Recentemente, foi veiculado pela Rede Record uma reportagem sobre a "unção do cair no espírito", também conhecida como fanerose. A reportagem do programa Domingo Espetacular baseou-se em entrevistas com pessoas que tiveram experiências negativas com as Igrejas onde esta unção era/é praticada. A reportagem também confundiu as "unções" do cair no espírito com as unções de animais, exibindo na tela o show gospel onde uma pastora muito conhecida aparece andando de quatro no palco, imitando um leão. É claro que há uma guerra (não santa) travada nos bastidores, que são mera continuidade da guerra entre bispos, apóstolos e pastores midiáticos de grandes impérios religiosos que já se tornou mais comum do que a guerra no oriente médio.
Esse assunto das unções já foi abordado aqui neste blog ("FIDE ET RATIO: A UNÇÃO ESPIRITUAL" - http://www.apenas-para-argumentar.blogspot.com/2010/10/fide-et-ratio-uncao-espiritual.html). Estas unções são na verdade a manifestação da psiquê humana (psiquismo), algo que o Pr. Watchman Nee chama de "Poder Latente da Alma". Desse poder também deriva-se muitos dos fenômenos que são atribuídos à parapsicologia. As muitas ocorrências miraculosas que a parapsicologia moderna descobre, de modo algum atestam seu caráter sobrenatural. Elas simplesmente provam que o poder latente da alma pode ser liberado pelos meios apropriados. Mary Baker Eddy, fundadora da seita pseudocristã "Ciência Cristã" utilizava e ensinava aos adeptos da seita a utilizarem esse poder para cura, por exemplo. Outras religiões e seitas fazem uso de práticas ascéticas com vistas a mortificarem o corpo e assim darem vazão a alma humana, para que esta libere todo o poder que há nela.
Assim diz o Pr. Watchman Nee: "Deus, entretanto, nunca opera com o poder da alma, pois é sem utilidade para Ele. Quando nascemos de novo, nós nascemos do Espírito Santo. Deus opera pelo Espírito Santo em nosso espírito renovado. Ele não tem nenhum desejo de usar o poder da alma. Desde a queda Deus proibiu o homem de usar novamente seu poder original da alma. Por essa razão é que o Senhor Jesus freqüentemente declara como precisamos perder nossa vida da alma, isto é, nosso poder da alma. Deus deseja que nós, hoje, não usemos este poder de modo algum. [...] O poder da alma lança-se sobre nós como uma torrente. Fazendo uso da ciência (psicologia e parapsicologia), religião e até mesmo de uma igreja ignorante (em sua busca exagerada de manifestações sobrenaturais e na ausência de controle quanto a dons sobrenaturais segundo a direção da Bíblia), Satanás está levando este mundo a se encher do poder das trevas." (grifo adicionado)
Esse é o cerne do problema: a igreja que aí está é cada vez mais ignorante acerca dos dons espirituais. Tendo uma sede de poder imensa, quase insaciável, estando edificada sobre um triunfalismo utópico ao invés da Bíblia, a igreja acaba recebendo em seu seio toda e qualquer manifestação sobrenatural, sem ponderar qual é a origem daquela manifestação. A manifestação traz, na mente dos crentes que não conhecem as Escrituras, uma espécie de "selo de qualidade", de "certificação de 3a. parte", como se Deus estivesse atestando a idoneidade daquela igreja ou pregador a partir daquela manifestação. Assim, a Igreja cai no mesmo erro das mais diversas seitas e religiões, como o kardecismo, onde toda a manifestação sobrenatural é atribuída em última análise a Deus.
Esta igreja que ignora a Palavra de Deus está fascinada pelo truque dos mágicos da corte de Faraó, que replicaram o poder de Deus na vida e ministério de Moisés. "Olhe, a vara dos mágicos virou serpente!" "Olha, Deus está derrubando seu povo na igreja tal", "Deus está derramando a unção do Leão ali!", "o poder está lá; vamos!" E assim a turba vai e vem, de igreja em igreja, atrás dos fênomenos sobrenaturais. Não é Ele quem está fazendo estes sinais; porque Ele, na pessoa do Espírito Santo, não torna a Igreja, a qual Ele amou, "e a si mesmo se entregou por ela, para a santificar, purificando-a com a lavagem da água, pela palavra" (Ef 5.26) num circo de horrores. Para Jesus, sua Igreja precisa obrigatoriamente ser "igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e irrepreensível." (Ef 5.27) Não será Ele, portanto, a implantar nem incentivar a inglória, a desonra e coisas semelhantes!
Do mesmo modo, os ministros que aí estão, fazendo todo tipo de sinal sobrenatural - e não só com as unções disso ou daquilo, mas com o uso de instrumentos mágicos como rosas, sal grosso, toalhinhas e paninhos, etc. não são ministros segundo Deus, mas segundo Simão Mágico. Eles querem poder para terem lucro, que manifestação sobrenatural para terem "a casa cheia" e com isso aumentarem as entradas financeiras. Mostre o caráter, mostre o fruto do Espírito Santo! Onde estão o amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão e o domínio próprio? O que se vê são as obras da carne a todo instante! Porfias, inimizades, invejas, emulações, iras, pelejas, dissensões... e não tem Unidade Pacificadora que dê solução! Referindo-se às obras da carne, Paulo diz que os que tais coisas praticam não herdarão o Reino de Deus. Assim, conclui-se que naquele grande e terrível dia, muitos "ministros da unção", "operadores do sobrenatural", ficarão de fora do Reino, sendo lançados em trevas exteriores, onde haverá choro e ranger de dentes.
Além das unções "top ten" do meio gospel - leão, cair no espírito, objetos ungidos, etc - poderíamos incluir aqui tantas outras, menos populares nas cidades, mas de grande popularidade nas regiões mais afastadas: rodopio do espírito, sapato de fogo, unção do anjo, unção do marchador, unção do karatê kid, unção do espadachim, etc. Tudo isso não passa de poder - unção - latente da alma! Ou seja, não é produzida pelo Espírito Santo, mas pela própria pessoa! Do mesmo modo, a prática de alguns grupos de buscarem o Espírito Santo com práticas de isolamento, privação do sono, jejuns prolongados, cânticos de músicas/corinhos repetitivos, etc. podem produzir manifestações puramente almáticas: a prática leva a confusão mental e apassivação da vontade, tornando a pessoa susctível a qualquer comando direto ou indução.
Abre parênteses: Hoje assisti a mais um episódio da série "Law and Order", uma de minhas preferidas. O episódio versava sobre uma menina morta por espancamento num ritual de exorcismo praticado por uma católica fanática, segundo supostamente as ordens de "São Miguel" dadas à mulher para vencer o diabo no corpo da moça. A mãe havia levado a jovem a esta "operadora de milagres" porque a menina era incontrolável e demasiadamente rebelde. Durante o ritual, a fanática mandou a mãe à igreja para rezar, porque ela teria perdido a fé e assim fortalecia o diabo no corpo da menina, dificultando a expulsão. Quando julgada - e acabou sendo condenada ao final por homicídio doloso - até o Promotor de Justiça, Jack McCoy (personagem do ator Samuel Atkinson Waterston), teve dúvidas se realmente não se tratava de um "dom" que a fanática possuía. Infelizmente, ficção e realidade guardam profundas semelhanças. Na vida real, há uma série de pessoas, no mínimo fanáticas, interpretando a Bíblia como querem e bem entendem de forma a justificar suas práticas esdrúxulas; há, do mesmo modo, pessoas desesperadas a procura de qualquer ajuda para solucionar seus problemas e que acabam, muitas vezes, nas mãos ou de fanáticos ou de picaretas, dando tudo o que tem - emocional e financeiramente - sem nunca ver nenhuma melhora duradoura. O ateísmo prático, derivando-se para o filosófico, é o mínimo que se pode esperar da humanidade na persistência desse cenário caótico. Fecha parênteses.
Note que há grande interesse do inferno que estas unções almáticas continuem surgindo, que estes "poderes sobrenaturais" continuem a se manifestar. Como diz o Pr. Watchman Nee, há muitas vantagens nisso:
(a) Ele será capaz de cumprir sua promessa original feita ao homem de que "vós sereis como Deus". Em sua habilidade de operar muitas maravilhas, os homens se considerarão como deuses e adorarão não a Deus, mas a si mesmos.
(b) Confundirá os milagres de Deus. Ele deseja levar a humanidade a crer que todos os milagres na Bíblia são apenas psicológicos em sua origem, rebaixando, desse modo, o seu valor. Ele quer que os homens pensem que são capazes de fazer tudo o que o Senhor Jesus fez.
(c) Ele confundirá a obra do Espírito Santo. O Espírito Santo trabalha no homem através do espírito humano, mas agora Satanás forja na alma do homem muitos fenômenos semelhantes às operações do Espírito Santo, levando-os a experimentarem falsos arrependimentos, falsa salvação, falsa regeneração, falso reavivamento, falsa alegria e outras imitações das experiências do Espírito Santo.
(d) Ele usará o homem como seu instrumento na oposição final contra o plano de Deus nesta última era. O Espírito Santo é o poder operador dos milagres de Deus, mas a alma do homem é o poder operador de milagres de Satanás. Os últimos três anos e meio (durante a grande tribulação), será um período de grandes maravilhas realizadas pela alma do homem sob a direção de Satanás.
Estas unções que aí estão não passam de unções latentes da alma! A Igreja não precisa disso! Não, isso não vem de Deus e não há benefício duradouro nestas unções, apenas tristeza e vergonha depois de fazer o papel de ridículo. Obviamente, há ainda os milagres verdadeiros, genuinamente produzidos por Deus! Graças a Deus por eles. Mas é preciso conhecimento da Palavra e discernimento, para não cairmos sob domínio do espirito do erro!
Como discernir se a manifestação vem de Deus ou é apenas da alma? Veja a diferença de resultados. Qual é a diferença nos resultados entre a operação do Espírito e a da alma? Apenas o que vem do Espírito produz e transmite vida; a alma, apesar de viva, é incapaz de transmitir vida. "O primeiro homem, Adão, tornou-se alma vivente; o último Adão, espírito vivificante" (I Co 15.45) O Espírito Santo nunca Se envolve em ajudar o poder da alma. O Espírito Santo precisa nos levar primeiro ao lugar onde não podemos fazer nada por nós mesmos, para só então atuar com sinais e poder.
Se os crentes desejam tanto a unção desprovida de base nas Escrituras, então eu aconselho que peçam a melhor "unção": a "Unção do Leão da Montanha - Saída pela Direita"! Saia já desse lugar onde a igreja deixou de ser Igreja, coluna e baluarte da verdade! Não há opção: ou a Igreja ama e ensina as Escrituras - são elas que testificam de Jesus - ou ela ensina outro caminho, outra verdade e outro tipo de vida diferente da Vida que é o Senhor. Saia já da Babilônia espiritual, antes que a sua alma seja capturada e colocada à venda! Em Babilônia não há escrúpulos ou piedade, o Tirano soberno de Babilônia é totalmente maligno; ele vai fazer negócio com a sua alma!
A propósito: o Leão da Montanha só andava sobre duas patas, não de quatro; ele falava, não rugia e era extremamente esperto para reconhecer a hora de dar o fora! Duvido que o querubim com rosto de leão no Livro de Apocalipse ruja no céu, na presença de Deus. Ele só tem o rosto de leão, mas é um Q-U-E-R-U-B-I-M!!!! É um ser angelical!!!! Voltem para Escola Bíblica e estudem de novo a lição sobre angelologia, de forma a parar de ensinar tanta bobagem em nome de Deus! Nem Jesus, como o Leão da Tribo de Judá, jamais rugiu ao falar com alguém, nem mesmo com João na Ilha de Patmos, nem mesmo com Deus! Por favor!
Agora, se você quer realmente uma unção bíblica, aconselho você a estudar a Palavra de Deus. Aprenda-a de modo que você possa usá-la como guia nesta hora tenebrosa. E, por favor, pare de dizer que a Bíblia "é muito difícil". Me desculpe amado(a) leitor(a), mas isso é conversa de preguiçoso! O apóstolo João nos ensina: "E vós tendes a unção do Santo, e sabeis tudo." (I Jo 2.20) Ou seja, basta que eu com perseverança estude a Palavra que eu acabarei aprendendo-a porque a Unção para isso, eu já tenho.
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
quinta-feira, 3 de novembro de 2011
EU QUERO O VINHO NOVO... MAS AINDA SOU ODRE VELHO!
Ninguém deita remendo de pano novo em roupa velha, porque semelhante remendo rompe a roupa, e faz-se maior a rotura. Nem se deita vinho novo em odres velhos; aliás rompem-se os odres, e entorna-se o vinho, e os odres estragam-se; mas deita-se vinho novo em odres novos, e assim ambos se conservam. (Mt 9.16,17)
"Eu quero, ó Senhor, Teu vinho novo...". Esse é o desejo de muitos crentes em Cristo, cantado em verso e prosa nas igrejas. Querem viver o novo de Deus em suas vidas; querem poder usufruir daquilo que Deus prometeu e que, segundo elas, está muito além realidade vivida no dia-a-dia. Na concepção desses irmãos, o dia-a-dia, com o seu mesmismo, é enfadonho e impede-os de crescerem e atingirem maiores patamares espirituais na presença de Deus. "Chega do velho, queremos o novo!" é o brado do coração desses irmãos, ansiosos por algo que definiram como "novo" mas que não sabem explicar do que se trata. O que é esse novo que tão ardentemente desejam? O que esse novo que é muito melhor do que o velho? Aliás, o que é esse velho e o que há de tão ruim nele que torne-o tão indesejável?
Penso que o grande problema aqui é a adoção de jargões e expressões de efeito sem o devido entendimento. Pouquíssimos entendem o significado daquilo que falam; trata-se de mera repetição de palavras. Muitos pregadores fazem uso de expressões como essa, mas poucos são aqueles que definem o significado e a aplicação prática para a vida dos ouvintes. Tampouco as condições para entender aquilo que a expressão conota. Se explicando tudo "muito bem explicadinho, nos mínimos detalhes", como diria o personagem "Seu Explicadinho", do programa humorístico "A Praça é Nossa", já está difícil de compreender, imagine sem explicar...
A interpretação do texto de Mateus 9 é única. Mas a aplicação prática pode variar, dependendo do contexto onde ela é aplicada. Assim, o que é esse novo, tão almejado pelos crentes? Há a tendência de se entender esse "novo" a uma nova forma de viver, voltada apenas para o viés secular. Assim, o tão sonhado novo seria, por exemplo, um novo trabalho, um novo patamar financeiro, um novo relacionamento. Neste viés, empobrecedor a luz das imensas possibilidades envolvidas no conceito de "novo", o anseio é com relação ao "aqui e agora", restringindo-se "as coisas dessa vida".
Se formos considerar esse viés, é preciso fazê-lo em sua totalidade, ou seja, se o novo aqui refere-se às coisas seculares, então o secular precisa necessariamente servir para a glória de Deus e não apenas para a satisfação pessoal. Se não há nada de mais em se desejar a melhoria de vida de forma justa e coerente, essa mudança de vida deve, na vida do crente, refletir um propósito superior, espiritual: o Reino de Deus e a Sua Justiça. Assim, ao desejar um "novo emprego" (com salários e condições de trabalho melhores), este novo emprego precisa, por exemplo, redundar em melhor apoio à causa do Reino, como o suporte financeiro de forma a suprir as necessidades da Agência de Expansão do Reino (a Igreja), de acordo com o novo patamar, a podendo envolver a compra de projetores de slides ou financiamento de eventos evangelísticos.
Porém, para que o novo venha a acontecer, é preciso atender a uma série de prerrogativas. A mais básica delas é o fato de que o novo não se acerta com o velho. É preciso que tudo seja novo, tanto o que vai ser recebido como novo quanto aquele que recebe o novo. Abordar as condições necessárias na vida daquele que deseja o novo de forma que possa recebê-lo, este é um tema pouco explorado nas mensagens pelos "pregadores do novo". Quais seriam as condições? Numa simples leitura de Mateus 9, é fácil ver que as condições são aquelas que envolvem mútua preservação - do novo e daquilo que recebe o novo. Quem recebe o novo não pode (1) ser prejudicado pelo novo por seu estado de velho e nem (2) desperdiçar o novo recebido por seu estado de velho.
