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quarta-feira, 24 de junho de 2015

PASTORES BIVOCACIONADOS: ERRO DE ORDENAÇÃO OU DE INTERPRETAÇÃO?

"Esta é uma palavra fiel: se alguém deseja o episcopado, excelente obra deseja. Convém, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar; Não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso, não avarento; Que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia  (Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?); Não neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo.Convém também que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em afronta, e no laço do diabo". (I Tm 3.1-7)

 Esse texto, parte integrante da I Epístola de Paulo a Timóteo, é reconhecido no âmbito da Teologia como se constituindo nos pré-requisitos para que um crente em Cristo Jesus exerça a atividade pastoral e juntamente com as epístolas de II Timóteo e Tito (com alguns excertos em II Coríntios e noutros livros da Bíblia, no Antigo e Novo Testamentos), se constituem na base bíblica para a Teologia Pastoral, parte integrante da Teologia Prática.  Teologia Pastoral é "teologia", porque tem principalmente a ver com as coisas de Deus e sua Palavra. É "pastoral" porque trata dessas coisas divinas no aspecto que pertence ao pastor. É "prática" porque se relaciona com o trabalho do pastor tal como ele é, nomeado para influenciar os homens, aplicando-lhes os ensinamentos das Sagradas Escrituras.

Assumindo que o pastor tem sido chamado por Deus para o sagrado ofício; que ele tenha sua mente equipada com a ciência da teologia e com um sistema de doutrinas; que ele aprendeu os métodos de interpretação da Palavra de Deus corretamente; que ele é hábil nas leis designadas por Cristo para o governo da sua Igreja; e que ele tem estudado a arte da retórica sagrada, - assumindo tudo isto, a Teologia Pastoral visa ajudá-lo no grande trabalho prático de trazer toda a sua preparação para a edificação do povo do Senhor e da salvação dos homens. O seu objetivo é, considerando os ministros como homens já bem educados, é ajudá-los na arte sagrada de trazer almas para Cristo e treiná-las para a glória de Deus.

