sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

ENTRAR PARA A IGREJA NÃO É O MESMO QUE CONVERSÃO


Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo. (Evangelho segundo São João, cap. 3, versículos 3 a 7)

Necessário vos é nascer de novo. Foi exatamente o que Jesus disse a Niocodemos, fariseu, mestre da lei e líder dos judeus. Sem novo nascimento, não há como alguém ver o reino de Deus. Em verdade, em verdade, ou seja, amém e amém, é necessário gennēthē anōthen, "nascer de cima", "nascer do alto". Sem nascer do alto, segundo Jesus, ninguém "pode ver", do grego dunatai eido, "sem poder para ver" o reino de Deus. É, deste modo, o novo nascimento que confere poder para que o homem veja (no sentido de conhecer, ou por extensão mais ampla, entrar) o reino de Deus. Assim, o nascer de novo é o imperativo de Deus para que o homem tenha acesso ao Reino de Deus.

O que é nascer de novo? Nicodemos interpretou essa necessidade no sentido humano, ou seja, uma pessoa voltando ao útero de sua mãe e tornando a dele nascer. Por mais estranho que possa soar para nós, hoje, essa linha de interpretação de Nicodemos, na verdade é justamente assim que muitos e muitos entendem e ensinam as palavras de Jesus. Talvez não no mesmo sentido de Nicodemos - voltar ao ventre e tornar a nascer - porém num sentido tão humano quanto o que ele deu. Para muitos - não-crentes e crentes, não-cristãos e cristãos - o "nascer de novo" resume-se, na prática, em alguém aderir a uma Igreja ou denominação religiosa evangélica, uma simples adesão, onde "promete-se solenemente" (sic) obedecer (é ruim, ein?) a tudo o que o pastor mandar. Então a pessoa toma um banh... ops, é batizada e então torna-se automaticamente um salvo, um cristão. Tudo resolvido.

Outros, por sua vez, encaram esse "nascer de novo" como uma espécie de "reforma de vida". Aquele que abandona os pecados exteriores (como deixar de beber e de fumar, de mentir, de falar palavrão, de fornicar, etc) e/ou joga fora seus utensílios religiosos pagãos (imagens, roupas, livros, etc), "aceitando a Cristo" e "tornando-se crente" seria, no entendimento comum, uma pessoa que "nasceu de novo". Este aceitar a Cristo se constituiria num "levantar a mão" dentro da Igreja diante do apelo do pastor, vir a frente, receber uma oração e... pimba! pronto! É um salvo, "nascido de novo", pendente no SPC do céu de apenas uma imersão na água (ou borrifar, depende). Depois disso, tal pessoa torna-se "um irmão" (ou irmã) e é inserida nos programas da Igreja.

Por sua vez, para os não-crentes, a pessoa que entra para a Igreja entrou para um sistema de moral e ética. O foco da fé, para essas pessoas, é a reforma moral do indivíduo. Uma pessoa com problemas morais e éticos que agora vai "melhorar de vida". Por exemplo, um bêbado entraria para a Igreja para deixar de ser bêbado, um drogado deixaria de se drogar, etc, porque agora seria "doutrinado" a não viver mais desse modo. Ou seja, a Igreja faria uma espécie de "doutrinação moral", levando o indivíduo a um outro tipo de comportamento "adequado a Igreja". Aqui entraria, por exemplo, a visão do mundo da tal "cura gay", alvo de profundas e irremediáveis polêmicas e disputas: a igreja, na concepção de seus opositores e adversários, faria uma "lavagem cerebral" na mente dos gays. Nada mais distante da realidade, nem mais calunioso.

Isso tudo não passa da visão humana, da interpretação simplória e carnal daquilo que Jesus ensinou a Nicodemos. É o "tornar a entrar no ventre e nascer", uma espécie de regressão/conversão biopsíquica a um estágio anterior para daí progredir: voltar à realidade anterior ao fato indesejável e, a partir daí, usando ferramental psicológico, implantar na pessoa um padrão moral que impeça o retrocesso ao estágio anterior. Uma pessoa "transformada" seria, assim, uma pessoa que teve sua psiquê alterada por imposição contínua de conceitos modificadores. E, para piorar ainda mais esta "não-visão" por parte dos opositores e adversários da igreja e do homem comum (isto é, não conhecedor da verdade de Deus), isto seria feito por "imposição", como se o indivíduo não procurasse voluntariamente a Igreja, mas fosse "forçado", "imposto", a dela fazer parte e, assim, passar por todo esse "processo".

Porém, Jesus não ensinou uma reforma moral de vida; também não veio pregando a necessidade de atos exteriores auto-suficientes (como batismo, etc). Não. A necessidade da qual Jesus falou com Nicodemos é superior à humana. É uma necessidade espiritual. Quem estabeleceu esta necessidade? O próprio Deus, o Pai de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. Que necessidade é essa? A necessidade de regeneração espiritual (o que o homem comum chamaria de "conversão"), algo que só pode ser produzido por Deus no homem. Portanto, algo que não pode ser alcançado por "esforços humanos", não importando o quão bem-intencionados ou psicologicamente estruturados eles sejam.

Jesus respondeu a pergunta de Nicodemos. Ele disse: aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. Nascer de cima, do alto, é o mesmo que nascer da água e do Espírito (Espírito Santo) conforme Jesus explicou. "Nascer da água" é interpretado por alguns intérpretes e teólogos como o batismo nas águas. Este, segundo o Novo Testamento, é mais do que um simples rito exterior; é, na verdade, um símbolo exterior de uma realidade interior. Essa realidade é a identificação da pessoa com a morte, sepultamento e ressurreição de Jesus num nível interior, espiritual e profundo. No batismo, identifico-me com Cristo sendo crucificado em meu lugar, vejo Nele os meus pecados - vejo, portanto, duas coisas: que sou pecador e que o Senhor morreu por causa dos meus pecados. Isaías no diz sobre o Senhor: "Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. (Isaías 53:4). Vejo, assim, Jesus como Aquele que remove os meus pecados, que retira os meus pecados de sobre mim e os põe sobre Ele mesmo.

Vejo também a consequência disso: meus pecados, sobre Jesus, o levaram a morte. Ele morreu por causa dos meus pecados. Noutras palavras, Ele recebeu sobre Si, sobre Seu corpo, todo o juízo de Deus por causa dos meus pecados, o que implicava a necessidade Dele morrer por isso. Havia uma sentença de morte, sobre mim; sentença dada por Deus - o pecado produz em seus efeitos a morte, inevitavelmente. Todos nós - toda a humanidade - passamos a morrer por causa do pecado, e por causa do pecado o homem morreu espiritualmente - foi separado, teve a comunhão, teve a aliança com Deus rompida, quebrada. O pecado trouxe afastamento do homem de Seu Deus. É por isso que Jesus, estando na cruz, exclama "Eli, Eli, lamá sabactâni; isto é, Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?" (Mateus 27:46): porque meus pecados estavam sobre Ele, Deus o abandonou ali, na cruz, para morrer. Sobre Ele pesou toda o juízo e justiça de Deus, que ao homem pecador estavam destinadas!

Vejo, ainda mais: vejo-o ressuscitando dentre os mortos! Meus pecados, os quais Ele carregou, não estão mais sobre Ele; já foram todos julgados na cruz! Cristo ressuscitado não traz mais nenhum pecado do homem Sobre Si, pois acerca de todos esses pecados Ele já padeceu - como se fosse eu, ou seja, em meu lugar - na cruz. Portanto, agora ressuscitado, vejo-me livre dos meus pecados! Vejo-me livre daquilo que me afastava de Meu Deus, que me colocava distante Dele por força da justiça e santidade de Deus. Agora, posso me aproximar de meu Deus novamente! Tenho na Obra de Cristo realizada em meu lugar na cruz a justiça necessária; cumpri, em Cristo, a exigência de Deus - morri, em Cristo, por meus pecados! Assim, deste modo, como Ele ressuscitou, eu também ressuscitei em Cristo - sim, porque segundo a Bíblia, antes, estava eu morto em meus delitos e pecados: "E VOS vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, Em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência. Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também. Mas Deus, que é riquíssimo em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos), E nos ressuscitou juntamente com ele e nos fez assentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus" (Efésios 2:1-6). Agora, estou vivificado - tive a vida restituída, revivi dentre os mortos - em Cristo Jesus!


Onde estava eu morto, antes? Estava morto em meu espírito. Morto espiritual,  aguardando a morte física e a morte eterna. "De acordo com as Escrituras, o julgamento divino que caiu sobre Adão não só resultou em sua morte física, mas também em sua morte espiritual. Isso significa que ele se tornou sensível a toda sorte de estímulos perversos, tanto humanos quanto demoníacos, mas insensível à pessoa e à vontade de Deus. Assim como um homem é declarado morto no momento que deixa de reagir a todas as formas de estímulos, o homem caído também é declarado espiritualmente morto por causa de sua inabilidade absoluta de reagir a Deus [...] É importante entender que o homem não é uma vítima que está separada de Deus por causa de alguma ignorância inevitável que ele não pode evitar. A ignorância do homem é autoimposta. Ele é hostil para com Deus e não deseja conhecê-Lo ou conhecer a Sua vontade. O homem é ignorante quanto a coisas espirituais porque ele fecha os olhos e se recusa a olhar para Deus. Ele cobre seus ouvidos e se recusa a escutar. Ao endurecer seu coração contra Deus, o homem caído se torna insensível para toda verdade e virtude espiritual. Ele então voluntariamente se entrega para o próprio mal contra o qual Deus se opõe." (http://voltemosaoevangelho.com/blog/2012/08/paul-washer-morte-espiritual-a-verdade-sobre-o-homem-410/). Ora, o espírito humano, por causa do pecado, morreu para com Deus (ficou sem a utilidade para a qual foi criado, ou seja, possibilitar o relacionamento entre Deus e o homem). Por isso são inúteis todos e quaisquer esforços humanos para o homem regenerar-se: a regeneração é espiritual - nascer do Espírito - ou seja, só pode ser produzida pela ação do Espírito Santo na vida humana e isso só se da em conjunção com toda a identificação com Cristo, relatada acima. Por isso, falamos que o rito externo sem a devida realidade interna é inútil: não adianta banhar-se numa piscina e dizer que isso é batismo, sem a correspondência interior. Essa, por sua vez, somente pode ser gerada pelo Espírito Santo no interior do homem, pois é Ele quem "convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo" (João 16:8). 

Enfatizando, todos os esforços humanos em produzir mudança no homem, moral, ética ou espiritual, são inúteis. Não adianta tentar "converter na marra" alguém à uma mudança moral ou ética cristã, ou a fé cristã. É inútil. Daí, vemos muitos "ex" que são "ex temporários", ou seja, "ex" por um determinado tempo. Essas pessoas são empolgadas com a fé, convencidas, não convertidas (regeneradas, do ponto de vista espiritual). Diante dos problemas, das angústias, das necessidades e até diante do mundo e seus prazeres, estas pessoas "dão meia volta volver" e retornam às antigas práticas. Isso acontece porque não houve uma mudança interior, uma transformação de vida; tornaram-se adeptos de uma religião, não cristãs de verdade.  Conforme ensina o Pr. Paul Washer, "Antes da conversão, cada pessoa “anda” ou “pratica” o pecado como um estilo de vida. Eles não andam de acordo com a vontade de Deus, mas de acordo com o curso de um mundo caído que é hostil para com Deus e desobediente. Vivem de uma maneira que se conforma à vontade do diabo. A mente do morto espiritual [...] a respeito de Deus ela é vazia de verdade e cheia com todas as sortes de vaidades, heresias e contradições. Quando homens caídos buscam ser “espirituais” ou “religiosos,” os resultados são catastróficos, até mesmo absurdos. Isto acontece porque suas mentes são fúteis e obscurecidas." (http://voltemosaoevangelho.com/blog/2012/08/paul-washer-morte-espiritual-a-verdade-sobre-o-homem-410/)

É somente a regeneração - conversão do ponto de vista exterior - que possibilita ao homem viver a Vontade de Deus. É somente essa mudança interior, esse renascimento espiritual interno, produzido pelo Espírito Santo fazendo uso da realidade do sacrifício de Cristo na cruz, é que possibilita ao homem viver para Deus, considerando Deus em seus caminhos e decisões. Porque o homem é regenerado, ele agora se interessa e tem prazer em Deus e nas coisas de Deus, tem prazer em agradar e servir Àquele que o salvou. Ele busca, agora, viver segundo a Bíblia, segundo a Palavra de Deus. E por causa da sua nova natureza, por causa do Espírito Santo que agora mora dentro dele, o homem regenerado tem condições de viver segundo a Bíblia. Aquilo que é impossível e estranho ao homem morto em seus pecados, é agora passível ao homem regenerado por e para Deus. Aí sim, entra a Igreja - comunidade dos regenerados, a qual, obedecendo o Senhor Jesus, "... Ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; Ensinando-os a guardar todas as coisas que eu vos tenho mandado; e eis que eu estou convosco todos os dias, até a consumação dos séculos. Amém." (Mateus 28:19,20) A Igreja batiza e ensina os novos discípulos - e antigos - a guardarem todas as coisas que Jesus mandou, em Sua Palavra, a Bíblia. Uma outra função da Igreja é ser a voz profética, chamando os homens ao arrependimento e a fé.