Vejamos um exemplo prático. Há pessoas que anseiam viver um novo relacionamento sentimental, mas ainda não abriu mão dos sentimentos antigos de um relacionamento anterior. Ainda sonha com o outro relacionamento, ainda experimenta emoções fortes com relação ao relacionamento antigo. Assim, por exemplo, se viúvo(a) a procura de um novo relacionamento, ainda está a viver o relacionamento antigo com o(a) falecido(a). Se é um noivado que não deu certo, a pessoa ainda vive as bases emocionais do antigo relacionamento. Ela ainda não conseguiu se desvincular do relacionamento anterior e já está ansiando um novo relacionamento - deseja o novo, mas ainda vive o velho. Neste caso, se o novo vier a existência em sua vida, este novo ser-lhe-á prejudicial: haverá inúmeras brigas por comprações entre o novo e o antigo. O próprio novo será desperdiçado, acabando por ir embora e intensificando ainda mais as dores antigas, podendo levar a estados emocionais patológicos.
Suponhamos, por exemplo, o seguinte caso prático, muito comum em nossos dias: um casal que se separa fisicamente, mas um dos antigos cônjuges ainda nutre emoções intensas ou mesmo vínculos emocionais-afetivos com relação ao outro cônjuge. Para o cônjuge que está emocionalmente vinculado ao outro - mesmo que seja um sentimento de raiva ou ira, ou qualquer outro vínculo - o relacionamento, na prática, ainda existe, apesar dos corpos estarem já separados. Assim, é impossível que qualquer possibilidade de novo relacionamento que possa vir a surgir tenha qualquer chance de dar certo, pois os vínculos com o relacionamento antigo ainda existem.
Abre parênteses: O assunto do divórcio no contexto cristão já foi tratado neste blog em inúmeras postagens (veja por exemplo "E EU VOS DECLARO... UMA SÓ CARNE" em http://www.apenas-para-argumentar.blogspot.com/2011/01/e-eu-vos-declarouma-so-carne.html e "ONDE MORA O MONSTRO?" em http://www.apenas-para-argumentar.blogspot.com/2011/04/onde-mora-o-monstro.html). Como já declarei, creio na restauração tanto de pessoas como de relacionamentos. Creio no casamento enquanto instituição divina, ordenado por Deus como monogâmico, heterossexual e indissolúvel. Mas é preciso reconhecer que em alguns casos extremos, o divórcio pode ser livramento de Deus para muitas mulheres; a última solução, um mal necessário, numa sociedade cada vez mais doente e miserável, onde os casamentos são feitos sem a concordância ou bênção de Deus. Há cada vez mais casais que estão juntos apenas pela conveniência - "casamento fake"; do mesmo modo, há muitas separações que são também "fakes" na prática, onde muito do antigo ainda é preservado (por exemplo, fazem planos de longo prazo em comum mesmo estando separados). Ambas as coisas estão erradas do ponto de vista Bíblico, pois ambas não passam de mentira. Fecha parênteses.
Há outra forma de se ver o novo: trata-se do viés espiritual. Por exemplo, o batismo com Espírito Santo, os dons ministeriais e espirituais ou uma maior atuação - em termos de amplitude - na Obra de Deus (como ser um missionário transcultural, por exemplo). Aqui também existem as mesmas pré-condições necessárias para receber o novo: (1) não ser prejudicado pelo novo por seu estado de velho e nem (2) desperdiçar o novo recebido por seu estado de velho. O profeta Jeremias já ensinava: "Se te fatigas correndo com homens que vão a pé, como poderás competir com os cavalos? Se tão-somente numa terra de paz estás confiado, como farás na enchente do Jordão?" (Jr 12.5) Como ter um ministério mais amplo, se o pensamento e a prática ainda são típicos de um ministério incipiente? Se a gestão administrativa e espiritual são ainda amadoras em seus aspectos? Se nos enrolamos no básico, no B-A-BA, como falar noutras línguas com outros povos? Acaso "batendo cabeça contra cabeça" em coisas simples, como o exercício das funções básicas na Igreja, poderemos desempenhar coisas maiores? Ora, se há anseio pelo novo de Deus, é preciso haver preparação interna - emocional e administrativamente - para receber esse novo. Pensamentos novos precedem obrigatoriamente atitudes novas.
Por exemplo, imaginemos o seguinte caso: um pastor centralizador, incapaz de delegar funções e de exercer a coordenação dos delegados. O pensamento dele é: "só sai bem feito se eu mesmo fizer". Ora, como este equivocado ministro de Deus poderá receber mais pessoas em sua grei - e assim ampliar o seu ministério, se com as que ele possui a obra já é 100% dependente dele para acontecer? Deus, que o ama, não permitirá o crescimento (sim, porque é Deus quem dá o crescimento da Sua obra) do ministério deste pastor enquanto ele não renovar a sua mente, a fim de que ele não venha até mesmo sofrer um enfarte por causa da obra - e assim perder tanto o novo quanto quem recebe o novo. Se você, amado pastor que lê essa postagem, questiona Deus porque seu ministério não cresce numericamente, saiba que uma das razões disso acontecer pode ser sua forma antiquada, centralizadora, de gestão da Obra.
Abre parênteses: É possível inovar na gestão da Obra de Deus sem incorrer em pecado. Nem tudo o que é novo é ruim e nem tudo o que é velho é o melhor. Há muitos bons conceitos de liderança e de gestão que podem ser aplicados na Obra com algum exercício mínimo de adequação a um novo contexto, assim como há novos métodos de ensino e comunicação. É claro que isso envolve estudo, envolve empregar tempo (e às vezes recursos) num curso ou seminário, ou mesmo num retiro para liderança a fim de explorar as diversas facetas e conceitos envolvidos. Afinal, "todo o escriba instruído acerca do reino dos céus é semelhante a um pai de família, que tira do seu tesouro coisas novas e velhas". Os filhos deste mundo serão sempre mais prudentes que os filhos da luz? É hora de darmos um basta nisso, não acha? Fecha parênteses.
Concluindo: para receber o vinho novo, é preciso ser odre novo. Antes de receber o novo, é preciso ser novo, é preciso renovar emoções, idéias, conceitos, atitudes e visões. É sempre possível renovar sem cair em pecado, sem transgredir as Verdades Bíblicas com as quais estamos comprometidos. Somente a partir do renovar interior é que poderemos usufruir do novo - interior e exterior.
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!
"Eu quero, ó Senhor, Teu vinho novo...". Esse é o desejo de muitos crentes em Cristo, cantado em verso e prosa nas igrejas. Querem viver o novo de Deus em suas vidas; querem poder usufruir daquilo que Deus prometeu e que, segundo elas, está muito além realidade vivida no dia-a-dia. Na concepção desses irmãos, o dia-a-dia, com o seu mesmismo, é enfadonho e impede-os de crescerem e atingirem maiores patamares espirituais na presença de Deus. "Chega do velho, queremos o novo!" é o brado do coração desses irmãos, ansiosos por algo que definiram como "novo" mas que não sabem explicar do que se trata. O que é esse novo que tão ardentemente desejam? O que esse novo que é muito melhor do que o velho? Aliás, o que é esse velho e o que há de tão ruim nele que torne-o tão indesejável?
Penso que o grande problema aqui é a adoção de jargões e expressões de efeito sem o devido entendimento. Pouquíssimos entendem o significado daquilo que falam; trata-se de mera repetição de palavras. Muitos pregadores fazem uso de expressões como essa, mas poucos são aqueles que definem o significado e a aplicação prática para a vida dos ouvintes. Tampouco as condições para entender aquilo que a expressão conota. Se explicando tudo "muito bem explicadinho, nos mínimos detalhes", como diria o personagem "Seu Explicadinho", do programa humorístico "A Praça é Nossa", já está difícil de compreender, imagine sem explicar...
A interpretação do texto de Mateus 9 é única. Mas a aplicação prática pode variar, dependendo do contexto onde ela é aplicada. Assim, o que é esse novo, tão almejado pelos crentes? Há a tendência de se entender esse "novo" a uma nova forma de viver, voltada apenas para o viés secular. Assim, o tão sonhado novo seria, por exemplo, um novo trabalho, um novo patamar financeiro, um novo relacionamento. Neste viés, empobrecedor a luz das imensas possibilidades envolvidas no conceito de "novo", o anseio é com relação ao "aqui e agora", restringindo-se "as coisas dessa vida".
Se formos considerar esse viés, é preciso fazê-lo em sua totalidade, ou seja, se o novo aqui refere-se às coisas seculares, então o secular precisa necessariamente servir para a glória de Deus e não apenas para a satisfação pessoal. Se não há nada de mais em se desejar a melhoria de vida de forma justa e coerente, essa mudança de vida deve, na vida do crente, refletir um propósito superior, espiritual: o Reino de Deus e a Sua Justiça. Assim, ao desejar um "novo emprego" (com salários e condições de trabalho melhores), este novo emprego precisa, por exemplo, redundar em melhor apoio à causa do Reino, como o suporte financeiro de forma a suprir as necessidades da Agência de Expansão do Reino (a Igreja), de acordo com o novo patamar, a podendo envolver a compra de projetores de slides ou financiamento de eventos evangelísticos.
Porém, para que o novo venha a acontecer, é preciso atender a uma série de prerrogativas. A mais básica delas é o fato de que o novo não se acerta com o velho. É preciso que tudo seja novo, tanto o que vai ser recebido como novo quanto aquele que recebe o novo. Abordar as condições necessárias na vida daquele que deseja o novo de forma que possa recebê-lo, este é um tema pouco explorado nas mensagens pelos "pregadores do novo". Quais seriam as condições? Numa simples leitura de Mateus 9, é fácil ver que as condições são aquelas que envolvem mútua preservação - do novo e daquilo que recebe o novo. Quem recebe o novo não pode (1) ser prejudicado pelo novo por seu estado de velho e nem (2) desperdiçar o novo recebido por seu estado de velho.
Vejamos um exemplo prático. Há pessoas que anseiam viver um novo relacionamento sentimental, mas ainda não abriu mão dos sentimentos antigos de um relacionamento anterior. Ainda sonha com o outro relacionamento, ainda experimenta emoções fortes com relação ao relacionamento antigo. Assim, por exemplo, se viúvo(a) a procura de um novo relacionamento, ainda está a viver o relacionamento antigo com o(a) falecido(a). Se é um noivado que não deu certo, a pessoa ainda vive as bases emocionais do antigo relacionamento. Ela ainda não conseguiu se desvincular do relacionamento anterior e já está ansiando um novo relacionamento - deseja o novo, mas ainda vive o velho. Neste caso, se o novo vier a existência em sua vida, este novo ser-lhe-á prejudicial: haverá inúmeras brigas por comprações entre o novo e o antigo. O próprio novo será desperdiçado, acabando por ir embora e intensificando ainda mais as dores antigas, podendo levar a estados emocionais patológicos.
Suponhamos, por exemplo, o seguinte caso prático, muito comum em nossos dias: um casal que se separa fisicamente, mas um dos antigos cônjuges ainda nutre emoções intensas ou mesmo vínculos emocionais-afetivos com relação ao outro cônjuge. Para o cônjuge que está emocionalmente vinculado ao outro - mesmo que seja um sentimento de raiva ou ira, ou qualquer outro vínculo - o relacionamento, na prática, ainda existe, apesar dos corpos estarem já separados. Assim, é impossível que qualquer possibilidade de novo relacionamento que possa vir a surgir tenha qualquer chance de dar certo, pois os vínculos com o relacionamento antigo ainda existem.
Abre parênteses: O assunto do divórcio no contexto cristão já foi tratado neste blog em inúmeras postagens (veja por exemplo "E EU VOS DECLARO... UMA SÓ CARNE" em http://www.apenas-para-argumentar.blogspot.com/2011/01/e-eu-vos-declarouma-so-carne.html e "ONDE MORA O MONSTRO?" em http://www.apenas-para-argumentar.blogspot.com/2011/04/onde-mora-o-monstro.html). Como já declarei, creio na restauração tanto de pessoas como de relacionamentos. Creio no casamento enquanto instituição divina, ordenado por Deus como monogâmico, heterossexual e indissolúvel. Mas é preciso reconhecer que em alguns casos extremos, o divórcio pode ser livramento de Deus para muitas mulheres; a última solução, um mal necessário, numa sociedade cada vez mais doente e miserável, onde os casamentos são feitos sem a concordância ou bênção de Deus. Há cada vez mais casais que estão juntos apenas pela conveniência - "casamento fake"; do mesmo modo, há muitas separações que são também "fakes" na prática, onde muito do antigo ainda é preservado (por exemplo, fazem planos de longo prazo em comum mesmo estando separados). Ambas as coisas estão erradas do ponto de vista Bíblico, pois ambas não passam de mentira. Fecha parênteses.
Há outra forma de se ver o novo: trata-se do viés espiritual. Por exemplo, o batismo com Espírito Santo, os dons ministeriais e espirituais ou uma maior atuação - em termos de amplitude - na Obra de Deus (como ser um missionário transcultural, por exemplo). Aqui também existem as mesmas pré-condições necessárias para receber o novo: (1) não ser prejudicado pelo novo por seu estado de velho e nem (2) desperdiçar o novo recebido por seu estado de velho. O profeta Jeremias já ensinava: "Se te fatigas correndo com homens que vão a pé, como poderás competir com os cavalos? Se tão-somente numa terra de paz estás confiado, como farás na enchente do Jordão?" (Jr 12.5) Como ter um ministério mais amplo, se o pensamento e a prática ainda são típicos de um ministério incipiente? Se a gestão administrativa e espiritual são ainda amadoras em seus aspectos? Se nos enrolamos no básico, no B-A-BA, como falar noutras línguas com outros povos? Acaso "batendo cabeça contra cabeça" em coisas simples, como o exercício das funções básicas na Igreja, poderemos desempenhar coisas maiores? Ora, se há anseio pelo novo de Deus, é preciso haver preparação interna - emocional e administrativamente - para receber esse novo. Pensamentos novos precedem obrigatoriamente atitudes novas.
Por exemplo, imaginemos o seguinte caso: um pastor centralizador, incapaz de delegar funções e de exercer a coordenação dos delegados. O pensamento dele é: "só sai bem feito se eu mesmo fizer". Ora, como este equivocado ministro de Deus poderá receber mais pessoas em sua grei - e assim ampliar o seu ministério, se com as que ele possui a obra já é 100% dependente dele para acontecer? Deus, que o ama, não permitirá o crescimento (sim, porque é Deus quem dá o crescimento da Sua obra) do ministério deste pastor enquanto ele não renovar a sua mente, a fim de que ele não venha até mesmo sofrer um enfarte por causa da obra - e assim perder tanto o novo quanto quem recebe o novo. Se você, amado pastor que lê essa postagem, questiona Deus porque seu ministério não cresce numericamente, saiba que uma das razões disso acontecer pode ser sua forma antiquada, centralizadora, de gestão da Obra.
Abre parênteses: É possível inovar na gestão da Obra de Deus sem incorrer em pecado. Nem tudo o que é novo é ruim e nem tudo o que é velho é o melhor. Há muitos bons conceitos de liderança e de gestão que podem ser aplicados na Obra com algum exercício mínimo de adequação a um novo contexto, assim como há novos métodos de ensino e comunicação. É claro que isso envolve estudo, envolve empregar tempo (e às vezes recursos) num curso ou seminário, ou mesmo num retiro para liderança a fim de explorar as diversas facetas e conceitos envolvidos. Afinal, "todo o escriba instruído acerca do reino dos céus é semelhante a um pai de família, que tira do seu tesouro coisas novas e velhas". Os filhos deste mundo serão sempre mais prudentes que os filhos da luz? É hora de darmos um basta nisso, não acha? Fecha parênteses.
Concluindo: para receber o vinho novo, é preciso ser odre novo. Antes de receber o novo, é preciso ser novo, é preciso renovar emoções, idéias, conceitos, atitudes e visões. É sempre possível renovar sem cair em pecado, sem transgredir as Verdades Bíblicas com as quais estamos comprometidos. Somente a partir do renovar interior é que poderemos usufruir do novo - interior e exterior.
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
QUEM QUER ACHAR, ACHA CABELO EM OVO
Porque vós, irmãos, fostes chamados à liberdade. Não useis então da liberdade para dar ocasião à carne, mas servi-vos uns aos outros pelo amor. (Gl 5.13)
Neste texto, a palavra "ocasião" vem do grego "aphorme". Este termo grego originariamente significava “ponto inicial” ou “base de operações”, e então, “uma oportunidade, uma ocasião, um incentivo” ou "pretexto, desculpa” (J. Hampton Keathley, Personal Freedom). Paulo, neste texto, está exortando os irmãos da Igreja da Galácia - os Gálatas - sobre o uso da liberdade cristã, outorgada aos crentes pela Graça de Deus, como uma espécie de "trampolim" para o pecado, para a carnalidade. Assim, Paulo distingue claramente a liberdade cristã da libertinagem mundana e diabólica.
