domingo, 22 de outubro de 2023

"QUEM CREU NA NOSSA PREGAÇÃO": A DESCRIÇÃO PROFÉTICA DOS SOFRIMENTOS DE CRISTO


  ¹ Quem creu em nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor?
² Porque foi subindo como renovo perante ele e como raiz de uma terra seca; não tinha aparência nem formosura; olhamo-lo, mas nenhuma beleza havia que nos agradasse.
³ Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso.
⁴ Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido.
⁵ Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.
⁶ Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos.
⁷ Ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca.
⁸ Por juízo opressor foi arrebatado, e de sua linhagem, quem dela cogitou? Porquanto foi cortado da terra dos viventes; por causa da transgressão do meu povo, foi ele ferido.
⁹ Designaram-lhe a sepultura com os perversos, mas com o rico esteve na sua morte, posto que nunca fez injustiça, nem dolo algum se achou em sua boca.
¹⁰ Todavia, ao Senhor agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando der ele a sua alma como oferta pelo pecado, verá a sua posteridade e prolongará os seus dias; e a vontade do Senhor prosperará nas suas mãos.
¹¹ Ele verá o fruto do penoso trabalho de sua alma e ficará satisfeito; o meu Servo, o Justo, com o seu conhecimento, justificará a muitos, porque as iniquidades deles levará sobre si.
¹² Por isso, eu lhe darei muitos como a sua parte, e com os poderosos repartirá ele o despojo, porquanto derramou a sua alma na morte; foi contado com os transgressores; contudo, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu.

Isaías 53:1-12

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O "braço do Senhor", expressão que Isaías usa na introdução do que ele irá falar. É o que chamamos de "linguagem antropomórfica", onde partes humanas são atribuídas a Deus, cuja natureza é espiritual (João 4:24) e que portanto não possui tais partes. Essa expressão enfatiza a noção de poder de Deus em manifestação, sendo portanto uma metáfora usada para transmitir sua ação poderosa na história humana. Afinal, o que espera-se de um Ser que é Deus é que Ele seja Todo-Poderoso, sendo portanto capaz de realizar aquilo que Ele tencionar fazer, sem nenhuma dificuldade ou obstáculo que o possa impedir.  

Paradoxalmente, Isaías vai apresentar na continuidade de sua fala que essa manifestação do braço do Senhor será vista em algo que não possui, a princípio, nada de poderoso. Muito pelo contrário, o braço do Senhor será manifesto em um contexto de desprezo, aflição, opressão e sofrimento de um ilustre desconhecido em sua época, do servo do Senhor, até então sem nome ou genealogia que pudesse identificá-lo. Quem seria esse servo do Senhor? E, pior: como é que esse servo do Senhor, manifestação do poder de Deus, seria desprezado, afligido e oprimido? O campeão de Deus sendo esmagado e moído e ainda por cima morto, como assim?!? Qualquer pessoa diria que Isaías está, no mínimo, totalmente por fora, falando de Deus, sobre quem Isaías não entende patavina.

Sim, Isaías fala de um Servo de Deus sofredor. Algo ilógico, inconcebível e tido por impossível por aqueles que ouviam Isaías falar. Não conseguiram crer no que ouviam, por isso a pergunta "quem creu em nossa pregação?". Eles escutavam e não criam, porque ainda que tivessem a clareza de Seu Deus como Todo-Poderoso eles limitavam a atuação desse Deus. Noutras palavras, eles criam em um Deus Todo-Poderoso que agisse sempre como Ele fez no Egito, com maravilhas, sinais e prodígios, enviando pragas, abrindo o Mar Vermelho, fazendo o monte fumegar e trombetas tocarem quando de Sua manifestação sobre o Sinai, com coluna de nuvem e de chamas guiando o Seu povo durante a jornada pelo deserto até a terra prometida. Moisés, servo do Senhor, fora poderosamente usado por Deus para fazer esses milagres. Davi, menino pastor de ovelhas, servo do Senhor, venceu o experiente guerreiro Golias com uma pequena pedra. E assim como eles outros tantos tem seus feitos, como servos do Senhor, demonstrando o braço do Senhor. Logo, aqueles que ouviam Isaías falar, estavam acostumados com a idéia de que grande poder e vitória eram o resultado de Deus sobre suas vidas.

Deus é todo-poderoso, sim com certeza! E como todo-poderoso, Deus escolheu manifestar-Se em um contexto de humilhação! Em um contexto de auto-esvaziamento por parte do Seu servo. Alguém não inserido em palácios, em epopéias, em contos heróicos como os dos campeões guerreiros das religiões; por certo, alguém que não tem nada em si que, visto por nós, gere admiração ou que inspire a seguir o mesmo caminho.  

Como você, querido(a) leitor(a), já deduziu, estamos falando sobre Jesus. Jesus é o Servo sofredor, manifestação do braço do Senhor, sobre quem Isaías fala sem conhecer sua identidade, cerca de 740-750 anos antes de Jesus vir a este mundo, humanamente nascendo de Maria. Sim, Ele veio por nós, sofreu por nós e morreu por nós; como diz o próprio profeta Isaías, por nossas transgressões e iniquidades. Sofreu e morreu por mim e por você, em nosso lugar, para expiar os nossos pecados (RESGATANDO O CONCEITO BÍBLICO SOBRE A SALVAÇÃO EM JESUS CRISTO (PARTE 7): A EXPIAÇÃO ). 

Como Isaías descreve Jesus?

1. Como a muda de um planta fraca e frágil, lutando para sair do solo seco.  Uma raiz que brota num campo rico e fértil deve muito ao solo em que cresce. Não é de admirar que algumas plantas prosperem abundantemente, pois a terra em que são plantadas é peculiarmente adequada ao seu crescimento. No entanto, Isaías fala de um broto de uma raiz de uma árvore, que tendo sido derrubada, nada restou além do toco. Esse broto que surge de uma árvore, cujas folhas frondosas foram há muito tempo cortadas, surge em um “solo seco”. Um ramo fraco, que pode ser facilmente destruído, surgindo em condições totalmente contrárias ao seu surgimento e desenvolvimento. Qualquer animal pode pisar nessa planta, qualquer inseto pode facilmente devorá-la. Um broto que surge no deserto, limitado por falta de umidade. Não uma planta de crescimento vigoroso, abastecida de chuvas abundantes e crescendo em um solo rico e fértil, mas seria como o crescimento limitado das areias do deserto.

Nosso Senhor Jesus Cristo, em sua humilhação, veio em grande debilidade; nascido como um bebê indefeso, ele correu grande perigo em sua infância pelas mãos de Herodes e, embora preservado, não foi por um exército poderoso, mas pela fuga para outra terra (Mateus 2:13-15). Seus primeiros dias não foram passados em meio à música marcial dos acampamentos, ou na grandeza das cortes, mas no retiro de uma carpintaria - lugar adequado para “uma tenra planta”. Sua vida era gentil, ele era inofensivo como um cordeiro. A qualquer momento parecia fácil destrui-lo! Quando o Senhor foi crucificado, aos olhos humanos era o fim de toda a sua obra; era o fracasso de todo o seu ministério terreno, era o fracasso total!

2. Não tinha aparência e nem formosura, nenhuma beleza que agradasse. Naturalmente, uma pequena planta brotando em solo seco não possui nada de destaque. Na verdade, não damos a mínima para plantas brotando em qualquer lugar, muito menos em um que é totalmente inóspito. Gostamos de ver flores bonitas, mas um brotinho de planta, lutando para se desenvolver? Quando olhamos para ela, pensamos "essa não vai durar muito"!. 

O Senhor Jesus não tinha vestes de realeza; nenhuma coroa de ouro cheia de pedras preciosas brilhando em sua cabeça; nenhuma comitiva esplêndida; nenhuma matriz linda para o homenagear. Moisés era filho da filha de Faraó, Davi era rei de Israel; mas Jesus era, humanamente falando, o filho de pessoas comuns, de Maria e de seu esposo José. O essas pessoas tinham de especial? Nada. Jesus não tinha aparência majestosa, nem possuía resplendor algum. Não era alguém que se destacasse visivelmente externamente em meio à multidão, era uma pessoa como outra qualquer. 

3. "Era desprezado e o mais rejeitado entre os homens; homem de dores e que sabe o que é padecer; e, como um de quem os homens escondem o rosto, era desprezado, e dele não fizemos caso". Um "homem de dores", isto é, um homem profundamente marcado pela dor e pelo sofrimento, marcado por tristezas. Veja que Isaías diz que ele "sabe o que é padecer". Sim, seu desprezo e sofrimento foram terríveis: 

a) Ele transpirou sangue pelos poros de sua pele: "⁴⁴ E, estando em agonia, orava mais intensamente. E aconteceu que o seu suor se tornou como gotas de sangue caindo sobre a terra" (Lucas 22:44). Esse fenômeno é chamado hematidrose, condição clínica onde o paciente apresenta um suor juntamente com sangue, estando associada à situação de medo extremo ou estresse muito grande, seja em uma situação de morte ou de sofrimento eminente (veja mais em: https://www.youtube.com/watch?v=xLpExRB5Akk e em HEMATOHIDROSIS – A RARE CLINICAL PHENOMENON). Jesus suou sangue na noite anterior à sua crucificação, por conta da intensa angústia e tristeza que estava sentindo. Ele sabia o quanto iria sofrer antes da crucificação, sofrimento que continuaria na cruz. A crucificação foi considerada o método de execução mais doloroso e torturante já inventado e foi usada nas pessoas mais desprezadas e perversas. Na verdade, a dor era tão horrível que uma palavra foi criada para ajudar a explicá-la – excruciante, que significa literalmente “da cruz”. 

b) Ele sentiu a dor da traição (Lucas 22:47,48). Note o que foi profetizado muito antes acerca da traição que Jesus passaria: "¹² Eu lhes disse: se vos parece bem, dai-me o meu salário; e, se não, deixai-o. Pesaram, pois, por meu salário trinta moedas de prata. ¹³ Então, o Senhor me disse: Arroja isso ao oleiro, esse magnífico preço em que fui avaliado por eles. Tomei as trinta moedas de prata e as arrojei ao oleiro, na Casa do Senhor" (Zacarias 11:12,13). Agora compare: "¹⁴ Então, um dos doze, chamado Judas Iscariotes, indo ter com os principais sacerdotes, propôs: ¹⁵ Que me quereis dar, e eu vo-lo entregarei? E pagaram-lhe trinta moedas de prata. ¹⁶ E, desse momento em diante, buscava ele uma boa ocasião para o entregar" (Mateus 26:14-16). Esse foi o preço da traição, fixado pelos pecadores, para que um dos 12 apóstolos de Jesus, Judas, entregasse-o a eles. 

