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sexta-feira, 12 de junho de 2015

TÁ SENDO PISADO? O PROBLEMA ESTÁ NA QUALIDADE DO SAL...


"Vós sois o sal da terra; mas se o sal se tornar insípido, com que se há de restaurar-lhe o sabor? para nada mais presta, senão para ser lançado fora, e ser pisado pelos homens." (Mateus 5:13)

Quimicamente, o sal é o produto da reação entre um ácido e uma base. Assim, dependendo do ácido e da base, vários tipos de substâncias chamadas genericamente de "sal" podem ser produzidas. Conhecemos muito bem um sal muito abundante na Terra: o sal de cozinha, ou cloreto de sódio (Na Cl), resultante da reação entre o ácido clorídrico (HCl) e o hidróxido de sódio (NaOH), cuja principal fonte é a água do mar, existindo ainda em jazidas subterrâneas, fontes e lagos salgados. O mar, aliás, contém aproximadamente 50 trilhões de toneladas de sal, segundo os cientistas, representando uma concentração média de 35 gramas/litro de sal. O sal de cozinha nada mais é do que o sal marinho extraído da água e refinado por processos físico-químicos específicos, sendo adicionado iodo para combater o bócio (aumento do volume da glândula tireóide).

Abre parênteses: Há mais de um processo de refino do sal marinho, produzido em salinas por meio da evaporação da água por ação solar. Os mais comuns são o mecânico e o processo a vácuo. De forma geral, o processo mecânico envolve a remoção de substâncias metálicas e lixo, a lavagem do sal, moagem, nova lavagem (onde as impurezas são removidas em suspensão), uma etapa de clarificação e adição de iodo. Depois passa por uma etapa de secagem, adição de anti-umectantes, armazenamento e embalagem. O processo a vácuo envolve a dissolução do sal em água, de forma a obter uma solução saturada de sal. Segue-se uma etapa de clarificação, com a remoção de substâncias insolúveis, adição de substâncias (tipicamente hidróxido de cálcio e carbonato de sódio) para precipitação dos sais de magnésio e de cálcio, concentração e cristalização, secagem num secador de leito fluidizado (processo de transferência de massa) e adição de iodo (segundo a lei brasileira, deve ter um teor igual ou superior a 40 miligramas até o limite máximo de 100 miligramas de iodo por quilograma de cloreto de sódio.). O sal refinado é de alta pureza (cerca de 99,5% de NaCl). Leia mais em: http://waset.org/publications/9996829/development-of-a-process-to-manufacture-high-quality-refined-salt-from-crude-solar-salt).  Fecha parênteses.

Assim, a composição química do sal pode variar. Por exemplo, no sal de rocha (sal-gema ou sal fóssil, extraído a partir da mineração), o teor de NaCl pode ser de apenas 90%, o que implicará no poder conservante e no uso do sal como condimento. O sal marinho, não refinado, contém também menos NaCl que o sal refinado, o que faz com que o sal marinho possua um sabor menos salgado do que o sal refinado. Existe, por exemplo, o sal light, contendo apenas 50% de NaCl (o restante é KCl, cloreto de potássio). No sal-gema, a presença de diversos tipos de impurezas conferem cores distintas: vermelho ou rosa, com óxidos de ferro; amarela, com hidróxido de ferro; gris ou negra, com matéria orgânica ou óxidos de magnésio, etc.

Se o sal perder o sabor, como poderá ser feito salgado de novo? Sal sem sabor, sal que não salga; não pode haver uma maior contradição, pois o que se espera do sal, por sua natureza química, é que ele salgue, transfira seu sabor para a substância onde ele é aplicado ou adicionado, onde ele está presente. E nosso Senhor nos diz que é possível isto ocorrer, ou seja, o sal tornar-se insípido, perder o sabor. Perder o sabor é a tradução da palavra grega "moraino", usada apenas 4 vezes na Bíblia, em Mateus 5:13, Lucas 14:34, Romanos 1:22 e I Coríntios 1:20, sendo traduzido por "tornar-se louco", "fazer loucura" e "tornar-se insípido".