Há um ditado no mundo que diz que quem quer, acha cabelo em ovo. Quem quer bagunça, quem quer viver no pecado - dentro ou fora da Igreja - sempre achará uma forma de justificar sua atitude carnal, mesmo que para isso até a Bíblia seja utilizada. São pessoas que não dão a mínima para qualquer exortação espiritual que seja feita. Esse tipo de gente não está nem aí para salvação, santificação, destino eterno. Mas estão sempre "de orelha em pé", prontos a descobrir uma brecha, por menor que seja, para servir de justificativa ideológica para sua natureza mundana e endemoniada. Assim, pensam eles que ficarão impunes diante de Deus por seu pecado grosseiro, friamente pré-meditado.
Assim, se por exemplo esta pessoa ouve ou lê alguma coisa sobre a questão do vinho, nas Escrituras, ela usa isso para dar ocasião para seu pecado de alcoolismo. "Jesus bebeu vinho, Paulo recomendou a Timóteo usar vinho, então porque eu não vou encher a cara?" é o arrazoamento do embrutecido e empedernido coração, amplamente influenciado pelo Diabo, deste falso crente. Quem é crente de verdade, jamais se prestaria a elaborar qualquer lógica diabólica desse quilate. Isso é sabedoria do inferno, potencializada na natureza carnal pelo próprio deus deste século. Segundo a Bíblia, Ezequiel assou bolos sobre esterco de vacas (Ez 4.12-15) e os comeu; porque estes "eruditos espertalhões" não fazem o mesmo?!?!? Afinal, coerência é o mínimo a ser esperado de alguém "tão racional"!
Do mesmo modo, funciona a sabedoria carnal para outras coisas, como o tabagismo. "A Bíblia não fala nada sobre fumar, então vou mandar ver". Essa lógica é desprovida de qualquer lógica Bíblica! Apesar da Bíblia não se pronunciar sobre o tabagismo - pelo menos, de forma direta, com as mesmas palavras - esta prática é notoriamente um pecado segundo o Espírito das Escrituras. "Mas Spurgeon fumava", sim, e daí? Porque ele fez isso, a prática passou a ser correta? O que define se algo é correto ou não é a prática? Isso é relativismo moral e ético! A Bíblia, ao contrário, é repleta de absolutos sendo ela mesma a única regra de fé e prática absoluta!
Já dizia Spurgeon que pecado secreto é um trampolim para o pecado da soberba e a ante-sala do "pecado para morte." Aquele que não peca deliberadamente está no caminho de ser inocente, até onde um pobre pecador pode ser; porém aquele que tenta Satanás para tentá-lo se coloca numa trilha que o levará de mal a pior.
Assim, o mundano - revestido de crente, com cara de crente, com linguagem de crente mas sem nenhuma essência interior de cristianismo está reproduzindo o que lhe é próprio, ao distorcer as Escrituras ao seu bel prazer para justificar sua vida distante de Deus. É um filho do diabo agindo coerentemente com sua condição espiritual, procurando em tudo agradar a seu pai. Não dá para esperar outra coisa, pois o fruto é produzido sempre de acordo com a árvore e a árvore má produzirá inevitavelmente frutos maus: "Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons." (Mt 7.17,18) A árvore má produzirá seus maus frutos até o dia do juízo final, quando será finalmente cortada e lançada no fogo.
Abre parênteses: Têm surgido na mídia alguns debates por parte de pessoas que se consideram entendidas sobre a Bíblia acerca da hipótese de que o homem consegue cumprir as Escrituras ou não. A conclusão destes "entendidos" é que não é possível; porém, afirmam isso baseado em suposições errôneas, como o péssimo argumento de que "ninguém consegue cumprir a Bíblia porque ela foi escrita para os tempos e costumes antigos" (sic). Falácia puríssima! De fato, nenhum homem não-convertido é capaz de cumprir a Bíblia, mas o motivo é outro: é impossível cumprir a Bíblia porque a vida deste grupo de pessoas ainda não foi regenerado por Deus; não nasceram de novo e assim não possuem o Espírito Santo em suas vidas. Sem a condição espiritual correta - o novo nascimento - é impossível cumprir a Santa Palavra de Deus. Uma das evidências de ausência de regeneração espiritual é a insistência em viver no pecado. Fecha parênteses.
Porém, agora, direciono-me agora para você, crente genuíno em Cristo, que lê esta postagem. Há, em tudo o que fazemos a partir da liberdade cristã, um princípio a ser seguido. Esse princípio passa pela seguinte verdade: se fomos comprados por Cristo, não somos mais donos de nós mesmos; portanto, devemos usar o corpo para a glória de Deus sobre a orientação de Deus. Ora, no interior de todo crente genuinamente convertido mora a Bendita Pessoa do Espírito Santo. Ele é o morador do corpo do crente, feito Templo do Espírito após a conversão. Assim, o princípio claro é: o que estou planejando fazer glorificará a Deus? Ou entristecerá o Espírito Santo? Ou pior: Extinguirá o Espírito Santo em minha vida?
Paulo diz em I Ts 5.19: "Não extingais o Espírito." Esse Espírito é "o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida, para louvor da sua glória" (Ef 1.14). O que é penhor? Penhor é aquilo que é dado como garantia do recebimento de um valor ou propriedade. Ou seja, a garantia da nossa herança é o Espírito Santo em nós, o selo com o qual fomos selados por Deus. Esse Espírito só é dado aqueles que saíram do mundo, isto é, do sistema mundano; quem é do mundo (não-convertidos) até hoje não nasceu de novo, não nasceu da água e do Espírito (Jo 3.5) e portanto não podem recebê-Lo: "O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece" (Jo 14.17a).
Extinguir é apagar, exterminar inteiramente, fazer desaparecer, perder-se de todo, consumir-se, esgotar-se, etc. Extinguir o Espírito Santo é apagá-Lo da vida cristã. Ora, o que mais apagaria da vida um Ser tão Santo senão um pecado grosseiro? Ele tem emoções e pode ser entristecido ou ofendido (magoado, desgostado (Ef 4.30; Is 63.10). Alguns intérpretes insistem em argumentar que extinguir o Espírito é impedir a ação dos dons espirituais. Sem sombra de dúvida, esta argumentação mostra uma das formas dentre as quais o homem pode extinguir o Espírito. Porém, extinguir o Espírito Santo é algo que vai mais além: é desobedecer insistentemente de forma impenitente à direção e exortação do Espírito sobre o pecado, a justiça e o juízo.
Um coração impenitente é um coração costumaz, que é incapaz de arrepender-se do que faz. Paulo, aos Romanos, escreve: "Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus" (Rm 2.5). Impenitente vem do grego ametanoetos, "que não adimite mudança de mente", ou seja, que é incapaz de arrepender-se. É possível que um crente, que experimentou um dia a metanóia, tornar-se ametanoetos? As exortações bíblicas sobre o grave perigo da apostasia revelam que sim. Ouvir a exortação do Espírito, que fala de diversos modos - pela Palavra, pelas circunstâncias, no homem interior, etc - e não atender leva a um processo de endurecimento do coração, que vai produzindo incredulidade e esta acaba impedindo a entrada na Terra Prometida, no Descanso de Deus. O Autor aos Hebreus nos exorta: "Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo. Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado. Porque nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim. Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, Não endureçais os vossos corações, como na provocação. Porque, havendo-a alguns ouvido, o provocaram; mas não todos os que saíram do Egito por meio de Moisés. Mas com quem se indignou por quarenta anos? Não foi porventura com os que pecaram, cujos corpos caíram no deserto? E a quem jurou que não entrariam no seu repouso, senão aos que foram desobedientes? E vemos que não puderam entrar por causa da sua incredulidade." (Hb 3.12-19) Mais claro que isso, é impossível.
Assim, meu amado irmão, não dê lugar ao diabo em sua vida permitindo-se viver segundo o curso deste mundo. Não use a sua liberdade conferida segundo a graça de Deus para viver como carnal. Mas use a sua liberdade para glorificar a Deus. A nossa liberdade não foi-nos dada para fazermos o que quisermos do ponto de vista da auto-emulação, da maximização do hedonismo; definitivamente não! Ela foi dada aos crentes para que possam sempre escolher fazer a vontade de Deus, coisa que era outrora impedida pela escravidão do pecado. É uma liberdade com responsabilidade, não irresponsável, pois isto seria libertinagem. Use o conhecimento da Palavra para seu crescimento espiritual, para salvar e edificar vidas, nunca para sua própria ruína.
Ah sim: não procure cabelo em ovo, por favor!
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!
Neste texto, a palavra "ocasião" vem do grego "aphorme". Este termo grego originariamente significava “ponto inicial” ou “base de operações”, e então, “uma oportunidade, uma ocasião, um incentivo” ou "pretexto, desculpa” (J. Hampton Keathley, Personal Freedom). Paulo, neste texto, está exortando os irmãos da Igreja da Galácia - os Gálatas - sobre o uso da liberdade cristã, outorgada aos crentes pela Graça de Deus, como uma espécie de "trampolim" para o pecado, para a carnalidade. Assim, Paulo distingue claramente a liberdade cristã da libertinagem mundana e diabólica.
Há um ditado no mundo que diz que quem quer, acha cabelo em ovo. Quem quer bagunça, quem quer viver no pecado - dentro ou fora da Igreja - sempre achará uma forma de justificar sua atitude carnal, mesmo que para isso até a Bíblia seja utilizada. São pessoas que não dão a mínima para qualquer exortação espiritual que seja feita. Esse tipo de gente não está nem aí para salvação, santificação, destino eterno. Mas estão sempre "de orelha em pé", prontos a descobrir uma brecha, por menor que seja, para servir de justificativa ideológica para sua natureza mundana e endemoniada. Assim, pensam eles que ficarão impunes diante de Deus por seu pecado grosseiro, friamente pré-meditado.
Assim, se por exemplo esta pessoa ouve ou lê alguma coisa sobre a questão do vinho, nas Escrituras, ela usa isso para dar ocasião para seu pecado de alcoolismo. "Jesus bebeu vinho, Paulo recomendou a Timóteo usar vinho, então porque eu não vou encher a cara?" é o arrazoamento do embrutecido e empedernido coração, amplamente influenciado pelo Diabo, deste falso crente. Quem é crente de verdade, jamais se prestaria a elaborar qualquer lógica diabólica desse quilate. Isso é sabedoria do inferno, potencializada na natureza carnal pelo próprio deus deste século. Segundo a Bíblia, Ezequiel assou bolos sobre esterco de vacas (Ez 4.12-15) e os comeu; porque estes "eruditos espertalhões" não fazem o mesmo?!?!? Afinal, coerência é o mínimo a ser esperado de alguém "tão racional"!
Do mesmo modo, funciona a sabedoria carnal para outras coisas, como o tabagismo. "A Bíblia não fala nada sobre fumar, então vou mandar ver". Essa lógica é desprovida de qualquer lógica Bíblica! Apesar da Bíblia não se pronunciar sobre o tabagismo - pelo menos, de forma direta, com as mesmas palavras - esta prática é notoriamente um pecado segundo o Espírito das Escrituras. "Mas Spurgeon fumava", sim, e daí? Porque ele fez isso, a prática passou a ser correta? O que define se algo é correto ou não é a prática? Isso é relativismo moral e ético! A Bíblia, ao contrário, é repleta de absolutos sendo ela mesma a única regra de fé e prática absoluta!
Já dizia Spurgeon que pecado secreto é um trampolim para o pecado da soberba e a ante-sala do "pecado para morte." Aquele que não peca deliberadamente está no caminho de ser inocente, até onde um pobre pecador pode ser; porém aquele que tenta Satanás para tentá-lo se coloca numa trilha que o levará de mal a pior.
Assim, o mundano - revestido de crente, com cara de crente, com linguagem de crente mas sem nenhuma essência interior de cristianismo está reproduzindo o que lhe é próprio, ao distorcer as Escrituras ao seu bel prazer para justificar sua vida distante de Deus. É um filho do diabo agindo coerentemente com sua condição espiritual, procurando em tudo agradar a seu pai. Não dá para esperar outra coisa, pois o fruto é produzido sempre de acordo com a árvore e a árvore má produzirá inevitavelmente frutos maus: "Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, e toda a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa dar maus frutos; nem a árvore má dar frutos bons." (Mt 7.17,18) A árvore má produzirá seus maus frutos até o dia do juízo final, quando será finalmente cortada e lançada no fogo.
Abre parênteses: Têm surgido na mídia alguns debates por parte de pessoas que se consideram entendidas sobre a Bíblia acerca da hipótese de que o homem consegue cumprir as Escrituras ou não. A conclusão destes "entendidos" é que não é possível; porém, afirmam isso baseado em suposições errôneas, como o péssimo argumento de que "ninguém consegue cumprir a Bíblia porque ela foi escrita para os tempos e costumes antigos" (sic). Falácia puríssima! De fato, nenhum homem não-convertido é capaz de cumprir a Bíblia, mas o motivo é outro: é impossível cumprir a Bíblia porque a vida deste grupo de pessoas ainda não foi regenerado por Deus; não nasceram de novo e assim não possuem o Espírito Santo em suas vidas. Sem a condição espiritual correta - o novo nascimento - é impossível cumprir a Santa Palavra de Deus. Uma das evidências de ausência de regeneração espiritual é a insistência em viver no pecado. Fecha parênteses.
Porém, agora, direciono-me agora para você, crente genuíno em Cristo, que lê esta postagem. Há, em tudo o que fazemos a partir da liberdade cristã, um princípio a ser seguido. Esse princípio passa pela seguinte verdade: se fomos comprados por Cristo, não somos mais donos de nós mesmos; portanto, devemos usar o corpo para a glória de Deus sobre a orientação de Deus. Ora, no interior de todo crente genuinamente convertido mora a Bendita Pessoa do Espírito Santo. Ele é o morador do corpo do crente, feito Templo do Espírito após a conversão. Assim, o princípio claro é: o que estou planejando fazer glorificará a Deus? Ou entristecerá o Espírito Santo? Ou pior: Extinguirá o Espírito Santo em minha vida?
Paulo diz em I Ts 5.19: "Não extingais o Espírito." Esse Espírito é "o penhor da nossa herança, para redenção da possessão adquirida, para louvor da sua glória" (Ef 1.14). O que é penhor? Penhor é aquilo que é dado como garantia do recebimento de um valor ou propriedade. Ou seja, a garantia da nossa herança é o Espírito Santo em nós, o selo com o qual fomos selados por Deus. Esse Espírito só é dado aqueles que saíram do mundo, isto é, do sistema mundano; quem é do mundo (não-convertidos) até hoje não nasceu de novo, não nasceu da água e do Espírito (Jo 3.5) e portanto não podem recebê-Lo: "O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece" (Jo 14.17a).
Extinguir é apagar, exterminar inteiramente, fazer desaparecer, perder-se de todo, consumir-se, esgotar-se, etc. Extinguir o Espírito Santo é apagá-Lo da vida cristã. Ora, o que mais apagaria da vida um Ser tão Santo senão um pecado grosseiro? Ele tem emoções e pode ser entristecido ou ofendido (magoado, desgostado (Ef 4.30; Is 63.10). Alguns intérpretes insistem em argumentar que extinguir o Espírito é impedir a ação dos dons espirituais. Sem sombra de dúvida, esta argumentação mostra uma das formas dentre as quais o homem pode extinguir o Espírito. Porém, extinguir o Espírito Santo é algo que vai mais além: é desobedecer insistentemente de forma impenitente à direção e exortação do Espírito sobre o pecado, a justiça e o juízo.
Um coração impenitente é um coração costumaz, que é incapaz de arrepender-se do que faz. Paulo, aos Romanos, escreve: "Mas, segundo a tua dureza e teu coração impenitente, entesouras ira para ti no dia da ira e da manifestação do juízo de Deus" (Rm 2.5). Impenitente vem do grego ametanoetos, "que não adimite mudança de mente", ou seja, que é incapaz de arrepender-se. É possível que um crente, que experimentou um dia a metanóia, tornar-se ametanoetos? As exortações bíblicas sobre o grave perigo da apostasia revelam que sim. Ouvir a exortação do Espírito, que fala de diversos modos - pela Palavra, pelas circunstâncias, no homem interior, etc - e não atender leva a um processo de endurecimento do coração, que vai produzindo incredulidade e esta acaba impedindo a entrada na Terra Prometida, no Descanso de Deus. O Autor aos Hebreus nos exorta: "Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo. Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado. Porque nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim. Enquanto se diz: Hoje, se ouvirdes a sua voz, Não endureçais os vossos corações, como na provocação. Porque, havendo-a alguns ouvido, o provocaram; mas não todos os que saíram do Egito por meio de Moisés. Mas com quem se indignou por quarenta anos? Não foi porventura com os que pecaram, cujos corpos caíram no deserto? E a quem jurou que não entrariam no seu repouso, senão aos que foram desobedientes? E vemos que não puderam entrar por causa da sua incredulidade." (Hb 3.12-19) Mais claro que isso, é impossível.
