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quinta-feira, 25 de agosto de 2011

RUDIMENTOS DA DOUTRINA DE CRISTO - II: FÉ EM DEUS

POR isso, deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até à perfeição, não lançando de novo o fundamento do arrependimento de obras mortas e de fé em Deus, e da doutrina dos batismos, e da imposição das mãos, e da ressurreição dos mortos, e do juízo eterno. E isto faremos, se Deus o permitir. (Hb 6.1-3)

Continuando o tema da argumentação anterior, "RUDIMENTOS DA DOUTRINA DE CRISTO - I: ARREPENDIMENTO DE OBRAS MORTAS", nesta argumentação será abordado o fundamento da "fé em Deus", do grego "pistis epi Theos". Note que este fundamento está ligado ao anterior, o "arrependimento de obras mortas". Assim, no processo de tornar-se cristão, o homem deve primeiro arrepender-se de suas obras mortas (implicando aqui tudo o que foi abordado anteriormente) e então crer em Deus.

Porque é preciso crer em Deus? Ou crer em Deus com relação a quê?

Ao se deparar com a realidade de suas obras - mortas, e portanto inúteis, perante Deus - o homem vê-se diante de uma situação irremediável do seu ponto de vista. Ora, se todas as obras que o homem produz, por melhores que sejam, estão mortas, então como o homem poderá ser salvo, se tudo o que ele faz é inútil do ponto de vista de Deus? Se o homem nada pode apresentar por si mesmo - nem obras, nem justiça - o que o homem pode fazer para ser salvo de seus pecados?

É exatamente neste ponto que as religiões propõem a saída. Elas propõem como resposta a este dilema espiritual o sacrifício pessoal. Este sacrifício é assim apresentado ao homem como sendo a alternativa válida para suas mazelas. Os mais diversos termos para "sacrifício" são empregados pelas religiões: penitência, passo de fé, trabalho, oferta, etc. O sacrifício, segundo os mestres das religiões, agradam a divindade, atraindo favores e propiciando aceitação pessoal (aplacamento da ira divina, salvação espiritual, progresso espiritual, prosperidade, etc) e isso é um conceito muito antigo. As mais incipientes formas de religião apresentavam em sua teologia o papel do sacrifício por parte do fiel. Por quê? Porque há dois princípios espirituais envolvidos: "transgressão precede a punição" e "punição da transgressão é a morte".

Estes princípios não foram estabelecidos pelo homem, mas por Deus. No Éden, disse Deus: "Mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás." (Gn 2.17) Aqui estão ambos os princípios acima: na hipótese de transgressão, de pecado, haverá uma punição e esta punição será a morte. Com isso, a morte entrou no mundo, tornou-se realidade prática na vida de todo o vivente e até mesmo do planeta e do universo. Segundo o autor do livro de Gênesis relata, o que fez o homem para resolver o imenso problema que ele mesmo causou por sua desobediência? Nada; não porque não quisesse resolver, mas porque ele havia se tornado parte (principal) do problema e assim estava incapacitado de fazê-lo. O máximo que o homem conseguiu fazer é se esconder entre as árvores do jardim, vestidos com aventais feitos a partir de folhas de figueira e, depois de achado, tentar transferir a sua culpa.

Abre 1º parênteses: É exatamente isso que o homem faz até hoje, quando sabe que cometeu pecado. Ele primeiro se esconde, evitando a todo custo aparecer em público; ele torna-se um foragido da justiça divina. Depois, ele procura (em)cobrir seu pecado e isso ele faz de várias maneiras. Por fim, quando pego e sem saída, busca transferir a sua culpa, acusando o sistema, a igreja, o diabo, o pastor, o presidente da república, o chefe, a carestia, a falta de emprego, etc. Fecha 1º parênteses.

