrinas justificadoras, mostra esta realidade.
A triste realidade é que tal "mão invisível" estende sua influência até mesmo àquelas pessoas e igrejas que não concordam com a ideologia do "welfare products". As igrejas/denominações que outrora eram vistas como "sérias", "ortodoxas", etc. ou estão se redendo à ideologia do sucesso fácil ou estão padecendo de graves problemas para manterem-se incontaminadas. Afinal, segundo o ideário religioso-evangélico vigente, todas são igrejas e assim são todas equivalentes. Deste modo, é sempre possível escolher uma dentre as muitas, de acordo com os pré-conceitos de igreja, que melhor atenda às minhas necessidades por um menor preço.
No blog "A Verdade Bíblica", o Pr. Magdiel Anselmo traz uma reflexão muito interessante sobre o que ele chama de "mentalidade de clube" (http://pranselmoteologia.blogspot.com/2010/09/mentalidade-de-clube.html). Segundo o pastor, "muitos pensam que Igreja é como um clube. Existe para satisfazer seus desejos e anseios. Existe para agradar aos associados (membros). Existe para proporcionar aquilo que quero". Recomendo a leitura do texto, muito bem escrito, inteligente e atual.
Contudo, há outra mentalidade que é cada vez mais comum naqueles que se dizem crentes em Cristo. Trata-se da mentalidade de mercado, de compra e venda. O crente/frequentador é o comprador, detentor do capital e portanto encontra-se na condição de ditar o padrão do produto a ser comprado. O pastor é o vendedor, que se utilizará de todos os meios que estiverem ao seu alcance para conquistar e fidelizar o comprador. O produto comercializado é o "produto religioso", nem sempre material como dito anteriormente (ideologias não confrontadoras, mas que gerem bem-estar e atendimento VIP pelo pastor e obreiros, por exemplo). A igreja é o mercado, cheio de consumidores, que precisa ter necessariamente estrutura física e de serviços para melhor recepcioná-los.
Se os consumidores não encontrarem um produto pelo qual valha a pena pagar, aliado ao atendimento imediato de alto padrão pelo vendedor, eles não frequentarão mais aquele mercado. Se possível, orientarão outros consumidores a fazerem o mesmo. E assim um grupo de consumidores acabará saindo daquele mercado em direção a outro, como que guiados por uma mão invisível.
Antigamente, havia um sentimento de fidelidade à igreja. Não se mudava de igreja como hoje em dia. Mesmo que os crentes sofressem injustiças na igreja, quer por parte dos outros membros, quer por parte do pastor, raríssimas vezes isso redundava em mudança. Naquela época, os sofrimentos devidos eram entendidos como tal e os indevidos eram encarados como parte integrante e necessária na vida cristã. No primeiro, o sofrimento era merecido, consequência de atitudes erradas. No segundo, o sofrimento era motivo de glórias a Deus, no Espírito e letra de I Pedro. Entendia-se que o próprio Senhor faria justiça, a Seu tempo; entendia-se também que a igreja era mais do que aquela situação isolada.
Hoje, a mentalidade dos crentes é trocar de igreja ao menor sinal de problemas. Isso quando não saem para fundar a sua própria igreja, na acepção do termo neotestamentário "seita". E não importa a denominação: hoje batista, amanhã assembleiano, semana que vem metodista...; até o fim do ano, só Deus sabe. Hoje renovado, amanhã tradicional, passando pelo pentecostal e neo-pentecostal.
Ninguém aceita mais sofrer em prol da igreja ou da fé que professa. A igreja têm problemas? Há injustiças?Qual é a que não tem? Você sofreu uma injustiça? Quem nunca sofreu, rasgue o cartão de membresia! Será que nunca atentaremos para o que diz a epístola de Pedro? "Porque é coisa agradável, que alguém, por causa da consciência para com Deus, sofra agravos, padecendo injustamente. Porque, que glória será essa, se, pecando, sois esbofeteados e sofreis? Mas se, fazendo o bem, sois afligidos e o sofreis, isso é agradável a Deus. Porque para isto sois chamados; pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas" (I Pe 2.19-21).
Acaso eu pergunto: isso tem base bíblica? Afinal, se somos crentes, devemos agir pela Bíblia, ainda que ela contrarie a nossa carne. Deus aprova essa prática? Se você não sabe responder, deixe-me mudar a pergunta: será que existe uma igreja perfeita, onde você jamais passará nenhum tipo de luta ou sofrimento ou injustiça? Nem na época dos apóstolos isto acontecia! Veja a igreja de Corinto: divisões e partidarismos, irmãos devorando o pão e o vinho da Ceia do Senhor (uns até bêbados com o vinho), uma babel no uso dos dons espirituais, irmão processando outro num tribunal secular. Havia até um homem, membro da igreja, que estava vivendo maritalmente com sua madrasta. Num ambiente como esse, é lógico supor que havia gente injustiçada, já que a própria injustiça reinava na igreja. Observe que a criação do ministério diaconal foi devido à murmuração na igreja em Jerusalém: um grupo de viúvas se achava injustiçado em detrimento do outro! Porém, nenhuma das viúvas mudou de igreja!
Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns, antes admoestando-nos uns aos outros; e tanto mais, quanto vedes que se vai aproximando aquele dia (Hb 10.25). Ora, se "aquele dia" está cada vez mais perto, com mais ênfase e frequência devem os crentes serem admoestados a não deixarem suas congregações. Observe que há uma ligação causa-efeito entre "aquele dia" e a permanência na congregação, o que motiva a admoestação. De algum modo, quando chegar "aquele dia" (e ele se aproxima) haverá para aqueles que tiverem deixado a sua congregação consequências negativas. É claro que o distinto leitor compreende o significado do texto, que está a combater uma prática enraizada, um costume, um hábito.
É claro que há situações insustentáveis, que acabam compelindo à tomada de soluções drásticas. Uma delas é quando uma igreja ou seu líder abraça uma heresia, algo sabiamente antibíblico, como o sabelianismo, por exemplo. É claro que devemos lutar, ideologicamente falando, contra toda a forma de injustiça - lutar contra a ideologia, não contra o propositor dela, que fique claro. Outra coisa são as injustiças que todos os crentes que já viveram na face desta terra e que ainda viverão experimentaram e experimentarão um dia, invariavelmente. Maturidade espiritual é também saber se comportar diante das injustiças, reconhecendo-as como parte da vida cristã.
Você seria capaz de aceitar o sofrimento injustificado? Seria capaz de seguir até este ponto o exemplo do Senhor Jesus, abrindo mão do seu direito de justiça em prol do Reino de Deus?
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
AS RECENTES APOSTASIAS NA CÚPULA DAS ASSEMBLÉIAS DE DEUS
De antemão, quero deixar claro que não sou contrário a Assembléia de Deus enquanto denominação evangélica. Esta igreja já foi o berço de muitos renomados pregadores e mestres da Palavra de Deus, homens de Deus, que levaram o Evangelho aos vários "cantos" deste país. Foram eles os precursores da renovação pentecostal séria, experimentada hoje por várias igrejas. Inúmeros materiais, como Bíblias de Estudo, revistas de EBD, livros e comentários bíblicos, além de seminários teológicos de renome foram criados no âmbito das Assembléias de Deus.
Porém, infelizmente, o que se constata hoje é uma queda vertiginosa daquela grande denominação, na pessoa de seus principais líderes nacionais, que outrora primavam pela Palavra de Deus, mas que hoje permitiram-se negociar com o mundo, em troca de dinheiro, aquilo que um dia foi inegociável. Na verdade, desde a vinda do Pr. David Wilkerson, da igreja de Times Square, na Assembléia de Deus de Madureira, quando os líderes daquela igreja até hoje não liberaram para venda os DVDs com a mensagem do pastor - sabidamente exortativa, quanto a apostasia cometida pela AD no Brasil - as coisas iam muito bem.
Recentemente, um pastor muito conhecido e famoso, membro da Diretoria da Convenção Geral das Assembléias de Deus do Brasil (CGADB), solicitou sua reunúncia ao cargo, alegando problemas administrativos internos da denominação, dentre outros. Aproveitou o ensejo e solicitou ato contínuo seu desligamento do rol de membros daquela denominação, saindo então para fundar a sua própria. Muitos irmãos, admiradores do pastor, se escandalizaram com a sua saída, por toda a sua história de membresia e militância denominacional.
No entanto, mais dois escândalos surgem no cenário evangélico, envolvendo o alto escalão das Assembléias de Deus. O primeiro envolve o relacionamento de apoio mútuo, espiritual, entre o bispo Manoel Ferreira, deputado federal e líder máximo da CONAMAD – Convenção das igrejas Assembléias de Deus do ministério Madureira, com o reverendo Sun Myung Moon, da seita Igreja da Unificação. Veja o vídeo abaixo e tire suas próprias conclusões:
O segundo episódio, tão triste e lamentável quanto o primeiro, é registrado num vídeo em que o pastor Samuel Ferreira, pastor da Igreja Assembléia de Deus do ministério Madureira, no bairro do Brás – SP, entra em transe enquanto o pregador conhecido como “profeta Wesley” dá o comando para que os fiéis tragam dinheiro para o pastor. Segundo relato de irmãos presentes, o profeta fez questão de deixar claro que o dinheiro não era para missões, nem para a igreja, mas para o profeta (no caso, Samuel). Bastaram 20 minutos para Samuel despertar do transe com os bolsos e os pés cheios de dinheiro. Veja o vídeo e leia mais em http://www.genizahvirtual.com/2010/01/samuel-ferreira-em-transe-na-ad-do-bras.html, acesso 04/10/10, às 14h.
