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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

NATAL: O QUE VOCÊ ESTÁ CELEBRANDO?


Todo ano, nesta época de Natal, é costume que as famílias se reunirem para comemorações; em alguns casos, participam também outras pessoas, amigas daquela família e convidadas para o grande festejo. Essas comemorações em geral envolvem um bom almoço, com peru e chester, com vinhos, com saladas e arroz especiais, com frutas típicas. No natal é também o costume de se montar uma árvore artificial e decorá-la com bolas coloridas de vidro ou de plástico, com luzes pisca-pisca, com estrelas, com anjos, com muitas outras coisas. Debaixo dessa árvore são colocados presentes, que são abertos no dia (ou na noite, dependendo do costume) pelos membros daquela família. Dependendo do país, as pessoas cantam músicas natalinas, como a "Deck The Halls" ("Decore os salões"): "Decore os salôes com ramos de azevinho/Fa-la-la-la-la, la-la-la-la/Essa é a temporada para celebrar/Fa-la-la-la-la, la-la-la-la/Vestir-se com roupas alegres/Fa-la-la-la-la, la-la-la-la/Cantar canções de natal (...)". 

No Natal fala-se muito sobre um velhinho gordinho, que dizem morar no pólo norte. Esse velhinho teria uma fábrica de brinquedos, com anões trabalhando para construí-los, de modo que esse senhor possa montar em seu trenó mágico, puxado por renas, e distribuir presentes para todas as crianças que foram boazinhas durante o ano. Esses presentes são pedidos pelas crianças durante o ano, que escrevem cartinhas para o Noel, pedindo os presentes. Obviamente, tudo isso não passa de fantasia, importada junto com outras lendas e festas como o Halloween e sua Jack-O-Lantern. Não existe esse velhinho, nem essa história é verdadeira. O tal "papai noel" (santa claus). O tal "papai noel" não passa de uma lenda baseada em Nicolau, bispo católico do século 5º. A Enciclopédia Britânica, 11ª edição, vol. 19, páginas 648-649, diz: "São Nicolau, o bispo de Mira, santo venerado pelos gregos e latinos em 6 de dezembro... conta-se uma lenda segundo a qual presenteava ocultamente a três filhas de um homem pobre... deu origem ao costume de dar em secreto na véspera do dia de São Nicolau (6 de dezembro), data que depois foi transferida para o dia de Natal. Daí a associação do Natal com São Nicolau."

A exemplo da tradição do Noel, outros elementos que não têm nenhum respaldo bíblico e que foram introduzidos na celebração do Natal são as guirlandas, a árvore, a data da celebração, etc. Acerca da árvore, por exemplo, segundo uma fábula babilônica, um pinheiro renasceu de um antigo tronco morto. O novo pinheiro simbolizava que Ninrode tinha vindo a viver novamente em Tamuz. Entre os druidas o carvalho era sagrado. Entre os egípcios era a palmeira, e em Roma era o abeto, que era decorado com cerejas negras durante a saturnália. O deus escandinavo Odim era crido como um que dava presentes especiais na época de natal àqueles que se aproximassem de seu abeto sagrado. Em inúmeras passagens bíblicas a árvore é associada a idolatria e a adoração falsa: Porque também os de Judá edificaram altos, estátuas, colunas e postes-ídolos no alto de todos os elevados outeiros, e debaixo de todas as árvores verdes (I Rs.14:23). Não estabelecerás poste-ídolo, plantando qualquer árvore junto ao altar do Senhor teu Deus que fizeres para ti (Dt.16:21). Portanto a árvore de natal recapitula a idéia da adoração de árvore, sendo que castanhas e bolas simbolizam o sol. (WOODROW, Ralph. Babilônia A Religião dos Mistérios).  
 
