segunda-feira, 31 de outubro de 2011

QUEM QUER ACHAR, ACHA CABELO EM OVO

Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor. (Gl 5.13)

Neste texto, a palavra "ocasião" vem do grego "aphorme". Este termo grego originariamente significava “ponto inicial” ou “base de operações”, e então, “uma oportunidade, uma ocasião, um incentivo” ou "pretexto, desculpa” (J. Hampton Keathley, Personal Freedom). Paulo, neste texto, está exortando os irmãos da Igreja da Galácia - os Gálatas - sobre o uso da liberdade cristã, outorgada aos crentes pela Graça de Deus, como uma espécie de "trampolim" para o pecado, para a carnalidade. Assim, Paulo distingue claramente a liberdade cristã da libertinagem mundana e diabólica.

Há um ditado no mundo que diz que quem quer, acha cabelo em ovo. Quem quer bagunça, quem quer viver no pecado - dentro ou fora da Igreja - sempre achará uma forma de justificar sua atitude carnal, mesmo que para isso até a Bíblia seja utilizada. São pessoas que não dão a mínima para qualquer exortação espiritual que seja feita. Esse tipo de gente não está nem aí para salvação, santificação, destino eterno. Mas estão sempre "de orelha em pé", prontos a descobrir uma brecha, por menor que seja, para servir de justificativa ideológica para sua natureza mundana e endemoniada. Assim, pensam eles que ficarão impunes diante de Deus por seu pecado grosseiro, friamente pré-meditado. 

Assim, se por exemplo esta pessoa ouve ou lê alguma coisa sobre a questão do vinho, nas Escrituras, ela usa isso para dar ocasião para seu pecado de alcoolismo. "Jesus bebeu vinho, Paulo recomendou a Timóteo usar vinho, então porque eu não vou encher a cara?" é o arrazoamento do embrutecido e empedernido coração, amplamente influenciado pelo Diabo, deste falso crente. Quem é crente de verdade, jamais se prestaria a elaborar qualquer lógica diabólica desse quilate. Isso é sabedoria do inferno, potencializada na natureza carnal pelo próprio deus deste século. Segundo a Bíblia, Ezequiel assou bolos sobre esterco de vacas (Ez 4.12-15) e os comeu; porque estes "eruditos espertalhões" não fazem o mesmo?!?!? Afinal, coerência é o mínimo a ser esperado de alguém "tão racional"!

Do mesmo modo, funciona a sabedoria carnal para outras coisas, como o tabagismo. "A Bíblia não fala nada sobre fumar, então vou mandar ver". Essa lógica é desprovida de qualquer lógica Bíblica! Apesar da Bíblia não se pronunciar sobre o tabagismo - pelo menos, de forma direta, com as mesmas palavras - esta prática é notoriamente um pecado segundo o Espírito das Escrituras. "Mas Spurgeon fumava", sim, e daí? Porque ele fez isso, a prática passou a ser correta? O que define se algo é correto ou não é a prática? Isso é relativismo moral e ético! A Bíblia, ao contrário, é repleta de absolutos sendo ela mesma a única regra de fé e prática absoluta!

Já dizia Spurgeon que pecado secreto é um trampolim para o pecado da soberba e a ante-sala do "pecado para morte." Aquele que não peca deliberadamente está no caminho de ser inocente, até onde um pobre pecador pode ser; porém aquele que tenta Satanás para tentá-lo se coloca numa trilha que o levará de mal a pior.

Assim, o mundano - revestido de crente, com cara de crente, com linguagem de crente mas sem nenhuma essência interior de cristianismo está reproduzindo o que lhe é próprio, ao distorcer as Escrituras ao seu bel prazer para justificar sua vida distante de Deus. É um filho do diabo agindo coerentemente com sua condição espiritual, procurando em tudo agradar a seu pai. Não dá para esperar outra coisa, pois o fruto é produzido sempre de acordo com a árvore e a árvore má produzirá inevitavelmente frutos maus: "Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons." (Mt 7.17,18) A árvore má produzirá seus maus frutos até o dia do juízo final, quando será finalmente cortada e lançada no fogo.

Abre parênteses: Têm surgido na mídia alguns debates por parte de pessoas que se consideram entendidas sobre a Bíblia acerca da hipótese de que o homem consegue cumprir as Escrituras ou não. A conclusão destes "entendidos" é que não é possível; porém, afirmam isso baseado em suposições errôneas, como o péssimo argumento de que "ninguém consegue cumprir a Bíblia porque ela foi escrita para os tempos e costumes antigos" (sic). Falácia puríssima! De fato, nenhum homem não-convertido é capaz de cumprir a Bíblia, mas o motivo é outro: é impossível cumprir a Bíblia porque a vida deste grupo de pessoas ainda não foi regenerado por Deus; não nasceram de novo e assim não possuem o Espírito Santo em suas vidas. Sem a condição espiritual correta -  o novo nascimento - é impossível cumprir a Santa Palavra de Deus. Uma das evidências de ausência de regeneração espiritual é a insistência em viver no pecado. Fecha parênteses.   

Porém, agora, direciono-me agora para você, crente genuíno em Cristo, que lê esta postagem. Há, em tudo o que fazemos a partir da liberdade cristã, um princípio a ser seguido. Esse princípio passa pela seguinte verdade: se fomos comprados por Cristo, não somos mais donos de nós mesmos; portanto, devemos usar o corpo para a glória de Deus sobre a orientação de Deus. Ora, no interior de todo crente genuinamente convertido mora a Bendita Pessoa do Espírito Santo. Ele é o morador do corpo do crente, feito Templo do Espírito após a conversão. Assim, o princípio claro é: o que estou planejando fazer glorificará a Deus? Ou entristecerá o Espírito Santo? Ou pior: Extinguirá o Espírito Santo em minha vida?

Paulo diz em I Ts 5.19: "Não extingais o Espírito." Esse Espírito é "o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida, para louvor da sua glória" (Ef 1.14). O que é penhor? Penhor é aquilo que é dado como garantia do recebimento de um valor ou propriedade. Ou seja, a garantia da nossa herança é o Espírito Santo em nós, o selo com o qual fomos selados por Deus. Esse Espírito só é dado aqueles que saíram do mundo, isto é, do sistema mundano; quem é do mundo (não-convertidos) até hoje não nasceu de novo, não nasceu da água e do Espírito (Jo 3.5) e portanto não podem recebê-Lo: "O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece" (Jo 14.17a).

Extinguir é apagar, exterminar inteiramente, fazer desaparecer, perder-se de todo, consumir-se, esgotar-se, etc. Extinguir o Espírito Santo é apagá-Lo da vida cristã. Ora, o que mais apagaria da vida um Ser tão Santo senão um pecado grosseiro? Ele tem emoções e pode ser entristecido ou ofendido (magoado, desgostado (Ef 4.30; Is 63.10). Alguns intérpretes insistem em argumentar que extinguir o Espírito é impedir a ação dos dons espirituais. Sem sombra de dúvida, esta argumentação mostra uma das formas dentre as quais o homem pode extinguir o Espírito. Porém, extinguir o Espírito Santo é algo que vai mais além:  é desobedecer insistentemente de forma impenitente à direção e exortação do Espírito sobre o pecado, a justiça e o juízo. 

Um coração impenitente é um coração costumaz, que é incapaz de arrepender-se do que faz. Paulo, aos Romanos, escreve: "Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus" (Rm 2.5). Impenitente vem do grego ametanoetos, "que não adimite mudança de mente", ou seja, que é incapaz de arrepender-se. É possível que um crente, que experimentou um dia a metanóia, tornar-se ametanoetos? As exortações bíblicas sobre o grave perigo da apostasia revelam que sim. Ouvir a exortação do Espírito, que fala de diversos modos - pela Palavra, pelas circunstâncias, no homem interior, etc - e não atender leva a um processo de endurecimento do coração, que vai produzindo incredulidade e esta acaba impedindo a entrada na Terra Prometida, no Descanso de Deus. O Autor aos Hebreus nos exorta: "Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo. Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado. Porque nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim. Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, Não endureçais os vossos corações, como na provocação. Porque, havendo-a alguns ouvido, o provocaram; mas não todos os que saíram do Egito por meio de Moisés. Mas com quem se indignou por quarenta anos? Não foi porventura com os que pecaram, cujos corpos caíram no deserto? E a quem jurou que não entrariam no seu repouso, senão aos que foram desobedientes? E vemos que não puderam entrar por causa da sua incredulidade." (Hb 3.12-19) Mais claro que isso, é impossível.

Assim, meu amado irmão, não dê lugar ao diabo em sua vida permitindo-se viver segundo o curso deste mundo. Não use a sua liberdade conferida segundo a graça de Deus para viver como carnal. Mas use a sua liberdade para glorificar a Deus. A nossa liberdade não foi-nos dada para fazermos o que quisermos do ponto de vista da auto-emulação, da maximização do hedonismo; definitivamente não! Ela foi dada aos crentes para que possam sempre escolher fazer a vontade de Deus, coisa que era outrora impedida pela escravidão do pecado. É uma liberdade com responsabilidade, não irresponsável, pois isto seria libertinagem. Use o conhecimento da Palavra para seu crescimento espiritual, para salvar e edificar vidas, nunca para sua própria ruína.

Ah sim: não procure cabelo em ovo, por favor!

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

RUDIMENTOS DA DOUTRINA DE CRISTO - V: RESSURREIÇÃO DOS MORTOS E JUÍZO ETERNO

POR isso, deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até à perfeição, não lançando de novo o fundamento do arrependimento de obras mortas e de fé em Deus, e da doutrina dos batismos, e da imposição das mãos, e da ressurreição dos mortos, e do juízo eterno. E isto faremos, se Deus o permitir. (Hb 6.1-3)

Nesta argumentação, estudaremos os últimos dois temas que compõem a série "Rudimentos da Doutrina de Cristo", conforme citado pelo autor da Epístola aos Hebreus: a ressurreição dos mortos (do grego "anastaseos te nekron", αναστασεως τε νεκρων) e o juízo eterno (do grego "krimatos aioniou", κριματος αιωνιου). Ambas as doutrinas concluem o tema abordado, bem como ambos os acontecimentos concluem a história da humanidade sobre a Terra, de uma forma ou de outra. Por razões didáticas, serão abordados juntos, aqui nesta argumentação.

A ressurreição dos mortos é uma das doutrinas mais bem estabelecidas nas Escrituras Sagradas. A ressurreição é definida como sendo "o retorno da vida ao corpo morto". Ela é abordada de forma básica no Antigo Testamento e de forma completa no Novo Testamento.

1) No Antigo Testamento:

O Antigo Testamento traz episódios de ressurreição individual, onde a pessoa ressuscitada tornaria, posteriormente, a morrer novamente. Por exemplo, Eliseu ressuscitou o filho da Sunamita (região de Suném, cidade que ficava localizada perto do monte Gilboa, no vale de Jezreel, local onde acamparam os filisteus antes do combate com o Rei Saul), filho este que era fruto do milagre na vida daquela mulher (II Rs 8.1). Mesmo depois de morto, Eliseu continuou a operar a ressurreição: um morto, lançado em sua sepultura, tocando nos ossos do profeta, tornou a viver novamente (II Rs 13.20,21).