Concluindo, é imprescindível entendermos a diferença. Isso é vital. Somente o regenerado pode entra no Reino de Deus. Ser membro ou frequentar uma Igreja ou denominação religiosa não é sinônimo disso. É possível ser membro da Igreja terrena, mesmo não sendo regenerado. É possível viver as exterioridades da fé cristã, seus ritos e dogmas, sem nunca experimentar essa mudança interior de vida. Noutras palavras, é possível continuar sendo um defunto espiritual que anda entre aqueles que estão vivos em Cristo - uma espécie de "Walking Dead" espiritual. Uma Igreja pode ser abrigo de muita gente sem Deus, que procura qualquer coisa menos a nova vida que Cristo dá ao homem. Gente que ali frequenta por conveniência e interesse, pelas mais egoístas e mesquinhas razões, não por Deus. Lamentavelmente, essas pessoas que assim estão, um dia terão o mesmo fim que está destinado àqueles que nunca foram regenerados, ou seja, a perdição eterna, o inferno, separados irremediavelmente de Deus para toda a eternidade. Elas verão, com seus olhos, Cristo ressurreto descer do céu juntamente com os seus santos anjos e com seu povo, regenerado por Seu Espírito; e, diante do terror que essa visão causará, gritarão dizendo "Senhor! Senhor! Salva-nos!", infelizmente ouvindo o Senhor responder, em alto e bom som, "nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade." (Mateus 7:22,23)

O tempo de conversão, querido(a) leitor(a), é hoje! É agora! É já, imediatamente! Deus hoje estende a você o convite à salvação: Ele convida você a ser regenerado, convertido e, deste modo, salvo por Cristo Jesus. "Salvo de quê, pastor?", talvez você pergunte. Salvo da ira de Deus, do juízo de Deus que virá sobre o mundo, sobre os perdidos. Somente em Cristo Jesus você pode ser salvo! O que fazer? Pare de se justificar. Para de se considerar muito bom e justo aos seus próprios olhos. Reconheça-se pecador e longe de Deus! Então, permita que Deus gere no seu coração, pelo Seu Espírito, a profunda tristeza por seus pecados. Você pode sentir todo o peso dos seus pecados sobre você? Percebe como seus pecados são horríveis diante de Deus?  Vê quanta crueldade, quanta maldade, quanta malícia e erro há em sua vida? Confesse cada um deles ao Senhor! Confesse-os pelo nome, cada um deles! Agora, querido(a) leitor(a), convido você a olhar para Jesus. Sim, olhe para Ele, inocente, santo, puro, sem pecado, carregando os seus pecados, cada um deles na cruz, diante de Deus. Veja que Ele morreu por você, por seus pecados. E assim, receba a Ele, ressurreto dentre os mortos, como Senhor e Salvador de sua vida. Fale com Ele nessa hora.

Deixe-me propor uma singela oração: Amado Deus, sou pecador e necessito de perdão. Arrependo-me dos meus pecados, pelos quais Cristo morreu e derramou seu precioso sangue por mim. Agora te peço perdão e convido Jesus para entrar em meu coração e minha vida, como meu Senhor e Salvador pessoal.

Se você confiou em Jesus como seu Salvador, começará agora uma maravilhosa vida com Ele. Então:

1. Leia a Bíblia diariamente;
2. Fale com Deus em oração, todos os dias;
3. Seja batizado nas águas, participe do culto e sirva numa igreja, junto com outros irmãos, onde Cristo seja pregado e a Bíblia seja a autoridade final.
4. Fale de Cristo aos outros.


Se desejar, entre em contato por este canal, ou pelo e-mail prricardoksf@yahoo.com.br! Deus abençoe sua vida e lembre-se: Deus está te dando visão de águia!

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

AS TERRÍVEIS CONSEQUÊNCIAS DE UM CORAÇÃO DIVIDIDO


1Ora, o rei Salomão amou muitas mulheres estrangeiras, além da filha de Faraó: moabitas, amonitas, edomitas, sidônias e heteias,  2das nações de que o Senhor dissera aos filhos de Israel: Não ireis para elas, nem elas virão para vós; doutra maneira perverterão o vosso coração para seguirdes os seus deuses. A estas se apegou Salomão, levado pelo amor.  3Tinha ele setecentas mulheres, princesas, e trezentas concubinas; e suas mulheres lhe perverteram o coração.  4Pois sucedeu que, no tempo da velhice de Salomão, suas mulheres lhe perverteram o coração para seguir outros deuses; e e seu coração já não era perfeito para com o Senhor seu Deus, como fora o de Davi, seu pai;  5Salomão seguiu a Astarete, deusa dos sidônios, e a Milcom, abominação dos amonitas.  6Assim fez Salomão o que era mau aos olhos do Senhor, e não perseverou em seguir, como fizera Davi, seu pai.  7Nesse tempo edificou Salomão um alto a Quemós, abominação dos moabitas, sobre e monte que está diante de Jerusalém, e a Moleque, abominação dos amonitas.  8E assim fez para todas as suas mulheres estrangeiras, as quais queimavam incenso e ofereciam sacrifícios a seus deuses.  9Pelo que o Senhor se indignou contra Salomão, porquanto e seu coração se desviara do Senhor Deus de Israel, o qual duas vezes lhe aparecera,  10e lhe ordenara expressamente que não seguisse a outros deuses. Ele, porém, não guardou o que o Senhor lhe ordenara.  11Disse, pois, o Senhor a Salomão: Porquanto houve isto em ti, que não guardaste a meu pacto e os meus estatutos que te ordenei, certamente rasgarei de ti este reino, e o darei a teu servo.  12Contudo não o farei nos teus dias, por amor de Davi, teu pai; da mão de teu filho o rasgarei.  13Todavia não rasgarei o reino todo; mas uma tribo darei a teu filho, por amor de meu servo Davi, e por amor de Jerusalém, que escolhi.  (I Reis 11)

Mensagem pregada no Templo da Igreja Batista Ministério Reviver, no dia 22/02/2015,

Clique nos links e assista! Que Deus abençoe sua vida!


PARTE 1

 https://www.youtube.com/watch?v=Zd360v6Yylg#t=35:



PARTE 2

 http://www.youtube.com/watch?v=QZ1oqt4iANc


PARTE 3 (FINAL)

 https://www.youtube.com/watch?v=kAi2akLgMb8


Deus está te dando visão de águia!

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

ENFIANDO O PÉ NA JACA NO NAMORO: DEPOIS, NEM COM ÓLEO DA UNÇÃO SAI O VISGO!

ENFIANDO O PÉ NA JACA NO NAMORO: DEPOIS, NEM COM ÓLEO DA UNÇÃO SAI O VISGO!

"Enfiar o pé na jaca". Essa expressão muito comum quer dizer "precipitar-se", "cometer excessos", exagerar na dose de qualquer coisa. Significa também "tomar uma ação ou decisão muito equivocada". Enfia-se o pé na jaca quando se age de maneira impensada, sem ponderar no que se vai fazer ou no que está fazendo, agindo por mero impulso, pelo calor da emoção que a ação por si mesma provoca. 

Não é de hoje que o homem "enfia o pé na jaca". A Bíblia registra muitos episódios onde o homem enfiou o pé na jaca, em especial no relacionamento com o seu semelhante. Por exemplo, Davi, ao ver Batseba pelada tomando banho no seu terraço ficou doidão, querendo a todo custo ter um caso com ela. Tanto fez que conseguiu; conseguiu cometer adultério; não satisfeito, fez de um tudo para "tributar" ao marido de Batseba o filho gerado no adultério e, como não teve êxito, armou uma armadilha para ele, cometendo assassinato. Como Deus é justo, o filho gerado no adultério morreu. Mais ainda, a consequência do pecado, do "pé na jaca", se estendeu até a família de Davi. Seu filho Amnom comete incesto com sua irmã Tamar e Absalão, irmão de Tamar, vinga-a matando seu irmão Amnom. A história segue, com Absalão cometendo incesto com as concubinas de seu pai Davi, perseguindo o pai e, ao final, acabando morto numa batalha. 

Davi queria somente um caso com Batseba. Levou a mulher, mas perdeu 3 filhos no episódio, além de perder a paz, a família, a honra e quase perder o reino. Tudo por causa do bendito "pé na jaca". 

Assim é também a garotada hoje. Com os hormônios a mil, fervendo mais do que leite na leiteira, estão a todo momento "enfiando o pé na jaca". Não conseguem controlar os "calores hormonais" e, com isso, "estão em chamas", agindo sem ponderar, sem considerar nenhuma de suas ações, apenas o prazer - imediato - que estas proporcionam.  Há um "fogo" bem presente na juventude moderna, que não é o "fogo pentecostal". Estou falando de gente inteligente, de gente que pensa, que sabe fazer escolhas. De gente que conhece o que é certo e o que é errado, que sabe a Vontade de Deus para sua vida. Estou falando de gente que é crente, que frequenta igreja, que ama a Deus. 

"Foge também das paixões da mocidade", já aconselhava o experiente Paulo ao jovem discípulo Timóteo. Fugir das paixões da mocidade é  fugir dos desejos que incidem peculiarmente à juventude; isto é,  o amor do prazer sensual e a inclinação para satisfazer os apetites e sentidos do corpo, ou, por outro lado, o orgulho, a ambição, a vanglória , imprudência, disputa, obstinação; vícios comuns aos jovens que os tornam particularmente reprovados para a Deus e Sua Obra. No entanto, os jovens fazem justamente o contrário: ao invés de fugirem das paixões, eles fogem em direção às paixões. Aliás, paixão é um termo bem escolhido por Paulo, pois denota um sentimento muito forte em relação a uma pessoa, objeto ou tema. A paixão é uma emoção intensa convincente, um entusiasmo ou um desejo sobre qualquer coisa. Em suma, é um sentimento de excitação incomum ou de forte emoção.

Ah emoções, como vocês são enganosas...! "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o conhecerá? Eu, o SENHOR, esquadrinho o coração, eu provo os pensamentos; e isso para dar a cada um segundo os seus caminhos e segundo o fruto das suas ações." (Jr 17.9,10) Pelas emoções, agimos como seres irracionais, incapazes de enxergar um palmo diante da face. Sim, as emoções muitas vezes lançam o homem em trevas, porque ele confia nas emoções, confia que o sentimento provém de Deus, que Deus está aprovando tudo aquilo, só porque a pessoa se sente realizada com tudo o que está fazendo ou pretende fazer. Coração perverso, cheio de perversidades, cheio de apostasias, cheio de emulações da carne, cheio de justificativas mirabolantes para o injustificável.

Nosso coração é repleto de razões que a própria razão desconhece! Por causa das emoções, somos capazes de até mesmo usar Deus, a Igreja e a Bíblia para "enfiarmos o pé na jaca". Usamos o que Paulo nos ensina em I Coríntios 7:9 ("Mas, se não podem conter-se, casem-se. Porque é melhor casar do que abrasar-se") para nos ajuntarmos matrimonialmente em jugo desigual. Usamos o relato da união entre Isaque e Rebeca (Gn 24.67) para justificar a fornicação e o amasiamento.  Minimizamos a extensão do ensino sobre "jugo desigual" (II Co 6.14) quando isso é de nosso interesse; até negligenciamos isso. 

