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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

ISRAEL NO DESERTO OU IGREJA NA TERRA: O PAPEL DA LIDERANÇA NA CONDUÇÃO DO POVO DE DEUS

"E disse: Ouvi agora as minhas palavras; se entre vós houver profeta, eu, o SENHOR, em visão a ele me farei conhecer, ou em sonhos falarei com ele. Não é assim com o meu servo Moisés que é fiel em toda a minha casa. Boca a boca falo com ele, claramente e não por enigmas; pois ele vê a semelhança do SENHOR; por que, pois, não tivestes temor de falar contra o meu servo, contra Moisés?" (Nm 12.6-8)

"Então pareceu bem aos apóstolos e aos anciãos, com toda a igreja, eleger homens dentre eles e enviá-los com Paulo e Barnabé a Antioquia, a saber: Judas, chamado Barsabás, e Silas, homens distintos entre os irmãos. E por intermédio deles escreveram o seguinte: Os apóstolos, e os anciãos e os irmãos, aos irmãos dentre os gentios que estão em Antioquia, e Síria e Cilícia, saúde. Porquanto ouvimos que alguns que saíram dentre nós vos perturbaram com palavras, e transtornaram as vossas almas, dizendo que deveis circuncidar-vos e guardar a lei, não lhes tendo nós dado mandamento, Pareceu-nos bem, reunidos concordemente, eleger alguns homens e enviá-los com os nossos amados Barnabé e Paulo, Homens que já expuseram as suas vidas pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo. Enviamos, portanto, Judas e Silas, os quais por palavra vos anunciarão também as mesmas coisas. Na verdade pareceu bem ao Espírito Santo e a nós, não vos impor mais encargo algum, senão estas coisas necessárias: Que vos abstenhais das coisas sacrificadas aos ídolos, e do sangue, e da carne sufocada, e da prostituição, das quais coisas bem fazeis se vos guardardes. Bem vos vá. Tendo eles então se despedido, partiram para Antioquia e, ajuntando a multidão, entregaram a carta." (At 15.22-30)

Dois textos diferentes, duas épocas diferentes. No primeiro, Moisés é o guia, o mediador da Velha Aliança, escolhido por Deus para levar o povo de Deus do Egito para a Terra Prometida. Já no segundo, na época do Novo Testamento, vemos os apóstolos e presbíteros da Igreja decidirem conjuntamente, como liderança eleita por Deus, acerca da validade e aplicabilidade das práticas e ritos do Velho Testamento para os crentes em Cristo Jesus. Nos dois casos, vemos que há uma liderança instituída por Deus, com responsabilidades com relação à Congregação (Israel no Antigo e Igreja no Novo Testamento), lideranças que devem ser respeitadas pelo ofício que desempenham. Porém, as semelhanças entre os dois tipos de liderança param por aí. Isso é muito importante ser compreendido, porque há muitos abusos hoje sendo cometidos por lideranças religiosas, que se apropriaram do dogma da infalibilidade papal e passaram a governar a Igreja seguindo os pressupostos do Absolutismo (teoria política que defende que alguém, em geral, um monarca, deve ter o poder absoluto, isto é, independente de outro órgão. É uma organização política na qual o soberano concentrava todos os poderes do estado em suas mãos). Essas lideranças, discípulas do monarca francês Luís XIV (conhecido como "Rei Sol") o qual declarou solenemente, a seu chanceler, que os  ministros e secretários de Estado iriam auxiliá-lo com seus conselhos, apenas e somente quando lhes fosse pedido. Ou seja, ele, Luís XIV, bastava-se a si mesmo.

Precisamos primeiramente, portanto, compreender com clareza como funcionava a liderança no Antigo Testamento e como ela deve funcionar no Novo Testamento. Novamente, tratam-se de momentos distintos na vida espiritual do povo de Deus. Para entendermos como a liderança funcionava nos dois Testamentos precisamos recorrer a Antropologia Bíblica, especificamente no que se refere à parte imaterial do homem e seu estado, com relação a Deus, em ambos os testamentos.

Daí, inicialmente vemos o homem sendo criado por Deus "do pó da terra", conforme registrado no Livro de Gênesis 2:7: "E formou o SENHOR Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente." Aqui, Deus forma o homem completo - corpo, espírito (fôlego da vida) e alma (que surge do contato do espírito com o corpo). Portanto, vemos o homem tripartite, criado à imagem de Deus. Antes da queda (o pecado original), o homem, que é constituído por três partes - corpo, alma e espírito - gozava de plena comunhão com Deus. A parte do homem responsável pelo relacionamento do homem com o mundo espiritual é o espírito humano. Em seu estado de santidade e comunhão com o Criador, o homem vivia uma vida de saúde física, emocional e espiritual. Com o pecado, a comunhão com Deus foi rompida. O homem, então, passou imediatamente a um estado de morte espiritual (separação do homem de Deus). Essa condição - de morte espiritual - passou de Adão a toda raça humana, o que implica que toda a raça humana perdeu o contato natural, primevo, que tinha com Deus. Isso não significa que o espírito humano deixou de existir, mas que perdeu a sua função, tornando-se inútil.