A promessa da ressurreição de Israel enquanto nação, para viver segundo os propósitos eternos de Deus, é também prometida, de forma grandiosa, por exemplo no Livro de Ezequiel, por ocasião da visão do vale de ossos secos (Ez 37.1-14): a nação, que se constituía naquela visão num vale de ossos sequíssimos, se tornaria milagrosamente num grande exército de redivivos, que ocuparão sua própria terra!

A ressurreição do corpo humano da sepultura é um ensino claro na Palavra de Deus. Jó, o mais antigo dos patriarcas, disse: "Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra. E depois de consumida a minha pele, contudo ainda em minha carne verei a Deus" (Jó 19.25,26). É evidente que Jó cria firmemente na ressurreição de seu corpo e numa futura vida além da sepultura.

Abraão, o fundador e pai de sua raça (e dos crentes, pela fé) viveu 175 anos e morreu "em boa velhice, velho e farto de dias" (Gn 25.7,8). Porém, ele "esperava a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus." (Hb 11.10) Ao levar seu único filho, Isaque, para ser sacrificado num monte na região de Moriá, Abraão, firme na promessa feita por Deus de que em Isaque seria chamada a sua descendência, "considerou que Deus era poderoso para até dentre os mortos o ressuscitar" (Hb 11.18).

A Palavra de Deus refuta o ensino errôneo de que a ressurreição se refere ao espírito do homem, e não ao seu corpo. Nem a alma nem o espírito do homem morrem, biologicamente falando, mas é o corpo que morre e é enterrado. Por isso, o corpo é que deve ser ressuscitado dentre os mortos, e não a alma ou espírito.

No último capítulo do livro de Daniel, o anjo que lhe falava assim revela: "E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno." (Dn 12.2) Observe a ligação feita entre a ressurreição e o destino eterno dos ressuscitados, mencionando também duas ressurreições. Esta ligação entre os dois temas é constantemente encontrada no Novo Testamento!

2) No Novo Testamento:

Quando Nosso Senhor Jesus esteve sobre esta Terra, Ele ensinou que todos os homens mortos irão ressuscitar numa data futura: "Não vos maravilheis disto; porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação." (Jo 5.28,29)

O Senhor ressuscitou a muitas pessoas por ocasião do Seu ministério terreno, como o filho da viúva de Naim, como a Lázaro, dentre outros. Na ressurreição de Lázaro, o corpo já estava em decomposição, cheirando mal em virtude do apodrecimento da carne e liberação de fluidos corpóreos. Os corpos em decomposição liberam mais de 30 componentes químicos (H2S, CH4, NH3, CO2, H2O, diversos sais minerais), bem como as diaminas putrescina (C4H12N2) e cadaverina (C5H14N2). Estes dois, especificamente, são emitidos logo após a morte. Na ressurreição de Lázaro, seu corpo foi reconstituído pelo Poder de Deus!

Lázaro ressuscitou para tornar a morrer novamente. Hoje, ele aguarda a ressurreição dos justos.

Sem a esperança da ressurreição, a fé cristã é vazia de sentido; é completamente inútil, não passando de mais uma religião - uma invencionice humana. Esse é o ensino do apóstolo Paulo aos Coríntios: "E, se não há ressurreição de mortos, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E também os que dormiram em Cristo estão perdidos." (I Co 15.13,16-19) Se fosse realmente verdade que a ressurreição inexiste, então toda a fé é vazia de sentido; a pregação e a fé são inúteis - pura quimera; Cristo não teria ressuscitado (porque não haveria como) e nossos pecados continuariam conosco, enquanto os que morreram em Cristo estariam para sempre perdidos.

Porém a ressurreição é uma realidade; tanto a ressurreição do Senhor, no passado, quanto a ressurreição de todos os homens, no futuro. A Bíblia ensina que haverá duas ressurreições, que ocorrerão em momentos distintos, para grupos de pessoas distintas. Esses grupos de pessoas são os crentes em Cristo e o restante da humanidade, que não quis conhecer a Deus e ser salvo por Jesus. Na ressurreição dos crentes, segundo a Palavra, os corpos outrora destruídos pela ação de vermes e bactérias no sepulcro (muitos, já não passam de pó, não restando nada mais que lembre um corpo humano) serão ressuscitados após o toque a trombeta de Deus pelo Senhor Jesus, por ocasião da primeira fase de sua Segunda Vinda (a Segunda Vinda de Cristo se dará em 2 fases distintas, assim como a ressurreição acontecerá em dois momentos distintos) (I Ts 4.16), recebendo um novo corpo incorruptível, num corpo espiritual dado por Deus, com base no primeiro corpo.

Perceba o quão imenso e imponderável é o Poder de Deus: mesmo àqueles corpos cujas moléculas e átomos já estão há muito tempo espalhados pela Terra irão ressuscitar! De uma maneira sobrenatural, Deus tornará a unir estes átomos e moléculas novamente, formando o antigo corpo e revestindo-o com Sua Glória! No vale de ossos secos só havia ossos esfarelentos ao toque; Deus os reuniu e fez deles um grande exército! Glória a Deus!

Na segunda ressurreição, após o milênio, os ímpios ressuscitarão para serem julgados, para vergonha e desprezo eterno. Veja o esquema simplificado abaixo:

Essa ressurreição dos ímpios será o evento final, que marcará o fim de toda crueldade e pecado sobre a Terra. Nela, as almas dos ímpios que se encontram no inferno se unirão aos seus corpos novamente, ressuscitando com corpos preparados para o sofrimento. Eles se encontrarão então diante do Grande Trono Branco para julgamento por Deus, conforme registrado no Livro de Apocalipse, cap. 20:

11 E vi um grande trono branco, e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu; e não se achou lugar para eles.
12 E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante de Deus, e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras.
13 E deu o mar os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras.
14 E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte.
15 E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo.

Estas pessoas, que se enquadrarem no critério para participar deste julgamento, ao final dele serão lançadas no lago de fogo, juntamente com o inferno, com o Anticristo, com a Morte, com o Falso Profeta e com o próprio Satanás e todas as hostes do inferno, para serem atormentados de dia e de noite para todo o sempre (Ap 19.20; 20.10-15). Este é o juízo eterno, ou seja, o juízo que dura para sempre, que é sem fim.

Eu sou um pouco reticente com livros que falam de revelações sobre naturais; quando muito e na melhor das hipóteses, não passam de revelações particulares, dadas num contexto muito específico e num propósito especial e exclusivo para seus receptores, não sendo orientativos para a Igreja. Apenas as revelações na Bíblia desfrutam desta prerrogativa, como o Apocalipse de João. No entanto, tomo a liberdade de reproduzir aqui um breve parágrafo de um desses livros, por considerá-lo ilustrativo daquilo que pode ser entendido como o sofrimento no inferno, com base em Marcos 9:43,44 ("...ires para o inferno, para o fogo que nunca se apaga, onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga."):

"Uma [alma em] forma de esqueleto[...], com uma névoa cinzenta e suja[...]. Haviam pedaços da sua carne em decomposição pendurados em seus ossos e, enquanto queimavam, caiam no fundo do buraco. No lugar dos olhos, haviam somente buracos vazios. O fogo começava nos seus pés em pequenas chamas e crescia quando subia e cobria o seu corpo.[...] Olhei de novo [...] e vermes rastejavam para fora dos ossos do seu esqueleto. Eles não eram atingidos pelo fogo. [...]ela tem consciência deles e sente todos esses vermes por dentro dela."

Enquanto isso, os justos terão acesso à Cidade Santa, à Nova Jerusalém, que desceu do Céu e que está na Terra (Ap 21,22).

Concluindo, cabe a pergunta: onde você deseja passar a sua eternidade? Se para você isso tudo não passa de balela, de conversa fiada, a escolha é sua e o destino eterno é seu. Será que vale à pena "pagar para ver", essa é a pergunta. Mas se você crê que há uma eternidade a ser vivida, ou a ser perdida, então você deve fazer HOJE MESMO uma escolha. Você será ressuscitado de qualquer maneira, a questão é quando - na primeira, junto com os salvos em Cristo, ou na segunda, junto com os ímpios? O tempo de ser absolvido por seus pecados é hoje, pois naquele grande dia não cabe mais absolvição, apenas condenação e castigo eterno.

Para ser livre dessa condenação, você precisa ser salvo, de seus próprios pecados, por Cristo. Você precisa ter um encontro, ainda em vida, com o Senhor. Não é religião que salva, a religião só faz enganar as pessoas, desviando-as de Deus. É Jesus o ÚNICO que pode salvar o homem. Por isso mesmo Ele se fez carne e morreu na cruz, carregando nossos pecados sobre si próprio. Ele não veio fundar religião, NÃO! Ele veio salvar a mim e a você! Ele nos amou e ainda nos ama, Seus braços estão estendidos para nos receber, mesmo sujos e carregados de iniqüidade e pecado. Ele é que nos chama para Si mesmo, dizendo "Vinde a Mim, pecador!" Ele te dará o Seu perdão, Ele te salvará dos seus pecados, e deles nunca mais Deus se lembrará!

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

terça-feira, 11 de outubro de 2011

RUDIMENTOS DA DOUTRINA DE CRISTO - IV: IMPOSIÇÃO DE MÃOS

POR isso, deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até à perfeição, não lançando de novo o fundamento do arrependimento de obras mortas e de fé em Deus, e da doutrina dos batismos, e da imposição das mãos, e da ressurreição dos mortos, e do juízo eterno. E isto faremos, se Deus o permitir. (Hb 6.1-3)

Nesta argumentação, estudaremos a "imposição de mãos", do grego "epithesis te cheir" (ἐπιθέσεώς τε χειρῶν). Sobre a imposição de mãos, há duas principais opiniões teológicas: (1) que a imposição de mãos confere, por transmissão, bênçãos ou maldições para as pessoas sobre as quais as mãos são impostas e (2) que a imposição de mãos é simplesmente um "rito" que confirma para os presentes que aquela pessoa, sobre a qual as mãos são impostas, detém a partir daquele momento autoridade ou comissão para realizar alguma tarefa específica. Na primeira, o dom sobrenatural é transmitido de pessoa para pessoa; no segundo caso, o dom é apenas confirmado.

Em seu comentário, Barnes argumenta que as mãos eram impostas sobre alguém não para conceder algum poder ou habilidade, mas para indicar que aquela pessoa recebera a autoridade ou comissão de quem lhe impunha as mãos. (Barnes' New Testament Notes) Em concordância com Barnes,  o "Novo Dicionário da Bíblia" explica que o toque das mãos de uma pessoa era considerado como algo que comunicava autoridade, poder, ou bênção. Já segundo São Tomás de Aquino, em sua obra Summa Theologica, "a imposição das mãos [...] é feita para designar um abundante efeito da graça, pela qual, os que recebem essa imposição, por uma certa semelhança se associam aos ministros, que devem ter uma graça mais abundante."  


