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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

JUSTIFICATIVAS OU JUSTIFICAÇÃO?


O termo justificativa deriva do Latim, justificare, “fazer justo; fazer justiça; tratar com justiça; justificar; absolver”, composto de justus, “que tem a devida medida; que tem o que lhe pertence; conveniente; suficiente; bastante; legítimo; benigno”, e facere, “fazer; executar; efetuar; levar a efeito; desempenhar; cumprir; cometer”.

Conforme Louis Berkhof, o termo hebraico hitsdik, traduzido por justificar, é estritamente de cunho judicial, forense, significando “declarar judicialmente que o estado de uma pessoa está na harmonia com as exigências da lei”.  Não significa, portanto, "fazer justo"; antes “alterar a condição de modo que o homem possa ser considerado justo”. No grego, o verbo equivalente, diakaioo, significa, em geral, “declarar que uma pessoa é justa”. Ocasionalmente se refere a uma declaração pessoal de que o caráter moral da pessoa está em conformidade com a lei. Do mesmo modo, o termo grego dikaios nunca expressa o que uma coisa é em si mesma, mas sempre o que é em relação a alguma outra coisa, a algum padrão que está fora dela, ao qual ela deveria corresponder.

Com base nestes termos e conceitos, o apóstolo Paulo em sua epístola aos Romanos enuncia a doutrina da justificação pela fé, definida como sendo o "ato judicial de Deus, no qual Ele declara, com base na justiça de Jesus Cristo, que todas as reivindicações da lei são satisfeitas com vistas ao pecador". A justificação pela fé é um dos principais pilares da Reforma Protestante, se constituindo na "causa mortis" da prática de auto-justificação por obras. Toda auto-justificação está morta, diante da justificação pela fé; toda e qualquer tentativa de buscar justiça por todo e qualquer meio que não pela fé em Cristo é anátema.

A auto-justificação, na qual a justificativa tem papel preponderante, tem essência completamente distinta da justificativa pela fé, senão vejamos:

a) A justificativa baseia-se em argumentos elaborados para inocentar o culpado, partindo assim do conceito de justiça pessoal. A justificação pela fé baseia-se no conceito de "declaração de justiça", partindo do Supremo Legislador do Universo - Deus;

b) A justificativa busca inocentar o culpado com base na tentativa de demonstrar sua não-transgressão de um código consuetudinário ou legal. A justificação pela fé baseia-se na reconhecida e inapelável declaração de culpa pelo transgressor perante a Lei de Deus (Rm 3.23);

c) Na justificativa, o homem apóia-se em seus próprios critérios e padrões de justiça, tanto conceituais quanto práticos, tendenciosos em essência; na justificação pela fé, Deus (e não o homem) baseia-se em Seus Santos e Justos critérios, que são Eternos, indiscriminatórios e inalteráveis, para conferir justiça;

d) Na justificativa, o homem busca a todo o custo, por todas as formas e maneiras, não ser responsabilizado por seus próprios atos, sempre justificáveis aos seus próprios olhos; na justificação pela fé, Deus não justifica os atos humanos, ao contrário, Ele envia Seu Único Filho - Jesus Cristo - para ser julgado e condenado à morte no lugar do transgressor, a fim de que o homem possa obter justiça pela fé, não por obras ou argumentos.

A justificação pela fé é, deste modo, um critério justo e universal, aplicável a todos os homens, de todas as etnias e classes sociais, uma vez cumpridas suas prerrogativas básicas: reconhecimento de culpa, reconhecimento da incapacidade de obtenção de justiça por métodos humanos e fé na morte vicária e expiatória de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A justificativa pela fé é uma das múltiplas formas e expressões da Graça de Deus; é, também, manifestação de Sua Bondade e Misericórdia.

Assim, na Justiça segundo Deus, há espaço para o perdão do transgressor e quitação dos débitos com a Lei. O transgressor só é condenado se escolhe deliberadamente viver como "fora-da-lei", ou considerando seu afastamento de Deus (manifesto pela insistente dureza de coração, pela impenitência, pela desconsideração da bondade de Deus por meio de Cristo) como algo correto ou considerando-o como algo justificável.

No mundo dos homens, há um princípio do Direito que estabelece que ninguém pode alegar desconhecimento da lei como razão para descumpri-la. A vida em sociedade não seria possível se as pessoas pudessem alegar o desconhecimento da lei para se escusar de cumpri-la. Como ninguém pode alegar desconhecimento da lei para justificar seus erros, todos os cidadãos tem como dever conhecer seus direitos e obrigações. Porém, como o transgressor da Lei de Deus pode ser alertado do seu estado de "outlaw"? Para isso mesmo Deus, em Sua infinita Sabedoria, deixou duas fontes de conhecimento: a Palavra Escrita (a Bíblia Sagrada) e a Igreja, anunciadora da Palavra Escrita.