Parênteses: O ensino do jugo desigual não se estende apenas ao caso crente-descrente, como querem alguns. Esse é, aliás, o caso mais simples. Ignoramos, por exemplo, o necessário ajuste que precisa haver entre as famílias do futuro casal. Ignorar isso é trazer a guerra entre as famílias "Martin e Coy", no melhor estilo de Ozark Lark (1960), para dentro do lar, trazendo o inferno para o dia-a-dia do casal. Nota: "O Último Martin" (título original: Ozark Lark) é um curta-metragem de 1960 produzido pela Walter Lantz Productions e distribuído pela Universal Pictures. A história se passa na região de Ozark, marcada pela rixa entre as famílias Martin e Coy. Fecha Parênteses. 

Qual é o resultado disso tudo? Vai desde intermináveis encrencas e confusões, passando por gravidez indesejada e DSTs, podendo muitas vezes chegar à violência (verbal, sexual ou mesmo física) e a morte (espiritual, eterna ou até mesmo física). Quantos casais hoje vivem infelizes no casamento, vivendo de aparências diante das pessoas e/ou da Igreja, até mesmo orando até para o cônjuge "bater com as dez", porque hoje constataram que "enfiaram o pé na jaca" no passado? Quantos jovens vivem uma infeliz vida dupla, passando por crentes fiéis quando na presença dos irmãos de fé e, quando longe destes, uma vida completamente mundana e impura, entregando-se às paixões da mocidade? Quantas famílias foram e são solapadas por gravidez indesejada, com o filho - resultado do sexo sem compromisso - sendo criado por avós e mães/pais soletiras(os)? Quantas moças e rapazes estão escondendo de seus pais as DSTs que contraíram? Isso sem falar no consumo de maconha/cocaína/crack/ecstasi, nos estupros, no alcoolismo, etc.

A moçada tem o costume de achar que "a parada é o momento", ou seja, que o que importa é o aqui e agora; depois a gente resolve. Porém, a experiência mostra que problema nenhum se resolve com o tempo, ao contrário: se agrava  mais e mais. Cada vez mais o problema se avoluma, tomando conta de tudo e de todos, até que por fim ele acaba sufocando a pessoa de tal ponto que não resta mais alegria, mais contentamento, mais felicidade alguma. Daí, o abismo está aberto e, para mergulhar de vez nele, para sempre, resta muito pouco; o diabo, sabendo disso, fará de um tudo para dar à pessoa uma última e derradeira pisada na jaca. Essa última pisada na jaca, induzida pelo terrível Acusador, pode ser de muitas formas: um mergulho sem volta no mundo da prostituição, das drogas ou do álcool; na violência e criminalidade; ou até no suicídio. A lógica infernal dessa última pisada é a seguinte: "uma vez no inferno, abrace o capeta". 

Daí, mano/mana, para você que está com o pé coçando para enfiar na jaca, escute o coroa aqui: NÃO FAÇA ISSO! Sai fora dessa encrenca! Pica a mula, camarada! Corra para Jesus, corra para a razão e tome juízo! Não seja miolo mole! Você quer viver uma vida feliz, não quer? Quer ter o que sempre sonhou - inclusive morar no céu um dia - não quer? Então, se liga! Se você insistir com isso, vai dar bode - e bodão preto - para chifrar você o restante da vida! Para quê isso, se você pode ter tudo - prazer, alegria, vida, amigos, emoções fortes, etc no Reino de Deus?! Sério! Cara, você tá por fora do que é emoção!  Quer coisa mais emocionante do que arriscar a vida pregando o Evangelho aos perdidos pecadores?!? Quer mais emoção do que encarar o capeta face-a-face para libertar um prisioneiro dele? Quer mais adrenalina do que sentir Jesus de pé, do seu lado, no momento de oração e comunhão com Ele? Quer mais emoção diária: que tal ser um missionário cristão nos países árabes? Ou na China? Ou nos países africanos, comendo aranha frita no almoço em prol do Evangelho?

E você, mano/mana, que já enfiou o pezão 44 na jaca podre: Deus pode LIBERTAR VOCÊ! Sim, Ele tem todo o poder para isso! Agora, fica aqui a dica: Jesus perdoa o seu pecado e salva você; mas o cheiro e o visgo da jaca ficam no seu pé. Isso significa que a consequência da lambança virá, camarada! A jaca tem um visgo que para sair é um sufoco, e o cheiro da jaca na geladeira "contamina" a geladeira inteira! De Deus ninguém zomba, por isso aquilo que plantamos é exatamente aquilo que colheremos. Arrumou filho fora do casamento: queridona, queridão, segura a onda! Não tem como devolver para o ventre o filho gerado! Casou errado? Arrumou uma dona encrenca como esposa? Arrumou um zé ruela como marido? I'm sorry: é seu marido! É sua esposa! E na alegria e na tristeza, na saúde e na doença, na encrenca e no melodrama mexicano, viu? 

"Papai, tem misericórdia!" Ele tem, graças a Deus por isso! Haverá alívio em alguns momentos, mas escute novamente o coroa aqui: O IDEAL JAMAIS ACONTECERÁ! O relacionamento ideal é construído da forma ideal, dentro dos padrões e princípios divinos para o casal. Fugiu do ideal, o que resta é a não-idealidade! Isso me lembra da época que eu estudava Termodinâmica: um gás, para ser considerado gás ideal, precisa obedecer condições muito, mas muito específicas. Esse gás era descrito por uma equação simples, a equação de Clayperon (P.V = n.R.T). Não fossem essas condições específicas obedecidas, o gás não podia ser considerado gás ideal; ele era considerado gás real. E a equação de um gás real podia ser bastante complicada (como as equações de Peng-Robinson, Redlich-Kong e Benedict-Webb-Rubin, só para citar algumas)!  E quanto mais complicada a equação, mais difícil é resolvê-la...!!!

(Equação de Benedict-Webb-Rubin, BWR)
  
Enfiou o pé na jaca? Retire o pé enquanto é tempo! Saiba, porém, que o cheiro e o visgo da jaca permanecem; a intensidade depende de quanto tempo você usou a jaca como sapato! Às vezes, nem com um banho com óleo da unção sai! Tem consequências tão sérias que levamos para a vida toda, às vezes até para a eternidade. Agora, não enfiou o pé na jaca ainda? Não procure fazê-lo! 

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

FALTOU O CONHECIMENTO, SOBROU A ESPECULAÇÃO


"Eis que o meu povo está sendo arruinado porque lhe falta conhecimento da Palavra."(KJAP)
"O meu povo está sendo destruído, porque lhe falta o conhecimento." (BP)
(Os 4.6a)

Destruição, ruína, perecimento... é a situação do povo de Deus, nas palavras de Oséais. Tudo porque faltou ao povo de Deus o conhecimento; não um conhecimento qualquer, mas o conhecimento de Deus! Quando continuamos a ler esta passagem, vemos que Deus responsabiliza diretamente o sacerdote porque este rejeitou o conhecimento de Deus. Assim, ambos - sacerdotes e o povo - rejeitaram o conhecimento; Deus vai justamente rejeitá-los. Esqueceram-se a lei de Deus; nem a desejaram nem se esforçaram para mantê-la na mente, e transmiti-la a lembrança de sua posteridade; por isso, Deus vai justamente esquecê-los e seus filhos. 

Como conhecer a Deus? Ora, pela Sua Palavra! O próprio texto de Oséias é muito claro nesse sentido, ligando a falta do conhecimento de Deus à rejeição por sua Lei. Porque eles, o povo de DEUS, rejeitaram a Lei de DEUS, então estavam sendo destruídos. Eles são destruídos por falta da Palavra de Deus, pois o verdadeiro conhecimento de Deus é a vida da alma, a verdadeira vida, a vida eterna, como diz o nosso Salvador: "Esta é a vida eterna: que te conheçam a ti, único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste." (Jo 17.3) Nosso Senhor nos ordenou: "Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam" (Jo 5.39). 

Hoje, vivemos exatamente os mesmos dias de Oséias. O povo de Deus - sacerdotes e povo (no conceito típico do meio evangélico atual) rejeita fortemente as Escrituras, a Bíblia, como base para o exercício da fé cristã. Os "sacerdotes" (clero evangélico) rejeitaram a Bíblia. Se - e quando - é citada nos cultos, é fora de contexto, servindo apenas como pretexto para ratificar as práticas do sacerdote ou da denominação a que pertence. A mensagem da cruz foi trocada por uma mensagem de auto-ajuda psicologizada, com forte carga emocional e apelativa, com ênfase financeira derivada de uma teologia monetarizada, buscando assim cativar e manter pessoas. Estas, por sua vez, não tem nenhum interesse em ler a Bíblia e conhecê-la (apesar da imensa facilidade em se conseguir uma). Com a desculpa de considerá-la "difícil de ler", "rebuscada", etc., as pessoas no geral preferem que alguém as diga o que fazer - isso se for do interesse, é claro - do que elas mesmas buscarem O Caminho e conferirem as mensagens pregadas. Assim, preferem ouvir um líder carismático falar sobre "como ficar rico em 10 semanas", "como vencer Mamom e Limom dando o seu tudo para deus", "hedonismo cristão - como alcançar essa bênção", etc. - e sequer LER A BÍBLIA para ver se é assim mesmo - do que ouvir sobre pecado, inferno, vida e morte eterna, santificação, caráter cristão, etc. 

Assim, sacerdotes e povo seguem... seguem sem Deus, rejeitando a Deus e Sua Palavra... seguem o caminho errado, nada parecido com o caminho ensinado por Cristo e por seus apóstolos (Pedro, Paulo, João, etc). Quem estuda a Bíblia e "lê" o meio evangélico moderno, facilmente percebe que não são equivalentes. Facilmente vê que não são compatíveis; é como tentar encaixar um cilindro num espaço com a forma quadrada. Ao contrário: quem estuda a Palavra facilmente percebe que as mesmas coisas que a Bíblia combate, considerando-as como erro, como apostasia da fé, são exatamente as mesmas coisas que são praticadas hoje! São pessoas perdidas, desorientadas biblicamente! 

Sei que mesmo assim há gente séria, que tenta ainda buscar ao Senhor, mesmo estando debaixo de um sacerdócio que rejeitou a Bíblia. Existe povo de Deus em muitos lugares, até naqueles onde Deus não está, onde Ele não habita. Isso acontece porque o Espírito Santo, que é Deus, é ilimitado em Suas ações e ministério, convencendo o homem do pecado, da justiça e do juízo onde quer que este homem esteja. Ele não fala de Si mesmo - ainda que pudesse fazê-lo - mas anuncia a Cristo ao homem: "Mas, quando vier aquele, o Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir. Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar." (Jo 16.13,14) Até mesmo em lugares que se enquadram espiritualmente como Babilônia é possível encontrar povo de Deus (Ap 18.4).

Ministerialmente, sem falsas modéstias - que são, na verdade, hipocrisia - tenho zelo pelo conhecimento da Palavra, tanto meu, como pastor, como do rebanho que pastoreio. A Igreja a que pertenço tem essa característica: levamos a Deus e a Sua Palavra muito a sério. Culto após culto, reunião após reunião, seguimos pregando a Palavra de Deus e exortando os crentes a conhecerem e viverem as verdades das Escrituras. Ensinamos a Palavra como Verdade Absoluta de Deus para o homem, não mercadejando com ela, nem manipulando-a ou suavizando-a para atrair pessoas. A Palavra de Deus é o que é, porque Deus é o que é - Ele é, era e há de ser, o Princípio e o Fim, o Alfa e o Ômega da Igreja e de toda a Criação! Temos em funcionamento no RJ um Seminário Bíblico-Teológico, com mais de 10 anos de existência, num curso presencial nível bacharel (curso livre) com duração de 06 (seis) anos (atualmente com 09 alunos matriculados) todo em material próprio (apostilas); em Volta Redonda, nossa filial, temos uma extensão do Seminário, com ensino a distância, e um Curso de Preparação Profética Intensiva (CPPI), onde estuda-se as Escrituras de forma profunda e detalhada!