Assim, na época do Antigo Testamento, todo homem, qualquer que seja, está sujeito a essa condição espiritual: de morte do espírito. Deus não pode se comunicar com o homem utilizando seu espírito; portanto, para haver comunicação entre Deus e o homem, Deus tem (1) que tomar a iniciativa e (2) precisa fazer com que esta comunicação aconteça sem a intervenção de qualquer parte ou modo humano. Ou seja, era Deus comunicando ao homem a Sua vontade de uma forma tal que não houvesse nenhuma chance para interpretação humana. Deus deveria garantir todo o processo de comunicação. Para comunicar-se com a humanidade que Ele tanto amou (e ama), Deus escolhia uma pessoa e usava essa pessoa para transmitir Sua vontade ao homem. Assim, vemos Deus se comunicando com e por Moisés e com e pelos profetas do Antigo Testamento. Por isso, no Antigo Testamento, lemos com frequência que "veio a palavra do Senhor" a uma determinada pessoa (I Sm 15.10; II Sm 24.11; I Rs 6.11; etc).

Como o homem fazia para identificar que a palavra que estava sendo transmitida era a "Palavra do Senhor"? Muito simples: pela critério da inerrância: "Eis lhes suscitarei um profeta do meio de seus irmãos, como tu, e porei as minhas palavras na sua boca, e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar. E será que qualquer que não ouvir as minhas palavras, que ele falar em meu nome, eu o requererei dele. Porém o profeta que tiver a presunção de falar alguma palavra em meu nome, que eu não lhe tenha mandado falar, ou o que falar em nome de outros deuses, esse profeta morrerá. E, se disseres no teu coração: Como conhecerei a palavra que o SENHOR não falou? Quando o profeta falar em nome do SENHOR, e essa palavra não se cumprir, nem suceder assim; esta é palavra que o SENHOR não falou; com soberba a falou aquele profeta; não tenhas temor dele." (Dt 18.18-22) Note aqui algo muito importante: No Antigo Testamento, não existe em nenhum lugar uma instrução semelhante a "julgai as profecias", porque a profecia naquela época era "tudo ou nada", ou 100% de Deus ou 100% do erro. As profecias dos profetas do Antigo Testamento se constituíram no canôn do Antigo Testamento e não são para serem julgadas, ao contrário; são elas que nos julgam! Nós não julgamos as profecias de Isaías e Ezequiel, por exemplo; mas sim o contrário.
        
Por esta razão, a liderança de Moisés não era objeto de questionamento da parte de Israel: quando Moisés trazia a direção ao povo, essa direção era 100% a direção divina. Logo, questionar a direção dada a partir de Moisés era questionar o próprio Deus! Além disso, nenhum israelita tinha em si condições espirituais para fazer tal julgamento, uma vez que seus espíritos estavam mortos para com Deus. O discernimento espiritual era impossível naquela época! Portanto, todos deviam obedecer inquestionavelmente a liderança que Deus havia levantado!

Porém, a situação "muda de figura" quando passamos ao Novo Testamento. No Novo Testamento, os homens podem ter seus espíritos ressuscitados, podem experimentar o novo nascimento em Cristo Jesus: "O que é nascido da carne, é carne; e o que é nascido do Espírito é espírito" (Jo 3.6). Quando Adão pecou, ele morreu, e bem assim toda a sua descendência. A morte de Adão não foi de imediato uma morte física, mas espiritual. O seu espírito morreu para Deus. O novo nascimento é o renascer deste espírito para Deus. Agora, com o novo nascimento (ou regeneração espiritual), o crente em Cristo torna-se  "habitação do Espírito Santo" (Ef 2.22; I Co 6.19; II Co 6.16; etc), que passa a "dar testemunho" junto com o espírito do crente (mostrando que agora vive novamente) (Rm 8.16). Este novo nascimento possibilita que o crente discirna o espiritual do mundano, podendo julgar todo ensino, pregação, direção, palavra, orientação espiritual à luz (1) da Palavra de Deus, como os nobres crentes de Beréia, os quais examinavam as escrituras  todos os dias  para ver se as coias eram de fato como estava sendo pregada pelos apóstolos (At 17.11) e (2) do testemunho do Espírito no seu espírito, resultado do restabelecimento de sua comunhão com Deus. Percebe? No Novo Testamento, o crente não está mais morto espiritualmente; ele está vivo para com Deus! Portanto, Deus pode falar - e fala - com ele também, sem precisar de intermediários ou mediadores. O único e suficiente mediador entre o homem e Deus, no Novo Testamento, é Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo (I Tm 2.5).

