sábado, 23 de junho de 2012

PROVADOS POR DEUS!

"Estou passando pela prova", "a prova tá difícil!", etc são algumas expressões outrora comuns no meio evangélico antigo, do século passado, especialmente em voga na década de 80/90, a "golden age" do evangelicalismo brasileiro. Uma época onde o cristão evangélico, de forma geral, buscava ser leal em sua procura pela graça de Deus, a fim de ser fiel à revelação que Deus fez de si mesmo em Cristo e nas Escrituras. Naqueles dias, não havia confusão entre a fé evangélica e uma visão peculiar ou  esotérica da fé cristã. Não era uma inovação recente. A fé evangélica era o cristianismo original, bíblico e apostólico.

O que significa ser provado por Deus? Significa basicamente um crente em Cristo, fiel ao Senhor, vivenciar uma ou mais privações ou situações adversas de intensidade considerável, por um período de tempo determinado pelo Senhor, com o objetivo de evidenciar, na vida do crente, uma ou mais características ligadas a sua fé (perseverança, dependência em Deus, paciência, fidelidade, domínio próprio, etc).

Na Bíblia, em diversos episódios, vemos Deus colocando à prova seus servos. Por exemplo, Deus conduziu o seu povo, Israel, pelo deserto por 40 anos, por uma caminho circular saindo do Egito em direção à Terra Prometida, quando simplesmente podia tê-los guiado numa linha reta. Por que? A própria Bíblia responde: "E te lembrarás de todo o caminho pelo qual o Senhor teu Deus tem te conduzido durante estes quarenta anos no deserto, a fim de te humilhar e te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias ou não os seus mandamentos." (Dt 8.2) O propósito de Deus era provar o Seu povo, de forma que cada pessoa (e não Deus, que é onisciente, ou seja, tem  todo o conhecimento) visse, na realidade, o estado do interior do seu coração quanto à fidelidade ao Senhor. Eles precisavam ver o seu real estado espiritual, cada um deles,  fim de que pudessem buscar ao Senhor para tratamento de suas mazelas. Afinal, o médico só é procurado quando sabemos que estamos doentes ou que potencialmente podemos ficar doentes. O propósito de Deus era fazer bem a eles! (8.16)

No período de Juízes, vemos mais uma vez colocando Seu povo à prova. Ele fez isso a partir das nações gentílicas, extremamente malignas, que não foram desterradas por Israel conforme o Senhor ordenara. Josué havia deixado que estas nações ficassem naquela terra e essas nações influenciaram negativamente o povo de Deus, os quais passaram a servir aos falsos deuses (baalins e astarotes) daquelas nações, sendo por elas subjugado em escravidão e violência. Eles então clamavam ao Senhor e este, ouvindo o clamor, se compadecia deles e levantava juízes para os livrar. Porém, quando aquele juiz morria, o povo, uma vez livre, voltava a cair novamente no mesmo erro, no mesmo pecado. Juízes 2:19 nos mostra isso com muita clareza: "Mas depois da morte do juiz, reincidiam e se corrompiam mais do que seus pais, andando após outros deuses, servindo-os e adorando-os; não abandonavam nenhuma das suas práticas, nem a sua obstinação". Daí, "se acendeu contra Israel a ira do Senhor, e ele disse: Porquanto esta nação violou o meu pacto, que estabeleci com seus pais, não dando ouvidos à minha voz,  eu não expulsarei mais de diante deles nenhuma das nações que Josué deixou quando morreu;  a fim de que, por elas, ponha a prova Israel, se há de guardar, ou não, o caminho do Senhor, como seus pais o guardaram, para nele andar." (Jz 2.20-22)

É preciso deixar bem claro que provação não é tentação. Deus a ninguém tenta, é o que diz a Bíblia; cada um de nós é tentado por nossas próprias concupiscências, por nossas cobiças interiores. Na prova, as nossa real natureza surge, aflora, ficando evidente o nosso real estado espiritual; nesse processo, fica muito claro quais são as nossas dificuldades interiores, as nossas tentações, as quais devemos orar e resistir para não cairmos em pecado e em condenação. Tiago declara: "Ninguém, sendo tentado, diga: Sou tentado por Deus; porque Deus não pode ser tentado pelo mal e ele a ninguém tenta.  Cada um, porém, é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência;  então a concupiscência, havendo concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte." (Tg 1.13-15)

O objetivo final da prova é, invariavelmente, sermos aprovados por Deus - quer naquela prova específica, quer num contexto mais amplo - ainda que nem sempre o crente obtenha a aprovação. Todas as coisas cooperam para o nosso bem, inclusive as provas. Sobre isso, Tiago declara: "Bem-aventurado o homem que suporta a provação; porque, depois de aprovado, receberá a coroa da vida, que o Senhor prometeu aos que o amam." (Tg 1.12) Provação, aqui do grego "peirasmos", "colocado à prova" (pela experiência do bem, pela experiência do mal, solicitação, disciplina ou provocação, adversidade) é algo que traz bênção, que traz felicidade, para aqueles que obedecem, suportam, perseveram pacientemente a prova. A recompensa da prova, aqui revelada, é tanto presente quanto futura; o homem que se mantém firme é verdadeiramente feliz agora, mas também receberá a coroa da vida.

Se você, querido(a) leitor(a), é um crente fiel, você será posto(a) em prova. Se você deseja mais de Deus, se você quer aumentar a sua fé, ou quer ser mais semelhante ao Senhor Jesus em seu caráter e vida, saiba que há uma prova (ou mais) reservada para você. Deus provará você e, durante a prova, será revelado aos seus olhos com toda clareza as áreas de sua vida que você precisa entregar nas mãos do Senhor, aquelas que você ainda não submeteu ao senhorio do Cristo. A luz gerada pelo fogo da provação iluminará todas as áreas de sua vida, revelando aquilo que até então estava oculto aos seus olhos, aquilo que você sequer considerava como importante. A prova é fácil? Não, não é. Sofrer privação, especialmente num mundo onde a abastança e a passividade são ensinados como ideais para uma vida próspera e feliz, onde o sucesso de alguém é medido por sua estabilidade social e econômica, se revela como algo muitíssimo ruim e doloroso. Não são poucos aqueles que diante da prova cogitam intensamente em "entregar os pontos" e "dar um jeitinho" para resolver a situação; infelizmente, muitos são os que não resistem e assim agem, sendo reprovados por Deus. Na prova, a nossa velha natureza agita-se, buscando a todo custo livrar-se desse estado. Isso é comum. Porém, ceder a estes impulsos, utilizando-se de subterfúgios anticristãos, não é o "padrão de resposta" que Deus espera de cada um de nós.
   
A prova traz consigo abundância de lágrimas; ela deve produzir em nós abundância de orações intensas, de busca incessante de Deus e de renovação e estreitamento da comunhão no Corpo. Fugir da prova é impossível; você só poderá ser aprovado ou reprovado, nunca evitar a prova. Assim, se você está sendo provado(a) por Deus, entregue-se imediatamente nas mãos Dele, em orações e súplicas no Espírito Santo. Essa prova não vai destruir a sua vida, nem arruinar os seus sonhos e projetos. Ela vai aperfeiçoar a sua vida! Isso mesmo: a prova serve para seu treinamento para a Obra de Deus. Ela ensina, na prática, aqueles valores e caráter grandiosos que todos nós devemos possuir, como a humildade. Somente debaixo da potente mão de Deus é que vemos a nossa pequenez, a nossa fragilidade e a inutilidade e loucura da soberba e do orgulho. São nesses momentos que aprendemos, na prática, que aquele que se orgulha é falto de entendimento, de juízo.  Do mesmo modo, aprendemos que a Igreja tem um papel primordial em nossa vida cristã, pois é nela que recebemos o consolo do Espírito a partir da comunhão com nossos irmãos; é nela que somos fortalecidos pelas
orações e pela Palavra de Deus, é nela que tudo o que outrora parecia estranho passa a fazer sentido diante dos nossos olhos.

Amado(a), se você está passando pela prova, não resista a Deus. Saiba que essa prova tem duração definida e que ao final dela o Senhor trará a Sua bênção sobre sua vida. Se, porém, você foi provado e fracassou, volte para o Senhor, quebrantado e contrito; volte para a Casa de Deus, para a comunhão da Igreja. Permita-se novamente ser exortado e edificado por Deus a partir daqueles que Deus instituiu verdadeiramente na Sua Casa para este mister. Você foi reprovado, mas não foi rejeitado, assim como Israel muitas vezes foi reprovado por Deus, mas jamais e em momento algum foi ou será rejeitado pelo Senhor. O Senhor ama Seu povo Israel e eu e você, crentes gentílicos, somos parte do Israel de Deus. Venha, com mágoas e feridas, venha com frustrações e desapontamentos, mas venha! Não importa se você se considera um galho seco, pois o Senhor pode fazer você florescer novamente!