Bom, é sempre possível apresentar razões e justificativas para qualquer coisa. O mesmo se dá com relação ao Natal. Podem ser apresentadas razões para não comemorá-lo tal como é feito atualmente e podem ser apresentadas razões para comemorá-lo. Se o cristão deve ou não celebrar o natal é uma questão de foro íntimo, pessoal (diferentemente do Halloween, com clara conotação satânica, no qual um cristão não deve se envolver). O Natal não é um artigo de fé; não faz parte do corpo doutrinário da igreja; é questão de ordem pessoal. É preciso que haja espírito de tolerância para com os que não pensam como nós em aspectos secundários de fé (Romanos 14). Os extremos devem ser evitados. Não se deve dizer a respeito de quem comemora o Natal: “Está em pecado; enganado por Satanás”. Por outro lado, quem não celebra o 25 de dezembro não deve ser crucificado por causa disso. Por outro lado, não se deve, contudo, alimentar fantasias e coisas inúteis nas cabecinhas das crianças, como a lenda do Noel. Nem tampouco devemos tentar "tapar o sol com a peneira", ignorando as origens da festa. A discussão não é a origem, isso é ponto pacífico; mas sim se essa origem interfere na celebração do Natal ou não. E isso é foro íntimo.  

Os defensores do Natal argumentam que trata-se de uma importante ocasião para se celebrar a Cristo. Isso é um pensamento correto; na verdade, todas as ocasiões do ano (incluindo o Natal) são importantes ocasiões para celebrar ao Supremo Senhor e Rei. Natal, aliás, significa nascimento. A cristandade celebra no dia de Natal, 25 de dezembro, o nascimento de Cristo. A realidade é que essa celebração a Cristo dá-se quase em sua totalidade nas igrejas, por meio em geral de cantatas e peças teatrais. São lindíssimas! Porém, fato é que as famílias modernas pouco ou nada entendem acerca dessa celebração.  Uma boa prática que falta hoje é o ensino familiar do real significado do Natal: de que nesse dia comemora-se o nascimento de Cristo e dos porquês celebrar seu nascimento. Jesus nasceu numa cidade chamada Belém, no país chamado Israel, que fica na região conhecida como "Oriente Médio". A temperatura mínima em Israel na época de dezembro é muito baixa; lá é inverno nessa época do ano. Em 2013, previsões apontam que a temperatura mínima em Jerusalém no dia 25/12 será de 3ºC (http://www.zoover.com.br/israel/israel/jerusalem/tempo). Portanto é inverno no país em dezembro. Localizada nas Montanhas da Judeia, entre o mar mediterrâneo e o norte do Mar Morto, a Jerusalém moderna tem crescido aos arredores da cidade antiga. Jerusalém está situada no sul de um planalto na Judeia. A elevação da Cidade Velha é de aproximadamente 760 metros. 

Agora, vejamos o relato acerca do nascimento de Cristo: “E aconteceu que, estando eles ali, se cumpriram os dias em que ela havia de dar à luz. E deu à luz o seu filho primogênito, e envolveu-O em panos, e deitou-O numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na estalagem. Ora, havia, naquela mesma comarca, pastores que estavam no campo e guardavam durante as vigílias da noite o seu rebanho.” (Lucas 2:6-8). Como os pastores poderiam estar no campo em dezembro, guardando seus rebanhos durante as vigílias da noite, se na região é inverno? Os pastores tiravam seus rebanhos dos campos em meados de outubro e [ainda mais à noite] os abrigavam para protegê-los do inverno que se aproximava, tempo frio e de muitas chuvas (Adam Clark Commentary, vol. 5, página 370). A Bíblia mesmo prova, em Ct 2.1 e Ed 10.9,13, que o inverno era época de chuvas, o que tornava impossível a permanência dos pastores com seus rebanhos durante as frias noites, no campo. É também pouco provável que um recenseamento fosse convocado para a época de chuvas e frio (Lucas 2:1), conforme vemos no relato bíblico. 

Assim, a lógica impõe que Cristo não nasceu em dezembro, como pensam alguns. Quando Jesus nasceu? Novamente, é preciso recorrer ao relato bíblico, no Evangelho de Lucas, cap. 1: 

5 Existiu, no tempo de Herodes, rei da Judéia, um sacerdote chamado Zacarias, da ordem de Abias, e cuja mulher era das filhas de Arão; e o seu nome era Isabel.