Muitas propostas de explicação já foram dadas para a perda de poder "salgador" do sal. Uma delas propõe que o sal usado pelos judeus vinha de Jebel-Usdum, nas margens do Mar Morto, conhecido como o sal de Sodoma. Não era um sal manufaturado, isto é, um sal refinado; era obtido a partir de lagoas de sal no interior que secam no verão ou obtido a partir pântanos ao longo da costaNa verdade, é um fato bem conhecido que o sal daquela região, quando em contato com o solo, ou exposto à chuva e sol, se torna insípido e inútil. A partir da forma em que é recolhido, muita terra e outras impurezas são recolhidas necessariamente com ele (Barnes' Notes on the Bible). Pela ação climática, todo cloreto de sódio era dissolvido, ficando apenas as impurezas e, desse modo, o "sal" sem sabor (e sem utilidade). O mais importante é que todas as explicações passam pelo teor de impurezas contidas no sal, tornando-o insípido quando o sal perdia todo NaCl. 

O fato é que o sal, no contexto bíblico-judaico, era muito importante, como explica o pr. Mateus Ferraz. "O sal, no contexto judaico, tinha um significado muito profundo. Além das características naturais, como conservante e tempero, o sal na cultura judaica antiga fazia parte de um simbolismo todo especial. Em um nível social, comer sal com alguém representava compartilhar de sua hospitalidade, atribuindo a ele sua subsistência. Mais profundo ainda é o fato de que qualquer um que compartilhasse do sal de seu anfitrião tinha a obrigação moral de cuidar de seus interesses. Em uma esfera ainda mais importante o sal tinha uma relação direta com o ritual mais importante no relacionamento daquele povo com Deus, a oferta. Em Lv 2.13, Deus estabelece que toda oferta deveria ser temperada com sal antes de ser oferecida, o que caracterizava um pacto incorrupto, que não se podia violar. Assim sendo, além da preservação da carne e da adição do sabor, o sal lembrava o povo de Israel de sua aliança imutável e eterna com o grande “Eu sou”. A partir daí surge a chamada aliança de sal (Nm 18.19) que caracterizava uma aliança inquebrável e irrevogável. Isso nos revela uma verdade importantíssima a respeito desse simbolismo bíblico. Quando um judeu se referia ao sal, ele não se referia apenas a um tempero comum. Assim, Jesus não estava apenas fazendo uma metáfora vazia, mas queria passar uma mensagem." (https://www.revistaimpacto.com.br/biblioteca/alerta-a-igreja-o-destino-do-sal-insipido/)

Conforme o comentário Ellicott's Commentary for English Readers, segundo Talmude, quando o sal se tornava impróprio para uso sacrificial (quando ele ficava insípido), ele era lançado em dias de chuva sobre as encostas e degraus do templo para evitar que os pés dos sacerdotes escorregassem. W. M. Thomson, em sua obra "The Land and the Book", comenta que o sal quando se tornava sem sabor pela ação da chuva, do sol e dos ventos, para nada mais servia; não havia lugar para ele na casa, quintal ou jardim, sendo então varrido para a rua, sendo tratado com desprezo pelos homens. Por sua vez, Schoetgenius teoriza que o sal mencionado por Jesus era um tipo de usado na Judéia, um sal betuminoso, obtido do Lago Asfaltite (Mar Morto). Esse sal tinha um odor característico e era usado em grande quantidade sobre o sacrifício com o propósito de prevenir a inconveniência do sacerdote e dos adoradores sentirem o cheiro de carne queimando e acelerar a ação do fogo, queimando mais rapidamente o sacrifício. Grande quantidade deste sal era armazenado no templo e ele era facilmente deteriorado, sob efeito do sol, do ar e da umidade, sendo então lançado sobre o pavimento do templo para prevenir que os pés do sacerdote escorregassem durante o sacrifício (Schoetgen. Horae Hebraicae, vol. i., pág. 18-24).

