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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

PASTOR CHAMADO vs CHAMADO PASTOR: COMO IDENTIFICAR?

Rio - O pastor Nelson Pereira de Souza, de 54 anos, foi preso por policias da Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav), na madrugada desta sexta-feira, no Jardim América, na Zona Norte. Motorista de uma van escolar, ele é acusado de molestar uma menor de 12 anos durante dois anos. A pena pode chegar a 10 anos de prisão. Segundo o inspetor Roberto, da Dcav, as investigações tiveram início há cinco meses, quando o pai da menina - que também seria pastor - desconfiou do comportamento da jovem. De acordo com depoimento da menina, Nelson constantemente tocava seus seios, pernas e partes íntimas na van.

Fonte: http://odia.terra.com.br/portal/rio/html/2010/8/pastor_e_preso_acusado_de_molestar_menor_de_idade_no_jardim_america_102879.html.  Acesso 13/08/2010, às 11h30min.

Mais uma vez, pastores aparecem na mídia; não por sua idoneidade ou trabalho pastoral sério, mas por causa da acusação de pedofilia. Hoje, surgem dois pastores - o primeiro, motorista de van e que teria, segundo a reportagem, abusado sexualmente da filha do segundo pastor.

Diante de tantos escândalos, fica a seguinte pergunta: será que a ordenação ao ministério pastoral está sendo feita de acordo com os critérios bíblicos? Estamos obedecendo as exigências para a consagração de pastores, registradas nos textos de I Timóteo capítulo 3 e Tito capítulo 1? Será que um "irmão", por ser mais "avivado" e "falar bem em público" tem todas as condições necessárias para ser pastor? "Tempo de casa" faz um pastor? Alguém deve ser considerado "o escolhido" por profecia?

Outra questão: como diferenciar o genuíno pastor da imitação? Como diferenciar o "pastor chamado" do "chamado pastor"?

Uma discussão muito importante é se o pastorado é profissão ou vocação. O Pr. Prof. Magdiel Anselmo em seu blog "A Verdade Bíblica" (http://pranselmoteologia.blogspot.com/2010/08/pastorado-uma-vocacao-ou-mais-uma.html) discorre com muita sabedoria e equilíbrio sobre o tema, à luz da Palavra de Deus e dos princípios de Teologia Pastoral. Recomendo a leitura.

De início, deve ser ressaltado que a existência do falso pastor pressupõe a existência do verdadeiro pastor. Assim como há o falso, também há o verdadeiro. Assim como existe o ouro (Au), existe a pirita (dissulfeto de ferro, FeS2, chamada de "ouro dos tolos"); existe o diamante (C) e existe a zircônia cúbica (óxido de zircônio, ZrO2), imitação do diamante produzida em laboratório, da foto acima. Uma das formas mais antigas que o diabo usa para fazer oposição à Deus é pela imitação. Ainda há pastores verdadeiros, que não venderam o seu ministério nem por prata e ouro, nem por um prato de lentilhas!

Ao lermos a Bíblia, é possível constatar muitas e preciosas verdades sobre o ofício pastoral. Um pastor precisa ser irrepreensível, marido de uma mulher, vigilante, sóbrio, honesto, hospitaleiro, apto para ensinar; não dado ao vinho, não espancador, não cobiçoso de torpe ganância, mas moderado, não contencioso e não avarento. Deve governar bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia. Não pode ser neófito, para que, ensoberbecendo-se, não caia na condenação do diabo. Além disso, convém também que tenha bom testemunho dos que estão de fora, para que não caia em afronta, e no laço do diabo. Note que a eloquência (um dos principais "dons" que a Igreja atual elencou para eleger pastores) não consta na listagem paulina; tampouco "o ser avivalista".

Porém, mais do que requisitos qualificadores (e estes o são, de fato), tais requisitos são identificadores. Temos falhado miseravelmente em reconhecer estes requisitos em sua plenitude de propósito. Segundo Efésios 4:11, o pastorado é dom de Cristo, ligado à sua ascensão. Cristo, que é aquele que desceu e também o mesmo que subiu acima de todos os céus, para cumprir todas as coisas, deu dons aos homens. Ora, o dom é algo espiritual, sobrenatural; é a capacitação do alto para realizar tarefas específicas aqui na Terra. "Deu dons aos homens" - Dom, aqui, é a tradução do termo grego "domata" (e não charismata, como na lista de dons espirituais em I Coríntios). Cada um, no seu ministério, é dom; mas cada ministério individual é segundo a proporção do dom de Cristo. Noutras palavras, Cristo doa-se à Igreja através do dons ministeriais: é Cristo o pastor dentro de um homem que faz dele pastor, por exemplo.