6 E eram ambos justos perante Deus, andando sem repreensão em todos os mandamentos e preceitos do Senhor.

7 E não tinham filhos, porque Isabel era estéril, e ambos eram avançados em idade.

8 E aconteceu que, exercendo ele o sacerdócio diante de Deus, na ordem da sua turma,

9 Segundo o costume sacerdotal, coube-lhe em sorte entrar no templo do Senhor para oferecer o incenso.

10 E toda a multidão do povo estava fora, orando, à hora do incenso.

11 E um anjo do Senhor lhe apareceu, posto em pé, à direita do altar do incenso.

12 E Zacarias, vendo-o, turbou-se, e caiu temor sobre ele.

13 Mas o anjo lhe disse: Zacarias, não temas, porque a tua oração foi ouvida, e Isabel, tua mulher, dará à luz um filho, e lhe porás o nome de João.

14 E terás prazer e alegria, e muitos se alegrarão no seu nascimento,

15 Porque será grande diante do Senhor, e não beberá vinho, nem bebida forte, e será cheio do Espírito Santo, já desde o ventre de sua mãe.

16 E converterá muitos dos filhos de Israel ao Senhor seu Deus,

17 E irá adiante dele no espírito e virtude de Elias, para converter os corações dos pais aos filhos, e os rebeldes à prudência dos justos, com o fim de preparar ao Senhor um povo bem disposto.

18 Disse então Zacarias ao anjo: Como saberei isto? pois eu já sou velho, e minha mulher avançada em idade.

19 E, respondendo o anjo, disse-lhe: Eu sou Gabriel, que assisto diante de Deus, e fui enviado a falar-te e dar-te estas alegres novas.

20 E eis que ficarás mudo, e não poderás falar até ao dia em que estas coisas aconteçam; porquanto não creste nas minhas palavras, que a seu tempo se hão de cumprir.

21 E o povo estava esperando a Zacarias, e maravilhava-se de que tanto se demorasse no templo.

22 E, saindo ele, não lhes podia falar; e entenderam que tinha tido uma visão no templo. E falava por acenos, e ficou mudo.

23 E sucedeu que, terminados os dias de seu ministério, voltou para sua casa.

24 E, depois daqueles dias, Isabel, sua mulher, concebeu, e por cinco meses se ocultou, dizendo:

25 Assim me fez o Senhor, nos dias em que atentou em mim, para destruir o meu opróbrio entre os homens.

26 E, no sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado por Deus a uma cidade da Galiléia, chamada Nazaré,

27 A uma virgem desposada com um homem, cujo nome era José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria.

28 E, entrando o anjo aonde ela estava, disse: Salve, agraciada; o Senhor é contigo; bendita és tu entre as mulheres.

29 E, vendo-o ela, turbou-se muito com aquelas palavras, e considerava que saudação seria esta.

30 Disse-lhe, então, o anjo: Maria, não temas, porque achaste graça diante de Deus.

31 E eis que em teu ventre conceberás e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus.

32 Este será grande, e será chamado filho do Altíssimo; e o Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu pai;

33 E reinará eternamente na casa de Jacó, e o seu reino não terá fim.

34 E disse Maria ao anjo: Como se fará isto, visto que não conheço homem algum?

35 E, respondendo o anjo, disse-lhe: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus.

36 E eis que também Isabel, tua prima, concebeu um filho em sua velhice; e é este o sexto mês para aquela que era chamada estéril;

37 Porque para Deus nada é impossível.

38 Disse então Maria: Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo ausentou-se dela.

39 E, naqueles dias, levantando-se Maria, foi apressada às montanhas, a uma cidade de Judá,

40 E entrou em casa de Zacarias, e saudou a Isabel.

41 E aconteceu que, ao ouvir Isabel a saudação de Maria, a criancinha saltou no seu ventre; e Isabel foi cheia do Espírito Santo.