Sal que perdeu o sabor é um sal inútil. Não serve para tempero, não serve para conserva, não serve para nada. É um sal que tornou-se hipócrita na essência, na sua natureza de sal; você olha para ele e diz que é útil, que é bom, que é desejável para dar gosto e para conservar. Porém ao usá-lo você verifica que não adiantou nada, é como se não houvesse usado. O churrasco continua doce, e você não consegue comer. A carne fica sem seu conservante e irá inevitavelmente apodrecer pela ação bacteriana. Esse sal não presta para nada, só para ser lançado no lixo. Sal da terra que é mais terra do que sal. Não há nenhum valor nesse sal, nada de especial nele. Você olha para ele no chão e pisa nele, porque ele não vale nada. Afinal, o que há de especial num sal que não salga? Nada. Ninguém se dá o trabalho para extrair esse sal, nem para vende-lo pois ninguém o comprará; nem para armazená-lo, pois só ocupa espaço inutilmente. É sem valor comercial, não agregando bem algum a ninguém.

"Vós sois o sal da terra", disse Jesus. Os crentes são o sal da terra. Aqueles que tem em sua nova natureza a capacidade de salgar, de dar sabor, de ser conservante, evitando a putrefação espiritual e a decadência moral da humanidade. A História da Igreja traz o registro de muitas felizes ocasiões onde os crentes salgaram a sociedade onde viviam. Na época de John Wesley "os xingamentos nas fábricas pararam, os homens e as mulheres começaram a se preocupar com vestimentas limpas e simples, extravagâncias como chá caro e vícios como o gim foram deixados por seus seguidores, vizinhos deram um ao outro ajuda mútua através das sociedades." "O que Wesley pregava? Santidade, honestidade, salvação, boas relações familiares, vários outros temas, mas acima de tudo a fé em Cristo". (http://www.juventudemetodista.org.br/home/2011/03/john-wesley-o-jovem-que-transformou-uma-nacao-em-poucas-palavras/) Sobre esse período, comenta o Sem. Jailson Jesus dos Santos em seu blog "Descrentes dos crentes: a igreja sem credibilidade no mundo":  "no avivamento britânico, em 1739, a Inglaterra caminhava para o caos, os piores vícios prevaleciam. A bebida era algo tão comum que os embriagados viviam mais nos bares do que nos lares; tamanha era a criminalidade que não podiam andar nas ruas, à noite. Todavia, quando Deus derramou do Seu Espírito sobre os Wesleys e Whitfield, a Inglaterra mudou sua rotina; os bêbados deixaram os bares e voltaram para os lares;os escravos tornaram-se cidadãos, os marginais voltaram ao convívio social. A sociedade que estava em ruínas foi reformada por Deus. Sobre este período o historiador Samuel Green disse: “Toda a maneira de ser do povo inglês se modificou" (http://jailsonipb.blogspot.com.br/2010/02/descrentes-dos-crentes-igreja-sem.html). Durante o grande avivamento em Northampton, Estados Unidos, dois séculos atrás, bares, prostíbulos e casernas foram fechados, por falta de clientes e pela conversão dos proprietários. Sociedades salgadas pelo bom sal!

Mesmo no Brasil, experimentamos uma época de sal salgado. Lembro-me dos antigos, dos irmãos mais velhos na fé, falarem sobre os crentes brasileiros nas décadas de 50 a 80. Pastores sérios, conhecedores da Palavra, tementes ao Senhor, de vida ilibada; irrepreensíveis em todas as áreas da vida. O título de pastor era sinônimo de honestidade e de verdade. Seus casamentos eram exemplares. Homens de uma palavra só, de um sim, sim e de um não, não. Quando um pastor dava sua palavra, chovesse ou fizesse sol você podia estar certo que ele iria fazer exatamente o que disse. Mesmo no comércio local, se um pastor ou mesmo um crente empregasse sua palavra dizendo "eu pagarei no dia X" (sim, porque raramente eram ricos), o dono do comércio ficava tranquilo, porque no dia acertado ele iria fazer o pagamento. Quando aconteciam os escândalos - eram raros - eles eram tratados realmente como escândalos: aquele irmão ficava marcado pelo seu pecado; se saía da Igreja, dificilmente era recebido em outra. Só retornava a comunhão após um longo processo de averiguação e tratamento espiritual. Era uma época que ser crente era ser repudiado pelo mundo, ninguém queria ser identificado com "os Bíblias"! Ser crente implicava obrigatoriamente em renunciar o mundo e seus prazeres! Tudo mudava com a conversão, exteriormente - o linguajar, as roupas, o lazer, o namoro, o comportamento, os valores, as amizades, etc - e interiormente - o amor por Deus, o desejo de conhecer a Palavra, de fazer seminário, de fazer a Obra, de evangelizar, etc.

