quarta-feira, 21 de maio de 2014
ÉTICA CRISTÃ: HÁ UM PADRÃO BÍBLICO PARA A ROUPA DO CRENTE?
Antes de abordamos o tema proposto, cabe dizer que os tempos atuais são muito diferentes dos tempos antigos em tudo, em especial no que se refere a Igreja. Antigamente, há alguns anos, havia uma preocupação quase que coletiva na maioria dos crentes com questões que hoje são tratadas como supérfluas. Por exemplo, havia muita preocupação com a ética pastoral, o que fazia com que os pastores fossem muito admirados pelos crentes e até mesmo pelos não-crentes. Do mesmo modo, havia uma preocupação com a ética cristã de forma mais ampla, naquilo que poderíamos chamar de "testemunho cristão": cada crente primava pelo bom testemunho em todas as áreas de sua vida, evitando ao máximo causar "escândalos" (sobre escândalos, veja a postagem "ESCANDALOSOS E SEUS ESCÂNDALOS", em http://apenas-para-argumentar.blogspot.com.br/2013/05/escandalosos-e-seus-escandalos.html).
Hoje, quando falamos em testemunho, muitas pessoas entendem que trata-se tão somente de alguma bênção ou livramento que Deus tenha proporcionado na vida da pessoa. O entender hoje é muito diferente! Isso se dá por várias razões e é muito provável que as gerações passadas tenham de alguma maneira falhado em transmitir esses valores às novas gerações (o problema da geração seguinte: "E foi também congregada toda aquela geração a seus pais, e outra geração após ela se levantou, que não conhecia ao SENHOR, nem tampouco a obra que ele fizera a Israel", Jz 2.10). Outra hipótese é que àqueles a quem foi transmitido os valores cristãos antigos não foi suficientemente forte para fazer o mesmo na sua própria geração, ou até, quem sabe, viu-se impotente diante das rápidas e acentuadas mudanças que o evangelicalismo brasileiro experimentou dos anos 80 em diante.
A verdade, porém, é que de fato muita coisa foi alterada. O que no passado era visto como "comportamento cristão sadio" pela Igreja hoje é visto como algo ultrapassado, velho, caduco, fora de moda. É visto como "legalismo". É interessante notar que o mundo comporta-se exatamente da mesma maneira: o antes "venerado" e "desejado" ato do casamento, sonho de moças e rapazes que desejavam constituir família, hoje é visto como sendo algo banal, sem importância, mera convenção social com pouca ou nenhuma utilidade. Pior é que a respeito do casamento - e de outros valores antigos, bíblicos - a Igreja atual apresenta a mesma visão interpretativa do mundo, ou seja, o casamento como algo supérfluo (haja vista o crescimento do número de pessoas divorciadas na Igreja). Isso é, por si só, algo sintomático; revela um processo de aculturamento da Igreja com o mundo e, consequentemente, afastamento dos padrões bíblicos. É sinal que o sal está cada vez mais sem sabor, sem suas propriedades de salgar. Não é à-toa que o sal insípido está cada vez sendo mais e mais pisado pelos homens, nos meios de comunicação (Tv, jornais, internet, etc) e na sociedade, que insiste em querer dizer à Igreja o que ela deve crer.
Parênteses (1): A IGREJA CRÊ NÃO NO QUE O MUNDO ACHA CERTO. O conceito de certo e errado do mundo nada, absolutamente, tem a ver com a Igreja. A Igreja sadia crê na Bíblia - de Gênesis a Apocalipse - e no Deus da Bíblia. Se isso é loucura para o mundo - e de fato é - paciência, não será a Igreja, "que está no mundo mas não é do mundo" que se mundanizará para ser aceita pela sociedade. Crentes são diferentes? Sim, são. Jesus era diferente daquilo que o mundo convencionava - e até hoje convenciona - sobre Deus? Sim, Ele foi, é e será. Não compartilha da mesma fé? Lamento. Isso é problema e direito seu. Mas não venha impor, direta ou indiretamente, o que a Igreja deve ou não crer. Não gostou do que crê a Igreja? Não frequente-a e que Deus tenha piedade da sua alma. Como cita o Pr. Isaltino, em http://www.isaltino.com.br/2013/08/o-novo-teologo-da-veja/: "a Igreja é a única instituição sobre a face da terra que reivindica autoridade divina. Se o pessoal concorda ou não, se gosta ou não, não vem ao caso. Mas se a Igreja e as igrejas perderem essa noção de substância, nada podem fazer. Nivelam-se a qualquer outra instituição. Sequer merecem o espaço que lhe dão. Não compete aos de fora ditarem a agenda da Igreja e das igrejas. Parece-me com a postura do “cristianismo alemão” e das igrejas controladas em países comunistas: “Vocês pregam o que nós dizemos”. Não querem os palpites da Igreja? Recusem-nos. Mas não deem seus palpites à Igreja. A Igreja não se vê como uma ONG criada para satisfazer as pessoas e massagear seu ego. Ela tem valores muito ricos, que vêm de milhares de anos, não pode se pautar pelas novidades que surgem." Fecha parênteses.
Parênteses (2): Hoje, há o retorno da velha estratégia do inferno em mudar o texto bíblico quando não se concorda com ele. Há uma proliferação de "bíbrias" dos mais diversos tipos e gostos, elaboradas arrancando-se textos e passagens da Bíblia ou modificando sua redação. Isso é válido? Sim, perfeitamente. Podem criar uma religião - ou mesmo Igreja - em torno dessas adulterações da bíblia? Sim, podem. A pergunta é: será que Deus concorda com isso? Será que Ele aprova? Vamos deixar O próprio responder: "Porque eu testifico a todo aquele que ouvir as palavras da profecia deste livro que, se alguém lhes acrescentar alguma coisa, Deus fará vir sobre ele as pragas que estão escritas neste livro; E, se alguém tirar quaisquer palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte do livro da vida, e da cidade santa, e das coisas que estão escritas neste livro." (Ap 22.18,19) Àqueles que modificam o texto bíblico, atenção! Fecha parênteses.
Nessa argumentação, abordaremos uma dessas práticas "cristãs religiosas" (se quiser chamar assim) que foi modificada pela sociedade: a questão do vestuário. Logo de saída, antes de qualquer coisa, atenção: Não há um padrão bíblico para tipo de pano ou de roupa! Os crentes não são chamados a usarem vestes talares ou roupões (como é costume de alguns); porém, do mesmo modo, não são chamados a usarem "micro-isso" ou "micro-aquilo". Um crente não deve nem viver como legalista, nem tampouco como mundano; a posição bíblica correta é sempre a liberdade com responsabilidade. Mas como ela se manifesta neste sentido? O que a Bíblia ensina? Obviamente, os exemplos bíblicos que serão vistos, dos quais extrairemos os princípios que devem reger nossas vidas como filhos e filhas de Deus, se referirão ao sexo feminino, por um contexto histórico-cultural; no entanto, por ilustrarem princípios eternos, valem para ambos os sexos e para nossos dias e dias futuros. Assim, atenção: Os exemplos são HISTÓRICOS-CULTURAIS; já os PRINCÍPIOS ilustrados nos exemplos são ETERNOS.
1) Paulo e as Mulheres em Corinto: "Portanto, se a mulher não se cobre com véu, tosquie-se também. Mas, se para a mulher é coisa indecente tosquiar-se ou rapar-se, que ponha o véu." (I Co 11.6; ver também vv.13-16)
O apóstolo Paulo, nesse texto, exorta às mulheres cristãs de Corinto, com relação ao uso do véu. Por que ele tratou desse tema naquela igreja (e não nas demais)? Esse fato indica que havia alguma coisa em Corinto, que não havia noutras cidades onde Paulo estabeleceu Igrejas. Ou seja, havia um motivo histórico-cultural, típico de Corinto, para Paulo tratar desse tema nessa Igreja. Na Antigüidade, a mulher carregava no corpo um sinal da autoridade do marido. Esse sinal era o véu. Esse mesmo costume prevalece até hoje entre alguns povos do Oriente. Nestes lugares, a mulher honesta não deve aparecer em público sem o véu, ou algo correspondente. Era um sinal da honra e da dignidade das mulheres (Gn. 24.65; Ct 4.1).
Também considerava-se o véu um sinal de subordinação da mulher ao marido, por isso que não o usavam as mulheres de luto, as prostitutas e as esposas infiéis. Na cidade de Corinto localizava-se o "templo de afrodite", templo que era frequentado por 1.000 sacerdotisas/prostitutas, mantidas a expensas do povo, onde sempre estavam prontas para se entregar a prazeres imorais, como culto à deusa. A prostituta cultual, para se diferenciar da mulher de bem, fazia o seguinte: raspava o seu cabelo, assim, todos que vissem uma mulher com cabelo raspado, saberia de que se tratava de uma prostituta cultual de Afrodite. Esta era uma forma de identificá-las.O Templo de Afrodite ficava plantado sobre a acrópole de Corinto, e tanto os homens para lá subiam a fim de ter relações sexuais com as sacerdotisas prostitutas cultuais, como também, regularmente, elas mesmas desciam a montanha, até a cidade, na qual havia também toda sorte de bacanais e orgias. Ora, tão forte era esse perfil da cidade, que no mundo grego, havia o verbo "corintianizar".
Assim, qual era o princípio envolvido na recomendação do uso do véu por Paulo às irmãs em Corinto? O princípio fundamental nas instruções de Paulo é o respeito pelo local de culto e pelo culto, propriamente dito. A questão de ausência do véu servia de escândalo, pois as irmãs da Igreja eram confundidas com as sacerdotisas de Afrodite. Obviamente, o que Deus tencionou em nos ensinar com este exemplo é que a mulher (e o homem) cristão não deve se vestir ou se comportar de forma a ser confundido com um mundano (além de, é claro, respeitar o culto e o local de culto).
Como aplica-se isso hoje, ou seja, como aplica-se esse princípio hoje? Ora, basta uma rápida olhada na nossa sociedade, que cada vez mais prima pela exposição do corpo, beirando em muitos casos a nudez (especialmente feminina). Hoje, por certo o apóstolo Paulo proibiria às mulheres cristãs usarem microvestidos apertadíssimos, calças justíssimas, blusas transparentes e coisas do tipo, pois é justamente esse o comportamento das não-crentes. Note que exatamente como em Corinto, essa prática de usar roupas (cadê a roupa?!?) muito curtas e/ou transparentes traz confusão e perturbação ao culto cristão. Obviamente, não estamos nos referindo a visitantes, mas sim à crentes devidamente batizadas nas águas, que professam ter se convertido e aceito a Cristo como Senhor e Salvador de suas vidas.
2) Paulo e seus conselhos à Timóteo: "Que do mesmo modo as mulheres se ataviem em traje honesto, com pudor e modéstia, não com tranças, ou com ouro, ou pérolas, ou vestidos preciosos, Mas, como convém a mulheres que fazem profissão de servir a Deus, com boas obras." (I Tm 2.9,10)
Aqui, vemos mais uma vez a preocupação apostólica com a verdadeira essência da fé. Para Paulo, o que as mulheres cristãs mais deveriam se preocupar era com a decência do vestuário (pudor e modéstia), pois ele seria uma demonstração do caráter da mulher que se apresentava para participar do culto. Em grego, esse texto escreve-se: ὡσαύτως καὶ τὰς γυναῖκας ἐν καταστολῇ κοσμίῳ, μετὰ αἰδοῦς καὶ σωφροσύνης, κοσμεῖν ἑαυτάς, μὴ ἐν πλέγμασιν, ἢ χρυσῴ, ἢ μαργαρίταις, ἢ ἱματισμῷ πολυτελεῖ
Aqui, modéstia é a tradução de σωφροσύνης, sōphrosunēs, "sobriedade, temperança, equilíbrio, moderação, recato", que indica controle das paixões e dos desejos, e pudor é a tradução de αἰδοῦς, aidous, "reverência, timidez, respeito". A modéstia procura não atrair a atenção para si mesma nem se mostrar de maneira inconveniente. Portanto, a modéstia é o elemento chave do caráter cristão e, as vestes devem fazer a mesma “confissão” que os lábios fazem. Vestir-se com modéstia significa um sentimento moral que inclui respeito para com o sentimento de outros, ou seja, indica um senso de respeito aos limites de conveniência. Enfim, a modéstia não quer exibir-se, não se revela em nudez quer na igreja ou fora dela.
"Quando você se veste decentemente, você reconhece que Deus ordenou as roupas para cobrirem, e não para chamarem atenção para sua pele nua. Você se cobre por respeito a Ele, ao Evangelho, aos seus irmãos cristãos – e por respeito a quem Ele te criou para ser. Decência significa que você concorda com o Senhor sobre o verdadeiro propósito de se vestir e que abre mão de seu interesse próprio para se vestir de uma maneira que exalte a Cristo. Então, naquele provador de roupas, experimentando aquela saia, gaste tempo sentando, curvando-se, esticando-se em frente ao espelho e pergunte a si mesma: “Essa saia é decente? Ela faz o que deveria fazer? Ela me cobre devidamente? Será que ela mostra minha nudez subjacente – ou exalta o Evangelho de Cristo?" (Mary Kassian)
Há realmente mulheres, que se tornam indecentes na maneira de trajar, usando vestidos transparentes ou escandalosamente decotados. Às vezes, aparecem com as costas desnudas e o busto quase totalmente exposto, numa demonstração de evidente adesão aos padrões mundanos. Existem, ainda, as preferências pelas mini-saias, as quais despertam a lascívia dos olhares cupidinosos. As vestes falam bem alto dos sentimentos do interior e das pretensões do coração, ou seja, “o como” nos vestimos está relacionado com “o que” somos por dentro. Há uma moda desavergonhada e provocante em vigor no mundo que nenhuma relação possui com o padrão de santidade prática da Bíblia Sagrada. Atualmente, o padrão definido pelos meios de comunicação como sendo a mulher ideal é a sensual, geralmente pouco vestida, que exibe o corpo. Não se procura a mulher virtuosa, mas a mulher formosa. É o reflexo de uma sociedade que cultua o corpo e que tem a mulher apenas como um pedaço de carne em exposição num açougue chamado exibicionismo. É preciso que os servos e as servas de Deus não se deixem aviltar pela imposição diabólica da moda, mas se ataviem com trajes decentes, com modéstia e bom senso. Os homens, por exemplo, não devem usar calças, bermudas ou shorts que marquem seus genitais, mas do mesmo modo vigiarem sobre sua forma de se vestir.
