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quarta-feira, 6 de agosto de 2014

FALTOU O CONHECIMENTO, SOBROU A ESPECULAÇÃO


"Eis que o meu povo está sendo arruinado porque lhe falta conhecimento da Palavra."(KJAP)
"O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento." (BP)
(Os 4.6a)

Destruição, ruína, perecimento... é a situação do povo de Deus, nas palavras de Oséais. Tudo porque faltou ao povo de Deus o conhecimento; não um conhecimento qualquer, mas o conhecimento de Deus! Quando continuamos a ler esta passagem, vemos que Deus responsabiliza diretamente o sacerdote porque este rejeitou o conhecimento de Deus. Assim, ambos - sacerdotes e o povo - rejeitaram o conhecimento; Deus vai justamente rejeitá-los. Esqueceram-se a lei de Deus; nem a desejaram nem se esforçaram para mantê-la na mente, e transmiti-la a lembrança de sua posteridade; por isso, Deus vai justamente esquecê-los e seus filhos. 

Como conhecer a Deus? Ora, pela Sua Palavra! O próprio texto de Oséias é muito claro nesse sentido, ligando a falta do conhecimento de Deus à rejeição por sua Lei. Porque eles, o povo de DEUS, rejeitaram a Lei de DEUS, então estavam sendo destruídos. Eles são destruídos por falta da Palavra de Deus, pois o verdadeiro conhecimento de Deus é a vida da alma, a verdadeira vida, a vida eterna, como diz o nosso Salvador: "Esta é a vida eterna: que te conheçam a ti, único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste." (Jo 17.3) Nosso Senhor nos ordenou: "Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam" (Jo 5.39). 

Hoje, vivemos exatamente os mesmos dias de Oséias. O povo de Deus - sacerdotes e povo (no conceito típico do meio evangélico atual) rejeita fortemente as Escrituras, a Bíblia, como base para o exercício da fé cristã. Os "sacerdotes" (clero evangélico) rejeitaram a Bíblia. Se - e quando - é citada nos cultos, é fora de contexto, servindo apenas como pretexto para ratificar as práticas do sacerdote ou da denominação a que pertence. A mensagem da cruz foi trocada por uma mensagem de auto-ajuda psicologizada, com forte carga emocional e apelativa, com ênfase financeira derivada de uma teologia monetarizada, buscando assim cativar e manter pessoas. Estas, por sua vez, não tem nenhum interesse em ler a Bíblia e conhecê-la (apesar da imensa facilidade em se conseguir uma). Com a desculpa de considerá-la "difícil de ler", "rebuscada", etc., as pessoas no geral preferem que alguém as diga o que fazer - isso se for do interesse, é claro - do que elas mesmas buscarem O Caminho e conferirem as mensagens pregadas. Assim, preferem ouvir um líder carismático falar sobre "como ficar rico em 10 semanas", "como vencer Mamom e Limom dando o seu tudo para deus", "hedonismo cristão - como alcançar essa bênção", etc. - e sequer LER A BÍBLIA para ver se é assim mesmo - do que ouvir sobre pecado, inferno, vida e morte eterna, santificação, caráter cristão, etc. 

Assim, sacerdotes e povo seguem... seguem sem Deus, rejeitando a Deus e Sua Palavra... seguem o caminho errado, nada parecido com o caminho ensinado por Cristo e por seus apóstolos (Pedro, Paulo, João, etc). Quem estuda a Bíblia e "lê" o meio evangélico moderno, facilmente percebe que não são equivalentes. Facilmente vê que não são compatíveis; é como tentar encaixar um cilindro num espaço com a forma quadrada. Ao contrário: quem estuda a Palavra facilmente percebe que as mesmas coisas que a Bíblia combate, considerando-as como erro, como apostasia da fé, são exatamente as mesmas coisas que são praticadas hoje! São pessoas perdidas, desorientadas biblicamente! 

Sei que mesmo assim há gente séria, que tenta ainda buscar ao Senhor, mesmo estando debaixo de um sacerdócio que rejeitou a Bíblia. Existe povo de Deus em muitos lugares, até naqueles onde Deus não está, onde Ele não habita. Isso acontece porque o Espírito Santo, que é Deus, é ilimitado em Suas ações e ministério, convencendo o homem do pecado, da justiça e do juízo onde quer que este homem esteja. Ele não fala de Si mesmo - ainda que pudesse fazê-lo - mas anuncia a Cristo ao homem: "Mas, quando vier aquele, o Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir. Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar." (Jo 16.13,14) Até mesmo em lugares que se enquadram espiritualmente como Babilônia é possível encontrar povo de Deus (Ap 18.4).

