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quarta-feira, 16 de março de 2011

A ANTIGA SERPENTE CONTINUA ENGANANDO COM A MESMA ASTÚCIA DE SEMPRE

Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo. (II Co 11.3)

Neste texto, o apóstolo Paulo continua fazendo a defesa de suas credenciais apostólicas diante da Igreja de Corinto, iniciada em capítulos anteriores. Ao fazê-lo, o apóstolo apresenta um paralelo entre o episódio da queda, registrada no livro de Gênesis, e a tendência de partidarismo e culto a personalidade que havia em Corinto. Aquela Igreja, que se dividia internamente em "preferências por pregadores" (uns de Apolo, outros de Cefas) tinha todos os elementos emocionais e espirituais para "preferir" outros pregadores que porventura nela surgissem. Por isso mesmo, Paulo temia que pudessem se introduzir ali falsos mestres e pregadores, falsos apóstolos, os quais transfigurados em apóstolos de Cristo, enganassem os crentes de Corinto anunciando outro Jesus e outro Evangelho, por meio de outro espírito (v.4).

De forma bem clara e inequívoca, Paulo associa a ação astuciosamente enganadora dos falsos apóstolos, falsos mestres e falsos pregadores à mesma ação que o diabo, a antiga serpente, teve no Éden sobre Eva. Esta ação enganadora seria tal que geraria a corrupção dos sentidos dos Corintos, levando-os a se apartarem da simplicidade de Cristo. Obviamente, a mensagem destes "enviados das trevas" não era, nem de perto, simples como Cristo; mas consistia das mais diversas complicações religiosas possíveis e imaginárias, cheia de filosofias estranhas de sabedoria duvidosa. De fato, coisas altamente sedutoras, que tornariam os praticantes "mestres de si mesmos", "eruditos religiosos"; conhecedores de "todos os segredos, técnicas e rituais" para "canalização energética do sobrenatural" com vistas à obtenção de favores divinos.

De fato, diante da enorme "fome de emulação", gerada pela auto-suficiência do homem decaído, é preciso considerar que o apelo de um intrincado e complexo sistema religioso-ritualístico tem um alto poder sedutor. Imagine ser conhecedor das "complicações divinas", um especialista no sobrenatural, grande manipulador dos poderes espirituais? Quantas pessoas, talvez multidões, não afluiriam àquele que detivesse tais poderes? Quanta honra (leia-se "endeusamento") não seria tributado a este "senhor do mundo invisível"? Quanto dinheiro não haveria em seu "ministério"? Sim, ele - o único, senão o maior dentre todos os "controladores do oculto"- reverenciado, enriquecido e entronizado por multidões! Exclusividade total!

É justamente esta estrutura de pensamento, com pouquíssimas variantes, que impulsiona cada vez mais pessoas para a prática do ocultismo em suas mais variadas formas: a sede de poder e de riqueza, uma "distorção tsunâmica" das necessidades básicas do homem. Note que invariavelmente todas as religiões tem o seu mentor máximo, o seu "guia sobrenatural", que se apresenta sob os mais diversos (e pomposos) títulos. Este mentor máximo é a fonte máxima, a ponte entre o mundo material e o espiritual, capaz de fazer com que as coisas espirituais aconteçam, sob sua vontade e comando, no mundo físico. Para tanto, ele faz uso de "técnicas de ativação", conhecidas como rituais; estes, podem ser tanto feitos pelo líder-máximo, quanto pelos outros líderes da religião, ou até mesmo pelos "fracos e incapacitados" adeptos, sempre dependentes dos seus gurus em tudo e para tudo. Os rituais envolvem, via de regra, "barganha" com o sobrenatural, do tipo "dar isso por aquilo" ou "fazer isso em troca daquilo".