I. Pastor Bivocacionado: O que diz a Bíblia? Primeiro, às Escrituras!

Segundo o Rev. Thomas Murphy, D.D., ex-pastor da Frankford Presbyterian Church, em Filadélfia, em sua obra "Pastoral Theology: The Pastor in the Various Duties of His Office" (1877), "os ensinos imortais nas Epístolas de Timóteo e Tito devem ser o modelo e a substância de toda teologia pastoral". Portanto, vamos nos analisá-las mais detidamente por um instante, a fim de obtermos o saber sobre este tema. Vejamos então. Quem aspira (deseja, almeja) a nobre função pastoral, segundo Paulo, deve ser:
  1. (i) irrepreensível (gr. anepileptos, "inculpável"). Para que os bispos não se vejam privados de autoridade, Paulo ordena que se faça uma seleção daqueles que desfrutem de excelente reputação e sejam eximidos de qualquer nódoa extraordinária.
  2. (ii) marido de uma mulher. A única exegese correta é a de Crisóstomo, que o considera como uma expressa proibição de poligamia na vida de um pastor.
  3. (iii) vigilante (gr. nephaleos, "sóbrio").
  4. (iv) sóbrio (gr. sophron, "auto-controlado ou moderado", "discreto", "temperado").
  5. (v) honesto (gr. kosmoios, "ordenado, ou seja decoroso - de bom comportamento, modesto"). 
  6. (vi) hospitaleiro (gr. philoxenos, "amante de hóspedes"). 
  7. (vii) apto para ensinar (gr. didaktikos, "que tem didática", "que sabe ensinar"). Tanto pela posse de conteúdo quanto pela capacidade de transmitir esse conteúdo, no caso a Palavra de Deus. Sobre isso, comenta o Pr. Josemar Bessa em seu blog "O Calvinista": "não é suficiente que uma pessoa seja eminente no conhecimento profundo, se não é acompanhada do talento para ensinar [...] Os que são incumbidos de governar o povo devem ser qualificados para a docência." (http://www.ocalvinista.com/2011/01/qualificacoes-para-o-pastorado-joao.html).
  8. (viii) não dado ao vinho (gr. paroinos, "tardando em vinho", "bêbado", aquele que permanece perto, continuamente ao lado ou na presença de vinho). A imagem é de um homem que sempre tem uma garrafa (odre) na mesa indicando seu vício. 
  9. (ix) não espancador (gr. plektes, "espancador", "briguento"). "A interpretação de Crisóstomo é correta, a saber, que os homens inclinados à embriaguez e à violência devem ser excluídos do ofício episcopal." (Pr. Josemar Bessa, op. cit.)
  10. (x) não cobiçoso de torpe ganância (gr. aischrokerdes, de aischrós = imundo, vergonhoso, desonroso, indecente + kerdos = ganho, o lucro). É descaradamente ganancioso, avarento, excessivamente aquisitivo especialmente na busca de acumular riquezas, um buscador de ganho de formas vergonhosas. Descreve um homem que não se importa como ele ganha dinheiro nem como ele faz isso. Aischrokerdes adequadamente descreve muitos que não se importam como ganham dinheiro, desde que consigam ganhá-lo.
  11. (xi) moderado (gr. epieikes, "gentil", "paciente").
  12. (xii) não contencioso (gr. amachos, "pacífico", "abstendo-se de combates"). Inimigo de contendas. Descreve alguém que "sabia como suportar as injúrias pacificamente e com moderação, que perdoava muito, que engolia insultos, que não se amedrontava quando se fazia necessário ser corajosamente severo, nem rigorosamente cobrava tudo o que lhe era devido. A pessoa que é inimiga de contendas é aquela que foge das demandas e rixas, como ele mesmo escreve: "Os servos do Senhor não devem ser contenciosos" [2 Tm 2.24]." (Pr. Josemar Bessa, op. cit.)
  13. (xiii) não avarento (gr. aphilarguros, "não amante de prata").
  14. (xiv) que governe bem a própria casa (gr. "proistamenon idiou oikou kalōs"). Vem do gr. "proistemi", "estar diante, isto é, (na hierarquia) para presidir, ou (por implicação) para praticar - manter, governar". Deve governar a própria casa e fazer isso de forma bem feita. Dá a idéia de uma família bem ajustada, onde todos os membros se submetem e obedecem o líder, o pai de família, como é confirmado pelo restante do texto.
  15. (xv) não neófito (gr. neophutos, "nova planta", "novo convertido", "noviço"). Não pode ser alguém falto de experiência ou maturidade; inexperiente, ingênuo, imaturo (emocional e espiritualmente).
  16. (xvi) bom testemunho dos que estão de fora [da igreja, isto é, dos não-crentes] (gr. "kalēn marturian tōn exōthen"). Fala do testemunho pessoal para com aqueles que não são crentes. Sobre isso, comenta o Pr. Josemar Bessa: "O apóstolo, porém, quer dizer que, no que concerne ao comportamento externo, mesmo os incrédulos devem esforçar-se por reconhecer que ele [o crente] é uma boa pessoa. Pois ainda que sem causa caluniem todos os filhos de Deus, todavia não podem afirmar que alguém seja perverso quando na verdade leva uma vida boa e inofensiva na presença de todos. Essa é a sorte de reconhecimento de retidão que Paulo está a referir-se aqui." (Pr. Josemar Bessa, op. cit.)
Agora, deixe-me fazer uma pergunta: onde está escrito aqui, ou possa ser interpretado, que um pastor só o é de fato e de direito se tiver como única vocação o ministério pastoral? Onde está escrito, na Bíblia, que um pastor não pode ter uma dupla vocação? Ou o tal do "sola scriptura" só vale quando é de interesse pessoal? Pergunto isso porque tenho visto - e ouvido (sic) - uma série de argumentos, postagens, blogs, etc. que defendem que um pastor não pode trabalhar secularmente, que o pastor que assim age é "menos pastor" que aqueles que só exercem ministério pastoral. De onde - de que passagem bíblica - tiraram isso?? De onde concluíram que um pastor que exerce ministério de tempo integral é "a pessoa mais ocupada do mundo", enquanto aquele que exerce ministério em tempo parcial (porque trabalha secularmente) "é relaxado, de vida mansa"? Onde está escrito que um pastor univocacionado é mais pastor que um bivocacionado? Qual dos pré-requisitos paulinos acima explicados afirma isso?