Domingo passado, uma ovelha minha veio a mim, perguntando-me acerca dos últimos acontecimentos do meio evangélico moderno. Perguntou-me sobre uma polêmica atual do meio evangélico brasileiro, ligada a construção do "templo de Salomão" pela Universal. Segundo ele, havia uma polêmica circulando na mídia, dizendo que o anticristo iria usar esse templo. Daí, ele queria saber que história era essa; ele sabia que aquilo estava errado, mas corretamente buscou seu pastor e mestre para conferir. "Como assim, pastor?" Bem, fui atrás da tal polêmica, para me familiarizar com ela, a fim de poder responder a amada ovelha. Fui atrás e achei a fonte de tudo: segundo uma matéria publicada no site "Gospelmais", fiéis da Igreja Universal afirmavam que réplica do Templo de Salomão, construído recentemente pela denominação, será o local de “assentamento do anticristo” (link da matéria: http://goo.gl/acJ3O. Acesso em 06/08/14, às 16h25min). A notícia tem como base o texto publicado no blog "Evangelista da IURD" (link: http://evangelistasdaiurd.blogspot.com.br/2013/01/a-profecia-revelada-templo-de-salomao.html . Acesso em 06/08/14, às 16h25min)

Analisei a postagem publicada no blog "Evangelista da IURD". Se, por um lado, ela tem mérito na tentativa de buscar na Bíblia a verdade, por outro lado ela falha na interpretação correta dos textos bíblicos citados. São muitos os erros crassos ligados à interpretação básica, à cultura bíblica mínima. Se houve boa intenção em trazer despertamento, por outro lado o autor precisa estudar mais a Palavra, de forma a não cometer os erros de hermenêutica e exegese bíblicas apresentado em sua postagem.  Proponho o seguinte: vamos colocar os "pingos nos is". Vamos analisar texto bíblico com o seu contexto, sempre, porque é assim que um crente deve estudar a Palavra. Vamos deixar de lado os chutes, as especulações, as teorizações da própria cabeça. Vamos para a Bíblia!

Portanto, comecemos a partir do mesmo ponto. Vejamos o que o Evangelista Marcos sobre o assunto: "Ora, quando vós virdes a abominação do assolamento, que foi predito por Daniel o profeta, estar onde não deve estar (quem lê, entenda), então os que estiverem na Judéia fujam para os montes." (Mc 13.14). Note que o texto não diz que algo está "fora de lugar", mas sim que está no lugar onde não deveria estar. Apesar de parecer, não é a mesma coisa. Uma coisa fora de lugar pode, eventualmente, ficar nesse lugar. Por exemplo, um pé de sapato solto de seu par, noutra prateleira, dentro da sapateira está fora de lugar, mas nada impede que fique desse jeito. Contudo, algo que está no lugar onde não deveria é algo que está num lugar proibido para aquela coisa. Por exemplo, uma barata dentro do pote de açúcar. Percebeu a diferença? Então sigamos em frente. Conforme esse texto, o que está no lugar onde não deveria? A resposta é "abominação do assolamento" (ou abominação da desolação, ou desoladora, etc., refere-se a mesma coisa). Assim, é a abominação do assolamento que está no lugar onde não deveria estar. Ok? 

Será que existe nos evangelhos sinóticos outras passagens semelhantes? E o restante da Bíblia, tem algo a dizer sobre o assunto? Precisamos verificar, afinal na Bíblia não há contradições doutrinárias. O ensino de um livro bíblico não se choca com o ensino de outro livro bíblico. "Quando, pois, virdes que a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, está no lugar santo; quem lê, atenda". (Mt 24.15) Opa! Aqui temos uma dica importante: Jesus cita a predição de Daniel quando se refere a abominação da desolação, a qual está no lugar santo. Ora, se há abominação no lugar santo, ficou óbvio o porque Marcos afirma que esta abominação está no lugar onde não deveria!

Já que o Senhor citou Daniel, vejamos o que esse livro tem a dizer: "E estarão ao lado dele forças que profanarão o santuário, isto é, a fortaleza, e tirarão o holocausto contínuo, estabelecendo a abominação desoladora." (Dn 11.31) Olhando para este texto, a abominação desoladora (ou da desolação, se preferir) é estabelecida no lugar de alguma outra coisa. Qual? O próprio texto responde: o holocausto contínuo. O que é esse holocausto? Holocausto é um dos tipos de ofertas estabelecidas por Deus nos Livros de Êxodo e Levítico, no Antigo Testamento. O holocausto era um sacrifício que estava completamente queimado. Nada dele era comido, e então o fogo consumia o sacrifício inteiro. Nele, o adorador israelita trazia um animal masculino (um touro, cordeiro, cabra, pombo, ou rola, que dependem da riqueza do adorador) para a porta do tabernáculo. O animal devia ser sem defeito. Os sacerdotes eram responsáveis por lavar as várias partes do animal antes de colocar sobre o altar, que ficava no santuário.

Logo, como a abominação desoladora é estabelecida em substituição ao holocausto contínuo, conclui-se essa abominação desoladora está sendo oferecida no altar de holocausto. Fica muito óbvio novamente o porquê Marcos afirmar que esta abominação está no lugar onde não deveria: porque ela está sendo oferecida no altar de Deus! Perceba que, deste modo, o que está fora de lugar não é o Templo, como diz a postagem; mas sim a abominação.

Por outro lado, em nenhum lugar diz que esse templo, que será alvo de tamanha profanação, é o Templo de Salomão. O templo de Salomão foi aquele que foi construído por Salomão, conforme registrado no Livro de II Crônicas. Esse Templo foi pilhado e destruído na invasão Babilônica: "Porque fez subir contra eles o rei dos caldeus, o qual matou os seus jovens à espada, na casa do seu santuário, e não teve piedade nem dos jovens, nem das donzelas, nem dos velhos, nem dos decrépitos; a todos entregou na sua mão. E todos os vasos da casa de Deus, grandes e pequenos, os tesouros da casa do SENHOR, e os tesouros do rei e dos seus príncipes, tudo levou para Babilônia. E queimaram a casa de Deus, e derrubaram os muros de Jerusalém, e todos os seus palácios queimaram a fogo, destruindo também todos os seus preciosos vasos. E os que escaparam da espada levou para Babilônia; e fizeram-se servos dele e de seus filhos, até ao tempo do reino da Pérsia." (II Cr 36.17-20) O Templo que foi reconstruído em seu lugar é o chamado "Segundo Templo", após o retorno do cativeiro na Babilônia, sob orientação de Zorobabel. O templo começou com um altar, feito no local onde havia o antigo templo, e suas fundações foram lançadas em 535 a.C.. Sua construção foi interrompida durante o reinado de Ciro, e retomada em 521 a.C., no segundo ano de Dario I. O templo foi consagrado em 516 a.C.. Diferentemente do Primeiro Templo, este templo não tinha a Arca da Aliança, o Urim e Tumim, o óleo sagrado, o fogo sagrado, as tábuas dos Dez Mandamentos, os vasos com Maná nem o cajado de Aarão. A novidade deste templo é que havia, na sua corte exterior, uma área para prosélitos que eram adoradores de Deus, mas sem se submeter às leis do Judaísmo.

Nos quinhentos anos desde o retorno, o templo havia sofrido bastante com o desgaste natural e com os ataques de exércitos inimigos. Herodes, querendo ganhar o apoio dos judeus, propôs restaurá-lo. As obras iniciaram-se em 18 a.C., e terminaram em 65. O segundo templo foi destruído pelos romanos, através de Tito, no ano 70 depois de Cristo.

Quando é que vai se dar esta abominável desolação? A última semana de Daniel, ou a septuagésima semana de Daniel, é justamente esse período que se aproxima, chamado de Grande Tribulação. Que vai acontecer logo depois do arrebatamento da Igreja. A Igreja vai ser tirada da terra; e quando a Igreja for tirada da terra, o Anticristo assume o comando. E este elemento, quando assumir o comando, ele vai ser recebido justamente pelos judeus, que vão dar as boas vindas para ele como o Messias. Os judeus andarão de braços dados com o Anticristo sem saber, porque ele vai trazer soluções extraordinárias para o mundo. Mas quando chega no meio dessa tribulação, dessa semana (de anos), conforme disse Daniel, ele vai quebrar o pacto, fará cessar o sacrifício, e vai colocar a abominável desolação.

Então ao termo dos primeiros três anos e meio da Grande Tribulação, isto é, no meio desse período, o Anticristo simplesmente vai entrar no santuário, em Jerusalém, vai remover o sacrifício contínuo dos judeus e vai colocar ali uma abominável desolação. Possivelmente fazer o que Antíoco Epifânio fez, colocando uma porca no altar de sacrifício (lembre-se que porco é um animal considerado imundo segundo o livro de Levítico) e/ou uma imagem do anticristo sobre o altar, a exemplo do que também fez Antíoco erguendo uma imagem do deus pagão Zeus Olímpico sobre o altar do holocausto. O Anticristo entrará no templo judeu, que então terá sido reconstruído em Israel, já que não existe atualmente. Ele proibirá o sacrifício contínuo (diário) e colocará no Templo (a “fortaleza”) algo denominado “a abominação desoladora”. Note que forçosamente é preciso que, segundo a Escatologia Bíblica (que leva em conta o livro de Apocalipse, de Daniel e outros) o Templo seja reconstruído em Israel (não no Brasil) na primeira metade da grande tribulação (Dn 9.27; II Ts 2.4,9).

Segundo Arno Froese, "fazemos bem em compreender que os sinais do final dos tempos dados pelo Senhor são especificamente direcionados a Israel. Quando Jesus explicou os eventos dos tempos finais a Seus discípulos juntamente com os sinais que aconteceriam antes de Sua volta, Ele endereçou essas palavras ao povo de Israel." (http://www.chamada.com.br/mensagens/sinal_do_fim.html)

Pastor, e quanto ao templo construído no Brasil? Bem isso é outra história. De antemão, afirmo que nada tem de especial no sentido espiritual, como se fosse mais poderoso ou sobrenatural do que qualquer galpão alugado onde funciona uma Igreja genuinamente evangélica. Trata-se de uma construção que buscou representar aquilo que um dia existiu enquanto estrutura física, porém que jamais representará a estrutura espiritual, conforme registrado em Crônicas. Vivemos hoje na Nova Aliança, onde Jesus é o centro; onde todas as liturgias, símbolos e tipos do Antigo Testamento foram Nele cumpridos e, com isso, tornaram-se obsoletos e inapropriados no relacionamento entre Deus e os homens. Por exemplo, em Cristo foi abolida a circuncisão, os sacrifícios de holocausto, etc. Em Cristo, vivemos não a Lei, mas a Graça.

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

segunda-feira, 9 de junho de 2014

NEM TANTO AO MAR, NEM TANTO A TERRA: EQUILÍBRIO EMOCIONAL É O MELHOR, SEMPRE!


"Se chorei ou se sorri, o importante é que emoções eu vivi" (Emoções, Roberto Carlos).

Emoções... agitações de sentimentos, por vezes antagônicos, conflitantes. Postula-se que a palavra deriva do latim emovere, onde o e- (variante de ex-) significa "fora" e movere significa "movimento". As emoções são tão complexas e intrincadas que não existe uma teoria psicológica para as emoções que seja geral ou aceita de forma universal. Do mesmo modo, as emoções são tão poderosas que quando manifestas em plenitude sobrepujam a lógica - por isso, já dizia Blaise Pascal: "O coração emite razões e reações que a própria razão desconhece".

Donde vem as emoções? Por certo, não dá para explicar sua existência à luz do darwinianismo. Tampouco dá para explicá-las à luz dos fenômenos bioquímicos complexos da química cerebral. Tanto o primeiro quanto o último são reducionistas, empobrecendo um fenômeno tão maravilhoso e tão complexo! A melhor e mais completa explicação sobre as emoções é teológica, isto é, teo-lógica, dentro da lógica de Deus: As emoções que possuímos vem de Deus. Deus, ao criar o homem do pó da terra, conforme o Livro de Gênesis, sopra em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente. Esta é uma descrição bela e simples, que possibilita o entendimento de qualquer pessoa. A alma humana (nephesh) é formada, assim, pelo contato entre o fôlego de vida (nshamah chay) soprado por Deus com a matéria, o pó da terra (`aphar). Ao soprar o fôlego de vida, Deus soprou em Adão - o primeiro homem - aquilo que Ele possui, aquilo que é próprio de Deus. Deus não soprou "ar" (mistura de gases: O2, N2, CO2, etc), mas soprou nas narinas daquele ser algo espiritual, derivado do próprio Deus. Esse "sopro divino" trouxe consigo elementos próprios à sua natureza.