Calvino, em seu comentário sobre a Epístola aos Hebreus, conecta os batismos à imposição de mãos. Conforme o comentário, os filhos menores dos catecúmenos eram batizados nas águas e assim uniam-se a Igreja; quando cresciam não eram novamente batizados, mas sobre eles as mãos dos presbíteros eram impostas. Não há, contudo, nenhuma referência bíblica sobre esta prática; mesmo na hipótese dela se constituir numa prática da Igreja, seria preciso que ela se desse após a escrita da Epístola, não se constituindo, deste modo, no propósito original do autor.

Mas o que a Bíblia tem a dizer sobre isso?

A prática de impor as mãos sobre a cabeça de uma pessoa quando se invocava sobre ela uma bênção era comum entre os hebreus. A bênção seria então transmitida por Deus à pessoa sobre a qual as mãos eram impostas por alguém que detivesse autoridade para isso, como um pai de família, ou sacerdote (Gn 48.5-20; Nm 8.5-20). Em Atos 6, os apóstolos impuseram as mãos sobre os irmãos escolhidos pela Igreja para servirem como diáconos (At 6.6). As mãos também eram impostas sobre a cabeça da vítima, por ocasião do sacrifício, confessando os pecados (Lv 16.21; 24.14; Nm 8.12; II Cr 29.23). As crianças eram trazidas a Jesus para que Ele lhes impusesse as mãos (Mt 19.13). É preciso considerar que no livro de Atos o Espírito Santo era concedido aos fieís sob a imposição de mãos dos apóstolos (At 8.17). As mãos eram também impostas sobre uma pessoa quando esta era separada para um ofício específico (Num 27.18 comp. At 8.19). Paulo exorta a Timóteo: "Não desprezes o dom que há em ti, o qual te foi dado por profecia, com a imposição das mãos do presbitério" (I Tm 4.14). Em sua segunda epístola ao jovem discípulo, novamente consta a mesma admoestação: "Por cujo motivo te lembro que despertes o dom de Deus que existe em ti pela imposição das minhas mãos." (II Tm 1.6; ver também I Tm 5.17-22)

A verdadeira doutrina a respeito da imposição das mãos é um dos elementos da fé cristã. Que o costume da imposição das mãos, como simbolismo de transmissão de dons espirituais, prevaleceu na Igreja no tempo dos apóstolos, não há dúvida. (Barnes' New Testament Notes) Assim, os dois conceitos - transmissão de dons espirituais e reconhecimento do chamado e dos dons - parecem estar inseridos na antiga prática de imposição de mãos. É provável que o ensino - rudimento - sobre a imposição de mãos consistia em esclarecer os propósitos da imposição de mãos aos irmãos hebreus, que muito possivelmente confundiam "quem" (sobre animais? sobre coisas? sobre pessoas?) e "quando" (em que casos) impor as mãos.

O ensino envolvia, com toda certeza, quem era, em última análise, responsável pela ação desejada na imposição de mãos pelos crentes em Cristo (o Senhor Jesus), pois Seu precioso nome é que deveria ser invocado na prática. Assim, aquele que impunha as mãos era simplesmente um canal pelo qual as bênçãos do Senhor fluiriam sobre outrem.

Ao contrário, as religiões de mistério que também praticavam a imposição de mãos tributavam a eficácia da prática ou ao sacerdote da mesma ou a entidade específica. Argumentando pelo viéis das religiões comparadas, a prática de transmissão espiritual via imposição de mãos é até hoje comum a várias religiões e seitas pseudocristãs, como o budismo, a Igreja Messiânica Mundial, o Mormonismo, o Espiritismo, dentre outras. 

Há uma questão pendente: será que o ensino de que maldições podem ser transferidas pela imposição de mãos tem fundamento? Será que Paulo, ao escrever a Timóteo para que ele "não impusesse precipitadamente as mãos, nem participasse dos pecados alheios" referia-se a uma "retro-transmissão de pecados'? Essa passagem pode apoia o ensino de que há transmissão ou transferência de pecados de quem recebe a imposição de mãos ou de quem impõe?

Com base no sistema sacrificial do Antigo Testamento alguns grupos, como os Adventistas do Sétimo Dia, erroneamente afirmam que os pecados da nação eram transmitidos para o bode emissário (o bode para Azazel) pela imposição de mãos. Assim, em tese, haveria a transmissão de pecados pela imposição de mãos.

Parênteses: O uso do bode emissário para expiação do pecado de Israel é relatado em Levítico 16. Conforme o texto, dois bodes eram trazidos diante do Tabernáculo no deserto e sobre eles lançavam-se sortes, de forma que um dos bodes era sacrificado (o bode onde recaía a sorte pelo Senhor) e o outro era enviado para o deserto, como bode emissário. O sumo-sacerdote Arão então impunha suas mãos sobre a cabeça do bode vivo, e sobre ele confessava todas as iniqüidades dos filhos de Israel, e todas as suas transgressões, e todos os seus pecados. Esse bode era então conduzido para o deserto pela mão de um homem designado para isso, devendo ser deixado no deserto.
É interessante notar que o termo "Azazel" não aparece em todas as versões da Bíblia. A versão inglesa da Bíblia, conhecida como King James Version, usa o termo inglês "scapegoat", traduzido por "bode expiatório" (o mesmo termo é também encontrado nas versões New American Standard Bible, American King James Version, Webster's Bible Translation e World English Bible).  O termo Azazel aparece em outras versões (American Standard Version, Darby Bible Translation, English Revised Version, Reina Valera, Louis Segond (1910), French: Darby, French: Martin (1744), German: Luther (1912), etc.). No texto de Lv 16.8, o termo hebraico utilizado é "`aza'zel". Porém, este termo é precedido pelo termo "gowral" (gowral aza'zel), que é traduzido por "uma parte ou destino" (como se determinado por sorte). Assim, o texto de Levítico seria "e outro com destino a Azazel".
O Pr. Natanael Rinaldi, especialista em apologética cristã, apresenta uma explicação bastante esclarecedora: "Alguns entendem que "azazel" vem das raízes hebraicas: ez (bode) e azal (virar-se). Outros dizem que a palavra procede do árabe: "azala" (banir, tirar, remover). Os rabinos, em sua maioria, entendiam que Azazel era o local, no deserto, para onde o bode era enviado" (Expiação por Azazel - A quem representava o bode Azazel? site: http://www.cacp.org.br/adventismo/artigo.aspx?lng=PT-BR&article=9&menu=1&submenu=3). Fecha parênteses.

Parênteses 2: Como entender o papel do bode emissário? Ambos os bodes de Levítico tipificam, juntos, de forma inseparável, a Cristo. O primeiro era sacrificado, já o segundo levava sobre ele as transgressões do povo. Isaías diz que o Senhor Jesus tomou sobre si as nossas iniqüidades: "Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniqüidades deles levará sobre si." (Isaías 53:11). Por ocasião de sua obra expiatória, o Senhor Jesus exclamou dizendo "Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste?" (Mt 27.46). Porque Ele exclamou assim? Por causa dos pecados da humanidade que estavam sobre Ele - são os pecados é que fazem separação entre o homem e Deus (Is 59.2) e isso se cumpriu em Jesus. Naquele momento de solidão, na cruz, antes de sua morte, Jesus cumpriu o tipo do bode emissário; Ele estava sozinho, no deserto da existência, com os pecados do povo sobre si. Quando o Senhor morreu, Ele cumpriu o tipo do bode para o Senhor, imolado em favor do pecado do povo. Fecha parênteses.

No texto de I Timóteo 5:22, Paulo está dizendo a Timóteo que não separe, eleja, escolha anciãos (oficiais da Igreja) sem que estes evidenciem genuína conversão, sem que estes cumpram os requisitos básicos para o ofício que desempenharão (ofício pastoral). Se Timóteo não atentasse para estes requisitos e separasse oficiais para a Igreja (e para isso imporia sobre eles as suas mãos), os homens escolhidos sem critério acabariam por não honrar sua posição e com isso pecariam. Como Timóteo seria o responsável por separar pessoas incapacitadas, espiritualmente falando, ao ministério, ele seria o responsável pelos pecados que estes cometessem na execução de seu ofício; isto é, Timóteo, mesmo sabendo o que poderia ocorrer por sua escolha precipitada, agindo de forma precipitada, irresponsável, seria o responsável por tudo o que redundasse dessa escolha. 

Em Provérbios 26:2, está escrito: "Como o pássaro no seu vaguear, como a andorinha no seu vôo, assim a maldição sem causa não encontra pouso." Deste modo, se o crente em questão é fiel aos Princípios da Palavra de Deus, a possível maldição, que poderia se abater sobre sua vida através do ato impenetrado por outra pessoa não ocorrerá. Na vida do cristão genuíno não há "brechas" para atuação demoníaca; muito pelo contrário: Há suficiente vida com Deus para fazer com que a maldição seja trocada por bênção. O texto de 1 João 5.18 fala que o maligno não "toca" no crente: "Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive pecando; antes o guarda aquele que nasceu de Deus, e o Maligno não lhe toca."

E se tanto aquele que impõe as mãos como aquele sobre quem as mãos são impostas, na Igreja, forem não-cristãos; ou seja, forem cristãos nominais? Essa hipótese se assemelha a imposição de mãos por não-cristãos fora da Igreja, membros de religiões e seitas heréticas, com uma única ressalva: O nome invocado não é o nome de um deus pagão, ou de um demônio; mas o nome invocado, neste caso, é o de Jesus. À primeira análise, talvez devêssemos concordar com a Tese de Agostinho - a tese do "ex opere operato": "Ao aceitar a natureza comunicativa dos sacramentos, comprovamos que este comporta em si a graça de Deus, independentemente da fé ou do caráter moral do celebrante ou de seus destinatários".

Assim, segundo Agostinho, a eficácia do sacramento não depende de quem o ministra, ou de quem o recebe, porque a eficácia do sacramento reside nele mesmo. O conceito é diferente no Protestantismo, onde o sacramento não depende do ministro, mas de Deus, e a sua eficácia realiza-se sempre no respeito da liberdade humana, isto é, a sua eficácia requer a resposta da fé (ou seja, na condição de quem o recebe).

Note que Jesus, ao cumprir os tipos dos bodes de Levítico 16, leva os pecados sobre si, garantindo àquele que reconhece a si mesmo como pecador, que se arrepende e tem fé em Deus o perdão dos pecados. Porém, os pecados do não-convertido permanecem sobre os próprios, a despeito da obra de Cristo. Os benefícios do sacrifício de Cristo no que tange à salvação do pecador dependem da fé deste último; não operando tais benefícios salvíficos independente da fé do pecador. A graça de Deus opera sobre o homem à medida que ele crê em Deus, pois "pela graça sois salvos, por meio da fé". (Ef 2.8)

Porém, há uma ressalva muito grande, que impede de usarmos a tese agostiniana neste caso: Quem recebe a imposição de mãos não possui fé no que se está realizando; tampouco quem está impondo as mãos. Assim, a imposição de mãos é, em si mesma, nula em efeito (note que o ato não é suficiente em si mesmo). O ato, deste modo, não passa de uma mera cerimônia, tipo "para inglês ver", não possui eficácia, não possui "referendum" de Deus; muito pelo contrário: possui reprovação, estando tanto o celebrante quanto o participante debaixo de pecado e, em última análise, debaixo de maldição.