Assim, meu amado irmão, não dê lugar ao diabo em sua vida permitindo-se viver segundo o curso deste mundo. Não use a sua liberdade conferida segundo a graça de Deus para viver como carnal. Mas use a sua liberdade para glorificar a Deus. A nossa liberdade não foi-nos dada para fazermos o que quisermos do ponto de vista da auto-emulação, da maximização do hedonismo; definitivamente não! Ela foi dada aos crentes para que possam sempre escolher fazer a vontade de Deus, coisa que era outrora impedida pela escravidão do pecado. É uma liberdade com responsabilidade, não irresponsável, pois isto seria libertinagem. Use o conhecimento da Palavra para seu crescimento espiritual, para salvar e edificar vidas, nunca para sua própria ruína.
Ah sim: não procure cabelo em ovo, por favor!
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
RUDIMENTOS DA DOUTRINA DE CRISTO - V: RESSURREIÇÃO DOS MORTOS E JUÍZO ETERNO
POR isso, deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até à perfeição, não lançando de novo o fundamento do arrependimento de obras mortas e de fé em Deus, e da doutrina dos batismos, e da imposição das mãos, e da ressurreição dos mortos, e do juízo eterno. E isto faremos, se Deus o permitir. (Hb 6.1-3)
Nesta argumentação, estudaremos os últimos dois temas que compõem a série "Rudimentos da Doutrina de Cristo", conforme citado pelo autor da Epístola aos Hebreus: a ressurreição dos mortos (do grego "anastaseos te nekron", αναστασεως τε νεκρων) e o juízo eterno (do grego "krimatos aioniou", κριματος αιωνιου). Ambas as doutrinas concluem o tema abordado, bem como ambos os acontecimentos concluem a história da humanidade sobre a Terra, de uma forma ou de outra. Por razões didáticas, serão abordados juntos, aqui nesta argumentação.
A ressurreição dos mortos é uma das doutrinas mais bem estabelecidas nas Escrituras Sagradas. A ressurreição é definida como sendo "o retorno da vida ao corpo morto". Ela é abordada de forma básica no Antigo Testamento e de forma completa no Novo Testamento.
1) No Antigo Testamento:
O Antigo Testamento traz episódios de ressurreição individual, onde a pessoa ressuscitada tornaria, posteriormente, a morrer novamente. Por exemplo, Eliseu ressuscitou o filho da Sunamita (região de Suném, cidade que ficava localizada perto do monte Gilboa, no vale de Jezreel, local onde acamparam os filisteus antes do combate com o Rei Saul), filho este que era fruto do milagre na vida daquela mulher (II Rs 8.1). Mesmo depois de morto, Eliseu continuou a operar a ressurreição: um morto, lançado em sua sepultura, tocando nos ossos do profeta, tornou a viver novamente (II Rs 13.20,21).
A promessa da ressurreição de Israel enquanto nação, para viver segundo os propósitos eternos de Deus, é também prometida, de forma grandiosa, por exemplo no Livro de Ezequiel, por ocasião da visão do vale de ossos secos (Ez 37.1-14): a nação, que se constituía naquela visão num vale de ossos sequíssimos, se tornaria milagrosamente num grande exército de redivivos, que ocuparão sua própria terra!
A ressurreição do corpo humano da sepultura é um ensino claro na Palavra de Deus. Jó, o mais antigo dos patriarcas, disse: "Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra. E depois de consumida a minha pele, contudo ainda em minha carne verei a Deus" (Jó 19.25,26). É evidente que Jó cria firmemente na ressurreição de seu corpo e numa futura vida além da sepultura.
Abraão, o fundador e pai de sua raça (e dos crentes, pela fé) viveu 175 anos e morreu "em boa velhice, velho e farto de dias" (Gn 25.7,8). Porém, ele "esperava a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus." (Hb 11.10) Ao levar seu único filho, Isaque, para ser sacrificado num monte na região de Moriá, Abraão, firme na promessa feita por Deus de que em Isaque seria chamada a sua descendência, "considerou que Deus era poderoso para até dentre os mortos o ressuscitar" (Hb 11.18).
A Palavra de Deus refuta o ensino errôneo de que a ressurreição se refere ao espírito do homem, e não ao seu corpo. Nem a alma nem o espírito do homem morrem, biologicamente falando, mas é o corpo que morre e é enterrado. Por isso, o corpo é que deve ser ressuscitado dentre os mortos, e não a alma ou espírito.
No último capítulo do livro de Daniel, o anjo que lhe falava assim revela: "E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno." (Dn 12.2) Observe a ligação feita entre a ressurreição e o destino eterno dos ressuscitados, mencionando também duas ressurreições. Esta ligação entre os dois temas é constantemente encontrada no Novo Testamento!
2) No Novo Testamento:
Quando Nosso Senhor Jesus esteve sobre esta Terra, Ele ensinou que todos os homens mortos irão ressuscitar numa data futura: "Não vos maravilheis disto; porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação." (Jo 5.28,29)
O Senhor ressuscitou a muitas pessoas por ocasião do Seu ministério terreno, como o filho da viúva de Naim, como a Lázaro, dentre outros. Na ressurreição de Lázaro, o corpo já estava em decomposição, cheirando mal em virtude do apodrecimento da carne e liberação de fluidos corpóreos. Os corpos em decomposição liberam mais de 30 componentes químicos (H2S, CH4, NH3, CO2, H2O, diversos sais minerais), bem como as diaminas putrescina (C4H12N2) e cadaverina (C5H14N2). Estes dois, especificamente, são emitidos logo após a morte. Na ressurreição de Lázaro, seu corpo foi reconstituído pelo Poder de Deus!
Lázaro ressuscitou para tornar a morrer novamente. Hoje, ele aguarda a ressurreição dos justos.
Sem a esperança da ressurreição, a fé cristã é vazia de sentido; é completamente inútil, não passando de mais uma religião - uma invencionice humana. Esse é o ensino do apóstolo Paulo aos Coríntios: "E, se não há ressurreição de mortos, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E também os que dormiram em Cristo estão perdidos." (I Co 15.13,16-19) Se fosse realmente verdade que a ressurreição inexiste, então toda a fé é vazia de sentido; a pregação e a fé são inúteis - pura quimera; Cristo não teria ressuscitado (porque não haveria como) e nossos pecados continuariam conosco, enquanto os que morreram em Cristo estariam para sempre perdidos.
Porém a ressurreição é uma realidade; tanto a ressurreição do Senhor, no passado, quanto a ressurreição de todos os homens, no futuro. A Bíblia ensina que haverá duas ressurreições, que ocorrerão em momentos distintos, para grupos de pessoas distintas. Esses grupos de pessoas são os crentes em Cristo e o restante da humanidade, que não quis conhecer a Deus e ser salvo por Jesus. Na ressurreição dos crentes, segundo a Palavra, os corpos outrora destruídos pela ação de vermes e bactérias no sepulcro (muitos, já não passam de pó, não restando nada mais que lembre um corpo humano) serão ressuscitados após o toque a trombeta de Deus pelo Senhor Jesus, por ocasião da primeira fase de sua Segunda Vinda (a Segunda Vinda de Cristo se dará em 2 fases distintas, assim como a ressurreição acontecerá em dois momentos distintos) (I Ts 4.16), recebendo um novo corpo incorruptível, num corpo espiritual dado por Deus, com base no primeiro corpo.
Perceba o quão imenso e imponderável é o Poder de Deus: mesmo àqueles corpos cujas moléculas e átomos já estão há muito tempo espalhados pela Terra irão ressuscitar! De uma maneira sobrenatural, Deus tornará a unir estes átomos e moléculas novamente, formando o antigo corpo e revestindo-o com Sua Glória! No vale de ossos secos só havia ossos esfarelentos ao toque; Deus os reuniu e fez deles um grande exército! Glória a Deus!
Na segunda ressurreição, após o milênio, os ímpios ressuscitarão para serem julgados, para vergonha e desprezo eterno. Veja o esquema simplificado abaixo:
Essa ressurreição dos ímpios será o evento final, que marcará o fim de toda crueldade e pecado sobre a Terra. Nela, as almas dos ímpios que se encontram no inferno se unirão aos seus corpos novamente, ressuscitando com corpos preparados para o sofrimento. Eles se encontrarão então diante do Grande Trono Branco para julgamento por Deus, conforme registrado no Livro de Apocalipse, cap. 20:
11 E vi um grande trono branco, e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu; e não se achou lugar para eles.
12 E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante de Deus, e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras.
13 E deu o mar os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras.
14 E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte.
15 E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo.
Estas pessoas, que se enquadrarem no critério para participar deste julgamento, ao final dele serão lançadas no lago de fogo, juntamente com o inferno, com o Anticristo, com a Morte, com o Falso Profeta e com o próprio Satanás e todas as hostes do inferno, para serem atormentados de dia e de noite para todo o sempre (Ap 19.20; 20.10-15). Este é o juízo eterno, ou seja, o juízo que dura para sempre, que é sem fim.
Eu sou um pouco reticente com livros que falam de revelações sobre naturais; quando muito e na melhor das hipóteses, não passam de revelações particulares, dadas num contexto muito específico e num propósito especial e exclusivo para seus receptores, não sendo orientativos para a Igreja. Apenas as revelações na Bíblia desfrutam desta prerrogativa, como o Apocalipse de João. No entanto, tomo a liberdade de reproduzir aqui um breve parágrafo de um desses livros, por considerá-lo ilustrativo daquilo que pode ser entendido como o sofrimento no inferno, com base em Marcos 9:43,44 ("...ires para o inferno, para o fogo que nunca se apaga, onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga."):
"Uma [alma em] forma de esqueleto[...], com uma névoa cinzenta e suja[...]. Haviam pedaços da sua carne em decomposição pendurados em seus ossos e, enquanto queimavam, caiam no fundo do buraco. No lugar dos olhos, haviam somente buracos vazios. O fogo começava nos seus pés em pequenas chamas e crescia quando subia e cobria o seu corpo.[...] Olhei de novo [...] e vermes rastejavam para fora dos ossos do seu esqueleto. Eles não eram atingidos pelo fogo. [...]ela tem consciência deles e sente todos esses vermes por dentro dela."
Enquanto isso, os justos terão acesso à Cidade Santa, à Nova Jerusalém, que desceu do Céu e que está na Terra (Ap 21,22).
Concluindo, cabe a pergunta: onde você deseja passar a sua eternidade? Se para você isso tudo não passa de balela, de conversa fiada, a escolha é sua e o destino eterno é seu. Será que vale à pena "pagar para ver", essa é a pergunta. Mas se você crê que há uma eternidade a ser vivida, ou a ser perdida, então você deve fazer HOJE MESMO uma escolha. Você será ressuscitado de qualquer maneira, a questão é quando - na primeira, junto com os salvos em Cristo, ou na segunda, junto com os ímpios? O tempo de ser absolvido por seus pecados é hoje, pois naquele grande dia não cabe mais absolvição, apenas condenação e castigo eterno.
Para ser livre dessa condenação, você precisa ser salvo, de seus próprios pecados, por Cristo. Você precisa ter um encontro, ainda em vida, com o Senhor. Não é religião que salva, a religião só faz enganar as pessoas, desviando-as de Deus. É Jesus o ÚNICO que pode salvar o homem. Por isso mesmo Ele se fez carne e morreu na cruz, carregando nossos pecados sobre si próprio. Ele não veio fundar religião, NÃO! Ele veio salvar a mim e a você! Ele nos amou e ainda nos ama, Seus braços estão estendidos para nos receber, mesmo sujos e carregados de iniqüidade e pecado. Ele é que nos chama para Si mesmo, dizendo "Vinde a Mim, pecador!" Ele te dará o Seu perdão, Ele te salvará dos seus pecados, e deles nunca mais Deus se lembrará!
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!
Nesta argumentação, estudaremos os últimos dois temas que compõem a série "Rudimentos da Doutrina de Cristo", conforme citado pelo autor da Epístola aos Hebreus: a ressurreição dos mortos (do grego "anastaseos te nekron", αναστασεως τε νεκρων) e o juízo eterno (do grego "krimatos aioniou", κριματος αιωνιου). Ambas as doutrinas concluem o tema abordado, bem como ambos os acontecimentos concluem a história da humanidade sobre a Terra, de uma forma ou de outra. Por razões didáticas, serão abordados juntos, aqui nesta argumentação.
A ressurreição dos mortos é uma das doutrinas mais bem estabelecidas nas Escrituras Sagradas. A ressurreição é definida como sendo "o retorno da vida ao corpo morto". Ela é abordada de forma básica no Antigo Testamento e de forma completa no Novo Testamento.
1) No Antigo Testamento:
O Antigo Testamento traz episódios de ressurreição individual, onde a pessoa ressuscitada tornaria, posteriormente, a morrer novamente. Por exemplo, Eliseu ressuscitou o filho da Sunamita (região de Suném, cidade que ficava localizada perto do monte Gilboa, no vale de Jezreel, local onde acamparam os filisteus antes do combate com o Rei Saul), filho este que era fruto do milagre na vida daquela mulher (II Rs 8.1). Mesmo depois de morto, Eliseu continuou a operar a ressurreição: um morto, lançado em sua sepultura, tocando nos ossos do profeta, tornou a viver novamente (II Rs 13.20,21).
A promessa da ressurreição de Israel enquanto nação, para viver segundo os propósitos eternos de Deus, é também prometida, de forma grandiosa, por exemplo no Livro de Ezequiel, por ocasião da visão do vale de ossos secos (Ez 37.1-14): a nação, que se constituía naquela visão num vale de ossos sequíssimos, se tornaria milagrosamente num grande exército de redivivos, que ocuparão sua própria terra!
A ressurreição do corpo humano da sepultura é um ensino claro na Palavra de Deus. Jó, o mais antigo dos patriarcas, disse: "Porque eu sei que o meu Redentor vive, e que por fim se levantará sobre a terra. E depois de consumida a minha pele, contudo ainda em minha carne verei a Deus" (Jó 19.25,26). É evidente que Jó cria firmemente na ressurreição de seu corpo e numa futura vida além da sepultura.
Abraão, o fundador e pai de sua raça (e dos crentes, pela fé) viveu 175 anos e morreu "em boa velhice, velho e farto de dias" (Gn 25.7,8). Porém, ele "esperava a cidade que tem fundamentos, da qual o artífice e construtor é Deus." (Hb 11.10) Ao levar seu único filho, Isaque, para ser sacrificado num monte na região de Moriá, Abraão, firme na promessa feita por Deus de que em Isaque seria chamada a sua descendência, "considerou que Deus era poderoso para até dentre os mortos o ressuscitar" (Hb 11.18).
A Palavra de Deus refuta o ensino errôneo de que a ressurreição se refere ao espírito do homem, e não ao seu corpo. Nem a alma nem o espírito do homem morrem, biologicamente falando, mas é o corpo que morre e é enterrado. Por isso, o corpo é que deve ser ressuscitado dentre os mortos, e não a alma ou espírito.
No último capítulo do livro de Daniel, o anjo que lhe falava assim revela: "E muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão, uns para vida eterna, e outros para vergonha e desprezo eterno." (Dn 12.2) Observe a ligação feita entre a ressurreição e o destino eterno dos ressuscitados, mencionando também duas ressurreições. Esta ligação entre os dois temas é constantemente encontrada no Novo Testamento!
2) No Novo Testamento:
Quando Nosso Senhor Jesus esteve sobre esta Terra, Ele ensinou que todos os homens mortos irão ressuscitar numa data futura: "Não vos maravilheis disto; porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz. E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação." (Jo 5.28,29)
O Senhor ressuscitou a muitas pessoas por ocasião do Seu ministério terreno, como o filho da viúva de Naim, como a Lázaro, dentre outros. Na ressurreição de Lázaro, o corpo já estava em decomposição, cheirando mal em virtude do apodrecimento da carne e liberação de fluidos corpóreos. Os corpos em decomposição liberam mais de 30 componentes químicos (H2S, CH4, NH3, CO2, H2O, diversos sais minerais), bem como as diaminas putrescina (C4H12N2) e cadaverina (C5H14N2). Estes dois, especificamente, são emitidos logo após a morte. Na ressurreição de Lázaro, seu corpo foi reconstituído pelo Poder de Deus!