Ofereço para você a mensagem musical abaixo:




Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

terça-feira, 12 de junho de 2012

LIBERDADE E AMOR, PROPÓSITOS DE DEUS PARA O HOMEM

Por: Sem. Dc. Manoel Guimarães


Nenhum ser humano foi feito para sofrer, apanhar ou ser subjugado por outra pessoa. Deus nos fez para sermos livres, alegres, certos que toda liberdade vem d’Ele. O ato de ser livre, ir, vir, agir, pensar, se portar, se vestir, falar, expressar suas opiniões é algo criado por Deus e é para todos. Claro, tudo com decência e ordem.
Algo que foi esquecido pelas pessoas é o amor. Vemos que pela Palavra de Deus, no texto de 1 Corintios 13, o apóstolo Paulo nos falar que o amor é dom Supremo, sim, claro, de certo que sem amor para fazer qualquer coisa, nada será tão bom quanto poderia ser se fosse feito com amor.
Veja, se você cria seus filhos sem amor, sem segurança, respeito, como poderá exigir deles que te respeitem e te amem como merece!?!
Como poder pedir de alguém o amor se essa pessoa não conhece o que é amor? Como dar amor se nunca recebeu amor? Como querer ser amado se você não ama? O que é o amor? Quem é o amor?
Mateus 24 verso 12 nos fala: “e por se multiplicar a iniquidade (PECADO) o amor de muitos se esfriará”. O que é que você vê hoje na sua sociedade???
Saiba, Deus não te fez para ser capacho ou saco de pancadas, Ele disse que nós somos “a menina de Seus olhos”, que somos filhos, que somos herdeiros com Cristo, que não fomos criado para sofrimento.
Precisamos entender que sem amor nada de bom, de positivo, de duradouro acontece. Eu amo minha vida? Eu amo meus filhos? Eu amo meu trabalho? Eu amo meu casamento? Eu me amo?
A Bíblia nos ensina muito sobre relacionamentos, sobre casamento, sobre como ser (e por conseguinte agir) no nosso trabalho, de como agir com nossos filhos, de como tratar a vida conjugal, de como lidar com o pecado, de como resistir às tentações, de como amar; fala sobre diversos homens que passaram por inúmeras situações da vida e que acertaram e erraram muitas vezes. Mas o amor de Deus não se anulou na vida deles e também não se anulou na sua vida, mas sim, Ele sim é o maior interessado na sua felicidade, Ele é o maior interessado em realizar seus sonhos, em te dar o melhor desse mundo, em te completar.
Veja, você já deu tanta chance a diversas coisas, deu chance a pessoas que te magoaram, que te enganaram, que te fizeram chorar, já deu chance ao pecado... porque você não dá uma chance a Jesus para mudar sua vida? Ele sim, eu sei que jamais te magoaria! Somente em Jesus você encontrará a graça e a paz necessárias para o seu viver, trazendo plenitude de liberdade e alegria no Espírito Santo!
Deus está a sua espera, o que falta para você vir a Ele?
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

sexta-feira, 18 de maio de 2012

AQUI SE FAZ... MAS ONDE SE PAGA?


“Aqui se faz, aqui se paga”. Esse é um dos ditados populares mais utilizados, sempre referindo-se às conseqüências negativas a serem imputadas sobre uma pessoa em razão de seu comportamento, entendido como negativo segundo os padrões individuais de conduta, segundo a justiça própria de cada pessoa. Em geral, quem utiliza esse tipo de expressão não crê num julgamento divino ou destino eterno, preferindo acreditar que Deus – ou o destino, ou Força Maior - julga “aqui e agora” todos segundo suas ações, fazendo da vida terrena uma espécie de “purgatório dos vivos”, onde cada pessoa sofre as conseqüências de suas atitudes e é assim purificada por estes sofrimentos, estando então apta, após a morte, para entrar no descanso eterno.

Inicialmente, é importante deixar claro que, de fato, todas as ações que praticamos em vida trazem conseqüências sobre nós mesmos, ou até sobre as pessoas que estão próximas a nós, as quais serão experimentadas ainda nesta vida. Um pai que não ama seu filho terá sobre si mesmo as conseqüências do seu desamor, mas seu filho também experimentará os frutos amargos dessa atitude de seu pai. As conseqüências são diferentes é claro, mas as conseqüências inevitavelmente virão sobre todo ser humano a seu tempo. Deste modo, encontramos uma lei universal: a Lei da Semeadura e da Ceifa. 

Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará. Porque o que semeia para a sua própria carne da carne colherá corrupção; mas o que semeia para o Espírito do Espírito colherá vida eterna. E não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo ceifaremos, se não desfalecermos. (Gl 6.7-9) A Lei da Semeadura e da Ceifa é uma lei universal; ela abrange todas as ações de todos os seres existentes no mundo, tanto visível quanto invisível, tanto material quanto imaterial (espiritual). O apóstolo Paulo, escrevendo aos Gálatas, nos mostra que essa Lei deriva-se da Justiça e da Santidade de Deus – “de Deus não se zomba”, é o que o apóstolo afirma. Isto é, ninguém jamais cometerá alguma ação impunemente, sem colher as justas conseqüências sobre seus atos; isso seria o mesmo que zombar de Deus! Ninguém jamais poderá debochar de Deus, dizendo: “fiz o que bem quis, e saí impune; nem Deus foi capaz de me julgar!” Para toda ação, sempre haverá uma reação!

Assim, o homem até hoje colhe as terríveis conseqüências de sua escolha maliciosa e auto-suficiente no Éden. Ao homem, Deus disse: “E ordenou o SENHOR Deus ao homem, dizendo: [...] Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás (Gn 2.16a,17). O homem não quis dar ouvidos à solene ordem de Deus e assim desobedeceu, comendo o fruto proibido. Essa foi a ação do homem. Essa ação não passou impune, pois as conseqüências logo surgiram: a terra tornou-se maldita, a concepção e desejo da mulher foram afetados e a morte entrou no mundo. O homem morreu como disse Deus? Sim, morreu espiritualmente e passou a um estado mortal do ponto de vista físico. 

Abre parênteses: O domínio do homem sobre sua mulher é conseqüência do pecado cometido, como facilmente se lê em Gn 2.16. A conclusão lógica é que antes do pecado, antes da queda, a relação homem-mulher não era uma relação de domínio, mas de co-igualdade. O domínio do homem estendia-se à criação física, aos animais do campo, as aves do céu, mas não à sua companheira. Hoje, há muitos pastores e mestres ensinando que a mulher convertida deve estar “submissa” ao marido cristão, o que é correto; porém esta submissão, tal qual ensinam, não é submissão, mas sim dominação. Com isso, acabam estes mestres invertendo a Palavra de Deus, fazendo com que as relações marido-mulher retrocedam ao Éden pós-queda, ao invés de ensinarem que em Cristo estas relações voltam-se à Cruz, exatamente como Paulo ensina em Efésios. Fecha parênteses.
 
Portanto, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens por isso que todos pecaram.” (Rm 5.12) Novamente, nos ensina o apóstolo Paulo que as consequencias da atitude de Adão no Éden não ficaram restritas apenas àquele primeiro homem. Elas se estenderam a todos os homens, pecado e a morte. Toda raça humana tornou-se pecadora, assim como toda raça humana possui sobre si mesma a terrível consequencia por seus pecados: a morte, tanto física, quanto espiritual e, dependendo, até mesmo eterna. 

Abre parênteses: A morte física é a separação da alma e do espírito do corpo; a morte espiritual é a separação do homem de Deus e a morte eterna é a separação eterna do homem de Deus. Fecha parênteses.
 
Note que isso não exclui o fato de que a Terra, moradia do homem, está ainda debaixo de maldição. O pecado cometido a amaldiçoou, e esse estado permanece até hoje e permanecerá até a redenção final da criação ao Seu Supremo Criador. Por causa disso, vivemos num mundo repleto de perigos mortais, de vírus e bactérias e outros agentes microscópicos perigosíssimos, capazes de matar o homem ou de causar-lhe sérias deformidades. Haja vista, por exemplo, o vírus da poliomielite, podendo ocasionar a destruição de neurônios motores gerando a paralisia flácida dos músculos por eles inervados (“paralisia infantil”). Isso pode ser chamado de morte em certo sentido, uma vez que separa a vida da plena saúde. É preciso entender aqui que a morte, por habitar em nós, causa-nos uma série de degenerações físicas e biológicas, afetando os mecanismos mais básicos do nosso corpo e assim a nossa existência. Infertilidade (por alterações na morfologia e mobilidade dos espermatozóides ou mesmo por dificuldades na ovulação), o câncer, a diabetes, o glaucoma e outras doenças são, em última análise, conseqüência direta da atitude rebelde do homem no Éden. Do mesmo modo, figuram as más-formações congênitas, com os mais variados defeitos físicos. 

Abre parênteses: o espiritismo postula que os defeitos físicos são o resultado de erros em vidas passadas por parte daquela pessoa. Assim, se alguém sofre com um aleijão em seu corpo isso se deve, segundo o espiritismo kardecista, em crimes ou maldades cometidas por aquela pessoa noutra encarnação. Daí, segundo postulam, aquela pessoa estaria recebendo as conseqüências por seus erros noutra encarnação, a fim de se purificar e poder tornar-se mais evoluído. Contudo, a Bíblia Sagrada, Palavra de Deus para os homens, nos ensina que (1) não existe reencarnação ou pluralidade de vidas; (2) os erros cometidos por alguém ou são perdoados por Cristo ou então acompanham a pessoa até o julgamento da mesma por Seu Criador (Hb 9.27; Ap 20, etc). Crer como ensina Kardec é crer contrário ao que ensina a Bíblia, é crer de forma contrária a fé cristã bíblica e genuína, é crer em heresia. Fecha parênteses.  