Portanto, não há transmissão de pecados via imposição de mãos, mas pode haver transmissão da graça divina em favor daquele que recebe a imposição, pela operação do poder de Deus através de quem impõe as mãos. Por outro lado, há casos onde a imposição de mãos se aplica, noutros não. É muito importante haver discernimento espiritual, para não transformarmos a operação da graça de Deus em mais um ritualismo vazio e sem propósito.

Na próxima argumentação, estudaremos acerca do ensino sobre a ressurreição dos mortos e o juízo final. Até lá, permitindo Deus! Lembre-se: Deus está lhe dando visão de águia!

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

SINAIS DA PROXIMIDADE DO RETORNO DO SENHOR JESUS - AGINDO EU, QUEM IMPEDIRÁ?


Uma revista da Califórnia publicou recentemente os resultados de uma pesquisa com mais de 600 ex-muçulmanos, que agora seguem Jesus. “Embora os sonhos pareçam desempenhar um papel menor na conversão dos ocidentais, mais de um quarto dos entrevistados ex-muçulmanos enfaticamente confirmam que os sonhos e visões desempenharam um papel vital em sua conversão, e os ajudou em momentos difíceis”, o levantamento afirmou.

Outros têm encontrado o percentual mais elevado. Karel Sanders, um missionário na África do Sul, informou que entre Africanos muçulmanos, “42% dos novos crentes vem a Cristo através de visões, sonhos, aparições angelicais e ouvir a voz de Deus.” De acordo com o site “Sexta-Feira Dawn Fax”, que se concentra em relatórios missionários de língua árabe, moderadores explicam experiências sobrenaturais, tais como sonhos, visões e curas através da oração de Jesus. “Este é um tema quente em nossa região. Pessoas de todo o Oriente Médio nos chamam, dizendo como eles foram curados através da oração em nome de Jesus”, citam os missionários. “Ouvintes muçulmanos costumam nos falar sobre sonhos e visões de Jesus, querendo saber o que isso significa para eles.”

O mesmo é contado em “I Dared to call him Father (Me atrevi a chamá-lo de pai)”, um livro fascinante, escrito por uma rica mulher ex-muçulmana paquistanesa chamada Bilquis Sheikh, que veio a Cristo através de uma série de acontecimentos místicos – começando com a presença do mal, que ela sentia, e era ligado ao assassinato recente de um cristão perseguido.

“A estranha sensação espinhosa cresceu dentro de mim enquanto eu caminhava lentamente ao longo dos caminhos de cascalho do meu jardim”, ela escreveu em um livro que acaba de ser relançado. “Eu parei de andar e olhei em volta. Como eu me inclinei para agarrar as hastes verdes, algo passou por minha cabeça, eu me endireitei, atenta. Senti uma névoa… Um frio, úmido. Uma presença profana – tinha flutuado por mim. Claro que não havia nada lá fora. Estaria lá? Como que em resposta, eu senti uma presença, muito real e misteriosa e um toque em minha mão direita.”

Esta experiência levou a uma série de sonhos que – como tantos outros – culminou na conversão da mulher muçulmana. São tais sonhos mais recorrentes agora – com a situação do mundo como ele é? Ou será que eles sempre ocorreram?

Sabemos que os sonhos podem ser importantes. Nós lembramos de Abraão. Nós lembramos de José, o pai de Jesus.

Mas eles também são cruciais no nosso próprio tempo e, no caso da mulher rica, cujo marido tinha sido um general e ministro do Paquistão, eles formaram uma parte importante de sua conversão – se não o mais importante papel. Conforme ela explica neste livro bem escrito (que foi publicado pela primeira vez em 1978), ela havia sido criada na fé muçulmana, que acreditava que, embora Jesus tenha nascido de uma virgem, ele não era o Filho de Deus. Ainda assim, a mulher sentiu-se impulsionada para explorar a Bíblia – e é aí que tudo começou.

Em um sonho, relatou Sheikh, “eu me encontrei jantando com um homem que eu sabia ser Jesus. Ele veio me visitar na minha casa e ficou por dois dias. Ele sentou-se sobre a minha mesa e em paz e alegria jantamos juntos”.
“De repente, o sonho mudou. Agora eu estava no topo de uma montanha com outro homem, João Batista. Ele estava vestido com uma túnica e calçado com sandálias. Como foi que eu misteriosamente sabia seu nome, também? Eu encontrei-me contando a João Batista sobre as minhas visitas recentes com Jesus”. O sonho – peculiar – a levou à pergunta que todos que poderiam saber responder (porque até aquele momento, Sheikh ainda não havia chegado ao trecho em que João Batista aparece na história) em sua leitura da Bíblia.

Ela se tornou uma cristã. Então, temos milhares de outros. Os relatórios incluíram moradores em lugares como Marrocos. Ouvimos pela primeira vez sobre isso no início de 1990.
“Um seguidor de Jesus da Guiné fala sobre uma pessoa de branco que lhe apareceu em sonho, chamando-o de braços abertos”, afirma a publicação da Califórnia.”Esse tipo de sonho, no qual Cristo aparece como uma figura de branco, é um padrão freqüente na obra missionária entre os muçulmanos.”

Os exemplos são numerosos. Um muçulmano da Malásia viu seus pais falecidos como convertidos aos cristianismo em um sonho, comemorando no céu. Jesus, com uma túnica branca, lhe disse: “Se você quiser vir a mim, vem!” Ele o fez.
Outro convertido, este novamente a partir do Oriente Médio, disse que ele estava deitado na cama com uma dor de cabeça muito forte. A figura branca com uma aparência maravilhosa, pacífica, apareceu e colocou as mãos sobre sua cabeça três vezes, e na manhã seguinte a dor de cabeça que era incurável até então, ​​havia cessado.

Um homem do oeste da África viu um religioso muçulmano no inferno, e um pobre cristão, que não podia mesmo dar esmolas, no céu. A voz explicou que o ponto decisivo não foi a esmola, mas a fé em Jesus.

Enquanto isso, um trabalho missionário entre os Tausugs, das Filipinas, maior grupo muçulmano daquele país, relata que um número de muçulmanos fiéis “viu Jesus” em seus sonhos após o Ramadã (mês em que os muçulmanos praticam um ritual de jejum). Um homem sonhou com Jesus matando um dragão enorme em um duelo e no dia seguinte teve o mesmo sonho, o que o levou a conhecer o Evangelho.

Um membro do povoado Yakan, na Província Basilan sonhou que o Profeta Maomé não podia olhar para Jesus no olho. Quando ele disse seu primo, um cristão, do sonho, seu primo lhe disse que o sonho significava que Jesus é maior do que Maomé.

Há histórias de guerra espiritual. Há relatos da Turquia. Há histórias de curas milagrosas. Há histórias do Iraque. Uma equipe que pertencem aos “Atletas em Ação”, um movimento de atletas missionários, relatou a partir de sua visita às repúblicas da Ásia Central do Turcomenistão e Quirguistão, que “uma das experiências mais interessantes da viagem foi para ouvir um grande número de pessoas dizendo como eles tornaram-se cristãos”. Anteriormente, eles haviam sido ateus ou muçulmanos. Alguns nos contaram como Deus havia falado com eles em sonhos. Outros nos contaram como eles tinham tido dores de cabeça por dias depois de ouvir sobre Cristo. Logo que decidiram tornar-se cristãos, a dor de cabeça havia passado. Uma mulher nos disse que na noite em que ouviu falar de Jesus, nada aconteceu até que ela foi dormir. Enquanto ela dormia, ela teve um sonho terrível, no qual uma figura satânica disse a ela “Você nunca vai escapar de mim”, porém agora ela também se tornou uma cristã.

Existem inúmeros relatos de que muitos dos Berberes que vivem nas montanhas da Argélia estão vindo a Cristo através de sonhos e visões semelhantes, formando células e igrejas, em sua maioria subterrâneas. Ahmed Ait Ben Youcef, um berbere nativo que atualmente vive no exterior, disse que encontrou Cristo no caminho que parece típico para berberes islâmicos anteriormente: “nós berberes sempre acreditamos em Deus, mas muitos o procuram à sua própria maneira, sob a pressão dos árabes islâmicos. Jovens ansiavam pelo caminho certo para nossas vidas e oravam a Deus para orientação. Um dos meus amigos morreu em um acidente de trânsito. Na noite seguinte, sonhei que ele, um outro amigo, e eu nos dirigíamos a uma cidade brilhante, rodeada por uma parede branca. Nesse sonho, meu amigo nos disse que agora ele vivia lá”.

Um muçulmano egípcio estava lendo os Evangelhos, e de acordo com mais um relatório ele tinha acabado de chegar a Lucas, Capítulo 3, quando um vento forte varreu a sala e uma voz disse: “Eu sou Jesus Cristo, a quem você odeia. Eu sou o Senhor que você está procurando.” Ele decidiu seguir a Jesus naquele dia.

Os relatórios são difundidos de tal forma que sites inteiros são dedicados a tais histórias – embora muitas vezes tomem o cuidado de manter o anonimato. Uma fonte bem informada, que por razões óbvias permanece não identificada, relata que um ex-islâmico “Imam” ou líder espiritual levou 3.000 muçulmanos para Jesus, tendo ele chegado a Cristo através de sonhos, em que um homem branco dizia-lhe para estudar a Bíblia. O método desse homem é simples: em uma conversa, ele diz aos outros: “você já viu um homem branco em seus sonhos recentemente? Se eles não tiverem visto, ele lhes diz: eu só estava me perguntando. Obrigado. Se responderem positivamente, ele continua perguntando se eles estão interessados ​​em aprender quem este homem branco é. E quem não está interessado na identidade de uma pessoa misteriosa que aparece em seus sonhos? O ex-Imam, em seguida, mostra-lhes várias passagens da Bíblia em que um homem branco vestido é mencionado, explicando: “Isso é Jesus. Ele quer falar com você, porque Ele quer que você o siga”.
Muitos muçulmanos foram preparados para em caso de encontros sobrenaturais, e aceitarem o convite. Algum tempo atrás, Bill Bright, diretor do “Campus Crusade”, escreveu que “estavam vivenciando um fenômeno surpreendente. Muçulmanos em particular, estão tendo sonhos e visões confirmando a realidade de Cristo. Depois de um programa de rádio informaram que Jesus havia aparecido para muitos muçulmanos em um sonho e havia dito a eles: ‘Eu sou o caminho’. A estação de rádio recebu milhares de cartas de muçulmanos no norte da África e do Oriente Médio, em que os ouvintes disseram que de repente tinham entendido sonhos anteriores. Eles, então, queriam mais informações sobre Jesus”.