Não se deve julgar a parte pelo todo, isso é uma lição antiga e aprendida a duras penas. Há centenas, talvez milhares de irmãos sérios que congregam nas Assembléias de Deus, desde simples membros até pastores, pessoas que dão a vida em prol do Reino de Deus. Crentes em Cristo com "C" maísculo, gente que ama a Bíblia e nela medita de dia e de noite, obreiros aprovados pelo Mestre, que não tem do que se envergonhar. Contudo, é muito triste o que estes irmãos estão presenciando. Imagine o que é você dedicar a vida a uma causa - a propagação do Evangelho aliado ao crescimento denominacional -, confiando em sua liderança, e de repente descobre que estes líderes não são aquilo que aparentavam, que estão envolvidos com tudo o que você foi ensinado a não aceitar. Algumas vezes, ensinado até por eles.
O que está acontecendo? Será que este é um episódio isolado (?!?) ou representa o início do "nivelamento por baixo" de uma das maiores denominações evangélicas mundiais? Será que o fato não está a repertir-se noutras denominações evangélicas, que começando pelo cume da liderança se alastra em direção aos fiéis? Será que o neopentecostalismo-capitalista-maquiavélico prevalecerá, ao final, em cada denominação evangélica, enriquecendo pastores em detrimento do empobrecimento espiritual e financeiro do povo de Deus?
E quanto aos que permanecerem fiéis - os 7.000 fiéis: como farão para congregarem? Mudarão o nome da denominação - sim, porque já existem pastores que estão registrando nome de igreja como propriedade particular? Ou retornarão às reuniões particulares, longe dos templos e de sua imundícias, politicagens, pilantragens e heresias, dos holofotes sobre adúlteros e pecadores inveterados? Será que o fato que gerou a publicação de uma reportagem recente na Revista Época não é, na verdade, o indicativo de uma tendência em prol da sobrevivência espiritual em meio ao caos e apostasia crescentes e dominantes (veja em: http://apenas-para-argumentar.blogspot.com/2010/08/nova-reforma-protestante-e-restauracao.html)?
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!
Porém, infelizmente, o que se constata hoje é uma queda vertiginosa daquela grande denominação, na pessoa de seus principais líderes nacionais, que outrora primavam pela Palavra de Deus, mas que hoje permitiram-se negociar com o mundo, em troca de dinheiro, aquilo que um dia foi inegociável. Na verdade, desde a vinda do Pr. David Wilkerson, da igreja de Times Square, na Assembléia de Deus de Madureira, quando os líderes daquela igreja até hoje não liberaram para venda os DVDs com a mensagem do pastor - sabidamente exortativa, quanto a apostasia cometida pela AD no Brasil - as coisas iam muito bem.
Recentemente, um pastor muito conhecido e famoso, membro da Diretoria da Convenção Geral das Assembléias de Deus do Brasil (CGADB), solicitou sua reunúncia ao cargo, alegando problemas administrativos internos da denominação, dentre outros. Aproveitou o ensejo e solicitou ato contínuo seu desligamento do rol de membros daquela denominação, saindo então para fundar a sua própria. Muitos irmãos, admiradores do pastor, se escandalizaram com a sua saída, por toda a sua história de membresia e militância denominacional.
No entanto, mais dois escândalos surgem no cenário evangélico, envolvendo o alto escalão das Assembléias de Deus. O primeiro envolve o relacionamento de apoio mútuo, espiritual, entre o bispo Manoel Ferreira, deputado federal e líder máximo da CONAMAD – Convenção das igrejas Assembléias de Deus do ministério Madureira, com o reverendo Sun Myung Moon, da seita Igreja da Unificação. Veja o vídeo abaixo e tire suas próprias conclusões:
O segundo episódio, tão triste e lamentável quanto o primeiro, é registrado num vídeo em que o pastor Samuel Ferreira, pastor da Igreja Assembléia de Deus do ministério Madureira, no bairro do Brás – SP, entra em transe enquanto o pregador conhecido como “profeta Wesley” dá o comando para que os fiéis tragam dinheiro para o pastor. Segundo relato de irmãos presentes, o profeta fez questão de deixar claro que o dinheiro não era para missões, nem para a igreja, mas para o profeta (no caso, Samuel). Bastaram 20 minutos para Samuel despertar do transe com os bolsos e os pés cheios de dinheiro. Veja o vídeo e leia mais em http://www.genizahvirtual.com/2010/01/samuel-ferreira-em-transe-na-ad-do-bras.html, acesso 04/10/10, às 14h.
Não se deve julgar a parte pelo todo, isso é uma lição antiga e aprendida a duras penas. Há centenas, talvez milhares de irmãos sérios que congregam nas Assembléias de Deus, desde simples membros até pastores, pessoas que dão a vida em prol do Reino de Deus. Crentes em Cristo com "C" maísculo, gente que ama a Bíblia e nela medita de dia e de noite, obreiros aprovados pelo Mestre, que não tem do que se envergonhar. Contudo, é muito triste o que estes irmãos estão presenciando. Imagine o que é você dedicar a vida a uma causa - a propagação do Evangelho aliado ao crescimento denominacional -, confiando em sua liderança, e de repente descobre que estes líderes não são aquilo que aparentavam, que estão envolvidos com tudo o que você foi ensinado a não aceitar. Algumas vezes, ensinado até por eles.
O que está acontecendo? Será que este é um episódio isolado (?!?) ou representa o início do "nivelamento por baixo" de uma das maiores denominações evangélicas mundiais? Será que o fato não está a repertir-se noutras denominações evangélicas, que começando pelo cume da liderança se alastra em direção aos fiéis? Será que o neopentecostalismo-capitalista-maquiavélico prevalecerá, ao final, em cada denominação evangélica, enriquecendo pastores em detrimento do empobrecimento espiritual e financeiro do povo de Deus?
E quanto aos que permanecerem fiéis - os 7.000 fiéis: como farão para congregarem? Mudarão o nome da denominação - sim, porque já existem pastores que estão registrando nome de igreja como propriedade particular? Ou retornarão às reuniões particulares, longe dos templos e de sua imundícias, politicagens, pilantragens e heresias, dos holofotes sobre adúlteros e pecadores inveterados? Será que o fato que gerou a publicação de uma reportagem recente na Revista Época não é, na verdade, o indicativo de uma tendência em prol da sobrevivência espiritual em meio ao caos e apostasia crescentes e dominantes (veja em: http://apenas-para-argumentar.blogspot.com/2010/08/nova-reforma-protestante-e-restauracao.html)?
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!
terça-feira, 28 de setembro de 2010
A PERIGOSA "BRINCADEIRA" DO COPO E DO COMPASSO
No domingo passado, dia 26/09, o Jornal O Dia publicou uma matéria sobre a antiga, porém cada vez mais praticada, brincadeira do copo e do compasso. A brincadeira consiste numa folha de papel, onde os adolescentes desenham um círculo grande e nele as letras de A a Z, os números de 1 a 12, e as palavras ‘sim’ e ‘não’. Um dos jovens apoia o compasso como se fosse usá-lo e os demais fazem perguntas.
Segundo a reportagem, um grupo de adolescentes entrou em transe após brincadeira em colégio da Baixada Fluminense. "Há uma semana, dez estudantes do Instituto Politécnico Millennium entraram em transe depois de participar de um jogo de perguntas e respostas, com um compasso, uma variante da antiga brincadeira do copo, que se move em direção às letras do alfabeto escritas numa folha de papel e que é febre no YouTube e no Orkut", diz a matéria.
Algumas crianças foram parar no hospital, sentindo-se mal após a "brincadeira": “Eu comecei a me sentir mal, com falta de ar, vontade de vomitar e chorava muito. Sentia angústia tão grande, e meu coração ficou acelerado”, contou D., 16 anos, que desmaiou, com outra amiga. Os garotos choravam descontroladamente e se debatiam. “Minha filha parecia que estava drogada quando chegou em casa. Fiquei assustada”, disse N., 48 anos, que prefere não se identificar. Estes e outros efeitos teriam sido produzidos após o contato com um espírito maligno autodenominado Lucas. "Eu trincava os dentes, com muita raiva e não deixava ninguém me tocar. Um colega tentou me abraçar e desmaiou também. Os meninos me olhavam e choravam. Nunca mais faço isso”, garantiu uma das adolescentes afetadas pela prática.
(Veja a matéria em: http://odia.terra.com.br/portal/rio/html/2010/9/novo_jogo_do_compasso_leva_histeria_a_estudantes_112523.html. Acesso em 28/09/2010, às 9h30min)
Quando era adolescente, já havia esta "brincadeira" na escola onde estudava. Lembro-me que eu e mais uma amiga, ambos crentes em Cristo, fomos chamados por nossos colegas para brincar com eles, com o copo. Logo na primeira rodada, um colega perguntou ao espírito se havia alguém ali que deveria ir embora. O copo, movendo-se realmente, apontou para nós dois.
Noutra ocasião, perdi uma prima num acidente de carro, onde o carro em que ela estava, com mais 4 pessoas, capotou. Somente ela faleceu, nenhum dos demais sequer sofreu um arranhão. Na antevéspera do acidente, ela estava envolvida nestas "brincadeiras" espirituais.
Não há, em hipótese alguma, nenhum tipo de "brincadeira" quando se fala em contato com espíritos. Todo contato com espíritos sempre redundará, mais cedo ou mais tarde, em graves problemas para o praticante. Os espíritos contatados por quaisquer meios - copo ou mesa - não são "espíritos de luz", "almas desencarnadas", "espíritos em desenvolvimento" ou coisas do tipo. Não; estes espíritos são os mesmos que Jesus e os apóstolos se depararam e os crentes em Cristo se deparam, lutando contra o avanço do Reino de Deus. São conhecidos na Bíblia como demônios, espíritos malignos a serviço do diabo, para aprisionarem o homem e fazê-lo sofrer horrores. Neles não há luz alguma, desenvolvimento algum!