Que o mundo dite seus padrões de moda àqueles que são do mundo, isso é problema do mundo. Contudo, nós, Igreja de Cristo, não somos do mundo e não podemos aceitar os padrões e valores do mundo, que chocam-se diretamente com os padrões e valores de Deus, como equivalentes! Afinal, como disse Jesus: "Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós, me odiou a mim. Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia. Lembrai-vos da palavra que vos disse: Não é o servo maior do que o seu Senhor. Se a mim me perseguiram, também vos perseguirão a vós; se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa. Mas tudo isto vos farão por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou." (Jo 15.18-21)
As mulheres cristãs podem - e devem - encobrir a beleza de suas partes mais íntimas com o propósito de servir aqueles que são mais fracos, porque isso espelha o evangelho. O chamado à modéstia não é um chamado para se cobrir porque tem algo sujo a respeito do corpo feminino – nada pode estar mais longe da verdade. As mulheres cristãs não precisam lutar pelos seus direitos de exibir sua beleza; elas podem guardar isso para um futuro contexto de intimidade mais apropriado e mais agradável a Deus, junto aos seus queridos esposos.
Precisamos disciplinar nossa mente e comportamento de maneira que nosso exterior e nossas atitudes reflitam o senhorio de Cristo em nossas vidas. Se não tivermos moderação, acabaremos pecando com certos exageros, seja no vestir, no falar ou nas demais áreas de nossa vida. O modo como nos vestimos revela o que somos. É claro que uma mulher pode está pudicamente vestida e ter um coração cheio de rapinas, mas a Deus ela não engana. Não estamos defendendo aqui que a mulher - ou o homem - se vista de forma ridícula ou que não cuide da aparência; não é isso. O fato de se ter a possibilidade de uma mulher está pudicamente vestida e ter um coração podre não invalida o figurino estabelecido por Deus: modéstia e bom senso.
Muitas outras passagens bíblicas poderiam ser citadas, e elas chegariam no mesmo princípio: nós, crentes em Cristo, devemos usar a nossa liberdade cristã, gerada pela Graça de Deus, com o devido cuidado de não causar tropeço ou escândalo, quer aos irmãos mais fracos na fé, quer à comunidade dos fiéis, quer ao Evangelho. Paulo chegar a dizer que não podemos usar a Graça para justificar nossos pecados, ou como se a graça fosse uma espécie de trampolim para o pecado. Como vivemos a nossa vida, uma vez que estamos em Cristo Jesus, é assunto para o Espírito Santo, que já deixou claro nas Escrituras como fazê-lo. Somos livres em Cristo, porém essa liberdade deve, à luz da Bíblia, ser exercida com responsabilidade, como temor e tremor, pois havemos de um dia dar contas de nossas atitudes, palavras e pensamentos.
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!
sexta-feira, 7 de março de 2014
FARISAÍSMO, ONTEM E HOJE... QUE AMANHÃ, NUNCA MAIS!
"Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que fechais aos homens o reino dos céus; e nem vós entrais nem deixais entrar aos que estão entrando. Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que devorais as casas das viúvas, sob pretexto de prolongadas orações; por isso sofrereis mais rigoroso juízo. Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito; e, depois de o terdes feito, o fazeis filho do inferno duas vezes mais do que vós." (Mt 23.13-15)
Hipócritas... é assim que Jesus chama a classe religiosa que se considerava muito conhecedora de Deus e do sobrenatural, os grandes mestres da teologia judaica, os fariseus. Estes, os fariseus, se consideravam os únicos donos da verdade divina, donos de Deus, como se Deus tivesse dono. Se consideravam os únicos santos, os únicos puros, os únicos sábios, os únicos em qualquer coisa que se referisse a fé judaica. Todos que não fossem fariseus eram considerados por estes como publicanos e pecadores; afinal os fariseus consideravam a si mesmos como os servos mais espirituais e devotos de Deus. Contudo, no afã de trazer o povo de volta a uma submissão estrita à Palavra de Deus, o afastavam cada vez mais e mais desse Deus, assim como eles há muito já estavam distantes desse mesmo Deus, falado a verso e prosa em seus ensinos.
Jesus nos diz que estes fariseus (e os escribas, responsáveis por copiarem a lei), eram hipócritas, apesar de todo seu zelo religioso. Por quê? Porque, em síntese, eles praticavam a justiça de homens, apesar de se referirem à justiça de Deus. Essa justiça de homens tinham muitas características que a distinguia da justiça divina: enquanto a justiça divina era exercida na base da misericórdia, a justiça humana era exercida com base no senso do "mais santo e mais justo que você" (sou melhor do que você, que não é nada perante mim). Enquanto a justiça divina absolvia o arrependido, a justiça humana condenava os inocentes. Enquanto a justiça divina manifesta-se no interior para o exterior, envolvendo a mudança de comportamento, a justiça humana era algo apenas exterior, vazio, sem vida - verdadeiros sepulcros caiados, copos de botequim limpos apenas exteriormente. Enquanto a justiça divina vinha pela fé em Deus, a justiça humana era advinda das obras.
Toda atividade de proselitismo ("faraígelismo") feito pelos fariseus não gerava frutos para o Reino de Deus. Na verdade, Jesus diz que todo este afã em fazer discípulos por parte dos fariseus produzia filhos do inferno para o inferno, duas vezes mais piores que seus mestres. Jesus diz adicionalmente que eles fechavam aos homens o Reino dos céus; assim, além deles mesmos não entrarem, não deixavam mais ninguém entrar! Mesmo aqueles que iam entrando são "barrados" pelos fariseus com suas atitudes farisaicas. Jesus os acusa de "devorar a casa das viúvas", talvez persuadindo-as a fazer grandes doações. Interessante isso, deles procurarem as casas das viúvas, porque as viúvas eram uma das classes de pessoas mais necessitadas e carentes, sem condições de se auto-defenderem, naquela época. Assim, os fariseus agiam com o mesmo princípio de Amaleque, o qual atacava a retaguarda dos filhos de Israel quando estes saíam do Egito, ferindo os fracos que iam atrás, estando Israel cansado e afadigado; e não temeu a Deus. (Dt 25.17,18)
Ao olhar isso tudo e ao ver a atitude de muitos ditos pastores e líderes evangélicos, não posso deixar de ver semelhanças entre suas atitudes e as dos fariseus. Infelizmente, a religião dominou o coração de muitos e muitos, transformando a fé simples em Jesus numa verdadeira religião farisaica. A bem da verdade, o cristianismo nunca conseguiu ser livre totalmente das amarras da religião. A reforma trouxe grande bênção, restaurando a importância da Palavra, mas nunca foi a intenção dos reformadores resolverem o problema do institucionalismo e da religião. O fato é que homens se cercaram de seus ritos mortos sem vida, voltando-se para si mesmos cheios de vaidade e vanglória, considerando-se maiores, melhores, mais sábios e espirituais que todos os demais. Gente que ama o institucionalismo, e que coloca o institucionalismo acima do organismo-organizado que é o Corpo de Cristo, incapazes de entender o que é comunhão na prática.
Parênteses: Aliás, o orgulho é uma das marcas distintivas de um fariseu: todo fariseu orgulha-se daquilo que ele pretensamente pensa saber, ter ou ser, espiritualmente falando, acima dos "pobres pecadores e publicanos". Orgulho, ou altivez de espírito... sempre precederá a queda. Grandes impérios, orgulhosos, com seus grandes imperadores, prepotentes, ruíram ao longo da história. Onde está hoje o império Assírio? E o Babilônico, com Nabudonosor e companhia? Onde está hoje o império Austro-Húngaro? E o Sacro Império Romano-Germânico? E Hitler, onde está? Todos reis, todos imperadores e seus impérios caíram. Todos os orgulhosos um dia caem, mais cedo ou mais tarde. Fecha parênteses.
As variações do farisaísmo moderno observam-se em dois grandes extremos: o primeiro extremo é aquele do rompimento total com tudo que é bom e justo na fé, quando o líder torna-se ele mesmo uma espécie de "deus encarnado", a quem Deus atende a tempo e hora e quem tem a "autoridade" de mudar o ensino da Bíblia (os famosos apóstolos, bispos, pastores, etc. modernos), onde a liberdade é exercida sem responsabilidade alguma. O segundo extremo é aquele do cerceamento total da liberdade cristã (afinal, a liberdade para quem sempre viveu e ainda vive preso assusta deveras: "Como assim ser livre? Como assim não controlar as coisas?"), com a criação de uma infinidade de regrinhas humanas para conferir "decência e ordem" ao exercício da fé, uma verdadeira religião mais pesada ainda do que as demais existentes, cheia de pompa, de aparência "de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo" coisas que "não são de valor algum senão para a satisfação da carne." (Cl 2.23). Em ambas, vê-se o elemento farisaico.
Sinceramente, não sei qual dos dois tipos de religião é pior. A primeira, faz da fé cristã algo mais parecido com o movimento hippie da década de 60, com a exceção de haver um super-líder a frente do grupo, um "semi-deus" com seus "atributos divinos auto-conferidos", quase um Thor-gospel. Esse, considera-se e é considerado a "última bolacha do pacote", poderoso; o único que pode decifrar o "código de Deus", cheios de paramentos e togas. Já o segundo também tem seu super-líder, o qual é geralmente uma pessoa que se destaca na religião, de boa oratória e fama (o qual pode falar a bobagem que for, que se ele não violar o código máximo da religião, todos o aplaudirão de pé e dirão "esse é homem de Deus", sic). Aqui também os paramentos e as togas são vistas; louvam uns aos outros por suas togas, túnicas, diplomas, títulos, etc. Mesmo o Espírito Santo foi esquecido, em ambos os sistemas religiosos; deixado de lado, foi substituído pelos sistemas, dogmas, liturgias - referências e referenciais puramente humanos - ou mesmo pela total ausência delas! Hoje, Aquele que dirigia a vida e as decisões da Igreja está relegado a uma doutrina sobre Ele, quando muito!
Parênteses: nada tenho contra títulos e diplomas, desde que eles não ocupem no coração o lugar que pertence unicamente a Deus; desde que eles não se transformem em falsos deuses, nem transformem seus proprietários em falsos deuses. Títulos e diplomas são coisas boas, se usados e entendidos de forma correta. Fecha parênteses.
Não me admira que algumas pessoas estejam rompendo com esse sistema religioso (veja a matéria "A NOVA REFORMA PROTESTANTE E A RESTAURAÇÃO DA IGREJA", em: http://apenas-para-argumentar.blogspot.com.br/2010/08/nova-reforma-protestante-e-restauracao.html), reunindo-se em comunidades que se constituem numa alternativa ao atual modelo de cristianismo - capitalista, psicologizado e encastelado, resgatando assim a simplicidade da fé cristã. Eu mesmo estou cansado da religião, em todas as suas formas, que só fazem produzir pessoas arrogantes, cheias de si mesmas; estou cansado da multidão de ritos externos, que nada produzem no interior. Estou cansado dessa coisa que aparenta vida, sem ter vida e que ainda por cima é chamada "cristã"; dessa doutrina de homens que não ensina para a vida, mas que serve apenas para manter a morte, para discussões intermináveis sobre a natureza do ser e do nada no melhor estilo de Jean-Paul Sartre. Estou cansado dessa fábrica de aperfeiçoamento dos defeitos de caráter chamada religião! Isso se dá porque Deus foi transformado em "doutrina sobre Deus", Cristo em mero tema de mensagem sem Cristo e o Espírito Santo só é mencionado na bênção apostólica! Foi isso que a religião fez: reduziu Deus de forma a caber certinho no conjunto de idéias sobre Deus; como diz o Pr. Caio Fábio, um Deus que foi domesticado, tornado previsível, que age apenas e somente no limite da lógica humana! Como ele diz, em seu artigo "DEUS SÓ É BOM SE FOR FIXO!" (http://www.caiofabio.net/conteudo.asp?codigo=02434):
O interessante, entretanto, é que os humanos, que sempre criaram “imagens de escultura” para serem seus deuses, ou que, modernamente, cultuam, por exemplo, a igreja, a religião, gurus, etc..., como verdadeiros deuses —, ficam, entretanto, chocados, quando se diz que a “teologia” acabou, que a filosofia cristã especulativa e grega é uma estultícia, e que em Jesus está tudo... Sim, Deus aberto, explicito, santamente arreganhado. Diante disso, questão é: como se pode cultuar uma imagem fixa e criada pelo homem e, ainda assim, ficar escandalizado quando se diz, fundado no fato de que “quem vê o Filho, vê o Pai”, que quem vê Jesus, vê Deus? A resposta é tão obvia quanto o pecado humano: “Deus de pedra a gente topa, mas vivo e humano-divino, andando e nos chamando a andar, a gente não quer”. Sim, porque se prefere qualquer coisa fixa, seja um ídolo de barro, pau, pedra, ouro, gesso, bronze, etc; ou seja um “Deus” feito de pacotes de salvação; de unções especiais feitas por homens especiais; ou algo coberto pela aura de uma espiritualidade ativada pela via de um rito, de um culto, de uma oferta, ou de qualquer outra forma de controle e gestão do sagrado — do que simplesmente crer que quem vê Jesus, vê o Pai; e tem tudo. [...]
Enquanto isto...Os mercenários, os lobos, ou os doutores de Deus, tentam convencer o povo de que se não forem obedecidos, ou seguidos em suas sabedorias, no primeiro caso haverá maldição; e, no segundo caso, uma viagem sem volta para fora da “sã doutrina”; a qual, só é sã porque é a deles; e eles são os “sãos” que não precisam de médico. Por esta razão, Jesus continuará a ser a manifestação e encarnação do Pai para os cristãos, desde que sempre seja visto pelos olhos mal-intencionados de uns; ou apenas fanaticamente condicionados dos que confessam tudo isto, mas têm pavor que o povo acredite, e não precise mais de suas “sacerdotalidades” a fim de prosseguirem na jornada. “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos!” —advertiu o velho apóstolo João!
Daí, meu repúdio a religião: ela é farisaica em sua essência e exercício! Qualquer conceituação sobre Deus que não gere vida zoe na vida bios e que não tenha relação com a vida não é verdadeira! Qualquer conceito, "teologia", dogma, ensino ou doutrina que escravize o homem não provém do Espírito Santo! Qualquer fé dita em Jesus que não produza transformação de vida não é fé em Cristo Jesus! A fé cristã é simples, a religião cristã é complicadíssima, cheia de termos difíceis e contraditórios; a primeira até uma criança entende, a segunda, nem com muito estudo dá para se entender! A primeira é a prática de Cristo, pura e simples; a segunda é impossível de ser praticada, pois é filosofia e filosofismo, a não ser pelo fariseu filosofista. A primeira produz irmãos e amigos, faz com que os homens habitem na família de Deus, a segunda produz inimigos mesmo entre irmãos! É inconcebível um evangelho farisaico que aprisiona Deus, porque Deus jamais será contido ou aprisionado por qualquer coisa, humana, sub-humana ou sobre-humana!