Note que Paulo estava dirigindo-se aos crentes de Corinto, advertindo que eles poderiam dar lugar a este tipo de espiritualidade 100% pagã em seu culto e serviço cristão. Com astúcia, os falsos poderiam introduzirem-se sutilmente na Igreja, infectando-a como um vírus infecta um célula humana, usando-a para sintetizar novos vírus e assim contaminar todo o corpo. Nas palavras de Paulo, os crentes seriam astuciosamente enganados, tendo o sentido corrompido pelos elaborados e complexos falsos ensinos, apartando-se da simplicidade de Cristo.

Infelizmente, o que Paulo temia, aconteceu: cada vez mais a antiga serpente continua enganando a muitos com este ensino altamente sedutor. Todo este ensino e prática, correntes no meio evangélico, sobre correntes, unções de objetos, objetos com poder sobre o mundo espiritual (como sal grosso), técnicas especiais de "batalha espiritual" (mapeamento, libertação por pontes, identificação de nomes e patentes de demônios, etc), atos proféticos "sem pé nem cabeça" (como cavalo em púlpito de igreja), unções de animais, teologia da prosperidade antibíblica com suas oferendas em troca de benesses, dentre outros, à luz da Palavra de Deus, nada mais são que "complexidades ofídicas" adicionadas à fé cristã pela serpente astuciosa.

É interessante perceber que por mais que se procure, não há argumentos bíblicos que justifiquem estes atos. Todos, sem exceção, estão baseados em versículos isolados, interpretados à luz da própria razão e vontade humana, não segundo os princípios da hermenêutica bíblica (veja um exemplo na argumentação http://www.apenas-para-argumentar.blogspot.com/2010/07/entendendo-uncao-de-lencos-luz-da.html). Quando confrontados, é fácil notar que os adeptos e praticantes desta espiritualidade sem base bíblica usam de apelação em defesa própria e da religião que segue; ora apelando para performance (como se a performance fosse sinônimo de essência - veja http://www.apenas-para-argumentar.blogspot.com/2010/07/consideracoes-sobre-marca-da-besta.html) ora para o status secular da membresia - "temos muitos eruditos, profissionais liberais, mestres e doutores em nosso meio", como se exisitisse algum tipo de equivalência entre o saber humano e o saber espiritual, ou como se diploma fosse a garantia de discernimento espiritual.

É interessante notar também que esse pessoal, praticante do falso evangelho - quer com título de cristão, quer não - conferem-se a si mesmos a posição de exclusividade com relação aos demais. "A minha igreja é mais poderosa que a sua!", "o meu pastor solta raios pelos olhos e o seu não", "aqui a cura acontece, lá fora não!", e coisas do tipo. O diabo é mestre em marketing, e não é de admirar que aqueles que vivem os seus ensinos o sejam também! Ao contrário dessa turma de falsos profetas, Jesus era comedido. Até quando curava!

Em oposição a este falso evangelho, falacioso até o talo, a verdadeira fé é simples assim como o é o  verdadeiro Cristo. Para ser cristão (ser em plenitude, em status e na prática) não é necessário aprender ou mesmo praticar coisa alguma, a não ser a Bíblia. Na verdadeira fé cristã, não se sacrifica coisa alguma a Deus, não se barganha nada com o Todo-Poderoso, pois além de ser diante Dele inaceitável é, também, grande ofensa à Sua Graça. O sacrifício de Cristo é único e suficiente; que os homens aprendam isso de uma vez por todas! Não há, em todo Novo Testamento, um único ritual recomendado para os crentes!

Abre parênteses: Há quem entenda o batismo nas águas e a Santa Ceia - sim, por favor, o adjetivo se aplica, caso contrário não é Ceia do Senhor - como rituais ordenados por Cristo à sua igreja. Eu contraponho este argumento, dizendo que a Ceia e o batismo são mais do que meros rituais no contexto reducionista geralmente aplicado. Contudo, aqueles que quiserem considerá-los como rituais, precisam reconhecer que foi o próprio Cristo quem os ordenou e que os mesmos são extremamente simples. Não há nada mais simples que compartilhar um cálice de vinho e repartir um pedaço de pão com outras pessoas; nem algo mais comum do que mergulhar uma pessoa em água. Fecha parênteses.