Olhe por um minuto para o restante da criação de Deus: todos os animais possuem algo chamado instinto. Instinto é o impulso interior que faz um animal executar inconscientemente atos adequados às necessidades de sobrevivência própria, da sua espécie ou da sua prole. Quando observamos uma leoa cuidar de seus filhotes podemos até nos encher de ternura; porém, aquele animal faz tal coisa por mero instinto. Não há uma consciência moral - "o dever de mãe" - por parte da leoa com seus filhotes (note que a recíproca é verdadeira: quando o animal cresce, ele segue seu caminho sem nenhum laço emocional com sua progenitora, apesar desta ter cuidado dele; do mesmo modo, ela não dá nenhuma importância a seu filhote quando crescido - não há uma família, a leoa não vira avó, rs). Nem há um sentimento de amor ou carinho do animal com sua prole. Nós atribuímos isso aos animais - nossas características morais e emocionais, porém só nós as possuímos verdadeiramente. Não devemos reduzir o homem, coroa da criação de Deus, ao restante da criação, pois são coisas separadas. A nossa alma é diferente da alma dos animais, sendo criada de forma diferente da deles. O Espírito Santo não considerou relevante informar ao homem como a alma dos animais foi criada, mas em Sua Sabedoria infinita considerou tal coisa no que tange ao homem.

As emoções que possuímos, portanto, vieram de Deus no momento em que Ele resolveu em Seu eterno propósito criar o homem e são constituintes inseparáveis da alma humana. Noutras palavras, não há nenhuma possibilidade de que o homem não possua emoções, por isso seria equivalente remover a alma humana, o que se dá somente por ocasião da morte. Toda pessoa viva possui emoções - e as mais variadas possíveis: raiva, amor, compaixão, tristeza, ternura, amizade, etc.  Essa variação também aponta para Deus. No início, estas emoções estavam todas em equilíbrio em nossa alma. Estávamos em perfeita harmonia com Nosso Criador, com a criação e conosco mesmo. Com a queda, contudo, o pecado gerou em nós um processo de desequilíbrio e de afastamento de Deus, sendo ele mesmo (os efeitos do pecado) um ato inicial quanto um processo ininterrupto na vida do homem.

Parênteses (1): São várias as religiões e filosofias orientais que trazem ao homem uma proposta de "reequilibrar seu interior", de "entrar em harmonia com o cosmos", etc, por meio de técnicas de relaxamento e meditação. Contudo, do ponto de vista bíblico, tal coisa é impossível: o homem só poderá ter o perfeito reequilíbrio de seu interior quando este homem, convertido à Cristo, tiver seu exterior transformado pelo poder de Deus, quando o que é mortal se revestir da imortalidade e que aquilo que é corruptível se revista da incorruptibilidade (I Co 15.50-53). Até lá, o controle emocional só é possível por meio do Espírito Santo, que habita no crente, controlar suas emoções quando - e somente quando - este permitir tal controle. Tais técnicas são, na verdade, consideradas pecado por parte de Deus, pois são a tentativa (pífia, por sinal), do homem prover para si mesmo aquilo que necessita independente de Deus; noutras palavras, essas técnicas são a manifestação do mesmo pecado que o homem cometeu no Éden: querendo ser igual a Deus, desobedeceu Seu Pai e Criador e condenou, com isso, toda (T-O-D-A) a criação a estar sob influência direta do pecado. Fecha parênteses.

Assim,  o pecado que cometemos no Éden desestabilizou toda a nossa tricotomia. O corpo a cada dia que passa envelhece, adoece e se decompõe; não existe um único órgão, osso, célula do corpo humano que não seja passível de adoecer, envelhecer e por fim morrer. Nosso espírito (parte nossa responsável pelo nosso contato e ação no mundo espiritual) está morto em nós (separado de Deus) e nossa alma está em total confusão, fazendo as vezes do espírito, e cheia de complexos, culpas, medos, fobias, etc... além das confusões emocionais. As tão conhecidas "crises emocionais"! Um turbilhão de emoções avassaladoras, com altíssimo poder em si mesmas - tanto para construir, quanto para destruir! As emoções são tão intensas e tão incompreendidas que diante delas temos duas reações básicas: ou extravasá-las ou reprimi-las. Ambas as reações podem ser - e são, na maioria das vezes - negativas, porque interferem naquilo que somos essencialmente.

Somos ensinados a reprimir nossas emoções. Há uma robotização do ser humano, buscando cada vez mais anular as emoções em detrimento da razão. Desde crianças somos ensinados a reprimir: "não chora senão você apanha!", "homem não chora!", etc. Assim acontece nas empresas, nas indústrias, nas escolas e, pior ainda, nas igrejas (especialmente nas tradicionais, ainda que tristemente esta realidade seja a mesma em muitas igrejas ditas renovadas). Muitos são os teólogos atuais, modernos, que combatem radicalmente qualquer manifestação emocional no culto: "não pode bater palmas ou dar brados - os famosos "aleluias! Glórias a Deus!", porque o culto é silencioso e contemplativo" (!?!). Noutras palavras, alegria está riscada do culto a Deus! Nada de riso! A única emoção permitida aqui são as lágrimas! Triste herança do catolicismo romano, onde a liturgia é tão rígida e inflexível - tal qual o homem a planejou - que não há espaço para manifestações humanas na adoração e serviço a Deus. "Sigam o rito, porque seguindo o rito, com cara amarrada e boca fechada, Deus se agradará de vós", dá para ouvir em cada expressão carrancuda dos teólogos e pastores anti-emoção. De onde veio isso? Da influência platônica na teologia da Igreja. Platão, no século IV a.C, apregoava que o homem deveria suprimir sua sensibilidade, suas emoções, pois elas o impediriam de agir moralmente, ou seja, racionalmente. Para ele, filosofar era agir puramente de forma racional!

Sabe o que isso produz? Gente doente! Doente de alma! Pessoas cheias de patologias almáticas. Gente que vê bagunça e diabo em tudo, cheios de neuroses e psicoses! Não parecem gente, parecem máquinas! São "Exterminadores do Presente", inflexíveis, durões! Afinal, o que vale é a regra do culto; a fidelidade a Deus é a fidelidade à regra do culto - regra esta criada pelo próprio homem! Ora, quem disse - e onde está escrito na Bíblia - que o culto não pode ter o aspecto emocional envolvido como participante? Quem estabeleceu quais emoções - e suas manifestações - podem e quais não podem, quais são aceitas e quais não são - e pior ainda - por Deus?!?

1 CELEBRAI com júbilo ao SENHOR, todas as terras.
2 Servi ao SENHOR com alegria; e entrai diante dele com canto.
3 Sabei que o SENHOR é Deus; foi ele que nos fez, e não nós a nós mesmos; somos povo seu e ovelhas do seu pasto.
4 Entrai pelas portas dele com gratidão, e em seus átrios com louvor; louvai-o, e bendizei o seu nome.
5 Porque o SENHOR é bom, e eterna a sua misericórdia; e a sua verdade dura de geração em geração.

(Salmo 100)

Celebração, júbilo, alegria, canto, gratidão, louvor... tudo isso envolve as emoções!!!! E esse Salmo é só um pequeno exemplo!

Obviamente - e não podia deixar de ser assim - há o outro lado da moeda: há aqueles que postulam que as emoções devem ser extravasadas a qualquer custo, a qualquer preço. Desse lado, olhando para dentro da igreja, estão aqueles que são contrários a toda a forma de liturgia. O culto a Deus, para estes obrigatoriamente precisa envolver barulho, agitação, movimento. É a turma do "levante os braços", "dê um brado", "pule no seu lugar", "grite no ouvido do seu irmão", etc. Ainda que as movimentações físicas tenham o seu lugar no culto, aqui estamos tratando dos excessos. Ou seja, nesse extremo, não há lugar para a introspecção, para a reflexão silenciosa. Não há espaço para a razão, para a lógica, pois o único apelo é à emoção e feito com base puramente emocional. Noutras palavras, as emoções são o único parâmetro aceitável para medir a espiritualidade pessoal e coletiva. Daí, entendem que precisam cair no chão e sair rolando, que precisam berrar para serem ouvidos, que precisam pular numa perna só e por aí vai, típico do movimento neopentecostal.

Assim, na forma litúrgica do discurso neopentecostal, percebe-se que há uma fixação em expressividade emocional intensa. Qualquer forma comedida e tímida de louvar a Deus no momento de culto é radical e toscamente constrangida se não estiver sob o formato de expressão intensa e ampla de emoções, o que é julgado por ideal. O Louvor a Deus é medido por essa expressividade emocional que precisa ser extensa e intensa, senão não é caracterizado como louvor ao Pai. Um formato litúrgico é imposto como o verdadeiro e o idealmente aceito. Esse formato litúrgico é equivocado, pois se baseia na exclusividade de apenas um item da dimensão humana como fator expressivo do louvor, desconsiderando todas as outras muitas dimensões da subjetividade humana. Um parâmetro de louvor ideal equivocadamente se estabelece levando em consideração somente um aspecto do humano (grifo adicionado). Um louvor comedido de emoções e catarses é típico de "almas sem Cristo e que não oferecem o melhor para Deus". Dizem: "deem o seu melhor para Cristo". E esse "melhor" a que o clero litúrgico se refere é a expressividade ampla, extensa e intensa de emoções e gestuais. Nesse "melhor para Cristo", o âmbito do cristianismo genuíno fora decepado para ceder formato a um reducionismo na vida do suposto adorador. A vida de adorador se avalia pelas emoções expressas no culto, somente. É a chamada Adoração Extravagante. De onde tiraram respaldo bíblico para esse nome não se sabe. (Prof. Karene Monte, http://www.batistaspi.com.br/site/wp-content/uploads/2013/04/Excel%C3%AAncia-no-Planejamento-do-Culto.pdf)

A bem da verdade, reitero: tanto a repressão quanto o extravasamento sem limite algum das emoções são situações a serem evitadas pelos crentes em Cristo. O culto a Deus pode conter ambos os elementos, emoção e razão. Isso não é pecado, nem é errado. Mas o que não pode haver é o desequilíbrio, o descontrole, como por exemplo vemos hoje em muitos lugares sendo praticado sob a justificativa de "manifestação espiritual". Muito do "mover espiritual" que hoje vemos não passa de "mover da alma", sem o devido controle do Espírito. As unções de animais, por exemplo, nada mais são do que essa manifestação da alma humana no extravasamento de suas emoções mais complexas. Quando o mover é genuinamente espiritual, não será preciso alguém "iniciar" esse mover; o próprio Espírito Santo fará isso. Quando o mover é Dele, gerado por Ele, e quando é da alma humana, o contraste é muito grande.O mesmo raciocínio se aplica aos dons espirituais e ao batismo com o Espírito Santo.

Parênteses (2): os mestres tradicionais tendem a menosprezar a necessidade e a realidade dos dons espirituais. Segundo eles, são coisas que não existem (como o batismo com Espírito Santo), fruto das emoções humanas. Eu tendo a compreendê-los em sua tese (não significa aceitá-los), por conta da abundante quantidade de excessos e falsificações que há por aí. As falsificações são tantas que é quase impossível não se deparar com uma (como a tal "unção das vassouras", sic). Porém, é importante dizer algumas coisas sobre isso. Primeiro, que muitas dessas falsificações não são feitas por malícia, mas por pura questão emocional. Segundo, que se há falsificações, há o verdadeiro o qual é inversamente proporcional em quantidade com as falsificações, ou seja, se há muito de um, há pouco de outro (nesse caso, há pouco mesmo, quase raro). Agora, o que não dá para fazer - nem aceitar - é dizer que ambos os fenômenos espirituais não existem em nossos dias. Fazer isso é (1) forçar a Bíblia a dizer o que ela não diz (na famosa tese antibíblica do cessacionismo); (2) ignorar as evidências existentes (aconselho ler o livro "A Igreja do Século 20: A História Que Não Foi Contada", de John Walker, que traz uma análise séria e imparcial sobre os fatos históricos. Se quiser posso citar outros 10 autores). Se o excesso e a falsificação conduz à negação da realidade representada, então a lógica impõe que toda falsificação e excesso conduz invariavelmente ao mesmo. Seguindo essa linha lógica, a conclusão estapafúrdia seria que a Igreja verdadeira não existe mais, porque no mundo existe a falsa igreja; não existem mais mestres e profetas verdadeiros, porque existem os falsos e por aí vai. Outro erro nessa lógica é afirmar que estas experiências são falsas. Ora, se são falsas, é porque existe a verdadeira. Só faz sentido dizer que uma coisa é falsa se pudermos dizer que há uma coisa equivalente, porém verdadeira. Isso não conduz à negação, de forma alguma. Fecha parênteses.  