O deus da religião está morto, como dizia Nietsche; é um deus fraco, um deus olímpico, cheio de pecados e esquisitices como o homem, de quem foi formado. Porém o Deus da Bíblia é vivo; Ele é, era e há de Ser, um Deus vivo que age como tal, que não se conforma ao homem, mas que lhe é superior; um Deus que não habita em tendas da filosofia, nem em templos feitos por mãos dos "especialistas de Deus", mas o Deus que está acima das religiões, incomparável! Deus tremendo, Todo-Poderoso, El-Shadday! Deus que fala o que quer falar, quando quer falar; que age como quer, quando quer! É inadmissível crer num Deus moldado pelas regras farisaicas, injusto e incompassivo, aprisionador do homem e da criação! Minha alma rejeita de pronto aquilo que tentam fazer passar pelo Meu Senhor; como dizia o velho hino "E ao ver as gravuras, os quadros pintados, daquilo que dizem ser o Meu Senhor, meu ser não aceita o que está na tela, é falsa a inspiração do pintor [escritor, teólogo, pensador, filósofo, religioso]. Não creio, não creio num Cristo vencido, [subjugado, domesticado pelo homem], cheio de amargura, semblante de dor! Mas creio num Cristo, de rosto alegre, pois creio num Cristo que é vencedor!"
Justiça, paz e alegria no Espírito Santo, isso é que é o verdadeiro Reino de Deus. Porém, o reino de Deus segundo os homens domesticadores de Deus é o inverso: Injustiça, guerras e chateação! Um reino confuso, deprimente, previsível, monótono, cartesiano, de um deus computadorizado e descrito numa linguagem quase matemática, cheia de lógicas humanas! Por essas e por outras, ninguém entrava no Reino de Deus na época antiga, dos fariseus, combatidos por Jesus; porque havia tanto pré-requisito, tanto isso-e-aquilo, que o reino de Deus fora usurpado pelos homens, porteiros do Reino! Jesus, contudo, afirma que eles não eram porteiros do Reino como pensavam de si mesmos, tampouco entravam nesse reino e não conduziam ninguém para ele; na verdade estavam mais para um Caronte, barqueiro do Hades na mitologia grega, que carregava as almas dos recém-mortos sobre as águas dos rios Estige e Aqueronte, que dividiam o mundo dos vivos do mundo dos mortos, sob preço de uma moeda. Eles jamais aceitaram a graça, a liberdade e a vida conferidas por Cristo, nem mesmo o Senhorio deste! Criticavam a Cristo abertamente; chegaram a dizer em certa ocasião que o Mestre expulsava demônios pelo maioral dos demônios, a fim de minar Seu ministério terreno e dispersar Suas ovelhas! (Mt 12.24)
É preciso muito cuidado para não incorrermos nos mesmos erros dos fariseus. É muito fácil errar na mesma coisa que eles erraram, e esse erro é muito difícil de ser percebido, sendo-o geralmente quando já é tarde demais. Combater aquilo que está claramente, nitidamente contrário as Escrituras é uma coisa; criticar aquilo que sua mente racional não alcança ou mesmo aqueles que propõem tais coisas, depreciando e apontando defeitos só porque você não entende (e nem quer entender) é outra (veja o artigo "FIDE ET RATIO: A UNÇÃO ESPIRITUAL", em: http://apenas-para-argumentar.blogspot.com.br/2010/10/fide-et-ratio-uncao-espiritual.html). Cuidado para que em seu zelo farisaico você não se veja lutando contra a Igreja, buscando causar confusão e dispersar o rebanho de Deus, porque essa será uma luta inglória para você. O farisaísmo é assim mesmo: tudo que não concorda, busca destruir, a fim de manter sua soberania ideológica. Conquanto que não o pensamento não seja antibíblico (antibíblico, não anti-teológico, porque muitas e muitas vezes os sistemas teológicos são antibíblicos - como o tal cessacionismo, é preciso comparar tudo com as Escrituras), respeite quem pensa diferente e o pensamento diferente, procure compreender as bases desse pensamento e, quem sabe, aprender mais um pouco. Lembre-se que "em parte conhecemos, em parte profetizamos" (I Co 13.9). Se é em parte, não é o todo, não é a totalidade do que se há para saber.
Se você, leitor(a) viu seu comportamento refletido nesta argumentação, meu conselho é que você se arrependa e mude sua vida. Jesus ama você e quer transformar a sua vida, quer Ele te dar vida e vida em abundância! Vida livre, vida viva, vida pulsante, cheia de vida! A liberdade cristã sempre anda junto com responsabilidade cristã; mas sempre é preciso primar pela liberdade cristã! Não podemos - e nem devemos - voltar a nos colocarmos debaixo de jugo de fariseus legalistas, antes devemos estar firmes na liberdade com que Cristo nos libertou! Liberdade exercida de acordo com a Palavra, andando em Espírito e sendo por Ele guiados, de forma que o o fruto do Espírito seja gerado em nossa vida e não as obras da carne. Quanto ao primeiro, não há lei, mas contra o segundo a lei permanece! Farisaísmo ontem e hoje; que amanhã nunca mais! Sê livre, em Nome de Jesus!
Pense nisso. Deus está te dando visão (e vôo) de águia!
Hipócritas... é assim que Jesus chama a classe religiosa que se considerava muito conhecedora de Deus e do sobrenatural, os grandes mestres da teologia judaica, os fariseus. Estes, os fariseus, se consideravam os únicos donos da verdade divina, donos de Deus, como se Deus tivesse dono. Se consideravam os únicos santos, os únicos puros, os únicos sábios, os únicos em qualquer coisa que se referisse a fé judaica. Todos que não fossem fariseus eram considerados por estes como publicanos e pecadores; afinal os fariseus consideravam a si mesmos como os servos mais espirituais e devotos de Deus. Contudo, no afã de trazer o povo de volta a uma submissão estrita à Palavra de Deus, o afastavam cada vez mais e mais desse Deus, assim como eles há muito já estavam distantes desse mesmo Deus, falado a verso e prosa em seus ensinos.
Jesus nos diz que estes fariseus (e os escribas, responsáveis por copiarem a lei), eram hipócritas, apesar de todo seu zelo religioso. Por quê? Porque, em síntese, eles praticavam a justiça de homens, apesar de se referirem à justiça de Deus. Essa justiça de homens tinham muitas características que a distinguia da justiça divina: enquanto a justiça divina era exercida na base da misericórdia, a justiça humana era exercida com base no senso do "mais santo e mais justo que você" (sou melhor do que você, que não é nada perante mim). Enquanto a justiça divina absolvia o arrependido, a justiça humana condenava os inocentes. Enquanto a justiça divina manifesta-se no interior para o exterior, envolvendo a mudança de comportamento, a justiça humana era algo apenas exterior, vazio, sem vida - verdadeiros sepulcros caiados, copos de botequim limpos apenas exteriormente. Enquanto a justiça divina vinha pela fé em Deus, a justiça humana era advinda das obras.
Toda atividade de proselitismo ("faraígelismo") feito pelos fariseus não gerava frutos para o Reino de Deus. Na verdade, Jesus diz que todo este afã em fazer discípulos por parte dos fariseus produzia filhos do inferno para o inferno, duas vezes mais piores que seus mestres. Jesus diz adicionalmente que eles fechavam aos homens o Reino dos céus; assim, além deles mesmos não entrarem, não deixavam mais ninguém entrar! Mesmo aqueles que iam entrando são "barrados" pelos fariseus com suas atitudes farisaicas. Jesus os acusa de "devorar a casa das viúvas", talvez persuadindo-as a fazer grandes doações. Interessante isso, deles procurarem as casas das viúvas, porque as viúvas eram uma das classes de pessoas mais necessitadas e carentes, sem condições de se auto-defenderem, naquela época. Assim, os fariseus agiam com o mesmo princípio de Amaleque, o qual atacava a retaguarda dos filhos de Israel quando estes saíam do Egito, ferindo os fracos que iam atrás, estando Israel cansado e afadigado; e não temeu a Deus. (Dt 25.17,18)
Ao olhar isso tudo e ao ver a atitude de muitos ditos pastores e líderes evangélicos, não posso deixar de ver semelhanças entre suas atitudes e as dos fariseus. Infelizmente, a religião dominou o coração de muitos e muitos, transformando a fé simples em Jesus numa verdadeira religião farisaica. A bem da verdade, o cristianismo nunca conseguiu ser livre totalmente das amarras da religião. A reforma trouxe grande bênção, restaurando a importância da Palavra, mas nunca foi a intenção dos reformadores resolverem o problema do institucionalismo e da religião. O fato é que homens se cercaram de seus ritos mortos sem vida, voltando-se para si mesmos cheios de vaidade e vanglória, considerando-se maiores, melhores, mais sábios e espirituais que todos os demais. Gente que ama o institucionalismo, e que coloca o institucionalismo acima do organismo-organizado que é o Corpo de Cristo, incapazes de entender o que é comunhão na prática.
Parênteses: Aliás, o orgulho é uma das marcas distintivas de um fariseu: todo fariseu orgulha-se daquilo que ele pretensamente pensa saber, ter ou ser, espiritualmente falando, acima dos "pobres pecadores e publicanos". Orgulho, ou altivez de espírito... sempre precederá a queda. Grandes impérios, orgulhosos, com seus grandes imperadores, prepotentes, ruíram ao longo da história. Onde está hoje o império Assírio? E o Babilônico, com Nabudonosor e companhia? Onde está hoje o império Austro-Húngaro? E o Sacro Império Romano-Germânico? E Hitler, onde está? Todos reis, todos imperadores e seus impérios caíram. Todos os orgulhosos um dia caem, mais cedo ou mais tarde. Fecha parênteses.
As variações do farisaísmo moderno observam-se em dois grandes extremos: o primeiro extremo é aquele do rompimento total com tudo que é bom e justo na fé, quando o líder torna-se ele mesmo uma espécie de "deus encarnado", a quem Deus atende a tempo e hora e quem tem a "autoridade" de mudar o ensino da Bíblia (os famosos apóstolos, bispos, pastores, etc. modernos), onde a liberdade é exercida sem responsabilidade alguma. O segundo extremo é aquele do cerceamento total da liberdade cristã (afinal, a liberdade para quem sempre viveu e ainda vive preso assusta deveras: "Como assim ser livre? Como assim não controlar as coisas?"), com a criação de uma infinidade de regrinhas humanas para conferir "decência e ordem" ao exercício da fé, uma verdadeira religião mais pesada ainda do que as demais existentes, cheia de pompa, de aparência "de sabedoria, em devoção voluntária, humildade, e em disciplina do corpo" coisas que "não são de valor algum senão para a satisfação da carne." (Cl 2.23). Em ambas, vê-se o elemento farisaico.
Sinceramente, não sei qual dos dois tipos de religião é pior. A primeira, faz da fé cristã algo mais parecido com o movimento hippie da década de 60, com a exceção de haver um super-líder a frente do grupo, um "semi-deus" com seus "atributos divinos auto-conferidos", quase um Thor-gospel. Esse, considera-se e é considerado a "última bolacha do pacote", poderoso; o único que pode decifrar o "código de Deus", cheios de paramentos e togas. Já o segundo também tem seu super-líder, o qual é geralmente uma pessoa que se destaca na religião, de boa oratória e fama (o qual pode falar a bobagem que for, que se ele não violar o código máximo da religião, todos o aplaudirão de pé e dirão "esse é homem de Deus", sic). Aqui também os paramentos e as togas são vistas; louvam uns aos outros por suas togas, túnicas, diplomas, títulos, etc. Mesmo o Espírito Santo foi esquecido, em ambos os sistemas religiosos; deixado de lado, foi substituído pelos sistemas, dogmas, liturgias - referências e referenciais puramente humanos - ou mesmo pela total ausência delas! Hoje, Aquele que dirigia a vida e as decisões da Igreja está relegado a uma doutrina sobre Ele, quando muito!
Parênteses: nada tenho contra títulos e diplomas, desde que eles não ocupem no coração o lugar que pertence unicamente a Deus; desde que eles não se transformem em falsos deuses, nem transformem seus proprietários em falsos deuses. Títulos e diplomas são coisas boas, se usados e entendidos de forma correta. Fecha parênteses.
Não me admira que algumas pessoas estejam rompendo com esse sistema religioso (veja a matéria "A NOVA REFORMA PROTESTANTE E A RESTAURAÇÃO DA IGREJA", em: http://apenas-para-argumentar.blogspot.com.br/2010/08/nova-reforma-protestante-e-restauracao.html), reunindo-se em comunidades que se constituem numa alternativa ao atual modelo de cristianismo - capitalista, psicologizado e encastelado, resgatando assim a simplicidade da fé cristã. Eu mesmo estou cansado da religião, em todas as suas formas, que só fazem produzir pessoas arrogantes, cheias de si mesmas; estou cansado da multidão de ritos externos, que nada produzem no interior. Estou cansado dessa coisa que aparenta vida, sem ter vida e que ainda por cima é chamada "cristã"; dessa doutrina de homens que não ensina para a vida, mas que serve apenas para manter a morte, para discussões intermináveis sobre a natureza do ser e do nada no melhor estilo de Jean-Paul Sartre. Estou cansado dessa fábrica de aperfeiçoamento dos defeitos de caráter chamada religião! Isso se dá porque Deus foi transformado em "doutrina sobre Deus", Cristo em mero tema de mensagem sem Cristo e o Espírito Santo só é mencionado na bênção apostólica! Foi isso que a religião fez: reduziu Deus de forma a caber certinho no conjunto de idéias sobre Deus; como diz o Pr. Caio Fábio, um Deus que foi domesticado, tornado previsível, que age apenas e somente no limite da lógica humana! Como ele diz, em seu artigo "DEUS SÓ É BOM SE FOR FIXO!" (http://www.caiofabio.net/conteudo.asp?codigo=02434):
O interessante, entretanto, é que os humanos, que sempre criaram “imagens de escultura” para serem seus deuses, ou que, modernamente, cultuam, por exemplo, a igreja, a religião, gurus, etc..., como verdadeiros deuses —, ficam, entretanto, chocados, quando se diz que a “teologia” acabou, que a filosofia cristã especulativa e grega é uma estultícia, e que em Jesus está tudo... Sim, Deus aberto, explicito, santamente arreganhado. Diante disso, questão é: como se pode cultuar uma imagem fixa e criada pelo homem e, ainda assim, ficar escandalizado quando se diz, fundado no fato de que “quem vê o Filho, vê o Pai”, que quem vê Jesus, vê Deus? A resposta é tão obvia quanto o pecado humano: “Deus de pedra a gente topa, mas vivo e humano-divino, andando e nos chamando a andar, a gente não quer”. Sim, porque se prefere qualquer coisa fixa, seja um ídolo de barro, pau, pedra, ouro, gesso, bronze, etc; ou seja um “Deus” feito de pacotes de salvação; de unções especiais feitas por homens especiais; ou algo coberto pela aura de uma espiritualidade ativada pela via de um rito, de um culto, de uma oferta, ou de qualquer outra forma de controle e gestão do sagrado — do que simplesmente crer que quem vê Jesus, vê o Pai; e tem tudo. [...]