42 E exclamou com grande voz, e disse: Bendita és tu entre as mulheres, e bendito o fruto do teu ventre.

43 E de onde me provém isto a mim, que venha visitar-me a mãe do meu Senhor?

44 Pois eis que, ao chegar aos meus ouvidos a voz da tua saudação, a criancinha saltou de alegria no meu ventre.

Note: segundo esse relato, Jesus foi concebido pelo Espírito Santo no ventre de Maria 6 meses depois da concepção de seu primo João Batista, filho de Isabel e Zacarias. Isto é, Ele foi concebido 6 meses após o período ou “o turno de Abias” (versículos 5 e 8). Esse turno de Abias é aquele estabelecido em I Crônicas 24, onde é apresentada a relação dos turnos em que foram organizados os sacerdotes para ministrarem na casa do Senhor: “Saiu a primeira sorte a Jeoiaribe, a segunda a Jedaías, a terceira a Harim, a quarta a Seorim, a quinta a Malquias, a sexta a Miamim, a sétima a Coz, a oitava a Abias” (I Crônicas 24:7-10). O TURNO DE ABIAS ERA O OITAVO. Ora, o primeiro turno começava a funcionar no primeiro mês do ano religioso dos judeus: “Disse o Senhor a Moisés e Arão na terra do Egito: este mês vos será o principal dos meses; será o primeiro mês do ano” (Ex.12:1,2; 13:4; Dt. 16:1). “No mês primeiro, aos catorze do mês, no crepúsculo da tarde, é a páscoa do Senhor (Lv. 23:5). O primeiro mês do calendário religioso judaico (mês de Abibe – Êxodos 23:15, veja a tabela abaixo) coincide mais ou menos com o nosso mês de março. É fato bem sabido que a Páscoa é uma festa móvel, que cai em março ou abril. Ela é móvel justamente porque sua data não é marcada segundo o nosso calendário, mas segundo o calendário judaico, que se baseia no ano lunar (o nosso é romano, gregoriano). 

Mês (número)
Mês (nome, em Hebraico)
Turnos
Referências
1
Abibe ou Nissan
= março / abril
1 e 2
Êx 13:4 Ester 3:7
2
Zive = abril / maio
3 e 4
1Re 6:13
3
Sivan = maio / junho
5 e 6
Et 8:9
4
Tamuz = junho / julho
7 e 8 (Abias)
Jr 39:2; Zc 8:19
5
Abe = julho / agosto
9 e 10
Nm 33:38
6
Elul: agosto / setembro
11 e 12
Ne 6:15
7
Etenim ou Tisri
= setembro / outubro
13 e 14
1Rs 8:2
8
Bul ou Cheshvan
= outubro / novembro
15 e 16
1Rs 6:38
9
Kisleu
= novembro / dezembro
17 e 18
Ed 10:9; Zc 7:
10
Tebete = dezembro / janeiro
19 e 20
Et 2:16
11
Sebate = janeiro / fevereiro
21 e 22
Zc 1:7
12
Adar = fevereiro / março
23 e 24
Et 3:7

 Assim, portanto, João Batista foi gerado logo depois do período em que os sacerdotes do turno de Abias serviam no templo, ou seja, no fim de junho ou começo de julho, em nosso calendário. Jesus nosso Senhor, foi gerado pelo Espírito Santo seis meses depois, isto é, no fim de dezembro ou começo de janeiro (provavelmente durante os dias da festa de Hanuká – a festa das luzes). Contando-se os nove meses normais de gestação, segundo estes cálculos cronológicos, Maria veio dar à luz ao nosso Senhor no fim de setembro ou começo de outubro – nos dias da Festa de Tabernáculos, no ano seguinte, ou sétimo mês do calendário judaico – o mês de Etanim (I Rs. 8:2). O sétimo mês judaico era marcado pela Festa dos Tabernáculos, a terceira e última das grandes festas instituídas por Deus por intermédio de Moisés. Isso por si só é bem interessante: João, o apóstolo,  em seu evangelho, nos mostra que Cristo habitou entre nós (Jo 1.14). A palavra habitar, aqui, é tradução do grego "skenoo" que significa "armar uma tenda", ou tabernacular (tabernáculo é uma "tenda pequena"). Deus enviou Jesus e este se tornou carne, tabernaculando entre nós, no dia da Festa dos Tabernáculos. A data exata (o dia), contudo, permanece como segredo de Deus (Dt 29.29). 