Parênteses (3): Há anos assisto a esse debate Hamletiano interminável sobre batismo com Espírito Santo e dons espirituais. Pergunto: o que isso produziu na história da Igreja? Qual foi a real contribuição que esse debate trouxe para a edificação da Igreja? Continuo perguntando: se essa questão é secundária - como teorizam alguns - então porque fazer "carro de batalha" com ela? Porque insistir com um tema "secundário", que tanto causam contendas e conflitos, que muitos prejuízos trouxeram a causa do Evangelho? Porque os cristãos responsáveis, sérios e tementes a Deus gastam seu precioso tempo (e principalmente tempo do Reino, contrariando assim a orientação apostólica de "remir o tempo") com essas questões secundárias, de somenos importância - e isso há décadas? Para que esse debate interminável? Ora, se é secundário como dizem alguns, então que prevaleça a liberdade cristã: se um grupo assim o crê, não seja combatido por outro que não crê e assim respectivamente, não é isso? O foco não deveriam então ser as questões principais, que realmente importam à fé, questões fundamentais? Porém, a evidência tão notória acerca do debate acalorado sobre essas e outras questões - ditas secundárias - aponta para outra realidade, diferente do discurso poético: quem diz que essas questões são secundárias e não cessa de combatê-las, diz uma coisa na poesia, outra coisa na prática; para estes, tais questões não são secundárias, mas sim PRIMÁRIAS. A bem da verdade, o que existe é a ação de um momento fletor e de uma força cisalhante, intencional ou não, para ou fazer mudar a opinião ou trazer ruptura (divisão) à Igreja. Quem ganha com isso? Eu, com certeza, não ganho nada. O Reino não ganha nada. Duvido que um cristão responsável, sério e temente a Deus ganhe alguma coisa também. Fecha parênteses.    

Sou radicalmente contrário aos excessos, porque via de regra todo excesso leva aos extremos; estes, quando assumidos, levam a extremismos e radicalismos desnecessários e inúteis. Não sou favorável, assim, nem ao extremo do "culto repressor", nem tampouco do "culto libertino, sem regras". Não vejo como arrancar as emoções da alma humana, mas pela Palavra de Deus vejo que elas são passíveis de serem controladas pelo Espírito Santo, podendo ser usadas em todas as atividades humanas, inclusive na adoração a Deus, pessoal e/ou coletiva. Já vi e vivi muito para cair na armadilha do reducionismo, classificando pejorativamente meus irmãos tradicionais como frios; há muita gente que pertence a este grupo de irmãos que tem uma fé mais viva e intensa que muito crente dito avivado: gente que ama a Deus, que ora, que jejua, que lê Bíblia e que é fiel ao Senhor (já servi e tenho o prazer de servir com muitos assim!). Porém, do mesmo modo, me recuso a cair na mesma armadilha ao classificar os meus irmãos renovados ou pentecostais como emocionalistas e falsificadores do que é espiritual. Tenho plena certeza de que há irmãos com experiências espirituais verdadeiras, gente séria e temente a Deus, que vivencia dia-a-dia essa realidade. Do mesmo modo, já servi e tenho o prazer de servir com gente assim!

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

quarta-feira, 21 de maio de 2014

ÉTICA CRISTÃ: HÁ UM PADRÃO BÍBLICO PARA A ROUPA DO CRENTE?



Antes de abordamos o tema proposto, cabe dizer que os tempos atuais são muito diferentes dos tempos antigos em tudo, em especial no que se refere a Igreja. Antigamente, há alguns anos, havia uma preocupação quase que coletiva na maioria dos crentes com questões que hoje são tratadas como supérfluas. Por exemplo, havia muita preocupação com a ética pastoral, o que fazia com que os pastores fossem muito admirados pelos crentes e até mesmo pelos não-crentes. Do mesmo modo, havia uma preocupação com a ética cristã de forma mais ampla, naquilo que poderíamos chamar de "testemunho cristão": cada crente primava pelo bom testemunho em todas as áreas de sua vida, evitando ao máximo causar "escândalos" (sobre escândalos, veja a postagem "ESCANDALOSOS E SEUS ESCÂNDALOS", em http://apenas-para-argumentar.blogspot.com.br/2013/05/escandalosos-e-seus-escandalos.html). 

Hoje, quando falamos em testemunho, muitas pessoas entendem que trata-se tão somente de alguma bênção ou livramento que Deus tenha proporcionado na vida da pessoa. O entender hoje é muito diferente! Isso se dá por várias razões e é muito provável que as gerações passadas tenham de alguma maneira falhado em transmitir esses valores às novas gerações (o problema da geração seguinte: "E foi também congregada toda aquela geração a seus pais, e outra geração após ela se levantou, que não conhecia ao SENHOR, nem tampouco a obra que ele fizera a Israel", Jz 2.10). Outra hipótese é que àqueles a quem foi transmitido os valores cristãos antigos não foi suficientemente forte para fazer o mesmo na sua própria geração, ou até, quem sabe, viu-se impotente diante das rápidas e acentuadas mudanças que o evangelicalismo brasileiro experimentou dos anos 80 em diante.

A verdade, porém, é que de fato muita coisa foi alterada. O que no passado era visto como "comportamento cristão sadio" pela Igreja hoje é visto como algo ultrapassado, velho, caduco, fora de moda. É visto como "legalismo". É interessante notar que o mundo comporta-se exatamente da mesma maneira: o antes "venerado" e "desejado" ato do casamento, sonho de moças e rapazes que desejavam constituir família, hoje é visto como sendo algo banal, sem importância, mera convenção social com pouca ou nenhuma utilidade. Pior é que a respeito do casamento - e de outros valores antigos, bíblicos - a Igreja atual apresenta a mesma visão interpretativa do mundo, ou seja, o casamento como algo supérfluo (haja vista o crescimento do número de pessoas divorciadas na Igreja). Isso é, por si só, algo sintomático; revela um processo de aculturamento da Igreja com o mundo e, consequentemente, afastamento dos padrões bíblicos. É sinal que o sal está cada vez mais sem sabor, sem suas propriedades de salgar. Não é à-toa que o sal insípido está cada vez sendo mais e mais pisado pelos homens, nos meios de comunicação (Tv, jornais, internet, etc) e na sociedade, que insiste em querer dizer à Igreja o que ela deve crer.

Parênteses (1): A IGREJA CRÊ NÃO NO QUE O MUNDO ACHA CERTO. O conceito de certo e errado do mundo nada, absolutamente, tem a ver com a Igreja. A Igreja sadia crê na Bíblia - de Gênesis a Apocalipse - e no Deus da Bíblia. Se isso é loucura para o mundo - e de fato é - paciência, não será a Igreja, "que está no mundo mas não é do mundo" que se mundanizará para ser aceita pela sociedade. Crentes são diferentes? Sim, são. Jesus era diferente daquilo que o mundo convencionava - e até hoje convenciona - sobre Deus? Sim, Ele foi, é e será. Não compartilha da mesma fé? Lamento. Isso é problema e direito seu. Mas não venha impor, direta ou indiretamente, o que a Igreja deve ou não crer. Não gostou do que crê a Igreja? Não frequente-a e que Deus tenha piedade da sua alma. Como cita o Pr. Isaltino, em http://www.isaltino.com.br/2013/08/o-novo-teologo-da-veja/: "a Igreja é a única instituição sobre a face da terra que reivindica autoridade divina. Se o pessoal concorda ou não, se gosta ou não, não vem ao caso. Mas se a Igreja e as igrejas perderem essa noção de substância, nada podem fazer. Nivelam-se a qualquer outra instituição. Sequer merecem o espaço que lhe dão. Não compete aos de fora ditarem a agenda da Igreja e das igrejas. Parece-me com a postura do “cristianismo alemão” e das igrejas controladas em países comunistas: “Vocês pregam o que nós dizemos”. Não querem os palpites da Igreja? Recusem-nos. Mas não deem seus palpites à Igreja. A Igreja não se vê como uma ONG criada para satisfazer as pessoas e massagear seu ego. Ela tem valores muito ricos, que vêm de milhares de anos, não pode se pautar pelas novidades que surgem." Fecha parênteses. 

Parênteses (2): Hoje, há o retorno da velha estratégia do inferno em mudar o texto bíblico quando não se concorda com ele. Há uma proliferação de "bíbrias" dos mais diversos tipos e gostos, elaboradas arrancando-se textos e passagens da Bíblia ou modificando sua redação. Isso é válido? Sim, perfeitamente. Podem criar uma religião - ou mesmo Igreja - em torno dessas adulterações da bíblia? Sim, podem. A pergunta é: será que Deus concorda com isso? Será que Ele aprova? Vamos deixar O próprio responder:  "Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro; E, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas neste livro." (Ap 22.18,19) Àqueles que modificam o texto bíblico, atenção! Fecha parênteses.

Nessa argumentação, abordaremos uma dessas práticas "cristãs religiosas" (se quiser chamar assim) que foi modificada pela sociedade: a questão do vestuário. Logo de saída, antes de qualquer coisa, atenção: Não há um padrão bíblico para tipo de pano ou de roupa! Os crentes não são chamados a usarem vestes talares ou roupões (como é costume de alguns); porém, do mesmo modo, não são chamados a usarem "micro-isso" ou "micro-aquilo". Um crente não deve nem viver como legalista, nem tampouco como mundano; a posição bíblica correta é sempre a liberdade com responsabilidade. Mas como ela se manifesta neste sentido? O que a Bíblia ensina? Obviamente, os exemplos bíblicos que serão vistos, dos quais extrairemos os princípios que devem reger nossas vidas como filhos e filhas de Deus, se referirão ao sexo feminino, por um contexto histórico-cultural; no entanto, por ilustrarem princípios eternos, valem para ambos os sexos e para nossos dias e dias futuros. Assim, atenção: Os exemplos são HISTÓRICOS-CULTURAIS; já os PRINCÍPIOS ilustrados nos exemplos são ETERNOS.

1) Paulo e as Mulheres em Corinto: "Portanto, se a mulher não se cobre com véu, tosquie-se também. Mas, se para a mulher é coisa indecente tosquiar-se ou rapar-se, que ponha o véu." (I Co 11.6; ver também vv.13-16)

O apóstolo Paulo, nesse texto, exorta às mulheres cristãs de Corinto, com relação ao uso do véu. Por que ele tratou desse tema naquela igreja (e não nas demais)? Esse fato indica que havia alguma coisa em Corinto, que não havia noutras cidades onde Paulo estabeleceu Igrejas. Ou seja, havia um motivo histórico-cultural, típico de Corinto, para Paulo tratar desse tema nessa Igreja. Na Antigüidade, a mulher carregava no corpo um sinal da autoridade do marido. Esse sinal era o véu. Esse mesmo costume prevalece até hoje entre alguns povos do Oriente. Nestes lugares, a mulher honesta não deve aparecer em público sem o véu, ou algo correspondente. Era um sinal da honra e da dignidade das mulheres (Gn. 24.65; Ct 4.1).

Também considerava-se o véu um sinal de subordinação da mulher ao marido, por isso que não o usavam as mulheres de luto, as prostitutas e as esposas infiéis.  Na cidade de Corinto localizava-se o "templo de afrodite",  templo que era frequentado por 1.000 sacerdotisas/prostitutas, mantidas a expensas do povo, onde sempre estavam prontas para se entregar a prazeres imorais, como culto à deusa. A prostituta cultual, para se diferenciar da mulher de bem, fazia o seguinte: raspava o seu cabelo, assim, todos que vissem uma mulher com cabelo raspado, saberia de que se tratava de uma prostituta cultual de Afrodite. Esta era uma forma de identificá-las.O Templo de Afrodite ficava plantado sobre a acrópole de Corinto, e tanto os homens para lá subiam a fim de ter relações sexuais com as sacerdotisas prostitutas cultuais, como também, regularmente, elas mesmas desciam a montanha, até a cidade, na qual havia também toda sorte de bacanais e orgias. Ora, tão forte era esse perfil da cidade, que no mundo grego, havia o verbo "corintianizar".

Assim, qual era o princípio envolvido na recomendação do uso do véu por Paulo às irmãs em Corinto? O princípio fundamental nas instruções de Paulo é o respeito pelo local de culto e pelo culto, propriamente dito. A questão de ausência do véu servia de escândalo, pois as irmãs da Igreja eram confundidas com as sacerdotisas de Afrodite. Obviamente, o que Deus tencionou em nos ensinar com este exemplo é que a mulher (e o homem) cristão não deve se vestir ou se comportar de forma a ser confundido com um mundano (além de, é claro, respeitar o culto e o local de culto).