Note: Jesus com certeza sentiu uma profunda dor em sua alma com o fato de ter sido vendido - isso mesmo, Judas vendeu Jesus. Ele, o filho unigênito de Deus, a quem Deus deu ao mundo por amar esse mundo com imensa intensidade! E, de forma a agravar ainda a sua dor, Ele estava ali sendo traído por um amigo íntimo seu, um companheiro querido e amado! Isso era insuportável! Veja o que profetizou Davi: "¹² Com efeito, não é inimigo que me afronta; se o fosse, eu o suportaria; nem é o que me odeia quem se exalta contra mim, pois dele eu me esconderia; ¹³ mas és tu, homem meu igual, meu companheiro e meu íntimo amigo. ¹⁴ Juntos andávamos, juntos nos entretínhamos e íamos com a multidão à Casa de Deus" (Salmos 55:12-14).  Quem já foi traído sabe a dor que a traição causa, dor esta que é tão intensa quanto mais intenso e profundo for o relacionamento com aquele que trai!

Parênteses: O Senhor ironizou, como lemos em Zacarias, o preço com que Seu povo o havia avaliado - "esse magnífico preço", meras 30 moedas de prata! É bom que fique claro que Deus tem valor incomensurável! Não há como mensurar e muito menos precificar Deus! Vender a fé, ou usar a fé para se locupletar, é o mesmo que vender Deus. Isso é blasfêmia e deve ser rejeitado com todo rigor e vigor da nossa alma! Deus, suas bênçãos, a salvação e tudo mais que venha de Deus NUNCA, JAMAIS e EM TEMPO ALGUM podem ser tratados como meras mercadorias humanas. 

c) Cuspiram no rosto dele, o esmurraram e o esbofetaram com toda a violência: "⁶⁷ Então, uns cuspiram-lhe no rosto e lhe davam murros, e outros o esbofeteavam,  dizendo: ⁶⁸ Profetiza-nos, ó Cristo, quem é que te bateu!" (Mateus 26:67,68). Veja o que diz Isaías: "⁶ Ofereci as costas aos que me feriam e as faces, aos que me arrancavam os cabelos; não escondi o rosto aos que me afrontavam e me cuspiam" (Isaías 50:6). Ele apanhou muito e fez isso sem reagir, sem revidar, tendo Ele o poder mais que necessário para fulminar ali mesmo cada algoz Seu.

d) Submeteram Ele a açoitamento com um tipo de açoite preparado para gerar sofrimento extremo: "²⁶ Então, Pilatos lhes soltou Barrabás; e, após haver açoitado a Jesus, entregou-o para ser crucificado" (Mateus 27:26). O ato da flagelação era comumente realizada por Roma antes da crucificação. Na época de Jesus, para açoitar um pessoa era usado um tipo de açoite chamado flagrum ou flagelum (daí o nome flagelação), "confeccionado de várias formas, sendo que a mais corriqueira era a de um chicote de couro com três ou até mais extremidades também de couro com bolinhas de metal, ossos de carneiro (astragals) e outros objetos pendurados ao final de cada uma, principalmente em forma de haltere" (ref.: ZUGIBE, M.D, Ph.D. Frederick T.  A Crucificação de Jesus: As Conclusões surpreendentes sobre a morte de Cristo na visão de um investigador criminal. São Paulo: Matrix, 2008). Às vezes, o flagelo romano continha um gancho na ponta e recebia o terrível nome de “escorpião”. A pessoa era obrigada a se curvar, o que provocaria chicotadas mais profundas, dos ombros até a cintura.

Zugibe continua a descrição: "Esses açoites faziam com que as pontas de metal e ossos penetrassem na carne, rasgando vasos sangüíneos, nervos, músculos e pele. Depois do açoitamento, aparecem no corpo da vítima enormes feridas (com matizes de preto, azul e vermelho), lacerações, arranhões e inchaço, basicamente ao redor das perfurações feitas pelo peso dos objetos. As vítimas esperneavam, se contorciam em agonia, caindo de joelhos, mas eram forçadas a se levantar novamente, até não poder mais. A respiração do açoitado era severamente afetada, porque os golpes no peito causavam dores excruciantes toda vez que ele tentava recuperar o fôlego. Os músculos intercostais, entre as costas e os músculos do peito, apresentavam hemorragia, e os pulmões eram lacerados, freqüentemente colapsados – todos esses fatores impunham à vítima extrema dor quanto tentava respirar".

Lacerações profundas, carne dilacerada, músculos expostos e sangramento excessivo deixariam o criminoso “meio morto”. A morte era muitas vezes o resultado desta forma cruel de punição, embora fosse necessário manter o criminoso vivo para ser levado à subjugação pública na cruz. O centurião responsável ordenaria aos "lictores" que parassem com a flagelação quando o criminoso estivesse próximo da morte. 

d) Colocaram Nele uma coroa de espinhos, perfurando sua fronte e causando intensa dor em sua face: "²⁹ tecendo uma coroa de espinhos, puseram-lha na cabeça e, na mão direita, um caniço; e, ajoelhando-se diante dele, o escarneciam, dizendo: Salve, rei dos judeus!" (Mateus 27:29).  Os espinhos causavam dores contínuas e irritavam implacavelmente os nervos faciais devido à presença constante de espinhos nos ferimentos na cabeça, além de causar sangramento intenso. Isso sem falar na humilhação que Ele sofreu

e) Teve que carregar sua própria cruz, que era mui pesada, estando já debilitado e extenuado em virtude dos espancamentos e flagelação: "¹⁷ Tomaram eles, pois, a Jesus; e ele próprio, carregando a sua cruz, saiu para o lugar chamado Calvário, Gólgota em hebraico, ¹⁸ onde o crucificaram e com ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio" (João 19:17,18). A cruz dos romanos era um T, sem “ponta” no alto cruzando a parte horizontal. A base dela já ficava enterrada no chão. 

f) Foi crucificado: "²⁴ Então, o crucificaram e repartiram entre si as vestes dele, lançando-lhes sorte, para ver o que levaria cada um. ²⁵ Era a hora terceira quando o crucificaram" (Marcos 15:24,25). Essa crucificação dava-se afixando a pessoa na cruz com pregos nos membros superiores e nos membros inferiores. Esses pregos podiam medir até 18 cm de comprimento e 1 cm de espessura. Os romanos usaram a crucificação em todo o Império para aqueles condenados por um delito grave. A crucificação era extremamente dolorosa e o homem demorava dias para morrer. 

A dificuldade em torno da expiração leva a uma forma lenta de asfixia. O dióxido de carbono se acumula no sangue, resultando em um alto nível de ácido carbônico no sangue. O corpo responde instintivamente, desencadeando o desejo de respirar. Ao mesmo tempo, o coração bate mais rápido para circular o oxigênio disponível. A diminuição do oxigênio (devido à dificuldade de expirar) causa danos aos tecidos e os capilares começam a vazar fluido aquoso do sangue para os tecidos. Isso resulta em um acúmulo de líquido ao redor do coração (derrame pericárdico) e dos pulmões (derrame pleural). O colapso dos pulmões, a insuficiência cardíaca, a desidratação e a incapacidade de levar oxigênio suficiente aos tecidos sufocam essencialmente a vítima. A diminuição do oxigênio também danifica o próprio coração (enfarte do miocárdio), o que leva à paragem cardíaca. Em casos graves de estresse cardíaco, o coração pode até explodir, um processo conhecido como ruptura cardíaca. É muito provável que Jesus tenha morrido de ataque cardíaco. (leia mais em: Como surgiu a crucificação, o mais 'cruel e aterrorizante' dos castigos e em The Science of the Crucifixion).

e) Teve seu lado perfurado com uma lança, de onde saiu uma mistura de água com sangue, confirmando assim, pelo soldado romano, que Ele estava morto: "³² Os soldados foram e quebraram as pernas ao primeiro e ao outro que com ele tinham sido crucificados; ³³ chegando-se, porém, a Jesus, como vissem que já estava morto, não lhe quebraram as pernas. ³⁴ Mas um dos soldados lhe abriu o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água" (João 19:32-34).  Antes da morte, o batimento cardíaco acelerado causado pelo choque hipovolêmico também faz com que o líquido se acumule no saco ao redor do coração e ao redor dos pulmões. Essa coleta de líquido na membrana ao redor do coração é chamada derrame pericárdico, e a coleta de líquido ao redor dos pulmões é chamada derrame pleural (veja mais em: Por que sangue e água saíram do lado de Jesus ao ser perfurado?) 

Parênteses: Convido-o a assistir a obra cinematográfica sobre a Paixão de Cristo. No Youtube há uma parte que retrata a aflição do Senhor. A mesma pode ser acessada em https://www.youtube.com/watch?v=sKvC4KBeOUU.