Ministerialmente, sem falsas modéstias - que são, na verdade, hipocrisia - tenho zelo pelo conhecimento da Palavra, tanto meu, como pastor, como do rebanho que pastoreio. A Igreja a que pertenço tem essa característica: levamos a Deus e a Sua Palavra muito a sério. Culto após culto, reunião após reunião, seguimos pregando a Palavra de Deus e exortando os crentes a conhecerem e viverem as verdades das Escrituras. Ensinamos a Palavra como Verdade Absoluta de Deus para o homem, não mercadejando com ela, nem manipulando-a ou suavizando-a para atrair pessoas. A Palavra de Deus é o que é, porque Deus é o que é - Ele é, era e há de ser, o Princípio e o Fim, o Alfa e o Ômega da Igreja e de toda a Criação! Temos em funcionamento no RJ um Seminário Bíblico-Teológico, com mais de 10 anos de existência, num curso presencial nível bacharel (curso livre) com duração de 06 (seis) anos (atualmente com 09 alunos matriculados) todo em material próprio (apostilas); em Volta Redonda, nossa filial, temos uma extensão do Seminário, com ensino a distância, e um Curso de Preparação Profética Intensiva (CPPI), onde estuda-se as Escrituras de forma profunda e detalhada!

Domingo passado, uma ovelha minha veio a mim, perguntando-me acerca dos últimos acontecimentos do meio evangélico moderno. Perguntou-me sobre uma polêmica atual do meio evangélico brasileiro, ligada a construção do "templo de Salomão" pela Universal. Segundo ele, havia uma polêmica circulando na mídia, dizendo que o anticristo iria usar esse templo. Daí, ele queria saber que história era essa; ele sabia que aquilo estava errado, mas corretamente buscou seu pastor e mestre para conferir. "Como assim, pastor?" Bem, fui atrás da tal polêmica, para me familiarizar com ela, a fim de poder responder a amada ovelha. Fui atrás e achei a fonte de tudo: segundo uma matéria publicada no site "Gospelmais", fiéis da Igreja Universal afirmavam que réplica do Templo de Salomão, construído recentemente pela denominação, será o local de “assentamento do anticristo” (link da matéria: http://goo.gl/acJ3O. Acesso em 06/08/14, às 16h25min). A notícia tem como base o texto publicado no blog "Evangelista da IURD" (link: http://evangelistasdaiurd.blogspot.com.br/2013/01/a-profecia-revelada-templo-de-salomao.html . Acesso em 06/08/14, às 16h25min)

Analisei a postagem publicada no blog "Evangelista da IURD". Se, por um lado, ela tem mérito na tentativa de buscar na Bíblia a verdade, por outro lado ela falha na interpretação correta dos textos bíblicos citados. São muitos os erros crassos ligados à interpretação básica, à cultura bíblica mínima. Se houve boa intenção em trazer despertamento, por outro lado o autor precisa estudar mais a Palavra, de forma a não cometer os erros de hermenêutica e exegese bíblicas apresentado em sua postagem.  Proponho o seguinte: vamos colocar os "pingos nos is". Vamos analisar texto bíblico com o seu contexto, sempre, porque é assim que um crente deve estudar a Palavra. Vamos deixar de lado os chutes, as especulações, as teorizações da própria cabeça. Vamos para a Bíblia!

Portanto, comecemos a partir do mesmo ponto. Vejamos o que o Evangelista Marcos sobre o assunto: "Ora, quando vós virdes a abominação do assolamento, que foi predito por Daniel o profeta, estar onde não deve estar (quem lê, entenda), então os que estiverem na Judéia fujam para os montes." (Mc 13.14). Note que o texto não diz que algo está "fora de lugar", mas sim que está no lugar onde não deveria estar. Apesar de parecer, não é a mesma coisa. Uma coisa fora de lugar pode, eventualmente, ficar nesse lugar. Por exemplo, um pé de sapato solto de seu par, noutra prateleira, dentro da sapateira está fora de lugar, mas nada impede que fique desse jeito. Contudo, algo que está no lugar onde não deveria é algo que está num lugar proibido para aquela coisa. Por exemplo, uma barata dentro do pote de açúcar. Percebeu a diferença? Então sigamos em frente. Conforme esse texto, o que está no lugar onde não deveria? A resposta é "abominação do assolamento" (ou abominação da desolação, ou desoladora, etc., refere-se a mesma coisa). Assim, é a abominação do assolamento que está no lugar onde não deveria estar. Ok? 