Assim, conhecedor desta terrível realidade, o Senhor proibiu veementemente qualquer tipo de contato com os espíritos malignos, não importando o motivo. Ele disse: "Entre ti não se achará quem faça passar pelo fogo a seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador, nem quem consulte a um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos. Pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao SENHOR; e por estas abominações o SENHOR teu Deus os lança fora de diante de ti." (Dt 18.10-12) Estes espíritos são exatamente os mesmos de hoje - demônios não são criados, nem se reproduzem, por favor!
Estes demônios têm um único objetivo: matar, roubar e destruir, exatamente como o seu mestre. São cheios de falsidade, podendo apresentarem-se como "espíritos bons", "mestres ascensos", "guias da humanidade para uma nova era". Podem, facilmente, se auto-imporem nomes de cristãos que viveram no passado, ou de anjos, ou do próprio Jesus. O Apóstolo Paulo diz que o próprio diabo pode se transfigurar em anjo de luz (II Co 11.14). Podem também se apresentarem como parentes já que morreram (não há desejo maior do que rever um pai, uma mãe, um irmão, etc que já tenha falecido), explorando assim a fragilidade humana em seu propósito. Podem até mesmo realizarem curas físicas (chamadas "curas mediúnicas" ou "curas espirituais"), pois ao final a alma daquele que foi curado estará mais presa do que nunca, numa hiperbolização demoníaca do maquiavelismo. Não os subestimem: eles observam e agem na humanidade há milênios, sabendo exatamente como fazer para alcançarem seus propósitos!
E sim, eles podem usar pessoas, possuíndo-as ou apenas influenciando-as, de modo que façam conforme sua vontade infernal. Que pessoas podem ser possuídas? Todas aquelas que não possuem o Senhor Jesus morando continuamente em seu interior. E isso aplica-se tanto para descrentes quanto crentes, até mesmo evangélicos. Profisão de fé sem essência de fé não vale de coisa alguma; frequentar não quer dizer pertencer. Mas todas estas pessoas são possuídas? Não. Muitas são influenciadas por outras formas, mais sutis e inteligentes, mais difíceis de detectar e de combater. Vejamos o que diz a Bíblia: "Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios" (I Tm 4.1).
Falsos ensinos, falsos mestres; seitas e heresias - essa sim é uma forma inteligente de se escravizar todo um povo, ou até mesmo toda uma nação. Junte a um falso ensino uma boa dose de elucubrações filosóficas e psicológicas, um pouco d´água e deixe ferver por 30 minutos na alma humana: pronto, mais uma seita foi criada e muitas almas serão por ela presas! Daí a rápida proliferação de todo tipo de ensino e de "alternativa espiritualista" encontradas em nossos dias. Vale tudo, desde puxão de cabelo e dedo no olho; desde usar ervas alucinógenas e paramentos até usar a Bíblia e Jesus. Os títulos dos "mestres humanos" ou "mestres espirituais" são também os mais portentosos possível: "emmanuel", "guia", "guru", "avatar", "lucius", "maytrea", etc.
Brincar com o mundo espiritual, onde há uma guerra contínua pelo destino eterno do homem, não é, com toda certeza, algo a ser feito. Copo serve para beber água, compasso para desenho geométrico e demônios para infernizar o homem. Convém usarmos o copo e o compasso para o real objetivo para o qual foram criados. Convém também corrermos o mais rápido que pudermos para Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, entregando a Ele nosso corpo, alma e espírito de forma a nos tornarmos nascidos de Deus, pois só assim o maligno não nos tocará!
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!
Segundo a reportagem, um grupo de adolescentes entrou em transe após brincadeira em colégio da Baixada Fluminense. "Há uma semana, dez estudantes do Instituto Politécnico Millennium entraram em transe depois de participar de um jogo de perguntas e respostas, com um compasso, uma variante da antiga brincadeira do copo, que se move em direção às letras do alfabeto escritas numa folha de papel e que é febre no YouTube e no Orkut", diz a matéria.
Algumas crianças foram parar no hospital, sentindo-se mal após a "brincadeira": “Eu comecei a me sentir mal, com falta de ar, vontade de vomitar e chorava muito. Sentia angústia tão grande, e meu coração ficou acelerado”, contou D., 16 anos, que desmaiou, com outra amiga. Os garotos choravam descontroladamente e se debatiam. “Minha filha parecia que estava drogada quando chegou em casa. Fiquei assustada”, disse N., 48 anos, que prefere não se identificar. Estes e outros efeitos teriam sido produzidos após o contato com um espírito maligno autodenominado Lucas. "Eu trincava os dentes, com muita raiva e não deixava ninguém me tocar. Um colega tentou me abraçar e desmaiou também. Os meninos me olhavam e choravam. Nunca mais faço isso”, garantiu uma das adolescentes afetadas pela prática.
(Veja a matéria em: http://odia.terra.com.br/portal/rio/html/2010/9/novo_jogo_do_compasso_leva_histeria_a_estudantes_112523.html. Acesso em 28/09/2010, às 9h30min)
Quando era adolescente, já havia esta "brincadeira" na escola onde estudava. Lembro-me que eu e mais uma amiga, ambos crentes em Cristo, fomos chamados por nossos colegas para brincar com eles, com o copo. Logo na primeira rodada, um colega perguntou ao espírito se havia alguém ali que deveria ir embora. O copo, movendo-se realmente, apontou para nós dois.
Noutra ocasião, perdi uma prima num acidente de carro, onde o carro em que ela estava, com mais 4 pessoas, capotou. Somente ela faleceu, nenhum dos demais sequer sofreu um arranhão. Na antevéspera do acidente, ela estava envolvida nestas "brincadeiras" espirituais.
Não há, em hipótese alguma, nenhum tipo de "brincadeira" quando se fala em contato com espíritos. Todo contato com espíritos sempre redundará, mais cedo ou mais tarde, em graves problemas para o praticante. Os espíritos contatados por quaisquer meios - copo ou mesa - não são "espíritos de luz", "almas desencarnadas", "espíritos em desenvolvimento" ou coisas do tipo. Não; estes espíritos são os mesmos que Jesus e os apóstolos se depararam e os crentes em Cristo se deparam, lutando contra o avanço do Reino de Deus. São conhecidos na Bíblia como demônios, espíritos malignos a serviço do diabo, para aprisionarem o homem e fazê-lo sofrer horrores. Neles não há luz alguma, desenvolvimento algum!
Assim, conhecedor desta terrível realidade, o Senhor proibiu veementemente qualquer tipo de contato com os espíritos malignos, não importando o motivo. Ele disse: "Entre ti não se achará quem faça passar pelo fogo a seu filho ou a sua filha, nem adivinhador, nem prognosticador, nem agoureiro, nem feiticeiro; nem encantador, nem quem consulte a um espírito adivinhador, nem mágico, nem quem consulte os mortos. Pois todo aquele que faz tal coisa é abominação ao SENHOR; e por estas abominações o SENHOR teu Deus os lança fora de diante de ti." (Dt 18.10-12) Estes espíritos são exatamente os mesmos de hoje - demônios não são criados, nem se reproduzem, por favor!
Estes demônios têm um único objetivo: matar, roubar e destruir, exatamente como o seu mestre. São cheios de falsidade, podendo apresentarem-se como "espíritos bons", "mestres ascensos", "guias da humanidade para uma nova era". Podem, facilmente, se auto-imporem nomes de cristãos que viveram no passado, ou de anjos, ou do próprio Jesus. O Apóstolo Paulo diz que o próprio diabo pode se transfigurar em anjo de luz (II Co 11.14). Podem também se apresentarem como parentes já que morreram (não há desejo maior do que rever um pai, uma mãe, um irmão, etc que já tenha falecido), explorando assim a fragilidade humana em seu propósito. Podem até mesmo realizarem curas físicas (chamadas "curas mediúnicas" ou "curas espirituais"), pois ao final a alma daquele que foi curado estará mais presa do que nunca, numa hiperbolização demoníaca do maquiavelismo. Não os subestimem: eles observam e agem na humanidade há milênios, sabendo exatamente como fazer para alcançarem seus propósitos!
E sim, eles podem usar pessoas, possuíndo-as ou apenas influenciando-as, de modo que façam conforme sua vontade infernal. Que pessoas podem ser possuídas? Todas aquelas que não possuem o Senhor Jesus morando continuamente em seu interior. E isso aplica-se tanto para descrentes quanto crentes, até mesmo evangélicos. Profisão de fé sem essência de fé não vale de coisa alguma; frequentar não quer dizer pertencer. Mas todas estas pessoas são possuídas? Não. Muitas são influenciadas por outras formas, mais sutis e inteligentes, mais difíceis de detectar e de combater. Vejamos o que diz a Bíblia: "Mas o Espírito expressamente diz que nos últimos tempos apostatarão alguns da fé, dando ouvidos a espíritos enganadores, e a doutrinas de demônios" (I Tm 4.1).
Falsos ensinos, falsos mestres; seitas e heresias - essa sim é uma forma inteligente de se escravizar todo um povo, ou até mesmo toda uma nação. Junte a um falso ensino uma boa dose de elucubrações filosóficas e psicológicas, um pouco d´água e deixe ferver por 30 minutos na alma humana: pronto, mais uma seita foi criada e muitas almas serão por ela presas! Daí a rápida proliferação de todo tipo de ensino e de "alternativa espiritualista" encontradas em nossos dias. Vale tudo, desde puxão de cabelo e dedo no olho; desde usar ervas alucinógenas e paramentos até usar a Bíblia e Jesus. Os títulos dos "mestres humanos" ou "mestres espirituais" são também os mais portentosos possível: "emmanuel", "guia", "guru", "avatar", "lucius", "maytrea", etc.