Note que Jesus passou por todo esse imenso sofrimento por uma única razão: por causa da minha, da sua e da transgressão de toda a humanidade! Assim diz Isaías:  "⁴ Certamente, ele tomou sobre si as nossas enfermidades e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus e oprimido. ⁵ Mas ele foi traspassado pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados. ⁶ Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas; cada um se desviava pelo caminho, mas o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de nós todos." (Isaías 53:4-6)

Jesus, querido(a) leitor(a), sofreu terrivelmente. Ele morreu na cruz. Ele foi sepultado, mas ao terceiro diz foi ressuscitado corporalmente pelo poder do Espírito Santo! Seu corpo não permaneceu inerte na sepultura; Ele reviveu e hoje está vivo junto ao Pai, aguardando o dia de retornar, em glória, à Terra! Ele vê o fruto do penoso trabalho de sua alma e fica satisfeito; Ele vê aqueles que tem a redenção pelo Seu sangue, que passaram da morte para a vida, da condição de malditos para benditos, de filhos das trevas para filhos de Deus e fica satisfeito! Sim, Ele que é grande importa-se com o pequeno! Fica satisfeito em saber que Sua obra rendeu, rende e renderá vidas, vindos de toda tribo, língua, povo e nação, feitos reino e sacerdócio! O preço que pagou foi muito caro, mas Ele está plenamente satisfeito com tudo o que Seu sacrifício produziu para Deus! E

Ele levou sobre Si o pecado de muitos - sim, não de todos, mas de muitos; porque apenas quem O recebe é que tem o perdão dos seus pecados. Infelizmente, nem todos O receberam: "¹¹ Veio para o que era seu, e os seus não o receberam" (João 1:11). Jesus foi desprezado e rejeitado pelos judeus; pelos ricos; os grandes e os eruditos; pela massa de pessoas de todas as classes, idades e posições. Em sua vida na terra foi assim; em sua morte ainda era assim; e desde então, seu nome e pessoa têm sido amplamente objeto de desprezo. Temos abundância de luz sobre Jesus e o que Ele fez, mas infelizmente nenhuma luz, por mais intensa que seja, poderá ser vista por quem não quer enxergar. Os homens avançam nas trevas, embora o evangelho crie um meio-dia ao seu redor; eles tateiam em busca da parede como cegos, embora o Sol da Justiça brilhe com brilho infinito. Nossos olhos espirituais estão cheios de escamas; estamos como cegos diante da luz de Deus que brilha sobre nossa face. Nossos olhos estão obscurecidos, nossos ouvidos estão pesados. O pecado trouxe à raça humana uma incapacidade mental no que diz respeito a assuntos espirituais.

Querido(a) leitor(a), como está você? Você também é cego? Embora viva na época do evangelho, pode ser que você nunca tenha visto o Salvador com os olhos da fé. Você também é cego? Minha oração é que Deus possa, então, remover sua cegueira espiritual, para que você vendo, veja, e ouvindo, ouça.

Para seu enlevo, clique e escute o lindo hino abaixo. Hoje ainda é tempo de crer em Jesus, mas o tempo está passando depressa! Haverá outra oportunidade para você, ou esta será a sua última? Pense nisso! Que o Amor de Deus Pai, a Graça de Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo e a Comunhão e Consolação do Espírito Santo seja sobre a sua vida, hoje e eternamente!   



domingo, 15 de outubro de 2023

RESGATANDO O CONCEITO BÍBLICO SOBRE A SALVAÇÃO EM JESUS CRISTO (PARTE 8): O REPOUSO ETERNO


¹ Ouve, ó Israel, hoje passarás o Jordão, para entrares a possuir nações maiores e mais fortes do que tu; cidades grandes, e muradas até aos céus;
² Um povo grande e alto, filhos de gigantes, que tu conheces, e de que já ouviste. Quem resistiria diante dos filhos dos gigantes?
³ Sabe, pois, hoje que o Senhor teu Deus, que passa adiante de ti, é um fogo consumidor, que os destruirá, e os derrubará de diante de ti; e tu os lançarás fora, e cedo os desfarás, como o Senhor te tem falado.
⁴ Quando, pois, o Senhor teu Deus os lançar fora de diante de ti, não fales no teu coração, dizendo: Por causa da minha justiça é que o Senhor me trouxe a esta terra para a possuir; porque pela impiedade destas nações é que o Senhor as lança fora de diante de ti.
⁵ Não é por causa da tua justiça, nem pela retidão do teu coração que entras a possuir a sua terra, mas pela impiedade destas nações o Senhor teu Deus as lança fora, de diante de ti, e para confirmar a palavra que o Senhor jurou a teus pais, Abraão, Isaque e Jacó.
⁶ Sabe, pois, que não é por causa da tua justiça que o Senhor teu Deus te dá esta boa terra para possuí-la, pois tu és povo obstinado.
⁷ Lembra-te, e não te esqueças, de que muito provocaste à ira ao Senhor teu Deus no deserto; desde o dia em que saístes do Egito, até que chegastes a esse lugar, rebeldes fostes contra o Senhor;
⁸ Pois em Horebe provocastes à ira o Senhor, tanto que o Senhor se indignou contra vós para vos destruir.
⁹ Subindo eu ao monte a receber as tábuas de pedra, as tábuas da aliança que o Senhor fizera convosco, então fiquei no monte quarenta dias e quarenta noites; pão não comi, e água não bebi;
¹⁰ E o Senhor me deu as duas tábuas de pedra, escritas com o dedo de Deus; e nelas estava escrito conforme a todas aquelas palavras que o Senhor tinha falado convosco no monte, do meio do fogo, no dia da assembléia.
¹¹ Sucedeu, pois, que ao fim dos quarenta dias e quarenta noites, o Senhor me deu as duas tábuas de pedra, as tábuas da aliança.
¹² E o Senhor me disse: Levanta-te, desce depressa daqui, porque o teu povo, que tiraste do Egito, já se tem corrompido; cedo se desviaram do caminho que eu lhes tinha ordenado; fizeram para si uma imagem de fundição.
¹³ Falou-me ainda o Senhor, dizendo: Atentei para este povo, e eis que ele é povo obstinado;
¹⁴ Deixa-me que os destrua, e apague o seu nome de debaixo dos céus; e te faça a ti nação mais poderosa e mais numerosa do que esta.
¹⁵ Então virei-me, e desci do monte; o qual ardia em fogo e as duas tábuas da aliança estavam em ambas as minhas mãos.
¹⁶ E olhei, e eis que havíeis pecado contra o Senhor vosso Deus; vós tínheis feito um bezerro de fundição; cedo vos desviastes do caminho que o Senhor vos ordenara.
¹⁷ Então peguei das duas tábuas, e as arrojei das minhas mãos, e as quebrei diante dos vossos olhos.
¹⁸ E me lancei perante o Senhor, como antes, quarenta dias, e quarenta noites; não comi pão e não bebi água, por causa de todo o vosso pecado que havíeis cometido, fazendo mal aos olhos do Senhor, para o provocar à ira.
¹⁹ Porque temi por causa da ira e do furor, com que o Senhor tanto estava irado contra vós para vos destruir; porém ainda por esta vez o Senhor me ouviu.
²⁰ Também o Senhor se irou muito contra Arão para o destruir; mas também orei por Arão ao mesmo tempo.
²¹ Porém eu tomei o vosso pecado, o bezerro que tínheis feito, e o queimei a fogo, e o pisei, moendo-o bem, até que se desfez em pó; e o seu pó lancei no ribeiro que descia do monte.
²² Também em Taberá, e em Massá, e em Quibrote-Hataavá provocastes muito a ira do Senhor.
²³ Quando também o Senhor vos enviou de Cades-Barnéia, dizendo: Subi, e possuí a terra, que vos tenho dado: rebeldes fostes ao mandado do Senhor vosso Deus, e não o crestes, e não obedecestes à sua voz.
²⁴ Rebeldes fostes contra o Senhor desde o dia em que vos conheci.

²⁵ E prostrei-me perante o Senhor; aqueles quarenta dias e quarenta noites estive prostrado, porquanto o Senhor dissera que vos queria destruir.
²⁶ E orei ao SENHOR, dizendo: Senhor DEUS, não destruas o teu povo e a tua herança, que resgataste com a tua grandeza, que tiraste do Egito com mão forte.
²⁷ Lembra-te dos teus servos, Abraão, Isaque, e Jacó. Não atentes para a dureza deste povo, nem para a sua impiedade, nem para o seu pecado;
²⁸ Para que o povo da terra donde nos tiraste não diga: Porquanto o Senhor não os pôde introduzir na terra de que lhes tinha falado, e porque os odiava, os tirou para matá-los no deserto;
²⁹ Todavia são eles o teu povo e a tua herança, que tiraste com a tua grande força e com o teu braço estendido. 

(Deuteronômio 9:1-29) 

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No artigo anterior (RESGATANDO O CONCEITO BÍBLICO SOBRE A SALVAÇÃO EM JESUS CRISTO (PARTE 7): A EXPIAÇÃO), vimos como Deus providenciou uma forma daqueles dentre Seu povo escolhido, descendentes de Abraão, Isaque e Jacó, não serem impedidos por seus pecados de se aproximarem de Deus. Deus instituiu o sacrifício de um cordeiro sem defeito como o meio pelo qual o pecado, tanto individual como coletivo, fosse coberto pelo sangue derramado daquele animal. No entanto, como foi apresentado naquele artigo, essa prática era repetida com frequência, porque o problema do interior do homem - sua natureza pecaminosa, inclinada continuamente para o pecado e para o distanciamento de Deus - não fora ainda resolvido.

Avançando um pouco mais na história da salvação, em direção ao livro de Deuteronômio, encontramos um cenário de apostasia (o termo significa abandono da fé; no caso, abandono de Deus, resultado da continuidade do distanciamento, que vai se agravando progressivamente) que vai se intensificando cada vez mais. Observe que apesar das grandes maravilhas que Deus realizou na vida daquelas pessoas isso não resultou em um aumento progressivo do relacionamento com Deus:

1. No Egito, Deus fez grandes sinais (RESGATANDO O CONCEITO BÍBLICO SOBRE A SALVAÇÃO EM JESUS CRISTO: PARTE 4 ), libertando o povo da opressão da escravidão. Deus havia prometido a eles levá-los a uma terra boa e próspera ("terra que mana leite e mel").

2. Na peregrinação em direção a terra que Deus havia prometido, Deus continuou realizando suas maravilhas: 

a) quando o povo teve sede, purificou águas insalubres (Êxodo 15:22-25);

b)  quando tiveram fome, Deus enviou pão do céu - o maná (Êxodo 16:1-4) e codornizes (Êxodo 16:11-13); 

c) fez brotar água da rocha (Êxodo 17:1-7) para mais uma vez dessedentar Seu povo;

d) deu Seus mandamentos em meio a um cenário sobrenatural: quando o Senhor desceu sobre o monte onde Moisés havia subido, este monte fumegava e buzinas tocavam, houve relâmpagos e trovões e um forte clangor de trombeta (Êxodo 19). Na ocasião, a intenção de Deus era que Seu povo fosse um reino de sacerdotes e nação santa (Êxodo 19:1-6) (no entanto, enquanto tudo isso estava acontecendo, o povo havia construído um ídolo - um bezerro de ouro - para adorar a esse bezerro).