 Permita-me apresentar um fato: PAULO FAZIA TENDAS (At 18.3) paralelamente enquanto exercia o ministério dado pelo Senhor para ele. O texto diz que esse era o ofício de Paulo (do gr. techne, "habilidade", "ocupação". Techne se refere à capacidade de produzir um objeto por meios racionais, habilidade de produção manual, à arte, à especialidade no trabalho. Para mais, ver revistas.pucsp.br/index.php/hypnos/article/download/18042/13402). Por que ele fazia tendas? Não deveria ele, o apóstolo Paulo, se dedicar unicamente ao ministério? Afinal, não é o próprio apóstolo que escreve em I Co 9.14 que "assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho"? Então Paulo estaria desobedecendo a ordem do Senhor?

 Em Atos 18:3, fica claro que Paulo trabalhava para seu próprio sustento, como tinha feito em Tessalônica, para que pudesse manter-se acima das suspeitas de auto-interesse em seu trabalho como mestre da Palavra (1Co 9.15-19; 2Co 11.7-13) (Ellicott's Commentary for English Readers). Embora Paulo tivesse direito ao apoio financeiro das igrejas que ele plantou para seu próprio sustento, e das pessoas a quem ele pregou (cf. I Co 9.14 e outros textos), ele trabalhou em sua vocação. Um trabalho honesto, pelo qual um homem pode obter o seu pão, não é para ser olhado com desprezo por ninguém (Matthew Henry's Concise Commentary). Paulo trabalhou num ofício secular, para seu próprio sustento e para aqueles que com ele estavam, também em Éfeso (At 20.34). O apóstolo não tinha vergonha do trabalho honesto como um meio de subsistência; nem considerava com qualquer menosprezo um ministro do evangelho trabalhando com suas próprias mãos. Assim, Maimônides (no Tract. Talin. Torah, Capítulo I., Seção 9), diz: "o sábio geralmente pratica algumas das artes, para que não seja dependente da caridade dos outros" (Barnes' Notes on the Bible). Paulo, que estudara grandes temas e obtivera grande conhecimento com Gamaliel, chamado por Cristo para o apostolado, aprendera desde jovem uma profissão, como todo jovem judeu, e a exercia de bom grado.

 Note que após Paulo explicar aos Coríntios o mandamento do Senhor sobre o sustento do ministro cristão, ele, a partir do vers. 15,  explica que abriu mão desse direito: "Mas eu de nenhuma destas coisas usei, e não escrevi isto para que assim se faça comigo; porque melhor me fora morrer, do que alguém fazer vã esta minha glória [...] Logo, que prêmio tenho? Que, evangelizando, proponha de graça o evangelho de Cristo para não abusar do meu poder no evangelho". Ou seja, o mandamento do Senhor para a Igreja é que esta sustente seus pastores financeiramente, com dobrados honorários se governarem bem e forem mestres da Palavra (I Tm 5.17) e isso é tido como um dever da Igreja e um direito do ministro por força do mandamento; porém, o ministro cristão pode abrir mão desse direito, renunciando ao mesmo, se assim desejar, em prol do próprio Evangelho que ele prega! E isso era considerado por Paulo como "glória pessoal" cf. comenta Expositor's Greek Testament!

A bem da verdade, não há nada na Palavra de Deus que inviabilize ou impossibilite que um pastor seja bivocacionado, como vimos. Outros textos podem ser analisados e a conclusão será a mesma. 


II. Minha Chamada Pessoal para o Ministério da Palavra. 

Sob pena da acusação de parecer justificar-me, esse princípio paulino é parte integrante de meu testemunho pessoal, algo que foi-me concedido pela graça do Senhor Jesus e do qual muito o glorifico! Permita-me contar um pouco desse testemunho:

Eu nasci com uma doença congênita chamada "coarctação da aorta". Para quem não sabe, essa patologia refere-se ao estreitamento da aorta de modo que dificulte a irrigação das partes inferiores, fazendo com que as artérias torácicas internas e as intercostais anteriores e posteriores - estas ramos diretos da aorta-, se anastomosem para manter a circulação nas porções inferiores do corpo. Por conta dessa doença, eu quase não tive infância; quando corria e brincava, como toda criança, sentia dores fortíssimas na perna (porque o fluxo sanguíneo era muito reduzido) com terríveis câimbras à noite. Essa doença me impedia de progredir nos estudos (faltava muitas aulas, por diversas consultas em médicos e hospitais, minha rotina como criança). Cheguei a perder (reprovar) a 1a. séria primária. Assim, com 8 anos para 9 anos de idade, fui internado no Instituto Estadual de Cardiologia Aluísio de Castro, no RJ, para ser ter a coarctação corrigida cirurgicamente, algo que foi um sucesso: removeram 5cm da seção estenosada da aorta e substituíram por um tubo de dracon. Após esse período, retornei para a minha vida infantil e escola. E Deus me abençoou com inteligência: daí para frente, nunca mais perdi série alguma! Todas as séries eu me saí muito bem, com boas notas.