Brincar com o mundo espiritual, onde há uma guerra contínua pelo destino eterno do homem, não é, com toda certeza, algo a ser feito. Copo serve para beber água, compasso para desenho geométrico e demônios para infernizar o homem. Convém usarmos o copo e o compasso para o real objetivo para o qual foram criados. Convém também corrermos o mais rápido que pudermos para Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo, entregando a Ele nosso corpo, alma e espírito de forma a nos tornarmos nascidos de Deus, pois só assim o maligno não nos tocará!
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!
quinta-feira, 23 de setembro de 2010
FILHA DE PASTOR É...
Filha de pastor com suposto poder de cura atrai milhares no RJ
Alani, de seis anos, filha de um pastor pentecostal, atrai milhares de pessoas em busca de pretensas milagrosas. Ela participa dos cultos da Igreja Pentecostal dos Milagres em Alcântara, São Gonçalo, um bairro do Rio de Janeiro.
Na entrada da igreja os cartazes mostram fotos das curas de fiés que receberam a cura através da missionárinha Alani.
Antes de subir no palco a menina assiste ao culto com uma boneca no colo. O pai da menina Adauto Santos pastor da Igreja Pentecostal dos milagres escolhe pessoas da igreja que dizem que foram curados pela oração da menina.
Alani faz uma oração antes de começar a sessão de cura e algumas pessoas até caem. Ela canta, abençoa os fiéis e os toca, o que provoca neles transes, gemidos e contorções. Às vezes, grita palavras de ordem: “Ordeno que todo espírito maligno saia agora!!!”.
O pai de Alani conversa com as pessoas que foram tocadas para mostrar os milagres realizados durante a oração da menina.
Data: 21/9/2010 08:49:52
Fonte: Revista Época
http://www.creio.com.br/2008/noticias01.asp?noticia=10387
___________________________________________________________
COMENTÁRIOS:
Até quando Senhor, até quando... até quando Teu filhos usarão todos os meios possíveis e imaginários, independentemente da moral e ética envolvida, a fim de alcançarem seus objetivos!
"Ensina a teu filho no caminho em que deve andar": como ensinar no caminho, sem segui-lo primeiro? Como ensinar ao filho o valor da Bíblia, de Deus, da Salvação, da Igreja sem que os pais façam a sua parte, valorizando essas coisas?
Um pastor sério sempre desejará que sejam salvas o maior número de pessoas possível. Porém, sendo ele sério, buscará primeiro a salvação de sua casa - de sua esposa e de seus filhos. Ele governa bem seu próprio lar, e isso inclui o governo espiritual de sua família. Prover a Igreja e deixar a família com fome - física e espiritualmente falando, não é, definitivamente, o correto!
Deus pode usar crianças? Sim, é claro! Ele usa o que quiser e quem quiser, até mesmo uma mula. Mas sou contra expor uma criança de 6 anos a algo que ela pouco ou nada compreende, por sua imaturidade natural. Há coisas que são apropriadas para um adulto e coisas que são próprias de crianças!
Será que a cura realmente acontece, ou como na maioria das Igrejas é algo puramente psicossomático? Quero deixar claro que creio na cura divina. Mas cura divina nos moldes do paralítico junto a porta do templo em Jerusalém, chamada Formosa (Atos 3). Não em cura "meia sola", como tenho infelizmente visto na TV. É melhor não comer angu, do que comer e ter indigestão, levando o comedor de angu a dizer, em alto e bom som, que houve cura divina na vida de um rapaz com síndrome de Down só porque ele levantou de uma cadeira de rodas. Quem lê, entenda.
Filho de peixe, peixinho é. Mas será que filha de pastor é pastorazinha? Ou será que é "ungidazinha"?
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!
Alani, de seis anos, filha de um pastor pentecostal, atrai milhares de pessoas em busca de pretensas milagrosas. Ela participa dos cultos da Igreja Pentecostal dos Milagres em Alcântara, São Gonçalo, um bairro do Rio de Janeiro.
Na entrada da igreja os cartazes mostram fotos das curas de fiés que receberam a cura através da missionárinha Alani.
Antes de subir no palco a menina assiste ao culto com uma boneca no colo. O pai da menina Adauto Santos pastor da Igreja Pentecostal dos milagres escolhe pessoas da igreja que dizem que foram curados pela oração da menina.
Alani faz uma oração antes de começar a sessão de cura e algumas pessoas até caem. Ela canta, abençoa os fiéis e os toca, o que provoca neles transes, gemidos e contorções. Às vezes, grita palavras de ordem: “Ordeno que todo espírito maligno saia agora!!!”.
O pai de Alani conversa com as pessoas que foram tocadas para mostrar os milagres realizados durante a oração da menina.
Data: 21/9/2010 08:49:52
Fonte: Revista Época
http://www.creio.com.br/2008/noticias01.asp?noticia=10387
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COMENTÁRIOS:
Até quando Senhor, até quando... até quando Teu filhos usarão todos os meios possíveis e imaginários, independentemente da moral e ética envolvida, a fim de alcançarem seus objetivos!
"Ensina a teu filho no caminho em que deve andar": como ensinar no caminho, sem segui-lo primeiro? Como ensinar ao filho o valor da Bíblia, de Deus, da Salvação, da Igreja sem que os pais façam a sua parte, valorizando essas coisas?
Um pastor sério sempre desejará que sejam salvas o maior número de pessoas possível. Porém, sendo ele sério, buscará primeiro a salvação de sua casa - de sua esposa e de seus filhos. Ele governa bem seu próprio lar, e isso inclui o governo espiritual de sua família. Prover a Igreja e deixar a família com fome - física e espiritualmente falando, não é, definitivamente, o correto!
Deus pode usar crianças? Sim, é claro! Ele usa o que quiser e quem quiser, até mesmo uma mula. Mas sou contra expor uma criança de 6 anos a algo que ela pouco ou nada compreende, por sua imaturidade natural. Há coisas que são apropriadas para um adulto e coisas que são próprias de crianças!
Será que a cura realmente acontece, ou como na maioria das Igrejas é algo puramente psicossomático? Quero deixar claro que creio na cura divina. Mas cura divina nos moldes do paralítico junto a porta do templo em Jerusalém, chamada Formosa (Atos 3). Não em cura "meia sola", como tenho infelizmente visto na TV. É melhor não comer angu, do que comer e ter indigestão, levando o comedor de angu a dizer, em alto e bom som, que houve cura divina na vida de um rapaz com síndrome de Down só porque ele levantou de uma cadeira de rodas. Quem lê, entenda.
Filho de peixe, peixinho é. Mas será que filha de pastor é pastorazinha? Ou será que é "ungidazinha"?
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
RESGATANDO A NOSSA HISTÓRIA I - NEGRO SPIRITUALS
Para alguns irmãos mais novos na fé, a música gospel é algo recente. Porém, na verdade, suas origens são mais antigas, remontando ao final do séc. XIX início do séc. XX, nas Igrejas Evangélicas compostas em sua totalidade por irmãos negros nos Estados Unidos da América. Em inglês, a palavra "gospel" deriva-se do inglês antigo "God-spell" que significa "palavra de Deus", posteriormente derivando-se para "boas novas" em português, numa alusão ao Evangelho de boas novas ao mundo.
Talvez um dos velhos estilos da música negra que realmente se aproximou do Gospel foi o Negro Spirituals (em português, as canções harmoniosas dos "Negros Espirituais"). A história dos negro spirituals se confunde com a história dos africanos em continente americano, existindo 3 marcos principais:
1865: Abolição da escravatura, nos EUA.
1925: Renascença Negra.
1985: o Primeiro Dia do Dr. Martin Luther King.
As primeiras músicas negro spirituals foram inspiradas pela música africana. Algumas delas eram chamados de "shouts" (gritos, clamores) e acompanhavam danças típicas, incluindo bater palmas e o pés no chão. Após o culto, as congregações costumavam permanecer para um "clamor em círculo". Os homens e mulheres eram dispostos em círculo. A música começava, talvez com um cântico espiritual, e o círculo passava a se mover, primeiro lentamente, depois mais rápido com a aceleração do ritmo. A mesma frase musical era então repetida várias vezes durante horas.
A escravidão foi um tema importante para a Igreja americana. Muitos pastores foram contra essa prática, como J. D. Long e assim muitos escravos foram aceitos nos cultos da Igreja. Os escravos permaneciam após o culto, nas Igrejas ou mesmo nas "casas de adoração" nas plantações, para cantarem e dançarem. Nos encontros rurais, milhares de escravos foram agrupados e listados por pregadores itinerantes, e cantavam cânticos espirituais ("spirituals"), por horas. Assim, nas zonas rurais, os "spirituals" eram cantados, principalmente fora das igrejas. Nas cidades, por volta de 1850, o Movimento Protestante Reavimento da Cidade criou um novo gênero de música, que era popular, para reuniões de avivamento organizado por este movimento, tendo sido erguidas tendas temporárias nos estádios, onde os frequentadores podiam cantar.
Na igreja, hinos e salmos eram cantados durante os cultos. Alguns deles foram transformados em canções típicas do afro-americano: são eles conhecidos como "Dr. Watts". O Dr. Isaac Watts foi um ministro Inglês, que publicou vários livros: "Hymns e Spiritual Songs", em 1707, "Os Salmos de Davi", em 1717. Várias denominações protestantes aprovaram seus hinos, que foram incluídos em vários hinários, naquele momento.
As letras de "negro spirituals" eram intimamente ligadas com a vida dos seus autores: os escravos. Embora as canções de trabalho lidassem apenas com a sua vida diária, os spirituals foram inspirados pela mensagem de Jesus Cristo e sua Boa Nova (Evangelho) da Bíblia: "Você pode ser salvo". Eles são diferentes de hinos e salmos, porque eram uma maneira de compartilhar a condição difícil de ser escravo. Muitos escravos na cidade e nas plantações tentaram correr para um "país livre", que eles chamaram de "minha casa" ou "Doce Canaã, a Terra Prometida". Este país estava no lado norte do rio Ohio, que eles chamavam de "Jordão".