E hoje, em pleno séc. XXI? Hoje, vivemos a era do liberalismo bíblico-teológico, do relativismo moral, do performismo espiritual repleto de atos proféticos, de palavras de ordem ao sobrenatural, de comandos ativadores das forças do além. Dos crentes envolvidos com a política partidária, ocupando cargos no senado e no congresso nacional, cheios de bandeiras ideológicas ditas "cristãs". A Igreja hoje tem "grana", tem "status". Tem "música moderna, gospel". Hoje, temos apóstolos - Yes, we have! Tem "pastor" para os mais variados gostos: "cheirador" de Bíblia, topetudo hollywoodiano inventor de diálogos na Bíblia, "comedor de angú", "patriarca filho de matriarca do útero profético, descobridor do DNA de Deus", "pastor da unção 900" (R$ 900 para a prosperidade), restaurador da fé judaica (símbolos judaicos no culto cristão, como a arca, shofar, talit, etc - até o templo judaico andaram reconstruindo), xingador de palavrão sobre o pretexto da graça, derrubador de bandido com a unção do sopro, etc.  Ao escrever esse postagem, vi uma "pastora" num programa de talk show, vestida de rosa como se fosse uma princesa medieval: ela relativizou o conceito de pecado como opinião pessoal, ensinou que relacionamento com fumante torna-se obrigatoriamente fumante (comparando com o sexo antes do casamento), além de outras "pérolas".  

E qual o resultado disso tudo? Há um avivamento na nação? É ruim, ein! A sociedade está cada vez mais promíscua, cada vez mais corrompida pelo pecado.  Ninguém respeita mais ninguém. Impera a violência - sexual e não-sexual a qual juntamente com o consumo e venda de drogas é algo sem controle pelo Estado. A cada dez minutos, uma pessoa é assassinada no Brasil. Hoje, uma pessoa que é vítima de assalto e/ou sequestro raramente escapa com vida; os ladrões não apenas roubam, mas barbarizam com suas vítimas. O cidadão de bem vê-se prisioneiro do medo de sair de sua própria casa; quer de carro, quer de ônibus, quer de bicicleta ou mesmo a pé ninguém está livre da ação dos bandidos, que agora esfaqueiam suas vítimas. Há taxistas que estupram e roubam passageiras. Meninas de 17, de 13 anos de idade e até menos são estupradas na rua, em casa, na escola... por desconhecidos, por pais, avós, tios, padrastos, professores... jovens são estupradas nas faculdades, nas universidades, nos clubes... mulheres, por seus cônjuges, por médicos... Há até padres e pastores que violentam, estupram mulheres e crianças, e ainda fazem pose de espirituais!