Lázaro ressuscitou para tornar a morrer novamente. Hoje, ele aguarda a ressurreição dos justos.
Sem a esperança da ressurreição, a fé cristã é vazia de sentido; é completamente inútil, não passando de mais uma religião - uma invencionice humana. Esse é o ensino do apóstolo Paulo aos Coríntios: "E, se não há ressurreição de mortos, também Cristo não ressuscitou. E, se Cristo não ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda permaneceis nos vossos pecados. E também os que dormiram em Cristo estão perdidos." (I Co 15.13,16-19) Se fosse realmente verdade que a ressurreição inexiste, então toda a fé é vazia de sentido; a pregação e a fé são inúteis - pura quimera; Cristo não teria ressuscitado (porque não haveria como) e nossos pecados continuariam conosco, enquanto os que morreram em Cristo estariam para sempre perdidos.
Porém a ressurreição é uma realidade; tanto a ressurreição do Senhor, no passado, quanto a ressurreição de todos os homens, no futuro. A Bíblia ensina que haverá duas ressurreições, que ocorrerão em momentos distintos, para grupos de pessoas distintas. Esses grupos de pessoas são os crentes em Cristo e o restante da humanidade, que não quis conhecer a Deus e ser salvo por Jesus. Na ressurreição dos crentes, segundo a Palavra, os corpos outrora destruídos pela ação de vermes e bactérias no sepulcro (muitos, já não passam de pó, não restando nada mais que lembre um corpo humano) serão ressuscitados após o toque a trombeta de Deus pelo Senhor Jesus, por ocasião da primeira fase de sua Segunda Vinda (a Segunda Vinda de Cristo se dará em 2 fases distintas, assim como a ressurreição acontecerá em dois momentos distintos) (I Ts 4.16), recebendo um novo corpo incorruptível, num corpo espiritual dado por Deus, com base no primeiro corpo.
Perceba o quão imenso e imponderável é o Poder de Deus: mesmo àqueles corpos cujas moléculas e átomos já estão há muito tempo espalhados pela Terra irão ressuscitar! De uma maneira sobrenatural, Deus tornará a unir estes átomos e moléculas novamente, formando o antigo corpo e revestindo-o com Sua Glória! No vale de ossos secos só havia ossos esfarelentos ao toque; Deus os reuniu e fez deles um grande exército! Glória a Deus!
Na segunda ressurreição, após o milênio, os ímpios ressuscitarão para serem julgados, para vergonha e desprezo eterno. Veja o esquema simplificado abaixo:
Essa ressurreição dos ímpios será o evento final, que marcará o fim de toda crueldade e pecado sobre a Terra. Nela, as almas dos ímpios que se encontram no inferno se unirão aos seus corpos novamente, ressuscitando com corpos preparados para o sofrimento. Eles se encontrarão então diante do Grande Trono Branco para julgamento por Deus, conforme registrado no Livro de Apocalipse, cap. 20:
11 E vi um grande trono branco, e o que estava assentado sobre ele, de cuja presença fugiu a terra e o céu; e não se achou lugar para eles.
12 E vi os mortos, grandes e pequenos, que estavam diante de Deus, e abriram-se os livros; e abriu-se outro livro, que é o da vida. E os mortos foram julgados pelas coisas que estavam escritas nos livros, segundo as suas obras.
13 E deu o mar os mortos que nele havia; e a morte e o inferno deram os mortos que neles havia; e foram julgados cada um segundo as suas obras.
14 E a morte e o inferno foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte.
15 E aquele que não foi achado escrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo.
Estas pessoas, que se enquadrarem no critério para participar deste julgamento, ao final dele serão lançadas no lago de fogo, juntamente com o inferno, com o Anticristo, com a Morte, com o Falso Profeta e com o próprio Satanás e todas as hostes do inferno, para serem atormentados de dia e de noite para todo o sempre (Ap 19.20; 20.10-15). Este é o juízo eterno, ou seja, o juízo que dura para sempre, que é sem fim.
Eu sou um pouco reticente com livros que falam de revelações sobre naturais; quando muito e na melhor das hipóteses, não passam de revelações particulares, dadas num contexto muito específico e num propósito especial e exclusivo para seus receptores, não sendo orientativos para a Igreja. Apenas as revelações na Bíblia desfrutam desta prerrogativa, como o Apocalipse de João. No entanto, tomo a liberdade de reproduzir aqui um breve parágrafo de um desses livros, por considerá-lo ilustrativo daquilo que pode ser entendido como o sofrimento no inferno, com base em Marcos 9:43,44 ("...ires para o inferno, para o fogo que nunca se apaga, onde o seu bicho não morre, e o fogo nunca se apaga."):
"Uma [alma em] forma de esqueleto[...], com uma névoa cinzenta e suja[...]. Haviam pedaços da sua carne em decomposição pendurados em seus ossos e, enquanto queimavam, caiam no fundo do buraco. No lugar dos olhos, haviam somente buracos vazios. O fogo começava nos seus pés em pequenas chamas e crescia quando subia e cobria o seu corpo.[...] Olhei de novo [...] e vermes rastejavam para fora dos ossos do seu esqueleto. Eles não eram atingidos pelo fogo. [...]ela tem consciência deles e sente todos esses vermes por dentro dela."
Enquanto isso, os justos terão acesso à Cidade Santa, à Nova Jerusalém, que desceu do Céu e que está na Terra (Ap 21,22).
Concluindo, cabe a pergunta: onde você deseja passar a sua eternidade? Se para você isso tudo não passa de balela, de conversa fiada, a escolha é sua e o destino eterno é seu. Será que vale à pena "pagar para ver", essa é a pergunta. Mas se você crê que há uma eternidade a ser vivida, ou a ser perdida, então você deve fazer HOJE MESMO uma escolha. Você será ressuscitado de qualquer maneira, a questão é quando - na primeira, junto com os salvos em Cristo, ou na segunda, junto com os ímpios? O tempo de ser absolvido por seus pecados é hoje, pois naquele grande dia não cabe mais absolvição, apenas condenação e castigo eterno.
Para ser livre dessa condenação, você precisa ser salvo, de seus próprios pecados, por Cristo. Você precisa ter um encontro, ainda em vida, com o Senhor. Não é religião que salva, a religião só faz enganar as pessoas, desviando-as de Deus. É Jesus o ÚNICO que pode salvar o homem. Por isso mesmo Ele se fez carne e morreu na cruz, carregando nossos pecados sobre si próprio. Ele não veio fundar religião, NÃO! Ele veio salvar a mim e a você! Ele nos amou e ainda nos ama, Seus braços estão estendidos para nos receber, mesmo sujos e carregados de iniqüidade e pecado. Ele é que nos chama para Si mesmo, dizendo "Vinde a Mim, pecador!" Ele te dará o Seu perdão, Ele te salvará dos seus pecados, e deles nunca mais Deus se lembrará!
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!
terça-feira, 11 de outubro de 2011
RUDIMENTOS DA DOUTRINA DE CRISTO - IV: IMPOSIÇÃO DE MÃOS
POR isso, deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até à perfeição, não lançando de novo o fundamento do arrependimento de obras mortas e de fé em Deus, e da doutrina dos batismos, e da imposição das mãos, e da ressurreição dos mortos, e do juízo eterno. E isto faremos, se Deus o permitir. (Hb 6.1-3)
Nesta argumentação, estudaremos a "imposição de mãos", do grego "epithesis te cheir" (ἐπιθέσεώς τε χειρῶν). Sobre a imposição de mãos, há duas principais opiniões teológicas: (1) que a imposição de mãos confere, por transmissão, bênçãos ou maldições para as pessoas sobre as quais as mãos são impostas e (2) que a imposição de mãos é simplesmente um "rito" que confirma para os presentes que aquela pessoa, sobre a qual as mãos são impostas, detém a partir daquele momento autoridade ou comissão para realizar alguma tarefa específica. Na primeira, o dom sobrenatural é transmitido de pessoa para pessoa; no segundo caso, o dom é apenas confirmado.
Em seu comentário, Barnes argumenta que as mãos eram impostas sobre alguém não para conceder algum poder ou habilidade, mas para indicar que aquela pessoa recebera a autoridade ou comissão de quem lhe impunha as mãos. (Barnes' New Testament Notes) Em concordância com Barnes, o "Novo Dicionário da Bíblia" explica que o toque das mãos de uma pessoa era considerado como algo que comunicava autoridade, poder, ou bênção. Já segundo São Tomás de Aquino, em sua obra Summa Theologica, "a imposição das mãos [...] é feita para designar um abundante efeito da graça, pela qual, os que recebem essa imposição, por uma certa semelhança se associam aos ministros, que devem ter uma graça mais abundante."
Calvino, em seu comentário sobre a Epístola aos Hebreus, conecta os batismos à imposição de mãos. Conforme o comentário, os filhos menores dos catecúmenos eram batizados nas águas e assim uniam-se a Igreja; quando cresciam não eram novamente batizados, mas sobre eles as mãos dos presbíteros eram impostas. Não há, contudo, nenhuma referência bíblica sobre esta prática; mesmo na hipótese dela se constituir numa prática da Igreja, seria preciso que ela se desse após a escrita da Epístola, não se constituindo, deste modo, no propósito original do autor.
Mas o que a Bíblia tem a dizer sobre isso?
A prática de impor as mãos sobre a cabeça de uma pessoa quando se invocava sobre ela uma bênção era comum entre os hebreus. A bênção seria então transmitida por Deus à pessoa sobre a qual as mãos eram impostas por alguém que detivesse autoridade para isso, como um pai de família, ou sacerdote (Gn 48.5-20; Nm 8.5-20). Em Atos 6, os apóstolos impuseram as mãos sobre os irmãos escolhidos pela Igreja para servirem como diáconos (At 6.6). As mãos também eram impostas sobre a cabeça da vítima, por ocasião do sacrifício, confessando os pecados (Lv 16.21; 24.14; Nm 8.12; II Cr 29.23). As crianças eram trazidas a Jesus para que Ele lhes impusesse as mãos (Mt 19.13). É preciso considerar que no livro de Atos o Espírito Santo era concedido aos fieís sob a imposição de mãos dos apóstolos (At 8.17). As mãos eram também impostas sobre uma pessoa quando esta era separada para um ofício específico (Num 27.18 comp. At 8.19). Paulo exorta a Timóteo: "Não desprezes o dom que há em ti, o qual te foi dado por profecia, com a imposição das mãos do presbitério" (I Tm 4.14). Em sua segunda epístola ao jovem discípulo, novamente consta a mesma admoestação: "Por cujo motivo te lembro que despertes o dom de Deus que existe em ti pela imposição das minhas mãos." (II Tm 1.6; ver também I Tm 5.17-22)
A verdadeira doutrina a respeito da imposição das mãos é um dos elementos da fé cristã. Que o costume da imposição das mãos, como simbolismo de transmissão de dons espirituais, prevaleceu na Igreja no tempo dos apóstolos, não há dúvida. (Barnes' New Testament Notes) Assim, os dois conceitos - transmissão de dons espirituais e reconhecimento do chamado e dos dons - parecem estar inseridos na antiga prática de imposição de mãos. É provável que o ensino - rudimento - sobre a imposição de mãos consistia em esclarecer os propósitos da imposição de mãos aos irmãos hebreus, que muito possivelmente confundiam "quem" (sobre animais? sobre coisas? sobre pessoas?) e "quando" (em que casos) impor as mãos.
O ensino envolvia, com toda certeza, quem era, em última análise, responsável pela ação desejada na imposição de mãos pelos crentes em Cristo (o Senhor Jesus), pois Seu precioso nome é que deveria ser invocado na prática. Assim, aquele que impunha as mãos era simplesmente um canal pelo qual as bênçãos do Senhor fluiriam sobre outrem.
Ao contrário, as religiões de mistério que também praticavam a imposição de mãos tributavam a eficácia da prática ou ao sacerdote da mesma ou a entidade específica. Argumentando pelo viéis das religiões comparadas, a prática de transmissão espiritual via imposição de mãos é até hoje comum a várias religiões e seitas pseudocristãs, como o budismo, a Igreja Messiânica Mundial, o Mormonismo, o Espiritismo, dentre outras.
Há uma questão pendente: será que o ensino de que maldições podem ser transferidas pela imposição de mãos tem fundamento? Será que Paulo, ao escrever a Timóteo para que ele "não impusesse precipitadamente as mãos, nem participasse dos pecados alheios" referia-se a uma "retro-transmissão de pecados'? Essa passagem pode apoia o ensino de que há transmissão ou transferência de pecados de quem recebe a imposição de mãos ou de quem impõe?
Com base no sistema sacrificial do Antigo Testamento alguns grupos, como os Adventistas do Sétimo Dia, erroneamente afirmam que os pecados da nação eram transmitidos para o bode emissário (o bode para Azazel) pela imposição de mãos. Assim, em tese, haveria a transmissão de pecados pela imposição de mãos.
Parênteses: O uso do bode emissário para expiação do pecado de Israel é relatado em Levítico 16. Conforme o texto, dois bodes eram trazidos diante do Tabernáculo no deserto e sobre eles lançavam-se sortes, de forma que um dos bodes era sacrificado (o bode onde recaía a sorte pelo Senhor) e o outro era enviado para o deserto, como bode emissário. O sumo-sacerdote Arão então impunha suas mãos sobre a cabeça do bode vivo, e sobre ele confessava todas as iniqüidades dos filhos de Israel, e todas as suas transgressões, e todos os seus pecados. Esse bode era então conduzido para o deserto pela mão de um homem designado para isso, devendo ser deixado no deserto.
É interessante notar que o termo "Azazel" não aparece em todas as versões da Bíblia. A versão inglesa da Bíblia, conhecida como King James Version, usa o termo inglês "scapegoat", traduzido por "bode expiatório" (o mesmo termo é também encontrado nas versões New American Standard Bible, American King James Version, Webster's Bible Translation e World English Bible). O termo Azazel aparece em outras versões (American Standard Version, Darby Bible Translation, English Revised Version, Reina Valera, Louis Segond (1910), French: Darby, French: Martin (1744), German: Luther (1912), etc.). No texto de Lv 16.8, o termo hebraico utilizado é "`aza'zel". Porém, este termo é precedido pelo termo "gowral" (gowral aza'zel), que é traduzido por "uma parte ou destino" (como se determinado por sorte). Assim, o texto de Levítico seria "e outro com destino a Azazel".
O Pr. Natanael Rinaldi, especialista em apologética cristã, apresenta uma explicação bastante esclarecedora: "Alguns entendem que "azazel" vem das raízes hebraicas: ez (bode) e azal (virar-se). Outros dizem que a palavra procede do árabe: "azala" (banir, tirar, remover). Os rabinos, em sua maioria, entendiam que Azazel era o local, no deserto, para onde o bode era enviado" (Expiação por Azazel - A quem representava o bode Azazel? site: http://www.cacp.org.br/adventismo/artigo.aspx?lng=PT-BR&article=9&menu=1&submenu=3). Fecha parênteses.
Parênteses 2: Como entender o papel do bode emissário? Ambos os bodes de Levítico tipificam, juntos, de forma inseparável, a Cristo. O primeiro era sacrificado, já o segundo levava sobre ele as transgressões do povo. Isaías diz que o Senhor Jesus tomou sobre si as nossas iniqüidades: "Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniqüidades deles levará sobre si." (Isaías 53:11). Por ocasião de sua obra expiatória, o Senhor Jesus exclamou dizendo "Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste?" (Mt 27.46). Porque Ele exclamou assim? Por causa dos pecados da humanidade que estavam sobre Ele - são os pecados é que fazem separação entre o homem e Deus (Is 59.2) e isso se cumpriu em Jesus. Naquele momento de solidão, na cruz, antes de sua morte, Jesus cumpriu o tipo do bode emissário; Ele estava sozinho, no deserto da existência, com os pecados do povo sobre si. Quando o Senhor morreu, Ele cumpriu o tipo do bode para o Senhor, imolado em favor do pecado do povo. Fecha parênteses.
No texto de I Timóteo 5:22, Paulo está dizendo a Timóteo que não separe, eleja, escolha anciãos (oficiais da Igreja) sem que estes evidenciem genuína conversão, sem que estes cumpram os requisitos básicos para o ofício que desempenharão (ofício pastoral). Se Timóteo não atentasse para estes requisitos e separasse oficiais para a Igreja (e para isso imporia sobre eles as suas mãos), os homens escolhidos sem critério acabariam por não honrar sua posição e com isso pecariam. Como Timóteo seria o responsável por separar pessoas incapacitadas, espiritualmente falando, ao ministério, ele seria o responsável pelos pecados que estes cometessem na execução de seu ofício; isto é, Timóteo, mesmo sabendo o que poderia ocorrer por sua escolha precipitada, agindo de forma precipitada, irresponsável, seria o responsável por tudo o que redundasse dessa escolha.