Deste modo, exerce a Igreja importantíssimo papel nas questões que envolvem Deus e Sua relação com o homem, desde que esta se baseie na letra e no Espírito das Escrituras Sagradas. É ela, enquanto "coluna e baluarte da verdade", quem mostra ao homem transgressor o seu real estado diante da Justiça e dos Juízos de Deus; que mostra que a despeito dos avanços sociais e científicos que o homem possa galgar ele, o homem, é pecador inveterado e está destituído da glória de Deus, sendo incapaz de remissão ou redenção por atos baseados em seus próprios critérios (o que é lógico, dado que são estes mesmos critérios e justiças, desprovidos de toda e qualquer justiça, a expressão natural do transgressor).

No Evangelho de Mateus, o Senhor Jesus classificou esta faculdade de "salgadura" e de "iluminação". Salgar a vida dos homens é a função do "sal da terra", enquanto iluminá-los é consequência do estado de "luz do mundo". Assim, na condição de luz do mundo, a Igreja mostra ao transgressor a sua transgressão, a causa máter de todas as transgressões e a solução de Deus para sua vida. Por sua vez, na condição de lsal da terra, a Igreja conserva o estado espiritual do transgressor arrependido, do convertido, lembrando-o das ricas promessas de Deus e exortando-o insistentemente à constante vigilância, chamando-o ao arrependimento e à restauração no caso de sua queda.

Do mesmo modo, no mesmo Evangelho, o Senhor Jesus disse que se o sal não salgar, tornando-se insípido, para nada mais ele serve, a não ser para ser pisado pelos homens (Mateus cap. 5). É digno de nota que o sal da Palestina encontrado nos pântanos não era puro. Devido à substâncias estranhas nele, ele perdia o seu sabor e tornava-se insípido e inútil, quando expostos ao sol e ar, ou quando permitia-se que ele entrasse em contato durante um tempo considerável com o solo. Ser pisado pelos homens... passagem profética! Nunca a Igreja foi tão pisada pelos homens, nunca foi tão esculhambada pela sociedade! E, tudo isso, por um simples fato: o sal deixou de salgar.

Hoje, o pregador que insiste em pregar contra pecado é considerado "persona non grata", quer pelos crentes, quer por outros pastores e líderes. Se aborrecem e usam o recurso da fofoca, do leva-e-traz, e da murmuração quando suas mazelas são expostas e combatidas à luz da Palavra de Deus, quando os corações de pedra sofrem a ação da perfuratriz de diamante que é a Bíblia, quando a Espada do Espírito vai no cerne, na divisão da alma e do espírito, mostrando às claras aquilo que tanto querem "varrer para debaixo do tapete"

Hoje, na lógica do presente século, mais vale ter a Igreja cheia de gente vazia. Para isso, basta aplicar um pouquinho da teologia da prosperidade, de campanhas pseudo-espirituais malucas, sem pé nem cabeça (que envolvem uma mistura de misticismo com bufunfa) e usar alguns jargões e palavras de efeito motivacionais. Neste cenário, não há lugar para Deus; o Espírito Santo se afastou e Jesus está do lado de fora, insistentemente batendo à porta.  Será que você está escutando Ele bater? Ou já está tão surdo espiritualmente ao ponto de ouvir apenas o seu corrupto coração? Isso me faz lembrar do antigo hino "Somebody's Knocking at Your Door", baseado em Apocalipse 3:20:

Somebody’s knocking at your door; 
Somebody’s knocking at your door;
O sinner, why don’t you answer?
Somebody’s knocking at your door.

Knocks like Jesus,
Somebody’s knocking at your door;
Knocks like Jesus,
Somebody’s knocking at your door;
O sinner, why don’t you answer?
Somebody’s knocking at your door.

Can’t you hear Him?
Somebody’s knocking at your door;
Can’t you hear Him?
Somebody’s knocking at your door;
O sinner, why don’t you answer?
Somebody’s knocking at your door.


Answer Jesus,
Somebody’s knocking at your door;
Answer Jesus,
Somebody’s knocking at your door;
O sinner, why don’t you answer?
Somebody’s knocking at your door.

Sim, isso mesmo: o Senhor Jesus está batendo à porta! Você não pode ouvi-lo? Se sim, então responda-O! Sabe como Ele bate à porta? Não? Ele parte à porta por meio de um louvor inspirado. Ele bate à porta por meio de um testemunho genuíno; mas acima de tudo Ele bate à porta por meio da Sua Palavra, por meio da pregação bíblica, cristocêntrica, livre de amarras e vãs sutilezas humanas, livre de interesses escusos em não combater o pecado e amaciar o ego dos pecadores, livre de justificativas furadas para o injustificável. Ah, mas você não consegue ouvi-Lo, não é mesmo? Seu desejo carnal está gritando tão alto que você não consegue ouvir mais nada... sim, sua natureza carnal está gritando: gritando emulações, gritando justificativas para seu desleixo e apostasia da verdade.