Obviamente, a responsabilidade no Novo Testamento ficou muito maior: a responsabilidade que só cabia aos profetas do Antigo Testamento recaiu no Novo sobre todos os crentes! Todos passaram a ter a responsabilidade de aprender a ouvir a Deus e de obedecê-Lo e de conhecer as Escrituras. Antes, era só seguir o profeta, o líder. Agora, é preciso discernir a direção dada, se vem do Senhor e até que medida ou é coisa humana ou até do espírito do erro. Sempre lembrando que cada crente, por mais comunhão que tenha com Deus, jamais será infalível em termos espirituais - ou seja, incapaz de discernir 100% as Escrituras e 100% a direção de Deus. Isso deve-se ao fato de ainda possuirmos em nós a velha natureza do pecado. Por isso, surge no Novo Testamento algo inédito e imprescindível no plano de Deus para redenção do homem: A IGREJA. A Igreja, a coletividade dos crentes em Cristo Jesus, lócus espiritual daqueles que nasceram de novo, torna-se um lugar de suma importância para a fé individual, pois é com ela, junto dos meus irmãos e irmãs em Cristo, que vou CONFERIR MUTUAMENTE a direção que interpreto ser de Deus e APROFUNDAR meu conhecimento e prática das Escrituras.  Veja a IMPORTÂNCIA CAPITAL da Igreja: Nela, em comunhão com meus irmãos, estou protegido contra o espírito do erro, uma vez que vou buscar sempre conferir antes de decidir, estudar antes de ensinar! Cada crente, cada irmão e irmã na Igreja é importantíssimo para minha fé, portanto; pois todos podemos ouvir de Deus e devemos discernir aquilo que ouvimos.

É exatamente isso que vemos em ação em Atos 15! Não houve ali, na Assembléia dos crentes em Jerusalém, um "Moisés do Novo Testamento" que dissesse "vamos fazer assim e assim, porque Deus falou comigo e deu essa e aquela direção para todo mundo", como se só ele ouvisse de Deus e os demais não. Não, em hipótese alguma! Nem Paulo e nem Barnabé, apóstolos de Cristo, arrogaram-se "porta-vozes exclusivos do Altíssimo"!  Não, absolutamente! Paulo e Barnabé "contavam quão grandes sinais e prodígios Deus havia feito por meio deles entre os gentios" (At 15.12). Quando estes se calaram, falou Tiago, o qual esclarecendo a questão julgou que não se deveria perturbar aqueles, dentre os gentios, que se convertiam a Deus (At 15.19). E o que aconteceu, em seguida? Os irmãos que ali estavam, que exerciam a liderança da Igreja, juntamente com toda a Igreja, analisaram os fatos narrados e o parecer de Tiago e então usaram o discernimento espiritual que possuíam, a fim de chegar na conclusão do assunto! O texto diz que eles tiveram consenso entre si (At 15.22-25) e entre eles e o Espírito Santo (At 15.28)! É tão óbvio: eles consultaram mutuamente uns aos outros sobre a questão em foco e chegaram a um consenso entre eles; os quais, obviamente, consultaram ao Senhor para saber se aquele consenso obtido entre eles era também consenso com o Espírito! Nem mesmo o consenso entre eles foi tido como ponto final na questão - e estavam ali homens como Tiago, Paulo, Barnabé, etc - mas o reconhecimento que cada um tinha de que estavam sujeitos ao erro os enchia de temor e os levaram a consultar também com o Senhor - este sim, a Palavra final!

Amado(a) leitor(a), a verdade é que hoje carecemos muitíssimo dessa sensibilidade espiritual! Hoje, homens tomam para si a prerrogativa que só cabe ao Espírito Santo, dando eles a palavra final nas questões de fé! Homens que com isso abrem um precedente imenso para que um espírito do erro, para que um demônio infernal acabe guiando todo um conjunto de pessoas para a perdição! O sentimento é que parece haver uma névoa nas mentes dos crentes quando se levanta um "Moisés do Novo Testamento": eles abrem mão de discernir, de debater, de questionar e aceitam tudo que é dito, tudo que é falado, de forma passiva, como se desprovidos de espírito (e em alguns casos de cérebro mesmo)! Não existe "um decidir por todos" no Novo Testamento! Pastor, apóstolo, bispo, missionário, evangelista, presbítero, papa, profeta, padre... não importa o título; ele não é infalível, não é absoluto, não é rei sol! Eles exercem a liderança da Igreja e glória a Deus por isso! São os líderes do povo de Deus! Porém, esses líderes devem consultar entre si SEMPRE quando forem tomar decisões que envolvam a Igreja, sendo importante também ouvir a Igreja, e após haver consenso, ser IMPRESCINDÍVEL consultar o Senhor. Veja: É PARA CONSULTAR AO SENHOR DEPOIS DE HAVER CONSENSO ENTRE OS HOMENS, NÃO ANTES! Não é "irmão, eu consultei ao Senhor sobre isso e aquilo, e Ele me deu essa direção..." NÃO, NÃO E NÃO!