Será que existe nos evangelhos sinóticos outras passagens semelhantes? E o restante da Bíblia, tem algo a dizer sobre o assunto? Precisamos verificar, afinal na Bíblia não há contradições doutrinárias. O ensino de um livro bíblico não se choca com o ensino de outro livro bíblico. "Quando, pois, virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar santo; quem lê, atenda". (Mt 24.15) Opa! Aqui temos uma dica importante: Jesus cita a predição de Daniel quando se refere a abominação da desolação, a qual está no lugar santo. Ora, se há abominação no lugar santo, ficou óbvio o porque Marcos afirma que esta abominação está no lugar onde não deveria!

Já que o Senhor citou Daniel, vejamos o que esse livro tem a dizer: "E estarão ao lado dele forças que profanarão o santuário, isto é, a fortaleza, e tirarão o holocausto contínuo, estabelecendo a abominação desoladora." (Dn 11.31) Olhando para este texto, a abominação desoladora (ou da desolação, se preferir) é estabelecida no lugar de alguma outra coisa. Qual? O próprio texto responde: o holocausto contínuo. O que é esse holocausto? Holocausto é um dos tipos de ofertas estabelecidas por Deus nos Livros de Êxodo e Levítico, no Antigo Testamento. O holocausto era um sacrifício que estava completamente queimado. Nada dele era comido, e então o fogo consumia o sacrifício inteiro. Nele, o adorador israelita trazia um animal masculino (um touro, cordeiro, cabra, pombo, ou rola, que dependem da riqueza do adorador) para a porta do tabernáculo. O animal devia ser sem defeito. Os sacerdotes eram responsáveis por lavar as várias partes do animal antes de colocar sobre o altar, que ficava no santuário.

Logo, como a abominação desoladora é estabelecida em substituição ao holocausto contínuo, conclui-se essa abominação desoladora está sendo oferecida no altar de holocausto. Fica muito óbvio novamente o porquê Marcos afirmar que esta abominação está no lugar onde não deveria: porque ela está sendo oferecida no altar de Deus! Perceba que, deste modo, o que está fora de lugar não é o Templo, como diz a postagem; mas sim a abominação.

Por outro lado, em nenhum lugar diz que esse templo, que será alvo de tamanha profanação, é o Templo de Salomão. O templo de Salomão foi aquele que foi construído por Salomão, conforme registrado no Livro de II Crônicas. Esse Templo foi pilhado e destruído na invasão Babilônica: "Porque fez subir contra eles o rei dos caldeus, o qual matou os seus jovens à espada, na casa do seu santuário, e não teve piedade nem dos jovens, nem das donzelas, nem dos velhos, nem dos decrépitos; a todos entregou na sua mão. E todos os vasos da casa de Deus, grandes e pequenos, os tesouros da casa do SENHOR, e os tesouros do rei e dos seus príncipes, tudo levou para Babilônia. E queimaram a casa de Deus, e derrubaram os muros de Jerusalém, e todos os seus palácios queimaram a fogo, destruindo também todos os seus preciosos vasos. E os que escaparam da espada levou para Babilônia; e fizeram-se servos dele e de seus filhos, até ao tempo do reino da Pérsia." (II Cr 36.17-20) O Templo que foi reconstruído em seu lugar é o chamado "Segundo Templo", após o retorno do cativeiro na Babilônia, sob orientação de Zorobabel. O templo começou com um altar, feito no local onde havia o antigo templo, e suas fundações foram lançadas em 535 a.C.. Sua construção foi interrompida durante o reinado de Ciro, e retomada em 521 a.C., no segundo ano de Dario I. O templo foi consagrado em 516 a.C.. Diferentemente do Primeiro Templo, este templo não tinha a Arca da Aliança, o Urim e Tumim, o óleo sagrado, o fogo sagrado, as tábuas dos Dez Mandamentos, os vasos com Maná nem o cajado de Aarão. A novidade deste templo é que havia, na sua corte exterior, uma área para prosélitos que eram adoradores de Deus, mas sem se submeter às leis do Judaísmo.