Abundam casos de corrupção, como o Petrolão (considerado na mídia o maior caso de corrupção do mundo, aprox. R$ 87 bilhões desviados - http://odia.ig.com.br/noticia/brasil/2015-04-03/petrolao-tira-r-87-bilhoes-da-economia-brasileira.html), em todas as esferas da sociedade. Temo que não exista nenhum órgão ou empresa que não possua um caso de corrupção. São milhões, bilhões de reais desviados. Quando você vai ver, nenhum dos acusados ou culpados tem a menor necessidade de roubar dinheiro das empresas. São pessoas riquíssimas, de altíssimos salários! Corrupção para todo lado! Mesmo nos mais baixos escalões, tudo envolve um "jeitinho", "uma cervejinha", "um cafezinho", eufemismos para pedidos de propina, onde criam-se dificuldades para que sejam vendidas facilidades. Enquanto isso, os jornais de grande circulação estão repletos de crimes, de barbáries. Prevalecem os mandos e desmandos politiqueiros. Os políticos passam seus mandatos discutindo amenidades, num jogo de poder que dá nojo, numa enganação só; enquanto isso muitos municípios não contam com água tratada e nem saneamento básico - nem mesmo asfalto nas ruas, como o meu. Mentem descaradamente, prometendo saúde enquanto os hospitais estão superlotados e falidos, sem médicos, sem profissionais, sem aparelhos, sem medicamentos - até sem limpeza e elevador funcionando (como o Hospital Estadual de Cardiologia Aloísio de Castro, no RJ); prometem segurança enquanto a criminalidade só faz crescer; prometem educação, enquanto as faculdades públicas não tem sequer limpeza, e as escolas da rede pública não educam nem formam ninguém. Discutem leis que não servem para a sociedade - ou envolvem coisas de foro íntimo, como a "lei da palmada" (sic) ou envolvem a "lei da faca" (que prevê multa - pergunto: um moleque meliante, como o que matou o médico na Lagoa, irá pagar multa?? Quem acha que essa lei vai diminuir crime está redondamente enganado... portar arma de fogo sem licença é crime tipificado no código penal, mesmo assim cada vez mais os bandidos estão mais e mais armados, andando com suas armas na sociedade como se não estivessem fazendo nada demais... ridículo!)

E a Igreja? Bem, a Igreja está na política, na famosa "bancada evangélica", com deputados e vereadores, discutindo leis "importantíssimas" para a sociedade, como a lei que obriga a Bíblia nas escolas (sic). Nada contra que a Bíblia seja lida, mas calma aí: quem tem que ensinar a Bíblia é a Igreja, tanto aos pais quanto às crianças. Se a criança é bem ensinada, se a família é bem doutrinada na Palavra de Deus pela Igreja, então não há o que temer, nem porque pressionar para que a escola ensine os "valores cristãos". Esse é o cerne do problema, aliás: o papel da Igreja como sal salgado! O sal está cada vez mais insípido! Cada vez mais, o sal não está salgando mais nada, porque perdeu o sabor. Perdeu o sabor porque permitiu que o mundo entrasse na Igreja, que o mundo influenciasse sua forma de crer e de ser. Perdeu o sabor porque relativizou o pecado - porém o pecado continua sendo um absoluto, com seus efeitos absolutos sobre o homem! Porque relativizou a ética cristã, deixando o mundo ditar para a Igreja suas podridões morais! Muitos jovens cristãos crentes já transaram antes do casamento; outros ainda transam e a Igreja diz que está tudo bem?! As jovens cristãs estão cada vez mais com as nádegas à mostra, em seus minivestidos arrochados no corpo - e até algumas ditas pastoras e obreiras fazem o mesmo! Estão mostrando tudo, sem nenhum pudor, sem nenhuma vergonha na cara de pau, na presença de seus maridos, noivos, "namoridos" ou na ausência! Casais crentes estão se divorciando como nunca, em índices quase tão altos quanto no mundo não crente! O linguajar os crentes é tão podre (ou mais) do que os não-crentes; sobre isso, o Pr. Augustus Nicodemus Lopes comentou em seu blog que "não poucas vezes se depara com murais compartilhando fotos meio-eróticas, palavrões, para não falar de comentários cheios de palavras chulas e palavrões do pior tipo" feitos por crentes (a exemplo do Pr. Augustus, tenho crentes em meu facebook que fazem exatamente a mesma coisa!). Já os pastores, por sua vez, não combatem mais o pecado. Eles preferem pregar uma mensagem psicológica de "bom viver", uma mensagem de "auto-ajuda gospel"! Mensagem doce para não perder pessoas e com elas dinheiro! Só pensam em dinheiro, em poder, e em mais dinheiro! Em fama, em mídia! Em aumentarem seus reinos pessoais!