Porém, se as conseqüências dos nossos pecados nos acompanham enquanto ainda estamos vivos – e isso se dá desde o Éden, como já foi dito – é preciso considerar, ainda, o resultado desses pecados quando o homem morre. A morte não é o fim da existência humana; tampouco é um estado de bem-aventurança eterna independente daquilo que o homem tenha feito em vida. A morte física é apenas uma passagem para um novo estado: ou para um estado de vida eterna ou para um estado de morte eterna. O que acontece quando alguém morre fisicamente? A Bíblia nos ensina que há uma separação da parte material da espiritual, das quais é composto homem. A parte material – o corpo – fica nesta Terra, aguardando o dia em que será ressuscitado (corpo reunido novamente a parte espiritual) por Deus (ou na ressurreição dos justos – I Ts 4.16 ou na ressurreição dos ímpios – Ap 20.13). Já a parte espiritual – alma e espírito – tem destino diverso, dependendo daquilo que foi feito enquanto na vida terrena. 

O espírito, que é a parte imaterial do homem responsável pela comunicação deste com o Seu Criador e com o mundo espiritual volta para Deus, quem o criou. Já a alma, que é a parte imaterial do homem onde reside sua vontade, intelecto, emoções, etc., ou o homem em si mesmo, pode ou ir para um lugar de descanso eterno ou para um lugar de tormento, onde ficará aguardando a ressurreição para condenação final. Esse é o ensino de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo: “E aconteceu que o mendigo morreu, e foi levado pelos anjos para o seio de Abraão; e morreu também o rico, e foi sepultado. E no inferno, ergueu os olhos, estando em tormentos, e viu ao longe Abraão, e Lázaro no seu seio. E, clamando, disse: Pai Abraão, tem misericórdia de mim, e manda a Lázaro, que molhe na água a ponta do seu dedo e me refresque a língua, porque estou atormentado nesta chama. Disse, porém, Abraão: Filho, lembra-te de que recebeste os teus bens em tua vida, e Lázaro somente males; e agora este é consolado e tu atormentado. E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá passar para cá. E disse ele: Rogo-te, pois, ó pai, que o mandes à casa de meu pai Pois tenho cinco irmãos; para que lhes dê testemunho, a fim de que não venham também para este lugar de tormento”. (Lucas 16:22-28)

Dois homens – o rico e Lázaro; duas vidas vividas de forma diferente; uma mesma morte física, mas dois destinos eternos diferentes. Um, teve acesso ao Céu; já o outro, não pode ir para esse bendito lugar, mas foi condenado ao inferno, lugar de tormento. Sobre este lugar, Jesus disse que o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga. (Mc 9.44) É um lugar de sofrimento, de dor, de tristeza, de angústia; um lugar criado para o diabo e seus anjos, mas que acaba sendo o destino de muitos e muitos que insistem em não permitir que Deus os salve, preferindo acreditar em ditados populares ou em mentiras. Prefere viver a vida ao seu próprio jeito, de acordo com sua própria justiça, do que sujeitar-se à Vontade de Deus e Justiça de Deus. Gente que prefere justificar-se em obras, achando que boas obras tem o poder de anular as más obras cometidas e de justificar sua vida e assim ser salvo ao final de sua vida. Ora, está escrito: “Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras, para que ninguém se glorie.” (Efésios 2:8-9) As boas obras para nada adiantam, espiritualmente falando, se a vida da pessoa não for salva pela bondade, pela Graça de Deus. Esmolas, caridade, missas, cultos, louvores, ofertas, sacrifícios pessoais, etc. para nada servem sem estar o homem reconciliado primeiramente com Deus. 

Como alguém pode escapar da condenação ao inferno? Vejamos o que Jesus nos diz: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele. Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.” (João 3:16-18) A resposta é simples: é necessário crer em Cristo! Crer, aqui, não é uma fé passiva, superficial; é ter um relacionamento com Ele! É entregar a vida Àquele que entregou a própria vida por cada um de nós. Note que se houvesse qualquer outra forma diferente de salvação a morte de Jesus na cruz teria sido perda de tempo, um horror desnecessário. Ao contrário, Cristo morreu na Cruz por Sua Vontade e Vontade de Seu Pai, a fim de ser O Salvador de todo aquele que nele crer! Não há, assim, uma variedade de caminhos a se escolher; ou um punhado de verdades que ao fim dizem a mesma coisa. NÃO! Há só Um Caminho, Uma Só Verdade e Uma Só Vida, a saber Jesus Cristo, o Filho Unigênito de Deus. 

Quem Nele crer e como resultado disso a Ele se entrega, confessando seus pecados, recebe Dele a purificação dos pecados, por Seu Sangue derramado na Cruz. Noutras palavras, Jesus morreu por nós a fim de que nossos pecados sejam perdoados, de forma que as conseqüências espirituais dos mesmos recaiam irremediavelmente sobre Nosso Senhor, que morreu na Cruz. Por isso dizemos que Sua morte foi vicária, isto é, substituta. Já vimos que a conseqüência do pecado é a morte; assim, o Senhor Jesus foi morto por causa dos nossos pecados. Ao crermos no Senhor e arrependidos confessarmos nossas culpas e pecados, automaticamente Deus julga nossos pecados em Nosso Senhor, o qual pagou as conseqüências por cada um deles, nos perdoando por causa do sacrifício do Seu Filho. Por isso, quem Nele crê não perece, não experimenta a morte espiritual, mas recebe de Deus a vida eterna como favor imerecido! Isso é Graça! 

Note que Deus não “passa a mão sobre nossos pecados”, nos tratando como “coitadinhos” ou “fazendo vista grossa” para nossos pecados. Não! Ele trata os nossos pecados com muita seriedade; daí dar o Seu Filho para morrer por nós. Portanto, Seu Filho é o Único capaz de nos salvar. Sem crer Nele, continuamos em nossos pecados, aguardando a justa condenação eterna – conseqüência última dos mesmos – da qual nenhum homem poderá escapar. Como dissemos anteriormente, haverá um dia em que os mortos sem Cristo ressuscitarão de onde estiverem, sendo os corpos reunidos novamente às respectivas almas que no inferno estão hoje, aguardando esse dia; a fim de que todos compareçam perante o Juiz de Toda Terra, o Juiz de Vivos e de Mortos, naquilo que a Bíblia chama de Juízo do Grande Trono Branco: “E vi um grande trono branco, e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu; e não se achou lugar para eles. E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante de Deus, e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras. E deu o mar os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras. E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte. E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo.” (Ap 20.11-15) Ninguém escapará! Nenhum homem! Nem mesmo a morte e o inferno escaparão nesse dia! Perceba que cada um, presente nesse julgamento, será julgado de acordo com as suas obras! Sem Cristo, as obras nos perseguirão até esse último dia!

Concluindo: aqui se faz, aqui se paga, mas lá se paga também! O inferno não é sua morada aqui, mas pode vir a ser lá, quando você morrer. Não pense que haverá qualquer tipo de alternativa a isso. Você quer ir para o inferno? Após ter sofrido tanto em vida, quer viver nesse lugar onde o sofrimento é infinitamente pior do que aqui, aguardando sem escape o julgamento final já ciente do veredicto - condenado? O sofrimento humano em vida é pequeno se comparado à esse sofrimento; o corpo vivo pode adormecer, ser anestesiado, ser curado; sempre é possível experimentar algum alívio estando vivo; mas naquele lugar, no inferno, não há alívio de forma alguma! Sofrimento dia-a-dia, 24h por dia, sem descanso, sem escape, sem sossego, sem socorro; não adiantará gritar, nem se enraivecer ali, nem clamar por perdão ou misericórdia, não adiantará coisa nenhuma! Você verá seus entes queridos vivos que se encontram perdidos, sem Cristo, sendo seduzidos e influenciados pelo diabo, e não poderá fazer nada, até que por fim eles sejam arrastados para o inferno para sofrer com você! Você os verá sofrer ao seu lado nesse lugar, e não poderá fazer nada para salvá-los ou aliviar sua dor! Você verá todas as oportunidades que teve para ser salvo, e não poderá voltar atrás no tempo! É isso que você quer para si? 

Querido(a), você não está lendo esta matéria à-toa. Deus te ama e deseja muito salvar você! Ele deu Jesus por você, para salvá-lo(a) do pecado e do inferno! Há um lugar maravilhoso, preparado por Deus, especialmente para você; um lugar de felicidade eterna, onde não haverá mais dor, mais sofrimento, tristeza, angústia, fome; um lugar onde Deus mesmo limpará de seus olhos todas as lágrimas! Toda dor que você experimentou em vida, serão plenamente removidas naquele dia, e nunca mais você voltará a sofrer novamente! Venha para Jesus, hoje mesmo; venha como você estiver! Não importa o que você tenha feito, qual seja a sua vida até hoje, quais sejam os seus pecados, não importa! Não importa se até hoje você viveu no mais profundo abismo de trevas e de maldades, Deus te chama assim mesmo! Venha até Cristo, Ele lhe receberá! Confesse seus pecados, mesmo que sejam grandes ou muitos, a Ele; e receba Dele o perdão para cada um dos seus pecados! Não há um só pecado seu que Ele não possa perdoar! Receba o Senhor hoje mesmo em seu coração. Confesse os seus pecados, aí onde está. Quero propor-lhe a seguinte oração:

Senhor Jesus, reconheço que sou pecador, reconheço que não há nenhuma justiça em minha vida. Reconheço que estou longe de Ti, reconheço que estou condenado sem o Senhor. Eu venho nesta hora confessar os meus pecados ao Senhor [diga quais são, daqueles que você se lembrar], por favor peço que perdoe-me por cada um deles. Eu estou arrependido e preciso de Ti como meu Senhor e Salvador. Sei que o Senhor morreu por meus pecados, assim eu renuncio a minha vida de pecado, de auto-suficiência e de rebelião contra Ti. Senhor Jesus, eu hoje te recebo como meu único e suficiente Salvador e Senhor. Peço-lhe que o Senhor entre na vida, no meu coração e faça morada permanente. Eu me entrego completamente a ti, meu Senhor e Salvador. Em nome de Jesus, amém!