Entre 1865 e 1925
A escravidão foi abolida em 1865. Então, alguns afro-americanos foram autorizados a ir para a faculdade. No Fisk University, uma das primeiras universidades para afro-americanos, em Nashville (Tennessee), alguns educadores decidiram arrecadar fundos para apoiar a sua instituição. Assim, realizaram turnês no Novo Mundo e na Europa, cantando "negro spirituals" (Fisk Jubilee Singers). Depois de 1865, a maioria dos afro-americanos não queriam lembrar as músicas que cantavam nos dias difíceis da escravidão. Isso significa que, mesmo quando cantavam negro spirituals, eles não tinham orgulho de fazê-lo.
Na década de 1890, sugem as Igrejas Santas e Santificadas (Holiness and Sanctified Churches), dentre as quais a Igreja de Deus em Cristo. Nessas igrejas, a influência das tradições africanas eram evidentes. Essas igrejas eram herdeiras das canções com gritos, palmas, bater os pés e de jubileu, como se fossem as antigas "casas de adoração" nas plantações.
No início do século XIX, os afro-americanos estavam envolvidos no "Segundo Despertamento". Eles se conheciam em reuniões campais e cantavam músicas sem hinário. Assim, as músicas eram compostas de forma espontânea. Eles eram chamados de "cânticos espirituais" e o termo "sperichil" (espiritual) apareceu pela primeira vez no livro "Slave Songs of United States".
O Segundo Despertamento dava grande destaque ao potencial de escolha e decisão do ser humano. Essa característica, que combinava com os ideais de liberdade e iniciativa individual da jovem nação, encontrou sua expressão mais eloqüente no avivalista Charles G. Finney (1792-1875), que empregava técnicas de “apelos” insistentes, num clima de muita emoção, bem como acompanhamento aos que se “decidiram por Cristo” através de conselhos, instruções, técnicas essas que foram, em geral, incorporadas nas “Cruzadas evangelísticas” até o presente.
Entre 1925 e 1985
Na década de 1920, a Renascença Negra (Black Renaissance) foi um movimento artista sobre poesia e música. Surgida em bairros como o Harlem (considerado o palco do movimento), ela influenciou a maneira de cantar e interpretar "negro spirituals". Muitos nomes podem ser citados como representantes do movimento, tais como Langston Hughes, Claude McKay, Countee Cullen, dentre outros.
Durante os anos de Black Renaissance, diversos artistas, tais como Marian Anderson ("Deep River", etc) e Paul Robeson ("We Are Climbing Jacob's Ladder", etc), promoveram o negro spirituals. Algumas deles incluíam negro spirituals em seus shows. Assim, Jules Bledsoe cantou "Deep River" num repertório que incluia clássicos e peças de ópera. Eva Jessie e seu coro criaram um oratório "A Vida de Cristo em Negro Spirituals" (1931). Dorothy Maynor era uma concertista, que costumava cantar negro spirituals.
O movimento teve uma grande importância para o desenvolvimento do negro spirituals. Em primeiro lugar, o significado histórico dessas canções foram apresentadas. Em seguida, os cantores foram "forçados" a se tornarem mais educados. Por exemplo, no século XX, os meninos costumavam cantar negro spirituals nos pátios das escolas. Seu modo de cantar não era sofisticado. Mas os educadores entendiam negro spirituals como peças musicais, e que portanto deviam ser interpretadas como tal. Novos grupos foram então formados, como a Highway QC´s (QC: Quincy College).
Esta melhoria constante do negro spirituals deu origem a outro tipo de músicas cristãs. Estas eram inspiradas na Bíblia (principalmente o Evangelho) e relacionadas com a vida diária. Thomas A. Dorsey foi o primeiro a compôr essas novas músicas (como o sucesso "There Will Be Peace in the Valley", composta para Mahalia Jackson, sendo mais tarde gravada por Elvis Presley). Ele as chamou de músicas gospel, mas algumas pessoas as chamavam "Dorseys". Ele é considerado como sendo o pai da música Gospel. A Igreja inicialmente não gostou do estilo de Dorsey e não achou apropriado para o santuário, na época.
Muitos cantores surgiram nesta época, como Mahalia Jackson, uma das principais cantoras gospel dos Estados Unidos no século 20. Em 1963 ela cantou para 250 mil pessoas, na ocasião onde Martin Luther King Jr. fez seu famoso discurso "I Have a Dream" ("Eu tenho um sonho", discurso pelos direitos civis amplamente conhecido nos Estados Unidos). Também cantou "Take My Hand, Precious Lord" no funeral de Martin Luther King Jr.
Depois de 1985
O primeiro dia do Dr. Martin Luther King foi celebrado em 1985, tornou-se um feriado nacional em 1992. Este evento é um marco na história dos afro-americanos, mostrando que esta comunidade é uma parte da nação EUA.
[Traduzido e adaptado do website "Song Official Site of Negro Spirituals, antique Gospel Music", diponível em http://www.negrospirituals.com/.]
Abaixo, um vídeo onde é cantado uma música "negro spirituals": "In that Great Getting-up Morning", interpretada pelo grupo "The King´s Heralds" (vol. 5, 1962-1967) - uma de suas muitas versões, diga-se de passagem. Observe a semelhança com o movimento gospel brasileiro da segunda metade do séc. XX. Note também que o atual movimento gospel nacional muito se afastou de suas origens, produzindo músicas de pouca qualidade inspiracional!
Para aqueles que desejarem, segue abaixo a letra da música que está sendo cantada:
In that great getting-up morning,
Fare you well! Fare you well!
I'm a-going to tell you about the coming of the Saviour,
Fare you well! Fare you well!
I'm a-going to tell you about the coming of the Saviour,
Fare you well! Fare you well!
There's a better day a-coming,
Fare you well! Fare you well!
Then you see my Jesus coming
Fare you well! Fare you well!
In that great getting-up morning,
Fare you well! Fare you well!
In that great getting-up morning,
Fare you well! Fare you well!
Fare you well!
Blow your Trumpet Gabriel,
Fare you well! Fare you well!
Tell them to come to judgement;
Fare you well! Fare you well!
Lord, how loud shall I blow it?
Fare you well! Fare you well!
Loud as seven peals of thunder!
Fare you well! Fare you well!
In that great getting-up morning,
Fare you well! Fare you well!
In that great getting-up morning,
Fare you well! Fare you well!
Fare you well!
Then you'll see the world on fire;
Fare you well! Fare you well!
?????????????????????????
Fare you well! Fare you well!
See the elements a melting,
Fare you well! Fare you well!
And you hear the rumbling thunder;
Fare you well! Fare you well!
In that great getting-up morning,
Fare you well! Fare you well!
In that great getting-up morning,
Fare you well! Fare you well!
Fare you well!
Now is righteous rising to heaven;
Fare you well! Fare you well!
And you'll see the Christians rising;
Fare you well! Fare you well!
Then you'll see the righteous marching,
Fare you well! Fare you well!
They marching home to heaven.
Fare you well! Fare you well!
Particularmente, aprecio muito o gênero musical. São mais edificantes do que muitas músicas que estão sendo gravadas e vendidas em CDs modernamente. Não sei sobre os músicos, mas que muitos hoje precisam "comer muito arroz com feijão espiritual" para se equipararem a uma Mahalia Jackson isso precisam. Ainda mais um grupinho de músicos modernos - cantores gospi - que gostam de fazer careta enquanto cantam, para demonstrarem uma espiritualidade que nem de perto possuem!
A grande lição que podemos obter do início do movimento gospel é que só se canta, de fato e de direito, o que se vive. As músicas compostas precisam ser espirituais, precisam falar à alma, elevando-a à presença de Deus. Isso só é possível se a música for espiritual, e somente alguém espiritual pode compor algo espiritual. Quem não vive, não entende o que compõe e canta; não passa de mera música para diversão ou para enriquecimento. Por isso, ficam os músicos gospi modernos a fazerem toda sorte de caretas nos clipes promocionais de suas músicas, porque não há unção e daí procuram forjar algo que só Deus pode dar.
Daí o meu completo desprezo a uma enorme quantidade de músicas modernas, meramente comerciais, cujas letras não passam de baboseira sem sentido, na melhor das hipóteses. Não passam de mero produto comercial, para ser vendido, mas são incapazes de produzir o mínimo de enlevo espiritual. Músicas apelativas, de conteúdo duvidoso. Oxalá Deus nos permita, mais uma vez, retornarmos aos nossos humildes começos, quando a música cristã era conhecida como "spiritual".
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!
Talvez um dos velhos estilos da música negra que realmente se aproximou do Gospel foi o Negro Spirituals (em português, as canções harmoniosas dos "Negros Espirituais"). A história dos negro spirituals se confunde com a história dos africanos em continente americano, existindo 3 marcos principais:
1865: Abolição da escravatura, nos EUA.
1925: Renascença Negra.
1985: o Primeiro Dia do Dr. Martin Luther King.
As primeiras músicas negro spirituals foram inspiradas pela música africana. Algumas delas eram chamados de "shouts" (gritos, clamores) e acompanhavam danças típicas, incluindo bater palmas e o pés no chão. Após o culto, as congregações costumavam permanecer para um "clamor em círculo". Os homens e mulheres eram dispostos em círculo. A música começava, talvez com um cântico espiritual, e o círculo passava a se mover, primeiro lentamente, depois mais rápido com a aceleração do ritmo. A mesma frase musical era então repetida várias vezes durante horas.