Como saber se Cristo pastor está na vida de alguém, tornando-o pastor? Há marcas distintivas, que evidenciarão com clareza à Igreja se o candidato ao ofício possui ou não este dom. Que marcas são essas? São as que se encontram listadas em I Timóteo capítulo 3 e Tito capítulo 1. Noutras palavras, se alguém possui o dom de Cristo, se o Cristo pastor está dentro da vida do candidato ao pastorado, este exibirá as características compatíveis com a sua condição. Jesus disse claramente que pelo fruto nós poderíamos distinguir o verdadeiro do falso.

Alguém pode reunir tais requisitos (não ser cobiçoso de torpe ganância, etc) e ainda assim não ter o dom de Cristo. Os requisitos paulinos são o esperado na vida de todos os crentes! Basta uma simples leitura bíblica para constatar isso. Por exemplo, a avareza é amplamente condenada nas Escrituras (Pv 15.27; 28.16; Jr 22.17; Ez 22.12,13; 33.31; Lc 12.15; Ef 5.3; Hb 13.5; etc). Porém, alguém que tem o dom de Cristo terá, necessariamente, tais características em sua vida. Observe que Paulo começa o texto de I Timóteo 3 no campo hipotético ("se alguém deseja o episcopado"), passando em seguida para que qualidades ou características convêm existir na vida daquele que deseja o episcopado ("Convém, pois, que o bispo seja"). Noutras palavras, é como se Paulo dissesse: "Se você quer SER pastor, precisa SER primeiramente...".

O problema é, então, que via de regra os candidatos ao pastorado não estão sendo devidamente avaliados antes de serem ordenados e empossados como pastor. Ordenam-se pastores sem nenhuma condição espiritual (e, na maioria das vezes, moral) para o exercício da função. Como o recém-ordenado não possui nenhuma vocação em sua vida, transformará a função pastoral em abuso de poder e objeto de enriquecimento, tudo isso às expensas dos escândalos que se amontoarão sobre sua vida.

Urge, assim, que a Igreja, não importando a denominação (batista, metodista, congregacional, presbiteriana, assembléia, etc) o escrutínio da vida do candidato. Analisar a formação teológica é importante; nenhum pastor deveria ser ordenado sem ter concluído um seminário teológico. Porém, analisar se o dom existe na vida do candidato é essencial. Novamente, uma pessoa pode conhecer as mais variadas correntes teológicas e nem por isso ter o dom de pastor em sua vida.

Por último, surge a pergunta: a garantia do dom é também garantia de incorruptibilidade? Por certo que não. Alguém devidamente chamado por Deus e capacitado por Ele com o dom de pastor pode apostatar da fé. "Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia", é o que nos exorta o apóstolo Paulo. Porém, uma coisa é certa: é melhor ordenar alguém com dom, um pastor chamado, do que um aventureiro entusiasmado, um chamado pastor. Se o primeiro pode cair, o segundo já caiu faz tempo! Émelhor ter um "ungido" convertido à frente da Igreja do que um "mugido" pecador costumaz.

Pense nisso. Deus está te dando visão de águia!

3 comentários:

  1. Pr Ricardo,
    Como de costume, seu texto é brilhante.
    Concordo com sua argumentação que as ordenações não estão seguindo os critérios ou como escreveu, os identificadores bíblicos para "ser um pastor" em sua grande maioria.
    A formação teológica, a confirmação de seus dons e chamada, e ainda uma análise criteriosa de sua vida são exigência básicas para o ingresso do candidato ao ministério pastoral. Porém, como mencionou, não garantem sucesso ministerial do ponto de vista bíblico. Mas, é melhor errar acentuando o zelo do que pecar negligenciando sua importância.
    ps. gostei do "mugido" rrss
    Forte abraço,
    Em Cristo,
    Pr. Magdiel G Anselmo.

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  2. Como é bom saber que ainda existem pastores,segundo o coração do Senhor.Embora lado a lado,vemos os falsos pastores isso não nos surpreende.Jesus já havia nos alertado.Haja pedra de moinho para amarrar em tandos pescoços... Infelizmente os caras de pau estão aí,cobiçando a lã das ovelhas.Êta bichinho tolo!

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  3. Infelizmente aqui na minha cidade não é diferente, alguns camaradas por que tem peito pra abrir uma portinha, ainda que debaixo de rebeldia!!! Se acham no direito de serem chamados de PASTOR.
    È necessario mudar-mos isso amados!!
    Devemos selecionar com mais critérios os chamados Pastores por que a mídia generaliza!!
    E nós pastores pagamos por essa parte que não tem o mínimo compromisso com a obra de Deus, e que só querem estar em evidência.
    Brilhante observação Pastor Deus continue te usando nesse blog que tanto tem nos abençoado!!!
    Pr. Mariedson.

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