Se você fez esta oração, crendo verdadeiramente em cada palavra, você está salvo. Agora, lhe aconselho a procurar uma igreja evangélica perto da sua casa, onde existam pessoas que amem a Deus e que estudem a Bíblia com seriedade, para que eles possam ensinar-lhe como viver para Cristo. Se você desejar conhecer-me pessoalmente e a Igreja onde me reúno com outros irmãos, me escreva. Será um prazer conhecê-lo(a) e ser seu amigo!

quarta-feira, 2 de maio de 2012

PARE O MUNDO GOSPEL, EU QUERO DESCER!


O mundo, como um todo, está cada vez mais louco, mais estranho! O que era antigamente não é mais nos dias de hoje, está tudo mudado! A distinção entre o “certo” e o “errado” quase não existe mais, o que é certo virou errado e o que é errado tornou-se certo. Cada vez entendo menos o que vai pela cabeça de algumas pessoas.

E eu não estou falando apenas do mundo, o qual o apóstolo João disse que está morto, em elevado estado de decomposição no maligno. Desse mundo não dá para esperar nada de bom dele. Está podre mesmo, só resta exalar mau cheiro enquanto vai apodrecendo cada vez mais, aguardando o dia de ser comida de verme, “que não morre nunca”! Não, estou falando do mundo daqueles que se dizem de Deus, daqueles que se dizem “salvos”, ”iluminados pelo Espírito Santo”, “que vão morar no céu”. Estou me referindo a um mundo dentro do mundo, uma espécie de subconjunto do mundo, que deveria, por definição, não ser subconjunto mas sim um conjunto diferente. Matematicamente falando, trata-se da mesma relação que há entre o conjunto de números reais, R, e o conjunto de números naturais, N: N está contido em R! R contém N! A interseção entre os dois conjuntos é diferente do conjunto vazio!!!!!
Em tempos antigos... “a long time ago, in a far, a far away world”, ambos os mundos eram bem diferentes, com limites bem demarcados. Não havia confusão, mistura. Os habitantes do mundo que jaz no maligno tinham o mesmo caráter de hoje em dia: amantes de si mesmos, gananciosos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a seus pais, ingratos, ímpios, sem afeição natural, implacáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus. Porém, o caráter do mundo “gospel” era bem demarcado. Ou andavam como crentes verdadeiramente, manifestando a nova natureza oriunda do encontro com Cristo, ou não eram reputados por “gospel”, mas por “falsos crentes”. Ser crente era algo muito difícil naquela época, pois era preciso renunciar o mundo dia após dia, debaixo de inúmeras perseguições que se levantavam para provar a fé daqueles que se diziam “filhos de Deus”. Eram perseguições na escola, na faculdade, no trabalho, na rua... onde quer que fossemos, éramos reputados como “escória”, como “personas non gratas”.
Havia testemunho de vida! A vida do crente era um livro aberto. Havia muita preocupação com o testemunho pessoal, algo mais do que contar uma história fantástica e mirabolante de conversão numa Igreja. Testemunho pessoal! Qualquer coisa que pudesse vir a prejudicar esse testemunho era logo rechaçada; afinal, o comportamento precisava refletir obrigatoriamente a fé professada. Nenhum crente verdadeiro queria tornar-se fonte de escândalo ou de vergonha para o Evangelho de Cristo. Havia preocupação até com a linguagem usada: palavrões e piadinhas sujas? Nem pensar! Chocarrices não eram, definitivamente, o costume dos crentes em Cristo. Havia mais temor ao Senhor, que se refletia em tudo o que era feito cotidianamente. Por isso, havia a manifestação do sobrenatural, da atuação do Espírito Santo na vida dos crentes, que se refletia na vida da Igreja, ressaltando ainda mais a diferença entre estes e o mundo.
E hoje? Hoje, ninguém quer mais saber de nada! Palavrão é o mínimo de mundano que os gospels praticam (e compartilham abertamente no facebook e twitter). Pecados sexuais já se tornaram “drops de menta”. Orgulho? Caramba! O que mais se vê são gospels orgulhosos: quando há o “milagre” de pedirem perdão (porque hoje todo mundo acha que é certo, independente da lambança que faça), fazem isso não com um coração quebrantado e contrito, mas com um coração cheio de orgulho, inutilizando o pedido de perdão! Sim, porque pedir perdão sem reconhecer-se errado de nada adianta, já que perdão é mais do que uma atitude exterior. Assim, vão deixando brechas e mais brechas abertas em sua vida. Será que as orações deles são ouvidas por Deus e as ofertas aceitas? “Portanto, se estiveres apresentando a tua oferta no altar, e aí te lembrares de que teu irmão tem alguma coisa contra ti, deixa ali diante do altar a tua oferta, e vai conciliar-te primeiro com teu irmão, e depois vem apresentar a tua oferta” (Mt 5.23,24). Está tudo errado! Estão apresentando ofertas, sendo que as mãos do ofertante estão cheias de sangue e violência, achando que o Senhor está recebendo as ofertas das mãos deles!
Ingratidão! Por mais que você faça, por mais que Deus faça, por mais que a Igreja faça em prol do benefício da pessoa, nunca há o reconhecimento, a gratidão. Na hora do problema, você serve para ajudar, para estender à mão; quando o problema é resolvido não há o devido reconhecimento pela ajuda. Ninguém reconhece o bem que lhes é feito; talvez porque pensam que não passa da obrigação dos outros ajudarem. “Não fez mais que sua obrigação, não espere gratidão de mim” ou o famoso “Jesus lhe abençoe” (porque eu não abençôo). Tem uns que você faz tudo por eles: consagra, ordena, faz casamento... e, ao final, o que recebe de volta? Nem um obrigado! Os anos passam e você acaba virando inimigo dos tais, que "inexplicavelmente" passam do amor ao ódio...Inexplicavelmente? Talvez haja um exagero aqui. Há sempre uma explicação: em alguns casos, isso acontece por causa da Síndrome "viúva Porcina, a santinha" (Roque Santeiro), que mandava e desmandava no "Sinhozinho Malta" (personagem do ator Lima Duarte). Bananice pura! Honra? Você honra a pessoa e ela irá um dia se voltar contra você, de forma que suas costas ficam parecendo uma peça de lagarto redondo para ser assado no forno: cheia de furos de faca para rechear a peça de carne com bacon e cenoura! Aconselhamento? Esteja certo: aconselhe hoje, amanhã os ingratos voltar-se-ão contra você por causa do aconselhamento que insistentemente lhe pediram. Traidores! Ingratidão e desonra andam de mãos dadas...

Atrevidos! Abusados! Não ponderam mais com que estão falando. Não respeitam idade, maturidade ou posição, mas levantam a voz com ousadia do espírito da rebeldia gerada no inferno! Ser pastor hoje, após o advento desse movimento neo-gospel-penteca, é tarefa inglória, principalmente se você quiser ser um pastor sério, preocupado com o ensino da Bíblia e com o crescimento espiritual e secular dos crentes. Qualquer dia vão levantar a mão para bater em pastor dentro de Igreja, quando discordarem de qualquer coisa que ele diga ou faça. Espero já estar no céu quando isso se tornar realidade arraigada...

Ganância? Está aí a infernal teologia da prosperidade que produz dia a dia gente cada vez gananciosa, que só fala de “bênção” e de “unção” do Tio Patinhas. Irmãos? Só se forem Metralhas... Gente inconstante, que vai de um lado para outro ao sabor da “onda”; vivem em movimento oscilatório, muito bem descrito por uma senóide...
Isso tudo sem mencionar as inúmeras complicações e dificuldades de se entender a "fé neo-gospel". É sacrifício para lá, é trabalho para acolá; é corrente disso, seca-pimenteira daquilo. "Água orada" (uma espécie de água benta gospel), sal grosso, óleo ungido... daqui mais um pouco vão inventar alho para espantar o demônio sugador de sangue, cruz para cravar nele (já tem gente que briga com anjo no monte, porque não brigar com demônio também?) e apetrechos de prata para acabar com o "espírito maligno do lobisomem". Ah sim, o apetrecho de prata precisa ser depositado no altar da seita, juntamente com um de ouro, para que o brux... ops, sacerdote, prepare uma solução alquímica a fim de espantar todos os males por 07 dias! Poção mágica eficaz, mas sem o ouro e a prata; a final o sacerdote da seita precisa viver, né? E ainda chamam isso de igreja... Irineu de Lyon escreveria outro tratado teológico contra essas heresias e seitas, se vivo estivesse em nossos dias (Adversus Haereses, ou Contra Heresias), as quais há muito superaram o gnosticismo que ameaçava a Igreja do segundo século. São "mistérios misteriosos de mantas núbias covas", diriam os neo-gospels, com sua linguagem hermética e repleta de jargões e frases de efeito. Me faz lembrar a música composta por Zé Ramalho, "Mistérios da Meia-Noite":

 Mistérios da Meia-Noite
Que voam longe
Que você nunca
Não sabe nunca
Se vão se ficam
Quem vai quem foi... 
 