Diante disso, só resta fazer a mesma pergunta que Jeremias: "De que se queixa, pois, o homem vivente?" (Lm 3.39a) Parodiando Jeremias, pergunto: De que se queixa, pois, a Igreja? Sim, de que se queixa? Diversos crentes se manifestaram diante do que foi realizado na Parada Gay, em São Paulo, em 2015, onde os manifestantes que ali estavam fizeram uso de símbolos cristãos, como a cruz, como estratégia de marketing e para provocação dos cristãos. Num dos momentos, uma transexual apareceu "crucificada" na parada gay. O movimento gerou reações: a CNBB emitiu nota na qual vem "expressar nosso repúdio diante dos lamentáveis atos de desrespeito ocorridos",  diante das "claras manifestações de desrespeito à consciência religiosa de nosso povo e ao símbolo maior da fé cristã, Jesus crucificado" (http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2015/06/bispos-divulgam-nota-contra-uso-de-imagens-religiosas-na-parada-gay.html). Enquanto isso, deputados evangélicos protestaram contra parada gay e "rezam" no plenário (http://www1.folha.uol.com.br/poder/2015/06/1640504-bancada-evangelica-faz-manifestacao-contra-parada-gay-e-reza-pai-nosso-no-plenario-da-camara.shtml). Até repudiar fabricantes de perfumes os pastores estão fazendo, no afã de "defender os valores cristãos"! E o que isso tem mudado a sociedade? Há milhares de denominações evangélicas, cada vez mais igrejas dos mais variados nomes, com os mais variados costumes e liturgias, porém a sociedade está mais deteriorada do que nunca! A Igreja perdeu a influência na sociedade! Querido(a), a verdade é que a igreja está sendo pisada pelos homens! E se isso está acontecendo, a responsabilidade é unicamente nossa! O sal está sem sabor, está sem sua única qualidade de interesse! Vamos responder assim a pergunta de Jeremias: "Queixe-se cada um dos seus pecados" (Lm 3.39b). E se alguém acha que o ser pisado é só esta manifestação, está redondamente enganado: a mídia faz chacota com a igreja em todos os momentos! Nas novelas, nos talk shows, nos jornais, nas rádios, nos filmes, etc; quase todo dia tem uma piadinha sobre crentes e igrejas. Ser perseguido pela fé em Cristo é bênção! Porém, as perseguições que aí estão são por culpa nossa mesmo! "O que provoca a zombaria são práticas e costumes estranhos em nome do Espírito Santo, escândalos, ostentações de riquezas e busca descarada do dinheiro dos incautos em nome de Deus, e o engajamento infeliz de segmentos evangélicos numa guerra contra aqueles que deveriam ser objeto de nossa pregação sobre a cruz e não da nossa ira. Nem sempre os evangélicos sofrem no Brasil por serem cristãos sérios, firmes, verdadeiros e fiéis a Deus" (http://bereianos.blogspot.com.br/2014/06/perseguidos-por-causa-de-cristo.html#.VXtwyo3bJjo). Já que não influenciamos, somos influenciados. E aí, tome pisada! E é só o começo...

Precisamos urgentemente de uma restauração dos valores bíblicos, de forma a modificar nossa ética e moral à luz dos princípios da Palavra de Deus. Não será o dominionismo (Reconstrucionismo ou Reino Agora: ensina que, antes da volta de Cristo o crente terá domínio sobre cada área da vida e sociedade humana; Jesus não poderá voltar, até que a igreja tenha subjugado a Terra e conseguido o controle das instituições governamentais e sociais da mesma), contrário ao que ensina a Palavra de Deus, que trará a posição de honra da igreja, mas sim sua identificação com Cristo Jesus. Não será a amizade com o mundo que trará a presença de Deus em nosso meio; muito pelo contrário. O plano de Deus sempre foi ter um povo peculiar, de propriedade exclusivamente Sua, não um povo semelhante com o mundo: "Porque povo santo és ao Senhor teu Deus; o Senhor teu Deus te escolheu, para que lhe fosses o seu povo especial, de todos os povos que há sobre a terra" (Dt 7.6). É justamente  a observância da Palavra de Deus, quanto na presença de Deus em nosso meio, que nos torna diferentes das demais nações: "Vedes aqui vos tenho ensinado estatutos e juízos, como me mandou o Senhor meu Deus; para que assim façais no meio da terra a qual ides a herdar. Guardai-os pois, e cumpri-os, porque isso será a vossa sabedoria e o vosso entendimento perante os olhos dos povos, que ouvirão todos estes estatutos, e dirão: Este grande povo é nação sábia e entendida. Pois, que nação há tão grande, que tenha deuses tão chegados como o Senhor nosso Deus, todas as vezes que o invocamos? E que nação há tão grande, que tenha estatutos e juízos tão justos como toda esta lei que hoje ponho perante vós? (Dt 4.5-8).