É possível até ouvir o grito: "Ah, isso está uma bagunça mesmo... ninguém leva mais nada a sério... é melhor seguir o curso do presente século, assim terei sucesso em minha vida, em meu ministério...". Se trata-se de um ministro da Palavra, o grito ainda pode ser mais profundo: "Vou dar exatamente aquilo que desejam, pão e circo... assim vou ser amado, querido por todos; vou ser próspero, nunca mais passarei necessidade alguma... chega de tentar viver, de tentar ser, de tentar ensinar; de agora em diante vou ser exatamente como todo mundo é... afinal, a Bíblia diz...". Esse é o grito que está no seu interior, no seu coração; o grito da dor e do desespero, da consciência do fracasso e da necessidade (de dinheiro, de aceitação, de fama, etc). É um grito cheio de justiça pessoal, cheio de justificativas, cheio de razões... que refletem apenas as suas próprias fraquezas e mazelas. O grito da Justificativa, onde a Bíblia é mais uma fonte de falácias pessoais!

A justificativa e a auto-justificação jamais levam o homem à Deus; antes, levam-no à religião. Quantos não se destacam em suas religiões, até mesmo como fundadores, por que usam a religião para justificar seus atos? Quantos pastores e músicos não se tornam expoentes no mundo gospel porque se tornaram "profissionais da religião institucionalizada", atendendo assim aos gritos de suas almas?

Mas pode haver também uma outra voz, dentro de você, a qual também tem um grito poderoso. É a voz da consciência, que lança sobre você uma série de acusações por tudo o que você tem feito. Uma voz que é realçada por uma pregação, por um louvor, ou por um simples texto como este. Uma voz que clama, dizendo: "Você sabe que está errado! Você sabe que esta justificativa não cola! Você sabe que está em pecado aos olhos de Deus! Você sabe, você sabe, você sabe...!". Se esta voz está a clamar na sua vida, glorifique a Deus por isso; é sinal de que ainda há esperança para você. Porém, essa voz só o levará até Cristo e à Sua Justiça se você não cair na armadilha da justificativa, nem da auto-justificação.

Você, querido(a) leitor(a), tem duas opções mutuamente excludentes. Primeira opção, você escolhe dar  ouvidos à voz da sua concupiscência, tornando-se mestre em justificativas; a Bíblia aqui é apenas para servir como fundamentação para seu pecado; a Igreja é boa se for neutra com relação às suas transgressões e ótima se as justificar; o ministério é fonte de lucro, afinal sua inaptidão na esfera profissional precisa ser compensada de alguma maneira; os crentes devem ser incentivados a dar mais e mais dos seus recursos e isso só é conseguido caso eles "sintam-se bem e felizes" com suas mensagens e hipocrisia. Ao final ao terminar sua vida, não reclame do seu destino eterno, ok?

Segunda opção: você opta por dar ouvidos à voz da consciência e sente a dor pelo seu pecado. Daí, você lembra onde caiu, se arrepende e volta ao primeiro amor. Abre mão das justificativas e entrega-se na mãos do Senhor; entrega sua vida e ministério, seus sonhos, projetos e frustrações Àquele que lhe chamou, capacitou e enviou, recebendo DEle o perdão e a cura, a restauração de sua vida e ministério; passa então a ser justificado unicamente pela fé em Cristo, vivendo a cada dia na suficiência da Graça de Deus. Ele, o Senhor, que insistentemente bate à porta da sua vida, sim; abra a porta; Ele prometeu entra na sua casa e cear contigo e você com Ele. Então você experimentará, na prática, que o Senhor é Deus; você verá que o Senhor tem poder!

Pense nisso. Deus está lhe dando visão de águia!

Um comentário:

  1. Quantos estão vivendo na contramão de tudo o que ensinaram!Quantos pegaram um perigoso desvio e estão prestes a cair no barranco.Até quando o homem vai continuar a se justificar?Até quando vai espernear,quando a Palavra tocar-lhe na sua ferida?"Bom é o Senhor.Ele aponta o caminho aos pecadores."Sábio é o homem que se deixa repreender e se arrepende,Esse terá o Senhor ao seu lado.Tolo é o homem que se justifica.Ninguém consegue se esconder Daquele que é Luz.O homem,que continua acomodado no seu pecado,por si mesmo,se condenou a ser derrotado sempre.A genuína vitória é para aqueles que combatem segundo os princípios da Palavra de Deus.O homem que luta sozinho está destinado ao fracasso.Aquele que persegue as riquezas,a fama,segundo os critérios do mundo,logo estárá envolvido em muitas concupiscências.Deus só trabalha para aqueles que Nele esperam e não para os que afoitamente,se lançam em toda a espécie de falcatruas.Que vivem no engano,em hipocrisias.A falência,destinada aos tais,é notória.

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