Encontrei (ou fui encontrado por, rs) o Senhor Jesus aos 17 anos de idade. Aos 18, fiz vestibular para a UFRJ e orei ao Senhor, pedindo que Ele fizesse Sua vontade em minha vida, que se fosse da vontade Dele que eu passasse no vestibular. E assim Ele me permitiu ser aprovado para Engenharia Química (curso de doido, diriam alguns, rsrsrs). Quando o médico que me acompanhou durante a infância soube da minha aprovação, exclamou: "e esse menino ainda passou no vestibular!", tamanhas eram as incertezas que haviam quanto a minha vida pós-cirurgia. Iniciei o curso e foi muito bom!

Aos 19 anos, num culto da Igreja que eu frequentava, de linha Pentecostal, no bairro de Vila Isabel/RJ, após a pregação, o pastor convidou aqueles que queriam receber oração uma oração à frente. Eu fui. Estava ali para agradecer todas as bênçãos e para pedir ao Senhor que me ajudasse no curso superior escolhido. Um irmão, ao orar por mim, foi usado pelo Senhor e disse que eu seria pastor. Não entendi nada! Eu, pastor? Interessante que quando esse irmão abriu os olhos e viu diante dele um garoto, ficou se questionando se aquilo que havia dito tinha sido do Senhor mesmo ou dele. Até hoje quando lembro a expressão de espanto do irmão fico rindo sozinho! Ao sair do culto, atônito ainda com tudo aquilo (foi a primeira vez que passei por essa situação, nunca tinha visto isso antes), vi o pastor da Igreja saindo com um baita carrão, muito bonito (e caro) e ouvi comentários do tipo "é, vale a pena ser pastor! Olha o carrão dele!". Meu coração se encheu de revolta com aquele comentário! Naquele mesmo momento, disse ao Senhor ali na rua que "se fosse Ele mesmo que havia falado comigo sobre o tal ser pastor, eu aceitaria com uma condição: ter meu sustento próprio, sem receber dinheiro da Igreja; que nisso eu glorificaria Seu nome. Que Ele me desse todo o necessário para que eu nunca precisasse ter nada da Igreja". Nada de riqueza nem ostentação, mas uma vida sossegada diante de Deus.

 E Deus honrou meu pedido, era de Deus mesmo aquela palavra que o irmão profetizou para mim há 23 anos! Acabei conhecendo meu atual pastor e Igreja. Eu queria muito fazer seminário - não para ser pastor, mas para aprender mais a Palavra (desde a minha conversão Deus colocou um amor por Sua Palavra em minha vida. Eu queria aprender, até porque ficava muito chateado quando no evangelismo alguém perguntava alguma coisa que eu não sabia responder!) Foi quando Deus agiu mais uma vez: Ele colocou no coração do meu pastor em criar um seminário teológico, em 1997: A Escola Ministerial Rhamá! Deixando a modéstia de lado, penso que eu fui um dos melhores alunos do curso! Meu Deus, como aprendi e como gostava (e ainda gosto) de aprender!  Acabei sendo o primeiro pastor ordenado pela Igreja Batista Reviver, hoje Igreja Batista Ministério Reviver, junto com a esposa do pastor, hoje Pra.Valdinéia, no ano de 2001. (Veja mais em: http://apenas-para-argumentar.blogspot.com.br/2014/05/a-igreja-batista-ministerio-reviver.html) Deus havia cumprido a Sua palavra em minha vida, dita pela boca do seu servo 9 anos antes! E, com a mudança do meu pastor para a cidade de Barra Mansa, na região sul-fluminense, fui empossado pastor-titular da Igreja sede, no RJ, pastorado que exerço com muita alegria e ações de graça! Assim, minha chamada para o ministério deu-se após eu já ter sido abençoado por Deus com uma profissão!