Aliás, basta juntar as poções e utensílios mágicos, o altar, a luta contra o sobrenatural e o uso de "armas místicas", num ambiente de misticismo e esoterismo, numa boa estória bem contada, e a grana, é claro, que se conseguem todos elementos que compõem o jogo Skyrim, The Elder Scrolls. Espero que as "inovações" parem onde estão e retrocedam, ou em breve teremos sacerdotes neo-gospels de seitas distribuindo (a preços módicos) pó de ossos para que os neo-gospels recriem a passagem bíblica do vale de ossos secos (Ez 37), pele de leviatã e chifre de unicórnio, numa alusão do livro bíblico de Jó. Ah sim, não podemos esquecer o fígado de peixe para ser queimado, tão famoso no livro não-canônico de Tobias, a fim de espantar o demônio Asmodeu e curar a cegueira do ente querido. Quem sabe não haverá uma poção alquímica composta por suor ungido do sacerdote, óleo composto de Israel aquecido na fornalha santa e água orada retirada do Guandú? Basta dar o "septízimo"... rs.

Claro que graças a Deus nem todos são assim, nem todos agem desse modo; mas essa é a tônica moderna! Essa é a tônica em nossos dias! Uma confusão sem pé nem cabeça! Quem é quem? O que é o quê? Ninguém se entende, não se fala mais a mesma língua! Até o Senhor Jesus tornou-se pessoa desconhecida no meio daqueles que mais professam, que mais invocam o Seu Santo Nome. Fazem muita coisa em Nome Dele, prometem muita coisa, mas não O conhecem, porque se O conhecessem não O tratariam com tanto desprezo e desonra! Teriam mais temor nos seus corações e pensariam dez vezes antes de invocar o Nome do Senhor em vão, como vem fazendo. Lembre-se do que foi dito e escrito por Deus: "Não tomarás o nome do SENHOR teu Deus em vão; porque o SENHOR não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão." (Ex 20.7) Todas as vezes que tomamos o Nome do Senhor associando-o ao erro e ao pecado, ou fazendo Dele piada ou em jargões, estamos tomando esse Nome em vão.
 "Pare o mundo gospel, eu quero descer!" Se esse é o clamor do seu coração, diante de todo esse quadro de apostasia que aí está, então você deve se considerar feliz, porque o Espírito de Deus é quem está clamando continuamente aos verdadeiros filhos e filhas de Deus para que saiam dessa falsa igreja, dessa religião mundana e perdida. "Sai dela, povo meu, para que não sejas participante dos seus pecados, e para que não incorras nas suas pragas." (Ap 18.4) Saia, enquanto ainda pode, enquanto é tempo! Deus tem o melhor para sua vida! Deus tem um lugar reservado para você, uma Igreja séria, com pessoas sérias, que buscam a Deus com seriedade e compromisso, que buscam viver a Palavra de Deus e a comunhão do Espírito!

Que o grande amor de Deus o Nosso Pai, a graça de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo e a Comunhão e doces Consolações do Espírito Santo seja sobre sua vida, querido(a) irmão(ã), desde agora e para todo sempre!

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

terça-feira, 10 de abril de 2012

MORADORES DE BABILÔNIA E SUAS PRÁTICAS COMERCIAIS

Vendem-se casas. Casas são vendidas. Qual é o sujeito da frase? Quem executa a ação "vender"? Não dá para saber, o sujeito é indeterminado. A única coisa conhecida é que um sujeito desconhecido, indeterminado, tem uma ação conhecida e determinada: vender. Há que se perguntar se o sujeito aqui, em questão, vende o que é dele ou de outrem. Infelizmente, há muitos que vendem o que não lhes pertencem. Lucram às custas da perda de outros, repassando por preço o bem sobre o qual não tem nenhum tipo de direito de posse ou de venda. Simplesmente, apossaram-se daquilo que não lhes pertencia e agora estão a vender tal coisa para incautos e ignorantes, ou até mesmo para espertalhões. Afinal, se há uma verdade no mundo dos malandros é que sempre haverá alguém mais malandro do que o outro. Há sempre enganadores e enganados; um enganador hoje pode ser o enganado de amanhã.

Mas voltemos ao vender. No mundo, há muitas coisas que podem ser vendidas. Casas, roupas, jóias, brinquedos... até mesmo almas dos homens. A ganância, a sede de lucro, é de tal intensidade que nem mesmo os bens espirituais são ignorados. A Bíblia nos mostra que vender almas é algo possível e típico de pessoas sem Deus, cuja motivação mais íntima é vender, vender e vender: "mercadorias de ouro, de prata, de pedras preciosas, de pérolas, de linho fino, de púrpura, de seda e de escarlata; e toda espécie de madeira odorífera, e todo objeto de marfim, de madeira preciosíssima, de bronze, de ferro e de mármore;  e canela, especiarias, perfume, mirra e incenso; e vinho, azeite, flor de farinha e trigo; e gado, ovelhas, cavalos e carros; e escravos, e até almas de homens" (Ap 18.12,13). Que pessoas são essas? São pessoas que espiritualmente habitam numa cidade chamada Babilônia, uma cidade espiritual, terrível, maligna, onde ninguém respeita ninguém, nem respeita coisa alguma.

Infelizmente, não poucos são aqueles que vivem nesta cidade. Sim, porque pelo comportamento continuado vê-se facilmente a origem pátria. Afinal, humanamente falando, é fácil identificar um estrangeiro em solo nacional, quer por suas roupas, quer por seus costumes, quer por seu comportamento, quer por sua fala. Porém, o mais terrível é que há moradores nesta cidade que, por definição, não deveriam jamais habitar nela. Tratam-se dos cidadãos do Reino de Deus. Para entender a amplitude do problema, é preciso primeiro entender como alguém torna-se cidadão do Reino de Deus. Em sua obra The Pilgrim's Progress (O Peregrino), o antigo escritor cristão e pregador John Bunyan ilustra o processo pelo qual um homem muda de nacionalidade espiritual.

Resumidamente, a mudança de nacionalidade envolve (1) o reconhecimento de que é pecador, (2) fugir em direção à porta estreita (Mt 7.13,14) e (3) chegar-se à Cruz de Cristo, onde lhe cairá o fardo dos ombros, será justificado, e receberá um vestuário e um diploma de adoção na família de Deus, ou seja, será considerado nova criatura, filho de Deus, salvo por Cristo e reservado para vida eterna. Quando isso acontece, dizemos que aquela pessoa foi "comprada" para Deus pelo sangue de Cristo: "E cantavam um novo cântico, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda a tribo, e língua, e povo, e nação" (Ap 5.9). Pelo sangue de Jesus, derramado no Calvário, fomos comprados para Deus, para sermos propriedade exclusiva Dele, e para vivermos para a glória de Deus. Esse resgate não foi mediante ouro ou prata, ou coisas corruptíveis!

O preço do resgate do homem do pecado, das trevas, do diabo foi o preço do sangue de Jesus, derramado por ocasião de Sua morte na Cruz do Calvário. Esse preço foi pago a Deus, o preço da justiça de Deus, que exige a morte do pecador, uma vez que esse é o justo pagamento por seus pecados. Assim, como diz o versículo bíblico supracitado, Jesus comprou com o Seu sangue homens para Deus. Ora, aquilo que é comprado passa a pertencer legalmente ao comprador. Passa a ser sua propriedade exclusiva. Assim também nós fomos postos pelo sacrifício de Cristo: povo de propriedade exclusiva de Deus: "Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as virtudes daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz". (I Pe 2.9)

Daí, o comércio de almas, de vidas, de um redimido por Cristo é um pecado diante de Deus. Ninguém pode comercializar o que não lhe pertence. O grande problema aqui é que muitos, em sua cobiça insaciável, vendem a própria vida! Vendem-se, o que é uma afronta Àquele que os comprou e, para aumentar ainda mais a afronta, vendem-se por ninharias. Sim! Todos os bens da Terra reunidos têm valor irrisório, ínfimo, diante do precioso Sangue de Jesus! Nenhum bem material jamais poderá pagar o preço pela alma humana! No entanto, muitos não entendem isso, ou não conhecem, ou não dão a mínima para essa verdade básica nas Escrituras.

Assim, há, por exemplo, pastores que vendem-se: eles deixam de pregar o puro Evangelho, para o que foram chamados, e passam a suavizar a mensagem de Cristo, no afã de aumentar o número de membros e com isso o montante das ofertas arrecadadas. Combater o pecado? Jamais! Isso afasta gente! Nesse raciocínio errado e pecaminoso, é preferível manter o pecador na Igreja sem confrontação bíblica, do que correr o risco de ter que reduzir sua prebenda ao final do mês. Daí, fazem inúmeras concessões com a mensagem do Evangelho e, sem perceberem, criam outro evangelho, o qual é anátema (maldito) por definição. O anátema traz pessoas? Ótimo, essa é a solução para o bolso, pensam esses pregadores sem pregos, de martelos de penas. O pecador permanece na Igreja com o seu pecado, achando que tudo está bem entre ele e Deus, sem saber que sua vida corre um risco terrível! Um evangelho maldito, de falsidade; isso é o que está sendo anunciado em muitos lugares, tanto por famosos midiáticos quanto por não famosos, desconhecidos! Um evangelho que não é boa-nova der Deus, que cura levianamente, de forma superficial: "Porque desde o menor deles até ao maior, cada um se dá à avareza; e desde o profeta até ao sacerdote, cada um usa de falsidade. E curam superficialmente a ferida da filha do meu povo, dizendo: Paz, paz; quando não há paz." (Jr 6.13,14) Pregadores ávaros, vendidos e vendilhões! Não combatem o pecado porque tem interesses escusos, porque a grana do pecador enche os seus bolsos, lhes proporcionando bens materiais e/ou status pessoal.