Nada disso produziu fé permanente no coração daquelas pessoas. Todas as impressões sobrenaturais que tiveram foram apenas momentâneas; passados os dias, rapidamente esqueciam de tudo o que Deus havia feito na vida delas e voltavam a desviarem-se de Deus. O Livro de Números vai relatar uma série de ações do povo em rebelião contra Deus, demonstrando uma assustadora falta de fé: diante da terra prometida, Moisés envia 12 espias devido ao terror do povo de Israel diante da perspectiva próxima da luta que eles sabiam ser iminente desde que deixaram o Egito (Números 13:17-20). As instruções dadas aos espias giram em torno de dois pontos: a elegibilidade do território para colonização e a força militar dos seus habitantes. O relato de 10 espias dos 12 que foram enviados é o pior possível: segundo eles, não haveria como entrar na terra que Deus (!!!) havia prometido porque o povo daquela terra era "mais forte do que eles" (Números 13:31-33). Dito de outro modo, é a manifestação mais uma vez da desconfiança do povo em relação a Deus, aquilo que vemos constantemente no Livro de Êxodo: Deus nos tirou do Egito para exterminar com a gente, isto é, Deus quer o nosso mal, não o nosso bem. Isso despertou a ira de Deus sobre eles!

Parênteses: Precisamos ver milagres, sinais e maravilhas para poder crer em Deus? Ou seja, são esses milagres, sinais e maravilhas que possibilitarão que creiamos em Deus e no que Deus diz? A resposta, que vem diretamente da leitura bíblica, é um sonoro e eloquente não. Há abundância de sinais, prodígios, maravilhas, milagres no Antigo (e no Novo) Testamento; a despeito disso, a incredulidade humana insistentemente permanece - e é crescente.

O fato é que a incredulidade é "marca registrada" do ser humano. A humanidade simplesmente se recusa a crer em Deus. A fé é "fé da boca para fora", e o amor a Deus é "como a nuvem da manhã e como o orvalho da madrugada, que cedo passa" (Oséias 6:4). Veja quão profundo foi o estrago que nós fizemos a nós mesmos lá, no Éden! A incredulidade é sempre crescente no ser humano, que prefere confiar em si mesmo, em suas capacidades e recursos, do que em Deus. Prefere confiar em seus códigos "made by themselves" do que na Palavra de Deus, naquilo que Deus efetivamente falou e que foi registrado na Bíblia Sagrada. Nossa suposta espiritualidade e fé, via de regra, se baseiam em "escambo com Deus" ("sacrifícios modernos"), do "eu dou isso e aquilo para Deus de forma que Ele vai me dar o que eu quero", como se Deus precisasse de alguma coisa nossa, como se tudo que houvesse no Universo não houvesse sido criado por Deus e não pertencesse ao Seu Supremo Criador! Nossa fé, quando existe, precisa do suporte de "objetos materiais consagrados" aos quais atribuímos poderes sobrenaturais, mas nos recusamos a colocar nossa fé no Deus invisível e imaterial! Temos sempre desconfianças e reservas em relação a Deus, estamos sempre de prevenção em relação à Ele, precisando sempre de "garantias" de que Ele irá nos ouvir e atender.

O que vemos hoje é exatamente o que Deus disse a Moisés sobre Seu povo: por causa da incredulidade, eles eram rebeldes e obstinados, provocando vez após vez a ira do Senhor. Por favor, entenda: Deus não é alguém de se irar à toa, por qualquer motivo. Por outro lado, a Bíblia nos mostra que sim, Ele pode se irar conosco dependendo da forma que escolhemos agir. Paulo, apóstolo de Cristo, escrevendo aos cristãos que estavam na cidade de Roma (Romanos 1:18-32), fala sobre o tema:

¹⁸ Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça.
¹⁹ Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque Deus lho manifestou.
²⁰ Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis;
²¹ Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu.
²² Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos.
²³ E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis.
²⁴ Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si;
²⁵ Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém.
²⁶ Por isso Deus os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza.
²⁷ E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro.
²⁸ E, como eles não se importaram de ter conhecimento de Deus, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm;
²⁹ Estando cheios de toda a iniqüidade, fornicação, malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade;
³⁰ Sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais e às mães;
³¹ Néscios, infiéis nos contratos, sem afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia;
³² Os quais, conhecendo o juízo de Deus (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem.

Paulo nos diz que a ira de Deus é revelada a nós. A ira de Deus, devida aos pecados dos homens. Todos nós, mais ou menos, fazemos o que sabemos ser errado e omitimos o que sabemos ser certo, de modo que a alegação de ignorância não pode ser permitida por parte de ninguém. O poder invisível e a Divindade do nosso Criador são tão claramente mostrados nas obras que ele fez, que toda a humanidade fica sem desculpa por não querer crer e obedecer. A humanidade se afasta de Deus, até o limite que todos os vestígios da verdadeira fé tivessem sido perdidos se não fosse a misericórdia de Deus em preservar sobrenaturalmente às Escrituras Sagradas para todas as gerações.  Note que nosso estado de apostasia em relação a Deus que Jesus, falando de Si mesmo, disse "que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más" (João 3:19); noutras palavras, a luz veio mas preferimos permanecer nas trevas do que renunciá-las e ir para a luz. O que fazemos, escolhendo as trevas à luz por conta do nosso coração impenitente e duro, é o que Paulo vai chamar de "entesourar ira" para nós mesmos (Romanos 2:5-8):

⁵ Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus;
⁶ O qual recompensará cada um segundo as suas obras; a saber:
⁷ A vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, honra e incorrupção;
⁸ Mas a indignação e a ira aos que são contenciosos, desobedientes à verdade e obedientes à iniqüidade.

Observe que a ira de Deus é contra o pecado e contra aqueles que insistentemente escolhem permanecer no pecado (leia mais em: PECADORES NAS MÃOS DE UM DEUS IRADO). Logo, a ira de Deus não é algo que reside nele por natureza; é uma resposta ao mal. É provocada. A Bíblia diz: “Deus é amor”. Essa é a sua natureza. O amor de Deus não é provocado. Ele não nos ama porque vê alguma sabedoria, beleza ou bondade em nós. Ele ama você porque assim o quis (Deuteronômio 7:7). Mas a ira de Deus é diferente, é a sua resposta santa à intrusão do mal no seu mundo. Se não houvesse pecado no mundo, não haveria ira em Deus. A ira de Deus é a sua resolução estabelecida de que o mal não subsistirá para sempre, mas que haverá um dia onde esse mal será extinto, para sempre. Toda a história bíblica leva a um dia em que Deus lidará com todo o mal de forma completa, definitiva e para sempre. Este será o dia da ira, quando Deus recompensará todo mal e levará a julgamento todo pecado. Deus fará isso com perfeita justiça. A punição para cada pecado corresponderá ao crime. Quando o julgamento for feito, todas as bocas serão caladas porque todos saberão que Deus julgou com retidão e justiça.

Parênteses: Observe que o estado desse mundo é tanto o resultado da nossa horrenda natureza de pecado e o resultado do juízo de Deus sobre ela. A ganância, a inveja, a discórdia, o engano, a violência e a falta de fé, que Paulo fala em Romanos, são o resultado dos homens não quererem reconhecer a Deus como Deus, sendo então eles entregues por Deus aos seus próprios sentimentos perversos, de forma a permitir que esses homens vivam como bem quiserem. "Preferiram o mal do que a Mim; então, que vivam no mal que escolheram como modo de vida". O mal sem freio é parte do juízo de Deus sobre os que amam o mal. Deus jamais obrigará alguém a se relacionar com Ele e a recíproca é também verdadeira: ninguém jamais poderá obrigar a Deus a aceitar o mal ou a ter um relacionamento com aqueles que vivem na prática do mal.   

Parênteses: Em João 3:36, Jesus disse: “Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece”. Por natureza, somos filhos da ira (Efésios 2:3). É o estado em que nascemos. Qual é, no final das contas, o maior problema humano? Não é que estejamos perdidos e precisemos encontrar o nosso caminho numa jornada espiritual. Não é que estejamos feridos e precisemos ser curados. O cerne do problema humano é que somos pecadores sob o julgamento de Deus, e a ira divina paira sobre nós, a menos e até que seja eliminada.

No entanto, aqui encontramos mais um elemento importante para compreendermos o conceito bíblico de salvação em Jesus Cristo. Quando, diante da obstinação e rebelião do povo de Israel, Deus em sua Santa ira fala a Moisés que iria destruí-los, Moisés intercede por eles!  Moisés implorou a Deus que não destruísse aquele povo que era seu, que ele redimiu para si e tirou do Egito; rogou-lhe que se lembrasse de seus piedosos ancestrais e não olhasse para a teimosia e o pecado do povo; e instou que a honra divina estivesse preocupada em serem conduzidos a terra prometida por juramento, não os deixando perecer no deserto.

Interceder é um termo que significa "suplicar, orar, pedir". Em grego, expressa aquele que intercede, implora a favor ou contra algo ou alguém em um caso específico. Por exemplo: no caso da lei, qualquer pessoa que interceda a favor ou contra outra pessoa está defendendo ou processando, mas ainda assim está intercedendo. Pode ser definida, então, como sendo "a ação de intervir em nome de outra pessoa ou grupos de pessoas". O verbo interceder vem da raiz latina das palavras inter, que significa "entre", e cedere, que significa "ir". Agir como intermediário é exatamente o que você faz quando intercede. Ao interceder, você tenta ajudar as pessoas a resolverem suas diferenças ou a conseguir algo, como quando você intercede em nome de seu amigo para encorajar seu chefe a contratá-lo, ou quando amigos rivais entre si lhe pedem para interceder, orientando-os a resolver suas diferenças. 

Moisés foi o maior exemplo de intercessor no Antigo Testamento, ilustrando a importância de se colocar entre Deus e as pessoas, rogando para que Deus as salve e abençoe. Ele fez isso em inúmeras ocasiões, sempre em razão da dureza do coração do povo eleito de Deus, os quais insistentemente provocavam Deus à ira. E Deus ouvia Moisés quando este intercedia. Isso mostra que o papel do intercessor é fundamental: é preciso que haja alguém que se ponha diante de Deus para pedir o favor Dele em prol de alguém; isso é exemplo de fé e de amor, tanto pelo próximo quanto por Deus.  