Nos quinhentos anos desde o retorno, o templo havia sofrido bastante com o desgaste natural e com os ataques de exércitos inimigos. Herodes, querendo ganhar o apoio dos judeus, propôs restaurá-lo. As obras iniciaram-se em 18 a.C., e terminaram em 65. O segundo templo foi destruído pelos romanos, através de Tito, no ano 70 depois de Cristo.

Quando é que vai se dar esta abominável desolação? A última semana de Daniel, ou a septuagésima semana de Daniel, é justamente esse período que se aproxima, chamado de Grande Tribulação. Que vai acontecer logo depois do arrebatamento da Igreja. A Igreja vai ser tirada da terra; e quando a Igreja for tirada da terra, o Anticristo assume o comando. E este elemento, quando assumir o comando, ele vai ser recebido justamente pelos judeus, que vão dar as boas vindas para ele como o Messias. Os judeus andarão de braços dados com o Anticristo sem saber, porque ele vai trazer soluções extraordinárias para o mundo. Mas quando chega no meio dessa tribulação, dessa semana (de anos), conforme disse Daniel, ele vai quebrar o pacto, fará cessar o sacrifício, e vai colocar a abominável desolação.

Então ao termo dos primeiros três anos e meio da Grande Tribulação, isto é, no meio desse período, o Anticristo simplesmente vai entrar no santuário, em Jerusalém, vai remover o sacrifício contínuo dos judeus e vai colocar ali uma abominável desolação. Possivelmente fazer o que Antíoco Epifânio fez, colocando uma porca no altar de sacrifício (lembre-se que porco é um animal considerado imundo segundo o livro de Levítico) e/ou uma imagem do anticristo sobre o altar, a exemplo do que também fez Antíoco erguendo uma imagem do deus pagão Zeus Olímpico sobre o altar do holocausto. O Anticristo entrará no templo judeu, que então terá sido reconstruído em Israel, já que não existe atualmente. Ele proibirá o sacrifício contínuo (diário) e colocará no Templo (a “fortaleza”) algo denominado “a abominação desoladora”. Note que forçosamente é preciso que, segundo a Escatologia Bíblica (que leva em conta o livro de Apocalipse, de Daniel e outros) o Templo seja reconstruído em Israel (não no Brasil) na primeira metade da grande tribulação (Dn 9.27; II Ts 2.4,9).

Segundo Arno Froese, "fazemos bem em compreender que os sinais do final dos tempos dados pelo Senhor são especificamente direcionados a Israel. Quando Jesus explicou os eventos dos tempos finais a Seus discípulos juntamente com os sinais que aconteceriam antes de Sua volta, Ele endereçou essas palavras ao povo de Israel." (http://www.chamada.com.br/mensagens/sinal_do_fim.html)

Pastor, e quanto ao templo construído no Brasil? Bem isso é outra história. De antemão, afirmo que nada tem de especial no sentido espiritual, como se fosse mais poderoso ou sobrenatural do que qualquer galpão alugado onde funciona uma Igreja genuinamente evangélica. Trata-se de uma construção que buscou representar aquilo que um dia existiu enquanto estrutura física, porém que jamais representará a estrutura espiritual, conforme registrado em Crônicas. Vivemos hoje na Nova Aliança, onde Jesus é o centro; onde todas as liturgias, símbolos e tipos do Antigo Testamento foram Nele cumpridos e, com isso, tornaram-se obsoletos e inapropriados no relacionamento entre Deus e os homens. Por exemplo, em Cristo foi abolida a circuncisão, os sacrifícios de holocausto, etc. Em Cristo, vivemos não a Lei, mas a Graça.

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

Um comentário:

  1. Percebo que há uma forçação de barra para se encaixar a Bíblia naquilo que se deseja asseverar como verdade. E quando isso acontece, surgem coisas medonhas, explicações sem pé e sem cabeça. Como se não bastasse a construção do templo, ainda surgem alguns pretendendo ser sábios, falando "abobrinhas".

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