E não para por aí: muitos são os crentes que acham que isso está correto, que pastor não tem que pregar contra o pecado, principalmente quando trata-se da visita de um parente ou amigo seu. São crentes que estão a se vender em troca da aceitação pessoal, da manutenção da amizade cheia de concessões que mantém com os não-crentes. Mude a mensagem! Fale de coisas boas, que atraem e acalentam; não venha falar de pecado nesse dia! É o brado dos corações, quando não dos próprios lábios, daqueles que deveriam estar entre os primeiros a exortar aos pecadores que se convertam dos seus pecados! Novamente, diz o Senhor por meio do profeta Jeremias: "Coisa espantosa e horrenda se anda fazendo na terra. Os profetas profetizam falsamente, e os sacerdotes dominam pelas mãos deles, e o meu povo assim o deseja; mas que fareis ao fim disto?" (Jr 5.30,31)

A quem você pertence? A quem pertence à Igreja? A quem pertence a salvação? A você ou a Deus? Porque então você insiste em se vender; em vender sua fé, sua unção, sua alma e quiçá sua salvação? Você pertence a Deus! O Espírito Santo é Deus! O Evangelho e a Igreja são de propriedade de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo! Se quer ganhar dinheiro, vá trabalhar! Largue o ministério - porque você não está sendo digno dele - arrume um emprego secular e vá à luta camarada! Agora, se quer seguir com o seu chamado, aprenda a depender exclusivamente de Deus, sem negociar com a Palavra. Precisou exortar? Faça! Precisou disciplinar? Não perca tempo!

E se você, por sua vez, quer que seu parente ou amigo se converta, pare de fazer negócio com a fé e ore por ele, para que Deus use seus dons na Igreja de forma que ele venha a se converter! Pare com essa meninice de ficar chateadinho(a) por causa da mensagem pregada, que combate o pecado! A Igreja não é sua, o pregador não é seu, o Espírito Santo não lhe pertence e a mensagem não foi gerada por você; do mesmo modo, a alma do pecador que está a ponto de ir para o inferno não é assunto para menino na fé, para neófito.

Na Igreja o homem vai para ouvir a verdade de Deus acerca de sua vida, de seu estado espiritual e de sua condição eterna; para ouvir que o Único que pode mudar sua vida chama-se Jesus Cristo e que ele precisa se arrepender dos seus pecados, confessá-los a Deus, receber a Cristo como Único e Suficiente Salvador e Senhor e permanecer firme na fé. Esse é o propósito evangelístico da Igreja, sem o qual a Igreja perde sua função e identidade de Igreja, não passando de mero clube social, sem Deus e sem vida. Assim, não peça ao pregador para vender a mensagem, a Igreja ou a fé; mas peça ao Espírito de Deus que traga a Sua Palavra de forma que o pecador venha ouvir e compungir o seu coração! Do mesmo modo, não deixe se vender, por coisa alguma. Não tenha vergonha do Evangelho, nem dos efeitos que ele gera sobre o homem! Lembre-se: "Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego." (Rm 1.16)

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia

sexta-feira, 2 de março de 2012

MINISTROS BÍBLICOS E O DESAFIO DO ANTI-INTELECTUALISMO EM TEMPOS TRABALHOSOS.

1Sabe, porém, isto, que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos;  2pois os homens serão amantes de si mesmos, gananciosos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a seus pais, ingratos, ímpios,  3sem afeição natural, implacáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, inimigos do bem,  4traidores, atrevidos, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus,  5tendo aparência de piedade, mas negando-lhe o poder. (II Timóteo 3:1-5)