O Novo Testamento traz a revelação de Jesus como sendo o intercessor fiel de todo aquele que Nele crê e confia. Moisés, exemplo de intercessor no Antigo Testamento, logicamente faleceu há muitos séculos; no entanto, Cristo ressuscitou e hoje está vivo, junto a Deus Pai, intercedendo continuamente por aqueles que por Ele se chegam a Deus: "²⁵ Portanto, pode também salvar perfeitamente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles" (Hebreus 7:25; ver também Romanos 8:34). Aqueles que crêem em Cristo tem a Cristo como Supremo Sumo-sacerdote, por eles sempre intercedendo no céu; na Terra, a Bíblia ensina que o Espírito Santo intercede por eles, no interior deles mesmos, com gemidos inexprimíveis (Romanos 8:26) para a compreensão humana, mas plenamente compreendidos “por Aquele que sonda os corações”. É Ele, o Espírito Santo de Deus (que é uma das 3 pessoas da Divina Trindade) quem conhece a necessidade real de cada um de nós, reconhecendo que esta ou aquela necessidade tem destaque. 

Se o Senhor não interviesse Moisés teria sido apedrejado pelo povo de Israel, inflamado em sua incredulidade pelo relato dos 10 espias incrédulos (Números 14:10). Deus disse a Moisés que iria destruir a todos eles (Números 14:11,12):

¹¹ E disse o Senhor a Moisés: Até quando me provocará este povo? e até quando não crerá em mim, apesar de todos os sinais que fiz no meio dele?
¹² Com pestilência o ferirei, e o rejeitarei; e te farei a ti povo maior e mais forte do que este.
 

Moisés então intercedeu pelo povo de Deus e a Bíblia diz que Deus os perdoou conforme a intercessão de Moisés (Números 14:20). Eles não seriam exterminados enquanto povo; no entanto, como consequência da incredulidade contínua (a Bíblia fala que por 10 vezes eles provocaram a Deus, sendo desobedientes, Números 14:22), Deus diz que a geração daqueles que "viram a minha glória e os meus sinais, que fiz no Egito e no deserto" não entrariam na terra que Deus havia jurado a Abraão, Isaque e Jacó (Números 14:21-23; 27-38):

²⁸ Dize-lhes: Vivo eu, diz o Senhor, que, como falastes aos meus ouvidos, assim farei a vós outros.
²⁹ Neste deserto cairão os vossos cadáveres, como também todos os que de vós foram contados segundo toda a vossa conta, de vinte anos para cima, os que dentre vós contra mim murmurastes;
³⁰ Não entrareis na terra, pela qual levantei a minha mão que vos faria habitar nela, salvo Calebe, filho de Jefoné, e Josué, filho de Num.
³¹ Mas os vossos filhos, de que dizeis: Por presa serão, porei nela; e eles conhecerão a terra que vós desprezastes.
³² Porém, quanto a vós, os vossos cadáveres cairão neste deserto. 

A intercessão de Moisés fez com que Deus poupasse a vida do Seu povo; porém não evitou que eles colhessem o fruto amargo da sua incredulidade e desobediência. Viveram às portas da terra prometida, sem nela poderem entrar. A terra tão ansiada por eles foi-lhes negada por não quererem crer em Deus e obedecer à Sua voz. Agora, veja o que é dito na epístola aos Hebreus (Hebreus 3:7-19):

⁷ Portanto, como diz o Espírito Santo: Se ouvirdes hoje a sua voz,
⁸ Não endureçais os vossos corações,Como na provocação, no dia da tentação no deserto.
⁹ Onde vossos pais me tentaram, me provaram,E viram por quarenta anos as minhas obras.
¹⁰ Por isso me indignei contra esta geração, E disse: Estes sempre erram em seu coração, E não conheceram os meus caminhos.
¹¹ Assim jurei na minha ira Que não entrarão no meu repouso.
¹² Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo.
¹³ Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado;
¹⁴ Porque nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim.
¹⁵ Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, Não endureçais os vossos corações, como na provocação.
¹⁶ Porque, havendo-a alguns ouvido, o provocaram; mas não todos os que saíram do Egito por meio de Moisés.
¹⁷ Mas com quem se indignou por quarenta anos? Não foi porventura com os que pecaram, cujos corpos caíram no deserto?
¹⁸ E a quem jurou que não entrariam no seu repouso, senão aos que foram desobedientes?
¹⁹ E vemos que não puderam entrar por causa da sua incredulidade. 

Entendeu o texto? O autor diz que a incredulidade do povo de Deus no tempo de Moisés, resultou na morte de toda uma geração que saiu do Egito, no deserto, fora da terra prometida (o registro encontra-se em Números 14:21-24;26-38). De fato, apenas a geração que nasceu no deserto, descendentes daqueles que foram o Egito libertos, é que entraram na terra (salvo duas famílias, de 2 espias chamados Josué e Calebe, que tiveram fé em Deus mesmo diante da incredulidade dos outros 10). Eles nunca experimentaram a paz de se estabelecer e aproveitar aquilo que Deus lhes havia prometido. Esse episódio foi correlacionado, para nossa exortação, da possibilidade de nós também não podermos entrar naquilo que ele chamou de "repouso para o povo de Deus" (Hebreus 4:9-11) pela mesma razão - a desobediência, que é fruto da incredulidade: 

⁹ Portanto, resta ainda um repouso para o povo de Deus.
¹⁰ Porque aquele que entrou no seu repouso, ele próprio repousou de suas obras, como Deus das suas.
¹¹ Procuremos, pois, entrar naquele repouso, para que ninguém caia no mesmo exemplo de desobediência. 

Observe: Deus tratou com severidade aqueles que eram incrédulos e desobedientes, com respeito àquele que era meramente um simples servo, Moisés. O que esperar, então, em relação àqueles que agissem do mesmo modo em relação ao Seu Filho? Os julgamentos de Deus executados sobre os pecadores em épocas passadas, servem para a reprovação e instrução daqueles que vieram depois, revelando uma maior amplitude e seriedade desses julgamentos. Aquelas pessoas ficaram de fora da terra prometida; você e eu podemos ficar fora do céu prometido àqueles que crêem em Jesus. Por isso, o autor do texto aos Hebreus diz que eles não deveriam, em hipótese alguma, endurecerem seus corações quando ouvissem a voz de Deus falando com eles no evangelho. 

Querido(a) leitor(a), como já dito anteriormente, há uma terra prometida onde os salvos em Cristo irão habitar. É um novo céu e uma nova terra, onde habita a justiça, que nãos e restringirá a um país em particular mas que se estenderá mundo à fora (2 Pedro 3:13; Apocalipse 21:1). Deus limpará dos olhos dos salvos em Cristo toda a lágrima; e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor (Apocalipse 21:4). Sobre essa época, é dito (Apocalipse 22:3-5): 

³ E ali nunca mais haverá maldição contra alguém; e nela estará o trono de Deus e do Cordeiro, e os seus servos o servirão.
⁴ E verão o seu rosto, e nas suas testas estará o seu nome.
⁵ E ali não haverá mais noite, e não necessitarão de lâmpada nem de luz do sol, porque o Senhor Deus os ilumina; e reinarão para todo o sempre. 
  

No entanto, para poder viver nessa nova realidade, é preciso ter seu nome escrito no Livro da Vida do Cordeiro (Jesus), o que só é possível se você aceitá-lo como seu único e suficiente salvador pessoal. Ele morreu e ressuscitou para que você possa ter seus pecados perdoados, mas é preciso que você decida-se por Ele no tempo que se chama Hoje. Postergar essa decisão não é uma escolha sábia; afinal de contas, não sabemos quando passaremos dessa vida material à eternidade. Não sabemos quando é a nossa hora, nem em que circunstâncias ela chegará a nós; só podemos ter a certeza de que essa hora virá um dia. E uma vez tendo passado à eternidade, as nossas escolhas que fizemos nessa vida irreversivelmente nos acompanharão para sempre. Deus nos dá o hoje, querido(a) leitor(a), para tomarmos a nossa decisão. Voltemos ao artigo da semana anterior: você precisa ter seus pecados expiados de forma definitiva!

Talvez você diga: "mas, eu conheço muita gente que diz ter aceito a Jesus como Senhor e Salvador e que vive de forma totalmente contrária ao que você diz". Sim, é verdade:  muita gente que diz que aceitou, vive de forma como se nunca tivesse aceito a Cristo em sua vida. Eles dizem ter relacionamento com Deus, mas será que isso é verdade mesmo? Ou será que eles encontraram apenas a religião que fala sobre Deus e se tornaram adeptos dessa religião? Veja: alguém pode dizer qualquer coisa sobre si mesmo, mas será que o que é dito corresponde a verdade? Há pessoas que infelizmente são frequentadores de religião, mas que ouvirão um dia do próprio Senhor Jesus, como Ele mesmo diz, "nunca conheci vocês" (Mateus 7:21-23):

²¹ Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.
²² Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas?
²³ E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade.


Não é, portanto, a confissão de fé que vale, mas sim a realidade daquilo que é confessado que tem valor para Deus, percebe? Muitos naquele dia irão falar que  fizeram várias coisas em nome de Cristo, mas isso não adiantará. Quanto mais se aproxima o dia da ira de Deus (dia da ira vindoura), mais e mais pessoas viverão de modo a escandalizarem umas às outras (leia mais em: ESCANDALOSOS E SEUS ESCÂNDALOS). O amor se esfria enquanto o mal cada vez é mais aquecido pelo inferno. A Bíblia cumpre-se diante dos nossos olhos. O fato é que cada um dará contas de si, do que fez de Cristo Jesus, inclusive eu e você. O que Deus espera de nós é que tomemos nossa decisão por Cristo independentemente do que outros dizem e fazem, pois a salvação é algo pessoal. Reconhecermos o mal na vida dos outros não nos faz melhores do que eles, não nos torna mais justos e, portanto, merecedores da absolvição por nossos pecados. No final das contas, o que permanece é a realidade de que precisamos de Deus URGENTEMENTE, independentemente do que falamos sobre Deus ou sobre nós mesmos. Se formos sinceros conosco mesmo e com Deus, Jesus promete que nos salvará e conosco estará todos os dias; Ele intercederá de contínuo junto ao Pai e o Espírito Santo intercederá por nós, dentro de nós, nos conduzindo em fé em meio a esse mundo mal e cruel. 