A escravidão foi um tema importante para a Igreja americana. Muitos pastores foram contra essa prática, como J. D. Long e assim muitos escravos foram aceitos nos cultos da Igreja. Os escravos permaneciam após o culto, nas Igrejas ou mesmo nas "casas de adoração" nas plantações, para cantarem e dançarem. Nos encontros rurais, milhares de escravos foram agrupados e listados por pregadores itinerantes, e cantavam cânticos espirituais ("spirituals"), por horas. Assim, nas zonas rurais, os "spirituals" eram cantados, principalmente fora das igrejas. Nas cidades, por volta de 1850, o Movimento Protestante Reavimento da Cidade criou um novo gênero de música, que era popular, para reuniões de avivamento organizado por este movimento, tendo sido erguidas tendas temporárias nos estádios, onde os frequentadores podiam cantar.
Na igreja, hinos e salmos eram cantados durante os cultos. Alguns deles foram transformados em canções típicas do afro-americano: são eles conhecidos como "Dr. Watts". O Dr. Isaac Watts foi um ministro Inglês, que publicou vários livros: "Hymns e Spiritual Songs", em 1707, "Os Salmos de Davi", em 1717. Várias denominações protestantes aprovaram seus hinos, que foram incluídos em vários hinários, naquele momento.
As letras de "negro spirituals" eram intimamente ligadas com a vida dos seus autores: os escravos. Embora as canções de trabalho lidassem apenas com a sua vida diária, os spirituals foram inspirados pela mensagem de Jesus Cristo e sua Boa Nova (Evangelho) da Bíblia: "Você pode ser salvo". Eles são diferentes de hinos e salmos, porque eram uma maneira de compartilhar a condição difícil de ser escravo. Muitos escravos na cidade e nas plantações tentaram correr para um "país livre", que eles chamaram de "minha casa" ou "Doce Canaã, a Terra Prometida". Este país estava no lado norte do rio Ohio, que eles chamavam de "Jordão".
Entre 1865 e 1925
A escravidão foi abolida em 1865. Então, alguns afro-americanos foram autorizados a ir para a faculdade. No Fisk University, uma das primeiras universidades para afro-americanos, em Nashville (Tennessee), alguns educadores decidiram arrecadar fundos para apoiar a sua instituição. Assim, realizaram turnês no Novo Mundo e na Europa, cantando "negro spirituals" (Fisk Jubilee Singers). Depois de 1865, a maioria dos afro-americanos não queriam lembrar as músicas que cantavam nos dias difíceis da escravidão. Isso significa que, mesmo quando cantavam negro spirituals, eles não tinham orgulho de fazê-lo.
Na década de 1890, sugem as Igrejas Santas e Santificadas (Holiness and Sanctified Churches), dentre as quais a Igreja de Deus em Cristo. Nessas igrejas, a influência das tradições africanas eram evidentes. Essas igrejas eram herdeiras das canções com gritos, palmas, bater os pés e de jubileu, como se fossem as antigas "casas de adoração" nas plantações.
No início do século XIX, os afro-americanos estavam envolvidos no "Segundo Despertamento". Eles se conheciam em reuniões campais e cantavam músicas sem hinário. Assim, as músicas eram compostas de forma espontânea. Eles eram chamados de "cânticos espirituais" e o termo "sperichil" (espiritual) apareceu pela primeira vez no livro "Slave Songs of United States".
O Segundo Despertamento dava grande destaque ao potencial de escolha e decisão do ser humano. Essa característica, que combinava com os ideais de liberdade e iniciativa individual da jovem nação, encontrou sua expressão mais eloqüente no avivalista Charles G. Finney (1792-1875), que empregava técnicas de “apelos” insistentes, num clima de muita emoção, bem como acompanhamento aos que se “decidiram por Cristo” através de conselhos, instruções, técnicas essas que foram, em geral, incorporadas nas “Cruzadas evangelísticas” até o presente.
Entre 1925 e 1985
Na década de 1920, a Renascença Negra (Black Renaissance) foi um movimento artista sobre poesia e música. Surgida em bairros como o Harlem (considerado o palco do movimento), ela influenciou a maneira de cantar e interpretar "negro spirituals". Muitos nomes podem ser citados como representantes do movimento, tais como Langston Hughes, Claude McKay, Countee Cullen, dentre outros.
Durante os anos de Black Renaissance, diversos artistas, tais como Marian Anderson ("Deep River", etc) e Paul Robeson ("We Are Climbing Jacob's Ladder", etc), promoveram o negro spirituals. Algumas deles incluíam negro spirituals em seus shows. Assim, Jules Bledsoe cantou "Deep River" num repertório que incluia clássicos e peças de ópera. Eva Jessie e seu coro criaram um oratório "A Vida de Cristo em Negro Spirituals" (1931). Dorothy Maynor era uma concertista, que costumava cantar negro spirituals.
O movimento teve uma grande importância para o desenvolvimento do negro spirituals. Em primeiro lugar, o significado histórico dessas canções foram apresentadas. Em seguida, os cantores foram "forçados" a se tornarem mais educados. Por exemplo, no século XX, os meninos costumavam cantar negro spirituals nos pátios das escolas. Seu modo de cantar não era sofisticado. Mas os educadores entendiam negro spirituals como peças musicais, e que portanto deviam ser interpretadas como tal. Novos grupos foram então formados, como a Highway QC´s (QC: Quincy College).
Esta melhoria constante do negro spirituals deu origem a outro tipo de músicas cristãs. Estas eram inspiradas na Bíblia (principalmente o Evangelho) e relacionadas com a vida diária. Thomas A. Dorsey foi o primeiro a compôr essas novas músicas (como o sucesso "There Will Be Peace in the Valley", composta para Mahalia Jackson, sendo mais tarde gravada por Elvis Presley). Ele as chamou de músicas gospel, mas algumas pessoas as chamavam "Dorseys". Ele é considerado como sendo o pai da música Gospel. A Igreja inicialmente não gostou do estilo de Dorsey e não achou apropriado para o santuário, na época.
Muitos cantores surgiram nesta época, como Mahalia Jackson, uma das principais cantoras gospel dos Estados Unidos no século 20. Em 1963 ela cantou para 250 mil pessoas, na ocasião onde Martin Luther King Jr. fez seu famoso discurso "I Have a Dream" ("Eu tenho um sonho", discurso pelos direitos civis amplamente conhecido nos Estados Unidos). Também cantou "Take My Hand, Precious Lord" no funeral de Martin Luther King Jr.
Depois de 1985
O primeiro dia do Dr. Martin Luther King foi celebrado em 1985, tornou-se um feriado nacional em 1992. Este evento é um marco na história dos afro-americanos, mostrando que esta comunidade é uma parte da nação EUA.
[Traduzido e adaptado do website "Song Official Site of Negro Spirituals, antique Gospel Music", diponível em http://www.negrospirituals.com/.]
Abaixo, um vídeo onde é cantado uma música "negro spirituals": "In that Great Getting-up Morning", interpretada pelo grupo "The King´s Heralds" (vol. 5, 1962-1967) - uma de suas muitas versões, diga-se de passagem. Observe a semelhança com o movimento gospel brasileiro da segunda metade do séc. XX. Note também que o atual movimento gospel nacional muito se afastou de suas origens, produzindo músicas de pouca qualidade inspiracional!
Para aqueles que desejarem, segue abaixo a letra da música que está sendo cantada:
In that great getting-up morning,
Fare you well! Fare you well!
I'm a-going to tell you about the coming of the Saviour,
Fare you well! Fare you well!
I'm a-going to tell you about the coming of the Saviour,
Fare you well! Fare you well!
There's a better day a-coming,
Fare you well! Fare you well!
Then you see my Jesus coming
Fare you well! Fare you well!
In that great getting-up morning,
Fare you well! Fare you well!
In that great getting-up morning,
Fare you well! Fare you well!
Fare you well!
Blow your Trumpet Gabriel,
Fare you well! Fare you well!
Tell them to come to judgement;
Fare you well! Fare you well!
Lord, how loud shall I blow it?
Fare you well! Fare you well!
Loud as seven peals of thunder!
Fare you well! Fare you well!
In that great getting-up morning,
Fare you well! Fare you well!
In that great getting-up morning,
Fare you well! Fare you well!
Fare you well!
Then you'll see the world on fire;
Fare you well! Fare you well!
?????????????????????????
Fare you well! Fare you well!
See the elements a melting,
Fare you well! Fare you well!
And you hear the rumbling thunder;
Fare you well! Fare you well!
In that great getting-up morning,
Fare you well! Fare you well!
In that great getting-up morning,
Fare you well! Fare you well!
Fare you well!
Now is righteous rising to heaven;
Fare you well! Fare you well!
And you'll see the Christians rising;
Fare you well! Fare you well!
Then you'll see the righteous marching,
Fare you well! Fare you well!
They marching home to heaven.
Fare you well! Fare you well!
Particularmente, aprecio muito o gênero musical. São mais edificantes do que muitas músicas que estão sendo gravadas e vendidas em CDs modernamente. Não sei sobre os músicos, mas que muitos hoje precisam "comer muito arroz com feijão espiritual" para se equipararem a uma Mahalia Jackson isso precisam. Ainda mais um grupinho de músicos modernos - cantores gospi - que gostam de fazer careta enquanto cantam, para demonstrarem uma espiritualidade que nem de perto possuem!
A grande lição que podemos obter do início do movimento gospel é que só se canta, de fato e de direito, o que se vive. As músicas compostas precisam ser espirituais, precisam falar à alma, elevando-a à presença de Deus. Isso só é possível se a música for espiritual, e somente alguém espiritual pode compor algo espiritual. Quem não vive, não entende o que compõe e canta; não passa de mera música para diversão ou para enriquecimento. Por isso, ficam os músicos gospi modernos a fazerem toda sorte de caretas nos clipes promocionais de suas músicas, porque não há unção e daí procuram forjar algo que só Deus pode dar.