Assim, aquele que apresenta ofertas - e que sejam apenas àquelas ofertas permitidas no Novo Testamento - diante do Rei do Universo, Senhor de tudo que existe quer no mundo físico quer no mundo espiritual, faça-o ímbuído de ações de graças! Não trate a oferta como título de capitalização, ou investimento em fundos financeiros; não ofenda a Deus com a sua mesquinhez! Aquele que intercede, diante do Senhor, pela vida de outras pessoas, faça-o sem usar de subterfúgios de "pontos de contato de fé", sem sal grosso, sem rosa, sem lenço e sem toalha. Isso não faz parte da fé cristã, mas sim do ocultismo! Aquele que adora ao Senhor, que dirige a adoração na Casa de Deus, faça-o em Espírito e em Verdade, de forma que haja a Verdadeira presença do Espírito na adoração, não emocionalismo barato e nem tampouco extremismos motivadores das "unções" de galinha, de touro, de leão e coisas do tipo.

Do mesmo modo, aquele que prega e ensina, ensine somente a Palavra de Deus. Não "doure a pílula" e nem adicione veneno na panela que prepara o caldo para alimentar e fortalecer os homens. Que o pecador se converta do seu mau caminho, não que o caminho se converta no que é o pecador. Que a cruz de Cristo e o Cristo da cruz sejam levantados diante dos homens nos púlpitos da Casa de Deus; com todo escândalo que possa isso parecer aos religiosos pagãos, ou com toda loucura que isso possa representar aos sábios segundo este mundo. Que toda a honra, todo louvor e toda glória sejam dados apenas ao Único que é digno de recebê-las, Àquele que com seu sangue comprou para Deus povo de toda tribo, de toda língua, de todo povo e de toda nação, e para o nosso Deus os fizeste reis e sacerdotes: Ao Senhor e Salvador Jesus Cristo!

Fuja, meu querido e amado irmão, desta babilônia espiritual, com seu comércio de almas, enquanto é tempo. Fuja de tudo aquilo que for mais complicado do que Cristo! Leia a Bíblia, não com os olhos da religião, mas com simplicidade; e você encontrará o Senhor Jesus - o alfa e o ômega da Bíblia!
 
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

3 comentários:

  1. Pr. Kennedy Fábio18 de março de 2011 12:37

    Graça e Paz, Pr. Ricardo! Esse artigo vêm de encontro a realidade da enfervecência religiosa que estamos vivendo na igreja hodierna. Vivemos um tempo de muita informação, mais pouca ou nenhuma revelação. paulo não andou com o Cristo histórico, não viu suas palavras e milagres pessoalmente, porém, ele afirma: "O meu evangelho." Paulo não escreveu um quinto evangelho, mais, através de várias epístolas, escreveu o evangelho em sí mesmo, o evangelho como ele é, e não o outro evangelho. E este evangelho foi fruto da revelação e não de uma ingformação histórica ou literária. A revelação de Cristo, "o evangelho", e em sua simplicidade, levou Paulo a uma vida transformada pelo poder do evangelho (Rm 1:16). Revelação igual a transformação.

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  2. Muito obrigado pela honra de poder registrar aqui seu valioso comentário, querido pastor Kennedy Fábio!

    Graça e Paz!

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  3. Até quando os homens vão se deixar enganar?Sei que para muitos há aí uma relação de interesse.O POVO QUE SE DIZ CRENTE,precisa deixar o sincretismo religioso de uma vez por todas.Ora é crente- macumbeiro,ora é crente- católico romano,ora é crente-gospel.Tem até crentes-animistas...E enquanto isso,os vendilhões do templo vão se enriquecendo!Precisa-se voltar ao Evangelho genuíno e se deixar de lado as indulgências,as meninices,as espertezas e coisas do gênero.

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