Como aplica-se isso hoje, ou seja, como aplica-se esse princípio hoje? Ora, basta uma rápida olhada na nossa sociedade, que cada vez mais prima pela exposição do corpo, beirando em muitos casos a nudez (especialmente feminina). Hoje, por certo o apóstolo Paulo proibiria às mulheres cristãs usarem microvestidos apertadíssimos, calças justíssimas, blusas transparentes e coisas do tipo, pois é justamente esse o comportamento das não-crentes. Note que exatamente como em Corinto, essa prática de usar roupas (cadê a roupa?!?) muito curtas e/ou transparentes traz confusão e perturbação ao culto cristão. Obviamente, não estamos nos referindo a visitantes, mas sim à crentes devidamente batizadas nas águas, que professam ter se convertido e aceito a Cristo como Senhor e Salvador de suas vidas.  

2) Paulo e seus conselhos à Timóteo: "Que do mesmo modo as mulheres se ataviem em traje honesto, com pudor e modéstia, não com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos preciosos, Mas, como convém a mulheres que fazem profissão de servir a Deus, com boas obras." (I Tm 2.9,10)

Aqui, vemos mais uma vez a preocupação apostólica com a verdadeira essência da fé. Para Paulo, o que as mulheres cristãs mais deveriam se preocupar era com a decência do vestuário (pudor e modéstia), pois ele seria uma demonstração do caráter da mulher que se apresentava para participar do culto. Em grego, esse texto escreve-se: ὡσαύτως καὶ τὰς γυναῖκας ἐν καταστολῇ κοσμίῳ, μετὰ αἰδοῦς καὶ σωφροσύνης, κοσμεῖν ἑαυτάς, μὴ ἐν πλέγμασιν, ἢ χρυσῴ, ἢ μαργαρίταις, ἢ ἱματισμῷ πολυτελεῖ
Aqui, modéstia é a tradução de σωφροσύνης, sōphrosunēs, "sobriedade, temperança, equilíbrio, moderação, recato", que indica controle das paixões e dos desejos, e pudor é a tradução de αἰδοῦς, aidous, "reverência, timidez, respeito".  A modéstia procura não atrair a atenção para si mesma nem se mostrar de maneira inconveniente. Portanto, a modéstia é o elemento chave do caráter cristão e, as vestes devem fazer a mesma “confissão” que os lábios fazem. Vestir-se com modéstia significa um sentimento moral que inclui respeito para com o sentimento de outros, ou seja, indica um senso de respeito aos limites de conveniência. Enfim, a modéstia não quer exibir-se, não se revela em nudez quer na igreja ou fora dela.

"Quando você se veste decentemente, você reconhece que Deus ordenou as roupas para cobrirem, e não para chamarem atenção para sua pele nua. Você se cobre por respeito a Ele, ao Evangelho, aos seus irmãos cristãos – e por respeito a quem Ele te criou para ser. Decência significa que você concorda com o Senhor sobre o verdadeiro propósito de se vestir e que abre mão de seu interesse próprio para se vestir de uma maneira que exalte a Cristo. Então, naquele provador de roupas, experimentando aquela saia, gaste tempo sentando, curvando-se, esticando-se em frente ao espelho e pergunte a si mesma: “Essa saia é decente? Ela faz o que deveria fazer? Ela me cobre devidamente? Será que ela mostra minha nudez subjacente – ou exalta o Evangelho de Cristo?" (Mary Kassian)


Há realmente mulheres, que se tornam indecentes na maneira de trajar, usando vestidos transparentes ou escandalosamente decotados. Às vezes, aparecem com as costas desnudas e o busto quase totalmente exposto, numa demonstração de evidente adesão aos padrões mundanos. Existem, ainda, as preferências pelas mini-saias, as quais despertam a lascívia dos olhares cupidinosos. As vestes falam bem alto dos sentimentos do interior e das pretensões do coração, ou seja, “o como” nos vestimos está relacionado com “o que” somos por dentro. Há uma moda desavergonhada e provocante em vigor no mundo que nenhuma relação possui com o padrão de santidade prática da Bíblia Sagrada. Atualmente, o padrão definido pelos meios de comunicação como sendo a mulher ideal é a sensual, geralmente pouco vestida, que exibe o corpo. Não se procura a mulher virtuosa, mas a mulher formosa. É o reflexo de uma sociedade que cultua o corpo e que tem a mulher apenas como um pedaço de carne em exposição num açougue chamado exibicionismo. É preciso que os servos e as servas de Deus não se deixem aviltar pela imposição diabólica da moda, mas se ataviem com trajes decentes, com modéstia e bom senso. Os homens, por exemplo, não devem usar calças, bermudas ou shorts que marquem seus genitais, mas do mesmo modo vigiarem sobre sua forma de se vestir.

Que o mundo dite seus padrões de moda àqueles que são do mundo, isso é problema do mundo. Contudo, nós, Igreja de Cristo, não somos do mundo e não podemos aceitar os padrões e valores do mundo, que chocam-se diretamente com os padrões e valores de Deus, como equivalentes! Afinal, como disse Jesus: "Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós, me odiou a mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia. Lembrai-vos da palavra que vos disse: Não é o servo maior do que o seu Senhor. Se a mim me perseguiram, também vos perseguirão a vós; se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa. Mas tudo isto vos farão por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou." (Jo 15.18-21)

As mulheres cristãs podem - e devem - encobrir a beleza de suas partes mais íntimas com o propósito de servir aqueles que são mais fracos, porque isso espelha o evangelho. O chamado à modéstia não é um chamado para se cobrir porque tem algo sujo a respeito do corpo feminino – nada pode estar mais longe da verdade. As mulheres cristãs não precisam lutar pelos seus direitos de exibir sua beleza; elas podem guardar isso para um futuro contexto de intimidade mais apropriado e mais agradável a Deus, junto aos seus queridos esposos.

Precisamos disciplinar nossa mente e comportamento de maneira que nosso exterior e nossas atitudes reflitam o senhorio de Cristo em nossas vidas. Se não tivermos moderação, acabaremos pecando com certos exageros, seja no vestir, no falar ou nas demais áreas de nossa vida. O modo como nos vestimos revela o que somos. É claro que uma mulher pode está pudicamente vestida e ter um coração cheio de rapinas, mas a Deus ela não engana. Não estamos defendendo aqui que a mulher - ou o homem - se vista de forma ridícula ou que não cuide da aparência; não é isso. O fato de se ter a possibilidade de uma mulher está pudicamente vestida e ter um coração podre não invalida o figurino estabelecido por Deus: modéstia e bom senso.
 
Muitas outras passagens bíblicas poderiam ser citadas, e elas chegariam no mesmo princípio: nós, crentes em Cristo, devemos usar a nossa liberdade cristã, gerada pela Graça de Deus, com o devido cuidado de não causar tropeço ou escândalo, quer aos irmãos mais fracos na fé, quer à comunidade dos fiéis, quer ao Evangelho. Paulo chegar a dizer que não podemos usar a Graça para justificar nossos pecados, ou como se a graça fosse uma espécie de trampolim para o pecado. Como vivemos a nossa vida, uma vez que estamos em Cristo Jesus, é assunto para o Espírito Santo, que já deixou claro nas Escrituras como fazê-lo. Somos livres em Cristo, porém essa liberdade deve, à luz da Bíblia, ser exercida com responsabilidade, como temor e tremor, pois havemos de um dia dar contas de nossas atitudes, palavras e pensamentos. 

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

sexta-feira, 7 de março de 2014

FARISAÍSMO, ONTEM E HOJE... QUE AMANHÃ, NUNCA MAIS!

"Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que fechais aos homens o reino dos céus; e nem vós entrais nem deixais entrar aos que estão entrando. Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que devorais as casas das viúvas, sob pretexto de prolongadas orações; por isso sofrereis mais rigoroso juízo. Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito; e, depois de o terdes feito, o fazeis filho do inferno duas vezes mais do que vós." (Mt 23.13-15)

Hipócritas... é assim que Jesus chama a classe religiosa que se considerava muito conhecedora de Deus e do sobrenatural, os grandes mestres da teologia judaica, os fariseus. Estes, os fariseus, se consideravam os únicos donos da verdade divina, donos de Deus, como se Deus tivesse dono. Se consideravam os únicos santos, os únicos puros, os únicos sábios, os únicos em qualquer coisa que se referisse a fé judaica. Todos que não fossem fariseus eram considerados por estes como publicanos e pecadores; afinal os fariseus consideravam a si mesmos como os servos mais espirituais e devotos de Deus. Contudo, no afã de trazer o povo de volta a uma submissão estrita à Palavra de Deus, o afastavam cada vez mais e mais desse Deus, assim como eles há muito já estavam distantes desse mesmo Deus, falado a verso e prosa em seus ensinos.

Jesus nos diz que estes fariseus (e os escribas, responsáveis por copiarem a lei), eram hipócritas, apesar de todo seu zelo religioso. Por quê? Porque, em síntese, eles praticavam a justiça de homens, apesar de se referirem à justiça de Deus. Essa justiça de homens tinham muitas características que a distinguia da justiça divina: enquanto a justiça divina era exercida na base da misericórdia, a justiça humana era exercida com base no senso do "mais santo e mais justo que você" (sou melhor do que você, que não é nada perante mim). Enquanto a justiça divina absolvia o arrependido, a justiça humana condenava os inocentes. Enquanto a justiça divina manifesta-se no interior para o exterior, envolvendo a mudança de comportamento, a justiça humana era algo apenas exterior, vazio, sem vida - verdadeiros sepulcros caiados, copos de botequim limpos apenas exteriormente. Enquanto a justiça divina vinha pela fé em Deus, a justiça humana era advinda das obras.

Toda atividade de proselitismo ("faraígelismo") feito pelos fariseus não gerava frutos para o Reino de Deus. Na verdade, Jesus diz que todo este afã em fazer discípulos por parte dos fariseus produzia filhos do inferno para o inferno, duas vezes mais piores que seus mestres. Jesus diz adicionalmente que eles fechavam aos homens o Reino dos céus; assim, além deles mesmos não entrarem, não deixavam mais ninguém entrar! Mesmo aqueles que iam entrando são "barrados" pelos fariseus com suas atitudes farisaicas.  Jesus os acusa de "devorar a casa das viúvas", talvez persuadindo-as a fazer grandes doações. Interessante isso, deles procurarem as casas das viúvas, porque as viúvas eram uma das classes de pessoas mais necessitadas e carentes, sem condições de se auto-defenderem, naquela época. Assim, os fariseus agiam com o mesmo princípio de Amaleque, o qual atacava a retaguarda dos filhos de Israel quando estes saíam do Egito, ferindo os fracos que iam atrás, estando Israel cansado e afadigado; e não temeu a Deus. (Dt 25.17,18)

Ao olhar isso tudo e ao ver a atitude de muitos ditos pastores e líderes evangélicos, não posso deixar de ver semelhanças entre suas atitudes e as dos fariseus. Infelizmente, a religião dominou o coração de muitos e muitos, transformando a fé simples em Jesus numa verdadeira religião farisaica. A bem da verdade, o cristianismo nunca conseguiu ser livre totalmente das amarras da religião. A reforma trouxe grande bênção, restaurando a importância da Palavra, mas nunca foi a intenção dos reformadores resolverem o problema do institucionalismo e da religião. O fato é que homens se cercaram de seus ritos mortos sem vida, voltando-se para si mesmos cheios de vaidade e vanglória, considerando-se maiores, melhores, mais sábios e espirituais que todos os demais. Gente que ama o institucionalismo, e que coloca o institucionalismo acima do organismo-organizado que é o Corpo de Cristo, incapazes de entender o que é comunhão na prática.

Parênteses: Aliás, o orgulho é uma das marcas distintivas de um fariseu: todo fariseu orgulha-se daquilo que ele pretensamente pensa saber, ter ou ser, espiritualmente falando, acima dos "pobres pecadores e publicanos". Orgulho, ou altivez de espírito... sempre precederá a queda. Grandes impérios, orgulhosos, com seus grandes imperadores, prepotentes, ruíram ao longo da história. Onde está hoje o império Assírio? E o Babilônico, com Nabudonosor e companhia? Onde está hoje o império Austro-Húngaro? E o Sacro Império Romano-Germânico? E Hitler, onde está? Todos reis, todos imperadores e seus impérios caíram. Todos os orgulhosos um dia caem, mais cedo ou mais tarde. Fecha parênteses.