 Apenas para argumentar (ad argumentandum tantum, rs), como ministro da Palavra, já discipulei e batizei inúmeros irmãos em Cristo, resgatando vidas das trevas, do pecado, do diabo e dos vícios. Formei (e formo) obreiros para a Seara do Mestre (diáconos, professores de Escola Bíblica, evangelistas e pastores). Atualmente, sou Diretor e Mestre do Seminário Teológico que estudei, hoje Escola Teológica Reviver; autor de diversas matérias (apostilas) de cunho teológico, bíblico e profético além de professor de várias disciplinas. Criei esse blog, que Deus tem usado para abençoar vidas nos mais diversos países do mundo. Minhas ovelhas são fortes na Palavra e incentivadas a estudarem e porem em prática os princípios bíblicos em suas vidas e famílias. Sou amado e querido por elas. Estou sempre disposto a aconselhar e não me nego a receber ninguém em meu gabinete. Sou tido por meus irmãos (e até por não crentes) como uma pessoa séria, de princípios e bom testemunho (bom testemunho dos de fora), tanto na vida moral (meu sim é sim e meu não é não mesmo) como em minha vida profissional (tenho o mais alto título acadêmico concedido pelas Leis brasileiras - o doutorado). Alguns crentes me consideram "pastor linha dura" (rsrsrsrs), porque não temo em repreender, em exortar, em corrigir, em chamar pecado pelo nome e não "passar a mão" sobre o pecado de ninguém.  Meu ministério consiste em forte ênfase em mudança de vida (conversão genuína e não aparência), crescimento e edificação na fé pela Palavra e pelo bom testemunho, aconselhamento e ensino. Creio nos dons e carismas do Espírito Santo como algo para os dias atuais, mas não sou tolerante com "circo gospel" em nome de Deus.  Creio no batismo com o Espírito Santo como experiência distinta da salvação. Creio na restauração da Igreja ao padrão neo-testamentário (Atos não apenas como história, mas como padrão doutrinário). E isso sem ser pesado para a Igreja!

III. Ministério Bivocacional e a Igreja.   

Por fim, mas não menos importante, creio à luz da Palavra que um pastor de tempo parcial não é menos pastor que um de tempo integral. Não é vagabundo, nem preguiçoso, nem um "pastor de fim de semana", como maldosamente alguns comentam, fazendo pouco caso dessa classe de ministro cristão. Pastores que exercem seu ministério em tempo parcial são tão dignos, tão pastores como os demais. Aliás, permita-me uma correção: um pastor bivocacionado pode estar recebendo um salário por seu trabalho secular, mas ele é um pastor em tempo integral! Eu, em todos os momentos, sou pastor e exerço meu ministério; algumas vezes numa área, outras vezes noutra. Alguns irmãos, por não conhecerem a Palavra e estarem cheios de preconceitos e doutrinas de homens, fazem julgamentos muito pesados e inapropriados sobre a questão e, como de praxe, interpretam os textos bíblicos à luz desses preconceitos. Há muitos mitos que cercam esse tema de um pastor bivocacionado: alguns dizem que se um pastor bivocacionado tem fé suficiente, ele simplesmente largará o emprego e confiará em Deus para satisfazer suas necessidades. Outros dizem que se ele for um bom pregador, terá uma igreja bem grande; e se for pastor de uma pequena congregação ele é bivocacionado porque não é pastor de uma igreja (mito do tamanho de igreja: igreja se mede, segundo esse mito, pela quantidade de pessoas).   

Rev. Ray Gilder, coordenador nacional da SBC Bivocational and Small Church Leadership Network (Rede de Lideranças Bivocacionais e Pequenas Igrejas da Convenção Batista do Sul), em seu artigo intitulado "8 Reasons to Be a Bivocational Pastor", assim pergunta: "Qual é o mérito de alguém criticar um homem que está disposto a trabalhar o dobro para que poder sustentar sua família e dar liderança pastoral para a igreja por ele pastoreada?" O mais interessante é que para o pastor Frank Page, presidente do comitê executivo da SBC, "o modelo de igreja bivocacional é o melhor caminho para fazer discípulos no séc. XXI" (http://www.bpnews.net/43375/bivocational-church-model-best-page-says). Ainda segundo Page, "alguns diriam que 35 mil das nossas 46 mil igrejas, talvez mais do que isso, estão nas duas categorias de pequena igreja (com 125 membros ou menos) ou bivocacional". Reconhecendo a importância do ministério bivocacional, Rev. Bobby Welch, Presidente da Southern Baptist Convention (Convenção Batista do Sul), durante a East Tennessee Bivocational Evangelism Conference, disse que  "uma vez que quase metade das nossas igrejas Batistas do Sul são lideradas por pastores bivocacionais, eu acredito que é hora de nós reconhecê-los e honrá-los" (http://www.bpnews.net/20354). 