Estamos, amados,  experimentando uma época de opróbrio, de vergonha, de vexame.  Nossos rostos deveriam corar de vergonha! Não estamos exercendo influência salina na sociedade! Qual é o nosso opróbrio? Salmo 79 esclarece: "Somos feitos opróbrio para nossos vizinhos, escárnio e zombaria para os que estão à roda de nós. Porque diriam os gentios: Onde está o seu Deus? Seja ele conhecido entre os gentios, à nossa vista, pela vingança do sangue dos teus servos, que foi derramado" (vv.4,10) O opróbrio, amado(a) leitor(a), é o povo (mundo) não ver que Deus está no nosso meio. Isso é a vergonha. Isso é o nosso opróbrio.  Muita gente pensa errado; pensa que para o Nome de Deus ser glorificado a Igreja precisa contar com respeito e reconhecimento. Isso é um princípio errado. Deus nunca pediu isso, que para o Nome Dele ser glorificado nós tínhamos que ser alguma coisa. Para o Nome Dele ser glorificado, nós não precisamos de números, de posição, de estar por cima. O nome Dele não é envergonhado simplesmente por existirem pessoas que estão contra, que atacam, que perseguem; não é isso que traz vergonha para Deus. Deus no nosso meio não significa que somos fortes e numerosos. A causa do opróbrio é a ira de Deus ("Até quando, Senhor? Acaso te indignarás para sempre? Arderá o teu zelo como fogo?" - Sl 79.5). Se estamos sendo envergonhados, é porque Deus está irado conosco! Quando Deus está conosco, Ele vai nos defender; caso contrário, alguma coisa está errada! Deus só defende quando o povo realmente representa a santidade e a fidelidade a Deus. Do contrário, Deus permite o opróbrio, a vergonha, porque Ele quer nos levar de volta para Ele! Precisamos nos arrepender! Precisamos mudar o nosso coração e com ele o nosso rumo como igreja, como noiva de Cristo, como povo peculiar de Deus! Somente com o arrependimento sincero e genuíno, com a confissão e abandono do nosso pecado de apostasia de Deus e do Seu plano para nós como Igreja, é que Deus removerá o opróbrio: "Não te lembres das nossas  iniqüidades passadas; venham ao nosso encontro depressa as tuas misericórdias, pois já estamos muito abatidos. Ajuda-nos, ó Deus da nossa salvação, pela glória do teu nome; e livra-nos, e perdoa os nossos pecados por amor do teu nome." (Sl 79.8,9)

Deus quer tirar a vergonha Dele não estar no nosso meio. Precisamos, como sacerdotes do Nosso Rei Jesus, chorar o choro do Espírito, que nos leva a implorarmos por socorro e por perdão – individual e coletivamente (Jl 2.17,18). Somente assim, a Igreja voltará a ser a comunidade do Espírito, onde a presença do Senhor é notória para aqueles que dela fazem parte e, especialmente, para os que estão fora! Só assim, o sal poderá ser novamente útil para o Senhor!

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

Um comentário:

  1. A situação está por demais terrível! Estamos vivendo tempos calamitosos. Como Israel nos tempos idos, muitos tem cavado cisternas rotas em vez de buscar a fonte de águas vivas. O resultado está aí. Que o Senhor nos leve a chorar e clamar insistentemente .Que os trapos e as cinzas estejam sobre o nosso coração. Urge que nos arrependamos para que venham dias de avivamento. E isso tem que acontecer a partir do altar .A ira do Senhor é justa, visto que nos temos rebelado contra os Seus mandamentos.

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