Note que "a partir daquele momento, o homem passou a ser dominado por Satanás (que significa inimigo). Dominando o homem, Satanás passou a ter poder também sobre o planeta e a ser o deus deste mundo – não por direito como Deus era, mas por ter roubado o domínio pela tentação e pelo pecado". “É muito simples”, Satanás pensou. “Sempre que algum ser humano nascer, será uma moleza: eu o tentarei e o farei submeter-se a mim. Dessa forma, serei o deus deste mundo.” (Asher Intrater, Revista Impacto Nº 66, http://www.revistaimpacto.com.br/ceus-e-terra-no-plano-de-deus)

Usando uma linguagem antropopática, Asher prossegue: "Deus ficou numa “enrascada”. O diabo disse: “Eu o peguei! Você deu a Terra para os homens, não pode voltar atrás com sua palavra e não vai consegui-los de volta, porque posso enganá-los e levá-los a pecar. Agora tenho autoridade sobre este mundo; você pode ser o Deus do Céu, mas eu sou o deus deste mundo e não há nada que o Senhor possa fazer.” Ao ver essa situação, a primeira solução a ser pensada é "livrar-se do problema", o que implicaria em Deus livrar-se do diabo. Porém, ao fazê-lo, Deus teria também que livrar-se do homem.

Já que o homem estava sob domínio de Satanás e nada podia fazer para mudar isso, competia a Deus agir. O que fez Deus, então, ao ver toda sua criação sujeita ao pecado? Ele relatou ao homem caído e ao próprio diabo a Sua Solução: "E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar." (Gn 3.15) Noutras palavras, Deus disse que haveria alguém, descendente da mulher, que esmagaria a cabeça do diabo. Esta promessa ecoou através dos séculos tanto no coração dos homens, quanto no interior do próprio diabo, que tudo procurou fazer para "sujeitar o filho da mulher ao pecado". Quando não conseguiu, o matou, como fez com Abel.

Foi isso mesmo que Satanás tencionou fazer com Jesus. Ele é o descendente da mulher, nascido de mulher, nascido em carne. Ele viveu nesta Terra sem pecado nenhum; Ele venceu todas as tentações do diabo. Mesmo armando diversas ciladas para o Senhor, Satanás jamais conseguiu fazê-lo pecar ou ser morto. O Senhor morreu na cruz não porque o diabo o matou, mas porque era parte do plano de Deus que Ele morresse. Ele mesmo disse: "Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai" (Jo 10.17,18). Como também era parte do plano que Ele descesse ao inferno e tomasse das mãos do diabo as chaves da morte e do inferno e ao terceiro dia ressuscitasse dentre os mortos.

O que significa, então, esta expressão "fé em Deus"? Significa crer que a solução para as obras mortas não está no homem, mas em Deus. Jesus é a Solução de Deus para as Obras Mortas! Aleluia! Esta é a boa nova de Deus, o Evangelho do Senhor! Ele, o Senhor Jesus, "tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si"; Ele foi "ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades", conforme Isaías nos ensina profeticamente. Ele levou sobre Si, na Cruz, todos os nossos pecados, todas as nossas transgressões. Assim, Ele tomou o meu lugar e o seu, querido leitor, morrendo por nós; afinal, esse é o princípio estabelecido - a punição da transgressão é a morte. A morte que Ele morreu era nossa; aquela cruz era a consequência natural para mim e para você, pois fomos nós quem pecamos. O Senhor Jesus jamais pecou; nós, pelo contrário, já fomos gerados em pecado (Sl 51.5) e desde então não fazemos outra coisa a não ser pecar. Mas Ele tomou o nosso lugar, assumiu a nossa pena.

Deste modo, fé em Deus - passo seguinte ao arrependimento das obras mortas - consiste em crer na solução que vem de Deus para nosso estado espiritual decaído, para nossa apostasia, para nossa vida de pecado sobre pecado: na encarnação, na morte e na ressurreição do Senhor Jesus Cristo. Não se trata apenas de reconhecer isto como mero fato histórico, isso não tem nenhum valor espiritual dentro do que estamos abordando; mas reconhecer o propósito de tudo o que foi feito, ou seja, nos salvar dos nossos pecados. "O SENHOR fez cair sobre ele [Jesus] a iniqüidade de nós todos. [...] O castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados." (Is 53.5,6) O pecado é pessoal, assim o arrependimento e a fé em Deus também é algo pessoal. É impossível se arrepender ou crer por outra pessoa, como se pudessemos ser representantes de outrem. É algo que cada um precisa fazer, individualmente.