Parênteses 1: Lembrando que para haver consenso é preciso haver mais do que uma reunião (a famosa "reunião de repasse"): é preciso haver liberdade de expressão!

Parênteses 2: O pior de tudo é que os "Moisés do Novo Testamento" cobram de todos depois quando a direção falha, quando dá zebra. Na hora de decidir, o "Deus me falou e vocês é que escutem calados"; na hora que dá zebra "somos um corpo e todos precisam ajudar". Olhe para as seitas neopentecostais e você facilmente constatará isso!

Quero ser muito enfático aqui, querido(a) leitor(a): É PARA BUSCAR O CONSENSO ENTRE A LIDERANÇA, podendo envolver a Igreja e obrigatoriamente, após o consenso, BUSCAR AO SENHOR SOBRE O ASSUNTO! É óbvio que para aqueles assuntos que já estão claramente estabelecidos nas Escrituras, isso não se aplica. Por exemplo, eu não preciso consultar e nem obter consenso se devo, como líder, ensinar sobre pecado, céu e inferno, necessidade de arrependimento, obras mortas, etc. Não preciso de consenso para pregação e ensino das Escrituras, nem para correção e disciplina daqueles que pecarem. Não preciso de consenso para escrever esse texto nem esse blog. Mas preciso de consenso (incluindo com o Senhor) se devemos ou não "adotar inovações" como prática da Igreja, ou em casos de mudança de logradouro, ou levantamento de obreiros, envio de missionários, etc. Veja que em todas as seitas e heresias que surgiram no meio do povo de Deus, elas foram fruto de "pessoas que julgaram ter ouvido a direção de Deus" e que não consultaram, mas apropriaram-se da prerrogativa de "palavra final" e assim levaram (e levam) milhões à destruição espiritual. Foi assim, por exemplo, com o presbiteriano Joseph Smith Jr., que afirmou ter recebido "uma nova revelação", não consultou com ninguém e acabou criando o Mormonismo; foi assim com o presbiteriano Charles Taze Russell, fundador do Russelismo ou Testemunhas de Jeová, só para mencionar alguns. Modernamente, veja-se o ESTRAGO que o Movimento G-12 fez em inúmeras Igrejas, construído sobre uma experiência pessoal de visão de um líder, desviando milhares de crentes do verdadeiro Evangelho de Cristo, com seu "paipóstolo patriarca", untado e besuntado, que seguem estritamente o dogma da infalibilidade patriarcal!

A revelação chegou à plenitude em Jesus Cristo, querido(a) leitor(a); portanto, toda alegação de novas revelações e novas verdades, por sonhos, visões e outros meios, deve ser cotejada com as Escrituras, corretamente interpretadas. Vale lembrar que é um dos princípios da Reforma Protestante o sacerdócio universal dos crentes, de livre exame da Bíblia e, portanto, de livre acesso a Deus, por meio de Jesus Cristo. Por isso, devem ser rejeitados o sacerdotalismo, o sacramentalismo e o ritualismo, qualquer tipo de hierarquia na esfera espiritual e eclesiástica, e a pretensão humana de interpor-se entre o crente e Deus. Há sempre que se prestar atenção em duas coisas: na direção individual do Espírito Santo e na direção do Espírito Santo aos demais que estão contigo no mesmo propósito e intenção do coração. O papel da liderança no Novo Testamento é buscar o consenso entre si e com Deus, para só então agir!

 Pense nisso!
Graça e Paz!

Um comentário:

  1. Nada melhor que a história para trazer luz a essa e a outras situações.Esse mandonismo, esse faça o que eu te mando é deveras perigoso. Na Igreja do Senhor não há lugar para déspotas, para ditadores. Provérbios já nos fala que " na multidão de conselhos está a verdadeira sabedoria". Esse negócio de ordenar sem ouvir outros que caminham juntos, nunca deu certo. É fácil errar e depois jogar a culpa nos outros. Não dá para depois ficar escondendo o erro debaixo do tapete. Alguém que deseja viver assim, faça o favor de fazer mea culpa quando der zebra.

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