Enquanto isto...Os mercenários, os lobos, ou os doutores de Deus, tentam convencer o povo de que se não forem obedecidos, ou seguidos em suas sabedorias, no primeiro caso haverá maldição; e, no segundo caso, uma viagem sem volta para fora da “sã doutrina”; a qual, só é sã porque é a deles; e eles são os “sãos” que não precisam de médico. Por esta razão, Jesus continuará a ser a manifestação e encarnação do Pai para os cristãos, desde que sempre seja visto pelos olhos mal-intencionados de uns; ou apenas fanaticamente condicionados dos que confessam tudo isto, mas têm pavor que o povo acredite, e não precise mais de suas “sacerdotalidades” a fim de prosseguirem na jornada. “Filhinhos, guardai-vos dos ídolos!” —advertiu o velho apóstolo João!
Daí, meu repúdio a religião: ela é farisaica em sua essência e exercício! Qualquer conceituação sobre Deus que não gere vida zoe na vida bios e que não tenha relação com a vida não é verdadeira! Qualquer conceito, "teologia", dogma, ensino ou doutrina que escravize o homem não provém do Espírito Santo! Qualquer fé dita em Jesus que não produza transformação de vida não é fé em Cristo Jesus! A fé cristã é simples, a religião cristã é complicadíssima, cheia de termos difíceis e contraditórios; a primeira até uma criança entende, a segunda, nem com muito estudo dá para se entender! A primeira é a prática de Cristo, pura e simples; a segunda é impossível de ser praticada, pois é filosofia e filosofismo, a não ser pelo fariseu filosofista. A primeira produz irmãos e amigos, faz com que os homens habitem na família de Deus, a segunda produz inimigos mesmo entre irmãos! É inconcebível um evangelho farisaico que aprisiona Deus, porque Deus jamais será contido ou aprisionado por qualquer coisa, humana, sub-humana ou sobre-humana!
O deus da religião está morto, como dizia Nietsche; é um deus fraco, um deus olímpico, cheio de pecados e esquisitices como o homem, de quem foi formado. Porém o Deus da Bíblia é vivo; Ele é, era e há de Ser, um Deus vivo que age como tal, que não se conforma ao homem, mas que lhe é superior; um Deus que não habita em tendas da filosofia, nem em templos feitos por mãos dos "especialistas de Deus", mas o Deus que está acima das religiões, incomparável! Deus tremendo, Todo-Poderoso, El-Shadday! Deus que fala o que quer falar, quando quer falar; que age como quer, quando quer! É inadmissível crer num Deus moldado pelas regras farisaicas, injusto e incompassivo, aprisionador do homem e da criação! Minha alma rejeita de pronto aquilo que tentam fazer passar pelo Meu Senhor; como dizia o velho hino "E ao ver as gravuras, os quadros pintados, daquilo que dizem ser o Meu Senhor, meu ser não aceita o que está na tela, é falsa a inspiração do pintor [escritor, teólogo, pensador, filósofo, religioso]. Não creio, não creio num Cristo vencido, [subjugado, domesticado pelo homem], cheio de amargura, semblante de dor! Mas creio num Cristo, de rosto alegre, pois creio num Cristo que é vencedor!"
Justiça, paz e alegria no Espírito Santo, isso é que é o verdadeiro Reino de Deus. Porém, o reino de Deus segundo os homens domesticadores de Deus é o inverso: Injustiça, guerras e chateação! Um reino confuso, deprimente, previsível, monótono, cartesiano, de um deus computadorizado e descrito numa linguagem quase matemática, cheia de lógicas humanas! Por essas e por outras, ninguém entrava no Reino de Deus na época antiga, dos fariseus, combatidos por Jesus; porque havia tanto pré-requisito, tanto isso-e-aquilo, que o reino de Deus fora usurpado pelos homens, porteiros do Reino! Jesus, contudo, afirma que eles não eram porteiros do Reino como pensavam de si mesmos, tampouco entravam nesse reino e não conduziam ninguém para ele; na verdade estavam mais para um Caronte, barqueiro do Hades na mitologia grega, que carregava as almas dos recém-mortos sobre as águas dos rios Estige e Aqueronte, que dividiam o mundo dos vivos do mundo dos mortos, sob preço de uma moeda. Eles jamais aceitaram a graça, a liberdade e a vida conferidas por Cristo, nem mesmo o Senhorio deste! Criticavam a Cristo abertamente; chegaram a dizer em certa ocasião que o Mestre expulsava demônios pelo maioral dos demônios, a fim de minar Seu ministério terreno e dispersar Suas ovelhas! (Mt 12.24)
É preciso muito cuidado para não incorrermos nos mesmos erros dos fariseus. É muito fácil errar na mesma coisa que eles erraram, e esse erro é muito difícil de ser percebido, sendo-o geralmente quando já é tarde demais. Combater aquilo que está claramente, nitidamente contrário as Escrituras é uma coisa; criticar aquilo que sua mente racional não alcança ou mesmo aqueles que propõem tais coisas, depreciando e apontando defeitos só porque você não entende (e nem quer entender) é outra (veja o artigo "FIDE ET RATIO: A UNÇÃO ESPIRITUAL", em: http://apenas-para-argumentar.blogspot.com.br/2010/10/fide-et-ratio-uncao-espiritual.html). Cuidado para que em seu zelo farisaico você não se veja lutando contra a Igreja, buscando causar confusão e dispersar o rebanho de Deus, porque essa será uma luta inglória para você. O farisaísmo é assim mesmo: tudo que não concorda, busca destruir, a fim de manter sua soberania ideológica. Conquanto que não o pensamento não seja antibíblico (antibíblico, não anti-teológico, porque muitas e muitas vezes os sistemas teológicos são antibíblicos - como o tal cessacionismo, é preciso comparar tudo com as Escrituras), respeite quem pensa diferente e o pensamento diferente, procure compreender as bases desse pensamento e, quem sabe, aprender mais um pouco. Lembre-se que "em parte conhecemos, em parte profetizamos" (I Co 13.9). Se é em parte, não é o todo, não é a totalidade do que se há para saber.
Se você, leitor(a) viu seu comportamento refletido nesta argumentação, meu conselho é que você se arrependa e mude sua vida. Jesus ama você e quer transformar a sua vida, quer Ele te dar vida e vida em abundância! Vida livre, vida viva, vida pulsante, cheia de vida! A liberdade cristã sempre anda junto com responsabilidade cristã; mas sempre é preciso primar pela liberdade cristã! Não podemos - e nem devemos - voltar a nos colocarmos debaixo de jugo de fariseus legalistas, antes devemos estar firmes na liberdade com que Cristo nos libertou! Liberdade exercida de acordo com a Palavra, andando em Espírito e sendo por Ele guiados, de forma que o o fruto do Espírito seja gerado em nossa vida e não as obras da carne. Quanto ao primeiro, não há lei, mas contra o segundo a lei permanece! Farisaísmo ontem e hoje; que amanhã nunca mais! Sê livre, em Nome de Jesus!
Pense nisso. Deus está te dando visão (e vôo) de águia!
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014
DISCERNINDO O VERDADEIRO MOVER DE DEUS NO MUNDO
"Portanto, vos quero fazer compreender que ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz: Jesus é anátema, e ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor, senão pelo Espírito Santo. Ora, há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo. E há diversidade de ministérios, mas o Senhor é o mesmo. E há diversidade de operações, mas é o mesmo Deus que opera tudo em todos." (I Co 12.3-6)
Quero fazer com que vocês compreendam... é assim que o apóstolo Paulo começa a desenvolver a sua explanação acerca dos dons espirituais. O termo usado em grego é "gnorizo", dar conhecimento, dar entendimento. Ele começa assim porque os crentes de Corinto eram ignorantes, desconhecedores, de um dos temas de grande importância nas Escrituras. Tinham todos os dons espirituais - um padrão para a igreja moderna, porém não tinham conhecimento de como operar esses dons e por isso havia muito desequilíbrio no uso dos dons.
Paulo segue dizendo: "quero que vocês entendam que ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz: Jesus é anátema, e ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor, senão pelo Espírito Santo". O princípio que há por detrás desse intróito é que o Espírito Santo em todas as instâncias deve honrar a Jesus Cristo, e todos que estivessem sob sua influência deveriam prontamente amar e reverenciar o nome e a pessoa de Jesus. O Senhor mesmo disse que o Espírito falaria dele, do Senhor Jesus: "Mas, quando vier aquele, o Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir. Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar." (Jo 16.13,14)
"Senão pelo Espírito Santo". Este é um versículo muito importante, não só no que diz respeito ao assunto em particular sob consideração no tempo de Paulo, mas também em sua relação prática no presente. Podemos aprender com ele várias coisas:
1. Qualquer pessoa sob a influência do Espírito Santo está disposta, de coração, a honrar o nome e obra de Jesus Cristo;
2. As formas e expressões religiosas, bem como suas opiniões e práticas, estarão de acordo com o Espírito de Deus à medida que elas honrarem e amarem o nome e a obra de Cristo;
3. É verdade que nenhum homem jamais vai valorizar o relacionamento com Jesus Cristo, nem amar o seu nome e sua obra, a menos que ele seja influenciado pelo Espírito Santo. Ninguém ama o nome e a obra do Redentor, seguindo simplesmente as inclinações de seu próprio coração corrupto. Em todos os casos, aqueles que foram levados a honrá-lo e amá-lo, foi pela atuação do Espírito Santo.
4. Se qualquer pessoa, não importando quem seja, de qualquer forma, menospreza a obra de Cristo, fala levianamente de sua pessoa ou seu nome, ou tem doutrinas que infringem a plenitude da verdade com respeito à sua dupla natureza (divina e humana), sua pureza, sua expiação, isso é a prova de que tal pessoa não está sob a influência do Espírito de Deus.
5. Toda verdadeira religião é a produção do Espírito Santo. Tal religião consiste essencialmente na vontade e na ação de honrar, amar e servir o Senhor Jesus Cristo: religiões, denominações, igrejas, etc. que honram mais a criatura (o homem) do que o Criador, que é bendito eternamente, não são geradas, mantidas ou potencializadas pelo Espírito Santo.
6. A influência do Espírito Santo deve ser valorizada, deixando de lado a frieza de coração, as trevas, a esterilidade, e a morte espiritual.
Note que, portanto, Paulo nos dá uma forma clara para distinguirmos as influências e operações, se são genuinamente de Deus ou não. Esse é um ponto pacífico aqui, sobre o qual não resta dúvida. Perceba o quão importante é essa regra bíblica, especialmente em nossos dias, onde vemos uma explosão de religiões e seitas, e onde vemos várias coisas acontecendo dentro de igrejas as quais reputamos, via de regra, como sendo genuinamente produzidas pelo Espírito Santo.
Hoje, na Igreja, há coisas que são produzidas genuinamente pelo Espírito de Deus e coisas que não o são, mas são produto da mente humana. É preciso sabermos discernir, a fim de não acabarmos envolvidos com algo que não foi produzido por Deus. Mesmo aquilo que não tem, a princípio, conotação espiritual ou relação direta com o mundo espiritual, pode e deve ser julgado por nós e discernido. A Bíblia diz que se somos espirituais, então podemos e devemos discernir todas as coisas, comparando "coisas espirituais" com "coisas espirituais". Nós podemos - e devemos - buscar conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus. Não podemos, como cristãos, sermos ignorantes com relação àquilo que o Espírito de Deus fez e continua a fazer na Igreja. (I Co 2)
Nosso Deus age na história humana - essa é uma verdade insofismável. Ele mesmo deu início a história humana quando criou o homem no Éden. Desde então, o homem vem agindo nessa Terra e sendo agente da história. Porém Deus, que em Sua soberania permite o agir humano até certo ponto, faz com que Seu plano eterno seja cumprido na humanidade. E a Igreja é, sem sombra de dúvida, parte desse plano. Deus deseja agir no mundo a partir de Seu povo, essa é outra verdade bíblica inconteste: foi assim no Velho Testamento e é assim no Novo Testamento. Deus pode fazer sozinho? Sim! Ele precisa de nós? Não! Mas o plano de Deus é fazer em nós e a partir de nós, Seu povo; é envergonhar e derrotar Satanás com alguém mais fraco do que ele.
Deus fez surgir no dia de Pentecoste a Igreja. Conforme lemos no livro de Atos, a Igreja surge num ambiente de poder espiritual, do derramar do Espírito Santo sobre a vida de cada um que cria no Senhor Jesus. Era uma igreja una, viva, forte, cheia do Espírito: "E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações. E em toda a alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos. E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister. E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, Louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar." (At 2.42-47) Note que a palavra-chave é perseverança:
Falemos a verdade uns com os outros, dileto(a) leitor(a): nós hoje somos assim, como eram aqueles irmãos??? Somos cheios de desculpas! Culpamos tudo e todos, mas não assumimos nossa responsabilidade em nossas misérias e falhas. Teologizamos em tudo, mas dificilmente somos bíblicos em essência, isto é, somos verdadeiros com Deus e conosco. Gostamos de uma "explicação" e somos mestres em criá-las. Sejamos sinceros: onde estão todas essas coisas? Onde estão os sinais e maravilhas? Será que você nunca parou para olhar um doente, um aleijado, um cego, um mudo e pensou consigo mesmo "poxa, eu gostaria de poder fazer como Pedro e João e mandar que em nome de Jesus essa pessoa seja curada, mas não faço isso porque tenho medo, porque sei que não vai acontecer nada"? É tremendo isso, realmente! Deveríamos chorar muito aos pés do Senhor, pedir muito perdão ao Senhor por não serví-Lo e representá-Lo como devíamos hoje em dia! Mas ao invés disso, o que fazemos? (1) Nos preocupamos com nosso próprio umbigo e (2) arrumamos desculpas esfarrapadas! Nós inventamos aquilo que a Bíblia nunca disse para justificar a nossa situação miserável: nós dizemos que isso tudo foi "só para aquela época", que "os dons e maravilhas cessaram com a morte dos apóstolos", e blábláblá... Sabe porquê fazemos isso? Porque é muito melhor tranquilizarmos nossa consciência e nos encastelarmos em nossos raciocínios humanos, em nossas ciências, do que sermos confrontados pelo Espírito Santo e vermos que estamos muito, mas muito aquém da posição que deveríamos estar, reconhecendo nosso fracasso. Precisamos fazer como Josias, diante da verdade da Palavra: rasgar as nossas vestes! (II Cr 34.18,19)
Deus, amado(a) leitor(a), não está, contudo, de braços cruzados, olhando as coisas sem nada fazer. Ele tem um plano e esse plano será cumprido: Seu Nome será exaltado sobre a Terra! Seu povo será, novamente, um povo que fará proezas! Veremos novamente o caráter e o poder - e esse ainda maior - do que lemos no Livro de Atos. É um erro acharmos que a Igreja dos últimos dias deverá ser mais fraca do que a Igreja dos primeiros dias, não! Deus tem um padrão para tudo o que Ele faz. Para fazer o tabernáculo e seus utensílios, no Velho Testamento, Deus mostrou a Moisés no monte o modelo de tudo (Êx 25.40); porque acharíamos que com a Igreja não haveria Deus de ter um modelo também? Esse modelo está expresso no Livro de Atos! O que precisa acontecer, portanto, é que a Igreja seja restaurada ao padrão bíblico de Atos. E Deus está a agir na Sua Igreja, restaurando-a independentemente da crença, desejo, entendimento ou vontade humana paulatinamente. Deus terá para Si uma "igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível." (Ef 5.27) A Igreja há de ter um testemunho irresistível ao mundo, pois faremos as obras do Senhor Jesus que Ele fez, e as faremos maiores do que aquelas! (Jo 14.12)
Foi assim com a Reforma Protestante: o padrão de Deus para a Igreja é que a Palavra de Deus esteja no centro, conforme vemos em Atos. E assim Deus levantou no momento certo os pré-reformadores e os reformadores para trazer essa realidade de volta a Igreja! Mas, o que aconteceu? A Igreja estava totalmente restaurada? Não! Um princípio é que todo movimento é incompleto, limitado. Precisava Deus restaurar o mover do Seu Espírito na Igreja e foi justamente o que Deus fez, na Rua Azusa, onde TODAS AS DENOMINAÇÕES experimentaram o mover do Espírito, o batismo no Espírito Santo e os dons espirituais novamente. E agora, a Igreja está totalmente restaurada? Ainda não! Há mais coisas que Deus precisa restaurar em nosso meio ainda. Uma delas é essa UNIDADE que os cristãos possuíam e que nós estamos patinando nisso.