Mais do que nunca, estou certo que vivemos dias trabalhosos. São dias de muito, mas muito trabalho, por parte daqueles que querem ser ministros segundo o coração de Deus, segundo os princípios norteadores para um ministério genuinamente cristão, bíblico e protestante. Infelizmente, as características enumeradas pelo apóstolo Paulo em sua segunda Epístola ao jovem Timóteo, estão cada vez mais materializadas, arraigadas na vida dos homens e mulheres atualmente, mesmo entre aqueles que dizem seguir a Bíblia. Aliás, para estes, o Livro Santo serve apenas para justificar os próprios caminhos contrários aquele que ele aponta. Uma vida de contrariedades e antagonismos, de mandos e desmandos, de doutrinas de homens desprovidos de conhecimento e de temor do Senhor.
A fé cristã, protestante, recebida por nossos irmãos e irmãs no passado, está quase em extinta. Hoje, o processo de desconstrução dos marcos antigos, de uma fé com base apenas nas Escrituras, segue sem pouca ou nenhuma interferência. Não sei de quem é a culpa disso estar assim. Talvez seja nossa, em permitir que pessoas desprovidas de educação formal, com evidências genuínas de vocação, assumam posições em nossas igrejas e púlpitos. Talvez seja nossa, em não ensinar a cada um a importância de estudar a Bíblia de uma forma mais profunda do que uma simples leitura de jornal ou de um livro de auto-ajuda. Talvez seja nossa, talvez não.
Ao estudar a história da igreja, preciso confessar o meu pecado: tenho certa inveja dos irmãos e irmãs que conviveram com homens de Deus do passado, tais como Jonathan Edwards, um grande ministro do Evangelho! Um homem que foi um dos maiores teólogos e pensadores da história dos Estados Unidos. Ele foi não somente um dos instrumentos do primeiro grande reavivamento ocorrido naquele país, mas o maior estudioso e intérprete desse fenômeno. Um homem que “começou a estudar o latim aos seis anos de idade e aos 13 já era fluente também em grego e hebraico. Em 1720 obteve o bacharelado no Colégio de Yale, em New Haven, iniciando em seguida os seus estudos teológicos nesta mesma instituição, obtendo o mestrado em 1722. Em seguida, assumiu uma cadeira de professor assistente em Yale, cargo que ocupou por dois anos.” (http://www.luz.eti.br/jedwards.html) Será que esquecemos o caminho? Onde foi que nos perdemos?!?
Historicamente falando, nós, protestantes, SEMPRE honramos o ensino e o aprendizado, quer secular, que teológico. Calvino, por exemplo, honrava os estudos seculares, pois segundo ele estes estudos serviriam para glória de Deus. Os maiores cientistas, que contribuíram muitíssimo com a humanidade, eram em sua maioria protestantes. Homens como Robert Boyle, John Dalton, Michael Faraday, Lorde Kelvin, etc. só para mencionar alguns. Homens respeitadíssimos, tanto por sua fé bíblica, quanto por seu conhecimento secular, que tanto contribuíram para os avanços científicos e tecnológicos da sociedade, dos quais hoje usufruímos.
Fico me perguntando se ainda somos protestantes. Será que já não decaímos para o mesmo misticismo que assolou a humanidade na Idade Média? Sim, porque rapidamente combatemos contra o ensino e o conhecimento! Sinceramente, acho difícil respeitar as opiniões de um místico, de um esotérico, mesmo que esse esoterismo esteja pretensamente baseado no Livro da Verdade: suas opiniões não estão baseadas numa análise séria das Escrituras, dentro de todo um contexto histórico e gramatical, nem eles seguem as práticas da hermenêutica bíblica ao pretensamente interpretarem os textos bíblicos. Baseiam-se, tão somente, em suas próprias idéias e preconceitos, interpretando o texto ao seu bel prazer. São esses, que por exemplo, condenam coisas as quais a Bíblia não condena – como o adorno da mulher (já argumentado neste blog em: http://www.apenas-para-argumentar.blogspot.com/2012/01/total-suficiencia-da-biblia-sagrada.html) e que aprovam coisas que a Bíblia não aprova.
Hoje, infelizmente, estes homens de Deus do passado não poderiam ser “evangélicos”. Eles simplesmente não seriam aceitos no meio daqueles que se julgam “espirituais”, cujo conhecimento vem da joelhologia, não muito maior do que o conhecimento de um neófito nos tempos áureos do protestantismo. Quando manifestassem sua opinião, seriam logo repudiados como “formais”, “sem unção”, “soberbos” e outras palavras desrespeitosas do mesmo gênero. Não há mais o interesse em saber, em crescer. Basta o “feijão com arroz” cozido e preparado com as “ervas saborosas da ignorância”. Colocíntidas! Delícia, dizem os crentes modernos; morte na panela, diriam os irmãos antigos! Hoje, faríamos com Galileu Galilei a mesma coisa que o Catolicismo fez: renegue seu conhecimento como “desvio da fé” e retrate-se perante a “igreja” ou então seja excomungado e morra na fogueira da inquisição! Afinal, diriam que “a Teoria Heliocêntrica, a qual afirma que o Sol é o centro imóvel do Universo, é herética porque não está escrita na Bíblia”, sic.
Abre parênteses: Hoje, a tônica é a falta de respeito com os ministros bíblicos hoje pelos ditos “obreiros do joelho”. Dos muitos e muitos pastores genuinamente bíblicos e protestantes que conheço e com os quais troco experiências e conhecimento, a queixa é a mesma: não há respeito! Esquecem que enquanto eles estavam no mundo, servindo o diabo, os mais velhos já serviam o Senhor há muito tempo e orando por eles, para que se convertessem. Deram – e alguns ainda dão e darão – muito trabalho aos seus pastores. Quem consagrou quem, cara pálida? Quem ordenou quem? Não estão – e do jeito que vão jamais estarão – no nível dos ministros bíblicos da Palavra! Pessoas indisciplinadas e arrogantes! Atrevidos! Gente de aparência! Nasceram ontem para a fé e querem ensinar os mais velhos – e, como se não bastasse o atrevimento e a petulância, ainda com falta de educação! Mais uma vez, falta-lhes educação comportamental e bíblica, noutras palavras, ética cristã. A falta de ética é tão grande que chegam ao ponto de usarem palavras injuriosas e, algumas vezes, até de baixo calão na internet, ou no dia-a-dia. Precisam muito ainda a aprender a se comportar como crentes, para depois aprenderem a se comportar como obreiros. Fecha parênteses.
Com o crescimento desses pseudo-espirituais – sim, porque a genuína espiritualidade bíblica advém do conhecimento da Palavra e da sua prática, nunca do misticismo – multidões tem sido atraídas para o lado oposto ao protestantismo. Não ao estudo, não ao seminário... Seminário? Para quê, se é fácil ser pastor? Para quê, se qualquer um é obreiro? Eu faço a seguinte pergunta: será que alguém pode exercer medicina sem ter estudo formal na área, ministrado por curso idôneo e reconhecido? Ou exercer medicina sem ser médico é exercício ilegal da profissão, algo que volta e meia consta nos jornais e noticiários? Eu, por exemplo, sou engenheiro químico de formação. Foram 05 anos de muito, muito estudo, para obter meu diploma. Estudei matérias como “Cálculo Diferencial e Integral I, II, III e IV”, “Química Orgânica I, II, III e V”, “Fisico-Química I e II”, “Termodinâmica”, “Engenharia Bioquímica”, “Cinética e Cálculo de Reatores”, “Operações Unitárias I e II”, “Transferência de Calor e de Massa”, “Mecânica dos Fluidos”, “Engenharia de Processos”, etc. com professores Ph.Ds nas áreas, que me fizeram dormir muitas vezes de madrugada. Ao final, ainda tive que elaborar e defender um Projeto final de curso. Ao sair da Universidade, ainda tive que obter meu registro profissional no CRQ, para só então estar apto, segundo a lei, para exercer minha profissão. Ah sim: Mais 2 anos e 8 meses de Mestrado e mais 3 anos e 6 meses de Doutorado. Um total de mais de 11 anos de ensino!
E um pastor, ele precisa estudar? O que ele estuda? Basta unção sem conhecimento? Que farisaísmo é esse? Isso é legalismo! Quando Deus me chamou para o ministério, fiz questão de obter ensino formal em Teologia, que me habilitasse a exercer meu ministério. Foram 04 anos de Seminário Teológico, com um dos maiores mestres da Palavra que já tive o prazer de conhecer, com um pastor que fundou diversos seminários teológicos de renome no RJ. Foram várias disciplinas, como “Soterologia”, “Cristologia”, “Hamartiologia”, “Angelologia, Demonologia e Satanalogia”, “Bibliologia”, “Hermenêutica e Exegese”, “Ética Cristã”, “Heresiologia”, etc. Mais 2 anos de mestrado. Mas um doutorado. Cursos livres, sim, mas nem por isso cursos sem qualidade! Atualmente sou Diretor e Professor de Seminário. Minha fé não é esotérica, sem “pé nem cabeça” ou coisa do gênero. Estudei muito, estudo e se Deus permitir ainda estudarei mais e mais, para exercer a minha fé de acordo com as Escrituras e assim ensiná-la às minhas ovelhas, as quais Deus me confiou nesta Terra e sobre as quais um dia prestarei contas diante de Deus. Hoje a teologia tem reconhecimento pelo MEC, mas na minha época não tinha. E qual é o problema? Hoje é um curso reconhecido, glórias a Deus por isso. Mas não é esse o foco. O foco está na formação formal que capacite o obreiro para exercício do ministério, coisa que é desprezada atualmente em prol de uma fé esotérica e anti-protestante e, por vezes, antibíblica. É possível ser pastor sem ter seminário? Em nossos dias trabalhosos, sim; biblicamente e segundo os princípios da reforma protestante, não. Não dá para ser “Ministro da Palavra”, de fato e de direito, sem conhecer a Bíblia, sua história, sua teologia.
Abre parênteses: Teologia é de suma importância para quem é chamado por Deus para o ministério. Todos os crentes precisam estudá-la? Não. Mas quem diz ser vocacionado por Deus precisa, obrigatoriamente, estudar. Teologia envolve muitas coisas, inclusive a Bíblia. Como ser um Ministro Cristão, apto para ensinar e proteger o rebanho de Deus, com um conhecimento rasteiro e distorcido da Bíblia? Como aconselhar os crentes de forma eficaz, sem sequer saber quais as bases e pressupostos do aconselhamento cristão, do papel do conselheiro, etc.? Como comunicar o Evangelho de forma eficiente, sem saber como ensinar ou pregar, sem conhecer Didática e Homilética? Como ensinar corretamente a Palavra, sem o conhecimento das regras de interpretação das Escrituras? É correto afirmar que foi Jesus que morreu na cruz, tendo sido ali abandonado por Cristo? Cristo era o homem portador de Deus? O que mais se tem escutado hoje, nos púlpitos das igrejas que pregam e ensinam abertamente ou de forma encoberta o anti-intelectualismo, são erros, erros e mais erros do ponto de vista bíblico e teológico! Ora, um ministro da Palavra deve buscar conhecer com detalhes, o máximo possível, de tudo o que se relacionar com a sua fé, a qual ele diz ser ministro e representante, ou o descrédito será inevitável. Fecha parênteses.