É ululante que um pastor bivocacionado precisa ser ainda mais disciplinado do que um alguém com vocação somente na área pastoral. É preciso muita disciplina, mas isso não é nada impossível; nada que com treinamento e perseverança não possa ser alcançado. Uma grande vantagem do ministério bivocacionado é na formação e no treinamento de lideranças. Uma igreja onde o pastor exerce seu ministério full time tem a tendência a ser uma igreja onde o pastor é absoluto em tudo - só ele prega, só ele dirige reunião, só ele aconselha, só ele ensina, só ele evangeliza, só ele visita, só ele faz tudo - até por pressão da própria igreja, que vê seu pastor como uma espécie de "empregado da igreja", "profissional de púlpito" (óbvio que isso é uma tendência, não uma regra geral). Já em Igrejas pastoreadas por ministros bivocacionados, muito dificilmente o pastor será o "faz tudo", nem será pressionado a sê-lo. Por necessidade, os cristãos têm de se envolver no ministério porque o pastor bivocacionado não pode fazer tudo (cf. Rev. Ray Gilder, as pessoas não vêem o pastor como superman - http://www.lifeway.com/Article/pastor-bivocational-minister-demands-benefits) e os membros aceitam esse fato; isso é muito positivo, porque mobiliza a Igreja e faz com que mais pessoas da membresia se sintam verdadeiramente úteis e desenvolvam também seu chamado e ministério. Daí, o pastor precisa capacitar pessoas dentro dos seus ministérios e delegar funções, desenvolvendo equipes ministeriais, exercendo verdadeiramente a liderança (não chefia) da Igreja. (leia: http://apenas-para-argumentar.blogspot.com.br/2009/12/entendendo-natureza-e-o-papel-dos-cinco.html)

Finalmente, concluindo, diante das dificuldades e ameaças que a Igreja enfrenta no séc. XXI,  "[...] especialmente em tempos onde pastores são muitas vezes vistos com suspeita, quero evidenciar que esse direito [de ser sustentados exclusivamente pela Igreja] pode ser renunciado ou relativizado por motivos nobres e estratégicos, o que também está de acordo com o ensino apostólico (2 Co 9.15)", explica o pastor Sérgio Augusto de Queiroz em seu artigo "Fabricando tendas e edificando vidas: Uma reflexão sobre o chamado ministério "bivocacional"" (http://www.cristianismohoje.com.br/artigos/especial/uma-reflexao-sobre-o-chamado-ministerio-bivocacional). "[...] Não se trata, repito mais uma vez, de lutar contra o modelo tradicional relacionado ao ministério pastoral, mas de investir em um modelo paralelo de liderança cristã baseado na experiência do apóstolo Paulo, como uma alternativa teologicamente sã, eclesiologicamente viável e missiologicamente eficaz, para um mundo onde a cosmovisão cristã vem perdendo força em razão do pluralismo religioso e do laicismo estatal" (pastor Sérgio Augusto de Queiroz, op.cit.)

Eu glorifico a Deus por poder servi-Lo num ministério inteligente e contextualizado com as demandas do Reino de Deus, no Ministério Reviver, que respeita e honra seus pastores, quer tenham uma única vocação, quer sejam bivocacionados. Tenho honrado ao Senhor com minha vida, trabalho e ministério e naquele dia receberei Dele o galardão; eu e todos aqueles que O serviram fielmente conforme o chamado divino que receberam!  

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

Um comentário:

  1. Vivemos numa época complicada. As pessoas são preconceituosas , formam teorias e tem ideias preconcebidas Gostam de falar sobre o que não sabem, vivem " chutando canelas alheias." Assim expressam seus recalques. Gostariam de estar no Ministério, só que Deus é quem vocaciona e certamente não é afetado por pressões de ninguém. Esses se mordem de inveja.
    Nessa questão de chamado ao Ministério alguns dão pitaco sem saber direito o que falar, mas como tolos que são, assim agem. Esquecem-se que Deus é quem aprova ou reprova, visto ser Ele quem conhece a vida e o coração de seus filhos.
    Esses tais precisam se arrependerem e pedir ao Pai ,que lhes conceda a graça de trabalharem na obra . O Mestre ainda está chamando os trabalhadores . E há muito trabalho a fazer: os campos estão brancos. Daí dou-lhes um conselho: Vão se converter, pois há muitas almas no Vale da Decisão !

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