Talvez você diga: "Muito bem pastor. Mas onde está hoje essa restauração da Palavra e do Espírito, na prática?" Há um princípio na história da Igreja: tudo esfria com o tempo. Hoje, deixamos de lado aquilo que Deus fez no passado e queremos inventar coisas. Nós não olhamos para o passado e não honramos o que Deus já fez. Por exemplo, em relação a reforma, hoje raramente vemos uma pregação biblicamente responsável como dizia Lutero que a pregação deveria ser (pregação expositiva, bíblica). Nós não meditamos nas Escrituras, nem honramos a Palavra de Deus, escrita. Lutero falava muito sobre o Salmo 119, onde vemos um profundo amor pela Palavra por Davi. Por outro lado, hoje não vemos uma pregação fácil de entender, por exemplo, nas igrejas reformadas, enquanto Lutero dizia que a pregação deveria ser fácil de entendimento para todos (princípio do ajustamento). Por outro lado, outro princípio que vemos na história da igreja é que todo avivamento uma hora vira um movimento que vira um monumento. Aliás, foi o esfriamento da reforma que acabou sendo o motivador do novo movimento de Deus (apostasia e frieza, época de liberalismo, formalidade, materialismo, profissionalismo ministerial, etc., em especial nos EUA). A formação de monumentos a partir de avivamentos também tomou conta do movimento pentecostal. Hoje, achamos que o mover do Espírito é somente para alegrar a nossa vida durante o momento do louvor da igreja, para falarmos noutras línguas e profetizarmos, ou para agirmos com "unções sem-noções". Cada vez mais e mais profecias, aliás, não passam de pura invenção e manipulação emocional (ainda que há manifestações genuínas, porém cada vez mais raras). Faltou e ainda falta a existência e pleno funcionamento dos 5 ministérios de Efésios.
O que precisa acontecer? O que devemos fazer? Primeiro, precisamos buscar aquilo que Deus já fez na história para nossa própria vida. Deus já restaurou a Palavra e precisamos buscar conhecê-la e vivê-la desesperadamente. Tudo começa com a Palavra, quando estudamos a mesma com sinceridade e a partir de Sua verdade buscamos a Deus para vermos essa verdade em nossa vida. Precisamos busca também o Espírito: o batismo no Espírito e os dons espirituais. Deus já fez isso na história, precisamos buscar isso para nossa vida pessoal. Segundo, precisamos nos colocar na presença de Deus, na brecha do muro, atentos, para discernirmos qual é o agir de Deus em nosso tempo. O que Deus está fazendo? O que Deus não está fazendo? Qual é o mover genuíno do Espírito? Qual não é? Como vimos, todas formas e expressões espirituais, bem como suas opiniões e práticas, serão geradas pelo Espírito de Deus se e somente se honrarem e amarem o nome e a obra de Cristo. O mover honra a Cristo? Glorifica Seu Santo Nome? Traz edificação para Sua Obra? Faz com que os homens amem e honrem ao Senhor Jesus e Sua Obra?
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!
Referências:
Quero fazer com que vocês compreendam... é assim que o apóstolo Paulo começa a desenvolver a sua explanação acerca dos dons espirituais. O termo usado em grego é "gnorizo", dar conhecimento, dar entendimento. Ele começa assim porque os crentes de Corinto eram ignorantes, desconhecedores, de um dos temas de grande importância nas Escrituras. Tinham todos os dons espirituais - um padrão para a igreja moderna, porém não tinham conhecimento de como operar esses dons e por isso havia muito desequilíbrio no uso dos dons.
A força desta expressão é: "Eu lhes dou esta regra para distinguir", ou pela qual vocês possam conhecer que influências e operações são de Deus. O plano da passagem é dar um guia geral e simples pelo qual os crentes poderiam ao mesmo tempo reconhecer as operações do Espírito de Deus, e determinar se eles, que alegavam estar sob tal operação, realmente estavam. Essa regra era que todos os que foram realmente influenciado pelo Espírito Santo estariam dispostos a reconhecer e conhecer Jesus Cristo, e onde existisse essa disposição, era por si mesma uma demonstração clara de que tal operação era genuinamente do Espírito de Deus. Vemos substancialmente a mesma regra em I João 4:2,3 ("Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo o espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que já está no mundo.")
Paulo segue dizendo: "quero que vocês entendam que ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz: Jesus é anátema, e ninguém pode dizer que Jesus é o Senhor, senão pelo Espírito Santo". O princípio que há por detrás desse intróito é que o Espírito Santo em todas as instâncias deve honrar a Jesus Cristo, e todos que estivessem sob sua influência deveriam prontamente amar e reverenciar o nome e a pessoa de Jesus. O Senhor mesmo disse que o Espírito falaria dele, do Senhor Jesus: "Mas, quando vier aquele, o Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir. Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar." (Jo 16.13,14)
"Senão pelo Espírito Santo". Este é um versículo muito importante, não só no que diz respeito ao assunto em particular sob consideração no tempo de Paulo, mas também em sua relação prática no presente. Podemos aprender com ele várias coisas:
1. Qualquer pessoa sob a influência do Espírito Santo está disposta, de coração, a honrar o nome e obra de Jesus Cristo;
2. As formas e expressões religiosas, bem como suas opiniões e práticas, estarão de acordo com o Espírito de Deus à medida que elas honrarem e amarem o nome e a obra de Cristo;
3. É verdade que nenhum homem jamais vai valorizar o relacionamento com Jesus Cristo, nem amar o seu nome e sua obra, a menos que ele seja influenciado pelo Espírito Santo. Ninguém ama o nome e a obra do Redentor, seguindo simplesmente as inclinações de seu próprio coração corrupto. Em todos os casos, aqueles que foram levados a honrá-lo e amá-lo, foi pela atuação do Espírito Santo.
4. Se qualquer pessoa, não importando quem seja, de qualquer forma, menospreza a obra de Cristo, fala levianamente de sua pessoa ou seu nome, ou tem doutrinas que infringem a plenitude da verdade com respeito à sua dupla natureza (divina e humana), sua pureza, sua expiação, isso é a prova de que tal pessoa não está sob a influência do Espírito de Deus.
5. Toda verdadeira religião é a produção do Espírito Santo. Tal religião consiste essencialmente na vontade e na ação de honrar, amar e servir o Senhor Jesus Cristo: religiões, denominações, igrejas, etc. que honram mais a criatura (o homem) do que o Criador, que é bendito eternamente, não são geradas, mantidas ou potencializadas pelo Espírito Santo.
6. A influência do Espírito Santo deve ser valorizada, deixando de lado a frieza de coração, as trevas, a esterilidade, e a morte espiritual.
Note que, portanto, Paulo nos dá uma forma clara para distinguirmos as influências e operações, se são genuinamente de Deus ou não. Esse é um ponto pacífico aqui, sobre o qual não resta dúvida. Perceba o quão importante é essa regra bíblica, especialmente em nossos dias, onde vemos uma explosão de religiões e seitas, e onde vemos várias coisas acontecendo dentro de igrejas as quais reputamos, via de regra, como sendo genuinamente produzidas pelo Espírito Santo.
Hoje, na Igreja, há coisas que são produzidas genuinamente pelo Espírito de Deus e coisas que não o são, mas são produto da mente humana. É preciso sabermos discernir, a fim de não acabarmos envolvidos com algo que não foi produzido por Deus. Mesmo aquilo que não tem, a princípio, conotação espiritual ou relação direta com o mundo espiritual, pode e deve ser julgado por nós e discernido. A Bíblia diz que se somos espirituais, então podemos e devemos discernir todas as coisas, comparando "coisas espirituais" com "coisas espirituais". Nós podemos - e devemos - buscar conhecer o que nos é dado gratuitamente por Deus. Não podemos, como cristãos, sermos ignorantes com relação àquilo que o Espírito de Deus fez e continua a fazer na Igreja. (I Co 2)
Nosso Deus age na história humana - essa é uma verdade insofismável. Ele mesmo deu início a história humana quando criou o homem no Éden. Desde então, o homem vem agindo nessa Terra e sendo agente da história. Porém Deus, que em Sua soberania permite o agir humano até certo ponto, faz com que Seu plano eterno seja cumprido na humanidade. E a Igreja é, sem sombra de dúvida, parte desse plano. Deus deseja agir no mundo a partir de Seu povo, essa é outra verdade bíblica inconteste: foi assim no Velho Testamento e é assim no Novo Testamento. Deus pode fazer sozinho? Sim! Ele precisa de nós? Não! Mas o plano de Deus é fazer em nós e a partir de nós, Seu povo; é envergonhar e derrotar Satanás com alguém mais fraco do que ele.
Deus fez surgir no dia de Pentecoste a Igreja. Conforme lemos no livro de Atos, a Igreja surge num ambiente de poder espiritual, do derramar do Espírito Santo sobre a vida de cada um que cria no Senhor Jesus. Era uma igreja una, viva, forte, cheia do Espírito: "E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações. E em toda a alma havia temor, e muitas maravilhas e sinais se faziam pelos apóstolos. E todos os que criam estavam juntos, e tinham tudo em comum. E vendiam suas propriedades e bens, e repartiam com todos, segundo cada um havia de mister. E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, Louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar." (At 2.42-47) Note que a palavra-chave é perseverança:
- Eles não tinham uma pluralidade de fontes doutrinárias, nem oscilavam de uma fonte para outra. A única fonte doutrinária eram os apóstolos e nela permaneciam unidos.
- Eles não iam a um lugar frequentar 2-4 horas de reunião egocêntrica, onde vamos para pedir, receber, ouvir, cantar, dar dinheiro e voltar para casa. Hoje, chamamos isso de comunhão. Mesmo o nosso "partir do pão" (Ceia do Senhor) é frequentemente egoísta. Precisamos ser sinceros conosco mesmo e com Deus: Nós não temos esse nível de comunhão que aqueles irmãos possuíam. Eles tinham tudo em comum; eles perseveravam em estar juntos. Sequer perseveramos em qualquer coisa que exija muito de nós (como a oração - imediatismo). Muito comumente, olhamos as necessidades dos outros e, se muito, oramos por elas! Eles comiam juntos, repartindo entre si de forma que não havia necessidade, com coração singelo (sem malícia) e alegre. Somos cheios de porfias, de disputas tolas, de partidarismos.
- Eles perseveravam unânimes todos os dias no templo.Unanimidade em pensamentos, em sentimentos, em valores, em tudo! Perseverantes na unidade, perseverantes em frequência no templo. Nota: Unanimidade (grego ὁμοθυμαδὸν, omothumadon, "com uma mente" é algo possível de existir entre crentes, como mostra a Bíblia, contrariando o senso comum! v.t. 1:14, 4:24, 5:12, etc).
Falemos a verdade uns com os outros, dileto(a) leitor(a): nós hoje somos assim, como eram aqueles irmãos??? Somos cheios de desculpas! Culpamos tudo e todos, mas não assumimos nossa responsabilidade em nossas misérias e falhas. Teologizamos em tudo, mas dificilmente somos bíblicos em essência, isto é, somos verdadeiros com Deus e conosco. Gostamos de uma "explicação" e somos mestres em criá-las. Sejamos sinceros: onde estão todas essas coisas? Onde estão os sinais e maravilhas? Será que você nunca parou para olhar um doente, um aleijado, um cego, um mudo e pensou consigo mesmo "poxa, eu gostaria de poder fazer como Pedro e João e mandar que em nome de Jesus essa pessoa seja curada, mas não faço isso porque tenho medo, porque sei que não vai acontecer nada"? É tremendo isso, realmente! Deveríamos chorar muito aos pés do Senhor, pedir muito perdão ao Senhor por não serví-Lo e representá-Lo como devíamos hoje em dia! Mas ao invés disso, o que fazemos? (1) Nos preocupamos com nosso próprio umbigo e (2) arrumamos desculpas esfarrapadas! Nós inventamos aquilo que a Bíblia nunca disse para justificar a nossa situação miserável: nós dizemos que isso tudo foi "só para aquela época", que "os dons e maravilhas cessaram com a morte dos apóstolos", e blábláblá... Sabe porquê fazemos isso? Porque é muito melhor tranquilizarmos nossa consciência e nos encastelarmos em nossos raciocínios humanos, em nossas ciências, do que sermos confrontados pelo Espírito Santo e vermos que estamos muito, mas muito aquém da posição que deveríamos estar, reconhecendo nosso fracasso. Precisamos fazer como Josias, diante da verdade da Palavra: rasgar as nossas vestes! (II Cr 34.18,19)
Deus, amado(a) leitor(a), não está, contudo, de braços cruzados, olhando as coisas sem nada fazer. Ele tem um plano e esse plano será cumprido: Seu Nome será exaltado sobre a Terra! Seu povo será, novamente, um povo que fará proezas! Veremos novamente o caráter e o poder - e esse ainda maior - do que lemos no Livro de Atos. É um erro acharmos que a Igreja dos últimos dias deverá ser mais fraca do que a Igreja dos primeiros dias, não! Deus tem um padrão para tudo o que Ele faz. Para fazer o tabernáculo e seus utensílios, no Velho Testamento, Deus mostrou a Moisés no monte o modelo de tudo (Êx 25.40); porque acharíamos que com a Igreja não haveria Deus de ter um modelo também? Esse modelo está expresso no Livro de Atos! O que precisa acontecer, portanto, é que a Igreja seja restaurada ao padrão bíblico de Atos. E Deus está a agir na Sua Igreja, restaurando-a independentemente da crença, desejo, entendimento ou vontade humana paulatinamente. Deus terá para Si uma "igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível." (Ef 5.27) A Igreja há de ter um testemunho irresistível ao mundo, pois faremos as obras do Senhor Jesus que Ele fez, e as faremos maiores do que aquelas! (Jo 14.12)
Foi assim com a Reforma Protestante: o padrão de Deus para a Igreja é que a Palavra de Deus esteja no centro, conforme vemos em Atos. E assim Deus levantou no momento certo os pré-reformadores e os reformadores para trazer essa realidade de volta a Igreja! Mas, o que aconteceu? A Igreja estava totalmente restaurada? Não! Um princípio é que todo movimento é incompleto, limitado. Precisava Deus restaurar o mover do Seu Espírito na Igreja e foi justamente o que Deus fez, na Rua Azusa, onde TODAS AS DENOMINAÇÕES experimentaram o mover do Espírito, o batismo no Espírito Santo e os dons espirituais novamente. E agora, a Igreja está totalmente restaurada? Ainda não! Há mais coisas que Deus precisa restaurar em nosso meio ainda. Uma delas é essa UNIDADE que os cristãos possuíam e que nós estamos patinando nisso.