Fonte: Gospel+
http://noticias.gospelmais.com.br/mulcumanos-visoes-sonhos-jesus-convertendo-25486.html
 
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MEUS COMENTÁRIOS
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"E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões." (Jl 2.28)
 
De quem é Deus? Ou melhor, Deus pertence a qual religião? As religião dita cristã e seus adeptos querem fazer crer que Deus é propriedade exclusiva deles, que somente a partir dos rígidos critérios ortodoxos mega-plus-tabajara, os quais defendem com "unhas e dentes", é que Deus pode se manifestar, agir e falar. Porém, Deus não é propriedade de religião, nem deu a ninguém exclusividade de Sua manifestação. Ele é um ser pessoal e como tal age livremente, segundo o Seu entendimento e parecer; quem dirá ao Todo-Poderoso qual caminho Ele deve tomar? Ou quem ditar-lhe-á a forma de agir? Ele faz o que bem entender; estende a Sua mão e age e não há ninguém que possa escapar!
 
O Espírito de Deus - isso mesmo, O E-S-P-Í-R-I-T-O  S-A-N-T-O - está dando sonhos e visões de Jesus àqueles que, no máximo, ouviram falar do Senhor como sendo um simples "profeta", "inferior a Maomé" e eles estão se convertendo ao Senhor! Todo o terror espalhado nos corações daquelas pessoas, todas as ameaças, todos os bloqueios de comunicação... tudo isso é NADA, diante Daquele que criou os Céus e a Terra com Sua Palavra! Todo assassinato "legalmente justo" dos missionários, toda destruição de Bíblias, todo fechamento de Igrejas... nada disso é capaz de deter a ação do Rei dos Reis e Senhor dos Senhores! Agindo Ele, quem impedirá?!?
 
O Senhor deseja a salvação de todos os homens. Nos países onde a fé cristã é permitida, onde se converter à Cristo não é crime, as Igrejas sérias tem cumprido o seu papel na pregação do Evangelho. Porém, onde a conversão à Cristo é crime capital punível com pena de morte, o próprio Cristo - Aquele que esteve morto e ao terceiro dia ressuscitou - é o Evangelho Vivo! Como matá-Lo? É impossível! Como impedir sua manifestação? Nem todo inferno reunido é capaz de fazê-lo!  Que se curve o espírito do medo e da violência diante do Senhor Jesus!
 
Jesus está voltando! Ao ler esse texto, isso fica cada vez mais claro; e essa realidade cada vez mais próxima. Uma pergunta surge em meu coração: e quanto a nós, igreja brasileira? e quanto a nós, povo brasileiro? Estamos preparados para esse encontro? Você que lê este texto, se Jesus voltasse HOJE, como Ele encontraria você - preparado ou não? 
 
A dinâmica da vida cotidiana, extremamente acelerada, acaba muitas vezes nos tornando, na prática, autômatos. Fazemos as coisas porque "temos que fazer". Temos coisas porque "precisamos ter".  Vivemos porque "precisamos viver". E assim, nesse fluxo e refluxo das ondas da vida, vamos vivendo a cada dia. Vamos a igreja porque "precisamos ir",  "precisamos ter coisas" porque "precisamos viver". A nossa vida nessa terra é, em sua melhor hipótese, a luta para continuar vivo: trabalhar, comprar, gozar do que comprou, trabalhar, comprar mais, gozar mais e assim sucessivamente. Mas há muito mais do que isso... Há um só Deus... um só Senhor... e Ele prometeu que voltaria um dia para buscar àqueles que estivessem devidamente preparados na ocasião... para levá-los consigo desta Terra, deste mundo de "ter-fazer-para-viver"... 
 
"Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor." ( I Ts 4.16,17)
 
Neste dia, segundo a Bíblia, os sepulcros se abrirão e os que morreram em Cristo haverão de ressuscitar! Irmãos, pais, mães, avôs e avós... todos aqueles pelos quais um dia choramos e pranteamos, neste glorioso dia, quando os crentes ressurgirem, ali estarão eles, novamente! Não um esqueleto em decomposição; não! Não carnes apodrecidas, jamais! Mas ali estarão eles, aqueles que conservaram até a morte a fidelidade ao Senhor, novamente vivos, para nunca mais morrerem de novo!
 
 
Neste dia, muitos ficarão para trás; serão deixados neste mundo, porque não estavam prontos. Maridos que somem de repente, esposas que ficam sozinhas... mães que desaparecem, filhos órfãos... crentes que somem repentinamente, do nada... crentes fiés... pastores que ficam para trás, enquanto "meros crentes" desaparecem... aviões caindo para destruição porque "o piloto sumiu" (e isso não é filme)... pessoas desesperadas, chorando sem consolo, diante do mais terrível e grandioso fato da história da humanidade; gente que sabe o que aconteceu com seus amados e o que lhe aguarda, sim, a ela que ficou para trás. Gente que não quer aceitar, e está inventando estórias e justificativas... Mas o fato já ocorreu. Podem chorar, podem teorizar; o fato já ocorreu e não há mais nada o que fazer. O pior: Estava Escrito! Estava predito, tudo isso, timtim por timtim, vírgula por vírgula. Não creram por que não quiseram; mas informação sobre tudo isso, TINHAM DE SOBRA!
 
 
Por isso, querido leitor, o tempo é HOJE, o dia é AGORA e a hora é JÁ! Acerte suas diferenças com o Senhor! Busque-o enquanto você pode achá-Lo. Não deixe para lá, não deixe para depois a principal decisão da sua vida! Não diga: "Ah, estou muito ocupado, quem sabe um dia?", porque o dia vem de repente e você não estará preprado quando Jesus voltar! Fale com Ele hoje mesmo; confesse seus pecados e peça-lhe para perdoar de todos os pecados. Daí, receba-O hoje, em seu coração, em sua vida! E viva para Ele hoje, como se Ele voltasse neste mesmo dia!

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

RUDIMENTOS DA DOUTRINA DE CRISTO - III: OS BATISMOS


POR isso, deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até à perfeição, não lançando de novo o fundamento do arrependimento de obras mortas e de fé em Deus, e da doutrina dos batismos, e da imposição das mãos, e da ressurreição dos mortos, e do juízo eterno. E isto faremos, se Deus o permitir. (Hb 6.1-3)


Dando prosseguimento ao estudo dos fundamentos da fé cristã, nesta argumentação vamos abordar a doutrina dos batismos. Note que o ensino acerca dos batismos refere-se aos rudimentos da fé cristã e que o autor aos Hebreus escreveu sua epístola para um grupo específico de crentes que existiram naquela época – os crentes que eram hebreus, convertidos do judaísmo à fé cristã.


Este ensino se reveste de grande importância em nossos dias, onde as trevas têm tomado as mentes e corações daqueles que deveriam conhecer e ensinar a Palavra de Deus sem enxertos humanos. Nos últimos dias têm se levantado alguns pastores, bispos e apóstolos ensinando heresias acerca dos batismos: para uns, só serão salvos aqueles que forem batizados nas águas; para outros, ninguém pode ser batizado com Espírito Santo nos dias de hoje; outros confundem as manifestações da alma com as do Espírito; outros, de forma muitíssimo pior, classificam temerariamente todas as manifestações ocorridas como “obras do diabo”, sem procurar discernir as manifestações, pecando de forma imperdoável contra o Espírito Santo e ensinando outros a fazer o mesmo. E assim há um sem-número de erros e confusões acerca dos batismos, gerando desorientação e enfraquecimento da fé. O escasso discernimento espiritual por si só já é um sintoma do baixíssimo nível espiritual desses líderes religiosos, se é que há alguma espiritualidade em suas vidas. Paulo ensina que quem não discerne as coisas do Espírito de Deus é o homem natural, não convertido, sem o Espírito de Deus.

OBSERVAÇÃO: Segundo o ensino dos Mórmons, também conhecidos como "Santos dos ùltimos Dias", há o batismo por procuração ou batismo pelos mortos. Segundo este ensino, um vivo poderia ser batizado no lugar de uma pessoa morta e esta então usufruiria dos benefícios do ato praticado pelos vivos. Este ensino surge a partir da interpretação distorcida de I Co 15.29: "Doutra maneira, que farão os que se batizam pelos mortos, se absolutamente os mortos não ressuscitam? Por que se batizam eles então pelos mortos?" Com uma simples leitura do contexto, é fácil perceber que "os mortos", na argumentação paulina, refere-se ao pensamento de alguns de que Cristo não havia ressuscitado (I Co 15.12-14). Aqui vale a máxima da exegese bíblica: texto sem contexto só serve para fazer um pretexto; e este só serve para jogar no cesto. Os Mórmons não são considerados como Igreja cristã pelas denominações genuinamente cristãs, pois seguem um outro evangelho (Gl 1.9), com outro testamento.

O termo batismo vem do substantivo grego “baptismo”, sendo traduzido por submergir, imergir. Observe que o termo “batismo” está no plural, o que indica que o ensino envolvia mais de um tipo de batismo. Mas que batismos eram esses? Dado que a epístola foi escrita para os Hebreus, estes batismos envolvem as práticas daquele povo. Além disso, é muito provável que envolva também os “batismos” praticados pelas religiões de mistério existentes naquela época.

Os Hebreus, em sua religião, praticavam rituais de purificação que envolviam abluções (o termo grego baptismo se refere tanto ao ato de imersão quanto ao rito de purificação como lavagem). O primeiro milagre de Jesus, realizado nas Bodas de Caná, foi justamente a transformação de água (utilizada para as purificações – do Gr. katharismos – dos judeus) em vinho (João cap. 2). O cap. 19 do livro de Números mostra algumas purificações com água realizadas pelos Hebreus.

“Houve então uma questão entre os discípulos de João e os judeus acerca da purificação. E foram ter com João, e disseram-lhe: Rabi, aquele que estava contigo além do Jordão, do qual tu deste testemunho, ei-lo batizando, e todos vão ter com ele.” (João 3:25,26). Aqui novamente aparece o termo “katharismos”. Há somente 7 versos no Novo Testamento que usam este termo (Mc 1:44; Lc 2:22; 5:14; Jo 2:6; 3:25; Hb. 1:3; 2 Pe. 1:9); nos Evangelhos, é usado sempre se referindo às purificações dos judeus. Nos versículos 22 e 23 o termo grego utilizado é baptismo. Este texto não indica, como propõem alguns intérpretes, que o batismo de Jesus era diferente do batismo de João, mas sim sobre o porquê que Aquele (não que Ele mesmo batizasse, mas seus discípulos o faziam) que fora batizado por João passara a batizar também (observe que João responde, nos versículos 29 e 30, que Cristo é quem tinha a preeminência, não João. Veja também Jo 4.1,2). Observe também que o batismo aqui é entendido pelos discípulos de João como sendo algo voltado para a purificação.

Lucas afirma que o batismo de João era o batismo de “arrependimento, para perdão dos pecados” (Lc 3.3). Note que Lucas relata que João exortava duramente à multidão que saía para ser batizada por ele (Lc 3.7-9). Ora, se ele pregava a necessidade urgente de batismo, porque ele repreendia àqueles que a ele vinham para sem batizados? Porque a multidão entendia que o batismo de João era mais um rito de purificação, algo meramente exterior, sem a necessidade de transformação interior (arrependimento). De nada adiantaria àquelas pessoas, espiritualmente falando, serem batizadas sem que houvesse real arrependimento primeiramente. O rito em si mesmo não tem efeito nenhum; é preciso de haja mudança de vida (Lc 3.10-14) para que haja eficácia no batismo. Por isso, o arrependimento e a fé devem ser primeiramente gerados pelo Espírito Santo no coração dos homens, para que só então esses homens sejam batizados nas águas.