Daí o meu completo desprezo a uma enorme quantidade de músicas modernas, meramente comerciais, cujas letras não passam de baboseira sem sentido, na melhor das hipóteses. Não passam de mero produto comercial, para ser vendido, mas são incapazes de produzir o mínimo de enlevo espiritual. Músicas apelativas, de conteúdo duvidoso. Oxalá Deus nos permita, mais uma vez, retornarmos aos nossos humildes começos, quando a música cristã era conhecida como "spiritual".
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
O CRISTÃO E A POLÍTICA III - A FORMAÇÃO DOS CANDIDATOS-PASTORES
Creio que nós, evangélicos, temos um papel importante a desempenhar no processo de transformação do Brasil no país mais igualitário. Não estou me referindo - de antemão afirmo - a nenhum tipo de utopia político-messiânica que grassa os púlpitos das Igrejas, mas sim numa participação ativa, cônscia, no processo, quer como eleitor, quer como candidato.
Quando o assunto é política, um dos temas recorrentes é sobre a candidatura de pastores a cargos eletivos: um pastor deveria ser candidato? As mais variadas propostas de resposta foram sugeridas, algumas mais polêmicas do que outras, algumas mais conservadoras, mais teológicas e outras nem tanto. Há aqueles que defendem a candidatura destes com base na vida de Daniel e José, forçando assim uma interpretação do texto bíblico contra os princípios da Hermenêutica e da Exegese.
Independentemente de toda esta polêmica bíblico-teológico-filosófica, que remete ao famoso paradoxo do "ovo e da galinha" (quem tem preeminência, o ente pastor ou o ente político?), os fatos são que primeiramente a Igreja Evangélica Brasileira encontra-se dividida (isso sim é um fato!) quanto a esta importante questão, não havendo via de regra um posicionamento dominante. Em segundo lugar, é que a cada ano mais e mais pastores se candidatam.
Como eleitor preocupado com o destino da Nação, resolvi fazer uma pesquisa na base de dados do Tribunal Superior Eleitoral acerca do perfil dos candidatos a Deputado Federal e Deputado Estadual do Rio de Janeiro. Os dados para consulta estão disponíveis no site http://divulgacand2010.tse.jus.br/divulgacand2010/. No RJ, há um total de 16 candidatos cujo nome para urna eletrônica começam com a palavra "pastor": 2 para Deputado Federal e 14 para Deputado Estadual.
Ampliando a consulta para o Sudeste, encontrei os seguintes resultados:
Estado Deputado Federal Deputado Estadual
RJ 02 14
SP 06 17
MG 02 10
ES 01 02
________________________________________________
TOTAL: 11 43
Outra informação interessante é o nível educacional dos pastores-candidatos. Na região, apenas 20,37% declararam possuir nível superior completo; já 35,09% declararam possuir nível médio completo e 16,67% nível fundamental completo. 27,87% dos candidatos não completaram os níveis educacionais iniciados (fundamental, médio e superior).
Com base nestes resultados, algumas ponderações podem ser feitas:
1) Quanto a formação educacional dos crentes que nós, Igreja, estamos indicando ao pastorado. Um pastor deveria ser uma pessoa que, no mínimo, possuísse ensino médio completo. Parece-me pouco provável que um crente, por mais fiel, seja capaz de estudar teologia (com direito a aulas de grego, hebraico, filosofia, psicologia, arqueologia, etc) sem os devidos conhecimentos de português e matemática do ensino médio. Daí, uma das causas (não é a única, por certo) da falência da ortodoxia teológica deve-se à precariedade na formação do Ministro. A multiplicação das heresias também se dá devido ao pouco ou nenhum conhecimento literário da Bíblia, das figuras de linguagem, etc. Como explicar as complexas relações psicológicas-afetivas? Obviamente se a formação é ruim, o exercício da função será do mesmo porte. Imagine um engenheiro diplomado que não sabe as 4 operações? Você confiaria a construção de sua casa à ele?
Por outro lado, se a Igreja identifica um irmão que tenha realmente vocação para o ministério, deve investir em sua formação secular (aliás, a Igreja deveria ser responsável por melhorar os indíces culturais de seus membros, não só por meio do incentivo, quanto por meio da educação direta). Não lançá-lo imediatamente num seminário ou mesmo ordená-lo sem a devida capacitação, o que acaba fazendo com que aquele irmão seja apenas um objeto de uso - visão utilitarista.
2) Quanto a formação espiritual dos crentes que nós, Igreja, estamos indicando ao pastorado. Aqui, refiro-me ao pecado conhecido como procrastinação. Num país como o Brasil, cheio de assimetrias dos mais variados tipos, é frequente o abandono do estudo em prol do atendimento de necessidades mais imediatas. Porém, novamente, nós - Igreja - precisamos fazer a nossa parte quanto a esta importante questão. É preciso ensinar aos crentes em geral e aos candidatos ao pastorado mais especificamente que eles devem terminar tudo aquilo que um dia começaram; não é correto abandonar as coisas sem concluí-las. É preciso também incentivá-los neste quesito. Começou, vá em frente! Parou/foi obrigado a parar? Retorne já de onde deixou e conclua!
Aquilo que foi adiado para depois, num tempo remoto onde um eventual conjunto de combinação de oportunidades, acaba invariavelmente abandonando o que iniciou. Quando não concluímos algo que começamos, isso mina a nossa força de vontade, fazendo com que sejamos mais facilmente desestimulados diante do menor sinal de problemas em qualquer nova tentativa. Isso resulta em stress, sensação de culpa, perda de produtividade e vergonha em relação aos outros, por não cumprir com suas responsabilidades e compromissos. As causas psicológicas da procrastinação variam muito, mas geralmente tendem a fatores como ansiedade, baixa auto-estima e uma mentalidade auto-destrutiva.
Esse é um dos motivos pelos quais muitos pastores vivem alternando estratégias ministeriais e nomes de Igreja. Começam algo mas diante do primeiro sinal de problema desistem e mudam de estratégia. Começam e terminam células/grupos familiares, começam/terminam seminários, começam/terminam campanhas de oração... começam e terminam com a mesma rapidez que começaram. No fundo, são pessoas feridas e frustradas. Desejam muito acertar, mas o seu desejo não consegue vencer o desânimo que surge; acabam então abrindo mão do sucesso por uma posição mais cômoda. Então lamuriam-se de não haver alcançado. Esquecem-se de que a "vida é luta renhida: Viver é lutar. A vida é combate, que os fracos abate, que os fortes, os bravos só pode exaltar!"
O reformador Calvino tinha um alvo muito claro quanto à educação. Ele desejava que os alunos das escolas de Genebra fossem futuros cidadãos da cidade, bem preparados "na linguagem e nas humanidades", além de terem formação cristã e bíblica. O currículo que ele ajudou a elaborar tinha ênfase nas artes e nas ciências, além da ênfase nas Escrituras. Outro ponto das convicções religiosas de Calvino era o entendimento de que todo conhecimento vem de Deus, quer seja o conhecimento "sagrado", quer seja o "profano". Calvino tinha uma visão ampla da cultura, entendendo que Deus é Senhor de todas as coisas e que, por isso, toda verdade é verdade de Deus (http://apenas-para-argumentar.blogspot.com/2010/07/o-resultado-do-enem-2009-e-evasao-da.html).
Uma imensa maioria doas pastores americanos ostentam o título de "doutor". Na Idade Média isso era muito comum. Tomás de Aquino era conhecido como "Doctor Angelicus". Lutero era "doutor em Teologia". Aqui, no Brasil, ficamos presos em falácias tupiniquins do tipo "fulano que aparecer", "comprou o título", "isso é soberba, coisa de homem", "coisa de gente religiosa", amplamente proferidas por alguns que se julgam a si mesmos "o parâmetro de seguidores do evangelho", que se acostumaram com a qualificação de "voz da Igreja Evangélica Brasileira", e coisas do tipo. Ora, é muito mais preferível que a Igreja esforce as mãos dos seus pastores, levando-os a alcançarem conhecimento acadêmico teológico e, se possível, secular também!
Por fim, considere o seguinte: Sempre que houve omissão por parte da Igreja, em qualquer área da sociedade, quando era necessário pronunciamento teórico-prático, isso redundou em prejuízo para a Igreja e para a própria sociedade. Até quando vamos contribuir para a perpetuação das injustiças e desigualdades sociais que o Brasil experimenta há muito tempo, mantendo um modelo de falido de Igreja? Até quando vamos ficar discutindo "O Ser e o Nada", num verdadeiro moto contínuo de justificativas ideológicas para a inatividade profética e sacerdotal da Igreja frente a uma sociedade cada vez mais distante de Deus? Até quando vamos passar ao largo daqueles que sofreram nas mãos dos salteadores deste mundo tenebroso, prostrados a beira do caminho?
A você, candidato, que é pastor, evangélico, ou que professa qualquer outra religião ou credo, e que lê este texto, pergunto: para quê você se candidatou? O que você pretende fazer para abençoar, como político, a vida dos desvalidos, dos pobres, dos andrajosos, das víuvas, dos órfãos? O que pretende fazer para garantir o acesso igualitário à educação, à saúde, ao lazer? Para construir uma sociedade mais livre, justa e solidária, promovendo o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação (CF, Art 2º)? Para manutenção da inviolabilidade da liberdade de consciência e de crença, assegurando o livre exercício dos cultos religiosos e garantindo, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias (CF Art. 5º)? O que você fará para efetivamente garantir os direitos e deveres individuais e coletivos?