Talvez você diga: "Muito bem pastor. Mas onde está hoje essa restauração da Palavra e do Espírito, na prática?" Há um princípio na história da Igreja: tudo esfria com o tempo. Hoje, deixamos de lado aquilo que Deus fez no passado e queremos inventar coisas. Nós não olhamos para o passado e não honramos o que Deus já fez. Por exemplo, em relação a reforma, hoje raramente vemos uma pregação biblicamente responsável como dizia Lutero que a pregação deveria ser (pregação expositiva, bíblica). Nós não meditamos nas Escrituras, nem honramos a Palavra de Deus, escrita. Lutero falava muito sobre o Salmo 119, onde vemos um profundo amor pela Palavra por Davi. Por outro lado, hoje não vemos uma pregação fácil de entender, por exemplo, nas igrejas reformadas, enquanto Lutero dizia que a pregação deveria ser fácil de entendimento para todos (princípio do ajustamento). Por outro lado, outro princípio que vemos na história da igreja é que todo avivamento uma hora vira um movimento que vira um monumento. Aliás, foi o esfriamento da reforma que acabou sendo o motivador do novo movimento de Deus (apostasia e frieza, época de liberalismo, formalidade, materialismo, profissionalismo ministerial, etc., em especial nos EUA). A formação de monumentos a partir de avivamentos também tomou conta do movimento pentecostal. Hoje, achamos que o mover do Espírito é somente para alegrar a nossa vida durante o momento do louvor da igreja, para falarmos noutras línguas e profetizarmos, ou para agirmos com "unções sem-noções". Cada vez mais e mais profecias, aliás, não passam de pura invenção e manipulação emocional (ainda que há manifestações genuínas, porém cada vez mais raras). Faltou e ainda falta a existência e pleno funcionamento dos 5 ministérios de Efésios.
O que precisa acontecer? O que devemos fazer? Primeiro, precisamos buscar aquilo que Deus já fez na história para nossa própria vida. Deus já restaurou a Palavra e precisamos buscar conhecê-la e vivê-la desesperadamente. Tudo começa com a Palavra, quando estudamos a mesma com sinceridade e a partir de Sua verdade buscamos a Deus para vermos essa verdade em nossa vida. Precisamos busca também o Espírito: o batismo no Espírito e os dons espirituais. Deus já fez isso na história, precisamos buscar isso para nossa vida pessoal. Segundo, precisamos nos colocar na presença de Deus, na brecha do muro, atentos, para discernirmos qual é o agir de Deus em nosso tempo. O que Deus está fazendo? O que Deus não está fazendo? Qual é o mover genuíno do Espírito? Qual não é? Como vimos, todas formas e expressões espirituais, bem como suas opiniões e práticas, serão geradas pelo Espírito de Deus se e somente se honrarem e amarem o nome e a obra de Cristo. O mover honra a Cristo? Glorifica Seu Santo Nome? Traz edificação para Sua Obra? Faz com que os homens amem e honrem ao Senhor Jesus e Sua Obra?
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!
Referências:
- Barnes' Notes on the Bible.
- Jamieson-Fausset-Brown Bible Commentary.
- Matthew Henry's Concise Commentary.
segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
DEIXEI O MEU MINISTÉRIO
Amados leitores e seguidores do blog "Ad Argumentandum Tantum", segue abaixo a publicação do artigo intitulado "DEIXEI O MEU MINISTÉRIO", elaborado pelo Pr. Wagner Antonio de Araújo, da Igreja Batista Boas Novas do Rodoanel em Carapicuíba, São Paulo, Brasil. Publicado aqui sob autorização do autor.
Trata-se de um artigo muito interessante e atual, sendo muito útil para edificação da nossa fé em Cristo. Eu sou testemunha ocular de que infelizmente há muita gente que age conforme o artigo relata. Em nosso ministério já sofremos muito com esse tipo de coisa: você acolhe a pessoa, geralmente cheia de problemas e dramas; cuida dela, aconselha, visita, ora, ensina, ama, suporta; treina, dá seminário a custo irrisório; reconhece o dom da pessoa e coloca-a em posição de liderança ou de destaque. Daqui mais um pouco, a pessoa "surta" e rompe com você, abandonando-o e a Igreja e vai para outro lugar. Ainda diz para você sem o menor temor: "Há um monte de Igrejas boas, não é só essa aqui não!" Para um pastor, é uma verdadeira punhalada quando isso acontece, quando apesar das "juras de amor e fidelidade", o crente(?) age como se você, a Igreja e, pior, Deus não significassem coisa alguma.
Tenho amigos pastores que têm relato semelhante ou até pior do que o meu. Colegas que abriram até suas casas, que acolheram essas pessoas em suas residências e que quando menos esperaram foram traídas, "esfaqueadas pelas costas", pelas mesmas.. Sem medo nenhum de errar, afirmo que essas pessoas não tem a menor noção do que é ser cristão, do que é Bíblia ou do que é Igreja; não conhecem a Deus, ainda que o professem com seus lábios. São fariseus modernos, hipócritas, que fingem na sua frente amá-lo mas por detrás, no íntimo do coração, não lhe suporta! Como diz Paulo a Timóteo, são "amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela" (II Tm 3.2-5). Homens dos últimos dias! (veja o artigo: "O CARÁTER DOS HOMENS EM DIAS TRABALHOSOS", em http://www.apenas-para-argumentar.blogspot.com.br/2010/08/o-carater-dos-homens-em-dias.html)
Assim, leiam o artigo e meditem no mesmo. Desejando comentar, fiquem à vontade para fazê-lo.
Boa leitura!
Pr. Ricardo Kropf.
====================================================================
- "Por que você
saiu?"
- "Porque Deus
mandou!"
Essa frase é corrosiva
para o meu coração. Em nome de Deus obreiros de várias ramificações nas igrejas
ou crentes de várias congregações tomam decisões absurdas, impensadas, puramente
emocionais, e, depois, colocam a fatura para Deus
pagar:
- "Não pensei que iria
ser assim!"
- "Deus está mostrando
que o meu tempo aqui terminou!"
- "Oh, Deus, por que
fizeste isso comigo?"
Carlos era membro da
igreja. Sua participação era muito importante. A igreja era pequena mas muito
unida. Cada pessoa era importante, cada oferta necessária. Havia espaço para
trabalhar nos dons que Deus lhe concedera. Tinha esposa e 3 filhos. Um dia a
igreja precisou reformar o templo e abrigaram-se num local de pouco espaço.
Carlos não pensou duas vezes: disse que Deus estava falando ao seu coração para
ir congregar noutra igreja, onde havia melhores condições para os seus filhos.
Era uma época de extrema necessidade na igreja, mas Carlos não considerou nada
disso. Saíram, abandonando-a. Nem carta de transferência solcitaram. Passaram-se
2 anos. Carlos não congrega mais. Disse que Deus mostrou não ser a outra igreja
muito boa e agora estão "ciscando" aqui e ali, sem eira nem beira. E a vida
financeira? Bem, essa seguiu o mesmo rumo: sem
definição.
Astolfo era um
músico no Rio Grande do Sul. Estava terminando seus estudos e foi encontrado por
uma igreja do Mato Grosso. De formando em música sacra foi consagrado como
Ministro de Música. Sua vida financeira deu uma guinada. Não que a igreja lhe
desse riquezas; é que ele tinha tão pouco e agora via supridas todas as suas
mais urgentes necessidades. Rapaz competente, Astolfo edificou um belíssimo
ministério, dando sequência ao trabalho de ministros de música anteriores. Foi
projetado nacionalmente. Um dia, sem nenhum constrangimento, Astolfo procura a
diretoria e diz que está de saída. Perplexos, os irmãos querem saber o que
houve. "Foi a vontade de Deus". O pastor pergunta: "Astolfo, Deus lhe chamou?
Por que Ele não nos avisou? Quando fomos lhe buscar no Rio Grande Ele nos
mostrou que era da vontade dEle a sua vinda. Como pode ser isso?" Astolfo não
quis saber. Atendera ao convite do pastor de outra igreja (convite feito sem que
o pastor atual soubesse) e foi embora. O tempo passou. Hoje Astolfo
trabalha numa escola; é supervisor de pessoal. O ministério? Deu em nada; Talvez
Deus não tenha dado sequência às orientações parciais que dera no
início...
Um velho pastor
capixaba desejava de toda maneira voltar ao ministério pastoral. Foi no norte do
Paraná que encontrou uma pequena congregação. À princípio a igreja não queria
nenhum pastor, pois sofrera com os cinco últimos. Mas, por causa de indicações
preciosas, resolveram aceitar o capixaba. Ele era carismático e em pouco tempo
conquistou todo o povo. Implantou séries de pregações bíblicas e fez boas
visitas. Então, próximo à apresentação da Cantata de Páscoa, o pastor capixaba
veio à diretoria com uma carta de exoneração. Disse que seu filho iria morar e
estudar no Espírito Santo e que tinha que ir com ele. Detalhe: o filho tinha 45
anos. A igreja, revoltada, perguntou ao pastor desde quando ele sabia que isso
poderia acontecer. A resposta não poderia ser mais desanimadora: "Eu já vim
sabendo disso. Só esperava a confirmação. Como não queria ficar parado, decidi
encarar o ministério. Mas já que em cinco meses ele conseguiu o necessário, não
tenho mais o que fazer por aqui. Abraços e passar bem". Para a igreja, mais um
elemento "non grato": sexto pastor a decepcionar o
rebanho...
Que tristeza! Tudo o
que eu escrevi é verdadeiro, apenas troquei nomes, localidades, tempos ou
citações. Essas coisas infelizmente acontecem. Elas denigrem o bom nome de Deus!
E por que?
1) Deus não é Deus de
confusão. "Porque Deus não é Deus de confusão, senão de paz, como em todas as
igrejas dos santos" (1Co 14:33). Deus não causa conflito de decisões, não
veste um santo para desvestir outro, não cava uma cova para quem vai e outra
para quem fica. A vontade de Deus não causa rancor ou priva uns para suprir os
outros. Quando é Deus quem fala, ambos ficam felizes e ambos compreendem ser a
melhor decisão a ser tomada.
2) Deus não é Deus de
sim e não, volúvel, volátil, que não planeja."Antes, como Deus é fiel, a
nossa palavra para convosco não foi sim e não." (2Co 1:18). O Senhor não
confirma a Sua vontade com sinais, com evidências, com paz no meio da igreja,
com fatos inequívocos e, quando tudo se estabelece, manda derrubar tudo e
construir de novo. Isso seria loucura. Deus não é louco. Deus não permite um
longo processo de esclarecimento para depois, com a obra inconclusa, estragar
tudo e deixar uma comunidade ou um obreiro lesado. Isso não é atitude de um Deus
sábio ou organizado.
3) Deus não usa pessoas
ou igrejas como trampolim para outras vitórias ou ministérios. Uma igreja ou um
ministério não podem servir para lançar ou projetar um obreiro de qualquer área
para lesar um trabalho. Isso seria roubar de uma igreja para suprir a outra.
Sobre isso diz-nos a Bíblia: "O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a
destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância." (Jo
10:10). Igrejas são dEle. Quando Ele precisa de obreiros de um lugar para
enviá-los a outro, usa do expediente apostólico: "E, servindo eles ao Senhor,
e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a
que os tenho chamado" (At 13:2). Quando é da vontade de Deus TODOS
compreendem e entendem, não apenas os agraciados. Podem ficar tristes com uma
saída ou um final de trabalho, mas compreendem que é Deus quem está
determinando. Saídas conflitivas em nome de uma suposta vontade de Deus são
absurdas.
4) Deus não brinca com
igrejas ou obreiros. Diz-nos a Escritura: "E não sede conformados com este
mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que
experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus (Rm
12:2)." A vontade de Deus é BOA, boa para todos. Ela é AGRADÁVEL, não causa
estranheza ou revolta. E também é PERFEITA, vê além dos olhos humanos. Ela
mostra quando é a hora de CONTINUAR e quando é a hora de PARAR, mas mostra PARA
TODOS, não apenas para alguém. E isto pode ser a qualquer tempo, desde um dia a
80 anos, mas tem que ser algo claramente vindo do Senhor, não motivado por
convites sedutores, desejo de galgar degraus maiores, encontrar mais conforto ou
atalho para sair de provações.
5) Temos que ter AMOR
PELA IGREJA. A igreja é a NOIVA do Cordeiro, não uma escrava sem valor ou
uma estranha de Deus. Precisamos amá-las, respeitá-las, estimá-las,
considerá-las, honrá-las. Elas podem ter os defeitos que tiverem, mas se forem
igrejas do Senhor (biblicamente consideradas), terão que ser vistas como dignas
da mais alta consideração. Algumas pessoas indigestas ou uma diretoria ruim não
justificam a desconsideração pela congregação toda. Não podemos lesá-las,
abandonando-as como se fossem meras empresas, agências, indústrias ou grupos
humanos. Deus nos plantou ali e temos responsabilidades. Quando a questão é
doutrinária e irreversível, temos que obedecer a Deus e abandoná-la sim, pois
está em jogo uma obediência maior, obediência à Palavra de Deus. Mas quando os
conflitos são administrativos ou humanos, precisamos considerar se o que vamos
fazer é benéfico só para nós ou será bom para toda a
igreja.