Abre parênteses: Segundo São Tomás de Aquino, em sua Summa Theologica, o texto de Hebreus 6:2 se refere ao batismo de água, de arrependimento, e de sangue. Trata-se de uma “teologização” do batismo, onde o batismo de sangue seria o martírio, em razão da fé cristã, de alguém que não necessariamente tivesse sido batizado em água. Thomas de Aquino, citando Agostinho, compara os batismos de água e de sangue: "O recém-batizado confessa a sua fé na presença do sacerdote: o mártir na presença do perseguidor. O primeiro é aspergido com água, depois que ele confessou, este último com o seu sangue. O primeiro recebe o Espírito Santo pela imposição das mãos do bispo, este último é feito templo do Espírito Santo". Para o catolicismo romano, o batismo de sangue (aparentemente baseado em Mt 20.22,23), aliado ao desejo de ser batizado (o que a teologia católica denomina “batismo de desejo” ou “penitência” – outra teologização, onde é há uma confusão com o batismo do Espírito. O argumento Tomaquiano para “batismo de desejo” baseia-se no episódio do ladrão na cruz, salvo sem batismo) acarretaria os frutos do batismo em água: o perdão dos pecados e a entrada no Reino de Deus. O leitor deve atentar para o fato de que este conceito foi elaborado posteriormente à escrita da epístola aos Hebreus, não refletindo necessariamente o pensamento do autor da mesma, nem do autor desta argumentação. Fecha parênteses.

Assim, o ensino a que se refere a epístola aos Hebreus no que concerne ao batismo de João consistia na distinção, tanto em propósito quanto em natureza, desse batismo das purificações dos judeus, algo facilmente confundível pelos crentes de origem hebréia. As purificações tinham o propósito cerimonial, sendo interpretadas como mero rito exterior – assim como o restante da Lei de Moisés; por sua vez, o batismo de João tinha como propósito o arrependimento, algo ligado ao interior do homem. Não eram, de modo algum, práticas equivalentes; assim, mesmo que os crentes hebreus tivessem experimentado inúmeras vezes as purificações em água, uma vez tendo sido convertidos deveriam agora participar do batismo nas águas. Perceba adicionalmente que no texto da epístola, os ensinos sobre arrependimento das obras mortas e a fé em Deus são citados antes do ensino sobre os batismos, de forma que os primeiros são pré-requisitos para os seguintes.

Segundo a ordem do próprio Senhor Jesus, o batismo nas águas é feito “em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28.19). A expressão “em nome de” indica que o batismo é feito na autoridade e determinação unicamente da Divina Trindade (não no nome da pessoa que está batizando outra). Se cada homem batizasse em seu próprio nome o caos se instalaria na Igreja, pois haveria uma disputa sobre “quem foi batizado no nome do mais proeminente batizador”. Por muito menos, na Igreja de Corinto, existiam disputas e contendas motivadas por “preferências” dos crentes pelos ministros de Deus: “Quero dizer com isto, que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo, e eu de Apolo, e eu de Cefas, e eu de Cristo.” (I Co 1.12) Note que Paulo pergunta: “Está Cristo dividido? foi Paulo crucificado por vós? ou fostes vós batizados em nome de Paulo?” O apóstolo mesmo responde a pergunta: “Dou graças a Deus, porque a nenhum de vós batizei, senão a Crispo e a Gaio, para que ninguém diga que fostes batizados em meu nome.” (I Co 1.13-15) Batizar em seu próprio nome – como fazer discípulos para si mesmo – é típico de fundadores de seitas, coisa inconcebível na fé cristã. Um crente pode ser discípulo de um outro crente, desde que este segundo seja discípulo de Cristo e tenha, deste modo, o propósito de edificar a pessoa na fé cristã, tornando-a mais semelhante ao próprio Senhor de ambas.

Abre parênteses: O batismo nas águas cura doenças físicas? O batismo nas águas liberta a pessoa de espíritos malignos? Não e não! Ele não tem esse propósito! Mas, o batismo nas águas purifica o homem dos seus pecados? O batismo salva? Novamente, a resposta é não. O batismo não lava pecados, como querem fazer crer alguns religiosos. Nem tampouco salva, ainda que o batismo tenha um papel no plano de Deus para a salvação do homem. Essa verdade está muito clara nas Escrituras: Felipe foi transladado pelo Espírito Santo de Samaria a Gaza por causa de uma única alma, o eunuco da rainha Candace, a ser salva e batizada nas águas. Fecha parênteses.

Há que se considerar, ainda, o batismo com o Espírito Santo, e com fogo (Mt 3.11), onde Jesus é o batizador. Eis um tema bastante debatido entre os irmãos pentecostais e os irmãos tradicionais. Mesmo entre os pentecostais, há controvérsias: o texto aborda dois batismos (batismo com Espírito Santo e batismo com fogo) ou apenas um? (batismo com Espírito Santo e com fogo) No texto grego, a expressão “batismo com Espírito Santo e com fogo” é “en pneumati hagio kai puri” (“βαπτίσει ἐν πνεύματι ἁγίῳ καὶ πυρί”, Textus Receptus – 1550, com acentos). Conforme alguns mestres da Palavra de Deus, a coordenação copulativa kai (“e”) exige que “o batismo com Espírito Santo e com fogo” seja tratado como sendo um único batismo.

Há outros Mestres da Bíblia que argumentam que ao mencionar o batismo com Espírito Santo e com fogo João estaria se referindo a dois tipos de batismo diferentes: o batismo com Espírito Santo, destinado ao trigo (aos arrependidos) e o batismo com fogo, destinado à palha (aos impenitentes, baseados em Ml 3). Ainda que esta interpretação pareça ser a mais óbvia, há alguns argumentos que a contradizem. O termo “batismo” na Bíblia nunca é associado a algo negativo, como a destruição dos ímpios e infiéis, mas aparece sempre ligado a uma atitude positiva (não há uma expressão “batismo de destruição” na Bíblia). Ao contrário do que argumentam alguns, o fogo, em Malaquias 3:1-3, é destinado aos “filhos de Levi”, para os purificar, de forma que tragam ofertas em justiça ao Senhor; não sendo assim destinado aos “filhos de Belial” para os destruir, como sugerem os intérpretes de Mateus 3. Porque a inclusão da expressão “com fogo”? Obviamente, para enfatizar um dos aspectos deste batismo: a rápida capacidade de se alastrar. Havendo comburente e combustível, o fogo arderá ininterruptamente. Note que a rápida e ininterrupta expansão da Igreja, a partir do Pentecostes, pode ser facilmente associada à ação do fogo sobre os materiais combustíveis; do mesmo modo, associa-se também a sua ininterrupção (não existe instituição que tenha sido tão combatida e mesmo assim continue insistentemente existindo na face da Terra do que a Igreja). É preciso também considerar que João está se referindo a um tempo futuro (“ele vos batizará”), a um momento profético específico, que não correspondia ao momento em que aquelas palavras foram pronunciadas; deste modo, ao inspirar estas palavras, o Espírito Santo poderia estar se referindo à Igreja que seria ainda formada no dia de Pentecostes.


O que seria este “batismo com Espírito Santo e com fogo”, ou de forma mais simplificada o “batismo com Espírito Santo”? É o cumprimento da profecia de Joel: “E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, Que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; E os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, Os vossos jovens terão visões, E os vossos velhos terão sonhos; E também do meu Espírito derramarei sobre os meus servos e as minhas servas naqueles dias, e profetizarão” (Jl 2.28-30 comp. com At 2.17,18). Jesus afirmou que ele é o revestimento de poder (At 1.5,8), para capacitar os crentes para serem testemunhas do Senhor (mártires). Assim, o batismo com Espírito Santo deveria tornar os crentes mais aptos para testemunharem sobre a realidade do ministério do Senhor Jesus; afinal o ministério do Espírito Santo é glorificar o Senhor Jesus, anunciando o que Dele receber (Jo 16.14).

Como se dava o batismo com Espírito Santo nos tempos apostólicos? Dava-se pela imposição de mãos dos apóstolos, como em Samaria (At 8.14-17), após o batismo nas águas; dava-se espontaneamente, após a pregação da Palavra de Deus, como na casa de Cornélio (At 10.44; 11.15-17); dava-se também a partir da busca pelo Senhor em comunhão e oração (At 2). Sobre isso, Pedro disse: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo” (At 2.38). Em Éfeso (At 19.2-7), Paulo perguntou aos irmãos que ali estavam: “Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes?” A resposta foi unânime: “E eles disseram-lhe: Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo.” Os irmãos em Éfeso sequer tinham conhecimento da existência do Espírito Santo! Eles só haviam sido batizados até o momento conforme o batismo de João, ou seja, o batismo nas águas para arrependimento. A Bíblia diz que Paulo então impôs as mãos sobre eles, e aqueles discípulos foram batizados com o Espírito Santo, com as evidências disso: línguas estranhas e profecias!

Assim, de forma geral, o batismo com o Espírito Santo aparece no livro de Atos após a conversão (da qual precedem o arrependimento e a fé) e o batismo nas águas. Qual é a ligação bíblica entre os batismos? O ministro batiza nas águas, Jesus batiza com o Espírito Santo. E o Espírito Santo? Batiza no Corpo de Cristo, que é a Igreja! (I Co 12.13) Se realmente somos batizados na base do arrependimento e fé em Jesus, certamente receberemos o Espírito, e é este Espírito que nos introduz no corpo de Cristo e forma sua natureza em nós. É somente através do Espírito nos batizar no corpo que a pessoa de Jesus, sua vida e humanidade, pode ser manifestada ao mundo através de nós. Essa realidade – do batismo no Corpo – ainda precisa ser restaurada na Igreja hodierna!

Observe que a seqüência – batismo nas águas, batismo com Espírito e batismo no Corpo – não é automática, conforme Atos 19. Trata-se de uma propriedade inerente, um potencial que pode ser desenvolvido pela fé. Ao sermos batizados na água podemos e devemos ser batizados no Espírito e ao sermos batizados no Espírito podemos e devemos ser batizados no corpo. Mas por termos entrado em apostasia e vivermos em tempos de restauração, precisamos lutar para voltar a este nível, que é nosso direito e herança.

A necessidade de arrependimento e fé, gerando conversão e desejo de ser batizado nas águas, ao qual tendo acontecido ensejará, ao seu tempo, o batismo com Espírito Santo e o batismo no corpo é a causa da negativa de batismo àqueles que não compreenderam ainda o propósito disso. É preciso ter compreensão sobre o que significa ser batizado nas águas, com clareza, antes do ato. Do ponto de vista bíblico, uma pessoa só deveria ser batizada nas águas após a evidência de conversão e da compreensão do que implica ser batizado.