Moisés intercedeu por Israel. Jesus intercede pelos Seus, mas diferentemente de Moisés, Jesus apresenta um elemento adicional nessa intercessão: Seu próprio sangue, derramado na cruz. Na cruz, a ira de Deus sobre o pecado é posta em Cristo; Ele leva sobre si os nossos pecados. Nele, a justiça de Deus é satisfeita. Por isso, aqueles que crêem em Cristo, de verdade, não entram mais em condenação pelo pecado: "¹ Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito" (Romanos 8:1 ver também 8:34). Nenhuma acusação pesa mais contra eles, porque Deus, o próprio Deus, quem os justifica: "³³ Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica" (Romanos 8:33). E nada, nem ninguém, nem no passado nem no futuro, pode separá-los do amor de Cristo (Romanos 8:35-39). 

Jesus intercedeu na cruz por seus algozes (Lucas 23:34) e como resultado eles não foram mortos ali, naquele momento, mas isso não impediu eles passarem pelo juízo de Deus. Entrar no repouso de Deus depende da fé, não dos méritos humanos. Assim, a misericórdia de Deus no tempo presente deve ser aproveitada de forma sábia e prudente, colocando Jesus como o centro da sua vida. A decisão, querido(a) leitor(a), é e sempre será somente sua. Eu aconselho a tomar a decisão em favor de Cristo, mas você é quem decide! Pense nisso!  

domingo, 8 de outubro de 2023

RESGATANDO O CONCEITO BÍBLICO SOBRE A SALVAÇÃO EM JESUS CRISTO (PARTE 7): A EXPIAÇÃO


¹ E esta é a lei da expiação da culpa; coisa santíssima é. ² No lugar onde degolam o holocausto, degolarão a oferta pela expiação da culpa, e o seu sangue se espargirá sobre o altar em redor. ⁷ Como a expiação pelo pecado, assim será a expiação da culpa; uma mesma lei haverá para elas; será do sacerdote que houver feito propiciação com ela. 

² Fala a toda a congregação dos filhos de Israel, e dize-lhes: Santos sereis, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo.

(Levítico 7:1,2,7; 19:2) 

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Expiação. Um termo que traz em seu bojo um conceito muito importante, que lemos no Livro de Levítico em várias passagens.  Uma das definições mais básicas desta palavra pode ser encontrada no Cambridge Dictionary: expiação é “algo que você faz para mostrar que está arrependido por algo que fez”. De acordo com a Enciclopédia Britânica, expiação é “o processo pelo qual uma pessoa remove obstáculos à sua reconciliação com Deus”. Finalmente, o Dictionary.com coloca desta forma a respeito da expiação: “é a satisfação ou reparação por um erro ou lesão”. Esse termo deriva-se do hebraico kaphar, kopher ou kippur (transliterado), possuindo como significados "cobrir", "cobertura", "pacificar", "fazer propiciação".

A necessidade de expiação surge justamente da separação que havia entre um Deus que é Santo do homem que é pecador. Santidade e pecado, com seus derivados e manifestações, são coisas totalmente opostas e irreconciliáveis.  Não pode haver comunhão em hipótese alguma entre o Sacrossanto Deus, que é Santo, Santo e Santo, e o homem pecador sem que esse homem tenha seus pecados expiados por Deus. O apóstolo Paulo nos ensina que o justo pagamento (salário) pelo pecado é a morte (Romanos 6:23); logo, todo homem em seu estado de pecado está invariavelmente destinado a morrer um dia, estando desde já na condição de morto espiritual em relação a Deus. Todos nós somos, por assim dizer, mortos-vivos: vivos biologicamente enquanto a vida do corpo durar, mas mortos espiritualmente para com Deus, Dele separados por termos uma condição espiritual totalmente diferente da Dele - a santidade. E, como temos visto até aqui, não há nada que possamos fazer para consertar isso. 

Ora, como pode esse Deus se relacionar então com o homem? Conforme estamos vendo, Deus ordenou a Israel, Seu povo, que para que houvesse paz entre Deus e eles, os pecados deveriam ser cobertos; e o elemento que faria essa cobertura era o sangue de um cordeiro, o qual deveria ser morto em favor do transgressor. Esse carneiro deveria ser sem defeito (ou seja, não poderia ser coxo, ou com má-formação, ou com qualquer tipo de doença). Já que  estamos em estado de morte, Deus determinou que por meio da morte de um animal, sacrificado em favor da pessoa, esse relacionamento poderia provisoriamente acontecer com Ele. Sim, provisoriamente: todas as vezes que havia a transgressão da Lei de Deus por alguém, o sacrifício de um cordeiro deveria ser feito. Esse sacrifício era, então, substitutivo, ou seja, o cordeiro sem defeito substituía o transgressor, morrendo em seu lugar; no entanto, tinha seu efeito temporário, devendo ser repetido com frequência. Esse cordeiro levava sobre si os pecados da pessoa e, ao morrer, a pessoa tinha o seu pecado coberto. Na prática, a pessoa que estava oferecendo o animal se identificava com ele. Ao matar o animal, era como se a mesma estivesse ali, sendo morta, pelo pecado cometido. Com o sacrifício, o pecador era perdoado, restabelecendo a comunhão na presença de Deus.

O sacrifício se relaciona intimamente com a santidade de Deus. Deus é Santo e não pode tolerar a presença do pecado e da impureza; assim, Ele exige santidade de todos os Seus servos e filhos ("²⁶ E ser-me-eis santos, porque eu, o Senhor, sou santo, e vos separei dos povos, para serdes meus", Levítico 20:26)! Deste modo, Levítico ensina que Deus está separado do mundo existente, e que somente aqueles que também são separados da mácula do pecado são permitidos na Sua presença.  

Nos chama atenção a amplitude, em termos de variação temática, da lista de ordenanças, mandamentos, estatutos e juízos que Deus ordenou a Israel ("Eu sou o Senhor, vosso Deus"), refletindo os Dez Mandamentos (muito mal comparando, seria a regulamentação de regras gerais que Deus deu ao Seu povo por meio de Moisés). Veja, por exemplo, Levítico capítulos 18, 19, 20 e 21. Essa amplitude nos revela que Deus leva muito a sério o assunto santidade; não é um assunto trivial, mas sim de imensa importância diante do Senhor. Dizendo de outro modo,  para termos um relacionamento com Deus só se for nas bases que Ele estabeleceu, não nas nossas bases. Nossas bases são muito opostas às de Deus! E a base de Deus sempre será a santidade, a qual, aliás, é a doutrina central do Livro de Levítico!

Veja como isso é atual: todos nós queremos dizer para Deus o que achamos que é certo em matéria da nossa vida. Dizemos para Deus que podemos viver como bem quisermos e que Ele tem que aceitar isso sem nada dizer, sem termos nenhuma responsabilidade para com Ele ou com para o nosso próximo. Assim é, por exemplo, em relação ao sexo, com o crescimento estratosférico daquilo que Deus classifica como porneia, termo grego para imoralidade sexual em todas as suas formas; assim é, também, com a cruel exploração do pobre, com a violência (aqui, do "8 ao 80", desde a crueldade com animais e o bullying até estupros, infanticídios, feminicídios e homicídios), corrupção desenfreada, divórcios por razões banais, e por aí vai. Assim o é também com nossas religiões, que por nós foram criadas, com seus mais diferentes códigos, ritos e práticas; deuses que criamos, à nossa imagem e semelhança, tal como os deuses grego-romanos (Zeus, Poseidon, Hefesto e outros tantos). Em tudo, ignoramos Deus. Em tudo, dizemos para Deus que é a nossa vontade que deve prevalecer, doa a quem doer. E depois dizemos que temos fé em Deus, que cremos em Deus e que está tudo bem entre nós e Ele. Tudo isso se resume a um ponto só: estamos afastados de Deus, do Deus que nos criou e que tem nos dado o ar que respiramos, a água que bebemos, o pão nosso de cada dia, a vida e tudo mais. Como diz o Livro de Eclesiastes: "E descobri também que embora Deus tenha criado o homem justo, cada um preferiu cuidar da vida a seu modo, e todos acabaram se desviando" (Ec 7:29).

Parênteses: Aqui, vale mencionar o que a literatura registra como "ato divino" dos deuses gregos. Segundo consta, Poseidon simplesmente estuprou Medusa, uma das mais fiéis devotas de Atenas, para se vingar da "deusa da beleza". Medusa, além de estuprada por Poseidon, teve ainda transformado seus cabelos em cobra por Atenas que a culpava pela situação, lançando sobre ela ainda uma maldição de que qualquer pessoa que olhasse para ela seria transformada em pedra (ref.: Medusa: violência, injustiça e a cultura do estupro). Na mitologia nórdica, a deusa Freya teve experiências sexuais com todos os deuses e  elfos reunidos no banquete (ref.: Sexualidade e divindade na Mitologia Nórdica).

Parênteses: Nada - muito menos a religião, qualquer que seja - pode servir de suporte para a violência qualquer que seja (psicológica, moral ou sexual ou qualquer outra). É o cúmulo do absurdo uma pessoa que diz crer em um Deus que é Santo, Justo e Bom e ser praticante da violência e da maldade, desgraçando vidas preciosas pelas quais Cristo morreu! No dia do Juízo, creia, todos esses ditos "servos de Deus", do presente e do passado, como Jim Jones, David Koresh e Marshall Applewhite, só para citar alguns, vão responder ainda mais, eternamente, com as próprias almas, por esses (e outros) crimes! Já estão em um lugar de sofrimento hoje, aguardando esse dia, quando então ressuscitarão para responderem ao próprio Deus, o Juiz de vivos e de mortos!

Se pararmos um momento para refletir, chegamos num impasse: Para Deus se relacionar com o homem, este precisa ser santo, o que está muito, mais muito longe de o ser. Deus, que deseja que o homem criado por Ele possa ser restaurado e desfrutar do relacionamento com Deus, determina que o pecado seja expiado e, para isso, deve ser morto um cordeiro sem defeito e o sangue desse animal aspergido sobre o altar, que era o lugar de comunhão e de adoração a Deus, e sobre os utensílios do Tabernáculo que Deus mandou que Moisés fizesse, símbolo máximo da presença de Deus naquele período, no Antigo Testamento. O problema é que esse ato não resolvia o problema, precisando ser repetido continuamente. Por que? Porque esse ato não resolvia o problema do interior do homem, da sua natureza decaída. Era um paliativo até que viesse a solução definitiva.