Eu poderia tecer outros
comentários, mas estes já bastam.
Estou farto de ver
igrejas a sofrer com famílias inteiras que as abandonam, levando consigo os
dons, talentos e cooperação financeira para outras que não precisam disso, ou,
se precisam, não necessitam desse expediente de lesar a outra em seu próprio
benefício. Estou farto de ver pastores, professores de EBD, pregadores,
evangelistas, líderes, músicos e ministros de música deixando seu trabalho
incompleto em nome de uma suposta vontade de Deus, que é sempre boa para quem
recebe e sempre ruim para quem perde, prova inconteste de que não está
fundamentada na paz de Deus e na clara convicção de ser a plena vontade do
Senhor. E, finalmente, estou farto de ouvir posteriormente a frase: "Deus está
mostrando que aqui não é o meu lugar, por isso vou embora". Mostrou para ele mas
não para os outros. Mostrou para ele 5 dias depois de chegar. Então que se
confesse: "fiz isso da MINHA VONTADE, não segundo a orientação de Deus". Porque
Deus não foi culpado pelas atitudes precipitadas que
tomamos.
Que Deus perdoe os
pecados de Seu povo. E que me perdoem os que se sentirem atingidos com o texto.
Aborreçam-se comigo, mas reflitam melhor sobre seu trabalho, suas igrejas e suas
decisões.
segunda-feira, 30 de dezembro de 2013
ESTA FOI A SUA VIDA, MAS NÃO PRECISA SER ASSIM!
Para pensar:
Ninguém mais pode salvar você! Confie em Jesus hoje! Hoje é o tempo! Não deixe para amanhã, receba Jesus como seu Único e Suficiente Senhor e Salvador e tenha a garantia de vida eterna!
"Porque, se com a tua boca confessares a Jesus como Senhor, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo" (Romanos 10:9)
O que fazer?
1. Admita que você é um pecador (Romanos 3:10);
2. Deseje abandonar a vida de pecado (arrependa-se dos seus pecados cometidos) (Atos 17:30);
3. Creia que Jesus Cristo morreu por você, foi sepultado e ressuscitou (Romanos 10:9,10);
4. Através da oração, convide a Jesus para entrar em sua vida e tornar-se seu Salvador pessoal (Romanos 10:13).
COMO ORAR: Amado Deus, sou pecador e necessito de perdão. Arrependo-me dos meus pecados, pelos quais Cristo morreu e derramou seu precioso sangue por mim. Agora te peço perdão e convido Jesus para entrar em meu coração e minha vida, como meu Salvador pessoal.
Se você confiou em Jesus como seu Salvador, começará agora uma maravilhosa vida com Ele. Então:
1. Leia a Bíblia diariamente;
2. Fale com Deus em oração, todos os dias;
3. Seja batizado nas águas, participe do culto e sirva numa igreja, junto com outros irmãos, onde Cristo seja pregado e a Bíblia seja a autoridade final.
4. Fale de Cristo aos outros.
Se quiser conversar sobre sua nova vida em Cristo, sobre a vida cristã, sobre a Bíblia ou sobre a fé, estou à disposição! Se desejar, entre em contato comigo, pelo email que está nesse blog!
segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
NATAL: O QUE VOCÊ ESTÁ CELEBRANDO?
Todo ano, nesta época de Natal, é costume que as famílias se
reunirem para comemorações; em alguns casos, participam também outras pessoas,
amigas daquela família e convidadas para o grande festejo. Essas comemorações em geral envolvem um bom almoço, com peru e chester, com vinhos, com saladas e
arroz especiais, com frutas típicas. No natal é também o costume de se montar
uma árvore artificial e decorá-la com bolas coloridas de vidro ou de plástico,
com luzes pisca-pisca, com estrelas, com anjos, com muitas outras coisas.
Debaixo dessa árvore são colocados presentes, que são abertos no dia (ou na
noite, dependendo do costume) pelos membros daquela família. Dependendo do país, as pessoas cantam músicas
natalinas, como a "Deck The Halls" ("Decore os salões"):
"Decore os salôes com ramos de azevinho/Fa-la-la-la-la, la-la-la-la/Essa é
a temporada para celebrar/Fa-la-la-la-la, la-la-la-la/Vestir-se com roupas
alegres/Fa-la-la-la-la, la-la-la-la/Cantar canções de natal (...)".
No Natal fala-se muito sobre um velhinho gordinho, que dizem
morar no pólo norte. Esse velhinho teria uma fábrica de brinquedos, com anões
trabalhando para construí-los, de modo que esse senhor possa montar em seu
trenó mágico, puxado por renas, e distribuir presentes para todas as crianças
que foram boazinhas durante o ano. Esses presentes são pedidos pelas crianças
durante o ano, que escrevem cartinhas para o Noel, pedindo os presentes.
Obviamente, tudo isso não passa de fantasia, importada junto com outras lendas
e festas como o Halloween e sua Jack-O-Lantern. Não existe esse velhinho, nem essa
história é verdadeira. O tal "papai noel" (santa claus). O tal
"papai noel" não passa de uma lenda baseada em Nicolau, bispo
católico do século 5º. A Enciclopédia Britânica, 11ª edição, vol. 19, páginas
648-649, diz: "São Nicolau, o bispo
de Mira, santo venerado pelos gregos e latinos em 6 de dezembro... conta-se uma
lenda segundo a qual presenteava ocultamente a três filhas de um homem pobre...
deu origem ao costume de dar em secreto na véspera do dia de São Nicolau (6 de
dezembro), data que depois foi transferida para o dia de Natal. Daí a
associação do Natal com São Nicolau."
A exemplo da tradição do Noel, outros elementos que não têm nenhum respaldo bíblico e que foram introduzidos na celebração do Natal são as guirlandas, a árvore, a data da celebração, etc. Acerca da árvore, por exemplo, segundo uma fábula babilônica, um
pinheiro renasceu de um antigo tronco morto. O novo pinheiro simbolizava que
Ninrode tinha vindo a viver novamente em Tamuz. Entre os druidas o carvalho era
sagrado. Entre os egípcios era a palmeira, e em Roma era o abeto, que era
decorado com cerejas negras durante a saturnália. O deus escandinavo Odim era
crido como um que dava presentes especiais na época de natal àqueles que se
aproximassem de seu abeto sagrado. Em inúmeras passagens bíblicas a árvore é
associada a idolatria e a adoração falsa: Porque também os de Judá edificaram
altos, estátuas, colunas e postes-ídolos no alto de todos os elevados outeiros,
e debaixo de todas as árvores verdes (I Rs.14:23). Não estabelecerás
poste-ídolo, plantando qualquer árvore junto ao altar do Senhor teu Deus que
fizeres para ti (Dt.16:21). Portanto a árvore de natal
recapitula a idéia da adoração de árvore, sendo que castanhas e bolas simbolizam
o sol. (WOODROW, Ralph. Babilônia A Religião dos
Mistérios).
Bom, é sempre possível apresentar razões e justificativas
para qualquer coisa. O mesmo se dá com relação ao Natal. Podem ser apresentadas
razões para não comemorá-lo tal como é feito atualmente e podem ser
apresentadas razões para comemorá-lo. Se o cristão deve ou não celebrar o natal
é uma questão de foro íntimo, pessoal (diferentemente do Halloween, com clara
conotação satânica, no qual um cristão não deve se envolver). O Natal não é um
artigo de fé; não faz parte do corpo doutrinário da igreja; é questão de ordem
pessoal. É preciso que haja espírito de tolerância para com os que não pensam
como nós em aspectos secundários de fé (Romanos 14). Os extremos devem ser
evitados. Não se deve dizer a respeito de quem comemora o Natal: “Está em
pecado; enganado por Satanás”. Por outro lado, quem não celebra o 25 de
dezembro não deve ser crucificado por causa disso. Por outro lado, não se deve, contudo,
alimentar fantasias e coisas inúteis nas cabecinhas das crianças, como a lenda
do Noel. Nem tampouco devemos tentar "tapar o sol com a peneira", ignorando as origens da festa. A discussão não é a origem, isso é ponto pacífico; mas sim se essa origem interfere na celebração do Natal ou não. E isso é foro íntimo.
Os defensores do Natal argumentam que trata-se de uma
importante ocasião para se celebrar a Cristo. Isso é um pensamento correto; na
verdade, todas as ocasiões do ano (incluindo o Natal) são importantes ocasiões
para celebrar ao Supremo Senhor e Rei. Natal, aliás, significa nascimento. A
cristandade celebra no dia de Natal, 25 de dezembro, o nascimento de Cristo. A realidade
é que essa celebração a Cristo dá-se quase em sua totalidade nas igrejas, por
meio em geral de cantatas e peças teatrais. São lindíssimas! Porém, fato é que as famílias modernas pouco ou nada
entendem acerca dessa celebração. Uma
boa prática que falta hoje é o ensino familiar do real significado do Natal: de
que nesse dia comemora-se o nascimento de Cristo e dos porquês celebrar seu nascimento.
Jesus nasceu numa cidade chamada Belém, no país chamado Israel, que fica na
região conhecida como "Oriente Médio". A temperatura mínima em Israel
na época de dezembro é muito baixa; lá é inverno nessa época do ano. Em 2013, previsões
apontam que a temperatura mínima em Jerusalém no dia 25/12 será de 3ºC (http://www.zoover.com.br/israel/israel/jerusalem/tempo).
Portanto é inverno no país em dezembro. Localizada nas Montanhas da Judeia,
entre o mar mediterrâneo e o norte do Mar Morto, a Jerusalém moderna tem crescido
aos arredores da cidade antiga. Jerusalém está situada no sul de um planalto na
Judeia. A elevação da Cidade Velha é de aproximadamente 760 metros.
Agora, vejamos o relato acerca do nascimento de Cristo: “E aconteceu que, estando eles ali, se cumpriram os dias em
que ela havia de dar à luz. E deu à luz o seu filho primogênito, e envolveu-O
em panos, e deitou-O numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na
estalagem. Ora, havia, naquela mesma comarca, pastores que estavam no campo e guardavam
durante as vigílias da noite o seu rebanho.” (Lucas 2:6-8). Como os pastores poderiam estar no
campo em dezembro, guardando seus rebanhos durante as vigílias da noite, se na
região é inverno? Os pastores tiravam seus rebanhos dos campos em meados de outubro
e [ainda mais à noite] os abrigavam para protegê-los do inverno que se
aproximava, tempo frio e de muitas chuvas (Adam Clark Commentary, vol. 5,
página 370). A Bíblia mesmo prova, em Ct 2.1 e Ed 10.9,13, que o inverno era
época de chuvas, o que tornava impossível a permanência dos pastores com seus
rebanhos durante as frias noites, no campo. É também pouco provável que um
recenseamento fosse convocado para a época de chuvas e frio (Lucas 2:1),
conforme vemos no relato bíblico.
Assim, a lógica impõe que Cristo não nasceu em dezembro,
como pensam alguns. Quando Jesus nasceu? Novamente, é preciso recorrer ao
relato bíblico, no Evangelho de Lucas, cap. 1:
5 Existiu, no tempo de Herodes, rei da Judéia, um sacerdote
chamado Zacarias, da ordem de Abias, e cuja mulher era das filhas de Arão; e o
seu nome era Isabel.
6 E eram ambos justos perante Deus, andando sem repreensão
em todos os mandamentos e preceitos do Senhor.
7 E não tinham filhos, porque Isabel era estéril, e ambos
eram avançados em idade.
8 E aconteceu que, exercendo ele o sacerdócio diante de
Deus, na ordem da sua turma,
9 Segundo o costume sacerdotal, coube-lhe em sorte entrar no
templo do Senhor para oferecer o incenso.
10 E toda a multidão do povo estava fora, orando, à hora do
incenso.
11 E um anjo do Senhor lhe apareceu, posto em pé, à direita
do altar do incenso.
12 E Zacarias, vendo-o, turbou-se, e caiu temor sobre ele.
13 Mas o anjo lhe disse: Zacarias, não temas, porque a tua
oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, dará à luz um filho, e lhe porás o
nome de João.
14 E terás prazer e alegria, e muitos se alegrarão no seu
nascimento,
15 Porque será grande diante do Senhor, e não beberá vinho,
nem bebida forte, e será cheio do Espírito Santo, já desde o ventre de sua mãe.
16 E converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu
Deus,
17 E irá adiante dele no espírito e virtude de Elias, para
converter os corações dos pais aos filhos, e os rebeldes à prudência dos
justos, com o fim de preparar ao Senhor um povo bem disposto.
18 Disse então Zacarias ao anjo: Como saberei isto? pois eu
já sou velho, e minha mulher avançada em idade.
19 E, respondendo o anjo, disse-lhe: Eu sou Gabriel, que
assisto diante de Deus, e fui enviado a falar-te e dar-te estas alegres novas.
20 E eis que ficarás mudo, e não poderás falar até ao dia em
que estas coisas aconteçam; porquanto não creste nas minhas palavras, que a seu
tempo se hão de cumprir.
21 E o povo estava esperando a Zacarias, e maravilhava-se de
que tanto se demorasse no templo.
22 E, saindo ele, não lhes podia falar; e entenderam que
tinha tido uma visão no templo. E falava por acenos, e ficou mudo.
23 E sucedeu que, terminados os dias de seu ministério,
voltou para sua casa.
24 E, depois daqueles dias, Isabel, sua mulher, concebeu, e
por cinco meses se ocultou, dizendo:
25 Assim me fez o Senhor, nos dias em que atentou em mim,
para destruir o meu opróbrio entre os homens.
26 E, no sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado por Deus a
uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré,
27 A uma virgem desposada com um homem, cujo nome era José,
da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria.
28 E, entrando o anjo aonde ela estava, disse: Salve,
agraciada; o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres.
29 E, vendo-o ela, turbou-se muito com aquelas palavras, e
considerava que saudação seria esta.
30 Disse-lhe, então, o anjo: Maria, não temas, porque
achaste graça diante de Deus.
31 E eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho,
e pôr-lhe-ás o nome de Jesus.
32 Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo; e o
Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai;
33 E reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não
terá fim.
34 E disse Maria ao anjo: Como se fará isto, visto que não
conheço homem algum?
35 E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o
Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso
também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus.
36 E eis que também Isabel, tua prima, concebeu um filho em
sua velhice; e é este o sexto mês para aquela que era chamada estéril;
37 Porque para Deus nada é impossível.
38 Disse então Maria: Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se
em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela.
39 E, naqueles dias, levantando-se Maria, foi apressada às
montanhas, a uma cidade de Judá,
40 E entrou em casa de Zacarias, e saudou a Isabel.
41 E aconteceu que, ao ouvir Isabel a saudação de Maria, a
criancinha saltou no seu ventre; e Isabel foi cheia do Espírito Santo.
42 E exclamou com grande voz, e disse: Bendita és tu entre
as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre.
43 E de onde me provém isto a mim, que venha visitar-me a
mãe do meu Senhor?
44 Pois eis que, ao chegar aos meus ouvidos a voz da tua
saudação, a criancinha saltou de alegria no meu ventre.
Note: segundo esse relato, Jesus foi concebido pelo Espírito
Santo no ventre de Maria 6 meses depois da concepção de seu primo João Batista,
filho de Isabel e Zacarias. Isto é, Ele foi concebido 6 meses após o período ou
“o turno de Abias” (versículos 5 e 8). Esse turno de Abias é aquele
estabelecido em I Crônicas 24, onde é apresentada a relação dos turnos em que
foram organizados os sacerdotes para ministrarem na casa do Senhor: “Saiu a primeira sorte a Jeoiaribe, a segunda a Jedaías, a
terceira a Harim, a quarta a Seorim, a quinta a Malquias, a sexta a Miamim, a
sétima a Coz, a oitava a Abias” (I
Crônicas 24:7-10). O TURNO DE ABIAS ERA O OITAVO. Ora, o primeiro turno
começava a funcionar no primeiro mês do ano religioso dos judeus: “Disse o Senhor a Moisés e Arão na terra do Egito: este mês
vos será o principal dos meses; será o primeiro mês do ano” (Ex.12:1,2;
13:4; Dt. 16:1). “No mês primeiro, aos catorze do mês, no
crepúsculo da tarde, é a páscoa do Senhor (Lv. 23:5)”. O primeiro mês do calendário religioso
judaico (mês de Abibe – Êxodos 23:15, veja a tabela abaixo) coincide mais ou menos com o nosso mês de
março. É fato bem sabido que a Páscoa é uma festa móvel, que cai em março ou
abril. Ela é móvel justamente porque sua data não é marcada segundo o nosso
calendário, mas segundo o calendário judaico, que se baseia no ano lunar (o
nosso é romano, gregoriano).
Mês (número)
|
Mês (nome, em
Hebraico)
|
Turnos
|
Referências
|
1
|
Abibe ou Nissan
= março / abril |
1 e 2
|
Êx 13:4 Ester
3:7
|
2
|
Zive = abril /
maio
|
3 e 4
|
1Re 6:13
|
3
|
Sivan = maio /
junho
|
5 e 6
|
Et 8:9
|
4
|
Tamuz = junho /
julho
|
7 e 8 (Abias)
|
Jr 39:2; Zc
8:19
|
5
|
Abe = julho /
agosto
|
9 e 10
|
Nm 33:38
|
6
|
Elul: agosto /
setembro
|
11 e 12
|
Ne 6:15
|
7
|
Etenim ou Tisri
= setembro / outubro |
13 e 14
|
1Rs 8:2
|
8
|
Bul ou Cheshvan
= outubro / novembro |
15 e 16
|
1Rs 6:38
|
9
|
Kisleu
= novembro / dezembro |
17 e 18
|
Ed 10:9; Zc 7:
|
10
|
Tebete =
dezembro / janeiro
|
19 e 20
|
Et 2:16
|
11
|
Sebate = janeiro
/ fevereiro
|
21 e 22
|
Zc 1:7
|
12
|
Adar = fevereiro
/ março
|
23 e 24
|
Et 3:7
|
Assim, portanto, João Batista foi gerado logo depois do
período em que os sacerdotes do turno de Abias serviam no templo, ou seja, no
fim de junho ou começo de julho, em nosso calendário. Jesus nosso Senhor, foi
gerado pelo Espírito Santo seis meses depois, isto é, no fim de dezembro ou
começo de janeiro (provavelmente durante os dias da festa de Hanuká – a festa
das luzes). Contando-se os nove meses normais de gestação, segundo estes
cálculos cronológicos, Maria veio dar à luz ao nosso Senhor no fim de setembro
ou começo de outubro – nos dias da Festa de Tabernáculos, no ano seguinte, ou
sétimo mês do calendário judaico – o mês de Etanim (I Rs. 8:2). O sétimo mês
judaico era marcado pela Festa dos Tabernáculos, a terceira e última das
grandes festas instituídas por Deus por intermédio de Moisés. Isso por si só é
bem interessante: João, o apóstolo, em
seu evangelho, nos mostra que Cristo habitou entre nós (Jo 1.14). A palavra
habitar, aqui, é tradução do grego "skenoo" que significa "armar
uma tenda", ou tabernacular (tabernáculo é uma "tenda pequena").
Deus enviou Jesus e este se tornou carne, tabernaculando entre nós, no dia da
Festa dos Tabernáculos. A data exata (o dia), contudo, permanece como segredo
de Deus (Dt 29.29).
Ora, se o nascimento de Jesus não se deu no dia 25 de dezembro, então porque a cristandade adotou esta data? Uma das teses mais populares é que o dia 25
de dezembro foi escolhido porque coincidia com os festivais pagãos que
celebravam a saturnália e o solstício de inverno, em adoração ao
deus-sol, o sol invictus. O deus-sol é muito provavelmente, uma indicação de
Ninrode mencionado em Gênesis 10:8-10. Este festival de inverno era chamado a
natividade do sol. A festa solar do natalis invicti (natividade do sol
inconquistado) era celebrada em 25 de dezembro. A idéia da igreja cristã naquela época era modificar o foco de uma festa pagã, dando a ela uma "roupagem cristã", a fim de facilitar a aceitação do cristianismo (pela redução do "radicalismo da mudança" que era - e ainda é - renunciar ao mundo e as religiões por Cristo) que Cristo fosse adorado naquela festa ao invés de um deus pagão. A isso denominamos sincretismo religioso, que nada mais é do que a fusão de diferentes cultos ou doutrinas religiosas, com reinterpretação de seus elementos. Outra tese, esposada por pastores e irmãos em Cristo sérios e tementes a Deus, é a tese da oposição. Segundo essa tese, a Igreja teria estabelecido o Natal no dia de uma festa pagã para rivalizar com a mesma. Sobre isso, comenta meu amigo e Ministro do Evangelho Rev. Magdiel Anselmo em seu blog "A Verdade Bíblica": "Isto é, o que os cristãos fizeram era como dizer, “Antes do que celebrar em imoralidade o nascimento de Ucithra, um falso deus que nunca nasceu realmente, e que não pode lhe salvar, celebremos com alegre justiça o nascimento de Jesus, o verdadeiro Deus encarnado que é o Salvador do mundo.”" (veja a postagem em: http://pranselmoteologia.blogspot.com.br/2011/12/devem-os-cristaos-celebrar-o-natal.html?spref=fb).
Quando foi feita a primeira referência histórica ao nascimento de Cristo? Por volta do ano 200 d.C., um professor cristão no Egito faz referência à data que Jesus nasceu. De acordo com Clemente de Alexandria, vários dias diferentes haviam sido propostos por vários grupos cristãos. Por mais surpreendente que possa parecer, Clemente não menciona 25 de dezembro. Clemente escreve: "Há aqueles que determinaram não apenas o ano de nascimento de nosso Senhor, mas também o dia, e eles dizem que ocorreu no ano 28 de Augusto, e no dia 25 de [mês egípcio] Pachon [20 de maio, em nosso calendário] ... E o tratamento de Sua Paixão, com grande precisão, alguns dizem que isso ocorreu no 16 º ano de Tibério, no dia 25 de Phamenoth [21 de março], e outros no dia 25 de Pharmuthi [21 de abril] e outros dizem que no dia 19 de Pharmuthi [15 de abril] o Salvador sofreu. Além disso, outros dizem que Ele nasceu no dia 24 ou 25 de Pharmuthi [20 de abril ou 21] ".
É interessante notar que somente no 4º século da era cristã é que encontramos referências a duas datas que foram amplamente reconhecidos e agora também celebradas, como o aniversário de Jesus: 25 de dezembro, no Império Romano do Ocidente e 06 de janeiro, no Oriente (especialmente no Egito e na Ásia Menor). A igreja armênia moderna continua a celebrar o Natal em 6 de janeiro; para a maioria dos cristãos, no entanto, 25 de dezembro prevaleceu, enquanto 06 de janeiro, eventualmente, veio a ser conhecido como a Festa da Epifania, comemorando a chegada dos Magos em Belém.
Porém, é somente a partir do
século 12 que encontramos a primeira sugestão de que a celebração do
nascimento de Jesus foi deliberadamente escolhida na época das festas
pagãs. Uma nota marginal em um manuscrito dos escritos do siríaco
comentarista bíblico Dionísio bar-Salibi afirma que nos tempos antigos o
feriado de Natal foi, na verdade, passado de 6 janeiro para 25 dezembro
para que ele caisse na mesma data que o feriado pagão Sol Invictus. Nos
séculos 18 e 19, os estudiosos da Bíblia, estimulados pelo novo estudo
de religiões comparadas, se agarraram a esta idéia. Eles alegaram que,
como os primeiros cristãos não sabiam quando Jesus nasceu, eles
simplesmente assimilaram o festival pagão do solstício a seus próprios
propósitos, afirmando-o como o momento do nascimento do Messias e
celebrando-o apropriadamente.
Ora, então por que celebrar o Natal, o nascimento de Cristo? Porque o seu nascimento significou a intervenção de Deus na história humana, que traria fim, com a sua morte, à escravidão do pecado a qual estava sujeita toda a raça humana. O propósito do nascimento (encarnação de Cristo) sempre foi a sua morte; a morte vicária e expiatória e a ressurreição de Cristo são o cerne da fé cristã. Jesus nasceu para morrer, para dar a Sua vida em resgate de muitos; em resgate de todo aquele que se identifica com Cristo ao ponto de Nele encontrar o seu justo pagamento por seu pecado e, portanto, a solução definitiva para uma vida distante do Criador. Para todo aquele que se rende ao Senhor, que para de se justificar e de prover para si mesmo falsos deuses, ídolos pessoais, e que confiam suas vidas inteiramente a Cristo. Em Cristo - e somente Nele, em ninguém mais - temos o perdão dos nossos pecados e a vida eterna.
CONSIDERAÇÕES FINAIS:
Em nenhuma ocasião Jesus expressou a idéia de que seus
seguidores devessem celebrar seu aniversário. Pelo contrário, em duas ocasiões
quando as pessoas queriam enfatizar seus laços naturais (mãe e irmãos), ele
rapidamente rebateu esta atitude, enfatizando a importância dos seus laços
espirituais (os discípulos e todos aquele que ouve e pratica sua palavra) – Lc.
11:27,28; Mc. 3:31-35. Em outras palavras, ele não queria ser venerado como um
grande astro e sim como o caminho pelo qual todos os homens poderiam chegar a
Deus nas mesmas condições de filiação que Ele tinha. É com este propósito que
ele realmente instituiu uma cerimônia em sua memória, não um aniversário, uma
vez por ano, mas “todas as vezes que o beberdes, em memória de mim (1Co.
11:25)”. Ele queria que lembrássemos dele sempre, não como uma figura histórica
a ser homenageada, mas como o pão e o vinho da Ceia, que nos alimentam e nos
dão o poder para tornar-nos como Ele.
Dito isto, surge a pergunta: Será que devemos começar a
celebrar o Natal na época da Festa dos Tabernáculos? Devemos criticar ou combater
aqueles que continuam celebrando o Natal no
dia 25 de dezembro? Será que o mesmo fervor que alguns demonstram quando
evangelizam católicos sobre a remoção de imagens de suas casas não deveria ser
exercido contra esta herança idólatra que penetrou nas tradições das igrejas
protestantes? Em primeiro lugar quero deixar claro que o propósito em levantar
este assunto não é de transferir a celebração da data do Natal para outra data,
nem tampouco introduzir outro elemento de controvérsia entre os irmãos. Questões sobre o Natal são “questões menores” que não devem em hipótese alguma destruir a unidade, o companheirismo e o amor cristãos.
Quer celebrar o Natal? Faça-o sabendo o seu real significado, não porque A ou B celebram ou porque "aqui sempre fizemos assim"!
Convém, contudo, meditarmos no seguinte:
1 – À medida que Deus restaura sua igreja na terra nestes
últimos dias, muito entulho de tradições humanas que foi se amontoando sobre a
verdade do evangelho precisa ser removido. Se quisermos voltar à autêntica
experiência cristã apostólica, precisaremos abrir os corações e as mentes para
a necessidade de despojarmo-nos das tradições pagãs. Sobre isso, devemos notar que a maioria das pessoas que aceita festejar o Natal, com todos o seus elementos, não aceita festejar as festas bíblicas. O que se depreende disso é que ou o medo das "tradições judaicas" é muito maior do que o medo das "tradições pagãs" (o mesmo argumento para uma se aplica para a outra, mesmo aquele articulado com base na Bíblia) ou a tradição (gerada pelo aculturamento social-teológico) é mais forte para com o Natal do que para com as Festas Bíblicas. Cabe aqui uma maior reflexão pelos adeptos e opositores da celebração do Natal.
2 - Em tudo, há a necessidade de coerência. Aqueles que não celebram o natal por suas raízes pagãs não deveriam celebrar o carnaval, o halloween ou mesmo as festas juninas pela mesma razão. Dar a estas festas uma "roupagem cristã" é repetir o mesmo ato da igreja católica, independente do argumento usado para o fazer.
3 – A vontade de Deus é que fiquemos deslumbrados diante da
grandeza do mistério da Encarnação todos os dias do ano e não apenas no Natal.
Porém, se queremos lembrar de forma especial deste grande evento na época do
Natal não há problema algum. O problema está em celebrar o nascimento de Jesus
com a prática de tantas coisas totalmente opostas aos seus ensinamentos.
4 – Infelizmente a cerimônia que Jesus instituiu para manter
a sua pessoa em nossa memória, a Ceia, tem perdido seu sentido para a maioria
dos cristãos por ter se tornado apenas um ritual vazio. Precisamos clamar ao
Senhor para que o sentido da ceia seja revelado novamente à igreja para que
mais uma vez possamos honrar Jesus com simplicidade e realidade “partindo pão
de casa em casa… com alegria e singeleza de coração”(At 2.46). A Ceia, que foi uma expressão viva de comunhão com Cristo e com os irmãos no Espírito na época apostólica, acabou se transformando em um ritual formal, exterior apenas, sem vida.
5 – Finalmente, o mais importante de tudo é lembrarmos que
Deus se fez carne, se tornou fisicamente presente entre nós no tempo e no
espaço, não para criar um fato exótico a ser admirado como objeto de museu, mas
para que sua presença se tornasse real para nós “todos os dias até a consumação
dos séculos” (Mt 28.20). É somente a consciência desta presença que poderá nos
separar para a Segunda Vinda, que será, sem dúvida alguma, o maior
acontecimento da história.
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!
A propósito: Um Feliz Natal!
Referências:
http://www.biblicalarchaeology.org/daily/biblical-topics/new-testament/how-december-25-became-christmas/
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