As variações do farisaísmo moderno observam-se em dois grandes extremos: o primeiro extremo é aquele do rompimento total com tudo que é bom e justo na fé, quando o líder torna-se ele mesmo uma espécie de "deus encarnado", a quem Deus atende a tempo e hora e quem tem a "autoridade" de mudar o ensino da Bíblia (os famosos apóstolos, bispos, pastores, etc. modernos), onde a liberdade é exercida sem responsabilidade alguma. O segundo extremo é aquele do cerceamento total da liberdade cristã (afinal, a liberdade para quem sempre viveu e ainda vive preso assusta deveras: "Como assim ser livre? Como assim não controlar as coisas?"), com a criação de uma infinidade de regrinhas humanas para conferir "decência e ordem" ao exercício da fé, uma verdadeira religião mais pesada ainda do que as demais existentes, cheia de pompa, de aparência "de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo" coisas que "não são de valor algum senão para a satisfação da carne." (Cl 2.23). Em ambas, vê-se o elemento farisaico.

Sinceramente, não sei qual dos dois tipos de religião é pior. A primeira, faz da fé cristã algo mais parecido com o movimento hippie da década de 60, com a exceção de haver um super-líder a frente do grupo, um "semi-deus" com seus "atributos divinos auto-conferidos", quase um Thor-gospel. Esse, considera-se e é considerado a "última bolacha do pacote", poderoso; o único que pode decifrar o "código de Deus", cheios de paramentos e togas. Já o segundo também tem seu super-líder, o qual é geralmente uma pessoa que se destaca na religião, de boa oratória e fama (o qual pode falar a bobagem que for, que se ele não violar o código máximo da religião, todos o aplaudirão de pé e dirão "esse é homem de Deus", sic). Aqui também os paramentos e as togas são vistas; louvam uns aos outros por suas togas, túnicas, diplomas, títulos, etc. Mesmo o Espírito Santo foi esquecido, em ambos os sistemas religiosos; deixado de lado, foi substituído pelos sistemas, dogmas, liturgias - referências e referenciais puramente humanos - ou mesmo pela total ausência delas! Hoje, Aquele que dirigia a vida e as decisões da Igreja está relegado a uma doutrina sobre Ele, quando muito!

Parênteses: nada tenho contra títulos e diplomas, desde que eles não ocupem no coração o lugar que pertence unicamente a Deus; desde que eles não se transformem em falsos deuses, nem transformem seus proprietários em falsos deuses. Títulos e diplomas são coisas boas, se usados e entendidos de forma correta. Fecha parênteses.    

Não me admira que algumas pessoas estejam rompendo com esse sistema religioso (veja a matéria "A NOVA REFORMA PROTESTANTE E A RESTAURAÇÃO DA IGREJA", em: http://apenas-para-argumentar.blogspot.com.br/2010/08/nova-reforma-protestante-e-restauracao.html), reunindo-se em comunidades que se constituem numa alternativa ao atual modelo de cristianismo - capitalista, psicologizado e encastelado, resgatando assim a simplicidade da fé cristã. Eu mesmo estou cansado da religião, em todas as suas formas, que só fazem produzir pessoas arrogantes, cheias de si mesmas; estou cansado da multidão de ritos externos, que nada produzem no interior. Estou cansado dessa coisa que aparenta vida, sem ter vida e que ainda por cima é chamada "cristã"; dessa doutrina de homens que não ensina para a vida, mas que serve apenas para manter a morte, para discussões intermináveis sobre a natureza do ser e do nada no melhor estilo de Jean-Paul Sartre. Estou cansado dessa fábrica de aperfeiçoamento dos defeitos de caráter chamada religião! Isso se dá porque Deus foi transformado em "doutrina sobre Deus", Cristo em mero tema de mensagem sem Cristo e o Espírito Santo só é mencionado na bênção apostólica! Foi isso que a religião fez: reduziu Deus de forma a caber certinho no conjunto de idéias sobre Deus; como diz o Pr. Caio Fábio, um Deus que foi domesticado, tornado previsível, que age apenas e somente no limite da lógica humana! Como ele diz, em seu artigo "DEUS SÓ É BOM SE FOR FIXO!" (http://www.caiofabio.net/conteudo.asp?codigo=02434):

O interessante, entretanto, é que os humanos, que sempre criaram “imagens de escultura” para serem seus deuses, ou que, modernamente, cultuam, por exemplo, a igreja, a religião, gurus, etc..., como verdadeiros deuses —, ficam, entretanto, chocados, quando se diz que a “teologia” acabou, que a filosofia cristã especulativa e grega é uma estultícia, e que em Jesus está tudo... Sim, Deus aberto, explicito, santamente arreganhado. Diante disso, questão é: como se pode cultuar uma imagem fixa e criada pelo homem e, ainda assim, ficar escandalizado quando se diz, fundado no fato de que “quem vê o Filho, vê o Pai”, que quem vê Jesus, vê Deus? A resposta é tão obvia quanto o pecado humano: “Deus de pedra a gente topa, mas vivo e humano-divino, andando e nos chamando a andar, a gente não quer”. Sim, porque se prefere qualquer coisa fixa, seja um ídolo de barro, pau, pedra, ouro, gesso, bronze, etc; ou seja um “Deus” feito de pacotes de salvação; de unções especiais feitas por homens especiais; ou algo coberto pela aura de uma espiritualidade ativada pela via de um rito, de um culto, de uma oferta, ou de qualquer outra forma de controle e gestão do sagrado — do que simplesmente crer que quem vê Jesus, vê o Pai; e tem tudo. [...]

Enquanto isto...Os mercenários, os lobos, ou os doutores de Deus, tentam convencer o povo de que se não forem obedecidos, ou seguidos em suas sabedorias, no primeiro caso haverá maldição; e, no segundo caso, uma viagem sem volta para fora da “sã doutrina”; a qual, só é sã porque é a deles; e eles são os “sãos” que não precisam de médico. Por esta razão, Jesus continuará a ser a manifestação e encarnação do Pai para os cristãos, desde que sempre seja visto pelos olhos mal-intencionados de uns; ou apenas fanaticamente condicionados dos que confessam tudo isto, mas têm pavor que o povo acredite, e não precise mais de suas “sacerdotalidades” a fim de prosseguirem na jornada. “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos!” —advertiu o velho apóstolo João!

Daí, meu repúdio a religião: ela é farisaica em sua essência e exercício! Qualquer conceituação sobre Deus que não gere vida zoe na vida bios e que não tenha relação com a vida não é verdadeira! Qualquer conceito, "teologia", dogma, ensino ou doutrina que escravize o homem não provém do Espírito Santo! Qualquer fé dita em Jesus que não produza transformação de vida não é fé em Cristo Jesus! A fé cristã é simples, a religião cristã é complicadíssima, cheia de termos difíceis e contraditórios; a primeira até uma criança entende, a segunda, nem com muito estudo dá para se entender! A primeira é a prática de Cristo, pura e simples; a segunda é impossível de ser praticada, pois é filosofia e filosofismo, a não ser pelo fariseu filosofista. A primeira produz irmãos e amigos, faz com que os homens habitem na família de Deus, a segunda produz inimigos mesmo entre irmãos! É inconcebível um evangelho farisaico que aprisiona Deus, porque Deus jamais será contido ou aprisionado por qualquer coisa, humana, sub-humana ou sobre-humana!

O deus da religião está morto, como dizia Nietsche; é um deus fraco, um deus olímpico, cheio de pecados e esquisitices como o homem, de quem foi formado. Porém o Deus da Bíblia é vivo; Ele é, era e há de Ser, um Deus vivo que age como tal, que não se conforma ao homem, mas que lhe é superior; um Deus que não habita em tendas da filosofia, nem em templos feitos por mãos dos "especialistas de Deus", mas o Deus que está acima das religiões, incomparável! Deus tremendo, Todo-Poderoso, El-Shadday! Deus que fala o que quer falar, quando quer falar; que age como quer, quando quer! É inadmissível crer num Deus moldado pelas regras farisaicas, injusto e incompassivo, aprisionador do homem e da criação! Minha alma rejeita de pronto aquilo que tentam fazer passar pelo Meu Senhor; como dizia o velho hino "E ao ver as gravuras, os quadros pintados, daquilo que dizem ser o Meu Senhor, meu ser não aceita o que está na tela, é falsa a inspiração do pintor [escritor, teólogo, pensador, filósofo, religioso]. Não creio, não creio num Cristo vencido, [subjugado, domesticado pelo homem], cheio de amargura, semblante de dor! Mas creio num Cristo, de rosto alegre, pois creio num Cristo que é vencedor!"  

Justiça, paz e alegria no Espírito Santo, isso é que é o verdadeiro Reino de Deus. Porém, o reino de Deus segundo os homens domesticadores de Deus é o inverso: Injustiça, guerras e chateação! Um reino confuso, deprimente, previsível, monótono, cartesiano, de um deus computadorizado e descrito numa linguagem quase matemática, cheia de lógicas humanas! Por essas e por outras, ninguém entrava no Reino de Deus na época antiga, dos fariseus, combatidos por Jesus; porque havia tanto pré-requisito, tanto isso-e-aquilo, que o reino de Deus fora usurpado pelos homens, porteiros do Reino! Jesus, contudo, afirma que eles não eram porteiros do Reino como pensavam de si mesmos, tampouco entravam nesse reino e não conduziam ninguém para ele; na verdade estavam mais para um Caronte, barqueiro do Hades na mitologia grega, que carregava as almas dos recém-mortos sobre as águas dos rios Estige e Aqueronte, que dividiam o mundo dos vivos do mundo dos mortos,  sob preço de uma moeda. Eles jamais aceitaram a graça, a liberdade e a vida conferidas por Cristo, nem mesmo o Senhorio deste! Criticavam a Cristo abertamente; chegaram a dizer em certa ocasião que o Mestre expulsava demônios pelo maioral dos demônios, a fim de minar Seu ministério terreno e dispersar Suas ovelhas! (Mt 12.24)

É preciso muito cuidado para não incorrermos nos mesmos erros dos fariseus. É muito fácil errar na mesma coisa que eles erraram, e esse erro é muito difícil de ser percebido, sendo-o geralmente quando já é tarde demais. Combater aquilo que está claramente, nitidamente contrário as Escrituras é uma coisa; criticar aquilo que sua mente racional não alcança ou mesmo aqueles que propõem tais coisas, depreciando e apontando defeitos só porque você não entende (e nem quer entender) é outra (veja o artigo "FIDE ET RATIO: A UNÇÃO ESPIRITUAL", em: http://apenas-para-argumentar.blogspot.com.br/2010/10/fide-et-ratio-uncao-espiritual.html). Cuidado para que em seu zelo farisaico você não se veja lutando contra a Igreja, buscando causar confusão e dispersar o rebanho de Deus, porque essa será uma luta inglória para você. O farisaísmo é assim mesmo: tudo que não concorda, busca destruir, a fim de manter sua soberania ideológica. Conquanto que não o pensamento não seja antibíblico (antibíblico, não anti-teológico, porque muitas e muitas vezes os sistemas teológicos são antibíblicos - como o tal cessacionismo, é preciso comparar tudo com as Escrituras), respeite quem pensa diferente e o pensamento diferente, procure compreender as bases desse pensamento e, quem sabe, aprender mais um pouco. Lembre-se que "em parte conhecemos, em parte profetizamos" (I Co 13.9). Se é em parte, não é o todo, não é a totalidade do que se há para saber.  

Se você, leitor(a) viu seu comportamento refletido nesta argumentação, meu conselho é que você se arrependa e mude sua vida. Jesus ama você e quer transformar a sua vida, quer Ele te dar vida e vida em abundância! Vida livre, vida viva, vida pulsante, cheia de vida! A liberdade cristã sempre anda junto com responsabilidade cristã; mas sempre é preciso primar pela liberdade cristã! Não podemos - e nem devemos - voltar a nos colocarmos debaixo de jugo de fariseus legalistas, antes devemos estar firmes na liberdade com que Cristo nos libertou! Liberdade exercida de acordo com a Palavra, andando em Espírito e sendo por Ele guiados, de forma que o o fruto do Espírito seja gerado em nossa vida e não as obras da carne. Quanto ao primeiro, não há lei, mas contra o segundo a lei permanece! Farisaísmo ontem e hoje; que amanhã nunca mais! Sê livre, em Nome de Jesus!

Pense nisso. Deus está te dando visão (e vôo) de águia!