Abre parênteses: Atribui-se a John Wesley, um dos mais reconhecidos homens de Deus do passado, as questões abaixo, propostas para aqueles que se dedicam ao Estudo da Bíblia. Se são de sua autoria realmente ou não, pouco importa. O que importa é a relevância dessas questões, com as quais concordo plenamente:  1) Como alguém que se esforça para explicar a Escritura a outras pessoas, tenho o conhecimento necessário para que ela possa ser luz nos caminhos das pessoas?… Estou familiarizado com as várias partes da Escritura; com todas as partes do Antigo Testamento e do Novo Testamento? Ao ouvir qualquer texto, conheço o seu contexto e os seus paralelos?… Conheço a construção gramatical dos quatro evangelhos, de Atos, das epístolas; tenho domínio sobre o sentido espiritual (bem como o literal) do que leio?…Conheço as objeções que judeus, deístas, papistas, socinianos e todos os outros sectários fazem às passagens das Escrituras, ou a partir delas?… Estou preparado para oferecer respostas satisfatórias a cada uma dessas objeções? 2) Conheço suficientemente as ciências? Fui capaz de penetrar em sua lógica? Se não, provavelmente não irei muito longe, a não ser tropeçar em seu umbral… ou, ao contrário, minha estúpida indolência e preguiça me fizeram crer naquilo que tolos e cavalheiros simplórios afirmam: “que a lógica não serve para nada?” – Ela é boa pelo menos…para fazer as pessoas falarem menos – ao lhes mostrar qual é, e qual não é, o ponto de uma discussão; e quão extremamente difícil é provar qualquer coisa. 3) Estou familiarizado com os Pais da Igreja, aqueles veneráveis homens que viverem aqueles tempos, aqueles primeiros dias? Li e reli os restos dourados de Clemente de Roma, de Inácio de Antioquia, Policarpo, dei uma lida, pelo menos rápida nos trabalhos de Justino Mártir, Tertuliano, Orígenes, Clemente de Alexandria e de Cipriano? 4) Tenho conhecimento adequado do mundo? Tenho estudado as pessoas (bem como os livros), e observado seus temperamentos, máximas e costumes?…esforço-me para não ser rude ou mal-educado…sou afável e cortês para com todas as pessoas? Se sou deficiente mesmo nas capacidades mais básicas, não deveria me arrepender frequentemente dessa falta? Quão frequentemente…tenho sido menos útil do que eu poderia ter sido! (Extraído de: http://tiagolinno.wordpress.com/2012/02/21/o-anti-intelectualismo-evangelico-e-a-avaliacao-de-john-wesley/) Fecha parênteses.
O desconhecimento da Bíblia é grande! Falta muito mesmo! Dá até pena de ouvir as prédicas e estudos dos ministros anti-protestantes; é rasa e sem fundamento. Esquecem-se da regra mais básica de toda a interpretação da Bíblia – texto com contexto – e, assim, criam doutrinas e práticas com base em versículos isolados ou mal interpretados. Ora, se a Bíblia não passa de um conjunto de versículos, que podem ser interpretados como quiser, então é impossível crer na Bíblia: há uma enormidade de contradições nela, evidenciadas pelas interpretações estapafúrdias dos seus intérpretes. Isso, com certeza, dá base para o surgimento de seitas e heresias das mais diversas; além disso, justifica todas elas, já que o único conhecimento necessário é o “conhecimento sobrenatural”, do “manto de mistério”, do “ripa-la-pra-fora, sôpanatijela”. Aliás, basta um estudo da história das seitas e heresias que isso é facilmente constatado: a imensa maioria nasceu dessa prática, como o Mormonismo, onde Joseph Smith alegou ter experimentado uma visita sobrenatural, dando-lhes poderes sobrenaturais interpretativos – Urim e Tumim. Ops, me desculpe: estudar é contra a joelhologia, mas não dá para ser diferente, lamento. I´m sorry!
Confesso: fico muito preocupado, em Deus, quando me deparo com pessoas que se dizem cristãs e que desprezam e repudiam o ensino e o conhecimento, de gente na liderança de igreja que acha que “sabe tudo o que precisa saber” com sua leitura básica da Bíblia, que a “interpretação vem da oração”, e coisas do tipo. Gente que diz professar uma fé que sequer entende onde ela começa. Gente que diz basear-se na Bíblia, mas quando se pronunciam sobre ela o que se ouve é um show de erros, de preconceitos e doutrinas de homens. Será que estamos vendo surgir, hoje, os fundadores de novas heresias do amanhã? Será que amanhã haverá ainda conhecimento bíblico sólido no meio evangélico? Será que os Seminários Teológicos e Institutos Bíblicos, que durante gerações a fio formaram obreiros de renome no meio cristão, estão com os seus dias contados?
A Bíblia é totalmente favorável ao estudo! Nunca foi e nunca será ao contrário. Tanto o Antigo Testamento quanto o Novo defendem o estudo, especialmente por aqueles que têm o dever de ensinar o povo. Oséias já dizia: “O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento. Porquanto rejeitaste o conhecimento, também eu te rejeitarei, para que não sejas sacerdote diante de mim” (Os 4.6). Há muitos ditos ministros de Deus rejeitados pelo Senhor em nossos dias, sem terem a noção disso. Paulo, o apóstolo, era um homem versado nas Escrituras. Estudioso da Palavra. E Pedro? Os “joelhólogos ungidos” rapidamente dirão: “ele desprezava o saber, e ainda assim era apóstolo. Por isso, eu vou ser como Pedro, não quero saber de estudo!” Caramba, quando ouço isso, sinto até arrepios na espinha!
Será que Pedro era um anti-intelectualista? Será que Pedro foi o fundador da “Ordem dos Joelhólogos?” Ou será que foi da “Ordem dos Ministros Ignorantes”? Sabe o que é isso? Falta de conhecimento! Novamente, surge os dias de Corinto: “Uns de Paulo, outros de Apolo, outros de Cefas e outros de Cristo”. “Ah pastor, eu me identifico com Cefas: o coitado era ignorante e assim eu também vou ser...”. O argumento para afirmar isso, como de praxe, está baseado em versículos isolados. Neste caso, baseado em Atos 4:13: “Então eles, vendo a intrepidez de Pedro e João, e tendo percebido que eram homens iletrados e indoutos, se admiravam; e reconheciam que haviam estado com Jesus”. Na versão King James, assim está escrito: Now when they saw the boldness of Peter and John, and perceived that they were unlearned and ignorant men, they marvelled; and they took knowledge of them, that they had been with Jesus. Antes de começar a analisar o texto, é preciso novamente afirmar: a Bíblia se interpreta pela própria Bíblia. Nenhum ensino deve ser tomado ou aplicado com base na análise de versículos isolados! Isso é básico. Sem essa verdade solidificada, todo o demais perde sentido. Assim, volto a afirmar: a Bíblia nos ensina – especialmente àqueles que têm o dever de ensinar a outros – a buscar e adquirir o conhecimento.
Isto posto, vamos ao texto, então. Vamos usar as regras da hermenêutica para isso. PRIMEIRAMENTE, vejamos o texto em português, depois em grego (ops, grego e português também são estudados, me desculpe, tá?): Em português, o que o texto está afirmando? Que aqueles homens eram iletrados? Ou que assim eles foram reconhecidos pelo Sinédrio? Por favor, isso é apenas português, uma básica interpretação de texto! Se não souber interpretar no português, duvido que a interpretação no grego será possível. O texto é muito claro! Eles foram reconhecidos como iletrados e indoutos pelo Sinédrio, o que não significa que eles fossem analfabetos ou desprovidos de estudo, ok? Entendeu isso? Bom, vamos agora ao grego:  θεωρουντες δε την του πετρου παρρησιαν και ιωαννου και καταλαβομενοι οτι ανθρωποι αγραμματοι εισιν και ιδιωται εθαυμαζον επεγινωσκον τε αυτους οτι συν τω ιησου ησαν”. As palavras traduzidas por iletrados e indoutos são, respectivamente, agrammatos e idiotes. Note ainda que surge uma outra palavra: reconhecimento, aqui traduzido do grego epiginosko.
Precisamos AGORA analisar o contexto histórico no qual o episódio aconteceu, a fim de não tiramos conclusões precipitadas e forçarmos o texto a dizer o que ele não diz. Assim, é preciso analisar o termo agrammatos (iletrados), no contexto do Sinédrio judaico, no 1º século d.C. Nesse caso, o melhor significado para o termo seria algo como "não treinado na lei judaica". Pedro e João estavam sendo acusados de não terem recebido instrução de rabinos e, portanto, não tinham o direito de citar as Escrituras Hebraicas, como eles estavam citando e interpretando. Eles não haviam estudado nas escolas rabínicas de Hilel e Shamai, famosíssimas naquela época. Essa é a opinião do professor Ben Whiterington III, na Asbury Theological Seminary, na sua obra The Acts of Apostles: A Socio-Rhetorical Commentary (Grand Rapids, MI: Eerdmans, 1988), p. 195-197. Essa linha de interpretação é consubstanciada por Russell N. Champlin, Ph.D., em seu “Novo Testamento, Interpretado Versículo por Versículo”: “a referência especial [...] sem dúvida diz respeito a cultura rabínica, e não a educação elementar dos apóstolos. Pedro não exibia o refinamento de linguagem que um rabino culto geralmente empregava.  [...] Não haviam os apóstolos sido criados aos pés dos doutos, em qualquer das escolas e universidades dos judeus”. Ou seja: eles não possuíam conhecimento profissional na tradição dos escribas. Eles eram leigos quanto ao ensino formal dos escribas. Mas não significa que não dispunham de conhecimento ou estudo. Da mesma forma, o termo idiotes remete à mesma interpretação. Ele deriva-se de ἴδιος [ídios] "próprio"; "particular", "privado", "pessoal". Significa uma pessoa comum (plebeu), um cidadão particular, em contraste com alguém num cargo oficial; alguém que não tem conhecimentos profissionais (amador, leigo).
De fato, como comenta William L. Coleman, “os judeus do primeiro século eram um povo inteligente, com forte senso de apreciação da cultura. [...] Na época do Novo Testamento, muitas famílias possuíam exemplares do Torá, e os pais ensinavam regularmente a seus filhos.[...] A maioria do povo sabia ler não apenas em, sua língua nativa, mas também em grego e latim. [...] Nos dias de Cristo, a escola já era coisa comum, e que o povo não era apenas alfabetizado, mas realizava estudos avançados em filosofia, línguas, matemática e outras disciplinas. [...] Para avaliação da aprendizagem, os alunos tinham que recitar longas passagens das Escrituras com perfeição. É por isso que tanto Jesus quanto outros conheciam tão bem as Escrituras. [...] Embora as Escrituras fossem a base da educação de um israelita, não era absolutamente a única disciplina. Eles estudavam também literatura, escrita, música, matemática, engenharia, direito.” (Coleman, Manual dos Tempos e Costumes Bíblicos, Ed. Betânia)
Assim, resta demonstrado que as afirmações de que Pedro e João eram pessoas desprovidas de conhecimento, quase como desprovidos de cérebro, e que, portanto, seu conhecimento era obtido “do além” é sem fundamento. Porém, ainda há uma última pedra a ser colocada na sepultura desse falso ensino: O Sinédrio reconheceu que Pedro e João estiveram com Jesus. Das Escrituras, aprendemos que Jesus passou seu ministério terreno, dentre outras coisas, ensinando seus apóstolos. Foram pouco mais de três anos ensinando-os os fundamentos do ministério que Ele tinha reservado para eles após sua morte e ressurreição. Se a joelhologia legalista é correta, ou seja, se o saber vem do além sem necessidade de estudo, então Jesus perdeu o seu tempo com ensino teórico-prático. Porém, Ele não perdeu tempo: o investimento na vida de seus apóstolos redundou muitos frutos: a Igreja nasceu em Pentecostes, sendo edificada sobre o fundamento dos apóstolos. Poderia acrescentar mais e mais evidências, mas acho que já é o bastante.
Concluindo, cabe a pergunta: é preciso fazer faculdade, 3º. Grau, para ser pastor? Não, não é necessário. Isso é uma opção de cada um, ainda que eu, como ministro da Palavra, entendo que devo não apenas ensinar ao meu rebanho as coisas de Deus, mas também aquilo que lhes for útil do ponto de vista secular; assim, num país que cultua abertamente a burrice, com programas do quilate de um Big Brother Brasil, que nada acrescentam de positivo a ninguém; que paga mal aos professores públicos em todos os níveis; onde um presidente é eleito não por suas teses e idéias mas porque é o retrato fidedigno de uma nação culturalmente empobrecida, então vejo como parte de meu papel incentivar aqueles que pastoreio a crescerem e estudarem, a fim de não serem “mais um” nesse país de carnaval e futebol, não de livros e saber. Aliás, assim faziam – e muito mais até – os meus irmãos bíblicos protestantes no passado. Porém, reafirmo: quem quer ser pastor, de fato e de direito, precisa cursar um Seminário Teológico. Foi ordenado sem Seminário? Pare com a desculpa, com o argumento anti-intelectualista legalista e corra atrás do prejuízo! Vá estudar! Só assim, conhecendo a fé que diz professar, é que você poderá, de fato, ensiná-la sem erros, sem preconceitos, sem doutrina de homens.
E, por favor: não me peça para ser anti-intelectualista. Como dizia Lutero, não posso ir contra a minha fé nem contra a  minha razão!


Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!