Por favor, como brasileiro e eleitor eu te peço: não seja mais um a usar a máquina pública em benefício próprio. Não seja mais um a virar tema de piada em programas humorísticos, mais um a ser objeto do descrédito e ódio popular. Porém, como pastor, eu o exorto: pondere bem, com muito cuidado, as tuas reais intenções que te levaram a candidatar-se. Deus escuta o clamor do pobre, a voz deles sobe diante do Senhor pelas opressões e injustiças cometidas nesta Nação contra eles, desde a sua fundação. Um dia, você comparecerá diante do Juiz de Toda Terra e naquele dia dará contas a Ele; o que terás para apresentar? E aí você se não tiver nada que presta a mostrar, principalmente se você foi pastor e político ao mesmo tempo; afinal, a quem muito é dado, muito será cobrado!
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!
Quando o assunto é política, um dos temas recorrentes é sobre a candidatura de pastores a cargos eletivos: um pastor deveria ser candidato? As mais variadas propostas de resposta foram sugeridas, algumas mais polêmicas do que outras, algumas mais conservadoras, mais teológicas e outras nem tanto. Há aqueles que defendem a candidatura destes com base na vida de Daniel e José, forçando assim uma interpretação do texto bíblico contra os princípios da Hermenêutica e da Exegese.
Independentemente de toda esta polêmica bíblico-teológico-filosófica, que remete ao famoso paradoxo do "ovo e da galinha" (quem tem preeminência, o ente pastor ou o ente político?), os fatos são que primeiramente a Igreja Evangélica Brasileira encontra-se dividida (isso sim é um fato!) quanto a esta importante questão, não havendo via de regra um posicionamento dominante. Em segundo lugar, é que a cada ano mais e mais pastores se candidatam.
Como eleitor preocupado com o destino da Nação, resolvi fazer uma pesquisa na base de dados do Tribunal Superior Eleitoral acerca do perfil dos candidatos a Deputado Federal e Deputado Estadual do Rio de Janeiro. Os dados para consulta estão disponíveis no site http://divulgacand2010.tse.jus.br/divulgacand2010/. No RJ, há um total de 16 candidatos cujo nome para urna eletrônica começam com a palavra "pastor": 2 para Deputado Federal e 14 para Deputado Estadual.
Ampliando a consulta para o Sudeste, encontrei os seguintes resultados:
Estado Deputado Federal Deputado Estadual
RJ 02 14
SP 06 17
MG 02 10
ES 01 02
________________________________________________
TOTAL: 11 43
Outra informação interessante é o nível educacional dos pastores-candidatos. Na região, apenas 20,37% declararam possuir nível superior completo; já 35,09% declararam possuir nível médio completo e 16,67% nível fundamental completo. 27,87% dos candidatos não completaram os níveis educacionais iniciados (fundamental, médio e superior).
Com base nestes resultados, algumas ponderações podem ser feitas:
1) Quanto a formação educacional dos crentes que nós, Igreja, estamos indicando ao pastorado. Um pastor deveria ser uma pessoa que, no mínimo, possuísse ensino médio completo. Parece-me pouco provável que um crente, por mais fiel, seja capaz de estudar teologia (com direito a aulas de grego, hebraico, filosofia, psicologia, arqueologia, etc) sem os devidos conhecimentos de português e matemática do ensino médio. Daí, uma das causas (não é a única, por certo) da falência da ortodoxia teológica deve-se à precariedade na formação do Ministro. A multiplicação das heresias também se dá devido ao pouco ou nenhum conhecimento literário da Bíblia, das figuras de linguagem, etc. Como explicar as complexas relações psicológicas-afetivas? Obviamente se a formação é ruim, o exercício da função será do mesmo porte. Imagine um engenheiro diplomado que não sabe as 4 operações? Você confiaria a construção de sua casa à ele?
Por outro lado, se a Igreja identifica um irmão que tenha realmente vocação para o ministério, deve investir em sua formação secular (aliás, a Igreja deveria ser responsável por melhorar os indíces culturais de seus membros, não só por meio do incentivo, quanto por meio da educação direta). Não lançá-lo imediatamente num seminário ou mesmo ordená-lo sem a devida capacitação, o que acaba fazendo com que aquele irmão seja apenas um objeto de uso - visão utilitarista.
2) Quanto a formação espiritual dos crentes que nós, Igreja, estamos indicando ao pastorado. Aqui, refiro-me ao pecado conhecido como procrastinação. Num país como o Brasil, cheio de assimetrias dos mais variados tipos, é frequente o abandono do estudo em prol do atendimento de necessidades mais imediatas. Porém, novamente, nós - Igreja - precisamos fazer a nossa parte quanto a esta importante questão. É preciso ensinar aos crentes em geral e aos candidatos ao pastorado mais especificamente que eles devem terminar tudo aquilo que um dia começaram; não é correto abandonar as coisas sem concluí-las. É preciso também incentivá-los neste quesito. Começou, vá em frente! Parou/foi obrigado a parar? Retorne já de onde deixou e conclua!
Aquilo que foi adiado para depois, num tempo remoto onde um eventual conjunto de combinação de oportunidades, acaba invariavelmente abandonando o que iniciou. Quando não concluímos algo que começamos, isso mina a nossa força de vontade, fazendo com que sejamos mais facilmente desestimulados diante do menor sinal de problemas em qualquer nova tentativa. Isso resulta em stress, sensação de culpa, perda de produtividade e vergonha em relação aos outros, por não cumprir com suas responsabilidades e compromissos. As causas psicológicas da procrastinação variam muito, mas geralmente tendem a fatores como ansiedade, baixa auto-estima e uma mentalidade auto-destrutiva.
Esse é um dos motivos pelos quais muitos pastores vivem alternando estratégias ministeriais e nomes de Igreja. Começam algo mas diante do primeiro sinal de problema desistem e mudam de estratégia. Começam e terminam células/grupos familiares, começam/terminam seminários, começam/terminam campanhas de oração... começam e terminam com a mesma rapidez que começaram. No fundo, são pessoas feridas e frustradas. Desejam muito acertar, mas o seu desejo não consegue vencer o desânimo que surge; acabam então abrindo mão do sucesso por uma posição mais cômoda. Então lamuriam-se de não haver alcançado. Esquecem-se de que a "vida é luta renhida: Viver é lutar. A vida é combate, que os fracos abate, que os fortes, os bravos só pode exaltar!"
O reformador Calvino tinha um alvo muito claro quanto à educação. Ele desejava que os alunos das escolas de Genebra fossem futuros cidadãos da cidade, bem preparados "na linguagem e nas humanidades", além de terem formação cristã e bíblica. O currículo que ele ajudou a elaborar tinha ênfase nas artes e nas ciências, além da ênfase nas Escrituras. Outro ponto das convicções religiosas de Calvino era o entendimento de que todo conhecimento vem de Deus, quer seja o conhecimento "sagrado", quer seja o "profano". Calvino tinha uma visão ampla da cultura, entendendo que Deus é Senhor de todas as coisas e que, por isso, toda verdade é verdade de Deus (http://apenas-para-argumentar.blogspot.com/2010/07/o-resultado-do-enem-2009-e-evasao-da.html).
Uma imensa maioria doas pastores americanos ostentam o título de "doutor". Na Idade Média isso era muito comum. Tomás de Aquino era conhecido como "Doctor Angelicus". Lutero era "doutor em Teologia". Aqui, no Brasil, ficamos presos em falácias tupiniquins do tipo "fulano que aparecer", "comprou o título", "isso é soberba, coisa de homem", "coisa de gente religiosa", amplamente proferidas por alguns que se julgam a si mesmos "o parâmetro de seguidores do evangelho", que se acostumaram com a qualificação de "voz da Igreja Evangélica Brasileira", e coisas do tipo. Ora, é muito mais preferível que a Igreja esforce as mãos dos seus pastores, levando-os a alcançarem conhecimento acadêmico teológico e, se possível, secular também!
Por fim, considere o seguinte: Sempre que houve omissão por parte da Igreja, em qualquer área da sociedade, quando era necessário pronunciamento teórico-prático, isso redundou em prejuízo para a Igreja e para a própria sociedade. Até quando vamos contribuir para a perpetuação das injustiças e desigualdades sociais que o Brasil experimenta há muito tempo, mantendo um modelo de falido de Igreja? Até quando vamos ficar discutindo "O Ser e o Nada", num verdadeiro moto contínuo de justificativas ideológicas para a inatividade profética e sacerdotal da Igreja frente a uma sociedade cada vez mais distante de Deus? Até quando vamos passar ao largo daqueles que sofreram nas mãos dos salteadores deste mundo tenebroso, prostrados a beira do caminho?
A você, candidato, que é pastor, evangélico, ou que professa qualquer outra religião ou credo, e que lê este texto, pergunto: para quê você se candidatou? O que você pretende fazer para abençoar, como político, a vida dos desvalidos, dos pobres, dos andrajosos, das víuvas, dos órfãos? O que pretende fazer para garantir o acesso igualitário à educação, à saúde, ao lazer? Para construir uma sociedade mais livre, justa e solidária, promovendo o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação (CF, Art 2º)? Para manutenção da inviolabilidade da liberdade de consciência e de crença, assegurando o livre exercício dos cultos religiosos e garantindo, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias (CF Art. 5º)? O que você fará para efetivamente garantir os direitos e deveres individuais e coletivos?
Por favor, como brasileiro e eleitor eu te peço: não seja mais um a usar a máquina pública em benefício próprio. Não seja mais um a virar tema de piada em programas humorísticos, mais um a ser objeto do descrédito e ódio popular. Porém, como pastor, eu o exorto: pondere bem, com muito cuidado, as tuas reais intenções que te levaram a candidatar-se. Deus escuta o clamor do pobre, a voz deles sobe diante do Senhor pelas opressões e injustiças cometidas nesta Nação contra eles, desde a sua fundação. Um dia, você comparecerá diante do Juiz de Toda Terra e naquele dia dará contas a Ele; o que terás para apresentar? E aí você se não tiver nada que presta a mostrar, principalmente se você foi pastor e político ao mesmo tempo; afinal, a quem muito é dado, muito será cobrado!
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!
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