Em Provérbios 26:2, está escrito: "Como o pássaro no seu vaguear, como a andorinha no seu vôo, assim a maldição sem causa não encontra pouso." Deste modo, se o crente em questão é fiel aos Princípios da Palavra de Deus, a possível maldição, que poderia se abater sobre sua vida através do ato impenetrado por outra pessoa não ocorrerá. Na vida do cristão genuíno não há "brechas" para atuação demoníaca; muito pelo contrário: Há suficiente vida com Deus para fazer com que a maldição seja trocada por bênção. O texto de 1 João 5.18 fala que o maligno não "toca" no crente: "Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive pecando; antes o guarda aquele que nasceu de Deus, e o Maligno não lhe toca."
E se tanto aquele que impõe as mãos como aquele sobre quem as mãos são impostas, na Igreja, forem não-cristãos; ou seja, forem cristãos nominais? Essa hipótese se assemelha a imposição de mãos por não-cristãos fora da Igreja, membros de religiões e seitas heréticas, com uma única ressalva: O nome invocado não é o nome de um deus pagão, ou de um demônio; mas o nome invocado, neste caso, é o de Jesus. À primeira análise, talvez devêssemos concordar com a Tese de Agostinho - a tese do "ex opere operato": "Ao aceitar a natureza comunicativa dos sacramentos, comprovamos que este comporta em si a graça de Deus, independentemente da fé ou do caráter moral do celebrante ou de seus destinatários".
Assim, segundo Agostinho, a eficácia do sacramento não depende de quem o ministra, ou de quem o recebe, porque a eficácia do sacramento reside nele mesmo. O conceito é diferente no Protestantismo, onde o sacramento não depende do ministro, mas de Deus, e a sua eficácia realiza-se sempre no respeito da liberdade humana, isto é, a sua eficácia requer a resposta da fé (ou seja, na condição de quem o recebe).
Note que Jesus, ao cumprir os tipos dos bodes de Levítico 16, leva os pecados sobre si, garantindo àquele que reconhece a si mesmo como pecador, que se arrepende e tem fé em Deus o perdão dos pecados. Porém, os pecados do não-convertido permanecem sobre os próprios, a despeito da obra de Cristo. Os benefícios do sacrifício de Cristo no que tange à salvação do pecador dependem da fé deste último; não operando tais benefícios salvíficos independente da fé do pecador. A graça de Deus opera sobre o homem à medida que ele crê em Deus, pois "pela graça sois salvos, por meio da fé". (Ef 2.8)
Porém, há uma ressalva muito grande, que impede de usarmos a tese agostiniana neste caso: Quem recebe a imposição de mãos não possui fé no que se está realizando; tampouco quem está impondo as mãos. Assim, a imposição de mãos é, em si mesma, nula em efeito (note que o ato não é suficiente em si mesmo). O ato, deste modo, não passa de uma mera cerimônia, tipo "para inglês ver", não possui eficácia, não possui "referendum" de Deus; muito pelo contrário: possui reprovação, estando tanto o celebrante quanto o participante debaixo de pecado e, em última análise, debaixo de maldição.
Portanto, não há transmissão de pecados via imposição de mãos, mas pode haver transmissão da graça divina em favor daquele que recebe a imposição, pela operação do poder de Deus através de quem impõe as mãos. Por outro lado, há casos onde a imposição de mãos se aplica, noutros não. É muito importante haver discernimento espiritual, para não transformarmos a operação da graça de Deus em mais um ritualismo vazio e sem propósito.
Na próxima argumentação, estudaremos acerca do ensino sobre a ressurreição dos mortos e o juízo final. Até lá, permitindo Deus! Lembre-se: Deus está lhe dando visão de águia!
Nesta argumentação, estudaremos a "imposição de mãos", do grego "epithesis te cheir" (ἐπιθέσεώς τε χειρῶν). Sobre a imposição de mãos, há duas principais opiniões teológicas: (1) que a imposição de mãos confere, por transmissão, bênçãos ou maldições para as pessoas sobre as quais as mãos são impostas e (2) que a imposição de mãos é simplesmente um "rito" que confirma para os presentes que aquela pessoa, sobre a qual as mãos são impostas, detém a partir daquele momento autoridade ou comissão para realizar alguma tarefa específica. Na primeira, o dom sobrenatural é transmitido de pessoa para pessoa; no segundo caso, o dom é apenas confirmado.
Em seu comentário, Barnes argumenta que as mãos eram impostas sobre alguém não para conceder algum poder ou habilidade, mas para indicar que aquela pessoa recebera a autoridade ou comissão de quem lhe impunha as mãos. (Barnes' New Testament Notes) Em concordância com Barnes, o "Novo Dicionário da Bíblia" explica que o toque das mãos de uma pessoa era considerado como algo que comunicava autoridade, poder, ou bênção. Já segundo São Tomás de Aquino, em sua obra Summa Theologica, "a imposição das mãos [...] é feita para designar um abundante efeito da graça, pela qual, os que recebem essa imposição, por uma certa semelhança se associam aos ministros, que devem ter uma graça mais abundante."
Calvino, em seu comentário sobre a Epístola aos Hebreus, conecta os batismos à imposição de mãos. Conforme o comentário, os filhos menores dos catecúmenos eram batizados nas águas e assim uniam-se a Igreja; quando cresciam não eram novamente batizados, mas sobre eles as mãos dos presbíteros eram impostas. Não há, contudo, nenhuma referência bíblica sobre esta prática; mesmo na hipótese dela se constituir numa prática da Igreja, seria preciso que ela se desse após a escrita da Epístola, não se constituindo, deste modo, no propósito original do autor.
Mas o que a Bíblia tem a dizer sobre isso?
A prática de impor as mãos sobre a cabeça de uma pessoa quando se invocava sobre ela uma bênção era comum entre os hebreus. A bênção seria então transmitida por Deus à pessoa sobre a qual as mãos eram impostas por alguém que detivesse autoridade para isso, como um pai de família, ou sacerdote (Gn 48.5-20; Nm 8.5-20). Em Atos 6, os apóstolos impuseram as mãos sobre os irmãos escolhidos pela Igreja para servirem como diáconos (At 6.6). As mãos também eram impostas sobre a cabeça da vítima, por ocasião do sacrifício, confessando os pecados (Lv 16.21; 24.14; Nm 8.12; II Cr 29.23). As crianças eram trazidas a Jesus para que Ele lhes impusesse as mãos (Mt 19.13). É preciso considerar que no livro de Atos o Espírito Santo era concedido aos fieís sob a imposição de mãos dos apóstolos (At 8.17). As mãos eram também impostas sobre uma pessoa quando esta era separada para um ofício específico (Num 27.18 comp. At 8.19). Paulo exorta a Timóteo: "Não desprezes o dom que há em ti, o qual te foi dado por profecia, com a imposição das mãos do presbitério" (I Tm 4.14). Em sua segunda epístola ao jovem discípulo, novamente consta a mesma admoestação: "Por cujo motivo te lembro que despertes o dom de Deus que existe em ti pela imposição das minhas mãos." (II Tm 1.6; ver também I Tm 5.17-22)
A verdadeira doutrina a respeito da imposição das mãos é um dos elementos da fé cristã. Que o costume da imposição das mãos, como simbolismo de transmissão de dons espirituais, prevaleceu na Igreja no tempo dos apóstolos, não há dúvida. (Barnes' New Testament Notes) Assim, os dois conceitos - transmissão de dons espirituais e reconhecimento do chamado e dos dons - parecem estar inseridos na antiga prática de imposição de mãos. É provável que o ensino - rudimento - sobre a imposição de mãos consistia em esclarecer os propósitos da imposição de mãos aos irmãos hebreus, que muito possivelmente confundiam "quem" (sobre animais? sobre coisas? sobre pessoas?) e "quando" (em que casos) impor as mãos.
O ensino envolvia, com toda certeza, quem era, em última análise, responsável pela ação desejada na imposição de mãos pelos crentes em Cristo (o Senhor Jesus), pois Seu precioso nome é que deveria ser invocado na prática. Assim, aquele que impunha as mãos era simplesmente um canal pelo qual as bênçãos do Senhor fluiriam sobre outrem.
Ao contrário, as religiões de mistério que também praticavam a imposição de mãos tributavam a eficácia da prática ou ao sacerdote da mesma ou a entidade específica. Argumentando pelo viéis das religiões comparadas, a prática de transmissão espiritual via imposição de mãos é até hoje comum a várias religiões e seitas pseudocristãs, como o budismo, a Igreja Messiânica Mundial, o Mormonismo, o Espiritismo, dentre outras.
Há uma questão pendente: será que o ensino de que maldições podem ser transferidas pela imposição de mãos tem fundamento? Será que Paulo, ao escrever a Timóteo para que ele "não impusesse precipitadamente as mãos, nem participasse dos pecados alheios" referia-se a uma "retro-transmissão de pecados'? Essa passagem pode apoia o ensino de que há transmissão ou transferência de pecados de quem recebe a imposição de mãos ou de quem impõe?
Com base no sistema sacrificial do Antigo Testamento alguns grupos, como os Adventistas do Sétimo Dia, erroneamente afirmam que os pecados da nação eram transmitidos para o bode emissário (o bode para Azazel) pela imposição de mãos. Assim, em tese, haveria a transmissão de pecados pela imposição de mãos.
Parênteses: O uso do bode emissário para expiação do pecado de Israel é relatado em Levítico 16. Conforme o texto, dois bodes eram trazidos diante do Tabernáculo no deserto e sobre eles lançavam-se sortes, de forma que um dos bodes era sacrificado (o bode onde recaía a sorte pelo Senhor) e o outro era enviado para o deserto, como bode emissário. O sumo-sacerdote Arão então impunha suas mãos sobre a cabeça do bode vivo, e sobre ele confessava todas as iniqüidades dos filhos de Israel, e todas as suas transgressões, e todos os seus pecados. Esse bode era então conduzido para o deserto pela mão de um homem designado para isso, devendo ser deixado no deserto.
É interessante notar que o termo "Azazel" não aparece em todas as versões da Bíblia. A versão inglesa da Bíblia, conhecida como King James Version, usa o termo inglês "scapegoat", traduzido por "bode expiatório" (o mesmo termo é também encontrado nas versões New American Standard Bible, American King James Version, Webster's Bible Translation e World English Bible). O termo Azazel aparece em outras versões (American Standard Version, Darby Bible Translation, English Revised Version, Reina Valera, Louis Segond (1910), French: Darby, French: Martin (1744), German: Luther (1912), etc.). No texto de Lv 16.8, o termo hebraico utilizado é "`aza'zel". Porém, este termo é precedido pelo termo "gowral" (gowral aza'zel), que é traduzido por "uma parte ou destino" (como se determinado por sorte). Assim, o texto de Levítico seria "e outro com destino a Azazel".
O Pr. Natanael Rinaldi, especialista em apologética cristã, apresenta uma explicação bastante esclarecedora: "Alguns entendem que "azazel" vem das raízes hebraicas: ez (bode) e azal (virar-se). Outros dizem que a palavra procede do árabe: "azala" (banir, tirar, remover). Os rabinos, em sua maioria, entendiam que Azazel era o local, no deserto, para onde o bode era enviado" (Expiação por Azazel - A quem representava o bode Azazel? site: http://www.cacp.org.br/adventismo/artigo.aspx?lng=PT-BR&article=9&menu=1&submenu=3). Fecha parênteses.
Parênteses 2: Como entender o papel do bode emissário? Ambos os bodes de Levítico tipificam, juntos, de forma inseparável, a Cristo. O primeiro era sacrificado, já o segundo levava sobre ele as transgressões do povo. Isaías diz que o Senhor Jesus tomou sobre si as nossas iniqüidades: "Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniqüidades deles levará sobre si." (Isaías 53:11). Por ocasião de sua obra expiatória, o Senhor Jesus exclamou dizendo "Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste?" (Mt 27.46). Porque Ele exclamou assim? Por causa dos pecados da humanidade que estavam sobre Ele - são os pecados é que fazem separação entre o homem e Deus (Is 59.2) e isso se cumpriu em Jesus. Naquele momento de solidão, na cruz, antes de sua morte, Jesus cumpriu o tipo do bode emissário; Ele estava sozinho, no deserto da existência, com os pecados do povo sobre si. Quando o Senhor morreu, Ele cumpriu o tipo do bode para o Senhor, imolado em favor do pecado do povo. Fecha parênteses.
No texto de I Timóteo 5:22, Paulo está dizendo a Timóteo que não separe, eleja, escolha anciãos (oficiais da Igreja) sem que estes evidenciem genuína conversão, sem que estes cumpram os requisitos básicos para o ofício que desempenharão (ofício pastoral). Se Timóteo não atentasse para estes requisitos e separasse oficiais para a Igreja (e para isso imporia sobre eles as suas mãos), os homens escolhidos sem critério acabariam por não honrar sua posição e com isso pecariam. Como Timóteo seria o responsável por separar pessoas incapacitadas, espiritualmente falando, ao ministério, ele seria o responsável pelos pecados que estes cometessem na execução de seu ofício; isto é, Timóteo, mesmo sabendo o que poderia ocorrer por sua escolha precipitada, agindo de forma precipitada, irresponsável, seria o responsável por tudo o que redundasse dessa escolha.
Em Provérbios 26:2, está escrito: "Como o pássaro no seu vaguear, como a andorinha no seu vôo, assim a maldição sem causa não encontra pouso." Deste modo, se o crente em questão é fiel aos Princípios da Palavra de Deus, a possível maldição, que poderia se abater sobre sua vida através do ato impenetrado por outra pessoa não ocorrerá. Na vida do cristão genuíno não há "brechas" para atuação demoníaca; muito pelo contrário: Há suficiente vida com Deus para fazer com que a maldição seja trocada por bênção. O texto de 1 João 5.18 fala que o maligno não "toca" no crente: "Sabemos que todo aquele que é nascido de Deus não vive pecando; antes o guarda aquele que nasceu de Deus, e o Maligno não lhe toca."
E se tanto aquele que impõe as mãos como aquele sobre quem as mãos são impostas, na Igreja, forem não-cristãos; ou seja, forem cristãos nominais? Essa hipótese se assemelha a imposição de mãos por não-cristãos fora da Igreja, membros de religiões e seitas heréticas, com uma única ressalva: O nome invocado não é o nome de um deus pagão, ou de um demônio; mas o nome invocado, neste caso, é o de Jesus. À primeira análise, talvez devêssemos concordar com a Tese de Agostinho - a tese do "ex opere operato": "Ao aceitar a natureza comunicativa dos sacramentos, comprovamos que este comporta em si a graça de Deus, independentemente da fé ou do caráter moral do celebrante ou de seus destinatários".
Assim, segundo Agostinho, a eficácia do sacramento não depende de quem o ministra, ou de quem o recebe, porque a eficácia do sacramento reside nele mesmo. O conceito é diferente no Protestantismo, onde o sacramento não depende do ministro, mas de Deus, e a sua eficácia realiza-se sempre no respeito da liberdade humana, isto é, a sua eficácia requer a resposta da fé (ou seja, na condição de quem o recebe).
Note que Jesus, ao cumprir os tipos dos bodes de Levítico 16, leva os pecados sobre si, garantindo àquele que reconhece a si mesmo como pecador, que se arrepende e tem fé em Deus o perdão dos pecados. Porém, os pecados do não-convertido permanecem sobre os próprios, a despeito da obra de Cristo. Os benefícios do sacrifício de Cristo no que tange à salvação do pecador dependem da fé deste último; não operando tais benefícios salvíficos independente da fé do pecador. A graça de Deus opera sobre o homem à medida que ele crê em Deus, pois "pela graça sois salvos, por meio da fé". (Ef 2.8)
Porém, há uma ressalva muito grande, que impede de usarmos a tese agostiniana neste caso: Quem recebe a imposição de mãos não possui fé no que se está realizando; tampouco quem está impondo as mãos. Assim, a imposição de mãos é, em si mesma, nula em efeito (note que o ato não é suficiente em si mesmo). O ato, deste modo, não passa de uma mera cerimônia, tipo "para inglês ver", não possui eficácia, não possui "referendum" de Deus; muito pelo contrário: possui reprovação, estando tanto o celebrante quanto o participante debaixo de pecado e, em última análise, debaixo de maldição.