Na próxima argumentação, estudaremos acerca do ensino sobre a imposição de mãos. Até lá, permitindo Deus! Lembre-se: Deus está lhe dando visão de águia!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

RENOVAÇÃO ESPIRITUAL E A MÚSICA NA LITURGIA CRISTÃ


Tradução: "Isto é Heresia!" Legenda: "O órgão da igreja trocado por guitarras e tambores! Despesas gerais substituem hinários, e o pastor não usa gravata!! Gracie Smith não está contente nem um pouquinho... Deve ser o fim dos tempos."

Quem é mais antigo na jornada cristã deve se lembrar dos conflitos que ocorriam nas igrejas no início da música gospel no Brasil. Havia uma multiplicação de sermões dominicais e de artigos nos boletins das igrejas falando sobre o rock evangélico que começava a entrar em algumas denominações, exortando os crentes a não aderirem àquilo que era considerado "do diabo". Naquela época, o único instrumento permitido no culto cristão era o órgão, geralmente tocado por uma irmã que dominava a música sacra, contida nos hinários da denominação. Em alguns pouquíssimos lugares aceitava-se adicionalmente um violão.

Porém, o fato é que a música gospel chegou para ficar. Mesmo as denominações mais resistentes já estão permitindo a "música moderna" em seus cultos e reuniões. Infelizmente, há uma "polarização" na música: se a opção é aderir ao gospel, isso implica em esquecer-se do sacro, dando a impressão que ambas não podem conviver dentro do mesmo ambiente. Hinos antigos e inspirados são assim esquecidos para sempre, condenados ao ostracismo, e com eles as raízes históricas e litúrgicas da denominação. Os cultos tornam-se mais barulhentos e menos reflexivos, num ambiente onde o movimento exterior é mais importante do que o movimento interior. Saem assim de um extremo para outro: da burocrática liturgia de algumas denominações para a libertina liturgia moderna, onde vale tudo desde que tenha a alcunha de "unção", até mesmo imitar animais no culto. E isso é chamado "renovação espiritual". Renovar é tornar novo, é melhorar; mudar ou modificar para melhor. Mas o que se vê hoje na maioria das igrejas não pode ser considerado algo melhor do que era anteriormente, de forma alguma. Qual é a solução? A reversão da renovação não é uma opção, por certo.

Analisando ambos os cenários - o antes e o depois da "renovação" - ressalta a olhos vistos a relação entre a música e a expressão da espiritualidade. A música tem efeito "potencializador" sobre o homem. Porém, será que isso só acontece com as músicas modernas? Será que apenas elas tem essa influência? Ou qual a relação entre os hinos e músicas com a genuína renovação da alma humana? A relação é inequívoca: um hino ou música inspirado pelo Espírito Santo, mesmo que seja considerado "antigo e ultrapassado" por alguns irmãos, é ainda um dos instrumentos que Deus usa para ministrar Sua presença, Seu amor e Seu consolo ao homem. Deus ainda fala e age utilizando-se dos mais variados e diferentes elementos, mesmo que estes elementos tenham sido rejeitados pelos atuais edificadores da Igreja.

Há quem pense que as músicas devem servir apenas para agitar a alma humana, especialmente no período de louvor em nossas igrejas. Os ministros de louvor que assim pensam ainda não compreenderam que a música é muito mais do que um amontoado de sons sem sentido. Infelizmente, para muitos "a letra não é importante". Ora, se a letra não é importante, o que é, então? O ritmo? O volume do som, que alguns insistem em por "nas alturas"? Não importa se a letra é antibíblica, ou se não faz nenhum sentido, repleta de simbolismos pouco compreensíveis? Não precisa nem pensar muito para concluir que esse conceito de "louvor renovado dos últimos dias" está erradíssimo!

Abre parênteses: A intensidade do som, ou pressão sonora, é medida em bels (homenagem a Alexander Graham Bell, que inventou o telefone em 1877), ou mais comumente em seu submúltiplo, o decibel (dB). É definido como a divisão de uma escala logarítmica cujos valores são 10 vezes o logarítimo decimal da relação entre o valor de potência considerado e um valor de potência especificado, tomado como referência e expresso na mesma unidade. Segundo a Norma Regulamentadora Nº 15, a máxima exposição diária permissível para um nível de ruído de 100 dB é de 1 hora. Se o nível de ruído for de 115 dB a exposição máxima é de 7 minutos. Um conceito, muito comum entre os músicos e ministros de louvor das igrejas, é que "louvor ungido" é igual a "som alto", ou que “só conseguem tocar se o som estiver alto”, tornando assim o ambiente de culto insuportável em termos de potência sonora. Não há como haver unção, manifestação do poder de Deus, curas e conversões durante o período de louvor se o nível do som extrapola os limites do corpo humano. Os níveis insuportáveis de som produzem estresse e aumento da pressão arterial (sistólica e diastólica) pelo aumento da produção de adrenalina. O som muito alto prejudica ainda a concentração e performance, além de causar irritação e incômodo. Uma boa referência para consulta e estudo é a norma ABNT NBR 10151:2000 - Versão Corrigida: 2003 Acústica - Avaliação do ruído em áreas habitadas, visando o conforto da comunidade - Procedimento, a qual pode ser adquirida a baixíssimo preço no site da ABNT. Fecha parênteses.

O que os "ministros de louvor dos últimos dias" não conseguiram ainda compreender é que o louvor à Deus não é apenas "cantoria de músicas vazias e remelexo, tudo isso no mais alto volume possível". O louvor a Deus expressa gratidão e reverência, obrigatoriamente. Dependendo do contexto, desperta também o temor do Senhor aos homens. Basta sossegar um pouco a alma que facilmente pode se sentir o temor do Senhor em hinos tais como "O Banquete de Belssazar" (hino 249):

Tua vida, ó amigo,
Nesta hora escrita está;
O registro dos teus atos
Deus, no céu, escreve já;
Que Jesus, pois, te faça
Tal escrita compreender,
Que, em havendo tempo, possas
Sua graça receber.

Lá no céu, a mão de Deus!
Lá no céu, a mão de Deus!
Vê qual seja a tua sorte,
A tua vida ou morte;
Lá no céu, escreve a mão de Deus   
 
Como, pergunto, não sentir o amor de Deus a partir de hinos como "Dez Mil dos Anjos" (“Amarraram as mãos de Cristo/ Quando no Jardim orava/ e assim sofreu vergonha e dor./ Bateram em sua face tão pura e sem pecado/ e disseram: "Crucifica-o já")? Eis aí um bom hino para ser cantado nos cultos de Santa Ceia, pois é um hino que traz a memória tudo o que o Senhor Jesus fez por nós e Sua principal motivação em ser crucificado. Ou como não sentir toda ternura e consolo do Espírito Santo na letra “meu Jesus vê quando estou só/é sabedor do meu sofer/.../Ele me ampara no caminho/e diz baixinho: não está só”? Alguém já viu uma declaração mais enfática sobre o Servir a Cristo do a registrada na estrofe “Oh! Sim! Vale a pena servir a Jesus/neste mundo é melhor ter a Cristo/riquezas se vão, honra, glória e posições/mas feliz é sempre quem tem a Cristo”?

Abre parênteses: Muitos dos hinos aqui citados são de autoria de cantores – verdadeiros ministros de louvor a Deus – como o Pr. Feliciano Amaral. Desde tenra idade eu escuto-os, debaixo da tábua de passar roupa, graças a minha querida mãe que colocava os LPs de vinil na antiga vitrolinha. Creio que as mensagens desses hinos ficaram impressas em minha alma, o que me ajudou a encontrar o Senhor quando adolescente. Hoje, vejo muitas mães que anseiam pela conversão dos seus filhos, orando desesperadamente por eles (oxalá!), sem, no entanto, fazerem a “sua parte” para que a tão desejada conversão aconteça. Se as mães assistissem menos um pouco a TV, se o mundo com seus valores entrassem menos um pouco em suas casas a partir de programas televisivos de qualidade duvidosa, se elas passassem a dedicar mais tempo e sabedoria em incutir no coração dos filhos a Palavra de Deus por meio das histórias e da música, elas cedo ou tarde lograriam êxito no afã de ver seus filhos queridos no Caminho do Senhor. Fecha parênteses.

Pode parecer que aqui está se afirmando que em matéria de músicas e hinos tudo que é novo é ruim, ou só o que é antigo é bom. Essa não é a intenção. Há boas músicas evangélicas modernas, porém infelizmente cada vez mais escassas. A imensa maioria não passa de “mais do mesmo” e “manipulação emocional”. Emoção é parte do louvor a Deus? Sim; é um grande erro excluí-las do louvor e da adoração. As emoções se constituem em um dos atributos da alma humana, não apenas o raciocínio ou a lógica. É uma bênção poder adorar a Deus também com nossas emoções, onde Deus mesmo se encarrega de desbloquear a alma do adorador. É preciso reconhecer que num mundo cada vez mais impessoal, onde muitos relacionamentos são construídos em bases opressoras ou interesseiras, as emoções (quer sejam de tristeza, quer de alegria), quando liberadas na presença de Deus em reuniões menos burocráticas e institucionalizadas, são trabalhadas e curadas pelo Espírito Santo. Mas as emoções não podem ser o objetivo final dos hinos e músicas produzidos e utilizados pelas igrejas.

As emoções precisam surgir livremente, sem “forçar a barra”. Elas precisam ser espontâneas, como se deu no caso da mulher pecadora em Lucas 7:36-50, onde as lágrimas fluíram livremente a partir do encontro da alma humana com o Senhor Jesus. Como não se emocionar em Sua presença? Como não “beijar os pés” daquele que demonstra ternura e amor com o pecador arrependido? Como não “bater palmas”; como não “aclamar a Deus com voz de triunfo” (Sl 47.1)? A renovação espiritual passa inexoravelmente pela adoração ao Senhor, a qual deve ser gerada a partir de músicas e hinos cantados com inteligência, que é a capacidade de compreender e adaptar-se facilmente, o que tem íntima relação com a faculdade de interpretar o que está sendo dito e cantado – a letra da música ou hino.

Abre parênteses: Não existe nenhuma indecência ou desordem em alguém chorar ou sorrir, ou dar brados de glória e aleluia durante o culto a Deus. A desordem e a indecência passam a acontecer quando há descontrole emocional, o que geralmente acontece em ambientes onde há ênfase nesse tipo de adoração. Quando a desordem começou a acontecer no culto dos irmãos em Corinto – a igreja mais avivada do Novo Testamento – o apóstolo Paulo tratou de pôr as coisas em seu devido lugar. Assim, cabe ao pastor da igreja não coibir a espontaneidade por medo da desordem, burocratizando a adoração cristã, mas sim ensinar o ponto de equilíbrio. Cabe a ele coibir os excessos, ensinando os crentes a adorarem ao Senhor com emoções e inteligência, sendo ele mesmo o exemplo dos fiéis. Fecha parênteses.

Liberdade e espontaneidade são marcas de reuniões de igrejas renovadas e avivadas. Glória a Deus porque podemos adorá-Lo num ambiente mais alegre, onde é possível expressar todo amor que sentimos por Deus. Glórias a Deus também porque podemos fazer tudo isso sem sermos indecentes ou desordeiros. O próprio apóstolo Paulo disse que onde o Espírito do Senhor está aí há liberdade (II Co 3.17), assim é possível ser liberto sem ser libertino. Ser renovado por Deus, espiritual e emocionalmente, é uma das consequências de uma adoração dinâmica e alegre, num ambiente saudável e equilibrado. E a música tem papel importante na construção deste ambiente.