Portanto, Jesus foi dado por Deus por mim. Deus deu o Seu Único Filho porque Ele me amou, apesar da minha multidão de pecados. Esse gesto de Deus - dar o Seu Único Filho - compreende o nascimento de Jesus em carne e compreende a Sua morte na cruz. Nasceu, viveu, morreu e ressuscitou por mim. Quando creio com todo o meu coração nessa Verdade, eu então recebo Jesus como Meu Único e Suficiente Senhor e Salvador pessoal. "Aceitar Jesus", termo popular nas Igrejas Evangélicas, nada mais é do que aceitá-Lo como a Solução de Deus para minha vida; como pode ser facilmente visto, implica em mais do que repetir uma oração, atender um apelo, ou coisas do tipo. Quando recebo Jesus em minha vida, Ele me perdoa por meus pecados, me dá a Sua justiça e passa a fazer parte da minha vida, na Bendita Pessoa do Seu Espírito. Vivo com Ele nesta Terra e, quando morrer, me encontrarei com Ele no céu, onde viverei para sempre ao Seu lado.

E você, já foi salvo pelo Senhor, à luz de tudo o que foi ensinado até agora? És salvo, sabendo agora tudo o que isso implica? Se não é, não perca mais tempo! Hoje é o dia! 

Na próxima argumentação, permitindo Deus, abordaremos a doutrina dos batismos. Até lá! Lembre-se: Deus está te dando visão de águia!

3 comentários:

  1. Glórias a Deus por ter enviado a Solução,Jesus que nos livra da ira mais que justa.Sim,porque todos nós,por mais bonzinhos que pareçamos,nada merecemos.Somente Ele,que não nos repudia,antes pelo contrário,estende suas mãos para nós e nos assiste com Sua infinita e doce graça.

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  2. Meu amado pastor, gosto de aprender da palavra de Deus e estava pesquisando sobra a palavra rudimentos,me deparei com esse maravilhoso sermão. gloria a Deus que ele nos deu a solução daquilo que o homem não pode resolver, a saber JESUS, mas não ficou claro para mim, o significado de "rudimentos" da palavra de Deus, penso que teremos que manter os rudimentos do ensinamento de jesus, não só no seu sermão como em outro sermão vi, esse ensinamento que temos que deixar de lado os rudimentos das doutrinas de Jesus. gostaria de entender mais a fundo sobre esse ensinamento, se poder me ajudar, serei muito grato.meu Email. custodio.rochademello@gmail.com

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  3. Amado ir. Custodio,

    De início, quero primeiramente agradecer-lhe por sua postagem; depois, agradecer a Deus por sua vida, pois nos dias atuais é muito difícil encontrar irmãos interessados na Palavra de Deus.

    Que Deus abençoe sua vida, sua família, sonhos e ministério, e que o Senhor lhe dê a revelação de Sua Palavra!

    Bom, vamos lá:

    Para se entender o texto de Hb 6.1-3, é preciso ler o contexto. O contexto, no caso, é o texto de Hb 5.12-14. O Autor aos Hebreus diz no texto anterior que aqueles irmãos eram "meninos", não podendo receber alimentos mais forte. Além disso, não só careciam do conhecimento da verdade, mas também da experiência da verdade.

    Já no cap. 6, a exortação prossegue. Tendo já aprendido os princípios básicos referentes a Cristo, não deviam parar com eles mas prosseguir para alcançar a perfeição e a maturidade, para exibir crescimento espiritual completo. Deviam continuar discernindo entre as verdades vivas e formas sem vida, como aquelas que haviam nas abluções, batismos e rituais do judaísmo.

    Veja também a postagem "RUDIMENTOS DA DOUTRINA DE CRISTO - I: ARREPENDIMENTO DE OBRAS MORTAS" (http://www.apenas-para-argumentar.blogspot.com/2011/08/rudimentos-da-doutrina-de-cristo-i.html). Nesta postagem há uma breve introdução ao tema.

    Se a dúvida persistir, não hesite em entrar em contato!

    Graça e Paz!
    Que o Senhor lhe conceda um 2012 repleto das bênçãos de Deus, ao irmão e toda sua família!

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