Portanto, não há transmissão de pecados via imposição de mãos, mas pode haver transmissão da graça divina em favor daquele que recebe a imposição, pela operação do poder de Deus através de quem impõe as mãos. Por outro lado, há casos onde a imposição de mãos se aplica, noutros não. É muito importante haver discernimento espiritual, para não transformarmos a operação da graça de Deus em mais um ritualismo vazio e sem propósito.
Na próxima argumentação, estudaremos acerca do ensino sobre a ressurreição dos mortos e o juízo final. Até lá, permitindo Deus! Lembre-se: Deus está lhe dando visão de águia!
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
SINAIS DA PROXIMIDADE DO RETORNO DO SENHOR JESUS - AGINDO EU, QUEM IMPEDIRÁ?
Uma revista da Califórnia publicou recentemente os resultados de uma pesquisa com mais de 600 ex-muçulmanos, que agora seguem Jesus. “Embora os sonhos pareçam desempenhar um papel menor na conversão dos ocidentais, mais de um quarto dos entrevistados ex-muçulmanos enfaticamente confirmam que os sonhos e visões desempenharam um papel vital em sua conversão, e os ajudou em momentos difíceis”, o levantamento afirmou.
Outros têm encontrado o percentual mais elevado. Karel Sanders, um missionário na África do Sul, informou que entre Africanos muçulmanos, “42% dos novos crentes vem a Cristo através de visões, sonhos, aparições angelicais e ouvir a voz de Deus.” De acordo com o site “Sexta-Feira Dawn Fax”, que se concentra em relatórios missionários de língua árabe, moderadores explicam experiências sobrenaturais, tais como sonhos, visões e curas através da oração de Jesus. “Este é um tema quente em nossa região. Pessoas de todo o Oriente Médio nos chamam, dizendo como eles foram curados através da oração em nome de Jesus”, citam os missionários. “Ouvintes muçulmanos costumam nos falar sobre sonhos e visões de Jesus, querendo saber o que isso significa para eles.”
O mesmo é contado em “I Dared to call him Father (Me atrevi a chamá-lo de pai)”, um livro fascinante, escrito por uma rica mulher ex-muçulmana paquistanesa chamada Bilquis Sheikh, que veio a Cristo através de uma série de acontecimentos místicos – começando com a presença do mal, que ela sentia, e era ligado ao assassinato recente de um cristão perseguido.
“A estranha sensação espinhosa cresceu dentro de mim enquanto eu caminhava lentamente ao longo dos caminhos de cascalho do meu jardim”, ela escreveu em um livro que acaba de ser relançado. “Eu parei de andar e olhei em volta. Como eu me inclinei para agarrar as hastes verdes, algo passou por minha cabeça, eu me endireitei, atenta. Senti uma névoa… Um frio, úmido. Uma presença profana – tinha flutuado por mim. Claro que não havia nada lá fora. Estaria lá? Como que em resposta, eu senti uma presença, muito real e misteriosa e um toque em minha mão direita.”
Esta experiência levou a uma série de sonhos que – como tantos outros – culminou na conversão da mulher muçulmana. São tais sonhos mais recorrentes agora – com a situação do mundo como ele é? Ou será que eles sempre ocorreram?
Sabemos que os sonhos podem ser importantes. Nós lembramos de Abraão. Nós lembramos de José, o pai de Jesus.
Mas eles também são cruciais no nosso próprio tempo e, no caso da mulher rica, cujo marido tinha sido um general e ministro do Paquistão, eles formaram uma parte importante de sua conversão – se não o mais importante papel. Conforme ela explica neste livro bem escrito (que foi publicado pela primeira vez em 1978), ela havia sido criada na fé muçulmana, que acreditava que, embora Jesus tenha nascido de uma virgem, ele não era o Filho de Deus. Ainda assim, a mulher sentiu-se impulsionada para explorar a Bíblia – e é aí que tudo começou.
Em um sonho, relatou Sheikh, “eu me encontrei jantando com um homem que eu sabia ser Jesus. Ele veio me visitar na minha casa e ficou por dois dias. Ele sentou-se sobre a minha mesa e em paz e alegria jantamos juntos”.
“De repente, o sonho mudou. Agora eu estava no topo de uma montanha com outro homem, João Batista. Ele estava vestido com uma túnica e calçado com sandálias. Como foi que eu misteriosamente sabia seu nome, também? Eu encontrei-me contando a João Batista sobre as minhas visitas recentes com Jesus”. O sonho – peculiar – a levou à pergunta que todos que poderiam saber responder (porque até aquele momento, Sheikh ainda não havia chegado ao trecho em que João Batista aparece na história) em sua leitura da Bíblia.
Ela se tornou uma cristã. Então, temos milhares de outros. Os relatórios incluíram moradores em lugares como Marrocos. Ouvimos pela primeira vez sobre isso no início de 1990.
“Um seguidor de Jesus da Guiné fala sobre uma pessoa de branco que lhe apareceu em sonho, chamando-o de braços abertos”, afirma a publicação da Califórnia.”Esse tipo de sonho, no qual Cristo aparece como uma figura de branco, é um padrão freqüente na obra missionária entre os muçulmanos.”
Os exemplos são numerosos. Um muçulmano da Malásia viu seus pais falecidos como convertidos aos cristianismo em um sonho, comemorando no céu. Jesus, com uma túnica branca, lhe disse: “Se você quiser vir a mim, vem!” Ele o fez.
Outro convertido, este novamente a partir do Oriente Médio, disse que ele estava deitado na cama com uma dor de cabeça muito forte. A figura branca com uma aparência maravilhosa, pacífica, apareceu e colocou as mãos sobre sua cabeça três vezes, e na manhã seguinte a dor de cabeça que era incurável até então, havia cessado.
Um homem do oeste da África viu um religioso muçulmano no inferno, e um pobre cristão, que não podia mesmo dar esmolas, no céu. A voz explicou que o ponto decisivo não foi a esmola, mas a fé em Jesus.
Enquanto isso, um trabalho missionário entre os Tausugs, das Filipinas, maior grupo muçulmano daquele país, relata que um número de muçulmanos fiéis “viu Jesus” em seus sonhos após o Ramadã (mês em que os muçulmanos praticam um ritual de jejum). Um homem sonhou com Jesus matando um dragão enorme em um duelo e no dia seguinte teve o mesmo sonho, o que o levou a conhecer o Evangelho.
Um membro do povoado Yakan, na Província Basilan sonhou que o Profeta Maomé não podia olhar para Jesus no olho. Quando ele disse seu primo, um cristão, do sonho, seu primo lhe disse que o sonho significava que Jesus é maior do que Maomé.
Há histórias de guerra espiritual. Há relatos da Turquia. Há histórias de curas milagrosas. Há histórias do Iraque. Uma equipe que pertencem aos “Atletas em Ação”, um movimento de atletas missionários, relatou a partir de sua visita às repúblicas da Ásia Central do Turcomenistão e Quirguistão, que “uma das experiências mais interessantes da viagem foi para ouvir um grande número de pessoas dizendo como eles tornaram-se cristãos”. Anteriormente, eles haviam sido ateus ou muçulmanos. Alguns nos contaram como Deus havia falado com eles em sonhos. Outros nos contaram como eles tinham tido dores de cabeça por dias depois de ouvir sobre Cristo. Logo que decidiram tornar-se cristãos, a dor de cabeça havia passado. Uma mulher nos disse que na noite em que ouviu falar de Jesus, nada aconteceu até que ela foi dormir. Enquanto ela dormia, ela teve um sonho terrível, no qual uma figura satânica disse a ela “Você nunca vai escapar de mim”, porém agora ela também se tornou uma cristã.
Existem inúmeros relatos de que muitos dos Berberes que vivem nas montanhas da Argélia estão vindo a Cristo através de sonhos e visões semelhantes, formando células e igrejas, em sua maioria subterrâneas. Ahmed Ait Ben Youcef, um berbere nativo que atualmente vive no exterior, disse que encontrou Cristo no caminho que parece típico para berberes islâmicos anteriormente: “nós berberes sempre acreditamos em Deus, mas muitos o procuram à sua própria maneira, sob a pressão dos árabes islâmicos. Jovens ansiavam pelo caminho certo para nossas vidas e oravam a Deus para orientação. Um dos meus amigos morreu em um acidente de trânsito. Na noite seguinte, sonhei que ele, um outro amigo, e eu nos dirigíamos a uma cidade brilhante, rodeada por uma parede branca. Nesse sonho, meu amigo nos disse que agora ele vivia lá”.
Um muçulmano egípcio estava lendo os Evangelhos, e de acordo com mais um relatório ele tinha acabado de chegar a Lucas, Capítulo 3, quando um vento forte varreu a sala e uma voz disse: “Eu sou Jesus Cristo, a quem você odeia. Eu sou o Senhor que você está procurando.” Ele decidiu seguir a Jesus naquele dia.
Os relatórios são difundidos de tal forma que sites inteiros são dedicados a tais histórias – embora muitas vezes tomem o cuidado de manter o anonimato. Uma fonte bem informada, que por razões óbvias permanece não identificada, relata que um ex-islâmico “Imam” ou líder espiritual levou 3.000 muçulmanos para Jesus, tendo ele chegado a Cristo através de sonhos, em que um homem branco dizia-lhe para estudar a Bíblia. O método desse homem é simples: em uma conversa, ele diz aos outros: “você já viu um homem branco em seus sonhos recentemente? Se eles não tiverem visto, ele lhes diz: eu só estava me perguntando. Obrigado. Se responderem positivamente, ele continua perguntando se eles estão interessados em aprender quem este homem branco é. E quem não está interessado na identidade de uma pessoa misteriosa que aparece em seus sonhos? O ex-Imam, em seguida, mostra-lhes várias passagens da Bíblia em que um homem branco vestido é mencionado, explicando: “Isso é Jesus. Ele quer falar com você, porque Ele quer que você o siga”.
Muitos muçulmanos foram preparados para em caso de encontros sobrenaturais, e aceitarem o convite. Algum tempo atrás, Bill Bright, diretor do “Campus Crusade”, escreveu que “estavam vivenciando um fenômeno surpreendente. Muçulmanos em particular, estão tendo sonhos e visões confirmando a realidade de Cristo. Depois de um programa de rádio informaram que Jesus havia aparecido para muitos muçulmanos em um sonho e havia dito a eles: ‘Eu sou o caminho’. A estação de rádio recebu milhares de cartas de muçulmanos no norte da África e do Oriente Médio, em que os ouvintes disseram que de repente tinham entendido sonhos anteriores. Eles, então, queriam mais informações sobre Jesus”.
Fonte: Gospel+
http://noticias.gospelmais.com.br/mulcumanos-visoes-sonhos-jesus-convertendo-25486.html
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MEUS COMENTÁRIOS
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"E há de ser que, depois derramarei o meu Espírito sobre toda a carne, e vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos velhos terão sonhos, os vossos jovens terão visões." (Jl 2.28)
De quem é Deus? Ou melhor, Deus pertence a qual religião? As religião dita cristã e seus adeptos querem fazer crer que Deus é propriedade exclusiva deles, que somente a partir dos rígidos critérios ortodoxos mega-plus-tabajara, os quais defendem com "unhas e dentes", é que Deus pode se manifestar, agir e falar. Porém, Deus não é propriedade de religião, nem deu a ninguém exclusividade de Sua manifestação. Ele é um ser pessoal e como tal age livremente, segundo o Seu entendimento e parecer; quem dirá ao Todo-Poderoso qual caminho Ele deve tomar? Ou quem ditar-lhe-á a forma de agir? Ele faz o que bem entender; estende a Sua mão e age e não há ninguém que possa escapar!
O Espírito de Deus - isso mesmo, O E-S-P-Í-R-I-T-O S-A-N-T-O - está dando sonhos e visões de Jesus àqueles que, no máximo, ouviram falar do Senhor como sendo um simples "profeta", "inferior a Maomé" e eles estão se convertendo ao Senhor! Todo o terror espalhado nos corações daquelas pessoas, todas as ameaças, todos os bloqueios de comunicação... tudo isso é NADA, diante Daquele que criou os Céus e a Terra com Sua Palavra! Todo assassinato "legalmente justo" dos missionários, toda destruição de Bíblias, todo fechamento de Igrejas... nada disso é capaz de deter a ação do Rei dos Reis e Senhor dos Senhores! Agindo Ele, quem impedirá?!?
O Senhor deseja a salvação de todos os homens. Nos países onde a fé cristã é permitida, onde se converter à Cristo não é crime, as Igrejas sérias tem cumprido o seu papel na pregação do Evangelho. Porém, onde a conversão à Cristo é crime capital punível com pena de morte, o próprio Cristo - Aquele que esteve morto e ao terceiro dia ressuscitou - é o Evangelho Vivo! Como matá-Lo? É impossível! Como impedir sua manifestação? Nem todo inferno reunido é capaz de fazê-lo! Que se curve o espírito do medo e da violência diante do Senhor Jesus!
Jesus está voltando! Ao ler esse texto, isso fica cada vez mais claro; e essa realidade cada vez mais próxima. Uma pergunta surge em meu coração: e quanto a nós, igreja brasileira? e quanto a nós, povo brasileiro? Estamos preparados para esse encontro? Você que lê este texto, se Jesus voltasse HOJE, como Ele encontraria você - preparado ou não?
A dinâmica da vida cotidiana, extremamente acelerada, acaba muitas vezes nos tornando, na prática, autômatos. Fazemos as coisas porque "temos que fazer". Temos coisas porque "precisamos ter". Vivemos porque "precisamos viver". E assim, nesse fluxo e refluxo das ondas da vida, vamos vivendo a cada dia. Vamos a igreja porque "precisamos ir", "precisamos ter coisas" porque "precisamos viver". A nossa vida nessa terra é, em sua melhor hipótese, a luta para continuar vivo: trabalhar, comprar, gozar do que comprou, trabalhar, comprar mais, gozar mais e assim sucessivamente. Mas há muito mais do que isso... Há um só Deus... um só Senhor... e Ele prometeu que voltaria um dia para buscar àqueles que estivessem devidamente preparados na ocasião... para levá-los consigo desta Terra, deste mundo de "ter-fazer-para-viver"...
"Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor." ( I Ts 4.16,17)
Neste dia, segundo a Bíblia, os sepulcros se abrirão e os que morreram em Cristo haverão de ressuscitar! Irmãos, pais, mães, avôs e avós... todos aqueles pelos quais um dia choramos e pranteamos, neste glorioso dia, quando os crentes ressurgirem, ali estarão eles, novamente! Não um esqueleto em decomposição; não! Não carnes apodrecidas, jamais! Mas ali estarão eles, aqueles que conservaram até a morte a fidelidade ao Senhor, novamente vivos, para nunca mais morrerem de novo!
Neste dia, muitos ficarão para trás; serão deixados neste mundo, porque não estavam prontos. Maridos que somem de repente, esposas que ficam sozinhas... mães que desaparecem, filhos órfãos... crentes que somem repentinamente, do nada... crentes fiés... pastores que ficam para trás, enquanto "meros crentes" desaparecem... aviões caindo para destruição porque "o piloto sumiu" (e isso não é filme)... pessoas desesperadas, chorando sem consolo, diante do mais terrível e grandioso fato da história da humanidade; gente que sabe o que aconteceu com seus amados e o que lhe aguarda, sim, a ela que ficou para trás. Gente que não quer aceitar, e está inventando estórias e justificativas... Mas o fato já ocorreu. Podem chorar, podem teorizar; o fato já ocorreu e não há mais nada o que fazer. O pior: Estava Escrito! Estava predito, tudo isso, timtim por timtim, vírgula por vírgula. Não creram por que não quiseram; mas informação sobre tudo isso, TINHAM DE SOBRA!
Por isso, querido leitor, o tempo é HOJE, o dia é AGORA e a hora é JÁ! Acerte suas diferenças com o Senhor! Busque-o enquanto você pode achá-Lo. Não deixe para lá, não deixe para depois a principal decisão da sua vida! Não diga: "Ah, estou muito ocupado, quem sabe um dia?", porque o dia vem de repente e você não estará preprado quando Jesus voltar! Fale com Ele hoje mesmo; confesse seus pecados e peça-lhe para perdoar de todos os pecados. Daí, receba-O hoje, em seu coração, em sua vida! E viva para Ele hoje, como se Ele voltasse neste mesmo dia!
Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
RUDIMENTOS DA DOUTRINA DE CRISTO - III: OS BATISMOS
POR isso, deixando os rudimentos da doutrina de Cristo, prossigamos até à perfeição, não lançando de novo o fundamento do arrependimento de obras mortas e de fé em Deus, e da doutrina dos batismos, e da imposição das mãos, e da ressurreição dos mortos, e do juízo eterno. E isto faremos, se Deus o permitir. (Hb 6.1-3)
Dando prosseguimento ao estudo dos fundamentos da fé cristã, nesta argumentação vamos abordar a doutrina dos batismos. Note que o ensino acerca dos batismos refere-se aos rudimentos da fé cristã e que o autor aos Hebreus escreveu sua epístola para um grupo específico de crentes que existiram naquela época – os crentes que eram hebreus, convertidos do judaísmo à fé cristã.
Este ensino se reveste de grande importância em nossos dias, onde as trevas têm tomado as mentes e corações daqueles que deveriam conhecer e ensinar a Palavra de Deus sem enxertos humanos. Nos últimos dias têm se levantado alguns pastores, bispos e apóstolos ensinando heresias acerca dos batismos: para uns, só serão salvos aqueles que forem batizados nas águas; para outros, ninguém pode ser batizado com Espírito Santo nos dias de hoje; outros confundem as manifestações da alma com as do Espírito; outros, de forma muitíssimo pior, classificam temerariamente todas as manifestações ocorridas como “obras do diabo”, sem procurar discernir as manifestações, pecando de forma imperdoável contra o Espírito Santo e ensinando outros a fazer o mesmo. E assim há um sem-número de erros e confusões acerca dos batismos, gerando desorientação e enfraquecimento da fé. O escasso discernimento espiritual por si só já é um sintoma do baixíssimo nível espiritual desses líderes religiosos, se é que há alguma espiritualidade em suas vidas. Paulo ensina que quem não discerne as coisas do Espírito de Deus é o homem natural, não convertido, sem o Espírito de Deus.
OBSERVAÇÃO: Segundo o ensino dos Mórmons, também conhecidos como "Santos dos ùltimos Dias", há o batismo por procuração ou batismo pelos mortos. Segundo este ensino, um vivo poderia ser batizado no lugar de uma pessoa morta e esta então usufruiria dos benefícios do ato praticado pelos vivos. Este ensino surge a partir da interpretação distorcida de I Co 15.29: "Doutra maneira, que farão os que se batizam pelos mortos, se absolutamente os mortos não ressuscitam? Por que se batizam eles então pelos mortos?" Com uma simples leitura do contexto, é fácil perceber que "os mortos", na argumentação paulina, refere-se ao pensamento de alguns de que Cristo não havia ressuscitado (I Co 15.12-14). Aqui vale a máxima da exegese bíblica: texto sem contexto só serve para fazer um pretexto; e este só serve para jogar no cesto. Os Mórmons não são considerados como Igreja cristã pelas denominações genuinamente cristãs, pois seguem um outro evangelho (Gl 1.9), com outro testamento.
O termo batismo vem do substantivo grego “baptismo”, sendo traduzido por submergir, imergir. Observe que o termo “batismo” está no plural, o que indica que o ensino envolvia mais de um tipo de batismo. Mas que batismos eram esses? Dado que a epístola foi escrita para os Hebreus, estes batismos envolvem as práticas daquele povo. Além disso, é muito provável que envolva também os “batismos” praticados pelas religiões de mistério existentes naquela época.
Os Hebreus, em sua religião, praticavam rituais de purificação que envolviam abluções (o termo grego baptismo se refere tanto ao ato de imersão quanto ao rito de purificação como lavagem). O primeiro milagre de Jesus, realizado nas Bodas de Caná, foi justamente a transformação de água (utilizada para as purificações – do Gr. katharismos – dos judeus) em vinho (João cap. 2). O cap. 19 do livro de Números mostra algumas purificações com água realizadas pelos Hebreus.
“Houve então uma questão entre os discípulos de João e os judeus acerca da purificação. E foram ter com João, e disseram-lhe: Rabi, aquele que estava contigo além do Jordão, do qual tu deste testemunho, ei-lo batizando, e todos vão ter com ele.” (João 3:25,26). Aqui novamente aparece o termo “katharismos”. Há somente 7 versos no Novo Testamento que usam este termo (Mc 1:44; Lc 2:22; 5:14; Jo 2:6; 3:25; Hb. 1:3; 2 Pe. 1:9); nos Evangelhos, é usado sempre se referindo às purificações dos judeus. Nos versículos 22 e 23 o termo grego utilizado é baptismo. Este texto não indica, como propõem alguns intérpretes, que o batismo de Jesus era diferente do batismo de João, mas sim sobre o porquê que Aquele (não que Ele mesmo batizasse, mas seus discípulos o faziam) que fora batizado por João passara a batizar também (observe que João responde, nos versículos 29 e 30, que Cristo é quem tinha a preeminência, não João. Veja também Jo 4.1,2). Observe também que o batismo aqui é entendido pelos discípulos de João como sendo algo voltado para a purificação.
Lucas afirma que o batismo de João era o batismo de “arrependimento, para perdão dos pecados” (Lc 3.3). Note que Lucas relata que João exortava duramente à multidão que saía para ser batizada por ele (Lc 3.7-9). Ora, se ele pregava a necessidade urgente de batismo, porque ele repreendia àqueles que a ele vinham para sem batizados? Porque a multidão entendia que o batismo de João era mais um rito de purificação, algo meramente exterior, sem a necessidade de transformação interior (arrependimento). De nada adiantaria àquelas pessoas, espiritualmente falando, serem batizadas sem que houvesse real arrependimento primeiramente. O rito em si mesmo não tem efeito nenhum; é preciso de haja mudança de vida (Lc 3.10-14) para que haja eficácia no batismo. Por isso, o arrependimento e a fé devem ser primeiramente gerados pelo Espírito Santo no coração dos homens, para que só então esses homens sejam batizados nas águas.
Abre parênteses: Segundo São Tomás de Aquino, em sua Summa Theologica, o texto de Hebreus 6:2 se refere ao batismo de água, de arrependimento, e de sangue. Trata-se de uma “teologização” do batismo, onde o batismo de sangue seria o martírio, em razão da fé cristã, de alguém que não necessariamente tivesse sido batizado em água. Thomas de Aquino, citando Agostinho, compara os batismos de água e de sangue: "O recém-batizado confessa a sua fé na presença do sacerdote: o mártir na presença do perseguidor. O primeiro é aspergido com água, depois que ele confessou, este último com o seu sangue. O primeiro recebe o Espírito Santo pela imposição das mãos do bispo, este último é feito templo do Espírito Santo". Para o catolicismo romano, o batismo de sangue (aparentemente baseado em Mt 20.22,23), aliado ao desejo de ser batizado (o que a teologia católica denomina “batismo de desejo” ou “penitência” – outra teologização, onde é há uma confusão com o batismo do Espírito. O argumento Tomaquiano para “batismo de desejo” baseia-se no episódio do ladrão na cruz, salvo sem batismo) acarretaria os frutos do batismo em água: o perdão dos pecados e a entrada no Reino de Deus. O leitor deve atentar para o fato de que este conceito foi elaborado posteriormente à escrita da epístola aos Hebreus, não refletindo necessariamente o pensamento do autor da mesma, nem do autor desta argumentação. Fecha parênteses.
Assim, o ensino a que se refere a epístola aos Hebreus no que concerne ao batismo de João consistia na distinção, tanto em propósito quanto em natureza, desse batismo das purificações dos judeus, algo facilmente confundível pelos crentes de origem hebréia. As purificações tinham o propósito cerimonial, sendo interpretadas como mero rito exterior – assim como o restante da Lei de Moisés; por sua vez, o batismo de João tinha como propósito o arrependimento, algo ligado ao interior do homem. Não eram, de modo algum, práticas equivalentes; assim, mesmo que os crentes hebreus tivessem experimentado inúmeras vezes as purificações em água, uma vez tendo sido convertidos deveriam agora participar do batismo nas águas. Perceba adicionalmente que no texto da epístola, os ensinos sobre arrependimento das obras mortas e a fé em Deus são citados antes do ensino sobre os batismos, de forma que os primeiros são pré-requisitos para os seguintes.
Segundo a ordem do próprio Senhor Jesus, o batismo nas águas é feito “em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo” (Mt 28.19). A expressão “em nome de” indica que o batismo é feito na autoridade e determinação unicamente da Divina Trindade (não no nome da pessoa que está batizando outra). Se cada homem batizasse em seu próprio nome o caos se instalaria na Igreja, pois haveria uma disputa sobre “quem foi batizado no nome do mais proeminente batizador”. Por muito menos, na Igreja de Corinto, existiam disputas e contendas motivadas por “preferências” dos crentes pelos ministros de Deus: “Quero dizer com isto, que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo, e eu de Apolo, e eu de Cefas, e eu de Cristo.” (I Co 1.12) Note que Paulo pergunta: “Está Cristo dividido? foi Paulo crucificado por vós? ou fostes vós batizados em nome de Paulo?” O apóstolo mesmo responde a pergunta: “Dou graças a Deus, porque a nenhum de vós batizei, senão a Crispo e a Gaio, para que ninguém diga que fostes batizados em meu nome.” (I Co 1.13-15) Batizar em seu próprio nome – como fazer discípulos para si mesmo – é típico de fundadores de seitas, coisa inconcebível na fé cristã. Um crente pode ser discípulo de um outro crente, desde que este segundo seja discípulo de Cristo e tenha, deste modo, o propósito de edificar a pessoa na fé cristã, tornando-a mais semelhante ao próprio Senhor de ambas.
Abre parênteses: O batismo nas águas cura doenças físicas? O batismo nas águas liberta a pessoa de espíritos malignos? Não e não! Ele não tem esse propósito! Mas, o batismo nas águas purifica o homem dos seus pecados? O batismo salva? Novamente, a resposta é não. O batismo não lava pecados, como querem fazer crer alguns religiosos. Nem tampouco salva, ainda que o batismo tenha um papel no plano de Deus para a salvação do homem. Essa verdade está muito clara nas Escrituras: Felipe foi transladado pelo Espírito Santo de Samaria a Gaza por causa de uma única alma, o eunuco da rainha Candace, a ser salva e batizada nas águas. Fecha parênteses.
Há que se considerar, ainda, o batismo com o Espírito Santo, e com fogo (Mt 3.11), onde Jesus é o batizador. Eis um tema bastante debatido entre os irmãos pentecostais e os irmãos tradicionais. Mesmo entre os pentecostais, há controvérsias: o texto aborda dois batismos (batismo com Espírito Santo e batismo com fogo) ou apenas um? (batismo com Espírito Santo e com fogo) No texto grego, a expressão “batismo com Espírito Santo e com fogo” é “en pneumati hagio kai puri” (“βαπτίσει ἐν πνεύματι ἁγίῳ καὶ πυρί”, Textus Receptus – 1550, com acentos). Conforme alguns mestres da Palavra de Deus, a coordenação copulativa kai (“e”) exige que “o batismo com Espírito Santo e com fogo” seja tratado como sendo um único batismo.
Há outros Mestres da Bíblia que argumentam que ao mencionar o batismo com Espírito Santo e com fogo João estaria se referindo a dois tipos de batismo diferentes: o batismo com Espírito Santo, destinado ao trigo (aos arrependidos) e o batismo com fogo, destinado à palha (aos impenitentes, baseados em Ml 3). Ainda que esta interpretação pareça ser a mais óbvia, há alguns argumentos que a contradizem. O termo “batismo” na Bíblia nunca é associado a algo negativo, como a destruição dos ímpios e infiéis, mas aparece sempre ligado a uma atitude positiva (não há uma expressão “batismo de destruição” na Bíblia). Ao contrário do que argumentam alguns, o fogo, em Malaquias 3:1-3, é destinado aos “filhos de Levi”, para os purificar, de forma que tragam ofertas em justiça ao Senhor; não sendo assim destinado aos “filhos de Belial” para os destruir, como sugerem os intérpretes de Mateus 3. Porque a inclusão da expressão “com fogo”? Obviamente, para enfatizar um dos aspectos deste batismo: a rápida capacidade de se alastrar. Havendo comburente e combustível, o fogo arderá ininterruptamente. Note que a rápida e ininterrupta expansão da Igreja, a partir do Pentecostes, pode ser facilmente associada à ação do fogo sobre os materiais combustíveis; do mesmo modo, associa-se também a sua ininterrupção (não existe instituição que tenha sido tão combatida e mesmo assim continue insistentemente existindo na face da Terra do que a Igreja). É preciso também considerar que João está se referindo a um tempo futuro (“ele vos batizará”), a um momento profético específico, que não correspondia ao momento em que aquelas palavras foram pronunciadas; deste modo, ao inspirar estas palavras, o Espírito Santo poderia estar se referindo à Igreja que seria ainda formada no dia de Pentecostes.
O que seria este “batismo com Espírito Santo e com fogo”, ou de forma mais simplificada o “batismo com Espírito Santo”? É o cumprimento da profecia de Joel: “E nos últimos dias acontecerá, diz Deus, Que do meu Espírito derramarei sobre toda a carne; E os vossos filhos e as vossas filhas profetizarão, Os vossos jovens terão visões, E os vossos velhos terão sonhos; E também do meu Espírito derramarei sobre os meus servos e as minhas servas naqueles dias, e profetizarão” (Jl 2.28-30 comp. com At 2.17,18). Jesus afirmou que ele é o revestimento de poder (At 1.5,8), para capacitar os crentes para serem testemunhas do Senhor (mártires). Assim, o batismo com Espírito Santo deveria tornar os crentes mais aptos para testemunharem sobre a realidade do ministério do Senhor Jesus; afinal o ministério do Espírito Santo é glorificar o Senhor Jesus, anunciando o que Dele receber (Jo 16.14).
Como se dava o batismo com Espírito Santo nos tempos apostólicos? Dava-se pela imposição de mãos dos apóstolos, como em Samaria (At 8.14-17), após o batismo nas águas; dava-se espontaneamente, após a pregação da Palavra de Deus, como na casa de Cornélio (At 10.44; 11.15-17); dava-se também a partir da busca pelo Senhor em comunhão e oração (At 2). Sobre isso, Pedro disse: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para perdão dos pecados; e recebereis o dom do Espírito Santo” (At 2.38). Em Éfeso (At 19.2-7), Paulo perguntou aos irmãos que ali estavam: “Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes?” A resposta foi unânime: “E eles disseram-lhe: Nós nem ainda ouvimos que haja Espírito Santo.” Os irmãos em Éfeso sequer tinham conhecimento da existência do Espírito Santo! Eles só haviam sido batizados até o momento conforme o batismo de João, ou seja, o batismo nas águas para arrependimento. A Bíblia diz que Paulo então impôs as mãos sobre eles, e aqueles discípulos foram batizados com o Espírito Santo, com as evidências disso: línguas estranhas e profecias!
Assim, de forma geral, o batismo com o Espírito Santo aparece no livro de Atos após a conversão (da qual precedem o arrependimento e a fé) e o batismo nas águas. Qual é a ligação bíblica entre os batismos? O ministro batiza nas águas, Jesus batiza com o Espírito Santo. E o Espírito Santo? Batiza no Corpo de Cristo, que é a Igreja! (I Co 12.13) Se realmente somos batizados na base do arrependimento e fé em Jesus, certamente receberemos o Espírito, e é este Espírito que nos introduz no corpo de Cristo e forma sua natureza em nós. É somente através do Espírito nos batizar no corpo que a pessoa de Jesus, sua vida e humanidade, pode ser manifestada ao mundo através de nós. Essa realidade – do batismo no Corpo – ainda precisa ser restaurada na Igreja hodierna!
Observe que a seqüência – batismo nas águas, batismo com Espírito e batismo no Corpo – não é automática, conforme Atos 19. Trata-se de uma propriedade inerente, um potencial que pode ser desenvolvido pela fé. Ao sermos batizados na água podemos e devemos ser batizados no Espírito e ao sermos batizados no Espírito podemos e devemos ser batizados no corpo. Mas por termos entrado em apostasia e vivermos em tempos de restauração, precisamos lutar para voltar a este nível, que é nosso direito e herança.
A necessidade de arrependimento e fé, gerando conversão e desejo de ser batizado nas águas, ao qual tendo acontecido ensejará, ao seu tempo, o batismo com Espírito Santo e o batismo no corpo é a causa da negativa de batismo àqueles que não compreenderam ainda o propósito disso. É preciso ter compreensão sobre o que significa ser batizado nas águas, com clareza, antes do ato. Do ponto de vista bíblico, uma pessoa só deveria ser batizada nas águas após a evidência de conversão e da compreensão do que implica ser batizado.
Na próxima argumentação, estudaremos acerca do ensino sobre a imposição de mãos. Até lá, permitindo Deus! Lembre-se: Deus está lhe dando visão de águia!
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