A música evangélica precisa ser entendida como uma ferramenta de apoio à renovação espiritual e isso só se dará a partir da compreensão da influência da música sobre a alma humana e da compreensão da Bíblia sobre o uso de hinos já conhecidos e sobre a criação de novas músicas. Somente a partir da comunhão com Deus e do estudo da Palavra haverá discernimento espiritual necessário para compor músicas realmente inspiradas pelo Espírito Santo e somente estas causarão impacto espiritual positivo na vida dos crentes e dos visitantes em nossas igrejas. Com esse objetivo internalizado em nossos corações, não haverá mais tensões, em termos musicais, entre o antigo de Deus e o novo de Deus, mas o antigo e o novo estarão em harmonia, cumprindo o seu papel com perfeição e maestria.

Novamente, comunhão com Deus e estudo incessante das Escrituras são os requisitos mínimos - o minimum minimorum - necessários à vida dos compositores evangélicos para que suas músicas possuam as mesmas qualidades das músicas e hinos antigos. Sem vida com Deus, não há como haver inspiração e sem inspiração, só serão compostas músicas de pouca ou nenhuma qualidade como a imensa maioria disponível no mercado. Enquanto essa triste realidade perdurar, não haverá a produção de nenhum valor espiritual permanente na vida dos crentes a partir destas músicas, apenas impressões emocionais passageiras.

Pense nisso. Deus está lhe dando visão de águia! 

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

RUDIMENTOS DA DOUTRINA DE CRISTO - II: FÉ EM DEUS

POR isso, deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até à perfeição, não lançando de novo o fundamento do arrependimento de obras mortas e de fé em Deus, e da doutrina dos batismos, e da imposição das mãos, e da ressurreição dos mortos, e do juízo eterno. E isto faremos, se Deus o permitir. (Hb 6.1-3)

Continuando o tema da argumentação anterior, "RUDIMENTOS DA DOUTRINA DE CRISTO - I: ARREPENDIMENTO DE OBRAS MORTAS", nesta argumentação será abordado o fundamento da "fé em Deus", do grego "pistis epi Theos". Note que este fundamento está ligado ao anterior, o "arrependimento de obras mortas". Assim, no processo de tornar-se cristão, o homem deve primeiro arrepender-se de suas obras mortas (implicando aqui tudo o que foi abordado anteriormente) e então crer em Deus.

Porque é preciso crer em Deus? Ou crer em Deus com relação a quê?

Ao se deparar com a realidade de suas obras - mortas, e portanto inúteis, perante Deus - o homem vê-se diante de uma situação irremediável do seu ponto de vista. Ora, se todas as obras que o homem produz, por melhores que sejam, estão mortas, então como o homem poderá ser salvo, se tudo o que ele faz é inútil do ponto de vista de Deus? Se o homem nada pode apresentar por si mesmo - nem obras, nem justiça - o que o homem pode fazer para ser salvo de seus pecados?

É exatamente neste ponto que as religiões propõem a saída. Elas propõem como resposta a este dilema espiritual o sacrifício pessoal. Este sacrifício é assim apresentado ao homem como sendo a alternativa válida para suas mazelas. Os mais diversos termos para "sacrifício" são empregados pelas religiões: penitência, passo de fé, trabalho, oferta, etc. O sacrifício, segundo os mestres das religiões, agradam a divindade, atraindo favores e propiciando aceitação pessoal (aplacamento da ira divina, salvação espiritual, progresso espiritual, prosperidade, etc) e isso é um conceito muito antigo. As mais incipientes formas de religião apresentavam em sua teologia o papel do sacrifício por parte do fiel. Por quê? Porque há dois princípios espirituais envolvidos: "transgressão precede a punição" e "punição da transgressão é a morte".

Estes princípios não foram estabelecidos pelo homem, mas por Deus. No Éden, disse Deus: "Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás." (Gn 2.17) Aqui estão ambos os princípios acima: na hipótese de transgressão, de pecado, haverá uma punição e esta punição será a morte. Com isso, a morte entrou no mundo, tornou-se realidade prática na vida de todo o vivente e até mesmo do planeta e do universo. Segundo o autor do livro de Gênesis relata, o que fez o homem para resolver o imenso problema que ele mesmo causou por sua desobediência? Nada; não porque não quisesse resolver, mas porque ele havia se tornado parte (principal) do problema e assim estava incapacitado de fazê-lo. O máximo que o homem conseguiu fazer é se esconder entre as árvores do jardim, vestidos com aventais feitos a partir de folhas de figueira e, depois de achado, tentar transferir a sua culpa.

Abre 1º parênteses: É exatamente isso que o homem faz até hoje, quando sabe que cometeu pecado. Ele primeiro se esconde, evitando a todo custo aparecer em público; ele torna-se um foragido da justiça divina. Depois, ele procura (em)cobrir seu pecado e isso ele faz de várias maneiras. Por fim, quando pego e sem saída, busca transferir a sua culpa, acusando o sistema, a igreja, o diabo, o pastor, o presidente da república, o chefe, a carestia, a falta de emprego, etc. Fecha 1º parênteses.

Note que "a partir daquele momento, o homem passou a ser dominado por Satanás (que significa inimigo). Dominando o homem, Satanás passou a ter poder também sobre o planeta e a ser o deus deste mundo – não por direito como Deus era, mas por ter roubado o domínio pela tentação e pelo pecado". “É muito simples”, Satanás pensou. “Sempre que algum ser humano nascer, será uma moleza: eu o tentarei e o farei submeter-se a mim. Dessa forma, serei o deus deste mundo.” (Asher Intrater, Revista Impacto Nº 66, http://www.revistaimpacto.com.br/ceus-e-terra-no-plano-de-deus)

Usando uma linguagem antropopática, Asher prossegue: "Deus ficou numa “enrascada”. O diabo disse: “Eu o peguei! Você deu a Terra para os homens, não pode voltar atrás com sua palavra e não vai consegui-los de volta, porque posso enganá-los e levá-los a pecar. Agora tenho autoridade sobre este mundo; você pode ser o Deus do Céu, mas eu sou o deus deste mundo e não há nada que o Senhor possa fazer.” Ao ver essa situação, a primeira solução a ser pensada é "livrar-se do problema", o que implicaria em Deus livrar-se do diabo. Porém, ao fazê-lo, Deus teria também que livrar-se do homem.

Já que o homem estava sob domínio de Satanás e nada podia fazer para mudar isso, competia a Deus agir. O que fez Deus, então, ao ver toda sua criação sujeita ao pecado? Ele relatou ao homem caído e ao próprio diabo a Sua Solução: "E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar." (Gn 3.15) Noutras palavras, Deus disse que haveria alguém, descendente da mulher, que esmagaria a cabeça do diabo. Esta promessa ecoou através dos séculos tanto no coração dos homens, quanto no interior do próprio diabo, que tudo procurou fazer para "sujeitar o filho da mulher ao pecado". Quando não conseguiu, o matou, como fez com Abel.

Foi isso mesmo que Satanás tencionou fazer com Jesus. Ele é o descendente da mulher, nascido de mulher, nascido em carne. Ele viveu nesta Terra sem pecado nenhum; Ele venceu todas as tentações do diabo. Mesmo armando diversas ciladas para o Senhor, Satanás jamais conseguiu fazê-lo pecar ou ser morto. O Senhor morreu na cruz não porque o diabo o matou, mas porque era parte do plano de Deus que Ele morresse. Ele mesmo disse: "Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai" (Jo 10.17,18). Como também era parte do plano que Ele descesse ao inferno e tomasse das mãos do diabo as chaves da morte e do inferno e ao terceiro dia ressuscitasse dentre os mortos.

O que significa, então, esta expressão "fé em Deus"? Significa crer que a solução para as obras mortas não está no homem, mas em Deus. Jesus é a Solução de Deus para as Obras Mortas! Aleluia! Esta é a boa nova de Deus, o Evangelho do Senhor! Ele, o Senhor Jesus, "tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si"; Ele foi "ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades", conforme Isaías nos ensina profeticamente. Ele levou sobre Si, na Cruz, todos os nossos pecados, todas as nossas transgressões. Assim, Ele tomou o meu lugar e o seu, querido leitor, morrendo por nós; afinal, esse é o princípio estabelecido - a punição da transgressão é a morte. A morte que Ele morreu era nossa; aquela cruz era a consequência natural para mim e para você, pois fomos nós quem pecamos. O Senhor Jesus jamais pecou; nós, pelo contrário, já fomos gerados em pecado (Sl 51.5) e desde então não fazemos outra coisa a não ser pecar. Mas Ele tomou o nosso lugar, assumiu a nossa pena.

Deste modo, fé em Deus - passo seguinte ao arrependimento das obras mortas - consiste em crer na solução que vem de Deus para nosso estado espiritual decaído, para nossa apostasia, para nossa vida de pecado sobre pecado: na encarnação, na morte e na ressurreição do Senhor Jesus Cristo. Não se trata apenas de reconhecer isto como mero fato histórico, isso não tem nenhum valor espiritual dentro do que estamos abordando; mas reconhecer o propósito de tudo o que foi feito, ou seja, nos salvar dos nossos pecados. "O SENHOR fez cair sobre ele [Jesus] a iniqüidade de nós todos. [...] O castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados." (Is 53.5,6) O pecado é pessoal, assim o arrependimento e a fé em Deus também é algo pessoal. É impossível se arrepender ou crer por outra pessoa, como se pudessemos ser representantes de outrem. É algo que cada um precisa fazer, individualmente.

Portanto, Jesus foi dado por Deus por mim. Deus deu o Seu Único Filho porque Ele me amou, apesar da minha multidão de pecados. Esse gesto de Deus - dar o Seu Único Filho - compreende o nascimento de Jesus em carne e compreende a Sua morte na cruz. Nasceu, viveu, morreu e ressuscitou por mim. Quando creio com todo o meu coração nessa Verdade, eu então recebo Jesus como Meu Único e Suficiente Senhor e Salvador pessoal. "Aceitar Jesus", termo popular nas Igrejas Evangélicas, nada mais é do que aceitá-Lo como a Solução de Deus para minha vida; como pode ser facilmente visto, implica em mais do que repetir uma oração, atender um apelo, ou coisas do tipo. Quando recebo Jesus em minha vida, Ele me perdoa por meus pecados, me dá a Sua justiça e passa a fazer parte da minha vida, na Bendita Pessoa do Seu Espírito. Vivo com Ele nesta Terra e, quando morrer, me encontrarei com Ele no céu, onde viverei para sempre ao Seu lado.

E você, já foi salvo pelo Senhor, à luz de tudo o que foi ensinado até agora? És salvo, sabendo agora tudo o que isso implica? Se não é, não perca mais tempo! Hoje é o dia! 

Na próxima argumentação, permitindo Deus, abordaremos a doutrina dos batismos. Até lá! Lembre-se: Deus está te dando visão de águia!