Ora, se o nascimento de Jesus não se deu no dia 25 de dezembro, então porque a cristandade adotou esta data?  Uma das teses mais populares é que o dia 25 de dezembro foi escolhido porque coincidia com os festivais pagãos que celebravam a saturnália e o solstício de inverno, em adoração ao deus-sol, o sol invictus. O deus-sol é muito provavelmente, uma indicação de Ninrode mencionado em Gênesis 10:8-10. Este festival de inverno era chamado a natividade do sol. A festa solar do natalis invicti (natividade do sol inconquistado) era celebrada em 25 de dezembro. A idéia da igreja cristã naquela época era modificar o foco de uma festa pagã, dando a ela uma "roupagem cristã", a fim de facilitar a aceitação do cristianismo (pela redução do "radicalismo da mudança" que era - e ainda é - renunciar ao mundo e as religiões por Cristo) que Cristo fosse adorado naquela festa ao invés de um deus pagão. A isso denominamos sincretismo religioso, que nada mais é do que a fusão de diferentes cultos ou doutrinas religiosas, com reinterpretação de seus elementos. Outra tese, esposada por pastores e irmãos em Cristo sérios e tementes a Deus, é a tese da oposição. Segundo essa tese, a Igreja teria estabelecido o Natal no dia de uma festa pagã  para rivalizar com a mesma. Sobre isso, comenta meu amigo e Ministro do Evangelho Rev. Magdiel Anselmo em seu blog "A Verdade Bíblica": "Isto é, o que os cristãos fizeram era como dizer, “Antes do que celebrar em imoralidade o nascimento de Ucithra, um falso deus que nunca nasceu realmente, e que não pode lhe salvar, celebremos com alegre justiça o nascimento de Jesus, o verdadeiro Deus encarnado que é o Salvador do mundo.”" (veja a postagem em: http://pranselmoteologia.blogspot.com.br/2011/12/devem-os-cristaos-celebrar-o-natal.html?spref=fb).

Quando foi feita a primeira referência histórica ao nascimento de Cristo? Por volta do ano 200 d.C., um professor cristão no Egito faz referência à data que Jesus nasceu. De acordo com Clemente de Alexandria, vários dias diferentes haviam sido propostos por vários grupos cristãos. Por mais surpreendente que possa parecer, Clemente não menciona 25 de dezembro. Clemente escreve: "Há aqueles que determinaram não apenas o ano de nascimento de nosso Senhor, mas também o dia, e eles dizem que ocorreu no ano 28 de Augusto, e no dia 25 de [mês egípcio] Pachon [20 de maio, em nosso calendário] ... E o tratamento de Sua Paixão, com grande precisão, alguns dizem que isso ocorreu no 16 º ano de Tibério, no dia 25 de Phamenoth [21 de março], e outros no dia 25 de Pharmuthi [21 de abril] e outros dizem que no dia 19 de Pharmuthi [15 de abril] o Salvador sofreu. Além disso, outros dizem que Ele nasceu no dia 24 ou 25 de Pharmuthi [20 de abril ou 21] ".

É interessante notar que somente no 4º século da era cristã é que encontramos referências a duas datas que foram amplamente reconhecidos e agora também celebradas, como o aniversário de Jesus: 25 de dezembro, no Império Romano do Ocidente e 06 de janeiro, no Oriente (especialmente no Egito e na Ásia Menor). A igreja armênia moderna continua a celebrar o Natal em 6 de janeiro; para a maioria dos cristãos, no entanto, 25 de dezembro prevaleceu, enquanto 06 de janeiro, eventualmente, veio a ser conhecido como a Festa da Epifania, comemorando a chegada dos Magos em Belém.

Porém, é somente a partir do século 12 que encontramos a primeira sugestão de que a celebração do nascimento de Jesus foi deliberadamente escolhida na época das festas pagãs. Uma nota marginal em um manuscrito dos escritos do siríaco comentarista bíblico Dionísio bar-Salibi afirma que nos tempos antigos o feriado de Natal foi, na verdade, passado de 6 janeiro para 25 dezembro para que ele caisse na mesma data que o feriado pagão Sol Invictus. Nos séculos 18 e 19, os estudiosos da Bíblia, estimulados pelo novo estudo de religiões comparadas, se agarraram a esta idéia. Eles alegaram que, como os primeiros cristãos não sabiam quando Jesus nasceu, eles simplesmente assimilaram o festival pagão do solstício a seus próprios propósitos, afirmando-o como o momento do nascimento do Messias e celebrando-o apropriadamente.  

Ora, então por que celebrar o Natal, o nascimento de Cristo? Porque o seu nascimento significou a intervenção de Deus na história humana, que traria fim, com a sua morte, à escravidão do pecado a qual estava sujeita toda a raça humana. O propósito do nascimento (encarnação de Cristo) sempre foi a sua morte; a morte vicária e expiatória e a ressurreição de Cristo são o cerne da fé cristã. Jesus nasceu para morrer, para dar a Sua vida em resgate de muitos; em resgate de todo aquele que se identifica com Cristo ao ponto de Nele encontrar o seu justo pagamento por seu pecado e, portanto, a solução definitiva para uma vida distante do Criador. Para todo aquele que se rende ao Senhor, que para de se justificar e de prover para si mesmo falsos deuses, ídolos pessoais, e que confiam suas vidas inteiramente a Cristo. Em Cristo - e somente Nele, em ninguém mais -  temos o perdão dos nossos pecados e a vida eterna.  

CONSIDERAÇÕES FINAIS:

Em nenhuma ocasião Jesus expressou a idéia de que seus seguidores devessem celebrar seu aniversário. Pelo contrário, em duas ocasiões quando as pessoas queriam enfatizar seus laços naturais (mãe e irmãos), ele rapidamente rebateu esta atitude, enfatizando a importância dos seus laços espirituais (os discípulos e todos aquele que ouve e pratica sua palavra) – Lc. 11:27,28; Mc. 3:31-35. Em outras palavras, ele não queria ser venerado como um grande astro e sim como o caminho pelo qual todos os homens poderiam chegar a Deus nas mesmas condições de filiação que Ele tinha. É com este propósito que ele realmente instituiu uma cerimônia em sua memória, não um aniversário, uma vez por ano, mas “todas as vezes que o beberdes, em memória de mim (1Co. 11:25)”. Ele queria que lembrássemos dele sempre, não como uma figura histórica a ser homenageada, mas como o pão e o vinho da Ceia, que nos alimentam e nos dão o poder para tornar-nos como Ele.

Dito isto, surge a pergunta: Será que devemos começar a celebrar o Natal na época da Festa dos Tabernáculos? Devemos criticar ou combater aqueles que continuam celebrando o Natal no dia 25 de dezembro? Será que o mesmo fervor que alguns demonstram quando evangelizam católicos sobre a remoção de imagens de suas casas não deveria ser exercido contra esta herança idólatra que penetrou nas tradições das igrejas protestantes? Em primeiro lugar quero deixar claro que o propósito em levantar este assunto não é de transferir a celebração da data do Natal para outra data, nem tampouco introduzir outro elemento de controvérsia entre os irmãos. Questões sobre o Natal são “questões menores” que não devem em hipótese alguma destruir a unidade, o companheirismo e o amor cristãos.

Quer celebrar o Natal? Faça-o sabendo o seu real significado, não porque A ou B celebram ou porque "aqui sempre fizemos assim"!

Convém, contudo, meditarmos no seguinte:

1 – À medida que Deus restaura sua igreja na terra nestes últimos dias, muito entulho de tradições humanas que foi se amontoando sobre a verdade do evangelho precisa ser removido. Se quisermos voltar à autêntica experiência cristã apostólica, precisaremos abrir os corações e as mentes para a necessidade de despojarmo-nos das tradições pagãs. Sobre isso, devemos notar que a maioria das pessoas que aceita festejar o Natal, com todos o seus elementos, não aceita festejar as festas bíblicas. O que se depreende disso é que ou o medo das "tradições judaicas" é muito maior do que o medo das "tradições pagãs" (o mesmo argumento para uma se aplica para a outra, mesmo aquele articulado com base na Bíblia) ou a tradição (gerada pelo aculturamento social-teológico) é mais forte para com o Natal do que para com as Festas Bíblicas. Cabe aqui uma maior reflexão pelos adeptos e opositores da celebração do Natal.  