Como você, querido(a) leitor(a) já concluiu, a solução definitiva é uma pessoa, cujo nome é Jesus. Ele foi reconhecido como sendo "Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" (João 1:29,36). Ele foi o cordeiro sem defeito (imaculado) e incontaminado (1 Pedro 1:19). O próprio Senhor, em sua última refeição com seus apóstolos, afirmou que eles estavam comendo da sua carne e bebendo do seu sangue, tipificados ali no pão e no vinho (Mateus 26:26-28). Esse era o sangue do pacto, da Nova Aliança, que Deus estava fazendo com o homem, sendo derramado por muitos (Marcos 14:24; Lucas 22:24). Veja o que Jesus mesmo disse sobre sua carne e sobre seu sangue:

⁵³ Jesus, pois, lhes disse: Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos.
⁵⁴ Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia.
⁵⁵ Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida.
⁵⁶ Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.
⁵⁷ Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim.
(João 6:53-57)

É com base no sangue que Jesus derramou na cruz que somos justificados (declarados justos, independentemente da continuidade da natureza pecaminosa em nós - isso é assunto que veremos na continuidade desse estudo) por Deus e salvos de Sua ira que paira sobre aqueles que Paulo chama de filhos da desobediência ou filhos da ira (Romanos 5:9; Efésios 2:1-3). Por esse sangue temos a redenção dos nossos pecados (nosso resgate por Deus) (Efésios 1:7). Esse precioso Sangue de Jesus foi derramado de uma vez por todas, acabando de uma vez por todas com a necessidade da repetição contínua de sacrifícios pelo pecado:

¹¹ Mas, vindo Cristo, o sumo sacerdote dos bens futuros, por um maior e mais perfeito tabernáculo, não feito por mãos, isto é, não desta criação,
¹² Nem por sangue de bodes e bezerros, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez no santuário, havendo efetuado uma eterna redenção.
¹³ Porque, se o sangue dos touros e bodes, e a cinza de uma novilha esparzida sobre os imundos, os santifica, quanto à purificação da carne,
¹⁴ Quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará as vossas consciências das obras mortas, para servirdes ao Deus vivo?
¹⁵ E por isso é Mediador de um novo testamento, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões que havia debaixo do primeiro testamento, os chamados recebam a promessa da herança eterna.
(Hebreus 9:11-15)

¹ Porque tendo a lei a sombra dos bens futuros, e não a imagem exata das coisas, nunca, pelos mesmos sacrifícios que continuamente se oferecem cada ano, pode aperfeiçoar os que a eles se chegam.
² Doutra maneira, teriam deixado de se oferecer, porque, purificados uma vez os ministrantes, nunca mais teriam consciência de pecado.
³ Nesses sacrifícios, porém, cada ano se faz comemoração dos pecados,
⁴ Porque é impossível que o sangue dos touros e dos bodes tire os pecados.
¹⁰ Na qual vontade temos sido santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez.
¹¹ E assim todo o sacerdote aparece cada dia, ministrando e oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca podem tirar os pecados;
¹² Mas este, havendo oferecido para sempre um único sacrifício pelos pecados, está assentado à destra de Deus,
¹⁴ Porque com uma só oblação aperfeiçoou para sempre os que são santificados.
¹⁵ E também o Espírito Santo no-lo testifica, porque depois de haver dito:
¹⁶ Esta é a aliança que farei com eles Depois daqueles dias, diz o Senhor:Porei as minhas leis em seus corações,E as escreverei em seus entendimentos; acrescenta:
¹⁷ E jamais me lembrarei de seus pecados e de suas iniqüidades.
¹⁸ Ora, onde há remissão destes, não há mais oblação pelo pecado.
(Hebreus 10:1-4, 10-12, 14-18)    

Percebeu? Pelo sacrifício que Cristo fez na cruz, derramando seu sangue por nós, temos a redenção definitiva dos nossos pecados. Com base nesse sacrifício, temos a segurança de que somos aceitos por Deus para termos comunhão com Ele; esse sacrifício restaura a nossa comunhão, que foi perdida no Éden, com o nosso Supremo Criador! E essa restauração tem eficácia eterna, ou seja, a nossa reconciliação tem efeito eterno! 

Observe que há um ponto aqui subjacente de grande importância que devemos compreender: assim como os cordeiros que eram sacrificados pelos homens no Antigo Testamento, Jesus levou sobre si os nosso pecados: "²⁴ Levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados" (1 Pedro 2:24). Por isso, querido(a) leitor(a), é que afirmamos de forma veemente: se você quiser ter o perdão dos seus pecados e a vida eterna, é preciso se identificar com Cristo. É preciso que você veja que aquela cruz era para ser, na verdade, a sua cruz! Era para você estar ali, sendo crucificado e morto, não o Senhor! Ele não tinha pecado e nem cometeu pecado algum, ao contrário de você e de mim! O pecado, querido(a) leitor(a), demanda que o pecador seja morto! Somos culpados diante de Deus e a justiça eterna demanda que paguemos com a própria vida por isso!  Daí, quando eu me identifico com Cristo (o que chamamos de "aceitar Jesus"), o que só é possível por meio da fé, é que somos salvos dos nossos pecados!  

Sim, Jesus levou sobre si as nossas transgressões, sendo moído por nossas iniquidades, como disse o profeta Isaías:

⁴ Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido.
⁵ Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniqüidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados.
 (Isaías 53:4,5)

Há, ainda, um aspecto muito importante que veremos mais a diante, que é revelado no versículo 16 acima, que assim como todo o que vimos tem grande importância na obra que Cristo fez na cruz! No entanto, pergunto nesse momento: como vai ser?  Como você, querido(a) leitor(a), agirá tendo agora este conhecimento, daquilo que Cristo fez por você? Crês tu em Deus, que enviou Seu filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna? Crês que Ele morreu por você, em seu lugar, que era você quem deveria ser morto ali, na cruz, por ser você - e não Ele - pecador? O que você fará em relação a esse tão grande amor, que de forma resoluta decidiu ir ao extremo máximo para salvar a nossa vida, sendo nós 100% não-merecedores disso?

Deixo para seu enlevo e meditação a música Pão da Vida, baseada em Isaías capítulo 53. Clique, ouça e medite. Que Deus possa iluminar seu coração e abençoar a sua vida!

 


Graça, fé, misericórdia e paz lhe sejam multiplicadas!

domingo, 1 de outubro de 2023

RESGATANDO O CONCEITO BÍBLICO SOBRE A SALVAÇÃO EM JESUS CRISTO: PARTE 6


²⁴ E a vós vos tenho dito: Em herança possuireis a sua terra, e eu a darei a vós, para a possuirdes, terra que mana leite e mel. Eu sou o Senhor vosso Deus, que vos separei dos povos.
(Levítico 20:24)

⁸ Eis que tenho posto esta terra diante de vós; entrai e possuí a terra que o Senhor jurou a vossos pais, Abraão, Isaque e Jacó, que a daria a eles e à sua descendência depois deles. (Deuteronômio 1:8)

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Semana passada, no artigo RESGATANDO O CONCEITO BÍBLICO SOBRE A SALVAÇÃO EM JESUS CRISTO: PARTE 5 , estudamos como Deus Todo-Poderoso firmou com o povo que Ele tirou do Egito, ainda no deserto, uma aliança, baseada em mandamentos, estatutos, preceitos e juízos que espelhavam ao Deus Santo, Justo e Bom, de forma que por meio dessa aliança o povo então poderia se relacionar com Deus na terra que seria dada a eles por promessa. Essa aliança, com diversos preceitos para as mais diferentes vertentes do relacionamento humano com o seu próximo e para com o próprio Deus, tinha como propósito maior dentro do plano da salvação tornar patente para o próprio homem sua falência espiritual, posto que ninguém, excetuando-se um só homem como veremos mais a frente nessa série de artigos, conseguiu cumpri-la. Foi naquele tempo e é também no nosso tempo: ninguém consegue em hipótese alguma cumprir a Lei de Deus; violando um j ou til dela, viola-se tudo. 

A quebra da Lei enseja em condenação da parte de Deus para o transgressor. Essa condenação tomava diversas formas, ressaltando o estado decaído do homem. O pecado, que é desobediência da Vontade de Deus, trouxe no Edén a nossa condenação à morte (que é tanto física quanto espiritual) e colocou-nos a todos debaixo de maldição.

Logo, aprendemos com isso que o relacionamento com Deus, para dar certo, não pode estar baseado na antiga aliança. Era impossível à lei remover o pecado, visto como estava enferma pela nossa natureza pecaminosa interior (Romanos 8:3). É preciso uma nova nova aliança, que de forma radical possa trazer todos os elementos necessários que a antiga aliança foi incapaz de produzir justamente porque não era esse o objetivo dela. 

É interessante notar que o plano da salvação envolve a escolha de pessoas específicas para, cada uma na sua época, serem usadas por Deus na preparação para a finalização do plano. Deus criou Adão, de Adão descendia Noé. Depois veio Abraão, seu Isaque e seu neto Jacó; depois Moisés e seu irmão Arão. E assim muitos e muitos se sucederam. Deus encontrou e usou pessoas imperfeitas, com a mesma natureza pecaminosa que eu e você possuímos, para seus Santos propósitos. De fato, como já vimos, não há impossíveis para Deus. 

É interessante notar também que a partir de uma pessoa (Abraão) Deus escolheu um povo para Si mesmo para ser sua propriedade particular, tendo como objetivo importantíssimo preservar o conhecimento e a adoração do Deus verdadeiro em meio à apostasia universal. Esse povo nada possuía de distintivo que ensejasse sua escolha: Deus mesmo diz isso em Deuteronômio 7:7,8: "⁷ O Senhor não tomou prazer em vós, nem vos escolheu, porque a vossa multidão era mais do que a de todos os outros povos, pois vós éreis menos em número do que todos os povos; ⁸ Mas, porque o Senhor vos amava, e para guardar o juramento que fizera a vossos pais, o Senhor vos tirou com mão forte e vos resgatou da casa da servidão, da mão de Faraó, rei do Egito." Esse povo era na verdade um grupo de escravos, oprimidos no Egito, em uma época onde não havia leis semelhantes as que tem hoje. Numa época em que a vida dos escravos estava nas mãos de seus opressores; se estes desejassem, esses escravos eram simplesmente mortos. Foi assim no Egito, com o assassinato de milhares de crianças descendentes dos hebreus por ordem de Faraó. Esse povo, liberto por Deus por meio de Moisés, foi guiado de forma sobrenatural por Deus por cerca de 40 anos no deserto, para por fim ser introduzido na terra que Deus havia dado por juramento a Abraão, Isaque e Jacó. Uma terra boa, rica e fértil, descrita na Bíblia como "terra que mana leite e mel". Uma terra repleta de todas as coisas boas, com todos os confortos da vida, com tudo tanto para necessidade quanto para deleite, onde eles teriam paz e segurança, com Deus habitando no meio deles.