2 - Em tudo, há a necessidade de coerência. Aqueles que não celebram o natal por suas raízes pagãs não deveriam celebrar o carnaval, o halloween ou mesmo as festas juninas pela mesma razão. Dar a estas festas uma "roupagem cristã" é repetir o mesmo ato da igreja católica, independente do argumento usado para o fazer.

3 – A vontade de Deus é que fiquemos deslumbrados diante da grandeza do mistério da Encarnação todos os dias do ano e não apenas no Natal. Porém, se queremos lembrar de forma especial deste grande evento na época do Natal não há problema algum. O problema está em celebrar o nascimento de Jesus com a prática de tantas coisas totalmente opostas aos seus ensinamentos.

4 – Infelizmente a cerimônia que Jesus instituiu para manter a sua pessoa em nossa memória, a Ceia, tem perdido seu sentido para a maioria dos cristãos por ter se tornado apenas um ritual vazio. Precisamos clamar ao Senhor para que o sentido da ceia seja revelado novamente à igreja para que mais uma vez possamos honrar Jesus com simplicidade e realidade “partindo pão de casa em casa… com alegria e singeleza de coração”(At 2.46). A Ceia, que foi uma expressão viva de comunhão com Cristo e com os irmãos no Espírito na época apostólica, acabou se transformando em um ritual formal, exterior apenas, sem vida.

5 – Finalmente, o mais importante de tudo é lembrarmos que Deus se fez carne, se tornou fisicamente presente entre nós no tempo e no espaço, não para criar um fato exótico a ser admirado como objeto de museu, mas para que sua presença se tornasse real para nós “todos os dias até a consumação dos séculos” (Mt 28.20). É somente a consciência desta presença que poderá nos separar para a Segunda Vinda, que será, sem dúvida alguma, o maior acontecimento da história.

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

A propósito: Um Feliz Natal!

Referências:
http://www.biblicalarchaeology.org/daily/biblical-topics/new-testament/how-december-25-became-christmas/

2 comentários:

  1. Ótima postagem. Respeito seus argumentos e concordo com a grande maioria deles, excetuando a ligação que faz do sincretismo com a decisão de celebrar o natal na mesma data de festas pagãs pois a meu ver a intenção não foi sincretizar mas sim confrontar. Mas como bem disse, são questões secundárias. Sou defensor de celebrarmos o natal (aniversário do Senhor), sem dúvida, explicando corretamente o que isso significa. Escrevi a alguns anos sobre essa polêmica que divide (mas não devia) a irmandade cristã. Se desejar leia http://pranselmoteologia.blogspot.com.br/2011/12/devem-os-cristaos-celebrar-o-natal.html?spref=fb
    Um grande abraço.

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  2. O Natal ,festa com um significado tão lindo, tornou-se apenas símbolo do consumismo exagerado, comilanças, bebedeiras e gasto muito gasto.Enquanto em muitas casas há fartura, com mesas cheias de todo tipo de comidas e bebidas,há também muitos que não possuem sequer um pouco de arroz para por na panela.Quantos tb saem para viajar e são vítimas da violência do trânsito e o dia ,que era para o encontro de familiares para festejar, termina em visitas a hospitais e funerárias.Lembremos tb, das inundações, que ocorrem em alguns estados do Brasil, onde famílias perderam tudo,desde membros, até mesmo as suas casas.
    Celebrar o Natal com parcimônia é bom. Não deve se constituir, creio eu, em discussões acaloradas por parte de segmentos evangélicos. Constitui-se mesmo decisão pessoal, o festejar ou não. Deve-se ,sim, como foi tratado, lembrarmo-´nos do motivo principal da festa: O Nascimento do Senhor , o que deve ser contado a outras gerações. Essa linda história nunca deve ser omitida. Os pequenos precisam saber.(bem como os grandes, que não conhecem). É preciso,tb, mostrar as crianças, que o tal velho gordo, é uma farsa, uma grande mentira.Que se trata de um intruso, que nunca devem esperar por ele.
    No mais, Feliz Natal a todos!

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