Deus sempre quis habitar com o homem. Deus sempre quis morar conosco. Ele nos criou à sua imagem e conforme a sua semelhança para que pudéssemos viver para sempre ao Seu lado, sempre felizes e contentes em tudo, desfrutando dessa tremenda comunhão! Se não tivéssemos pecado no Edén, Deus estaria morando conosco aqui na Terra, hoje. Mas porque caímos, isso não foi possível e é por isso que vivemos nesse mundo com toda a sorte de males que para esse mundo trouxemos com nosso pecado, mundo de dores e sofrimentos, de injustiças e de maldades. Até o simples ato de dar a luz a uma criança tornou-se dolorido, passando a mulher a ter grandes dores de parto para dar a luz à filhos (Gênesis 3:16).

Lá, no Antigo Testamento, Deus introduziu Seu povo na terra que Ele havia dito que daria. Eles entraram na terra, mas a contaminaram com seus pecados (Ezequiel 36:17). Eles acabaram fazendo as mesmas coisas, e ainda piores, que as demais nações faziam. Isso trouxe sobre eles juízo da parte de Deus. Assim pecavam, Deus então os disciplinavam e exortava por meio de homens que o próprio Deus havia levantado para falarem as Palavras de Deus ao povo (os profetas Elias, Eliseu, Isaías, Ezequiel, etc.), eles se arrependiam e Deus os perdoava e eles, posteriormente, voltavam a fazer tudo errado de novo e assim recomeçava o ciclo. Esse ciclo vemos em vários momentos no Antigo Testamento, culminando com a invasão e tomada a terra pelos povos Assírios e Babilônios e na deportação do povo para essas nações.  Somente muito tempo depois é que Deus  foi permitido que eles retornassem à sua terra, que posteriormente passa ao domínio do império Romano.

No entanto, Deus continua querendo morar conosco na terra e Ele vai fazer isso acontecer! Isso está envolvido na salvação em Jesus Cristo! Não nessa terra, mas sim em uma nova terra, onde habita a justiça (II Pedro 3:13), onde Deus limpará dos nossos olhos todas as lágrimas, nunca mais existindo a morte, nem tristeza, nem choro, nem dor (Apocalipse 2:14). Numa terra que estará totalmente sob Seu Senhorio. Onde o povo de Deus, compreendido por pessoas de todas as nações, tribos, povos e línguas, viverá para sempre com o Senhor Jesus; onde não haverá mais o pecado e o mal, onde os salvos em Cristo irão habitar. Há uma cidade que vem sendo preparada por Deus que um dia descerá do céu para a terra!

Qual é a chave para ser um futuro morador nessa nova terra? A chave é ser considerado justo por Deus. Como vimos, isso não é possível por méritos humanos. Então, precisa ser por meio de algo diferente. Deus, em Seu relacionamento com Abraão, deu-nos a pista. Vejamos:

⁵ Então o levou fora, e disse: Olha agora para os céus, e conta as estrelas, se as podes contar. E disse-lhe: Assim será a tua descendência.
⁶ E creu ele no Senhor, e imputou-lhe isto por justiça.
⁷ Disse-lhe mais: Eu sou o Senhor, que te tirei de Ur dos caldeus, para dar-te a ti esta terra, para herdá-la.
(Gênesis 15:5-7)

Percebeu? Deus prometeu uma descendência muitíssimo numerosa a Abraão (como as estrelas do céu - estima-se que a nossa galáxia, a Via Láctea, possui de 200 a 400 bilhões de estrelas - num céu estrelado experimente contar as estrelas para ver se consegue, rs). Diante dessa promessa, Abraão creu em Deus e Deus imputou a fé de Abraão como justiça para ele! Noutras palavras, o justo para Deus é aquele que Nele crê; o homem é considerado justo pela fé em Deus! Paulo, apóstolo de Cristo, vai nos dizer exatamente isso: "⁸ Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus. ⁹ Não vem das obras, para que ninguém se glorie." (Efésios 2:8,9) Aqui temos a sistemática divina para a nossa salvação: a salvação é algo ligado a graça de Deus, que permite que aqueles que creiam em Deus sejam salvos!

O que é graça? Graça é um termo que vem do grego "charis", que significa "favor imerecido". Ninguém mereceu e jamais merecerá ser salvo por Deus. Ninguém! Não é algo que pode ser alcançado por meritocracia, isso já foi dito inúmeras vezes ao longo dessa série de artigos. Essa graça tem como única fonte o Deus de amor, que é misericordioso, bondoso e compassivo, que vê as nossas misérias e se compadece de nós. Que mesmo sendo Grande em Poder e Glória, Magnífico e Exaltado, estende as mãos para o pequeno e desprezível para o abençoar! Uma graça infinitamente maior que o pecado que veio por meio da desobediência de Adão: 

¹⁷ Porque, se pela ofensa de um só, a morte reinou por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo.
¹⁸ Pois assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação de vida.
¹⁹ Porque, como pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim pela obediência de um muitos serão feitos justos.
²⁰ Veio, porém, a lei para que a ofensa abundasse; mas, onde o pecado abundou, superabundou a graça;
²¹ Para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reinasse pela justiça para a vida eterna, por Jesus Cristo nosso Senhor.
(Romanos 5:17-21)

É por essa maravilhosa graça de Deus que nos é facultada a fé. A fé em Deus, que nos leva da posição de injustos para a de justos. Por meio da fé em Cristo Jesus somos justificados por Deus. Note: Este método é divino e não humano. A justificação humana só justifica o inocente, porém Deus justifica o culpado; a justiça humana é à base do mérito; a justiça de Deus é à base da misericórdia (Rm 3.20; 1 Co 6.11; Hc 2.4). Não tem relação com o caráter moral, senão o homem teria de ter um caráter moral perfeito para ser justificado nessa base, mas ninguém é perfeito (isso não quer dizer que a bagunça tá liberada, ok? Vamos ver isso depois); na verdade, o que os homens precisam é serem salvos de seu caráter. 

Onde está então o mérito da justificação? Em Jesus Cristo! Por isso, é requerido crer NEle, que Ele morreu em nosso lugar (chamamos isso de morte propiciatória). Isso significa dizer que na verdade, eu e você é quem deveríamos morrer (o pecado gera a morte, lembra-se?); no entanto, Cristo veio e morreu em nosso lugar. Assim, quando cremos em Jesus como quem morreu em nosso lugar, nos identificando com a morte como justa punição pelos nossos pecados, temos os pecados totalmente perdoados por Deus, por meio do sangue que Cristo derramou por nós na cruz:

⁸ Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores.
⁹ Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.
¹⁰ Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida.
¹¹ E não somente isto, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora alcançamos a reconciliação.
(Romanos 5:8-11)

Justificados pelo Seu sangue derramado em nosso favor, em favor de pecadores! Não a favor de justos, mas sim de terrivelmente pecadores, de inimigos de Deus! Sangue que nos permite a reconciliação com Deus, que nos permite sermos salvos dos nossos pecados e da condenação futura, eterna, que paira sobre todo homem pecador desde o dia que nasce nessa terra. Quando creio e recebo a Cristo como meu Salvador pessoal, enxergando que Sua morte foi a minha morte, então por meio do sangue derramado na cruz eu recebo, gratuitamente, o perdão dos meus pecados e sou declarado justo por Deus! E, assim, Deus escreve o nosso nome num Livro, chamado Livro da Vida, o qual representa a lista de todas as pessoas que terão a vida eterna; esse livro tipifica a lembrança de Deus, pela qual o Senhor conhece aqueles que são seus, ou seja, aqueles que, nos dias de sua vida terrena, foram verdadeiramente perdoados, possuidores de comunhão com Ele.

Nessa nova terra, a Bíblia traz uma lista de pessoas que não poderão entrar: "²⁷ E não entrará nela coisa alguma que contamine, e cometa abominação e mentira; mas só os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro. [...] ¹⁵ Mas, ficarão de fora os cães e os feiticeiros, e os que cometem imoralidades sexuais, e os homicidas, e os idólatras, e qualquer que ama e comete a mentira. " (Apocalipse 21:27; 22:15) Esses, que não terão a permissão de entrar na cidade, centro da nova Terra que será formada por Deus, terão um destino terrível. Serão condenados a sofrer eternamente, distantes de Deus e de qualquer alento, num lugar de sofrimento e dor, juntamente com o diao e todos os seus anjos caídos: "¹⁰ E o diabo, que os enganava, foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde estão a besta e o falso profeta; e de dia e de noite serão atormentados para todo o sempre. ¹⁵ E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo."  (Apocalipse 20:10,15)

Deus hoje lhe dá a oportunidade, de graça e pela graça, de ser salvo pela fé. Ninguém precisa ter esse horrível destino eterno, mas todos podem viver eternamente ao lado de Cristo Jesus, em perfeita comunhão com Deus, numa terra que verdadeiramente mana leite e mel. Todos podem ter o perdão dos seus pecados, a justificação e então a vida eterna. Basta crer em Cristo, de coração, reconhecendo-se pecador, separado e inimigo de Deus; abrir mão de qualquer tipo de justificativa ou de presunção humana e então identificar-se com a morte de Jesus - Ele morreu por você, em seu lugar! Isso é a síntese do Evangelho:

⁸ Mas que diz? A palavra está junto de ti, na tua boca e no teu coração; esta é a palavra da fé, que pregamos,
⁹ A saber: Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.
¹⁰ Visto que com o coração se crê para a justiça, e com a boca se faz confissão para a salvação.
(Romanos 10:8-10)  

Isso mesmo! Ele morreu e ressuscitou por você! E é com base na fé, que é a certeza interior de que tudo isso se aplica a você, que em Cristo e por Cristo você é salvo! Somente assim podemos ter o perdão dos pecados e rompermos definitivamente com o ciclo de afastamento de Deus que se iniciou há muito tempo, conforme registrado no Livro de Gênesis.

Pense nisso! Graça, misericórdia, paz e fé em Cristo sejam contigo! Deixo-lhe o  louvor abaixo, para sua edificação. Clique e ouça: